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Pôneis e suas principais frases

Créditos pelas frases:

Celestia – Augusto Cury

Luna – Rachel Prado Corrêa

Demais frases – Drason

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O Pônei de Oasis – Parte IV

 

oasis
Ilustração: Drason

CLIQUE AQUI PARA LER A TERCEIRA PARTE

Autor: ROBCakeran53

Tradução: Drason

SINOPSE: Equestria ainda estava sendo reconstruída após a derrota de Tirek, e as seis novas governantas de Ponyville ajudando em sua reconstrução. Tudo mudou de maneira inusitada quando a Princesa Celestia entregou a elas uma carta descrevendo acerca das façanhas realizadas por um único cidadão da cidade de Oasis conhecido como Senhor Baker, e a forma como superou Tirek. Com a missão de descobrir se os relatos eram verdadeiros, as seis pôneis devem ir até a referida cidade para investigar. No entanto, elas irão descobrir que o Senhor Baker não era exatamente quem ou o que elas esperavam.

Rarity e Fluttershy desciam a escada que levava até a sala de jantar de Sunny Side, onde já havia vários pôneis se servindo do café da manhã.

“Bom dia, queridas. Dormiram bem?” Sunny Side perguntava atrás do balcão.

“Sim, tão bem quanto pudemos.” Rarity rolava seu ombro. “Eu não sabia que colchões de palha ainda estavam em uso.”

Eu dormi bem, obrigada Sunny.”

Rarity rolava seus olhos para Fluttershy.

“Tem mais alguém que irá se juntar a vocês duas para o café da manhã ou devo preparar uma mesa só para ambas?” Sunny Side perguntava enquanto pegava o cardápio.

A maioria das mesas estava ocupada, e as poucas livres eram pequenas demais para seis pôneis. Com sorte, o bar ainda não estava cheio, então Fluttershy e Rarity tomaram seus assentos por lá.

Rarity pegava o cardápio, olhando por cima dele na direção das escadas. “Elas deverão descer logo. Twilight ficou acordada até tarde lendo aquele livro enorme que Thomas deu a ela.”

“Sim, ele e Bob trabalharam muito naquela coisa.”

“Bob? Ele é seu marido, certo?” Fluttershy perguntava.

“Eyup. Completou seis anos no mês passado. Que jeito horrível de se comemorar nosso aniversário.” Sunny folheava um bloco de notas. “Então, o que vão querer?”

“Um copo de sopa para mim, por favor,” Rarity respondia, colocando o cardápio na mesa.

“O mesmo para mim, por gentileza.” Acrescentava Fluttershy.

“Hoje teremos nossa especial sopa de ervilhas, espero que gostem.” Sunny retornava para o balcão.

“Certamente, obrigada.”

“Novo pedido, Bob,” Sunny o chamava através da janela de serviço.

Um casco negro surgia da janela pegando as anotações e então desaparecia novamente.

“Então, seu marido é o chef?” Rarity perguntava.

Sunny ria. “Eu não iria tão longe a ponto de chamar ele de…”

De repente surgia um gemido da cozinha.

Sunny sorria. “…mas sim, ele prepara a maior parte das refeições. Também administra o bar nos finais de semana. A maioria dos bêbados acabam se comportando bem sabendo que o administrador do bar tem o dobro do tamanho deles.”

“Soa muito como meu irmão Big Mac.”

A conversa delas era interrompida enquanto se viravam para verem Pinkie Pie saltando escadas abaixo com uma impossível cambalhota. Ela era lentamente seguida pela exausta Rainbow Dash que parecia ter acabado de acordar, e finalmente Applejack, ajudando uma relutante Twilight a terminar os últimos degraus da escada.

“Nas reuniões de família, meu irmão Big Macintosh serve cidra para os adultos.” Applejack sorria para Sunny, e pegava um assento situado no lado oposto do bar.

“Bem, pelo menos é de família. Mas aqui estou li dando com um bando de folgados que não querem nada com nada e ainda achando que me elogiar irá isentá-los de pagar a conta.”

Elas ouviam uma risada vindo da cozinha.

“Oh, silêncio aí.” Sunny arremessava uma toalha de prato na janela de serviço. “Aliás, o que o resto de vocês vão querer para o café da manhã? Essas duas assíduas pediram nosso prato especial de sopa de ervilhas.”

“Sopa de ervilhas? Primeiro aquela torta vegetariana, e agora sopa de ervilhas? Isso é quase como se tivesse tentando me fazer ficar doente,” Applejack dizia.

“Bem, eu poderia usar algumas maçãs daquela árvore que você trouxe.”

Applejack piscava, então seus olhos arregalavam. “Oh céus, eu me esqueci completamente daquela macieira. Com tudo o que aconteceu ontem, bem, foi muita coisa pra minha cabeça.”

“Com todas nós, Applejack.” Rarity dizia.

Um sino tocava na janela de serviço. Cuidadosamente, Sunny colocava os copos de sopa na frente de Fluttershy e Rarity.

Rainbow Dash respirava fundo. “Hmmm, isso parece bom.”

“Nem me diga! Vou pegar duas tigelas de sopa!” Pinkie Pie exclamava.

Todas olhavam para a pônei rosa.

“O que? Eu estou com fome.”

“Bob, mais três copos e duas tigelas,” Sunny gritava de volta, então retornava para Applejack. “Não se preocupe sobre a árvore Applejack. Bob está cuidando bem dela e já a regou hoje cedo.”

“Bem, nesse caso, obrigada Bob!” Applejack gritava. “Aquela árvore é para a cidade de qualquer maneira, então podem pegar quantas maçãs quiserem.”

Um casco negro balançava na janela tomando a atenção de Applejack. Ela se virava para ver melhor, mas o casco já havia sumido de sua vista.

“Isso é muito amável de sua parte Applejack, obrigada,” Sunny dizia, então se virava na direção da alicornio sentada no meio do grupo, “Então, como está o livro?”

Twilighr olhava para cima. “Hum? Oh, isso é… interessante, para dizer o mínimo. Há muitas coisas aqui que eu legitimamente não entendi nada, por simplesmente não fazer nenhum sentido. Alguma coisa no começo, sobre um Big Bang” é ridículo.

“Bem, Tom não é daqui. Muitas coisas sobre ele não fazem muito sentido mesmo.”

“Como o que?”

Sunny ria, “Você verá conforme for lendo.”

Twilight gemia, batendo seu rosto no livro como uma resposta frustrada.

Rarity colocava a colher ao lado de sua xícara já vazia. “Eu devo dizer, a sopa estava excelente Sunny. Meus cumprimentos para o chef.”

“Ouviu Bob? Você ganhou um elogio!”

O casco de Bob batia no sino poucas vezes em sinal de aplauso.

Applejack olhava para o casco de Bob. Alguma coisa não parece certo, mas o que é?

“Bem, Fluttershy e eu temos que ir. Sunny, será que Thomas já levantou nesse horário?

“Está brincando? Ele é o mais adiantado nessa cidade! Há uma razão para não termos nenhuma minhoca faltando.“

“Ele come minhocas?” Pinkie Pie perguntava.

Novamente, todas as pôneis olharam para ela.

“O que? Essa pergunta é séria.”

“Vocês não estão planejando prendê-lo, estão?” Perguntava Sunny.

“Oh, você ouviu algo sobre isso?” Twilight perguntava com as orelhas achatadas.

“Não exatamente, mas você impressionou o prefeito e o carteiro de uma forma que eles não deixaram suas casas desde ontem à noite.”

Twilight suspirava. “Eu devo me desculpar com eles por aquilo tudo.

“E quanto ao Sherife?” Rainbow perguntava.

“Copper Top?” Sunny ria. “Será necessário mais do que uma princesa para assustá-lo.”

Twilight encolhia com o comentário, mas deixava passar.

“Vamos indo, Fluttershy. Não temos o dia todo. Eu gostaria de começar do zero com o Senhor Baker.” Rarity ficava de pé na frente de seu assento.

“Oh, se for necessário…” Fluttershy levantava de sua cadeira.

“Vocês duas vão ver Tom?” Sunny perguntava. “Mesmo depois dele ter dado aquele livro?”

“Você fala como se isso não fosse uma boa ideia,” Dizia Rarity.

“Ninguém realmente chegou a ler o livro inteiro, com exceção de Bob, mas isso foi porque ele ajudou a escrevê-lo.”

“Porque ele é muito longo?” Perguntava Rainbow.

“Não por isso, mas porque o livro é muito chato, entediante,” Dizia Sunny.

Uma toalha de prato voava para fora da janela de serviço.

“Não é culpa sua se você escreveu daquele jeito, Bob.”

“Eu realmente não achei o livro entediante,” Twilight dizia. “Na verdade, ele é totalmente detalhado sobre os aspectos da cultura de Thomas que é um tanto interessante, como o fato de que é de costume deles andarem sempre com roupas.”

“Como disse, entediante.” Sunny colocava a toalha de cozinha no balcão. “Bem, se vocês garotas vão ver Tom, eu posso acompanha-las, no caso dele resolver bater a porta na cara de vocês.”

“Oh, nós apreciaríamos muito, Sunny,” Dizia Rarity.

“Bob trará as sopas de vocês assim que estiverem prontas.” Sunny saía do balcão, se juntando à Rarity e Fluttershy enquanto elas caminhavam. “Voltarei daqui a pouco, Bob! Tente não ser preso pela princesa!”

O casco negro balançava preguiçosamente na janela de serviço antes de desaparecer de novo. Novamente, Applejack olhava até a janela de serviço com uma sensação desconfortável em seu estômago.

Depois que as três pôneis saíram, Applejack se virava para suas amigas, agitada pelas suas preocupações anteriores. “Então Twi, fazendo algum progresso? Sei que você já leu muito, mas encontrou algo útil?”

Twilight não tirava os olhos do livro enquanto respondia. “É bastante útil conhecer sua cultura, mas o Thomas Baker pessoalmente? Não vi nada até agora. Este livro está mais para uma enciclopédia do que uma autobiografia dele.”

“Então você está dizendo que esse livro não está ajudando como deveria.” Rainbow olhava o livro com uma expressão entediada, com seu queixo descansando em um casco.

Twilight finalmente tirava os olhos do livro e olhava para Dash. “Eu não diria exatamente isso, mas muito do que está aqui me faz hesitar para acreditar em uma única palavra dele. Aqui fala de tecnologia avançada, máquinas, combustíveis fósseis, e blá, blá, blá. Muita coisa para assimilar, especialmente sem nenhum conhecimento prévio do que diz aqui.” Um casco negro colocava uma xícara de sopa na frente de Twilight. “Oh, obrigada,” Twilight olhava de volta para o livro.

“Embora eu tenha lido apenas um quarto deste livro, posso seguramente afirmar que se alguma coisa descrita aqui for real, então o Senhor Baker não é sequer de Equestria. Já cheguei a fazer muitas pesquisas sobre outros territórios, e nenhum deles fala sobre esse lugar chamado de Estados Unidos, ou a região norte dele conhecida como Canadá.”

Twilight levitava uma colher, mergulhando ela em sua xícara de sopa, assoprava ela, e experimentava. “Nossa, isso é bom,” ela olhava de volta para Rainbow Dash. “E então acabei achando algumas semelhanças. Ambos temos eletricidade, embora se comparado aos exemplos do livro, a nossa ainda é primitiva. Ambos temos locomotivas a vapor, embora para eles isso agora é só uma peça de museu já que agora eles utilizam motores mais modernos movidos a gasolina e diesel, seja lá o que isso for.”

Twilight pegava outra colher de sopa. “Uau, isso é realmente bom. Applejack, sua família pode ter uma competição séria aqui,” ela brincava, olhando para sua amiga, somente agora percebendo o quão quietas todas elas estavam, ela pelo menos esperava alguma reação de Rainbow Dash agora depois da conversa. Applejack estava olhando para frente, com os olhos apertados. Ela nem havia tocado na sopa ainda. Pinkie Pie ao lado dela já estava em sua segunda tigela.

Ela olhava para sua esquerda, onde Dash havia começado a comer, mas agora partilhando de um comportamento semelhante ao de Applejack. “Algo errado garotas?” Twilight perguntava.

O changeling chamava suas atenções enquanto ele pegava um copo sujo, cuspia nele, e então o enxugava, colocando ele junto com outros copos mais “limpos”. Ele pegava outro copo sujo, percebendo os olhares chocados, assustados e possivelmente hostis das quatro pôneis. Ele não tinha um sorriso de início, mas sua expressão neutra se deslocava para uma carranca.

Então naturalmente foi até Pinkie Pie quebrar o silêncio constrangedor.

“Bob, pode me dar outra tigela por favor?”

Rarity e Fluttershy deixavam Sunny Side guiá-las até a loja de Thomas, jogando conversa fora entre elas. Algumas perguntas sobre Tom eram evitadas como antes, então Rarity tentava outro meio.

“Então, há quanto tempo seu marido e Thomas são amigos?”

Sunny normalmente parava por um segundo, olhando de volta para Rarity, mentalmente julgando se esse seria algum tipo de truque para deixar escapar qualquer informação sobre o carpinteiro. “Oito anos, se não me falha a memória. Por que?”

“Bem, Bob ajudou Thomas a escrever seu livro, não foi? Imagino que eles sejam amigos por um bom tempo então.”

“Imaginou como?”

“Aquele é um livro bem grande, e bem confeccionado. Deve ter levado um bom tempo para finalizá-lo.”

“Três anos, na verdade.” Sunny começava a caminhar novamente. “Quando se trata de um trabalho literário, Bob é um tanto perfeccionista. Foi Bob que deu ao velho Thomas a ideia de escrevê-lo.”

“Então pelo que entendi eles são mesmo bons amigos, não?”

Sunny suspirava. “Melhores amigos na verdade. Ambos passam por algumas situações difíceis, mas é através delas que eles ajudam um ao outro.”

“Mesmo?” Rarity olhava para Fluttershy, que observava a estrada suja pela qual caminhavam.

“Tom esteve aqui apenas por alguns anos quando eles se conheceram. Até então a maioria de nós habitantes da cidade tínhamos aceitado Tom como um dos nossos, porém demorou um pouco mais para o Bob. O próprio Tom ajudou a melhorar essa relação, auxiliando Bob com qualquer trabalho que o Senhor Fixit o designava.”

“O Senhor Fixit foi o primeiro dono da loja, correto?” Rarity perguntava.

“Isso mesmo. Os Fixits foram os primeiros a se relacionarem bem com Tom. Foi muita coincidência o próprio Tom ser um carpinteiro e encanador em seu antigo trabalho antes de vir parar aqui, então ele se adaptou naturalmente com eles. Ele tinha um carinho especial da Senhora Fixit; não faria nada ousado ou impróprio ao redor dela. No mesmo segundo em que você viesse a insultá-la ele partiria na defesa dela te estrangulando.” Sunny ria.

“Metaforicamente falando, certo?” Rarity perguntava.

“Isso, Tom teve alguns problemas em seu tempo. Se você se depara com ele estressado, ele chuta seu flanco. Sempre que há problemas na cidade em que necessita de músculos nós chamamos Tom e Bob para lidar com eles. Entre os dois tudo se resolvia,” Sunny deixava sair um longo suspiro, “ou pelo menos, em noventa por cento dos casos.”

“Tirek?” Fluttershy perguntava mansamente.

Sunny cuspia na estrada. “Sim, ele.”

As três pôneis se aproximavam da varanda, com Sunny parando enquanto ela se virava para Rarity e Fluttershy.

“Então, o que é que vocês vão tentar fazer?”

“Com Thomas?”

“Sim.”

Rarity sorria. “Bem, vocês vilarejos queriam que Thomas recebesse um ressarcimento por seus suprimentos usados nos reparos da cidade. Então nós precisamos analisar o caso e ver o quanto foi feito para calcularmos o valor do reembolso.”

Fluttershy olhava para Rarity com uma sobrancelha levantada. Rarity rolava seus olhos. “Existem alguns benefícios em dividir um quarto com Twilight, embora poucos.”

Rarity se voltava para Sunny. “E então há toda a questão da medalha. Não são todos os pôneis que conseguem uma. Elas são reservadas para pôneis, ou o que quer que sejam, que fizeram alguma coisa grande e heroica que beneficiou a todos, e não apenas a si mesmo.”

“Então você vai julgar seu caráter?” Ambas pôneis acenaram; Sunny ria. “Bem, ele é bastante complicado, boa sorte.”

As bocas de Rarity e Fluttershy afrouxavam enquanto Sunny Side caminhava e entrava pela porta escorada. Rarity e Fluttershy levaram um segundo extra para se recuperarem, então rapidamente a seguiam. O lugar estava praticamente o mesmo de ontem, embora houvesse uma anotação no balcão, avisando que ele estaria fora e voltaria mais tarde.

Sunny Side caminhava até a porta restrita para funcionários e entrava. Ela deixava a porta aberta, esperando que as duas a seguissem.

No local exclusivo para empregados, Rarity estava esperando se deparar com algum tipo de sala para armazenar suprimentos, onde ele tivesse diversas caixas empilhadas com materiais guardados. Ao invés disso, elas entraram em um local que mais parecia uma sala de carpintaria, com meia dúzia de cadeiras, cada uma diferente da outra em vários estágios de acabamento. Uma parecia ser o projeto de uma cadeira de jantar com braçadeiras fixadas em cola seca. A outra era uma cadeira de balanço, já envernizada.

O berço chamava a atenção de Rarity. Sunny caminhava até os fundos da loja, chamando o nome de Tom enquanto Rarity e Fluttershy ficavam para trás. Rarity caminhava até o berço, analisando os detalhes ponto a ponto. Esculturas únicas foram esculpidas ao longo de cada balaústre, parecidos com o da varanda de Sunny, porém muito mais finas.

Lá, preso na parte de trás, havia uma velha foto preta e branca envelhecida pelo tempo. Era de uma mãe e seu bebê, que combinava perfeitamente com o berço, embora agora faltando a arte detalhada como mostrava na foto. Rarity estava prestes a pedir para Fluttershy dar uma olhada na foto quando a porta pela qual haviam entrado se abria com o Senhor Baker entediado entrando com uma xícara de café em uma mão e uma ferramenta semelhante a uma faca na outra.

A decisão de Fluttershy foi a de rapidamente se esconder atrás de uma das cadeiras. Rarity teria se juntado a ela se o chão não estivesse coberto de pó de serra.

Thomas passava andando, nem mesmo olhando para o seu lado enquanto lentamente caminhava até o fundo da sala e colocava sua xícara de café em uma das cadeiras. Ele estendia a mão e apertava um botão em uma caixa preta, deixando escapar o som do violão que Rarity havia ouvido falar há algum tempo. Então as vozes começavam.

Era um rádio, embora parecesse bem mais moderno do que o do bar de Sunny. Não demorou nem um minuto para aquecer. O som não tinha chiado, estática, ou qualquer tendência a desvanecer-se como a maioria das rádios. A música era pura e limpa.

Thomas sorria para o rádio, então com a ferramenta nas mãos, ele começava a trabalhar na cadeira. Foi onde Rarity percebeu que não era uma faca, mas uma lima para suavizar os sulcos que foram esculpidos na cadeira. Fluttershy engatinhava, saindo debaixo do banco com sua pele e crina cheias de pó de serra e suas orelhas se contraindo com a música. Pouco tempo depois as duas estavam balançando suavemente com a música.

Foi o momento perfeito para Sunny interromper a calma enquanto ela caminhava dentro da sala através de outra entrada.

Três coisas aconteceram de uma só vez: Thomas pulou, derrubando sua xícara de café no chão que se reduzia a cacos, o rádio mudou de faixa, fazendo um ruído antes de sintonizar outro canal, e Fluttershy voltava para debaixo do banco.

“Oh, aí está você Tom! Estive te procurando.”

Thomas levava uma das mãos em seu peito, com a outra segurando com força uma ferramenta.

“Jesus Cristo, Sunny. Pra que entrar assim?” Thomas expirava, levando sua mão no peito até seu cabelo.

“Bem, para fazer seu coração bater mais forte e melhorar sua disposição.” Sunny ria.

“Oh, muito engraçado.” Thomas olhava para baixo para ver o que sobrou de sua xícara e do café derramado. Ele apertava um botão em seu rádio, o desligando, então olhava de volta para Sunny. “A que devo a honra dessa visita tão cedo? A cidade mal acordou, não está servindo café da manhã hoje?”

“Bob está cuidando disso pra mim.”

Thomas piscava, olhando para Sunny como se ela fosse boba. “Você deixou Bob sozinho, cuidando do bar, com a princesa de Equestria? Sunny não estou dizendo que foi a coisa mais estúpida que você já fez, afinal é casada com ele, mais ainda assim.”

“Ele vai ficar bem.”

Um som estrondoso de “boooom” sacudia o estabelecimento, fazendo o pó de serra que cobria os lampiões pendurados no teto e outros móveis se espalharem pelo ar.

Thomas franzia.

“Certo, talvez não. Provavelmente eu deveria voltar lá antes que o pior aconteça. Sunny batia na perna de Tom com sua calda enquanto ela corria. “Oh Tom, como eu amaria envenenar seu café da manhã.”

“Pelo menos iria dar mais tempero na sua comida!”

Sunny ria, então se virava para Rarity. “Vocês ficarão bem, queridas, então divirtam-se!” Sunny corria para fora da porta.

Foi então que Rarity percebeu que Thomas estava olhando diretamente para ela.

“Oh, hum, olá de novo, Senhor Baker.”

“Apenas Thomas, senhoria Rarity.”

“Então é apenas Rarity, Thomas.”

Os dois mantinham olhares por mais alguns segundos, antes que Fluttershy mansamente saísse debaixo da cadeira feita por Thomas.

“Oh, olá para você também, tem mais alguém escondido aqui?” Thomas olhava embaixo de sua cadeira.

“Não Thomas, apenas nós duas. Nós viemos ver se havia alguma coisa em que pudéssemos ajudar, certo Fluttershy?”

A pegasus amarela acenava levemente.

A expressão de Thomas era de alívio. “Aprecio a oferta, mas estou bem, obrigado.”

“Bem, você deve ter companhia com esse trabalho, a julgar pela placa restrita a funcionários lá na porta. Eu posso não ser uma mestre em carpintaria como você, mas tenho me envolvido nessa atividade com alguns clientes recentemente.”

Thomas caminhava para outro canto da sala, pegando uma vassoura e um espanador. “Se eu quisesse ajuda, eu contrataria alguém.”

Thomas se virava, e Rarity já estava levitando um pano com sua magia para limpar o café derramado. Ele só podia torcer para que ela não estivesse usando um de seus panos limpos.

“Então talvez você precise de algumas roupas sob medida?”

“Nós temos um alfaiate, eu estou bem.”

“Bem, talvez…”

Thomas erguia um dedo. “Olha, sei o que você está tentando fazer e falhando. Pode parar de rodeios e ir direto ao ponto.”

As orelhas de Rarity dobravam. “Bem, é que, nós queríamos saber… sobre um certo aspecto de sua espécie.”

“Eu lhes dei o livro, é só olhar nele.”

“Bem, isso estava preocupando Twilight, porque ela ainda não achou a resposta no livro.”

“Mas quando encontrar, e provavelmente vai, ela pode se acalmar e parar de mandar suas amigas tentar obter a informação de mim.” Thomas começava a varrer os pedaços da xícara, agora secos graças à Rarity.

Enquanto os dois discutiam, Fluttershy chegava mais perto, examinando Thomas enquanto ele falava. Finalmente, ela andava até Thomas enquanto ele estava ajoelhado varrendo os cacos de porcelana para dentro de uma panela.

“Abra sua boca, por favor.”

Rarity e Thomas imediatamente ficavam em silêncio, olhando para a pegasus confusos.

“Perdão?” Thomas perguntava, mais surpreso do que aborrecido.

“Hu, se você não se importa, eu gostaria de ver seus dentes, por favor,” Fluttershy respondia.

Thomas olhava de volta para Rarity com um olhar de interrogação. Ela dava de ombros. Thomas rolava seus olhos, então abria a boca. Fluttershy analisava o interior dela, acenando em seguida.

“Obrigada, isso responde minha pergunta.”

“Só isso? Não vai querer me fazer tossir e tirar minha roupa?”

Fluttershy ficava com o rosto vermelho, então Rarity tirava a atenção de sua amiga.

“Bem, é que na noite passada as opções do cardápio do restaurante de Sunny Side nos pegou de surpresa.”

Thomas sorria, mostrando seus dentes. “E vocês não fugiram da cidade? Então onívoros não deve ser uma coisa nova pra vocês duas.”

“Já conhecemos alguns griffons com esses hábitos alimentares, então não.” Rarity dizia.

“A pergunta de vocês era essa então? Em que consistia minha dieta?”

“Bem, essa foi a pergunta urgente.”

Thomas se virava para Fluttershy. “Onívoro, o tipo que como qualquer coisa que é jogado na frente dele. E daí, você é uma dentista ou algo assim? Pode dizer qual é a minha dieta apenas olhando meus dentes?

“Oh, hum, não. Na minha casa eu cuido de muitos animais, então me acostumei a identificar o que eles comem apenas analisando os dentes.”

Thomas realmente se animava com isso, pegando uma pequena pá e despejando seu conteúdo em uma lata de lixo. “Então você é como um veterinário, certo?”

“Bem, eu não sou formada em veterinária, então tecnicamente não…”

“Isso é perfeito então. Eu sempre detestei pessoas formadas. Só porque eles têm diplomas não quer dizer que sejam espertas o suficiente para compreenderem a natureza de seus ofícios.” Thomas caminhava até a cadeira de balanço, passando os dedos em um dos apoios de braço. “Sabe, você pode realmente ser capaz de me ajudar no final das contas.”

Rarity e Fluttershy dividiam olhares, então se voltavam para Thomas. “Mesmo?”

“Veja, enquanto toda aquela besteira do Tirek estava acontecendo e eu estava ocupado, não fui realmente capaz de manter um olho sobre os gatos da Senhora Fixit. Um deles parece doente, eu acho.”

Fluttershy dava um passo à frente. “Doente? Como assim?”

“Bem, um de seus olhos não abre por inteiro. Eu só tinha um animal de estimação em constante crescimento e que era um comedor de algas que sobreviveu em meio aos mais de vinte peixes dourados. Provavelmente ele ainda está vivo. Então quando o assunto é gato eu realmente não entendo nada. Pensei em mandar um telegrama para alguns veterinários de Manehattan já que eu conheço alguns por lá, mas se você é familiarizada com animais de estimação, acho que poderia dar uma olhada então? “

Fluttershy sorria com orgulho. “Claro, com certeza. Deixe-me voltar e pegar meu alforje, vou ser rápida.”

Antes que alguém pudesse dizer algo, Fluttershy já estava passando pela porta de saída, deixando um rastro de pó de serra. O que veio depois foi um embaraçoso silêncio, embora Thomas ainda estivesse se mantendo ocupado.

“Então, o nome senhora Fixit me soa familiar,” Rarity finalmente quebrava o gelo… de novo.

“Bem, conhecendo Sunny Side, ela provavelmente mencionou o nome Fixit. Senhor Fixit era o proprietário original deste estabelecimento, e o carpinteiro da cidade. Sua esposa ainda mora em sua casa, sozinha, com meia dúzia de gatos. Não tenho ideia de onde eles vieram.”

“Oh sim, Sunny estava falando brevemente sobre isso. Ele deixou o estabelecimento pra você?”

“Por aí.”

“Por aí?”

Thomas parava de mexer em um bloco de madeira, olhando Rarity de cima a baixo, julgando mentalmente sobre o que ele poderia ou deveria dizer. “Tecnicamente, ele deixou tudo para sua esposa. Eu ofereci comprar tudo, mas ela se recusou e insistiu em dar o estabelecimento para mim.”

“Ela deu este lugar para você?”

Thomas encolhia os ombros. “Pôneis, vocês são todos confiantes e felizes e querem fazer todos ao redor terem o mesmo sentimento. Então, como pagamento,” Thomas gesticulava seus dedos em um estranho gesto de palavra, “Eu geralmente ajudo a cuidar de sua casa. A visito frequentemente, ajudo com o que quer que ela precise, bem como conserto o que precisa de reparos ou reforma.”

Então Thomas pegava a cadeira de balanço, a colocando em um carrinho de mão. “E hoje estou levando de volta para ela sua cadeira, totalmente renovada e pronta para outra década de desgastes.”

“Bem, você faz um trabalho amável, devo dizer.”

Thomas balançava uma mão. “Eu não construí essa cadeira, Senhor Fixit fez ela como presente de aniversário há poucas décadas atrás. Apenas passei uma outra camada de verniz e endireitei as partes tortas.”

“Bem, ainda assim, expõe o seu talento. Aquele berço por exemplo.” Rarity se virava até ele.

Thomas olhava também, então rapidamente corria para pegar um lençol e o cobria. “Sim, bem, não diga uma palavra sobre esse berço para qualquer um.”

“Por que não deveria? A confecção dele está indo muito bem.”

“Porque é segredo e a última coisa que preciso fazer é abastecer os moradores dessa cidade com fascínios me elogiando por besteira…”

Antes que Rarity pudesse perguntar mais, Fluttershy retornava com um par de alforjes e um grande sorriso. “Tudo bem, estou pronta.”

“Certo.” Thomas pegava uma pequena caixa de ferramentas e a colocava no carrinho de mão, logo em seguida ele abria facilmente um grande conjunto de portas de seis pés de largura, conduzindo o carrinho para fora, atrás da loja.

Thomas pegava o carrinho de mão, tendo ainda que se curvar para baixo e empurrá-lo para fora com Rarity e Fluttershy logo atrás. Algumas coisas imediatamente chamavam a atenção da unicórnio branca.

“Aquela é a carruagem de Trixie?”

“Sim, infelizmente. Presumo que vocês duas já conhecem a senhorita arrogante?”

Rarity ria. “Oh sim, nós vimos ela ontem à noite. Na verdade nós temos uma história com ela, a partir de algumas ocorrências em nosso passado.”

“Na verdade não chega a ser algo novo.” Thomas continuava caminhando passando pela carruagem de Trixie. “Você ficaria surpresa em saber como muitos pôneis que passam nessa cidade saem correndo assim que se deparam com ela. Para nossa sorte ela só costuma ficar por algumas semanas, meses, no máximo. Só que desta vez é um pouco diferente, porém.”

“Como assim?” Fluttershy perguntava.

“Bem, como ela mesma falou, um grupo de seis pôneis frustraram suas tentativas de riqueza e de fama e coincidentemente também destruíram sua carruagem.” Thomas parava, deixando o carrinho e mão. “Se algum dia eu descobrir quem são esses pôneis, irei fazê-los pagar.” Ele cerrava seu punho.

“P-pagar? Co-como assim?” Fluttershy gaguejava, tentando se esconder atrás de Rarity.

“Bem, desde que Trixie não pode pagar pelo conserto de sua carruagem, eles certamente poderão!“ Thomas pegava a carriola novamente. “Afinal, se o que ela disse é verdade, eles deveriam mesmo pagar pelos danos.”

Rarity e Fluttershy soltavam um suspiro de alívio, rapidamente se juntando ao Thomas enquanto ele continuava. Rarity queria perguntar sobre o outro estranho veículo com design único, mas preferiu deixar para mais tarde. Agora, uma outra pergunta mais importante surgia.

“Thomas? Vai ser quanto tempo de caminhada?”

Thomas olhava para Rarity. “Uma meia hora de caminhada. Se eu não estivesse empurrando esta carriola seria mais rápido.”

“Então você caminha em todo lugar?”

“Você pergunta como se isso não fosse uma coisa boa.”

“Não exatamente por isso, é que ouvi dizer que algumas casas ficam bem distantes da cidade.”

“Bem, normalmente eu dirijo por aí, mas sem gasolina ainda estou S-O-L.”

“Dirigir?” Fluttershy perguntava.

“S-O-L?” Rarity também perguntava.

“É uma longa história. Aquele livro irá explicar isso tudo, quando vocês o lerem inteiro eu preencho as lacunas das suas perguntas.”

“Bem, honestamente Twilight é a leitora, então ela é que irá preencher.”

“Típico.” Disse Thomas, deixando escapar uma risada.

“O que é tão engraçado?”

“Apenas me lembrou alguém.”

“Quem seria?”

O sorriso brincalhão na face de Thomas mudava para uma testa franzida. “Ninguém importante.”

Para o resto da caminhada, Rarity e Fluttershy permitiram a Thomas algum espaço para respirar enquanto ele liderava o caminho. Outros pensamentos e perguntas surgiriam das duas pôneis, mas para o resto da caminhada ele dava apenas respostas curtas e rápidas. Em pouco tempo uma pequena cabana ficava à vista.

“Aquela é a casa?” Rarity perguntava.

“Isso. Nós realmente fomos rápidos, ou vocês duas foram distração suficientes para não pensarmos sobre a caminhada.”

Thomas colocava a carriola próxima à parte da frente da varanda, onde costumava ficar a cadeira de balanço. Eles se aproximaram da porta de entrada, com Thomas colocando a reformada cadeira ao lado dela. Rarity observava compassiva como desgastado e cansado Thomas parecia. Provavelmente ele já estava cansado antes de sair com esse carrinho de mão, ela pensava.

Thomas levantava sua mão para bater na porta, mas antes mesmo de tocá-la uma voz o chamava.

“Thomas! A porta está destrancada, entre!”

As duas pôneis olhavam Thomas confusas enquanto ele sacudia a cabeça, então sussurrava, “Ela está sempre destrancada.”

Ele abria a porta, conduzindo as duas pôneis para uma simples sala da cabana. Não havia paredes separadas. A cama, cozinha, guarda-roupa, tudo se concentrava em uma enorme sala. Por mais desanimador que parecesse, a decoração, móveis e outros acessórios espalhados tornavam o local bastante confortável. Cada parte dos móveis era decorado com tecido costurado na frente e trás. Havia quadros com pinturas a mão nas paredes, fazendo Rarity se lembrar dos museus de arte de Canterlot.

O que mais chamava a atenção eram as prateleiras que alinhavam a “sala de estar”, cheias de pequenas estatuetas de pôneis.

“Eu estava começando a fazer um pouco de chá, você e suas amigas querem também?”

Rarity finalmente avistava a pônei em questão, de costas para eles em um fogão. Como ela sabia que estávamos aqui? Ela nem mesmo se virou.

“Eu adoraria, e tenho certeza que as duas também.” Thomas olhava Rarity e Fluttershy com uma expressão de expectativa.

“Oh sim, eu adoraria, obrigada.” Fluttershy confirmava.

“Então, quem são suas hóspedes de hoje Thomas? Não reconheço as vozes.”

“Rarity e Fluttershy, esta última uma vet…”

“Eu não sou uma…”

“Oh, isso é ótimo! Meus pobres gatinhos não tiveram um bom check-up desde que o doutor aposentou.

“Doutor? Seria um médico?” Rarity perguntava.

“Sim, o doutor era tanto médico como veterinário. Nunca consegui vencer a paranoia de que todos os seus termômetros se pareciam com o mesmo.”

Rarity e Fluttershy olhavam uma para a outra, mas se voltavam novamente para a Senhora Fixit andando com uma bandeja em suas costas. Suas asas estavam uniformemente espalhadas, embora um pouco trêmulas, e antes que as pontas das asas se chocassem com algum móvel, ela as ajustava para continuar em direção da “sala de estar”.

Foi quando Rarity ficou perto de engasgar, observando os olhos daquela pônei.

Eles estavam completamente limpos, não havia pupilas e a íris parecia estar quase ausente também.

“Thomas, querido, poderia?”

“Claro.” Thomas pegava a bandeja da velha pegasus, a colocando na mesa de café.

Usando suas asas, Senhora Fixit se ajustava para sentar em uma simples, mas confortável cadeira, aconchegando suas costas com alguns leves gemidos.

“Sintam-se à vontade! Sentem-se por favor!” Ela apontava para o sofá.

Thomas sentava no meio do sofá, Fluttershy no lado direito e Rarity no lado esquerdo. Seu desconforto era visível, mas as duas pôneis fingiam ignorar enquanto ele servia as xícaras de chá para todos. Rarity conseguiu evitar de comentar o fato de que as xícaras não combinavam com a cor dos pires.

“Então, fale-me de vocês! Devem ser muito especiais para Thomas trazê-las com ele.” Senhora Fixit dizia, tomando um gole de chá.

“Bem, hum, o que Thomas disse não é totalmente verdadeiro. Não sou formada em veterinária, embora sempre quisesse ser, mas eu cuido de todo tipo de animais, seja domésticos ou selvagens.” Fluttershy soprava sua xícara de chá e então tomava um gole para tentar acalmar a si mesma. “Tenho cuidado de animais desde que era criança, então adquiri muita experiência nessa área. Thomas, hum, disse alguma coisa sobre um de seus gatos estar doente.”

“Sim, é o Scrufflepuss, e não se preocupe querida, se Thomas confia em você então está tudo bem.”

Fluttershy olhava Thomas nervosamente, que apenas acenava. “É isso aí.”

“E quanto a você, querida? Estamos muito longe de Manehattan.”

Rarity foi pega de surpresa. “Oh, eu não sou de Manehattan.”

“Mesmo? Eu devo estar enferrujando. Costumava identificar a origem de um pônei apenas pelo seu sotaque. A exemplo de sua amiga Fluttershy, você tem a voz tão doce querida, estou sentindo fortemente que você é de origem Fillidelphiana, mas parece ter vínculo com alguma área rural, estou certa?”

Fluttershy piscava. “Nossa, é isso mesmo!”

Rarity se virava para sua amiga. “Você nunca me disse que era de Fillidelphia!”

“Ah, aí está!” Senhora Fixit sorria. “Pelo que posso ver agora ambas são da mesma cidade, não é?”

“Sim, Ponyville para ser exato.” Rarity mantinha seus olhos em Fluttershy, que tentava se esconder atrás do enorme corpo de Thomas.

“Você disse Ponyville? Eu me lembro dessa cidade. Pequena, elegante, tem as melhores maçãs de Equestria. Diga-me, a Senhorita Smith ainda mora lá?”

“Oh sim! Na verdade, uma de nossas amigas é neta dela.”

Senhora Fixit sorria. “Ela era uma pônei forte, nada a impedia de ficar de cabeça erguida, mesmo quando perdeu seu marido, pobrezinha.”

Fluttershy surgia do corpo de Thomas, olhando para Rarity. “Ela… eu não sabia disso.”

“Thomas, querido? Parede sul, terceiro quadro à esquerda.”

Thomas levantava, caminhando e puxando para baixo uma das muitas pinturas emolduradas. Em seguida ele passava o quadro para Rarity, que o levitava com sua mágica.

A ilustração era de dois pôneis e uma potranca.

“Esse é o rancho Maçã Doce!”

“Essa é a Vovó Smith?” Fluttershy apontava para a pônei mãe.

“Sim, essa foi a família mais hospitaleira que eu e meu marido já conhecemos em nossas viagens.”

Você viajava muito?” Fluttershy perguntava.

“Por toda a parte. Cada pintura que você observa nessa sala é dos lugares por onde passamos.”

“Você pintou todos esses quadros?”

Senhora Fixit deixava escapar uma risada antes de mudar um pouco sua posição na cadeira e levantar uma asa para mostrar sua marca especial: um pincel com asas.

“Eu também gostava de costurar, mas sim. Meu marido fazia esses quadros de madeira, e eu dava vida a eles.”

“Então vocês trabalhavam em equipe, adicionado ao fato de que viajavam muito, essa parecia ser uma vida adorável,” Rarity dizia, devolvendo o quadro para Thomas. “Applejack adoraria ver esse quadro também.” Mais para ver sua mãe também, agora sei que Big Macintosh herdou seus traços fortes.

“Thomas terá que trazê-la,” ela colocava sua xícara vazia na mesa ao lado do pires, mas parecia não se importar com esse detalhe. “Então, não quero desperdiçar o dia de vocês fazendo uma releitura do passado. Vamos ver se achamos os gatinhos.”

Após algum tempo examinando metade dos gatos, Rarity saía da casa, cansada, com sua crina um pouco bagunçada, mas feliz pelo pesadelo ter acabado. E ela se lembrando de sua gata Opal era doloroso. Imagine ter seis delas! Ela deixava Fluttershy checar os gatos restantes e saía para tomar ar fresco.

Em meio ao caos, ela perdia a localização de Thomas depois dele ter ido consertar uma porta do armário que estava caindo.

Shink, Shink, Shink.

Rarity olhava para cima, observando o humano sentado em um caixote de madeira ao lado das duas cadeiras de balanço. Em uma mão aparentemente uma faca normal, e na outra um bloco de madeira. Conforme ela se aproximava, o bloco de madeira realmente ia ganhando forma.

“Foi você que fez aquelas estatuetas de pôneis?”

Thomas desviava o olhar do bloco para Rarity, acenava, então voltava a se concentrar na madeira.

Rarity encontrava uma outra caixa de madeira e a arrastava para se sentar ao lado de Thomas, embora não muito perto com receio de perturbá-lo. Ela ficava admirada observando a escultura para o que antes era apenas um bloco de madeira. Às vezes parecia que ele estava raspando com a faca de forma aleatória, porém quanto mais ele continuava, mais a forma ia ficando nítida. Era um formato único, diferente das outras estatuetas. A estátua estava deitada sobre suas coxas, e a cauda enrolada em torno das pernas traseiras.

“Você está esculpindo a Fluttershy, não é?”

“Acertou.”

Ocorreu um silêncio por mais alguns segundos.

“Então, há quanto tempo…”

“Poucos meses depois do Senhor Fixit falecer, já deve dar uns três anos. Naquela época a visão da Senhora Fixit já estava apresentando problemas.”

“Ela foi uma adorável pintora em seu auge.”

“Sim.”

Novamente, o silêncio.

“Esta é a maneira como ela enxerga um pônei.”

Rarity piscava, retornando sua visão de volta para o humano. “Hm?”

Thomas levantava a estátua quase completa. “Eu costumava fazer esses brinquedos para algumas crianças da cidade, mas quando Senhora Fixit ficou cega, ela se esforçava para falar com outros pôneis. Ela sempre foi boa em identificar sotaques como você percebeu, mas para descrever alguém pela voz era um esforço muito grande. Um dia ela tropeçou em um desses brinquedos que eu tinha feito, e foi capaz de senti-lo e reconhecer quem era.”

“E isso me fez pensar. Se ela podia sentir e reconhecer instantaneamente quem era, então por que não fazer mais quando ela conhecer novos pôneis? Então é isso o que eu faço. Quando ela conhece alguém e gosta dele, eu faço um desses para que ela possa ‘enxergá-lo’ dessa maneira.”

“Você gosta muito dela, não é?”

Thomas voltava a talhar. “Sim, seu marido e ela foram os únicos que confiaram em mim quando cheguei aqui. Se não fosse por eles, eu poderia ter ficado perdido no deserto, e acabado morto por vá se lá saber que motivo.”

“Bem, tenho certeza que alguém mais o teria ajudado também.”

Ele riu. “Oh sim, você e a reação das suas outras amigas no nosso primeiro encontro deixou isso bem claro. Se o Sherife e o Prefeito não estivessem lá, tenho certeza que não estaria intacto como estou agora.”

Rarity encolhia, se recordando do primeiro encontro onde procurou por algum objeto próximo na sala para levitar e arremessar nele.

“Tem razão.”

Eles ficavam sentados em silêncio por mais alguns minutos, então Thomas se levantava e se espreguiçava.

“Bem, acho que está pronto,” ele dizia, entregando a estátua na direção de Rarity.

Gentilmente, ela levitava a figura com sua mágica e a trazia para perto dela. “Simplesmente perfeito, Thomas. Você enriquece seus trabalhos com muitos detalhes.”

Sim, bem, quando eu não estava ocupado com meus irmãos, eu passava o tempo brincando com blocos de madeira. Fiz muitos como sendo meus próprios brinquedos quando era jovem, simplesmente porque nada do que nosso pai comprava dava pra dividir. Para ser nosso nós tínhamos que fazer e comprar nós mesmos.”

A mente de Rarity ficava em chamas, essa frase simplesmente abria um leque para muitas perguntas, mas no momento ela só poderia compila-las. Perguntar a ele sobre coisas pessoais poderia acabar arruinando aquele momento.

“Bem, suas habilidades demonstram isso.” Rarity devolvia a estátua, que Thomas pegava cuidadosamente de sua mágica.

“Raios, nunca me acostumo com esse sentimento,” ele dizia, tremendo enquanto caminhava para dentro da casa. Quando ele retornou, estava com outro bloco de madeira nas mãos.

“Vai fazer outro?” Rarity perguntava.

“Claro, disse que faço os pôneis que a Senhora Fixit gosta.”

“Será eu?” Rarity colocava um casco em seu próprio peito.

Thomas ignorava a pergunta, virando-se junto com seu banco para Rarity. “Fique nessa posição.”

Assim fez Rarity, e Thomas começava o trabalho. Poucos minutos depois ela foi capaz de relaxar novamente, ele já havia memorizado a imagem que queria, e continuava. Para Rarity, era maravilhoso assistir um simples bloco de madeira ganhar forma a cada movimento da ferramenta que Thomas fazia.

“Seus irmãos devem ter inveja dessa habilidade.” Rarity chutava a si mesma em pensamentos. Oh, aqui vou eu estragando tudo.

Thomas não perdia o ritmo. “Até que não, meus irmãos usavam isso como desculpa para ficar com todos os brinquedos para eles. Meu pai era o único quem realmente apreciava.”

“E sua mãe?”

Thomas hesitava, mas continuava. “Ela faleceu quando eu tinha seis anos.”

As orelhas de Rarity murchavam. “Eu… eu sinto muit…”

“Foi há muito tempo atrás. Eu era novo demais para me lembrar de qualquer maneira.”

A porta se abria, com Fluttershy conduzindo Senhora Fixit com uma bandeja nas costas.

“Fizemos mais chá, caso vocês queiram,” Fluttershy dizia.

“Eu adoraria.” Rarity se virava para Thomas, que estava de pé. A forma como ele age e trata ela com amor… faz muito sentido agora.

Os quatro sentaram na varanda, com Thomas dando seu banco para Fluttershy e se sentando no chão. Ele continuava fazendo a estátua de Rarity, a Senhora Fixit cochilava em sua cadeira de balanço recém reformada, enquanto Fluttershy e Rarity continuavam maravilhadas com o trabalho de Thomas. Eles haviam perdido a noção do tempo, mas o sol estava se posicionando bem em cima deles dificultando um pouco a visão. A outra cadeira de balanço vazia rangia um pouco, influenciada por uma brisa suave.

Fanfics estrangeiras

O Pônei de Oasis

thewhittler

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Autor: ROBCakeran53

Tradução: Drason

SINOPSE: Equestria ainda estava sendo reconstruída após a derrota de Tirek, e as seis novas governantas de Ponyville ajudando em sua reconstrução. Tudo mudou de maneira inusitada quando a Princesa Celestia entregou a elas uma carta descrevendo acerca das façanhas realizadas por um único cidadão da cidade de Oasis conhecido como Senhor Baker, e a forma como superou Tirek. Com a missão de descobrir se os relatos eram verdadeiros, as seis pôneis devem ir até a referida cidade para investigar. No entanto, elas irão descobrir que o Senhor Baker não era exatamente quem ou o que elas esperavam.

– – –

Twilight Sparkle olhava para suas amigas e depois para as grandes pilhas de papeis espalhados sobre a mesa. Ela tinha pego a maior parte, que consistia principalmente em documentos solicitando verbas e recursos para os danos materiais causados por Tirek. E estragos era o que não faltava. Alguns lugares simplesmente haviam desaparecido.

O grupo de amigas estiveram analisando as petições por vários dias, fazendo pausas intermitentes para descanso e refeições. Com milhares de pôneis dependendo delas para encontrar um lugar para ficar, nenhuma queria deixar seus súditos desamparados. Twilight estava motivada, acima de tudo, por ter um maior censo de dever agora que era a nova princesa. Ela sentia o peso da responsabilidade muito mais do que as outras.

O som dos óculos de leitura de Rarity batendo sobre a mesa de pedra levava todas as pôneis em suas próprias dores de cabeça. A unicórnio branca massageava a têmpora com um casco, seus olhos fechavam enquanto ela tentava e falhava ao aliviar um pouco a pressão.

“Intervalo, garotas.” Dizia Twilight, tendo ela mesma que lutar contra uma latejante dor de cabeça.

Rainbow Dash esticava suas asas rígidas devido ao pouco uso nesses últimos dias. Twilight fazia o mesmo, sentindo suas próprias asas dormentes por todo esse tempo. Applejack praticamente caía de seu trono, com sua franja loira escondendo seus olhos fechados por trás. Fluttershy se desculpava com as suas pernas estalando por estar sentada na mesma posição por muito tempo.

A pônei que mais sofria, embora fizesse o que podia para esconder sua agonia, era Pinkie Pie. Não havia um problema que ela não pudesse resolver com uma festa. De fato, ela realizou várias após a derrota de Tirek para trazer moral à maioria dos pôneis que ela sabia que começariam a sentir depressão após o desastre, vendo muitos deles perdidos. Toda aquela papelada a estava deixando louca, e Twilight sabia que teria que reescrever alguns dos textos de Pinkie. Ela usava tinta rosa nos papeis, sendo que para documentos oficiais eram autorizadas apenas as cores preta ou azul. Além disso, a pônei rosa pontilhava a letra “i” com corações ao invés de pontos, mas se isso a estava ajudando a evitar a insanidade, então a alicornio roxo poderia ignorar.

Fluttershy caminhava de volta para a sala, com sua crina cobrindo metade da sua face.

“Hum, Twilight? Há alguém querendo uma audiência com você.” Ela dizia, voltando em seguida para seu trono.

“Quem…?” As palavras de Twilight sumiam enquanto a Princesa Celestia passava pela porta de entrada.

“P-Princesa! Digo, Celestia, o que a trás para Ponyville?” Twilight gaguejava, se forçando a sair de seu assento para se curvar.

“Bem, me dói fazer isso.” Dizia Celestia, levantando um pergaminho desenrolado, “Mas eu tenho outra cidade precisando de verba.”

De uma só vez, todas as amigas de Twilight soltaram um frustrado gemido. Rainbow Dash foi tão longe a ponto de bater a cabeça na mesa, o que foi um erro. Não apenas porque desarrumou os papeis empilhados de Rarity, mas por causa do material que era feito a mesa.

“Ugh… eu continuo esquecendo que essa mesa é feita de pedra.”

“Mesmo? Outra cidade precisando de ajuda? Perdoe-me por argumentar, mas já fazem semanas desde que Tirek foi detido, e nós estamos perto de encaminhar cada verba aos municípios atingidos. Como pode uma única cidade estar pedindo ajuda somente agora, depois de tanto tempo?” Perguntava Rarity, ao mesmo tempo que usava sua magia para arrumar os papeis.

“Bem, é por isso que vim aqui.” Celestia respondia, caminhando em direção de Twilight. “A questão é que os pôneis dessa cidade rural chamada Oasis, na verdade não estão pedindo ajuda. Pelo menos não para reconstruir.”

“Eu não entendi Princ… Celestia.” Dizia Twilight.

Princesa Celestia levitava o pergaminho aberto até Twilight, que o pegava com sua própria mágica para ler. Todas as suas amigas podiam ver a mudança na expressão de Twilight, de frustração para curiosidade, e então descrença.

“Isso não pode estar certo, Celestia.” Twilight colocava o pergaminho em cima da mesa.

O papel foi então envolto por outra a aura, pertencente a Rarity que o levitava para ler.

“Isso não pode ser verdadeiro, não é?”

“Mais o que qui tem aí afinal??” Perguntava Applejack, olhando para o verso do papel em uma frustrada tentativa de ler.

Celestia limpava sua garganta. “Parece que quando Tirek chegou na cidade de Oasis, ele fez com ela exatamente o mesmo que havia feito com as demais, drenando a magia dos pôneis. Eles estavam todos fracos, incapazes de se moverem, e estavam lutando para evitar que a cidade caísse aos pedaços.”

“E isso é estranho por que?” Applejack perguntava colocando o cotovelo sobre a mesa, descansando o queixo em seu casco.

“Porque um pônei evitou que sua mágica fosse roubada.”

Com aquelas palavras, o restante das orelhas das amigas de Twilight se levantaram.

Hein?” Applejack deixava o casco cair sobre a mesa.

“Um tal de Senhor Baker não foi afetado por Tirek. Como ou porque a carta não diz, mas esse indivíduo conseguiu ajudar todos eles, cuidar deles, suas casas, seus negócios. Ele inclusive preparou suas refeições, café da manhã e jantar.”

“Mas Tirek não estava controlando tudo e todos por… uma semana?” Perguntava Rainbow Dash.

Celestia acenava, sem necessidade de adicionar palavras para a já curiosa situação.

“Então, esse tal de Baker cuidou de uma cidade inteira por uma semana. De quantos pôneis estamos falando?” Perguntava Applejack.

“Quatrocentos e dois, sendo dez bebês e cinco crianças dentre eles.” Respondeu Celestia.

O silêncio era ensurdecedor para Twilight, todas as suas amigas olhavam para Celestia em choque.

“Eu… isso é…” Rarity gaguejava, ainda olhando para o pergaminho.

“Aí também diz que essa carta foi escrita sem o conhecimento do Senhor Baker. Me parece que ele não queria qualquer tipo de reconhecimento pelo que fez, embora se possível, entendo que deve ser reembolsado pelos materiais que ele usou de seu próprio estoque para reconstruir um pouco da cidade.”

“Espere, reconstruir?!” Perguntou Rainbow Dash. “Ele também consertou a cidade enquanto cuidava dos habitantes?”

“Sim. Uma casa foi completamente destruída, enquanto duas lojas foram danificadas, mas reparadas. Parece que esse Senhor Baker não é apenas um cozinheiro, mas carpinteiro também. Me atrevo a suspeitar que este pônei pode fazer muitas outras coisas.”

“Bem, hum… mas se não é ajuda então o que eles querem?” Fluttershy finalmente falava.

“Como eu disse antes, reembolso pelos suprimentos que ele usou, materiais para construir uma casa e consertar duas lojas.” Celestia olhava para Twilight. “O próprio prefeito daquela cidade quer que nós concedamos a ele uma medalha.”

A sala do trono ficava em silêncio por um longo minuto, antes que Twilight limpasse sua garganta.

“O que quer que nós façamos então?”

Celestia pegava o pergaminho de Rarity, olhando para ele mais uma vez antes de enrrolá-lo.

“Com todas essas informações, há também uma preocupante lacuna. Tenho certeza que todas vocês têm mais perguntas, assim como eu. Enquanto estamos em um momento de crise, tentando reconstruir e nos recuperarmos, eu não iria querer ver ninguém explorar esse desastre.”

“Explorar? Princesa Celestia, você não pode estar sugerindo…”

“Rarity, eu estive governando por pouco mais de mil anos, pelo que eu consiga me recordar. Tenho visto muitas coisas boas e ruins sobre pôneis. Estou surpresa desta ser a única situação que levanta alguma suspeita, e se esse pedido tivesse vindo no mesmo dia que os outros, eu simplesmente teria deixado de lado.  Mas, quatro semanas depois? Quando estamos prestes a encaminhar as verbas e recursos? Eu acho isso tudo muito estranho.”

“Então eu quero que vocês seis vão investigar.” Celestia olhava para a porta, onde um único guarda a esperava. Após o aceno de Celestia, ele trotava com uma caixa em suas costas. Celestia a levitava com sua magia e a abria. “Este é o maior prêmio que um cidadão de Equestria pode receber. A Marca da Harmonia. Apenas nove pôneis e um griffon em todos os séculos do meu governo o receberam.”

As pôneis olhavam admiradas para o medalhão dourado do tamanho de um casco, descansando em um forro de veludo púrpura. Uma escultura estava encrustada na superfície dela, aparentando ser uma esfera que Twilight presumia ser a representação do mundo inteiro. No topo do medalhão, “A Marca da Harmonia” estava rotulada com letras em relevo, e na base havia os dizeres “Não para nós mesmos, mas para cada um.” Era simples, e se destinava a ser assim.

“Como podem ver, a parte traseira foi deixada em branco por razões obvias. Twilight, se você quiser, tem minha autorização para colocar o nome do Senhor Baker nessa parte. Eu também tenho o dinheiro requerido para restituição esperando a transferência se tiver a sua concordância. Enquanto todos em Equestria precisam dessas verbas, eu me atrevo a dizer que poderia fazer uma exceção para um indivíduo que foi acima e além de qualquer outro pônei.”

Celestia fechava a caixa, colocando ela na mesa na frente de Twilight.

“Eu… não tenho certeza, Celestia. Digo, o certo não seria você conceder tal honra?”

Celestia sorriu. “Twilight Sparkle, depois de tudo que você fez por Equestria, por suas amigas, por mim, você realmente acha que eu não iria querer ver um herói honrado recebendo tal premiação de outra heroína honrada, que é você?”

Twilight corava, sentindo suas amigas sorrindo para ela. Claro, ela salvou Equestria muitas vezes, mas foi com suas amigas. Ela não poderia fazer isso sem elas. Mas este pônei? Senhor Baker? ele fez tudo sozinho.

Twilight acenava. “Você está certa. E se esse pônei realmente fez o que está dizendo nesse pergaminho, então eu vou assegurar que ele receba a merecida homenagem.” Twilight olhava para a pônei rosa. “Pinkie, você poderia levar seus suprimentos de festas?”

Pinkie Pie saltava de seu assento. “Ah sim, vai ser uma festa fora de série!” Ela dizia antes de sair da sala para buscar suas coisas.

“Rarity, você acha que pode fazer um cordão bem bonito para pendurar isso?” Twilight levitava a caixa na direção de Rarity, que o pegava com sua própria mágica.

“Mas é claro, querida. Me dê uma hora que estará pronto.” Ela se levantou, curvando-se em seguida para Celestia e depois saindo.

“Applejack, você acha que pode preparar alguns lotes de maçãs e outros alimentos para levar? Tenho certeza que depois de tudo o que ele fez, esse Senhor Baker deve estar com seu estoque praticamente esgotado.”

“Considere isso feito sô!” Applejack pulava de seu assento, galopando para o final do corredor.

“Fluttershy, eu não sei se eles têm um médico. Pode ser que sim, mas na dúvida, poderia ir até o hospital de Ponyville buscar alguns suprimentos para a viagem?”

“Sim, claro Twilight. Vou levar meu equipamento veterinário também. Quem sabe alguns animais não estejam precisando de ajuda.”

E Rainbow Dash, poderia checar Cloudsdale e ver se eles ainda têm a máquina geradora de nuvens? Vai saber quanto tempo eles ficaram sem chuva, e nesse caso ela seria muito útil.”

“Conte comigo, Twi.” Rainbow fazia continência, e em seguida voava para fora da janela.

Twilight suspirava, curvando-se em má postura em seu trono.

“Muito bem, Twilight.”

Twilight pulava, completamente esquecida que sua mentora ainda estava na sala.

“Sei que você ainda duvida de si mesma, mas lhe dê um tempo. Você está se moldando para se tornar uma grande princesa. E depois de observar duas outras alicornios entrar para a realeza, posso dizer com confiança que você já está agindo bem como autoridade.”

Twilight corava de novo.

Próximo à porta de entrada, o guarda tossia, chamando atenção das duas princesas.

“Já deu o horário para o outro compromisso Hank?”

“Eu temo que sim, Princesa.” Respondeu o guarda.

“Muito bem. Twilight, deixo essa situação sob seus cuidados. Vou levar a papelada comigo para Canterlot. Tenho certeza que Luna e eu podemos terminar tudo isso até o seu retorno.”

“Certo. E Spike? Posso escrever para ele voltar?”

Celestia balançava a cabeça. “Vou escrever para ele, lhe dando ciência que assim que terminar suas tarefas deverá encontrar você em Oasis. Ele ainda pode levar um dois dias para terminar e tem sido um dragão muito valente ajudando o Império de Cristal.”

“É natural, ele aprendeu muita coisa sobre organização. Tenho certeza que Cadence está apreciando a ajuda dele.”

Celestia acenava. “Além disso, eu sei que você se sente muito responsável com isso tudo, tente tirar esses dias de viagem a Oasis com suas amigas para relaxar. Você esteve trabalhando tão duro e posso ver que está estressada. Luna, Cadence, Spike e eu vamos cuidar de tudo enquanto isso.”

“Tudo bem então, Princesa. Eu sei que as garotas vão ficar contentes fazendo uma pausa com toda essa papelada. Aliás, coitada da Pinkie Pie, já estava quase dormindo em cima dos papeis.”

Celestia riu. “Sim, não a culpo. Você deveria ter visto Luna após seu retorno. Ela ficava trancada em seu quarto por semanas, fazendo de tudo para restabelecer sua côrte noturna.”

“Eu imagino, mil anos é muito tempo para pôr em dia.” Twilight olhava para a janela, perdida em pensamentos.

“Bem, tenho que ir. Vou aguardar com muita expectativa sua carta, Twilight. Espero que tudo que esse prefeito disse seja verdadeiro. Um pônei que fez tanto por uma cidade como aquela, bem, ele merece cada bit em reconhecimento pelos seus esforços. Ele pode não ter uma premiação completa aos moldes de Canterlot, mas nem parece mesmo que ele gostaria que fosse assim. Talvez com os pôneis daquela cidade que ele ajudou, ele aceite.”

Sem outra palavra, Celestia caminhava para fora da sala, deixando Twilight com seus muitos pensamentos. Uma simples questão continuava voltando em sua mente, e ela não conseguia colocar um casco na resposta.

“Mas que tipo de pônei é esse Senhor Baker?”

Thomas Baker não aparentava estar muito contente ao saber da carta. Era algo aparente pela sua entrada explosiva e passos pesados no único prédio da prefeitura de Oasis, onde funcionava tanto o escritório do prefeito como o posto de correios. O piso de madeira agora com três anos de idade estava finalmente começando a mostrar o desgaste dos inúmeros cascos que pisavam nele. Levou meses para Baker obter tais madeiras de qualidade para refazer o chão da prefeitura, e isso era aparente pela ausência da madeira rangendo quando andava nela.

A pônei sentada no balcão de recepção que levava até o gabinete do prefeito olhava para Thomas com um largo sorriso.

“Bom dia, Senhor Baker, como está hoje?”

Ele parava, olhando para ela. “Não muito contente, senhoria Billfold, não muito contente. E o pônei naquele escritório é o principal motivo. Então se me der licença, preciso trocar algumas ideias como o nosso amado prefeito.”

“Se puder esperar apenas um momento, porque Copper Top está lá com ele.”

“Ele está? ótimo, esse é outro pônei com quem quero ter uma conversinha. Vou golpear dois pássaros com apenas uma pedra.” Ele dizia, passando pelo balcão e caminhando até a porta do prefeito.

“Sabe, eles fizeram isso por você, Senhor Baker. Depois de tudo que fez por nós, a cidade…”

“Eu não quero ouvir isso, Senhorita Billfold. Tenho ouvido o suficiente dos outros nas últimas quatro semanas.”

“Não quer dizer que não seja verdade, Senhor Baker.” Ela respondia, sem enxergar qualquer ofensa.

Ele ignorava, agarrando a maçaneta e abrindo a porta. Ele entrava no gabinete, dando um chute na porta para fechá-la, e olhava os dois velhos pôneis compartilhando um copo de Bourbon, a bebida favorita do prefeito.

“Olha só, foi só falar do Thomas que ele apareceu, por favor, sente-se.” Dizia o prefeito, apontando para um banco no canto da sala.

“Prefiro ficar de pé, senhor prefeito.”

“Bem, como preferir, você gostaria…”

“Não, agora não. Não estou de bom humor, e a única coisa que esse licor poderia fazer é com que eu me sentisse pior.”

“Argumento justo, rapaz, argumento justo. Eu esqueci de como suas emoções ficam meio selvagens depois do licor.”

“Ei, isso aconteceu poucas vezes!” Retrucava Thomas.

“Sim, me lembro da última vez que você bebeu… um pouco? Você ficava rindo sem parar.” O outro pônei, o sherife da cidade Copper Top dizia enquanto tomava outro gole. “Como poderíamos nos esquecer do incidente no vigésimo primeiro aniversário da estrada Road Rage?”

Thomas Baker gemia. “Por que vocês sempre tem que lembrar daquilo?”

Copper Top esboçava um sorriso largo. “Porque é sempre embaraçoso pra você, que também serve para acalmá-lo quando está de mau humor.”

“Sinceramente, às vezes você é inteligente demais para ser um sherife.” Dizia Thomas, cruzando os braços.

“Bem, eu fui ambos médico e sherife por seis anos até aquele pônei de Manehatan aparecer com sua carruagem extravagante, se estabelecer na cidade, onde fui deixando o ofício de médico aos poucos até ficar apenas com o de sherife.”

“Não que eu esteja reclamando, é claro. O conhecimento médico que ele tem, por Celestia, a filha de Gaden Patch poderia ter perdido seu chifre de unicórnio se ele não estivesse aqui.” Disse o sherife.

“De fato, eu nem sabia que era possível transplantar uma artéria daquela forma. Ele pode ser convencido, mas é um ótimo médico.” Afirmava o prefeito.

“Certo, certo, entendi. Mas voltando ao assunto.”

“Sim, por que você está aqui Thom?” Perguntava Copper Top.

“Porque alguém enviou uma carta a Canterlot descrevendo o que eu fiz nas últimas semanas.”

“E de onde você ouviu tal acusação?” O prefeito perguntou.

“De sua esposa quando ela parou para me pedir sabonete esta manhã.” Ele disse.

“Eu avisei pra você não dizer a ela.” Disse Copper para o prefeito, tomando outro gole.

“Você sabe muito bem que eu não poderia escrever aquela carta com meu problema de coordenação motora. Felizmente a minha esposa, a Senhorita Billfold é a minha salvação, é ela que escreve todos os documentos por mim, sejam oficiais ou extraoficiais.”

“Então você admite, foi você quem teve a ideia da carta e a enviou.”

“Sim.”

“Bom, então meu blefe funcionou.”

“Seu blefe?”

Copper Top caía na gargalhada, enquanto que o prefeito olhava confuso.

“Para um não pônei, Thomas, você certamente tem coragem fazendo isso. Se eu não te respeitasse como eu faço, então teria que te colocar na cadeia por mentir para o prefeito.”

“Espere um minuto, do que vocês estão falando…”

“Sim, eu estava blefando. Você sabe que os sabonetes que a sua esposa adquire são encomendado de Canterlot. Eu apenas vendo o material padrão, não produtos de limpeza.”

O prefeito deu um tapa na testa com seu casco.

“Então como você ficou sabend…”

“Porque quando Speed Delivery parou para entregar minha carta, ela deixou cair outra no chão ao sair. Tinha o selo oficial do governo de Canterlot endereçado a você.”

Thomas tirou a carta de seu bolso, a acenando no ar.

“Bem, certamente que essa carta apenas…”

“Prefeito, eu posso ser um humano ingênuo, mas mesmo eu sei que as únicas coisas que você envia para Canterlot são as prestações de contas da cidade, e isso foi há quatro meses.”

O prefeito deixava escapar um suspiro de derrota. “Tudo bem, você me pegou, Thomas. Sim, eu enviei a carta e essa que você está segurando deve ser uma resposta vinda de Canterlot.”

“Sobre mim, não é?”

“Sim.. e não.”

“E que isso exatamente quer dizer?”

“Thom, o prefeito e eu sabíamos muito bem que você não queria nada de especial pelo que fez. E eu acho isso altamente respeitável e louvável de sua parte, mas de maneira alguma que você sairia livre pelo que fez. Por isso nós tivemos que mandar aquela carta para o Castelo de Canterlot, diretamente para as princesas.”

“VOCÊS O QUE??” Thomas gritava.

“Relaxa, relaxa. Nós não dissemos nada além daquilo que elas deveriam saber. A carta apenas diz que você é um de nós e que ajudou sua cidade, em nenhum momento dizemos que você não é um pônei. Não te culpo por não querer se envolver com o resto de Equestria. Se nosso encontro há dez anos atrás foi algum sinal de como o resto de Equestria poderia ter te tratado, provavelmente você estaria em algum zoológico agora.” Disse o prefeito.

“Sim, obrigado por aquilo. Você ainda tem sorte por aquela pancada não ter lhe deixado uma cicatriz.”

“Agora relaxe, Thomas. A pior coisa que pode acontecer é elas negarem o pedido, então você ganhará e não terá que se preocupar mais. No entanto, se tudo der certo, então você será apenas reembolsado pelos materiais que usou para consertar a cidade. Por que você não me entrega essa carta e vemos que tipo de resposta elas deram, hmm?” Disse o prefeito, estendendo o casco.

Thomas balançava a cabeça. “Pode ser, você já fez tudo pelas minhas costas mesmo.”

Ele jogava o envelope sobre a mesa, onde o prefeito graciosamente pegava para abrir. Ansiosamente, Thomas e Copper esperavam pelo prefeito começar a leitura da carta, mas ele escolheu ler em silêncio primeiro. Para o horror de Thomas, a expressão do prefeito passou de excitação para descrença.

“Eu não acredito nisso.” Ele disse, jogando a carta na mesa, então olhando para Thomas. “Simplesmente não acredito.”

O que?? Não acredita em que??” Thomas perguntava preocupado.

Copper Top limpava a garganta antes de começar a ler a carta em voz alta.

“Senhor prefeito, agradeço pela carta. Tenho certeza que você sabe tão bem quanto eu que seguindo os estragos de Tirek, todos em Equestria estão lutando para se recuperar. Há muitas cidades ainda destruídas e dispersas. Mas quando recebi sua carta quatro semanas depois do resto de Equestria, ela me deixou querendo saber o que aconteceu por aí.”

“Depois de ler as façanhas realizadas por um de seus cidadãos conhecido pelo nome de Senhor Baker, posso apenas sentir um grande senso de honra que um mero pônei poderia assumir não apenas para ajudar seus companheiros, mas para restaurar a própria cidade. Uma coisa me chama atenção, que foi o fato desse pônei evitar que Tirek lhe roubasse a magia. Não há registros de qualquer outro pônei que tenha conseguido escapar de sua drenagem mágica, e eu gostaria de saber mais.”

“Então, pelo tempo que você estiver lendo esta carta, Princesa Twilight Sparkle e os outros elementos da harmonia estarão em um trem a caminho de sua cidade para recepcionar o Senhor Baker, conhecerem sua história, e decidirem se é ou não verdadeira. Se for, então seu pedido por uma medalha de honra será concedida, e ele receberá o mais honroso prêmio de Equestria: A Marca da Harmonia, juntamente com as despesas solicitadas para restituir seus suprimentos, além de um adicional de duzentos por cento pelo tempo de serviço.”

“Pelo que pude entender de sua carta, ele não quer absolutamente nada em troca por seus atos, então recomenda-se não deixá-lo saber de imediato acerca da chegada da Princesa Twilight, pois ele pode considerar injusto e se evadir do local e até da cidade. O elemento da alegria preparou uma pequena e suficiente festa para ele, enquanto grande o bastante para os demais cidadãos apreciarem e celebrar o verdadeiro herói que ele é.”

“Me traz profunda tristeza saber que muitos pôneis sofreram sob controle de Tirek, mas as ações do Senhor Baker me mostraram que ainda há luz no fim do túnel, e nós apenas temos que trabalhar para garantir que Equestria esteja segura mais uma vez. Eu desejo a você e aos demais moradores de Oasis tudo de bom, e fico contente em saber que ninguém se feriu.”

“Sua Majestade Real, Princesa Celestia.” Copper parava, abaixando a carta com os olhos arregalado.

Tanto ele como o prefeito olhavam para Thomas, que estava com os braços ao lado do corpo e um olhar chocado que se completava com um semblante horrorizado.

 Thomas se virou, pegou a grande cadeira dobrável que foi construída especialmente para ele,  a colocou ao lado de Copper, se sentando nela.

“Eu aceito aquele bebida, prefeito.”

O prefeito pegava outra taça, derramando uma porção de líquido cor âmbar nela.

Copper Top olhava para a carta novamente. “Mas afinal de contas, quem é essa Princesa Twilight Sparkle?!”

Fanfic, Fanfics nacionais

Lágrimas de Dragão

Rarity_&_Spike

Autor: Embarrased_of_brown

SINOPSE: Depois de muitas tentativas frustradas, Spike decide que hoje finalmente é o dia em que irá se declarar para a unicórnio em que está apaixonado. Mas será que Rarity o aceitará como algo a mais?

***

“Você tem certeza disso Spike? É que você já tentou tantas vezes, mas desistiu bem na hora” Essa voz pertencia a Twilight Sparkle, uma jovem alicórnio de cor lavanda. Ela era a mais nova princesa em Equestria, porém já tinha seu próprio castelo. “Além do mais… minha preocupação é de como ela vai reagir a sua declaração” ela estava limpando o pó dos livros de sua biblioteca com um pano velho e surrado.

Suas paredes eram de um material similar a cristal, que estavam cheias de prateleiras e estantes com os mais diversos tipos de livros. Como a biblioteca era nova, Twilight passara uma semana inteira para organizá-la, o que para o tamanho do lugar era um grande trabalho. Havia várias janelas entre as prateleiras, que deixavam escapar uma leve brisa e raios de sol, trazidos por Celestia.

“Hah, não esquenta Twilight” zombava Spike cruzando os braços “Dessa vez é pra valer! Esse é o dia em que eu vou declarar todo o meu amor pela unicórnio mais glamorosa de toda Equestria” terminava sua frase com um brilho profundo nos olhos “Rarity!”

“Eu disse unicórnio, não alicórnio” acrescentou com um sorriso tímido, pois pensou que acabara de ofender Twilight.  “Eu vou olhar nos seus olhos e falar” antes de começar pegou o rubi de cristal que presentearia a Rarity e o colocou à sua frente “Rarity, tem uma coisa que eu não suporto mais guardar, o meu amor por você nunca vai cessar, você é a causa da minha vida, quer compartilha-la comigo?”

“Andou olhando a sessão de poesia, né?” indagou a alicórnio pelas palavras ditas pelo dragão enquanto colocava mais um livro no seu devido lugar. “Ah, como soube?” Spike não podia acreditar, ele queria fazer uma grande surpresa à Rarity com essas palavras. E imaginava que iria impressionar Twilight com sua sabedoria. “Não foi muito difícil.” Respondeu Twilight com uma expressão irônica “Talvez tenha sido por você não ter saído da biblioteca dois dias seguidos, mesmo na sua folga. Quem sabe pelo fato de eu te conhecer antes de você ter nascido e saber que você nunca foi do tipo que escreve poesia. Ou talvez porque você tenha retirado esse poema de um de meus livros favoritos…”

Ao ver Spike cabisbaixo rapidamente tentou levantar seu animo “Não se preocupe Spike, tenho certeza que vai arrasar!” colocando seu casco abaixo da cabeça do dragão deu-lhe um beijo em sua testa escamosa. “Faça o que achar que for preciso…” e o encarrou nos olhos.

“Obrigado Twi, obrigado por tudo” disse o dragãozinho verde que em seguida saiu em disparada pela porta da frente, queria chegar o mais rápido possível na Boutique Carrossel.

Enquanto caminhava na direção da porta da perspectiva boutique sentia um frio na barriga que não sabia como explicar. Quando chegou à sua frente posicionou sua garra com os dedos fechados prontos para bater na porta e chamar a atenção da unicórnio. Mas teve um pensamento que o congelou “Será que eu não estou me adiantando um pouco?” ele não sabia se estaria pronto para tal. Muito menos se ELA estaria pronta para ouvir tal.

Mas lembrou-se do que havia dito à Twilight minutos atrás. Tinha prometido que iria continuar até o fim e era o que iria fazer. Finalmente tomou coragem e bateu na porta. Esperou a unicórnio branca responder por quase um minuto, porém pela demora pensou que Rarity havia saído de casa, estava prestes a voltar para o castelo quando ouviu um rangido que indicava que a porta estava sendo aberta.

Por trás dela o dragão avistava a unicórnio branca, que a princípio não o viu aos pés da porta, porém ao olhar para baixo o avistou. A estilista cumprimentou o dragão e o mandou entrar.

“Oi Rarity!” respondeu Spike levantando a garra em sinal de cumprimento “Pensei que não estava em casa”. Rarity deu um passo para trás para dar passagem ao dragão e explicou que acabara de sair do banho, o motivo de não ter o atendido a princípio. Spike aproveitou a situação para argumentar a seu favor elogiando a crina da unicórnio por estar brilhante. Então correu para o outro lado da boutique para ver as criações da pônei, o que nem a deixou com chance de resposta.

“Vim ver se precisa de ajuda” disse caminhando novamente em sua direção “Já terminei meu trabalho na biblioteca da Twilight. Então… precisa de ajuda?” Rarity começou a pensar em sua resposta, mas vendo que era inútil se lembrar de todos os seus afazeres pegou sua agenda de cima do criado-mudo que se encontrava ao seu lado.

“Bem, vejamos” começou pensativa enquanto virava as páginas “Eu acho que… não tenho mais nada para hoje” a unicórnio balbuciava enquanto lia suas notas, o que deixou Spike levemente desapontado, pois assim não teria como chegar ao assunto sem que a mesma percebesse. Mas animou-se em imediato assim que Rarity tornou a falar “Ah não, como sou boba! Eu tenho um pedido de Manehattan de uma cliente muito importante, apesar de o prazo ser bem prolongado…” abaixou sua agenda com telecinésia para ver a reação de Spike, que sem perceber esbanjava uma expressão de aborrecimento. “Mas…” continuou Rarity nervosa “Não faz mal começarmos logo… não é?…” e mais uma vez abaixou seu caderno. Ficou extremamente relaxada vendo que Spike não demonstrava mais aquela expressão triste e no seu lugar uma de extrema alegria… “Alegria até demais” observava Rarity.

Ela fechou sua agenda e a colocou de volta no criado-mudo enquanto se direcionava para o quadro de projetos que se localizava no outro lado da boutique. Estava um dia lindo, apesar de se avistar algumas nuvens no horizonte, isso não impedia a visão azulada do céu. “Rainbow Dash ainda não deve ter acordado” pensou Spike enquanto seguia Rarity em passos curtos.

“Então… para quem exatamente é essa peça?” Perguntou enquanto a unicórnio pegava algumas folhas de papel do quadro próximo. Rarity respondeu sem desviar o olhar “Ah, é pra uma empresaria de Manehattan, a sua irmã vai se casar e ela me encomendou um vestido novo.” Enquanto falava ficava desenhando e fazendo anotações nas folhas de papel a sua frente “Me admira que não tenha feito o pedido em algum estilista de lá, depois dessa peça meu nome com certeza vai ecoar por toda Manehattan. Essa poderá ser a minha criação do ano!”.

Feliz pelo rumo que a conversa tomava Spike começou a manifestar a sua ideia de forma menos… Visível “Claro que vai ser, todas as criações são incríveis!” a fala acabara por deixar a face de Rarity de um tom rosado mas isso não impediu o dragão de continuar  “Você é incrível!” Spike tomou a gema que trouxera para Rarity com as duas garras e a encarara. O seu tom de azul refletia o sorriso do dragãozinho.

“Ora, o que é isso Spike?” Rarity colocou o casco no peito e desviou o olhar das suas folhas por um momento “Claro que minhas criações são boas, diria até que são divinas… mas não acha que está exagerando?” Rarity parou na frente do dragão e posicionou seu caso no ombro do mesmo. “Mas é claro que não Rarity, todas as suas criações são incríveis e acho que você devia ser mais reconhecida por quem é”. Rarity não sabia ao certo como reagir a tamanho elogio, nunca havia passado por tal situação.

“Ah Spike, nem sei como agradecer. Você é o melhor amigo que um pônei poderia querer” A unicórnio abraçou Spike em gesto de agradecimento.  “Claro… porque é o que somos… amigos…” Porem Spike não sentia a mesma alegria que Rarity. De alguma forma ele esperava mais da unicórnio.

“Mas é claro! Ou o que você pensa que somos?” Rarity não percebera a gravidade de suas palavras para o dragão então continuou “Você é um dos meus melhores amigos, está sempre aqui por mim, como eu estarei sempre aqui por você. Eu não poderia pedir nada melhor do que um pônei, digo… Dragão como você. E é o que sempre seremos: melhores amigos, não importa as circunstancias”. Terminando com o seu repertorio virou-se novamente a seus rascunhos.

“É claro… amigos…” Spike não sabia como reagir, pensava que pelo que Rarity falou ela não o aceitaria como algo a mais. Ele não queria que ela o visse nesse estado de choque e pensou na primeira desculpa possível para poder retirar-se “Eh, e-eu vou ter quer ir… hehe. Eu me lembrei de que me esqueci de colocar um livro de volta no lugar lá na biblioteca” o dragão se posicionou na frente da porta e a abriu “E tenho que arrumar antes que a Twilight perceba… você sabe como ela é… tchau”.

Ele saiu correndo sem nem dar tempo de resposta à Rarity. Não sabia o que pensar, talvez Twilight estivesse certa no final, ele não estava pronto para tal. Começavam a sair lágrimas de seus olhos e à medida que corria elas ficavam para trás. Spike não queria que ninguém o avistasse daquela maneira, então procurou a rota mais monótona até o castelo.

Logo que o distinguiu entre as demais construções adentrou correndo enquanto enxugava os olhos com as garras. Acabara nem percebendo a alicórnio lilás a sua frente e bateu na mesma.  “Spike! Olhe por onde anda!” após ver a reação do mesmo Twilight calou-se e encarou o dragão que ainda tentava cessar as lágrimas com suas garras. Twilight imaginando o que havia acontecido o abraçou para tentar reconfortar.

“Spike… eu…” Twilight começava a balbuciar alguma coisa, porém Spike a interrompeu antes.  O dragão tentou explicar-lhe a situação a soluços, porém foi em vão “Eu.. eu…  e-ela…”  Não sabia por onde começar “Me considera só um amigo…” Suas lágrimas diminuíram consideravelmente “SÓ UM AMIGO TWILIGHT!”. A alicórnio não sabia como reagir, nunca tinha visto o dragão em tal estado. Mas se tinha alguém bom em conselhos era ela –Apesar dela mesma não saber disso.

“Spike… eu sinto muito” Twilight posicionou seus cascos nos ombros do dragão para tentar acalma-lo “Eu sei que você tentou… mas talvez não fosse a hora certa” ela esperava a reação do dragão, e vendo que ele está indiferente continuou “Não se preocupe, você ainda vai ter muitas paixões, muitos romances e muita coisa pra viver.” Ao terminar o que queria dizer Twilight se levantou “Não se preocupe com o amanhã, viva o agora”. E saiu do cômodo para deixar Spike a sós para pensar.

O dragão já havia cessado o choro por completo, porém sua face ainda estava molhada e enrugada. Spike sentou-se no chão e olhou para a janela à sua frente. Haviam alguns pássaros passando e deixando uma melodia calmante no lugar. O dragão logo mudou sua visão para a joia que pretendia dar à Rarity após se confessar, ela lhe trazia lembranças de uma época que não recordava.

O sol estava mais alto no céu, daria para dizer que se passavam das nove horas. Spike olhou mais uma vez para a janela entreaberta, ela deixava escapar uma leve brisa animadora e alguns raios de sol que iluminava a joia e a deixavam de um tom azul reluzente. Ficou assim por alguns minutos até tomar coragem para falar.

“Talvez você tenha razão Twilight. Talvez…” e fechou seus olhos.

Fanfic, Fanfics nacionais

Apenas mais uma noite de natal

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Autor: Toaster

SINOPSE: Por toda Equestria o Natal de espalha. Crianças de diversas classes sociais se juntam na noite natalina.

***

Mais uma das maravilhosas noite de Natal em toda a Equestria, pequenas e piscantes luzes haviam sido colocadas nos mais altos postes de luz por toda a parte.

Casais em Cloudsdale voavam pela mais belas nuvens.

Pequenos unicórnios corriam e brincavam alegremente, sem se importar com suas classes sociais, pois na noite de Natal, é tempo de união.

Mas, infelizmente, nossa história não se passa com os brilhantes unicórnios, ou os maravilhosos pegasus.

Chegando em Ponnyville, podia-se notar que a neve caía com uma grande leveza, podia-se ver pequenos potros abraçados com suas mães andando pelas iluminadas e aprimoradas ruas da pequena cidade.

Em meio aos potros, podia-se ver Scootaloo correndo, Appleblom a acompanhava, as duas estavam se dirigindo à casa de Sweetie Belle para a convidarem para uma grande festa de natal.

Andando pelas ruas iluminadas, as duas perceberam que, quanto mais perto da boutique caurrossel onde morava Sweetie Belle com sua irmã aproximava, mais escuro ficava.

Apleebloom tomou coragem e foi primeiro, bateu na Porta.

Ela bateu mais uma vez, mas achou que não havia ninguém em casa, então, foi até janela, que estava quebrada, e pulou dizendo para Scootaloo:

– Vem logo! Precisamos saber oque aconteceu com a Sweetie Belle.-Scootaloo assentiu com a cabeça e seguiu Applebloom pela boutique.

De repente, um choro podia ser ouvido do quarto de Sweetie Belle. As duas não perderam tempo e correram para ver se a amiga estava bem.

Logo encontraram Sweetie Belle chorando, desabada na cama, e então perguntaram o que aconteceu. Sweetie Belle disse que:

– Olha meninas, eu sei que é algo difícil, e foi uma decisão difícil para mim mesma. Eu.. Vou sair da cidade.

As duas potras se entreolham e perguntaram o porquê.

– Rarity. Ela disse que eu dou trabalho,  hoje mesmo ela foi a uma convenção para estilistas em Canterlot.

As duas amigas somente a abraçaram e perguntaram sobre uma festa que estão para dar.

Sweetie Bellle assentia com a cabeça.

-Será a minha despedida então.- ela dá um pequeno sorriso e as três saíram andando por Ponnyville.

-Você acha que a Rarity vai voltar?-Sussura Applelooom para Scootaloo.

-Talvez sim, talvez não.-Responde Scootaloo.

Todas param ouvindo a voz de Rarity atrás delas, Rarity se aproxima de Applebloom e Sussura em lágrimas:

-Me desculpe, Sweetie Belle, por favor me perdoe por deixar o seu natal tão triste assim! Não vou mais mudar para Canterlot só pra deixar você triste.-Rarity neste ponto estava abraçada com a irmã menor, que estava enxugando suas lágrimas.

-Está tudo bem Rarity, eu te desculpo.-Respondeu Sweetie Belle.

-Acho melhor deixarmos as duas juntas agora.-Disse Applebloom para Scootaloo.

Scootaloo assentiu com a cabeça, e então as duas se dirigiram para a festa que fora dada pela família Apple.

Sweetie Belle ao voltar para casa sussurra bem baixinho:

-Obrigada.

As duas irmãs então ascenderam as luzes natalinas e deitaram em frente à lareira, descansando e esquecendo as coisas ruins que aconteceram.

Fanfic, Fanfics estrangeiras

Uma época mais simples

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Autor: DJLowrider

Tradução: Drason

SINOPSE: O que começou com uma simples visita na casa de Rarity, acaba levando Twilight a descobrir que ambas já eram amigas desde muito antes de sua primeira chegada a Ponyville, quando ainda eram crianças. 

*****

Twilight Sparkle levitava a última peça de tecido até a prateleira em que ele pertencia e deu um passo para trás para admirar o seu trabalho. Ela chegou na Boutique Carrossel quase uma hora atrás para um chá com Rarity, e encontrou a fashionista de Ponyville em meio à maior bagunça que já havia visto. O lugar parecia ter sido atingido por um furacão e Rarity confirmou que tal evento havia ocorrido, pelo menos metaforicamente falando.

O furacão que passou se chamava “Cutie Mark Crusaders”, que tinha insistido em tentar ajudar Rarity a limpar a boutique. Ontem ocorreu o festival anual da noite e Rarity não participou devido ao exagero em ficar preparando seu próprio traje. Como resultado, sua área de trabalho se parecia mais com uma área de desastre mesmo antes das Cutie Mark Crusaders passarem por lá. Enquanto Twilight ainda não estava a par dos resultados dos esforços das garotas, ela sentia que era seguro assumir que estava bem evidenciado não apenas pelo estado da boutique mas também pelo tique nervoso que atormentava o olho direito de Rarity quando ela chegou primeiro.

“Eu não posso te agradecer o suficiente pela ajuda, Twilight,” Disse Rarity, suspirando exaustivamente enquanto ela olhava ao redor da sala de trabalho já arrumada. “Por mais que eu saiba que minha irmã e suas amigas têm seus corações no lugar certo, eu adoraria se elas pudessem aprender a ter um pouco de respeito pela propriedade de outros pôneis. Sem mencionar habilidade para arrumar bagunça.”

“Eu vou ter uma conversa com a Cheerilee e ver se ela pode tentar ensinar algo assim com as garotas de vez em quando,” Twilight disse a ela depois de uma risada sufocada. “E de nada, aliás. É o mínimo que eu poderia fazer depois das vezes que você me ajudou a arrumar a biblioteca.”

“Bem, não vamos perder muito tempo aqui. Uma xícara de chá e um sanduíche de narcisia vai muito bem agora. E esse vai ser o meu agradecimento então não se atreva a pagar hoje. É o mínimo que posso fazer para mostrar minha gratidão pela sua ajuda. Deixe-me apenas colocar o aviso de “fechado” na porta da loja e então podemos ir.“

Enquanto Rarity fechava a loja temporariamente, Twilight olhava de volta para o local de trabalho de Rarity. Tecidos, linhas e vários apetrechos cobriam as prateleiras, tudo muito bem organizado graças aos seus esforços conjuntos. Uma coisa, no entanto, chamou sua atenção em uma prateleira alta na parte de trás da sala. Era uma pequena pilha de pano vermelho que parecia muito velho. Com Rarity ainda arrumando as coisas para fechar a loja, Twilight levitou o pano para baixo e olhou para ele. Era um traje de criança na forma de uma lagosta. Alguma coisa sobre ele parecia estranhamente familiar para Twilight e ela se viu em uma busca em suas memórias para o que poderia ser.

Veio até ela em um instante; um dia quase perdido em sua memória, já que havia ocorrido há muito tempo atrás. Ela olhava de volta para o traje e sentia uma mistura de sentimentos: surpresa e perplexidade era uns deles, porém mais do que qualquer outra coisa ela se sentiu bastante contente com a descoberta. Twilight permanecia em silêncio, paralisada, quando percebeu que Rarity estava parada bem atrás dela, terminando de fechar a loja.

“Alguma coisa errada, Twilight querida?” Rarity perguntou, preocupada com o silêncio de sua amiga e a postura paralisada.

“Oh não, de maneira alguma…” Disse Twilight, agora sorrindo enquanto ela se virava para a unicórnio branca. “…Lagosta Vermelha.” Ela acrescentou enquanto levitava a roupa entre as duas.

Rarity engasgou e rapidamente tomou o controle telecinético da roupa, imediatamente o colocando em sua prateleira. “C-como isso foi parar lá em cima?” Ela perguntou em pânico. “E… espere um segundo, como você sabe sobre…?!”

Twiligh limpou sua garganta e forçou sua voz um pouco, de forma a imitar a si mesma quando era mais jovem. “Entendido, Lagosta Vermelha. Que a velocidade de Celestia esteja com você!” Ela disse, sorrindo para Rarity mais uma vez.

“Forte livr…” Disse Rarity. Sua voz sussurrava enquanto a memória também vinha à tona em sua mente. “Não é possível… todos aqueles anos atrás, isso foi…”

“Afinal é um mundo pequeno, não é?” Twilight comentou. “Vamos lá, vamos recordar mais com chá e sanduiches.”

Rarity concordou e caminhou ao lado de Twilight, ainda muito surpresa em perceber que enquanto elas dividiam um elo em comum com suas marcas especiais juntamente com suas outras quatro amigas, a amizade entre as duas era ainda mais longe.

Muitos anos antes…

Por favor mãe, eu quero ir no shopping com você!” A pequena Rarity implorava enquanto tentava acompanhar a ritmo de sua mãe.

“Sinto muito, Rarity, mas mamãe precisa fazer muitas compras hoje e a JC Bitses não é apenas uma das lojas de departamento mais famosas de Canterlot,” sua mãe lhe disse enquanto elas se aproximavam da famosa loja. “É também uma das maiores, e você vai ficar muito cansada se andar por todos os locais que eu preciso ir. Tenho certeza que você vai encontrar algo pra fazer na creche da loja.”

“Mas mamãe, nós não andamos muito por Canterlot!” Rarity lamentou. “E eu quero me divertir com você!”

“Eu realmente sinto muito querida. Prometo que teremos um dia especial apenas de mãe e filha, mas é assim que tem que ser dessa vez.”

Rarity estava à beira das lágrimas enquanto elas entravam no shopping e caminhavam até a creche. Depois que sua mãe conversou um pouco com a funcionária que estava de plantão, ela beijou a testa de Rarity e disse que voltaria mais tarde. Rarity ficou olhando desanimada para o chão por alguns momentos. Para ficar presa sozinha na creche enquanto sua mãe ia às compras era simplesmente terrível para ela. Enquanto pensava no que fazer, ouviu um ruído vindo do outro lado da sala. Ela finalmente olhou por cima e viu a cena mais curiosa que já havia observado.

Do outro lado da sala estava duas grandes pilhas de livros e entre eles sentada outra jovem unicórnio que parecia da mesma idade dela. Tinha uma pele roxa e a crina e cauda que eram principalmente na cor anil com faixas nas cores rosa e lavanda. Ela se sentou no chão com seu rosto enterrado em um livro na frente dela. Rarity não sabia o que fazer, especialmente considerando que a unicórnio roxa estava sentada no meio do que parecia uma fortaleza feita de livros, mas companhia era companhia e ela preferia pelo menos ter alguém para conversar do que passar o tempo sem nada pra fazer. Ela respirou fundo e se aproximou cautelosamente pensando sobre o que deveria falar primeiro.

A potranca estudiosa em que Rarity estava se aproximando, cujo nome era Twilight Sparkle, tinha se perdido na leitura do livro que estava na frente dela. Era sua única pausa para a realidade agora, uma realidade da qual não estava nada satisfeita. Ela certamente queria ter certeza que poderia dar ao seu pai uma festa de aniversário decente naquele fim de semana, razão pela qual queria ficar desesperadamente com sua mãe enquanto fazia compras. Sua mãe, no entanto, insistiu em deixar ela na creche do shopping, lembrando sua filha que se cansava facilmente em ficar andando pelas lojas. Essa não foi a primeira visita de Twilight na JC Bitses, mas estava com sorte dessa vez. Ela não só era a única criança lá na época, mas havia todo um conjunto de livros novos nas estantes para ler.  Rapidamente puxou para baixo todos os livros que pareciam interessantes para ela, e depois de empilhá-los ordenadamente em cada lado, estabeleceu a tarefa de ler quantos fosse possível até sua mãe voltar. Ela já estava em seu terceiro livro quando a jovem unicórnio branca com uma crina e cauda violeta, impecavelmente arrumadas, caminhou até onde ela estava lendo.

“Bom dia pra você.” Disse Rarity depois de decidir que sua melhor aposta para causar uma boa impressão era com boas maneiras.

Twilight lhe deu apenas um simples aceno como resposta enquanto mal parecia notar mais alguém ao seu redor.

“Eu acho que vamos ficar presas aqui até nossas mães voltarem,” Rarity comentou, olhando pelos arredores vazios da creche.

Dessa vez o comentário de Rarity aparentemente não garantiu nenhum tipo de resposta.

“Então… o que você está lendo?” Rarity perguntou, olhando com curiosidade para Twilight.

Twilight segurou seu livro sem fechar e mostrou a capa para ela.

“…é interessante?” Perguntou Rarity, sentindo mais e mais dificuldade com cada momento que passava.

Twilight retomou a leitura por um momento antes de finalmente dar uma resposta vocal.

“Único.” Foi tudo o que ela disse.

“Qual parte?”

“…o livro inteiro.”

“Eu…uh… imagino que você gosta muito de livros então?”

“…relativamente.”

“Estou vendo… você…uh…sempre vem aqui?”

“Eu acho.”

“Eu também queria, mas Canterlot é um pouco longe de onde eu moro.”

“Huh.”

Rarity resmungava um pouco enquanto ficava claro que a outra unicórnio não estava prestando muita atenção nela.

“Você é rude com tudo mundo ou é apenas eu?” Ela perguntou, parecendo bastante irritada.

“…hã?” Disse Twilight, agora apenas olhando para a unicórnio branca parada na frente dela. Ela imediatamente se encolheu um pouco, olhando para Rarity timidamente. A unicórnio branca se sentiu mal por intimidá-la.

“Eu sinto muito, não queria te assustar. Apenas… ainda um pouco chateada. Eu queria ir às compras com a mamãe, mas acho que ainda sou muito pequena para isso.”

“Está… tudo bem,” Disse Twilight, se sentindo menos nervosa depois da desculpa e explicação de Rarity. “Eu realmente não gosto muito daqui também, mas quando mamãe vem ao shopping eu tenho que ficar aqui. Eu me canso facilmente, então não posso acompanhá-la ainda. Pelo menos há muitos livros dessa vez.”

“Você realmente parece gostar muito de livros, não é?” Rarity perguntou, notando as torres de livros ao redor da unicórnio roxa.

“Livros são divertidos,” Disse Twilight enquanto fechava o que estava segurando, colocando ele ao lado e puxando outro para fora das torres. “Eles contam estórias ou me ensinam coisas, e eles não dão risada ou tiram sarro de mim por ser diferente.”

“Eu não queria tirar sarro ou rir de você.” Disse Rarity a ela se desculpando. “Sinto muito.”

“Está tudo bem.”

“De qualquer forma, acho que seria melhor encontrar algo pra fazer. Minha mãe não vai vir me buscar tão cedo.”

“Você…uh… quer ler um livro?” Perguntou Twilight timidamente. “Eu peguei quase todos porque era a única criança aqui antes. Me sentiria mal se monopolizasse todos eles.”

“Ler um livro…” Disse Rarity, considerando a ideia enquanto ela olhava para a pilha de livros mais uma vez. “Eu suponho que há maneiras piores de passar o tempo. Qual deveria ler?”

“Bem, eu ia começar a ler este aqui,” Disse Twilight, apontando para baixo com o livro na frente dela. “Você pode ler ele comigo se quiser.”

Rarity encolheu os ombros, depois de ajustar a pilha de livros para dar espaço a ambas e começarem a ler. Era uma estória de ficção cientifica sobre uma rebelião no espaço contra um império vilão, com direito a batalhas espaciais e tudo. Ambas acharam muito divertido lerem juntas mesmo começando a conversar uma com a outra sobre suas cenas favoritas.

“Devo dizer que este não é o tipo de coisa que costumo ler em casa,” Disse Rarity enquanto elas terminavam o livro algum tempo depois. “No entanto foi uma estória muito divertida.”

“Eu sei.” Twilight respondeu animadamente. “Às vezes quando leio estórias como essa me faz querer fingir que estou dentro do conto e interpreto uma das cenas! Só que… bem… eu não tenho nenhum pônei da minha idade para brincar. Então acabo brincando sozinha com minhas bonecas e outros brinquedos.”

Rarity franziu a testa em meio ao pensamento de se sentir sozinha. “Isso me soa muito solitário,” ela disse.

Twilight deu de ombros. “Já estou acostumada.”

Rarity ficava em silêncio e olhava ao redor da sala, observando que elas ainda eram as duas únicas crianças na creche. Então olhou para Twilight e sorriu para ela.

“Bem, você poderia brincar comigo,” ela sugeriu. “Podemos fingir que estamos lutando na última grande batalha da estória. Se você quiser, claro.”

“Mesmo?” Twilight perguntou esperançosa. “Você… quer brincar comigo?”

Rarity acenou para ela e imediatamente se viu abraçada por Twilight. Ela não estava acostumada a tais demonstrações de afeto, especialmente de alguém que havia acabado de conhecer, mas sorriu do mesmo jeito.

Não demorou muito para as duas reempilharem os livros em algo semelhante a uma fortaleza como aquela em que os rebeldes tinham na estória. Elas também formaram blocos em formas semelhantes às naves de batalha do império. Com tudo organizado, Rarity olhou ao redor da sala para algo que poderia acrescentar em sua aparência já que ela iria fingir ser uma piloto de caça. Ela viu uma mala cheia de fantasias de brincar e rapidamente foi até ela, decidindo se vestir com o traje de uma lagosta. Na verdade ela apenas pegou aquela porque o personagem que iria interpretar se chamava “Lagosta Vermelha” e a roupa era, claro, vermelha.

“Lagosta vermelha apostos,” disse Rarity, assumindo uma expressão séria, com a brincadeira já começando. “Entre no Forte Livro. Câmbio.”

“Este é o Forte Livro,” Disse Twilight, colocando sua cabeça para fora da fortaleza. “Câmbio, Lagosta Vermelha.”

“Forte Livro, estou começando a minha corrida de ataque,” Disse Rarity enquanto trotava ao redor da borda da sala, observando as espaçonaves feitas de livro cautelosamente.

“Entendido, Lagosta Vermelha,” Twilight respondeu. “Que a velocidade de Celestia esteja com você!”

Rarity se virou bruscamente e correu em direção à “nave”, se esquivando um pouco antes de alcançá-la. Ela voltou ao redor e fez outra passagem, dessa vez acelerando bem na frente dele.

“Forte Livro, o campo de força do império é muito forte!” Ela gritou. “Meus lasers não estão fazendo nada contra ele!”

“Aponte para a torre de controle, Lagosta Vermelha,” Respondeu Twilight. “Se você puder atingi-la, os escudos das espaçonaves serão desativados e você poderá contê-las!”

“Entendido, Forte Livro!”

“Cuidado Lagosta Vermelha! Caças inimigos estão se aproximando!”

“Estou vendo Forte Livro, partindo para uma manobra evasiva!”

Rarity rapidamente contornou para trás da “nave de batalha” encenando que vários caças inimigos a perseguiam agora.

Estou sob fogo pesado Forte Livro!”

“Os reforços estão a caminho Lagosta Vermelha!” Disse Twilight enquanto ela começava a engatinhar para fora do Forte. “Nesse meio tempo faça uma derrapada!”

Rarity rapidamente caiu para seu estômago e rolou várias vezes antes de pular por cima e correr de volta para a “nave de batalha”. Ela bateu no topo dele, tombando sobre os poucos blocos espalhados no chão.

“Eu tomei o controle da torre!” Ela gritou. “Mas ainda tem caças inimigos atrás de mim e não consigo escapar deles!”

“Yeee haaa!” Twilight gritou enquanto ela cruzava o caminho logo atrás de Rarity, encenando derrotar o último caça inimigo. “Você está salva Lagosta Vermelha! Agora vamos explodir essa base e ir para casa!”

Twilight e Rarity derrubaram a “nave de batalha”, lançando-se sobre ela, enquanto a demolição mandava livros por todos os lados na sala. As duas riram e celebraram suas vitórias enquanto voltavam para o Forte Livro, ambas um pouco sem fôlego.

“Isso foi muito divertido!” Disse Twilight energicamente. “Vamos encontrar uma outra estória para brincar!”

“Totalmente a favor,” disse Rarity, também sentindo um pouco de pressa para brincar. “É realmente divertido brincar com você, sabia?”

“Obrigada. Você é uma das crianças mais legais que já conheci. A maioria dos pôneis da minha idade me chamam de nerd, cabeção, ou algo do tipo.”

“Bem, eu não sou como eles,” Rarity afirmou orgulhosa enquanto se sentava, com Twilight pegando outro livro.

Twilight apenas sorriu para ela enquanto arrumava o próximo livro para lerem. Não muito longe da estória, porém, ambas encontram-se bocejando e sentindo suas pálpebras mais e mais pesadas. Quando a mãe de Rarity voltou na creche para buscá-la, encontrou sua filha vestindo a fantasia de lagosta dormindo ao lado de Twilight. Calmamente e com cuidado, ela caminhou até as duas e levantou Rarity. Era bastante carga juntamente com os alforjes cheios que estava carregando, mas nada que não estivesse acostumada.

“…mmm… Forte Livr…” Rarity murmurava em seu sono. “…vamos brincar um pouco mais…”

“Shh,” sua mãe disse em voz baixa. “Apenas continue dormindo, querida.”

Depois de prometer para a funcionária de plantão na creche que iria devolver a fantasia de lagosta, a mãe de Rarity caminhou até o serviço de táxi aéreo dos pegasus para voltar a Ponyville. Assim que ela saiu da loja, a mãe de Twilight chegou para buscá-la também. Ela, igualmente, colocou sua filha nas costas e voltou para agradecer a funcionária de plantão.

“Lagosta Vermelha…” Twilight murmurava enquanto se mexia nas costas da mãe. “…podemos ser… amigas?”

“Parece que você teve um dia cheio, querida,” sua mãe disse em voz baixa. “Hora de ir pra casa e então posso fazer o jantar que lhe prometi.”

Ambas dormiam tranquilamente enquanto retornavam para suas respectivas casas. Não ocorreu para nenhuma delas até muito depois daquele dia que em toda a brincadeira e leitura que fizeram juntas, não se apresentaram pelos nomes reais.

“Depois que eu percebi que não tinha perguntado seu nome naquele dia, fiquei arrasada,” Rarity disse a Twilight, sentada em frente a ela na mesa de café. Duas xícaras de chá vazias e um par de sanduíches narcisia foram colocados na mesa entre elas. “Minha mãe teve a intenção de devolver a roupa de lagosta, mas eu implorei para ficar com ela. Eu usei ele como meu traje de Halooween nos próximos dois anos, na esperança de que talvez eu veria novamente a criança que conheci no Forte Livro, e que com aquela roupa ela me reconheceria também. Obviamente que nunca aconteceu, mas eu continuei com a fantasia de qualquer maneira, como uma recordação de que em algum lugar lá fora, havia uma pônei que foi minha amiga em um dia que eu estava urgentemente precisando de uma.”

“Eu sempre gostava do halloween quando criança, mas Canterlot tinha suas próprias celebrações,” Twilight respondeu. “Eu nunca cheguei a vir para o festival de Ponyville até este ano. Aquele dia na loja ficou na minha memória por muito tempo, e eventualmente até fiz uma amiga imaginária baseada na criança que conheci como ‘Lagosta Vermelha’. O livro que nós lemos naquele dia se tornou um dos meus favoritos na época e voltei a lê-la várias vezes desde então. Não porque era uma boa leitura, mas porque era a estória que me ajudou a encontrar minha primeira verdadeira amiga.”

“Eu simplesmente não posso acreditar que nunca percebi que era você até hoje, Twilight. Me sinto uma tola.”

“Imagine como me senti. Sempre me lembrava da criança com quem eu tinha brincado era uma unicórnio branca com crina roxa. Sinto-me completamente boba por não perceber que era você quando vim para Ponyville pela primeira vez.”

Rarity colocou um de seus cascos frontal sob o queixo, pensativa. “Eu suponho que isso significa que sempre fomos destinadas a sermos amigas. É só uma pena que levou tanto tempo para ficarmos juntas novamente.”

“Eu imagino que ambas nossas vidas teriam sido diferente se ficássemos em contato de alguma forma,” Twilight disse com uma risada ligeiramente sarcástica.

“Para dizer o mínimo, querida. Eu teria feito você muito mais popular na escola com algumas roupas.”

“E eu provavelmente poderia ter lhe ajudado a obter melhores notas na escola, com algumas técnicas de estudo infalíveis.”

Ambas unicórnios não podiam deixar de ter um ataque de risos em seus próprios comentários. Uma vez que elas se acalmaram novamente, Rarity pagou a conta do restaurante como havia prometido, e as duas se prepararam para sair.

“Você acha que devemos contar às garotas sobre nossa história Rarity?” Twilight perguntou enquanto caminhavam.

“Por mais que eu tenha certeza que seria curioso saber sobre o nosso verdadeiro primeiro encontro, prefiro manter isso entre nós duas, se você pensar o mesmo, Twilight,” Respondeu Rarity. “Eu tenho o sentimento que sempre vou ouvir um ou dois me chamar de ‘Lagosta Vermelha’, se não mais.”

“Acho que posso compreender,” Disse Twilight sufocando outra risadinha.

Se importa se eu perguntar uma coisa, Twilight?” Perguntou Rarity claramente com algo em sua mente.

“De forma alguma Rarity, o que?”

“Sente falta daqueles tempos quando você era mais jovem? Você sabe, quando a vida não era tão complicada… quando você sentia mais certeza sobre o que o amanhã traria… e todo dia parecia um pouco mais claro?”

Twilight parou de andar enquanto pensava sobre a pergunta de Rarity. Enquanto ela formava sua resposta na cabeça, não podia deixar de sorrir para sua amiga novamente.

“Eu posso entender seu anseio pelo tempo passado, Rarity,” ela disse. “E você terá que me perdoar se eu responder sua pergunta com outra, mas por mais feliz e puro que esses tempos podem ter sido naquela época… você realmente trocaria um pouco do seu tempo agora com suas amigas por mais um dia como a criança que estava sozinha e querendo saber se ela veria sua melhor amiga de novo?”

A resposta de Twilight, apesar de ser uma pergunta, era exatamente o que Rarity desejava escutar. Ela sorriu de volta enquanto começavam a caminhar novamente.

“Eu não trocaria mesmo como um piscar de olhos,” ela disse para Twilight. “Tempos mais simples podem parecer atraentes quando se olha para trás, mas nada bate o aqui e o agora.”

“Eu não poderia estar mais de acordo,” Twilight respondeu. Então um pensamento ocorreu a ela relacionado a toda sua conversa naquela tarde. “Você se importaria se eu escrevesse uma carta à Princesa sobre a nossa conversa de hoje, Rarity?” Ela perguntou.

“De forma alguma, Twilight. Na verdade eu estava pensando em fazer a mesma coisa, se estiver tudo bem pra você.”

“Absolutamente. Oh, e não se preocupe, eu deixarei de fora a parte sobre a fantasia na minha carta.”

“Sim, eu agradeço por isso querida. Ouso dizer que a Princesa Celestia sabendo seria mais humilhante do que nossas amigas.”

Quando chegaram na Boutique Carrossel, as duas amigas se despediram e então Twilight se virou para voltar à biblioteca para escrever sua carta e fazer algumas pesquisas.

“Oh Twilight, mais uma coisa,” Rarity gritou correndo atrás dela. Twilight parou e se virou para a unicórnio branca novamente. “Você acha que poderia me emprestar o livro algum dia? Adoraria lê-lo novamente para relembrar os velhos tempos.”

“O dia que você quiser, Lagosta Vermelha,” Twilight respondeu com um sorriso antes de trotar novamente.

“Obrigada, Forte Livro,” Disse Rarity enquanto se dirigia até sua loja. “Obrigada, velha amiga.”

Fanfic, Fanfics estrangeiras

Um conto de natal

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Autor: Gobraveheart

Gênero: Slice of Life

Tradução: Drason

SINOPSE: Rarity decide levar Sweetie Belle a Canterlot para comprar qualquer presente de natal que ela quisesse. Depois de conhecer um pônei em especial, Sweetie Belle finalmente faz a sua escolha.

***

Logo de manhã havia uma pequena e agradável brisa por toda Canterlot, mesmo em meio à neve que caía em pequenos flocos. As calçadas estavam cobertas de gelo, mas ainda era possível caminhar com um ou outro escorregão. Por todos os lados havia uma cobertura de neve, mas os pôneis andavam e conversavam como se não fosse nada. As lojas ainda estavam abertas, especialmente o Shopping Canterlot. Em plena véspera de natal, os pôneis gastavam seus bits para amigos e familiares, assim como uma jovem unicórnio que passeava com sua irmã mais velha.

O trem que veio de Ponyville se atracou na estação ferroviária, onde pôneis atrás de pôneis saiam rapidamente correndo para seus entes queridos. Os últimos a saírem foram duas irmâs: Rarity e Sweetie Belle. A unicórnio mais velha estava vestindo um cachecol azul escuro para combinar com seus olhos, assim como Sweetie Belle que fazia o mesmo, usando um na cor verde. Embora ela imaginasse que uma marca especial seria um ótimo presente de natal, algo que tentou sem sucesso obter o ano todo, ela procurava não pensar sobre isso naquela ocasião. Apenas queria aproveitar o passeio à Canterlot com sua irmã, que era o suficiente para trazer um sorriso em seu rosto.

“Uau Rarity!” disse Sweetie Belle, incapaz de conter sua emoção. “Olhe para todas essas luzes, as árvores decoradas, e os bastões de doces gigantes, são tão bonitos!”

Rarity sorri para sua irmã. “Claro, querida.” Ela responde enquanto ajeita o cachecol de sua irmã mais nova. “Está frio aqui fora, mas isso não vai nos impedir de fazer compras, não é?” Sweetie Belle sorriu amplamente, deixando Rarity contente por sua irmã estar passando o tempo com ela. “Esse é o espírito! Agora, onde você quer ir primeiro? Loja de vestidos? Brinquedos? Qualquer coisa que você quiser.”

Sweetie Belle rolou os olhos. “Brinquedo? Hmmm, não, os que tenho já são bons. Eu quero ir…” Ao longe, ela observa uma pequena loja de música, onde havia na vitrine um objeto de metal atraindo seus interesses. “Eu quero ir lá!” Sem aviso, ela corre até a loja.

“Sweetie Belle, espere!” Responde Rarity, tentando manter-se com sua irmã. “Eu e minha generosidade.” Ela trotava rapidamente atrás de sua irmã mais nova, que estava muito concentrada observando a vitrine. “Você é muito rápida Sweetie, assim eu não consigo te acompanhar.”

Rarity notou que Sweetie Belle observava em transe um microfone. “Foi isso que te chamou atenção, um simples microfone?”

O termo “simples” foi suficiente para trazer Sweetie Belle de volta ao foco. “Simples? Rarity, este não é um microfone qualquer! É um modelo que consegue transmitir o som a mais de cem metros de distância! Posso ficar com ele por favor?”

Rarity olhou melhor para o microfone, parecia ser bem anatômico e seu acabamento não deixava dúvidas de que era feito com material de alta qualidade. Rarity estava prestes a dizer sim, até ver o preço dele. “Trezentos bits? Isso é muito…”

Rarity olhou para sua irmã. Os olhos de Sweetie Belle estavam alargados a ponto de Rarity ver seu próprio reflexo neles, e a passagem da neve transmitia um olhar extra de tristeza. Porém, Rarity conhecia esse truque melhor do que sua irmã, e mesmo que não quisesse decepcioná-la, chegou a uma conclusão.

“Ok Sweetie, tenho uma ideia. Que tal olharmos as outras lojas da cidade para ver se encontramos outras coisas que você goste? Porque se eu comprar esse microfone, só vai sobrar dinheiro para almoçarmos e depois voltar a Ponyville.”

“Hmm… tem certeza que você vai comprar o microfone se não encontrarmos nada que eu goste?” Perguntou Sweetie Belle, questionando sua irmã.

“Sim, é uma promessa.”

“Tudo bem então!”

Rarity e Sweetie Belle caminhavam por todas as lojas, passando por brinquedos, roupas, e ainda assim aquele microfone estava na preferência da unicórnio jovem. Rarity finalmente desistiu, e decidiu levar Sweetie Belle à loja de antes para buscar seu presente de natal.

No caminho para a loja de música, Sweetie Belle dizia coisas como “Obrigada Rarity! Eu adoro música! Talvez assim eu consiga descobrir a minha marca especial!” Rarity estava feliz por sua irmã, embora seu plano fosse comprar mais de um presente para ela, o que foi frustrado com o preço do microfone.

À medida em que se aproximavam da porta da loja, Sweetie Belle ouviu um barulho tinindo próximo dela. Ela olhou ao redor, até que viu um senhor, cuja pele era na cor vermelha e a crina e calda faziam contraste nas cores branca e cinza, ele estava acenando com um copo velho. De onde ela estava, dava para ver que seus olhos pareciam tristes. Ele estava chorando? Ela perguntou para si mesma.

“Rarity?” Disse Sweetie Belle, sem tirar os olhos daquele senhor. “Por que ele parece tão triste?”

Rarity se virou para observar o pônei de quem sua irmã estava falando. Ela sentiu uma dor aguda no coração. “Oh, ele… fique aqui, querida, eu vou…” Antes que pudesse terminar, Sweetie Belle já estava na frente dele. Rarity tentou ir atrás dela, mas o trânsito de pôneis nas ruas bloqueavam sua visão. Ela ainda gritou o nome de sua irmã, mas o barulho era alto demais ao redor dela.

Agora que Sweetie Belle estava mais próxima daquele senhor, podia observá-lo melhor em todos os detalhes. Era um pônei terrestre, que não estava usando nada além de um gorro velho. Sua pele estava suja e a crina bagunçada. A barba estava bem arrumada, no entanto. Seus olhos, na cor verde pinheiro, juntamente com olheiras, expunham sua tristeza, fazendo Sweetie Belle olhar para ele com pena. Ele ainda acenava ao redor com o copo velho, sem nem mesmo prestar atenção na jovem unicórnio branca.

“Senhor? Por que parece tão triste?” Sweetie Belle perguntou inocentemente. O pônei olhou para ela, mantendo a mesma expressão.

“Porque estou com frio.” Ele apontou para o próprio peito com o copo. “Por isso estou triste.”

“Mas é véspera de natal.” Disse Sweetie Belle, inclinando a cabeça. “Todo pônei está feliz, viu?”

“Tem certeza?” Ele perguntou. Seu tom de voz era profundo, mas não zangado. Mesmo que não agisse daquela forma por mal, no fundo era possível sentir sua frustração.

“Claro, eu tenho certeza.” Disse Sweetie Belle. Ela se virou para ver os rostos sorridentes dos pôneis que passavam. “Está vendo?”

“Eu vejo o que você não consegue.” Ele disse. “Observe atentamente, Sweetie Belle.”

A jovem unicórnio não entendia do que ele estava falando, até ela ver um pônei com uma expressão muito parecida com o dele. E outra, e outra. Agora Sweetie Belle percebeu quantos pôneis pareciam tristes.

A unicórnio tinha muitas perguntas passando em sua mente. Por que tantos pôneis tristes? Como aquele senhor sabia o nome dela? E o mais importante, por que os outros pônei não se ajudavam?

Sweetie Belle se virou para fazer as perguntas ao pônei vermelho, mas ele se foi, deixando para trás seu velho copo. Ela olhou em seu interior e encontrou dois bits e uma pequena nota. Então tirou do copo para ler em voz alta. “Se você tivesse um monte de bits, o que ou com quem você gastaria?”

“Sweetie Belle!” Ela se virou para a direção de onde vinha a voz de Rarity, que foi se aproximando dela ofegante. “Não vá sozinha assim!” Ela olhou ao redor, confusa. “Onde está aquele senhor?”

“Eu não sei. Há um minuto estava aqui do meu lado. Ele me disse para observar atentamente as pessoas.” Disse Sweetie Belle, olhando cada pônei passar por ela e Rarity.

“Oh, é uma pena, eu ia dar alguns bits para ele.” Disse Rarity, olhando ao redor. “Bem, que tal nós irmos buscar o microfone?”

Sweetie Belle não estava prestando atenção. Ela pensava sobre o significado daquela mensagem no copo. “Se você tivesse um monte de bits, o que ou com quem você gastaria?” Sweetie Belle pensava, até que chegou em uma decisão.

“Na verdade Rarity, eu tenho uma ideia melhor. “Ela colocou o copo na bolsa que estava carregando, e galopou rapidamente até a loja de roupas mais próxima.

Rarity estava confusa do porquê de sua irmã correr até uma loja de roupas. Então olhou ao redor, e logo suspeitou do que se tratava. Não foi difícil deduzir o que ela queria, não que Rarity concordasse totalmente com isso, mas ela prometeu dar qualquer presente para Sweetie Belle. Sorrindo para a generosidade de sua irmã, Rarity a seguiu até a loja.

“Isso tudo sairá por trezentos bits.” A vendedora disse. Usando sua mágica, Rarity pegou todas as bolsas ao redor dela, com Sweetie Belle levando as menores. Com seu casco, Rarity deu todo o dinheiro ao caixa. “Tenham um bom natal vocês duas!”

Elas trotaram para fora, logo sendo atingidas pelo frio intenso, e rapidamente observando os pôneis que sofriam com as baixas temperaturas. Sweetie Belle olhou para Rarity, que estava tentando descobrir para qual pônei ir primeiro. “Eu vou levar para o lado direito, e você para o esquerdo! Pronto Rarity?”

Ela assentiu com a cabeça. “Esta é uma boa ação que você está fazendo, Sweetie Belle.”

Elas trotaram uma para longe da outra, e a primeira pônei estava sentada perto de uma fonte. Sweetie Belle correu até ela que estava tentando se manter aquecida, encolhida em seus cascos. Quando percebeu Sweetie Belle, a jovem unicórnio já estava tirando alguma roupas quentes da sacola.

“Feliz natal!” Disse Sweetie Belle.

“Você… comprou para mim?” A pônei disse. Quando Sweetie Belle assentiu, ela agradeceu emocionada. “Muito obrigada! Você não tem ideia do quanto isso significa para mim!”

“Tudo bem!” Disse Sweetie Belle, a abraçando. “Por favor, vá encontrar outros pôneis que precisam de calor!”

“Certo, muito obrigada!” a pônei correu em direção de um grupo. Assim que Sweetie Belle percebeu eles olhando para ela, todos sorriram, trotando lentamente até a jovem unicórnio.

“Você está distribuindo agasalhos?” Um deles perguntou. Sweetie Belle acenou, e disse que sua irmã estava fazendo o mesmo não muito longe dela. Os pôneis olharam uns para os outros com alegria, agradecendo a Sweetie Belle.

“É a coisa certa a fazer.” Disse Sweetie Belle.

“Você fez uma coisa muito boa hoje Sweetie Belle, fez um monte de pôneis felizes, e estou orgulhosa de você.” Disse Rarity enquanto abria a porta, deixando sua irmã mais nova entrar primeiro. “Elas deixaram Canterlot após doar todas as roupas que compraram, e estavam felizes pelos pônei terem algo no dia de natal. Elas chegaram a Ponyville no final da tarde, onde a lua da Princesa Luna já estava sendo erguida.

“Sim, eu me senti bem vendo eles sorrirem.” Disse Sweetie Belle, tirando suas roupas de inverno. Ela ficou um pouco triste, percebendo que não conseguiu o que queria. “Pena que não consegui o microfone.”

“Eu sei querida, mas ser generoso às vezes requer um pouco de sacrifício. “Disse Rarity consolando a irmã. “Às vezes você tem que dar um pouco para conseguir um pouco.”

“Mas nesse caso demos muito, né?” Disse Sweetie Belle rindo. “Está tudo bem Rarity, estou feliz que aqueles pôneis tenham algo no natal, não só pelos presentes, mas em seus corações também.”

“Isso é maravilhoso, Sweetie.” Disse Rarity, dando-lhe um abraço. “Não se preocupe, eu compro o microfone no seu aniversário, você mais do que merece”

“Tudo bem!” Disse Sweetie Belle, sorrindo. A jovem unicórnio decidiu ir até o seu quarto descansar um pouco depois do banho.

Ela começou a fechar os olhos, caindo no sono. Logo ela foi interrompida por um barulho vindo do lado de fora. Ela reconheceu o som sem problemas, e rapidamente vestiu suas roupas de inverno e correu para fora. As decorações em torno de Ponyville forneciam luz suficiente para Sweetie Belle enxergar, e à direita, embaixo de um poste decorado estava o pônei vermelho sorrindo, com o seu velho copo.

Sweetie Belle podia jurar que ela deixou aquele copo em sua bolsa, mas não se importou muito enquanto corria até o pônei. “Olá senhor! Você está melhor?”

O pônei vermelho olhou para Sweetie Belle com um grande sorriso. “Estou sim, Sweetie Belle. Vejo que você conseguiu o que queria para o natal?”

“Bem, não exatamente, mas eu dei um monte de roupas para pôneis que estavam passando frio!” Sweetie Belle disse contente. Ela caminhou para mais perto do pônei vermelho e o abraçou. “Obrigada por me deixar saber o que é certo, senhor.”

O pônei a abraçou de volta. “Eu? Não, essa escolha foi sua, Sweetie Belle. É sempre bom saber que os jovens cuidam uns dos outros.” O pônei se virou e começou a se afastar.

“Espere! Aonde você vai?” Perguntou Sweetie Belle, o interrompendo. Ele se virou sorrindo.

“Eu tenho que visitar outras crianças. Afinal é natal. Tenha um feliz ano novo, Sweetie Belle.”

De repente, o pônei vermelho ficou envolto por uma luz brilhante, e desapareceu entre a neve. Sweetie Belle não conseguia entender o que viu: como ele sabia seu nome, e como podia usar magia? Ele era um pônei terrestre!

Seja quem fosse, Sweetie Belle agradeceu de qualquer forma. Ela sorriu e correu para dentro de casa, fechando a porta. Foi quando ouviu Rarity gritar de alegria.

“Sweetie Belle! Olhe nossa sala de estar!” Quando a jovem unicórnio correu até lá, viu que estava toda decorada, uma árvore de natal com luzes coloridas e…

“Presentes?!” Ambas falaram ao mesmo tempo. Rarity disse que não poderia abri-los até à meia noite, então teriam que esperar.

“Onde você comprou, Rarity?” Perguntou Sweetie Belle, incrédula.

“Não comprei, gastei todos os bits com as roupas.” Disse Rarity.

“Então… quem foi?”

“Elas decidiram não pensar sobre isso, e foram jantar. Elas se divertiram uma com a outra, rindo, bebendo chocolate quente com pequenos marshmelows neles. Com ou sem presentes, elas estavam felizes.

No momento em que soou meia noite, Sweetie Belle não podia conter sua emoção por mais tempo. Elas desceu as escadas em silêncio e pegou o primeiro presente. Ela estava prestes a rasgar o embrulho, até que leu de quem era:

PARA: SWEETIE BELLE

DE: ??????

FELIZ NATAL, PEQUENINA.

“Mas de quem será?” Sweetie Belle perguntou, confusa.

Ela não queria se debruçar sobre o remetente misterioso, e decidiu abrir seu presente. Quando tirou todo o embrulho, ficou sem palavras.

“Não.. acredito! O microfone que eu queria!” Ela disse, sussurrando em voz alta. Então ouviu um tipo diferente de barulho, como se fossem sinos. Ela foi até a janela mais próxima e olhou para o céu noturno. Não tinha ideia que pônei era aquele no céu, voando com uma grande sacola vermelha. Mas uma coisa era certa, ela nunca se esquecerá das palavras que aquele pônei disse em meio à noite de natal.

“Ho! Ho! Ho! Feliz natal a todos!”

Fanfic, Fanfics nacionais

Sem palavras para descrever – Livro I – Cap.08 – Amanhã

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Autor: Grivous

Gênero: Normal, Triste, Drama, Romance

Sinopse: ”Em alguns dias, um show será apresentado na pequena cidade de Ponyville, como o último show da carreira musical de uma musicista muito famosa de Canterlot: Octavia. Twilight Sparkle e suas amigas ficaram encarregadas de aprontar os preparativos para o Grande Evento. Os fantasmas de seu passado continuam assombrar a jovem musicista, a ponto de isolar-se do mundo e daqueles que ama. Num único evento, cheio de reviravoltas e grandes emoções, ela está para descobrir algo muito mais do que apenas o fim…”

LIVRO I :

Apresentação

Prólogo

Capítulo 1 – Empolgação

Capítulo 2 – Cascos e Coices

Capítulo 3 – Desinformado e Desinteressado

Capítulo 4 – Convidado ou Intruso?

Capítulo 5 – Casa da Mãe Joana

Capítulo 6 – Recuperação

Capítulo 7 – Algo a mais

LIVRO II:

Capítulo 1 – Caminhada

Capítulo 2 – Muffin

Capítulo 3 – Companhia

Capítulo 4 – Mudanças

LIVRO III:

Capítulo 1 – Ausência

Equestria — Ponyville — Biblioteca, 13 de Fevereiro, 21:09. 

A Prefeita se aproximou de Twilight, meio preocupada — Boa noite novamente, Srta. Sparkle! Está bem recuperada? Não se sente mais… cansada?

— Estou, sim, bem recuperada, Srta. Prefeita. Realmente estou muito melhor agora! — respondeu Twilight com entusiasmo — Agradeço a preocupação, mas pode ficar tranquila. A reunião continuará, sem mais atrasos e interrupções! Estou confiante disso!

— Magnifíco, Twilight! — disse Rarity, batendo os cascos — Sua segurança é digna de se apreciar! Perfeito!

— Até que fim deixou de ser uma cabeçuda turrenta! — Rainbow Dash ergueu um sorriso maroto, seguido de um tapinha nas costas de Twilight. — Mas ainda falta muito para deixar de ser cabeçuda.

Rarity novamente fechou a cara, — “Ela ainda fica fazendo piadinhas. Hunf. Rainbow não muda nunca.” — pensou ela, bufando pelas narinas.

Mas para a sua surpresa, Twilight não se incomodou com a piadinha; até começou a dar uma risadinha junto com a Rainbow. Ela estava muito bem humorada; até parecia ser outra pônei que não a sua estressada amiga.

A Prefeita sorriu e deu espaço para Sparkle passar. A pônei de caqui trotou calmamente de volta ao seu lugar enquanto a pônei cor-de-lavanda se dirigia para o centro da mesa. Rarity a estava acompanhando logo atrás. Já Rainbow Dash planou levemente pelo ar e pousou em uma cadeira do outro lado da mesa.

Porém, Twilight encontrou um reconhecível corpo barrento que surgiu não mais que de repente ao seu lado. Rarity também percebeu e assustou-se um pouco. E, quando ela o reconheceu, conseguiu ficar mais pálida que sua própria pelagem.

Capitão Stubborn estava ereto, bem ao lado de Twilight Sparkle. Ele a olhava do alto, baixando levemente a cabeça, com os olhos baixos e nariz reto. Twilight encarava ele de volta erguendo a cabeça e um queixo suspenso. Seus olhos púrpuras alfinetavam os olhos sombrios de Stubborn, quem não esboçava uma sequer reação; como sempre. Rarity engoliu seco, meio nervosa. Ela não sabia realmente se Twilight estava preparada para conversar ou até mesmo olhar para o bruto convidado que apenas a prejudicava moralmente de seus atos mesquinhos e egoístas. Isso a preocupou um pouco, será que Sparkle vai se estressar novamente e se exaltar?

— Nossa Dedicada Aprendiz da Princesa parece recuperada. — disse Stubborn para começar. — Trouxe a responsabilidade e maturidade contigo?

— Não só isso: Boa noite, Capitão Stubborn. Vossa presença será importante para a reunião de hoje. Se possível for, após ela, gostaria de conversar com o senhor em particular. Acredito que tenha mesma coisa em mente.

Stubborn ergueu uma sobrancelha — Deveras tenho e desejo, Nossa Perceptível Aprendiz da Princesa. Terá minha total atenção após a reunião, caso queira. Espero receber o mesmo de Vossa Faladora Aprendiz da Princesa.

— Com a maior certeza receberá. Disso não terá a menor dúvida. Ficarei lisonjeada em ouvir o que tem a dizer. Se me der licença, preciso começar o que o senhor está atrasando. — ela assentiu cordialmente com a cabeça e se virou, trotando em direção a sua cadeira na ponta da longa mesa.

Stubborn ficou parado, olhando para a nuca de Twilight Sparkle conforme ela se distanciava dele. Ela impôs sua atenção no que era mais importante no momento: A reunião. O que quer que os dois queriam falar, isso era para mais tarde.

Rarity também ficou um pouco imóvel; seus olhos azuis-diamantes brilharam com uma certa intensidade. Esse pequeno encontro foi o suficiente para ela orgulhar-se de sua amiga e de seu novo autocontrole.

— Incrível como ela cresceu de uma hora para outra. — pensou Rarity, erguendo um esperançoso sorriso — Está realmente mais confiante de seus atos do que antes; ela tinha medo até de dar o primeiro passo. Até onde você vai, Twilight Sparkle?

Ela aproximou-se de Stubborn bem devagar, para não chamar atenção. Rarity se sentia resoluta por alguns momentos, meio receosa se ia levar ou não uma patada moral daquele montanhoso indivíduo.

— Acho que deu certo, Capitão. — disse Rarity, aos sussurros, com o casco ao lado de sua boca — Realmente achei que não ia funcionar o que o senhor pediu para nós fazermos. Estava enganada; gostaria de agradecê-lo por se preocupar e ter ajudado minha amiga.

Stubborn permaneceu sério, ainda encarando a unicórnio cor-de-lavanda sentada em sua cadeira que folheava os papéis, organizando seus pensamentos e planos. Rarity demonstrou-se um pouco nervosa por estar ao lado dele. Sua fronte branca começou a ficar um tanto oleosa por causa do suor frio.

— Saiba que eu mesmo poderia ter feito isso. — disse ele finalmente numa voz grave, mas baixa.

Rarity virou seu rosto, surpresa em ouvir uma resposta dele.

— Mas, para ela, eu não sou ninguém. Até porque seus atos de hoje fizeram com que tivéssemos uma relação muito atrita. Nossa Nervosa Aprendiz da Princesa não me ouviria, a não ser de suas mais próximas amigas. A Vossa Gentil Estilista e Nossa Atlética Pégaso eram as melhores opções para trazê-la ao bom senso. Não há mais nada com que se preocupar com ela. Vou assumir a responsabilidade por ela a partir de agora. Com licença. — Stubborn virou seu rosto para Rarity e assentiu levemente com a cabeça; uma singela despedida.

Rarity ficou sem ações, mas respondeu de volta com um mesmo aceno com a cabeça. Stubborn a deixou e foi se sentar em seu lugar, perto de Sparkle, onde ele possa ver e ouvir bem.

A pálida unicórnio ficou boquiaberta; aquele bruto simplesmente foi gentil com ela? “Vossa Gentil Estilista”? Finalmente ela conseguiu identificar um elogio daquele corcel barrento. De alguma forma, ela se sentiu realizada com aquele título. Não era um grandioso título como ela realmente gostaria que fosse, mas ainda assim era adorável.

Mas Rarity não podia parar para pensar: Por que ele estava sendo gentil agora? O que aconteceu para ele repentinamente mudar de comportamento, assim como sua amiga Twilight Sparkle? Como assim “assumir a responsabilidade por ela”? O que está havendo? E qual é o plano dele?

Twilight Sparkle chamou-lhe pelo nome com educação. Rarity se sobressaltou e olhou ao redor, saindo de um curto transe. Ela percebeu que apenas ela restava no espaçoso cômodo para se sentar; até a Pinkie Pie, que estava meio sumida desde que foram para a cozinha, estava lá sentada ao lado de Stubborn. Ela riu nervosamente, desculpou-se e foi se sentar em seu lugar.

Twilight Sparkle limpou sua garganta — Boa noite e agradeço a presença de todos. Perdoem-me pelo o que aconteceu esta noite se deixei muitos pôneis preocupados comigo. E digo-vos solenemente: Estou muito melhor agora e peço para que não se preocupem. — ela olhou nos rostos dos convidados presentes, alguns pareciam estar aliviados mas outros nem tanto.

— Já li os papéis que a Srta. Prefeita organizou para mim — Twilight agradeceu a Prefeita e a mesma agradeceu de volta, trocando acenos com a cabeça — e darei as funções e tarefas oficiais para todos. Mas antes preciso fazer a chamada para registrar suas presenças.

Twilight acendeu seu chifre com um brilho roxo. Ela levitou um pergaminho enrolado da mesa e o desenrolou. Com uma pena flutuante, começou a marcar as presenças pelo topo da folha. Os nomes estão organizados brevemente em ordem alfabética: Applejack; Pinkie Pie; Prefeita; Rainbow Dash; e Rarity. Cada nome citado foi perguntado e respondido com um “presente”; e Sparkle marcava-os ao lado. Twilight observou os convidados extras que estavam, no momento, fora de sua lista: Capitão Stubborn, que estava ao seu lado com a mesma expressão irritante de sempre, e Foreign Eye, que estava sentado na ponta do outro lado da comprida mesa entre os dois.

Sparkle olhou para Foreign com os olhos levantados e nariz apontado para o pergaminho. O rosto cremoso dele estava calmo, mas seus olhos celestes a encaravam com uma súbita dúvida. Ela não entendia essa atenção dele sobre ela, mas ainda acreditava que seja pelo vergonhoso ocorrido momentos atrás. Twilight abaixou os olhos com tristeza e escreveu os nomes manualmente na lista. Marcou-os em seguida, confirmando suas presenças, e descansou a pena no tinteiro.

Foreign percebeu que algo a incomodava. Ele ainda sentia preocupação pela saúde de Srta. Sparkle, novamente por causa do ocorrido, mas sua preocupação não era por pena. Estava apenas incomodado. O elegante corcel ia dizer algo, mas ficou resoluto. Encostou-se na cadeira e mudou sua atenção para as seguintes palavras de Sparkle.

— Todos estão presentes. — com um outro brilho mais intenso de seu chifre, o pergaminho se desfez no ar com um flash branco; suas energias realmente pareciam revigoradas — Vou começar a oferecer suas tarefas para amanhã.

Sparkle acendeu novamente seu chifre com um brilho roxo e papéis que estavam diante dela foram distribuídos numa roda reta e organizada; essa roda girou por sobre a mesa, diante dos convidados presentes. Cada papel flutuante estava destinado ao dono da tarefa; alguns receberam grandes maços, outros poucos. Applejack recebeu a menor pilha porque sua tarefa já era óbvia: ela cuidava dos mantimentos da cidade com a fazenda de sua família. Nas folhas que recebeu, apenas continha números de lotes e identificação para separar os produtos e endereços para entregá-los e armazená-los. Já Pinkie Pie ganhou a maior das brochuras, contendo vários preparativos, brincadeiras, aperitivos, receitas, drinques e guloseimas que ela tinha que providenciar com os Cakes. Ela bateu os cascos alegremente — não pela pesada pilha de tarefas diante dela, mas pela mágica que Twilight executou de forma surpreendente —. Uma pilha menor que a da Applejack foi entregue ao Stubborn e à Rainbow Dash: nenhuma folha foi passada para eles.

— Hã… Twilight? — perguntou Rainbow, confusa — E então? Cadê minhas tarefas? Vai me dizer que pretende me deixar de fora?!

— Sua tarefa creio que você já sabe, Rainbow. Não é necessário de papel para entregar-lhe. Apenas minha confiança e de todos é o suficiente.

Todos na mesa acenaram com a cabeça, concordando; juntamente com sorrisos, vindos dos mais íntimos.

Rainbow coçou um pouco a nuca, — Hehe. Tá certo, então.

— Além de, creio eu, que o Capitão Stubborn já possuí outras tarefas em mente para amanhã e nos próximos dias. Ele irá passar essas tarefas para você, já que os dois vão trabalhar juntos. Não é verdade, Capitão?

Stubborn suspirou com desdém — Sim, é verdade. — grunhiu ele — Portanto esteja bem preparada, Nossa Atlética Pégaso, — ele olhou para Rainbow ao seu lado pelo canto do olho — pois meus rapazes vão chegar aqui para organizar a segurança dos cidadãos e você irá me acompanhar. Isso se conseguir…

— Irei acompanhá-lo até a Lua, se Princesa Luna permitir! Quero ver é você seguir minha sombra! — Rainbow Dash riu com orgulho. Stubborn apenas bufou.

Twilight Sparkle falou por mais alguns longos minutos, tentando explicar o máximo possível sobre os planos para aquela semana e como começariam a pô-los em prática. No final, todos começaram um pequeno debate, oferecendo vossas opiniões; sejam elas pessoais ou não. Pinkie Pie era — surpreendentemente — uma dos poucos convidados a falar. E, quando falava, era com piadinhas, brincadeiras e até dava ideias “super-hiper-mega-divertidas” para os visitantes quando chegarem a Ponyville. Muitos não se irritavam ou ficavam nervosos com sua atitude infantil na reunião pois ela declarou que sabia perfeita, confiante e mirabolantemente o que tinha em mente e o que fazer amanhã. “Afinal, é amanhã que começa o trabalho; não há porque se preocupar com ele agora”, ela afirmava.

Rarity disse sua opinião quanto a organização e os preparativos dos eventos, citando assentos para o palco, hospitalidades para os visitantes, mesas numeradas e ordenadas para as reservas. Ela era bem cuidadosa nessa parte; queria o máximo de conforto e praticidade para eles. Rainbow Dash até ajudava em suas ideias mas também alertava quando Rarity queria enfeites e efeitos mirabolantes como tochas, grandes painéis, longos laços por toda vila ou mesmo fogos de artifício. Twilight escutava todos os argumentos; aprovava e rejeitava quando necessário. Alguns momentos Foreign Eye se pronunciava e dava sua opinião em itens que Twilight aceitava e rejeitava, refavorecendo e dando mais uma chance de ela, quem sabe, mudar de ideia.

A tarefa de Foreign era auxiliar Sparkle na organização para não ficar afobada e não tomar decisões precipitadas. Ela acatava o que Foreign argumentava, como também ignorava quando não havia sentido para mudar de ideia. Os dois pareciam meio receosos um com o outro ainda. Sparkle fazia o possível para não ser turrenta ou infantil na frente dele e tomar uma atitude mais madura; já Foreign não sabia ao certo se a ajudava manualmente ou se apenas a orientava de longe. De qualquer forma, ou um ou outro meio iria fazê-lo se aproximar de Twilight Sparkle; isso infelizmente o incomodava.

O debate perdurou pelos restos das horas que podiam usar naquela noite. Quando começaram eram 21:12 da noite — isso são mais de uma hora de atraso! —, mas, com êxito e sem mais interrupções, conseguiram pôr os assuntos a mesa e o carimbo nas folhas antes das 23:00. Algumas suspiraram cansadas, outros bocejaram num alívio momentâneo.

— Acredito que já deu por hoje, amigos. — disse Twilight com os olhos um pouco caídos, mas tentava mantê-los bem abertos — Estão dispensados. A reunião acabou. Vejo todos vocês amanhã bem cedo no Sweet Apple Acres. Temos, ao todo, alguns dias para quando começar o Grande Evento. Obrigada e uma boa noite a todos.

Pôneis aplaudiram com uma satisfatória alegria, mas já começaram a se levantar das cadeiras e tomar os seus rumos para a saída da biblioteca. Deram-lhes boa noite uns com os outros, tanto verbalmente como em abraços amigáveis. Rainbow Dash, Rarity e a Prefeita foram as primeiras a deixarem a biblioteca para trás e irem rumando para suas casas. Como iam na mesma direção, aproveitaram os últimos minutos para conversarem entre si na calada da noite.

— Que noite mais charmosa e adorável! — exclamou Rarity, olhando pro alto com admiração. — Uma pena que hoje eu prefira dormir mais do que apreciá-la. Foram um dia e uma noite cansativas, até para mim! Se meu sono permitisse e tivesse alguém para me fazer companhia nesta linda noite, faria de bom agrado. — terminou ela com um suspiro sonhador.

Rainbow Dash respondeu com a língua para fora, meio enojada. A Prefeita rolou os olhos com um sorriso torto, apesar de compartilhar da mesma falta e anseio.

Applejack permaneceu mais um pouco para certificar-se de que Twilight estava bem e se não ela não estava escondendo nada. Sparkle, após muita insistência, conseguiu convencê-la de que estava tudo realmente bem.

— ‘Noite, Tualáiti! Druma bem, visse?! — disse a pônei alaranjada, alertando-a uma última vez.

— Boa noite, Applejack. — respondeu ela. — Vou dormir, com certeza. Vou fazer questão de ir em sua casa e puxar seu casco para fora da cama, caso ainda insiste!

Applejack riu um pouco e foi se distanciando. Twilight fechou a porta da biblioteca e a trancou em seguida. Durante sua curta caminhada pela rua noturna de Ponyville, AJ encontrou com Foreign um pouco mais a frente, olhando ao redor. Parecia estar perdido e tentava procurar alguma coisa, mas era difícil enxergar no escuro, mesmo com as fracas luzes dos postes nas ruas.

— Está difícil de ler placas com essas luzes fracas! — pensou ele aos suspiros — Taí uma coisa para conversar com a Srta. Sparkle para resolver amanhã…

Applejack aproximou-se por trás sem ele perceber, — Tá perdido, Nhô Aiê?

Foreign assustou-se um pouco, mas reconheceu a voz de Applejack. Ele se virou para ela, meio envergonhado.

— Pois é, Sinhá Applejack! — riu ele — Acabei de chegar a cidade, mas não consigo descobrir que rua é esta para tentar achar a rua da casa onde estou hospedado. A Princesa Celestia me deu o endereço mas não pude passar lá ainda.

— Bah! Sem pôbrema, Nhô Aiê! Dêxa’vê o nomi da rua, posso ti guiá inté lá, si voismicê quisé.

— Muito obrigado, Sinhá Applejack! Ficaria muito agradecido! — Foreign xeretou um dos bolsos de seu terno com o focinho e mostrou um pequeno papel anotado para Applejack, segurando-o com a boca.

Applejack rapidamente leu o que estava escrito e riu com entusiasmo. — Haha! Conheço essa rua, sim, sinhô! I é caminho donde é minha casa! Podêmo acertá dois coêio numa cajadada só! Acumpanha mais eu! — ela terminou acenando com o casco.

Foreign guardou o papel com um sorriso no rosto e seguiu sua guia Applejack, que já estava um pouco a frente. Eles trotavam em um caminho fofo e campeado em grama verde-escura. Dos dois lados do largo caminho, as casas dos habitantes cresciam a uns dois ou três andares, variando conforme avançavam silenciosamente em trotes abafados sobre a grama irriquieta. As casas eram feitas de madeira, pintadas de branco ou em tom marfim. Pelas arestas ornamentavam com retas em cor madeira ou em vermelho indiano. Seus telhados eram cobertos por colmos secos; poucos deles tinham uma ou duas chaminés em tijolos. Moitas e pequenos arbustos acompanhavam janelas e portas térreas; em alguns tinham flores sonolentas em tons sombrios, outros faiscantes vaga-lumes que dançavam ao redor. Não era possível enxergar as placas que ficavam penduradas nas portas das vizinhanças, mas ainda podiam-se ver janelas abertas e acesas. Sombras fantasmagóricas atravessavam elas, assim como vozes em conversas amigáveis e música calorosa. As lamparinas espalhadas pela rua emanavam uma cor amarelada, o suficiente para abrir caminho pela escuridão das vielas e sombras dessas casas aglomeradas.

— Aliás, Nhô Aiê. — disse Applejack, puxando assunto — Percebi uma coisa quâno ocê chegô nim Ponyville: donde ocê deixô suas coisa; sua mala? Si o sinhô disse qui num havia passado na casa qui tava hospedado? Num mi diga qui o sinhô as deixô jogada puraí?!

— Não, não! Não as deixei por aí. — respondeu ele com uma risada — Veja: Quando a Princesa me chamou, tinha sido uma chamada de última hora. Nossa Majestade me deu a tarefa de vir para cá para auxiliar a Srta. Sparkle nos preparativos para o Grande Evento. Mas tive que vir para cá o mais rápido possível, antes das 20:00, que é quando começava a reunião.

— Hm, tô intendêno. — Istranho a Princesa fazê coisas di úrtima hora… Qui qui será qui tá assucedêno?

— Então: Quando eu cheguei aqui, — continou Foreign — eram quase 20:00; tive que ir direto para a biblioteca, mas ainda assim cheguei um pouco atrasado.

— Tá certo, Nhô Aiê. — ela acenava com a cabeça positivamente — Inté aí intendi, már i suas mala, criatura?! Ficô mi embromâno i num mi disse inté agora!

— Ah, sim! — ele se sobressaltou, com um relapso repentino em sua memória — Bom…. Eu não as trouxe, na verdade! — terminou ele com uma risada meio irônica.

— “Num trôxe”?! — AJ virou para ele, atônica — Oxênte, como ansim?!

— Foi como eu disse, Sinhá Applejack: Saí de Canterlot às pressas e não pude prepará-las. A Princesa me certificou que enviaria minhas malas prontas para Ponyville pela manhã. Então, tomei uma de suas carruagens e vim para cá.

— Hm, tá expricado. Már num tem pôbrema! Aminhã chega suas coisa bem cedinho, si conheço bem uma certa intregadora! — e ela lembrou também — Ah, sim, Nhô Aiê! Num sei si o sinhô já tinha prânos pra tomá café-da-minhã aminhã, már si quisé, pódi passar lá nim casa qui vai tê um bem caprichado pra todos qui tão trabaiando nas construção!

— Maravilhoso, Sinhá Applejack! Com o maior prazer irei! Assim que souber como chegar lá… — terminou com uma risadinha.

— Hehe! Num vai sê difícir! É só prêguntá pra quarquér um na vila: “Cum licença, donde Sinhá Applejack mora?”. Eles vão ti indicá o caminho!

— Hu-hum. Está certo. — disse ele, agradecendo a gentileza da anfitriã — Vou passar lá.

Os dois foram-se caminhando pela estrelada noite da Princesa Luna. Applejack ainda conversava um pouco sobre sua fazenda e sua família. Falou de seu irmão mais velho, sua irmãzinha e de sua avó querida. Também falou de seu trabalho com as safras de maçã quando estavam maduras e o que se podia fazer com elas. As receitas que ela mais adorava eram Cidra de Maçã, caramelizadas Maçãs-do-Amor e não mais que um belo Apfelstrudel. Foreign também falou de uns doces que gostava como Torta de Creme e Bolo de Rolo; uma delícia, até ficou com água na boca só de tentar lembrar o gosto. AJ perguntou mais sobre seu reino de origem, o Reino das Terras Férteis. Esse nome a interessou muito quando leu o livro e quis saber mais sobre seu significado. Muita coisa comentada no seu livro ela já sabia, Foreign percebeu que não adiantava comentar tudo o que já continha lá. Mas Applejack queria saber mais sobre as terras, os campos de lá; se eram tudo aquilo mesmo que ele descreveu naquela grandiosa obra. Seus olhos esmeralda faiscavam em ansiedade para conhecer mais sobre os terrenos férteis e vívidos daquele reino qual todos o titularam como “Mágico”. Foreign suspirou com um sorriso.

Applejack ergueu o casco ao longe para sua esquerda e Foreign seguiu-a amistosamente, enquanto contava sobre seu reino de origem e suas terras.

***

Com um brilho de seu chifre cor-de-lavanda, Twilight Sparkle fechou a porta de sua biblioteca após despedir-se de sua honesta amiga, Applejack, e a trancou logo em seguida. Descansou a chave na cômoda, onde sempre a deixa à vista para o seu fiel assistente abri-la novamente pela manhã, caso precise. Sparkle suspirou longamente e aderiu uma expressão séria em sua face. Ela se virou e trotou para o último convidado que ainda permanecia em sua residência; pois ambos prometeram que permaneceriam para uma conversa em particular.

— Aqui estamos, a sós para conversarmos. Sem interrupções, nem ouvidos enxeridos. Quer que eu comece ou que o senhor comece, Capitão? — ela já esperava que ele se autoproclamaria para dar a primeira palavra da conversa.

— É preferível que a senhorita comece, Nossa Hospitaleira Aprendiz da Princesa. — disse Stubborn com uma surpreendente educação.

Twilight ficou surpresa; uma súbita mudança de comportamento vindo dele. — P-pois muito bem, obrigada. — ela sentou e limpou a garganta, olhando para Stubborn na suspeita. — Após muita conversa com minhas amigas Rarity e Rainbow Dash, cheguei à conclusão que deveria agradecê-lo… pelo que fez por mim quando eu havia desmaiado pelo meu demasiado esforço.

— Fiz aquilo porque não havia mais ninguém para ajudá-la, Nossa Desesperada Aprendiz da Princesa. — disse Stubborn — Ninguém estava preparado para aquilo e você colocou todos numa situação muito desconfortável…

— Eu sei, Capitão, eu sei. — Twilight ergueu o casco, cortando-o — Por favor, não me venha com esses assuntos moralistas pois já escutei o suficiente vindo de minhas próprias amigas, as quais o senhor as enviou para me acudir quando eu mais precisava de atenção. Mas estou agradecendo o senhor porque minha amiga Rainbow Dash pediu para fazê-lo, não porque o senhor merece.

Ele apertou os olhos, aparentemente confuso — “Não mereço”?

— Sim. — respondeu ela com um aceno com a cabeça — Eu sei que o senhor fez toda aquela cena pra cima de mim de propósito; para me ensinar alguma coisa de um forma bruta e moralista. O senhor estava ciente do que estava fazendo naquela hora; diferentemente de mim, que não havia percebido pois estava meio fragilizada. Eu realmente estava com a guarda baixa mas só percebi depois de muito atrito entre nós. Entendo que aquilo foi necessário para eu aprender com alguns erros de minha parte, mas isso não quer dizer que houve apenas erros meus. Não concorda?

Stubborn não mudou de expressão, mas escutava atentamente aquela unicórnio em seu desabafo. — Concordo. — admitiu ele explicitamente.

Twilight contorceu-se por dentro; sua irritação crescente escapou num aperto entre os lábios — Seu… falso! Então você realmente sabia do que estava fazendo!? Grrr!! — grunhiu ela em seus pensamentos.

Twilight suspirou, tentando descontrair — Devo dizer: se não tivesse agido daquela forma para me ensinar, merecia meu sincero agradecimento. Mas não vou mentir pro senhor, Capitão. Aprendi muita coisa com aquilo, mas ainda assim foi bruto demais.

— Compreendo. — respondeu ele, inexpressivo.

— Mas tenho o direito de saber e espero que me responda: Por que fez aquilo? E como conseguiu fazer aquilo?

Stubborn encarou aquela unicórnio, que olhava para ele com uma expressão séria. Não de uma forma raivosa, mas atenta. Ele apenas suspirou, mas respondeu-a com uma voz grave:

— Como fiz aquilo não posso lhe dizer, apesar de Vossa Julgadora Aprendiz da Princesa dizer que merece ter esse direito. O que eu sabia só cabe a mim dizer, mas não direi. Vejo, escuto e conheço coisas que vão além do que Vossa Inteligentíssima Aprendiz da Princesa desejaria saber, mas não merece; para o seu bem. O que sei sobre Vossa Interessante Aprendiz da Princesa é somente o necessário e o que todos conhecem: Uma pônei com habilidades surpreendentes em magia e heroína de Equestria. Derrotou dois grandes e temíveis seres malignos que ansiavam cobrir nosso Reino com escuridão e caos. Possui um poder oculto que vai além de todas as expectativas, sejam elas para o bem… ou para o mal. Você, Twilight Sparkle, é mais desejada do que pensa.

Twiligh já estava impaciente com aquela ladainha toda de “O Escolhido”; “Aquele que vai puxar o mal pela raiz”; “dissipar todo a maldade de Equestria” que Stubborn estava criando para ela. Ela já sabia de tudo isso, com exceção de todos aqueles títulos imaginários e fantasiosos sobre “Poderes Ocultos”. Isso não passava de um mito, uma parábola. Ficar elogiando e limpando os cascos dos pôneis depois de humilhá-los e pisoteá-los é uma estratégia arcaica e sem fundamentos; ela não cairia nessa nem mesmo se ele estivesse sendo realmente honesto naquele momento.

Ele deve saber de muita coisa; Twilight percebia isso. E também se sentia indignada de ele não lhe contar o que realmente sabia sobre ela para ter feito aquele jogo com seus sentimentos. Mas aquele jogo realmente a ajudou muito, em controlar logicamente suas emoções e não prejudicar mais quem está perto dela. Ela não sabia se continuava com aquilo, indo até o fundo disso, mas também queria saber o que ele tinha a dizer sobre o lado dele da conversa.

— E quanto ao “Por quê”? Isso, ao menos, pode me dizer?

— Posso, mas não preciso. — respondeu ele — Vossa Detalhosa Aprendiz da Princesa já deve estar sabendo e muito disso, já que disse que suas amigas a aconselharam.

Twilight gruniu, juntamente com um suspiro forte. Stubborn estava mesmo enrolando para contar o que sabe. E parece que não irá contar a ela nem sob ameaça; se fosse possível. Mas, parando para pensar, ele tinha razão. O que suas amigas tinham dito e aconselhado a ela sobre as atitudes presunçosas e brutas de Stubborn realçavam o significado do “por quê aquilo tudo”. Justamente para eliminar de vez as ações orgulhosas de Twilight naquela e nas próximas noites. Mas, para isso, ele contava com a ajuda das amigas de Sparkle. Ao que tudo indicava, deu certo. Ela, de certa forma, deixou de ser “aquilo” que ela era e estava deveras pronta para enfrentar seu próximo teste.

— Mas ainda não entendo uma coisa: — disse Twilight Sparkle. — por que dessa brutalidade? Quero dizer, o senhor entrou aqui com anseio de conseguir inimizades e falta de confiança de seus companheiros, ou seja, nós. Ao meu ver, isso não é estratégia deveras inteligente para um Capitão, ainda menos para um General. Ainda não me esqueci do trombicão que o senhor deliberadamente causou a minha amiga Rainbow Dash e das suas palavras grosseiras sobre minha mentora.

— Deveras, não é, Nossa Jeitosa Aprendiz da Princesa. — concordou ele, mas alavancou o tom em seguida — Mas a senhorita não é nenhum Capitão ou General para dizer o que cegamente sabe o que é ser um deles. Sobre esse assunto em particular, não direi mais nada.

Twilight nada respondeu; apenas o encarou, meio irriquieta.

Stubborn mudou o tom, agora mais calmo — Quanto a minha brutalidade, esse sou eu agora. Ou adequa-se ou fique fora do caminho. Não tenho que me importar o que Nossa Orgulhosa Aprendiz da Princesa acha que é certo ou o que é errado. O certo é não me perguntar mais nada sobre isso e o errado é continuar a acusar-me de bruto e alteiro contra sua amiga, sendo que Vossa Esquecida Aprendiz conseguiu ser pior.

 Twilight olhou bem para aquele corcel barrento, tentando entender suas últimas frases — “Consegui ser pior”? “Eu contra a Rainbow Dash”? O que ele quis dizer com isso? — pensou ela.

Então ela lembrou. Percebeu no o que Stubborn estava se referindo entre elas. Um atrito, causado por Sparkle contra sua amiga quando ela estava tentando relaxá-la e acalmá-la por causa do atraso da Prefeita a reunião. Ela lembrou das palavras meio ríspidas que disse; lembrou também do rosto celeste e selvagem da pégaso quando sentiu algo formigar em seu peito pela sua desforra; e se lembrou do triste destino do pequeno banquinho de madeira quando ela descontou toda sua raiva nele. Essas lembranças estavam causando remorso a Twilight, algo que Stubborn já esperava.

Sparkle bufou irritada; “Como ele sabia disso?! Ele não estava aqui quando aconteceu… ou estava? O quê mais ele deve saber?”, ela se perguntou.

— Pois muito bem, Capitão Stubborn. — disse Twilight, tentando conter o tom nervoso — Compreendo que o senhor não pode e não pretende me contar o que sabe — por algum motivo… — mas já disse o que queria dizer ao senhor. Agora, o que o senhor tem a me dizer?

Stubborn adotou uma postura reta e encarou a unicórnio de cima — O que tenho a dizer é de extrema importância, Srta. Sparkle. Tanto vindo de mim como vindo de Nossa Preocupada Princesa. É um assunto extremamente restrito aos outros. Apenas eu; as Princesas; Spitfire, Capitã dos Wonderbolts; e você sabem disso. E ninguém mais pode saber. A senhorita tem minha atenção?

Twilight ficou meio resoluta por um momento. — “Extrema importância”? — pensou ela — Princesa Celestia está tão preocupada assim? Por que só agora ele está me chamando pelo meu nome? Seu comportamento está assustadoramente diferente. Estou começando a entender quando Rainbow Dash disse antes que ele não parecia o mesmo, quando se ofereceu a me ajudar. Isso tudo soa muito estranho; ainda mais vindo dele.

— Peralá! — Twilight ergueu o casco contra ele, na defensiva — O que me garante que o quê o senhor está me dizendo é verdade? Pode ser que o senhor tentou me dar alguma lição, até me ajudou quando eu estava desacordada, mas isso não quer dizer que confio completamente no senhor! Sua brutalidade explícita e o desrespeito em minha casa me alerta que você não é digno de confiança! Só porque o senhor “supostamente conversou” com a Princesa, não quer dizer que eu deva beijar o seu casco e dizer Amém!

— Deveras, não. — respondeu ele sem se alterar. Essa sua calmaria irritou Twilight, como se ele esperasse que ela tivesse essa reação. — Somente palavras não vão convencê-la. Muito menos atitudes pois já demonstrei o quê sou.

— Exatamente! — retrucou ela.

— Mas devo lembrá-la do motivo que de eu estar aqui: A Princesa me enviou aqui. Para quê? Para te ensinar, essa é uma das outras verdades. Além de que, se não me engano, ela fez um documento oficial, comprovando que sou um membro do grupo responsável pelo evento; de que conversei com ela; e de que ela sabe quem eu sou.

Isso era verdade; mais que verdade: um fato. Twilight teve que aceitar esse argumento dele. Stubborn estava começando a convencê-la. O seu cartão oficial como membro do grupo e seu nome na carta enviada pela própria Princesa comprovavam que ele estava dizendo a verdade; e sendo honesto — apesar de tudo —. Twilight também não pode esquecer de sua alta hierarquia militar: Capitão-General de Equestria. De fato, ele conhecia a Princesa e ela o enviou para dar suporte; de algum jeito que ela desconhecia.

— E antes que esqueça, Srta. Sparkle: a senhorita deve-me sua atenção, já que eu lhe entreguei a minha.

Para tudo! Twilight olhou bem para aquele meliante. Ele estava confiante de que, depois daquela revelação, ela faria tudo o que ele quisesse. Estava errado; aquilo, para ela, foi a gota d’água.

— “Atenção”?! O senhor não me deu atenção alguma! Não respondeu direito nenhuma das minhas perguntas! Minto! Desviou de minhas perguntas com respostas inúteis! E ainda quer a minha total atenção depois de sua esdrúxula atenção?!

— Minha atenção foi digna, Nossa Incompreensível Aprendiz da Princesa. Ouvi todas as suas perguntas e respondi todas elas; respeitosamente e de total conhecimento obtido para mim sobre elas.

— Mentiroso! — rosnou ela, apontando o casco novamente para o focinho dele. — Você sabe muito mais do que isso, isso eu sei! Só não quer responder!

— Como eu tinha dito: Só sei o que é necessário saber; mais nada além disso. — disse ele sem tirar os olhos de seu rosto, ignorando totalmente seu casco cor-de-lavanda em riste — Devo destacar que quem estava a procura de respostas era a Nossa Curiosa Aprendiz da Princesa. E fomentei sua curiosidade. Apesar de ser a minha vez de falar, a curiosidade continuou em Nossa Inquieta Aprendiz da Princesa; e ela ainda quer saber mais e mais. Então, se me permite, gostaria de continuar ter sua atenção, já que as respostas que procura só eu posso lhe oferecer no momento.

Twilight Sparkle estava se estribuchando por dentro, ela queria arrancar a verdade de uma vez daquela boca barrenta e cheia de cadeados. Ela percebeu que não vai conseguir respostas desse jeito, de forma bruta e rude, e ele não irá colaborar a não ser do seu próprio jeito.

Não havia mais nada do que fazer. Ela sentou no chão e suspirou, incomodada e rendida. Ergueu sua cabeça e o encarou seriamente; ele tinha sua atenção.

Com um aceno positivo com a cabeça, Stubborn tomou um pequeno fôlego.

— Minha real missão para esta vila, Twilight Sparkle, é, não só para proteger os cidadãos desta vila para o que quer que seja ou está vindo silenciosamente, mas para proteger todos os cidadãos expostos a ela aqui. Não estou sendo dramático pois a Princesa me enviou justamente para te mostrar que o assunto é sério. Essa é a minha primordial responsabilidade. Mas, no momento, tenho uma outra; ordenada pela própria Princesa: Te ensinar. Mas, para isso, preciso de sua fiel colaboração.

Twilight pensou um pouco; assimilou bem o que ele havia dito. O que ele poderia ensinar para ela? O que, afinal, ele poderia saber que a própria Twilight não saberia? E que a própria Princesa não poderia ensinar?

No final, acenou com a cabeça positivamente — Claro, Capitão. Tem minha fiel colaboração. — mas ela o alertou com um casco em riste — Mas quero que saiba que não faço isso pelo senhor: faço pelas minhas amigas e pela Princesa, pelo bem de ambas.

Ele assentiu com a cabeça — Não duvido. — Stubborn tomou um novo fôlego, agora num tom mais sério — Vou explicar o plano aprovado pelas próprias Princesas. Não será fácil concluí-lo e exigirá de muita coisa de você. Até mesmo do que a senhorita não tinha, terá de usar de alguma forma. Será perigoso; muito. É isso que irá acontecer daqui em diante…

***

Não se ouvia murmuros pelo lado de fora. Não havia ninguém na calada da noite trevalesca da Princesa da Noite. Apenas luzes artificiais dos postes e árvores e arbustos tremeluzindo à leve brisa; galhos ricocheteando e folhas ondulando. Morcegos voavam em voos rasantes sobre insetos que passavam transeuntemente ou cantavam apaixonadamente.

A Biblioteca, diferentemente, não estava silenciosa; na verdade, estava bastante irriquieta. As luzes e sombras bruxelantes que vazavam das janelas diziam uma conversa; ou uma fervorosa discussão. Eram duas sombras; uma singela e uma monumental, ao que se pode dizer. Não se ouvia nada pelo lado de fora; os grossos troncos em sua estrutura arbórea conservavam o barulho interno; os zumbidos e folhagem dominavam os arredores. Porém as sombras não mais se mexiam.

Um brilho roxo, fraco e delicado, emanou da testa do pequenino vulto. E se intensificava aos poucos, preenchendo as paredes amareladas num tom lavanda. Ela crescia; aumentava; evoluía, de uma maneira assustadora. De repente, um forte clarão púrpura transbordou das janelas e frestas da biblioteca; junto com um estrondoso som abafado pelas grossas paredes. Ele cresceu e se expandiu tanto naquele cômodo que aderiu uma claridade pálida. Rápido como o feixe de luz; brilhante como a mais frondosa estrela. Em segundos, o clarão se enfraquecia e perdia sua arrebatadora existência, deixando restos de claridade cor-de-lavanda e faíscas ondulantes; felizes e satisfeitas.

Algumas janelas que existiam próximas a Biblioteca se abriram e seus residentes deram uma espiada por fora. Acharam estranho aquele suspeito clarão púrpura emergir do nada, assim como desapareceu. Tentaram descobrir de onde vinha olhando pros lados e comunicando com outros vizinhos em outras janelas. Ninguém entendeu também. Infelizmente, não conseguiram descobrir; nem ver mais nada naquela rua. Ao julgar pelas suas sonolentas expressões em seus rostos, não estavam surpresos com o clarão; acontecia tantas coisas bizarras e absurdas naquela pequena vila que um simples flash não era grande coisa. Já estava tarde; estava muito escuro. Resolveram esquecer o que aconteceu e tentar dormir novamente.

Fim do Capítulo Oito

Fanfic, Fanfics nacionais

Sem palavras para descrever – Livro I- Cap. 7 – Algo a Mais

capítulo-sete

Autor: Grivous

Gênero: Normal, Triste, Drama, Romance

Sinopse: ”Em alguns dias, um show será apresentado na pequena cidade de Ponyville, como o último show da carreira musical de uma musicista muito famosa de Canterlot: Octavia. Twilight Sparkle e suas amigas ficaram encarregadas de aprontar os preparativos para o Grande Evento. Os fantasmas de seu passado continuam assombrar a jovem musicista, a ponto de isolar-se do mundo e daqueles que ama. Num único evento, cheio de reviravoltas e grandes emoções, ela está para descobrir algo muito mais do que apenas o fim…”

LIVRO I :

Apresentação

Prólogo

Capítulo 1 – Empolgação

Capítulo 2 – Cascos e Coices

Capítulo 3 – Desinformado e Desinteressado

Capítulo 4 – Convidado ou Intruso?

Capítulo 5 – Casa da Mãe Joana

Capítulo 6 – Recuperação

Capítulo 7 – Algo a mais

Capítulo 8 – Amanhã

LIVRO II:

Capítulo 1 – Caminhada

Capítulo 2 – Muffin

Capítulo 3 – Companhia

Capítulo 4 – Mudanças

LIVRO III:

Capítulo 1 – Ausência

Equestria — Ponyville — Cozinha da Biblioteca, 13 de Fevereiro, 21:09.

Twilight Sparkle fez um incrível trabalho consigo mesma momentos atrás. Foi um autocontrole surpreendente. Digno de sua inteligência.

Ela percebeu que não havia motivos para descontrole emocional, nem em descontar essa sua descarga extrapolada em pôneis próximas a elas. “Pare, Twilight!”, ela gritou consigo mesma em sua mente, “Você não está pensando direito! Pare o quê está fazendo e pense com lógica!”. E foi o quê ela fez.

Não adiantava escrever incessantemente na mesma linha se havia outras linhas de sobra para serem preenchidas. Gastava o lápis, as energias para escrever teimosamente, a visão para tentar ler os garranchos grossos e violentos, e o papel acabava sendo rasgado rudemente. Ela apagou tudo o quê a deixava confusa e começou a organizar os itens presentes que aconteceram naquela noite. Por isso tinha fechado os olhos, relaxou os músculos e focou-se no que era apenas importante.

“Pronto, estou concentrada.”, pensou ela, extremamente confiante, “Agora vamos organizar os itens que tenho em cascos e que precisam de respostas! Devo focar no mais importante; o quê é mais importante agora?! Stubborn? Não, ele não está aqui para que eu possa tirar isso a limpo. Tenho Rarity e Rainbow Dash como testemunhas do quê quer que havia acontecido comigo durante meu desmaio; posso deixar esse item de lado, para mais tarde.”

“Por que a Princesa Celestia o enviou para “ajudar-nos”? Também não posso conseguir a resposta agora. Primeiro porque ela não está aqui; isso tornaria as coisas mais fáceis e rápidas. Segundo porque Spike está dormindo, o quê infelizmente me impede enviar uma carta neste exato momento para a Princesa, perguntando, e não posso atrapalhar o seu sono programado. Ele precisa de um descanso, fez um brilhante serviço por hoje. Posso riscar esse da lista, também. O quê me restou agora?”.

“O quê o Sr. Eye pensa de mim? Uma potranca mimada; carente por atenção e atração alheia. Acho que depois da minha infantilidade e exibicionismo explícito, que causou aquela queda de minha pessoa sobre seu perfeito corpo aerodinâmico, ele se sentiu motivadamente ofendido com minha transbordada teimosia. Claro que você, cabeçuda, machucou as costas daquele transeunte. Ele não vai respeitá-la se continuar desse jeito, jogando-se em cima de corcéis ondulantes! Como você vai conseguir algum respeito deste cremoso cidadão se– Não! Não dá para pensar nisso agora! Não tem como consertar isso! Eu… vou pensar nisso amanhã. Fez mais que o suficiente para ele hoje, Twilight Sparke…”

“Descobrir o quê havia acontecido comigo durante o desmaio? Isso posso conseguir com minhas amigas. Sim. Elas estão fazendo de tudo para me contar o quê houve. Estão até enrolando demais com isso porque… minhas emoções não permitem que elas me digam. Mas não podia evitar! Estava muito nervosa e confusa naquela hora… Na verdade, ainda estou… Você precisa se acalmar, Twilight! Foque-se no que é importante agora: Saber o quê aconteceu!”

Rarity acariciava delicadamente o casco direito de sua concentrada amiga unicórnio. Rainbow Dash também estava ao seu lado, segurando um copo de suco já tomado pela metade; ela olhava para ambas as chifrudas com atenção.

— Tem certeza que está bem, Twilight? — perguntou Rarity, ainda demonstrando-se preocupada com sua amiga — Sei que você está bem recuperada, mas preciso saber se você está apta em ouvir a história sem se exaltar. A última coisa que quero que você faça, querida, é se prejudicar ou ficar nervosa!

Twilight assentiu confiantemente com a cabeça — Não há necessidade de tal preocupação, Rarity. Como disse e confirmo para você: estou bem e disposta a dar toda minha atenção à vocês. Quero muito saber o quê aconteceu. Não me exaltarei, nem ficarei nervosa. Essa sensação já passou, obrigada.

Rarity juntou os cascos, animadíssima — Que bom, querida! Gostei de ouvir! Pois bem, contarei o quê houve. — Rarity limpou a garganta e comportou-se numa postura reta para começar seu discurso.

— Quando você desmaiou, novamente dizendo, ficamos todas desesperadas em ajudá-la da melhor forma possível, mas infelizmente não sabíamos como! Spike estava dormindo em sua aconchegante cama, mas nem pensamos no pobrezinho naquele segundo! Estávamos cobrando conhecimentos para o pônei errado: O Sr. Eye, que estava mais perdido que nós mesmas. Também não culpo o pobre cidadão, ele é um diplomata; e um escritor de primeira! Seria pedir demais de sua capacidade em saber socorrer pôneis desmaiados. Ficamos mais preocupadas e o tempo corria alucinadamente!

— Foi uma confusão total, fiquei olhando tudo lá de cima. — disse Rainbow Dash, querendo adicionar mais informações — Os pôneis correndo pro lado e pro outro, gritando ou falando alto. Não sei como Spike não acordou — o sonho deve estar ótimo para ele… —. Estava difícil tentar controlar a situação ou mesmo acalmar os pôneis ansiosos com gritaria e correria — ela olhou discretamente para Rarity, lembrando de um pônei em específico que mais deu trabalho para acalmar; a mesma apenas desviou o olhar, um pouco envergonhada — Eu mesma tive que descer e tentar fazer todo mundo ficar quieto e pensar numa solução. Afinal, ficar gritando não ajudaria em nada! Muito menos ficar trotando em círculos!

— Isso! — indagou Rarity — Rainbow tentou acalmar todos nós mas estávamos muito nervosas. Spikezinho não estava por perto; Sr. Eye também não sabia o quê fazer; a Prefeita tentou ajudar a acalmar o nervosismo dos pôneis presentes; Pinkie Pie sumiu misteriosamente, mas ainda assim não tínhamos pôneis para ajudar você, Twilight, querida. Queríamos ajudar você!

— E agradeço profundamente por essa preocupação, Rarity. — insistiu Twilight, tentando relaxá-la — Mas e aí? E quanto ao Capitão? Foi neste momento que ele apareceu?

— … Ainda não, Twilight. — respondeu Rarity com uma palmadinha no ombro de Twilight, como quem pede para um pequenino esperar para o climáx da estória.

Rarity estava até um pouco surpresa com Twilight neste momento. A unicórnio cor-de-lavanda citou um título do inominável sem exaltar; como ela havia prometido. Isso a deixou contente.

Ainda assim, Rarity continou — Pelo que me lembro durante minhas… peripécias, ele estava num canto, observando tudo. Ele não estava fazendo nada, só olhando o quê estava acontecendo.

Twilight pensou por um momento — Ele estava apenas observando? Ou será que ele estava… apreciando? — novamente sua desconfiança é demonstrativa.

— Não, Twilight. — discordou Rarity — Ele não parecia estar apreciando o quê estava vendo. Não havia sorrisos maliciosos nem expressões prazerosas em seu rosto.

— Mas não tem como ver suas expressões ou sorrisos, Rarity! Ele simplesmente não as têm! — exclamou Twilight.

— Mas você percebe o olhar. — entrou Rainbow Dash no meio — Ele estava num canto, observando todo mundo e o quê estava acontecendo. Sim, podia até parecer isso, mas você percebe que não estava apreciando nada, como você o acusa, Twilight. Ele estava realmente observando, avaliando a situação. Há mais coisas nele que a gente não sabe.

— Isso, Rainbow. Eu também percebi isso no Capitão. Ele ficou assim por vários minutos. — disse Rarity — Foi então que ele entrou em cena!

— E o quê ele fez? — perguntou Twilight com educação, mas demonstrando-se ansiosa.

Raibow Dash ergueu-se do chão e agiu exatamente o quê ela descreveu, conforme falava — Ele saiu das sombras das vielas da noite, todo posudo e ereto; deu duas poderosas patadas no chão conforme andava e bradou “SILÊNCIO”! — o grito da pégaso ecoou pela cozinha, machucando orelhas alheias — Twilight, te digo: Todos. Ficaram. Parados; como quem fica imóvel durante o bote de algum animal selvagem! Ninguém mexeu uma pata! Em um segundo, ele controlou a situação que eu mesma estava tentando controlar!

— Também te digo que fiquei chocada, querida! Abalou as crinas minhas. — comentou Rarity — Senti um frio na espinha subir como nunca senti antes!

— Aí que abalou geral mesmo: o Brutamontes parecia muito diferente de como era antes. — disse Rainbow Dash — Não sei que bruxaria ou ilusão ele usou na gente — se é que ele pode… — mas que não era ele… não era!

— A primeira coisa que ele fez depois que todos ficaram em silêncio — continuou Rarity — foi trotar em sua direção, Twilight. Você estava deitada meio que desajeitada e sua cabeça estava apoiada nas costas do Sr. Eye. No começo, pensamos que ele ia te fazer realmente algum mau! Queríamos agir contra, mas ficamos, de alguma forma, amedrontadas com ele e sem ação! Até que ele apenas ergueu seu queixo para cima e colocou o ouvido sobre sua boca. Creio eu que ele tentava ouvir sua respiração…

— “Minha respiração”? — pensou Twilight, enquanto passava o casco pelo pescoço, meio desconfortável.

— Depois, — disse Rarity — ele disse “Ela está respirando; isso já é bom. Sua respiração também não está ofegante, o quê é melhor ainda!”. Ele pediu para que o Sr. Eye continuasse deitado para te deixar mais confortável. Tirou um lenço escuro de um dos seus bolsos e enxugou sua testa. Applejack e eu estávamos por perto e ele chamou nós duas. Estávamos meio relutante quanto a bruscalidade, mas avançamos. Ele pediu a Applejack para tirar o chapéu e usar ele para abanar o seu rosto, para refrescar; explicou também que daria um pouco de alívio e “voltaria para nós” mais depressa. Na mesma hora, Applejack tirou o chapéu e fez o quê ele disse!

— Já para mim, — Rarity levou o casco para o peito, — ele pediu para eu dar a volta e apanhar um de seus cascos para massagear. Disse que, massageando uma de suas patas, faria seu sistema nervoso responder por estímulos. Mas não era para apertar de leve; era para apertar como se estivesse apertando uma massa de pão.

— Não sei se conseguiria, mas por você, Twilight, tinha que fazer! E lá me fui: trotando com todo o cuidado para não tropeçar e, de repente, cair em cima de vocês dois! Chegando no outro lado, fiz o quê ele pediu. Eu não sei por quê estávamos fazendo o quê ele pedia, mas, sinceramente, Twilight, eu sentia que era a coisa certa a fazer. Ninguém mais tinha ideias; acredito que valia a pena arriscar esta oportunidade!

— Foi após alguns longos minutos que você acordou — entrou Rainbow Dash — e ficamos todas aliviadas pelo seu retorno. Começamos seriamente a pensar que você ia ficar assim até amanhã!

    Twilight não sabia se ficava embasbacada pela mudança violenta de comportamento deste outeiro indivíduo ou se ficava perplexa pelo conhecimento que esse ser demonstrou para aquela situação. Por que essa mudança? Por que agora? Só porque ela estava em dificuldades? Precisava de ajuda? Mas então por que todo esse desrespeito em sua pessoa? Será que ele fez isso tudo por pena? Havia algum coração-mole naquele corpo de pedra? Ou havia um espírito-de-porco na forma de um bruto corcel? Novamente, isso não fazia sentido algum! Quem cargas d’água era esse pônei?!

 — Eu… — balbuciou Twilight — Realmente estou sem palavras… Não sei nem o quê dizer…

 — Eu já estava sem palavras naquela hora, Twilight. — disse Rarity — Você já deve ter perdido a boca, isso, sim! Coitadinha, desculpe se fomos muito bruscas ao lhe contar tudo isso. Sei que está te deixando muito confusa!

 — N-não, Rarity. Está tudo bem. — Twilight descansou o casco no ombro de sua amiga — Realmente estou meio confusa, mas não posso me deixar fragilizar. O quê vocês me contaram foi realmente inesperado e agradeço pela colaboração de vocês. Me sinto bem mais informada sobre o Capitão do que antes e já sei realmente o quê devo fazer daqui em diante. Algo mais que vocês queiram me contar sobre ele; algo que ainda não sei?

Rarity pensou por um momento. Já Rainbow Dash fez uma careta meio indiscreta e olhou para Rarity com relutância. Rarity completou o elo de olhares com a Rainbow.

Então as duas olharam para Twilight.

— Não, isso é tudo. — disse Rainbow Dash com um aceno negativo com a cabeça.

— Creio que não, querida. — completou Rarity — Como eu disse: Logo depois você tinha acordado e encontrado todas nós ao seu redor. Ah, sim! — lembrou ela de repente — Eu tinha dito que Pinkie Pie havia sumido do nada, não é? Pois bem, ela tinha retornado pouco antes de você acordar e pouco depois que a confusão tinha acabado. Ela estava usando um capacete-protetor vermelho que piscava um farolete em cima. E trouxe com ela a mangueira do jardim, perguntando “Onde é o incêndio?!”. Fiquei com a testa vermelha com a patada que dei em mim, constrangida.

— Vixe, nem me lembre, Rarity! — escarneou Rainbow Dash com desdém — Mas não foi bem isso que Twilight perguntou. Ela queria saber mais sobre o Capitão.

— Isso eu sei, Rainbow! Era só mais um detalhe que não contamos.

— Que, no final, não demonstrou-se muito importante… — terminou Dash.

Twilight suspirou mas sentiu uma fisgada — Ah! Sim! E quanto ao Sr. Eye? Ele está bem?

Twilight não tinha certeza se perguntava isso mas decidiu arriscar. Ela já havia pensado que, se suas amigas soubessem, elas lhe diriam. Mas, como elas não comentaram nada referente — apenas de pôneis que ela não desejava saber — , achou melhor lembrá-las perguntando de uma vez. Agora, ela só esperava que não pensassem em coisas absurdas com isso.

— Tsc, não se preocupe! — disse Rainbow com um sorriso maroto — As costas dele estão inteirinhas! Seu cabeção não causou muitos danos como deveria!

Rarity deu uma cotovelada na pégaso azulada enquanto a mesma dava risadas glorificadas. Twilight coçou a nuca meio constrangida.

— Devo ter parecido uma completa egoísta na frente dele. E irresponsável também. Eu deveria ter dado minha atenção à ele; ele era um convidado. E por causa de certos indesejados… — rosnou ela — deve estar pensando horrores sobre mim.

— É provável, querida. Mais que provável: é um possível! — disse Rarity logo de cara. Parecia nem se preocupar com o que tinha dito e nem evitou-o dizer, como sempre fazia.

Twilight até arregalou um poucos os olhos, ficou deveras surpresa pela inesperada indelicadeza de uma delicada amiga.

— R-rarity…!

— Como também é improvável, amiga. — continuou ela — Mais que improvável: é um impossível! Sinceramente, Twilight, nem você, nem eu, nem a própria Celestia ou Luna pode dizer o que esse ser corcelístico pensa de você. Ele pode estar pensando em mil coisas. Mas, te digo, não como você pensa.

Rainbow Dash acenou com a cabeça — Hu-hum, concordo com a Rarity. Nisso ela tem razão.

— Afinal: ele acabou de te conhecer! E ele já conheceu mil e outros pôneis em sua vida! Ele já deve estar careca de saber que não se deve deduzir de pôneis pelo que aparentam; mas pelo que fazem!

Rainbow Dash refletiu um pouco com essa afirmação de Rarity— Mas… o que Twilight mais tem feito desde que ela o conheceu foi desmaiar, gritar, estribuchar e se estressar! — exclamou ela num tom alto. — Só com isso, eu já pensaria que essa pônei era doida de pedra!

Rarity esqueceu-se disso e ficou meio perdida — N-não entre em detalhes, Rainbow Dash! Foi só por uma noite! Não deve ser grande coisa!

— Ai, por Celestia! — Twilight ergueu os cascos aos olhos, tentando esconder sua vergonha — Já deve estar pensando em trilhões de ofensas e acusações sobre meus atos desta noite…! Me sinto ridícula…

 — Pare de pensar assim, Twilight! Foi só por uma noite! Foram apenas incidentes que aconteceram de repente e você não estava preparada! Nenhum pônei é perfeito!

— Nem vereador… — comentou Rainbow com um olhar maroto.

Rarity bufou e ia dar mais uma patada nela mas Dash conseguiu escapar, desviando-se rapidamente aos arrastos e risadinhas.

— O que estou tentando dizer é, — continuou Rarity, após ajeitar sua crina já um pouco elétrica — Não fique pensando nessas coisas! Você não pode deduzir o que ele pensa. Espere até amanhã, quando o real trabalho de vocês dois começa. E você pode até perguntar a ele ou mesmo se desculpar de alguma coisa! Cavalos piram em éguas que se desculpam ou perguntam coisas!

— H-heim? Como assim? — perguntou Twilight já meio vermelha; bochechas ardidas eram bem visíveis em seu rosto púrpuro. Nem sabia se ria com o “piram”.

— Amiga, por-fa-vor! Sempre funciona! — Rarity demonstrava-se expert no assunto, bolinando nos corcéis formigantes por Ponyville — Eles ficam todos melecosos quando fazemos uma carinha inocente e uma voz fofinha. Deixa qualquer coração-de-pedra virar água, assim! — ela representou um “SNAP” com uma rápida batida com os cascos.

— Pode fazer isso e dizer “Você é um bundão” que eles nem vão notar a diferença! Até concordarão com “Claro, claro, sem problemas”. Uma coisa hilária de se ver! Ah! Uma vez, com aquele pônei com a cor de caramelo… o… o Caramel! Tadinho, teve um dia que me encontrei com ele. Ficamos conversando por vários minutos, adorei o papo dele, todo cuidadoso! Então, chamei ele para dar uma volta. O bichinho ficou todo torto, querida! Disse que não era certo uma dama jeitosa como eu chamar um pônei qualquer para “dar uma volta”; na verdade, ele que deveria fazer isso.

— Olhei bem assim pra ele. — ela apertou os olhos levemente e ergueu um sorriso malicioso, acompanhado de um “Hu-hum, sei”. — No final, fomos dar uma voltinha. Passamos lá na Praça Central para ver o que acontecia. Eram as obras para o palco da musicista que vem para cá, a Octávia. Fiquei com o maior dó! Não do palco, claro! Ele ia ficar divino, maravilhoso! Mas, sim, com os operários, tadinhos. Trabalhando em baixo daquele sol quente e ficando todos suados e… grudentos… Ai! Eca! Não aguento!

Twilight já ficou perdida novamente. Como foi que conseguiram chegar nesse assunto mesmo? Nem ela sabia! Foi bem rápido e cheio de bifurcações e ligações como vários regatos se espalhando por uma floresta de assuntos. O tema principal da conversa foi abruptamente deixado de lado para falar sobre o dia-a-dia cotidiano. Ou, pelo menos, apenas da dona da conversa.

— Tá, Rarity! Já chega! Isso não é hora de conversa! Foco na discussão! — reclamou Rainbow Dash, já impaciente.

Rarity, claro, ficou irritada com a interrupção. — Francamente, Rainbow Dash! — bufou ela — Isso não é jeito de interromper um discurso de quem está ditando! Estava no meio de uma pauta muito importante!

— “Inútil” mudou de nome, por acaso? Isso nem de perto pode ser chamado de “pauta”!

As duas continuaram discutindo conforme o tempo andava. Não de uma forma negativa ou agressiva, mas apenas uma pequena discussão entre amigos; o normal dentre elas. Só que Twilight não dava atenção a discussão delas; ainda estava preocupada com o que o Conselheiro e Diplomata Oficial do Reino das Terras Férteis, Foreign Eye, pensa sobre ela ou suas recentes ações diante e contra sua pessoa. Ainda se sentia envergonhada por ter caído em cima dele e se sentia reprimida por estar sempre demonstrando-se alguém vulnerável ou instável em situações embaraçosas e tensas. O que ele estaria pensando sobre ela? Ela não sabia; injustamente, só ele sabia. Mas a Rarity tinha razão. Ela não deveria se preocupar tanto com isso; agora. Ele mal a conhecia direito. Ainda tinha um longo evento pela frente, pela qual os dois vão ter que passar e enfrentar juntos. Momento essencial para ela saber mais sobre ele e também, se possível, desculpar-se de qualquer constrangimento que ela o proporcionou; ou proporcionará. Twilight suspirou e relaxou. Ela decidiu deixar essas preocupações para amanhã; o dia em que os dois começarão os trabalhos oficiais de seus cargos. Agora tinha que se preocupar com outras coisas que também são importantes: a Reunião de hoje; e o Capitão.

Twilight ergueu-se do chão, confiante. Um movimento brusco e ereto. Ela se viu impressionada que, pela primeira vez naquela noite, não ficou tonta nem perdeu o equilíbrio com esse esforço; suas forças estavam recuperadas. Isso soou dentro dela como uma notícia esperançosa para ela; sentia-se preparada para voltar as suas responsabilidades. Um brilho audacioso faiscou de seus olhos, como duas tochas luminosas de coragem em meio a escuridão de um duvidoso corredor.

— Bom, acho que já me sinto bem melhor agora. Bastante revigorada! E creio que já passamos tempo demais aqui na cozinha. É melhor regressarmos para a Biblioteca.

Rarity e Rainbow Dash pararam sua desinteressante discussão para mudarem o foco de sua atenção para a decisão da unicórnio cor-de-lavanda. Ficarem até surpresas que encontraram-na já de quatro patas. A unicórnio roxa decidiu voltar para aquele cômodo; isso preocupou um pouco a Rarity. Ela ergueu-se de imediato, para perto de Twilight.

— Tem certeza, querida? — perguntou Rarity, com o casco perto ao queixo — Não vai se exaltar quando ver o Capitão?

— Não vou, Rarity. Isso já passou. Obrigada por se preocupar. Não farei nada ilógico a partir de agora. Estou decidida e sob controle!

Rainbow Dash concordou com um sorriso — É isso aí, Twilight! Assim mesmo que se fala! — ela ergueu-se do chão e eriçou as penas e pêlos celestes — Brr! Isso! Vamos logo que o pessoal devem estar mais impacientes do que eu para finalmente dar início a essa reunião!

***

    “Sou vermelho, mas não sou fruta,

    Sou amarelo, mas não sou planta.

    Dou vida, mas também dou fim.

    Desço e subo todo dia,

    Oferecendo tristeza e esperança.”

Applejack coçou um pouco a cabeça, encarando confiantemente para o Sr. Eye — Ha-ha! Facinha essa! É o Sór!

Foreign deu com o casco na mesa, cruzou os dois sobre o peito e encostou-se na cadeira, derrotado — Hunf, correto! — disse ele bufando pelo nariz.

— Ponto pr’êu! Minha veiz, intonci! Xá’vê…

Foreign saiu do seu encosto e ficou de frente para AJ, olhando para ela com grandiosíssima atenção.

    “Gemas cai do cér, nem sempri, nem nunca.

    Rastejam pelo chão i pelos pônei.

    Aterrisam aos monte, nascêno novas i piquenas.”

Foreign coçou um pouco o queixo, mas já tinha a resposta na ponta da língua. Ele apontou o casco para ela — Já sei! Chuva!

Applejack gruniu — Báh! Seu chato!

— Haha! Agora sou eu! Vou inventar uma bem díficil…

— Díficir? Pfft, essa eu quero vê! — escarneou AJ com um tom desafiador. Ele só respondeu com um sorriso no rosto.

    “Círculos me apoiam, quadrados me atrapalham.

    Peso não é problema, aguento o quê me colocarem!

    Vou até onde me levarem, desde que o caminho sabem!”

Applejack riu gloriosamente — Isso é díficir?! Isso é o qui mais tem lá nim casa! É uma carroça!

Foreign se sentiu ingênuo, falar de carroça com uma pônei que vive cercado por elas todos os dias. Ele deu com o casco na testa — Caramba, é mesmo! Droga…!

— Agora se sigura qui vai sê pra valê!

    “Desço aqui, desço acolá.

    Num importa donde deito, ali eu fico!

    Levo anos pra oferecê, e quâno ofereço,

    Eu desço novamenti!”

Agora o bicho pegou; essa era realmente difícil! Foreign ia responder de imediato — competindo em quem responde mais rápido — mas não podia arriscar. Ficou babulciando surdamente por alguns segundos, virando e desvirando os olhos pela mesa. O que desce e permanece lá? E ainda demora anos para oferecer. Mas o oferecer o quê? E quando oferece, desce novamente? Essa o pegou de jeito.

Applejack já estava confiante — E aí? Diga si num é boa essa!

Foreign teve que admitir — Hehe, pois é, Sinhá Applejack! Díficil mesmo… mas eu vou responder! Preciso pensar um pouco…

Ele pensou novamente no texto. Há algo escondido no meio dessas palavras, como qualquer adivinha que fizeram até agora, mas essa era bem trabalhada. Não era à toa quando Applejack afirmou a ele que ela era uma expert nesse assunto. Sua família brincava e praticava isso desde sempre no vilamente comentado Sweet Apple Acres. Ela deve conhecer inúmeras adivinhas contra o escarço estoque de Foreign. Mas ele tinha que se concentrar nessa adivinha.

Como Applejack havia lhe contado, ela e sua família criavam adivinhas para brincarem durante o fim de semana, dias em que não havia trabalho com as safras de maçã e nem mesmo aulas para frequentar no colégio. Ela, seu irmão mais velho, sua irmãzinha e sua avó planejavam adivinhas durante a semana, mas também podiam criar adivinhas na hora com o quê estiver ao seu redor se, por algum momento, acabarem. Foreign pensou nesse recurso e olhou em volta. Ele olhava em volta e pensava no texto em sua cabeça. Livros, pergaminhos, estantes, mesas, cadeiras, lamparinas, Stubborn, vasos, flores, Prefeita. Nada combinava no texto; nem ao menos chegava perto de seu significado oculto.

— Ela não criou essa adivinha agora. — pensou Foreign — Nada que tem aqui faz sentido. A Sinhá Applejack já a tinha em seu repertório. Mas no que ela se inspirou para criá-la? E onde?

Foi então que ele sentiu uma fisgada, isso fez com que seus olhos brilhassem em êxtase. — Claro! Como foi que não pensei nisso antes! Faz todo sentido! — pensou ele.

Sr. Eye olhou para a Applejack como quem descobriu a verdade absoluta para todas as coisas. A mesma percebeu o seu olhar e não ficou feliz com isso.

— Maçã! — disse ele, com ar de vitória em seu peito — Essa é a resposta! Maçã!

Applejack emburrou-se na cadeira, — Báh! Ocê descobriu! Essa era uma das mais dífcir qui eu inventei! Vai, sua veiz di novo. Vô acertá di primêra!

— Desculpe, Sinhá Applejack. Mas meu repertório de adivinhas já acabou.

— Már já?! — disse ela num tom realmente surpreso — Már eu inda tinha uns vinte já preparado! Ocê num tem mais?

Foreign teria ficado boquiaberto, mas foi interrompido pela presença inesperada da Prefeita ao lado deles. Os dois se exaltaram por um segundo mas se recomporão.

A Prefeita olhava para eles com seus oclinhos meia-lua e uma sobrancelha erguida — As crianças já leram suas tarefas para estarem brincando? — disse ela, porém num tom educado.

Applejack ergueu o casco — Már é craro, Sinhá Perfeita! — disse ela, animada — Nóis tâmo cienti do qui devêmo fazê aminhã, már só tâmo passando o tempo até a vórta de Tualáiti. Afinar, num podêmo fazê o qui nus foi intréguê sem a provação dela!

A Prefeita acenou com a cabeça positivamente, — Está bem, Srta. Applejack.

— Már mi diga uma coisa, Sinhá Perfeita: I a Tualáiti? Cumé qui ela tá? Ela tá bem?

— Desculpe, Srta. Applejack. — respondeu a Prefeita tristemente — Não posso dizer ao certo. Srta. Rarity e Srta. Dash ainda não voltaram com ela desde que foram para a cozinha. Não estou querendo dizer nada, mas acho que a Princesa cometeu um erro ao colocar a Srta. Sparkle num cargo com tanta responsabilidade. Isso a deixou realmente estressada.

— Nisso eu caicordo, Sinhá Perfeita. Mas tamém discordo! Tualáiti é uma pônei bem isforçada e jeitosa. Eu quêrdito qui ela si sairá bem no qui tá passâno. Ocê vai vê!

— Queria mesmo acreditar nisso, Srta. Applejack. Mas não posso ser precipitada. A noite ainda não acabou e a reunião nem começou também. O jeito mesmo é esperarmos.

— Isso, Sinhá Perfeita! — ambas se despediram num aceno positivo e a Prefeita sentou-se em seu lugar, avaliando mais alguns papéis e separando-os.

— Acho melhor checarmos como a Srta. Sparkle está. — Foreign preparou-se para se levantar quando um casco alaranjado pousou em seu ombro, forçando a se sentar novamente.

— Sentá aê i si aquiéti, Nhô Impacienti! Num vá si ingraçá cum assunto di égua… — disse ela num tom brincalhão.

— Não, Sinhá Applejack! Com certeza, não pretendo! — defendeu ele com uma risadinha — Mas devo dizer que a Srta. Sparkle está demorando muito e me preocupo com seu bem-estar.

Applejack olhou para o cortês convidado e apertou as pálpebras, na suspeita — I pruquê ocê si percupa?

A pergunta dela soou meio estranho para Foreign, mas ele respondeu — Bom, por causa de seu estado há uns momentos atrás. Sinceramente, Sinhá Applejack, nunca vi isso acontecer a um unicórnio antes! Fiquei realmente surpreso.

— É di ficá surpreso, sim, Nhô Aiê. Essa Tualáiti é uma pônei muito isforçada, o sinhô já devi di ter precebido.

— Mas a senhorita fala como se ela fizesse isso o tempo todo. É normal isso?

— Ora, craro! Pruquê falaria o contrário?

— Esse é o porém que não compreendo, Sinhá Applejack: Por quê ela faz isso? Por quem? Há um motivo por trás de tudo isso que ela faz, a ponto de se desgastar daquele jeito?

— Agora sigura éssas rédea, sinhô! — AJ ergueu os cascos para ele, na defensiva — Isso num é coisa procê perguntá pra mim i nem é di eu respondê procê! Isso é coisa di Tualáiti i num tênho direito di falá essas coisas. Isso serve pro sinhô tamém! Discurpa a indelicadeza, mas o sinhô num é ninguém pra mi perguntá isso i nem do sinhô sabê! Portanto, num falarei um “A”.

Nesse momento, o rosto de Foreign ficou mais vermelho que um tomate maduro; ele foi muito indelicado e acabou perguntando coisas muito pessoais de Twilight Sparkle, e estava usando sua amiga para perguntar essas coisas — P-perdão, Sinhá Applejack! Fui muito intrometido perguntando essas coisas para sinhorita. Realmente eu não devia; e não irei. É que, como irei explicar…?

— Eu intenô qui o sinhô é curioso, Nhô Aiê. — respondeu ela num rosto assustadoramente calmo.

— Não, não é isso! Digo… pode ser também, mas não do jeito que a senhorita está pensando.

— I no quê tô pensanô? — perguntou ela, com uma sobrancelha erguida.

— Que eu sou um interesseiro; ou até mesmo um intrometido, me metendo na vida de outros pôneis sem dar nenhuma satisfação ou motivo aparente. Peço perdão pela indelicadeza…

— Si eu num conhecesse o sinhô, eu pensaria nisso, sim. Sem dúvida arguma. — ela respondeu com sinceridade — Mas eu conheço o sinhô, principalmente do qui o sinhô anseia i procura.

O corcel elegante olhou bem para ela, confuso — Como assim?

— Eu sei qui ocê preguntô isso por ser curioso, mas num bão sentido da palavra. Sei disso pois, como já comentei antis co sinhô, li seus livro, “Époluça É Logo Ali Adianti” i “Terras Fértil Pra Lá Di Absurda”. Ocê anseia pruma resposta di vida; motivacionar. Algo qui ti leva adianti. Foi por isso qui adorei seus livro e sei no qui ocê é curioso. — Applejack apoiou os cotovelos sobre a mesa, olhando bem para o rosto de Foreign — Már ocê só é curioso nim coisas qui ti interessam. I quâno o sinhô fingiu ficá lêno aquelis papér, fiquei bastante ofendida. Da próxima veiz, eu espero os papér oferecê um docím pro sinhô.

O rosto de Foreign caiu estapelado no chão, além de ficar mais vermelho do que já estava; não sabia mais por onde se enfiar. Applejack percebeu isso e levantou um sorriso malicioso. Ela o afagou com um tapinha no ombro, seguido por um aviso.

— Tamém digo: Conheço ocê o suficiente pra dizê qui o sinhô num é ansim. Ocê é muito inducado e gentir. Num careci de tê um sentimento tão ruim, már pareci qui arguma decisão vinda do sinhô o fez mudá. I foi uma decisão dificír.

Foreign respirou fundo. Antes suando frio e com a sua extinta elegância estatelada no chão, agora estava até mais calmo, mas relutante. Mas não podia negar da surpreendente gentileza de Applejack em sua pessoa. Ele acenou positivamente com a cabeça. — Claro, Sinhá Applejack. Peço perdão se a tratei daquele jeito meio rude. Mas creio eu que já te expliquei minha real missão para vila.

— Sim, já expricou, sim, sinhô. — respondeu ela com desdém — Qui o “sinhô tá nim negócio i num pretendi pulá a cerca”. Isso cumigo, Nhô Aiê, é cunversa pra boi drumí.

— Mas comigo não é, Stra. Applejack. — disse Foreign num tom duro — Decididamente, não quero me envolver com nenhum pônei.

— E, pro acauso, sê amigo di argum pônei é si involvê? — ela cruzou os cascos, visivelmente incomodada com aquela observação.

Foreign ficou uns segundos em silêncio, analisando o quê dizer depois — Sim, Sinhá Applejack. É se envolver a partir do momento em que a senhorita começa a se familiarizar com um pônei; ser amigo ou amiga dele ou dela.

— Qui era u qui nóis tava fazendo faz vários momento atráis. — lembrou Applejack, qual estava curtindo a diversão que ele também estava proporcionando para ela com as adivinhas — I o sinhô parecia bem alegre com aquilo, por sinar.

— Mas não deveria! Eu… eu não deveria ter continuado com aquilo! — Foreign levou um casco para a testa, tentando enxugar um pouco de suor com a manga do terno já que seu lenço pertencia a outro pônei. — Desculpe se estou te deixando confusa, Sinhá Applejack, mas… sinto que não é o melhor momento para isso! Não quero que pense coisas ruins quais não mereço. — seu rosto estava aderindo uma expressão triste e melancólica; orelhas e olhos caídos e aflitos.

Applejack percebeu isso e tentou acalmá-lo — N-nhô Aiê, sussega! — disse ela meio sem jeito. — Num percisa ficá nervoso.

— Sim, estou um pouco nervoso! Não mentirei para senhorita. Agradeço que nisso a senhorita acredita em mim. E vejo também que não adianta mais disfarçar o quê penso e o quê sinto. Mas… realmente não sei como te explicar porque… é pessoal.

Applejack ficou sem ação. Agora era ela quem se metia na vida dele, com perguntas capciosas e suspeitas. Uma dó emergiu em seu peito ao ver a aflição e derrota daquele corcel, que tentava ao máximo ser cortêz e gentil com todos. Seu rosto triste era de arder em pena; ambos não mereciam essa aflição.

Applejack apoiou seu casco alaranjado sobre o dele suavemente, — Discurpa, Nhô Aiê. Fui muito indelicada co sinhô. Fiz nim defesa de minha amiga pois mi pêrcupo cum ela. Már querdito no sinhô. I si tivê arguma coisa pra mi dizê, pode mi dizê sem medo. Num percisa sê agora; quâno tivê necessidade, é só mi percurá; sô toda ovido.

Foreign sentiu o toque suave do casco da Applejack; o contemplou por alguns segundos pensativo e em seguida vislumbrou seus olhos-esmeralda numa apreciação agradável de sua gentileza. Ele se sentia muito nervoso com as supeitas sobre sua pessoa, mas ele não era um, digamos, um “pônei mau”. Apenas sua escolha e decisão tomou essas acusações ao seu favor. Ele não queria mais essas suspeitas surgirem contra ele novamente; não as merecia. Foreign achou melhor parar com essa teimosia e acatar; pelo menos com ela.

Ele suspirou, de certa forma, aliviado — Claro, Sinhá Applejack. Procurarei por seus ouvidos e atenção quando for necessário.

— Com certeza. — uma voz seca surgiu entre os dois, como se uma assombração pairasse em meio deles. — Pois há coisas mais importantes a serem preocupadas agora.

Foreing e Applejack assustaram com a voz carrancuda que revelou-se do nada e olharam para sua fonte: descobriram um corcel em trajes sombrios, escondido em seus pontos-cegos. Estava olhando e escutando o que suspostamente estavam fazendo e conversando. Foreign se sentiu extremamente invadido e uma palidez atingiu seu rosto cremoso. Mas Applejack apenas fechou a cara e ergueu o rosto contra o gigantesco indivíduo.

— Êta, intrometido! — disse ela numa voz nervosa; ela não gostou nem um pouco desta invasão — Vá assustar ânsim na casa da vó! Qui qui ocê qué, qui num pudia si pronunciá antis, seu abelhudo?!

— Não tenho por que me pronunciar diante de um cochicho entre dois pôneis. — respondeu Stubborn, num tom calmo, mas rouco — Até porque pode ser útil para alguma coisa. Mas fazer sussurros ou conversar de algo pessoal num ambiente cercado por pôneis é burrice e verdadeira indelicadeza de ambos.

— Só si fô pra ocê, metêno o nariz donde num é chamado! — Applejack ainda estava ofendida pelas escutas indesejadas deste intrometido.

— Não se engane, Nossa Caipiresca Companheira: não vou usar o que quer que escutei ou pensei de vocês em vocês mesmos. Estou aqui para protegê-los; não para tirar vantagem.

— Acho bão, viu! — rosnou ela, com o casco apontado na fuça de Stubborn — A úrtima coisa qui quero é tê uma sombra extra rastejando atrais di mim! O sinhô tem um jeito muito istranho di portegê os pônei i num cunfio nisso nem um tiquinho.

— Não é preciso. — disse Stubborn, abaixando gentilmente o casco de AJ de seu rosto barrento — Mas digo que estarei de olhos e ouvidos bem abertos. Paras as boas e más bocas.

Applejack respondeu com uma bufada raivosa entre as narinas. Stubborn olhou no canto de olho para Foreign, o elegante ainda estava constrangido; até desviou o olhar fugitivamente. O grande corcel virou seu corpo e deixou os dois quietos finalmente. Foreign soltou um aliviado suspiro pelas narinas.

— Eu não entendo o Capitão. — disse Foreign, descontraindo — Nem sei se acredito no que ele acabou de dizer…

— U qui ele disse é vrêdade. — respondeu Applejack, porém com desdém.

Foreign olhou para ela na suspeita. — Sério? Tem certeza, Sinhá Applejack? Não creio que ele esteja realmente dizendo a verdade com aquelas atitudes presunçosas… e um tanto brutas, por assim dizer.

— Sim, tenho certeza. Ele tava sêno honesto, e isso me incomoda. Num sinti um pingo di mintira im seu discurso meia-boca.

Foreign se sentia confuso. — Mas não faz sentido, Sinhá Applejack. Se ele estava sendo honesto, por que dessas atitudes grosseiras? Creio que que a senhorita não esqueceu o quê ocorreu com a Srta. Dash quando ela “o recebeu”.

— Num, num mi esqueci. — disse AJ com sinceridade. — Már si ele agi assim, é pruque ele si tornô ansim; argo o fêz sê u qui é hoji.

Foreign aproximou de Applejack e perguntou aos sussurros — E o quê poderia ser? — isso estava ficando assustadoramente intrigante para ele.

— Num sei, Sinhô Aiê. Isso é coisa deli. Si quisé, pódi í lá mêrmo perguntá à ele…

— Por Celestia, não! — respondeu ele, nervoso e sacolejando os cascos negativamente — O-obrigado pela opção.

Os dois permaneceram em silêncio por um tempo. Não conversavam mais; já tinham conversado o suficiente naquela noite. Agora estavam refletindo o que aconteceu e o que acontecerá em seguida. Foreign ainda não parava de pensar na saúde de Srta. Sparkle. Ele, quando estava por perto para socorrê-la da queda, podia sentir a tensão que ela se encontrava e isso o afetou significativamente. Era a primeira vez que ele via isso acontecer a um unicórnio; afinal, ele mesmo é um e jamais o aconteceu algo assim. Foreign sentiu durante o desmaio de Twilight uma sensação de calor em sua nuca — grandes chances de ser febre —, além de que ela tremia um pouco. Foi uma aflição presenciar isso de perto e não poder fazer nada. Será que ela está bem? Ou vai ficar bem?

Applejack o conheceu hoje e já parecia que o conhecera há mais tempo. O seu jeito de cumprimentar os outros, com respeito e educação, demonstra que ele não tem desejos nem ambições maldosas ou egoístas. Ou ao menos aparentava não ter. Podia estar fingindo essas atitudes, enganando pôneis e distorcendo suas realidades. Mas AJ podia sentir mentiras de longe. As brincadeiras e o jeito amigável que ela possuí é efeito disso; é assim que ela descobre os reais sentimentos dos pôneis que ela conhece. Quando ela conversou com Foreign, percebeu que algo estava de errado com ele, apesar de toda a elegância e gentileza. Ele disse que estava apenas a negócios e não queria se “envolver” com ninguém. Mas isso foi uma decisão da mente dele; seu coração era contra. Tanto que ele aceitava suas brincadeiras com fervor e se divertia com elas. Isso quebrava a decisão que tomou; em ser ignorante e passivo. Mas ele não era assim; ele era alegre, divertido e muito amigável. Essa escolha amarga que fez quando chegou em Ponyville obviamente foi por causa de seu trabalho como Conselheiro e Diplomata Ofical do Reino das Terras Férteis. Applejack achava isso errado e definitivamente uma difícil e tola decisão. Mas era o que ela achava, não o que realmente dizia. Ela gostaria de conversar mais com Foreign a respeito disso, tentar ajudá-lo de alguma forma; como uma amiga.

— Boa noite a todos. — uma voz feminina e reconhecível pronunciou-se no cômodo.

Todos os pôneis presentes e atenciosos se viraram ao encontro da voz familiar. Era Twilight Sparkle, erguida de suas próprias patas, acompanhada de Rarity e Rainbow Dash logo atrás. Ela saía da batente do estreito corredor que ligava a cozinha e adentrava a larga sala principal de sua biblioteca, onde seria a reunião daquela noite. Suas amigas e companheiras responderam chamando-a pelo seu nome em felicidade. Muitas narinas suspiraram aliviadas e olhos brilhavam com alegria; mas apenas um rosto estava neutro dentre as demais.

Fim do Capítulo Sete

Fanfic, Fanfics nacionais

Sem Palavras para Descrever – Livro I – Cap. 6 – Recuperação

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Autor: Grivous

Gênero: Normal, Triste, Drama, Romance

Sinopse: ”Em alguns dias, um show será apresentado na pequena cidade de Ponyville, como o último show da carreira musical de uma musicista muito famosa de Canterlot: Octavia. Twilight Sparkle e suas amigas ficaram encarregadas de aprontar os preparativos para o Grande Evento. Os fantasmas de seu passado continuam assombrar a jovem musicista, a ponto de isolar-se do mundo e daqueles que ama. Num único evento, cheio de reviravoltas e grandes emoções, ela está para descobrir algo muito mais do que apenas o fim…”

LIVRO I :

Apresentação

Prólogo

Capítulo 1 – Empolgação

Capítulo 2 – Cascos e Coices

Capítulo 3 – Desinformado e Desinteressado

Capítulo 4 – Convidado ou Intruso?

Capítulo 5 – Casa da Mãe Joana

Capítulo 7 – Algo a mais

Capítulo 8 – Amanhã

LIVRO II:

Capítulo 1 – Caminhada

Capítulo 2 – Muffin

Capítulo 3 – Companhia

Capítulo 4 – Mudanças

LIVRO III:

Capítulo 1 – Ausência

———

Equestria — Ponyville — Interior da Biblioteca, 13 de Fevereiro, 20:48.

Houve um longo silêncio escuro para a unicórnio cor-de-lavanda. Estranhamente ela não sentiu nada quanto ao impacto contra chão de madeira morta. Acreditava que não tinha nem mesmo energias para sentir alguma dor. Quanto ao silêncio, ele logo se escondia com o surgimento de estranhos barulhos ínfimos em coro que estava surgindo em sua mente. Aos poucos, junto com o crescente número de vozes preocupadas, sua visão começava a ficar nítida. Já reconhecera o teto alto de sua biblioteca; as luzes das lamparinas voltaram para os seus olhos. Virando um pouco a cabeça, ainda que sua visão estivesse meio turva, encontrou os rostos de várias pôneis nervosas ao seu redor. Ela reconheceu Applejack, que estava com seu chapéu em bocas, abanando desesperadamente para lhe refrescar. Twilight sentia que algo apertava seu casco direito suavemente; quase como uma massagem. Aquilo a estava estimulando para despertar de alguma forma; seu sistema nervoso estava voltando à ativa. Em segundos, os rostos familiares tornaram-se uma expressão lívida de alívio. Todas suspiraram felizes ao mesmo tempo.

Twilight tentou erguer um pouco a cabeça, massageando-a com o casco meio trêmulo, mas preferiu ficar como estava: deitada e confortável.

— Opa… aconteceu de novo. Hehe — foi o que ela pôde comentar para descontrair.

— Que coisa, Twilight! Não nos assuste desse jeito! — indagou Rarity, obviamente indignada com a situação toda. — Esta é a última vez que você dispara feitiços complicados e desgastantes! Alguma hora você não vai conseguir levantar-se ou nem mesmo acordar!

Applejack largou e levantou o chapéu para sua cabeça — Ó, Tualáiti. — avisou ela, já com o casco apontado para o rosto de Twilight — É mió ocê si cuidá dessas macumba antis qui faça arguma bestêra das grandi!

— Não são macumbas! São mágicas! — disse Twilight com um tom meio irritado com o comentário de AJ. — E eu estou bem. Só fiquei um pouco zonza, só isso. — Onde já se viu comparar magia com macumba? pensou ela. Mas estava um tanto cansada para irritar-se.

— É, pódi inté tá bem agora! Már num istaria si num fosse o Nhô Aiê pra lhe acudí! Ocê istaria cas venta no chão si num fôsse por eli!

Twilight apertou os olhos, confusa. — O… Sr. Eye?

Bem que ela suspeitava em sentir-se confortável naquela posição; algo macio estava apoiando sua cabeça do chão. Tinha um cheiro agradável… e seu volume estranhamente crescia em intervalos aleatórios; como se estivesse respirando! Na mesma hora ergueu sua cabeça bruscamente e virou-a para ver quem estava apoiando ela. Para a surpresa dela, encontrou o corpo grande de um corcel em trajes elegantes. Virando mais a cabeça, ela vê o rosto cremoso de Foreign, acompanhado com os olhos calmos e celestes, e um sorriso suave em suas bochechas. Twilight olhava para ele de cima para baixo; duas vezes para confirmar; e uma terceira para ter certeza.

Seu cérebro inteligente estava a mil por hora. Uma chuva rápida de perguntas atravessou seu pensamento feminino: “Ele me segurou! Como ele conseguiu me segurar a tempo?! Ele estava tão perto de mim quando me agarrou? Minha nossa, será que eu o machuquei quando minha cabeça caiu em cima dele?! Peraí, então eu caí em cima dele?! Sua lezada!! Como pôde cair em cima de um Conselheiro e Diplomata Oficial do Reino das Terras Férteis?! Ele deve estar decepcionado com sua estupidez vergonhosa e… mas… por que ele está tão calmo e… passivo? Esse seu sorriso… esse sorriso irritante e bobo. Por que ele não está bravo? Ele tem que estar bravo! Quem mais cai em cima de Diplomatas alheios e não ficariam bravos ou machucados? Por que não há nenhuma expressão negativa e repreendedora quanto a minha estupidez? Até parece que ele está aprecian–”.

Foi com essa pausa que, numa ação meio em etapas, Twilight deu um curto e fino grito de espanto, erguendo-se bruscamente do chão, quase que num salto, e subiu um rosa ardente em seu rosto; sua cor-de-lavanda foi substituída por um tom rosado visível e suas palavras ficaram grudadas e quase ilegíveis.

— Milperdõessenhoreyeporminhaestupidezeunãoseioquedeuemmimdigoclaro

queseieuuseiumfeitiçocomplicadíssimoeacabeiexagerandonousodeminhasenergiasqueacabeidesmaiandoemcimadosenhordesculpadesculpadesculpa!

Foreign ergueu-se do chão com uma expressão mista de nervosismo, pois não entendia uma palavra do que aquela unicórnio estava falando, e de susto por causa de sua inesperada reação.

— C-calma, Srta. Sparkle! — disse ele, sacolejando os cascos. — “Por favor, se… se você estiver se desculpado, por favor, não se desculpe! E não se esforce tanto! Antes que–”

Twilight foi brusca demais, acabou cambaleando em seguida e ia novamente de encontro ao chão; suas energias ainda estavam escarças para dividi-las com suas pernas. Foreign ia segurá-la novamente, mas Applejack foi mais rápida, assim como sua repreensão.

— Óiaí! Tá vêno só?! — AJ ergueu Twilight com o corpo em baixo dela numa incrível facilidade; como se ela havia erguido um barril vazio — É disso qui tâmo falâno! Ô ocê cuméça a si cuidá ô eu mêrma vô sê a causa dos seus discuido!

— E-eu estou bem, AJ. Sério! — mentiu ela. — S-só me levantei rápida demais e acabei perdendo o equilíbrio no meio do processo. Mas obrigada por me segurar.

— Ói lá, visse? — Applejack deu um mínimo impulso para manter sua amiga em pé por si só e afastou-se aos poucos, dando-lhe espaço.

— Não se preocupe, estarei olhando. — Twilight ajeitou sua crina e intonou a voz — Já estamos perdendo tempo demais. A noite já começou há horas atrás mas a reunião não. — Twilight, com um pouco de esforço, acionou sua magia e levitou os dois cartões que foram invocados do pedaço de papel.

Ela os analisou com cuidado; virou-os frente e verso e confirmou cada informação contida naqueles cartões, incluindo nome, identificação, cargo e assinatura da própria Princesa; assim como os das demais convidadas oficiais e presentes. Twilight os levitou para perto da Rainbow Dash.

— Rainbow, pode confirmar que esses cartões são legítimos? — sua voz soava cansada, mas continuou firme.

Rainbow Dash olhou-os atentamente. Twilight virava e revirava os cartões diante dela com sua magia. A pégaso azulada confirmou num aceno positivo com a cabeça e um olhar sério.

Twilight acenou com a cabeça, agradecida — Perfeito. Foreign Eye e General Stubborn–

— Capitão Stubborn. — ele a corrigiu com um tom irritado.

Twilight o ignorou — … estão agora inseridos oficialmente na nossa equipe neste Grande Evento. Fiquem com os seus cartões e não os percam de vista; eles são importantes. — ela levitou os cartões para os respectivos donos.

Stubborn agarrou aquele cartão com uma mordida feroz. E o guardou dentro de um de suas dezenas de bolsos negros em seu uniforme. Já Foreign Eye ainda estava surpreso com a mudança absurda de comportamento daquela unicórnia. Poucos minutos ela estava desacordada, quase desgastada com o último feitiço que ela executou. Ele nunca viu isso acontecer antes a um unicórnio. E pelo comentário de Twilight, não era a primeira vez que isso aconteceu. Houve outras vezes; e essa foi bem de leve, pela calmaria da executadora ao acordar. Ele estava surpreso com a indescritível força de vontade desta unicórnio. Essa pônei era, sinceramente, interessante.

— Sr. Eye? — Twilight perguntou, sacudindo um pouco o cartão flutuante diante dele.

Ele percebeu que, desde que ela despertou, não havia parado de encará-la. Ele limpou a garganta para disfarçar, — Ah, sim. Perdão. — abocanhou o cartão e o guardou num bolso em seu terno.

— Caham. — A Prefeita declarou-se no meio das pôneis. — Bom, podemos dar início à reunião, eu presumo.

— Com certeza, Srta. Prefeita. — respondeu Twilight calmamente, apesar das visíveis gotículas de suor em sua testa chifruda — Temos muito com o quê discutir, então, vamos pôr as cartas e os planos à mesa–

— A reunião pode esperar mais um pouco. — intrometeu-se o Capitão Stubborn, com sua voz sonora e carrancuda.

Twilight suspirou nervosamente — Posso saber o motivo, Sr. Stubborn? — perguntou a irritada unicórnio chifruda.

— Contente-se apenas com Capitão ou Capitão Stubborn, Nossa Esquecida Aprendiz da Princesa. — ironizou Stubborn — E você não está em condições físicas, mentais e responsáveis para dar início e seguir adiante com esta reunião.

Twilight virou seu corpo de frente para Stubborn, quase cambaleando — E quem é você para dizer isso?! — indagou ela num tom firme — Você agora virou médico-psico-analista de um segundo paro outro, por obséquio?

Stubborn não se intimidou com aquela miniatura de unicórnio — Sou aquele Vossa Mandona Mentora enviou para evitar e solucionar problemas e balbúrdias causados pela Nossa Irresponsável Aprendiz da Mentora. E não preciso de um diploma médico e clínico para ver que você está acabada por causa daquele feitiço. Foi demasiado esforço; até mesmo para você, Nossa Exibida Aprendiz da Princesa. Sua teimosia e falta de senso pôs sua própria saúde em risco e pôneis próximos a você numa preocupação desenfreada.

Twilight olhou ao redor com o canto do olho para os rostos de suas amigas. Elas desviavam os olhares para o lado em constrangimento com o comentário de Stubborn, o que comprovava que ele estava falando a verdade. E Twilight também ficou constrangida com aquilo.

O enorme corcel amarronzado avançou pesadamente até a unicórnia roxa — E você não está em condições para seguir com a reunião neste estado, Nossa Destrambelhada Aprendiz da Princesa. — no momento em que ela estava distraída, Stubborn deu um leve empurrão com seu casco no peito de Twilight. Ele mal a encostou e seu corpo cor-de-lavanda já estava indo de volta à superfície de madeira abaixo dela. De um segundo para o outro, Twilight via os rostos de suas pôneis queridas desviados, e já estava vendo novamente o chão aproximando-se mais e mais de seu rosto. Mas Foreign conseguiu segurá-la a tempo ao apoiar seu lombo contra o dela. Algumas pôneis voltaram a olhar para Stubborn, outras mais dramáticas já estavam com o casco em suas bocas, suspirando.

— Capitão, por favor! — Foreign implorou para que ele parasse, mas o corcel não deu ouvidos.

Stubborn apenas olhou ferozmente para o pônei elegante. Aquilo o assustou de verdade; Foreign se calou na hora.

— Está vendo? — continuou Stubborn, olhando seriamente para a exausta unicórnio — Você mau aguenta nas quatro patas. Um sopro poderia derrubá-la e causaria mais estrago do que eu poderia com este toque.

Twilight juntou os pensamentos e voltou ao senso. Ficou meio zonza quando perdeu o equilíbrio, mas recuperou-se rapidamente. Outra vez se via resgatada pelo elegante convidado. Envergonhada, Twilight afastou-se imediatamente enquanto pedia desculpas. Mas já resmungava entre os dentes pela vergonha que aquela muralha a estava fazendo passar diante de suas amigas.

— Portanto, descanse e só volte quando estiver revigorada e responsável novamente.

Que absurdo! Quem essa montanha de chocolate pensa que era para falar desse jeito com a Aprediz Particular da Princesa Celestia, Governadora e Princesa Absoluta de Equestria?! Ela estava mais que preparada, confiante e consciente para dar início e acompanhar a reunião por horas, mesmo que seu corpo não colaborasse. Esse ser ignóbil duvidava das capacidades extrapolantes desta unicórnio mirabolante. Ele pode ser alto; pode ser forte; pode ser até um General ou Capitão ou o diabo a quatro, mas Twilight não vai admitir esse desrespeito em sua própria casa e na frente de suas amigas, que tanto confiam em seu esforço e dedicação.

Twilight estava prestes a explodir em palavras agressivas e pontiagudas contra essa rocha carbonizada diante dela, quando um casco branco reluzente atravessou seu caminho.

— Twilight, querida! — a voz era reconhecível, assim como seu rosto pálido e olhos azuis-diamantes. Cascos nevalescos se esfregavam ligeiramente no rosto cor-de-lavanda da unicórnio enfurecida — Olhe só para seu rosto! Todo molhado e oleoso! Que horror! E a sua crina, por Celestia e seus guardiões! Toda bagunçada e roxa! Não, roxo é sua cor natural– De qualquer forma, querida, precisamos dar um trato nisso e agora! — a unicórnio começou a empurrar Twilight enquanto fala— Vamos até a cozinha. Lá iremos dar uma ajeitada em você!

— Rarity! — exclamou Twilight nervosamente enquanto estava sendo empurrada para a cozinha — O quê está fazen–?

— Não, não, não! — Rarity a cortou antes que pudesse continuar — Não precisa dizer nada, querida! Eu sei o quê estou fazendo! Só confie em mim! Você estará em bons cascos! — a unicórnia pálida despreocupada virou-se para o corcel montanhesco, com um sorriso doce, mas nervoso. — Capitão Stubborn! Não se preocupe com a saúde de minha queridíssima amiga. Ela é esforçada e bem confiante no que faz. Mas simplesmente não posso deixá-la prosseguir a reunião com o rosto e crina nestas condições deselegantes! Se me permite, quero dar um trato nela antes de prosseguirmos. Só por uns minutinhos!

Stubborn encarou aquela unicórnio cor-de-neve, pensativo. Ele acenou com a cabeça.

— Não me preocupo, apenas alertava a responsável pelas suas próprias ações sobre sua real situação. Não precisa de minha permissão para cuidar de sua amiga, Nossa Enfeitiçante Estilista. Faça o que for preciso.

Rarity ficou em silêncio por um momento; não sabia se “enfeitiçante” era um elogio ou se, ao menos, era algo bom de se ouvir. Ela apenas levantou um sorriso torto — Hã… claro! Farei o quê puder. Com sua modéstia licença… — e voltou a empurrar Twilight para a cozinha gentilmente.

Twilight já estava ficando irritada por estar sendo forçada a ir para um lugar contra a sua vontade — Pare, Rarity! Me deixe ir–

Rarity sussurrou — Pra cozinha! Já! — um sussurro que mais pareceu com um rugido entre os dentes; e encarou a atônica unicórnio com olhar feroz e assassino. Aquela unicórnio nevalesca queria que a de cor-de-lavanda fosse para lá de qualquer jeito; poderia até arrastá-la até lá, se for preciso. Twilight engoliu seco.

— Vamos logo, Cabeção! — entrou a Rainbow no meio, já no ar e a empurrando com os cascos junto a Rarity — Não temos a noite inteira! Vamos dar “um trato” em você.

Twilight já se encontrava entre a batente da porta que ligava ao corredor para a cozinha. A pégaso e a outra unicórnio a empurrava ruidosamente e o som de seus cascos em ritmo e arrastantes foram se estinguindo ao longo do corredor até a chegada do outro cômodo.

Após um breve silêncio, os outros pôneis começaram a se espalhar para passar o tempo. A Prefeita voltou para a grande mesa para mexer nos papéis; Applejack sentou-se em seu lugar e enxugou um pouco do suor de sua testa; Pinkie Pie ficou cantarolando e saltitando alegremente ao redor de todos; os outros dois corcéis da sala ficaram apenas de pé. Stubborn virou seu rosto e encarou Pinkie Pie. Ela pulava e cantarolava ao redor dos dois. Pulava e cantarolava. E cantarolava e pulava. A alegria daquela pônei rosada o estava irritando.

— Você, Pônei de Algodão-Doce. — ele apontou para ela com o casco.

— Pinkie Pie às suas ordens, Capitão! — Pinkie saiu de seu estado alegre e posicionou velozmente perto de Stubborn, com um olhar sério e com um casco em sua testa, em continência.

Foreign ficou confuso com a absurda velocidade desta pônei, mas o corcel de chocolate não demonstrou reação.

— Não vamos dar mais nenhuma festa hoje. Quero que tire todos esses enfeites, balões e doces dessa sala. — ele apontou seu casco para os enfeites festivos ao redor dele — Eles são irritantes e não servem para nada menos do que atrapalhar a locomoção dos pôneis e os deixarem com dores de barriga com essas drogas açucaradas.”

— Permissão para não-contradizê-lo, Capitão! — disse Pinkie com educação.

— Permissão negada… — respondeu ele de imediato; percebeu seu erro pouco depois mas já era tarde demais.

— Esses doces não são drogas açucaradas, são doces normais como qualquer outro doce! Se você ainda não os provou, então não sabe do que está falando, pois estes doces são feitos com muito amor e esforço de Sr. e Sra. Cake. E um pouco de minha ajuda, para deixá-los mais doces e gostosos. — ela sorriu alegremente com satisfação — Posso tirar os enfeites, os balões e etc, mas os doces ficam, pois eu sei que há pôneis que estão com fome.

Stubborn encarava aquela pônei rosada com um olhar raivoso e sério. Foreign olhava nervosamente para o corcel truculento, com medo do que ele possa fazer àquela pequenina égua inocente. Pinkie estava assustadoramente calma, em continência e com um sorriso doce em seu rosto. Isso o incomodava e enfurecia Stubborn.

— Pois, então, faça. — finalmente disse o Capitão.

— Considere feito! — Pinkie acenou com o casco para o alto e virou o corpo para começar a arrumar o cômodo bagunçado, aos pulos e cantarolando.

Foreign ficou surpreso, já não entendia mais nada do que se passava entre esses dois. Cada um agia mais inesperadamente do que o outro. Era tudo muito confuso.

— E você irá ajudá-la. — apontou Stubborn diretamente para Foreign.

— H-heim? Como? — disse Foreign num tom nervoso.

— Você me ouviu: Quero que a ajude. Dois pôneis fazendo o mesmo serviço gera resultados mais rápido do que apenas um fazendo-o. Por isso, deixe de se fazer de desentendido e ajude-a.

O pânico instalou-se no rosto de Foreign. Suor frio começou a escorrer de sua testa e queixo se contorcia. “Mexer… nesses… nesses…?”, pensou ele, tremendo. Ironicamente, só agora havia percebido que estava cercado por balões de borracha; estavam ao seu redor; sobre sua cabeça, no teto; e no chão perto de seus cascos, arrastando-se. Seus olhos azuis percorreram pelo cômodo encarando aqueles urubus borrachudos circulando em volta dele e cobras esféricas rastejando por entre seus cascos. Ele apenas ficou imóvel sem fazer nada, com medo de que por qualquer movimento seu faça com que eles gritem num estouro aterrador em seus sensíveis ouvidos; deixando-o surdo temporária ou permanentemente. Foreign começou a sentir um desconfortável formigamento em suas orelhas, elas tremiam; e seus tímpanos vibravam em seus canais auditivos. Ele torcia as orelhas para tentar conter o desconforto, mas só o deixava mais nervoso ainda.

— Eu… eu… — Foreign tentava dizer alguma coisa, mas não conseguia com o Capitão o encarando impacientemente.

— Tudo limpo, Capitão! — declarou-se Pinkie Pie, fazendo uma continência.

Os dois corcéis olharam para a pequena pônei, surpresos, e, em seguida, viraram seus rostos para ao redor deles. Incrivelmente, todos os enfeites que estavam pendurados nas estantes e espalhados pela mesa e cadeiras sumiram; os confetes despedaçados pelo chão desapareceram; e os balões não estavam mais entre eles. Foreign soltou um suspiro de alívio e alegria, mas não se conformava que aquela pôneizinha arrumou toda a sala num piscar de olhos! Foreign olhou para a Prefeita e para Applejack que estavam sentadas na mesa. Estranhamente, nenhuma delas estavam pasmas com o quê aconteceu. Muito pelo contrário: agiam como se estivessem acostumadas com aquilo. Como assim? Isso sempre acontecia? Era normal aquela pônei rosada agir daquele jeito?!

Foreign olhou pasmo para Pinkie Pie. Ao contrário de Stubborn que, irritantemente, não estava surpreso; estava com o mesmo rosto passivo e sério como sempre tinha. “Será possível que nada afeta ele?!”, pensou Foreign indignado.

— Bom trabalho, Algodão-Doce. — ele respondeu num tom normal dele.

— Há mais alguma coisa que posso fazer, Capitão? — perguntou Pinkie na mais boa vontade possível.

— Não. — disse ele secamente — Você, no momento, se tornou inútil para mim. Vá incomodar outro pônei que deseja seus serviços não-utilitários.

— Tudo bem! Não tem nenhum pônei que deseja meus serviços no momento. Devem estar todos dormindo! Então, vou ficar aqui e te fazer companhia, Capitão! Sem ofensas, Sr. Eye. — ela indagou para o convidado ao seu lado.

— N-não ofendeu, Srta. Pie. — o quê ele queria mesmo era sair dali. — A Srta. Sparkle parece que vai demorar um pouco para voltar. Vou sentar por um tempo para descansar. A viagem em si foi cansativa e adoraria provar um pedaço desses doces; eles estão com uma aparência saborosa!

— Isso! Sinta-se em casa, Sr. Eye! — disse Pinkie alegremente — Eu cuido do Sr. Cara-Fechada e você descansa um pouco! Não adianta chegar a um lugar novo sem provar nada novo! Ou num lugar novo e provar a mesma coisa, afinal esses doces podem ser achados em qualquer lugar de Equestria! Mas estes são especialmente únicos, pois foram feitos pelos Cakes! E te digo que são de-li-ci-o-sos! Qualquer coisa é só chamar que apareço onde você menos espera! — e ela terminou com uma piscada.

Nisso ele acreditava; e o deixava realmente preocupado. Foreign assentiu com a cabeça e se despediu momentaneamente da espalhafatosa pônei rosada. Ele também se despediu de Stubborn, mas o mesmo só soltou um ou dois grunhidos abafados. Ele não se importou — ele não esperava mais nada daquele corcel mesmo — e sentou-se na cadeira que Sparkle havia lhe apontado um tempo atrás. A Prefeita aproximou-se e entregou-lhe alguns papéis para ler. Ele agradeceu e leu as primeiras linhas. Dizia sobre os possíveis afazeres dele e de Twilight para amanhã, quando concordassem suas tarefas até o fim daquela reunião.

— Vai um muffin pra essa barriguinha, cumpádi? — perguntou Applejack num tom animado.

Ao seu lado, a pônei laranja empurrou uma bandeja de prata; ela estava cheia de muffins de coco com gotas de chocolate. Foreign virou um pouco o rosto e viu aquelas delícias; realmente pareciam deliciosas e estavam com um cheiro ótimo. Ele olhou para ela e sorriu, pegando um muffin para si. A mesma abriu um apreciável sorriso em seu rosto alaranjado. Foreign apreciou a gentileza que AJ o proporcionava — diferentemente de certos pégasos azulados ou corcéis achocolatados, mas ele não absorvia remorso —. Foreign deu uma mordida e deliciou-se em cada mastigação. Soberbo. Divino. Esses Cakes sabem mesmo como fazer um doce. Ele nunca provou um muffin tão gostoso. Não era muito doce, nem muito mole; era “no ponto”. Macio e cremoso.

Foreign, saindo de seus prazeres mentais, olhou novamente para Applejack. Ela olhava para ele com um olhar malicioso, e ria explicitamente por dentro ao ver aquele corcel, todo elegante do começo ao fim; do casco até o chifre, se deliciando com aquele pequeno muffin de coco. Foreign, constrangido, estava para dar uma risadinha para acompanhá-la, mas percebeu que estava se abrindo perigosamente para ela. Ele se recompôs, pousou o muffin ao seu lado, em cima de um prato já posicionado pela Pinkie quando ela arrumou a mesa, e puxou os papéis para lê-los novamente. Ou, pelo menos, fingir que os estava lendo. AJ viu aquilo tudo e não gostou. Achou peculiarmente estranho; e mal-educado. Aqueles papéis eram mais interessantes do que sua presença amigável?

Applejack era uma pônei realmente amigável. Fazia de tudo para que outros pôneis que ela conheça se sintam bem consigo mesmos. Ela fazia isso com suas melhores amigas; fazia isso com seus parentes; e tentava fazer com outros pôneis. Mas ela sentia que precisava ajudá-lo. De alguma forma, ele não se sentia bem; desde que ela fitou o olhar naquele cremoso corcel; desde que ele pôs a pata dentro daquela biblioteca, ela sentiu que algo estava errado nele. Esses dois ainda vão se tornar muito amigos.

— Quem aquele estouvado pensa que é para falar comigo daquele jeito em minha casa e na frente de minhas amigas?! — bradou Twilight, profundamente ofendida com tudo o quê aquele corcel metido a besta disse a ela um tempo atrás. Ela espumava pela boca de tanta raiva — Aquele…! Aquele… projeto de outeiro!! Altivo insolente! Gancho pretencioso! Impudico bruto!

A estressada unicórnio cor-de-lavanda estava sentada no meio da cozinha de sua biblioteca. Ao seu redor, inanimadamente, os apetrechos cozinheiros eram bem reconhecíveis, assim como seus lugares. Fogão a lenha, pia vazia, armários cheios de pratos e panelas, gavetas cheias de talheres, escorredor para louças úmidas, geladeira com ingredientes frios e congelados, dispensa com ingredientes mornos e secos, uma grande mesa para o preparo das guloseimas, tudo estava em torno dela. Mas ela não estava sozinha com esses objetos.

— Twilight, querida! Acalme-se! Você se mexendo desse jeito não consigo arrumar sua crina direito! — Rarity estava atrás dela, tentando alisar a crina de Twilight com uma escova flutuante, mas a mesma não colaborava; ela estava muito nervosa.

— Eu não admito isso, Rarity! Isso é uma total falta de respeito em minha pessoa! Onde já se viu?! Simplesmente não posso engolir ou deixar passar o quê aquele ser fez!

— De certa forma, sim, ele foi meio bruto–

— “MEIO”?! — ela afinou a voz a ponto de falhar, indignada — Foi TOTALMENTE bruto, insensato e estúpido!

— Êêê, Twilight. Manera nessa boca aí.— disse Rainbow Dash; ela estava voando ao lado de Twilight. Dash encolheu-se para perto da unicórnia nervosa e sussurrou ao apontar para o corredor — O corredor está logo ali; ele pode ouvir!

— Tô pouco me lixando, Dash! É bom que ele escute mesmo! — retrucou Twilight, curvando o corpo para frente. E disse com todas as forças: — IDIOTA ENTORPECIDO!

— Twilight, pare! Volte aqui! — Rarity acionou sua magia num tom azulado; aproximou a crina de Twilight de volta para ela com um puxão forte.

— AI, RARITY! Isso dói! — exclamou Twilight ao acariciar o couro dolorido de sua cabeça.

— Isso é culpa sua! Se ficasse quieta, eu não teria dado esse puxão e teria terminado há muito tempo! Com você braguejando e amaldiçoando o nada alheio, fica difícil terminar! Agora, fique quieta e me deixe arrumar isso!

Twilight fechou a cara e cruzou os braços. Ela ainda babulciava e resmungava entre os dentes. Rarity, após um suspiro, voltou ao seu trabalho com a crina de Twilight. Rainbow Dash ainda voava ao redor delas; parecia um tanto desconfortável. Ela também estava ficando impaciente com a demora que a unicórnio irritada estava proporcionando para o término do alisamento de suas madeichas púrpuras.

O silêncio pairou por um momento. Silêncio com exceção das babulciações de Twilight, dos voos impacientes de Rainbow e da massagem ruidosamente capilar da escova flutuante de Rarity. As fricções verbais se tornaram mentais, cada um em seu próprio pensamento e brigando consigo mesmo ou com os outros em sua imaginação particular. Rarity encontrava-se inconformada com as palavras de Twilight, pois ela, novamente, não estava pensando no que dizia. Braquejava e amaldiçoava verbalmente aquele corcel barrento. E com motivos! Aquela unicórnio não estava errada. Mas Rarity discordava em seus pensamentos. Sentia uma obrigação de comentar algo a respeito dele, que Twilight não sabia.

— Agora, Twilight… — finalmente disse Rarity, manipulando sua crina com mais delicadeza — sei que você vai começar uma nova onda de ódio com esse comentário, mas eu sinto que devo dizer. Agora, por respeito à vossa pessoa, eu pergunto: Você quer ouvir?

Twilight ainda estava nervosa com aquelas palavras avulsaras daquele chocolate ambulante que estava perambulando livremente em sua biblioteca. Mas ela tinha que relaxar, de alguma forma ou de outra. Ela pensou por um momento a proposta de Rarity. Ela queria falar de um assunto que desagradava Twilight Sparkle. E o quê Twilight Sparkle queria era relaxar; não estressar.

— Desculpe, Rarity. Estou muito nervosa no momento. Se quer conversar sobre algo que me desagrada, então, eu não quero ouvir. Não estou querendo ser rude… como certos pôneis-lamacentos-não-civilizados. — rosnou ela entre os dentes. — Mas eu quero relaxar. Me desestressar. Estou muito irritada e cansada…

— Pfft! Mamão com açúcar! — disse Dash, com entusiasmo — Peraí que vou preparar um suco de maracujá esperto! Vô dar uma olhada na despensa! — e ela deu um rasão e se enfiou na despensa, a procura da fruta.

Twilight virou um pouco a cabeça para Rarity — Ela sabe que suco de maracujá vai me deixar mais mole ainda, não sabe? — perguntou ela.

— Creio que não, — respondeu Rarity em meio a uma escovada suave. — mas ela sabe que isso irá deixá-la mais relaxada com certeza. E, com certeza também, vai te fazer bem. Estresse e raiva não combina com você, Twilight…

— Desculpe, mas não posso evitar, Rarity! Aquele…!

— Esquece aquele corcel por um momento, Twilight! — indagou Rarity num tom preocupado — Pelo amor das Princesas! Ignore o quê ele disse! Deixe passar batido!

— Mas eu não posso! — Twilight levou os cascos aos olhos, irritada; ela estava ficando estressada novamente — Você viu o modo como ele agiu com Rainbow Dash! E como agiu comigo! E como fala da Princesa na minha frente! Chamando-a de “Nossa Orgulhosa Princesa”, “Nossa Esquecida Princesa”, “Nossa Ridícula Princesa”. — ela disse cada título com uma voz grossa e enfadonha — Como ele pode falar isso da Princesa sem ninguém para censurá-lo?! E como a Princesa pôde deixar ele ter um cargo tão elevado na Guarda Real com estas atitudes grosseiras?! E por que a Princesa o enviou para cá?! Para me ridicularizar?! E ridicularizar minhas amigas?! Me prejudicar?! Isso não faz nenhum sentido!! — Twilight se encolheu, sentindo calafrios em seu corpo — Não entendo o quê a Princesa quer me ensinar me enviando esse… esse… Até parece que ele não sente nada! Suas palavras me irritavam muito! Ele… ele é um pônei horrível e frio! … Eu… eu estou tão confusa… minha cabeça dói….!

Twilight sentia culpa. Culpa de não ter feito nada e ter deixado aquele ser medonho falar tudo aquilo sobre ela e sua querida mentora. Impotente era o seu novo título: Aprendiz Impotente da Princesa. Era isso que ele a teria chamado caso estivesse olhando para ela neste exato momento. Twilight também estava confusa, como ela mesma explicou. Por que a Princesa enviaria esse bruto para seu socorro? Se é que ela pode entitular isso como um socorro, como dizia a Princesa em sua digníssima carta real. Tudo o quê aquele socorro fez foi ridicularizá-la, chantageá-la, até feri-la emocionalmente. Chamando-a de Esquecida Aprendiz da Princesa, de Orgulhosa Aprendiz da Princesa, de Exibida Aprendiz da Princesa, esfregando títulos e honrarias desgostosos em seu rosto. Se isso era para encorajá-la, dar-lhe suporte, oferecer-lhe apoio, ou mesmo chamar isso de “socorro”, tem algo muito errado nestes significados e em suas reais funções. Lágrimas já começaram a emergir de suas pálpebras enquanto ela ridicularizava a si mesma em sua mente.

— Não, Twilight. — Rarity interviu seus pensamentos ao engrossar a voz — Eu posso lhe contradizer que ele, de certa forma, não é o quê você pragueja.

Isso chamou a atenção de Twilight. Ela até virou com dificuldade para aquela unicórnio pálida. Rarity estava séria, ambas olhavam-se nos olhos. Twilight estava atônica; confusa, mas a outra estava calma e firme.

— C-como assim, Rarity? O quê você quis dizer com isso?

— Exatamente isso o quê ela disse! — reapareceu Rainbow Dash da despensa, carregando algumas frutas de maracujá em seus cascos. — E concordo plenamente com ela. Aquele pônei é beeem diferente do que aparenta. — e ela descansou as frutas sobre a mesa e foi à procura do espremedor em gavetas e armários alheios perto da pia.

— Era esse assunto que eu queria discutir– ou melhor, conversar com você quando comentei sobre aquele corcel. — continuou Rarity, terminando de ajeitar a crina de Twilight — Eu sabia que você iria ficar apenas zangada por apenas ouvir o nome dele, mas eu precisava comentar. Há algo sobre ele que você não está sabendo.

Twilight virou para sua amiga pálida — “Algo que eu não estou sabendo”? Mas como não estou sabendo?

— É que aconteceu durante o seu piripaque ao lançar aquela sua macumba doida. — comentou Rainbow ao finalmente achar o espremedor e o cortador automático e os levou para mesa da cozinha.

— Não são macumbas! — bradou Twilight, virando imediatamente para Rainbow — São–! — mas ainda se sentia exausta com a execução daquele feitiço. Por causa do giro rápido com a cabeça, ficou um tanto zonza e quase tropeçou entre os cascos.

Rarity imediatamente a segurou a tempo com sua magia azulada — Cuidado, Twilight! Você ainda não está em condições para tanto esforço! E Rainbow! — ela agora virou-se para a pégaso, irritada — Pare de estressá-la com essas piadinhas! Você devia saber muito bem que ela não gosta desses comentários! Controle-se, por favor!

Rainbow ergueu os cascos na defensiva, — Tudo bem, tudo bem! Me desculpe, Rarity. Foi só uma piadinha para descontrair.

— Isso não é hora para piadinhas, Rainbow. Twilight está passando por um momento muito difícil!

— Afe, que exagero, Rarity! Não é tãããão difícil assim! Já vi pôneis passando por situações piores e não ficavam nessa depressão toda!

— Não misture situações precárias com situações emocionais! Isso não é certo e não faz jus uma situação com a outra! Twilight no momento está confusa e, como amigas, precisamos alinhá-la. Por favor, entenda isso e colabore.

— Tsc. Tá certo, tá certo. — Rainbow pousou suavemente no chão e ergueu seus cascos posteriores sobre a mesa. Com ajuda de um cortador automático, começou a cortar as frutas no meio para espremê-las mais tarde.

Rarity aproximou Twilight para perto dela, ajudando-a a ficar reta novamente. Twilight estava massageando um pouco a cabeça meio dolorida.

— Está tudo bem, Twilight? — perguntou Rarity, preocupada.

— S-sim, sim. Só fiquei meio tonta e senti uma pontada leve na cabeça.

— Que bom. — suspirou Rarity, aliviada — E não se preocupe. Logo, logo Dash irá serví-la com um calmante suco de maracujá. Sei que se sentirá revigorada daqui a pouco! — terminou ela com um tom animado.

Twilight sorriu — Obrigada, Rarity. Mas ainda não entendo que vocês queriam dizer: O quê eu não estou sabendo? O quê aconteceu durante… vocês sabem. — o orgulho ainda restava em seu peito; dizer aquela palavra demonstrou-se alguma dificuldade para aquela unicórnio pronunciar.

Rarity tomou um pequeno fôlego — Veja bem, Twilight, querida. Depois que você– hã… desmaiou pelo demasiado esforço, ficamos preocupadíssimas com você. Tanto que ficamos desesperadas e não sabíamos bem o quê fazer.

— Não é bem verdade, Rarity — comentou Rainbow Dash, espremendo meio maracujá — Não era o primeiro piripaque que Twilight teve. Já teve outras vezes quando ela se esforçava demais!

— Mas este era diferente, Rainbow Dash! Nenhuma de nós tinha experiência ou algum conhecimento sobre o quê fazer com pôneis desmaiados.

— Acontece que Twilight não é a única; você também tem os seus desmaios quando fica muito ansiosa! E nunca tivemos problemas com isso.

— Novamente, Dash, você está confundindo as situações. Os meus desmaios são puramente naturais, isso eu admito! Eles ocorrem quando eu chego ao limite de minha emoção. E eu sempre me recupero logo em seguida. Eles sempre são leves e passageiros. Meus desmaios nunca duram mais do quê 5 minutos.

Rainbow terminou de espremer a quinta meia fruta de maracujá e puxou a próxima vítima para perto do espremedor — Hm. Isso é verdade. — concordou ela.

— Justamente! E no caso de Twilight, ela não quis acordar de forma alguma! E ela estava suando frio! Tremendo toda! Parecia que estava com febre!

Twilight demonstrou-se preocupada com a descrição de Rarity sobre seu último desmaio — Nossa. Eu estava tão mau assim, Rarity?

— Eu não sei, querida! Não sou uma especialista para te dizer ao certo, mas eu nunca a vi daquele jeito! Deixou todas nós desesperadas! Ai, me arrepio toda só de lembrar.

Twilight esfregou o casco na testa, tentando aliviar a tensão; agora ela sentia mais culpa por deixar suas amigas preocupadas sem necessidade. Mas ela se lembrou — Mas e o Spike? Ele– — então, ela lembrou de novo e calou-se.

Spike estava, no momento, dormindo inocentemente em seu confortável cesto de dormir. Ele dormia em frente à cama de Twilight, no quarto dela. Assim como a maioria dos bebês — já que ele ainda era um bebê-dragão —, sentiam-se sozinhos quando não estavam em companhia do que se pode chamar seu “observador”; seu “acolhedor”. Seu sono era mais calmo e seus sonhos mais alegres quando sentia alguém precioso para ele por perto; uma companhia de quem ele realmente confiava e adorava; que sempre esteve com ele desde o dia em que saiu de um pequeno ovo roxo com bolinhas verdes.

Como ele mesmo demonstrou ao socorrer Rarity em seu leve desmaio, de certa forma Spike possuía algum tipo de conhecimento sobre o assunto. Afinal, ele não ficava na biblioteca apenas para limpar e organizar prateleiras. Nem para atender pedidos e desejos de sua inseparável companheira-leitora, quem ingenuamente acreditava ser a única que lia alguma coisa daquela floresta interminável de páginas e textos. Para sua sorte ou coincidência (ou, quem sabe, destino), naquela semana o pequeno dragãozinho tinha lido um pouco sobre primeiros-socorros à vítimas de um desmaio repentino e como lidar com eles. Spike tinha conhecimento dos desmaios repentinos de Rarity e isso o deixou curioso. Foi então que ele pôde pôr em prática o quê aprendeu com sua amada unicórnio, durante seu momento inoportuno. Com toda a delicadeza e carinho, ela a examinou e a diagnosticou. Ficou aliviado que estava tudo bem, mas não tinha certeza do tempo que levaria para Rarity acordar novamente (isso era estudo mais a frente do que ele já leu); isso o deixou receoso e um tanto decepcionado consigo mesmo. Deveria ter continuado a leitura, assim teria informações mais completas. Alegria foi que Applejack estava por perto, para consolá-lo de seu pequeno esforço em impressionar e proteger sua princesa. Se não fosse por ela para acalmá-lo e avisá-lo de que tudo estava realmente bem, ele estaria se culpando por não ter ido mais a fundo no assunto.

— Spike não estava por perto, Twilight. — disse Rarity — Mas foi tão de repente que nem pensamos em chamá-lo. Estávamos mais preocupadas com você.

— Eu sei, Rarity. Eu sei. E eu sinto muito. — até demais; Twilight estava se sentindo mais envergonhada. Um sentimento crescente de culpa por deixá-las preocupadas ainda a incomodava — Mas o quê realmente aconteceu?

— Como eu havia dito: rolou uma pequena confusão. Não chegamos a entrar realmente em pânico mas–

— “Pequena confusão”, você diz, Rarity? — perguntou Rainbow Dash, terminando de espremer a última fruta. — Sabe o quê rola quando se coloca uma raposa em um galinheiro? Foi exatamente assim que rolou!

— Ai, Rainbow! Que exagero! — Rarity agitou seu casco, quase ofendida com a comparação fantasiosa de Dash.

— Que “exagero” o quê?! Meus ouvidos ainda estão doendo depois dos seus gritos histéricos! Pense numa agudice! — replicou ela, apontando para as orelhas.

— Tá bom, Rainbow Dash! E n-não desvie do assunto! — reclamou Rarity, já impaciente; uma cor avermelhada acendeu de suas bochechas nevalescas. Rainbow ainda segurou algumas risadinhas para si mesma.

— Enfim — continuou Rarity, após limpar sua garganta — nós não sabiamos o quê fazer quando você havia desmaiado. Você suava frio e tremia toda. O Sr. Eye estava te apoiando sua cabeça com seu lombo e dizia que você estava bem quente. Estava com febre! “Santa Celestia! O quê nós faremos?!”, todos perguntavam desesperadamente.

Rainbow a cortou com uma falsa tosse — Ela se perguntava desesperadamente. — comentou ela, corrigindo a dramática unicórnio.

— Mas e o Sr. Eye? — perguntou Twilight, virando-se para Rarity — Estava tudo bem com ele? — se ele não se machucou quando ela derrubou sua enorme cabeça em cima dele.

— Oh, ele está como sempre deveria estar, se entende o quê quero dizer, querida. — Rarity deu uma piscadinha para Twilight — Não precisa se preocupar. Aliás, perguntavamos ao Sr. Eye o quê deveriamos fazer. Eu mesma achei que ele tivesse alguma experiência com isso. Mas, coitado, ele parecia mais perdido do que nós mesmas. Eu não o culpo; ele também não tinha conhecimentos para aquela situação. Seria muita ingenuidade de nossa parte achar isso! Ele também estava muito preocupado. Ele não saia de seu lado nem por um segundo.

— Claro, né, Rarity! — indagou Rainbow Dash, enchendo alguns copos com o suco pré-preparado — Ele não podia sair dali! A cabeçona da Twilight estava em cima dele! Ele estava praticamente imobilizado!

— Rainbow! Sem piadinhas! Comporte-se! — disse Rarity rispidamente.

Mas a pégaso não aguentou; já estava dando boas risadas depois desta. Rarity continou tentando repreendê-la enquanto Dash segurava suas risadas com o mínimo de esforço. Twilight ficou com as bochechas ardidas, sentia-se envergonhada pelo recente fato de ter caído em cima do Conselheiro e Diplomata Oficial do Reino das Terras Férteis, em seu primeiro dia de estadia em Ponyville. E ainda ter colocado ele nesta embaraçosa situação em sua incopetência explícita e infantil. Que jeito mais formal de apresentar-se para um pônei tão importante como ele, depois de sua queridíssima mentora. O quê ele estaria pensando dela agora? “Uma completa idiota; uma infantilóide”, pensou a roxa unicórnio. Twilight cobriu os olhos, acreditando que isto faria com que ela ficasse invisível dos acusadores alheios sobre seus atos desta lenta e infinita noite. Ela pressionou os cascos nos olhos, apertando as pálpebras e, então, abrindo-os repentinamente. A unicórnio queria esquecer o quê havia acontecido para poder encarar a todos naquele cômodo depois do corredor e seguir adiante com a reunião, mas não sabia se estava preparada para voltar lá. Twilight deu um longo suspiro. Porém ela começou a se lembrar de uns momentos antes depois que acordou. Ela estava deitada de costas para o chão, Applejack abanando seu chapéu sobre ela e Rarity estava acariciando firmemente seu casco. Twilight entendeu que aquilo eram respostas para umas situações de desmaio: deixando o pônei deitado de costas para o chão faz com que a gravidade atua menos contra o corpo, ajudando na circulação do sangue para todas as regiões e membros e até dando menos esforço para o coração bombear o sangue. Os abanos suaves e frios do chapéu de AJ eram um alívio para um ser que suava frio. As gotículas secavam mais rápido e a sensação de febre até diminuía gradativamente. E os apertos firmes dos cascos de Rarity faziam com que as patas de Twilight respondessem com reflexos, ativando o sistema nervoso e um dos cinco sentidos: o tato. Isso é totalmente o oposto da história que Rarity contou: elas pareciam saber bem o quê estavam fazendo. Então o quê aconteceu realmente?

— Mas, Rarity, — continou ela. — quando eu acordei, eu lembro que vocês todas estavam preocupadas, mas não pareciam desesperadas. Estavam até calmas e confiantes. AJ abanava seu chapéu para me refrescar e você estava apertando meus cascos. Vocês realmente sabiam o quê estavam fazendo, então, me diga: O quê realmente aconteceu?

— Twilight, querida! — disse Rarity num tom surpreso; ignorando a pégaso completamente — Percebo que continua bem detalhista, uma coisa que um mero desmaio nunca arrancaria de você! Mas o quê lhe contei é, de fato, uma verdade. Mas digo agora: Nós não sabíamos de nada mesmo, o quê você viu foi algo depois que começamos a saber de algo. “Alguém-qual-não-nomearemos-para-o-seu-bem” se pronunciou e nos ajudou! Esse “alguém-inominável” demonstrou ser muito experiente e nos orientou de forma bem profissional. Fiquei realmente surpresa! Em questão de minutos, você estava ficando bem de novo. Foi um alívio para todas nós! E foi aí que você acordou. Ficamos muito felizes que, no final, tudo ocorreu bem!

Twilight olhou torto para a Rarity — Como é? — foi o quê ela pôde comentar diante daquilo. — “Alguém-qual-não-nomearemos”? “Inominável”? Do quê está falando, Rarity? O quê está escondendo? — ela demonstrou-se irritada com todo esse esconde-esconde de nomes.

— Não estou escondendo nada, querida. Só estou preocupada com você. Eu sei muito bem que você ficará mais irritada, e obviamente mais confusa ainda, do que já está agora se souber seu nome.

— Rarity, deixa de joguinhos, por favor. Por acaso foi o… — suas bochechas arderam de novo — … o Sr. Eye?

— Ai, amiga, quem me dera que fosse ele! Aí eu gostaria de estar em seu lugar! Tremendo toda e deitada em cima daquele ser corcelístico! — Rarity soltou um suspiro apaixonado, mas se recompôs quase que imediatamente — Mas não, Twilight. Eu já havia dito que ele não sabia o quê fazer, assim como nós.

— Mas então quem–

— Há! Pois isso você não vai acreditar! — cortou Rainbow Dash, carregando um copo de suco para a curiosa unicórnio enquanto planava para perto dela. — Foi o Sr. Brutamontes! Quem diria, né?

— Rainbow! — Rarity imediatamente a repreendeu. Tanto esforço dessa unicórnio pálida para ser gentil com as emoções de sua amiga e uma pégaso cerúlea consegue ser mais delicada que uma rocha rolando barranco abaixo e destruir toda a estratégia numa patada forte e seca sobre uma poça de lama suja e gosmenta. O som fez Rarity sentir um frio enojado subir-lhe a espinha. Agora ela temia pela reação da unicórnio cor-de-lavanda com esta novidade.

— Hã? Quê? — Twilight estava tentando entender o quê Rainbow acabou de dizer — “Brutamontes”? Por acaso… POR ACASO…! — então ela percebeu quem era — S-S-Seria aquele, aquele…! A-a-quele…! — ela já estava babulciando, o esforço de tentar continuar a frase era tremendo e assustador; seu rosto começara a ficar vermelho, substituindo sua cor naturalmente roxa — Mas…! Que…! Co-… Por quê?! — finalmente saiu.

— Como assim “por quê”? — perguntou Dash, irônica — Esperava quem, afinal?

— QUALQUER UM MENOS ESSE EMPECILHO! — bradou Twilight com fogo pelas narinas.

— Está vendo o quê você fez, Rainbow Dash?! Eu disse para você se comportar e ser mais delicada! — disse Rarity, cruzando as patas, com uma expressão desgostosa.

— Ih, qualé, Rarity. Nem reclame!— Rainbow se virou para Rarity, ainda batendo as asas em pleno ar ao lado de Twilight, segurando um copo com suco — Ela tinha que saber o quê aconteceu do mesmo jeito! Era o direito dela, ficar fazendo joguinho como você estava fazendo só iria atrasar as coisas! Eu mesma já estava ficando impaciente com o seu lenga-lenga!

— Mas eu fazia isso em respeito à nossa amiga Twilight, Rainbow, que estava fragilizada com a recente situação causada por aquele grandalhão! Eu tinha que ser delicada com ela, ao contrário de certas Rainbow Dashes!

— Mas o quê está feito, está feito. Aqui está seu suco, Twilight. — Rainbow esticou os cascos para Twilight, oferecendo o copo com suco de maracujá — Depois de tomar e se acalmar, voltaremos para a sala onde estão todos nos esperando. Aí, quando chegarmos lá, irá agradecer ao Sr. Brutamontes e ao Sr. Eye.

Twilight ascendeu sua magia para levitar o copo com suco oferecido pela sua amiga pégaso, mas ao citar o nome daquele-que-não-deve-ser-novamente-nomeado, ela puxou-o dos cascos de Rainbow com força, espalhando algumas gotas no chão — “Agradecer”?! Ficou doida, Rainbow?! Nunca em minha vida córnea que eu iria agradecer aquele empecilho! Aquele outeiro!! Impudico insensato! — ela já não mais falava para Rainbow; ela estava quase gritando — Desde que ele chegou, só estava me humilhando em minha casa e na frente de minhas amigas! Não me dava nenhum respeito em meu próprio teto! Aquele ser ofendia minha mentora, quem é a CHEFE dele, a Princesa Celestia, e ainda ofendeu vocês; minhas amigas! Você viu que tipo de pônei ele é quando ele trombou em você! Um bruto! Não admito esse comportamento insolente perto e diante de pôneis quais eu me preocupo!

— Sim, Twilight. — disse Rainbow quando conseguiu um espaço para falar, mas num tom baixo e firme; diferentemente dos escandalosos — E ele também não admite.

Twilight olhou bem para Rainbow, confusa — Como assim? — ela perguntou, com a voz ainda nervosa e alta.

— Por isso eu disse que, quando fôssemos lá, você agradeceria a ele. O Sr. Brutamontes não admitiu um “comportamento insolente” perto e diante de “pôneis com quais você se preocupa”. E foi o quê ele fez como resposta a isso: ele nos ajudou e, principalmente, ajudou você.

Twilight não sabia se encarava isso como uma moral contra a sua atitude ou uma ofensa aos seus ouvidos. A unicórnio olhava para a pégaso azulada com desgosto. “Ele me ajudou? De quê forma?!”, ela se perguntou, mas o seu orgulho enfadonho não permitiu enxergar o quê havia por trás das palavras de sua fiel amiga pégaso, quem empunhava em seu flanco o símbolo do Elemento da Harmonia:  “Lealdade”.

— É isso que Rarity tentou dizer e o quê estou lhe dizendo agora: Não tire conclusões precipitadas sobre ele; você não sabe o quê havia acontecido quando desmaiou naquela hora.

— Então me conte! Estou ficando nervosa e mais impaciente com esse jogo que vocês estão fazendo comigo! — ela começou a demonstrar-se ofendida com essa discreta manipulação de suas amigas com suas emoções; Twilight já estava explodindo por dentro de novo. — Eu sei que vocês querem o meu bem e estão fazendo o possível para me ajudar, mas já está demais! Minha cabeça já dói com esse mistério que estão fazendo! Me contem! Me contem!

— Acalme-se, Twilight, minha querida! — Rarity tomou seu casco direito e o acariciou gentilmente — Tudo ao seu tempo! Queremos muito te contar o quê houve, mas temos medo que te cause mais dano! O quê estamos fazendo é por respeito a você e o quê você está passando. Por favor, acredite nisso. E repito: Precisa relaxar e se acalmar! Contaremos tudo o quê você quer saber.

— Não se zangue conosco, Twilight. — disse a Rainbow, já descendo pro chão e sentando-se perto de Twilight — Beba um pouco desse suco; lhe fará bem.

— Isso, querida. Beba um pouco. — acrescentou Rarity.

Twilight estava ofegante e com o rosto levemente rosado. Algumas linhas de suor escorriam de sua testa chifruda, mas não pretendiam deslizar mais do que até suas sobrancelhas. Suas amigas tinham razão, ela já estava ficando descontrolada de novo; suas emoções estavam florescendo e estourando em sua pelagem roxa. Ao menor toque em qualquer uma dessas pétalas sensitivas, ocorria o desagradável; para ela e para quem tocou. Twilight tinha que parar com isso; isso, sim, estava demais para ela. Ela via suas amigas novamente preocupadas com sua saúde, o quê igualmente ocorreu quando ela havia desmaiado. Rostos em pânico, amigos em gritaria. Isso mais uma vez estava diante dela: Rainbow olhava com preocupação para a unicórnio roxa, seus olhos magenta brilhavam em pena por causa de sua incapacidade de se controlar sem ferir o próximo; sobrancelhas visivelmente declinadas em seu rosto azulado com tristeza por Twilight continuar incessantemente seu próprio prejuízo e dor. Rarity acariciava seu casco púrpura; patas pálidas deslizavam suavemente pelo seu pequeno membro mas Twilight sentia que ela estava nervosa; sentia que seu casco nevalesco tremia. A unicórnio pálida tensionava seus músculos para não tremer em nervosismo, no objetivo de ninguém notar sua preocupação interna, mas não podia; Twilight percebeu só pelo toque.

Egoísta e insensata. Ela pensava que só ela sofria com a situação, mas demorou para melhor observar que sua tensão afetava todos ao seu redor. Podia sentir isso de Rarity e ver no rosto de Rainbow Dash. Suas estúpidas escolhas feriam e prejudicava quem estivesse por perto. Isso é estupidez de sua parte inteligente. Preocupação e nervosismo. Qualidade negativas que não combinavam com essa inteligente unicórnio que só prejudicava estupidamente suas amigas inocentes de seus atos egoístas. O quê Applejack estaria sentindo quando se preocupou com ela ao segurá-la em sua queda? Ou a Prefeita? Ou mesmo Foreign Eye quando a resgatou de sua queda solitária? Infantil e orgulhosa. Odiava ser vista como uma incapaz e fazia de tudo para provar o contrário e fazer o acusador calar-se de suas acusações embusteiras. A aprendizagem que absorvia de sua grandiosíssima mentora era preciosa e incrivelmente poderosa; dava poderes e capacidades que muitos unicórnios sonhariam em possuir um dia. Twilight se sentia especial; podia até se chamar de a maior unicórnio que já existiu. Mas seus recentes atos mesquinhos comprovavam o contrário do que ela se auto entitulava.

Estava na hora de parar; de interromper esses ciclos e sentimentos atrasados.

Twilight fechou os olhos, deixando todo o real presente no escuro; precisava se concentrar. Para isso, começou a respirar lentamente pelas narinas; enchendo e esvaziando os pulmões. Ela tinha que relaxar o corpo; respirou e expirou; respirou e expirou. Sentia seu peito pulsar meio agitado, mas estava agora diminuindo e em sincronia.

A unicórnio cor-de-lavanda cansou daquilo tudo e decidiu acabar com todo esses pensamentos. Nervosismo, ansiedade, descontrole, medo, orgulho. Infelizmente todos os pôneis possuem esses sentimentos negativos, mas para injustiça com eles, em diferentes intensidades. Ela em especial tem em grande intensidade. Emoções podem causar vários sintomas físicos no corpo, quando usados de maneira violenta. O pior deles, qual Twilight infelizmente sofre, é o medo.

O medo é bem significativo quando bem analisado e mal explicativo quando mal detalhado. O medo em questão não é o medo físico como medo de ratos ou medo de um dragão. Medo não é somente físico; ele também é mental; emocional, ligado a coisas que são muito queridas para os pôneis, qual o simples ato de pensar em viver sem ele gera pavor e ansiedade. Os pensamentos vão de perda ao abandono ou da desconfiança à traição. Para ela, tinha medo de fracassar com sua mentora; medo de se envergonhar em frente de suas amigas; medo de perder a confiança em si e de seus mais queridos; medo de parecer uma incapaz; medo de ficar para trás; até mesmo medo de perder o medo.

Perder o medo é perder a sanidade; é não ser mais lógico e não pensar antes de agir. Então, o medo torna-se algo essencial para o entendimento e prevenção. Sem ele, os sentimentos mais positivos e gloriosos como Coragem se tornariam inexistentes; até mesmo algo sem sentido. O jeito certo de lidar com o medo é encontrar o equilíbrio; a harmonia.

As gotículas de suor em sua testa chifruda já evaporaram, só restaram uma pelagem púrpura brilhante e lisa. Rarity já percebeu a diferença em Twilight; a tensão em seus cascos sumiu e sentiu seu braço, qual acariciava, relaxar. Isso a alegrou muito; estava dando certo.

Twilight precisava achar a harmonia dentro dela; não esquecer ou ignorar seus medos, mas lidar com eles de forma lógica e corajosa. Algo que ela sabia fazer isso e muito bem. Sua cabeça já não estava mais pesada e sentia que ela não pulsava violentamente; a enxaqueca passou magicamente. Twilight estava decidida, pois pretendia alcançar o equilíbrio por ela mesma; graças a ajuda e orientação de suas queridas amigas presentes. Não havia mais conflitos em sua mente já recuperada. Ela abriu os olhos; um brilho audacioso e penetrante raiou de suas pupilas púrpuras. Rarity e Rainbow Dash perceberam isso e sorriram, “Ela está de volta”, pensaram elas em conjunto.

Twilight, ainda utilizando sua magia, aproximou o copo de suco em seus lábios e deu vários grandes goles.

A unicórnio esvaziou o copo e deu um estalo com a língua no céu-da-boca — Ah… — ela limpou os beiços com a língua, satisfeita. O gosto doce e calmante do suco de maracujá ainda percorria deliciosamente pela sua boca — Obrigada, Rainbow. Esse suco estava delicioso.

— Já está sentindo melhor, cabeçuda? — perguntou Rainbow num tom amigável e com um sorriso maroto na boca. Rarity cerrou os olhos para Dash, discretamente.

Twilight assentiu com a cabeça — Sim, muito melhor! — disse num tom assustadoramente animado — Não sei o quê colocou nesse suco. Realmente tinha algo mágico nele. Posso confiar em você que só tinha suco nesse copo?

— Ih, não me vem olhando torto assim, não. Macumbas e poções não são minhas laias. Você e Zecora que se entendam, pois eu tô fora!

Rarity deu uma cotovelada em Rainbow Dash. A mesma reclamou pela dor e massageou o local atingido. Dash resmungou para Rarity dessa desnecessária necessidade cotovelística contra ela e a unicórnio pálida só repreendia com o olhar diamantinesco que possuía. Twilight só respondeu com uma risada carismática; até continuou a rir por mais de meio minuto.

— Claro, claro. Sem problemas, Dash. — Twilight levitou o copo para a mesa central longe dela e descansou-o ali mesmo — Agora, podem parar de se estapelar feito dois “Alazão-Bobo” e me contarem o quê realmente aconteceu? Me sinto realmente melhor graças a vocês e quero presenteá-las com a minha maior atenção. Por favor!

Rarity agora olhou assustada para Twilight. Que manipulação emocional era essa unicórnio roxa possuía? De um segundo, estava uma pilha de nervosos sobrecarregada prestes a explodir numa destrutiva retalhação verbal, e no outro, se via uma potranca comportada e inocente com uma angústica doce de querer saber o fim da história de um “Conto-dos-Pôneis”. Era de se estranhar e ficar deveras preocupado! Mas Rarity não estava mais preocupada. Pelo contrário: ela estava aliviada, e muito feliz que ela tenha se controlado de uma forma surpreendente e maravilhosa. Rarity sentiu que precisava tirar uma dúvida particular dela. Então ela tomou o casco de Twilight novamente, agora com as duas patas. A unicórnio pálida o esfregou com fervor no começo, mas conforme os segundos passavam ela suavisava. Rarity apertou firme e delicadamente sua pata cor-de-lavanda; ela estava leve e relaxada. Relaxada, ela pensou. Rarity suspirou longamente.

Twilight não estava viajando como muitos pensariam; ela estava analisando tudo que Rarity fazia em seu casco. Ela finalmente compreendia o quê Rarity estava sentindo quando ficava preocupada e deixou-a fazer o quê quisesse com sua pata; pensando no bem dela. Durante o ato da unicórnio pálida, Twilight sentiu seu casco duro e trêmulo como antes. Ela ainda estava nervosa e preocupada com seu bem estar. Ela suspirou tristemente, mas deixou que Rarity fosse até fim com suas carícias. Até que ela parou e apertou seu casco. Foi nesse instante que Twilight sentiu a diferença e podia ficar muito mais tranquila: o casco de Rarity parou de tremer e ficou mais amolecido e delicado. A pata dela voltou a ser como sempre fora: gentil e gracioso, como os sentimentos da própria dona. Uma vitória que Twilight comemorou dentro de si e demonstrou sua emoção com uma leve apertada no casco de Rarity.

— Pois, bem, Twilight, querida. — começou Rarity, já emocionada — Como amigas, agradeceremos pela sua atenção. E, como amigas, vamos deixar de nos preocupar com você, pois já está recuperada. Vou sentar ao seu lado e contar tudo que sei. Rainbow Dash pode me corrigir algumas partes, caso eu misture alguma coisa ou conte algo que não aconteceu. Ela tem uma memória muito melhor que a minha.

— Sem problemas, Rarity! — Rainbow fez uma rápida continência — Pode deixar comigo que irei te ajudar em alguma parte.

Fim do Capítulo Seis