Pôneis e suas principais frases

Créditos pelas frases:

Celestia – Augusto Cury

Luna – Rachel Prado Corrêa

Demais frases – Drason

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Sem palavras para descrever – Livro I – Cap.3 – Desinformado e Desinteressado

Autor: Grivous

Gênero: Normal, Triste, Drama, Romance

Sinopse: ”Em alguns dias, um show será apresentado na pequena cidade de Ponyville, como o último show da carreira musical de uma musicista muito famosa de Canterlot: Octavia. Twilight Sparkle e suas amigas ficaram encarregadas de aprontar os preparativos para o Grande Evento. Os fantasmas de seu passado continuam assombrar a jovem musicista, a ponto de isolar-se do mundo e daqueles que ama. Num único evento, cheio de reviravoltas e grandes emoções, ela está para descobrir algo muito mais do que apenas o fim…”

LIVRO I :

Apresentação

Prólogo

Capítulo 1 – Empolgação

Capítulo 2 – Cascos e Coices

Capítulo 4 – Convidado ou Intruso?

Capítulo 5 – Casa da Mãe Joana

Capítulo 6 – Recuperação

Capítulo 7 – Algo a mais

Capítulo 8 – Amanhã

LIVRO II:

Capítulo 1 – Caminhada

Capítulo 2 – Muffin

Capítulo 3 – Companhia

Capítulo 4 – Mudanças

LIVRO III:

Capítulo 1 – Ausência

—–

Equestria – Ponyville, 13 de Fevereiro, 20:12.

“F-Foreign… Eye?!” — repetiu Twilight Sparkle, ainda não acreditando no que estava acontecendo bem a sua frente.

Twilight estava em frente a sua casa, a Biblioteca, em Ponyville. Dentro da biblioteca, estava ocorrendo uma reunião para o Grande Evento que acontecerá nos próximos dias. Cada dia está contado, tudo precisa estar nos conformes. Esse é o trabalho dela, organizar tudo. Mas será que ela dará conta de tudo sozinha?

No momento, ela está parada diante do recém-visitante de sua humilde moradia, Foreign Eye.

— “Peraí!” — Twilight ergueu o casco, — “Foreign Eye, Foreign Eye?! O Foreign Eye?”

— “Depende… Estamos falando do mesmo pônei?” — o pônei de terno tenta ser amigável com uma piada simpática, mas Twilight está emocionada demais para acompanhar sua piadinha.

— “Ai, minha nossa, minha nossa! É você mesmo!” — Twilight já pulava de emoção ao redor dele, — “Não acredito que estou falando com o senhor neste exato momento! Sou sua maior fã! Li e reli todos os seus livros!”

— “Sério? Você leu meus livros?” — obviamente se fazendo de bobo.

— “SIM!” — Twilight deu um passo a frente, seu sorriso ia de orelha a orelha, — ““As Milhas de Clousdale”, “Appleloosa É Logo Ali Adiante”, “Rio Grande e Sulista”, “Terras Férteis Para Lá de Absurdas!”, TODOS ELES! São simplesmente geniais! Você viajou para tantos lugares! Conheceu tantas culturas! Falou com milhares de pôneis e criaturas místicas! Ser o Conselheiro e Diplomata oficial do Reino das Terras Férteis em Canterlot não é para qualquer um! É um cargo respeitadíssimo e de alta consagração!”

— “Ah, é mesmo? Por que você acha isso?” — ele se mostrou surpreso pelo último comentário acrescentado pela unicórnio cor de lavanda.

Foreign dificilmente encontrava pôneis que leram dois ou mais de seus vários livros publicados. Cada livro representava um lugar diferente, uma cultura diferente, pôneis diferentes e, principalmente, opiniões diferentes. Não eram abrangentes, eram mais específicos e atraía gostos e interesses de diferentes indivíduos. Essa unicórnio roxa demonstrou ser a primeira de raras fãs a ler todos os seus livros de uma vez. É por causa dessa experiência de vida que Foreign resolveu implantar nesses livros. Pôneis de qualquer idade poderiam aprender e vivenciar o que ele absorveu durante sua vida de viagens e descobrimentos. Para terem uma visão mais aberta e sonhadora do mundo enorme e ainda misterioso que reservava para eles, um dia, explorarem por si só.

Com isso, figuras importantes de sua cidade natal o consagraram como Conselheiro e Diplomata Oficial do reino em que nasceu, o Reino das Terras Férteis. Seu cargo era dificilmente discutido por entre seus fãs; eles existiam apenas para discutir o conteúdo daqueles textos. Seu título era apenas para negócios, não havia necessidade de discuti-lo em uma conversa amigável ou em um debate entre jovens fanáticos por suas obras.

Essa pônei era, deveras, interessante.

— “Por que eu acho isso?!” — Twilight encarou-o, incrédula. — “Simplesmente porque sim! Todo dia você tem que viajar de cidade em cidade para participar de reuniões e eventos cerimoniais, reuniões com grandes políticos e outros diplomatas, pôneis famosos. Nossa! São tantos pôneis e criaturas que você deve ter conhecido ao longo da vida! Posso ver isso nos livros que escreveu! Deve ser impressionante conhecer tantos pôneis em vários lugares!”

— “É… e deixar para trás tantos rostos…” — Murmurou Foreign, com uma expressão chamativa de tristeza.

— “Heim? Como?” — Twilight se virou para Foreign, preocupada com a súbita mudança de tom do pônei de terno.

Foreign Eye limpou a garganta, tentando disfarçar, — “Hã… Digo… A-a Princesa Celestia me enviou para Ponyville para participar de uma reunião que iria acontecer às 20:00, precisamente. Só para confirmar: a senhorita é a aprendiz de sua majestade, Srta. Twilight Sparkle, de que ela tanto fala?”

Os olhos de Twilight, na mesma hora, brilharam. — “A Princesa fala de mim em suas reuniões? E com figuras famosas de Equestria?!” — pensou ela.

Uma certa elevação de ego preencheu no peito dessa pônei roxa. Não é todo dia que um nome é dito pela Princesa com tanta honra e importância. Ainda mais quando este é comentado com outros pôneis famosíssimos de Equestria. Afinal, ela é a aprendiz favorita — para não dizer particular… — da governante diurna de Equestria, Princesa Celestia. É de se ter orgulho de um cargo desse, sim. Isso se esse orgulho não subir a cabeça como em certos pôneis chifrudos e roxos conhecidos.

Twilight ergueu o casco ao peito, com o focinho avantajado, — “Caham! Mas é claro! Meu nome é Twilight Sparkle–”

— “E meu nome é Rarity!“ — Rarity aparece de supetão, empurrando a Twilight bruscamente para o lado. A mesma quase se desequilibrou. — “A estilista mais famosa e elegante de toda Ponyville! Um garanhão charmoso como você obviamente já deve ter ouvido falar desse esplendendoríssimo nome…” — Rarity gesticulou o casco gentilmente para Foreign Eye, com um olhar sedutor de seus diamantes azuis oculares.

— “Mais do que encantado.” — Foreign Eye beijou levemente o casco de Rarity. — “Ouvi falar muito de você, Srta. Rarity.”

— “Oh! A carreira de grande estilista é tão sofrida!” — Rarity pousou o casco sobre a testa, falando num tom melancólico — “Pôneis de toda Equestria passam em minha loja só para encomendar serviços dessa pobre e esforçada estilista! Mas nunca comentam sobre seu digníssimo trabalho suado e … peraí!” — Rarity virou o rosto e olhou perplexa para o visitante, — “Já ouviu falar de mim?! Mesmo?! Como?!

Rarity demonstrou-se realmente surpresa por uma figura tão importante como Foreign saber o nome de uma simples pôneizinha moradora de Ponyville.

— “Como assim “como”?” — ele ergueu uma sobrancelha, — “A Srta. Shores não parava de se exibir com aquela roupa de grife brilhante que a senhorita havia criado. Toda vez que alguém ia perguntar as horas, ela respondia seu nome como a criadora daquela roupa… moderna.

Rarity ficou boquiaberta, — “…S-sa-s-sa-saphire Shores??!!” — seus lábios tremiam e se esforçavam em pronunciar palavras, mas era muito difícil, — “S-se-s-se-sério?! Mesmo??!!

— “Sim, claro!” — disse Foreign Eye num tom animado, e acrescentou, — “Não só a Srta. Shores como o Sr. Pants, também. Não sei o que a senhorita causou a ele, sinceramente. Nunca o vi falar de alguém com tanta emoção! Uns dias atrás, quando cheguei em Canterlot, me encontrei com ele. Eu disse que procurava um lugar para visitar… Um lugar que eu não conhecesse em Equestria. Sr. Pants, na mesma hora, me indicou Ponyville como uma das minhas primeiras paradas. E comentou também de uma pônei em específico que morava na cidade.” — ele olhou agora para o rosto de Rarity, erguendo uma sobrancelha e um sorriso malicioso em sua bochecha, — “Diga-me… Será que a senhorita arrumou um grande partido?”

Sorte que Rarity não havia dado a atenção à última frase dele; ela estava imóvel, como se estivesse petrificada. As causadoras dessa petrificação momentânea nessa elegante unicórnio pálida foram as duas primeiras novas: seu nome sendo pronunciado pelas duas importantes figuras da moda, Saphire Shores, e da sociedade canterlotiana, Fancy Pants.

Sua crina balançava com o vento, seu olhar vazio e meio passivo tornava a situação um tanto delicada. Ou até mesmo perigosa para a própria unicórnio de crina roxa encaracolada. Se ela tivesse ouvido esse último comentário de Foreign, ela possivelmente não iria suportar o ataque de emoção e estaria a caminho do hospital.

Twilight chegou perto de sua amiga pálida, um pouco preocupada, — “Hã… Rarity? Você está–”

Rarity agarrou os ombros de Twilight, ficando de focinho-a-focinho com ela e exclamando, — “SAPHIRE SHORES FALOU DE MIM! E FANCY PANTS TAMBÉM!!” — ela deu um grito esganiçado de emoção quando agarrou a cabeça de Twilight, espremendo-a num abraço apertado e desesperado.

Twilight lutava pela liberdade de sua traquéia, que estava bloqueada pelo abraço enforcador de Rarity. Os olhos diamantes da unicórnio branca brilhavam de um jeito que jamais brilharam antes. Era emoção demais para um dia só.

A voz de Rarity ficou meio esganiçada no começo, — “É BOM DEMAIS PARA SER VERDADE!! Não acredito que após séculos de trabalho duro e esforço valeram a pena para essa pobre e corajosa pônei de Ponyville com seu sonho de ser a maior estilista de toda Equestria– Não!” — Rarity afastou Twilight pro lado, olhando para as estrelas e o luar no céu, — “De todos os tempos!” — Rarity gesticulou suavemente seu casco para frente de seu rosto. Seus olhos azuis-diamantes ofuscavam de felicidade e êxtase.

Twilight tossiu um pouco, massageando a garganta meio irritada pela chave-de-braço de Rarity, — “T-tá ceeerto…” — comentou ela, erguendo uma sobrancelha.

“Os petiscos já estão servidos!” — berrou uma voz masculina, num tom infantil, de dentro da biblioteca, — “Estão sobre a mesa! Já podem cair de boca!”

Applejack inclinou-se na porta, colocando a cabeça para fora do recinto. — “Rériti tá viajâno na maionése ôtra véiz?” — AJ parou no meio da porta e olhou para a Rarity se estrebuchando de ansiedade, — “Há! Si essa daí arrumô um partido dos bão, eu cômo meu chapér!”

“É O QUÊ?!?!” — uma voz escarrada saiu de dentro da biblioteca. Esta pareceu irritada com o último comentário do ambiente.

Um corisco roxo com listras esverdeadas passou por entre as pernas de Applejack, assustando a mesma.

— “Arrê égua!” — por reflexo, ela fecha as pernas e dá um passo para o lado, olhando para o chão, meio perdida. — “Quêfoisso, seu!?”

Ao correr os olhos pelo chão, ela imaginou para onde seguiria aquele corisco que passou por ela. Applejack olhou para frente e encontrou seu real dono.

Spike, vestindo um chapéu de confeiteiro e um avental brancos, estava em frente à Rarity, com os braços e as pernas abertas, olhando agressivamente para Foreign Eye. Para um bebê-dragão, ele sabia intimidar quando o assunto envolve alguma coisa valiosa para ele; ou algum pônei.

— “Pode ir tirando o cavalinho da chuva!” — disse Spike com as sobrancelhas serradas e mostrando os dentes pequeninos para Foreign, — “Ela é minha, compadre! Arréda o pé daqui!”

“Spike!” — intrometeu-se Twilight com um tom irritado, — “O que pensa que está fazendo?! Onde estão seus modos?”

— “Estão todos aqui: Modo agressivo, modo predador mortífero e modo “vou arrancar a pele de seu corpo feito casca de banana!”

Twilight acionou sua magia com um brilho de seu chifre e puxou uma das escamas — ideologicamente em serem as orelhas — do dragãozinho.

— “Ai, ai, ai, Twilight! Para com isso! Ai! Isso dói!!” — Spike deu pulinhos para o lado até parar perto de Twilight, sendo que a mesma estava com um olhar repreensivo.

— “Pssht! Comporte-se! — Twilight virou para Foreign, — “Eu sinto muito, Sr. Eye…!” — ela estava sem jeito, — “Spike não é sempre assim. Ele só está um tanto… emocionalmente ativo.

Twilight brilha o chifre mais um pouco e deu um último puxão na orelha do Spike, soltando um audível “SNAP”, — “Ai, ai! Tá bom, tá bom! Já entendi! Eu sou um dragãozinho mau, mau!” — disse Spike, esfregando sua escama dolorida.

— “Isso mesmo. E arrependa-se do que fez com nosso ilustre convidado!” — terminou Twilight.

— “Bah!” — Spike cruzou os braços, emburrado, e bufou com o nariz, soltando um pouco de fumaça cinza.

— “Mais uma vez, me perdoe pelo comportamento dele, Sr. Eye! Espero que não esteja ofendido…” — Twilight cruzou suavemente os cascos, com a cabeça um pouco baixa.

— “Não, não! Não fiquei ofendido!” — ele sacolejou os cascos, negando. — “Aliás… Eu queria mesmo pedir desculpas ao… Spike, certo?”

— “… Hã?” — Spike olhou para ele, levantando a cabeça.

— “É. Queria pedir desculpas por achar que a Srta. Rarity arranjou um bom partido.” — Foreign coçou um pouco a nuca, descontraindo-se, — “Espero que não tenha ficado ofendido…”

— “Bom, dã! Claro que fiquei ofendido! Cê acha que eu iria fazer aquilo à toa?!”

Twilight deu uma patada de leve na nuca de Spike.

— “Ai! Pô, Twilight! Já deu, né?”

Twilight retrucou fechando a cara, em repreensão. Spike bufou com o nariz novamente. O pequeno dragão virou-se para o Foreign, segurando seu chapeuzinho de confeiteiro com seus pequenos dedos pontiagudos.

— “Certo… Hã… Aceito suas desculpas, senhor.” — Twilight cutucou Spike com o cotovelo, — “E… me desculpe pelo meu comportamento… rude, impulsivo e emocionalmente descontrolado…” — Spike olhou para Twilight no canto do olho.

Twilight sorriu alegremente pela resposta de Spike. O dragãozinho só pôde rolar os olhos.

— “Rarity é minha amiga e gosto muito dela.” — Spike explicou-se, olhando levemente para baixo, — “Eu… meio que tenho muito respeito por ela e pelo seu esforço no que faz… como eu me esforço no que faço.” — ele torceu um pouco o chapéu com suas mãozinhas, — “Se acontecesse alguma coisa a ela… eu–”

Um som abafado alastrou-se aos ouvidos de Spike. Ele olhou para a fonte do som e encontra Rarity caída no chão, meio tonta e com um sorriso meio-torto em seu rosto.

— “Ih, danou-se! Deu uma birola na Rériti.” — exclamou Applejack, com uma risadinha em meio à frase.

“Rarity!!” — Spike correu ao seu socorro, deixando Twilight e Foreign de lado por um breve momento.

Twilight ia repreendê-lo na mesma hora por deixar o convidado no vácuo, mas antes que ela pudesse impor sua voz sobre o pequeno dragão, Foreign a impediu ao descansar o casco em seu ombro. Twilight virou seu rosto bruscamente para o dono do casco. Ele olhava para ela calmamente, indicando para que não fizesse nada e que apenas esperasse e observasse, pacientemente. A unicórnio roxa apreciou o suave sorriso daquele jovem corcel. Era calmo e um tanto travesso. Os olhos marrons sombrios de Foreign focavam em seu rosto lavanda juvenil, observando do queixo até o chifre. Twilight se sentiu um tanto desconfortável por aqueles olhos estarem analisando ela tão… atenciosamente. Tanto que a própria dona deste rosto desviou-o da visão desse corcel, com um tom rosado em suas bochechas.

Twilight ficou meio sem jeito, mas pareceu entender o recado e voltou a olhar para Spike, que agora segurava gentilmente o rosto de Rarity.

— “Rarity! Você está bem, Rarity?!” — Spike estava muito preocupado com ela. Ele descansou sua cabeça sobre as coxas dela, atencioso.

Para a surpresa de todos, o dragãozinho começou a executar os primeiros-socorros. Certificou-se da respiração da unicórnio branca ao colocar o ouvido em seu focinho; contou os segundos ao pressionar dois dedos no pescoço de Rarity, medindo a pressão sanguínea; olhou para as pupilas azuis dela, checando se estavam dilatadas.

Apesar de ser um bebê-dragão, ele demonstrava total controle da situação. Até demais. Foreign Eye olhava surpreso para o que aquele pequenino estava fazendo com tamanha precisão e atenção. Era surpreendente, até mesmo para aquele diplomata.

— “Tá tudo bem cum ela, Spáiki.” — Applejack chegou perto dos dois, — “Ela só tevi uma birolinha di nada. Logo, logo, ela acóirda e tará tudo di boa.”

— “S-sério mesmo? Verdade?” — a voz do Spike arranhou um pouco no começo. Ele segurava gentilmente a nuca de Rarity.

— “Ara mais essa!” — Applejack acariciou a cabecinha do Spike, — “Tô tão certa qui, o dia im qui eu tivé errada, galinha cria dentê!”

Spike achou meio esquisita a frase encorajadora de AJ, mas sentiu que compreendeu a confiança daquela pônei loira. Ela estava sempre certa, de fato. O que podia esperar do Elemento da Honestidade? Ele podia se acalmar a partir de agora.

— “Ufa… Ainda be–!” — Spike deu um sobressalto, se lembrando que deixou o Sr. Eye a ver navios durante seu socorro e olhou discretamente para trás.

Foreign estava em pé. Não muito longe dele, mas estava perto. Ele não estava demonstrando nenhuma reação, nem mesmo uma expressão em seu rosto. Aquilo deixou o Spike preocupado. — “Será que ele está bravo? Eu… não pude evitar! A Rarity…” — pensou ele, suando um pouco frio.

Spike pousou a cabeça de Rarity suavemente no chão, ergueu-se e andou timidamente até o convidado da noite, torcendo um pouco o chapéu que tinha em mãos.

— “Hã… Desculpe, Sr. Eye.” — Spike nem olhava para ele, seus olhos estavam no chão. — “Eu… eu…”

— “Compreendo, jovem dragão.” — Foreign apalpou gentilmente a cabeça de Spike, — “Não é todo pônei ou criatura que faz esse tipo de coisa a um outro ser de uma espécie diferente. Ainda mais de uma forma atenciosa como você demonstrou agora.”

Spike olhou para cima, encontrando o rosto alto de Foreign. Sua face estava em um aspecto calmo e bem sorridente, para a surpresa do jovem réptil.

O dragãozinho podia sentir calmaria daquele corcel na lenta respiração que fazia e no manuseio suave de seu casco sobre sua cabeça. Apesar das escamas duras e porosas de Spike impedirem de ele sentir alguma dor ou massagem, o calor; a energia que transmitia no toque daquele jovem pônei era…

— “Você é um tipo especial, Spike.” — continuou o corcel elegante — “Posso ver claramente que Srta. Rarity arranjou alguém melhor…”

Spike ficou olhando para Foreign por alguns breves segundos. — “Ela arranjou?” — pensou ele. Estava assimilando o que aquele pônei havia lhe dito, mas não entendia bem o que ele quis dizer com aquilo.

— “Hihi, você ainda vai entender, Spike…” — Twilight agarrou Spike pelo ombro e esfregou sua bochecha com a dele, com um sorriso no rosto — “Um dia, vai entender…”

Spike corou um pouco e olhou para o lado, terminando de espremer e girar aquele chapéu torcido e violado. Twilight deixou o dragãozinho em seus pensamentos e trotou para perto de Rarity, com um ar preocupado.

— “Acho melhor já levar a Rarity para dentro. Depois desse… hã… “piripaque” ela precisará urgentemente de um copo d’água com açúcar.” — Twilight acionou a magia de seu chifre para levitar a unicórnea emocionalmente desacordada, — “AJ, importa-se de convidar nosso visitante, em seguida?”

— “Oxi, craro qui num, Tualáiti! Pódi dêxá cumigo!” — Applejack ajeitou seu chapéu para trás, confiante.

Twilight agradeceu e trotou para dentro com a Rarity, levitando-a no ar através de magia. Spike percebeu que a pônei roxa adentrou-se a biblioteca com a unicórnio flutuante e correu atrás, em passos saltitantes e ligeiros, — “Ei, Twilight! Espere por mim!”

Applejack deu espaço para Spike passar. Então, ela virou-se para Foreign, apontando-lhe o casco.

— “Bas tarde, Nhô Aiê…” — ela começou já com uma apresentação amistosa, — “Si voismecê num si aperreiar cum minha prêgunta…”

— “Imagina! Pode perguntar, Senhorita…” — Foreign deixou um longo espaço no fim da frase.

— “Applejack.” — respondeu a pônei loira, com um certo tom de orgulho em sua voz, — “Êssi é meu nómi. Már respeito qui o sinhô é todo cordiar i queira mi chamá di um forma tamém cordiar,” — AJ piscou para Foreign, — “podi mi chamá sem pôbrema di “Sinhá Applejack”.”

— “ “Sinhá”? ” — Foreign ergueu uma sobrancelha, — “É casada, Srta. Applejack?”

— “Oxênte! É nada, meu fío!” — Applejack gargalhou um pouco com a observação dele, — “Gosto di sê chamada ansim pois é o qui sô. Uma pônei fêrta e indepêdenti, pois num é macho qui mi sigura! E ai deli si tentá! Vai recebê um baita di um “Sai fora, fubá!” — e AJ interpretou um coice de leve com suas patas traseiras.

Foreign riu junto a ela. Ele imaginou aquela situação na cabeça e nunca pensou quão hilária ela seria. Ele tomou nota em um canto de suas memórias ao devanear-se entre seus pensamentos.

Ao voltar a si, percebeu que Applejack havia aproximado dele com um olhar malicioso. O diplomata hesitou um pouco, com uma leve suspeita de suas intenções, mas permitiu a aproximação. AJ falando um tom baixo, perguntou:

— “Már, cá entri nóis. I ocê, meu fío?” — AJ cutucou Foreign com o cotovelo, — “Cê num tá pendurado numa árvrê cum arguém, heim?”

— “Valei-me nossas Princesas! Não, não, Srta. Applejack!” — Foreign sacudiu os cascos, negando. — “Não estou, no momento, com ninguém e, definitivamente, não quero me envolver com nenhum pônei de jeito nenhum e–.”

Applejack o cortou, incrédula, — “Cumé?!” — ela olhou torto para ele. Aj achou muito estranho aquele tipo de negação em sua frase, ainda mais para um corcel jovem como ele. — “Como ansim?! Pruquê ocê num qué?! O qui qui ti impédi, afinar?!”

Foreign ficou com um nó na garganta por um momento. As perguntas que ela fez no ambiente ele não queria responder e temia aqueles tipos de perguntas; ele as evitava a todo custo de outros pôneis. Mas agora era difícil escapar ou desviar do assunto.

Ele virou os olhos discretamente ao redor, juntando as palavras para responder a pônei que o encurralou. Aqueles olhos esmeraldas eram intimidadores, difíceis de esquivar e de ignorar. Eles estavam mirando sobre ele de uma forma ameaçadora, esperando qualquer reação inapropriada para apertar o gatilho.

— “N-não foi o que eu quis dizer, Srta. Applejack…” — Foreign limpou a garganta. — “Estou, no momento, numa viagem de negócios. Vim aqui para participar no evento para depois voltar para meu reino. Não estou aqui para relacionamentos íntimos ou algo do gênero! Apenas estou cumprindo o meu dever estabelecido pelo governo de meu reino. Por favor, não me entenda mal!”

Applejack encarou Foreign, desconfiada. Em seu tom, parecia que ele suplicava pelas desculpas da pônei loira. Só faltava ele se deitar no chão e pedir desesperadamente por suas súplicas. O diplomata parecia ser bem sincero em suas palavras. AJ sentiu que ele não estava mentindo; cheirava mentiras a quilômetros de distância. Ela se convenceu, mesmo que soasse meio exagerado vindo de alguém tão importante como aquele pônei.

Applejack ajeitou o chapéu, descontraindo um pouco da situação, — “Tsc! Dêxa quieto… Tá tudo bem, Nhô Aiê.” — ela sacolejou suavemente com o casco para Foreign, — “Discurpa si fui num arregaço cum sinhô. Fui meio indelicada cum as prêgunta i, sem querê, o acusei sem ninhum mutivo.”

— “Não,” — seu tom estava sério, — “eu que peço desculpas. Não fui bem claro quando–”

— “Nhô Aiê…” — Aj o cortou ao elevar seu tom, — “Fui eu qui errei ao lançá essas prêgunta contra o sinhô. Quem tem qui pidí discurpa sô–”

— “Perdão,” — Foreign também a cortou. O rosto daquela pônei loira avermelhou com aquele corte, — “mas, sinceramente, fui eu que errei ao não expressar-me direi–”

— “Dêxi di nóia, criatura!” — Applejack tapou a boca de Foreign com o casco. AJ odiava ser cortada em suas frases, não havia coisa que mais enfurecia ela do que isso. — “Sô eu qui errei i sô eu qui tem qui pidí discurpa! O sinhô num tem obrigação di pidi discurpa pru algo qui num fêiz!”

Aqueles olhos esverdeados daquela pôneizinha miravam selvagemente no rosto do visitante. Eram assustadores, mas demonstravam coragem; perseverança. Aquela pônei loira era justa e verdadeira quando disse aquelas palavras. Odiava mentir e desmentia quem se atrevia a blasfemar contra a verdade. Assumia suas responsabilidades e seus erros, nunca colocava nos ombros de outros. Isso era ser justo; ser verdadeiro.

O diplomata estava, novamente, surpreso com aquela pônei alaranjada. Sua reação e o forte senso de justiça o deixou espantado. Ele nunca viu isso em pônei algum, mesmo nas inúmeras viagens que fez ao longo de sua jornada. Nada o deixava mais intrigado do que sentimentos fortes dos pôneis que ele conhecia.

Ele percebia que cada pônei era único em suas ações, em seus comportamentos e em suas ideologias; ele estava vendo isso bem em sua frente.

Foreign suspirou pelo nariz e afastou suavemente o casco de Applejack de sua boca, — “Tens toda razão, Srta. Applejack. Não devo pedir perdão por algo que não fiz… Mas a senhorita compreende o que eu quis dizer anteriormente?”

— “Már é craro! Cumpriendo perfeitamente, seu!” — Applejack assentiu com a cabeça, confirmando, — “Aqui– Digo… No Sweet Apple Acres, acuntéci a mermíssima coisa.” — ela coçou um pouco o nariz, — “Na fazenda, trabaia eu, mermão, minha maninha e minha vó. Eu e mermão trabaiamo, már trabaiamo duro para ter uma boa safra di maçã todo semestri! É tantu trabaio qui gostariamo di dá uma cérta atenção pra uns cérto relacionamento…”

Applejack ergueu os olhos com a cabeça, ela observava as estrelas brilhando fracas e as nuvens escuras lentamente se movimentando, — “Sabi… num devêmo ficar tantu tempu vivêno nos sonhos amoroso. Um ispaço especiar deveria estar preenchêno no coração… e na vida di cada pônei.”

Foreign deu uma rápida olhada para o céu noturno. Ele queria acompanhar a filosofia que a pônei loira estava proporcionando a ele.

AJ continuou o discurso, sem tirar os olhos dos astros brilhantes, — “Num é saudáver ficá sozín por muito tempu. Isso dêxa os pônei doenti… por dentro.”

Foreign desviou o olhar para baixo, sentindo as palavras cruas e mal-passadas. Ele estava aceitando o que ela estava dizendo.

— “I, às vêiz… isso pódi durá pra sempri e nunca acabá. I pódi perdurá até dipois da vida…”

Foreign encolheu suas orelhas, refletindo em seus pensamentos enquanto ouvia a voz da pônei alaranjada ecoar em seus ouvidos. Ele torceu um pouco os lábios, retraindo o que ele não queria expressar abertamente. O discurso de AJ, de alguma forma, estava fazendo um efeito inesperado para ele.

— “Portantu…” — Applejack deu uma patada brusca nas costas de Foreign. Foi tão forte que fez ele se desequilibrar, quase indo de encontro ao chão. Com reflexos rápidos, ele pôde se segurar com os cascos posteriores. — “Dêxe di dirigir essa novela das oitcho e vá arrumá uma fêmea das boa qui o satisfáça!”

Foreign ergueu-se para a posição reta sentada com um impulso. Ele ajeitou a gravata, apertando um pouco e puxou um pouco para trás o topete. Suas bochechas estavam um pouco quentes no começo por causa da idéia de AJ. Não era algo ruim a ponto de jogar fora e deixar de pensar nisso. Qualquer um adoraria agir com essa ideia em mente.

Mas ele, não.

— “Vou pensar no caso…” — claro que não vai.

Ele estava decidido. Nada o faria mudar de pensamento. Seus ideais já aderidos no passado não o permitem de acatar o que lhe foi proposto agora.

Applejack torceu o lábio, — “Êta, bixo teimoso dos Tártaro…!” — pensou ela ao suspirar pelas narinas.

A pônei caipira era uma pônei de morais. Ela sabia que todo pônei merece ter uma vida boa e saudável. Tanto no trabalho quanto nos relacionamentos entre amigos, parentes e pôneis mais íntimos. Sem esse equilíbrio, o indivíduo pode se perder em sonhos não-concretos e até se sentir incompleto; sentir um vazio por dentro. Ela odiava esse tipo de sentimento. Sentir-se sozinha ou que faltava uma parte que precisava ser preenchida em seu peito; uma falta de calor eqüino; uma carícia íntima.

Ela sabia o que era isso; essa sensação… ela sentia até hoje.

Applejack levantou um sorriso malicioso indiscreto no canto da boca, — “Már dêxi está, jacaré… qui a lagoa há di secá.”

— “Perdão, Sinhá Apple…” — Foreign voltou a olhar para ela, — “Mas qual foi mesmo sua pergunta?”

AJ virou a cabeça para ele, confusa — “Prêgunta? Qui prêgunta?”

— “Aquela pergunta que a senhorita iria me propor… logo no começo.”

Applejack levou um casco ao seu queixo, pensativa, — “Prêgunta… Prêgun– AH! SIM!” — ela se lembrou num estalo em sua memória, — “Pelo qui ôvi qui a Tualáiti tinha dito uns tempin atrás… foi o sinhô quem iscreveu aquelis livro… hã… “Épóluça É Logo Ali Adiantí” i “Terras Fértir Pra Lá Di Absurda”?”

Foreign assentiu com a cabeça, — “Sim, clar–”

— “Már minino! Qui coisa boa, seu!” — expressou AJ num tom feliz e animado. Foreign se assustou um pouco com a reação da pônei loira.

— “Cê num tem ideia quão loco seus livro são!” AJ aproximou-se um pouco de Foreign, demonstrando-se atenciosa, — “Meu primo mi indicô essis livro pra mói di mim ler eles e mi emocionei pur dimais!”

— “Seu primo?”

— “Sim! Brébârn, di Épóluça!” — a pônei loira sacudiu sua cabeça positivamente, — “O cabra dévi di tê ficado doido quando ti viu rodiando pela cidadi. O sinhô devi di conhece–”

— “O Breaburn?!” — indagou Foreign com intusiasmo, — “Há! Aquele cara é hilário! Ele me apresentou Appleloosa de cima em baixo, virou do avesso as histórias que ele conhecia sobre o lugar! Quase fiquei com dor de cabeça com tantas informações que ele me passava.”

— “É. Ele é um pôco exagerado…”

— “Um pouco?” — Foreign olhou para AJ, bradando uma sobrancelha erguida para ela.

— “Tá… mêi exagera–“

— “Meio?!” — sua sobrancelha podia cutucar a cabeça de Aj de tão erguida que estava.

Applejack ergueu os cascos, derrotada, — “Tá bão! Tá bão, criatura! Ele é um absurdo di exagêro, um istêrotópico… ister… instró…” — ela se esforçava pronunciar uma palavra.

— “Estereótipo?” Completou Foreign, ajudando-a.

— “Isso mêrmo!” ela apontou-lhe o casco. — “Isteriôtipo!”

Os dois riram juntos. A pônei alaranjada mesmo não se aguentava e já escorria finas lágrimas de seus olhos.

— “Hahaha! Haha… Már… Már falâno sério agora…” — Applejack enxugou os olhos e limpou a garganta, — “O sinhô foi passá uns tempo lá, né? Ficô quantus dias lá, qui mau lhe pregunte?”

— “Dias?” — perguntou ele num tom meio irônico, — “Nossa… fiquei por lá por mais de um mês! Estava numa missão diplomática para ajudar o povo de Appleloosa com um problema local… um problema de posse.”

— “Heim? Di póssi? Como ansim?”

— “Pelo que Sr. Breaburn me contou, Appleloosa é uma cidade de habitantes pioneiros, pôneis desbravadores que andavam por toda Equestria a procura de um lugar próprio para ficar e contruir uma vila, com sua própria renda, que são as macieiras.”

— “Hu-hum” — Applejack já ouvira aquela história dezenas de vezes pelo seu primo. Ou, pelo menos, fingia que ouvia; aquela boca não fechava nem um instante para conter o córrego de palavras.

Foreign tomou um pequeno fôlego, — “Só que, ao fincar a placa da cidade no local, pouco tempo depois descobriram que não eram os únicos que viviam por ali. Lá vivia uma antiga tribo aborígene de búfalos selvagens que, onde Appleloosianos plantavam e colhiam suas maçãs, eles faziam sua tradição milenar de debandada.”

“Tribo di búfalos?” — pensou AJ, — “Tradição milênar di debandada? Será qui eli tá falâno di–?”

— “Isso gerou um constante conflito entre as tribos e os Appleloosianos. Os habitantes da colônia não podiam mudar as árvores de lugar, pois era o único lugar fértil perto deles. E os búfalos insistiam que aquela passagem por onde as árvores foram plantadas era sagrada para sua tradição de debandada e que elas não podiam ficar lá por muito tempo.” — Foreign esfregou sua nuca com o casco, meio triste, — “Tentei o meu máximo para que houvesse algum acordo de paz entre as duas comunidades, mas… não havia nenhuma maneira de convencer ambos os lados. Os búfalos eram muito crentes em suas tradições e os Appleloosianos precisavam daquele lugar para viver.”

Applejack ficou um pouco reluta consigo mesma. A pônei laranja podia ver que ele estava bastante decepcionado por ter falhado em uma missão. AJ não se esquecera da última vez que visitou Appleloosa e do que havia feito lá com suas amigas. Ela queria uma brecha para poder contar a ele o que sabia.

— “Quando voltei para meu reino, escrevi aquele livro pensando que podia conseguir algum apoio popular para que haja um acordo entre os habitantes de Appleloosa e as tribos indígenas. Isso retardou um pouco a ideia dos búfalos tomarem suas terras de volta a força, mas eu temo o dia em que esse conflito se tornar algo muito perigoso para ambas comunidades e–”

— “Már essi conflito já acunteceu, Nhô Aiê…” interroupeu Applejack.

Foreign cerrou as sobrancelhas por um momento. Ele focava seus olhos ao chão, mas seu rosto girou bruscamente, olhando para égua alaranjada com temor em seus olhos, — “C-como? O quê disse?!” — ele temeu ter ouvido corretamente, perguntou esperando ter uma confirmação mais concreta.

— “Os búfalo já atacarô Épóluça uns tempo atráis. Os habitanti num quiriam cunversa cos índio. Os búfalo se enfezaram e avisarô a elis que iam atacá.”

Seu medo tornou-se realidade, e da pior maneira possível: ele não sabia que já havia ocorrido essa tragédia. — “Minha nossa…!” — ele levantou bruscamente a cabeça em direção a pônei laranja, com um olhar perplexo. — “Como eu não soube–! O-o que aconteceu depois?” — Foreign focou sua atenção nas palavras da pônei loira, seu tom era de muita preocupação. AJ percebeu isso e teria que tomar cuidado com o que falará para não desesperá-lo.

— “Num se avéxi, não, meu fio!” — sacudiu um pouco os cascos, pedindo calma, — “Pódi ficá tranqüilo que num acunteceu nada di ruim!”

— “Mas o que aconteceu?! Os Appleloosianos–”

— “Elis tão in pêrfeito istado, Nhô Aiê.” — ela descançou os cascos nos ombros do elegante pônei bege, tentando diminuir a tensão nele. — “Hôve uma briguinha pequena, már agora elis tão in sintonia, num tão mais brigâno por póssi di terra. Elis decrararô paz entri elis.”

O pônei de terno estava surpreso; perplexo, por assim dizer. Não sabia se as palavras daquela fêmea alaranjada eram verdadeiras, sem ao menos um carimbo ou uma testemunha local para declarar a redundância do ocorrido. O seu olhar fiel esmeralda gritavam a verdade, mas não tinham sua confirmação concreta; sua concretização.

Ele viu de perto as ríspidas trocadas de olhares e palavras entre aqueles habitantes. Um mês de trabalho árduo governamental naquele povoado e sem sucesso e resultados. Uma paz foi concretizada entre eles, sem sua presença ou seu auxílio diplomático, sem uma resposta governamental e que só aquela égua de uma cidade interiorana sabia disso?

— “Isso… está muito confuso… e inesperado para mim…” — declarou ele.

— “Num si avéxi, Nhô Aiê. Eu cunheço um pônei certo pra ti contá tintin por tintin!”

Foreign apertou os olhos com o casco em seu rosto, — “Pelo amor das princesas, Sinhá Applejack, não me diga que terei que falar com Sr. Breaburn para–!”

— “Oxênte, não, não!” — respondeu ela, rindo um pouco. — “Cunheço um pônei mió e menus tagarela qui eli.”

— “Hm… a senhorita?” — a pergunta saiu sem querer. Foreign apertou os lábios, sabendo que foi tarde demais para contê-la.

AJ o lançou um olhar suspeito, não sabia se era um pequeno elogio ou uma leve ofensa. Mas compreendeu que a ansiedade daquele pônei por querer se aprofundar nessa súbita mudança cultural de Appleloosa o deixou mais escorregadio que um lago congelado. Essa nova informação, para Foreign Eye, era deveras preciosa para uma futura atualização em seu livro, “Appleloosa É Logo Ali Adiante”, que agora se tornou uma obra incompleta e desatualizada no mercado literário. Ele só ficaria na cidade por alguns dias, até o fim do Grande Dia. Durante esse tempo, ele adoraria tirar um pequeno pedaço de seu precioso tempo para atualizar-se e para conhecer mais sobre os habitantes dessa sua nova estadia temporária, Ponyville.

Applejack só podia sorrir para aquele maroto, — “Gradecida pelo… elogio. Más num é cumigo, num. É cum–”

Applejack ficou em silêncio por um momento. Foreign ainda tinha esperanças pela resposta e esperou ansiosamente, até começar a ouvir trotes ocos e rápidos vindo por trás dele. A pônei laranja olhava para além das costas de Foreign, por cima de seus ombros. Foreign virou um pouco o corpo, tentando localizar para onde AJ estava olhando.

Ele via que algum pônei se aproximava rapidamente. Seus passos eram largos, mas não ligeiros; ela não estava correndo, só andando rápido. Uma pônei de uma pelagem de caqui escurecida vinha do final da rua, por onde dava a Praça Central, para ao encontro deles. Sua crina pálida estava um pouco desarrumada pelos passos apressados e em seu rosto escorria pequenas linhas brilhantes.

Applejack, na mesma hora, acenou para ela — “Sinhá Prefeita! Ocê chegô!”

A pônei de caqui parou bruscamente para perto deles, empurrando alguns cascalhos ao raspar o chão sob seus cascos. Ela respirava forte, mas não tão desesperada. — “Boa noite… Srta. Applejack! … Es… Espero que…” — Fazia tempo que ela não andava tão rápido. Aquela caminhada fez bem para ela; percebeu que deveria fazer isso mais vezes, para sua própria saúde.

— “Muié, sussega i pega um fôlego.” — Applejack ergueu o casco para ela, — “Forçá cunversa dessi jeito num facilita, só atrasa.”

A Prefeita assentiu com a cabeça e sentou brevemente para pegar um pouco de ar que sentia falta. Fechou a boca e começou a respirar devagar e profundo pelas narinas, enchendo e esvaziando o peito. Respirou e expirou; respirou e expirou; respirou e expirou. Ela ergueu o casco para ajeitar um pouco seu topete meio declinado para o lado; a brisa que perambulava pela noite ia contra a pônei de caqui no caminho, deixando sua crina torta e desalinhada. A Prefeita recuperou seu fôlego aos poucos, mas ainda sentia partículas aquosas por entre seus pêlos, e, em seu corpo sem vestimentas, não há nenhum item guardado para expurgar esse pequeno desconforto.

Durante um suspiro, um lenço agarrado por uma mandíbula veio ao encontro dos olhos azul-escuros dela. A Prefeita deu um relapso repentino pelo leve susto e seguiu aqueles dentes brancos para encontrar o rosto de Foreign Eye, agora fitando seus olhos azul-celestes sobre o rosto atônico da pônei de caqui. A face da Prefeita estava desarmada pelo sorriso maroto do pônei cordial.

A Prefeita deu duas piscadas lentas e seu rosto ficou rosado. Applejack percebeu isso e deu uma risadinha disfarçada por uma tosse. A pônei de caqui limpou a garganta e estendeu o casco por baixo do lenço. Foreign deixou-o cair levemente para Prefeita e a mesma agradeceu. Ele respondeu com aceno com a cabeça e outro sorriso.

Foreign olhou para AJ, ela esperava pacientemente a recuperação da Prefeita. Applejack percebeu que o pônei de terno a encarava e olhou de canto do olho para ele. Foreign aproveitou a pequena atenção que conseguiu dela e apontou para a Prefeita com os olhos. AJ levantou uma sobrancelha. Ele sacudiu levemente a cabeça, apontando novamente para a Prefeita. A pônei loira olhou para a pônei de crina grisalha e para o pônei elegante. Ela olhou novamente para os dois. E de novo.

As sobrancelhas da pônei loira se ergueram subitamente; a ficha havia caído finalmente. AJ entendeu e se lembrou do antigo assunto que ela deixou pendurado com o Foreign sobre o evento em Appleloosa. Ela sacudiu a cabeça, negando.

Não. Não era com ela com quem Foreign Eye poderia obter informações sobre o evento de Appleloosa.

Foreign só podia fechar a cara e bufar, como um pequeno potro faria quando não conseguia seu doce mais precioso do alto da estante. Applejack deu uma pequena risadinha.

A Prefeita esfregava o lenço em seu rosto enquanto tentava explicar-se pelo atraso a reunião, — “Mil perdões, Srta. Applejack. Estava na Praça Central, dispensando os últimos pôneis que ainda trabalhavam no palco… e acabei esquecendo da reunião de hoje à noite. Desculpe por chegar tão tarde–”

— “O qui impórta é qui a sinhá chegô.” — Applejack ergueu o casco para Prefeita, — “Cum a sua chegada, já pôdemo dar início a reunião. Num pricisa di–”

— “Mas Srta. Sparkle fez questão de que a reunião começasse às 8:00 da noite. Foi o que todas nós combinamos. Acredito que já é muito mais do que havíamos marcado. Se eu me atrasei, é porque foi uma irresponsabilidade da minha parte.”

— “Már a sinhá tava ocupada na Praça Central. Num pudía fazê nada pra–”

— “Não importa.” — seu tom ficou duro e seu rosto demonstrava irritação, escondendo o real sentimento: Indignação.

AJ apertou uma pálpebra inferior de um de seus olhos esmeraldas pela elevação do tom e pela segunda interrupção da pônei de caqui. A pônei loira não admitia que nenhum pônei a interrompesse.

— “Temos de ser profissionais e rígidas quanto a nossas tarefas.” — continuou a prefeita, — “A Srta. Sparkle deve estar muito magoada com meu atraso e de ter atrapalhado o início da reunião.”

Ela tinha razão. Twilight ficara fora de si quando a Prefeita estava seis minutos atrasada. Imagina agora que são quase 20:30 da noite! A noite voava e nem AJ havia percebido o tempo que havia passado. Twilight deveria estar louca de nervosismo á esta hora.

Applejack esfregou o casco em sua nuca, — “Vê, Sinhá Prefeita… A Tualáiti–”

“Sra. Prefeita?”

Uma voz veio por trás de Applejack e de Foreign Eye. Todos os pôneis presentes viraram seus rostos para a origem daquela pergunta. Twilight Sparkle estava na porta, encarando todos do lado de fora. O tempo que ela estava ali, parada e atenta, era incerto.

“Ih… Vai começá agora…” — pensou AJ, ajeitando o chapéu um pouco para baixo, na tentativa de evitar ver a próxima cena.

Foreign, com o movimento dos olhos, percebeu a reação da Applejack à presença da unicórnio da cor de lavanda; uma reação percebível de desconforto. Isso o intrigou e o fez voltar sua atenção para a unicórnio, que estava entre a saída e a entrada da Biblioteca.

A Prefeita engoliu um pouco seco, ainda com o lenço meio úmido de Foreign sobre o casco. Ela deu um pequeno sobressalto, lembrando-se do lenço branco em cascos e o estendeu para o seu dono. Foreign se virou para ela e olhou para o casco sob o lenço. Ele apenas ergueu o casco, gesticulando para que ela ficasse com ele sem problemas. Então, a Prefeita o guardou dentre o seu colarinho branco em seu pescoço e o ajeitou para que não ficasse aparecendo por fora. A pônei de caqui voltou a olhar para a unicórnio roxa na porta.

— “Boa noite, Srta. Sparkle.”

— “Boa noite, Srta. Prefeita. Sabe que está… um pouco atrasada para a reunião, não sabe?”

Twilight não esboçava nenhuma reação. Nem de raiva ou de calmaria. Apenas um rosto neutro. Isso deixava a Prefeita na dúvida de seus presentes sentimentos e mais ainda nervosa.

A Prefeita suspirou, — “Sim, peço desculpas pelo atraso, Srta. Sparkle, mas o motivo pelo meu atraso era que estava dispensando os últimos operários da construção do palco na Praça Central e acabei me distraindo do horário.”

— “Isso não é desculpa, Srta. Prefeita.” — respondeu Twilight numa voz seca, — “Eles sabem que o turno deles tem um horário de saída. Não deveriam estar saindo tão tarde da noite.”

— “Sim, Srta. Sparkle. Não deveriam.” — A Prefeita levantou-se do chão, agora já olhando para a Twilight da mesma altura que ela, — “Mas eles se sentiam motivados para continuar o trabalho até mais tarde. Apesar do cansaço, eles queriam continuar porque, de alguma forma, valia a pena para eles. Apesar da remuneração apertada e o grande esforço de pôr todas as estruturas em pé em poucos dias, sabiam que iriam ganhar algo a mais no final. Não materialmente, mas sentimentalmente.” — ela puxou um pequeno fôlego pelas narinas, — “Por isso peço que não desconte neles, Srta. Sparkle. Não há motivos de–”

Twilight ergueu uma brusca sobrancelha, — “Descontar?” — perguntou ela num tom surpreso, — “Por que eu faria isso?!”

A Prefeita ficou em silêncio por um momento até levantar o assunto do tópico novamente, — “Porque eles me atrasaram para a reunião?”

— “Foi o que eu tinha dito, Srta. Prefeita: Isso não é desculpa. É uma obrigação.”

A pônei de caqui inclinou um pouco a cabeça para o lado, não tendo certeza se entendeu o que aquela unicórnio quis dizer. Foreign, próximo ao lado esquerdo ds Prefeita, preferiu ficar como espectador. Já a Applejack, arriscou-se perguntar:

— “É o quê, Tuálaiti?”

— “Sim. É obrigação deles saírem neste horário porque é o melhor para todos. Não queremos que os operários que estão construindo as estruturas fiquem desgastados com todo esforço que fazem e que não fiquem fazendo o trabalho muito depressa. Algum pônei pode se machucar durante o processo!”

— “É o que eu disse para eles.” — acrescentou a Prefeita, — “Demorei um pouco para convencê-los. Por isso me atrasei.”

— “E por isso que não é desculpa.” — Twilight deslocou-se da porta em direção a Prefeita, com trotes macios e calmos. — “Você estava fazendo seu trabalho, sua obrigação: cuidando da saúde deles e não o deixarem afobados com o trabalho. Não é motivo para culpá-los de quererem fazer o serviço deles ou de você querer fazer o seu.”

Twilight Sparkle aproximava a cada passo de casco. A Prefeita não sabia o que vinha depois e permaneceu dura, para aguentar qualquer discurso moral que a pônei da cor de lavanda poderia proporcionar a ela. Mas suas intenções não eram essas; o rosto daquela devoradora de livros estava calmo demais. A unicórnio conseguiu aproximar-se da pônei de caqui sem assustá-la. Estavam frente a frente, mas não muito próximas.

Twilight sorriu e ergueu o casco sobre o ombro da Prefeita, acariciando-a suavemente, — “Por isso não se estresse, Srta. Prefeita. O importante é que a senhora e o nosso convidado chegaram e, então, podemos dar início a nossa reunião!” — ela apontou com a cabeça o Foreign a sua direita.

A Prefeita seguiu com os olhos até onde Twilight a orientou com a cabeça; no pônei elegante ao seu lado. Ele a respondeu com um sorriso pequeno ao assentir com a cabeça.

A Prefeita só pôde suspirar de alívio. A sensação era como se tivesse acabado de descarregar uma mochila grande e pesada das costas, dando liberdade aos músculos da tensão gravitacional das preocupações.

— “Ufa, Srta. Sparkle. Achei que tivesse ficado magoada ou mesmo irritada com meu atraso…”

— “Irritada? Eu? Nãããão! Por que eu ficaria irritada com isso– AI!!”

Twilight virou a cabeça e, por trás dela, encontra Applejack olhando séria. AJ acabou de dar uma patada em seu flanco. O motivo era óbvio: a pônei laranja odeia mentiras. E ela não admitia que suas amigas mentissem para ela ou mesmo para quem não merecia.

Twilight suspirou, — “Certo. Admito que, no começo, fiquei… digamos… um tiquinho irritada com seu atraso, Srta. Prefeita.”

Applejack chamou a atenção da Prefeita ao sacudir os braços, atrás de Twilight. A pônei de caqui olhou sem mexer a cabeça por trás da unicórnio roxa. Para a surpresa dela, a pônei laranja fazia caretas de raiva caricaturais hilários: torcia os lábios, mostrava os dentes frontais, cerrava as sobrancelhas, esbugalhava e revirava os olhos. E ainda gesticulava com as patas uma espécie de espumas imaginárias saindo pela boca.

A Prefeita fez o que pôde para conter uma risadinha, discretamente torcendo um pouco os lábios para dentro da boca. Já Foreign, em sua diagonal esquerda, pôs um casco em frente sua boca e deixou escapulir alguns risos abafados.

Twilight não prestou atenção nas risadas e olhava diretamente para a Prefeita, — “Mas foi porque eu queria que começássemos logo a reunião. Essa reunião era importan– digo, é importante para o evento, pois envolve não só os pôneis envolvidos com a construção e organização do evento, mas também envolve os que virão para o evento e, principalmente, para a organização dele. Nesta reunião iríamos discutir tudo o que ocorrerá no evento todo.”

A Prefeita assentiu com a cabeça, — “Compreendo, Srta. Sparkle.”

— “Ótimo!” — Twilight juntou os cascos, dando num surdo “clop”. Seu tom alegre se elevou assim como seu sorriso. Em seguida, gesticulou o casco em direção à porta atrás dela, — “Podemos dar início a reunião! Venha! Vamos entrando, Srta. Prefeita!”

— “S-sim! Claro.” — A pônei de caqui acompanhou a unicórnio da cor de lavanda para dentro da biblioteca.

Foreign seguiu o caminho delas com a cabeça, até elas adentrarem ao quarto cheio de livros. O que aquele pônei elegante acabou vendo não foi nada demais. Por causa reação de Applejack a uns momentos atrás, ele esperava que acontecesse algum tipo de tiroteio de palavras entre as duas. Mas tudo até que acabou bem. Até demais.

Foi quando ele olhou para a pônei laranja que complicou um pouco a compreensão do momento. Applejack estava de pé, com as patas um pouco afastadas, olhando para a porta da biblioteca com um olhar atônito e surpreso. Até sua boca estava entre aberta.

— “Sinhá Applejack?” — ele perguntou, preocupado. — “Aconteceu alguma coisa?”

— “Si acunteceu?” — ela se virou para o pônei elegante, — “Acunteceu foi nada! I isso é muito bão!”

Applejack estava feliz demais da conta. Foreign ficou até surpreso com a felicidade dela. Ela saiu de uma sensação desconfortável para, algo que se possa dizer, um alívio inesperado.

— “É?”

— “Oxi! Pur dimais, seu!” — AJ passou o casco em sua testa, tirando restos de suor frio que escorria por ela, — “Vixi! I eu pensâno qui ia sê um arranca-rabo qui só entri essas duas, mar saiu mió du qui eu isperava! Tualáiti tava num nervosismo qui sai dêbaxo lá dentru! Pudia até queimar os trasêro di uns dragão di tantu fôgo qui saía di suas venta!” — Applejack jogou o casco bruscamente, ainda olhando para a porta, — “Essa Tualáiti! Di uma hora para ôtra, vira de uma criança nervosa para uma moça jeitosa! Aquêli puxãozinho nas orêia serviu pra árguma coisa, no finar!”

“Nervosismo de Twilight? Puxão na orelha?” — pensou Foreign ao olhar para a porta com uma certa atenção, — “Entendo…” — seu rosto ficou meio sério de repente. O sorriso nervoso em suas bochechas se encolheu para uma expressão lisa. Ele se lembrara; do que havia ocorrido.

— “Ah! Seu Aiê.” — a pônei laranja chamou sua atenção.

Foreign voltou de seus pensamentos e tirou a porta de sua atenção para dar-lhe à Applejack.

— “Hã? Sim?”

— “É cum ela mêrmo.”

Ele ergueu uma sobrancelha, — “Heim? Ela?”

— “Suíííím! Ela mêrmo!”

Foreign olhou para a porta e olhou para Applejack em seguida, tentando juntar as peças. Olhou para a porta mais uma vez e voltou o olhar para a pônei loira.

— “Sobre a aquele evento?” — perguntou ele ao apontar para a porta.

— “Ahãm.” — respondeu AJ.

— “Hã… Em Appleloosa?”

— “Eita, fêrro. Tá difícir girar essas engrenági? Tô lhi dizêno! É ela mêrmo, seu!” — Aj deu uma patada pesada no ombro de Foreign, quase o desequilibrando novamente.

Ele consegue se ajeitar após a patada — “É. Hehe. Fico feliz que encontrei alguém para que possa me esclarecer o que ocorreu naquele evento. Fico muito agradecido, Sinhá Applejack.”

— “I eu fico filiz qui o sinhô vai tê suas resposta em breve. Aproveite seu tempo cum Tualáiti. Ocêis vão si dá bem i muito!”

— “Assim espero…” — fingiu ele, mas fazendo o possível para não soar muito egocêntrico.

— “Agora móvi essis flanco qui eu queru ti apresentá ao resto da manada, Nhô Aiê!” — Applejack foi a primeira a seguir na frente, atravessando a porta da biblioteca.

Foreign Eye se levantou e passou um breve momento encarando a biblioteca. De cima em baixo. A aparência arbórea da estrutura dá a impressão de ela ser pequena, mas sua altura ainda assim não se deixa enganar. É uma árvore bem grande. Foreign abaixou a cabeça e devaneou, olhando para a porta.

Ele pensava naquela potra roxa qual a égua de cabelos loiros o indicou. Ela parece ser inteligente, ao julgar que vive em uma biblioteca. Cercada por informações e ensinamentos. Ele não sabia deduzir a quanto tempo ela vivia naquela árvore, mas isso não era importante. Sua aparência jovem e compenetrada era apreciadora de muitos olhos, mas desses olhos que a encaravam ela não se importava. Olhos não a atraiam, apenas informações; conhecimentos; algo bem mais afundo.

— “Psst!”

Foreign deu uma piscada rápida e encontrou Applejack parada em frente à porta, olhando para ele. Ela tentava segurar uma pequena risada. AJ o encontrou imóvel em frente à porta, parado feito uma estátua, meio que viajando em um lugar bem longe de seus pensamentos. “Faltava cair uma gota de saliva”, pensou ela ao segurar outra risadinha.

O potro de terno sacudiu levemente a cabeça e ajeitou sua crina para trás, tentando manter sua compostura já fragilizada.

A pônei caipira lançou um olhar malicioso para o garanhão civilizado e sacudiu sua cauda ao girar o corpo, para adentrar-se novamente ao recinto. Ela apenas o estava provocando. Ele bufou, deixando escapar uma risada.

Mas ele se perguntava o porquê da Applejack não lhe contar a história de Appleloosa ela mesma. Não seria mais fácil do que apenas jogá-lo em cima de outra pônei para isso?

Ele coçou a nuca. Sentia-se um pouco incomodado com o que aquela égua alaranjada está planejando para ele… Se é que era só para ele.

Foreign deixou esse pensamento de lado. Aquilo não era deveras importante para se gastar tempo tentado descobrir do que se tratava. Não agora. Tinha coisas mais importantes para resolver naquela noite. Foreign ergueu a cabeça e trotou para dentro da biblioteca, seguindo Applejack logo atrás. A porta se fechou num estalo surdo com a fechadura.

A rua estava, finalmente, vazia de pôneis.

Sem palavras para descrever – Livro I – Cap.2 – Cascos e coices

Autor: Grivous

Gênero: Normal, Triste, Drama, Romance

Sinopse: ”Em alguns dias, um show será apresentado na pequena cidade de Ponyville, como o último show da carreira musical de uma musicista muito famosa de Canterlot: Octavia. Twilight Sparkle e suas amigas ficaram encarregadas de aprontar os preparativos para o Grande Evento. Os fantasmas de seu passado continuam assombrar a jovem musicista, a ponto de isolar-se do mundo e daqueles que ama. Num único evento, cheio de reviravoltas e grandes emoções, ela está para descobrir algo muito mais do que apenas o fim…”

LIVRO I :

Apresentação

Prólogo

Capítulo 1 – Empolgação

Capítulo 3 – Desinformado e Desinteressado

Capítulo 4 – Convidado ou Intruso?

Capítulo 5 – Casa da Mãe Joana

Capítulo 6 – Recuperação

Capítulo 7 – Algo a mais

Capítulo 8 – Amanhã

LIVRO II:

Capítulo 1 – Caminhada

Capítulo 2 – Muffin

Capítulo 3 – Companhia

Capítulo 4 – Mudanças

LIVRO III:

Capítulo 1 – Ausência

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Equestria — Ponyville, 13 de Fevereiro, 19:54.

O sol já descansara do seu dia de trabalho em iluminar os caminhos das criaturas habitantes de Equestria. Todos agradeciam a Princesa Celestia por erguer o Sol com sua magia para os auxiliar em suas rotinas diurnas e por descer o Sol para terem o merecido descanso noturno. A Lua já surgia dentre as densas nuvens; era a Princesa Luna, retomando a sua antiga tarefa de erguer o pálido satélite após o descanso do astro incandescente. O Sol já se foi, mas o céu ainda tinha uma cor alaranjada antes de se escurecer por completo.

Os pássaros retornavam para os ninhos enquanto os morcegos tomavam os lugares deles no céu. Coelhos, esquilos, cervos, todos se escondiam da noite escura para se proteger dos animais que atacavam durante a noite. Lobos, ursos, onças, todos com fome.

A maioria conseguia se esconder. Mas sempre havia os ousados. Durante a caça dessas criaturas vorazes para saciar suas fomes, rolavam algumas brigas e lutas entre si pois nunca dividiam os restos ou mesmo a maior parte da presa. Era cada um por si. E nenhum deles estavam dispostos a ficar sem nenhuma comida para comer.

As brigas eram muito violentas, tão violentas que acabavam com um oponente perdendor. E os que morriam nessas brigas, os outros aproveitavam de sua carne.

É a Cadeia Alimentar. A Supremacia do Mais Forte. A Queda do Mais Fraco. É assim que esses animais viviam nessa floresta em que todos, sejam pôneis ou outros animais místicos, evitavam de entrar ou chegar perto: A Floresta Alforriada.

Ponyville é a cidade mais próxima da Floresta. Os habitantes não se preocupavam por estarem tão perto da floresta pois as criaturas não saem de lá. Elas tem tanto medo de sair como os pôneis tem medo de entrar. Enquanto ambos dos lados não invadiam um ao outro, nada de ruim acontecia.

O dia caiu, a noite se ergueu. Os pôneis de Ponyville já acendiam as luzes das ruas, iluminando a noite estrelada da Princesa Luna. Alguns pôneis andavam ainda pelas ruas, mas porque estavam indo para casa após uma longa jornada de trabalho com os preparativos para o grandiosíssimo evento que ocorrerá na vila. Todos estavam excitados com o evento, mas também estavam mortos de cansaço. Suas patas ralavam no chão, elas estavam pesadas. Seus olhos quase caídos e orelhas deitadas, mas com um sorriso satisfeito em seus rostos. Eles estavam realmente cansados, mas, apesar de tudo, sentiam que valia a pena todo o esforço.

A Prefeita estava na Praça da Central, dispensando os últimos pôneis que insistiam em continuar o trabalho por mais algumas horas. Eles eram insistentes e esforçados.

— “Srta. Prefeita,” — falou um pônei um tanto maior que a mesma, ele possuía um tronco largo, uma pelagem marrom, sua crina refletia uma cor dourada apesar da noite, seu capacete protetor era amarelo e seu colete era laranja. — “Não se preocupe conosco. Faremos o serviço por mais algumas horas e…”

— “Não, senhor!” — a Prefeita apontou o casco para ele, — “Os senhores já fizeram o bastante para um dia. Vocês não paravam nem para um lanche! Vocês devem estar famintos por não se alimentarem direito e por terem executado diversas tarefas.”

— “Está tudo bem, Srta. Prefeita, nós não estamos com–”

A barriga dele roncou. Alto.

— “Ô, caceta, tinha que ser logo agora?!” — Pensou ele. O pônei marrom estava imóvel e tentou olhar para os lados com os olhos, torçendo para que ninguém tenha o ouvido. Mas a Prefeita levantou um sorriso malicioso no canto de sua boca.

— “Caçarolas… Ela ouviu…”

— “Senhor… Eu entendo que o senhor e seus colegas querem nos ajudar. Mas não posso deixá-los continuar prejudicando a si mesmos desse jeito. Por favor, vá para casa e descanse. Amanhã vocês podem continuar o que pararam. Não tem problema.”

As palavras dela eram gentis. Ele tinha que admitir que não estava mais aguentando e estava louco para comer uma bela torta de framboesa que a ponêi em seu lar já deve estar preparando neste exato momento.

Ele suspirou, — “Está bem, Srta. Prefeita. Agradeço pela sua gentileza. Pode considerar que aceitarei sua proposta–”

O corcel mal terminou de falar e um de seus colegas saiu de uma moita em que estava escondido. O ser corria em disparada por entre as obras em direção a sua casa e começou a berrar aos seus outros colegas de trabalho, sem olhar para trás:

— “Aí, galera! Liberou geral! Vam’bora antes que ele mude de idéia!!”

O grupo de trabalhadores que estava ainda trabalhando no palco, na mesma hora, soltaram suas ferramentas e cada um tomou seu rumo. Num piscar de olhos, a praça estava deserta.

O pônei marrom soltou mais um suspiro, — “Ai, ai… esses bunda-moles…”

— “Bom, acho que não dá mais para continuar por hoje…” — disse o pônei marrom.

— “Vá descançar, senhor. Você precisará de um ótimo repouso para amanhã nos ajudar mais bem disposto. Acredito que seus colegas também vão estar bem dispostos amanhã.”

Ele riu com desdém.

— “Se houvesse uma corrida entre esses bundas-moles e uma tartaruga até Canterlot, a tartaruga já teria ido e voltado de lá e eles ainda estariam aqui escolhendo qual caminho é mais lento!”

A Prefeita apertou os lábios. Estava vindo. Aquele sentimento, aquela vontade de gargalhar, borbulhando cada vez mais. Ela encarava o pônei marrom, que já olhava para ela com um olhar safado.

Ela cobriu a boca com o casco e soltou uma risadinha. Com um ar satisfeito, o pônei marrom deu um sorriso maroto.

— “Está bém, Srta. Prefeita. Vou fazer isso. Vejo a senhorita amanhã de manhã, então.”

— “Muit– Caham!” — ela limpou a garganta, — “Muito bem. Que as Princesas Celestia e Luna te guiem, senhor.”

— “Ah, desejo o mesmo para senhora.”

O pônei marrom finalmente seguiu seu caminho, para casa. A Prefeita permaneceu olhando para as costas do pônei marrom, certificando que ele vá mesmo para casa descançar. Ela era a responsável pelo bem estar de todos os pôneis, residentes ou não, em Ponyville. Ela é quem supervisiona os projetos, avalia os resultados, checa as possibilidades existentes e certifica se todos estejam sãos e salvos em suas casas. Ele, o ponêi marrom e seus colegas, eram os últimos a saírem do local.

— “Tudo certo até agora.”

A Prefeita arrumou sua crina com seu casco, descontraindo um pouco. Já está até um tanto tarde. As estrelas já piscavam felizes por aparecerem finalmente no céu. A Lua em si está divina, seu brilho era incrível apesar de não ser seu.

— “A Princesa Luna fez um excelente trabalho.”

Quantas estrelas. Dezenas de estrelas. Milhares. Talvez até bilhões. A quantidade era infinita, mas pouco importa a quantidade. O que importava era a qualidade. A noite estava linda. Tão linda que a Prefeita sentou no chão para admirá-la um pouco mais.

Fazia tempo que ela não sentava para admirar a noite. Era tanto trabalho, tantos afazeres, tantas coisas para pôr em ordem e tantos pôneis para ajudar… que acabava não sobrando a necessária atenção para si mesma. A Prefeita evitava ter animais ou plantas em casa por não ter tempo de cuidá-las. As plantas acabavam morrendo de sede e os animais acabavam sendo entregues para outras famílias. É triste viver em um local fechado sem você sentir a presença de um ser vivo convivendo com você.

Que noite linda. O vento soprava, era úmido e frio. Refrescava a mente perturbada e expelia para longe os problemas encravados, como a sujeira que escorre entre os fios de cabelo em água corrente. Que noite.

Ela bocejou, o sono já estava batendo a porta.

— “Ééé… já está na hora de eu ir também… sinto que minha cama já está até me chamando.”

Ela deu uma risadinha, — “Hehe! ‘Cama me chamando’. Não sei onde eu tiro esses devaneios. Acho que estou saindo tanto com a Srta. Pie que acabo…”

Ela parou. Infelizmente, ela lembrou-se de um compromisso ainda pendente naquela noite. E nesse, ela não podia faltar de jeito nenhum.

— “Ai, carambolas…” — ela deu com o casco na testa. — Esqueci que tenho que reunir com a Srta. Sparkle e suas amigas para debater a abertura do evento, quem são os convidados especiais, quem irá cuidar deles… Ai, ai…”

A Prefeita girou o corpo e começou a trotar. Conforme ia avançando, a velocidade dos trotes aumentava.

— “Ai, que vergonha. A Srta. Sparkle deve estar me esperando até agora!”

O barulho dos cascos da Prefeita estavam altos, o som ecoava nas ruas vazias de Ponyville. Os vizinhos não se incomodavam com isso, mas a Prefeita evitava de andar mais rápido que já estava.

A praça central ficou vazia, só se ouvia o som dos cascos estalando no chão, que ia diminuindo aos poucos.

Silêncio.

Equestria — Ponyville — Biblioteca de Ponyville, 13 de Fevereiro, 19:59.

A biblioteca de Ponyville; é um lugar cheio de livros, obviamente.

Livros que desejam manifestar a sabedoria e o conhecimentos que guardam. Lugares majestosos, culturas surpreendentes, biologia infinita, é um conhecimento sem fim. Dezenas, centenas, talvez até milhares de livros dentro de um só lugar em Ponyville. Desde capa dura até as lisas, de grossas até rasgadas. Todos os tipos de tamanho e grossura. Centenas de assuntos, milhares de especulações, registradas em folhas de papéis por intelectuais(ou amadores) para que não sejam esquecidos tanto as memórias do autor quanto o autor em si.

Livros de História, de Geografia, de Matemática, de Biologia, de Ficção, de Não-Ficção, de Auto-Ajuda, de Culinária, de Aeronáutica, de Magia, de Poções, de Química, de Alquimia. As opções são mundanas e diversas.

Para o consolo dessas solitárias pilhas de papéis mofados, eles não estavam sozinhos. Havia dois importantes indivíduos que cuidavam delas com muito amor e carinho pelo conhecimento:

Spike, o Office-Boy da Biblioteca.  Um dragão de escamas roxo e verde ofuscante, possuía dois olhos esmeraldas e dois longos caninos que escapavam de seus lábios, visíveis. Ele é quem cuidava da organização primárias dos livros, de acordo com o gênero, matéria, assunto, número e autor. Tudo cronológicamente, numéricamente, genéricamente, “assuntamente” e “autoralmente” organizado. Ele era muito bom nisso, consegueia achar qualquer livro em questão de segundos. Há quem diga que Pinkie Pie compete com ele, mas isso são rumores; não vêm ao caso.

Além da organização dos livros, ele é quem mantía tudo limpo e arrumado. Os livros empoeirados, era ele quem tirava a poeira. Estantes com teias de aranhas, era ele quem as expulsava de seus cantos. Se havia algum item, seja guardanapo, lenço, cobertor, toalha de mesa, qualquer coisa irregular ou fora do lugar, ele imediatamente dava uma ajeitada.

Alguns se perguntavam “por que todo esse esforço para deixar tudo arrumado e organizado?”.

Acontece que ele divide o espaço da biblioteca com uma pônei que ele conviveu durante sua vida inteira. Uma pônei que sempre o cuidou, o alimentou e o ensinou tudo sobre a sociedade e o livre-arbítrio. Em todas as maravilhosas brincadeiras, em todos os momentos oportunos, em todas as prazerosas memórias e lembranças que compartilhava, sua melhor amiga e irmã-postiça, Twilight Sparkle, estava lá. Apoiando e compartilhando. Observando e participando.

Twilight Sparkle era a moradora da biblioteca. Ela era quem mandava e desmandava dentro daquele lugar empilhado de livros organizadamente limpos. Na visão de outros pôneis, Spike era comparado a um secretário pessoal de Twilight Sparkle. Mas Spike não enxergava dessa maneira. Não.

Twilight Sparkle era, praticamante, como uma irmã mais velha para ele. Uma tutora, uma mentora, uma guia, alguém que lhe orientava e lhe ensinava os caminhos da vida. E Twilight não abusava(muito) de Spike. Ela sabia quando era hora de descanso e quando era hora de trabalho. Spike ainda era um bebê-dragão, ela não podia forçá-lo trabalhar até tarde nem tão cedo. Ter um bebê-dragão tem suas responsabilidades e seus cuidados. E Twilight os respeitava fielmente.

Ainda era noite, Spike estava na cozinha preparando alguns petiscos para os convidados na casa. A visita se encontrava na sala de estar, eram cinco pôneis bem reconhecidos, estavam apenas conversando enquanto esperavam outros convidados que não estavam presentes no momento.

Mais do que uma típica visita de amigos, era uma importante reunião que não poderia ser adiada nem cancelada. A reunião era sobre os preparativos para o grande evento. Na visita, encontravam-se os responsáveis por determinadas áreas do evento:

Rarity, uma charmosa pônei de cor branca, com atraentes olhos azuis e uma crina cacheadamente roxa. Ela era responsável pela decoração e pelos visitantes. As fitas tinham que estar bem laçadas, os guardanapos bem dobrados, copos bem posicionados, cadeiras e mesas bem contadas, nada deveria passar despercebido por ela. Orientar os visitantes era outro trabalho dela. Muitos pôneis da alta sociedade como os de Canterlot que virão aqui e precisariam de alguém sofisticado e generoso para guiá-los durante o evento.

Pinkie Pie, uma divertida pônei cor-de-rosa, olhos eletricamente azuis e uma crina fofamente rosa-escuro. Ela era quem cuidava dos quitutes, comidas, doces, petiscos, bebidas, lugares na mesa, cozinheiros e festas. Ela era, praticamente, a “dona da festa”. Está com fome ou quer se divertir? Procure Pinkie.

Applejack, uma dedicada pônei alaranjada, olhos esmeralda ameaçadores e uma crina loira como os raios de sol. A chefe do roçado e dos ingredientes para os quitutes. Todas as maçãs da vila eram feitas por ela e por sua família. Tudo era totalmente orgânico e estavam nesse ramo a gerações. São os experts das maçãs e suas sementes. Pinkie e Applejack estavam, na maior parte do tempo, trabalhando juntas para fazer com que suas áreas estejam produzindo. Pois sem ingredientes da Fazenda Maçã Doce, não haveria comida para serem feitas no Sugar Cube Corner.

Applejack e Pinkie estavam, no momento, tirando suas dúvidas quanto aos seus departamentos, para que coordenem a hora de trazer da Fazenda Maçã Doce e levar até ao Sugar Cube Corner os ingredientes necessários.

Applejack se sentia honrada em estar nessa área, ela era muito esforçada e bem séria quando o assunto é trabalho e cooperação. E Pinkie se sentia muito feliz em receber ajuda de sua amiga, AJ. Ela até acreditava que os doces e os aperitivos ficavam mais deliciosos por saber que AJ e sua família estavam se esforçando pra valer.

E por última, Rainbow Dash, uma atlética pégaso azulada com olhos rosa escuros penetrantes, sua crina multicolorida demonstrava ser uma pônei “fora do normal”, um ser diferente do grupo. Além de ser responsável pelo controle do clima de Ponyville, ela também foi convidada a trabalhar na segurança da vila durante o evento. Ou seja: trabalhar como Secretária de Segurança.

Qual a importância disso?

Rainbow Dash não acreditava no que via e ouvira ao ser convidada para esse cargo, essa área era onde os maiores ídolos dela pertenciam. Os mais ágeis e incríveis voadores de Equestria, a elite da Força Aérea Equestriana.

— “Os… Wonderbolts… AQUI!” — disse Dash, soltando um gritinho esganiçado de emoção.

— “Ixi, mió tomá banho di água fria pra baxá êssi fogo, minina!” — exclamou Applejack, olhando para sua amiga excitada.

— “Nhé, nhé, nhé pra você, AJ!” — Rainbow dash cruzou os braços e mostrou a língua.

— “Ói qui arranco essa língua numa dentada!”

Rainbow Dash arregalou os olhos e recolheu a língua por reflexo. As duas não segurar seus risos e riram juntas. Applejack rindo da reação de sua amiga e Rainbow Dash rindo dela mesma por cair nessa traquinagem da AJ.

— “Ahahaha! Arre, Rêinbou. É séri qui num pódi si segurá? Só farta ocê sortá essis isganido fino na frente delis! Eita, comédia das boa!”

— “Ha-ha-ha. Pode rir, AJ. Isso não vai acontecer NUNCA.” — Dash relinchou e cruzou os braços, — “Eu sei me controlar muito bem, visse?”

— “Num só vi como ôvi!” — AJ levantou um sorriso maroto.

— “Blééé.” — Dash mostrou mais uma vez a língua.

Mais risadas. Era um momento caloroso entre amigas. Todos estavam curtindo e rindo apesar do trabalho que esse grande evento esteja consumindo desses esforçados pôneis. Mas tudo valia a pena. Uma grande recompensa não pode ser ganha sem um grande esforço para conquistá-la. E nem sempre quem se esforça a conquistá-lo, consegue conter suas frustrasções e acaba criando, ao invés de harmonia, caos.

— “Isso não é hora de ficar brincando!” — Twilight apareceu do nada e bateu os cascos sobre mesa, fazendo ela tremer toda.

As duas deram um salto no susto e cessaram as risadas. AJ não gostou nada daquilo.

— “Arri égua, Tualáiti! Pricisava fazê isso?!” — o casco estava em seu peito, o coração tinha acelerado um pouco no susto.

— “É CLARO!” — ela virou a cabeça para a Applejack, — “Estamos na maior crise e vocês ficam rindo como se não ligassem para o que está acontecendo!”

Applejack ficou encarando a Twilight, confusa.

— “Hã….. Qui crisi, Tualáiti?” — Ela ergueu uma sobrancelha.

— “VIU?! NEM VOCÊ SABE!” — Twilight apontou o casco para AJ, sacudindo-o freneticamente em frente ao seu rosto.

— “Ara, é craro, creuza!” — AJ desviou o casco de Twilight para o lado, — “Si ocê mi falá, eu vô tá sabêno, oxênte!”

Twilight bufou e virou-se, trotando até a janela da sala mais próxima.

— “É, Twilight. Qualé a de mesma? O que te incomoda tanto, afinal?” — perguntou Rainbow Dash, estranhando o comportamento de seu amiga.

— “Bota para fora, meu bem.” — entrou Rarity na conversa, balançando gentilmente seu casco, — “Não deixe esse sentimento te abalar dentro de você! Compartilhe conosco sua angústia, amiga.”

Twilight fechou os olhos e tomou um longo fôlego. Ela vai ter que explicar de novo sua frustação.

— “Eu marquei essa reunião para às 08:00 da noite. Queria resolver todos os assuntos nessa reunião, não quero que tudo vá por água a baixo após vários dias de esforço de todos os pôneis da cidade… e de fora!”

— “Mas Twilight…” — Rarity tentou chamar a atenção de seu amiga ansiosa, mas foi em vão.

— “Mas para que a reunião aconteça, precisamos da Prefeita para podermos dar ínicio a ela! Eu não sei o que ela está fazendo para demorar tanto! Daqui a pouco, vai ser tarde demais e não iremos conseguir resolver tudo…”

— “Twilight…” — insistiu Rarity.

— “Onde é que ela se meteu?!”

— “Twilight!” — Rarity praticamente berrou no quarto.

— “Quié?!” — Twilight virou a cabeça para a Rarity, soltando uma baforada pelo nariz, irritada.

— “São só 8:06…” — Rarity apontou para o relógio da sala.

— “É POR ISSO MESMO!”

Rainbow Dash deu com o casco na testa, — “Afê, Twilight! Francamente…”

— “Máis qui minina máis cumpricada, seu!” — AJ ajeitou o chapéu um pouco para trás, — “Senta teu rabo aí i sussega o faxo! Ela já devi di tá a caminho daqui.”

— “Como é que vou me acalmar se ela está super-hiper-mega-atrasada desse jeito!? Onde já se viu!? Isso não é nem um pouco profissional da parte dela… E ela ainda se diz Prefeita…”

Applejack olhou torto para Twilight. Ela já estava començando a não controlar o que diz e pode ser que ela piore a situação de vez. Ela deixou passar, por enquanto. AJ deu um sinal para a Rarity com o erguer de sua sobrancelha e olhando em seguida para Twilight com os olhos, discretamente pedindo para ficar de olho nela.

Rarity assentiu com a cabeça, confirmando para Applejack.

— “Twilight precisa de férias!” — afirmou Pinkie Pie no fundo, levantando o casco pro alto, — “Ela tá nervosinha, nervosinha de pedra!”

— “Eu. Não. Preciso. De férias!”

— “Intonci fica quieta duma vez, diacho! Ficá nervosa du jêto qui tu tá num vai dá im nada.”

— “É, Twilight, sente-se aqui com a sua turma, com as patas pro ar…” — Rainbow bateu as asas levemente, flutuando deitada no ar, — “… um suquinho, um solzinho… só de boíssima.”

Twilight olhou para Rainbow flutuando no ar, com a cara fechada. Ela não gostava muito da atitude preguiçosa da Rainbow. Às vezes a irritava profundamente. Twilight não queria descançar, não queria esquecer suas responsabilidades, não queria perder tempo sentada sem fazer nada. Ela se sente uma inútil fazendo isso. E Rainbow Dash não estava ajudando em nada, mas ela até que estava; Twilight que não via isso. Apenas aumentava o estresse da pônei roxa.

E ela já não aguentava mais.

— “Isso é típico de você, Rainbow…” — A voz da Twilight saiu com o peso de uma Ursa Menor, de tão pesada.

Rainbow Dash parou no ar e encarou Twilight. O tom que ela usou em sua frase foi o suficiente para chamar a atenção da atlética pégaso azul.

— “O que você quer dizer com isso?”

— “É típico de você ficar com o papo pro ar,” — continuou Twilight, olhando para a pégaso azulada por baixo, mas não tirando seu olhar sério dela — “só no bembão, sem se importar com nada e com ninguém…”

— “Você se diz a pônei mais atlética da vila mas não faz juz ao que diz. Você nunca fez. O que você está me dizendo neste exato momento prova isso. Você é egocêntrica e se acha demais para fazer parte de um time.” — pausa, — “Os Wonderbolts jamais aceitariam pôneis com atitutes tão presunçosas e relaxadas.”

O silêncio prevalesceu na sala. Twilight e Rainbow Dash se encaravam ferozmente.

— “Tenso……..” — comentou Pinkie Pie bem baixinho.

Rarity e AJ se entreolharam, perguntando-se mentalmente o que fariam agora. Rainbow Dash ficou calada e desceu até o chão bem devagar, sem tirar os olhos da Twilight. Muita coisa passou pela cabeça daquela pégaso azulada, ela não esperava essa reação de sua amiga, ainda mais naquela hora. Aquelas palavras eram uma ameaça à Rainbow. Ela ficou muito irritada com aquilo. A pégaso azulada andou lentamente até unicórnia cor-de-lavanda, cada trote de seus cascos ecoava pela sala, assim como suas palavras conforme elevava seu tom ameaçador.

— “Você tem muita coragem para falar assim na minha cara, sua nerdzinha escrota de meia tige–”

— “Podem parar vocês duas!” — Rarity, num salto, intrometeu-se no meio das duas como uma faca que dividia duas partes da manteiga. Sua encaracolada crina balançou suavemente ao girar seu rosto, olhando diretamente para Rainbow Dash, com o corpo de lado para as duas pôneis presentes.

— “Rarity.” — A voz da Rainbow era pesada, Rarity podia sentir o impacto de suas palavras em seu rosto, — “Saia da frente. Essa cabeçuda vai se arrepender de—”

— “Não, Rainbow Dash!” — Rarity bateu com o casco no chão, — “Você não vai fazer nada. Ela só está meio emocional e falou por falar. Por favor, não leve a sério.”

— “Não levar a sério?!!” — Rainbow indagou tão alto que ecoou na sala inteira.

— “Cê realmente acha que vou ficar calada diante de uma estupidez dessa?!” — Rainbow apontou o casco para Twilight, ela estava atrás da Rarity, e abaixou ele em seguida. — “Depois de tanto que ajudei, de tanto que me esforcei para o “Grande Dia Idiota de Todas as Vidas dos Pôneis” acontecer como todos os outros em Ponyville e AINDA VOU TER QUE ESCUTAR UMA MERDA DESSA?!! É UM ABSURDO! Você tem muita cara-de-pau de virar para mim com essas palavras, Twilight!”

O casco de Rainbow Dash voou por entre a Rarity e apontou ferozmente para Twilight, sua tremulação causada pela adrenalina estava bem visível.

— “É muito fácil você ficar apenas dando ordens aos outros pois você não precisa executar trabalhos pesados e exaustivos para suar essa sua pelagem de prada “A-la-Canterlot” para fazer acontecer! Quem é a presunçosa e relaxada aqui?! Você aponta os defeitos dos outros mas não tem capacidade para assumir e admitir seus próprios defeitos! Você se acha realmente ‘perfeita’, ‘a mais fodinha de todas’, blé, blé, blé! Você é uma merdinha com ego do tamanho desse seu cabeção que se acha melhor que todo mundo!” — seu rosto estava torcido entre raiva e mágoa. Seu queixo cerrado e olhos molhados não eram ignoráveis. Seu peito doeu dolorosamente no esforço de concluir sua angustia. — “Q-que quebre uma perna, sua idiota cabeçuda!”

— “Já chega, Rainbow Dash!” — Rarity colocou o casco no peito de Rainbow e pressionou para frente, afastando-a. — “Apenas se acalme, querida! É tudo que lhe peço! Cascos e coices não vão levar as coisas para melhor. Foi com cascos e coices que organizamos tudo?”

Rainbow Dash encarava furiosamente Twilight. Com seu olhar predador, irritados e brilhantes, suas sobrancelhas e dentes cerrados, e sua respiração forte parecia que estava soltando fogo pelas ventas, demonstrava que ela estava pronta para dar o bote. Ela podia pular pra cima de Twilight a qualquer momento.

— “Rainbow Dash?” — Rarity a chamou mais uma vez.

Rainbow virou o rosto para Rarity. A pônei branca estava com um olhar sério.

— “Foi, Rainbow Dash?” — Rarity perguntou uma última vez.

Rainbow Dash relinchou com força, irritada. Com muito esforço, Dash respondeu:

— “Não…” — virou a cabeça pro lado e relinchou mais uma vez.

— “Sente-se e se acalme, amiga. Beba um golinho d’água que, já, já, você esquece tudo…”

Rainbow Dash ficou parada por um momento. Ela ordenava que suas patas fosse até a cadeira, mas o que elas queriam era meter porrada em alguém, em específico. Ela não aguentava mais segurar suas patas, algo tinha que ser feito.

A pégaso olhou em volta rapidamente e avistou um banquinho atrás dela. Num movimento rápido e feroz, ela deu um coice no banquinho que voou rápido para uma estante de livros.

O movimento foi tão rápido que as outras não acompanharam o coice da Rainbow e nem o impacto do objeto com a estante. O banquinho, pela incrível força que foi inserida em sua massa, arrebentou-se em vários pedaços. A estante recuou um pouco para trás e voltou para frente, deixando cair alguns livros. O som do impacto foi alto, todos olharam para a Rainbow e o que ela fez ao banquinho, agora em pedaços. Twilight arregalou os olhos, perplexa com a força que ela fez ao objeto para deixá-lo nesse estado, em fragalhos.

Um pensamento horrível veio na mente de Twilight ao ver o estado do banquinho. Poderia ter sido ela aquele banquinho.

Dash finalmente controlou suas patas e andou até a cadeira. Ela encarava Twilight de longe, sendo que a mesma olhava para Rainbow Dash, assustada.

Rarity suspirou aliviada. E ficou feliz que Rainbow conseguiu se controlar. Se ela não tivesse se controlado, aquela força teria sido investida em algo mais… vivo.

— “E quanto a você, Twilight Sparkle…” — Rarity virou o corpo, olhando para a pônei roxa, — “Eu realmente esperava mais de você.”

Twilight virou a cabeça, olhando para Rarity. Ela ergueu a sobrancelha, fingindo não entender o que Rarity estava indagando.

— “Como?”

— “É isso mesmo que você ouviu!” — Rarity deu com o casco no chão. — “O que há com você para ser tão rude e estúpida com sua amiga, Rainbow Dash?”

Foi a emoção do momento que a descontrolou, ela nem lembra mais qual era o motivo da irritação. Foi meio que…. por impulso. Twilight olhava para Rarity de cima para baixo, procurando o que dizer de volta.

— “Eu… Eu…”

— “A sua atitude foi estúpida, Twilight Sparkle! A mais inteligente e sensata do grupo se rebaixando desse jeito para chifrar suas amigas, por uma coisa tão inútil, tão supérflua?!”

Twilight abaixou a cabeça levemente. Ato normal de alguém que se sente arrependido com o que fez, e uma válvula de escape para tal situação que encurrala os arrependidos contra a parede. Twilight virou um pouco a cabeça para Rainbow Dash, ela via que Dash estava meio calada e com o queixo sobre os braços em cima da mesa. Pinkie Pie fazia de tudo para alegrá-la, com piadinhas, caretas, barulhos esquisitos e tortas na cara.

Nada a alegrava.

Twilight olhou agora para a Applejack, a pônei mais sincera da vila. A pônei terrestre loira olhava furiosa com seus olhos esmeralda para a unicórnia roxa. Seu rosto era de pura mágoa e repulsa pela estúpida atitude com sua amiga pégaso. Ela não esperava isso de Twilight, nunca sequer pensou que ela faria uma coisa dessas, ainda mais com sua própria amiga.

Twilight olhou novamente para Rarity; ela ainda estava séria, como sempre, e não desviava o olhar por um minuto sequer.

— “Vamos, Twilight Sparkle!” — insistiu a unicórnia pálida ao dar alguns trotes para frente, aproximando-se de Twilight, sendo que a mesma se afastava instintivamente,  — “Me explica! Ou você é tão cabeça-dura que não admite mesmo os seus erros ou vai me dizer que não aprendeu NADA e esqueceu TUDO que a Prefeita te falou esta manhã!?”

Twilight congelou. Rarity percebeu que ela ficou imóvel e parou de andar na mesma hora. A unicórnia roxa ficou com um olhar meio vago, se lembrando do que houve hoje de manhã, na Praça Central de Ponyville. Onde a Prefeita estava conversando com ela; aconselhando ela; reconfortando ela.

“Devemos dar o nosso melhor para um agradável resultado para todos os pôneis. Confiando nos corações e na força de vontade de cada pônei, podemos qualquer coisa.”

A voz ecoou na cabeça de Twilight, foi tão penetrante que tudo ao redor dela ficou em silêncio, que só a voz em sua mente era audível naquele momento.

Twilight agora se deu conta na besteira que ela fez, no erro que ela cometeu. Ela deu uma lenta piscada reflexiva, olhando um pouco para baixo. Até que levantou a cabeça e olhou para Rainbow Dash, ainda ferida com as ações recentes de Twilgiht.

— “O quê deu em mim naquela hora?” — Perguntou Twilight para si mesma, em seus pensamentos, — “Que situação… Eu não devia ter feito isso, eu… eu…”

A porta bateu, tem alguém do lado de fora querendo entrar. Twilight e Rarity olharam para a porta, assim como todos presentes na sala. Mas rapidamente Rarity virou para Twilight, esperando ainda por algum resposta da mesma, se ao menos se sente arrependida de ter feito aquilo à Rainbow.

A unicórnia roxa virou lentamente para o rosto pálido de sua amiga, olhando em seus olhos cor de sáfira. Ela não podia mentir para Rarity, dizendo que não se arrepende de nada. Ela SABIA que fez algo errado e seria muito egoísta e mais estúpido ainda da parte dela mentir desse jeito. Mentir não melhora as coisa, só deixam ela do jeito que estão ou até pioram.

Twilight apenas virou o rosto com a cabeça um pouco baixa, indo até a porta. Rarity suspirou e virou o corpo, trotando até sua cadeira.

Pensativa, a unicórnia de sedosas crinas roxas concluiu — “Tudo bem, Rarity. Ela não admite publicamente mas sabe que fez algo errado. E isso é o suficiente.”

Rarity sentou na cadeira e, com o casco, ajeitou elegantemente sua crina para o lado do rosto.

Twilight abriu a porta. Ela limpou sua garganta e tomou um fôlego antes de começar a falar.

— “Srt. Prefeita, ainda bem que chegou. Estamos doidas para começar a reunião e…”

Twilight parou de falar.

Applejack e Rarity estranharam. As duas inclinaram suas cabeças um pouco para o alto para verem quem era a figura do lado de fora que fez Twilight Sparkle ficar sem palavras. Rainbow Dash pouco se importou quem estava lá fora e Pinkie Pie ainda estava se esforçando para alegrá-la.

— “Desculpe…” — Twilight finalmente falou, — “Eu pensei que fosse outro pônei… que eu estava esperando, mas… hã… posso ajudá-lo em alguma coisa, senhor?”

O pônei do lado de fora era de uma aparência bem sofisticada. Usava um terno cinza com uma gravata vermelha, sua pelagem tinha uma cor creme e sua crina dourada escura fazia uma curva para trás, um topete básico. Seus olhos brilhavam azul perante ao luar, ele olhava para Twilight Sparkle com atenção.

— “Sim, minha jovem!” — o pônei falou, sua voz era suave e um tanto brincalhona, — “Sei que parece meio besta perguntar isso, mas aqui é a biblioteca?”

Twilight acentiu com a cabeça, — “Sim, é sim. Mas ela, no momento, está fechada. O senhor teria que voltar pela manhã se–”

— “Desculpe por interrompê-la, mas… a senhorita é a Twilight Sparkle?”

Twilight congelou. Ela olhou bem para o estranho, tentando lembrar se ela já o viu em algum lugar.

— “Como ele–?” — ela se perguntou mentalmente.

Ela tinha certeza de que nunca viu aquele pônei cor-de-creme em lugar algum. Aliás, sua aparência é vagamente familiar… Não como se ela tivesse conhecido ele de algum lugar ou de algum tempo atrás, mas… era como se ela tivesse o visto em algum lugar. E como ele sabia seu nome?

— “S-sim. Sou eu, sim.”

— “Boa noite, Srta. Sparkle.” — o pônei cor-de-creme assentiu com a cabeça cordialmente e ofereceu seu casco para Twilight, — “Sou Foreign Eye e venho do Reino das Terras Férteis à pedido de Princesa Celestia e Princesa Luna para auxiliá-la durante todo o evento que virá. Fui informado de que haveria uma reunião para a programação do Grande Evento hoje às 8:00 da noite na Biblioteca da Ponyville e vim para participar dela, se não se importar, claro.”

Twilight Sparkle ficou boquiaberta. Não acreditou no que estava havendo, não estava acreditando com quem ela estava falando naquele exato momento.

— “Foreign… Eye?!”