O melhor presente de natal

Natal

Fonte: cdn-img.fimfiction.net

SINOPSE: É quase véspera de Natal, e todos os alunos de Cheerilee estão ansiosos para passarem as férias em casa com suas famílias. Todos, exceto Scootaloo. Suas duas melhores amigas estão prestes a descobrirem que às vezes, amizade é o melhor presente que você pode dar.

Autor: JasonTheHuman

***

A última semana de aula antes do recesso natalino era sempre a mais demorada.

A escola de Ponyville estava cheia de conversas de alunos planejando o que fazer nas próximas semanas. Havia conversas sobre como passar as férias, visitas para ver parentes distantes e até mesmo previsões sobre os presentes que iriam receber. O natal era sinônimo de ficar sem aula, nenhuma lição de casa, e o melhor de tudo: presentes.

Sweetie Belle estava sentada em sua escrivaninha situada na parte de tráz da sala de aula ansiosa, ouvindo Cheerilee explicar as frações matemáticas com um pouco de entusiasmo, até que o sinal do recreio a acordasse de volta. Ela pegava sua lancheira e caminhava para a porta com Apple Bloom e Scootaloo.

Mas antes de saírem da sala, Cheerilee as parava. “Scootaloo, posso falar com você por um minuto?”

“Claro! Scootaloo olhava para as amigas e em seguida acenava para elas. “Vão na frente, eu alcanço vocês!”

“Nos encontraremos lá fora então, no lugar de sempre,” dizia Apple Bloom.

Elas saíam para o ar frio. Ainda não havia nevado, mas a grama já estava com uma fina camada de geada branca e os céus estavam opacos e cinzentos. As duas foram até o “lugar de sempre”, que era uma mesa de piquenique de madeira perto do parquinho, onde abriam suas respectivas lancheiras.

Sweetie Belle pegava um amburguer de pepino, o que significava que Rarity deve ter feito o lanche dela hoje. Essa era uma das especialidades da irmã. Apple Bloom tinha alguns queijos e bolachas, juntamente com uma garrafa de suco de maçã caseiro.

“Oi pessoal! Estou de volta!” Gritava Scootaloo alguns minutos depois.

“Foi rápido, nem abrimos as lancheiras direito,” dizia Apple Bloom. “O que a professora Cheerilee queria?”

Scootaloo abaixava os olhos. “Oh, uh… que eu participasse do festival do Dia da Família novamente.”

Sweetie Belle dava uma mordida em seu amburguer de pepino. “Não era pra você participar desse festival algumas semanas atrás?” Ela perguntava com a boca cheia.

“Era, mas meus pais estavam… fora da cidade novamente,” dizia Scootaloo, sentando-se ao lado delas. “Então Ruby Pinch acabou indo no meu lugar. E agora Cheerilee está perguntando se eu poderia participar esta semana antes da escola entrar em recesso natalino, mas novamente não sei se meus pais estarão na cidade.”

“Eles parecem viajar muito,” dizia Apple Bloom. “Acho que nunca os conheci.”

“Sim. Eles são… muito ocupados.”

“O que eles fazem?”

“Sabe como é. Muito trabalho, essas coisas,” Scootaloo dizia. Ela abria a lancheira e vasculhava através dela. A pegaso laranja pegava uma caixa de leite de soja, abria e tomava um gole. “De qualquer forma, eu perguntei a ela se eu poderia ir com Rainbow Dash, já que somos irmãs agora. Ela é praticamente da família para mim.”

“Aposto que a Rainbow teria um monte de histórias legais para contar no festival,” dizia Apple Bloom. “Mas não há mais ninguém que você poderia chamar? Nenhum de seus pais poderia ir com você?”

“Bem, não.” Scootaloo dava de ombros. “Não é minha culpa se a professora Cheerilee sempre me indica para o evento do Dia da Família quando eles estão fora da cidade.”

“Talvez você possa ir depois que aula acabar! Porque na hora do almoço seus pais devem voltar, certo? ”Sweetie Belle dizia. “Quero dizer, a menos que Rainbow Dash possa ir.”

“Sim. Talvez.”

Scootaloo terminava seu leite em mais alguns goles e sentava-se, assistindo suas amigas terminarem seus lanches. Apple Bloom dava uma olhada, observando a amiga.

“Acho que tenho uma maçã extra na minha bolsa, se você ainda estiver com fome. Quer Scootaloo?” Perguntava Apple Bloom.

“Hã? Não, obrigada. Estou bem.” Respondia Scootaloo.

“Não mesmo? Applejack sempre me dá umas maçãs a mais para o lanche da tarde.”

Scootaloo sacudia a cabeça. “Já tomei um bom café da manhă hoje cedo. Estou satisfeita, mas obrigada.”

“Normalmente você não traz muita coisa pra comer,” dizia Sweetie Belle. “Geralmente só te vejo com uma caixa de leite de amêndoas ou de soja ou algo assim. Às vezes você nem traz nada.”

“Bem, hum, isso é porque eu tomo muito café da manhã todos os dias!” Scootaloo dizia, com um sorriso meio desajeitado. “É uma espécie de rotina, sabe? Eu como muito de manhã e isso me dá energia para aproveitar praticamente o dia todo! ”

“Applejack sempre fala que o café da manhã é a refeição mais importante do dia, mas eu nunca dei bola” dizia Apple Bloom, encolhendo os ombros.

Scootaloo assentia, mas ainda estava olhando a maçã que saía da mochila da Apple Bloom. Por um momento, ela não dizia nada.

“Mas se você não vai comer tudo bem.”

“Tá no casco!” Apple Bloom estendia o casco com a maçã para ela.

“Obrigada.” Scootaloo repetia o gesto estendendo o casco, hesitando por um momento, e em seguida pegava a fruta. Ela dava uma mordida, depois falava de novo. Sua energia habitual parecia ter retornado. “Então, qual é o nosso plano hoje? O recesso natalino significa ainda mais tempo para tentarmos obter as nossas marcas!”

Apple Bloom pensava por um momento. “Há muitas colinas grandes na fazenda. Aposto que poderíamos tentar usar um trenó.”

“E patinação no gelo? Ouvi dizer que é divertido no inverno,” sugeria Sweetie Belle.

“Mas onde vamos conseguir patins?” Perguntava Apple Bloom.

“Aposto que podemos encontrar em algum lugar na cidade…” Sweetie Belle batia o queixo em pensamentos.

Elas ouviam Diamond Tiara e Silver Spoon falando e rindo alto antes de vê-las aparecerem. Ambas estavam usando cachecois que combinavam as cores.

“Papai contratou um fornecedor profissional para a nossa festa este ano. Um dos chefs mais famosos de Canterlot.” Dizia Diamond Tiara.

“Isso parece incrível. Virão quantos convidados?” Perguntava Silver Spoon.

“Oh, estamos esperando muitos. Mas na verdade, qualquer pônei está convidado para a nossa super festa especial de natal,” dizia Diamond Tiara. Ela fazia uma pausa, notando as três sentadas na mesa e dava um sorriso maroto. “Então, mas acho que vocês três não estarão na festa, não é mesmo?”

Ela e Silver Spoon riam e se viravam para irem embora. O rosto de Sweetie Belle ficava vermelho, e ela começava a se levantar antes que Apple Bloom a segurasse.

“Pois nós não iríamos mesmo se você nos convidasse!” A voz de Sweetie Belle falhava enquanto ela gritava atrás delas. Elas nem se viravam.

“Calma, Sweetie Belle”, dizia Apple Bloom. “Eu certamente não vou sentir saudade dessas duas quando a escola entrar em recesso.”

Scootaloo ficava sentada em silêncio o tempo todo. Ela dava uma mordida na maçã e mastigava devagar. “Eu simplesmente não suporto ela. Diamond Tiara acha que é melhor do que qualquer outra só porque ela tem pais com dinheiro.”

“Eles são a família mais rica em Ponyville…” Sweetie Belle lembrava.

Scootaloo sacudia a cabeça com um suspiro. “Tanto faz. Não importa mesmo.”

O sinal da escola soava novamente, e elas saltavam das mesas voltando para o interior da escola. Cheerilee caminhava até a lousa e começava a escrever, o giz batendo intermitentemente no quadro.

“Como o natal está perto, pensei que a aula de história de hoje deveria ser sobre a fundação da Equestria! Alguém pode me dizer os nomes dos líderes dos pégasus, unicórnios e dos pôneis terrestres que são lembrados durante este feriado? ”Cheerilee olhava esperançosa para os alunos.

Apple Bloom se acomodava em sua escrivaninha para esperar o resto do dia. Ela olhava para Scootaloo e a via descansando a cabeça no livro aberto, roncando baixinho.

O primeiro dia de folga havia chegado e trazia consigo um cobertor de neve. Apple Bloom acordava naquela manhã, olhava pela janela para a pitoresca paisagem de inverno e sabia instantaneamente o que tinha que fazer.

Levou alguns minutos para sair da cama, vestir um cachecol e botas e sair correndo pela porta da frente, mas a pegaso laranja já estava no clube das Cutie Mark Cruzaders em tempo recorde, situado na casa da árvore. Scootaloo estava esperando sentada e folheando uma revista em quadrinhos no clube. Sweetie Belle tinha aparecido poucos minutos depois, enrolada em um elegante chapéu e cachecol que Rarity havia feito para ela.

A neve já era de vários centímetros de espessura, perfeita para brincarem. Elas passavam algumas horas construindo paredes para uma fortaleza de neve.

Sweetie Belle olhava em volta da fortaleza que elas construíram. “Mas vocês realmente acham que podemos ganhar nossas marcas especiais construindo coisas da neve?”

Uma bola de neve batia na lateral do rosto dela, e ela ouvia Scootaloo rindo. “Eu não sei, mas é divertido!”

Sacudindo a neve de seu rosto e reajustando seu chapéu, Sweetie Belle rapidamente pulava para trás de uma das paredes da fortaleza de neve e começava a juntar mais neve em seus cascos. Apple Bloom reivindicava uma posição no centro, e Scootaloo estava na extremidade da clareira mais próxima do clube.

A batalha durava a maior parte da tarde, com alianças se formando e se dissolvendo, e territórios constantemente mudando de cascos. Bolas de neve voavam para a frente e para trás até o sol começar a se pôr atrás das árvores.

Eventualmente, Sweetie Belle gritava: “Trégua! Trégua! As três caminhavam em direção ao centro do campo e balançavam solenemente, declarando oficialmente a guerra. Apple Bloom não conseguia manter o semblante sério, e logo todas as três começavam a rir.

“Então o que vamos fazer agora? Hockey no gelo? Snowboard? Scootaloo tinha um largo sorriso no rosto.

“Que tal irmos para casa? Está ficando frio,” dizia Apple Bloom.

“Sim. Hoje foi divertido, mas acho que quero entrar e me aquecer também,” dizia Sweetie Belle. Ela bocejava. “Vejo vocês amanhã então!”

Ela começava a andar de volta para casa, mas Scootaloo a alcançava. “Tem certeza? Quer dizer, nós termos que aproveitar ao máximo as férias de natal! Não podemos perder nada disso!”

“Mas é apenas o primeiro dia,” dizia Sweetie Belle.

Scootaloo suspirava e suas asas baixavam. “Sim, tem razão. Vou ver o que a Rainbow Dash está fazendo então…”

“Não se preocupe, Scootaloo. Tenho certeza que vamos fazer muito mais coisas juntas nas férias antes das aulas voltarem,” dizia Apple Bloom.

Sweetie Belle de repente dava um pulo. “Oh! Oh sim! Eu esqueci de dizer a vocês algo importante! Rarity sempre prepara sua loja para a véspera de natal. Ela disse que poderíamos ajudar, e quem sabe poderíamos ser, tipo, as Cruzadoras da Decoração! ”

“Isso com certeza parece divertido!” Dizia Apple Bloom.

“Sim, e você sabe o que mais? Eu vou ver se ela deixa a gente fazer uma festa do pijama!” Sweetie Belle dizia.

“Ótimo! Eu estava esperando que pudéssemos ter uma festa dessas!” Dizia Scootaloo.

“Sim! Eu vou ter que pedir para a Applejack, mas acho que ela vai deixar,” dizia Apple Bloom. “Nos veremos então!”

As três se separavam em direções opostas, deixando três marcas de pegadas na neve.

“Estou tão feliz que você recrutou suas amiguinhas para me ajudar a decorar, querida,” dizia Rarity. Ela ficava na frente de uma pilha de caixas de papelão com os rótulos: “Decorações de Natal.” As Cutie Mark Crusaders estavam alinhadas, prontas para começarem a trabalhar. “E vocês duas têm certeza que suas famílias deixaram vocês dormirem aqui?”

“Sim! Applejack disse que tudo estaria bem,” dizia Apple Bloom.

“E os pais de Scootaloo se foram, então eles provavelmente não se importam,” acrescentava Sweetie Belle.

“Se foram?” Rarity perguntava, franzindo a testa. “O que você quer dizer com…”

“Viajando,” dizia Scootaloo rapidamente. “Então sem problemas.”

“Bem, então…” dizia Rarity, pensativa sobre os pais de Scootaloo viajarem na semana de natal sem a filha. “As mesmas regras de sempre, ok? Não toquem em nenhum dos meus suprimentos sem minha permissão. Vocês devem estar na cama às dez e meia da noite e nem um minuto a mais. Não corram pela loja. E, por favor, sem muito barulho, tentem manter o volume no mínimo.”

Sweetie Belle mergulhava de cabeça em uma das caixas e saía coberta de enfeites e guirlandas. “Onde nós começamos?” Ela perguntava.

Rarity mordia o lábio. “Eu estava pensando que vocês três poderiam começar com a árvore.” Ela apontava o pinheiro alto e esbelto no canto. Vou pendurar as coroas de flores nas janelas do andar de cima. Pensei em decorar com um estilo mais tradicional este ano. Ir a Canterlot no ano passado me deu todo tipo de novas idéias. ”

Uma das caixas começava a brilhar com uma suave luz azul, e várias grinaldas flutuavam com grandes fitas vermelhas e douradas amarradas em laços. Rarity inspecionava uma delas com uma expressão de desaprovação. “Um pouco desigual. Isso certamente vai precisar ser corrigido… ”

Enquanto ela corria e subia as escadas, as três foram deixadas para cuidar do resto. Sweetie Belle começava a abrir as outras caixas e a vasculhá-las.

“Então, o que vamos colocar na árvore?” Scootaloo perguntava, observando-a.

Sweetie Belle tirava a cabeça de uma caixa e passava para a próxima. “Rarity tem uns enfeites em algum lugar.” Ela verificava a próxima caixa. “Aqui estão eles!”

Apple Bloom pegava uma das bolas de natal vermelha e olhava para ela, com seu próprio reflexo distorcido olhando de volta. “Na minha casa, na maioria das vezes, temos nossos próprios enfeites caseiros. Todos estes parecem tão sofisticados.”

“Sim. Rarity diz que esses estão mais na moda para sua butique, ou algo assim.”

“Então, o que fazemos com eles?” Perguntava Scootaloo.

“Você sabe. Nunca decorou uma árvore antes?” Perguntava Apple Bloom. “Porque eu ajudo minha família com a nossa todos os anos!”

“Eu não posso dizer que sim,” dizia Scootaloo. Ela tentava sorrir, mas estava claramente envergonhada. “Mas me diga o que fazer e aposto que posso descobrir.”

“Mesmo? Huh… ” Sweetie Belle disse. Ela olhava para Scootaloo por um momento, depois seu rosto se iluminava novamente. “É fácil! Vou mostrar como Rarity e eu sempre fazemos.”

Elas corriam para onde a árvore verde recém cortada já estava apoiada no suporte. Apple Bloom empurrava a caixa de ornamentos e as três olhavam para a árvore.

“Mas como vamos colocar todos os enfeites nessa árvore enorme?” Scootaloo perguntava.

Sweetie Belle apertava os olhos. “Isso pode ser um problema…”

Rarity retornava com três canecas de chocolate quente levitando ao seu lado.

“Parece maravilhoso, meninas, muito obrigada pela ajud…”

Ela parava egolindo seco o que via. Scootaloo, estendendo o casco para enganchar uma única bola de natal em um dos galhos mais altos, estava de pé em cima de Sweetie Belle, que estava de pé em cima de Apple Bloom em uma torre precária ao lado da árvore.

“Não colocou ainda, Scootaloo?” Apple Bloom dizia ofegante, esforçando-se sob o peso.

Scootaloo se inclinava, rangendo os dentes e se esticava o mais perto que conseguia. “Qua… quase lá!”

“Meninas! Desçam imediatamente!” Rarity gritava.

Scootaloo pulava e revirava os olhos. “Nós estávamos sendo cuidadosas…”

Apple Bloom soltava um suspiro e desabava no chão. “Talvez Rarity tenha um ponto. Eu não tenho certeza de quanto tempo eu seria capaz de segurar vocês duas.”

“Eu acho que…” Sweetie Belle dizia. Ela pegava uma das canecas fumegantes de Rarity. “Nós estávamos apenas tentando ajudar.”

“Vocês podem ajudar de um jeito menos perigoso e sem tanta bagunça,” dizia Rarity.

“Desculpe, Rarity,” Sweetie Belle murmurava.

Rarity dava um suspiro de exasperação e balançava a cabeça. Um fio de ouro se erguia da caixa como uma serpente sendo enfeitiçada, e ela começava a envolvê-lo em volta da árvore em espiral. Rarity fazia uma pausa por um momento, olhava para as três e dizia: “Suponho que vocês possam ajudar com os galhos mais baixos.”

As três trocavam olhares, depois Sweetie Belle trotava e tirava mais alguns enfeites. Scootaloo e Apple Bloom seguiam o exemplo.

No final do dia, a Botique Carrossel estava completamente transformada. Decorações em verde, vermelho e dourado estavam penduradas nas paredes, e a árvore brilhava com as lantejoulas.

A crina de Rarity estava levemente bagunçada, mas ela sorria. “Obrigada pela ajuda garotas,” dizia ela, examinando os resultados.

“Isso foi ótimo. Eu nunca percebi o quanto foi divertido!” Scootaloo dizia, olhando para a guirlanda que decorava a sala.

“Este foi um dos melhores natais! E é melhor ainda quando nós estamos juntas nos ajudando,” acrescentava Sweetie Belle.

“Mas está ficando tarde agora,” dizia Rarity, olhando pela janela. No escuro, flocos de neve podiam ser vistos descendo como minúsculos pedaços de luz que sopravam ao vento e se acumulavam nas bordas da janela. “Vocês três não devem se arrumar para a cama?”

“Já?” Sweetie Belle choramingava.

“Lembrem-se do que eu disse. Dez e meia.” A resposta de Rarity era curta. “Estou esperando clientes amanhã bem cedo. Agora subam as escadas e se arrumem.”

As três se aborreceram caminhando até as escadas, em direção ao quarto de Sweetie Belle. O quarto já estava arrumado para elas. Havia apenas uma cama, mas ainda era larga o suficiente para caber todas elas confortavelmente. Sweetie Belle pulava em cima.

“Se ficarmos quietas, Rarity não saberá que estamos acordadas e poderemos ficar acordadas a noite toda!” Ela dizia.

Apple Bloom sorria. “Sim! Nós sempre dizíamos que um dia íamos ficar acordadas até tarde, e hoje é o dia!”

“Não sei quanto a vocês, mas eu não estou com sono!” Sweetie Belle acrescentava, pulando para cima e para baixo. “De todas as festas do pijama das Cutie Mark Crusader, esta será a melhor de todas!”

“Sim!” As três gritavam juntas.

Três batidas fortes chegavam à porta. “Lembram do que falei sobre o volume baixo senhoritas?” a voz de Rarity ecoava.

“Uh, entendido!” Apple Bloom respondia. Ela trocava um olhar com as amigas, e todas seguravam suas risadinhas.

“Às vezes, nós deveríamos ter uma festa do pijama em sua casa, Scootaloo,” dizia Sweetie Belle, dando uma cutucada nela.

Scootaloo olhava para ela com os olhos arregalados. “Minha casa? Eu não sei. Eu gosto de fazer isso aqui, ou na casa da Apple Bloom,” dizia Scootaloo. “Ou talvez Fluttershy nos deixasse ficar novamente.”

“Provavelmente não depois da última vez,” disse Apple Bloom. Elas riam enquanto se lembravam daquela noite. “Mas o que há de errado com a sua casa, Scootaloo? Quer dizer, tenho certeza que você tem uma casa muito legal.”

“Não é isso. É apenas… muito difícil, desde que meus pais…”

“Oh sim,” dizia Sweetie Belle. “Você disse que eles não estão sempre por perto.”

“Sim,” respondia Scootaloo em voz baixa. “Uh, eu vou descer as escadas e pegar um copo de água.”

Apple Bloom e Sweetie Belle esperavam que Scootaloo saísse do quarto. Uma vez que elas ouviram seus passos batendo nas escadas abaixo, as duas se entreolhavam.

“Você notou alguma coisa estranha sobre a Scootaloo ultimamente? A situação toda com os pais dela, e agora ela diz que nunca decorou uma árvore antes…” Sussurrava Apple Bloom.

“O que você quer dizer?” Sweetie Belle perguntava.

“Estou começando a suspeitar que há uma razão pela qual nunca vimos a família dela ou a casa dela. Pense bem! Somos suas melhores amigas há mais de um ano e nunca os vimos!”

“Então você quer dizer… talvez ela não tenha realmente uma família, ou uma casa?” Sweetie Belle olhava para baixo na direção de seus cascos, franzindo a testa.

Apple Bloom assentia. “No começo, eu não conseguia acreditar, mas o que mais faz sentido? Ela está sempre tão animada sempre que dormimos na minha casa ou na sua, mas ela nunca fala sobre sua própria casa. Como conseguimos passar despercebidas por isso?”

“Ela nunca parece querer ir pra casa depois que terminamos de brincar…” acrescentava Sweetie Belle. “Eu me sinto tão mal. O que deveríamos fazer?”

“Acho que não devemos dizer nada”. Ela vai ficar envergonhada se nós perguntarmos,” disse Apple Bloom. “Mas nós provavelmente deveríamos fazer alguma coisa por ela. É a época de natal, da amizade e generosidade.”

A porta se abria silenciosamente e Scootaloo voltava para o quarto, saindo do corredor escuro. Ela dava uma rápida olhada atrás dela. “Acho que Rarity já está dormindo.”

“Oh. Sim. ”Sweetie Belle se mexia desconfortavelmente. “Então…”

“Quem está pronta para não ir para a cama?” Perguntava Apple Bloom repentinamente. Ela voltava à sua alegria habitual, aparentemente sem nenhuma preocupação em sua voz. “A primeira festa do pijamas das Cutie Mark Cruzaders oficialmente começa agora!”

Scootaloo sorria. “Viva!”

Já era mais de onze e meia da noite, elas procuravam manter suas vozes baixas para que Rarity não as escutasse, mas no final a conversa delas desacelerava e as três desmoronavam uma a uma. Scootaloo parecia adormecer no momento em que sua cabeça batia no travesseiro. Apple Bloom, no entanto, não conseguia. Ela se mexia e virava por um tempo, obervando Scootaloo, imaginando onde sua amiga estaria dormindo esta noite se ela não estivesse com elas.

Foram alguns dias depois. Apenas dois dias antes da véspera de natal.

Todas as lojas em Ponyville estavam cheias de pôneis fazendo compras de natal de última hora. Havia uma fila pela porta do Torrão de Açúcar, e no meio de todo o caos, Sweetie Belle notava alguns colegas da escola construindo um boneco de neve desequilibrado na praça da cidade.

Normalmente ela teria amado todas as atrações festivas, mas hoje ela estava imersa em pensamentos enquanto caminhava pelas lojas. Ela deveria estar procurando por presentes para seus pais e Rarity, mas não importava o quanto tentasse, não conseguia tirar Scootaloo da cabeça. Ela simplesmente não podia deixar de se perguntar se Scootaloo alguma vez ganhara um presente de natal.

Ela conseguia erguer os olhos bem a tempo de ver Rainbow Dash chutando algumas nuvens cinzentas e afastando as outras do caminho.

“Rainbow Dash!” Sweetie Belle gritava.

Rainbow parava no ar e se virava na direção de onde vinha o grito. “Oh, e aí Sweetie Belle! Tudo bem?”

“Eu estive pensando…” Sweetie Belle tentava pensar na melhor maneira de fazer a pergunta. “Você já conheceu a família de Scootaloo? Como eles são?”

“Bem…” Rainbow Dash diminuía a altitude que distanciava as duas e pensava por um momento. “Na verdade, não consigo me lembrar dela dizendo alguma coisa sobre eles. Achei que você provavelmente os conhecia.”

“E a casa dela? Você já visitou?”

“Não. Ela geralmente vem e fica na minha casa, mas quem pode culpá-la?” Rainbow Dash dizia com um encolher de ombros casual. “É, sem dúvida, a casa mais legal do mundo. Eu geralmente tenho que carregá-la até a porta da frente, porém. É estranho. Meus pais me ensinaram a voar quando eu tinha metade da idade dela.”

“Oh,” Sweetie Belle dizia em uma voz calma.

“Mas ela nunca convidou você e a Apple Bloom? Há quanto tempo vocês três se conheceram?”

Sweetie Belle era atingida por uma pontada de culpa novamente. Ela não queria responder. “E se você a convidar para a véspera de natal? Já que vocês são duas irmãs agora?”

Rainbow Dash balançava a cabeça. “Não dá. Depois de cuidar dessas nuvens vou para Cloudsdale receber meus parentes para o natal. Além disso, a Scoot provavelmente vai passar o dia com a família de verdade dela, quem quer que eles sejam.”

“Mas…!”

Antes que Sweetie Belle pudesse terminar, Rainbow Dash voava rápido ganhando altitude, ficando fora de vista. Ela chutava o chão em frustração, lançando uma rajada de neve.

Olhando ao redor da rua, ela tentava se concentrar em escolher presentes. O distinto teto azul da loja de chapéus, com a maior parte coberto de neve, imediatamente chamava sua atenção. Era tão difícil prever o que Rarity adoraria ou odiaria completamente. E a joalheria era tão cara …

“Ei, Sweetie Belle!”

Ela se virava para ver Apple Bloom enrolada em um chapéu e cachecol. “Olá! Eu estava aqui tentando encontrar presentes…”

“O mesmo aqui.” Apple Bloom assentia.

“Mas não consigo parar de pensar em…” A voz de Sweetie Belle sumia.

“Scootaloo?” Dizia Apple Bloom, e Sweetie Belle assentia com tristeza. “Sim. O mesmo aqui.”

Com o canto do olho, Sweetie Belle notava algo laranja e fazia sinal para Apple Bloom ficar quieta.

“Aí estão vocês! Então, o que vamos fazer hoje? ”Scootaloo perguntava. “Patinação? Decoração de novo? Aposto que seria uma ótima marca especial!” Seus olhos pareciam iluminar com o pensamento.

“Na verdade, não posso fazer nada hoje,” dizia Apple Bloom. “Tenho que ir pra casa ajudar nos preparativos para recebermos toda a família Apple. Desculpa.”

“Estou ocupada hoje também. Eu meio que adiei comprar presentes este ano,” complementava Sweetie Belle. “E são só mais dois dias até o natal.”

“Mesmo?” Scootaloo recuava surpresa. “Acho que perdi totalmente a noção do tempo.”

“Sim. Normalmente, os últimos dias que antecedem o natal demoram muito pra passar,” dizia Sweetie Belle. “Mas algo está diferente este ano.”

“De qualquer forma, acho que vamos nos encontrar mais tarde, Scootaloo,” dizia Apple Bloom. “Mas por hora é melhor eu voltar.”

“Vocês têm lugares para estar. Eu entendo,” dizia Scootaloo, assentindo. Seu sorriso desaparecia. “Quero dizer, é apenas difícil… ter que passar o natal sozinha. Vocês realmente não entenderiam.”

Sweetie Belle e Applebloom olhavam para ela, sem palavras.

Scootaloo sacudia a cabeça. “Deixa pra lá. Não se preocupem comigo. Acabaremos nos encontrando mais tarde e continuaremos tentando ganhar as nossas marcas especiais!” Scootaloo estava sorrindo de novo, mas também parecia que estava se esforçando muito.

“Uh… sim.” Sweetie Belle olhava para Apple Bloom.

“Nos vemos mais tarde então,” disse Apple Bloom. “Tenha, uh… tenha um bom natal, Scootaloo.”

“Obrigada. Vocês também.” Scootaloo se virava e ia embora até que a perdessem no meio da multidão.

Apple Bloom se virava para Sweetie Belle, que parecia tão preocupada quanto ela. “É pior do que pensamos! Scootaloo não tem ninguém para passar o natal!”

“O que devemos fazer?”

Apple Bloom pensava por um momento. “Reunião de emergência das Cutie Mark Cruzaders na casa da árvore, esta tarde,” disse ela. “Bem… só nós duas, eu acho.”

Sweetie Belle assentia. “É melhor eu fazer essas compras logo então, te encontro lá.”

Um vento frio varria o ar e sacudia os galhos mortos das árvores. A casa da árvore era aconchegante, mas ainda não era a melhor proteção contra o frio que estava se instalando rapidamente. Apple Bloom parecia não notar enquanto andava de um lado para o outro sem parar.

“O que nós vamos fazer? É quase Véspera Natal, e temos apenas que fazer algo pela Scootaloo!” Dizia a pônei amarela.

“Eu até conversei com Rainbow Dash. Ela não sabe nada sobre a situação de Scootaloo…” Dizia Sweetie Belle. “Realmente cabe a nós duas.”

Apple Bloom olhava pela janela, para a luz alaranjada do pôr do sol brilhando na neve. “E tão pouco tempo também.”

“Todas as lojas estarão sem estoque logo, logo,” disse Sweetie Belle.

“Eu não sei. Talvez precisemos fazer outra coisa. Algo especial.” Apple Bloom não conseguia parar de pensar no que Scootaloo havia dito, sobre ter que passar o natal sozinha.

“Bem, seria uma notícia curta, mas minha família está tendo um grande encontro para as festas. Algumas das pessoas de fora da cidade estão chegando e vamos ter um grande banquete,” dizia Apple Bloom. “Aposto que Applejack não se importaria se nós convidássemos Scootaloo.”

“Sim!” Sweetie Belle dizia, pulando para cima. “Se você contar a ela sobre a situação de Scootaloo, ela com certeza vai concordar!”

“Afinal de contas, é a Noite de Natal,” Completava Apple Bloom.

A neve chiava do lado de fora e podia-se ouvir sons de passos se aproximando da porta da frente da casa da árvore. As duas instantaneamente ficavam em silêncio e fingiam que nada estava errado. Em alguns momentos, Scootaloo aparecia. Seus olhos estavam abatidos e ela mexia-se com um dos cascos da frente.

“Uh, ei, Scootaloo,” disse Apple Bloom. “Como sabia que estávamos aqui?”

“Ei pessoal,” disse Scootaloo, sorrindo fracamente. “Eu estava procurando por vocês. Está tudo bem?”

“Claro. Nós não estávamos falando de você,” respondia Sweetie Belle. Apple Bloom a cutucava. “Oof! Quero dizer, hum…”

“Está tudo bem, sério,” Disse Scootaloo. “Eu realmente ia dizer… bem…” Ela respirava fundo. “Vocês duas estão… convidadas para minha casa. Esta noite. Para a véspera do natal.”

Suas amigas a olhavam em silêncio, atordoadas. O vento uivava do lado de fora.

“O que? Na… na sua casa?” Perguntava Apple Bloom. “Mas isso é…”

“Eu sei,” interrompia Scootaloo. Ela revirava os olhos. “Não queria tomar o tempo de vocês com suas famílias. Geralmente eu não convido pôneis, e… e por um bom motivo. Ela franzia a testa e apontava para cada uma delas. “Ouçam, nenhum pônei da escola pode saber sobre isso, tudo bem?”

Sweetie Belle e Apple Bloom assentiam lentamente. Elas trocavam olhares nervosos.

“Mas…” Sweetie Belle começava.

“Você tem certeza disso, Scootaloo?” Dizia Apple Bloom. “Você realmente quer nos convidar?”

“Sim. Eu estive pensando sobre isso. Vocês deveriam saber a verdade cedo ou tarde, certo? ”Scootaloo dizia. “Vamos. Vou mostrar onde fica, mas exige um pouco de caminhada.”

Scootaloo virava-se e descia a escada, e depois de um momento de hesitação, as outras a seguiam. Não havia som a não ser o ruído da neve sob os cascos. Realmente era uma noite especialmente fria, mas Scootaloo não parecia incomodada com isso.

“Ei, Apple Bloom?” Sweetie Belle sussurrava, olhando para Scootaloo para ter certeza que ela não estava ouvindo. “O que você acha que Scootaloo quer dizer sobre estarmos convidadas para a casa dela?”

“Honestamente eu não sei,” respondia Apple Bloom. “Mas se ela quer fazer isso por nós, acho que por hora devemos acompanhá-la, depois vamos descobrir o que fazer por ela.”

“Eu sei,” respondia Sweetie Belle. “Me sinto mal aceitando tudo dela. Você sabe?”

Scootaloo se virava para verificar se elas ainda a estavam seguindo. “Vamos! Vamos pegar o atalho, mas ainda é um longo caminho.”

Elas estavam se distanciando da propriedade da família Apple, mas Scootaloo não as levava para Ponyville. As luzes da cidade brilhavam na neblina cinza de neve, ainda assim mantinham distância. Apple Bloom parava e colocava um casco para proteger os olhos do vento gelado, e via que Scootaloo estava indo em direção a Whitetail Woods.

O caminho estava quase coberto de neve, com apenas um único conjunto de pegadas quase expostos. Essas teriam sido os próprios rastros de Scootaloo. Ela era a única que seguia esse caminho, aparentemente. Não havia marcadores nem sinais. O caminho através da floresta em si era estreito.

“Só um pouco mais,” dizia Scootaloo. “Apenas… não fiquem muito surpresas quando chegarmos lá. Provavelmente não é o que vocês esperavam. Havia um ligeiro tremor em sua voz.

“É pior do que pensei…” Apple Bloom dizia em voz baixa. “Achei que Scootaloo, pelo menos, devia ter algum lugar na cidade em que ela se escondia. Não acho que haja nada aqui fora.”

“Talvez uma caverna. Ou uma árvore oca.” Respondia Sweetie Belle.

O caminho serpenteava ao redor de um lago congelado, várias árvores perenes. De certo modo, era bonito, mas Apple Bloom sentia os dentes batendo de frio. Era difícil dizer como elas estavam isoladas do resto de Ponyville agora. Apple Bloom olhava para trás e só podia ver um pouco da luz da cidade. Um pequeno ponto de calor no frio.

“Bem, chegamos.” disse Scootaloo.

Apple Bloom se virava. De alguma forma, ela não tinha notado aquela casa até aquele momento.

Scootaloo dava um sorriso tímido. “Eu avisei que poderia não ser o que vocês esperavam.”

Era uma casa de tijolos de aparência convidativa, recuada na floresta, onde ninguém tinha como vê-la até se aproximar, apesar do fato de ter três andares e ser bastante extensa. A neve cobria o muro de plantas que se extendiam a uma longa passarela de tijolos até a porta da frente. Havia luzes acesas nas janelas e fumaças subiam de uma das várias chaminés.

Demorou um minuto para Sweetie Belle encontrar sua voz. “Espere, isso não pode ser, pode?

Scootaloo já estava passando pelos pilares da varanda da frente. “Só venham para dentro, ok?” Espero que vocês estejam com fome. Eu disse aos mordomos para começarem o jantar antes de sair.”

“Mordomos?” Sweetie Belle e Apple Bloom disseram em um uníssono.

Elas trocavam olhares e corriam para alcançar Scootaloo. A pegaso laranja já estava empurrando a porta da frente e entrando como se fosse a dona do lugar, e por mais difícil fosse aceitar, ela o fez.

Um velho unicórnio com uma crina cinzenta penteada para trás cumprimentava Scootaloo com uma reverência. “Ah, a jovem madame voltou! São suas convidadas?” Sua voz tinha um traço de sotaque de Canterlot.

“Vamos, Silver,” dizia Scootaloo com um leve sorriso. “Você não precisa me cumprimentar o tempo todo.” Ela se virava para suas amigas e as apresentava. “Esta é a Apple Bloom e a Sweetie Belle. Eles vão ficar para o jantar hoje à noite.”

Sweetie Belle piscava, apenas observando o grande salão de entrada, sem sequer olhar para o mordomo. “Prazer em conhecê-lo…”

Scootaloo as conduzia pelo corredor. Escadarias curvas flanqueavam os dois lados, conduzindo a uma sacada até o segundo andar. Um lustre de cristal estava pendurado acima delas. As paredes estavam cobertas de pinturas e vasos caros ficavam em cima de pedestais.

“Aquele era Silver Platter, o chefe dos mordomos,” dizia Scootaloo, acenando na direção do mordomo enquanto saía pela porta lateral. “Se vocês precisarem de alguma coisa, podem simplesmente perguntar a uma das mordomas ou mordomos e eles vão cuidar disso.”

Sweetie Belle olhava para a guirlanda enrolada no corrimão da escada primorosamente esculpida. O cheiro de pinheiro fresco chegava ao nariz, mesmo à distância. “Pensei ter ouvido você dizer que nunca usou enfeites natalinos para decorar antes.”

“Sim, porque todos os mordomos fazem esse trabalho.” Scootaloo respondia. “Eu vou dar a eles dias de folga. Acho que não devo fazer nenhuma bagunça por enquanto. Não que eu possa garantir, é claro. ”

“Ainda não consigo acreditar que você mora aqui,” dizia Apple Bloom. “É tudo… fantasia e… e …”

“Não se preocupe em ser formal demais,” dizia Scootaloo. “Mesmo que seja um jantar de cinco pratos, somos apenas nós três esta noite, eu não me importo.”

“Cinco pratos?” Sweetie Belle deixava escapar. “Se Rarity estivesse aqui, ela ficaria totalmente louca!”

“É por isso que eu nunca gosto de trazer pôneis. Eu realmente não sou diferente de qualquer outra pessoa. ”Scootaloo revirava os olhos. “Vocês prometem que não vão contar nada, certo?”

“Claro,” dizia Apple Bloom, olhando distraidamente para seu próprio reflexo no chão de mármore polido enquanto caminhavam.

“Recebi a carta dos meus pais hoje dizendo que eles estariam em Canterlot para o natal, em uma importante reunião social, mais uma vez. Scootaloo suspirava. “Talvez um dia vocês possam conhecê-los. Eu contei a eles sobre vocês!”

“Então, seus pais ainda estão vivos!” Sweetie Belle dizia. Scootaloo se virava com uma sobrancelha levantada, e ela rapidamente acrescentava: “Por que eles não estariam? Eles enviam cartas para a escola o tempo todo, então…”

“Sim. Eles passam a maior parte do tempo em nossa casa em Canterlot, ou em Manehattan, onde a maioria dos escritórios da empresa está, ou na outra casa que fica em…”

“Quantas casas vocês têm?!” Perguntava Apple Bloom.

Scootaloo congelava. “Realmente não importa. De qualquer forma, aqui está a sala de jantar!”

Elas passavam por uma curva no refeitório, levando a uma sala cavernosa com uma grande lareira já crepitando. Uma mesa esculpida em madeira escura estendia-se diante delas, já armada de velas e pratos cobertos. Sweetie Belle finalmente era capaz de afastar os olhos de toda a comida e notava a grande pintura pendurada sobre a lareira.

Era um retrato muito real de Scootaloo, com dois unicórnios sentados em ambos os lados dela. Um era um garanhão com uma crina loura e do outro lado havia uma pônei violeta com um casco ao redor do ombro de Scootaloo.

“São os seus pais?” Ela perguntava. “Você nunca nos disse que os dois eram unicórnios.”

“Sim. Acho que temos alguns pégasos do lado da minha mãe, há algumas gerações atrás. Eu não acho que eles estavam realmente conscientes disso até o dia que eu nasci, ” dizia Scootaloo. Ela olhava para o quadro e franzia a testa. “A pintura é do ano passado. Espero que não tenhamos que fazer outro. É tão chato ficar parada por tanto tempo fazendo pose enquanto pintam nosso retrato.”

“E é por isso que eles não tinham como te ensinar a voar,” disse Sweetie Belle.

Scootaloo fazia uma careta. “Pois é, eles queriam contratar um instrutor, mas nunca encontramos ninguém melhor do que Rainbow Dash. E é a mesma coisa na escola. Você não tem ideia de como foi difícil convencê-los de me dar um professor particular. Eu nunca teria conhecido vocês, se isso tivesse acontecido!”

Scootaloo se virava e se dirigia até a mesa. Ela pulava em uma cadeira, e depois de um momento de hesitação, Apple Bloom e Sweetie Belle se sentavam ambas os lados dela. A mesa era comprida o suficiente para pelo menos mais quinze pôneis.

Mordomos chegavam e levantavam as tampas das panelas e pirex. Com movimentos ligeiros, eles saíam tão rapidamente quanto entravam. Scootaloo olhava para a comida, embora não fosse algo que as outras estivessem habituadas a ver.

“Parece que hoje teremos com carne de soja ao molho de Manehatan, couve com crudités e… Oh! Isso cheira a sopa de matsutake com champignon. É muito difícil conseguir nessa época do ano,” dizia Scootaloo.

Sweetie Belle apenas olhava para ela. “Você parece a Rarity…”

“Confie em mim, você vai gostar.”

“Você sempre come assim??” Apple Bloom perguntava, levantando uma sobrancelha.

Scootaloo sacudia a cabeça. “Isso é um pouco mais do que o normal, já que são as férias de natal. Mas às vezes, quase todos os domingos.”

Depois que Scootaloo começava a comer, Apple Bloom hesitantemente dava uma mordida. O gosto era tão difícil de descrever quanto o nome da comida era para pronunciar, mas ela tinha que admitir que era muito bom. Repentinamente, ela se lembrava do jantar que Applejack estava preparando antes. Não tinha comparação.

“Provavelmente eu deveria ter falado sobre minha família muito mais cedo,” dizia Scootaloo. “Aposto que vocês pensaram que eu era como qualquer outra pônei na cidade, vivendo em uma casa de campo de tamanho normal.”

“Você com certeza nos convenceu,” acrescentava Apple Bloom. Vendo Scootaloo naquela casa, era difícil imaginá-la encolhida em algum beco escuro e sujo tentando dormir sob um jornal encharcado.

“Por que você não nos disse antes?” Sweetie Belle perguntava. “Isso não é motivo para se envergonhar. Digo, Diamond Tiara e Silver Spoon ficariam com uma baita inveja!”

“Sim, sobre isso…” dizia Scootaloo. Ela comia mais um pouco e pensava por um momento. “Quando você tem muito dinheiro, suas amigas normalmente não estão por perto pelos motivos certos, por quem você é. Se é que você entende o que quero dizer. Não quero ser outra Diamond Tiara.”

“Faz sentido,” dizia Apple Bloom.

“Eu realmente deveria ter contado a vocês muito mais cedo, mas não sabia como. E detesto sentir que estou apenas me gabando da minha família,” dizia Scootaloo. Ela olhava para trás e para frente para qualquer uma delas. “Vocês não vão mudar só porque descobriram a verdade, não é? Vamos continuar sendo as mesmas amigas de sempre.”

“Mas é claro que vamos!” Respondia Apple Bloom.

“De qualquer forma, acho que posso dar a vocês uma turnê depois que comermos. Na áltima véspera de natal, meus pais me deram minha própria pista de skate indoor! É muito legal! Eu posso praticar todos os meus movimentos antes de mostrá-los pela cidade. Eu costumava esvaziar a piscina e usá-la como pista, mas a nova é muito melhor.”

Alguns outros mordomos entravam na sala de jantar, com mais pratos de comida e sobremesa levitando ao lado deles. Eles os estabeleciam na mesa e faziam uma reverência.

“Há mais alguma coisa que você queira, senhorita?”

Scootaloo sacudia a cabeça. “Não, obrigada. Tudo está ótimo, como de costume.”

Apple Bloom encostava-se na cadeira para observar os mordomos enquanto eles voltavam para a cozinha. Ela tinha ouvido falar de Applejack sobre como os tios Orange viviam na cidade grande, e como eles tinham seus próprios mordomos, mas isso era inacreditável.

“Ah, a propósito… vocês parecem ter ficado bem quietas ultimamente,” dizia Scootaloo. As duas balançavam a cabeça freneticamente, mas Scootaloo apenas sorria. “Acho que não me caiu a ficha. Vocês estavam planejando me dar presentes?”

Sweetie Belle cutucava a comida em seu prato. “Hum…”

“Uh, nós estávamos, mas… nosso presente nunca chegaria nesse nível,” dizia Apple Bloom.

“Não precisam se preocupar, sério.” respondia Scootaloo. “Passar o natal com minhas melhores amigas é o melhor presente que eu posso ter.” Ela fazia uma pausa, depois acrescentava: “E se alguém ouvir que eu estava dizendo coisas bobas como essa…”

Apple Bloom sorria. “Não se preocupe com isso.”

“Estamos felizes por você ter uma casa,” dizia Sweetie Belle.

Scootaloo fazia uma pausa no meio da mordida e olhava para ela. “Como assim? Por que eu não teria uma casa?”

“Bem, nós realmente achamos que você não tinha casa e nem pai e mãe.” A voz de Sweetie Belle ecoava na enorme sala. Em seguida, toda a mansão parecia ficar em silêncio. Havia apenas o som dos troncos estalando no fogo.

“É… uma longa história,” dizia Apple Bloom.

As asas da virtude

rainbow e scoot

Autor: Drakkith

Tradução: Drason

Gênero: Normal, Slice of Life

SINOPSE: Rainbow Dash ensina Scootaloo a alisar suas asas, além de guardar uma surpresa muito especial para a pégaso laranja.

Scootaloo se deitou em uma nuvem perto da casa de Rainbow Dash. Ela se deixou afundar na superfície macia, e estendeu suas asas doloridas em meio à luz do pôr do sol. A pégaso laranja passou o dia inteiro com Rainbow Dash, onde as duas praticaram voo desde o horário em que ela havia sido pega no orfanato pela manhã. A pégaso mais velha nunca mencionou o motivo pelo qual decidiu passar o dia inteiro com Scootaloo, mas tinha gostado de cada minuto.

“Você está bem Scoot?” Dash perguntou enquanto se deitava ao lado dela.

Ambas estavam do lado de fora, próximas da porta da frente da casa de Dash, onde a superfície da nuvem tinha ficado com uma cor alaranjada sob o pôr do sol que quase se igualava com a própria pele de Scootaloo. Ela se virou de costas e olhou para sua ídolo, mentora, e irmã mais velha, cujo rosto estava em uma das asas, ajeitando algumas penas azuis fora do lugar.

“Minhas asas…” Scootaloo disse, estendendo uma cuidadosamente. “Eu não sabia que poderiam doer tanto durante o treino.”

Olhando para ela de trás de uma asa, Rainbow disse: “Isso faz parte de aprender a voar. Não se preocupe, quando você desenvolver bem os músculos, elas não irão mais doer.”

“Sim, mas parece que isso vai levar uma eternidade!” Disse Scootaloo jogando os dois cascos dianteiros para o ar.

Dash puxou uma pena quebrada de sua asa e a cuspiu fora de sua boca. A pena flutuou no ar por alguns segundos antes de pousar bem no nariz de Scootaloo. A jovem pégaso espirrou, fazendo a pena e sua crina rosa voarem. Quando ela abriu os olhos, a pena foi embora.

“Desculpe por isso”, disse Dash, com um canto de sua boca virada para cima sorrindo. “Olha Scoot, é apenas uma das coisas que você vai ter que aceitar, se quiser aprender a voar. Dói no começo. Continue assim e logo você vai ser capaz de voar o dia todo, sem problemas.”

“Eu sei…” ela suspirou.

“Bom. Agora, deixe-me ver as suas asas.” Dash estendeu o casco, mas com as mesmas doloridas, Scootaloo se contorceu e as dobrou.

“Pra que?” exclamou.

“Para ver as penas!” Dash estendeu uma de suas asas e sacudiu. “Você usou suas asas o dia todo e elas estão todas desarrumadas, precisam de cuidados!”

“Aww, mas isso leva muito tempo também!”

“Ei!” Rainbow olhou para ela. “Qual foi o combinado quando busquei você hoje de manhã?”

Scootaloo rolou os olhos. “Que eu faria tudo o que você pedisse, sem discutir, e em troca passaríamos o dia todo juntas.”

“E se você questionasse?”

“Que eu não teria mais a minha surpresa”. Scoot não tinha idéia do que seria essa surpresa, mas se tivesse que adivinhar, provavelmente seria um pôster dos Wonderbolts ou algo parecido.

“Exato! Então deixe-me ver suas penas!”

Ela se virou e sentou de costas para Dash inspecionar, desdobrando as asas e tremendo um pouco por causa da dor.

“Nossa, você está bem cansada não?” Perguntou Dash enquanto analisava uma das asas com um casco.

Scootaloo acenou.

“Bem, você trabalhou duro hoje.” Disse Dash, colocando um casco no ombro dela. “Estou orgulhosa de você.”

“Mesmo??” Scotaloo praticamente brilhava com o elogio.

Rainbow acenou e olhou para a asa da pégaso laranja. Ainda era muito pequena, e Dash estava ansiosa até sua próxima fase de crescimento, onde finalmente estaria no tamanho adequado para voar facilmente. Com um casco segurando a asa, ela deslizou o outro sobre a superfície dela. Ao invés de ser suave como deveria, havia dezenas de penas “embaraçadas”, presas umas nas outras, estragando a superfície como ervas daninhas laranjas aparecendo em um jardim bem aparado.

“Suas penas estão uma bagunça! Quando foi a última vez que você as alisou?”

 “Uh…”

“Sim, foi o que pensei.” Dash sorriu. “Você tem que alisá-las todos os dias, caso contrário, a aerodinâmica de suas asas ficarão comprometidas durante o voo.”

Scootaloo encolheu os ombros. “Mas por que isso é importante se eu nem posso voar ainda?”

“Porque ajuda você entrar em uma rotina. E quando é parte de uma rotina, se torna um hábito e você faz todos os dias, mesmo sem perceber. Além disso, é bom para as suas asas, mesmo se não estiver voando. Entendeu?”

“Sim.”

“Ótimo. Então comece a alisá-las!”

Scootaloo trouxe sua asa direita para próximo de seu rosto e encontrou uma pena fora do lugar. Ela a agarrou com seus dentes e a torceu, tentando ajeitá-la na posição correta. Era difícil. Cada vez que tentava ajeitar no lugar, outra saía para fora. Depois de algumas tentativas fracassadas, ela resmungou, irritada.

“O que você está fazendo?” Dash olhava para ela com uma sobrancelha levantada.

“Eu… alisando, como você disse!”

“Alguma vez alguém já te ensinou como fazer isso?”

“Não, nenhum dos adultos no orfanato são pégasus, por que?”

“Porque você está sendo muito dura com suas penas. Não é à toa que leva tanto tempo para alisar. Cada vez que arruma uma, bagunça um monte.”

“Bem, como devo fazer então?” Ela perguntou, coçando uma das orelhas.

“Vem aqui, vou te mostrar.”

Uma asa de Rainbow envolveu Scootaloo e a puxou contra o peito da pégasus azul. Ela olhava por cima do ombro enquanto Dash abaixava a cabeça, gentilmente segurando uma pena laranja com seus dentes.  Rainbow colocou ela de volta no lugar, deixando para trás uma superfície perfeitamente lisa.

“Apenas isso.” Disse Dash. “Viu como é fácil?”

“Uh.. você pode fazer mais um pouco?”

Dash sorriu e arrumou sua crina. “Claro!”

Scootaloo dobrou suas pernas dianteiras, ficando totalmente deitada de bruço, e se inclinou enquanto Dash começava a trabalhar mais uma vez. A sensação de ter suas asas alisadas por outro pégasus era surpreendentemente bom. Havia uma pressão suave cada vez que Dash a encostava com seu nariz, sentindo a respiração quente cada vez que a pégasus azul expirava através do labirinto de penas, com o calor se irradiando para fora, finalmente desaparecendo antes que Dash encostasse seu nariz em outro ponto da asa. Aconchegada sobre a asa e o corpo quente de Rainbow, aliado ao dia cansativo que teve, suas pálpebras começavam a se inclinar.

Você está bem?” Ela ouviu uma voz perguntar.

“Hã?” Scootaloo piscou algumas vezes para acordar e, em seguida, virou-se para ver Rainbow Dash sorrindo para ela.

“Você está caindo no sono.”

Oh, sim, apenas…” Ela abriu a boca, deixando escapar um súbito bocejo. “Só cansada … mas me sentindo tão bem.”

“Por eu estar alisando as penas?”

“Não sabia que iria me sentir tão bem com isso.”

“Hehe. Eu nunca disse isso a outro pônei, mas quando tinha sua idade, e toda vez que tinha um dia ruim, minha mãe sempre arrumava minhas asas depois do jantar. Eu poderia deitar com a minha cabeça apoiada na asa dela durante toda a noite enquanto minha mãe alisava.” De repente, um pensamento surgiu em sua cabeça. “Já teve algum pônei para fazer isso por você Scoot?”

“Não.”

Os olhos de Dash amoleceram. O número de coisas que ela havia perdido por não ter pais continuavam a surpreendê-la.

“Bem, nesse caso, relaxe e vamos continuar” Disse ela antes de inclinar a cabeça para baixo e agarrar outra pena.

“Tudo bem!” Scootaloo respondeu, meio sonolenta. Poucos segundos depois, uma dor a acordou novamente. “Ai!”

“Desculpe,” Dash levantou uma pena quebrada com os dentes. “Tive que arrancar essa aqui. Mas não vejo qualquer outra quebrada, não vai doer mais.”

Ela levantou a cabeça e soltou a pena no ar. Ela pairava para a esquerda, e em seguida para a direita, enquanto Dash abaixava a cabeça para continuar, isso fez com que a pena quebrada caísse bem em cima de sua crina, na parte amarela. Ela passou despercebida por Dash, enquanto seu rosto continuava alisando a asa de Scoot.

Enquanto trabalhava, os pensamentos de Rainbow voltavam para o que havia dito anteriormente sobre a sua mãe. Aquelas noites foram alguns dos melhores momentos de sua infância. Rainbow deixava as memórias se lançarem em sua mente enquanto trabalhava. Como Scootaloo, ela levava um longo tempo para se alisar quando criança, e nunca entendia como sua mãe podia se sentar para o que pareciam horas alisando as asas de outro pegasus, senão as dela própria. Embora teve que admitir que ser alisada por outro pegasus era muito praseroso, como se fosse apenas … o certo. Apesar de todo o trabalho, ela gostou. O pensamento ficou em sua mente por uma pena ou duas até que …

Ela parou um pouco para observar Scoot. Aquele pequeno corpo quente prensado entre sua asa e peito, muito menor do que ela e desfrutando da sensação de outro pegasus alisar suas penas. Por um momento em sua mente a crina rosa de Scootaloo era uma bagunça de cores, o mesmo rosa claro de sua mãe.

Sua boca esticou em um pequeno sorriso. Ela nunca teria imaginado que alisando outro pégasus poderia faze-la tão feliz. Com o sorriso ainda no rosto, ela partiu para a próxima pena.

A sessão de alisamento durou até o sol desaparecer no horizonte. Uma vez finalizado, Dash colocou Scootaloo suavemente na nuvem e viu, pela décima segunda vez em outros tantos minutos, a cabeça dela cair antes de disparar de volta para cima mais uma vez enquanto lutava para não cochilar.

 Rainbow riu com a visão, e disse: “Pode dormir se quiser Scoot.”

“E a minha surpresa?”

Pode ficar pra depois, confie em mim.”

“Mas eu tenho que ir pra casa …” Scootaloo bocejou e, em seguida, continuou, “se eu dormir agora, vou estar ainda mais cansada no caminho de volta.”

“Não se preocupe, darei um jeito para que você acorde em casa, ok?”

“Tudo bem …” ela bocejou novamente e amontoou partes da nuvem para fazer um travesseiro antes de colocar a cabeça sobre ele. “Ei, Rainbow…”

“Sim?”

“Você acha que algum dia vão me deixar ter uma cama de nuvem? Isto é muito melhor do que a minha cama no orfanato…”

“Sim Scoot, eu acho que eles vão deixar você ter uma.”

“Mesmo?? Isso seria tão bom…” disse ela, enquanto se aconchegava no travesseiro improvisado.

Dash sorriu para si mesma. Durante vários minutos, ela ficou lá, deitada ao seu lado, enquanto o sol terminava sua vagarosa descida, finalmente desaparecendo pouco antes da respiração da pequena potranca mudar, sinalizando que ela finalmente havia caído no sono.

De repente, um som diferente chamou a atenção de Rainbow Dash, que se virou para ver um pegasus na cor verde claro pousando no jardim de sua casa. Ela se levantou e caminhou até ele.

“Posso ajudá-lo?” Ela perguntou em voz baixa para não acordar Scootaloo.

“Desculpe incomodá-la, Sra. Dash”, o pônei sussurrou. “Mas minha esposa queria que eu lhe trouxesse isso.”

Ele entregou uma pasta pesada, com uma pilha de documentos em seu interior.

“Achei que fosse assinar tudo amanhã cedo.” Disse Dash foleando os documentos.

“Minha esposa sabia o quanto este dia significou para vocês duas, então pediu para eu pegar a sua assinatura ainda hoje. Dessa forma, seria oficial a sua primeira noite em casa.” Ele olhou para Scootaloo e sorriu. “Ela teria vindo sozinha, mas eu sou o único pégasus na família, e minha companheira não queria andar por todo esse caminho no escuro.”

“Bem, obrigada por ter vindo, significa muito pra mim!” Dash não tinha uma caneta com ela, então apontou para a casa e fez sinal para que ele a seguisse, dizendo: “Vamos lá dentro.”

Eles caminharam em direção à porta da frente. Havia uma sensação de calor no peito de Rainbow e ela não conseguia parar de sorrir com o pensamento do rosto de Scootaloo quando acordasse.

“Você já deu a surpresa para ela?” Ele acenou com a cabeça na direção de Scootaloo enquanto entravam.

“Eu ia, mas o dia de hoje foi muito cheio. Ela estava tão cansada que não conseguia manter os olhos abertos”.

Dash o levou para dentro e colocou a pasta em cima da mesa da cozinha antes de ir para a escrivaninha, onde havia uma pena de escrever em um frasco de tinta preta. Ela tinha acabado de se abaixar para pegar a pena quando algo caiu de sua crina, ao lado do tinteiro. Ela olhou fixamente para ele. Era uma pena alaranjada, quebrada na metade.

Ela pegou a pena quebrada e o tinteiro e os levou para a mesa. Cuidadosamente, começou a assinar seu nome em todas as páginas. Com a pena quebrada pela metade, ficou um pouco mais difícil de escrever, mas ela continuou. Já estava muito escuro, a Scootaloo era pouco visível através da janela da cozinha.

Ela entregou a pasta de volta para o pégasus verde claro e lhe agradeceu. Eles caminharam de volta para fora, onde ele calmamente se dirigiu até a beirada da nuvem, antes de decolar e voar para longe. Dash voltou para onde Scootaloo estava dormindo. Ela parecia tão feliz e confortável. Rainbow não tinha certeza de quantas vezes a pégaso laranja tinha dormido em uma nuvem, mas duvidava que tivesse sido mais do que uma ou duas vezes.

Scootaloo mal se mexia enquanto Dash a colocava em seu colo, sob suas pernas dianteiras. Ela voou para dentro de casa, passando pelo corredor até o quarto que ficava ao lado do dela, onde costumava ser o de hóspedes. Mas agora era outra coisa, muito mais do que um simples quarto, feito para sua nova ocupante.

Empurrando a porta aberta, Dash entrou no quarto recém reformado e acendeu as luzes. Aqui e ali havia um pôster dos Wonderbolts grudado nas paredes. Algumas cartas assinadas com tinta de prata brilhavam em cima da raque, com os dizeres:

Para a melhor voadora jovem de Equestria,
Obrigado por salvar nossas vidas!

-Spitfire
-Soarin
-Misty Fly

Vários porta retratos sob a cabeceira da cama estavam sem fotos, exceto um que continha três crianças na praia, sorridentes, e outro que mostrava Scootaloo mais jovem, com um sorriso tão amplo e contente, enquanto Dash a abraçava para serem fotografadas.

Rainbow voou até a cama e colocou Scootaloo entre os lençóis, a cobrindo. Assim como ela queria. A jovem pégaso se mexeu um pouco, mas não acordou enquanto Dash se deitava ao seu lado, puxando as cobertas sobre ambas. Nesse momento, a luz refletia em seus olhos a partir das letras brilhantes na placa pendurada no teto:

Bem vinda a sua nova casa Scootaloo!

Inclinando-se, Dash tocou seus lábios na cabeça de Scootaloo. Ela os deixou lá durante vários segundos antes de se afastar um pouco.

“Eu disse que você estaria em casa quando acordasse.” Ela murmurou.

As últimas palavras que o pegasus verde havia dito antes de ir embora foram:

“Parabéns Rainbow Dash! Eu sei que você será uma grande mãe!”

Uma mãe. Não é um amigo. Não é uma grande irmã. Uma mãe. Ela estendeu o casco até a cabeceira da cama, para pegar a foto dela e Scootaloo abraçadas. O porta retrato foi um presente de Pinkie Pie, e ela acariciou a frase na cor rosa brilhante que estava escrita na parte inferior:

Mãe e filha

Ela fungou e limpou a lágrima que havia aparecido em seu rosto.

“Bem vinda ao lar, Scoot”, ela conseguiu dizer antes de beijar sua crina cor de rosa mais uma vez. “Bem vinda ao lar”.

Em suas asas

Título original: Under your wings

Autora: Askesalsa 

Gênero: Slice of Life

Tradução: Drason

SINOPSE: Scootaloo desaparece após uma discussão com Sweetie Belle e Applebloom. Quando Rainbow Dash decide investigar o ocorrido, acaba fazendo uma descoberta surpreendente sobre a pégaso laranja.

O autor Gabrieldltc fez uma comic baseada nessa fanfic que pode ser vista AQUI.

———

“Ei Rainbow Dash!”

A pégaso azul ouvia uma voz familiar a chamando. Ela estava no meio de um cochilo em uma nuvem depois de um dia cheio de trabalho. Em seguida, se esticou sobre a nuvem, espreguiçando as asas com um grande bocejo. Finalmente, foi até a borda da nuvem, olhando para baixo para ver Scootaloo de pé, a esperando.

“Ei Scoot.” Disse Rainbow Dash, sua voz ainda parecia cansada depois do cochilo. “O que foi?”

Scootaloo saltava do chão ansiosa. “Sem aula hoje! Vim o mais rápido que pude, pois não queria deixar você esperando!” A pégaso laranja parecia extremamente empolgada. Estava sorrindo de orelha a orelha, batendo suas pequenas asas enquanto pulava.

Rainbow Dash se lembrou que havia prometido dar a ela algumas lições de voo. “Tudo bem.” Respondeu a pégaso arco-íris, embora um pouco aborrecida por ter sido interrompida em seu sono, mas ela havia feito uma promessa, e sempre foi leal com a sua palavra. Rainbow pulou da nuvem, pousando graciosamente em frente a Scootaloo. A jovem pegasus parecia ainda mais animada do que apenas alguns segundos atrás, tremendo de felicidade. O tipo de alegria de uma criança quando fica diante de seu ídolo. Este era, naturalmente, o caso de Scootaloo, que admirava muito a pegasus azul.

“Então, já quer começar?” Perguntou Rainbow Dash. Qualquer má vontade que a incomodava logo desapareceu quando viu o rosto de sua fã. Sendo uma pônei orgulhosa e às vezes arrogante, ela sempre ficava feliz quando outros admiravam suas habilidades de voo, e nenhum outro pônei a admirava tanto quanto Scootaloo. “Como anda seu desempenho?”

Scootaloo se preparava batendo as pequenas asas, meio nervosa, abaixando a cabeça com um pouco de vergonha. “O que estou prestes a te mostrar é o mais longe que fui capaz de ficar no ar. E mesmo assim não foi por muito tempo.”

“Me mostre.”

As pequenas asas flutuavam em movimento, logo se tornando um borrão em função das batidas. A pégaso laranja fechou os olhos, concentrando-se, procurando bater as asas ainda pouco desenvolvidas o máximo possível. Lentamente, ela se levantou do chão, levitando no ar não mais do que alguns metros do solo. Ela começou a bufar um pouco em meio à tensão, mas se estabeleceu depois de alguns segundos. Sair do chão era sempre a parte mais difícil.

Rainbow Dash sorriu para a pégaso. “Tudo bem! Agora deixe-me ver até que altura você consegue chegar.” Ela ficou bastante impressionada com o progresso de Scootaloo. Foi a poucas semanas que a pégaso laranja conseguia apenas usar suas asas para mover seu skate. Isso foi, porém, durante o tempo que ela aprendia a voar, na época que Rainbow Dash não a treinava, e a pégaso azul sempre se perguntava por que seus pais não a ensinavam.

Scootaloo fez a mesma ação de antes. Ela subiu alguns metros antes de parar. Olhou para Rainbow Dash, com o suor cobrindo seus rosto. “Isso é o mais alto que posso chegar. Nessa parte estive treinando duro.”

“E você foi ótima. Não tanto quanto eu, quando tinha o seu tamanho obviamente.” Disse Dash brincando, mas com um pouco de orgulho em sua voz. “Mas você evoluiu muito em tão pouco tempo. Que tal começarmos a navegar hoje?”

“Navegar? Mesmo?” Scootaloo quase caiu no chão de tão surpresa, mas conseguiu manter o equilíbrio no ar. Rainbow Dash riu baixinho, deixando a pégaso laranja um pouco corada. Ela sorriu meio embaraçada. “Ops, hehe…”

Ainda rindo um pouco, Rainbow continuou. “Sim, navegando. Você praticamente tem o vôo sob controle. Daqui em diante, é só treinar. Que tal eu te ensinar como se deslocar de um lado para outro?”

Parece ótimo!” Dessa vez Scootaloo caiu no chão por ter exagerado na empolgação. Rainbow gargalhou, segurando a barriga para tentar se controlar.

“Ei, corta essa, Rainbow!” Disse Scootaloo, corando de novo. Ela levantou voo mais uma vez, agora um pouco mais rápido e com mais facilidade do que antes, embora ainda ofegante por alguns segundos.

Depois que terminou de rir, Rainbow Dash voou próximo de Scootaloo, afagando sua crina.

Scootaloo balançava a cabeça, tentando se manter estável no ar enquanto pairava.

“Eu vou ser honesta com você, nunca treinei ninguém antes, então vou lhe ensinar as mesmas coisas que meus pais me ensinavam quando eu tinha sua idade, tudo bem?”

Scootaloo balançou a cabeça concordando.

“Legal, primeiro passo: o peso influencia. Quando você quer voar em alguma direção, deve jogar o peso do seu corpo exatamente na direção desejada. Então, se por exemplo, você quiser ir para a frente, basta inclinar-se nesse sentido e então usar o peso do seu corpo para empurrá-la nessa direção. Entendeu?”

“Acho que sim.” Ela acenou novamente, engolindo seco meio nervosa.

“Ótimo. Agora tente me seguir.” Rainbow Dash inclinou para a frente, movendo-se lentamente em uma linha reta, sentindo a corrente de ar enquanto se movia. Ela olhou por trás de seu ombro para ver se Scootaloo estava fazendo o mesmo, embora um pouco hesitante. Scoot estava naturalmente nervosa, prestando atenção em cada movimento.

“Bom! Você está indo bem.” Dash a encorajou, sorrindo sobre seu ombro. “Agora tente se mover da mesma forma que eu, seguindo minha trilha.” Ela se inclinou para a direita, fazendo uma curva acentuada o suficiente para escutar o som do vento. Ela virou-se, de modo a tomar a frente novamente.

Scootaloo tentou fazer o mesmo, mas acidentalmente se inclinou demais, perdendo o equilíbrio. Ela oscilou um pouco através do ar em pânico antes de perder o controle, voando de forma desordenada enquanto tentava se restabelecer. Finalmente, a jovem pégaso acabou se chocando com o galho de uma árvore fazendo uma expressão de dor ante de cair no chão.

Os olhos de Rainbow Dash se arregalaram enquanto ela voava rapidamente até o local do acidente para acudir a pégaso. Elas não estavam tão alto, e a velocidade também não era elevada, mas mesmo uma pequena colisão poderia causar um estrago, de forma que Rainbow não poderia deixar de morder o lábio de preocupação. “Você está bem minha querida?” Ela perguntou, pousando ao lado de Scootaloo e a ajudando com seus cascos.

Scootaloo esfregou a testa um pouco dolorida, mas estava bem. Mesmo assim, Rainbow Dash sentiu que tinha que verificar por si mesma, desde que não quisesse uma pequena fã machucada.

“Vem aqui, deixe-me ver.” Enquanto Rainbow Dash verificava a cabeça de Scootaloo, ela não pôde deixar de notar a págaso laranja virar sua cabeça envergonhada, olhando para longe. Dash sorriu gentilmente e afagou sua testa de novo para indicar que estava tudo bem. “Não foi nada grave, no entanto você precisa praticar mais.”

Scootaloo olhou de novo para Rainbow. “Acha que algum dia vou ser tão boa quanto você?”

“Nem em um milhão de anos, você vai ter que se contentar com o segundo lugar.” Brincou Rainbow Dash com um sorriso. “Está pronta para começar de novo?”

Scootaloo balançou a cabeça rapidamente e voltou a voar, Rainbow a seguiu e se posicionou ao lado dela, prontas para o segundo round.

“Scootaloo!” Chamou Applebloom, fazendo ambas virarem suas cabeças. A jovem pônei terrestre e Sweetie Belle se aproximavam rapidamente. As cutie mark cruzaders haviam combinado de ficarem juntas hoje para tentar encontrar suas marcas especiais, ou apenas se divertirem e verem se a ganhariam durante o processo.

“Olá garotas!” Disse Scootaloo com um sorriso. “Estão empolgadas para hoje à noite tanto quanto eu?”

As duas balançaram a cabeça simultaneamente, sorrindo.

“Claro!” Proclamou Applebloom. Ela lançou um olhar para Rainbow. “Olá Rainbow, como está?”

Dash sorriu para a pônei terrestre. “Estou bem e você? Então as três têm planos para hoje à noite?”

“Teremos uma festa do pijama! Temos certeza que acharemos nossas marcas especiais hoje!” Disse a pônei amarela com muita confiança.

Rainbow Dash sorriu, se divertindo com a confiança da jovem. “Bem, boa sorte então, seus pais já estão sabendo sobre isso?”

“Eu avisei Big Macintosh, ele disse que estava tudo bem.” Respondeu Applebloom.

“Sim, Rarity também está sabendo.” Completou Sweetie Belle.

“Não se preocupe com isso.” Disse Scootaloo em voz baixa e com um sorriso tímido.

Applebloom olhou para sua amiga pégaso. Scootaloo sempre parecia ficar um pouco inquieta toda vez que algum pônei falava de seus pais. Embora ela não deu muita atenção.

Rainbow Dash olhou séria para ela, mas deixou por isso mesmo. “Bem, nesse caso, terminamos o treino por hoje, certo Scoot?”

“Sem problemas Rainbow!” A jovem pégaso sorriu largamente para sua ídolo.

Dash se despediu do trio. “Vou pra casa então, vocês três se divirtam!”

“Nós iremos!” As três jovem responderam simultaneamente.

Rainbow Dash voava, as deixando sozinhas, enquanto Scootaloo retornava atenção para suas amigas. “Então, vai ser como o planejado? Ou vocês têm algo mais em mente?”

“Não sem você, não temos.” Disse Sweetie Belle com um sorriso. “Pensamos em ir até a casa da árvore planejarmos sobre como obter nossas marcas especiais, e decidir onde teremos nossa festa do pijama, como combinamos.”

“Parece ótimo.” Respondeu Scootaloo.

“Certo! Então que tal irmos para o nosso clube?” Completou Sweetie Belle.

As outras duas concordaram com as cabeças e partiram para sua base de operações.

Na casa da árvore, Sweetie Belle pegou um papel dobrado e um giz de cera. Desdobrando o papel na mesa, foi revelado o plano inacabado sobre como obterem suas marcas especiais.

Applebloom e Scootaloo sentaram ao lado de Sweetie Belle. A jovem unicórnio batia seu casco na mesa como se fosse um martelinho de juiz enquanto limpava sua garganta. “Antes de começarmos a reunião, preciso verificar se todas estão aqui. Scootaloo?”

“Presente!” Respondeu a pégaso laranja levantando seu casco.

“Applebloom?”

“Aqui!” Applebloom riu, achando isso um pouco bobo, mas engraçado.

“Sweetie Belle?” A unicórnio branca ficou em silêncio por alguns segundos enquanto olhava para frente com um rosto tão sério quanto ela poderia fazer. “Alguém sabe onde está a Sweetie Belle?” Ela brincou, incapaz de esconder um sorriso em seu rosto.

“Só você mesmo!” Appleblomm sorria enquanto dava um leve empurrão no ombro da unicórnio branca. A reunião oficial das cutie mark cruzaders sempre começava do mesmo modo; muitos risos, e brincadeiras que não tinham muita coisa a ver em conseguir as marcas. Eram apenas três amigas se divertindo juntas.

Scootaloo sempre parecia a mais feliz. Enquanto Applebloom e Sweetie Belle paravam de rir relativamente rápido, Scootaloo simplesmente continuava. Ela realmente valorizava seus momentos juntas. Appleblom não podia deixar de sorrir para sua amiga. Ela mesma gostava de passar tempo com a pegasus e a unicórnio, mesmo com a sua amizade com elas sendo recente.

Era realmente estranho: Swetie Belle costumava frequentar outra escola em Ponyville, mas mudou quando os parasprites destruíram a antiga há poucos meses atrás. Scootaloo, no entanto, sempre frequentava o mesmo colégio que Applebloom. Porém ela sempre ficava quieta, e a pônei ruiva acabava não a notando. Era como se estivesse evitando outros pôneis intencionalmente.

Foi bom ver como ela se abriu em relação a isso. Scootaloo era divertida, ativa, e amiga de todos ao mesmo tempo, algo que era raro de ver. As três se tornaram amigas recentemente, mas parecia que elas já eram assim há muito tempo.

“De qualquer forma,” disse Applebloom quando a pégaso laranja finalmente se acalmou um pouco com os risos. “Acho que devemos definir agora onde será nossa festa do pijama. Eu ia propor aqui mesmo na casa da árvore, mas Applejack disse que sou muito nova para dormir sem adultos por perto. E também não vai ter como no Rancho Maçã Doce, porque Big Macintosh tem hóspedes e todos os quartos estão ocupados.”

“Também não podemos dormir na minha casa.” DisseSwetieBelle com um sentimento de culpa visível no rosto. “Sem querer eu incendiei um dos vestidos da Rarity, e ela precisa de paz e tranqüilidade para trabalhar essa noite.”

As duas riram alto do que Sweetie Belle disse, deixando ela um pouco corada enquanto sorria meio embaraçada. Esse tipo de resultado parecia ser corriqueiro sempre que ela tentava ajudar a irmã mais velha.

Assim, Sweetie Belle e Applebloom voltaram suas atenções para Scootaloo, sorrindo antecipadamente para ela com um brilho em seus olhos. A pégaso laranja parecia intimidada com seus olhares. Ela sorriu nervosamente, tossindo em seus cascos. “O que faremos então?”

“Bem, desde que não possamos dormir na minha casa e nem na de Sweetie Belle, nos resta uma última opção.” Respondeu Applebloom. Ela podia ver Scootaloo afundar, perdendo o sorriso em seu rosto.

“Eu…” Ela começou, obviamente dando desculpas. “…acho que essa noite não vai dar.”

Imaginando porque tão repentinamente Scootaloo estava nervosa, Applebloom continuou: “Por que não? Seus pais estão ocupados?”

“Bem…hum..sim. Eles estão. Estão tendo um… um jantar particular essa noite.” Scootaloo mentiu, sorrindo com os dentes. Ela estava tremendo de nervosismo, demonstrando também que não sabia mentir. Sweetie Belle e Applebloom olharam uma pra outra com uma pitada de preocupação em seus olhos. Por que Scootaloo mentiria?

Applebloom continuou: “Scootaloo, algum problema?”

A pégaso laranja estremeceu. “O que quer dizer?”

“Bem… você está mentindo.” Applebloom sempre foi bastante simples em suas palavras. Ela não queria fazer sua amiga se sentir constrangida, mas não podia deixar de imaginar porque a pégaso estava escondendo alguma coisa delas.

De costa, a pégaso laranja deu alguns passos para trás olhando para o chão. “Eu não estou mentindo, eles realmente vão ter um… jantar.”

Havia um estranho silêncio na sala. As três pôneis estavam todas olhando para o chão, pensando no que dizer. Applebloom estava preocupada se ela foi ou não longe demais, mas muito mais, estava preocupada sobre o que poderia ser tão importante para Scootaloo a ponto dela esconder algo de suas amigas.

“Vocês não podem ir pra casa comigo…” Disse Scootaloo repentinamente, com a cabeça baixa e quase sussurrando. Ela estava triste com alguma coisa, como se quisesse que Applebloom e Sweetie Belle a ajudassem, mas por alguma razão não podia permitir que isso acontecesse. “Eu não posso dizer porque, mas você não podem.”

“…mas por que? Você não precisa esconder nada de nós.”

“Eu não posso falar.”

“Tem alguma coisa a ver com seus pais?” Perguntou Sweetie Belle.

“Agora chega, tudo bem?”

“Talvez eu possa pedir para Applejack falar com eles, tenho certeza que vai dar tudo certo.”

“APENAS ME DEIXEM EM PAZ!” A pégaso laranja gritou repentinamente. Lágrimas começaram a escorrer sobre suas bochechas enquanto soluçava. Ela estava tentando não chorar, embora as lágrimas continuavam caindo.

Applebloom e Sweetie Belle ficaram horrorizadas. Elas não tinham a intenção de fazer sua amiga chorar. Ambas se desculparam ao mesmo tempo, com a voz baixa. Elas queriam se aproximar de Scootaloo e confortá-la de alguma forma, mas não tinham certeza se isso poderia ajudar muito naquele momento. Elas nunca tinham visto a sua amiga energética daquela forma antes.

Depois de um curto espaço de tempo, Scootaloo levantou e caminhou até a porta.  “Eu sinto muito… preciso ficar sozinha.” Ela disse, com sua voz fraca e triste. Então a pégaso correu, desaparecendo na escuridão da noite.

O clima mudou, e Sweetie Belle e Applebloom apenas deram boa noite para cada uma, voltando para casa com um sentimento de culpa por involuntariamente fazer Scootaloo chorar, preocupadas com o seu bem estar.

Quando Applebloom voltou para o Rancho Maçã Doce, sua cabeça estava baixa, ela foi recebida pela voz alegre e familiar de sua irmã. “Bom dia Applebloom, voltou cedo! Tiveram sua festa do pijama?” Applebloom olhava sua irmã, imaginando se deveria ou não dizer a ela o que aconteceu. Tinha certeza que Scootaloo não gostaria que dissesse isso para outro pônei, mas se ela conhecia bem Applejack, provavelmente descobriria mais cedo ou mais tarde. Além dos mais, sua grande irmã também poderia saber que atitude tomar numa situação dessas. Então decidiu contar tudo para Applejack.

O silêncio atingiu as irmãs e a expressão alegre no rosto da pônei laranja deu lugar a uma de preocupação. Ela se sentou e chamou sua irmã mais nova para se aproximar, para que pudesse consolá-la. Applebloom parecia realmente arrasada.

“Não há nada que você precise se preocupar, docinho.” Applejack a confortou, colocando um casco em torno da potranca, cujos olhos estavam molhados. “Tenho certeza que logo iremos saber o que está havendo. Na verdade, acho que posso falar com Rainbow Dash sobre isso. Desde que Scootaloo a idolatra, provavelmente irá se abrir com ela.” Applejack puxou Applebloom para si mesma lhe dando um abraço para aliviar suas preocupações. “Vai ficar tudo bem.”

Applebloom balançou a cabeça lentamente, com um sorriso fraco. Ela queria ser a única a cuidar disso, mas não sabia o que fazer. Foi provavelmente uma boa idéia deixar os mais velhos conversarem com sua amiga. Eles teriam melhores atitudes e argumentos para lidarem com a situação. Era o que ela esperava, pelo menos.

“Agora, vai dormir um pouco.” Disse sua irmã com um sorriso animado. “Você teve uma noite cheia e deve estar cansada.”

Rainbow Dash tinha saído mais cedo hoje. Ela estava praticando algumas parábolas no ar das quais queria mostrar aos Wonderbolts na próxima vez que os encontrasse. Ela já dominava bem as acrobacias, mas sempre procurava aperfeiçoar o já perfeito.

Limpando uma gota de suor de sua testa, ela notou uma figura familiar vindo em sua direção; era Applejack. Rainbow deu um largo sorriso e foi cumprimentar a amiga.

“Olá Applejack!” Ela cumprimentou, voando até a pônei laranja, pairando no ar perto dela. “Tudo bem?”

“Oi Rainbow,” Applejack respondeu, sentando na frente da pégaso. “Queria saber se você pode falar uma coisa pra mim, se não se importa.”

“Claro, o que é?”

“É sobre Scootaloo, Applebloom estava com ela na noite passada.”

“Sim, eu sei. Vi elas correndo até a casa na árvore. Ela não sumiu ou qualquer coisa assim certo?” Perguntou a pegaso azul um pouco preocupada.

Applejack balançou a cabeça. “Acho que não. Mas ela brigou com Applebloom e Sweetie Belle. Bem, briga ou fuga, chame como quiser. Enfim, aparentemente ficou muito chateada quando falaram sobre seus pais. Ela chorou bastante e deixou Applebloom e Sweetie Belle muito preocupadas. Imaginei que você poderia falar com ela sobre isso.”

Rainbow Dash finalmente pousou. Ela estava um pouco surpresa com o problema de Scootaloo, e ainda mais surpresa pelo que Applejack disse. Não sabia o que fazer sobre isso. Scootaloo era apenas uma fã. A pégaso laranja não era sua responsabilidade e não conseguia entender porque deveria falar com ela. Não era parente e apenas treinavam juntas.

“É muito ruim saber que ela está triste, mas por que eu?” Rainbow perguntou com um pouco de hesitação.

“Como é que é?” Applejack respondeu surpresa, apertando os olhos.

“Por que eu deveria falar com ela? Não sou sua mãe, nem parente.”

“Por que, Rainbow Dash… estou surpresa em ouvir você dizer isso!“ A voz de Applejack esboçava um pouco de irritação. Ficou desapontada pelo fato de Rainbow Dash simplesmente não concordar em falar com Scootaloo sem hesitar. Ela deu alguns passos próximos da pegaso azul, a fazendo se afastar um pouco.

“E eu não a conheço muito bem também!” Rainbow Dash se defendia, um pouco intimidada. “Ela nunca me falou sobre sua vida ou qualquer coisa assim. Só gostava de passar o tempo comigo treinando.”

“E por que você acha isso?”

“Eu não sei, porque ela sempre me procura ou algo assim?”

“Exatamente! E ainda insinua que não tem nada a ver com a vida dela?”

“Não foi isso que eu quis dizer… ela apenas não é minha responsabilidade.” Rainbow Dash estava ficando um pouco envergonhada, mas insistia que não deveria ser a única a falar com a pegasus laranja. Ela não saberia sobre o que conversar de qualquer forma. Não tinha nenhuma experiência com crianças, não uma experiência real, confortando pessoas. Applejack e Fluttershy provavelmente se sairiam muito melhor do que ela, talvez até Pinkie Pie.

“Mas você é a ídolo dela, Rainbow Dash” Applejack disse alto, com uma voz zangada. “Ela respeita você, e provavelmente só vai se abrir com você! Como pode simplesmente dizer que não quer falar com ela?”

Rainbow Dash desmoronou de vergonha. Ela virou-se quieta por um segundo e tentou evitar o contato visual com a pônei laranja. Realmente se sintia mal sobre o que estava dizendo, mas não tinha coragem de agir como adulta, para assumir a responsabilidade. “Eu apenas não sei o que fazer…”

Applejack suspirou. Balançou a cabeça um pouco e procurou se acalmar, mantendo o silêncio por um segundo. Então olhou Rainbow Dash nos olhos com determinação para concluir a conversa. “Scootaloo está tendo um momento difícil agora, Rainbow. Ela precisa de você. Por Celéstia, ela é apenas uma criança! Você precisa fazer alguma coisa certo?”

Rainbow Dash ficou quieta. Ela abaixou a cabeça acenando que concordava, aceitando sua derrota. Precisava fazer alguma coisa sobre isso.

Vendo Rainbow Dash meneando a cabeça em concordância, Applejack sorriu aliviada. “Ótimo! Agora vá falar com ela.”

“Eu só não sei onde ela mora.”

“Ah.. certo.” Applejack não tinha pensado nisso, mas sabia que era só uma questão de tempo. “Você combinou de treinar com ela hoje?”

“Não, e também não a vi.”

“E isso é incomum?”

“Na verdade, sim. Ela treina comigo sempre que pode, então chega todos os dias antes da escola e pede para praticar vôo com ela.”

“Nesse caso, ela ainda pode estar chateada. Vamos perguntar para sua professora onde Scootaloo mora, considerando que não deve ter ido para a escola hoje. É a Cheerilee, certo?”

“Provavelmente você sabe melhor do que eu, A.J. Você é a única que tem uma irmã na escola, lembra?” A pégaso riu, deixando a pônei laranja um pouco embaraçada.

“De fato, sou.”

Rainbow Dash e Applejack se separaram, concordando mutuamente em perguntar a Cherilee sobre onde Scootaloo costuma ir depois da escola. Rainbow Dash ainda se sentia mal depois da conversa com Applejack, envergonhada de seu ato hesitante.

Claro, ela não era irmã mais velha de Scootaloo, mas passava muito tempo com a pegasus laranja e deveria ter notado seus sentimentos por ela sem que Applejack precisasse explicar.

Ela voou até uma nuvem, com a intenção de relaxar um pouco antes de começar o trabalho de limpar os céus. Tentava descansar, mas não conseguia deixar de olhar para Ponyville, ponderando sobre o que fazer se Scootaloo realmente estivesse com problemas. O que poderia ser? Estaria com algum problema sério em casa? Algum tipo de trauma? Seja o que for, deve ter algo a ver com a sua família, considerando as reações que ela teve quando mencionaram sobre seus pais. Depois de alguns minutos refletindo, ela notou outra figura familiar no mercado Ponyville. Aparentemente, não precisaria mais falar com Cherilee: era Scootaloo. A pégaso laranja estava escondida atrás de uma esquina, por algum motivo, invisível aos pôneis no chão, mas muito perceptível a partir da nuvem onde Rainbow estava sentada. Rainbow pensou em voar até a potranca para conversar, como Applejack disse, mas ficou curiosa sobre o que ela estava fazendo. Por que estaria se escondendo dessa forma? Dash decidiu ficar escondida por um tempo e seguir a jovem pégaso para ver onde isso acabaria.

Para surpresa de Rainbow Dash, Scootaloo saltou de trás do canto quando nenhum pônei estava olhando, pegou escondida o máximo de maçãs que poderia levar, e rapidamente correu para longe. Ela roubou as maçãs.

Rainbow Dash ficou atordoada depois de testemunhar isso. Então decidiu continuar perseguindo a potranca, curiosa para saber por que ela faria isso, e também com um pouco de medo de confrontá-la. Sem mencionar com a temida conversa emocional que deveria ter com ela. A pégaso azul pulava de nuvem em nuvem, permanecendo fora da vista de Scootaloo. A potranca laranja tinha mudado seus meios de transporte de cascos para patinete.

“Eu trouxe café da manhã.” Disse Scootaloo, empurrando as maçãs para o túmulo na frente dela. “Eu sei, eu sei. Você não quer que eu roube mais, mas algumas maçãs não vão fazer tanta falta pra eles. Apesar de que, eu não fui pega ainda.” Ela deu uma mordida em sua maçã, e a mastigou rápido no início, desacelerando, forçando-se a engolir. Parecia enjoada da maçã em seu casco. “Eu nunca gostei de café da manhã. É sempre tão difícil mastigar no início do dia. Mas sei que é saudável pra mim. É o que me faz continuar cheia de energia, como você sempre disse, então tenho que comer.” A pégaso pausou ambos, comer e falar. Ela abaixou um pouco a cabeça, sorrindo para a pedra na frente dela. Com a voz baixa, continuou: “Sinto muito mantê-la acordada a noite toda… Eu só queria dizer sobre o que aconteceu entre mim, Applebloom e Sweetie Belle. Eu me sinto mal escondendo este segredo delas, mas não quero que elas me tratem de forma diferente também. Sei que estão apenas tentando ajudar, mas elas não compreenderiam, certo? Digo, elas não são como eu.” Outra pausa. “Como elas poderiam entender…”

Rainbow Dash estava atônita. Ela tinha idéia sobre o que estava errado, mas isso era simplesmente demais para ela dar conta. Poderia Scootaloo estar mesmo…? Poderia aquele túmulo…? Ela sentou-se atrás da árvore e colocou a casco sobre a boca, tentando encontrar coragem para falar com a potranca. Ela não tinha idéia do que dizer. A pégaso laranja estava completamente sozinha….

Scootaloo estava sentada tranqüilamente em frente ao túmulo por enquanto. Estava sorrindo vagamente, mas seus olhos expressavam outro tipo de humor. Não estava com lágrimas nos olhos. Parecia mais olhares de quem tinha perdido a vontade de lutar. Ela deitou-se de barriga, cabeça e cascos esticados para a frente, alcançando a lápide. “Sinto saudades de você, mãe…” Ela disse com uma voz sumida, quase um sussurro.

“Ei garota,” Disse Rainbow Dash gentilmente, mas ainda um pouco nervosa. Finalmente teve coragem de sair de seu esconderijo, querendo consolar a pégaso sentada em frente ao túmulo de sua mãe. Scootaloo foi pega de surpresa pelo súbito aparecimento de Rainbow e correu sobre as patas traseiras, tentando desesperadamente esconder o túmulo dela, bloqueando sua visão.

“O..Oi Dash.” Ela disse com uma voz mais ou menos perto de seu volume habitual. Estava tremendo, claramente com medo de quanto Dash tinha visto. Realmente não queria que nenhum pônei soubesse sobre isso. Embora agora fosse tarde. Rainbow Dash tinha visto tudo e ela não poderia mais fingir que estava tudo bem.

A pegasus mais velha aproximou-se da potranca, ainda sem certeza do que dizer, e seu rosto mostrava isso claramente. “O que faz aqui?” Ela perguntou, temendo que fosse uma pergunta simples demais e direta.

“Nada … só de passagem através do cemitério no caminho para a escola.”

“…Eu já sei, Scoot.” Rainbow Dash disse com um suspiro triste, finalmente a confrontando. Isso não era para si mesma, ela pensou, mas para Scootaloo.

A pégaso laranja deixou de lado seu sorriso falso e olhou para o chão, parecendo um pouco envergonhada e triste por Rainbow Dash ter descoberto. “E então…?” ela disse defensivamente com uma voz baixa e irritada. “Você vai ter pena de mim agora?”

“…”

“Vá em frente, e veja se me importo…” As duas ficaram em silêncio por um tempo. Rainbow Dash estava olhando para ela preocupada, e Scootaloo estava olhando para o chão, formando uma lágrima em seus olhos.

“Sim, provavelmente vou ter pena de você,” Disse Rainbow Dash, fazendo a potranca morder o lábio inferior. “Mas não que eu sinta isso por qualquer pônei.” Ela andou até a potranca, colocando as patas em volta dela, sentando-se ao seu lado. “Eu sinto muito, Scootaloo… queria que você não tivesse que passar por isso… não posso dizer que sei como você se sente, mas posso falar isso: Você não precisa mais ficar sozinha…”

As lágrimas nos olhos de Scootaloo se formaram rapidamente. Ela começou a choramingar, mas manteve seu corpo rígido com o máximo de controle possível.

“…Você está investindo demais em si mesma, sabe…?” Rainbow Dash continuou, apegando-se à pegaso laranja de uma forma que nunca pensou que faria. “…deveria ter um pouco mais de fé nos pôneis maiores… você é muito jovem para tentar se manter sozinha…”

“E daí se eu sou jovem?” A potranca gritou, chorando mais alto do que antes. “Vocês pôneis mais velhos são todos iguais! Assim que eu começo a confiar em vocês, vocês me deixou sozinha, me abandonam! ME ABANDONAM!” Ela agarrou Rainbow Dash, a abraçando com força e chorando. Estava tremendo muito. Era como se não tivesse chorado há anos. “Primeiro papai foi embora antes mesmo que eu pudesse falar! Então minha mãe me deixou! Até vovô e vovó me deixaram! Por que eu deveria acreditar que você é diferente?”

“…Eu não vou te abandonar…”

“CALE-SE, APENAS CALE-SE!”

“ESCUTE!!” Rainbow Dash gritou enquanto ela empurrava a potranca para trás, mantendo seus cascos dianteiros em seus ombros. Ela tentava se conter, mas algumas lágrimas formaram em seus olhos, sabia que Scootaloo precisava dela. Rainbow olhou a pégaso laranja nos olhos intensamente o suficiente para ela não se desviar, certificando-se de que seus olhares estavam fixos. “Eu não vou deixar você! Não importa o que aconteça, eu prometo, estarei aqui por você, entendeu?”

Scootaloo ficou em silêncio por alguns segundos. Seu rosto estava forçando uma expressão diferente enquanto lágrimas aumentavam rapidamente, derramando de seus olhos. Ela pulou de novo para um abraço, agarrando-se firmemente à pegaso azul. Chorava do fundo de seu coração. Todas as lágrimas que tinha guardado finalmente foram transmitidas de seus olhos, correndo no ombro do Rainbow Dash. Elas ficaram assim para o que parecia ser uma eternidade, sem dizerem uma palavra. A potranca chorava, e a pegasus mais velha acariciava a crina de Scoot com um casco, consolando-a.

Rainbow Dash trouxe a potranca de volta com ela para sua casa nas nuvens. Deixou faltar na escola, simplesmente por causa do que tinha acontecido. As duas compartilhavam de uma conexão que parecia ter se reforçado muito durante este pequeno incidente. Ela caminhou até a pégaso jovem, com uma caixa de lenços para limpar as lágrimas restantes no rosto.

“Sabe, você realmente não deve roubar.” Ela acrescentou enquanto limpava o rosto de Scootaloo com um lenço.

“Mas eu não quero ir para um orfanato.”

“Então você deve ficar aqui, comigo.”

A pégaso laranja olhou para cima. Seus olhos se arregalaram e sua boca escancarou de surpresa. Rainbow Dash sorriu perante essa reação e pensou que essa seria a melhor solução para ambas.

“Mas eu não sou uma boa cozinheira, então você vai ter que se acostumar com o feno que eu faço.” Ela riu, fazendo a jovem pégaso se animar. “Então, o que me diz?”

Scootaloo não disse nada. Simplesmente sorriu como nunca havia feito antes em sua vida e inclinou-se para dar um abraço forte e amoroso em Rainbow Dash. A pégaso azul retribuiu o abraço com um sorriso.

“Quer saber Scoot? no fundo do meu coração a sempre tive como filha, mas ainda não sabia. Eu te amo!”