Fanfics estrangeiras

O Pônei de Oasis

thewhittler

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Autor: ROBCakeran53

Tradução: Drason

SINOPSE: Equestria ainda estava sendo reconstruída após a derrota de Tirek, e as seis novas governantas de Ponyville ajudando em sua reconstrução. Tudo mudou de maneira inusitada quando a Princesa Celestia entregou a elas uma carta descrevendo acerca das façanhas realizadas por um único cidadão da cidade de Oasis conhecido como Senhor Baker, e a forma como superou Tirek. Com a missão de descobrir se os relatos eram verdadeiros, as seis pôneis devem ir até a referida cidade para investigar. No entanto, elas irão descobrir que o Senhor Baker não era exatamente quem ou o que elas esperavam.

– – –

Twilight Sparkle olhava para suas amigas e depois para as grandes pilhas de papeis espalhados sobre a mesa. Ela tinha pego a maior parte, que consistia principalmente em documentos solicitando verbas e recursos para os danos materiais causados por Tirek. E estragos era o que não faltava. Alguns lugares simplesmente haviam desaparecido.

O grupo de amigas estiveram analisando as petições por vários dias, fazendo pausas intermitentes para descanso e refeições. Com milhares de pôneis dependendo delas para encontrar um lugar para ficar, nenhuma queria deixar seus súditos desamparados. Twilight estava motivada, acima de tudo, por ter um maior censo de dever agora que era a nova princesa. Ela sentia o peso da responsabilidade muito mais do que as outras.

O som dos óculos de leitura de Rarity batendo sobre a mesa de pedra levava todas as pôneis em suas próprias dores de cabeça. A unicórnio branca massageava a têmpora com um casco, seus olhos fechavam enquanto ela tentava e falhava ao aliviar um pouco a pressão.

“Intervalo, garotas.” Dizia Twilight, tendo ela mesma que lutar contra uma latejante dor de cabeça.

Rainbow Dash esticava suas asas rígidas devido ao pouco uso nesses últimos dias. Twilight fazia o mesmo, sentindo suas próprias asas dormentes por todo esse tempo. Applejack praticamente caía de seu trono, com sua franja loira escondendo seus olhos fechados por trás. Fluttershy se desculpava com as suas pernas estalando por estar sentada na mesma posição por muito tempo.

A pônei que mais sofria, embora fizesse o que podia para esconder sua agonia, era Pinkie Pie. Não havia um problema que ela não pudesse resolver com uma festa. De fato, ela realizou várias após a derrota de Tirek para trazer moral à maioria dos pôneis que ela sabia que começariam a sentir depressão após o desastre, vendo muitos deles perdidos. Toda aquela papelada a estava deixando louca, e Twilight sabia que teria que reescrever alguns dos textos de Pinkie. Ela usava tinta rosa nos papeis, sendo que para documentos oficiais eram autorizadas apenas as cores preta ou azul. Além disso, a pônei rosa pontilhava a letra “i” com corações ao invés de pontos, mas se isso a estava ajudando a evitar a insanidade, então a alicornio roxo poderia ignorar.

Fluttershy caminhava de volta para a sala, com sua crina cobrindo metade da sua face.

“Hum, Twilight? Há alguém querendo uma audiência com você.” Ela dizia, voltando em seguida para seu trono.

“Quem…?” As palavras de Twilight sumiam enquanto a Princesa Celestia passava pela porta de entrada.

“P-Princesa! Digo, Celestia, o que a trás para Ponyville?” Twilight gaguejava, se forçando a sair de seu assento para se curvar.

“Bem, me dói fazer isso.” Dizia Celestia, levantando um pergaminho desenrolado, “Mas eu tenho outra cidade precisando de verba.”

De uma só vez, todas as amigas de Twilight soltaram um frustrado gemido. Rainbow Dash foi tão longe a ponto de bater a cabeça na mesa, o que foi um erro. Não apenas porque desarrumou os papeis empilhados de Rarity, mas por causa do material que era feito a mesa.

“Ugh… eu continuo esquecendo que essa mesa é feita de pedra.”

“Mesmo? Outra cidade precisando de ajuda? Perdoe-me por argumentar, mas já fazem semanas desde que Tirek foi detido, e nós estamos perto de encaminhar cada verba aos municípios atingidos. Como pode uma única cidade estar pedindo ajuda somente agora, depois de tanto tempo?” Perguntava Rarity, ao mesmo tempo que usava sua magia para arrumar os papeis.

“Bem, é por isso que vim aqui.” Celestia respondia, caminhando em direção de Twilight. “A questão é que os pôneis dessa cidade rural chamada Oasis, na verdade não estão pedindo ajuda. Pelo menos não para reconstruir.”

“Eu não entendi Princ… Celestia.” Dizia Twilight.

Princesa Celestia levitava o pergaminho aberto até Twilight, que o pegava com sua própria mágica para ler. Todas as suas amigas podiam ver a mudança na expressão de Twilight, de frustração para curiosidade, e então descrença.

“Isso não pode estar certo, Celestia.” Twilight colocava o pergaminho em cima da mesa.

O papel foi então envolto por outra a aura, pertencente a Rarity que o levitava para ler.

“Isso não pode ser verdadeiro, não é?”

“Mais o que qui tem aí afinal??” Perguntava Applejack, olhando para o verso do papel em uma frustrada tentativa de ler.

Celestia limpava sua garganta. “Parece que quando Tirek chegou na cidade de Oasis, ele fez com ela exatamente o mesmo que havia feito com as demais, drenando a magia dos pôneis. Eles estavam todos fracos, incapazes de se moverem, e estavam lutando para evitar que a cidade caísse aos pedaços.”

“E isso é estranho por que?” Applejack perguntava colocando o cotovelo sobre a mesa, descansando o queixo em seu casco.

“Porque um pônei evitou que sua mágica fosse roubada.”

Com aquelas palavras, o restante das orelhas das amigas de Twilight se levantaram.

Hein?” Applejack deixava o casco cair sobre a mesa.

“Um tal de Senhor Baker não foi afetado por Tirek. Como ou porque a carta não diz, mas esse indivíduo conseguiu ajudar todos eles, cuidar deles, suas casas, seus negócios. Ele inclusive preparou suas refeições, café da manhã e jantar.”

“Mas Tirek não estava controlando tudo e todos por… uma semana?” Perguntava Rainbow Dash.

Celestia acenava, sem necessidade de adicionar palavras para a já curiosa situação.

“Então, esse tal de Baker cuidou de uma cidade inteira por uma semana. De quantos pôneis estamos falando?” Perguntava Applejack.

“Quatrocentos e dois, sendo dez bebês e cinco crianças dentre eles.” Respondeu Celestia.

O silêncio era ensurdecedor para Twilight, todas as suas amigas olhavam para Celestia em choque.

“Eu… isso é…” Rarity gaguejava, ainda olhando para o pergaminho.

“Aí também diz que essa carta foi escrita sem o conhecimento do Senhor Baker. Me parece que ele não queria qualquer tipo de reconhecimento pelo que fez, embora se possível, entendo que deve ser reembolsado pelos materiais que ele usou de seu próprio estoque para reconstruir um pouco da cidade.”

“Espere, reconstruir?!” Perguntou Rainbow Dash. “Ele também consertou a cidade enquanto cuidava dos habitantes?”

“Sim. Uma casa foi completamente destruída, enquanto duas lojas foram danificadas, mas reparadas. Parece que esse Senhor Baker não é apenas um cozinheiro, mas carpinteiro também. Me atrevo a suspeitar que este pônei pode fazer muitas outras coisas.”

“Bem, hum… mas se não é ajuda então o que eles querem?” Fluttershy finalmente falava.

“Como eu disse antes, reembolso pelos suprimentos que ele usou, materiais para construir uma casa e consertar duas lojas.” Celestia olhava para Twilight. “O próprio prefeito daquela cidade quer que nós concedamos a ele uma medalha.”

A sala do trono ficava em silêncio por um longo minuto, antes que Twilight limpasse sua garganta.

“O que quer que nós façamos então?”

Celestia pegava o pergaminho de Rarity, olhando para ele mais uma vez antes de enrrolá-lo.

“Com todas essas informações, há também uma preocupante lacuna. Tenho certeza que todas vocês têm mais perguntas, assim como eu. Enquanto estamos em um momento de crise, tentando reconstruir e nos recuperarmos, eu não iria querer ver ninguém explorar esse desastre.”

“Explorar? Princesa Celestia, você não pode estar sugerindo…”

“Rarity, eu estive governando por pouco mais de mil anos, pelo que eu consiga me recordar. Tenho visto muitas coisas boas e ruins sobre pôneis. Estou surpresa desta ser a única situação que levanta alguma suspeita, e se esse pedido tivesse vindo no mesmo dia que os outros, eu simplesmente teria deixado de lado.  Mas, quatro semanas depois? Quando estamos prestes a encaminhar as verbas e recursos? Eu acho isso tudo muito estranho.”

“Então eu quero que vocês seis vão investigar.” Celestia olhava para a porta, onde um único guarda a esperava. Após o aceno de Celestia, ele trotava com uma caixa em suas costas. Celestia a levitava com sua magia e a abria. “Este é o maior prêmio que um cidadão de Equestria pode receber. A Marca da Harmonia. Apenas nove pôneis e um griffon em todos os séculos do meu governo o receberam.”

As pôneis olhavam admiradas para o medalhão dourado do tamanho de um casco, descansando em um forro de veludo púrpura. Uma escultura estava encrustada na superfície dela, aparentando ser uma esfera que Twilight presumia ser a representação do mundo inteiro. No topo do medalhão, “A Marca da Harmonia” estava rotulada com letras em relevo, e na base havia os dizeres “Não para nós mesmos, mas para cada um.” Era simples, e se destinava a ser assim.

“Como podem ver, a parte traseira foi deixada em branco por razões obvias. Twilight, se você quiser, tem minha autorização para colocar o nome do Senhor Baker nessa parte. Eu também tenho o dinheiro requerido para restituição esperando a transferência se tiver a sua concordância. Enquanto todos em Equestria precisam dessas verbas, eu me atrevo a dizer que poderia fazer uma exceção para um indivíduo que foi acima e além de qualquer outro pônei.”

Celestia fechava a caixa, colocando ela na mesa na frente de Twilight.

“Eu… não tenho certeza, Celestia. Digo, o certo não seria você conceder tal honra?”

Celestia sorriu. “Twilight Sparkle, depois de tudo que você fez por Equestria, por suas amigas, por mim, você realmente acha que eu não iria querer ver um herói honrado recebendo tal premiação de outra heroína honrada, que é você?”

Twilight corava, sentindo suas amigas sorrindo para ela. Claro, ela salvou Equestria muitas vezes, mas foi com suas amigas. Ela não poderia fazer isso sem elas. Mas este pônei? Senhor Baker? ele fez tudo sozinho.

Twilight acenava. “Você está certa. E se esse pônei realmente fez o que está dizendo nesse pergaminho, então eu vou assegurar que ele receba a merecida homenagem.” Twilight olhava para a pônei rosa. “Pinkie, você poderia levar seus suprimentos de festas?”

Pinkie Pie saltava de seu assento. “Ah sim, vai ser uma festa fora de série!” Ela dizia antes de sair da sala para buscar suas coisas.

“Rarity, você acha que pode fazer um cordão bem bonito para pendurar isso?” Twilight levitava a caixa na direção de Rarity, que o pegava com sua própria mágica.

“Mas é claro, querida. Me dê uma hora que estará pronto.” Ela se levantou, curvando-se em seguida para Celestia e depois saindo.

“Applejack, você acha que pode preparar alguns lotes de maçãs e outros alimentos para levar? Tenho certeza que depois de tudo o que ele fez, esse Senhor Baker deve estar com seu estoque praticamente esgotado.”

“Considere isso feito sô!” Applejack pulava de seu assento, galopando para o final do corredor.

“Fluttershy, eu não sei se eles têm um médico. Pode ser que sim, mas na dúvida, poderia ir até o hospital de Ponyville buscar alguns suprimentos para a viagem?”

“Sim, claro Twilight. Vou levar meu equipamento veterinário também. Quem sabe alguns animais não estejam precisando de ajuda.”

E Rainbow Dash, poderia checar Cloudsdale e ver se eles ainda têm a máquina geradora de nuvens? Vai saber quanto tempo eles ficaram sem chuva, e nesse caso ela seria muito útil.”

“Conte comigo, Twi.” Rainbow fazia continência, e em seguida voava para fora da janela.

Twilight suspirava, curvando-se em má postura em seu trono.

“Muito bem, Twilight.”

Twilight pulava, completamente esquecida que sua mentora ainda estava na sala.

“Sei que você ainda duvida de si mesma, mas lhe dê um tempo. Você está se moldando para se tornar uma grande princesa. E depois de observar duas outras alicornios entrar para a realeza, posso dizer com confiança que você já está agindo bem como autoridade.”

Twilight corava de novo.

Próximo à porta de entrada, o guarda tossia, chamando atenção das duas princesas.

“Já deu o horário para o outro compromisso Hank?”

“Eu temo que sim, Princesa.” Respondeu o guarda.

“Muito bem. Twilight, deixo essa situação sob seus cuidados. Vou levar a papelada comigo para Canterlot. Tenho certeza que Luna e eu podemos terminar tudo isso até o seu retorno.”

“Certo. E Spike? Posso escrever para ele voltar?”

Celestia balançava a cabeça. “Vou escrever para ele, lhe dando ciência que assim que terminar suas tarefas deverá encontrar você em Oasis. Ele ainda pode levar um dois dias para terminar e tem sido um dragão muito valente ajudando o Império de Cristal.”

“É natural, ele aprendeu muita coisa sobre organização. Tenho certeza que Cadence está apreciando a ajuda dele.”

Celestia acenava. “Além disso, eu sei que você se sente muito responsável com isso tudo, tente tirar esses dias de viagem a Oasis com suas amigas para relaxar. Você esteve trabalhando tão duro e posso ver que está estressada. Luna, Cadence, Spike e eu vamos cuidar de tudo enquanto isso.”

“Tudo bem então, Princesa. Eu sei que as garotas vão ficar contentes fazendo uma pausa com toda essa papelada. Aliás, coitada da Pinkie Pie, já estava quase dormindo em cima dos papeis.”

Celestia riu. “Sim, não a culpo. Você deveria ter visto Luna após seu retorno. Ela ficava trancada em seu quarto por semanas, fazendo de tudo para restabelecer sua côrte noturna.”

“Eu imagino, mil anos é muito tempo para pôr em dia.” Twilight olhava para a janela, perdida em pensamentos.

“Bem, tenho que ir. Vou aguardar com muita expectativa sua carta, Twilight. Espero que tudo que esse prefeito disse seja verdadeiro. Um pônei que fez tanto por uma cidade como aquela, bem, ele merece cada bit em reconhecimento pelos seus esforços. Ele pode não ter uma premiação completa aos moldes de Canterlot, mas nem parece mesmo que ele gostaria que fosse assim. Talvez com os pôneis daquela cidade que ele ajudou, ele aceite.”

Sem outra palavra, Celestia caminhava para fora da sala, deixando Twilight com seus muitos pensamentos. Uma simples questão continuava voltando em sua mente, e ela não conseguia colocar um casco na resposta.

“Mas que tipo de pônei é esse Senhor Baker?”

Thomas Baker não aparentava estar muito contente ao saber da carta. Era algo aparente pela sua entrada explosiva e passos pesados no único prédio da prefeitura de Oasis, onde funcionava tanto o escritório do prefeito como o posto de correios. O piso de madeira agora com três anos de idade estava finalmente começando a mostrar o desgaste dos inúmeros cascos que pisavam nele. Levou meses para Baker obter tais madeiras de qualidade para refazer o chão da prefeitura, e isso era aparente pela ausência da madeira rangendo quando andava nela.

A pônei sentada no balcão de recepção que levava até o gabinete do prefeito olhava para Thomas com um largo sorriso.

“Bom dia, Senhor Baker, como está hoje?”

Ele parava, olhando para ela. “Não muito contente, senhoria Billfold, não muito contente. E o pônei naquele escritório é o principal motivo. Então se me der licença, preciso trocar algumas ideias como o nosso amado prefeito.”

“Se puder esperar apenas um momento, porque Copper Top está lá com ele.”

“Ele está? ótimo, esse é outro pônei com quem quero ter uma conversinha. Vou golpear dois pássaros com apenas uma pedra.” Ele dizia, passando pelo balcão e caminhando até a porta do prefeito.

“Sabe, eles fizeram isso por você, Senhor Baker. Depois de tudo que fez por nós, a cidade…”

“Eu não quero ouvir isso, Senhorita Billfold. Tenho ouvido o suficiente dos outros nas últimas quatro semanas.”

“Não quer dizer que não seja verdade, Senhor Baker.” Ela respondia, sem enxergar qualquer ofensa.

Ele ignorava, agarrando a maçaneta e abrindo a porta. Ele entrava no gabinete, dando um chute na porta para fechá-la, e olhava os dois velhos pôneis compartilhando um copo de Bourbon, a bebida favorita do prefeito.

“Olha só, foi só falar do Thomas que ele apareceu, por favor, sente-se.” Dizia o prefeito, apontando para um banco no canto da sala.

“Prefiro ficar de pé, senhor prefeito.”

“Bem, como preferir, você gostaria…”

“Não, agora não. Não estou de bom humor, e a única coisa que esse licor poderia fazer é com que eu me sentisse pior.”

“Argumento justo, rapaz, argumento justo. Eu esqueci de como suas emoções ficam meio selvagens depois do licor.”

“Ei, isso aconteceu poucas vezes!” Retrucava Thomas.

“Sim, me lembro da última vez que você bebeu… um pouco? Você ficava rindo sem parar.” O outro pônei, o sherife da cidade Copper Top dizia enquanto tomava outro gole. “Como poderíamos nos esquecer do incidente no vigésimo primeiro aniversário da estrada Road Rage?”

Thomas Baker gemia. “Por que vocês sempre tem que lembrar daquilo?”

Copper Top esboçava um sorriso largo. “Porque é sempre embaraçoso pra você, que também serve para acalmá-lo quando está de mau humor.”

“Sinceramente, às vezes você é inteligente demais para ser um sherife.” Dizia Thomas, cruzando os braços.

“Bem, eu fui ambos médico e sherife por seis anos até aquele pônei de Manehatan aparecer com sua carruagem extravagante, se estabelecer na cidade, onde fui deixando o ofício de médico aos poucos até ficar apenas com o de sherife.”

“Não que eu esteja reclamando, é claro. O conhecimento médico que ele tem, por Celestia, a filha de Gaden Patch poderia ter perdido seu chifre de unicórnio se ele não estivesse aqui.” Disse o sherife.

“De fato, eu nem sabia que era possível transplantar uma artéria daquela forma. Ele pode ser convencido, mas é um ótimo médico.” Afirmava o prefeito.

“Certo, certo, entendi. Mas voltando ao assunto.”

“Sim, por que você está aqui Thom?” Perguntava Copper Top.

“Porque alguém enviou uma carta a Canterlot descrevendo o que eu fiz nas últimas semanas.”

“E de onde você ouviu tal acusação?” O prefeito perguntou.

“De sua esposa quando ela parou para me pedir sabonete esta manhã.” Ele disse.

“Eu avisei pra você não dizer a ela.” Disse Copper para o prefeito, tomando outro gole.

“Você sabe muito bem que eu não poderia escrever aquela carta com meu problema de coordenação motora. Felizmente a minha esposa, a Senhorita Billfold é a minha salvação, é ela que escreve todos os documentos por mim, sejam oficiais ou extraoficiais.”

“Então você admite, foi você quem teve a ideia da carta e a enviou.”

“Sim.”

“Bom, então meu blefe funcionou.”

“Seu blefe?”

Copper Top caía na gargalhada, enquanto que o prefeito olhava confuso.

“Para um não pônei, Thomas, você certamente tem coragem fazendo isso. Se eu não te respeitasse como eu faço, então teria que te colocar na cadeia por mentir para o prefeito.”

“Espere um minuto, do que vocês estão falando…”

“Sim, eu estava blefando. Você sabe que os sabonetes que a sua esposa adquire são encomendado de Canterlot. Eu apenas vendo o material padrão, não produtos de limpeza.”

O prefeito deu um tapa na testa com seu casco.

“Então como você ficou sabend…”

“Porque quando Speed Delivery parou para entregar minha carta, ela deixou cair outra no chão ao sair. Tinha o selo oficial do governo de Canterlot endereçado a você.”

Thomas tirou a carta de seu bolso, a acenando no ar.

“Bem, certamente que essa carta apenas…”

“Prefeito, eu posso ser um humano ingênuo, mas mesmo eu sei que as únicas coisas que você envia para Canterlot são as prestações de contas da cidade, e isso foi há quatro meses.”

O prefeito deixava escapar um suspiro de derrota. “Tudo bem, você me pegou, Thomas. Sim, eu enviei a carta e essa que você está segurando deve ser uma resposta vinda de Canterlot.”

“Sobre mim, não é?”

“Sim.. e não.”

“E que isso exatamente quer dizer?”

“Thom, o prefeito e eu sabíamos muito bem que você não queria nada de especial pelo que fez. E eu acho isso altamente respeitável e louvável de sua parte, mas de maneira alguma que você sairia livre pelo que fez. Por isso nós tivemos que mandar aquela carta para o Castelo de Canterlot, diretamente para as princesas.”

“VOCÊS O QUE??” Thomas gritava.

“Relaxa, relaxa. Nós não dissemos nada além daquilo que elas deveriam saber. A carta apenas diz que você é um de nós e que ajudou sua cidade, em nenhum momento dizemos que você não é um pônei. Não te culpo por não querer se envolver com o resto de Equestria. Se nosso encontro há dez anos atrás foi algum sinal de como o resto de Equestria poderia ter te tratado, provavelmente você estaria em algum zoológico agora.” Disse o prefeito.

“Sim, obrigado por aquilo. Você ainda tem sorte por aquela pancada não ter lhe deixado uma cicatriz.”

“Agora relaxe, Thomas. A pior coisa que pode acontecer é elas negarem o pedido, então você ganhará e não terá que se preocupar mais. No entanto, se tudo der certo, então você será apenas reembolsado pelos materiais que usou para consertar a cidade. Por que você não me entrega essa carta e vemos que tipo de resposta elas deram, hmm?” Disse o prefeito, estendendo o casco.

Thomas balançava a cabeça. “Pode ser, você já fez tudo pelas minhas costas mesmo.”

Ele jogava o envelope sobre a mesa, onde o prefeito graciosamente pegava para abrir. Ansiosamente, Thomas e Copper esperavam pelo prefeito começar a leitura da carta, mas ele escolheu ler em silêncio primeiro. Para o horror de Thomas, a expressão do prefeito passou de excitação para descrença.

“Eu não acredito nisso.” Ele disse, jogando a carta na mesa, então olhando para Thomas. “Simplesmente não acredito.”

O que?? Não acredita em que??” Thomas perguntava preocupado.

Copper Top limpava a garganta antes de começar a ler a carta em voz alta.

“Senhor prefeito, agradeço pela carta. Tenho certeza que você sabe tão bem quanto eu que seguindo os estragos de Tirek, todos em Equestria estão lutando para se recuperar. Há muitas cidades ainda destruídas e dispersas. Mas quando recebi sua carta quatro semanas depois do resto de Equestria, ela me deixou querendo saber o que aconteceu por aí.”

“Depois de ler as façanhas realizadas por um de seus cidadãos conhecido pelo nome de Senhor Baker, posso apenas sentir um grande senso de honra que um mero pônei poderia assumir não apenas para ajudar seus companheiros, mas para restaurar a própria cidade. Uma coisa me chama atenção, que foi o fato desse pônei evitar que Tirek lhe roubasse a magia. Não há registros de qualquer outro pônei que tenha conseguido escapar de sua drenagem mágica, e eu gostaria de saber mais.”

“Então, pelo tempo que você estiver lendo esta carta, Princesa Twilight Sparkle e os outros elementos da harmonia estarão em um trem a caminho de sua cidade para recepcionar o Senhor Baker, conhecerem sua história, e decidirem se é ou não verdadeira. Se for, então seu pedido por uma medalha de honra será concedida, e ele receberá o mais honroso prêmio de Equestria: A Marca da Harmonia, juntamente com as despesas solicitadas para restituir seus suprimentos, além de um adicional de duzentos por cento pelo tempo de serviço.”

“Pelo que pude entender de sua carta, ele não quer absolutamente nada em troca por seus atos, então recomenda-se não deixá-lo saber de imediato acerca da chegada da Princesa Twilight, pois ele pode considerar injusto e se evadir do local e até da cidade. O elemento da alegria preparou uma pequena e suficiente festa para ele, enquanto grande o bastante para os demais cidadãos apreciarem e celebrar o verdadeiro herói que ele é.”

“Me traz profunda tristeza saber que muitos pôneis sofreram sob controle de Tirek, mas as ações do Senhor Baker me mostraram que ainda há luz no fim do túnel, e nós apenas temos que trabalhar para garantir que Equestria esteja segura mais uma vez. Eu desejo a você e aos demais moradores de Oasis tudo de bom, e fico contente em saber que ninguém se feriu.”

“Sua Majestade Real, Princesa Celestia.” Copper parava, abaixando a carta com os olhos arregalado.

Tanto ele como o prefeito olhavam para Thomas, que estava com os braços ao lado do corpo e um olhar chocado que se completava com um semblante horrorizado.

 Thomas se virou, pegou a grande cadeira dobrável que foi construída especialmente para ele,  a colocou ao lado de Copper, se sentando nela.

“Eu aceito aquele bebida, prefeito.”

O prefeito pegava outra taça, derramando uma porção de líquido cor âmbar nela.

Copper Top olhava para a carta novamente. “Mas afinal de contas, quem é essa Princesa Twilight Sparkle?!”

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Diferente

rainbow-e-ditzy

Autor: DJLowrider

Tradução/edição: Drason

SINOPSE: Manter um nível de auto estima sem que seja abalada perante uma ou outra circunstância pode ser um grande desafio, especialmente quando se é diferente da maioria. De todos os remédios no mundo, porém, nenhum supera o amor do próximo que lhe deseja o bem, e fará de tudo para restabelecer suas crenças sobre si mesmo.

*****

Rainbow Dash tomou uma profunda e refrescante lufada de ar enquanto estava em um canto de sua casa nas nuvens. Ela havia tomado um cuidado extra para assegurar que o trabalho com o tempo estava perfeitamente finalizado, e agora tinha o resto do dia para si mesma. Ela pendurou seus alforjes nas costas e retirou dois pequenos pedaços de papel do interior. Eram ingressos para o show dos Wonderbolts que teve apresentação marcada na arena de Cloudsdale naquela tarde. Ela guardou os ingressos de volta na bolsa e rapidamente verificou o resto dos mantimentos que havia embalado, que incluía alguns sucos para desfrutar durante o show e um par de óculos de sol no caso dele ficar demasiadamente brilhante no local do show. Convencida de que tinha tudo em ordem, levantou voo e partiu em direção à casa de Fluttershy para convidar sua amiga a se juntar ao evento.

Dash estava aproximadamente a meio caminho da casa da pegasus amarela, quando ouviu o que pareciam soluços vindo de uma nuvem próxima. Ainda havia muito tempo antes do show começar, e ela mudou de direção para ver o que estava acontecendo. Ficou surpresa ao se deparar com Ditzy Hooves, uma das carteiras de Ponyville, escondida atrás de uma nuvem aparentemente abatida. Dash conhecia bem a pegasus cinza, mesmo que ela não fizesse parte de seu habitual círculo de amigas. Além disso, ela não gostava de ver pôneis tristes. A pegasus azul se aproximou de Ditzy, cuidadosamente para não assustá-la.

“Ei Ditzy,” Disse Dash alegremente anunciando sua chegada. Ditzy olhou em volta e, depois de observar Rainbow pousando em sua nuvem, ficou de pé e esfregou seus olhos rapidamente para tentar esconder as lágrimas.

“Oh, olá Rainbow Dash,” respondeu Ditzy, soando muito desanimada e irreconhecível para Dash. “Se você está procurando por alguma carta que esteja faltando, sugiro procurar outro carteiro. Hoje estou de folga.”

“Não estou à procura de cartas, Ditzy,” Rainbow respondeu. A pegasus cinza tinha a reputação de ser um pouco insegura quando se tratava de entregas, mas nada que tivesse aborrecido Dash antes. “Eu estou preocupada com você. Por que estava chorando?”

“Oh… você ouviu,” Disse Ditzy, agora parecendo ainda mais chateada por ter atraído atenção. “Não é nada demais. Nada que eu nunca lidei antes.”

“Se você está tentando esconder algo de mim vai ter que fazer melhor do que isso, Ditzy,” Disse Dash a ela.

“Não é nada que você deva se preocupar, Rainbow.” Disse a pégasus cinza se afastando dela. “E eu não quero que você desperdice seu tempo comigo. Vou ficar bem, sério.”

Dash mordeu os lábios e se aproximou de Ditzy novamente, olhando para ela diretamente em seus olhos avermelhados.

“Muito bem, já é o bastante.” Disse Rainbow um pouco ríspida. “O que é isso tudo? Pôneis como eu? Como você? Estou acostumada em ouvir você falar sobre coisas estranhas, mas isso não faz sentido. O que aconteceu?”

Ditzy tentou evitar o olhar de Dash, mas a pegasus azul sempre foi muito persistente. Ditzy finalmente se sentou e suspirou profundamente, percebendo que não tinha opções.

“Eu estava indo fazer compras no Torrão de Açúcar para mim e Dinky”, dizia a pegasus cinza, analisando a maciez da nuvem em que estava sentada enquanto falava. “Eu tinha acabado de sair de casa quando um casal de griffons me pararam. Eu os conheço da minha rota de trabalho como carteira, e eles não estavam contentes da forma como eu trabalhava. Eles… eles disseram algumas coisas significantes para mim.”

“Como o que?” Dash perguntou enquanto se sentava na frente de Ditzy.

“Eles me chamaram de coisas como… desajeitada, sem qualificação para o trabalho e… bem, um monte de outras coisas que prefiro não repetir.”

“Está tudo bem.” Disse Dash, se sentindo indignada.

“Mas a pior parte foi… as coisas que disseram sobre Dinky que provavelmente era verdade”, Ditzy dizia com alguns soluços a interrompendo enquanto forçava as palavras para fora.

“Eles não fizeram isso!” Disse Dash em choque. Dinky era a coisa mais importante para Ditzy, e Rainbow sabia que a pegasus cinza amava sua filha mais do que qualquer outra coisa no mundo. Ditzy apenas acenou para Dash confirmando.

“Estou acostumada quando falam coisas do tipo sobre mim, mas Dinky não é como eu. Ela é inteligente, bonita e vai se tornar uma grande unicórnio um dia. Sei que sou meio atrapalhada, mas faço o meu melhor para cuidar dela. E ouvir alguém falar mal dela… é inaceitável.”

Rainbow Dash estava prestes a perguntar para Ditzy quem eram os griffons que a magoaram apenas para localizá-los e dar-lhes uma lição de boas maneiras, mas se lembrou quando Twilight disse que uma ação cheia de ira e nervosismo a levaria a tomar a menos sábia das atitudes. Ela levou um momento para se acalmar enquanto Ditzy tentava ter controle sobre suas emoções novamente.

“Eu sinto muito, Rainbow Dash,” Disse Ditzy, ainda soluçando um pouco. “Não queria te incomodar com isso. Voei até aqui achando que ninguém iria me encontrar. Mas eu vou ficar bem. Apenas esqueça isso tudo.”

“De forma alguma!” Disse Dash firmemente enquanto voltava a si. “Ninguém merece ser tratado assim, especialmente você, Ditzy!”

“Mas eu não sou nada especial,” Disse Ditzy, ainda examinando atentamente a nuvem abaixo dela. “Não como você.”

“Está brincando? Ditzy, você é tão especial e importante quanto eu, e pra falar a verdade até mais do que qualquer outro pônei.”

“Mas Rainbow, você é uma pegasus incrível”, disse Ditzy, finalmente olhando para ela. “Você ganhou o concurso de melhor jovem voadora, se tornou a diretora de meteorologia de Ponyville. Você é incrível e importante. Mas eu sou apenas uma carteira. Não há nada de especial sobre mim.”

“Posso ter feito muitas coisas legais Ditzy, mas há algo que você faz que é mais incrível e importante do que qualquer coisa que eu já fiz”, Rainbow disse a ela.

“Mas o que poderia ser?” A pegasus cinza perguntou muito curiosa.

“Você é uma mãe, e uma mãe de verdade.” Disse Dash sorrindo para ela. “Você daria tudo de si para se certificar que nunca faltaria nada para Dinky. Muitas vezes vejo você deixar de fazer o que gosta para cuidar da dela, ou de sacrificar um vestido novo ou qualquer outra coisa para investir na sua filha, e só quem tem um amor verdadeiro de mãe é capaz disso. Nenhum número de Sonics Rainbooms supera uma grandiosidade dessa.”

“Você… realmente acredita nisso?”

“Absolutamente.” Disse Dash categórica. “E digo mais, não deixe que outros a façam se sentir magoada, eles é quem são os desqualificados na vida e nos sentimentos por não procurarem compreender quais são suas dificuldades antes de saírem falando a primeira estupidez que passa no cérebro atrofiado deles.”

“Sei que não deveria, mas não é fácil quando me sinto tão diferente dos outros,” Disse Ditzy enquanto seus olhos lentamente vagueavam para as posições de costume.

“Fale-me sobre isso,” Disse Dash, imediatamente identificando-se com o sentimento de Ditzy.

“Mas Rainbow, você é legal, não diferente.”

“Acha mesmo isso?” Dash perguntou com um sorriso meio assustado em seu rosto. “Quando eu era criança, falava baixo o tempo todo.”

“Sério?” Perguntou Ditzy, incrédula.

“Sim. Para começar eu costumava ser muito desajeitada. Bem… eu ainda sou agora que toquei no assunto. Posso ser boa em voar, mas pousar não é o meu forte. Foi por isso que ganhei o apelido ‘Rainbow Crash’. Só pararam de me chamar assim depois que venci e torneio e salvei alguns wonderbolts, além da Rarity.”

“E isso não era tudo,” acrescentou Dash, alisando sua crina com o casco. “Você não tem ideia do quanto eu fui incomodada ao longo dos anos por causa da cor da minha crina e cauda.”

“Não pode ser!” Disse Ditzy surpresa. “Sua crina é linda!”

“Obrigada, mas muitos pôneis achavam estranha. Porém é parte de quem eu sou, e me orgulho disso. Quem me julga sem me conhecer não vale nada. A falta de conhecimento, a ignorância propriamente dita, é o que leva os outros a agirem com estupidez e julgarem com uma enxurrada de equívocos. E esses sim é que são os inúteis que vêm ao mundo apenas para ocupar espaço, nada mais, e não merecem minha atenção. E o mesmo vale para você. Digo, você realmente não conhece esses que te insultaram, certo?”

“Estou familiarizada com eles, mas não os chamaria de amigos.” Ditzy admitiu.

“E eles sabem alguma coisa sobre Dinky?”

“Nunca sequer a conheceram, no máximo apenas de vista.”

“Viu só o que eu disse? E por que você deveria se importar com o que pensam de você então?” Dash perguntou de forma retórica. “Eles são apenas um bando de idiotas mentes vazias que querem se sentir melhor julgando quem lhes convém, ou que é diferente. Mas ser diferente não é ruim, Ditzy. Você deve sentir orgulho de quem você é, e valorizar apenas a opinião daqueles que realmente te conhecem, que te amam, e querem o seu bem.”

“Eu… eu nunca pensei dessa forma,” Disse Ditzy, balançando a cabeça em concordância.” Obrigada, Rainbow Dash. Realmente me sinto muito melhor agora.”

“Fico feliz em ouvir isso,” disse Rainbow Dash enquanto trotava até ela antes de lhe dar um confortante abraço. Em seguida, caminhou até a borda da nuvem, onde parou e olhou para a pegasus cinza. Você disse que hoje é o seu dia de folga?”

“Sim, por que?”

“Eu tenho dois ingressos para ver a apresentação dos Wonderbolts em Cloudsdalle hoje, gostaria de ir comigo?”

“Eu?” Ditzy disse surpresa. “Mas… você não iria convidar umas de suas amigas?”

“Exatamente, e por isso que estou convidando você.” Dash sorriu calorosamente para ela.

“Rainbow Dash, eu… eu adoraria, mas não posso deixar Dinky sozinha o dia todo.”

“Essa é a melhor parte, as crianças podem entrar de graça,” Disse Dash com uma piscadela. “É só pedirmos para Twilight usar a magia de caminhar nas nuvens para Dinky, e então poderemos ir nós três. E de quebra, ainda podemos levá-la para conhecer os Wolderbolts pessoalmente!”

“Você faria tudo isso por ela?” Ditzy perguntou surpresa.

“Mas é claro que sim, sei que sua maior felicidade é ver Dinky sentindo a mesma coisa, e nada me deixaria mais contente.”

“Então nesse caso eu adoraria ir!”

 “E o que estamos esperando?” Perguntou Dash esticando suas asas. “Primeiro vamos até o Torrão de Açúcar fazer suas compras, e então buscaremos Dinky para termos um ótimo dia!” Dash disse a ela com um sorriso.

Esse seria um dos melhores dias que Ditzy poderia lembrar. Ela ia levar Dinky para ver os Wolderbolts, para conhecer Soarin, Spitfire e ganhar seus autógrafos. Porém mais do que qualquer outra coisa, seria um grande dia porque ela ganhou confiança e autoestima de uma amiga fantástica que sempre estaria lá por ela, assim como Ditzy por sua filha.

CONSIDERAÇÕES DO AUTOR

De vez em quando a ideia de uma estória me vem a mente, e embora não seja o mais original ou significativo, é algo que você simplesmente tem que escrever de qualquer maneira. É o caso deste conto, e se ele talvez pareça um tanto simples, é porque meu público alvo não foi necessariamente os bronies. Pelo contrário, é a minha própria filha.

Sim, acredite ou não, eu sou um pai. Meu perfil aqui (Fimfiction) diz muito. Minha filha é a mais velha, e foi ela que me apresentou MLP:FIM do qual faço questão de assistir com meus filhos. Minha filha também é uma criança autista de grau acentuado. Apesar de sua inaptidão social, ela é uma jovem brilhante e bonita da qual eu amo imensamente. Ontem (pelo menos foi ontem o dia que originalmente escrevi isso), ela teve um dia bastante difícil depois de ser insultada por outra criança no acampamento de verão, e golpeada na perna por outra.

O conceito para esta estória veio a mim enquanto dirigia para o trabalho, e a escrevi muito rapidamente. Eu imprimi e contei a estória para minha filha na hora de dormir. Ela adorou, e isso foi o suficiente para eu saber que cumpri o meu papel de pai. Então agora estou compartilhando esta estória com vocês. Não espero críticas ou feedback, apenas que a estória seja agradável e de reflexão. Obrigado pelo seu tempo e consideração.

Fanfic, Fanfics estrangeiras

Minha Pequena Dashie – Tempestade

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Autor: Cadet Prewitt

Tradução: Drason

SINOPSE: Durante uma forte tempestade, o pai de Dashie permite que sua filha passe a noite com ele. Isso o faz ter uma breve reflexão sobre algo extremamente importante que está ficando cada vez mais escasso no mundo. 

***

O trovão estrondoso fora de casa era a única coisa sugerindo que essa noite não seria um clima perfeito para observar as estrelas. Foi também a única coisa me impedindo de ter um sono tranquilo.

Poderia acontecer qualquer coisa, menos uma noite barulhenta que simplesmente não me faria dormir.

Havia passado dez minutos em que eu estava deitado na cama, acordado, imaginando todo o sono que estava perdendo quando veio uma súbita batida na porta. Não era exatamente uma batida. Parecia mais com o barulho suave de um casco batendo nela, como se estivesse hesitando de realmente fazer algum barulho. A porta rangia um pouco enquanto ia sendo aberta lentamente.

Eu saio dos cobertores, caminhando até ela.

“Entre.”

Lentamente, muito lentamente, a porta revelava um casco azul por trás dela. De início tudo o que vi foi uma calda colorida, mas quando a porta continuava abrindo, um azul cintilante rapidamente era revelado, dessa vez dando lugar a uma crina colorida com grandes olhos magenta.

Obviamente, eu sabia que era Rainbow Dash.

Olhando para ela, eu levo um momento para admirar o quanto a pegasus azul cresceu no pouco tempo em que estive cuidando dela. Eu podia ver atrás dela as muitas linhas pretas marcadas na porta ao longo do tempo para registrar o crescimento de Dashie. Fazia apenas dois anos desde que a encontrei e ela já cresceu tanto!

“O que foi Dashie?”

“Eu.. eu tive um sonho ruim.” Ela sussurra baixinho, olhando meio deprimida para o chão. “Posso ficar com você esta noite?” Cheia de esperança, ela me olhava com os olhos quase cheios de lágrimas, e ainda de alguma forma eu podia ver tanta alegria escondida por trás deles.

Seus olhos se fechavam enquanto um sorriso deslizava em seu rosto.

“Claro que pode.”

Abrindo os olhos mais uma vez, eu vejo a alegria que Rainbow Dash estava segurando para entrar em erupção. Com um grande sorriso em seu rosto, ela dá um salto antes de correr e subir na minha cama.

“Obrigada!” Ela disse animada enquanto finalmente se aconchegava.

Ela deitava em um dos lados da cama e rolava até o curto espaço entre nós dois ficar fechado. Seus cascos dianteiros se envolviam em torno de meu braço esquerdo, enquanto ela contorcia o corpo se aconchegando mais perto.

Para seu desanimo, eu gentilmente puxo meu braço de seu alcance, mas logo ela se anima novamente enquanto eu envolvo meus braços em seus ombros e a puxo para mais perto de mim. Em seguida, pego a coberta, envolvendo nós dois.

Rainbow parecia se acalmar rapidamente. Ela estava deitada, usando um de seus cascos como travesseiro. Logo, seu queixo se encontrava descansando sobre sua cabeça, e seus olhos se fechavam enquanto eu gradualmente começava a respirar profundamente.

Uma sensação absoluta de serenidade ultrapassava o quarto. Deitado aqui na madrugada com Rainbow Dash em meus braços… eu sentia como se tudo estivesse bem com o mundo, como se tudo o que eu precisasse ou quisesse estivesse aqui, comigo.

E de fato, estava.

A vista adorável de Dashie respirando calmamente em meu peito, cuidando dela de uma forma como se não houvesse mais nada que eu quisesse fazer no mundo além do que já estava fazendo. Era um amor único de pai. Eu sabia que não era único pelo fato de ser a Rainbow Dash, mas por ser um sentimento que poucos experimentavam nesse mundo. Eu sempre me entristeçia ao me lembrar que muitos homens e mulheres nem sempre têm filhos por amor, mas por vaidade ou irresponsabilidade e que, consequentemente, o sentimento de amor pelos filhos nunca acaba sendo o mesmo que eu e Dashie sentimos um pelo outro.

Um pequeno tempo depois, eu me pego exatamente como estou prestes a cair no sono. Que não o faria. Afinal, ainda tinha uma coisa em mente.

“Rainbow Dash?” Eu falo em voz baixa.

Por alguns momentos em silêncio, eu percebo que o sono já havia tomado a jovem pegasus. No fundo, não queria acordá-la.

“Hmm, sim?”

Rainbow inclina a cabeça na minha direção, bocejando.

“Desculpe, não quis acordá-la, pode voltar a dormir.”

“Não, não.” Ela sussurrou, com os olhos ainda fechados. “Está tudo bem, o que você queria falar?”

Eu pergunto com uma voz ainda curiosa. “Dashie, com o que você sonhou?”

“Uh…”

Rainbow não disse nada. Em vez disso, ela girou lentamente a cabeça em minha direção, mas mantendo os olhos fechados, que se abriram assustados, olhando para baixo, não muito dispostos a olharem para os meus.

“E-eu sinto muito.”

Ela mergulha o focinho em meu ombro, escondendo seu rosto longe de minha vista. Eu escuto imediatamente uma fungada abafada de Dashie, seguido por um gemido suave.

“Dashie? Com o que você está triste? Era apenas um sonho!”

“Você me ama?”

“Claro que sim!” Eu respondo com um sorriso, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. “Precisava mesmo perguntar?”

“Promete que não vai ficar bravo?” Ela finalmente olhou em meus olhos, claramente segurando as lágrimas.

“Eu prometo.”

Rainbow leva um momento para respirar e se acalmar antes de continuar.

“E-eu não tive um sonho ruim, apenas…” Ela ficou em silêncio, sem saber como continuar.

Agora minha curiosidade estava aguçada. Se Rainbow não teve nenhum sonho ruim, por que ela teria mentido para mim? De qualquer forma, eu sabia que a maneira mais simples de descobrir era perguntar a ela, sem parecer zangado ou impaciente, mas com o mesmo carinho e amor de pai que sempre tive com ela.

“Por que você me disse que teve um sonho ruim Dashie?”

“Por favor, não fique bravo!” Um milésimo de segundo depois ela mergulha novamente para meus braços. Gentilmente eu a removo, colocando minhas mãos em seus ombros, olhando para ela.

“Não vou ficar bravo, eu prometo.” A simples frase foi suficiente para acalmá-la.

Bem, é que… quando eu vi você andando no quarto, escutei o trovão, e me lembrei que você não consegue dormir quando troveja muito… então eu pensei que talvez, se eu passasse a noite com você, poderia te ajudar…” Enquanto as palavras aumentavam, sua confiança diminuía, até ser difícil escutar o que ela dizia.

“Então você fez isso por mim?”

“Sim.”

Depois de olhar fixamente para ela por alguns segundos, o maior sorriso que eu poderia recordar em erupção se estampava em minha face. Foi quando eu puxei Dashie para um abraço incrivelmente apertado, sabendo que se ela estava ali por mim, era porque eu não falhei como pai. No momento em que a puxei, ela se sentiu tão bem, aliviada ao saber que eu não estava chateado. Oras, eu chateado? Talvez eu estivesse sim, em saber que essa relação de pai e filho que eu tenho com ela, é tão malograda em meu mundo.

“Obrigado, Rainbow Dash.”

O sorriso dela ampliava enquanto respondia: “Eu também te amo!”

“Obrigado!”

Fanfic, Fanfics estrangeiras

As asas da virtude

rainbow e scoot

Autor: Drakkith

Tradução: Drason

Gênero: Normal, Slice of Life

SINOPSE: Rainbow Dash ensina Scootaloo a alisar suas asas, além de guardar uma surpresa muito especial para a pégaso laranja.

Scootaloo se deitou em uma nuvem perto da casa de Rainbow Dash. Ela se deixou afundar na superfície macia, e estendeu suas asas doloridas em meio à luz do pôr do sol. A pégaso laranja passou o dia inteiro com Rainbow Dash, onde as duas praticaram voo desde o horário em que ela havia sido pega no orfanato pela manhã. A pégaso mais velha nunca mencionou o motivo pelo qual decidiu passar o dia inteiro com Scootaloo, mas tinha gostado de cada minuto.

“Você está bem Scoot?” Dash perguntou enquanto se deitava ao lado dela.

Ambas estavam do lado de fora, próximas da porta da frente da casa de Dash, onde a superfície da nuvem tinha ficado com uma cor alaranjada sob o pôr do sol que quase se igualava com a própria pele de Scootaloo. Ela se virou de costas e olhou para sua ídolo, mentora, e irmã mais velha, cujo rosto estava em uma das asas, ajeitando algumas penas azuis fora do lugar.

“Minhas asas…” Scootaloo disse, estendendo uma cuidadosamente. “Eu não sabia que poderiam doer tanto durante o treino.”

Olhando para ela de trás de uma asa, Rainbow disse: “Isso faz parte de aprender a voar. Não se preocupe, quando você desenvolver bem os músculos, elas não irão mais doer.”

“Sim, mas parece que isso vai levar uma eternidade!” Disse Scootaloo jogando os dois cascos dianteiros para o ar.

Dash puxou uma pena quebrada de sua asa e a cuspiu fora de sua boca. A pena flutuou no ar por alguns segundos antes de pousar bem no nariz de Scootaloo. A jovem pégaso espirrou, fazendo a pena e sua crina rosa voarem. Quando ela abriu os olhos, a pena foi embora.

“Desculpe por isso”, disse Dash, com um canto de sua boca virada para cima sorrindo. “Olha Scoot, é apenas uma das coisas que você vai ter que aceitar, se quiser aprender a voar. Dói no começo. Continue assim e logo você vai ser capaz de voar o dia todo, sem problemas.”

“Eu sei…” ela suspirou.

“Bom. Agora, deixe-me ver as suas asas.” Dash estendeu o casco, mas com as mesmas doloridas, Scootaloo se contorceu e as dobrou.

“Pra que?” exclamou.

“Para ver as penas!” Dash estendeu uma de suas asas e sacudiu. “Você usou suas asas o dia todo e elas estão todas desarrumadas, precisam de cuidados!”

“Aww, mas isso leva muito tempo também!”

“Ei!” Rainbow olhou para ela. “Qual foi o combinado quando busquei você hoje de manhã?”

Scootaloo rolou os olhos. “Que eu faria tudo o que você pedisse, sem discutir, e em troca passaríamos o dia todo juntas.”

“E se você questionasse?”

“Que eu não teria mais a minha surpresa”. Scoot não tinha idéia do que seria essa surpresa, mas se tivesse que adivinhar, provavelmente seria um pôster dos Wonderbolts ou algo parecido.

“Exato! Então deixe-me ver suas penas!”

Ela se virou e sentou de costas para Dash inspecionar, desdobrando as asas e tremendo um pouco por causa da dor.

“Nossa, você está bem cansada não?” Perguntou Dash enquanto analisava uma das asas com um casco.

Scootaloo acenou.

“Bem, você trabalhou duro hoje.” Disse Dash, colocando um casco no ombro dela. “Estou orgulhosa de você.”

“Mesmo??” Scotaloo praticamente brilhava com o elogio.

Rainbow acenou e olhou para a asa da pégaso laranja. Ainda era muito pequena, e Dash estava ansiosa até sua próxima fase de crescimento, onde finalmente estaria no tamanho adequado para voar facilmente. Com um casco segurando a asa, ela deslizou o outro sobre a superfície dela. Ao invés de ser suave como deveria, havia dezenas de penas “embaraçadas”, presas umas nas outras, estragando a superfície como ervas daninhas laranjas aparecendo em um jardim bem aparado.

“Suas penas estão uma bagunça! Quando foi a última vez que você as alisou?”

 “Uh…”

“Sim, foi o que pensei.” Dash sorriu. “Você tem que alisá-las todos os dias, caso contrário, a aerodinâmica de suas asas ficarão comprometidas durante o voo.”

Scootaloo encolheu os ombros. “Mas por que isso é importante se eu nem posso voar ainda?”

“Porque ajuda você entrar em uma rotina. E quando é parte de uma rotina, se torna um hábito e você faz todos os dias, mesmo sem perceber. Além disso, é bom para as suas asas, mesmo se não estiver voando. Entendeu?”

“Sim.”

“Ótimo. Então comece a alisá-las!”

Scootaloo trouxe sua asa direita para próximo de seu rosto e encontrou uma pena fora do lugar. Ela a agarrou com seus dentes e a torceu, tentando ajeitá-la na posição correta. Era difícil. Cada vez que tentava ajeitar no lugar, outra saía para fora. Depois de algumas tentativas fracassadas, ela resmungou, irritada.

“O que você está fazendo?” Dash olhava para ela com uma sobrancelha levantada.

“Eu… alisando, como você disse!”

“Alguma vez alguém já te ensinou como fazer isso?”

“Não, nenhum dos adultos no orfanato são pégasus, por que?”

“Porque você está sendo muito dura com suas penas. Não é à toa que leva tanto tempo para alisar. Cada vez que arruma uma, bagunça um monte.”

“Bem, como devo fazer então?” Ela perguntou, coçando uma das orelhas.

“Vem aqui, vou te mostrar.”

Uma asa de Rainbow envolveu Scootaloo e a puxou contra o peito da pégasus azul. Ela olhava por cima do ombro enquanto Dash abaixava a cabeça, gentilmente segurando uma pena laranja com seus dentes.  Rainbow colocou ela de volta no lugar, deixando para trás uma superfície perfeitamente lisa.

“Apenas isso.” Disse Dash. “Viu como é fácil?”

“Uh.. você pode fazer mais um pouco?”

Dash sorriu e arrumou sua crina. “Claro!”

Scootaloo dobrou suas pernas dianteiras, ficando totalmente deitada de bruço, e se inclinou enquanto Dash começava a trabalhar mais uma vez. A sensação de ter suas asas alisadas por outro pégasus era surpreendentemente bom. Havia uma pressão suave cada vez que Dash a encostava com seu nariz, sentindo a respiração quente cada vez que a pégasus azul expirava através do labirinto de penas, com o calor se irradiando para fora, finalmente desaparecendo antes que Dash encostasse seu nariz em outro ponto da asa. Aconchegada sobre a asa e o corpo quente de Rainbow, aliado ao dia cansativo que teve, suas pálpebras começavam a se inclinar.

Você está bem?” Ela ouviu uma voz perguntar.

“Hã?” Scootaloo piscou algumas vezes para acordar e, em seguida, virou-se para ver Rainbow Dash sorrindo para ela.

“Você está caindo no sono.”

Oh, sim, apenas…” Ela abriu a boca, deixando escapar um súbito bocejo. “Só cansada … mas me sentindo tão bem.”

“Por eu estar alisando as penas?”

“Não sabia que iria me sentir tão bem com isso.”

“Hehe. Eu nunca disse isso a outro pônei, mas quando tinha sua idade, e toda vez que tinha um dia ruim, minha mãe sempre arrumava minhas asas depois do jantar. Eu poderia deitar com a minha cabeça apoiada na asa dela durante toda a noite enquanto minha mãe alisava.” De repente, um pensamento surgiu em sua cabeça. “Já teve algum pônei para fazer isso por você Scoot?”

“Não.”

Os olhos de Dash amoleceram. O número de coisas que ela havia perdido por não ter pais continuavam a surpreendê-la.

“Bem, nesse caso, relaxe e vamos continuar” Disse ela antes de inclinar a cabeça para baixo e agarrar outra pena.

“Tudo bem!” Scootaloo respondeu, meio sonolenta. Poucos segundos depois, uma dor a acordou novamente. “Ai!”

“Desculpe,” Dash levantou uma pena quebrada com os dentes. “Tive que arrancar essa aqui. Mas não vejo qualquer outra quebrada, não vai doer mais.”

Ela levantou a cabeça e soltou a pena no ar. Ela pairava para a esquerda, e em seguida para a direita, enquanto Dash abaixava a cabeça para continuar, isso fez com que a pena quebrada caísse bem em cima de sua crina, na parte amarela. Ela passou despercebida por Dash, enquanto seu rosto continuava alisando a asa de Scoot.

Enquanto trabalhava, os pensamentos de Rainbow voltavam para o que havia dito anteriormente sobre a sua mãe. Aquelas noites foram alguns dos melhores momentos de sua infância. Rainbow deixava as memórias se lançarem em sua mente enquanto trabalhava. Como Scootaloo, ela levava um longo tempo para se alisar quando criança, e nunca entendia como sua mãe podia se sentar para o que pareciam horas alisando as asas de outro pegasus, senão as dela própria. Embora teve que admitir que ser alisada por outro pegasus era muito praseroso, como se fosse apenas … o certo. Apesar de todo o trabalho, ela gostou. O pensamento ficou em sua mente por uma pena ou duas até que …

Ela parou um pouco para observar Scoot. Aquele pequeno corpo quente prensado entre sua asa e peito, muito menor do que ela e desfrutando da sensação de outro pegasus alisar suas penas. Por um momento em sua mente a crina rosa de Scootaloo era uma bagunça de cores, o mesmo rosa claro de sua mãe.

Sua boca esticou em um pequeno sorriso. Ela nunca teria imaginado que alisando outro pégasus poderia faze-la tão feliz. Com o sorriso ainda no rosto, ela partiu para a próxima pena.

A sessão de alisamento durou até o sol desaparecer no horizonte. Uma vez finalizado, Dash colocou Scootaloo suavemente na nuvem e viu, pela décima segunda vez em outros tantos minutos, a cabeça dela cair antes de disparar de volta para cima mais uma vez enquanto lutava para não cochilar.

 Rainbow riu com a visão, e disse: “Pode dormir se quiser Scoot.”

“E a minha surpresa?”

Pode ficar pra depois, confie em mim.”

“Mas eu tenho que ir pra casa …” Scootaloo bocejou e, em seguida, continuou, “se eu dormir agora, vou estar ainda mais cansada no caminho de volta.”

“Não se preocupe, darei um jeito para que você acorde em casa, ok?”

“Tudo bem …” ela bocejou novamente e amontoou partes da nuvem para fazer um travesseiro antes de colocar a cabeça sobre ele. “Ei, Rainbow…”

“Sim?”

“Você acha que algum dia vão me deixar ter uma cama de nuvem? Isto é muito melhor do que a minha cama no orfanato…”

“Sim Scoot, eu acho que eles vão deixar você ter uma.”

“Mesmo?? Isso seria tão bom…” disse ela, enquanto se aconchegava no travesseiro improvisado.

Dash sorriu para si mesma. Durante vários minutos, ela ficou lá, deitada ao seu lado, enquanto o sol terminava sua vagarosa descida, finalmente desaparecendo pouco antes da respiração da pequena potranca mudar, sinalizando que ela finalmente havia caído no sono.

De repente, um som diferente chamou a atenção de Rainbow Dash, que se virou para ver um pegasus na cor verde claro pousando no jardim de sua casa. Ela se levantou e caminhou até ele.

“Posso ajudá-lo?” Ela perguntou em voz baixa para não acordar Scootaloo.

“Desculpe incomodá-la, Sra. Dash”, o pônei sussurrou. “Mas minha esposa queria que eu lhe trouxesse isso.”

Ele entregou uma pasta pesada, com uma pilha de documentos em seu interior.

“Achei que fosse assinar tudo amanhã cedo.” Disse Dash foleando os documentos.

“Minha esposa sabia o quanto este dia significou para vocês duas, então pediu para eu pegar a sua assinatura ainda hoje. Dessa forma, seria oficial a sua primeira noite em casa.” Ele olhou para Scootaloo e sorriu. “Ela teria vindo sozinha, mas eu sou o único pégasus na família, e minha companheira não queria andar por todo esse caminho no escuro.”

“Bem, obrigada por ter vindo, significa muito pra mim!” Dash não tinha uma caneta com ela, então apontou para a casa e fez sinal para que ele a seguisse, dizendo: “Vamos lá dentro.”

Eles caminharam em direção à porta da frente. Havia uma sensação de calor no peito de Rainbow e ela não conseguia parar de sorrir com o pensamento do rosto de Scootaloo quando acordasse.

“Você já deu a surpresa para ela?” Ele acenou com a cabeça na direção de Scootaloo enquanto entravam.

“Eu ia, mas o dia de hoje foi muito cheio. Ela estava tão cansada que não conseguia manter os olhos abertos”.

Dash o levou para dentro e colocou a pasta em cima da mesa da cozinha antes de ir para a escrivaninha, onde havia uma pena de escrever em um frasco de tinta preta. Ela tinha acabado de se abaixar para pegar a pena quando algo caiu de sua crina, ao lado do tinteiro. Ela olhou fixamente para ele. Era uma pena alaranjada, quebrada na metade.

Ela pegou a pena quebrada e o tinteiro e os levou para a mesa. Cuidadosamente, começou a assinar seu nome em todas as páginas. Com a pena quebrada pela metade, ficou um pouco mais difícil de escrever, mas ela continuou. Já estava muito escuro, a Scootaloo era pouco visível através da janela da cozinha.

Ela entregou a pasta de volta para o pégasus verde claro e lhe agradeceu. Eles caminharam de volta para fora, onde ele calmamente se dirigiu até a beirada da nuvem, antes de decolar e voar para longe. Dash voltou para onde Scootaloo estava dormindo. Ela parecia tão feliz e confortável. Rainbow não tinha certeza de quantas vezes a pégaso laranja tinha dormido em uma nuvem, mas duvidava que tivesse sido mais do que uma ou duas vezes.

Scootaloo mal se mexia enquanto Dash a colocava em seu colo, sob suas pernas dianteiras. Ela voou para dentro de casa, passando pelo corredor até o quarto que ficava ao lado do dela, onde costumava ser o de hóspedes. Mas agora era outra coisa, muito mais do que um simples quarto, feito para sua nova ocupante.

Empurrando a porta aberta, Dash entrou no quarto recém reformado e acendeu as luzes. Aqui e ali havia um pôster dos Wonderbolts grudado nas paredes. Algumas cartas assinadas com tinta de prata brilhavam em cima da raque, com os dizeres:

Para a melhor voadora jovem de Equestria,
Obrigado por salvar nossas vidas!

-Spitfire
-Soarin
-Misty Fly

Vários porta retratos sob a cabeceira da cama estavam sem fotos, exceto um que continha três crianças na praia, sorridentes, e outro que mostrava Scootaloo mais jovem, com um sorriso tão amplo e contente, enquanto Dash a abraçava para serem fotografadas.

Rainbow voou até a cama e colocou Scootaloo entre os lençóis, a cobrindo. Assim como ela queria. A jovem pégaso se mexeu um pouco, mas não acordou enquanto Dash se deitava ao seu lado, puxando as cobertas sobre ambas. Nesse momento, a luz refletia em seus olhos a partir das letras brilhantes na placa pendurada no teto:

Bem vinda a sua nova casa Scootaloo!

Inclinando-se, Dash tocou seus lábios na cabeça de Scootaloo. Ela os deixou lá durante vários segundos antes de se afastar um pouco.

“Eu disse que você estaria em casa quando acordasse.” Ela murmurou.

As últimas palavras que o pegasus verde havia dito antes de ir embora foram:

“Parabéns Rainbow Dash! Eu sei que você será uma grande mãe!”

Uma mãe. Não é um amigo. Não é uma grande irmã. Uma mãe. Ela estendeu o casco até a cabeceira da cama, para pegar a foto dela e Scootaloo abraçadas. O porta retrato foi um presente de Pinkie Pie, e ela acariciou a frase na cor rosa brilhante que estava escrita na parte inferior:

Mãe e filha

Ela fungou e limpou a lágrima que havia aparecido em seu rosto.

“Bem vinda ao lar, Scoot”, ela conseguiu dizer antes de beijar sua crina cor de rosa mais uma vez. “Bem vinda ao lar”.

Fanfic, Fanfics nacionais

Sem palavras para descrever – Livro I – Cap.08 – Amanhã

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Autor: Grivous

Gênero: Normal, Triste, Drama, Romance

Sinopse: ”Em alguns dias, um show será apresentado na pequena cidade de Ponyville, como o último show da carreira musical de uma musicista muito famosa de Canterlot: Octavia. Twilight Sparkle e suas amigas ficaram encarregadas de aprontar os preparativos para o Grande Evento. Os fantasmas de seu passado continuam assombrar a jovem musicista, a ponto de isolar-se do mundo e daqueles que ama. Num único evento, cheio de reviravoltas e grandes emoções, ela está para descobrir algo muito mais do que apenas o fim…”

LIVRO I :

Apresentação

Prólogo

Capítulo 1 – Empolgação

Capítulo 2 – Cascos e Coices

Capítulo 3 – Desinformado e Desinteressado

Capítulo 4 – Convidado ou Intruso?

Capítulo 5 – Casa da Mãe Joana

Capítulo 6 – Recuperação

Capítulo 7 – Algo a mais

LIVRO II:

Capítulo 1 – Caminhada

Capítulo 2 – Muffin

Capítulo 3 – Companhia

Capítulo 4 – Mudanças

LIVRO III:

Capítulo 1 – Ausência

Equestria — Ponyville — Biblioteca, 13 de Fevereiro, 21:09. 

A Prefeita se aproximou de Twilight, meio preocupada — Boa noite novamente, Srta. Sparkle! Está bem recuperada? Não se sente mais… cansada?

— Estou, sim, bem recuperada, Srta. Prefeita. Realmente estou muito melhor agora! — respondeu Twilight com entusiasmo — Agradeço a preocupação, mas pode ficar tranquila. A reunião continuará, sem mais atrasos e interrupções! Estou confiante disso!

— Magnifíco, Twilight! — disse Rarity, batendo os cascos — Sua segurança é digna de se apreciar! Perfeito!

— Até que fim deixou de ser uma cabeçuda turrenta! — Rainbow Dash ergueu um sorriso maroto, seguido de um tapinha nas costas de Twilight. — Mas ainda falta muito para deixar de ser cabeçuda.

Rarity novamente fechou a cara, — “Ela ainda fica fazendo piadinhas. Hunf. Rainbow não muda nunca.” — pensou ela, bufando pelas narinas.

Mas para a sua surpresa, Twilight não se incomodou com a piadinha; até começou a dar uma risadinha junto com a Rainbow. Ela estava muito bem humorada; até parecia ser outra pônei que não a sua estressada amiga.

A Prefeita sorriu e deu espaço para Sparkle passar. A pônei de caqui trotou calmamente de volta ao seu lugar enquanto a pônei cor-de-lavanda se dirigia para o centro da mesa. Rarity a estava acompanhando logo atrás. Já Rainbow Dash planou levemente pelo ar e pousou em uma cadeira do outro lado da mesa.

Porém, Twilight encontrou um reconhecível corpo barrento que surgiu não mais que de repente ao seu lado. Rarity também percebeu e assustou-se um pouco. E, quando ela o reconheceu, conseguiu ficar mais pálida que sua própria pelagem.

Capitão Stubborn estava ereto, bem ao lado de Twilight Sparkle. Ele a olhava do alto, baixando levemente a cabeça, com os olhos baixos e nariz reto. Twilight encarava ele de volta erguendo a cabeça e um queixo suspenso. Seus olhos púrpuras alfinetavam os olhos sombrios de Stubborn, quem não esboçava uma sequer reação; como sempre. Rarity engoliu seco, meio nervosa. Ela não sabia realmente se Twilight estava preparada para conversar ou até mesmo olhar para o bruto convidado que apenas a prejudicava moralmente de seus atos mesquinhos e egoístas. Isso a preocupou um pouco, será que Sparkle vai se estressar novamente e se exaltar?

— Nossa Dedicada Aprendiz da Princesa parece recuperada. — disse Stubborn para começar. — Trouxe a responsabilidade e maturidade contigo?

— Não só isso: Boa noite, Capitão Stubborn. Vossa presença será importante para a reunião de hoje. Se possível for, após ela, gostaria de conversar com o senhor em particular. Acredito que tenha mesma coisa em mente.

Stubborn ergueu uma sobrancelha — Deveras tenho e desejo, Nossa Perceptível Aprendiz da Princesa. Terá minha total atenção após a reunião, caso queira. Espero receber o mesmo de Vossa Faladora Aprendiz da Princesa.

— Com a maior certeza receberá. Disso não terá a menor dúvida. Ficarei lisonjeada em ouvir o que tem a dizer. Se me der licença, preciso começar o que o senhor está atrasando. — ela assentiu cordialmente com a cabeça e se virou, trotando em direção a sua cadeira na ponta da longa mesa.

Stubborn ficou parado, olhando para a nuca de Twilight Sparkle conforme ela se distanciava dele. Ela impôs sua atenção no que era mais importante no momento: A reunião. O que quer que os dois queriam falar, isso era para mais tarde.

Rarity também ficou um pouco imóvel; seus olhos azuis-diamantes brilharam com uma certa intensidade. Esse pequeno encontro foi o suficiente para ela orgulhar-se de sua amiga e de seu novo autocontrole.

— Incrível como ela cresceu de uma hora para outra. — pensou Rarity, erguendo um esperançoso sorriso — Está realmente mais confiante de seus atos do que antes; ela tinha medo até de dar o primeiro passo. Até onde você vai, Twilight Sparkle?

Ela aproximou-se de Stubborn bem devagar, para não chamar atenção. Rarity se sentia resoluta por alguns momentos, meio receosa se ia levar ou não uma patada moral daquele montanhoso indivíduo.

— Acho que deu certo, Capitão. — disse Rarity, aos sussurros, com o casco ao lado de sua boca — Realmente achei que não ia funcionar o que o senhor pediu para nós fazermos. Estava enganada; gostaria de agradecê-lo por se preocupar e ter ajudado minha amiga.

Stubborn permaneceu sério, ainda encarando a unicórnio cor-de-lavanda sentada em sua cadeira que folheava os papéis, organizando seus pensamentos e planos. Rarity demonstrou-se um pouco nervosa por estar ao lado dele. Sua fronte branca começou a ficar um tanto oleosa por causa do suor frio.

— Saiba que eu mesmo poderia ter feito isso. — disse ele finalmente numa voz grave, mas baixa.

Rarity virou seu rosto, surpresa em ouvir uma resposta dele.

— Mas, para ela, eu não sou ninguém. Até porque seus atos de hoje fizeram com que tivéssemos uma relação muito atrita. Nossa Nervosa Aprendiz da Princesa não me ouviria, a não ser de suas mais próximas amigas. A Vossa Gentil Estilista e Nossa Atlética Pégaso eram as melhores opções para trazê-la ao bom senso. Não há mais nada com que se preocupar com ela. Vou assumir a responsabilidade por ela a partir de agora. Com licença. — Stubborn virou seu rosto para Rarity e assentiu levemente com a cabeça; uma singela despedida.

Rarity ficou sem ações, mas respondeu de volta com um mesmo aceno com a cabeça. Stubborn a deixou e foi se sentar em seu lugar, perto de Sparkle, onde ele possa ver e ouvir bem.

A pálida unicórnio ficou boquiaberta; aquele bruto simplesmente foi gentil com ela? “Vossa Gentil Estilista”? Finalmente ela conseguiu identificar um elogio daquele corcel barrento. De alguma forma, ela se sentiu realizada com aquele título. Não era um grandioso título como ela realmente gostaria que fosse, mas ainda assim era adorável.

Mas Rarity não podia parar para pensar: Por que ele estava sendo gentil agora? O que aconteceu para ele repentinamente mudar de comportamento, assim como sua amiga Twilight Sparkle? Como assim “assumir a responsabilidade por ela”? O que está havendo? E qual é o plano dele?

Twilight Sparkle chamou-lhe pelo nome com educação. Rarity se sobressaltou e olhou ao redor, saindo de um curto transe. Ela percebeu que apenas ela restava no espaçoso cômodo para se sentar; até a Pinkie Pie, que estava meio sumida desde que foram para a cozinha, estava lá sentada ao lado de Stubborn. Ela riu nervosamente, desculpou-se e foi se sentar em seu lugar.

Twilight Sparkle limpou sua garganta — Boa noite e agradeço a presença de todos. Perdoem-me pelo o que aconteceu esta noite se deixei muitos pôneis preocupados comigo. E digo-vos solenemente: Estou muito melhor agora e peço para que não se preocupem. — ela olhou nos rostos dos convidados presentes, alguns pareciam estar aliviados mas outros nem tanto.

— Já li os papéis que a Srta. Prefeita organizou para mim — Twilight agradeceu a Prefeita e a mesma agradeceu de volta, trocando acenos com a cabeça — e darei as funções e tarefas oficiais para todos. Mas antes preciso fazer a chamada para registrar suas presenças.

Twilight acendeu seu chifre com um brilho roxo. Ela levitou um pergaminho enrolado da mesa e o desenrolou. Com uma pena flutuante, começou a marcar as presenças pelo topo da folha. Os nomes estão organizados brevemente em ordem alfabética: Applejack; Pinkie Pie; Prefeita; Rainbow Dash; e Rarity. Cada nome citado foi perguntado e respondido com um “presente”; e Sparkle marcava-os ao lado. Twilight observou os convidados extras que estavam, no momento, fora de sua lista: Capitão Stubborn, que estava ao seu lado com a mesma expressão irritante de sempre, e Foreign Eye, que estava sentado na ponta do outro lado da comprida mesa entre os dois.

Sparkle olhou para Foreign com os olhos levantados e nariz apontado para o pergaminho. O rosto cremoso dele estava calmo, mas seus olhos celestes a encaravam com uma súbita dúvida. Ela não entendia essa atenção dele sobre ela, mas ainda acreditava que seja pelo vergonhoso ocorrido momentos atrás. Twilight abaixou os olhos com tristeza e escreveu os nomes manualmente na lista. Marcou-os em seguida, confirmando suas presenças, e descansou a pena no tinteiro.

Foreign percebeu que algo a incomodava. Ele ainda sentia preocupação pela saúde de Srta. Sparkle, novamente por causa do ocorrido, mas sua preocupação não era por pena. Estava apenas incomodado. O elegante corcel ia dizer algo, mas ficou resoluto. Encostou-se na cadeira e mudou sua atenção para as seguintes palavras de Sparkle.

— Todos estão presentes. — com um outro brilho mais intenso de seu chifre, o pergaminho se desfez no ar com um flash branco; suas energias realmente pareciam revigoradas — Vou começar a oferecer suas tarefas para amanhã.

Sparkle acendeu novamente seu chifre com um brilho roxo e papéis que estavam diante dela foram distribuídos numa roda reta e organizada; essa roda girou por sobre a mesa, diante dos convidados presentes. Cada papel flutuante estava destinado ao dono da tarefa; alguns receberam grandes maços, outros poucos. Applejack recebeu a menor pilha porque sua tarefa já era óbvia: ela cuidava dos mantimentos da cidade com a fazenda de sua família. Nas folhas que recebeu, apenas continha números de lotes e identificação para separar os produtos e endereços para entregá-los e armazená-los. Já Pinkie Pie ganhou a maior das brochuras, contendo vários preparativos, brincadeiras, aperitivos, receitas, drinques e guloseimas que ela tinha que providenciar com os Cakes. Ela bateu os cascos alegremente — não pela pesada pilha de tarefas diante dela, mas pela mágica que Twilight executou de forma surpreendente —. Uma pilha menor que a da Applejack foi entregue ao Stubborn e à Rainbow Dash: nenhuma folha foi passada para eles.

— Hã… Twilight? — perguntou Rainbow, confusa — E então? Cadê minhas tarefas? Vai me dizer que pretende me deixar de fora?!

— Sua tarefa creio que você já sabe, Rainbow. Não é necessário de papel para entregar-lhe. Apenas minha confiança e de todos é o suficiente.

Todos na mesa acenaram com a cabeça, concordando; juntamente com sorrisos, vindos dos mais íntimos.

Rainbow coçou um pouco a nuca, — Hehe. Tá certo, então.

— Além de, creio eu, que o Capitão Stubborn já possuí outras tarefas em mente para amanhã e nos próximos dias. Ele irá passar essas tarefas para você, já que os dois vão trabalhar juntos. Não é verdade, Capitão?

Stubborn suspirou com desdém — Sim, é verdade. — grunhiu ele — Portanto esteja bem preparada, Nossa Atlética Pégaso, — ele olhou para Rainbow ao seu lado pelo canto do olho — pois meus rapazes vão chegar aqui para organizar a segurança dos cidadãos e você irá me acompanhar. Isso se conseguir…

— Irei acompanhá-lo até a Lua, se Princesa Luna permitir! Quero ver é você seguir minha sombra! — Rainbow Dash riu com orgulho. Stubborn apenas bufou.

Twilight Sparkle falou por mais alguns longos minutos, tentando explicar o máximo possível sobre os planos para aquela semana e como começariam a pô-los em prática. No final, todos começaram um pequeno debate, oferecendo vossas opiniões; sejam elas pessoais ou não. Pinkie Pie era — surpreendentemente — uma dos poucos convidados a falar. E, quando falava, era com piadinhas, brincadeiras e até dava ideias “super-hiper-mega-divertidas” para os visitantes quando chegarem a Ponyville. Muitos não se irritavam ou ficavam nervosos com sua atitude infantil na reunião pois ela declarou que sabia perfeita, confiante e mirabolantemente o que tinha em mente e o que fazer amanhã. “Afinal, é amanhã que começa o trabalho; não há porque se preocupar com ele agora”, ela afirmava.

Rarity disse sua opinião quanto a organização e os preparativos dos eventos, citando assentos para o palco, hospitalidades para os visitantes, mesas numeradas e ordenadas para as reservas. Ela era bem cuidadosa nessa parte; queria o máximo de conforto e praticidade para eles. Rainbow Dash até ajudava em suas ideias mas também alertava quando Rarity queria enfeites e efeitos mirabolantes como tochas, grandes painéis, longos laços por toda vila ou mesmo fogos de artifício. Twilight escutava todos os argumentos; aprovava e rejeitava quando necessário. Alguns momentos Foreign Eye se pronunciava e dava sua opinião em itens que Twilight aceitava e rejeitava, refavorecendo e dando mais uma chance de ela, quem sabe, mudar de ideia.

A tarefa de Foreign era auxiliar Sparkle na organização para não ficar afobada e não tomar decisões precipitadas. Ela acatava o que Foreign argumentava, como também ignorava quando não havia sentido para mudar de ideia. Os dois pareciam meio receosos um com o outro ainda. Sparkle fazia o possível para não ser turrenta ou infantil na frente dele e tomar uma atitude mais madura; já Foreign não sabia ao certo se a ajudava manualmente ou se apenas a orientava de longe. De qualquer forma, ou um ou outro meio iria fazê-lo se aproximar de Twilight Sparkle; isso infelizmente o incomodava.

O debate perdurou pelos restos das horas que podiam usar naquela noite. Quando começaram eram 21:12 da noite — isso são mais de uma hora de atraso! —, mas, com êxito e sem mais interrupções, conseguiram pôr os assuntos a mesa e o carimbo nas folhas antes das 23:00. Algumas suspiraram cansadas, outros bocejaram num alívio momentâneo.

— Acredito que já deu por hoje, amigos. — disse Twilight com os olhos um pouco caídos, mas tentava mantê-los bem abertos — Estão dispensados. A reunião acabou. Vejo todos vocês amanhã bem cedo no Sweet Apple Acres. Temos, ao todo, alguns dias para quando começar o Grande Evento. Obrigada e uma boa noite a todos.

Pôneis aplaudiram com uma satisfatória alegria, mas já começaram a se levantar das cadeiras e tomar os seus rumos para a saída da biblioteca. Deram-lhes boa noite uns com os outros, tanto verbalmente como em abraços amigáveis. Rainbow Dash, Rarity e a Prefeita foram as primeiras a deixarem a biblioteca para trás e irem rumando para suas casas. Como iam na mesma direção, aproveitaram os últimos minutos para conversarem entre si na calada da noite.

— Que noite mais charmosa e adorável! — exclamou Rarity, olhando pro alto com admiração. — Uma pena que hoje eu prefira dormir mais do que apreciá-la. Foram um dia e uma noite cansativas, até para mim! Se meu sono permitisse e tivesse alguém para me fazer companhia nesta linda noite, faria de bom agrado. — terminou ela com um suspiro sonhador.

Rainbow Dash respondeu com a língua para fora, meio enojada. A Prefeita rolou os olhos com um sorriso torto, apesar de compartilhar da mesma falta e anseio.

Applejack permaneceu mais um pouco para certificar-se de que Twilight estava bem e se não ela não estava escondendo nada. Sparkle, após muita insistência, conseguiu convencê-la de que estava tudo realmente bem.

— ‘Noite, Tualáiti! Druma bem, visse?! — disse a pônei alaranjada, alertando-a uma última vez.

— Boa noite, Applejack. — respondeu ela. — Vou dormir, com certeza. Vou fazer questão de ir em sua casa e puxar seu casco para fora da cama, caso ainda insiste!

Applejack riu um pouco e foi se distanciando. Twilight fechou a porta da biblioteca e a trancou em seguida. Durante sua curta caminhada pela rua noturna de Ponyville, AJ encontrou com Foreign um pouco mais a frente, olhando ao redor. Parecia estar perdido e tentava procurar alguma coisa, mas era difícil enxergar no escuro, mesmo com as fracas luzes dos postes nas ruas.

— Está difícil de ler placas com essas luzes fracas! — pensou ele aos suspiros — Taí uma coisa para conversar com a Srta. Sparkle para resolver amanhã…

Applejack aproximou-se por trás sem ele perceber, — Tá perdido, Nhô Aiê?

Foreign assustou-se um pouco, mas reconheceu a voz de Applejack. Ele se virou para ela, meio envergonhado.

— Pois é, Sinhá Applejack! — riu ele — Acabei de chegar a cidade, mas não consigo descobrir que rua é esta para tentar achar a rua da casa onde estou hospedado. A Princesa Celestia me deu o endereço mas não pude passar lá ainda.

— Bah! Sem pôbrema, Nhô Aiê! Dêxa’vê o nomi da rua, posso ti guiá inté lá, si voismicê quisé.

— Muito obrigado, Sinhá Applejack! Ficaria muito agradecido! — Foreign xeretou um dos bolsos de seu terno com o focinho e mostrou um pequeno papel anotado para Applejack, segurando-o com a boca.

Applejack rapidamente leu o que estava escrito e riu com entusiasmo. — Haha! Conheço essa rua, sim, sinhô! I é caminho donde é minha casa! Podêmo acertá dois coêio numa cajadada só! Acumpanha mais eu! — ela terminou acenando com o casco.

Foreign guardou o papel com um sorriso no rosto e seguiu sua guia Applejack, que já estava um pouco a frente. Eles trotavam em um caminho fofo e campeado em grama verde-escura. Dos dois lados do largo caminho, as casas dos habitantes cresciam a uns dois ou três andares, variando conforme avançavam silenciosamente em trotes abafados sobre a grama irriquieta. As casas eram feitas de madeira, pintadas de branco ou em tom marfim. Pelas arestas ornamentavam com retas em cor madeira ou em vermelho indiano. Seus telhados eram cobertos por colmos secos; poucos deles tinham uma ou duas chaminés em tijolos. Moitas e pequenos arbustos acompanhavam janelas e portas térreas; em alguns tinham flores sonolentas em tons sombrios, outros faiscantes vaga-lumes que dançavam ao redor. Não era possível enxergar as placas que ficavam penduradas nas portas das vizinhanças, mas ainda podiam-se ver janelas abertas e acesas. Sombras fantasmagóricas atravessavam elas, assim como vozes em conversas amigáveis e música calorosa. As lamparinas espalhadas pela rua emanavam uma cor amarelada, o suficiente para abrir caminho pela escuridão das vielas e sombras dessas casas aglomeradas.

— Aliás, Nhô Aiê. — disse Applejack, puxando assunto — Percebi uma coisa quâno ocê chegô nim Ponyville: donde ocê deixô suas coisa; sua mala? Si o sinhô disse qui num havia passado na casa qui tava hospedado? Num mi diga qui o sinhô as deixô jogada puraí?!

— Não, não! Não as deixei por aí. — respondeu ele com uma risada — Veja: Quando a Princesa me chamou, tinha sido uma chamada de última hora. Nossa Majestade me deu a tarefa de vir para cá para auxiliar a Srta. Sparkle nos preparativos para o Grande Evento. Mas tive que vir para cá o mais rápido possível, antes das 20:00, que é quando começava a reunião.

— Hm, tô intendêno. — Istranho a Princesa fazê coisas di úrtima hora… Qui qui será qui tá assucedêno?

— Então: Quando eu cheguei aqui, — continou Foreign — eram quase 20:00; tive que ir direto para a biblioteca, mas ainda assim cheguei um pouco atrasado.

— Tá certo, Nhô Aiê. — ela acenava com a cabeça positivamente — Inté aí intendi, már i suas mala, criatura?! Ficô mi embromâno i num mi disse inté agora!

— Ah, sim! — ele se sobressaltou, com um relapso repentino em sua memória — Bom…. Eu não as trouxe, na verdade! — terminou ele com uma risada meio irônica.

— “Num trôxe”?! — AJ virou para ele, atônica — Oxênte, como ansim?!

— Foi como eu disse, Sinhá Applejack: Saí de Canterlot às pressas e não pude prepará-las. A Princesa me certificou que enviaria minhas malas prontas para Ponyville pela manhã. Então, tomei uma de suas carruagens e vim para cá.

— Hm, tá expricado. Már num tem pôbrema! Aminhã chega suas coisa bem cedinho, si conheço bem uma certa intregadora! — e ela lembrou também — Ah, sim, Nhô Aiê! Num sei si o sinhô já tinha prânos pra tomá café-da-minhã aminhã, már si quisé, pódi passar lá nim casa qui vai tê um bem caprichado pra todos qui tão trabaiando nas construção!

— Maravilhoso, Sinhá Applejack! Com o maior prazer irei! Assim que souber como chegar lá… — terminou com uma risadinha.

— Hehe! Num vai sê difícir! É só prêguntá pra quarquér um na vila: “Cum licença, donde Sinhá Applejack mora?”. Eles vão ti indicá o caminho!

— Hu-hum. Está certo. — disse ele, agradecendo a gentileza da anfitriã — Vou passar lá.

Os dois foram-se caminhando pela estrelada noite da Princesa Luna. Applejack ainda conversava um pouco sobre sua fazenda e sua família. Falou de seu irmão mais velho, sua irmãzinha e de sua avó querida. Também falou de seu trabalho com as safras de maçã quando estavam maduras e o que se podia fazer com elas. As receitas que ela mais adorava eram Cidra de Maçã, caramelizadas Maçãs-do-Amor e não mais que um belo Apfelstrudel. Foreign também falou de uns doces que gostava como Torta de Creme e Bolo de Rolo; uma delícia, até ficou com água na boca só de tentar lembrar o gosto. AJ perguntou mais sobre seu reino de origem, o Reino das Terras Férteis. Esse nome a interessou muito quando leu o livro e quis saber mais sobre seu significado. Muita coisa comentada no seu livro ela já sabia, Foreign percebeu que não adiantava comentar tudo o que já continha lá. Mas Applejack queria saber mais sobre as terras, os campos de lá; se eram tudo aquilo mesmo que ele descreveu naquela grandiosa obra. Seus olhos esmeralda faiscavam em ansiedade para conhecer mais sobre os terrenos férteis e vívidos daquele reino qual todos o titularam como “Mágico”. Foreign suspirou com um sorriso.

Applejack ergueu o casco ao longe para sua esquerda e Foreign seguiu-a amistosamente, enquanto contava sobre seu reino de origem e suas terras.

***

Com um brilho de seu chifre cor-de-lavanda, Twilight Sparkle fechou a porta de sua biblioteca após despedir-se de sua honesta amiga, Applejack, e a trancou logo em seguida. Descansou a chave na cômoda, onde sempre a deixa à vista para o seu fiel assistente abri-la novamente pela manhã, caso precise. Sparkle suspirou longamente e aderiu uma expressão séria em sua face. Ela se virou e trotou para o último convidado que ainda permanecia em sua residência; pois ambos prometeram que permaneceriam para uma conversa em particular.

— Aqui estamos, a sós para conversarmos. Sem interrupções, nem ouvidos enxeridos. Quer que eu comece ou que o senhor comece, Capitão? — ela já esperava que ele se autoproclamaria para dar a primeira palavra da conversa.

— É preferível que a senhorita comece, Nossa Hospitaleira Aprendiz da Princesa. — disse Stubborn com uma surpreendente educação.

Twilight ficou surpresa; uma súbita mudança de comportamento vindo dele. — P-pois muito bem, obrigada. — ela sentou e limpou a garganta, olhando para Stubborn na suspeita. — Após muita conversa com minhas amigas Rarity e Rainbow Dash, cheguei à conclusão que deveria agradecê-lo… pelo que fez por mim quando eu havia desmaiado pelo meu demasiado esforço.

— Fiz aquilo porque não havia mais ninguém para ajudá-la, Nossa Desesperada Aprendiz da Princesa. — disse Stubborn — Ninguém estava preparado para aquilo e você colocou todos numa situação muito desconfortável…

— Eu sei, Capitão, eu sei. — Twilight ergueu o casco, cortando-o — Por favor, não me venha com esses assuntos moralistas pois já escutei o suficiente vindo de minhas próprias amigas, as quais o senhor as enviou para me acudir quando eu mais precisava de atenção. Mas estou agradecendo o senhor porque minha amiga Rainbow Dash pediu para fazê-lo, não porque o senhor merece.

Ele apertou os olhos, aparentemente confuso — “Não mereço”?

— Sim. — respondeu ela com um aceno com a cabeça — Eu sei que o senhor fez toda aquela cena pra cima de mim de propósito; para me ensinar alguma coisa de um forma bruta e moralista. O senhor estava ciente do que estava fazendo naquela hora; diferentemente de mim, que não havia percebido pois estava meio fragilizada. Eu realmente estava com a guarda baixa mas só percebi depois de muito atrito entre nós. Entendo que aquilo foi necessário para eu aprender com alguns erros de minha parte, mas isso não quer dizer que houve apenas erros meus. Não concorda?

Stubborn não mudou de expressão, mas escutava atentamente aquela unicórnio em seu desabafo. — Concordo. — admitiu ele explicitamente.

Twilight contorceu-se por dentro; sua irritação crescente escapou num aperto entre os lábios — Seu… falso! Então você realmente sabia do que estava fazendo!? Grrr!! — grunhiu ela em seus pensamentos.

Twilight suspirou, tentando descontrair — Devo dizer: se não tivesse agido daquela forma para me ensinar, merecia meu sincero agradecimento. Mas não vou mentir pro senhor, Capitão. Aprendi muita coisa com aquilo, mas ainda assim foi bruto demais.

— Compreendo. — respondeu ele, inexpressivo.

— Mas tenho o direito de saber e espero que me responda: Por que fez aquilo? E como conseguiu fazer aquilo?

Stubborn encarou aquela unicórnio, que olhava para ele com uma expressão séria. Não de uma forma raivosa, mas atenta. Ele apenas suspirou, mas respondeu-a com uma voz grave:

— Como fiz aquilo não posso lhe dizer, apesar de Vossa Julgadora Aprendiz da Princesa dizer que merece ter esse direito. O que eu sabia só cabe a mim dizer, mas não direi. Vejo, escuto e conheço coisas que vão além do que Vossa Inteligentíssima Aprendiz da Princesa desejaria saber, mas não merece; para o seu bem. O que sei sobre Vossa Interessante Aprendiz da Princesa é somente o necessário e o que todos conhecem: Uma pônei com habilidades surpreendentes em magia e heroína de Equestria. Derrotou dois grandes e temíveis seres malignos que ansiavam cobrir nosso Reino com escuridão e caos. Possui um poder oculto que vai além de todas as expectativas, sejam elas para o bem… ou para o mal. Você, Twilight Sparkle, é mais desejada do que pensa.

Twiligh já estava impaciente com aquela ladainha toda de “O Escolhido”; “Aquele que vai puxar o mal pela raiz”; “dissipar todo a maldade de Equestria” que Stubborn estava criando para ela. Ela já sabia de tudo isso, com exceção de todos aqueles títulos imaginários e fantasiosos sobre “Poderes Ocultos”. Isso não passava de um mito, uma parábola. Ficar elogiando e limpando os cascos dos pôneis depois de humilhá-los e pisoteá-los é uma estratégia arcaica e sem fundamentos; ela não cairia nessa nem mesmo se ele estivesse sendo realmente honesto naquele momento.

Ele deve saber de muita coisa; Twilight percebia isso. E também se sentia indignada de ele não lhe contar o que realmente sabia sobre ela para ter feito aquele jogo com seus sentimentos. Mas aquele jogo realmente a ajudou muito, em controlar logicamente suas emoções e não prejudicar mais quem está perto dela. Ela não sabia se continuava com aquilo, indo até o fundo disso, mas também queria saber o que ele tinha a dizer sobre o lado dele da conversa.

— E quanto ao “Por quê”? Isso, ao menos, pode me dizer?

— Posso, mas não preciso. — respondeu ele — Vossa Detalhosa Aprendiz da Princesa já deve estar sabendo e muito disso, já que disse que suas amigas a aconselharam.

Twilight gruniu, juntamente com um suspiro forte. Stubborn estava mesmo enrolando para contar o que sabe. E parece que não irá contar a ela nem sob ameaça; se fosse possível. Mas, parando para pensar, ele tinha razão. O que suas amigas tinham dito e aconselhado a ela sobre as atitudes presunçosas e brutas de Stubborn realçavam o significado do “por quê aquilo tudo”. Justamente para eliminar de vez as ações orgulhosas de Twilight naquela e nas próximas noites. Mas, para isso, ele contava com a ajuda das amigas de Sparkle. Ao que tudo indicava, deu certo. Ela, de certa forma, deixou de ser “aquilo” que ela era e estava deveras pronta para enfrentar seu próximo teste.

— Mas ainda não entendo uma coisa: — disse Twilight Sparkle. — por que dessa brutalidade? Quero dizer, o senhor entrou aqui com anseio de conseguir inimizades e falta de confiança de seus companheiros, ou seja, nós. Ao meu ver, isso não é estratégia deveras inteligente para um Capitão, ainda menos para um General. Ainda não me esqueci do trombicão que o senhor deliberadamente causou a minha amiga Rainbow Dash e das suas palavras grosseiras sobre minha mentora.

— Deveras, não é, Nossa Jeitosa Aprendiz da Princesa. — concordou ele, mas alavancou o tom em seguida — Mas a senhorita não é nenhum Capitão ou General para dizer o que cegamente sabe o que é ser um deles. Sobre esse assunto em particular, não direi mais nada.

Twilight nada respondeu; apenas o encarou, meio irriquieta.

Stubborn mudou o tom, agora mais calmo — Quanto a minha brutalidade, esse sou eu agora. Ou adequa-se ou fique fora do caminho. Não tenho que me importar o que Nossa Orgulhosa Aprendiz da Princesa acha que é certo ou o que é errado. O certo é não me perguntar mais nada sobre isso e o errado é continuar a acusar-me de bruto e alteiro contra sua amiga, sendo que Vossa Esquecida Aprendiz conseguiu ser pior.

 Twilight olhou bem para aquele corcel barrento, tentando entender suas últimas frases — “Consegui ser pior”? “Eu contra a Rainbow Dash”? O que ele quis dizer com isso? — pensou ela.

Então ela lembrou. Percebeu no o que Stubborn estava se referindo entre elas. Um atrito, causado por Sparkle contra sua amiga quando ela estava tentando relaxá-la e acalmá-la por causa do atraso da Prefeita a reunião. Ela lembrou das palavras meio ríspidas que disse; lembrou também do rosto celeste e selvagem da pégaso quando sentiu algo formigar em seu peito pela sua desforra; e se lembrou do triste destino do pequeno banquinho de madeira quando ela descontou toda sua raiva nele. Essas lembranças estavam causando remorso a Twilight, algo que Stubborn já esperava.

Sparkle bufou irritada; “Como ele sabia disso?! Ele não estava aqui quando aconteceu… ou estava? O quê mais ele deve saber?”, ela se perguntou.

— Pois muito bem, Capitão Stubborn. — disse Twilight, tentando conter o tom nervoso — Compreendo que o senhor não pode e não pretende me contar o que sabe — por algum motivo… — mas já disse o que queria dizer ao senhor. Agora, o que o senhor tem a me dizer?

Stubborn adotou uma postura reta e encarou a unicórnio de cima — O que tenho a dizer é de extrema importância, Srta. Sparkle. Tanto vindo de mim como vindo de Nossa Preocupada Princesa. É um assunto extremamente restrito aos outros. Apenas eu; as Princesas; Spitfire, Capitã dos Wonderbolts; e você sabem disso. E ninguém mais pode saber. A senhorita tem minha atenção?

Twilight ficou meio resoluta por um momento. — “Extrema importância”? — pensou ela — Princesa Celestia está tão preocupada assim? Por que só agora ele está me chamando pelo meu nome? Seu comportamento está assustadoramente diferente. Estou começando a entender quando Rainbow Dash disse antes que ele não parecia o mesmo, quando se ofereceu a me ajudar. Isso tudo soa muito estranho; ainda mais vindo dele.

— Peralá! — Twilight ergueu o casco contra ele, na defensiva — O que me garante que o quê o senhor está me dizendo é verdade? Pode ser que o senhor tentou me dar alguma lição, até me ajudou quando eu estava desacordada, mas isso não quer dizer que confio completamente no senhor! Sua brutalidade explícita e o desrespeito em minha casa me alerta que você não é digno de confiança! Só porque o senhor “supostamente conversou” com a Princesa, não quer dizer que eu deva beijar o seu casco e dizer Amém!

— Deveras, não. — respondeu ele sem se alterar. Essa sua calmaria irritou Twilight, como se ele esperasse que ela tivesse essa reação. — Somente palavras não vão convencê-la. Muito menos atitudes pois já demonstrei o quê sou.

— Exatamente! — retrucou ela.

— Mas devo lembrá-la do motivo que de eu estar aqui: A Princesa me enviou aqui. Para quê? Para te ensinar, essa é uma das outras verdades. Além de que, se não me engano, ela fez um documento oficial, comprovando que sou um membro do grupo responsável pelo evento; de que conversei com ela; e de que ela sabe quem eu sou.

Isso era verdade; mais que verdade: um fato. Twilight teve que aceitar esse argumento dele. Stubborn estava começando a convencê-la. O seu cartão oficial como membro do grupo e seu nome na carta enviada pela própria Princesa comprovavam que ele estava dizendo a verdade; e sendo honesto — apesar de tudo —. Twilight também não pode esquecer de sua alta hierarquia militar: Capitão-General de Equestria. De fato, ele conhecia a Princesa e ela o enviou para dar suporte; de algum jeito que ela desconhecia.

— E antes que esqueça, Srta. Sparkle: a senhorita deve-me sua atenção, já que eu lhe entreguei a minha.

Para tudo! Twilight olhou bem para aquele meliante. Ele estava confiante de que, depois daquela revelação, ela faria tudo o que ele quisesse. Estava errado; aquilo, para ela, foi a gota d’água.

— “Atenção”?! O senhor não me deu atenção alguma! Não respondeu direito nenhuma das minhas perguntas! Minto! Desviou de minhas perguntas com respostas inúteis! E ainda quer a minha total atenção depois de sua esdrúxula atenção?!

— Minha atenção foi digna, Nossa Incompreensível Aprendiz da Princesa. Ouvi todas as suas perguntas e respondi todas elas; respeitosamente e de total conhecimento obtido para mim sobre elas.

— Mentiroso! — rosnou ela, apontando o casco novamente para o focinho dele. — Você sabe muito mais do que isso, isso eu sei! Só não quer responder!

— Como eu tinha dito: Só sei o que é necessário saber; mais nada além disso. — disse ele sem tirar os olhos de seu rosto, ignorando totalmente seu casco cor-de-lavanda em riste — Devo destacar que quem estava a procura de respostas era a Nossa Curiosa Aprendiz da Princesa. E fomentei sua curiosidade. Apesar de ser a minha vez de falar, a curiosidade continuou em Nossa Inquieta Aprendiz da Princesa; e ela ainda quer saber mais e mais. Então, se me permite, gostaria de continuar ter sua atenção, já que as respostas que procura só eu posso lhe oferecer no momento.

Twilight Sparkle estava se estribuchando por dentro, ela queria arrancar a verdade de uma vez daquela boca barrenta e cheia de cadeados. Ela percebeu que não vai conseguir respostas desse jeito, de forma bruta e rude, e ele não irá colaborar a não ser do seu próprio jeito.

Não havia mais nada do que fazer. Ela sentou no chão e suspirou, incomodada e rendida. Ergueu sua cabeça e o encarou seriamente; ele tinha sua atenção.

Com um aceno positivo com a cabeça, Stubborn tomou um pequeno fôlego.

— Minha real missão para esta vila, Twilight Sparkle, é, não só para proteger os cidadãos desta vila para o que quer que seja ou está vindo silenciosamente, mas para proteger todos os cidadãos expostos a ela aqui. Não estou sendo dramático pois a Princesa me enviou justamente para te mostrar que o assunto é sério. Essa é a minha primordial responsabilidade. Mas, no momento, tenho uma outra; ordenada pela própria Princesa: Te ensinar. Mas, para isso, preciso de sua fiel colaboração.

Twilight pensou um pouco; assimilou bem o que ele havia dito. O que ele poderia ensinar para ela? O que, afinal, ele poderia saber que a própria Twilight não saberia? E que a própria Princesa não poderia ensinar?

No final, acenou com a cabeça positivamente — Claro, Capitão. Tem minha fiel colaboração. — mas ela o alertou com um casco em riste — Mas quero que saiba que não faço isso pelo senhor: faço pelas minhas amigas e pela Princesa, pelo bem de ambas.

Ele assentiu com a cabeça — Não duvido. — Stubborn tomou um novo fôlego, agora num tom mais sério — Vou explicar o plano aprovado pelas próprias Princesas. Não será fácil concluí-lo e exigirá de muita coisa de você. Até mesmo do que a senhorita não tinha, terá de usar de alguma forma. Será perigoso; muito. É isso que irá acontecer daqui em diante…

***

Não se ouvia murmuros pelo lado de fora. Não havia ninguém na calada da noite trevalesca da Princesa da Noite. Apenas luzes artificiais dos postes e árvores e arbustos tremeluzindo à leve brisa; galhos ricocheteando e folhas ondulando. Morcegos voavam em voos rasantes sobre insetos que passavam transeuntemente ou cantavam apaixonadamente.

A Biblioteca, diferentemente, não estava silenciosa; na verdade, estava bastante irriquieta. As luzes e sombras bruxelantes que vazavam das janelas diziam uma conversa; ou uma fervorosa discussão. Eram duas sombras; uma singela e uma monumental, ao que se pode dizer. Não se ouvia nada pelo lado de fora; os grossos troncos em sua estrutura arbórea conservavam o barulho interno; os zumbidos e folhagem dominavam os arredores. Porém as sombras não mais se mexiam.

Um brilho roxo, fraco e delicado, emanou da testa do pequenino vulto. E se intensificava aos poucos, preenchendo as paredes amareladas num tom lavanda. Ela crescia; aumentava; evoluía, de uma maneira assustadora. De repente, um forte clarão púrpura transbordou das janelas e frestas da biblioteca; junto com um estrondoso som abafado pelas grossas paredes. Ele cresceu e se expandiu tanto naquele cômodo que aderiu uma claridade pálida. Rápido como o feixe de luz; brilhante como a mais frondosa estrela. Em segundos, o clarão se enfraquecia e perdia sua arrebatadora existência, deixando restos de claridade cor-de-lavanda e faíscas ondulantes; felizes e satisfeitas.

Algumas janelas que existiam próximas a Biblioteca se abriram e seus residentes deram uma espiada por fora. Acharam estranho aquele suspeito clarão púrpura emergir do nada, assim como desapareceu. Tentaram descobrir de onde vinha olhando pros lados e comunicando com outros vizinhos em outras janelas. Ninguém entendeu também. Infelizmente, não conseguiram descobrir; nem ver mais nada naquela rua. Ao julgar pelas suas sonolentas expressões em seus rostos, não estavam surpresos com o clarão; acontecia tantas coisas bizarras e absurdas naquela pequena vila que um simples flash não era grande coisa. Já estava tarde; estava muito escuro. Resolveram esquecer o que aconteceu e tentar dormir novamente.

Fim do Capítulo Oito

Fanfic, Fanfics nacionais

Sem palavras para descrever – Livro I- Cap. 7 – Algo a Mais

capítulo-sete

Autor: Grivous

Gênero: Normal, Triste, Drama, Romance

Sinopse: ”Em alguns dias, um show será apresentado na pequena cidade de Ponyville, como o último show da carreira musical de uma musicista muito famosa de Canterlot: Octavia. Twilight Sparkle e suas amigas ficaram encarregadas de aprontar os preparativos para o Grande Evento. Os fantasmas de seu passado continuam assombrar a jovem musicista, a ponto de isolar-se do mundo e daqueles que ama. Num único evento, cheio de reviravoltas e grandes emoções, ela está para descobrir algo muito mais do que apenas o fim…”

LIVRO I :

Apresentação

Prólogo

Capítulo 1 – Empolgação

Capítulo 2 – Cascos e Coices

Capítulo 3 – Desinformado e Desinteressado

Capítulo 4 – Convidado ou Intruso?

Capítulo 5 – Casa da Mãe Joana

Capítulo 6 – Recuperação

Capítulo 7 – Algo a mais

Capítulo 8 – Amanhã

LIVRO II:

Capítulo 1 – Caminhada

Capítulo 2 – Muffin

Capítulo 3 – Companhia

Capítulo 4 – Mudanças

LIVRO III:

Capítulo 1 – Ausência

Equestria — Ponyville — Cozinha da Biblioteca, 13 de Fevereiro, 21:09.

Twilight Sparkle fez um incrível trabalho consigo mesma momentos atrás. Foi um autocontrole surpreendente. Digno de sua inteligência.

Ela percebeu que não havia motivos para descontrole emocional, nem em descontar essa sua descarga extrapolada em pôneis próximas a elas. “Pare, Twilight!”, ela gritou consigo mesma em sua mente, “Você não está pensando direito! Pare o quê está fazendo e pense com lógica!”. E foi o quê ela fez.

Não adiantava escrever incessantemente na mesma linha se havia outras linhas de sobra para serem preenchidas. Gastava o lápis, as energias para escrever teimosamente, a visão para tentar ler os garranchos grossos e violentos, e o papel acabava sendo rasgado rudemente. Ela apagou tudo o quê a deixava confusa e começou a organizar os itens presentes que aconteceram naquela noite. Por isso tinha fechado os olhos, relaxou os músculos e focou-se no que era apenas importante.

“Pronto, estou concentrada.”, pensou ela, extremamente confiante, “Agora vamos organizar os itens que tenho em cascos e que precisam de respostas! Devo focar no mais importante; o quê é mais importante agora?! Stubborn? Não, ele não está aqui para que eu possa tirar isso a limpo. Tenho Rarity e Rainbow Dash como testemunhas do quê quer que havia acontecido comigo durante meu desmaio; posso deixar esse item de lado, para mais tarde.”

“Por que a Princesa Celestia o enviou para “ajudar-nos”? Também não posso conseguir a resposta agora. Primeiro porque ela não está aqui; isso tornaria as coisas mais fáceis e rápidas. Segundo porque Spike está dormindo, o quê infelizmente me impede enviar uma carta neste exato momento para a Princesa, perguntando, e não posso atrapalhar o seu sono programado. Ele precisa de um descanso, fez um brilhante serviço por hoje. Posso riscar esse da lista, também. O quê me restou agora?”.

“O quê o Sr. Eye pensa de mim? Uma potranca mimada; carente por atenção e atração alheia. Acho que depois da minha infantilidade e exibicionismo explícito, que causou aquela queda de minha pessoa sobre seu perfeito corpo aerodinâmico, ele se sentiu motivadamente ofendido com minha transbordada teimosia. Claro que você, cabeçuda, machucou as costas daquele transeunte. Ele não vai respeitá-la se continuar desse jeito, jogando-se em cima de corcéis ondulantes! Como você vai conseguir algum respeito deste cremoso cidadão se– Não! Não dá para pensar nisso agora! Não tem como consertar isso! Eu… vou pensar nisso amanhã. Fez mais que o suficiente para ele hoje, Twilight Sparke…”

“Descobrir o quê havia acontecido comigo durante o desmaio? Isso posso conseguir com minhas amigas. Sim. Elas estão fazendo de tudo para me contar o quê houve. Estão até enrolando demais com isso porque… minhas emoções não permitem que elas me digam. Mas não podia evitar! Estava muito nervosa e confusa naquela hora… Na verdade, ainda estou… Você precisa se acalmar, Twilight! Foque-se no que é importante agora: Saber o quê aconteceu!”

Rarity acariciava delicadamente o casco direito de sua concentrada amiga unicórnio. Rainbow Dash também estava ao seu lado, segurando um copo de suco já tomado pela metade; ela olhava para ambas as chifrudas com atenção.

— Tem certeza que está bem, Twilight? — perguntou Rarity, ainda demonstrando-se preocupada com sua amiga — Sei que você está bem recuperada, mas preciso saber se você está apta em ouvir a história sem se exaltar. A última coisa que quero que você faça, querida, é se prejudicar ou ficar nervosa!

Twilight assentiu confiantemente com a cabeça — Não há necessidade de tal preocupação, Rarity. Como disse e confirmo para você: estou bem e disposta a dar toda minha atenção à vocês. Quero muito saber o quê aconteceu. Não me exaltarei, nem ficarei nervosa. Essa sensação já passou, obrigada.

Rarity juntou os cascos, animadíssima — Que bom, querida! Gostei de ouvir! Pois bem, contarei o quê houve. — Rarity limpou a garganta e comportou-se numa postura reta para começar seu discurso.

— Quando você desmaiou, novamente dizendo, ficamos todas desesperadas em ajudá-la da melhor forma possível, mas infelizmente não sabíamos como! Spike estava dormindo em sua aconchegante cama, mas nem pensamos no pobrezinho naquele segundo! Estávamos cobrando conhecimentos para o pônei errado: O Sr. Eye, que estava mais perdido que nós mesmas. Também não culpo o pobre cidadão, ele é um diplomata; e um escritor de primeira! Seria pedir demais de sua capacidade em saber socorrer pôneis desmaiados. Ficamos mais preocupadas e o tempo corria alucinadamente!

— Foi uma confusão total, fiquei olhando tudo lá de cima. — disse Rainbow Dash, querendo adicionar mais informações — Os pôneis correndo pro lado e pro outro, gritando ou falando alto. Não sei como Spike não acordou — o sonho deve estar ótimo para ele… —. Estava difícil tentar controlar a situação ou mesmo acalmar os pôneis ansiosos com gritaria e correria — ela olhou discretamente para Rarity, lembrando de um pônei em específico que mais deu trabalho para acalmar; a mesma apenas desviou o olhar, um pouco envergonhada — Eu mesma tive que descer e tentar fazer todo mundo ficar quieto e pensar numa solução. Afinal, ficar gritando não ajudaria em nada! Muito menos ficar trotando em círculos!

— Isso! — indagou Rarity — Rainbow tentou acalmar todos nós mas estávamos muito nervosas. Spikezinho não estava por perto; Sr. Eye também não sabia o quê fazer; a Prefeita tentou ajudar a acalmar o nervosismo dos pôneis presentes; Pinkie Pie sumiu misteriosamente, mas ainda assim não tínhamos pôneis para ajudar você, Twilight, querida. Queríamos ajudar você!

— E agradeço profundamente por essa preocupação, Rarity. — insistiu Twilight, tentando relaxá-la — Mas e aí? E quanto ao Capitão? Foi neste momento que ele apareceu?

— … Ainda não, Twilight. — respondeu Rarity com uma palmadinha no ombro de Twilight, como quem pede para um pequenino esperar para o climáx da estória.

Rarity estava até um pouco surpresa com Twilight neste momento. A unicórnio cor-de-lavanda citou um título do inominável sem exaltar; como ela havia prometido. Isso a deixou contente.

Ainda assim, Rarity continou — Pelo que me lembro durante minhas… peripécias, ele estava num canto, observando tudo. Ele não estava fazendo nada, só olhando o quê estava acontecendo.

Twilight pensou por um momento — Ele estava apenas observando? Ou será que ele estava… apreciando? — novamente sua desconfiança é demonstrativa.

— Não, Twilight. — discordou Rarity — Ele não parecia estar apreciando o quê estava vendo. Não havia sorrisos maliciosos nem expressões prazerosas em seu rosto.

— Mas não tem como ver suas expressões ou sorrisos, Rarity! Ele simplesmente não as têm! — exclamou Twilight.

— Mas você percebe o olhar. — entrou Rainbow Dash no meio — Ele estava num canto, observando todo mundo e o quê estava acontecendo. Sim, podia até parecer isso, mas você percebe que não estava apreciando nada, como você o acusa, Twilight. Ele estava realmente observando, avaliando a situação. Há mais coisas nele que a gente não sabe.

— Isso, Rainbow. Eu também percebi isso no Capitão. Ele ficou assim por vários minutos. — disse Rarity — Foi então que ele entrou em cena!

— E o quê ele fez? — perguntou Twilight com educação, mas demonstrando-se ansiosa.

Raibow Dash ergueu-se do chão e agiu exatamente o quê ela descreveu, conforme falava — Ele saiu das sombras das vielas da noite, todo posudo e ereto; deu duas poderosas patadas no chão conforme andava e bradou “SILÊNCIO”! — o grito da pégaso ecoou pela cozinha, machucando orelhas alheias — Twilight, te digo: Todos. Ficaram. Parados; como quem fica imóvel durante o bote de algum animal selvagem! Ninguém mexeu uma pata! Em um segundo, ele controlou a situação que eu mesma estava tentando controlar!

— Também te digo que fiquei chocada, querida! Abalou as crinas minhas. — comentou Rarity — Senti um frio na espinha subir como nunca senti antes!

— Aí que abalou geral mesmo: o Brutamontes parecia muito diferente de como era antes. — disse Rainbow Dash — Não sei que bruxaria ou ilusão ele usou na gente — se é que ele pode… — mas que não era ele… não era!

— A primeira coisa que ele fez depois que todos ficaram em silêncio — continuou Rarity — foi trotar em sua direção, Twilight. Você estava deitada meio que desajeitada e sua cabeça estava apoiada nas costas do Sr. Eye. No começo, pensamos que ele ia te fazer realmente algum mau! Queríamos agir contra, mas ficamos, de alguma forma, amedrontadas com ele e sem ação! Até que ele apenas ergueu seu queixo para cima e colocou o ouvido sobre sua boca. Creio eu que ele tentava ouvir sua respiração…

— “Minha respiração”? — pensou Twilight, enquanto passava o casco pelo pescoço, meio desconfortável.

— Depois, — disse Rarity — ele disse “Ela está respirando; isso já é bom. Sua respiração também não está ofegante, o quê é melhor ainda!”. Ele pediu para que o Sr. Eye continuasse deitado para te deixar mais confortável. Tirou um lenço escuro de um dos seus bolsos e enxugou sua testa. Applejack e eu estávamos por perto e ele chamou nós duas. Estávamos meio relutante quanto a bruscalidade, mas avançamos. Ele pediu a Applejack para tirar o chapéu e usar ele para abanar o seu rosto, para refrescar; explicou também que daria um pouco de alívio e “voltaria para nós” mais depressa. Na mesma hora, Applejack tirou o chapéu e fez o quê ele disse!

— Já para mim, — Rarity levou o casco para o peito, — ele pediu para eu dar a volta e apanhar um de seus cascos para massagear. Disse que, massageando uma de suas patas, faria seu sistema nervoso responder por estímulos. Mas não era para apertar de leve; era para apertar como se estivesse apertando uma massa de pão.

— Não sei se conseguiria, mas por você, Twilight, tinha que fazer! E lá me fui: trotando com todo o cuidado para não tropeçar e, de repente, cair em cima de vocês dois! Chegando no outro lado, fiz o quê ele pediu. Eu não sei por quê estávamos fazendo o quê ele pedia, mas, sinceramente, Twilight, eu sentia que era a coisa certa a fazer. Ninguém mais tinha ideias; acredito que valia a pena arriscar esta oportunidade!

— Foi após alguns longos minutos que você acordou — entrou Rainbow Dash — e ficamos todas aliviadas pelo seu retorno. Começamos seriamente a pensar que você ia ficar assim até amanhã!

    Twilight não sabia se ficava embasbacada pela mudança violenta de comportamento deste outeiro indivíduo ou se ficava perplexa pelo conhecimento que esse ser demonstrou para aquela situação. Por que essa mudança? Por que agora? Só porque ela estava em dificuldades? Precisava de ajuda? Mas então por que todo esse desrespeito em sua pessoa? Será que ele fez isso tudo por pena? Havia algum coração-mole naquele corpo de pedra? Ou havia um espírito-de-porco na forma de um bruto corcel? Novamente, isso não fazia sentido algum! Quem cargas d’água era esse pônei?!

 — Eu… — balbuciou Twilight — Realmente estou sem palavras… Não sei nem o quê dizer…

 — Eu já estava sem palavras naquela hora, Twilight. — disse Rarity — Você já deve ter perdido a boca, isso, sim! Coitadinha, desculpe se fomos muito bruscas ao lhe contar tudo isso. Sei que está te deixando muito confusa!

 — N-não, Rarity. Está tudo bem. — Twilight descansou o casco no ombro de sua amiga — Realmente estou meio confusa, mas não posso me deixar fragilizar. O quê vocês me contaram foi realmente inesperado e agradeço pela colaboração de vocês. Me sinto bem mais informada sobre o Capitão do que antes e já sei realmente o quê devo fazer daqui em diante. Algo mais que vocês queiram me contar sobre ele; algo que ainda não sei?

Rarity pensou por um momento. Já Rainbow Dash fez uma careta meio indiscreta e olhou para Rarity com relutância. Rarity completou o elo de olhares com a Rainbow.

Então as duas olharam para Twilight.

— Não, isso é tudo. — disse Rainbow Dash com um aceno negativo com a cabeça.

— Creio que não, querida. — completou Rarity — Como eu disse: Logo depois você tinha acordado e encontrado todas nós ao seu redor. Ah, sim! — lembrou ela de repente — Eu tinha dito que Pinkie Pie havia sumido do nada, não é? Pois bem, ela tinha retornado pouco antes de você acordar e pouco depois que a confusão tinha acabado. Ela estava usando um capacete-protetor vermelho que piscava um farolete em cima. E trouxe com ela a mangueira do jardim, perguntando “Onde é o incêndio?!”. Fiquei com a testa vermelha com a patada que dei em mim, constrangida.

— Vixe, nem me lembre, Rarity! — escarneou Rainbow Dash com desdém — Mas não foi bem isso que Twilight perguntou. Ela queria saber mais sobre o Capitão.

— Isso eu sei, Rainbow! Era só mais um detalhe que não contamos.

— Que, no final, não demonstrou-se muito importante… — terminou Dash.

Twilight suspirou mas sentiu uma fisgada — Ah! Sim! E quanto ao Sr. Eye? Ele está bem?

Twilight não tinha certeza se perguntava isso mas decidiu arriscar. Ela já havia pensado que, se suas amigas soubessem, elas lhe diriam. Mas, como elas não comentaram nada referente — apenas de pôneis que ela não desejava saber — , achou melhor lembrá-las perguntando de uma vez. Agora, ela só esperava que não pensassem em coisas absurdas com isso.

— Tsc, não se preocupe! — disse Rainbow com um sorriso maroto — As costas dele estão inteirinhas! Seu cabeção não causou muitos danos como deveria!

Rarity deu uma cotovelada na pégaso azulada enquanto a mesma dava risadas glorificadas. Twilight coçou a nuca meio constrangida.

— Devo ter parecido uma completa egoísta na frente dele. E irresponsável também. Eu deveria ter dado minha atenção à ele; ele era um convidado. E por causa de certos indesejados… — rosnou ela — deve estar pensando horrores sobre mim.

— É provável, querida. Mais que provável: é um possível! — disse Rarity logo de cara. Parecia nem se preocupar com o que tinha dito e nem evitou-o dizer, como sempre fazia.

Twilight até arregalou um poucos os olhos, ficou deveras surpresa pela inesperada indelicadeza de uma delicada amiga.

— R-rarity…!

— Como também é improvável, amiga. — continuou ela — Mais que improvável: é um impossível! Sinceramente, Twilight, nem você, nem eu, nem a própria Celestia ou Luna pode dizer o que esse ser corcelístico pensa de você. Ele pode estar pensando em mil coisas. Mas, te digo, não como você pensa.

Rainbow Dash acenou com a cabeça — Hu-hum, concordo com a Rarity. Nisso ela tem razão.

— Afinal: ele acabou de te conhecer! E ele já conheceu mil e outros pôneis em sua vida! Ele já deve estar careca de saber que não se deve deduzir de pôneis pelo que aparentam; mas pelo que fazem!

Rainbow Dash refletiu um pouco com essa afirmação de Rarity— Mas… o que Twilight mais tem feito desde que ela o conheceu foi desmaiar, gritar, estribuchar e se estressar! — exclamou ela num tom alto. — Só com isso, eu já pensaria que essa pônei era doida de pedra!

Rarity esqueceu-se disso e ficou meio perdida — N-não entre em detalhes, Rainbow Dash! Foi só por uma noite! Não deve ser grande coisa!

— Ai, por Celestia! — Twilight ergueu os cascos aos olhos, tentando esconder sua vergonha — Já deve estar pensando em trilhões de ofensas e acusações sobre meus atos desta noite…! Me sinto ridícula…

 — Pare de pensar assim, Twilight! Foi só por uma noite! Foram apenas incidentes que aconteceram de repente e você não estava preparada! Nenhum pônei é perfeito!

— Nem vereador… — comentou Rainbow com um olhar maroto.

Rarity bufou e ia dar mais uma patada nela mas Dash conseguiu escapar, desviando-se rapidamente aos arrastos e risadinhas.

— O que estou tentando dizer é, — continuou Rarity, após ajeitar sua crina já um pouco elétrica — Não fique pensando nessas coisas! Você não pode deduzir o que ele pensa. Espere até amanhã, quando o real trabalho de vocês dois começa. E você pode até perguntar a ele ou mesmo se desculpar de alguma coisa! Cavalos piram em éguas que se desculpam ou perguntam coisas!

— H-heim? Como assim? — perguntou Twilight já meio vermelha; bochechas ardidas eram bem visíveis em seu rosto púrpuro. Nem sabia se ria com o “piram”.

— Amiga, por-fa-vor! Sempre funciona! — Rarity demonstrava-se expert no assunto, bolinando nos corcéis formigantes por Ponyville — Eles ficam todos melecosos quando fazemos uma carinha inocente e uma voz fofinha. Deixa qualquer coração-de-pedra virar água, assim! — ela representou um “SNAP” com uma rápida batida com os cascos.

— Pode fazer isso e dizer “Você é um bundão” que eles nem vão notar a diferença! Até concordarão com “Claro, claro, sem problemas”. Uma coisa hilária de se ver! Ah! Uma vez, com aquele pônei com a cor de caramelo… o… o Caramel! Tadinho, teve um dia que me encontrei com ele. Ficamos conversando por vários minutos, adorei o papo dele, todo cuidadoso! Então, chamei ele para dar uma volta. O bichinho ficou todo torto, querida! Disse que não era certo uma dama jeitosa como eu chamar um pônei qualquer para “dar uma volta”; na verdade, ele que deveria fazer isso.

— Olhei bem assim pra ele. — ela apertou os olhos levemente e ergueu um sorriso malicioso, acompanhado de um “Hu-hum, sei”. — No final, fomos dar uma voltinha. Passamos lá na Praça Central para ver o que acontecia. Eram as obras para o palco da musicista que vem para cá, a Octávia. Fiquei com o maior dó! Não do palco, claro! Ele ia ficar divino, maravilhoso! Mas, sim, com os operários, tadinhos. Trabalhando em baixo daquele sol quente e ficando todos suados e… grudentos… Ai! Eca! Não aguento!

Twilight já ficou perdida novamente. Como foi que conseguiram chegar nesse assunto mesmo? Nem ela sabia! Foi bem rápido e cheio de bifurcações e ligações como vários regatos se espalhando por uma floresta de assuntos. O tema principal da conversa foi abruptamente deixado de lado para falar sobre o dia-a-dia cotidiano. Ou, pelo menos, apenas da dona da conversa.

— Tá, Rarity! Já chega! Isso não é hora de conversa! Foco na discussão! — reclamou Rainbow Dash, já impaciente.

Rarity, claro, ficou irritada com a interrupção. — Francamente, Rainbow Dash! — bufou ela — Isso não é jeito de interromper um discurso de quem está ditando! Estava no meio de uma pauta muito importante!

— “Inútil” mudou de nome, por acaso? Isso nem de perto pode ser chamado de “pauta”!

As duas continuaram discutindo conforme o tempo andava. Não de uma forma negativa ou agressiva, mas apenas uma pequena discussão entre amigos; o normal dentre elas. Só que Twilight não dava atenção a discussão delas; ainda estava preocupada com o que o Conselheiro e Diplomata Oficial do Reino das Terras Férteis, Foreign Eye, pensa sobre ela ou suas recentes ações diante e contra sua pessoa. Ainda se sentia envergonhada por ter caído em cima dele e se sentia reprimida por estar sempre demonstrando-se alguém vulnerável ou instável em situações embaraçosas e tensas. O que ele estaria pensando sobre ela? Ela não sabia; injustamente, só ele sabia. Mas a Rarity tinha razão. Ela não deveria se preocupar tanto com isso; agora. Ele mal a conhecia direito. Ainda tinha um longo evento pela frente, pela qual os dois vão ter que passar e enfrentar juntos. Momento essencial para ela saber mais sobre ele e também, se possível, desculpar-se de qualquer constrangimento que ela o proporcionou; ou proporcionará. Twilight suspirou e relaxou. Ela decidiu deixar essas preocupações para amanhã; o dia em que os dois começarão os trabalhos oficiais de seus cargos. Agora tinha que se preocupar com outras coisas que também são importantes: a Reunião de hoje; e o Capitão.

Twilight ergueu-se do chão, confiante. Um movimento brusco e ereto. Ela se viu impressionada que, pela primeira vez naquela noite, não ficou tonta nem perdeu o equilíbrio com esse esforço; suas forças estavam recuperadas. Isso soou dentro dela como uma notícia esperançosa para ela; sentia-se preparada para voltar as suas responsabilidades. Um brilho audacioso faiscou de seus olhos, como duas tochas luminosas de coragem em meio a escuridão de um duvidoso corredor.

— Bom, acho que já me sinto bem melhor agora. Bastante revigorada! E creio que já passamos tempo demais aqui na cozinha. É melhor regressarmos para a Biblioteca.

Rarity e Rainbow Dash pararam sua desinteressante discussão para mudarem o foco de sua atenção para a decisão da unicórnio cor-de-lavanda. Ficarem até surpresas que encontraram-na já de quatro patas. A unicórnio roxa decidiu voltar para aquele cômodo; isso preocupou um pouco a Rarity. Ela ergueu-se de imediato, para perto de Twilight.

— Tem certeza, querida? — perguntou Rarity, com o casco perto ao queixo — Não vai se exaltar quando ver o Capitão?

— Não vou, Rarity. Isso já passou. Obrigada por se preocupar. Não farei nada ilógico a partir de agora. Estou decidida e sob controle!

Rainbow Dash concordou com um sorriso — É isso aí, Twilight! Assim mesmo que se fala! — ela ergueu-se do chão e eriçou as penas e pêlos celestes — Brr! Isso! Vamos logo que o pessoal devem estar mais impacientes do que eu para finalmente dar início a essa reunião!

***

    “Sou vermelho, mas não sou fruta,

    Sou amarelo, mas não sou planta.

    Dou vida, mas também dou fim.

    Desço e subo todo dia,

    Oferecendo tristeza e esperança.”

Applejack coçou um pouco a cabeça, encarando confiantemente para o Sr. Eye — Ha-ha! Facinha essa! É o Sór!

Foreign deu com o casco na mesa, cruzou os dois sobre o peito e encostou-se na cadeira, derrotado — Hunf, correto! — disse ele bufando pelo nariz.

— Ponto pr’êu! Minha veiz, intonci! Xá’vê…

Foreign saiu do seu encosto e ficou de frente para AJ, olhando para ela com grandiosíssima atenção.

    “Gemas cai do cér, nem sempri, nem nunca.

    Rastejam pelo chão i pelos pônei.

    Aterrisam aos monte, nascêno novas i piquenas.”

Foreign coçou um pouco o queixo, mas já tinha a resposta na ponta da língua. Ele apontou o casco para ela — Já sei! Chuva!

Applejack gruniu — Báh! Seu chato!

— Haha! Agora sou eu! Vou inventar uma bem díficil…

— Díficir? Pfft, essa eu quero vê! — escarneou AJ com um tom desafiador. Ele só respondeu com um sorriso no rosto.

    “Círculos me apoiam, quadrados me atrapalham.

    Peso não é problema, aguento o quê me colocarem!

    Vou até onde me levarem, desde que o caminho sabem!”

Applejack riu gloriosamente — Isso é díficir?! Isso é o qui mais tem lá nim casa! É uma carroça!

Foreign se sentiu ingênuo, falar de carroça com uma pônei que vive cercado por elas todos os dias. Ele deu com o casco na testa — Caramba, é mesmo! Droga…!

— Agora se sigura qui vai sê pra valê!

    “Desço aqui, desço acolá.

    Num importa donde deito, ali eu fico!

    Levo anos pra oferecê, e quâno ofereço,

    Eu desço novamenti!”

Agora o bicho pegou; essa era realmente difícil! Foreign ia responder de imediato — competindo em quem responde mais rápido — mas não podia arriscar. Ficou babulciando surdamente por alguns segundos, virando e desvirando os olhos pela mesa. O que desce e permanece lá? E ainda demora anos para oferecer. Mas o oferecer o quê? E quando oferece, desce novamente? Essa o pegou de jeito.

Applejack já estava confiante — E aí? Diga si num é boa essa!

Foreign teve que admitir — Hehe, pois é, Sinhá Applejack! Díficil mesmo… mas eu vou responder! Preciso pensar um pouco…

Ele pensou novamente no texto. Há algo escondido no meio dessas palavras, como qualquer adivinha que fizeram até agora, mas essa era bem trabalhada. Não era à toa quando Applejack afirmou a ele que ela era uma expert nesse assunto. Sua família brincava e praticava isso desde sempre no vilamente comentado Sweet Apple Acres. Ela deve conhecer inúmeras adivinhas contra o escarço estoque de Foreign. Mas ele tinha que se concentrar nessa adivinha.

Como Applejack havia lhe contado, ela e sua família criavam adivinhas para brincarem durante o fim de semana, dias em que não havia trabalho com as safras de maçã e nem mesmo aulas para frequentar no colégio. Ela, seu irmão mais velho, sua irmãzinha e sua avó planejavam adivinhas durante a semana, mas também podiam criar adivinhas na hora com o quê estiver ao seu redor se, por algum momento, acabarem. Foreign pensou nesse recurso e olhou em volta. Ele olhava em volta e pensava no texto em sua cabeça. Livros, pergaminhos, estantes, mesas, cadeiras, lamparinas, Stubborn, vasos, flores, Prefeita. Nada combinava no texto; nem ao menos chegava perto de seu significado oculto.

— Ela não criou essa adivinha agora. — pensou Foreign — Nada que tem aqui faz sentido. A Sinhá Applejack já a tinha em seu repertório. Mas no que ela se inspirou para criá-la? E onde?

Foi então que ele sentiu uma fisgada, isso fez com que seus olhos brilhassem em êxtase. — Claro! Como foi que não pensei nisso antes! Faz todo sentido! — pensou ele.

Sr. Eye olhou para a Applejack como quem descobriu a verdade absoluta para todas as coisas. A mesma percebeu o seu olhar e não ficou feliz com isso.

— Maçã! — disse ele, com ar de vitória em seu peito — Essa é a resposta! Maçã!

Applejack emburrou-se na cadeira, — Báh! Ocê descobriu! Essa era uma das mais dífcir qui eu inventei! Vai, sua veiz di novo. Vô acertá di primêra!

— Desculpe, Sinhá Applejack. Mas meu repertório de adivinhas já acabou.

— Már já?! — disse ela num tom realmente surpreso — Már eu inda tinha uns vinte já preparado! Ocê num tem mais?

Foreign teria ficado boquiaberto, mas foi interrompido pela presença inesperada da Prefeita ao lado deles. Os dois se exaltaram por um segundo mas se recomporão.

A Prefeita olhava para eles com seus oclinhos meia-lua e uma sobrancelha erguida — As crianças já leram suas tarefas para estarem brincando? — disse ela, porém num tom educado.

Applejack ergueu o casco — Már é craro, Sinhá Perfeita! — disse ela, animada — Nóis tâmo cienti do qui devêmo fazê aminhã, már só tâmo passando o tempo até a vórta de Tualáiti. Afinar, num podêmo fazê o qui nus foi intréguê sem a provação dela!

A Prefeita acenou com a cabeça positivamente, — Está bem, Srta. Applejack.

— Már mi diga uma coisa, Sinhá Perfeita: I a Tualáiti? Cumé qui ela tá? Ela tá bem?

— Desculpe, Srta. Applejack. — respondeu a Prefeita tristemente — Não posso dizer ao certo. Srta. Rarity e Srta. Dash ainda não voltaram com ela desde que foram para a cozinha. Não estou querendo dizer nada, mas acho que a Princesa cometeu um erro ao colocar a Srta. Sparkle num cargo com tanta responsabilidade. Isso a deixou realmente estressada.

— Nisso eu caicordo, Sinhá Perfeita. Mas tamém discordo! Tualáiti é uma pônei bem isforçada e jeitosa. Eu quêrdito qui ela si sairá bem no qui tá passâno. Ocê vai vê!

— Queria mesmo acreditar nisso, Srta. Applejack. Mas não posso ser precipitada. A noite ainda não acabou e a reunião nem começou também. O jeito mesmo é esperarmos.

— Isso, Sinhá Perfeita! — ambas se despediram num aceno positivo e a Prefeita sentou-se em seu lugar, avaliando mais alguns papéis e separando-os.

— Acho melhor checarmos como a Srta. Sparkle está. — Foreign preparou-se para se levantar quando um casco alaranjado pousou em seu ombro, forçando a se sentar novamente.

— Sentá aê i si aquiéti, Nhô Impacienti! Num vá si ingraçá cum assunto di égua… — disse ela num tom brincalhão.

— Não, Sinhá Applejack! Com certeza, não pretendo! — defendeu ele com uma risadinha — Mas devo dizer que a Srta. Sparkle está demorando muito e me preocupo com seu bem-estar.

Applejack olhou para o cortês convidado e apertou as pálpebras, na suspeita — I pruquê ocê si percupa?

A pergunta dela soou meio estranho para Foreign, mas ele respondeu — Bom, por causa de seu estado há uns momentos atrás. Sinceramente, Sinhá Applejack, nunca vi isso acontecer a um unicórnio antes! Fiquei realmente surpreso.

— É di ficá surpreso, sim, Nhô Aiê. Essa Tualáiti é uma pônei muito isforçada, o sinhô já devi di ter precebido.

— Mas a senhorita fala como se ela fizesse isso o tempo todo. É normal isso?

— Ora, craro! Pruquê falaria o contrário?

— Esse é o porém que não compreendo, Sinhá Applejack: Por quê ela faz isso? Por quem? Há um motivo por trás de tudo isso que ela faz, a ponto de se desgastar daquele jeito?

— Agora sigura éssas rédea, sinhô! — AJ ergueu os cascos para ele, na defensiva — Isso num é coisa procê perguntá pra mim i nem é di eu respondê procê! Isso é coisa di Tualáiti i num tênho direito di falá essas coisas. Isso serve pro sinhô tamém! Discurpa a indelicadeza, mas o sinhô num é ninguém pra mi perguntá isso i nem do sinhô sabê! Portanto, num falarei um “A”.

Nesse momento, o rosto de Foreign ficou mais vermelho que um tomate maduro; ele foi muito indelicado e acabou perguntando coisas muito pessoais de Twilight Sparkle, e estava usando sua amiga para perguntar essas coisas — P-perdão, Sinhá Applejack! Fui muito intrometido perguntando essas coisas para sinhorita. Realmente eu não devia; e não irei. É que, como irei explicar…?

— Eu intenô qui o sinhô é curioso, Nhô Aiê. — respondeu ela num rosto assustadoramente calmo.

— Não, não é isso! Digo… pode ser também, mas não do jeito que a senhorita está pensando.

— I no quê tô pensanô? — perguntou ela, com uma sobrancelha erguida.

— Que eu sou um interesseiro; ou até mesmo um intrometido, me metendo na vida de outros pôneis sem dar nenhuma satisfação ou motivo aparente. Peço perdão pela indelicadeza…

— Si eu num conhecesse o sinhô, eu pensaria nisso, sim. Sem dúvida arguma. — ela respondeu com sinceridade — Mas eu conheço o sinhô, principalmente do qui o sinhô anseia i procura.

O corcel elegante olhou bem para ela, confuso — Como assim?

— Eu sei qui ocê preguntô isso por ser curioso, mas num bão sentido da palavra. Sei disso pois, como já comentei antis co sinhô, li seus livro, “Époluça É Logo Ali Adianti” i “Terras Fértil Pra Lá Di Absurda”. Ocê anseia pruma resposta di vida; motivacionar. Algo qui ti leva adianti. Foi por isso qui adorei seus livro e sei no qui ocê é curioso. — Applejack apoiou os cotovelos sobre a mesa, olhando bem para o rosto de Foreign — Már ocê só é curioso nim coisas qui ti interessam. I quâno o sinhô fingiu ficá lêno aquelis papér, fiquei bastante ofendida. Da próxima veiz, eu espero os papér oferecê um docím pro sinhô.

O rosto de Foreign caiu estapelado no chão, além de ficar mais vermelho do que já estava; não sabia mais por onde se enfiar. Applejack percebeu isso e levantou um sorriso malicioso. Ela o afagou com um tapinha no ombro, seguido por um aviso.

— Tamém digo: Conheço ocê o suficiente pra dizê qui o sinhô num é ansim. Ocê é muito inducado e gentir. Num careci de tê um sentimento tão ruim, már pareci qui arguma decisão vinda do sinhô o fez mudá. I foi uma decisão dificír.

Foreign respirou fundo. Antes suando frio e com a sua extinta elegância estatelada no chão, agora estava até mais calmo, mas relutante. Mas não podia negar da surpreendente gentileza de Applejack em sua pessoa. Ele acenou positivamente com a cabeça. — Claro, Sinhá Applejack. Peço perdão se a tratei daquele jeito meio rude. Mas creio eu que já te expliquei minha real missão para vila.

— Sim, já expricou, sim, sinhô. — respondeu ela com desdém — Qui o “sinhô tá nim negócio i num pretendi pulá a cerca”. Isso cumigo, Nhô Aiê, é cunversa pra boi drumí.

— Mas comigo não é, Stra. Applejack. — disse Foreign num tom duro — Decididamente, não quero me envolver com nenhum pônei.

— E, pro acauso, sê amigo di argum pônei é si involvê? — ela cruzou os cascos, visivelmente incomodada com aquela observação.

Foreign ficou uns segundos em silêncio, analisando o quê dizer depois — Sim, Sinhá Applejack. É se envolver a partir do momento em que a senhorita começa a se familiarizar com um pônei; ser amigo ou amiga dele ou dela.

— Qui era u qui nóis tava fazendo faz vários momento atráis. — lembrou Applejack, qual estava curtindo a diversão que ele também estava proporcionando para ela com as adivinhas — I o sinhô parecia bem alegre com aquilo, por sinar.

— Mas não deveria! Eu… eu não deveria ter continuado com aquilo! — Foreign levou um casco para a testa, tentando enxugar um pouco de suor com a manga do terno já que seu lenço pertencia a outro pônei. — Desculpe se estou te deixando confusa, Sinhá Applejack, mas… sinto que não é o melhor momento para isso! Não quero que pense coisas ruins quais não mereço. — seu rosto estava aderindo uma expressão triste e melancólica; orelhas e olhos caídos e aflitos.

Applejack percebeu isso e tentou acalmá-lo — N-nhô Aiê, sussega! — disse ela meio sem jeito. — Num percisa ficá nervoso.

— Sim, estou um pouco nervoso! Não mentirei para senhorita. Agradeço que nisso a senhorita acredita em mim. E vejo também que não adianta mais disfarçar o quê penso e o quê sinto. Mas… realmente não sei como te explicar porque… é pessoal.

Applejack ficou sem ação. Agora era ela quem se metia na vida dele, com perguntas capciosas e suspeitas. Uma dó emergiu em seu peito ao ver a aflição e derrota daquele corcel, que tentava ao máximo ser cortêz e gentil com todos. Seu rosto triste era de arder em pena; ambos não mereciam essa aflição.

Applejack apoiou seu casco alaranjado sobre o dele suavemente, — Discurpa, Nhô Aiê. Fui muito indelicada co sinhô. Fiz nim defesa de minha amiga pois mi pêrcupo cum ela. Már querdito no sinhô. I si tivê arguma coisa pra mi dizê, pode mi dizê sem medo. Num percisa sê agora; quâno tivê necessidade, é só mi percurá; sô toda ovido.

Foreign sentiu o toque suave do casco da Applejack; o contemplou por alguns segundos pensativo e em seguida vislumbrou seus olhos-esmeralda numa apreciação agradável de sua gentileza. Ele se sentia muito nervoso com as supeitas sobre sua pessoa, mas ele não era um, digamos, um “pônei mau”. Apenas sua escolha e decisão tomou essas acusações ao seu favor. Ele não queria mais essas suspeitas surgirem contra ele novamente; não as merecia. Foreign achou melhor parar com essa teimosia e acatar; pelo menos com ela.

Ele suspirou, de certa forma, aliviado — Claro, Sinhá Applejack. Procurarei por seus ouvidos e atenção quando for necessário.

— Com certeza. — uma voz seca surgiu entre os dois, como se uma assombração pairasse em meio deles. — Pois há coisas mais importantes a serem preocupadas agora.

Foreing e Applejack assustaram com a voz carrancuda que revelou-se do nada e olharam para sua fonte: descobriram um corcel em trajes sombrios, escondido em seus pontos-cegos. Estava olhando e escutando o que suspostamente estavam fazendo e conversando. Foreign se sentiu extremamente invadido e uma palidez atingiu seu rosto cremoso. Mas Applejack apenas fechou a cara e ergueu o rosto contra o gigantesco indivíduo.

— Êta, intrometido! — disse ela numa voz nervosa; ela não gostou nem um pouco desta invasão — Vá assustar ânsim na casa da vó! Qui qui ocê qué, qui num pudia si pronunciá antis, seu abelhudo?!

— Não tenho por que me pronunciar diante de um cochicho entre dois pôneis. — respondeu Stubborn, num tom calmo, mas rouco — Até porque pode ser útil para alguma coisa. Mas fazer sussurros ou conversar de algo pessoal num ambiente cercado por pôneis é burrice e verdadeira indelicadeza de ambos.

— Só si fô pra ocê, metêno o nariz donde num é chamado! — Applejack ainda estava ofendida pelas escutas indesejadas deste intrometido.

— Não se engane, Nossa Caipiresca Companheira: não vou usar o que quer que escutei ou pensei de vocês em vocês mesmos. Estou aqui para protegê-los; não para tirar vantagem.

— Acho bão, viu! — rosnou ela, com o casco apontado na fuça de Stubborn — A úrtima coisa qui quero é tê uma sombra extra rastejando atrais di mim! O sinhô tem um jeito muito istranho di portegê os pônei i num cunfio nisso nem um tiquinho.

— Não é preciso. — disse Stubborn, abaixando gentilmente o casco de AJ de seu rosto barrento — Mas digo que estarei de olhos e ouvidos bem abertos. Paras as boas e más bocas.

Applejack respondeu com uma bufada raivosa entre as narinas. Stubborn olhou no canto de olho para Foreign, o elegante ainda estava constrangido; até desviou o olhar fugitivamente. O grande corcel virou seu corpo e deixou os dois quietos finalmente. Foreign soltou um aliviado suspiro pelas narinas.

— Eu não entendo o Capitão. — disse Foreign, descontraindo — Nem sei se acredito no que ele acabou de dizer…

— U qui ele disse é vrêdade. — respondeu Applejack, porém com desdém.

Foreign olhou para ela na suspeita. — Sério? Tem certeza, Sinhá Applejack? Não creio que ele esteja realmente dizendo a verdade com aquelas atitudes presunçosas… e um tanto brutas, por assim dizer.

— Sim, tenho certeza. Ele tava sêno honesto, e isso me incomoda. Num sinti um pingo di mintira im seu discurso meia-boca.

Foreign se sentia confuso. — Mas não faz sentido, Sinhá Applejack. Se ele estava sendo honesto, por que dessas atitudes grosseiras? Creio que que a senhorita não esqueceu o quê ocorreu com a Srta. Dash quando ela “o recebeu”.

— Num, num mi esqueci. — disse AJ com sinceridade. — Már si ele agi assim, é pruque ele si tornô ansim; argo o fêz sê u qui é hoji.

Foreign aproximou de Applejack e perguntou aos sussurros — E o quê poderia ser? — isso estava ficando assustadoramente intrigante para ele.

— Num sei, Sinhô Aiê. Isso é coisa deli. Si quisé, pódi í lá mêrmo perguntá à ele…

— Por Celestia, não! — respondeu ele, nervoso e sacolejando os cascos negativamente — O-obrigado pela opção.

Os dois permaneceram em silêncio por um tempo. Não conversavam mais; já tinham conversado o suficiente naquela noite. Agora estavam refletindo o que aconteceu e o que acontecerá em seguida. Foreign ainda não parava de pensar na saúde de Srta. Sparkle. Ele, quando estava por perto para socorrê-la da queda, podia sentir a tensão que ela se encontrava e isso o afetou significativamente. Era a primeira vez que ele via isso acontecer a um unicórnio; afinal, ele mesmo é um e jamais o aconteceu algo assim. Foreign sentiu durante o desmaio de Twilight uma sensação de calor em sua nuca — grandes chances de ser febre —, além de que ela tremia um pouco. Foi uma aflição presenciar isso de perto e não poder fazer nada. Será que ela está bem? Ou vai ficar bem?

Applejack o conheceu hoje e já parecia que o conhecera há mais tempo. O seu jeito de cumprimentar os outros, com respeito e educação, demonstra que ele não tem desejos nem ambições maldosas ou egoístas. Ou ao menos aparentava não ter. Podia estar fingindo essas atitudes, enganando pôneis e distorcendo suas realidades. Mas AJ podia sentir mentiras de longe. As brincadeiras e o jeito amigável que ela possuí é efeito disso; é assim que ela descobre os reais sentimentos dos pôneis que ela conhece. Quando ela conversou com Foreign, percebeu que algo estava de errado com ele, apesar de toda a elegância e gentileza. Ele disse que estava apenas a negócios e não queria se “envolver” com ninguém. Mas isso foi uma decisão da mente dele; seu coração era contra. Tanto que ele aceitava suas brincadeiras com fervor e se divertia com elas. Isso quebrava a decisão que tomou; em ser ignorante e passivo. Mas ele não era assim; ele era alegre, divertido e muito amigável. Essa escolha amarga que fez quando chegou em Ponyville obviamente foi por causa de seu trabalho como Conselheiro e Diplomata Ofical do Reino das Terras Férteis. Applejack achava isso errado e definitivamente uma difícil e tola decisão. Mas era o que ela achava, não o que realmente dizia. Ela gostaria de conversar mais com Foreign a respeito disso, tentar ajudá-lo de alguma forma; como uma amiga.

— Boa noite a todos. — uma voz feminina e reconhecível pronunciou-se no cômodo.

Todos os pôneis presentes e atenciosos se viraram ao encontro da voz familiar. Era Twilight Sparkle, erguida de suas próprias patas, acompanhada de Rarity e Rainbow Dash logo atrás. Ela saía da batente do estreito corredor que ligava a cozinha e adentrava a larga sala principal de sua biblioteca, onde seria a reunião daquela noite. Suas amigas e companheiras responderam chamando-a pelo seu nome em felicidade. Muitas narinas suspiraram aliviadas e olhos brilhavam com alegria; mas apenas um rosto estava neutro dentre as demais.

Fim do Capítulo Sete

Fanfic, Fanfics nacionais

Sem Palavras para Descrever – Livro I – Cap. 6 – Recuperação

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Autor: Grivous

Gênero: Normal, Triste, Drama, Romance

Sinopse: ”Em alguns dias, um show será apresentado na pequena cidade de Ponyville, como o último show da carreira musical de uma musicista muito famosa de Canterlot: Octavia. Twilight Sparkle e suas amigas ficaram encarregadas de aprontar os preparativos para o Grande Evento. Os fantasmas de seu passado continuam assombrar a jovem musicista, a ponto de isolar-se do mundo e daqueles que ama. Num único evento, cheio de reviravoltas e grandes emoções, ela está para descobrir algo muito mais do que apenas o fim…”

LIVRO I :

Apresentação

Prólogo

Capítulo 1 – Empolgação

Capítulo 2 – Cascos e Coices

Capítulo 3 – Desinformado e Desinteressado

Capítulo 4 – Convidado ou Intruso?

Capítulo 5 – Casa da Mãe Joana

Capítulo 7 – Algo a mais

Capítulo 8 – Amanhã

LIVRO II:

Capítulo 1 – Caminhada

Capítulo 2 – Muffin

Capítulo 3 – Companhia

Capítulo 4 – Mudanças

LIVRO III:

Capítulo 1 – Ausência

———

Equestria — Ponyville — Interior da Biblioteca, 13 de Fevereiro, 20:48.

Houve um longo silêncio escuro para a unicórnio cor-de-lavanda. Estranhamente ela não sentiu nada quanto ao impacto contra chão de madeira morta. Acreditava que não tinha nem mesmo energias para sentir alguma dor. Quanto ao silêncio, ele logo se escondia com o surgimento de estranhos barulhos ínfimos em coro que estava surgindo em sua mente. Aos poucos, junto com o crescente número de vozes preocupadas, sua visão começava a ficar nítida. Já reconhecera o teto alto de sua biblioteca; as luzes das lamparinas voltaram para os seus olhos. Virando um pouco a cabeça, ainda que sua visão estivesse meio turva, encontrou os rostos de várias pôneis nervosas ao seu redor. Ela reconheceu Applejack, que estava com seu chapéu em bocas, abanando desesperadamente para lhe refrescar. Twilight sentia que algo apertava seu casco direito suavemente; quase como uma massagem. Aquilo a estava estimulando para despertar de alguma forma; seu sistema nervoso estava voltando à ativa. Em segundos, os rostos familiares tornaram-se uma expressão lívida de alívio. Todas suspiraram felizes ao mesmo tempo.

Twilight tentou erguer um pouco a cabeça, massageando-a com o casco meio trêmulo, mas preferiu ficar como estava: deitada e confortável.

— Opa… aconteceu de novo. Hehe — foi o que ela pôde comentar para descontrair.

— Que coisa, Twilight! Não nos assuste desse jeito! — indagou Rarity, obviamente indignada com a situação toda. — Esta é a última vez que você dispara feitiços complicados e desgastantes! Alguma hora você não vai conseguir levantar-se ou nem mesmo acordar!

Applejack largou e levantou o chapéu para sua cabeça — Ó, Tualáiti. — avisou ela, já com o casco apontado para o rosto de Twilight — É mió ocê si cuidá dessas macumba antis qui faça arguma bestêra das grandi!

— Não são macumbas! São mágicas! — disse Twilight com um tom meio irritado com o comentário de AJ. — E eu estou bem. Só fiquei um pouco zonza, só isso. — Onde já se viu comparar magia com macumba? pensou ela. Mas estava um tanto cansada para irritar-se.

— É, pódi inté tá bem agora! Már num istaria si num fosse o Nhô Aiê pra lhe acudí! Ocê istaria cas venta no chão si num fôsse por eli!

Twilight apertou os olhos, confusa. — O… Sr. Eye?

Bem que ela suspeitava em sentir-se confortável naquela posição; algo macio estava apoiando sua cabeça do chão. Tinha um cheiro agradável… e seu volume estranhamente crescia em intervalos aleatórios; como se estivesse respirando! Na mesma hora ergueu sua cabeça bruscamente e virou-a para ver quem estava apoiando ela. Para a surpresa dela, encontrou o corpo grande de um corcel em trajes elegantes. Virando mais a cabeça, ela vê o rosto cremoso de Foreign, acompanhado com os olhos calmos e celestes, e um sorriso suave em suas bochechas. Twilight olhava para ele de cima para baixo; duas vezes para confirmar; e uma terceira para ter certeza.

Seu cérebro inteligente estava a mil por hora. Uma chuva rápida de perguntas atravessou seu pensamento feminino: “Ele me segurou! Como ele conseguiu me segurar a tempo?! Ele estava tão perto de mim quando me agarrou? Minha nossa, será que eu o machuquei quando minha cabeça caiu em cima dele?! Peraí, então eu caí em cima dele?! Sua lezada!! Como pôde cair em cima de um Conselheiro e Diplomata Oficial do Reino das Terras Férteis?! Ele deve estar decepcionado com sua estupidez vergonhosa e… mas… por que ele está tão calmo e… passivo? Esse seu sorriso… esse sorriso irritante e bobo. Por que ele não está bravo? Ele tem que estar bravo! Quem mais cai em cima de Diplomatas alheios e não ficariam bravos ou machucados? Por que não há nenhuma expressão negativa e repreendedora quanto a minha estupidez? Até parece que ele está aprecian–”.

Foi com essa pausa que, numa ação meio em etapas, Twilight deu um curto e fino grito de espanto, erguendo-se bruscamente do chão, quase que num salto, e subiu um rosa ardente em seu rosto; sua cor-de-lavanda foi substituída por um tom rosado visível e suas palavras ficaram grudadas e quase ilegíveis.

— Milperdõessenhoreyeporminhaestupidezeunãoseioquedeuemmimdigoclaro

queseieuuseiumfeitiçocomplicadíssimoeacabeiexagerandonousodeminhasenergiasqueacabeidesmaiandoemcimadosenhordesculpadesculpadesculpa!

Foreign ergueu-se do chão com uma expressão mista de nervosismo, pois não entendia uma palavra do que aquela unicórnio estava falando, e de susto por causa de sua inesperada reação.

— C-calma, Srta. Sparkle! — disse ele, sacolejando os cascos. — “Por favor, se… se você estiver se desculpado, por favor, não se desculpe! E não se esforce tanto! Antes que–”

Twilight foi brusca demais, acabou cambaleando em seguida e ia novamente de encontro ao chão; suas energias ainda estavam escarças para dividi-las com suas pernas. Foreign ia segurá-la novamente, mas Applejack foi mais rápida, assim como sua repreensão.

— Óiaí! Tá vêno só?! — AJ ergueu Twilight com o corpo em baixo dela numa incrível facilidade; como se ela havia erguido um barril vazio — É disso qui tâmo falâno! Ô ocê cuméça a si cuidá ô eu mêrma vô sê a causa dos seus discuido!

— E-eu estou bem, AJ. Sério! — mentiu ela. — S-só me levantei rápida demais e acabei perdendo o equilíbrio no meio do processo. Mas obrigada por me segurar.

— Ói lá, visse? — Applejack deu um mínimo impulso para manter sua amiga em pé por si só e afastou-se aos poucos, dando-lhe espaço.

— Não se preocupe, estarei olhando. — Twilight ajeitou sua crina e intonou a voz — Já estamos perdendo tempo demais. A noite já começou há horas atrás mas a reunião não. — Twilight, com um pouco de esforço, acionou sua magia e levitou os dois cartões que foram invocados do pedaço de papel.

Ela os analisou com cuidado; virou-os frente e verso e confirmou cada informação contida naqueles cartões, incluindo nome, identificação, cargo e assinatura da própria Princesa; assim como os das demais convidadas oficiais e presentes. Twilight os levitou para perto da Rainbow Dash.

— Rainbow, pode confirmar que esses cartões são legítimos? — sua voz soava cansada, mas continuou firme.

Rainbow Dash olhou-os atentamente. Twilight virava e revirava os cartões diante dela com sua magia. A pégaso azulada confirmou num aceno positivo com a cabeça e um olhar sério.

Twilight acenou com a cabeça, agradecida — Perfeito. Foreign Eye e General Stubborn–

— Capitão Stubborn. — ele a corrigiu com um tom irritado.

Twilight o ignorou — … estão agora inseridos oficialmente na nossa equipe neste Grande Evento. Fiquem com os seus cartões e não os percam de vista; eles são importantes. — ela levitou os cartões para os respectivos donos.

Stubborn agarrou aquele cartão com uma mordida feroz. E o guardou dentro de um de suas dezenas de bolsos negros em seu uniforme. Já Foreign Eye ainda estava surpreso com a mudança absurda de comportamento daquela unicórnia. Poucos minutos ela estava desacordada, quase desgastada com o último feitiço que ela executou. Ele nunca viu isso acontecer antes a um unicórnio. E pelo comentário de Twilight, não era a primeira vez que isso aconteceu. Houve outras vezes; e essa foi bem de leve, pela calmaria da executadora ao acordar. Ele estava surpreso com a indescritível força de vontade desta unicórnio. Essa pônei era, sinceramente, interessante.

— Sr. Eye? — Twilight perguntou, sacudindo um pouco o cartão flutuante diante dele.

Ele percebeu que, desde que ela despertou, não havia parado de encará-la. Ele limpou a garganta para disfarçar, — Ah, sim. Perdão. — abocanhou o cartão e o guardou num bolso em seu terno.

— Caham. — A Prefeita declarou-se no meio das pôneis. — Bom, podemos dar início à reunião, eu presumo.

— Com certeza, Srta. Prefeita. — respondeu Twilight calmamente, apesar das visíveis gotículas de suor em sua testa chifruda — Temos muito com o quê discutir, então, vamos pôr as cartas e os planos à mesa–

— A reunião pode esperar mais um pouco. — intrometeu-se o Capitão Stubborn, com sua voz sonora e carrancuda.

Twilight suspirou nervosamente — Posso saber o motivo, Sr. Stubborn? — perguntou a irritada unicórnio chifruda.

— Contente-se apenas com Capitão ou Capitão Stubborn, Nossa Esquecida Aprendiz da Princesa. — ironizou Stubborn — E você não está em condições físicas, mentais e responsáveis para dar início e seguir adiante com esta reunião.

Twilight virou seu corpo de frente para Stubborn, quase cambaleando — E quem é você para dizer isso?! — indagou ela num tom firme — Você agora virou médico-psico-analista de um segundo paro outro, por obséquio?

Stubborn não se intimidou com aquela miniatura de unicórnio — Sou aquele Vossa Mandona Mentora enviou para evitar e solucionar problemas e balbúrdias causados pela Nossa Irresponsável Aprendiz da Mentora. E não preciso de um diploma médico e clínico para ver que você está acabada por causa daquele feitiço. Foi demasiado esforço; até mesmo para você, Nossa Exibida Aprendiz da Princesa. Sua teimosia e falta de senso pôs sua própria saúde em risco e pôneis próximos a você numa preocupação desenfreada.

Twilight olhou ao redor com o canto do olho para os rostos de suas amigas. Elas desviavam os olhares para o lado em constrangimento com o comentário de Stubborn, o que comprovava que ele estava falando a verdade. E Twilight também ficou constrangida com aquilo.

O enorme corcel amarronzado avançou pesadamente até a unicórnia roxa — E você não está em condições para seguir com a reunião neste estado, Nossa Destrambelhada Aprendiz da Princesa. — no momento em que ela estava distraída, Stubborn deu um leve empurrão com seu casco no peito de Twilight. Ele mal a encostou e seu corpo cor-de-lavanda já estava indo de volta à superfície de madeira abaixo dela. De um segundo para o outro, Twilight via os rostos de suas pôneis queridas desviados, e já estava vendo novamente o chão aproximando-se mais e mais de seu rosto. Mas Foreign conseguiu segurá-la a tempo ao apoiar seu lombo contra o dela. Algumas pôneis voltaram a olhar para Stubborn, outras mais dramáticas já estavam com o casco em suas bocas, suspirando.

— Capitão, por favor! — Foreign implorou para que ele parasse, mas o corcel não deu ouvidos.

Stubborn apenas olhou ferozmente para o pônei elegante. Aquilo o assustou de verdade; Foreign se calou na hora.

— Está vendo? — continuou Stubborn, olhando seriamente para a exausta unicórnio — Você mau aguenta nas quatro patas. Um sopro poderia derrubá-la e causaria mais estrago do que eu poderia com este toque.

Twilight juntou os pensamentos e voltou ao senso. Ficou meio zonza quando perdeu o equilíbrio, mas recuperou-se rapidamente. Outra vez se via resgatada pelo elegante convidado. Envergonhada, Twilight afastou-se imediatamente enquanto pedia desculpas. Mas já resmungava entre os dentes pela vergonha que aquela muralha a estava fazendo passar diante de suas amigas.

— Portanto, descanse e só volte quando estiver revigorada e responsável novamente.

Que absurdo! Quem essa montanha de chocolate pensa que era para falar desse jeito com a Aprediz Particular da Princesa Celestia, Governadora e Princesa Absoluta de Equestria?! Ela estava mais que preparada, confiante e consciente para dar início e acompanhar a reunião por horas, mesmo que seu corpo não colaborasse. Esse ser ignóbil duvidava das capacidades extrapolantes desta unicórnio mirabolante. Ele pode ser alto; pode ser forte; pode ser até um General ou Capitão ou o diabo a quatro, mas Twilight não vai admitir esse desrespeito em sua própria casa e na frente de suas amigas, que tanto confiam em seu esforço e dedicação.

Twilight estava prestes a explodir em palavras agressivas e pontiagudas contra essa rocha carbonizada diante dela, quando um casco branco reluzente atravessou seu caminho.

— Twilight, querida! — a voz era reconhecível, assim como seu rosto pálido e olhos azuis-diamantes. Cascos nevalescos se esfregavam ligeiramente no rosto cor-de-lavanda da unicórnio enfurecida — Olhe só para seu rosto! Todo molhado e oleoso! Que horror! E a sua crina, por Celestia e seus guardiões! Toda bagunçada e roxa! Não, roxo é sua cor natural– De qualquer forma, querida, precisamos dar um trato nisso e agora! — a unicórnio começou a empurrar Twilight enquanto fala— Vamos até a cozinha. Lá iremos dar uma ajeitada em você!

— Rarity! — exclamou Twilight nervosamente enquanto estava sendo empurrada para a cozinha — O quê está fazen–?

— Não, não, não! — Rarity a cortou antes que pudesse continuar — Não precisa dizer nada, querida! Eu sei o quê estou fazendo! Só confie em mim! Você estará em bons cascos! — a unicórnia pálida despreocupada virou-se para o corcel montanhesco, com um sorriso doce, mas nervoso. — Capitão Stubborn! Não se preocupe com a saúde de minha queridíssima amiga. Ela é esforçada e bem confiante no que faz. Mas simplesmente não posso deixá-la prosseguir a reunião com o rosto e crina nestas condições deselegantes! Se me permite, quero dar um trato nela antes de prosseguirmos. Só por uns minutinhos!

Stubborn encarou aquela unicórnio cor-de-neve, pensativo. Ele acenou com a cabeça.

— Não me preocupo, apenas alertava a responsável pelas suas próprias ações sobre sua real situação. Não precisa de minha permissão para cuidar de sua amiga, Nossa Enfeitiçante Estilista. Faça o que for preciso.

Rarity ficou em silêncio por um momento; não sabia se “enfeitiçante” era um elogio ou se, ao menos, era algo bom de se ouvir. Ela apenas levantou um sorriso torto — Hã… claro! Farei o quê puder. Com sua modéstia licença… — e voltou a empurrar Twilight para a cozinha gentilmente.

Twilight já estava ficando irritada por estar sendo forçada a ir para um lugar contra a sua vontade — Pare, Rarity! Me deixe ir–

Rarity sussurrou — Pra cozinha! Já! — um sussurro que mais pareceu com um rugido entre os dentes; e encarou a atônica unicórnio com olhar feroz e assassino. Aquela unicórnio nevalesca queria que a de cor-de-lavanda fosse para lá de qualquer jeito; poderia até arrastá-la até lá, se for preciso. Twilight engoliu seco.

— Vamos logo, Cabeção! — entrou a Rainbow no meio, já no ar e a empurrando com os cascos junto a Rarity — Não temos a noite inteira! Vamos dar “um trato” em você.

Twilight já se encontrava entre a batente da porta que ligava ao corredor para a cozinha. A pégaso e a outra unicórnio a empurrava ruidosamente e o som de seus cascos em ritmo e arrastantes foram se estinguindo ao longo do corredor até a chegada do outro cômodo.

Após um breve silêncio, os outros pôneis começaram a se espalhar para passar o tempo. A Prefeita voltou para a grande mesa para mexer nos papéis; Applejack sentou-se em seu lugar e enxugou um pouco do suor de sua testa; Pinkie Pie ficou cantarolando e saltitando alegremente ao redor de todos; os outros dois corcéis da sala ficaram apenas de pé. Stubborn virou seu rosto e encarou Pinkie Pie. Ela pulava e cantarolava ao redor dos dois. Pulava e cantarolava. E cantarolava e pulava. A alegria daquela pônei rosada o estava irritando.

— Você, Pônei de Algodão-Doce. — ele apontou para ela com o casco.

— Pinkie Pie às suas ordens, Capitão! — Pinkie saiu de seu estado alegre e posicionou velozmente perto de Stubborn, com um olhar sério e com um casco em sua testa, em continência.

Foreign ficou confuso com a absurda velocidade desta pônei, mas o corcel de chocolate não demonstrou reação.

— Não vamos dar mais nenhuma festa hoje. Quero que tire todos esses enfeites, balões e doces dessa sala. — ele apontou seu casco para os enfeites festivos ao redor dele — Eles são irritantes e não servem para nada menos do que atrapalhar a locomoção dos pôneis e os deixarem com dores de barriga com essas drogas açucaradas.”

— Permissão para não-contradizê-lo, Capitão! — disse Pinkie com educação.

— Permissão negada… — respondeu ele de imediato; percebeu seu erro pouco depois mas já era tarde demais.

— Esses doces não são drogas açucaradas, são doces normais como qualquer outro doce! Se você ainda não os provou, então não sabe do que está falando, pois estes doces são feitos com muito amor e esforço de Sr. e Sra. Cake. E um pouco de minha ajuda, para deixá-los mais doces e gostosos. — ela sorriu alegremente com satisfação — Posso tirar os enfeites, os balões e etc, mas os doces ficam, pois eu sei que há pôneis que estão com fome.

Stubborn encarava aquela pônei rosada com um olhar raivoso e sério. Foreign olhava nervosamente para o corcel truculento, com medo do que ele possa fazer àquela pequenina égua inocente. Pinkie estava assustadoramente calma, em continência e com um sorriso doce em seu rosto. Isso o incomodava e enfurecia Stubborn.

— Pois, então, faça. — finalmente disse o Capitão.

— Considere feito! — Pinkie acenou com o casco para o alto e virou o corpo para começar a arrumar o cômodo bagunçado, aos pulos e cantarolando.

Foreign ficou surpreso, já não entendia mais nada do que se passava entre esses dois. Cada um agia mais inesperadamente do que o outro. Era tudo muito confuso.

— E você irá ajudá-la. — apontou Stubborn diretamente para Foreign.

— H-heim? Como? — disse Foreign num tom nervoso.

— Você me ouviu: Quero que a ajude. Dois pôneis fazendo o mesmo serviço gera resultados mais rápido do que apenas um fazendo-o. Por isso, deixe de se fazer de desentendido e ajude-a.

O pânico instalou-se no rosto de Foreign. Suor frio começou a escorrer de sua testa e queixo se contorcia. “Mexer… nesses… nesses…?”, pensou ele, tremendo. Ironicamente, só agora havia percebido que estava cercado por balões de borracha; estavam ao seu redor; sobre sua cabeça, no teto; e no chão perto de seus cascos, arrastando-se. Seus olhos azuis percorreram pelo cômodo encarando aqueles urubus borrachudos circulando em volta dele e cobras esféricas rastejando por entre seus cascos. Ele apenas ficou imóvel sem fazer nada, com medo de que por qualquer movimento seu faça com que eles gritem num estouro aterrador em seus sensíveis ouvidos; deixando-o surdo temporária ou permanentemente. Foreign começou a sentir um desconfortável formigamento em suas orelhas, elas tremiam; e seus tímpanos vibravam em seus canais auditivos. Ele torcia as orelhas para tentar conter o desconforto, mas só o deixava mais nervoso ainda.

— Eu… eu… — Foreign tentava dizer alguma coisa, mas não conseguia com o Capitão o encarando impacientemente.

— Tudo limpo, Capitão! — declarou-se Pinkie Pie, fazendo uma continência.

Os dois corcéis olharam para a pequena pônei, surpresos, e, em seguida, viraram seus rostos para ao redor deles. Incrivelmente, todos os enfeites que estavam pendurados nas estantes e espalhados pela mesa e cadeiras sumiram; os confetes despedaçados pelo chão desapareceram; e os balões não estavam mais entre eles. Foreign soltou um suspiro de alívio e alegria, mas não se conformava que aquela pôneizinha arrumou toda a sala num piscar de olhos! Foreign olhou para a Prefeita e para Applejack que estavam sentadas na mesa. Estranhamente, nenhuma delas estavam pasmas com o quê aconteceu. Muito pelo contrário: agiam como se estivessem acostumadas com aquilo. Como assim? Isso sempre acontecia? Era normal aquela pônei rosada agir daquele jeito?!

Foreign olhou pasmo para Pinkie Pie. Ao contrário de Stubborn que, irritantemente, não estava surpreso; estava com o mesmo rosto passivo e sério como sempre tinha. “Será possível que nada afeta ele?!”, pensou Foreign indignado.

— Bom trabalho, Algodão-Doce. — ele respondeu num tom normal dele.

— Há mais alguma coisa que posso fazer, Capitão? — perguntou Pinkie na mais boa vontade possível.

— Não. — disse ele secamente — Você, no momento, se tornou inútil para mim. Vá incomodar outro pônei que deseja seus serviços não-utilitários.

— Tudo bem! Não tem nenhum pônei que deseja meus serviços no momento. Devem estar todos dormindo! Então, vou ficar aqui e te fazer companhia, Capitão! Sem ofensas, Sr. Eye. — ela indagou para o convidado ao seu lado.

— N-não ofendeu, Srta. Pie. — o quê ele queria mesmo era sair dali. — A Srta. Sparkle parece que vai demorar um pouco para voltar. Vou sentar por um tempo para descansar. A viagem em si foi cansativa e adoraria provar um pedaço desses doces; eles estão com uma aparência saborosa!

— Isso! Sinta-se em casa, Sr. Eye! — disse Pinkie alegremente — Eu cuido do Sr. Cara-Fechada e você descansa um pouco! Não adianta chegar a um lugar novo sem provar nada novo! Ou num lugar novo e provar a mesma coisa, afinal esses doces podem ser achados em qualquer lugar de Equestria! Mas estes são especialmente únicos, pois foram feitos pelos Cakes! E te digo que são de-li-ci-o-sos! Qualquer coisa é só chamar que apareço onde você menos espera! — e ela terminou com uma piscada.

Nisso ele acreditava; e o deixava realmente preocupado. Foreign assentiu com a cabeça e se despediu momentaneamente da espalhafatosa pônei rosada. Ele também se despediu de Stubborn, mas o mesmo só soltou um ou dois grunhidos abafados. Ele não se importou — ele não esperava mais nada daquele corcel mesmo — e sentou-se na cadeira que Sparkle havia lhe apontado um tempo atrás. A Prefeita aproximou-se e entregou-lhe alguns papéis para ler. Ele agradeceu e leu as primeiras linhas. Dizia sobre os possíveis afazeres dele e de Twilight para amanhã, quando concordassem suas tarefas até o fim daquela reunião.

— Vai um muffin pra essa barriguinha, cumpádi? — perguntou Applejack num tom animado.

Ao seu lado, a pônei laranja empurrou uma bandeja de prata; ela estava cheia de muffins de coco com gotas de chocolate. Foreign virou um pouco o rosto e viu aquelas delícias; realmente pareciam deliciosas e estavam com um cheiro ótimo. Ele olhou para ela e sorriu, pegando um muffin para si. A mesma abriu um apreciável sorriso em seu rosto alaranjado. Foreign apreciou a gentileza que AJ o proporcionava — diferentemente de certos pégasos azulados ou corcéis achocolatados, mas ele não absorvia remorso —. Foreign deu uma mordida e deliciou-se em cada mastigação. Soberbo. Divino. Esses Cakes sabem mesmo como fazer um doce. Ele nunca provou um muffin tão gostoso. Não era muito doce, nem muito mole; era “no ponto”. Macio e cremoso.

Foreign, saindo de seus prazeres mentais, olhou novamente para Applejack. Ela olhava para ele com um olhar malicioso, e ria explicitamente por dentro ao ver aquele corcel, todo elegante do começo ao fim; do casco até o chifre, se deliciando com aquele pequeno muffin de coco. Foreign, constrangido, estava para dar uma risadinha para acompanhá-la, mas percebeu que estava se abrindo perigosamente para ela. Ele se recompôs, pousou o muffin ao seu lado, em cima de um prato já posicionado pela Pinkie quando ela arrumou a mesa, e puxou os papéis para lê-los novamente. Ou, pelo menos, fingir que os estava lendo. AJ viu aquilo tudo e não gostou. Achou peculiarmente estranho; e mal-educado. Aqueles papéis eram mais interessantes do que sua presença amigável?

Applejack era uma pônei realmente amigável. Fazia de tudo para que outros pôneis que ela conheça se sintam bem consigo mesmos. Ela fazia isso com suas melhores amigas; fazia isso com seus parentes; e tentava fazer com outros pôneis. Mas ela sentia que precisava ajudá-lo. De alguma forma, ele não se sentia bem; desde que ela fitou o olhar naquele cremoso corcel; desde que ele pôs a pata dentro daquela biblioteca, ela sentiu que algo estava errado nele. Esses dois ainda vão se tornar muito amigos.

— Quem aquele estouvado pensa que é para falar comigo daquele jeito em minha casa e na frente de minhas amigas?! — bradou Twilight, profundamente ofendida com tudo o quê aquele corcel metido a besta disse a ela um tempo atrás. Ela espumava pela boca de tanta raiva — Aquele…! Aquele… projeto de outeiro!! Altivo insolente! Gancho pretencioso! Impudico bruto!

A estressada unicórnio cor-de-lavanda estava sentada no meio da cozinha de sua biblioteca. Ao seu redor, inanimadamente, os apetrechos cozinheiros eram bem reconhecíveis, assim como seus lugares. Fogão a lenha, pia vazia, armários cheios de pratos e panelas, gavetas cheias de talheres, escorredor para louças úmidas, geladeira com ingredientes frios e congelados, dispensa com ingredientes mornos e secos, uma grande mesa para o preparo das guloseimas, tudo estava em torno dela. Mas ela não estava sozinha com esses objetos.

— Twilight, querida! Acalme-se! Você se mexendo desse jeito não consigo arrumar sua crina direito! — Rarity estava atrás dela, tentando alisar a crina de Twilight com uma escova flutuante, mas a mesma não colaborava; ela estava muito nervosa.

— Eu não admito isso, Rarity! Isso é uma total falta de respeito em minha pessoa! Onde já se viu?! Simplesmente não posso engolir ou deixar passar o quê aquele ser fez!

— De certa forma, sim, ele foi meio bruto–

— “MEIO”?! — ela afinou a voz a ponto de falhar, indignada — Foi TOTALMENTE bruto, insensato e estúpido!

— Êêê, Twilight. Manera nessa boca aí.— disse Rainbow Dash; ela estava voando ao lado de Twilight. Dash encolheu-se para perto da unicórnia nervosa e sussurrou ao apontar para o corredor — O corredor está logo ali; ele pode ouvir!

— Tô pouco me lixando, Dash! É bom que ele escute mesmo! — retrucou Twilight, curvando o corpo para frente. E disse com todas as forças: — IDIOTA ENTORPECIDO!

— Twilight, pare! Volte aqui! — Rarity acionou sua magia num tom azulado; aproximou a crina de Twilight de volta para ela com um puxão forte.

— AI, RARITY! Isso dói! — exclamou Twilight ao acariciar o couro dolorido de sua cabeça.

— Isso é culpa sua! Se ficasse quieta, eu não teria dado esse puxão e teria terminado há muito tempo! Com você braguejando e amaldiçoando o nada alheio, fica difícil terminar! Agora, fique quieta e me deixe arrumar isso!

Twilight fechou a cara e cruzou os braços. Ela ainda babulciava e resmungava entre os dentes. Rarity, após um suspiro, voltou ao seu trabalho com a crina de Twilight. Rainbow Dash ainda voava ao redor delas; parecia um tanto desconfortável. Ela também estava ficando impaciente com a demora que a unicórnio irritada estava proporcionando para o término do alisamento de suas madeichas púrpuras.

O silêncio pairou por um momento. Silêncio com exceção das babulciações de Twilight, dos voos impacientes de Rainbow e da massagem ruidosamente capilar da escova flutuante de Rarity. As fricções verbais se tornaram mentais, cada um em seu próprio pensamento e brigando consigo mesmo ou com os outros em sua imaginação particular. Rarity encontrava-se inconformada com as palavras de Twilight, pois ela, novamente, não estava pensando no que dizia. Braquejava e amaldiçoava verbalmente aquele corcel barrento. E com motivos! Aquela unicórnio não estava errada. Mas Rarity discordava em seus pensamentos. Sentia uma obrigação de comentar algo a respeito dele, que Twilight não sabia.

— Agora, Twilight… — finalmente disse Rarity, manipulando sua crina com mais delicadeza — sei que você vai começar uma nova onda de ódio com esse comentário, mas eu sinto que devo dizer. Agora, por respeito à vossa pessoa, eu pergunto: Você quer ouvir?

Twilight ainda estava nervosa com aquelas palavras avulsaras daquele chocolate ambulante que estava perambulando livremente em sua biblioteca. Mas ela tinha que relaxar, de alguma forma ou de outra. Ela pensou por um momento a proposta de Rarity. Ela queria falar de um assunto que desagradava Twilight Sparkle. E o quê Twilight Sparkle queria era relaxar; não estressar.

— Desculpe, Rarity. Estou muito nervosa no momento. Se quer conversar sobre algo que me desagrada, então, eu não quero ouvir. Não estou querendo ser rude… como certos pôneis-lamacentos-não-civilizados. — rosnou ela entre os dentes. — Mas eu quero relaxar. Me desestressar. Estou muito irritada e cansada…

— Pfft! Mamão com açúcar! — disse Dash, com entusiasmo — Peraí que vou preparar um suco de maracujá esperto! Vô dar uma olhada na despensa! — e ela deu um rasão e se enfiou na despensa, a procura da fruta.

Twilight virou um pouco a cabeça para Rarity — Ela sabe que suco de maracujá vai me deixar mais mole ainda, não sabe? — perguntou ela.

— Creio que não, — respondeu Rarity em meio a uma escovada suave. — mas ela sabe que isso irá deixá-la mais relaxada com certeza. E, com certeza também, vai te fazer bem. Estresse e raiva não combina com você, Twilight…

— Desculpe, mas não posso evitar, Rarity! Aquele…!

— Esquece aquele corcel por um momento, Twilight! — indagou Rarity num tom preocupado — Pelo amor das Princesas! Ignore o quê ele disse! Deixe passar batido!

— Mas eu não posso! — Twilight levou os cascos aos olhos, irritada; ela estava ficando estressada novamente — Você viu o modo como ele agiu com Rainbow Dash! E como agiu comigo! E como fala da Princesa na minha frente! Chamando-a de “Nossa Orgulhosa Princesa”, “Nossa Esquecida Princesa”, “Nossa Ridícula Princesa”. — ela disse cada título com uma voz grossa e enfadonha — Como ele pode falar isso da Princesa sem ninguém para censurá-lo?! E como a Princesa pôde deixar ele ter um cargo tão elevado na Guarda Real com estas atitudes grosseiras?! E por que a Princesa o enviou para cá?! Para me ridicularizar?! E ridicularizar minhas amigas?! Me prejudicar?! Isso não faz nenhum sentido!! — Twilight se encolheu, sentindo calafrios em seu corpo — Não entendo o quê a Princesa quer me ensinar me enviando esse… esse… Até parece que ele não sente nada! Suas palavras me irritavam muito! Ele… ele é um pônei horrível e frio! … Eu… eu estou tão confusa… minha cabeça dói….!

Twilight sentia culpa. Culpa de não ter feito nada e ter deixado aquele ser medonho falar tudo aquilo sobre ela e sua querida mentora. Impotente era o seu novo título: Aprendiz Impotente da Princesa. Era isso que ele a teria chamado caso estivesse olhando para ela neste exato momento. Twilight também estava confusa, como ela mesma explicou. Por que a Princesa enviaria esse bruto para seu socorro? Se é que ela pode entitular isso como um socorro, como dizia a Princesa em sua digníssima carta real. Tudo o quê aquele socorro fez foi ridicularizá-la, chantageá-la, até feri-la emocionalmente. Chamando-a de Esquecida Aprendiz da Princesa, de Orgulhosa Aprendiz da Princesa, de Exibida Aprendiz da Princesa, esfregando títulos e honrarias desgostosos em seu rosto. Se isso era para encorajá-la, dar-lhe suporte, oferecer-lhe apoio, ou mesmo chamar isso de “socorro”, tem algo muito errado nestes significados e em suas reais funções. Lágrimas já começaram a emergir de suas pálpebras enquanto ela ridicularizava a si mesma em sua mente.

— Não, Twilight. — Rarity interviu seus pensamentos ao engrossar a voz — Eu posso lhe contradizer que ele, de certa forma, não é o quê você pragueja.

Isso chamou a atenção de Twilight. Ela até virou com dificuldade para aquela unicórnio pálida. Rarity estava séria, ambas olhavam-se nos olhos. Twilight estava atônica; confusa, mas a outra estava calma e firme.

— C-como assim, Rarity? O quê você quis dizer com isso?

— Exatamente isso o quê ela disse! — reapareceu Rainbow Dash da despensa, carregando algumas frutas de maracujá em seus cascos. — E concordo plenamente com ela. Aquele pônei é beeem diferente do que aparenta. — e ela descansou as frutas sobre a mesa e foi à procura do espremedor em gavetas e armários alheios perto da pia.

— Era esse assunto que eu queria discutir– ou melhor, conversar com você quando comentei sobre aquele corcel. — continuou Rarity, terminando de ajeitar a crina de Twilight — Eu sabia que você iria ficar apenas zangada por apenas ouvir o nome dele, mas eu precisava comentar. Há algo sobre ele que você não está sabendo.

Twilight virou para sua amiga pálida — “Algo que eu não estou sabendo”? Mas como não estou sabendo?

— É que aconteceu durante o seu piripaque ao lançar aquela sua macumba doida. — comentou Rainbow ao finalmente achar o espremedor e o cortador automático e os levou para mesa da cozinha.

— Não são macumbas! — bradou Twilight, virando imediatamente para Rainbow — São–! — mas ainda se sentia exausta com a execução daquele feitiço. Por causa do giro rápido com a cabeça, ficou um tanto zonza e quase tropeçou entre os cascos.

Rarity imediatamente a segurou a tempo com sua magia azulada — Cuidado, Twilight! Você ainda não está em condições para tanto esforço! E Rainbow! — ela agora virou-se para a pégaso, irritada — Pare de estressá-la com essas piadinhas! Você devia saber muito bem que ela não gosta desses comentários! Controle-se, por favor!

Rainbow ergueu os cascos na defensiva, — Tudo bem, tudo bem! Me desculpe, Rarity. Foi só uma piadinha para descontrair.

— Isso não é hora para piadinhas, Rainbow. Twilight está passando por um momento muito difícil!

— Afe, que exagero, Rarity! Não é tãããão difícil assim! Já vi pôneis passando por situações piores e não ficavam nessa depressão toda!

— Não misture situações precárias com situações emocionais! Isso não é certo e não faz jus uma situação com a outra! Twilight no momento está confusa e, como amigas, precisamos alinhá-la. Por favor, entenda isso e colabore.

— Tsc. Tá certo, tá certo. — Rainbow pousou suavemente no chão e ergueu seus cascos posteriores sobre a mesa. Com ajuda de um cortador automático, começou a cortar as frutas no meio para espremê-las mais tarde.

Rarity aproximou Twilight para perto dela, ajudando-a a ficar reta novamente. Twilight estava massageando um pouco a cabeça meio dolorida.

— Está tudo bem, Twilight? — perguntou Rarity, preocupada.

— S-sim, sim. Só fiquei meio tonta e senti uma pontada leve na cabeça.

— Que bom. — suspirou Rarity, aliviada — E não se preocupe. Logo, logo Dash irá serví-la com um calmante suco de maracujá. Sei que se sentirá revigorada daqui a pouco! — terminou ela com um tom animado.

Twilight sorriu — Obrigada, Rarity. Mas ainda não entendo que vocês queriam dizer: O quê eu não estou sabendo? O quê aconteceu durante… vocês sabem. — o orgulho ainda restava em seu peito; dizer aquela palavra demonstrou-se alguma dificuldade para aquela unicórnio pronunciar.

Rarity tomou um pequeno fôlego — Veja bem, Twilight, querida. Depois que você– hã… desmaiou pelo demasiado esforço, ficamos preocupadíssimas com você. Tanto que ficamos desesperadas e não sabíamos bem o quê fazer.

— Não é bem verdade, Rarity — comentou Rainbow Dash, espremendo meio maracujá — Não era o primeiro piripaque que Twilight teve. Já teve outras vezes quando ela se esforçava demais!

— Mas este era diferente, Rainbow Dash! Nenhuma de nós tinha experiência ou algum conhecimento sobre o quê fazer com pôneis desmaiados.

— Acontece que Twilight não é a única; você também tem os seus desmaios quando fica muito ansiosa! E nunca tivemos problemas com isso.

— Novamente, Dash, você está confundindo as situações. Os meus desmaios são puramente naturais, isso eu admito! Eles ocorrem quando eu chego ao limite de minha emoção. E eu sempre me recupero logo em seguida. Eles sempre são leves e passageiros. Meus desmaios nunca duram mais do quê 5 minutos.

Rainbow terminou de espremer a quinta meia fruta de maracujá e puxou a próxima vítima para perto do espremedor — Hm. Isso é verdade. — concordou ela.

— Justamente! E no caso de Twilight, ela não quis acordar de forma alguma! E ela estava suando frio! Tremendo toda! Parecia que estava com febre!

Twilight demonstrou-se preocupada com a descrição de Rarity sobre seu último desmaio — Nossa. Eu estava tão mau assim, Rarity?

— Eu não sei, querida! Não sou uma especialista para te dizer ao certo, mas eu nunca a vi daquele jeito! Deixou todas nós desesperadas! Ai, me arrepio toda só de lembrar.

Twilight esfregou o casco na testa, tentando aliviar a tensão; agora ela sentia mais culpa por deixar suas amigas preocupadas sem necessidade. Mas ela se lembrou — Mas e o Spike? Ele– — então, ela lembrou de novo e calou-se.

Spike estava, no momento, dormindo inocentemente em seu confortável cesto de dormir. Ele dormia em frente à cama de Twilight, no quarto dela. Assim como a maioria dos bebês — já que ele ainda era um bebê-dragão —, sentiam-se sozinhos quando não estavam em companhia do que se pode chamar seu “observador”; seu “acolhedor”. Seu sono era mais calmo e seus sonhos mais alegres quando sentia alguém precioso para ele por perto; uma companhia de quem ele realmente confiava e adorava; que sempre esteve com ele desde o dia em que saiu de um pequeno ovo roxo com bolinhas verdes.

Como ele mesmo demonstrou ao socorrer Rarity em seu leve desmaio, de certa forma Spike possuía algum tipo de conhecimento sobre o assunto. Afinal, ele não ficava na biblioteca apenas para limpar e organizar prateleiras. Nem para atender pedidos e desejos de sua inseparável companheira-leitora, quem ingenuamente acreditava ser a única que lia alguma coisa daquela floresta interminável de páginas e textos. Para sua sorte ou coincidência (ou, quem sabe, destino), naquela semana o pequeno dragãozinho tinha lido um pouco sobre primeiros-socorros à vítimas de um desmaio repentino e como lidar com eles. Spike tinha conhecimento dos desmaios repentinos de Rarity e isso o deixou curioso. Foi então que ele pôde pôr em prática o quê aprendeu com sua amada unicórnio, durante seu momento inoportuno. Com toda a delicadeza e carinho, ela a examinou e a diagnosticou. Ficou aliviado que estava tudo bem, mas não tinha certeza do tempo que levaria para Rarity acordar novamente (isso era estudo mais a frente do que ele já leu); isso o deixou receoso e um tanto decepcionado consigo mesmo. Deveria ter continuado a leitura, assim teria informações mais completas. Alegria foi que Applejack estava por perto, para consolá-lo de seu pequeno esforço em impressionar e proteger sua princesa. Se não fosse por ela para acalmá-lo e avisá-lo de que tudo estava realmente bem, ele estaria se culpando por não ter ido mais a fundo no assunto.

— Spike não estava por perto, Twilight. — disse Rarity — Mas foi tão de repente que nem pensamos em chamá-lo. Estávamos mais preocupadas com você.

— Eu sei, Rarity. Eu sei. E eu sinto muito. — até demais; Twilight estava se sentindo mais envergonhada. Um sentimento crescente de culpa por deixá-las preocupadas ainda a incomodava — Mas o quê realmente aconteceu?

— Como eu havia dito: rolou uma pequena confusão. Não chegamos a entrar realmente em pânico mas–

— “Pequena confusão”, você diz, Rarity? — perguntou Rainbow Dash, terminando de espremer a última fruta. — Sabe o quê rola quando se coloca uma raposa em um galinheiro? Foi exatamente assim que rolou!

— Ai, Rainbow! Que exagero! — Rarity agitou seu casco, quase ofendida com a comparação fantasiosa de Dash.

— Que “exagero” o quê?! Meus ouvidos ainda estão doendo depois dos seus gritos histéricos! Pense numa agudice! — replicou ela, apontando para as orelhas.

— Tá bom, Rainbow Dash! E n-não desvie do assunto! — reclamou Rarity, já impaciente; uma cor avermelhada acendeu de suas bochechas nevalescas. Rainbow ainda segurou algumas risadinhas para si mesma.

— Enfim — continuou Rarity, após limpar sua garganta — nós não sabiamos o quê fazer quando você havia desmaiado. Você suava frio e tremia toda. O Sr. Eye estava te apoiando sua cabeça com seu lombo e dizia que você estava bem quente. Estava com febre! “Santa Celestia! O quê nós faremos?!”, todos perguntavam desesperadamente.

Rainbow a cortou com uma falsa tosse — Ela se perguntava desesperadamente. — comentou ela, corrigindo a dramática unicórnio.

— Mas e o Sr. Eye? — perguntou Twilight, virando-se para Rarity — Estava tudo bem com ele? — se ele não se machucou quando ela derrubou sua enorme cabeça em cima dele.

— Oh, ele está como sempre deveria estar, se entende o quê quero dizer, querida. — Rarity deu uma piscadinha para Twilight — Não precisa se preocupar. Aliás, perguntavamos ao Sr. Eye o quê deveriamos fazer. Eu mesma achei que ele tivesse alguma experiência com isso. Mas, coitado, ele parecia mais perdido do que nós mesmas. Eu não o culpo; ele também não tinha conhecimentos para aquela situação. Seria muita ingenuidade de nossa parte achar isso! Ele também estava muito preocupado. Ele não saia de seu lado nem por um segundo.

— Claro, né, Rarity! — indagou Rainbow Dash, enchendo alguns copos com o suco pré-preparado — Ele não podia sair dali! A cabeçona da Twilight estava em cima dele! Ele estava praticamente imobilizado!

— Rainbow! Sem piadinhas! Comporte-se! — disse Rarity rispidamente.

Mas a pégaso não aguentou; já estava dando boas risadas depois desta. Rarity continou tentando repreendê-la enquanto Dash segurava suas risadas com o mínimo de esforço. Twilight ficou com as bochechas ardidas, sentia-se envergonhada pelo recente fato de ter caído em cima do Conselheiro e Diplomata Oficial do Reino das Terras Férteis, em seu primeiro dia de estadia em Ponyville. E ainda ter colocado ele nesta embaraçosa situação em sua incopetência explícita e infantil. Que jeito mais formal de apresentar-se para um pônei tão importante como ele, depois de sua queridíssima mentora. O quê ele estaria pensando dela agora? “Uma completa idiota; uma infantilóide”, pensou a roxa unicórnio. Twilight cobriu os olhos, acreditando que isto faria com que ela ficasse invisível dos acusadores alheios sobre seus atos desta lenta e infinita noite. Ela pressionou os cascos nos olhos, apertando as pálpebras e, então, abrindo-os repentinamente. A unicórnio queria esquecer o quê havia acontecido para poder encarar a todos naquele cômodo depois do corredor e seguir adiante com a reunião, mas não sabia se estava preparada para voltar lá. Twilight deu um longo suspiro. Porém ela começou a se lembrar de uns momentos antes depois que acordou. Ela estava deitada de costas para o chão, Applejack abanando seu chapéu sobre ela e Rarity estava acariciando firmemente seu casco. Twilight entendeu que aquilo eram respostas para umas situações de desmaio: deixando o pônei deitado de costas para o chão faz com que a gravidade atua menos contra o corpo, ajudando na circulação do sangue para todas as regiões e membros e até dando menos esforço para o coração bombear o sangue. Os abanos suaves e frios do chapéu de AJ eram um alívio para um ser que suava frio. As gotículas secavam mais rápido e a sensação de febre até diminuía gradativamente. E os apertos firmes dos cascos de Rarity faziam com que as patas de Twilight respondessem com reflexos, ativando o sistema nervoso e um dos cinco sentidos: o tato. Isso é totalmente o oposto da história que Rarity contou: elas pareciam saber bem o quê estavam fazendo. Então o quê aconteceu realmente?

— Mas, Rarity, — continou ela. — quando eu acordei, eu lembro que vocês todas estavam preocupadas, mas não pareciam desesperadas. Estavam até calmas e confiantes. AJ abanava seu chapéu para me refrescar e você estava apertando meus cascos. Vocês realmente sabiam o quê estavam fazendo, então, me diga: O quê realmente aconteceu?

— Twilight, querida! — disse Rarity num tom surpreso; ignorando a pégaso completamente — Percebo que continua bem detalhista, uma coisa que um mero desmaio nunca arrancaria de você! Mas o quê lhe contei é, de fato, uma verdade. Mas digo agora: Nós não sabíamos de nada mesmo, o quê você viu foi algo depois que começamos a saber de algo. “Alguém-qual-não-nomearemos-para-o-seu-bem” se pronunciou e nos ajudou! Esse “alguém-inominável” demonstrou ser muito experiente e nos orientou de forma bem profissional. Fiquei realmente surpresa! Em questão de minutos, você estava ficando bem de novo. Foi um alívio para todas nós! E foi aí que você acordou. Ficamos muito felizes que, no final, tudo ocorreu bem!

Twilight olhou torto para a Rarity — Como é? — foi o quê ela pôde comentar diante daquilo. — “Alguém-qual-não-nomearemos”? “Inominável”? Do quê está falando, Rarity? O quê está escondendo? — ela demonstrou-se irritada com todo esse esconde-esconde de nomes.

— Não estou escondendo nada, querida. Só estou preocupada com você. Eu sei muito bem que você ficará mais irritada, e obviamente mais confusa ainda, do que já está agora se souber seu nome.

— Rarity, deixa de joguinhos, por favor. Por acaso foi o… — suas bochechas arderam de novo — … o Sr. Eye?

— Ai, amiga, quem me dera que fosse ele! Aí eu gostaria de estar em seu lugar! Tremendo toda e deitada em cima daquele ser corcelístico! — Rarity soltou um suspiro apaixonado, mas se recompôs quase que imediatamente — Mas não, Twilight. Eu já havia dito que ele não sabia o quê fazer, assim como nós.

— Mas então quem–

— Há! Pois isso você não vai acreditar! — cortou Rainbow Dash, carregando um copo de suco para a curiosa unicórnio enquanto planava para perto dela. — Foi o Sr. Brutamontes! Quem diria, né?

— Rainbow! — Rarity imediatamente a repreendeu. Tanto esforço dessa unicórnio pálida para ser gentil com as emoções de sua amiga e uma pégaso cerúlea consegue ser mais delicada que uma rocha rolando barranco abaixo e destruir toda a estratégia numa patada forte e seca sobre uma poça de lama suja e gosmenta. O som fez Rarity sentir um frio enojado subir-lhe a espinha. Agora ela temia pela reação da unicórnio cor-de-lavanda com esta novidade.

— Hã? Quê? — Twilight estava tentando entender o quê Rainbow acabou de dizer — “Brutamontes”? Por acaso… POR ACASO…! — então ela percebeu quem era — S-S-Seria aquele, aquele…! A-a-quele…! — ela já estava babulciando, o esforço de tentar continuar a frase era tremendo e assustador; seu rosto começara a ficar vermelho, substituindo sua cor naturalmente roxa — Mas…! Que…! Co-… Por quê?! — finalmente saiu.

— Como assim “por quê”? — perguntou Dash, irônica — Esperava quem, afinal?

— QUALQUER UM MENOS ESSE EMPECILHO! — bradou Twilight com fogo pelas narinas.

— Está vendo o quê você fez, Rainbow Dash?! Eu disse para você se comportar e ser mais delicada! — disse Rarity, cruzando as patas, com uma expressão desgostosa.

— Ih, qualé, Rarity. Nem reclame!— Rainbow se virou para Rarity, ainda batendo as asas em pleno ar ao lado de Twilight, segurando um copo com suco — Ela tinha que saber o quê aconteceu do mesmo jeito! Era o direito dela, ficar fazendo joguinho como você estava fazendo só iria atrasar as coisas! Eu mesma já estava ficando impaciente com o seu lenga-lenga!

— Mas eu fazia isso em respeito à nossa amiga Twilight, Rainbow, que estava fragilizada com a recente situação causada por aquele grandalhão! Eu tinha que ser delicada com ela, ao contrário de certas Rainbow Dashes!

— Mas o quê está feito, está feito. Aqui está seu suco, Twilight. — Rainbow esticou os cascos para Twilight, oferecendo o copo com suco de maracujá — Depois de tomar e se acalmar, voltaremos para a sala onde estão todos nos esperando. Aí, quando chegarmos lá, irá agradecer ao Sr. Brutamontes e ao Sr. Eye.

Twilight ascendeu sua magia para levitar o copo com suco oferecido pela sua amiga pégaso, mas ao citar o nome daquele-que-não-deve-ser-novamente-nomeado, ela puxou-o dos cascos de Rainbow com força, espalhando algumas gotas no chão — “Agradecer”?! Ficou doida, Rainbow?! Nunca em minha vida córnea que eu iria agradecer aquele empecilho! Aquele outeiro!! Impudico insensato! — ela já não mais falava para Rainbow; ela estava quase gritando — Desde que ele chegou, só estava me humilhando em minha casa e na frente de minhas amigas! Não me dava nenhum respeito em meu próprio teto! Aquele ser ofendia minha mentora, quem é a CHEFE dele, a Princesa Celestia, e ainda ofendeu vocês; minhas amigas! Você viu que tipo de pônei ele é quando ele trombou em você! Um bruto! Não admito esse comportamento insolente perto e diante de pôneis quais eu me preocupo!

— Sim, Twilight. — disse Rainbow quando conseguiu um espaço para falar, mas num tom baixo e firme; diferentemente dos escandalosos — E ele também não admite.

Twilight olhou bem para Rainbow, confusa — Como assim? — ela perguntou, com a voz ainda nervosa e alta.

— Por isso eu disse que, quando fôssemos lá, você agradeceria a ele. O Sr. Brutamontes não admitiu um “comportamento insolente” perto e diante de “pôneis com quais você se preocupa”. E foi o quê ele fez como resposta a isso: ele nos ajudou e, principalmente, ajudou você.

Twilight não sabia se encarava isso como uma moral contra a sua atitude ou uma ofensa aos seus ouvidos. A unicórnio olhava para a pégaso azulada com desgosto. “Ele me ajudou? De quê forma?!”, ela se perguntou, mas o seu orgulho enfadonho não permitiu enxergar o quê havia por trás das palavras de sua fiel amiga pégaso, quem empunhava em seu flanco o símbolo do Elemento da Harmonia:  “Lealdade”.

— É isso que Rarity tentou dizer e o quê estou lhe dizendo agora: Não tire conclusões precipitadas sobre ele; você não sabe o quê havia acontecido quando desmaiou naquela hora.

— Então me conte! Estou ficando nervosa e mais impaciente com esse jogo que vocês estão fazendo comigo! — ela começou a demonstrar-se ofendida com essa discreta manipulação de suas amigas com suas emoções; Twilight já estava explodindo por dentro de novo. — Eu sei que vocês querem o meu bem e estão fazendo o possível para me ajudar, mas já está demais! Minha cabeça já dói com esse mistério que estão fazendo! Me contem! Me contem!

— Acalme-se, Twilight, minha querida! — Rarity tomou seu casco direito e o acariciou gentilmente — Tudo ao seu tempo! Queremos muito te contar o quê houve, mas temos medo que te cause mais dano! O quê estamos fazendo é por respeito a você e o quê você está passando. Por favor, acredite nisso. E repito: Precisa relaxar e se acalmar! Contaremos tudo o quê você quer saber.

— Não se zangue conosco, Twilight. — disse a Rainbow, já descendo pro chão e sentando-se perto de Twilight — Beba um pouco desse suco; lhe fará bem.

— Isso, querida. Beba um pouco. — acrescentou Rarity.

Twilight estava ofegante e com o rosto levemente rosado. Algumas linhas de suor escorriam de sua testa chifruda, mas não pretendiam deslizar mais do que até suas sobrancelhas. Suas amigas tinham razão, ela já estava ficando descontrolada de novo; suas emoções estavam florescendo e estourando em sua pelagem roxa. Ao menor toque em qualquer uma dessas pétalas sensitivas, ocorria o desagradável; para ela e para quem tocou. Twilight tinha que parar com isso; isso, sim, estava demais para ela. Ela via suas amigas novamente preocupadas com sua saúde, o quê igualmente ocorreu quando ela havia desmaiado. Rostos em pânico, amigos em gritaria. Isso mais uma vez estava diante dela: Rainbow olhava com preocupação para a unicórnio roxa, seus olhos magenta brilhavam em pena por causa de sua incapacidade de se controlar sem ferir o próximo; sobrancelhas visivelmente declinadas em seu rosto azulado com tristeza por Twilight continuar incessantemente seu próprio prejuízo e dor. Rarity acariciava seu casco púrpura; patas pálidas deslizavam suavemente pelo seu pequeno membro mas Twilight sentia que ela estava nervosa; sentia que seu casco nevalesco tremia. A unicórnio pálida tensionava seus músculos para não tremer em nervosismo, no objetivo de ninguém notar sua preocupação interna, mas não podia; Twilight percebeu só pelo toque.

Egoísta e insensata. Ela pensava que só ela sofria com a situação, mas demorou para melhor observar que sua tensão afetava todos ao seu redor. Podia sentir isso de Rarity e ver no rosto de Rainbow Dash. Suas estúpidas escolhas feriam e prejudicava quem estivesse por perto. Isso é estupidez de sua parte inteligente. Preocupação e nervosismo. Qualidade negativas que não combinavam com essa inteligente unicórnio que só prejudicava estupidamente suas amigas inocentes de seus atos egoístas. O quê Applejack estaria sentindo quando se preocupou com ela ao segurá-la em sua queda? Ou a Prefeita? Ou mesmo Foreign Eye quando a resgatou de sua queda solitária? Infantil e orgulhosa. Odiava ser vista como uma incapaz e fazia de tudo para provar o contrário e fazer o acusador calar-se de suas acusações embusteiras. A aprendizagem que absorvia de sua grandiosíssima mentora era preciosa e incrivelmente poderosa; dava poderes e capacidades que muitos unicórnios sonhariam em possuir um dia. Twilight se sentia especial; podia até se chamar de a maior unicórnio que já existiu. Mas seus recentes atos mesquinhos comprovavam o contrário do que ela se auto entitulava.

Estava na hora de parar; de interromper esses ciclos e sentimentos atrasados.

Twilight fechou os olhos, deixando todo o real presente no escuro; precisava se concentrar. Para isso, começou a respirar lentamente pelas narinas; enchendo e esvaziando os pulmões. Ela tinha que relaxar o corpo; respirou e expirou; respirou e expirou. Sentia seu peito pulsar meio agitado, mas estava agora diminuindo e em sincronia.

A unicórnio cor-de-lavanda cansou daquilo tudo e decidiu acabar com todo esses pensamentos. Nervosismo, ansiedade, descontrole, medo, orgulho. Infelizmente todos os pôneis possuem esses sentimentos negativos, mas para injustiça com eles, em diferentes intensidades. Ela em especial tem em grande intensidade. Emoções podem causar vários sintomas físicos no corpo, quando usados de maneira violenta. O pior deles, qual Twilight infelizmente sofre, é o medo.

O medo é bem significativo quando bem analisado e mal explicativo quando mal detalhado. O medo em questão não é o medo físico como medo de ratos ou medo de um dragão. Medo não é somente físico; ele também é mental; emocional, ligado a coisas que são muito queridas para os pôneis, qual o simples ato de pensar em viver sem ele gera pavor e ansiedade. Os pensamentos vão de perda ao abandono ou da desconfiança à traição. Para ela, tinha medo de fracassar com sua mentora; medo de se envergonhar em frente de suas amigas; medo de perder a confiança em si e de seus mais queridos; medo de parecer uma incapaz; medo de ficar para trás; até mesmo medo de perder o medo.

Perder o medo é perder a sanidade; é não ser mais lógico e não pensar antes de agir. Então, o medo torna-se algo essencial para o entendimento e prevenção. Sem ele, os sentimentos mais positivos e gloriosos como Coragem se tornariam inexistentes; até mesmo algo sem sentido. O jeito certo de lidar com o medo é encontrar o equilíbrio; a harmonia.

As gotículas de suor em sua testa chifruda já evaporaram, só restaram uma pelagem púrpura brilhante e lisa. Rarity já percebeu a diferença em Twilight; a tensão em seus cascos sumiu e sentiu seu braço, qual acariciava, relaxar. Isso a alegrou muito; estava dando certo.

Twilight precisava achar a harmonia dentro dela; não esquecer ou ignorar seus medos, mas lidar com eles de forma lógica e corajosa. Algo que ela sabia fazer isso e muito bem. Sua cabeça já não estava mais pesada e sentia que ela não pulsava violentamente; a enxaqueca passou magicamente. Twilight estava decidida, pois pretendia alcançar o equilíbrio por ela mesma; graças a ajuda e orientação de suas queridas amigas presentes. Não havia mais conflitos em sua mente já recuperada. Ela abriu os olhos; um brilho audacioso e penetrante raiou de suas pupilas púrpuras. Rarity e Rainbow Dash perceberam isso e sorriram, “Ela está de volta”, pensaram elas em conjunto.

Twilight, ainda utilizando sua magia, aproximou o copo de suco em seus lábios e deu vários grandes goles.

A unicórnio esvaziou o copo e deu um estalo com a língua no céu-da-boca — Ah… — ela limpou os beiços com a língua, satisfeita. O gosto doce e calmante do suco de maracujá ainda percorria deliciosamente pela sua boca — Obrigada, Rainbow. Esse suco estava delicioso.

— Já está sentindo melhor, cabeçuda? — perguntou Rainbow num tom amigável e com um sorriso maroto na boca. Rarity cerrou os olhos para Dash, discretamente.

Twilight assentiu com a cabeça — Sim, muito melhor! — disse num tom assustadoramente animado — Não sei o quê colocou nesse suco. Realmente tinha algo mágico nele. Posso confiar em você que só tinha suco nesse copo?

— Ih, não me vem olhando torto assim, não. Macumbas e poções não são minhas laias. Você e Zecora que se entendam, pois eu tô fora!

Rarity deu uma cotovelada em Rainbow Dash. A mesma reclamou pela dor e massageou o local atingido. Dash resmungou para Rarity dessa desnecessária necessidade cotovelística contra ela e a unicórnio pálida só repreendia com o olhar diamantinesco que possuía. Twilight só respondeu com uma risada carismática; até continuou a rir por mais de meio minuto.

— Claro, claro. Sem problemas, Dash. — Twilight levitou o copo para a mesa central longe dela e descansou-o ali mesmo — Agora, podem parar de se estapelar feito dois “Alazão-Bobo” e me contarem o quê realmente aconteceu? Me sinto realmente melhor graças a vocês e quero presenteá-las com a minha maior atenção. Por favor!

Rarity agora olhou assustada para Twilight. Que manipulação emocional era essa unicórnio roxa possuía? De um segundo, estava uma pilha de nervosos sobrecarregada prestes a explodir numa destrutiva retalhação verbal, e no outro, se via uma potranca comportada e inocente com uma angústica doce de querer saber o fim da história de um “Conto-dos-Pôneis”. Era de se estranhar e ficar deveras preocupado! Mas Rarity não estava mais preocupada. Pelo contrário: ela estava aliviada, e muito feliz que ela tenha se controlado de uma forma surpreendente e maravilhosa. Rarity sentiu que precisava tirar uma dúvida particular dela. Então ela tomou o casco de Twilight novamente, agora com as duas patas. A unicórnio pálida o esfregou com fervor no começo, mas conforme os segundos passavam ela suavisava. Rarity apertou firme e delicadamente sua pata cor-de-lavanda; ela estava leve e relaxada. Relaxada, ela pensou. Rarity suspirou longamente.

Twilight não estava viajando como muitos pensariam; ela estava analisando tudo que Rarity fazia em seu casco. Ela finalmente compreendia o quê Rarity estava sentindo quando ficava preocupada e deixou-a fazer o quê quisesse com sua pata; pensando no bem dela. Durante o ato da unicórnio pálida, Twilight sentiu seu casco duro e trêmulo como antes. Ela ainda estava nervosa e preocupada com seu bem estar. Ela suspirou tristemente, mas deixou que Rarity fosse até fim com suas carícias. Até que ela parou e apertou seu casco. Foi nesse instante que Twilight sentiu a diferença e podia ficar muito mais tranquila: o casco de Rarity parou de tremer e ficou mais amolecido e delicado. A pata dela voltou a ser como sempre fora: gentil e gracioso, como os sentimentos da própria dona. Uma vitória que Twilight comemorou dentro de si e demonstrou sua emoção com uma leve apertada no casco de Rarity.

— Pois, bem, Twilight, querida. — começou Rarity, já emocionada — Como amigas, agradeceremos pela sua atenção. E, como amigas, vamos deixar de nos preocupar com você, pois já está recuperada. Vou sentar ao seu lado e contar tudo que sei. Rainbow Dash pode me corrigir algumas partes, caso eu misture alguma coisa ou conte algo que não aconteceu. Ela tem uma memória muito melhor que a minha.

— Sem problemas, Rarity! — Rainbow fez uma rápida continência — Pode deixar comigo que irei te ajudar em alguma parte.

Fim do Capítulo Seis

Fanfic, Fanfics nacionais

Sem palavras para descrever – Livro I – Cap.5 – Casa da Mãe Joana

Livro I - Cap.5 - Casa da Mãe Joana

Autor: Grivous

Gênero: Normal, Triste, Drama, Romance

Sinopse: ”Em alguns dias, um show será apresentado na pequena cidade de Ponyville, como o último show da carreira musical de uma musicista muito famosa de Canterlot: Octavia. Twilight Sparkle e suas amigas ficaram encarregadas de aprontar os preparativos para o Grande Evento. Os fantasmas de seu passado continuam assombrar a jovem musicista, a ponto de isolar-se do mundo e daqueles que ama. Num único evento, cheio de reviravoltas e grandes emoções, ela está para descobrir algo muito mais do que apenas o fim…”

LIVRO I :

Apresentação

Prólogo

Capítulo 1 – Empolgação

Capítulo 2 – Cascos e Coices

Capítulo 3 – Desinformado e Desinteressado

Capítulo 4 – Convidado ou Intruso?

Capítulo 6 – Recuperação

Capítulo 7 – Algo a mais

Capítulo 8 – Amanhã

LIVRO II:

Capítulo 1 – Caminhada

Capítulo 2 – Muffin

Capítulo 3 – Companhia

Capítulo 4 – Mudanças

LIVRO III:

Capítulo 1 – Ausência

—————————————–

Equestria — Ponyville — Interior da Biblioteca, 13 de Fevereiro, 20:28.

Apesar do tamanho descomunal daquele enorme corcel negralmente uniformizado, Rainbow Dash não se intimidou com sua largamente alta aparência corcelística. Sua postura reta e azulada continuava firme; ela o encarava com fevor e sua cabeça estava erguida contra o novo rosto que chegara a esta pequena vila. O mesmo corcel olhava para aquela cabeça cheia de farpas coloridas com o rosto um pouco curvado; este demonstrava um leve desgosto em seu lábio inferior para a pelagem reluzente desta pégaso.

— Vai ficar me encarando o dia inteiro, projeto de cerúleo? — disse o corcel com sua voz irritada. Aquela voz era penetrante e bem imponente.

— Já é de noite, caso não tenha percebido, espertalhão. — respondeu a pégaso quase que automaticamente.

O corcel apertou os olhos. Ele abanou seu rabo bruscamente, de alguma forma, para abafar alguma irritação.

— Você é outro convidado das Princesas? — Dash indagou ao fintá-lo com seus olhos magenta, cujos demonstravam uma expressão um tanto desgostosa; para ela, isso já está virando a casa da mãe Joana. — Preciso que mostre seus docu–

O enorme corcel a interrompeu com uma quente e forte baforada de suas narinas no rosto da pégaso; gotículas melecosas se chocaram em seu rosto celeste. Ela sacudiu um pouco o rosto e o esfregou com um de seus cascos, um pouco enojada.

— Vá encher o saco de outro; tenho trabalho a fazer. Agora saia da frente. — Com passos pesados, o corcel trombou com a pégaso, empurrando-a forçadamente para o lado. Rainbow se desequilibrou e foi de encontro ao chão, batendo seu lombo esquerdo no assoalho de madeira da biblioteca. Todos olharam perplexos para o acontecido, Rarity e Applejack quase se levantaram da cadeira para se pronunciarem, até que alguém foi mais rápido que elas.

— Ei! Por quê isso? Quem você pensa que é?! — Twilight trotou raivosamente em direção ao suposto intruso da biblioteca.

O corcel a encarou com seus olhos pretos sombrios, que fez a própria unicórnio cor-de-lavanda parar de forma brusca seu trajeto. A pressão se tornara pesada quando ela se aproximou daquele grande pônei; um desconforto indescritível pairava ao seu redor, como se um enorme lobo a encarasse esfomeadamente sobre seu lombo roxo, fazendo-a ficar imóvel ou incapaz de reagir. Apesar de querer andar para frente, aquela pressão a fazia andar para trás; mesmo que seus cascos desejassem o norte, seu corpo se movimentava para o sul. Aqueles olhos negros poderiam parar a água corrente ou até mesmo o vento, se quisessem. Twilight engoliu seco, mas conseguiu manter-se parada onde estava, na suspeita.

As pôneis no recinto encaravam o corcel de trajes militares negros com desgosto. A Prefeita não se levantou da cadeira, mas Applejack e Rarity já estavam de pé e com as pernas abertas e duras, numa postura firme. Rainbow Dash ainda estava no chão, já deitada com a barriga para baixo, tentando assimilar o que havia realmente acontecido. Apesar pelo desconforto em seu azulado flanco esquerdo, ela rangia os dentes enquanto olhava para aquele truculento equino que havia a atropelado.

Pinkie Pie apareceu ao lado do corcel amarronzado com uma cara meio fechada para ele.

— Ei, grandão! — ela apontou o casco rosado para ele — Não gostei do que você fez com minha amiga! Isso não se faz com nenhum pônei! Foi muito mal-educado de sua parte. Peça desculpas agora para ela, por gentileza!

O corcel virou a cabeça para Pinke Pie, ela olhava para ele com a cabeça erguida, em uma típica cara emburrada. Os olhos azulados daquela pônei fitaram seu rosto sem mudar de expressão: suas sobrancelhas estavam cerradas e seu beiço fazia um bico enorme. O corcel olhou em seguida para a pequena pégaso ainda no chão da biblioteca e, com uma voz pesada de ranger a madeira do piso, disse:

— Minhas sinceras desculpas, senhorita. Da próxima vez, saia do caminho se consegue não aguentar em pé após uma trombicadinha de nada. Pôneis com essa atitude molenga serão tratados para sempre em suas vidas como capacho. Precisarei limpar meus cascos em você?

Rainbow olhou ao seu redor, percebendo que, desde o empurrão, não levantou do chão. Na mesma hora, ergueu-se imediatamente dele e olhou para o corcel, soltando um relincho forte. Ela queria pular em cima dele agora pelo comentário, mas Pinkie Pie ainda estava em sua frente e, fazer uma manobra dessas, arriscava acertar sua amiga rosada sem necessidades.

Pinkie Pie sorriu alegremente e abraçou o garanhão de uniforme, sem restrições. O corcel nem se moveu por conta do abraço, mas Pinkie Pie estava agora por cima dele, abraçando-o.

— Viva! Você pediu desculpas a ela! Parabéns! — Pinkie Pie desceu de seu lombo e foi bruscamente para o seu lado direito, indagando, — Agora, qual seria seu nome, grandão?

Ele não a respondeu. Apenas a seguiu com a cabeça lentamente, sem demonstrar nenhuma expressão. Aquela poneizinha rosa olhava para ele com ansiedade tremenda, um sorriso enorme preenchia seu rosto rosado. Ela esperava com muita determinação o nome dele, até mesmo poderia varar a noite esperando, se possível for.

O enorme corcel ignorou-a por um momento, virando-se bruscamente para Foreign.

— Eu mal chego e você já com problemas nessa cidade, Foreign? Que espécie de diplomata é você? Aliás, que espécie de profissionais são vocês, deixando de lado suas responsabilidades e fazendo uma festa em plena reunião?! Se é que vocês tem capacidade de se chamarem “profissionais” com estas atitudes…

Ele não deixou de ignorar os enfeites nas paredes e prateleiras, os balões flutuando pelo teto e amarrados nas cadeiras, além de papéis picados pelo chão e a mesa central estar cheia de guloseimas; tudo isso no mesmo cômodo. Um trabalho esplêndido de Pinkie Pie.

Foreign apenas limpou a garganta antes de responder, — Perdoe-nos com a aparência da reunião, senhor. Para fazer uma breve explicação sobre a mesma: A Srta. Pie, que está ao seu lado, havia montado esta pequena festa para minha chegada pois eu era novo na cidade.

— Hihi! Isso mesmo! É o meu jeito de dizer “Bem-Vindos” a qualquer pônei novo que chega à cidade! Isso os deixa tão felizes! Os fazem esquecerem da vida chata e monótona que tinha antes para abraçar a nova vida alegre e cheia de cor que esperam aqui! Alguns pôneis novos chegaram à Ponyville hoje, acho que uns cinco. O Sr. Eye foi o último deles. Ei! Você é novo na cidade, não é?! Nossa! O Sr. Eye agora é o penúltimo pônei novo na cidade! Então, você é o novo último pônei novo na cidade! Seja Bem-Vindo, senhor “novo-último-pônei-novo-na-cidade”! Precisamos fazer uma festa da sua chegada! Esta festa aqui era para o Sr. Eye, mas todas nós concordamos que iremos fazer uma festa para ele direito um outro dia. Podíamos aproveitar esses enfeites e fazer a sua! Isso vai ser tão legal e reciclável! Aliás, qual é o seu nome, grandão? Precisamos apagar o nome do Sr. Eye do bolo para colocar o–

Um balão verde preencheu a boca rosada de Pinkie Pie, interrompendo-a de seu infinito falatório; mas isso não a impediu de continuar, pois ainda se ouvia as balbuciações dela enquanto mexia o maxilar e executava arranhões surdos entre seus dentes e a borracha do balão. O pônei marrom descansou o casco no chão e voltou para Foreign.

— Continue.

Foreign sentia arrepios em suas costas com os arranhões provocantes do balão entalado na boca de Pinkie Pie. Os gritos agressivos da borracha ecoavam em sua mente repetidamente e cada vez mais alto; ele suava frio novamente. “Clemência, é tudo que eu peço!”. Na tentativa de recuperar o conforto, ele afasta discretamente de Pinkie Pie para um pouco mais a sua esquerda, continuando a conversa com o grande corcel militar.

— E h-houve um pequeno problema com os d-documentos. Parece que a Princesa Celestia não me entregou nada que comprovasse que eu estava convidado para essa reunião–

O grande corcel rolou os olhos e bufou — Pfft! Aquela inútil. Não precisa dizer mais nada. Você! De crina roxa e olhos esbugalhados. — ele apontou diretamente para Twilight. A mesma olhou atônita para ele e seu casco cheio de raízes pálidas diante dela.

— Ainda está com o último pergaminho que recebeste da Nossa Singela Princesa?

Twilight pensou por um breve momento e começou a olhar pelo chão ao seu redor. Pequenos balões, papéis picotados e serpentinas estavam espalhados, atrapalhando a sua busca pela carta. Ela chutou alguns balões e assoprou serpentinas, tentando localizá-la. Alguns breves minutos de procura, Twilight achou o rolo de papel meio enrolado embaixo da mesa central — ela não descobriu como ele conseguiu parar lá —. Com um brilho mágico de seu chifre, puxou o rolo de pergaminho e o orientou diante do enorme corcel.

— E-este aqui? — perguntou ela nervosamente.

— Esse mesmo. A Nossa Maravilhosa Princesa descuidadamente usou tinta invisível ao invés de tinta normal quando escreveu essa carta. Ela pediu para que eu avisasse a Vossa Dedicada Aprendiz que, para poder visualizar seu conteúdo, teria que usar o feitiço Rev–

— O feitiço Revelador-de-Segredos! — completou Twilight com uma epifânia em sua voz.

O corcel ergueu uma sobrancelha, — Quem diria. Você sabe.

— Ora essa, claro que eu sei! Anos de estudo e pesquisa dão esse resultado. Pratiquei vários tipos de feitiços e encantamentos durante minha–

— Certo, certo. Menos encheção, mais ação. Se estudou pra isso, faça sem ficar se gabando. O tempo voa e borboletas morrem enquanto você fala entediosamente.

Twilight ficou desarmada. Nunca ninguém havia falado com ela desse jeito. Ou, pelo menos, nunca lembrara de alguém com um comportamento tão desrespeitoso como aquele. Aquela unicórnia se sentiu ofendida com a atitude presunçosa daquele corcel, que olhava para ela com uma expressão dura. Ele conseguiu ser mais grosseiro que uma certa pégaso azul tinha sido com ela à um tempo atrás. Quem ele pensa que é para falar desse jeito com a Aprendiz Particular da Princesa de Equestria, Princesa Celestia?

Ainda assim, sem restrições — por enquanto — acionou a magia de seu chifre com um brilho mais forte. O papel diante dela também brilhou mais intensamente e, num pequeno flash roxo de luz, as palavras que estavam invisíveis tomavam uma cor pálida lúcida. O brilho no chifre de Twilight enfraquecia conforme passavam os breves segundos, assim como as letras que, antes brancas, aderiram a uma cor mais escura, quase como carvão. Twilight, ao aproximar o pergaminho aos seus olhos, leu em voz alta para todos ouvirem:

“Querida Twilight Sparkle, minha mais dedicada aprendiz,

Venho por meio desta carta para alertá-la das recentes mudanças na equipe que organizará o grandioso evento, “A Última Nota”, em Ponyville. Ninguém será substituído, nem demitido de seus respectivos cargos. Apenas adicionei mais 2 (dois) integrantes para a equipe de vocês, no intuito de auxiliá-las em suas tarefas.

Entendo que uma organização grande como essa pode ser sufocante, ou até mesmo estressante para todas vocês. A ideia de vocês ficarem desgastadas com este evento me deixa muito preocupada. Não quero que pensem que não acredito que vocês não sejam competentes para essas tarefas porque penso na saúde de vocês e de todos os outros pôneis, meus queridos súditos.

Os seguintes 2 (dois) novos membros são Foreign Eye e Capitão-General Stubborn.

Twilight parou um pouco a leitura para olhar para o grande corcel diante dela. Parece que o nome verdadeiro dele era Stubborn. Pinkie Pie ficou muito feliz em descobrir o nome dele; ela já pulava ao redor dele repetindo seu nome sem parar, quase cantarolando.

Sparkle não entendia o porquê de haver um “capitão” antes de “general” em seu título. Ele é um Capitão ou um General? Só pode ser um General, pois seu irmão mais velho, Shining Armor, é quem era o Capitão Real em Canterlot. Mas aquele corcel pode ser um Capitão de uma outra cidade qualquer como Manehattan, Phillydelphia ou Los Pegasus; cidades é que não faltam para ter um capitão para supervisionar as tropas e organizar uma defensiva. Mas aquele “General”… aquele título após o “Capitão” estava de alguma forma incomodando-a. Se ele for um General, representaria praticamente um país, como Equestria; não uma pequena cidade. Para ter aquele “Capitão” antes de “General”, ele estaria representando toda Equestria e, além disto, uma cidade muito importante concentrada nela. Pensando nisso, essa importante cidade em Equestria só poderia ser a grande capital Canterlot.

Mas isso não faz sentido! Canterlot está sendo supervisionada por Shining Armor. Ou este título está tentando enganar a mente dessa inteligente unicórnia ou isto é uma verdade inesperada… e uma outra indesejável verdade esteja escondida dentro desta.

— Vai demorar muito para continuar? Não temos a noite inteira para ficar olhando você, viajando na maionese. — a voz grave de Stubborn cortou os pensamentos de Twilight como uma navalha em manteiga.

Twilight estremeceu um pouco, um pouco constrangida por viajar demais em seus pensamentos internos enquanto os outros esperavam ela sair do repouso.

— S-sim, hã, claro. Perdão. Caham…

Foreign Eye irá acompanhá-la durante todo o evento, ajudando-a na organização, no preparo e nas decisões mais importantes como Diretora-Chefe do evento “A Última Nota”. Acredito que ele não a decepcionará em seu auxílio.”

Twilight tomou um curto fôlego antes de continuar, — “Quanto ao General Stubborn–

Capitão-General Stubborn. — interrompeu Stubborn num tom rude. — Leia direito da próxima vez ou limite-se apenas para Capitão Stubborn.

Twilight olhou irritada pelo canto de seu olho, sem mexer a cabeça. A unicórnia roxa não gostava desse título de alguma forma, mas, pela forma deste destaque em seu tom de voz, parecia que ele fazia questão de que falassem “Capitão” em seu título.

Mas “Capitão” é de uma hierarquia mais baixa que a de “General”. Por que ele prefere que o chamem de “Capitão”? Pode ser que muitos prefiram chamá-lo de “Capitão” por sinal de respeito ou por ser mais confortável de se pronunciar, afinal, o cargo de General é muito importante; tanto que até intimida a ideia de estar conversando com um figurão respeitado como ele. Mas, para ela, só servia para preencher o ego daquele indivíduo arrogante.

Twilight descontou uma parte dessa raiva num rouco alto, ao limpar a garganta.

Quanto ao Capitão-General Stubborn, …” — ela fez questão de destacar essa palavra. — “… ele irá ajudar a sua querida amiga pégaso, Rainbow Dash, responsável pela segurança e o bem-estar de todos os pôneis como Secretária de Segurança em Ponyville durante todo o evento. Peço que diga a ela para usar bastante de sua paciência com ele e que seja mais firme que o próprio. Ela entenderá o que eu quero dizer. Sei bem o que passa na cabeça dele e ela é a melhor pônei que conheço para colocá-lo na linha.

— Pfft! Claro que ela sabe. Afinal, ela sabia que sua sobrinha tinha sido raptada e aprisionada numa caverna embaixo de seu próprio castelo… — disse Stubborn num tom irônico.

Ninguém ousou argumentar. Twilight mesmo já estava perdendo a paciência e ficando bastante ofendida por esse ser scroogeniano estar desrespeitando sua digníssima mentora desse jeito. Mas, para não perder sua postura jeitosa, ela decidiu deixar passar e terminar de ler a carta com desgosto.

Deixo estes pôneis por vossa responsabilidade e a de sua amiga pégaso.

De sua grande mentora,

Princesa Celestia.”

Antes que os pôneis no cômodo pudessem discutir sobre a carta, Twilight ergueu o casco bruscamente.

— Esperem! Há um Pós-Escrito: P.S: Spitfire confirmou que irá para Ponyville uns dias depois, substituindo o comando de Soarin, juntamente com os Wonderbolts para se prepararem para a abertura, quando o evento começar.

— ISSO! — Rainbow Dash deu um salto de alegria e bateu as asas, emocionada. — Spitfire está vindo aqui! AI, MINHA NOSSA! Isso vai ser tão legal! Já que ela virá mais cedo do que antes, posso ter tempo o suficiente para mostrar minhas incríveis e milaborantes manobras aéreas como o “O Vôo Rasante Profundo”! — a pégaso azulada deu um curto rasante ao redor do cômodo com cautela, imaginando como seria sua apresentação de seus truques para os Wonderbolts. E continou fazendo ao citar os nomes de cada um, enquanto alguns pôneis no recinto a seguiam com a cabeça — Ou “Mergulho Cintilante”! Ou “Tobogã Aéreo”! Ou então o “Cometa de Pégaso”! Ou quem sabe–

— Nós já entendemos… Já pode parar, querida. — pediu Rarity ao sentar-se de volta a cadeira, gesticulando o casco.

Rainbow Dash apenas parou no ar e cruzou os cascos, fazendo uma cara fechada. — Hunf… Tá bom.

— Intonci, como ficô a situação, Tualáiti? — perguntou Applejack, olhando para Twilight quando voltou a sentar em sua cadeira.

— Ao que tudo indica, eu estava certa! A Princesa definitivamente me enviou uma carta alegando que tinha falado com Foreign e que ele realmente é um convidado para essa reunião! Então, ele não precisa ir embora já que foi comprovado!

— Mas, ainda assim, ele não possui os documentos oficiais. — interferiu Rainbow Dash, — A carta, sim, provou que ele conversou com a Princesa Celestia e que ela o enviou para nos auxiliar durante o evento. Mas ele precisa apresentar esses documentos. Faz parte do protocolo.

— Francamente, Raibow Dash! — respondeu Twilight, sacudindo a cabeça com desgosto ao persistente comentário de Rainbow. — Você nunca dá o casco a torcer! Pela última vez, ele não é um terrorista!

— Está no protocolo. — agora a voz vinha de Capitão Stubborn. — Isso é verdade e você não pode simplesmente ignorá-la. Como Diretora-Chefe, deveria saber disso e acatar sem restrições.

Twilight não contradizeu; mais uma verdade foi jogada na sua cara.

— Esse descuido de Nossa Descuidada Princesa não podia ser ignorado. — continuou Capitão Stubborn, — Depois de uma longa e insistente conversa, convenci a ela que me desse ordens para ir à Ponyville para auxiliar a Secretária de Segurança desta cidade na segurança do evento que ocorrerá daqui alguns dias. Além de passar este recado para a Dedicada Aprendiz dela e ao diplomata.

— Mas por que ela não me reenviou uma carta explicando? — argumentou Twilight. — Não precisaria ter o enviado até aqui de Canterlot para–

— Ela me disse isso. Mas como Capitão-General de Canterlot, preciso ser minucioso com o fator da segurança desses documentos, pode ser que a magia de envio dessa carta seja desviada de seu destino final. Sim, é possível usar um contrafeitiço para alterar o destino das cartas que você recebe, Dedicada Aprendiz da Princesa. Mas Nossa Confiante Princesa confia demais de si mesma e de sua poderosa magia.

Twilight obviamente não estava gostando dos comentários que aquele estranho pônei estava fazendo de sua devotada mestra de magia. Mas, ainda assim, ela procurava por explicações e engoliu seu incômodo.

— Insisti que ela me desse os documentos de Foreign e meus, pois eu mesmo iria levá-los e entregá-los, já que as recentes ordens de Nossa Mandona Princesa a mim era auxiliar a recém Secretária de Segurança desta cidade interiorana. Sei que, comigo, esses documentos estariam seguros. Com isso, para aumentar a segurança deles, Nossa Minuciosa Princesa usou uma magia para inseri-los num pedaço de lenço, usando como disfarce. Após isso, saí de Canterlot, no mais tardar, às sete horas, seguindo caminho a galope para Ponyville. Cheguei à cidade pouco mais de oito horas; tempo o suficiente para ouvir a balbúrdia que faziam dentro desta biblioteca.

Twilight e os outros pôneis não sabiam se acreditavam nas palavras daquele pônei. A distância entre Ponyville e Canterlot era absurda! Milhas, quilômetros; morros, lagos; matos, florestas de distância separavam as duas cidades. E Canterlot se apoiava nas costas íngremes de uma montanha! Os pégasos da Guarda Real levam pouco mais de uma hora para chegar aqui; os Wonderbolts, minutos! Para um grande corcel, não é de suspeitar de sua força, mas sua velocidade seria surpreendente. Até mesmo Applejack arregalou um pouco os olhos, surpresa.

Ééégua! Cê galopô de Cantêlóti pra cá in mênos di duas hóra?!

— O que é isso, querida Applejack. — Rarity apalpou o casco de sua amiga caipira, ainda surpresa com essa proeza. — Não é tecnicamente impossível de fazer isso. Mas eu sinceramente tenho minhas dúvidas sobre a veracidade dessa façanha. Canterlot é bem longe, são muitas milhas de lá para cá. Para irmos até lá, sempre usávamos o trem da estação de Ponyville, mas ainda assim demorava um bom tempo até chegarmos todas lá. Mesmo para qualquer pégaso, demorariam não menos que uma hora para chegarem aqui.

— Tem razão, Rarity. — entrou Rainbow Dash no assunto. — Para qualquer pégaso. Mas para um pônei terrestre poderia demorar muito mais do que apenas uma hora ou até metade de um turno diurno para ele ou ela chegar aqui há galope, sem ser por um meio de transporte como um trem ou uma biga puxada por pégasos treinados. Isso está me cheirando a exibicionismo, meu caro senhor Stubborn. Como pode dizer que chegou de Canterlot para cá em pouco mais de uma hora?

— E quem é você para dizer que eu tenho que comprovar isso? — Stubborn virou seu corpo bruscamente para Rainbow Dash, ficando de frente para ela. A pégaso azulada afastou por um passo, surpreendida. Em seguida, Stubborn virou a cabeça para os pôneis presentes. — Vocês estão com uma mente muito limitada quanto ao que se pode dizer do “impossível” ou do “possivelmente provável”. Quem disse que não é possível galopar daqui até Canterlot em menos de duas horas?! Há muitos anos houve pôneis que superavam e quebravam o impossível de seus limitados corpos. Como Feather Hoof, que conseguiu galopar de Los Pegasos até Manehattan em menos de três dias de viagem. Ou de Heavy Stone, famoso por construir inúmeras casas e lojas por toda Equestria, mesmo com o seu péssimo senso de equilíbrio. Ele sempre trombicava e tropeçava em seus materiais de trabalho e quase sempre destruía as casas que tinha acabado de erguê-las. Mas isso não era desculpa para o que ele fazia. Se não me engano, há uma citação no livro de Foreign, “Appleloosa É Logo Ali Adiante”, que Heavy Stone foi responsável por construir as casas, os salões e as lojas daquela cidade. Estou errado, Sr. Eye?

Todos os pôneis explicitamente viraram seus rostos para o elegante pônei de terno, que agora se sentia pressionado pelos olhos ansiosos daquelas senhoritas. Foreign estava deveras surpreso aquele pônei de grande massa corpórea soubesse de uma informação como essa. Não pelo fator de ele não saber nada ou de ser um leigo que só pensa em malhar seu corpulento lombo e planejar táticas e estratégias militares; mas por ele ter citado seu livro como argumento verídico. Em piscadas repetitivas com os olhos, ele respondeu:

— Claro que não, Capitão Stubborn. O senhor está correto

— Correto, isso mesmo. — respondeu de volta o grande corcel, voltando para os outros pôneis.

Ele leu mesmo o livro de Foreign; isso o deixou surpreso. Foi uma ótima tática de demonstração da sua bagagem cultural, quem diria que ele — ele mesmo — pudesse citar algo do gênero, até mesmo antes que o próprio Sr. Eye pudesse comentá-lo, pois ele sabia do assunto. Que livros a mais será que ele leu ou conhece, perguntou o pônei elegante para si mesmo, em seus pensamentos.

— Como também houve uma façanha mais recente — continuou Capitão Stubborn — de uma pégaso, que não lembro bem o nome, mas a denominam como “Raio da Aurora” em algumas regiões ao sul de Equestria. Dizem que ela havia ultrapassado a barreira do som em questão de minutos, num mergulho veloz e profundo. A velocidade foi tremenda que uma onda de choque multicolorida preencheu o céu azul daquele dia, podendo ser visto suas cores e sentido seu choque a milhares de milhas de distância. Aquela onda afastou e quebrou nuvens, balançou as árvores frutíferas e estremeceu as águas dos rios. Jamais foi visto um céu tão limpo e brilhante em anos como naquele dia.

Um comichão pinicava nas nucas das pôneis presentes, onde resguardam as memórias e lembranças. Essa história que Stubborn acabou de contar era suspeitosamente familiar. Todos coçavam o queijo, tentando lembrar alguma referência. Foi então que Twilight e suas amigas olharam bruscamente para a pégaso azulada de crina rebelde e colorida, que meses atrás participou da competição “Melhor Voador Mirím”, em Cloudsdale, e que, na mesma ocasião, estreou pela segunda e penúltima vez em sua vida, a incrível manobra qual Rainbow Dash se orgulha de patenteá-la e de ser escutada pela boca de outros pôneis apaixonados: O Arco-Íris Sônico.

Stubborn continou a citar momentos e comentários que ele ouvia de outros pôneis; histórias que passavam de boca em boca, rumores que passavam de sussurros em sussurros, e piadas que passavam de risadas em risadas. Rainbow não podia fazer nada a não ser escutar cada palavra que aquele arrogante corcel falava indiscretamente sobre ela e sua grande façanha. Seu sorriso azulado ia crescendo, assim como o ego em seu peito. “Raio da Aurora”? Hehe. Adorei esse nome…”, pensou ela. Suas amigas olhavam para o grande corcel e para pégaso azulada repetidamente; não sabe ele que está diante da autora desta grande façanha, bem ao seu lado.

— EI! — Pinkie Pie interrompeu — Este bafafá está muito parecido com o quê a Rain–

Antes que ela terminasse de falar um nome, Pinkie foi agarrada pela pégaso azulada e sua boca foi tampada por um casco azul, seguido de um surdo “Psshht!” em sua orelha. Suas amigas logo viram e suspeitaram de seu comportamento. Mas antes que pudessem se pronunciar, foram interrompidas.

— Como é? — perguntou Capitão Stubborn, virando para a pônei cor-de-rosa sendo agarrada pela pégaso azulada.

Rainbow disfarçou o agarramento como um amigável abraço, terminando com o casco sobre o ombro direito da pônei de crina espalhafatosamente rosa. Então, Dash tomou a iniciativa antes dela:

— Oh! Bom…! Hã… e-ela disse que essa história toda que você contou… sobre o choque multicolorido e… e tremores… e-e achou muito parecida com o que aconteceu na competição “Melhores Voadores Miríns” em Cloudsdale. Disseram sobre um grande impacto no céu, que o preencheu com uma onda de várias tonalidades de cor. Será coincidência?! Haha…

— Não existem coincidências. E eu estava falando exatamente desse acontecido… e de outros dois: um há muito tempo atrás, que ocorreu na mesma cidade, e um outro bem mais recente, durante um Casamento Real em Canterlot.

Rainbow Dash olhou em volta discretamente, tentando arranjar alguma ideia para distraí-lo desta interrupção e fazê-lo esquecer do assunto pendente — E… e… como foi… hã… essa grande façanha… em seu ponto de vista? Sem ser pelos comentários dos outros pôneis quando viram essas incríveis e estupendas manobras?

— Infelizmente não estive presente em nenhum dos acontecidos para poder ter minha própria opinião. Eu estava em outros lugares, com outros afazeres e outras responsabilidades mais importantes a serem preocupadas. O que posso dizer são as opiniões de terceiros, quais eu ouvi durante algumas viagens. Sempre comentam que era algo que nunca viram antes; que era uma coisa que só via uma vez na vida, mas não é verdade! Isso aconteceu mais que duas vezes. Em menos de uma década; isso não é algo raro. Ele ou ela o executa apenas em situações ou eventos especiais, como a competição de “Melhores Voadores Miríns” ou o Casamento Real. Acredito que, neste evento, poderei vivenciar essa próxima façanha.

E continuou novamente a citar comentários de outros pôneis e do que ele espera encontrar e ouvir outros comentários de novos pôneis nesta cidade durante esse grande show de música. Rainbow puxou devagar Pinkie Pie para um canto, ao lado de uma inocente samambaia, e cochichou baixinho com ela. Uma certa unicórnia cor-de-lavanda suspeitou essa privacidade.

Pinkie! O que está fazendo? — perguntou Rainbow nervosamente em sussurros, virando-se para ela num canto do cômodo.

E pergunta pra mim? — Pinkie Pie a pergunta também aos sussurros, — O quê você está fazendo, Dashie? Por que tampou minha boca? Eu só ia comentar sobre o Arco-Íris Sônico que você fez em Cloudsdale–

É por isso mesmo!

Pinkie Pie olhou para ela com uma sobrancelha erguida; até ela boiou nessa.

É o quê? Você não quer que eu conte a sua grande façanha para ele? Por quê?

Porque eu quero ver o que ele tem a dizer sobre mim e o meu grande feito!

Você sabe o que é! É estupendamente maravilhoso e lindo! Você foi com “ZUM”! E “PURRRRRSHHHHH”! E então “BOOOOOM”! Foi incrível e cheio de cor! Você viu! Ou fez… Ou viu e fez!

Mas ele é tipo um General, Pinkie! Um militar; um pônei super importante, saca?! Há anos que espero alguém importante como os Wonderbolts para comentarem sobre meus feitos e façanhas. Agora que vejo um importante pônei como ele, que é um General da Guarda Real de Equestria, não posso perder essa chance de ouvir o quê ele tem a dizer sobre isso! É a minha grande chance!

Uau! Que legal e super bonito! Tem todo o meu apoio, Dashie! — Pinkie bateu levemente os cascos de emoção — Mas o quê isso tem haver em dizer o seu nome?

Porque ele não sabe que eu sou a pégaso que fez o Arco-Íris Sônico! Ele só o conhece por boatos de outros pôneis, quase nenhum dos que ele ouviu era concreto. Ele nem sabe se é um pônei macho ou um pônei fêmea! E meu nome tem muita relação com o que aconteceu em Cloudsdale, em Canterlot e com meu recente cargo como Secretária de Segurança em Ponyville. Temo que, cedo ou tarde, ele acabe descobrindo meu nome, pois ele vai querer saber quem é a responsável pelo cargo…

Ué, é só mudar de nome! Isso é fácil! — respondeu Pinkie de uma forma confiante, mas Dash não a levava à sério; só pôde suspirar tristemente.

— Não é tão fácil quanto parece, Pinkie. É muito mais difícil. Todos os pôneis da cidade me conhecem por Rainbow Dash. Fazerem eles me chamarem por outro nome é praticamente impossível!

— Bom, dã! Deixe isso comigo! Sua amigona Pinkie Pie dá um jeito em tudo!

    Rainbow olhou para ela, incrédula — Hã? Sério mesmo que você consegue?!

— Tão séria como uma pedra pode dançar e cantar!

Rainbow deu com o casco na testa, mas ela conhecida sua amiga neurótica; ela faria qualquer coisa por suas amigas e, nisso, Dash acreditava em sua capacidade.

Ai, ai, tudo bem, Pinkie. Mas que nome devo trocar? Não tem que ser muito parecido com o meu original.

— Certo! Pensemos! Hum… — Pinkie colocou o casco no queixo, pensativa.

De repente, ela teve um sobressalto — Ei, ei! Que tal Rainbow Dash?!

— Pinkie! Esse é o meu nome verdadeiro! Tem que pensar em um outro para substituí-lo!

— Aié! Foi mal. Hihihi. Hum… que tal “Baunilha”?

— Baunilha? Mas o quê isso tem haver? Eu nem sou branca para ter esse nome!

— E quem disse que você precisa ser branca para ser chamada de “Baunilha”? A Rarity é branca e nem por isso seu nome não deveria ser “Rarity”!

Mas esse nome é ridículo!

— Você tá é reclamando de barriga cheia! Precisa passar mais tempo faminta. — Pinkie cruzou os cascos, impaciente. Mas ela não desistiu.

Ei, que tal “Pamonha”?

Rainbow não esboçou nenhuma reação, mas o tilintar de sua pálpebra inferior era incontrolável e bem visível.

— Não olhe pra mim assim! Reclame com o escritor que está me fazendo dizer esses nomes esquisitos para você!

— Ai, Pinkie, esquece! Eu mesma vou pensar num nome! Deixa-me ver… ah, já sei!

— Viva! Então, me fala! O que é, o que é?! — a pônei rosa saltitava de ansiedade.

— “Star Fox”! — Dashie disse o nome com a coisa mais mirabolante e genial de todas as coisas que ela havia pensado, mas a expressão duvidosa de Pinkie dizia outra coisa.

— Mas você não é uma raposa, Dashie–

— Isso não vem ao caso! — disse Dash, sacolejando os cascos em frente a ela — Esse vai ser meu novo nome e pronto! Até segunda ordem ou o meu plano ir pelo ralo!

— Beleza então! Vou falar com as outras e espalhar a notícia! — Pinkie Pie ia se preparar para dar um salto lateral, mas Dash a segurou pelo casco.

— Espere, Pinkie! Mas não diga para o Brutamontes e nem pro Sr. Eye!

— Ah, tudo bem– Ei! Como assim “não pro Sr. Eye”? O que você tem com ele ainda?

Nada! Eu… só não confio nele ainda. Acho esse cara meio suspeito. Aliás, não vou muito com a cara dele. — Dash descansou os cascos no rosto de sua enérgica amiga, olhando seriamente para ela — Por favor, Pinkie! Não conte para nenhum dos dois! Promete?!

Pinkie observou que o quê Rainbow lhe pedia era de profunda seriedade e confiança. De sua narina rosada, ela suspirou, mas logo voltou com um sorriso gentil em seu rosto jambo rosa — Pinkie promete. — com um gesto singelo com o casco, ela cruzou-o o peito com ele, esticou-o para o alto e pousou levemente em seu olho esquerdo.

Sinto muito, Rainbow, mas não posso permitir isso. — uma voz dura veio por dentro da mente delas, como se alguém a sussurrasse pelo ouvido, mas que ecoou em suas cabeças.

 As duas logo ficaram paralisadas, suspeitando dessa voz misteriosamente familiar ecoar por entre seus ouvidos. Nervosamente, as duas olhavam em volta, na tentativa de achar a real fonte daquela voz ameaçadoramente reconhecível, mas ela retornou em seus pensamentos, num tom mais calmo e mais amigável.

Calma, vocês duas. Sou eu, Twilight Sparkle. Falando telepaticamente com vocês. Vocês também podem falar comigo, apenas pensem em suas frases mentalmente e eu as ouvirei.

Heim?! Sério?! QUE MUITO LOUCO! Não sabia que podia fazer uma coisa dessas, Twilight! Irado! — respondeu Pinkie Pie, mas sua boca não se mexia; imediatamente ela demonstrava dominar essa habilidade de falar mentalmente, após anos praticando em particulares conversas mentais consigo mesma.

Mas heim?! C-como e desde quando você faz isso?! — perguntou Rainbow, meio assustada com essa novidade.

É só uma magia que aprendi alguns dias atrás, mas só consigo utilizá-la em uma distância muito limitada, mas o suficiente para usar em qualquer parte desta biblioteca. Claro que é uma magia contínua e, por causa disso, eu tenho que utilizar a mágica do meu chifre constantemente enquanto falamos. Mas só podemos conversar por alguns minutos, pois quero esclarecer algumas coisas com vocês duas antes do Sr. Stubborn termine de falar.

— Está certo, Twilight. Mas como você está sabendo de nossa conversa? Estamos muito longe de você para conseguir ouvir alguma coisa. Ainda mais com esse contador de histórias falando infinitamente…

— Verdade, Rainbow. — admitiu a unicórnia num tom humilde — Estou longe de vocês, eu não poderia escutar nada de onde estou com a distância e com o falatório de alguns pôneis no ambiente. Mas eu ouvi toda a conversa das duas por causa de um outro feitiço que instalei nessa biblioteca: Paredes-com-ouvidos. Com meu chifre, eu desenhei um símbolo mágico em possíveis locais de haver algum cochicho ou fofocas na biblioteca. Esses símbolos ficam apagados quando estão desativados, mas, com um brilho do meu chifre, posso ativar qualquer uma das marcas ao meu desejo, para ouvir qualquer coisa e o quanto eu quiser. Acredito que tenha um símbolo escondido perto dessa samambaia atrás de vocês. Ele estará piscando levemente com uma cor púrpura.

As duas pôneis olharam para a samambaia atrás delas, com suspeita. Rainbow esticou o casco e, num empurrãozinho nas folhas, localizou no meio dos galhos um pequeno círculo, do tamanho de uma moeda, pulsando em ritmos lentos com uma cor roxa. As duas pôneis se entreolharam, surpresas. Ao que tudo indicava, aquela samambaia não era tão inocente quanto aparentava ser.

Sei que pode soar meio que invasão de privacidade para vocês, mas lembrem-se de que estão na minha casa. Logo, não poderiam usar como desculpa para os seus cochichos secretos.

… Tá certo, tá certo. — admitiu Dash, meio encabulada. — Mas o quê você deseja falar, Twilight? Ouvi bem o que você me disse há alguns minutos e estou muito curiosa de saber o seu motivo com aquela confiante afirmação.

E você ouviu muito bem o que eu disse, Rainbow. — disse Twilight num tom firme — Não vou permitir que faça isso para um benefício próprio, mas que seja prejudicial.

— Hein? “Prejudicial”? Como assim?

— Rainbow, você como Secretária de Segurança em Ponyville… e eu como Diretora-Chefe do evento devo relembrá-la: Você deveria saber que não é permitido quaisquer alterações nos dados pessoais e profissionais dos funcionários e dos responsáveis neste e em qualquer evento. Isso está no protocolo que você escreveu e em qualquer protocolo existente; isso é uma regra geral; padrão: é proibido fazer essas alterações em qualquer lugar. Caso você alterasse suas informações, caso isso seja descoberto e comprovado que você os alterou, poderia perder o cargo presente por alteração de dados; desvio ilegal de informações; formação de quadrilha, pois você está pedindo ajuda de sua amiga Pinkie Pie para auxiliá-la no plano; ela será condenada como sua cúmplice; além de que essa notícia poderia espalhar por todas as regiões equestrianas. Com um vazamento desses, para onde você iria? Sua reputação em qualquer lugar estaria destruída e você poderia até ser presa. Quer mesmo ter esse risco?

Rainbow ficou com a cara no chão. Ela se sentia encurralada; esqueceu-se deste precioso detalhe, além de muitos outros citados por Twilight. Sua cor azulada quase tomou um tom mais pálido; ela engoliu seco.

— Isso é verdade, Dashie. — disse Pinkie, sussurrando para sua amiga pégaso — Eu mesma que não entendi quase nada do que Twilight disse, parece ser uma coisa bem séria.

De fato é, Pinkie. — continuou Twilight — Escute, Rainbow. Eu sei que você quer ouvir críticas ao seu respeito; saber o que seus ídolos ou pessoas importantes comentam sobre suas façanhas, mas tens de fazer isso sem prejudicar ninguém e, principalmente, a si mesmo. Não concordo com o seguimento do seu plano para isso e farei o que for preciso para impedi-la. Sinto muito.

Rainbow ficou cabisbaixa; parecia um plano tão bom. E essa unicórnia metida nem para ajudar, só para atrapalhar mais uma vez. Dash se incomodou um pouco com essa confiança de Twilight sobre impedí-la de todas as formas possíveis. Aquela unicórnio pensava fazer isso pelo seu bem, claro, mas também para interrompê-la em sua carreira profissional. Será que ela queria ajudá-la… ou atrasá-la?

Mas seu plano não precisa ser jogado fora. Uma coisa muito mais simples você poderia fazer para ele dar certo, Rainbow.

A voz de Twilight em sua cabeça a fez acordar subitamente de seus pensamentos, chamando a atenção da pégaso azulada. Há um outro caminho que ela poderia seguir em seu plano?

Como é?

Sim, há uma outra forma de você seguir com o plano. Ele é mais seguro e, possivelmente, infalível.

Dash suspeitou, mas resolveu perguntar: — E qual seria? Você… pode me contar?

Claro que posso! Seu plano não é mau, só precisava ser mais simples e mais provável de dar certo. — Twilight soltou uma risadinha, mas Dash respondeu com uma bufada pelas narinas — Pois bem: tudo que você precisa fazer para seguir com seu plano, sem ser algo complexo como mudar de nome e fazer todos os habitantes de Ponyville te chamar por esse novo nome, simplesmente você só tem que desviar sua presença nos acontecidos! Calma, deixe-me explicar melhor: Stubborn não sabe que você é a pégaso que fez os Arco-Íris Sônicos naquelas ocasiões; ele sempre esteve ausente nestes momentos. Ele não sabe que Rainbow Dash é a pégaso e nem sabe que Rainbow Dash esteve presente nessas ocasiões. Logo, não há riscos de ele não deixar de comentar essas façanhas perto de você. Sem falar que nem adiantava mudar seu nome pois na carta da Princesa consta que Rainbow Dash é a Secretária de Segurança na cidade. E, por causa disso, ele sabe que você é a Secretária de Segurança, mas não sabe que você é a pégaso dos Arco-Íris Sônicos”.

Dash analisou bem as palavras da unicórnio e assimilou cada caractere. Ela se sentiu convencida da opinião de Twilight — É, Twilight. Esse seu caminho é bem simples. Devo dizer que me esqueci deste detalhe sobre a carta da Princesa. Que vacilo…

Tudo bem, Dash. Só quero que você continue com seu trabalho e que não se distraia com esses assuntos. Não quero dizer que eles não são importantes, mas… o quê é mais importante neste exato momento?

Rainbow pensou por um tempo, parece que ela entendia o que Twilight queria dizer para ela.

O bem-estar dos pôneis durante o evento.

Sim. Isso mesmo. Não ponha nada em cima além desta missão. Vou desativar o feitiço agora, Stubborn já está começando a diminuir o seu falatório. Estamos de acordo, Rainbow e Pinkie? Posso confiar em vocês?

Pode confiar na gente como um rato que confia no gato em guardar sua toca! — disse Pinkie Pie com o casco na testa, fazendo uma continência.

Rainbow tentou ignorar o comentário da espalhafatosa pônei rosa; ela respondeu Twilight com um aceno com a cabeça — Está certo, Twilight. E… obrigada.

Twilight de longe olhava para a Rainbow Dash. Para sua surpresa, Rainbow estava sorrindo, mais uma vez naquela noite. Twilight a olhava com alegria, um sorriso satisfeito ergueu de sua boca; finalmente aquela unicórnio cor-de-lavanda fez aquela pégaso azulada sorrir. Twilight desativou a magia de seu chifre; bem na hora que o Capitão Stubborn terminara de falar suas últimas palavras.

— … Quem aponta a loucura de outro, acaba sendo o verdadeiro louco por duvidar das capacidades desses e de qualquer indivíduo.

Alguns pôneis não puderam se conter. Apesar de não gostarem da atitude grosseira daquele corcel primeiros minutos que entrou nessa biblioteca, começaram a bater os cascos para o discurso daquele Capitão. Poucos aplaudiam com desgosto; ainda amargurados com as recentes atitudes daquele indivíduo, mas Rarity e Applejack aplaudiram com um certo fervor, pois foram convencidas com aquele discurso dele. Applejack cheirava mentiras a distância e sempre sabe quando algum pônei está dizendo a verdade ou está escondendo-a. Já Rarity suspirava daquele enorme garanhão e seu corpo firme e corpulento, acreditando ainda mais em sua história só com o quê estava vendo diante dela. Até começou a abanar um pouco seu rosto para aliviar um certo calor que subiu.

Twilight deu alguns trotes afrente em direção a Stubborn — Bom, por gentileza, posso dar uma olhada nesse pedaço de lenço? — perguntou ela, já preparando um leve brilho em seu chifre.

O grande corcel ficou um breve momento em silêncio. Twilight apenas ficou esperando ele fazer ou falar alguma resposta. Ele encarou a unicórnia cor-de-lavanda e, em seguida, escorreu os olhos de cima em baixo pelo corpo dela de uma forma maquinária, como se estivesse analisando-a e registrando quaisquer gestos em seus olhos ou expressões em sua face, diretamente para dentro de sua memória. Isso a deixou um pouco desconfortável; um pônei grande como ele a encarar de uma forma tão profunda, mas ao mesmo tempo um tanto irritada por suspeitar de suas ações, mesmo ele sabendo que ela nunca iria desrespeitar ou violar qualquer ordem que as Princesas tenha dado à ela ou qualquer uma de suas fiéis amigas; mas ainda assim ela esperou, comportada.

O grande corcel assentiu levemente com a cabeça e retirou do bolso de seu uniforme um pequeno pedaço quadrado de papel, que estava em branco. Twilight puxou o papel para perto de si com a magia de seu chifre, examinando-o.

— Obviamente está em branco por questão de segurança da Nossa Cuidadosa Princesa. — acrescentou o Capitão. — Possivelmente, seu real conteúdo será revelado no centro dele com a execução do feitiço “Revelador-de- Segredos”. Mas, para não perdemos mais tempo, vou dizer o quê se espera estar escrito nesse lenço: o que contém nele é um símbolo de uma magia de invocação, onde Nossa Respeitosa Princesa inseriu os documentos oficiais meus e de Foreign dentro dele. Para invocar os documentos, precisa usar o feitço “Mat–

— … O feitiço “Materializando Átomos”! É um pouco mais difícil que os feitiços com os quais estou acostumada, mas nada com que eu não possa executar!

Twilight afastou as patas levemente e fechou os olhos para se concentrar. O primeiro feitiço era fichinha; ela já havia executado ele antes, então podia executar novamente. Com uma rápida execução, o pequeno pedaço de papel reluz num tom branco e o símbolo mágico é revelado em seu centro. Possuía uma forma oval com pequenos círculos ao redor; três riscos cruzavam seu corpo de forma aleatória, sem coordenação ou ângulo específico.

Twilight admirou o majestoso símbolo diante dela. Um discreto suor escorreu pela sua testa chifruda, mas ela não deu atenção a esse mero projeto de distração; estava confiante de que conseguirá fazer uma magia de invocação pela primeira vez em sua vida. Fechou os olhos para concentrar-se novamente na execução do próximo encantamento: o feitiço “Materializando Átomos”. O brilho de seu chifre começou devagar. Conforme o tempo avançava, a luz roxa se intensificava, como uma lamparina a óleo ao regular sua iluminação. Esta aumentou ainda mais; ao redor daquela unicórnio, o assoalho estava com uma coloração roxa e sua sombra já estava visível sobre ele. Minúsculas fagulhas saltavam de seu chifre enquanto o símbolo de invocação sobre o papel reluzia ofuscante. A unicórnia roxa torceu um pouco os lábios, aumentando sua concentração.

Do símbolo, um pequeno raio púrpura atravessou o ar a sua frente e emanou um brilho pálido em frente ao rosto de Twilight. Ela não enxergava o brilho por conta de sua concentração contínua, mas podia sentir a luz propagar-se diante de seu rosto; uma sensação morna e delicada.

Alguns pôneis presentes estavam olhando admirados pela impressionante magia que Twilight estava executando. Alguma coisa estava sendo projetada do nada! E diante delas! A Prefeita e a Applejack olhavam maravilhadas; nunca tinham visto nada igual em suas vidas. Rarity não estava tão surpresa, já que ela também era uma unicórnia; ela sabe como é que funciona a magia dos unicórnios e como é tão desgastante fazer mágica desse porte como é para AJ ao cuidar de sua roça, com coices e carregamento de cargas pesadas. O esforço não é físico, mas é mental; precisa-se de muita concentração para executar magias e encantamentos mais complexos como materializar objetos ou viajar no tempo. Pinkie Pie, por outro lado, olhava com extrema admiração; seus olhos azuis brilhavam e seus pêlos rosados se arrepiavam pela incrível visão de uma mágica tão complexa como a de Twilight. Parecia que era a mágica mais estupenda que Twilight havia feito em sua vida. A questão é que Pinkie Pie ficava emocionada simplesmente com qualquer coisa. Uma vez, há algumas semanas atrás, ela estava torcendo de uma forma bem espalhafatosa que as flores dos vasos do Canto Cubo-de-Acúcar crescessem mais rápido que a grama de seu próprio jardim. Ela achava que, assim, fazia as flores se sentirem mais orgulhosas e mais confiantes em si mesmas que, consequentemente, floresciam mais bonitas e coloridas.

O brilho pálido diante de Twilight começou a tomar forma de dois retângulos, mas que se perdiam conforme a luz diante dela pulsava e ia se enfraquecendo aos poucos. As faíscas mágicas de seu chifre estavam fervilhando e piscavam preocupantemente, pois Twilight estava perdendo sua concentração. O suor frio escorria ainda mais em seu rosto roxo e sua expressão tornou-se mais tensa e esforçada. Seus joelhos frontais dobraram levemente com o cansaço e sua cabeça tornara-se estranhamente mais pesada. O feitiço estava sendo complicado demais para ela; sua energia estava se extinguindo e ela precisava de mais magia do que aquele pequenino corpo poderia oferecer. Isso começou preocupar a jovem potra cor-de-lavanda. Ela tinha certeza de que poderia efetuar esse feitiço com maestria, ela tinha bastante confiança. Afinal, foi para isso que ela estudou. Ela tinha a ambição de ser a unicórnio mais habilidosa em magia, queria que seu talento fosse reconhecível por outros pôneis; afinal, seu talento especial é, deveras, magia. Mas, ainda assim, tem dificuldades para executar um complicado feitiço de materialização como esse. Como ela poderia explicar para sua tutora caso falhasse? Sua mestra confiou em sua habilidade quando inseriu esses documentos neste pedaço de pano; ela sabia que Twilight conseguiria executar esse feitiço.

Ela não podia falhar; ela tinha que conseguir.

A unicórnio cor-de-lavanda ergueu um pouco a cabeça, suas sobrancelhas cerraram violentamente e seus dentes rangiam com força. Seu chifre voltou a emitir a luz mágica, só que mais forte do que antes. O brilho pálido diante dela intensificou-se numa coloração roxa, formando novamente as duas figuras geométricas retangulares. As pôneis em volta dela ficaram visivelmente surpresas com a mudança de cor.

Num pequeno flash sonoro, dois pedaços médios de papel planaram da luz pálida e pousaram levemente no chão. As pôneis no recinto aplaudiram em êxtase, maravilhadas pela magia espetacular daquela unicórnio cor-de-lavanda. Twilight olhou ao seu redor com as pálpebras quase caídas para suas companheiras; havia um sorriso cansado e algumas gotas de suor em seu rosto. Mas as luzes das lamparinas estavam estranhamente se apagando; em sua visão, aos poucos, ela estava entrando para a escuridão e sentia o chão mole e distorcido. Suas últimas energias em suas pernas se extinguiram, forçando seu exausto corpo a entrar em colapso com o chão de madeira. As pôneis na mesma hora cessaram seus aplausos, mas suas reações de socorro eram muito lentas e suas distâncias não ajudavam a segurar aquela unicórnio em queda. Ela sentiu seu corpo em ondas, como se tivesse se chocado com alguma coisa, mas não sentiu nada; nem dor nem mesmo o toque frio de madeira sólida. A escuridão dominou seus olhos e sua mente. As vozes se calaram e os rostos preocupados se perderam. De todos os sentidos que ainda possuía, podia sentir um delicioso aroma de frutas cítricas.

Fim do Capítulo Cinco