Fanfics nacionais

Pôneis e suas principais frases

Créditos pelas frases:

Celestia – Augusto Cury

Luna – Rachel Prado Corrêa

Demais frases – Drason

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Fanfics estrangeiras

O Pônei de Oasis

thewhittler

CLIQUE AQUI PARA LER A SEGUNDA PARTE

Autor: ROBCakeran53

Tradução: Drason

SINOPSE: Equestria ainda estava sendo reconstruída após a derrota de Tirek, e as seis novas governantas de Ponyville ajudando em sua reconstrução. Tudo mudou de maneira inusitada quando a Princesa Celestia entregou a elas uma carta descrevendo acerca das façanhas realizadas por um único cidadão da cidade de Oasis conhecido como Senhor Baker, e a forma como superou Tirek. Com a missão de descobrir se os relatos eram verdadeiros, as seis pôneis devem ir até a referida cidade para investigar. No entanto, elas irão descobrir que o Senhor Baker não era exatamente quem ou o que elas esperavam.

– – –

Twilight Sparkle olhava para suas amigas e depois para as grandes pilhas de papeis espalhados sobre a mesa. Ela tinha pego a maior parte, que consistia principalmente em documentos solicitando verbas e recursos para os danos materiais causados por Tirek. E estragos era o que não faltava. Alguns lugares simplesmente haviam desaparecido.

O grupo de amigas estiveram analisando as petições por vários dias, fazendo pausas intermitentes para descanso e refeições. Com milhares de pôneis dependendo delas para encontrar um lugar para ficar, nenhuma queria deixar seus súditos desamparados. Twilight estava motivada, acima de tudo, por ter um maior censo de dever agora que era a nova princesa. Ela sentia o peso da responsabilidade muito mais do que as outras.

O som dos óculos de leitura de Rarity batendo sobre a mesa de pedra levava todas as pôneis em suas próprias dores de cabeça. A unicórnio branca massageava a têmpora com um casco, seus olhos fechavam enquanto ela tentava e falhava ao aliviar um pouco a pressão.

“Intervalo, garotas.” Dizia Twilight, tendo ela mesma que lutar contra uma latejante dor de cabeça.

Rainbow Dash esticava suas asas rígidas devido ao pouco uso nesses últimos dias. Twilight fazia o mesmo, sentindo suas próprias asas dormentes por todo esse tempo. Applejack praticamente caía de seu trono, com sua franja loira escondendo seus olhos fechados por trás. Fluttershy se desculpava com as suas pernas estalando por estar sentada na mesma posição por muito tempo.

A pônei que mais sofria, embora fizesse o que podia para esconder sua agonia, era Pinkie Pie. Não havia um problema que ela não pudesse resolver com uma festa. De fato, ela realizou várias após a derrota de Tirek para trazer moral à maioria dos pôneis que ela sabia que começariam a sentir depressão após o desastre, vendo muitos deles perdidos. Toda aquela papelada a estava deixando louca, e Twilight sabia que teria que reescrever alguns dos textos de Pinkie. Ela usava tinta rosa nos papeis, sendo que para documentos oficiais eram autorizadas apenas as cores preta ou azul. Além disso, a pônei rosa pontilhava a letra “i” com corações ao invés de pontos, mas se isso a estava ajudando a evitar a insanidade, então a alicornio roxo poderia ignorar.

Fluttershy caminhava de volta para a sala, com sua crina cobrindo metade da sua face.

“Hum, Twilight? Há alguém querendo uma audiência com você.” Ela dizia, voltando em seguida para seu trono.

“Quem…?” As palavras de Twilight sumiam enquanto a Princesa Celestia passava pela porta de entrada.

“P-Princesa! Digo, Celestia, o que a trás para Ponyville?” Twilight gaguejava, se forçando a sair de seu assento para se curvar.

“Bem, me dói fazer isso.” Dizia Celestia, levantando um pergaminho desenrolado, “Mas eu tenho outra cidade precisando de verba.”

De uma só vez, todas as amigas de Twilight soltaram um frustrado gemido. Rainbow Dash foi tão longe a ponto de bater a cabeça na mesa, o que foi um erro. Não apenas porque desarrumou os papeis empilhados de Rarity, mas por causa do material que era feito a mesa.

“Ugh… eu continuo esquecendo que essa mesa é feita de pedra.”

“Mesmo? Outra cidade precisando de ajuda? Perdoe-me por argumentar, mas já fazem semanas desde que Tirek foi detido, e nós estamos perto de encaminhar cada verba aos municípios atingidos. Como pode uma única cidade estar pedindo ajuda somente agora, depois de tanto tempo?” Perguntava Rarity, ao mesmo tempo que usava sua magia para arrumar os papeis.

“Bem, é por isso que vim aqui.” Celestia respondia, caminhando em direção de Twilight. “A questão é que os pôneis dessa cidade rural chamada Oasis, na verdade não estão pedindo ajuda. Pelo menos não para reconstruir.”

“Eu não entendi Princ… Celestia.” Dizia Twilight.

Princesa Celestia levitava o pergaminho aberto até Twilight, que o pegava com sua própria mágica para ler. Todas as suas amigas podiam ver a mudança na expressão de Twilight, de frustração para curiosidade, e então descrença.

“Isso não pode estar certo, Celestia.” Twilight colocava o pergaminho em cima da mesa.

O papel foi então envolto por outra a aura, pertencente a Rarity que o levitava para ler.

“Isso não pode ser verdadeiro, não é?”

“Mais o que qui tem aí afinal??” Perguntava Applejack, olhando para o verso do papel em uma frustrada tentativa de ler.

Celestia limpava sua garganta. “Parece que quando Tirek chegou na cidade de Oasis, ele fez com ela exatamente o mesmo que havia feito com as demais, drenando a magia dos pôneis. Eles estavam todos fracos, incapazes de se moverem, e estavam lutando para evitar que a cidade caísse aos pedaços.”

“E isso é estranho por que?” Applejack perguntava colocando o cotovelo sobre a mesa, descansando o queixo em seu casco.

“Porque um pônei evitou que sua mágica fosse roubada.”

Com aquelas palavras, o restante das orelhas das amigas de Twilight se levantaram.

Hein?” Applejack deixava o casco cair sobre a mesa.

“Um tal de Senhor Baker não foi afetado por Tirek. Como ou porque a carta não diz, mas esse indivíduo conseguiu ajudar todos eles, cuidar deles, suas casas, seus negócios. Ele inclusive preparou suas refeições, café da manhã e jantar.”

“Mas Tirek não estava controlando tudo e todos por… uma semana?” Perguntava Rainbow Dash.

Celestia acenava, sem necessidade de adicionar palavras para a já curiosa situação.

“Então, esse tal de Baker cuidou de uma cidade inteira por uma semana. De quantos pôneis estamos falando?” Perguntava Applejack.

“Quatrocentos e dois, sendo dez bebês e cinco crianças dentre eles.” Respondeu Celestia.

O silêncio era ensurdecedor para Twilight, todas as suas amigas olhavam para Celestia em choque.

“Eu… isso é…” Rarity gaguejava, ainda olhando para o pergaminho.

“Aí também diz que essa carta foi escrita sem o conhecimento do Senhor Baker. Me parece que ele não queria qualquer tipo de reconhecimento pelo que fez, embora se possível, entendo que deve ser reembolsado pelos materiais que ele usou de seu próprio estoque para reconstruir um pouco da cidade.”

“Espere, reconstruir?!” Perguntou Rainbow Dash. “Ele também consertou a cidade enquanto cuidava dos habitantes?”

“Sim. Uma casa foi completamente destruída, enquanto duas lojas foram danificadas, mas reparadas. Parece que esse Senhor Baker não é apenas um cozinheiro, mas carpinteiro também. Me atrevo a suspeitar que este pônei pode fazer muitas outras coisas.”

“Bem, hum… mas se não é ajuda então o que eles querem?” Fluttershy finalmente falava.

“Como eu disse antes, reembolso pelos suprimentos que ele usou, materiais para construir uma casa e consertar duas lojas.” Celestia olhava para Twilight. “O próprio prefeito daquela cidade quer que nós concedamos a ele uma medalha.”

A sala do trono ficava em silêncio por um longo minuto, antes que Twilight limpasse sua garganta.

“O que quer que nós façamos então?”

Celestia pegava o pergaminho de Rarity, olhando para ele mais uma vez antes de enrrolá-lo.

“Com todas essas informações, há também uma preocupante lacuna. Tenho certeza que todas vocês têm mais perguntas, assim como eu. Enquanto estamos em um momento de crise, tentando reconstruir e nos recuperarmos, eu não iria querer ver ninguém explorar esse desastre.”

“Explorar? Princesa Celestia, você não pode estar sugerindo…”

“Rarity, eu estive governando por pouco mais de mil anos, pelo que eu consiga me recordar. Tenho visto muitas coisas boas e ruins sobre pôneis. Estou surpresa desta ser a única situação que levanta alguma suspeita, e se esse pedido tivesse vindo no mesmo dia que os outros, eu simplesmente teria deixado de lado.  Mas, quatro semanas depois? Quando estamos prestes a encaminhar as verbas e recursos? Eu acho isso tudo muito estranho.”

“Então eu quero que vocês seis vão investigar.” Celestia olhava para a porta, onde um único guarda a esperava. Após o aceno de Celestia, ele trotava com uma caixa em suas costas. Celestia a levitava com sua magia e a abria. “Este é o maior prêmio que um cidadão de Equestria pode receber. A Marca da Harmonia. Apenas nove pôneis e um griffon em todos os séculos do meu governo o receberam.”

As pôneis olhavam admiradas para o medalhão dourado do tamanho de um casco, descansando em um forro de veludo púrpura. Uma escultura estava encrustada na superfície dela, aparentando ser uma esfera que Twilight presumia ser a representação do mundo inteiro. No topo do medalhão, “A Marca da Harmonia” estava rotulada com letras em relevo, e na base havia os dizeres “Não para nós mesmos, mas para cada um.” Era simples, e se destinava a ser assim.

“Como podem ver, a parte traseira foi deixada em branco por razões obvias. Twilight, se você quiser, tem minha autorização para colocar o nome do Senhor Baker nessa parte. Eu também tenho o dinheiro requerido para restituição esperando a transferência se tiver a sua concordância. Enquanto todos em Equestria precisam dessas verbas, eu me atrevo a dizer que poderia fazer uma exceção para um indivíduo que foi acima e além de qualquer outro pônei.”

Celestia fechava a caixa, colocando ela na mesa na frente de Twilight.

“Eu… não tenho certeza, Celestia. Digo, o certo não seria você conceder tal honra?”

Celestia sorriu. “Twilight Sparkle, depois de tudo que você fez por Equestria, por suas amigas, por mim, você realmente acha que eu não iria querer ver um herói honrado recebendo tal premiação de outra heroína honrada, que é você?”

Twilight corava, sentindo suas amigas sorrindo para ela. Claro, ela salvou Equestria muitas vezes, mas foi com suas amigas. Ela não poderia fazer isso sem elas. Mas este pônei? Senhor Baker? ele fez tudo sozinho.

Twilight acenava. “Você está certa. E se esse pônei realmente fez o que está dizendo nesse pergaminho, então eu vou assegurar que ele receba a merecida homenagem.” Twilight olhava para a pônei rosa. “Pinkie, você poderia levar seus suprimentos de festas?”

Pinkie Pie saltava de seu assento. “Ah sim, vai ser uma festa fora de série!” Ela dizia antes de sair da sala para buscar suas coisas.

“Rarity, você acha que pode fazer um cordão bem bonito para pendurar isso?” Twilight levitava a caixa na direção de Rarity, que o pegava com sua própria mágica.

“Mas é claro, querida. Me dê uma hora que estará pronto.” Ela se levantou, curvando-se em seguida para Celestia e depois saindo.

“Applejack, você acha que pode preparar alguns lotes de maçãs e outros alimentos para levar? Tenho certeza que depois de tudo o que ele fez, esse Senhor Baker deve estar com seu estoque praticamente esgotado.”

“Considere isso feito sô!” Applejack pulava de seu assento, galopando para o final do corredor.

“Fluttershy, eu não sei se eles têm um médico. Pode ser que sim, mas na dúvida, poderia ir até o hospital de Ponyville buscar alguns suprimentos para a viagem?”

“Sim, claro Twilight. Vou levar meu equipamento veterinário também. Quem sabe alguns animais não estejam precisando de ajuda.”

E Rainbow Dash, poderia checar Cloudsdale e ver se eles ainda têm a máquina geradora de nuvens? Vai saber quanto tempo eles ficaram sem chuva, e nesse caso ela seria muito útil.”

“Conte comigo, Twi.” Rainbow fazia continência, e em seguida voava para fora da janela.

Twilight suspirava, curvando-se em má postura em seu trono.

“Muito bem, Twilight.”

Twilight pulava, completamente esquecida que sua mentora ainda estava na sala.

“Sei que você ainda duvida de si mesma, mas lhe dê um tempo. Você está se moldando para se tornar uma grande princesa. E depois de observar duas outras alicornios entrar para a realeza, posso dizer com confiança que você já está agindo bem como autoridade.”

Twilight corava de novo.

Próximo à porta de entrada, o guarda tossia, chamando atenção das duas princesas.

“Já deu o horário para o outro compromisso Hank?”

“Eu temo que sim, Princesa.” Respondeu o guarda.

“Muito bem. Twilight, deixo essa situação sob seus cuidados. Vou levar a papelada comigo para Canterlot. Tenho certeza que Luna e eu podemos terminar tudo isso até o seu retorno.”

“Certo. E Spike? Posso escrever para ele voltar?”

Celestia balançava a cabeça. “Vou escrever para ele, lhe dando ciência que assim que terminar suas tarefas deverá encontrar você em Oasis. Ele ainda pode levar um dois dias para terminar e tem sido um dragão muito valente ajudando o Império de Cristal.”

“É natural, ele aprendeu muita coisa sobre organização. Tenho certeza que Cadence está apreciando a ajuda dele.”

Celestia acenava. “Além disso, eu sei que você se sente muito responsável com isso tudo, tente tirar esses dias de viagem a Oasis com suas amigas para relaxar. Você esteve trabalhando tão duro e posso ver que está estressada. Luna, Cadence, Spike e eu vamos cuidar de tudo enquanto isso.”

“Tudo bem então, Princesa. Eu sei que as garotas vão ficar contentes fazendo uma pausa com toda essa papelada. Aliás, coitada da Pinkie Pie, já estava quase dormindo em cima dos papeis.”

Celestia riu. “Sim, não a culpo. Você deveria ter visto Luna após seu retorno. Ela ficava trancada em seu quarto por semanas, fazendo de tudo para restabelecer sua côrte noturna.”

“Eu imagino, mil anos é muito tempo para pôr em dia.” Twilight olhava para a janela, perdida em pensamentos.

“Bem, tenho que ir. Vou aguardar com muita expectativa sua carta, Twilight. Espero que tudo que esse prefeito disse seja verdadeiro. Um pônei que fez tanto por uma cidade como aquela, bem, ele merece cada bit em reconhecimento pelos seus esforços. Ele pode não ter uma premiação completa aos moldes de Canterlot, mas nem parece mesmo que ele gostaria que fosse assim. Talvez com os pôneis daquela cidade que ele ajudou, ele aceite.”

Sem outra palavra, Celestia caminhava para fora da sala, deixando Twilight com seus muitos pensamentos. Uma simples questão continuava voltando em sua mente, e ela não conseguia colocar um casco na resposta.

“Mas que tipo de pônei é esse Senhor Baker?”

Thomas Baker não aparentava estar muito contente ao saber da carta. Era algo aparente pela sua entrada explosiva e passos pesados no único prédio da prefeitura de Oasis, onde funcionava tanto o escritório do prefeito como o posto de correios. O piso de madeira agora com três anos de idade estava finalmente começando a mostrar o desgaste dos inúmeros cascos que pisavam nele. Levou meses para Baker obter tais madeiras de qualidade para refazer o chão da prefeitura, e isso era aparente pela ausência da madeira rangendo quando andava nela.

A pônei sentada no balcão de recepção que levava até o gabinete do prefeito olhava para Thomas com um largo sorriso.

“Bom dia, Senhor Baker, como está hoje?”

Ele parava, olhando para ela. “Não muito contente, senhoria Billfold, não muito contente. E o pônei naquele escritório é o principal motivo. Então se me der licença, preciso trocar algumas ideias como o nosso amado prefeito.”

“Se puder esperar apenas um momento, porque Copper Top está lá com ele.”

“Ele está? ótimo, esse é outro pônei com quem quero ter uma conversinha. Vou golpear dois pássaros com apenas uma pedra.” Ele dizia, passando pelo balcão e caminhando até a porta do prefeito.

“Sabe, eles fizeram isso por você, Senhor Baker. Depois de tudo que fez por nós, a cidade…”

“Eu não quero ouvir isso, Senhorita Billfold. Tenho ouvido o suficiente dos outros nas últimas quatro semanas.”

“Não quer dizer que não seja verdade, Senhor Baker.” Ela respondia, sem enxergar qualquer ofensa.

Ele ignorava, agarrando a maçaneta e abrindo a porta. Ele entrava no gabinete, dando um chute na porta para fechá-la, e olhava os dois velhos pôneis compartilhando um copo de Bourbon, a bebida favorita do prefeito.

“Olha só, foi só falar do Thomas que ele apareceu, por favor, sente-se.” Dizia o prefeito, apontando para um banco no canto da sala.

“Prefiro ficar de pé, senhor prefeito.”

“Bem, como preferir, você gostaria…”

“Não, agora não. Não estou de bom humor, e a única coisa que esse licor poderia fazer é com que eu me sentisse pior.”

“Argumento justo, rapaz, argumento justo. Eu esqueci de como suas emoções ficam meio selvagens depois do licor.”

“Ei, isso aconteceu poucas vezes!” Retrucava Thomas.

“Sim, me lembro da última vez que você bebeu… um pouco? Você ficava rindo sem parar.” O outro pônei, o sherife da cidade Copper Top dizia enquanto tomava outro gole. “Como poderíamos nos esquecer do incidente no vigésimo primeiro aniversário da estrada Road Rage?”

Thomas Baker gemia. “Por que vocês sempre tem que lembrar daquilo?”

Copper Top esboçava um sorriso largo. “Porque é sempre embaraçoso pra você, que também serve para acalmá-lo quando está de mau humor.”

“Sinceramente, às vezes você é inteligente demais para ser um sherife.” Dizia Thomas, cruzando os braços.

“Bem, eu fui ambos médico e sherife por seis anos até aquele pônei de Manehatan aparecer com sua carruagem extravagante, se estabelecer na cidade, onde fui deixando o ofício de médico aos poucos até ficar apenas com o de sherife.”

“Não que eu esteja reclamando, é claro. O conhecimento médico que ele tem, por Celestia, a filha de Gaden Patch poderia ter perdido seu chifre de unicórnio se ele não estivesse aqui.” Disse o sherife.

“De fato, eu nem sabia que era possível transplantar uma artéria daquela forma. Ele pode ser convencido, mas é um ótimo médico.” Afirmava o prefeito.

“Certo, certo, entendi. Mas voltando ao assunto.”

“Sim, por que você está aqui Thom?” Perguntava Copper Top.

“Porque alguém enviou uma carta a Canterlot descrevendo o que eu fiz nas últimas semanas.”

“E de onde você ouviu tal acusação?” O prefeito perguntou.

“De sua esposa quando ela parou para me pedir sabonete esta manhã.” Ele disse.

“Eu avisei pra você não dizer a ela.” Disse Copper para o prefeito, tomando outro gole.

“Você sabe muito bem que eu não poderia escrever aquela carta com meu problema de coordenação motora. Felizmente a minha esposa, a Senhorita Billfold é a minha salvação, é ela que escreve todos os documentos por mim, sejam oficiais ou extraoficiais.”

“Então você admite, foi você quem teve a ideia da carta e a enviou.”

“Sim.”

“Bom, então meu blefe funcionou.”

“Seu blefe?”

Copper Top caía na gargalhada, enquanto que o prefeito olhava confuso.

“Para um não pônei, Thomas, você certamente tem coragem fazendo isso. Se eu não te respeitasse como eu faço, então teria que te colocar na cadeia por mentir para o prefeito.”

“Espere um minuto, do que vocês estão falando…”

“Sim, eu estava blefando. Você sabe que os sabonetes que a sua esposa adquire são encomendado de Canterlot. Eu apenas vendo o material padrão, não produtos de limpeza.”

O prefeito deu um tapa na testa com seu casco.

“Então como você ficou sabend…”

“Porque quando Speed Delivery parou para entregar minha carta, ela deixou cair outra no chão ao sair. Tinha o selo oficial do governo de Canterlot endereçado a você.”

Thomas tirou a carta de seu bolso, a acenando no ar.

“Bem, certamente que essa carta apenas…”

“Prefeito, eu posso ser um humano ingênuo, mas mesmo eu sei que as únicas coisas que você envia para Canterlot são as prestações de contas da cidade, e isso foi há quatro meses.”

O prefeito deixava escapar um suspiro de derrota. “Tudo bem, você me pegou, Thomas. Sim, eu enviei a carta e essa que você está segurando deve ser uma resposta vinda de Canterlot.”

“Sobre mim, não é?”

“Sim.. e não.”

“E que isso exatamente quer dizer?”

“Thom, o prefeito e eu sabíamos muito bem que você não queria nada de especial pelo que fez. E eu acho isso altamente respeitável e louvável de sua parte, mas de maneira alguma que você sairia livre pelo que fez. Por isso nós tivemos que mandar aquela carta para o Castelo de Canterlot, diretamente para as princesas.”

“VOCÊS O QUE??” Thomas gritava.

“Relaxa, relaxa. Nós não dissemos nada além daquilo que elas deveriam saber. A carta apenas diz que você é um de nós e que ajudou sua cidade, em nenhum momento dizemos que você não é um pônei. Não te culpo por não querer se envolver com o resto de Equestria. Se nosso encontro há dez anos atrás foi algum sinal de como o resto de Equestria poderia ter te tratado, provavelmente você estaria em algum zoológico agora.” Disse o prefeito.

“Sim, obrigado por aquilo. Você ainda tem sorte por aquela pancada não ter lhe deixado uma cicatriz.”

“Agora relaxe, Thomas. A pior coisa que pode acontecer é elas negarem o pedido, então você ganhará e não terá que se preocupar mais. No entanto, se tudo der certo, então você será apenas reembolsado pelos materiais que usou para consertar a cidade. Por que você não me entrega essa carta e vemos que tipo de resposta elas deram, hmm?” Disse o prefeito, estendendo o casco.

Thomas balançava a cabeça. “Pode ser, você já fez tudo pelas minhas costas mesmo.”

Ele jogava o envelope sobre a mesa, onde o prefeito graciosamente pegava para abrir. Ansiosamente, Thomas e Copper esperavam pelo prefeito começar a leitura da carta, mas ele escolheu ler em silêncio primeiro. Para o horror de Thomas, a expressão do prefeito passou de excitação para descrença.

“Eu não acredito nisso.” Ele disse, jogando a carta na mesa, então olhando para Thomas. “Simplesmente não acredito.”

O que?? Não acredita em que??” Thomas perguntava preocupado.

Copper Top limpava a garganta antes de começar a ler a carta em voz alta.

“Senhor prefeito, agradeço pela carta. Tenho certeza que você sabe tão bem quanto eu que seguindo os estragos de Tirek, todos em Equestria estão lutando para se recuperar. Há muitas cidades ainda destruídas e dispersas. Mas quando recebi sua carta quatro semanas depois do resto de Equestria, ela me deixou querendo saber o que aconteceu por aí.”

“Depois de ler as façanhas realizadas por um de seus cidadãos conhecido pelo nome de Senhor Baker, posso apenas sentir um grande senso de honra que um mero pônei poderia assumir não apenas para ajudar seus companheiros, mas para restaurar a própria cidade. Uma coisa me chama atenção, que foi o fato desse pônei evitar que Tirek lhe roubasse a magia. Não há registros de qualquer outro pônei que tenha conseguido escapar de sua drenagem mágica, e eu gostaria de saber mais.”

“Então, pelo tempo que você estiver lendo esta carta, Princesa Twilight Sparkle e os outros elementos da harmonia estarão em um trem a caminho de sua cidade para recepcionar o Senhor Baker, conhecerem sua história, e decidirem se é ou não verdadeira. Se for, então seu pedido por uma medalha de honra será concedida, e ele receberá o mais honroso prêmio de Equestria: A Marca da Harmonia, juntamente com as despesas solicitadas para restituir seus suprimentos, além de um adicional de duzentos por cento pelo tempo de serviço.”

“Pelo que pude entender de sua carta, ele não quer absolutamente nada em troca por seus atos, então recomenda-se não deixá-lo saber de imediato acerca da chegada da Princesa Twilight, pois ele pode considerar injusto e se evadir do local e até da cidade. O elemento da alegria preparou uma pequena e suficiente festa para ele, enquanto grande o bastante para os demais cidadãos apreciarem e celebrar o verdadeiro herói que ele é.”

“Me traz profunda tristeza saber que muitos pôneis sofreram sob controle de Tirek, mas as ações do Senhor Baker me mostraram que ainda há luz no fim do túnel, e nós apenas temos que trabalhar para garantir que Equestria esteja segura mais uma vez. Eu desejo a você e aos demais moradores de Oasis tudo de bom, e fico contente em saber que ninguém se feriu.”

“Sua Majestade Real, Princesa Celestia.” Copper parava, abaixando a carta com os olhos arregalado.

Tanto ele como o prefeito olhavam para Thomas, que estava com os braços ao lado do corpo e um olhar chocado que se completava com um semblante horrorizado.

 Thomas se virou, pegou a grande cadeira dobrável que foi construída especialmente para ele,  a colocou ao lado de Copper, se sentando nela.

“Eu aceito aquele bebida, prefeito.”

O prefeito pegava outra taça, derramando uma porção de líquido cor âmbar nela.

Copper Top olhava para a carta novamente. “Mas afinal de contas, quem é essa Princesa Twilight Sparkle?!”

Fanfic, Fanfics estrangeiras

Petricultura

petriculture

Autor: Kwakerjak

Tradução: Drason

SINOPSE: Twilight Sparkle decide estudar sobre a agricultura de rochas da fazenda da família Pie. Porém, durante suas pesquisas, ela acaba fazendo uma descoberta surpreendente.

***

“Eu sabia que estava me esquecendo de alguma coisa, mas não posso colocar meu chifre nisso. Eu saí da cama, fiz todos os arranjos do jantar, planejei um itinerário, e me assegurei de ter tempo para as inevitáveis loucuras que sempre parecem acontecer por aqui, então o que mais poderia ser?”

Spike não poderia resistir ao impulso de rolar seus olhos. Esta certamente não foi a primeira vez que Twilight Sparkle trabalhava para si mesma em frenesi, e provavelmente não seria a última, mas isso não significava que o bebê dragão não estava totalmente acostumado com isso, especialmente quando os cascos da unicórnio ficavam agitados, o que era surpreendentemente eficaz na produção de dores de cabeça em meio ao barulho que causava na biblioteca. “Talvez você não tenha se esquecido de nada, Twilight. Afinal é por isso que você faz uma lista de verificação, certo?”

Os olhos da pônei se arregalaram ao perceber: “claro! me esqueci de verificar a lista novamente!”

 “Hum, geralmente você checa a lista quatro vezes.”

“Eu faço uma verificação quádrupla para me certificar que não me esqueci de nada.” A unicórnio roxo o corrigiu. “Eu não fiz a segunda verificação apenas para me assegurar que não havia nada importante na lista em primeiro lugar!”

“Uh, Twilight?”

“O que é Spike?”

“Eu tenho certeza que seus pais ficarão contentes apenas por passarem o tempo com você.”

Twilight suspirou. “Eu sei disso Spike. Mas essa é a primeira visita deles a Ponyville, e eu quero que tudo seja perfeito.” Isso era fato; ela estava tão focada em garantir que seus pais apreciariam sua estadia que ela ocasionalmente tinha que ser lembrada de que era o aniversário dela e que a viagem era para comemorar isso em primeiro lugar. Mesmo o fato de que suas amigas haviam concordado em assumir algumas responsabilidades, não foi suficiente para acalmá-la, pelo contrário, isso a colocou no modo “supervisora”.

“Mas você realmente precisa chegar a ficar exausta com isso?” Spike perguntou, numa tentativa de argumentar com sua chefe maternal para minimizar sua posição autoritária para um nível mais controlável de neurose.

“Eles são meus pais Spike. Independentemente de ser ou não necessário, eu tenho que me esgotar sim. Eles são mais do que dignos disso.”

“Sim, mas sou eu que tenho que suportar seus ataques de pânico”, o dragão murmurou.

“Você disse alguma coisa?”

“Er… não, nada. É que, uh, eu quero dizer…” Spike tentava mudar de assunto. “Por que você não vai ler um livro ou algo assim? Digo, seus pais só virão amanhã, certo?”

“Hmmm.. não.” Twilight respondeu, muito desapontada com seu assistente. “Tenho uma ideia melhor. Pesquisa!”

Spike se animou visivelmente com essa proposta. Se a unicórnio devoradora de livros estava absorta em um esforço para responder algumas questões obscuras, as chances eram boas para que ela ficasse mais tolerável. “Entendido. Então que mágica chata você vai estudar hoje?”

Twilight preferiu ignorar a parte em que seus interesses eram “chatos”, e ao invés ofereceu uma sugestão diferente. “Na verdade, acho que é uma boa hora para solucionar a lista de charadas.”

“Como?”

“Você sabe, a lista de perguntas difíceis de responder que eu estive compilando para eu ter alguma coisa pra fazer quando precisasse manter minha mente ocupada.”

“Ah sim.” O dragão caminhou até a gaveta onde havia vários pergaminhos, todos preenchidos com várias notas, rabiscos e ideias aleatórias. Ele revirou os pergaminhos por um ou dois minutos antes de achar aquele que estava procurando. “Ah, aqui vamos nós,” ele disse, desenrolando um.

“Ótimo, o que temos aqui?”

“Hum, eu acho que…”

“Vamos Spike, eu sei que não respondi todos eles ainda.”

“Sim, eu sei mas… a maioria desses aqui são sobre Pinkie Pie.”

Twilight parecia cabisbaixa. “Estou vendo..” Havia alguma coisa sobre a pônei rosa que simplesmente se recusava em ter uma consonância entre lógica e bom senso, e Twilight já havia aprendido isso antes, da maneira mais difícil.

“Espere… tem alguma coisa aqui. O que exatamente significa agricultura de rocha?” Spike leu em voz alta, e suspirou. “

“Nada demais, apenas outra questão sobre Pinkie Pie.”

A unicórnio levantou um casco. “Espere um minuto, Spike. Talvez esse possa ser útil.” Afinal, ela nunca havia ouvido falar sobre agricultura de rocha antes de Pinkie Pie revelar como conseguiu sua marca especial, mas isso era muito interessante, pela simples ideia de que crescimento de material inorgânico parecia ser uma contradição em termos. Se ela pudesse aprender os princípios básicos por trás disso, o conhecimento poderia, provavelmente, ser aproveitado para resolver outro no futuro.

“O que você quer dizer?”

“Bem, não é apenas sobre Pinkie Pie, certo? Ela disse que toda sua família trabalhava e ainda trabalha com isso, e eles são relativamente normais.”

“Não sei, Twilight. Parece que você só vai acabar puxando as palhas de novo.”

“Bem, eu suponho que poderia voltar a me preocupar com meus pais…”

Em um piscar de olhos, Spike se dirigiu até as prateleiras de livros. “Ok, então onde está a seção de geologia?”

Spike suspirou. “Nada. Nenhuma palavra sobre cultura de rocha nesses livros.”

“Você checou os índices?”

“Sim.”

“Bem, talvez esteja listado sobre algo mais. Tente ‘Petricultura’, que soa como um termo acadêmico ou algo assim.

“Você já sugeriu esse, eu procurei e não está aqui.”

Twilight cuidadosamente levou seu casco até o próprio queixo. “Hmm… talvez estejamos usando os termos da maneira errada. Afinal, pelo que sabemos, agricultura de rocha nada mais é do que uma figura de linguagem. Pode ser que não tenha nada a ver com o sentido tradicional de colheita.”

“Ótimo… como vamos encontrar então?”

“A unicórnio encolheu os ombros despreocupada antes de responder. “A palavra chave é Pinkie Pie.”

“Hum… tem certeza que é uma boa ideia? Ela não parece gostar muito de conversar sobre seu passado.”

“Spike, não é como se eu estivesse indo perguntar sobre os membros de sua família, é algo que está apenas relacionado. Olhe, por que você não fica aqui pesquisando, enquanto vou averiguar?”

Isso soava bem para o dragão, já que assim ele teria uma pausa do perfeccionismo obsessivo de Twilight (embora ele não se atrevia a dizer isso a ela). “Com certeza! Vejo você depois!”

Enquanto Twilight Sparkle entrava na padaria local, ela foi recepcionada pela simpática Senhora Cake. “Bem vinda ao Torrão de Açúcar! Como eu posso… ajudar… você?” A alegria parecia diminuir enquanto ela reconhecia a cliente. “Twilight! Hum.. é bom vê-la novamente. Er… presumo que você tenha outras instruções de como fazer um bolo? Eu te garanto que o Senhor Cake e eu seguimos perfeitamente as instruções de sua carta, e usamos até uma régua para reduzir as rebarbas de chantili conforme você solicitou, misturando o extrato de baunilha com o corante que você queria para deixá-lo na tonalidade azul, e tenho certeza que a extremidade estava com três milímetros de espessura, e…”

“Na verdade Senhora Cake, eu estou aqui para conversar com a Pinkie. Ela está?”

“Oh sim! Claro, você quer falar com ela, porque afinal são amigas, não é?” Sendo uma pônei educada, Senhora Cake fazia tudo o que podia para não demonstrar seu alívio por não ter nenhuma instrução de como fazer um bolo (e nisso, ela falhou espetacularmente). “Pinkie Pie! Twilight está aqui e quer falar com você!”

Segundos depois, a pônei terrestre saía com exuberância da cozinha. “Ei Twilight! Precisa de ajuda com a festa de aniversário?”

“Ainda não, mas obrigada.” A unicórnio deixou claro que queria lidar com os detalhes de sua festa por conta própria, particularmente para se assegurar que seus pais apreciariam a estadia, e porque ela sempre queria organizar uma festa sozinha, razão pela qual o envolvimento de Pinkie Pie até agora se limitou apenas em conselhos e suprimentos. A pônei rosa ainda não entendia porque Twilight era tão insistente em planejar sua própria festa, mas desde que isso era importante para ela, Pinkie (muito relutantemente), deixou o assunto de lado.

“Oh? Certo… então do que você está precisando?”

“Bem, os preparativos estão me deixando meio estressada, então estou tentando criar alguma diversão para minha mente. Eu, uh, estava esperando que você pudesse me responder algumas perguntas.”

“Ah legal! Quer dizer que você vai usar aquela penca de equipamentos em mim de novo no seu porão?”

Twilight balançou a cabeça. “Dessa vez não. Quero um outro meio de pesquisa pra saber como você é capaz de fazer o impossível, mas estava esperando que você pudesse me dar um ponto de partida.”

“Um… okie dokie, eu acho.”

“Ótimo, então o que você pode me dizer sobre o cultivo de rochas?” A abordagem brusca sobre o tema se tornou um erro aparente quando Pinkie Pie ficou em silêncio, olhando para o chão. “Oh, me desculpe Pinkie, me esqueci como você se sente sobre isso. Não precisa responder se não quiser.”

“Não é que eu não quero… acontece que eu não sei muito sobre isso. Eu, hum.. apenas seguia as instruções de meus pais, é tudo. Eu realmente nunca procurei tomar conhecimento sobre como funcionava.”

Twilight suspirou. “Certo, você pode pelo menos me dizer sobre a agricultura atual? seria essa agricultura um sinônimo de mineração?”

“Bem, uh… Eu estou certa que se trata da agricultura atual. Eu… nunca vi nenhum pônei cavando, e as rochas tiveram que vir de algum lugar certo?”

Observando a pônei mais alegre de Ponyville (e possivelmente de toda Equestria) expressar uma emoção diferente, tudo estava começando a ficar deprimente, e quase parecia que sua crina estava menos crespa. “Tudo bem, pelo menos é um começo. Desculpe te arrastar para o passado Pinkie.”

 A simples mudança de assunto foi suficiente para melhorar o humor da pônei rosa. “Está tudo bem, apenas certifique-se que sua festa será super!”

Twilight riu. “Farei o possível.”

Apesar de sair do Torrão de Açúcar um tanto frustrada, a fiel aluna da Princesa Celestia ainda não estava totalmente desencorajada. Afinal, mesmo se Pinkie Pie não soubesse o bastante sobre agricultura de rochas para fornecer a ela respostas definitivas, havia outra pônei especializada na área que poderia. Assim, a unicórnio roxo trotou confiante através da entrada do Rancho Maçã Doce.

“Applejack!” Ela gritou. “Você está aí?” Twilight passou vários minutos procurando ela antes de encontrá-la cuidando de algumas mudas. “Ei Applejack!”

A pônei loira deixou sair um suspiro audível, que parecia ser uma tentativa de disfarçar um gemido, antes de olhar para sua amiga com um sorriso um tanto forçado. “Olá Twi! O que posso fazer por você?”

“Bem, você tem um tempo para responder uma ou duas perguntas?”

Desta vez Applejack nem tentou disfarçar o gemido. “Olhe Twilight, é realmente necessário? Nada mudou nas últimas doze horas, ainda temos todos os ingredientes que precisaremos para fazer as quatro refeições que você pediu, Vovó Smith mudou suas receitas para resolver o problema alérgico da sua mãe e prometeu que até amanhã cedo estará tudo pronto. Confie em mim, vai ficar tudo bem, não precisa se preocupar com nada.”

“Eu realmente tenho sido neurótica?”

“Quer mesmo que eu responda docinho?”

“Uh, na verdade não, eu tenho uma pergunta sobre agricultura, e não, não tem nada a ver sobre amanhã à noite, na festa de aniversário.”

“Mesmo? Então pode perguntar.”

Você se lembra quando estávamos todas juntas falando para Applebloom, Sweetie Belle e Scootaloo sobre como conseguimos nossas marcas?”

“Claro que sim.”

“Bem, desde que ouvi a história da Pinkie, estive pensando sobre agricultura de rochas. Digo, se realmente é possível rochas crescerem para depois serem colhidas, então as ramificações mágicas devem ser enormes, sem mencionar o potencial econômico.”

Applejack levantou um casco enquanto ela interrompia sua amiga. “Ok, pare aí, Twi.”

“Por que?”

Applejack suspirou. “Docinho, não me leve a mal, mas esse é a coisa mais boba que uma unicórnio inteligente como você perguntou.”

“Qual é Applejack?”

“É sério Twi. Sei que você já explicou como os pônei terrestres têm seus próprios tipos de magia, assim como unicórnios e pégasus, mas você sabe muito bem que a sua maneira de ver as coisas e falar sobre elas é sutil demais.”

“Mas… não há nada de sutil sobre o que Pinkie Pie pode fazer. Talvez, apenas talvez, se seus talentos são inerentes em sua família, então aqueles com uma conexão mais forte com a terra pode tornar isso possível.”

“Twilight, apenas confie em mim. Eu não posso imaginar por que um pônei terrestre tentaria cultivar rochas. E sabe por que? Simplesmente porque podemos minerar ao invés de fazê-las crescerem.”

“Então o que Pinkie quis dizer sobre cultivo de rochas?”

“Provavelmente que sua família possuía uma pedreira.”

 “Mas quem chama uma pedreira de cultivo de rochas?”

“Pinkie Pie, claro.”

“Mas…”

“Twi, parece que você está querendo que eu te explique algo que não precisa de explicação. Ela está apenas sendo Pinkie Pie, e não vale a pena ficar se desgastando com isso.”

No final da tarde, Twilight Sparkle estava de volta na Biblioteca, pesquisando sobre o tema de cultivo de rochas. Isso por si só não teria sido tão ruim, se não fosse o fato de que na Biblioteca estavam três clientes no momento, todos tentando ler vários livros: Rainbow Dash estava em uma pilha de livros sobre Daring Do, Rarity estava procurando temas sobre costura, e Fluttershy pesquisando livros sobre preguiças de três dedos por alguma razão.

Claro, todas as três eram ótimas amigas dela e muito próximas, motivo pela qual sentiam que ela não parecia bem. “Pinkie Pie sendo Pinkie Pie? Que tipo de resposta é essa?”

“Hum, não é a mesma resposta que teve da última vez?” Fluttershy interrompeu.

“Não, da última vez, a resposta que surgiu foi que eu não necessariamente tinha que entender alguma coisa a fim de aceitá-la. Você sabe, exatamente o oposto do que Applejack sugeriu?”

“Não vejo porque você está obcecada com isso, querida.” Acrescentou Rarity. “A explicação de Applejack foi bastante razoável pra mim.”

“Dá um tempo! Pinkie Pie pode agir de forma confusa às vezes, mas ela não é boba. Ou você acha mesmo que ela não sabe a diferença entre uma pedreira ou fazenda?”

Rainbow Dash olhou brevemente seu livro antes de fechá-lo. “Bem, talvez ela estava inventando.”

“Mas por que ela faria isso?” Perguntou Rarity.

“Não sei. Por que você tenta esconder que sua família é de Santo Paulomino toda vez que você vai para Canterlot?”

Isso deixou Rarity visivelmente nervosa. “o que… bem… eu… é.. eu nunca!”

“Onde fica Santo Paulomino?” Fluttershy perguntou.

“É um longo caminho ao norte daqui,” Rainbow Dash respondeu com o sotaque estereotipado daquela região. “Yah, você tem apenas que conversar com os pais dela por apenas um minuto para perceber que eles são de lá.”

“Primeiramente, isso não soa como o sotaque de Santo Paulomino,” Rarity respondeu. “E segundo, eu não escondo que meus pais são daquela região, isso nunca veio à tona.”

“O povo de Canterlot não é curioso, ou é você que desvia a conversa deles?”

“Vale a pena ficar discutindo por isso?” Fluttershy perguntou em voz baixa.

“Ah, estou apenas brincando,” disse Rainbow Dash. “Desculpe se você pensou diferente, Rarity.”

“Eu… tudo bem. É preciso ser capaz de fazer considerações sobre a personalidade dos outros, afinal.”

“Em todo caso, ponto para a Rainbow Dash,” Twilight relutantemente concluiu. “Pinkie Pie não gosta de conversar sobre seu passado, e ela termina a conversa o mais rápido possível.” A unicórnio roxo suspirou. “Acho que é um beco sem saída.”

“Bem, pelo menos você não gasta o tempo preocupada com seus pais,” Disse Fluttershy.

“Na verdade isso não importa muito”, disse Spike, entrando na sala com uma carta aberta.

“Você vai querer ler isso, Twi.”

A unicórnio levitou a carta das garras do dragão e brevemente leu o conteúdo. ”Oh não!”

“Alguma coisa errada querida?” Perguntou Rarity.

“É a minha mãe, ela está doente.”

“Oh, é muito sério?” Perguntou Fluttershy.

“Não, ela deve estar bem, mas o médico recomendou que ela ficasse de cama, então não poderá vir a Ponyville. E isso significa que meu pai também não poderá, pois sei que ele não vai querer deixar minha mãe sozinha.”

“Sinto muito Twilight, sei que estava muito ansiosa para vê-los.”

“Sim, embora…. agora que penso nisso…”

“Twilight? Você está bem?” Perguntou Rainbow Dash.

“Sim, poderiam me fazer um favor e avisar os outros que a festa foi cancelada? Spike e eu temos que pegar um trem para Canterlot.”

“Você sabe, por um tempo, realmente pensei que você pegou esse trem para ver seus pais. Eu deveria saber que você poderia usar isso como desculpa para ir à Biblioteca de Canterlot.”

Twilight gemeu com a rabugisse persistente de seu dragão. Ela mal podia culpá-lo, já que ele não esperava ter que se arrumar para pegar um trem à Capital de Equestria, mas não significava que ele tinha que ser rude. “Olha, não importa o quão curiosa eu seja, eu não teria o esforço de preparar aquela festa se não fosse para ver meus pais. Mas desde que a Biblioteca Real esteja no caminho, eu imagino que nós podemos aproveitar o fato de que lá tem mais recursos, de forma que eu possa fazer algum progresso em minha pesquisa sobre cultivo de rochas. Porque se houver uma resposta, não está em Ponyville.”

Três horas depois, já na Biblioteca de Canterlot, Twilight estava começando a se sentir ligeiramente frustrada. “Como assim não tem nada sobre o assunto??”

Isto valeu a ela pouco mais do que um olhar sério da unicórnio sentada no balcão. “Senhorita Sparkle, por favor, isto é uma Biblioteca.”

“Desculpe. É que… como pode não haver nada relacionado ao cultivo de rochas?”

“A resposta é simples, porque isso não existe.”

“Mas isso não faz sentido.”

“Certamente faz mais do que rochas crescendo. De fato, há pôneis que estão atualmente estudando a possibilidade de criar pedras preciosas em laboratório, mas ainda está em fase experimental e longe de ser comercializado.”

“Oh… que maravilha…”

“Hum, twilight?” Spike interrompeu. “não deveríamos ir para a casa de seus pais?”

A unicórnio roxo suspirou. “Tem razão, Spike. E nesse tempo,” ela acrescentou, voltando-se para a bibliotecária. “Talvez você possa obter informações entrando em contato com a família de Pinkie Pie. Se algum pônei pode ter alguma informação, são eles.” A bibliotecária concordou em checar os registros enquanto Twilight visitava seus pais.

“Ótimo, te vejo amanhã.”

“Eu não sei não…,” Disse Spike enquanto saiam da biblioteca. “Você realmente acha que Pinkie Pie vai gostar disso?”

“Não é como se estivéssemos falando sobre sua infância, Spike. Eu só quero saber mais sobre o negócio da família, só isso.”

Como ela meio que esperava, o tempo que Twilight Sparkle gastou na casa de seus pais passou rápido, principalmente porque ela sempre gostava do tempo que passava com eles, desde que ela se mudou para longe e começou seus estudos.Depois de passar a noite com eles (e provocando uma promessa deles a visitarem assim que sua mãe se recuperasse), ela embalou seu presente de aniversário, um álbum com uma compilação de fotos desde quando ela era uma criança. Inicialmente ela queria evitar olhar para ele até voltar para casa, mas sua mãe insistiu que ela pelo menos começasse vendo no caminho, porque “não é certo deixar suas memorias desaparecerem”. Twilight seguiu o caminho até a estação de trem, com Spike montado, uma vez que era a mesma rua em que se localizava a biblioteca real.

“Então, você pode me dizer como entrar em contato com a família Pie?”

A bibliotecária parecia bastante sem jeito. “Bem, na verdade Senhorita Sparkle… você não pode.”

“Hã? Por que? Será por não gostarem de conversar com pôneis que não conhecem?”

“Não… é porque… bem… não há registro deles.”

“O que?!”

“Por favor senhorita Sparkle, sua voz.”

“Desculpe, mas o que você quer dizer com não há registro?”

“O sobrenome Pie não existe, parece que eles não participaram de nenhum censo, ou registro fiscal, não há sequer uma árvore genealógica disponível. Também não há nenhuma evidência ou documento oficial de que sua amiga tenha uma família com esse sobrenome. ”

“Mas… e apenas Pinkie?”

“Bem, há muitas provas de que ela existe, mas…”

“Mas?”

“…até cerca de dez anos atrás, não havia nenhum registro com esse nome também.”

“A unicórnio roxo simplesmente permaneceu em silêncio por quase um minuto antes que Spike falasse. “Hum, Twilight? Você está bem?”

Outra longa pausa. “Estou, Spike. Acho que a família Pie de alguma forma… uh… vamos, temos que pegar um trem.”

Twilight suspirava enquanto olhava para fora da janela do trem, observando o cenário passar. “Bem, terminou como outra busca inútil,” ela murmurou. Mais uma vez, suas tentativas de desvendar os mistérios de Pinkie haviam caído por terra. Talvez algum dia, no futuro, ela seria capaz de aceitar o fato de que sua amiga era, até certo ponto, totalmente indescritível. “Pelo menos eu tinha algo para pensar que não fosse apenas minha mãe,” a unicórnio pensou consigo mesma. Ela provavelmente teria apenas mudado sua preocupação com a festa para com o bem estar de sua mãe, se não fosse o dilema que havia sido criado, quando Spike sugeriu pensar nisso em primeiro lugar.

“Eu acho que essa busca não foi tão inútil afinal,” Twilight concluiu com um sorriso. Assim, ela decidiu abrir o álbum que seus pais haviam dado carinhosamente a ela.

O que ela viu quase fez o livro cair no chão.

“Hum… você está bem? Você não disse quase nada desde que saímos do trem.”

Twilight suspirava enquanto caminhava através de Ponyville. “Eu…. estou bem Spike. Apenas… preciso pensar um pouco sobre algumas coisas.” Os dois caminhavam em silêncio quando a Biblioteca de Ponyville finalmente ficou a vista.

“Feliz aniversário.”

“Obrigada Spike,” disse a unicórnio, finalmente permitindo a si mesma sorrir enquanto ela abria a porta. “Bem, agora eu vou…”

“SURPRESA!!”

“Twilight se surpreendeu ao ver suas cinco amigas na biblioteca que estava decorada com várias serpentinas e bexigas em tom azul. Todas estavam sorrindo para ela, sendo Pinkie Pie com o sorriso mais largo (como de costume). “Pinkie Pie… você planejou uma festa para mim?”

A pônei terrestre sorriu. “Não boba, você planejou essa festa. Eu apenas garanti que tudo estaria pronto quando você voltasse de Canterlot. Veja que tudo está feito do jeito que você queria!”

De fato, era verdade: o bolo, a comida, as decorações, a festa em si estava perfeitamente em conformidade com seu planejamento original. “Nossa pessoal, ficou… maravilhoso.” Twilight esboçou um grande sorriso. “Bem, e o que estamos esperando? Vamos começar!”

A festa em si era relativamente discreta; quando Pinkie Pie disse que ela usou o plano de Twilight, por Celestia, foi o que ela quis dizer. Esta foi uma noite bem movimentada, mas de muitos risos e conversas calmas.  Não muito demasiada, mas não muito louca também, era o tipo de festa que a unicórnio roxo sempre queria ter desde que era criança. Pensando em sua infância, porém, ela se lembrava do conteúdo que viu no álbum, e logo foi ficando visivelmente quieta.

“Twilight? Alguma coisa errada?”

“A unicórnio se restabeleceu para ver o rosto de Pinkie Pie olhando para ela com alguma preocupação. “Eu estou bem Pinkie. É que…”

“Sim?”

“Nós podemos conversar? Digo, eu e você em particular. Há algo que eu preciso tirar das minhas costas, por assim dizer.”

“Okie dokie lokie! Que tal na sua cozinha?”

“Pode ser.”

A dupla foi para o local em questão enquanto suas amigas ficavam conversando, fechando a porta atrás delas. “Certo, estamos aqui!” Disse Pinkie. “O que você queria falar?”

Aqui vai nada, Twilight pensou consigo mesma. “Bem, você sabe que estive interessada no cultivo de rochas recentemente.”

“Hum… sim.” Pinkie Pie respondeu hesitante.

“Bem, desde que saí de Ponyville, eu passei na Biblioteca Real… e mesmo lá não achei nada parecido. Então pensei que poderia entrar em contato com sua família, apenas para conversar sobre cultivo de rochas, nada mais, e, bem, não havia nenhum registro deles.” Twilight pausou para ver a reação de Pinkie Pie, mas ela não aparentava nenhuma reação. A unicórnio decidiu continuar enquanto pegava o presente de seus pais e o colocava sobre a mesa. “Eu, na verdade não iria falar sobre isso, mas então olhei o álbum que minha mãe me deu. Dê uma olhada.”

Lentamente, Pinkie caminhou até a mesa e olhou para a página que sua amiga tinha aberto. Era um tipo de desenho a lápis de uma pégasus branca com uma crina crespa e loira, olhos roxos profundos, um grande sorriso, e uma marca especial com três balões roxos. Ela estava cercada por um bolo, confetes, e outros acessórios de festas. Pinkie Pie comentou o óbvio: “Ela se parece muito comigo, não?”

Twilight preferiu não responder diretamente. “Como você provavelmente pode perceber, quando eu era criança, era muito mais introvertida do que sou agora, em outras palavras, eu era solitária. Na maioria das vezes, eu era capaz de li dar com isso. Sempre tive meus livros, minha família, brinquedos como Smart Pants, mas sentia que ainda faltava alguma coisa, e era sempre óbvio quando havia uma festa. Do meu ponto de vista, havia dois tipos de festas: o tipo em que não era convidada e o tipo em que era, porque os pais dos pôneis aniversariantes os faziam convidar todos os alunos que estudavam na mesma sala de aula. Ambos os tipos faziam eu me sentir totalmente miserável, então, eventualmente, decidi criar minha própria amiga, uma pônei que faria festas para mim, não importava o que acontecia. Eu dei a ela o nome de Surprise, e desenhei essa imagem dela. Nós… digo, eu me divertia muito com ela. Quando ela não estava fazendo uma festa no meu quarto, me fazia rir com coisas loucas que não deveriam ser possíveis, mas estava tudo bem, porque ela era imaginária, de forma que as regras normais não se aplicavam a ela. Mas… depois que ganhei minha marca especial e a Princesa Celestia me aceitou como sua aluna particular, eu… parei de pensar nela. Na verdade, foi até abrir esse álbum que me lembrei de quem ela era. Além das cores diferentes, e do fato de ter asas, ela… ela se parecia com você, Pinkie. Ela agia como você. Eu acho que até a voz dela soava como a sua.”

Pinkie Pie não respondeu, continuando olhando o desenho no álbum.

“Pinkie Pie? Como você realmente conseguiu sua marca especial?”

A pônei rosa ainda não disse nada. Ao invés disso, ela fechou os olhos com força, como se estivesse tentando segurar uma lágrima que estava se formando.

“Olha Pinkie, eu sei que você não gosta de falar sobre isso, e também não tem que responder a minha pergunta, mas… depois de tudo o que eu vi, e tudo que lembrei, eu estou chegando a uma conclusão que não faz absolutamente nenhum sentido.”

“Eu… eu não quero estar certa sobre isso Pinkie, mas essa parece que é a única conclusão que se encaixa, que é porque eu estou esperando que você possa me dar a evidência que me falta, alguma coisa que dê lógica a isso tudo.”

Após um longo silêncio, a pônei terrestre olhou para sua amiga. “Eu sinto muito, Twilight.” Ela disse em um tom baixo da qual a unicórnio jamais ouvira antes, “mas eu não posso.”

“Você não quer falar sobre isso?”

“Não, o que quero dizer é que não posso dar a informação que lhe falta… porque não há nenhuma.”

“O que?! Mas Pinkie… você… você entende onde eu quero chegar, certo?”

Pinkie Pie não respondeu, preferindo contar a ela sua própria história. “Antes de eu ver o sonic rainboom, todas as minhas memórias eram… como um sonho. Eles meio que vinham e sumiam, mas nunca eram sólidos, como o tipo normal. Era muito divertido. Haviam as festas, claro, mas mais do que isso, era divertido porque eu passava todo o meu tempo com essa incrível unicórnio criança. Ela era realmente super ultra inteligente, mas não tinha muitos amigos, então ela precisava ser animada um pouco. Eu amava quando conseguia fazer ela esboçar um sorriso.

“Mas depois do sonic rainboom, tudo ficou diferente. Digo, não apenas porque eu era uma pônei rosa ao invés de uma pegasus branca, mas… que era… real. Oh, e minha marca especial não era mais roxa. Desde que eu realmente não tenho nenhuma lembrança de não ter uma, acho que isso é o mais perto que consigo de uma história de ganhar a marca.”

“Então, cultivo de rocha é…”

“É algo que inventei no calor do momento, onde as Cutie Mark Crusaders não achariam que era algo estranho, ou que eu não queria contar minha verdadeira história. Achei que seria uma boa… eu… eu não devia ter mentido para elas.”

“Está tudo bem, Pinkie… eu não acho que nenhum pônei estava pronto para a verdade naquele momento. Quero dizer… eu não estou certa se eu estou pronta para isso, mas aqui está você me dizendo. Então… você sempre soube?”

“Bem, eu me encontrei no lado de fora de Ponyville quando vi o rainboom, e quando andei pela cidade, todos os pôneis acharam que eu estava com amnésia. As lembranças dos sonhos não ajudou nenhum pônei a descobrir quem eu era, então eu decidi que a melhor coisa a fazer era começar de novo. Desde que uma das enfermeiras no hospital me chamou de Pinkie Pie, eu decidi usar como meu nome. A família Cake me levou, me deram um emprego pra pagar meu aluguel, que eu sei que foi menos do que o normal, desde que eu ainda tinha que ir para a escola na época. Felizmente, fui capaz frequentar a sala de aula com facilidade, provavelmente por passar tanto tempo em sua cabeça.

“Depois de alguns anos, as coisas pareciam se estabelecerem muito bem. Após a graduação, os Cakes me deram um trabalho melhor, digamos que eu fui promovida, o que foi ótimo. Havia momentos em que eu quase acreditei que realmente era apenas uma pônei terrestre normal, que tinha amnésia. Mas então… você veio a Ponyville. Quando eu te vi, imaginei que era familiar, então decidi caminhar para conversar com você, mas quando você se apresentou como Twilight Sparkle…”

“…você se apavorou porque percebeu que suas memórias eram verdadeiras.” A unicórnio completou.

“Uh huh. Levei um tempo para voltar ao hábito alegre de sempre, do contrário, você teria conseguido um tratamento Pinkie Pie no ponto!” A pônei terrestre concluiu com uma risadinha.

Twilight suspirou. “Deve ter acontecido durante essa onda de energia mágica em meu teste. Quero dizer, eu transformei meus pais em vasos de plantas. Então fazer uma amiga imaginária aparecer no mundo real não é muito mais inacreditável …. Sinto muito, Pinkie Pie “.

Pinkie Pie parecia confusa por um breve momento, mas depois ela estourou em um grande sorriso reconfortante. Essa era outra chance de animar uma amiga familiar. “Por quê? Você não tem nada que se desculpar. Não é como se você tentasse se livrar de mim de propósito. “

“Mas muita coisa deve ter sido difícil pra você.”

“Bem, sim, no começo, mas eu não me entregaria por nada.”

“Mesmo?”

“Claro! Quero dizer, sendo sua amiga imaginária era super divertido, se as outras soubessem o quão incrível era o interior de sua cabeça, elas adorariam também, mas isso não é nada, e eu quero dizer nada como ser sua amiga de verdade!” Qualquer sugestão de melancolia era, até agora, completamente ausente da voz de Pinkie Pie.

“Mas eu me esqueci de você por anos …”

“Bem, duh! Eu não estava em sua cabeça mais, então por que você pensaria em mim?”

“Ainda assim, eu não te reconheci até hoje cedo.”

“Eu não me pareço com a Surprise mais. Você, por outro casco, ainda parece Twilight Sparkle “.

“Pinkie … Eu não … Eu. .. “Twilight estava em uma perda completa de palavras, então em vez de falar ela caminhou até sua amiga e a abraçou. “Obrigada.”

“Sem problemas, Twilight. Hum, se terminamos, podemos voltar para a festa?”

“Oh, sim! As outras provavelmente estão se perguntando por que estamos demorando muito.”

“Na verdade não. Elas estão todas ouvindo do outro lado da porta.”

“O quê?” A unicórnio usou sua magia para abrir a porta o mais rápido que pôde, fazendo quatro pôneis e um bebê dragão caírem um em cima do outro na cozinha. “Vocês …”

“Uh, desculpe, Twi”, disse Applejack se levantando. “Mas nós estávamos curiosas sobre o que vocês estavam falando, e …”

“E?”

“Bem, Pinkie Pie realmente disse que era apenas sua amiga imaginária?”, perguntou Rainbow Dash.

“Praticamente”, confirmou Pinkie.

“Mas … como pode isso? “, perguntou Fluttershy.

“Eu não tenho idéia “, respondeu Twilight Sparkle. “E realmente não me importo agora. Pinkie Pie ainda é Pinkie Pie, independentemente de onde ela veio. “

“Sabe,” Rarity repentinamente falou, “isso tecnicamente faz de você mãe de Pinkie Pie”.

“Eu acho… espere, o que?”

Os olhos de Pinkie se arregalaram. “Ooh! Isso significa que eu posso chamá-la de ‘mamãe?’”

“Não! Eu não deixou nem Spike me chamar assim.”

A pônei terrestre engasgou. “É isso mesmo! Você me criou no mesmo dia em que chocou Spike! Isso significa que nós somos gêmeos!”

Twilight revirou os olhos e gemeu. Isso vai me dar algumas dores de cabeça antes de ficar tudo resolvido. Ainda assim, no grande esquema das coisas, era um pequeno preço a pagar.

Querida Princesa Celestia,

Quando você me deu pela primeira vez a missão de aprender sobre “a magia da amizade,” eu supunha que você estava falando metaforicamente. Mesmo no contexto de empunhar os Elementos da Harmonia para a defesa de Equestria, pensei em amizade mais como uma ajuda psicológica que permitiria que a nossa magia funcionasse de forma eficiente, e não como uma fonte de mágica propriamente dita. Para ser honesta, esta abordagem tem me ajudado a ver como a amizade pode, em muitos aspectos, ser tão poderosa como os feitiços que eu aprendi em meus estudos, mas isso só é possível se de fato houver a compreensão do que é amizade, que significa exatamente desejar o bem para o próximo, mesmo que para isso haja o risco de nos afastarmos uns dos outros.

A recente revelação de quem é Pinkie Pie, de fato, uma das amigas imaginárias que eu tinha quando criança, dada a forma física durante a explosão de magia que ocorreu quando eu recebi a minha marca especial, me levou à conclusão de que existem circunstâncias em que a amizade é realmente mágica, no sentido mais literal possível, graças ao amor que sentimos um pelo outro, que é exatamente de onde vem a verdadeira amizade.

Todas as coisas que fazem Pinkie Pie ser uma pônei unica é o resultado direto da atenção que eu dei a ela durante a criação de sua encarnação anterior como Surprise. Mesmo seu Senso Pinkie é o resultado direto isto: como criança, eu queria ter uma amiga que pudesse me acalmar quando eu começasse a me preocupar e me desse confiança de que tudo ficaria bem, então eu dei a Surprise a capacidade de prever o futuro. Em outras palavras, é por causa da amizade que eu criei com ela quando criança que Pinkie Pie tem todas essas habilidades estranhas que só podem ser classificadas como “mágica”.

Eu ainda não entendo porque o corpo e crina de Pinkie Pie mudaram de cor, ou por que ela se materializou como uma pônei terrestre em vez de pegasus. Eu diria que tem algo a ver com a minha incapacidade de controlar minha magia na época, mas essa experiência reforçou a importância de nunca assumir nada quando se trata de Pinkie Pie.

Com tudo o que está sendo dito, eu atualmente não tenho ideia de como isso vai mudar a relação que tenho com ela, mas estou confiante de que, com a ajuda de nossas amigas, tudo vai dar certo, porque acima de tudo, mais do que mágica, foi o amor que sentia por ela que tornou tudo isso possível, e eu estou muito feliz por tê-la ao meu lado. Pinkie Pie… minha amiga, uma parte de mim, minha família.

Sua aluna fiel,

Twilight Sparkle.

Luna guardou a carta que sua irmã lhe entregou. “Você está certa. Isso foi de fato … interessante.”

Celestia levantou uma sobrancelha com curiosidade. “Esse é o seu único comentário?”

“Sendo ou não uma amiga imaginária, me pergunto de qual ponto do universo veio seu espírito.”

“Nunca ouviu falar de filtro espiritual irmã?”

Luna acenou. “Claro, para encarnar como um pônei o espírito deve ser puro, para não dizer evoluído.”

“Então você sabe que não precisa se preocupar com Pinkie Pie.”

Luna sorri, balançando a cabeça “Da mesma forma como você não se preocupa com Lyra?”

“Sim. Você sabe, a Terra é o contrário de Equestria, lá nascem os piores espíritos, e são muito poucos os que conseguem transcender. Mas não é impossível e eu gosto quando um deles consegue.”

Luna ri. “Mas a maioria dos humanos é muito boa em acreditar que se um furacão passar em um ferro velho, levantar aquele monte de parafusos e peças velhas, esse processo de alguma forma irá formar do nada uma máquina que eles chamam de automóvel.”

“Por que diz isso?”

“Porque o corpo humano é milhões de vezes mais complexo do que qualquer máquina já construída por eles. Então se eles não acreditam em Deus e acham que suas vidas surgiram do nada, também devem acreditar que se um furacão passar em um ferro velho e levantar aquela parafernalha de peças soltas irá formar um carro, navio, avião, computador, nave espacial, etc… do nada. Aposto que eles acreditam que ao arremessar um quebra-cabeça com centenas de peças para o ar, elas irão cair no chão montadas, com cada peça encaixada perfeitamente uma na outra.”

Celestia sorri. “De qualquer forma, voltando ao assunto, Pinkie Pie deu muito certo, não é?” Celestia afirmava enquanto olhava distraidamente para fora da janela do palácio no jardim de esculturas. “Melhor do que a nossa experiência, para dizer o mínimo.”

Ao ouvir isso, Luna se permitiu o luxo de um sorriso quase imperceptível. “Como de costume, o seu talento para o eufemismo é estranho, minha querida irmã.”

Fanfic, Fanfics nacionais

Sem palavras para descrever – Livro I – Cap.5 – Casa da Mãe Joana

Livro I - Cap.5 - Casa da Mãe Joana

Autor: Grivous

Gênero: Normal, Triste, Drama, Romance

Sinopse: ”Em alguns dias, um show será apresentado na pequena cidade de Ponyville, como o último show da carreira musical de uma musicista muito famosa de Canterlot: Octavia. Twilight Sparkle e suas amigas ficaram encarregadas de aprontar os preparativos para o Grande Evento. Os fantasmas de seu passado continuam assombrar a jovem musicista, a ponto de isolar-se do mundo e daqueles que ama. Num único evento, cheio de reviravoltas e grandes emoções, ela está para descobrir algo muito mais do que apenas o fim…”

LIVRO I :

Apresentação

Prólogo

Capítulo 1 – Empolgação

Capítulo 2 – Cascos e Coices

Capítulo 3 – Desinformado e Desinteressado

Capítulo 4 – Convidado ou Intruso?

Capítulo 6 – Recuperação

Capítulo 7 – Algo a mais

Capítulo 8 – Amanhã

LIVRO II:

Capítulo 1 – Caminhada

Capítulo 2 – Muffin

Capítulo 3 – Companhia

Capítulo 4 – Mudanças

LIVRO III:

Capítulo 1 – Ausência

—————————————–

Equestria — Ponyville — Interior da Biblioteca, 13 de Fevereiro, 20:28.

Apesar do tamanho descomunal daquele enorme corcel negralmente uniformizado, Rainbow Dash não se intimidou com sua largamente alta aparência corcelística. Sua postura reta e azulada continuava firme; ela o encarava com fevor e sua cabeça estava erguida contra o novo rosto que chegara a esta pequena vila. O mesmo corcel olhava para aquela cabeça cheia de farpas coloridas com o rosto um pouco curvado; este demonstrava um leve desgosto em seu lábio inferior para a pelagem reluzente desta pégaso.

— Vai ficar me encarando o dia inteiro, projeto de cerúleo? — disse o corcel com sua voz irritada. Aquela voz era penetrante e bem imponente.

— Já é de noite, caso não tenha percebido, espertalhão. — respondeu a pégaso quase que automaticamente.

O corcel apertou os olhos. Ele abanou seu rabo bruscamente, de alguma forma, para abafar alguma irritação.

— Você é outro convidado das Princesas? — Dash indagou ao fintá-lo com seus olhos magenta, cujos demonstravam uma expressão um tanto desgostosa; para ela, isso já está virando a casa da mãe Joana. — Preciso que mostre seus docu–

O enorme corcel a interrompeu com uma quente e forte baforada de suas narinas no rosto da pégaso; gotículas melecosas se chocaram em seu rosto celeste. Ela sacudiu um pouco o rosto e o esfregou com um de seus cascos, um pouco enojada.

— Vá encher o saco de outro; tenho trabalho a fazer. Agora saia da frente. — Com passos pesados, o corcel trombou com a pégaso, empurrando-a forçadamente para o lado. Rainbow se desequilibrou e foi de encontro ao chão, batendo seu lombo esquerdo no assoalho de madeira da biblioteca. Todos olharam perplexos para o acontecido, Rarity e Applejack quase se levantaram da cadeira para se pronunciarem, até que alguém foi mais rápido que elas.

— Ei! Por quê isso? Quem você pensa que é?! — Twilight trotou raivosamente em direção ao suposto intruso da biblioteca.

O corcel a encarou com seus olhos pretos sombrios, que fez a própria unicórnio cor-de-lavanda parar de forma brusca seu trajeto. A pressão se tornara pesada quando ela se aproximou daquele grande pônei; um desconforto indescritível pairava ao seu redor, como se um enorme lobo a encarasse esfomeadamente sobre seu lombo roxo, fazendo-a ficar imóvel ou incapaz de reagir. Apesar de querer andar para frente, aquela pressão a fazia andar para trás; mesmo que seus cascos desejassem o norte, seu corpo se movimentava para o sul. Aqueles olhos negros poderiam parar a água corrente ou até mesmo o vento, se quisessem. Twilight engoliu seco, mas conseguiu manter-se parada onde estava, na suspeita.

As pôneis no recinto encaravam o corcel de trajes militares negros com desgosto. A Prefeita não se levantou da cadeira, mas Applejack e Rarity já estavam de pé e com as pernas abertas e duras, numa postura firme. Rainbow Dash ainda estava no chão, já deitada com a barriga para baixo, tentando assimilar o que havia realmente acontecido. Apesar pelo desconforto em seu azulado flanco esquerdo, ela rangia os dentes enquanto olhava para aquele truculento equino que havia a atropelado.

Pinkie Pie apareceu ao lado do corcel amarronzado com uma cara meio fechada para ele.

— Ei, grandão! — ela apontou o casco rosado para ele — Não gostei do que você fez com minha amiga! Isso não se faz com nenhum pônei! Foi muito mal-educado de sua parte. Peça desculpas agora para ela, por gentileza!

O corcel virou a cabeça para Pinke Pie, ela olhava para ele com a cabeça erguida, em uma típica cara emburrada. Os olhos azulados daquela pônei fitaram seu rosto sem mudar de expressão: suas sobrancelhas estavam cerradas e seu beiço fazia um bico enorme. O corcel olhou em seguida para a pequena pégaso ainda no chão da biblioteca e, com uma voz pesada de ranger a madeira do piso, disse:

— Minhas sinceras desculpas, senhorita. Da próxima vez, saia do caminho se consegue não aguentar em pé após uma trombicadinha de nada. Pôneis com essa atitude molenga serão tratados para sempre em suas vidas como capacho. Precisarei limpar meus cascos em você?

Rainbow olhou ao seu redor, percebendo que, desde o empurrão, não levantou do chão. Na mesma hora, ergueu-se imediatamente dele e olhou para o corcel, soltando um relincho forte. Ela queria pular em cima dele agora pelo comentário, mas Pinkie Pie ainda estava em sua frente e, fazer uma manobra dessas, arriscava acertar sua amiga rosada sem necessidades.

Pinkie Pie sorriu alegremente e abraçou o garanhão de uniforme, sem restrições. O corcel nem se moveu por conta do abraço, mas Pinkie Pie estava agora por cima dele, abraçando-o.

— Viva! Você pediu desculpas a ela! Parabéns! — Pinkie Pie desceu de seu lombo e foi bruscamente para o seu lado direito, indagando, — Agora, qual seria seu nome, grandão?

Ele não a respondeu. Apenas a seguiu com a cabeça lentamente, sem demonstrar nenhuma expressão. Aquela poneizinha rosa olhava para ele com ansiedade tremenda, um sorriso enorme preenchia seu rosto rosado. Ela esperava com muita determinação o nome dele, até mesmo poderia varar a noite esperando, se possível for.

O enorme corcel ignorou-a por um momento, virando-se bruscamente para Foreign.

— Eu mal chego e você já com problemas nessa cidade, Foreign? Que espécie de diplomata é você? Aliás, que espécie de profissionais são vocês, deixando de lado suas responsabilidades e fazendo uma festa em plena reunião?! Se é que vocês tem capacidade de se chamarem “profissionais” com estas atitudes…

Ele não deixou de ignorar os enfeites nas paredes e prateleiras, os balões flutuando pelo teto e amarrados nas cadeiras, além de papéis picados pelo chão e a mesa central estar cheia de guloseimas; tudo isso no mesmo cômodo. Um trabalho esplêndido de Pinkie Pie.

Foreign apenas limpou a garganta antes de responder, — Perdoe-nos com a aparência da reunião, senhor. Para fazer uma breve explicação sobre a mesma: A Srta. Pie, que está ao seu lado, havia montado esta pequena festa para minha chegada pois eu era novo na cidade.

— Hihi! Isso mesmo! É o meu jeito de dizer “Bem-Vindos” a qualquer pônei novo que chega à cidade! Isso os deixa tão felizes! Os fazem esquecerem da vida chata e monótona que tinha antes para abraçar a nova vida alegre e cheia de cor que esperam aqui! Alguns pôneis novos chegaram à Ponyville hoje, acho que uns cinco. O Sr. Eye foi o último deles. Ei! Você é novo na cidade, não é?! Nossa! O Sr. Eye agora é o penúltimo pônei novo na cidade! Então, você é o novo último pônei novo na cidade! Seja Bem-Vindo, senhor “novo-último-pônei-novo-na-cidade”! Precisamos fazer uma festa da sua chegada! Esta festa aqui era para o Sr. Eye, mas todas nós concordamos que iremos fazer uma festa para ele direito um outro dia. Podíamos aproveitar esses enfeites e fazer a sua! Isso vai ser tão legal e reciclável! Aliás, qual é o seu nome, grandão? Precisamos apagar o nome do Sr. Eye do bolo para colocar o–

Um balão verde preencheu a boca rosada de Pinkie Pie, interrompendo-a de seu infinito falatório; mas isso não a impediu de continuar, pois ainda se ouvia as balbuciações dela enquanto mexia o maxilar e executava arranhões surdos entre seus dentes e a borracha do balão. O pônei marrom descansou o casco no chão e voltou para Foreign.

— Continue.

Foreign sentia arrepios em suas costas com os arranhões provocantes do balão entalado na boca de Pinkie Pie. Os gritos agressivos da borracha ecoavam em sua mente repetidamente e cada vez mais alto; ele suava frio novamente. “Clemência, é tudo que eu peço!”. Na tentativa de recuperar o conforto, ele afasta discretamente de Pinkie Pie para um pouco mais a sua esquerda, continuando a conversa com o grande corcel militar.

— E h-houve um pequeno problema com os d-documentos. Parece que a Princesa Celestia não me entregou nada que comprovasse que eu estava convidado para essa reunião–

O grande corcel rolou os olhos e bufou — Pfft! Aquela inútil. Não precisa dizer mais nada. Você! De crina roxa e olhos esbugalhados. — ele apontou diretamente para Twilight. A mesma olhou atônita para ele e seu casco cheio de raízes pálidas diante dela.

— Ainda está com o último pergaminho que recebeste da Nossa Singela Princesa?

Twilight pensou por um breve momento e começou a olhar pelo chão ao seu redor. Pequenos balões, papéis picotados e serpentinas estavam espalhados, atrapalhando a sua busca pela carta. Ela chutou alguns balões e assoprou serpentinas, tentando localizá-la. Alguns breves minutos de procura, Twilight achou o rolo de papel meio enrolado embaixo da mesa central — ela não descobriu como ele conseguiu parar lá —. Com um brilho mágico de seu chifre, puxou o rolo de pergaminho e o orientou diante do enorme corcel.

— E-este aqui? — perguntou ela nervosamente.

— Esse mesmo. A Nossa Maravilhosa Princesa descuidadamente usou tinta invisível ao invés de tinta normal quando escreveu essa carta. Ela pediu para que eu avisasse a Vossa Dedicada Aprendiz que, para poder visualizar seu conteúdo, teria que usar o feitiço Rev–

— O feitiço Revelador-de-Segredos! — completou Twilight com uma epifânia em sua voz.

O corcel ergueu uma sobrancelha, — Quem diria. Você sabe.

— Ora essa, claro que eu sei! Anos de estudo e pesquisa dão esse resultado. Pratiquei vários tipos de feitiços e encantamentos durante minha–

— Certo, certo. Menos encheção, mais ação. Se estudou pra isso, faça sem ficar se gabando. O tempo voa e borboletas morrem enquanto você fala entediosamente.

Twilight ficou desarmada. Nunca ninguém havia falado com ela desse jeito. Ou, pelo menos, nunca lembrara de alguém com um comportamento tão desrespeitoso como aquele. Aquela unicórnia se sentiu ofendida com a atitude presunçosa daquele corcel, que olhava para ela com uma expressão dura. Ele conseguiu ser mais grosseiro que uma certa pégaso azul tinha sido com ela à um tempo atrás. Quem ele pensa que é para falar desse jeito com a Aprendiz Particular da Princesa de Equestria, Princesa Celestia?

Ainda assim, sem restrições — por enquanto — acionou a magia de seu chifre com um brilho mais forte. O papel diante dela também brilhou mais intensamente e, num pequeno flash roxo de luz, as palavras que estavam invisíveis tomavam uma cor pálida lúcida. O brilho no chifre de Twilight enfraquecia conforme passavam os breves segundos, assim como as letras que, antes brancas, aderiram a uma cor mais escura, quase como carvão. Twilight, ao aproximar o pergaminho aos seus olhos, leu em voz alta para todos ouvirem:

“Querida Twilight Sparkle, minha mais dedicada aprendiz,

Venho por meio desta carta para alertá-la das recentes mudanças na equipe que organizará o grandioso evento, “A Última Nota”, em Ponyville. Ninguém será substituído, nem demitido de seus respectivos cargos. Apenas adicionei mais 2 (dois) integrantes para a equipe de vocês, no intuito de auxiliá-las em suas tarefas.

Entendo que uma organização grande como essa pode ser sufocante, ou até mesmo estressante para todas vocês. A ideia de vocês ficarem desgastadas com este evento me deixa muito preocupada. Não quero que pensem que não acredito que vocês não sejam competentes para essas tarefas porque penso na saúde de vocês e de todos os outros pôneis, meus queridos súditos.

Os seguintes 2 (dois) novos membros são Foreign Eye e Capitão-General Stubborn.

Twilight parou um pouco a leitura para olhar para o grande corcel diante dela. Parece que o nome verdadeiro dele era Stubborn. Pinkie Pie ficou muito feliz em descobrir o nome dele; ela já pulava ao redor dele repetindo seu nome sem parar, quase cantarolando.

Sparkle não entendia o porquê de haver um “capitão” antes de “general” em seu título. Ele é um Capitão ou um General? Só pode ser um General, pois seu irmão mais velho, Shining Armor, é quem era o Capitão Real em Canterlot. Mas aquele corcel pode ser um Capitão de uma outra cidade qualquer como Manehattan, Phillydelphia ou Los Pegasus; cidades é que não faltam para ter um capitão para supervisionar as tropas e organizar uma defensiva. Mas aquele “General”… aquele título após o “Capitão” estava de alguma forma incomodando-a. Se ele for um General, representaria praticamente um país, como Equestria; não uma pequena cidade. Para ter aquele “Capitão” antes de “General”, ele estaria representando toda Equestria e, além disto, uma cidade muito importante concentrada nela. Pensando nisso, essa importante cidade em Equestria só poderia ser a grande capital Canterlot.

Mas isso não faz sentido! Canterlot está sendo supervisionada por Shining Armor. Ou este título está tentando enganar a mente dessa inteligente unicórnia ou isto é uma verdade inesperada… e uma outra indesejável verdade esteja escondida dentro desta.

— Vai demorar muito para continuar? Não temos a noite inteira para ficar olhando você, viajando na maionese. — a voz grave de Stubborn cortou os pensamentos de Twilight como uma navalha em manteiga.

Twilight estremeceu um pouco, um pouco constrangida por viajar demais em seus pensamentos internos enquanto os outros esperavam ela sair do repouso.

— S-sim, hã, claro. Perdão. Caham…

Foreign Eye irá acompanhá-la durante todo o evento, ajudando-a na organização, no preparo e nas decisões mais importantes como Diretora-Chefe do evento “A Última Nota”. Acredito que ele não a decepcionará em seu auxílio.”

Twilight tomou um curto fôlego antes de continuar, — “Quanto ao General Stubborn–

Capitão-General Stubborn. — interrompeu Stubborn num tom rude. — Leia direito da próxima vez ou limite-se apenas para Capitão Stubborn.

Twilight olhou irritada pelo canto de seu olho, sem mexer a cabeça. A unicórnia roxa não gostava desse título de alguma forma, mas, pela forma deste destaque em seu tom de voz, parecia que ele fazia questão de que falassem “Capitão” em seu título.

Mas “Capitão” é de uma hierarquia mais baixa que a de “General”. Por que ele prefere que o chamem de “Capitão”? Pode ser que muitos prefiram chamá-lo de “Capitão” por sinal de respeito ou por ser mais confortável de se pronunciar, afinal, o cargo de General é muito importante; tanto que até intimida a ideia de estar conversando com um figurão respeitado como ele. Mas, para ela, só servia para preencher o ego daquele indivíduo arrogante.

Twilight descontou uma parte dessa raiva num rouco alto, ao limpar a garganta.

Quanto ao Capitão-General Stubborn, …” — ela fez questão de destacar essa palavra. — “… ele irá ajudar a sua querida amiga pégaso, Rainbow Dash, responsável pela segurança e o bem-estar de todos os pôneis como Secretária de Segurança em Ponyville durante todo o evento. Peço que diga a ela para usar bastante de sua paciência com ele e que seja mais firme que o próprio. Ela entenderá o que eu quero dizer. Sei bem o que passa na cabeça dele e ela é a melhor pônei que conheço para colocá-lo na linha.

— Pfft! Claro que ela sabe. Afinal, ela sabia que sua sobrinha tinha sido raptada e aprisionada numa caverna embaixo de seu próprio castelo… — disse Stubborn num tom irônico.

Ninguém ousou argumentar. Twilight mesmo já estava perdendo a paciência e ficando bastante ofendida por esse ser scroogeniano estar desrespeitando sua digníssima mentora desse jeito. Mas, para não perder sua postura jeitosa, ela decidiu deixar passar e terminar de ler a carta com desgosto.

Deixo estes pôneis por vossa responsabilidade e a de sua amiga pégaso.

De sua grande mentora,

Princesa Celestia.”

Antes que os pôneis no cômodo pudessem discutir sobre a carta, Twilight ergueu o casco bruscamente.

— Esperem! Há um Pós-Escrito: P.S: Spitfire confirmou que irá para Ponyville uns dias depois, substituindo o comando de Soarin, juntamente com os Wonderbolts para se prepararem para a abertura, quando o evento começar.

— ISSO! — Rainbow Dash deu um salto de alegria e bateu as asas, emocionada. — Spitfire está vindo aqui! AI, MINHA NOSSA! Isso vai ser tão legal! Já que ela virá mais cedo do que antes, posso ter tempo o suficiente para mostrar minhas incríveis e milaborantes manobras aéreas como o “O Vôo Rasante Profundo”! — a pégaso azulada deu um curto rasante ao redor do cômodo com cautela, imaginando como seria sua apresentação de seus truques para os Wonderbolts. E continou fazendo ao citar os nomes de cada um, enquanto alguns pôneis no recinto a seguiam com a cabeça — Ou “Mergulho Cintilante”! Ou “Tobogã Aéreo”! Ou então o “Cometa de Pégaso”! Ou quem sabe–

— Nós já entendemos… Já pode parar, querida. — pediu Rarity ao sentar-se de volta a cadeira, gesticulando o casco.

Rainbow Dash apenas parou no ar e cruzou os cascos, fazendo uma cara fechada. — Hunf… Tá bom.

— Intonci, como ficô a situação, Tualáiti? — perguntou Applejack, olhando para Twilight quando voltou a sentar em sua cadeira.

— Ao que tudo indica, eu estava certa! A Princesa definitivamente me enviou uma carta alegando que tinha falado com Foreign e que ele realmente é um convidado para essa reunião! Então, ele não precisa ir embora já que foi comprovado!

— Mas, ainda assim, ele não possui os documentos oficiais. — interferiu Rainbow Dash, — A carta, sim, provou que ele conversou com a Princesa Celestia e que ela o enviou para nos auxiliar durante o evento. Mas ele precisa apresentar esses documentos. Faz parte do protocolo.

— Francamente, Raibow Dash! — respondeu Twilight, sacudindo a cabeça com desgosto ao persistente comentário de Rainbow. — Você nunca dá o casco a torcer! Pela última vez, ele não é um terrorista!

— Está no protocolo. — agora a voz vinha de Capitão Stubborn. — Isso é verdade e você não pode simplesmente ignorá-la. Como Diretora-Chefe, deveria saber disso e acatar sem restrições.

Twilight não contradizeu; mais uma verdade foi jogada na sua cara.

— Esse descuido de Nossa Descuidada Princesa não podia ser ignorado. — continuou Capitão Stubborn, — Depois de uma longa e insistente conversa, convenci a ela que me desse ordens para ir à Ponyville para auxiliar a Secretária de Segurança desta cidade na segurança do evento que ocorrerá daqui alguns dias. Além de passar este recado para a Dedicada Aprendiz dela e ao diplomata.

— Mas por que ela não me reenviou uma carta explicando? — argumentou Twilight. — Não precisaria ter o enviado até aqui de Canterlot para–

— Ela me disse isso. Mas como Capitão-General de Canterlot, preciso ser minucioso com o fator da segurança desses documentos, pode ser que a magia de envio dessa carta seja desviada de seu destino final. Sim, é possível usar um contrafeitiço para alterar o destino das cartas que você recebe, Dedicada Aprendiz da Princesa. Mas Nossa Confiante Princesa confia demais de si mesma e de sua poderosa magia.

Twilight obviamente não estava gostando dos comentários que aquele estranho pônei estava fazendo de sua devotada mestra de magia. Mas, ainda assim, ela procurava por explicações e engoliu seu incômodo.

— Insisti que ela me desse os documentos de Foreign e meus, pois eu mesmo iria levá-los e entregá-los, já que as recentes ordens de Nossa Mandona Princesa a mim era auxiliar a recém Secretária de Segurança desta cidade interiorana. Sei que, comigo, esses documentos estariam seguros. Com isso, para aumentar a segurança deles, Nossa Minuciosa Princesa usou uma magia para inseri-los num pedaço de lenço, usando como disfarce. Após isso, saí de Canterlot, no mais tardar, às sete horas, seguindo caminho a galope para Ponyville. Cheguei à cidade pouco mais de oito horas; tempo o suficiente para ouvir a balbúrdia que faziam dentro desta biblioteca.

Twilight e os outros pôneis não sabiam se acreditavam nas palavras daquele pônei. A distância entre Ponyville e Canterlot era absurda! Milhas, quilômetros; morros, lagos; matos, florestas de distância separavam as duas cidades. E Canterlot se apoiava nas costas íngremes de uma montanha! Os pégasos da Guarda Real levam pouco mais de uma hora para chegar aqui; os Wonderbolts, minutos! Para um grande corcel, não é de suspeitar de sua força, mas sua velocidade seria surpreendente. Até mesmo Applejack arregalou um pouco os olhos, surpresa.

Ééégua! Cê galopô de Cantêlóti pra cá in mênos di duas hóra?!

— O que é isso, querida Applejack. — Rarity apalpou o casco de sua amiga caipira, ainda surpresa com essa proeza. — Não é tecnicamente impossível de fazer isso. Mas eu sinceramente tenho minhas dúvidas sobre a veracidade dessa façanha. Canterlot é bem longe, são muitas milhas de lá para cá. Para irmos até lá, sempre usávamos o trem da estação de Ponyville, mas ainda assim demorava um bom tempo até chegarmos todas lá. Mesmo para qualquer pégaso, demorariam não menos que uma hora para chegarem aqui.

— Tem razão, Rarity. — entrou Rainbow Dash no assunto. — Para qualquer pégaso. Mas para um pônei terrestre poderia demorar muito mais do que apenas uma hora ou até metade de um turno diurno para ele ou ela chegar aqui há galope, sem ser por um meio de transporte como um trem ou uma biga puxada por pégasos treinados. Isso está me cheirando a exibicionismo, meu caro senhor Stubborn. Como pode dizer que chegou de Canterlot para cá em pouco mais de uma hora?

— E quem é você para dizer que eu tenho que comprovar isso? — Stubborn virou seu corpo bruscamente para Rainbow Dash, ficando de frente para ela. A pégaso azulada afastou por um passo, surpreendida. Em seguida, Stubborn virou a cabeça para os pôneis presentes. — Vocês estão com uma mente muito limitada quanto ao que se pode dizer do “impossível” ou do “possivelmente provável”. Quem disse que não é possível galopar daqui até Canterlot em menos de duas horas?! Há muitos anos houve pôneis que superavam e quebravam o impossível de seus limitados corpos. Como Feather Hoof, que conseguiu galopar de Los Pegasos até Manehattan em menos de três dias de viagem. Ou de Heavy Stone, famoso por construir inúmeras casas e lojas por toda Equestria, mesmo com o seu péssimo senso de equilíbrio. Ele sempre trombicava e tropeçava em seus materiais de trabalho e quase sempre destruía as casas que tinha acabado de erguê-las. Mas isso não era desculpa para o que ele fazia. Se não me engano, há uma citação no livro de Foreign, “Appleloosa É Logo Ali Adiante”, que Heavy Stone foi responsável por construir as casas, os salões e as lojas daquela cidade. Estou errado, Sr. Eye?

Todos os pôneis explicitamente viraram seus rostos para o elegante pônei de terno, que agora se sentia pressionado pelos olhos ansiosos daquelas senhoritas. Foreign estava deveras surpreso aquele pônei de grande massa corpórea soubesse de uma informação como essa. Não pelo fator de ele não saber nada ou de ser um leigo que só pensa em malhar seu corpulento lombo e planejar táticas e estratégias militares; mas por ele ter citado seu livro como argumento verídico. Em piscadas repetitivas com os olhos, ele respondeu:

— Claro que não, Capitão Stubborn. O senhor está correto

— Correto, isso mesmo. — respondeu de volta o grande corcel, voltando para os outros pôneis.

Ele leu mesmo o livro de Foreign; isso o deixou surpreso. Foi uma ótima tática de demonstração da sua bagagem cultural, quem diria que ele — ele mesmo — pudesse citar algo do gênero, até mesmo antes que o próprio Sr. Eye pudesse comentá-lo, pois ele sabia do assunto. Que livros a mais será que ele leu ou conhece, perguntou o pônei elegante para si mesmo, em seus pensamentos.

— Como também houve uma façanha mais recente — continuou Capitão Stubborn — de uma pégaso, que não lembro bem o nome, mas a denominam como “Raio da Aurora” em algumas regiões ao sul de Equestria. Dizem que ela havia ultrapassado a barreira do som em questão de minutos, num mergulho veloz e profundo. A velocidade foi tremenda que uma onda de choque multicolorida preencheu o céu azul daquele dia, podendo ser visto suas cores e sentido seu choque a milhares de milhas de distância. Aquela onda afastou e quebrou nuvens, balançou as árvores frutíferas e estremeceu as águas dos rios. Jamais foi visto um céu tão limpo e brilhante em anos como naquele dia.

Um comichão pinicava nas nucas das pôneis presentes, onde resguardam as memórias e lembranças. Essa história que Stubborn acabou de contar era suspeitosamente familiar. Todos coçavam o queijo, tentando lembrar alguma referência. Foi então que Twilight e suas amigas olharam bruscamente para a pégaso azulada de crina rebelde e colorida, que meses atrás participou da competição “Melhor Voador Mirím”, em Cloudsdale, e que, na mesma ocasião, estreou pela segunda e penúltima vez em sua vida, a incrível manobra qual Rainbow Dash se orgulha de patenteá-la e de ser escutada pela boca de outros pôneis apaixonados: O Arco-Íris Sônico.

Stubborn continou a citar momentos e comentários que ele ouvia de outros pôneis; histórias que passavam de boca em boca, rumores que passavam de sussurros em sussurros, e piadas que passavam de risadas em risadas. Rainbow não podia fazer nada a não ser escutar cada palavra que aquele arrogante corcel falava indiscretamente sobre ela e sua grande façanha. Seu sorriso azulado ia crescendo, assim como o ego em seu peito. “Raio da Aurora”? Hehe. Adorei esse nome…”, pensou ela. Suas amigas olhavam para o grande corcel e para pégaso azulada repetidamente; não sabe ele que está diante da autora desta grande façanha, bem ao seu lado.

— EI! — Pinkie Pie interrompeu — Este bafafá está muito parecido com o quê a Rain–

Antes que ela terminasse de falar um nome, Pinkie foi agarrada pela pégaso azulada e sua boca foi tampada por um casco azul, seguido de um surdo “Psshht!” em sua orelha. Suas amigas logo viram e suspeitaram de seu comportamento. Mas antes que pudessem se pronunciar, foram interrompidas.

— Como é? — perguntou Capitão Stubborn, virando para a pônei cor-de-rosa sendo agarrada pela pégaso azulada.

Rainbow disfarçou o agarramento como um amigável abraço, terminando com o casco sobre o ombro direito da pônei de crina espalhafatosamente rosa. Então, Dash tomou a iniciativa antes dela:

— Oh! Bom…! Hã… e-ela disse que essa história toda que você contou… sobre o choque multicolorido e… e tremores… e-e achou muito parecida com o que aconteceu na competição “Melhores Voadores Miríns” em Cloudsdale. Disseram sobre um grande impacto no céu, que o preencheu com uma onda de várias tonalidades de cor. Será coincidência?! Haha…

— Não existem coincidências. E eu estava falando exatamente desse acontecido… e de outros dois: um há muito tempo atrás, que ocorreu na mesma cidade, e um outro bem mais recente, durante um Casamento Real em Canterlot.

Rainbow Dash olhou em volta discretamente, tentando arranjar alguma ideia para distraí-lo desta interrupção e fazê-lo esquecer do assunto pendente — E… e… como foi… hã… essa grande façanha… em seu ponto de vista? Sem ser pelos comentários dos outros pôneis quando viram essas incríveis e estupendas manobras?

— Infelizmente não estive presente em nenhum dos acontecidos para poder ter minha própria opinião. Eu estava em outros lugares, com outros afazeres e outras responsabilidades mais importantes a serem preocupadas. O que posso dizer são as opiniões de terceiros, quais eu ouvi durante algumas viagens. Sempre comentam que era algo que nunca viram antes; que era uma coisa que só via uma vez na vida, mas não é verdade! Isso aconteceu mais que duas vezes. Em menos de uma década; isso não é algo raro. Ele ou ela o executa apenas em situações ou eventos especiais, como a competição de “Melhores Voadores Miríns” ou o Casamento Real. Acredito que, neste evento, poderei vivenciar essa próxima façanha.

E continuou novamente a citar comentários de outros pôneis e do que ele espera encontrar e ouvir outros comentários de novos pôneis nesta cidade durante esse grande show de música. Rainbow puxou devagar Pinkie Pie para um canto, ao lado de uma inocente samambaia, e cochichou baixinho com ela. Uma certa unicórnia cor-de-lavanda suspeitou essa privacidade.

Pinkie! O que está fazendo? — perguntou Rainbow nervosamente em sussurros, virando-se para ela num canto do cômodo.

E pergunta pra mim? — Pinkie Pie a pergunta também aos sussurros, — O quê você está fazendo, Dashie? Por que tampou minha boca? Eu só ia comentar sobre o Arco-Íris Sônico que você fez em Cloudsdale–

É por isso mesmo!

Pinkie Pie olhou para ela com uma sobrancelha erguida; até ela boiou nessa.

É o quê? Você não quer que eu conte a sua grande façanha para ele? Por quê?

Porque eu quero ver o que ele tem a dizer sobre mim e o meu grande feito!

Você sabe o que é! É estupendamente maravilhoso e lindo! Você foi com “ZUM”! E “PURRRRRSHHHHH”! E então “BOOOOOM”! Foi incrível e cheio de cor! Você viu! Ou fez… Ou viu e fez!

Mas ele é tipo um General, Pinkie! Um militar; um pônei super importante, saca?! Há anos que espero alguém importante como os Wonderbolts para comentarem sobre meus feitos e façanhas. Agora que vejo um importante pônei como ele, que é um General da Guarda Real de Equestria, não posso perder essa chance de ouvir o quê ele tem a dizer sobre isso! É a minha grande chance!

Uau! Que legal e super bonito! Tem todo o meu apoio, Dashie! — Pinkie bateu levemente os cascos de emoção — Mas o quê isso tem haver em dizer o seu nome?

Porque ele não sabe que eu sou a pégaso que fez o Arco-Íris Sônico! Ele só o conhece por boatos de outros pôneis, quase nenhum dos que ele ouviu era concreto. Ele nem sabe se é um pônei macho ou um pônei fêmea! E meu nome tem muita relação com o que aconteceu em Cloudsdale, em Canterlot e com meu recente cargo como Secretária de Segurança em Ponyville. Temo que, cedo ou tarde, ele acabe descobrindo meu nome, pois ele vai querer saber quem é a responsável pelo cargo…

Ué, é só mudar de nome! Isso é fácil! — respondeu Pinkie de uma forma confiante, mas Dash não a levava à sério; só pôde suspirar tristemente.

— Não é tão fácil quanto parece, Pinkie. É muito mais difícil. Todos os pôneis da cidade me conhecem por Rainbow Dash. Fazerem eles me chamarem por outro nome é praticamente impossível!

— Bom, dã! Deixe isso comigo! Sua amigona Pinkie Pie dá um jeito em tudo!

    Rainbow olhou para ela, incrédula — Hã? Sério mesmo que você consegue?!

— Tão séria como uma pedra pode dançar e cantar!

Rainbow deu com o casco na testa, mas ela conhecida sua amiga neurótica; ela faria qualquer coisa por suas amigas e, nisso, Dash acreditava em sua capacidade.

Ai, ai, tudo bem, Pinkie. Mas que nome devo trocar? Não tem que ser muito parecido com o meu original.

— Certo! Pensemos! Hum… — Pinkie colocou o casco no queixo, pensativa.

De repente, ela teve um sobressalto — Ei, ei! Que tal Rainbow Dash?!

— Pinkie! Esse é o meu nome verdadeiro! Tem que pensar em um outro para substituí-lo!

— Aié! Foi mal. Hihihi. Hum… que tal “Baunilha”?

— Baunilha? Mas o quê isso tem haver? Eu nem sou branca para ter esse nome!

— E quem disse que você precisa ser branca para ser chamada de “Baunilha”? A Rarity é branca e nem por isso seu nome não deveria ser “Rarity”!

Mas esse nome é ridículo!

— Você tá é reclamando de barriga cheia! Precisa passar mais tempo faminta. — Pinkie cruzou os cascos, impaciente. Mas ela não desistiu.

Ei, que tal “Pamonha”?

Rainbow não esboçou nenhuma reação, mas o tilintar de sua pálpebra inferior era incontrolável e bem visível.

— Não olhe pra mim assim! Reclame com o escritor que está me fazendo dizer esses nomes esquisitos para você!

— Ai, Pinkie, esquece! Eu mesma vou pensar num nome! Deixa-me ver… ah, já sei!

— Viva! Então, me fala! O que é, o que é?! — a pônei rosa saltitava de ansiedade.

— “Star Fox”! — Dashie disse o nome com a coisa mais mirabolante e genial de todas as coisas que ela havia pensado, mas a expressão duvidosa de Pinkie dizia outra coisa.

— Mas você não é uma raposa, Dashie–

— Isso não vem ao caso! — disse Dash, sacolejando os cascos em frente a ela — Esse vai ser meu novo nome e pronto! Até segunda ordem ou o meu plano ir pelo ralo!

— Beleza então! Vou falar com as outras e espalhar a notícia! — Pinkie Pie ia se preparar para dar um salto lateral, mas Dash a segurou pelo casco.

— Espere, Pinkie! Mas não diga para o Brutamontes e nem pro Sr. Eye!

— Ah, tudo bem– Ei! Como assim “não pro Sr. Eye”? O que você tem com ele ainda?

Nada! Eu… só não confio nele ainda. Acho esse cara meio suspeito. Aliás, não vou muito com a cara dele. — Dash descansou os cascos no rosto de sua enérgica amiga, olhando seriamente para ela — Por favor, Pinkie! Não conte para nenhum dos dois! Promete?!

Pinkie observou que o quê Rainbow lhe pedia era de profunda seriedade e confiança. De sua narina rosada, ela suspirou, mas logo voltou com um sorriso gentil em seu rosto jambo rosa — Pinkie promete. — com um gesto singelo com o casco, ela cruzou-o o peito com ele, esticou-o para o alto e pousou levemente em seu olho esquerdo.

Sinto muito, Rainbow, mas não posso permitir isso. — uma voz dura veio por dentro da mente delas, como se alguém a sussurrasse pelo ouvido, mas que ecoou em suas cabeças.

 As duas logo ficaram paralisadas, suspeitando dessa voz misteriosamente familiar ecoar por entre seus ouvidos. Nervosamente, as duas olhavam em volta, na tentativa de achar a real fonte daquela voz ameaçadoramente reconhecível, mas ela retornou em seus pensamentos, num tom mais calmo e mais amigável.

Calma, vocês duas. Sou eu, Twilight Sparkle. Falando telepaticamente com vocês. Vocês também podem falar comigo, apenas pensem em suas frases mentalmente e eu as ouvirei.

Heim?! Sério?! QUE MUITO LOUCO! Não sabia que podia fazer uma coisa dessas, Twilight! Irado! — respondeu Pinkie Pie, mas sua boca não se mexia; imediatamente ela demonstrava dominar essa habilidade de falar mentalmente, após anos praticando em particulares conversas mentais consigo mesma.

Mas heim?! C-como e desde quando você faz isso?! — perguntou Rainbow, meio assustada com essa novidade.

É só uma magia que aprendi alguns dias atrás, mas só consigo utilizá-la em uma distância muito limitada, mas o suficiente para usar em qualquer parte desta biblioteca. Claro que é uma magia contínua e, por causa disso, eu tenho que utilizar a mágica do meu chifre constantemente enquanto falamos. Mas só podemos conversar por alguns minutos, pois quero esclarecer algumas coisas com vocês duas antes do Sr. Stubborn termine de falar.

— Está certo, Twilight. Mas como você está sabendo de nossa conversa? Estamos muito longe de você para conseguir ouvir alguma coisa. Ainda mais com esse contador de histórias falando infinitamente…

— Verdade, Rainbow. — admitiu a unicórnia num tom humilde — Estou longe de vocês, eu não poderia escutar nada de onde estou com a distância e com o falatório de alguns pôneis no ambiente. Mas eu ouvi toda a conversa das duas por causa de um outro feitiço que instalei nessa biblioteca: Paredes-com-ouvidos. Com meu chifre, eu desenhei um símbolo mágico em possíveis locais de haver algum cochicho ou fofocas na biblioteca. Esses símbolos ficam apagados quando estão desativados, mas, com um brilho do meu chifre, posso ativar qualquer uma das marcas ao meu desejo, para ouvir qualquer coisa e o quanto eu quiser. Acredito que tenha um símbolo escondido perto dessa samambaia atrás de vocês. Ele estará piscando levemente com uma cor púrpura.

As duas pôneis olharam para a samambaia atrás delas, com suspeita. Rainbow esticou o casco e, num empurrãozinho nas folhas, localizou no meio dos galhos um pequeno círculo, do tamanho de uma moeda, pulsando em ritmos lentos com uma cor roxa. As duas pôneis se entreolharam, surpresas. Ao que tudo indicava, aquela samambaia não era tão inocente quanto aparentava ser.

Sei que pode soar meio que invasão de privacidade para vocês, mas lembrem-se de que estão na minha casa. Logo, não poderiam usar como desculpa para os seus cochichos secretos.

… Tá certo, tá certo. — admitiu Dash, meio encabulada. — Mas o quê você deseja falar, Twilight? Ouvi bem o que você me disse há alguns minutos e estou muito curiosa de saber o seu motivo com aquela confiante afirmação.

E você ouviu muito bem o que eu disse, Rainbow. — disse Twilight num tom firme — Não vou permitir que faça isso para um benefício próprio, mas que seja prejudicial.

— Hein? “Prejudicial”? Como assim?

— Rainbow, você como Secretária de Segurança em Ponyville… e eu como Diretora-Chefe do evento devo relembrá-la: Você deveria saber que não é permitido quaisquer alterações nos dados pessoais e profissionais dos funcionários e dos responsáveis neste e em qualquer evento. Isso está no protocolo que você escreveu e em qualquer protocolo existente; isso é uma regra geral; padrão: é proibido fazer essas alterações em qualquer lugar. Caso você alterasse suas informações, caso isso seja descoberto e comprovado que você os alterou, poderia perder o cargo presente por alteração de dados; desvio ilegal de informações; formação de quadrilha, pois você está pedindo ajuda de sua amiga Pinkie Pie para auxiliá-la no plano; ela será condenada como sua cúmplice; além de que essa notícia poderia espalhar por todas as regiões equestrianas. Com um vazamento desses, para onde você iria? Sua reputação em qualquer lugar estaria destruída e você poderia até ser presa. Quer mesmo ter esse risco?

Rainbow ficou com a cara no chão. Ela se sentia encurralada; esqueceu-se deste precioso detalhe, além de muitos outros citados por Twilight. Sua cor azulada quase tomou um tom mais pálido; ela engoliu seco.

— Isso é verdade, Dashie. — disse Pinkie, sussurrando para sua amiga pégaso — Eu mesma que não entendi quase nada do que Twilight disse, parece ser uma coisa bem séria.

De fato é, Pinkie. — continuou Twilight — Escute, Rainbow. Eu sei que você quer ouvir críticas ao seu respeito; saber o que seus ídolos ou pessoas importantes comentam sobre suas façanhas, mas tens de fazer isso sem prejudicar ninguém e, principalmente, a si mesmo. Não concordo com o seguimento do seu plano para isso e farei o que for preciso para impedi-la. Sinto muito.

Rainbow ficou cabisbaixa; parecia um plano tão bom. E essa unicórnia metida nem para ajudar, só para atrapalhar mais uma vez. Dash se incomodou um pouco com essa confiança de Twilight sobre impedí-la de todas as formas possíveis. Aquela unicórnio pensava fazer isso pelo seu bem, claro, mas também para interrompê-la em sua carreira profissional. Será que ela queria ajudá-la… ou atrasá-la?

Mas seu plano não precisa ser jogado fora. Uma coisa muito mais simples você poderia fazer para ele dar certo, Rainbow.

A voz de Twilight em sua cabeça a fez acordar subitamente de seus pensamentos, chamando a atenção da pégaso azulada. Há um outro caminho que ela poderia seguir em seu plano?

Como é?

Sim, há uma outra forma de você seguir com o plano. Ele é mais seguro e, possivelmente, infalível.

Dash suspeitou, mas resolveu perguntar: — E qual seria? Você… pode me contar?

Claro que posso! Seu plano não é mau, só precisava ser mais simples e mais provável de dar certo. — Twilight soltou uma risadinha, mas Dash respondeu com uma bufada pelas narinas — Pois bem: tudo que você precisa fazer para seguir com seu plano, sem ser algo complexo como mudar de nome e fazer todos os habitantes de Ponyville te chamar por esse novo nome, simplesmente você só tem que desviar sua presença nos acontecidos! Calma, deixe-me explicar melhor: Stubborn não sabe que você é a pégaso que fez os Arco-Íris Sônicos naquelas ocasiões; ele sempre esteve ausente nestes momentos. Ele não sabe que Rainbow Dash é a pégaso e nem sabe que Rainbow Dash esteve presente nessas ocasiões. Logo, não há riscos de ele não deixar de comentar essas façanhas perto de você. Sem falar que nem adiantava mudar seu nome pois na carta da Princesa consta que Rainbow Dash é a Secretária de Segurança na cidade. E, por causa disso, ele sabe que você é a Secretária de Segurança, mas não sabe que você é a pégaso dos Arco-Íris Sônicos”.

Dash analisou bem as palavras da unicórnio e assimilou cada caractere. Ela se sentiu convencida da opinião de Twilight — É, Twilight. Esse seu caminho é bem simples. Devo dizer que me esqueci deste detalhe sobre a carta da Princesa. Que vacilo…

Tudo bem, Dash. Só quero que você continue com seu trabalho e que não se distraia com esses assuntos. Não quero dizer que eles não são importantes, mas… o quê é mais importante neste exato momento?

Rainbow pensou por um tempo, parece que ela entendia o que Twilight queria dizer para ela.

O bem-estar dos pôneis durante o evento.

Sim. Isso mesmo. Não ponha nada em cima além desta missão. Vou desativar o feitiço agora, Stubborn já está começando a diminuir o seu falatório. Estamos de acordo, Rainbow e Pinkie? Posso confiar em vocês?

Pode confiar na gente como um rato que confia no gato em guardar sua toca! — disse Pinkie Pie com o casco na testa, fazendo uma continência.

Rainbow tentou ignorar o comentário da espalhafatosa pônei rosa; ela respondeu Twilight com um aceno com a cabeça — Está certo, Twilight. E… obrigada.

Twilight de longe olhava para a Rainbow Dash. Para sua surpresa, Rainbow estava sorrindo, mais uma vez naquela noite. Twilight a olhava com alegria, um sorriso satisfeito ergueu de sua boca; finalmente aquela unicórnio cor-de-lavanda fez aquela pégaso azulada sorrir. Twilight desativou a magia de seu chifre; bem na hora que o Capitão Stubborn terminara de falar suas últimas palavras.

— … Quem aponta a loucura de outro, acaba sendo o verdadeiro louco por duvidar das capacidades desses e de qualquer indivíduo.

Alguns pôneis não puderam se conter. Apesar de não gostarem da atitude grosseira daquele corcel primeiros minutos que entrou nessa biblioteca, começaram a bater os cascos para o discurso daquele Capitão. Poucos aplaudiam com desgosto; ainda amargurados com as recentes atitudes daquele indivíduo, mas Rarity e Applejack aplaudiram com um certo fervor, pois foram convencidas com aquele discurso dele. Applejack cheirava mentiras a distância e sempre sabe quando algum pônei está dizendo a verdade ou está escondendo-a. Já Rarity suspirava daquele enorme garanhão e seu corpo firme e corpulento, acreditando ainda mais em sua história só com o quê estava vendo diante dela. Até começou a abanar um pouco seu rosto para aliviar um certo calor que subiu.

Twilight deu alguns trotes afrente em direção a Stubborn — Bom, por gentileza, posso dar uma olhada nesse pedaço de lenço? — perguntou ela, já preparando um leve brilho em seu chifre.

O grande corcel ficou um breve momento em silêncio. Twilight apenas ficou esperando ele fazer ou falar alguma resposta. Ele encarou a unicórnia cor-de-lavanda e, em seguida, escorreu os olhos de cima em baixo pelo corpo dela de uma forma maquinária, como se estivesse analisando-a e registrando quaisquer gestos em seus olhos ou expressões em sua face, diretamente para dentro de sua memória. Isso a deixou um pouco desconfortável; um pônei grande como ele a encarar de uma forma tão profunda, mas ao mesmo tempo um tanto irritada por suspeitar de suas ações, mesmo ele sabendo que ela nunca iria desrespeitar ou violar qualquer ordem que as Princesas tenha dado à ela ou qualquer uma de suas fiéis amigas; mas ainda assim ela esperou, comportada.

O grande corcel assentiu levemente com a cabeça e retirou do bolso de seu uniforme um pequeno pedaço quadrado de papel, que estava em branco. Twilight puxou o papel para perto de si com a magia de seu chifre, examinando-o.

— Obviamente está em branco por questão de segurança da Nossa Cuidadosa Princesa. — acrescentou o Capitão. — Possivelmente, seu real conteúdo será revelado no centro dele com a execução do feitiço “Revelador-de- Segredos”. Mas, para não perdemos mais tempo, vou dizer o quê se espera estar escrito nesse lenço: o que contém nele é um símbolo de uma magia de invocação, onde Nossa Respeitosa Princesa inseriu os documentos oficiais meus e de Foreign dentro dele. Para invocar os documentos, precisa usar o feitço “Mat–

— … O feitiço “Materializando Átomos”! É um pouco mais difícil que os feitiços com os quais estou acostumada, mas nada com que eu não possa executar!

Twilight afastou as patas levemente e fechou os olhos para se concentrar. O primeiro feitiço era fichinha; ela já havia executado ele antes, então podia executar novamente. Com uma rápida execução, o pequeno pedaço de papel reluz num tom branco e o símbolo mágico é revelado em seu centro. Possuía uma forma oval com pequenos círculos ao redor; três riscos cruzavam seu corpo de forma aleatória, sem coordenação ou ângulo específico.

Twilight admirou o majestoso símbolo diante dela. Um discreto suor escorreu pela sua testa chifruda, mas ela não deu atenção a esse mero projeto de distração; estava confiante de que conseguirá fazer uma magia de invocação pela primeira vez em sua vida. Fechou os olhos para concentrar-se novamente na execução do próximo encantamento: o feitiço “Materializando Átomos”. O brilho de seu chifre começou devagar. Conforme o tempo avançava, a luz roxa se intensificava, como uma lamparina a óleo ao regular sua iluminação. Esta aumentou ainda mais; ao redor daquela unicórnio, o assoalho estava com uma coloração roxa e sua sombra já estava visível sobre ele. Minúsculas fagulhas saltavam de seu chifre enquanto o símbolo de invocação sobre o papel reluzia ofuscante. A unicórnia roxa torceu um pouco os lábios, aumentando sua concentração.

Do símbolo, um pequeno raio púrpura atravessou o ar a sua frente e emanou um brilho pálido em frente ao rosto de Twilight. Ela não enxergava o brilho por conta de sua concentração contínua, mas podia sentir a luz propagar-se diante de seu rosto; uma sensação morna e delicada.

Alguns pôneis presentes estavam olhando admirados pela impressionante magia que Twilight estava executando. Alguma coisa estava sendo projetada do nada! E diante delas! A Prefeita e a Applejack olhavam maravilhadas; nunca tinham visto nada igual em suas vidas. Rarity não estava tão surpresa, já que ela também era uma unicórnia; ela sabe como é que funciona a magia dos unicórnios e como é tão desgastante fazer mágica desse porte como é para AJ ao cuidar de sua roça, com coices e carregamento de cargas pesadas. O esforço não é físico, mas é mental; precisa-se de muita concentração para executar magias e encantamentos mais complexos como materializar objetos ou viajar no tempo. Pinkie Pie, por outro lado, olhava com extrema admiração; seus olhos azuis brilhavam e seus pêlos rosados se arrepiavam pela incrível visão de uma mágica tão complexa como a de Twilight. Parecia que era a mágica mais estupenda que Twilight havia feito em sua vida. A questão é que Pinkie Pie ficava emocionada simplesmente com qualquer coisa. Uma vez, há algumas semanas atrás, ela estava torcendo de uma forma bem espalhafatosa que as flores dos vasos do Canto Cubo-de-Acúcar crescessem mais rápido que a grama de seu próprio jardim. Ela achava que, assim, fazia as flores se sentirem mais orgulhosas e mais confiantes em si mesmas que, consequentemente, floresciam mais bonitas e coloridas.

O brilho pálido diante de Twilight começou a tomar forma de dois retângulos, mas que se perdiam conforme a luz diante dela pulsava e ia se enfraquecendo aos poucos. As faíscas mágicas de seu chifre estavam fervilhando e piscavam preocupantemente, pois Twilight estava perdendo sua concentração. O suor frio escorria ainda mais em seu rosto roxo e sua expressão tornou-se mais tensa e esforçada. Seus joelhos frontais dobraram levemente com o cansaço e sua cabeça tornara-se estranhamente mais pesada. O feitiço estava sendo complicado demais para ela; sua energia estava se extinguindo e ela precisava de mais magia do que aquele pequenino corpo poderia oferecer. Isso começou preocupar a jovem potra cor-de-lavanda. Ela tinha certeza de que poderia efetuar esse feitiço com maestria, ela tinha bastante confiança. Afinal, foi para isso que ela estudou. Ela tinha a ambição de ser a unicórnio mais habilidosa em magia, queria que seu talento fosse reconhecível por outros pôneis; afinal, seu talento especial é, deveras, magia. Mas, ainda assim, tem dificuldades para executar um complicado feitiço de materialização como esse. Como ela poderia explicar para sua tutora caso falhasse? Sua mestra confiou em sua habilidade quando inseriu esses documentos neste pedaço de pano; ela sabia que Twilight conseguiria executar esse feitiço.

Ela não podia falhar; ela tinha que conseguir.

A unicórnio cor-de-lavanda ergueu um pouco a cabeça, suas sobrancelhas cerraram violentamente e seus dentes rangiam com força. Seu chifre voltou a emitir a luz mágica, só que mais forte do que antes. O brilho pálido diante dela intensificou-se numa coloração roxa, formando novamente as duas figuras geométricas retangulares. As pôneis em volta dela ficaram visivelmente surpresas com a mudança de cor.

Num pequeno flash sonoro, dois pedaços médios de papel planaram da luz pálida e pousaram levemente no chão. As pôneis no recinto aplaudiram em êxtase, maravilhadas pela magia espetacular daquela unicórnio cor-de-lavanda. Twilight olhou ao seu redor com as pálpebras quase caídas para suas companheiras; havia um sorriso cansado e algumas gotas de suor em seu rosto. Mas as luzes das lamparinas estavam estranhamente se apagando; em sua visão, aos poucos, ela estava entrando para a escuridão e sentia o chão mole e distorcido. Suas últimas energias em suas pernas se extinguiram, forçando seu exausto corpo a entrar em colapso com o chão de madeira. As pôneis na mesma hora cessaram seus aplausos, mas suas reações de socorro eram muito lentas e suas distâncias não ajudavam a segurar aquela unicórnio em queda. Ela sentiu seu corpo em ondas, como se tivesse se chocado com alguma coisa, mas não sentiu nada; nem dor nem mesmo o toque frio de madeira sólida. A escuridão dominou seus olhos e sua mente. As vozes se calaram e os rostos preocupados se perderam. De todos os sentidos que ainda possuía, podia sentir um delicioso aroma de frutas cítricas.

Fim do Capítulo Cinco

Fanfic, Fanfics estrangeiras

Dia de circo – Parte 6 (final)

Título original: Circus day

Tradução: Lucas T.

Autor: Dragon Warlock

[Parte anterior]

Spike corria pela floresta Whitetail o mais rápido que podia. Ele passava por árvores espessas em meio às clareiras e riachos com os raios de luz da lua iluminando os caminhos da floresta. Podia sentir lágrimas escorrendo por seus olhos enquanto corria pelo interior da vegetação. Havia um pequeno lago com um córrego ligado a ela, e ao lado uma grande caverna parecida com a última que ele entrou no dia que brigou com Twilight. Spike pegou um galho de árvore e usou seu sopro de fogo para improvisá-lo como tocha, entrando logo em seguida na caverna com cautela.

Spike entrava na caverna, olhando ao redor para ter certeza de que não havia dragões ou qualquer outra criatura por perto, até concluir que estava vazia. Ele viu que no centro havia uma grande clareira no chão por causa de um enorme buraco no teto por onde a luz da lua entrava. Então ele apagou a tocha e se sentou em uma grande rocha.

Spike ficou sentado no chão por vários minutos, pensando no que fazer. “Eu não posso voltar.” O bebê dragão disse para si mesmo. “Não posso encará-las, não depois do que aconteceu, e não mereço ser amigo delas e talvez de nenhum outro pônei.”

Spike apenas ficava sentado, sentindo como se tivesse arruinado a própria vida, culpando a si mesmo. O bebê dragão não tinha apenas perdido suas amigas da forma como ele agiu, mas também foi enganado e magoado por outros pôneis que acreditava ser amigos dele, e agora estava sozinho. No entanto ele estava feliz por Twilight e os outros terem voltado por ele e o salvado. Mesmo assim, Spike acreditava que elas estavam furiosas pelo que ele fez, prontas para lhe darem um sermão depois de terem derrotado os caçadores. Quando ele viu os guardas reais, seu medo intensificou ainda mais imaginando Princesa Celéstia o banindo de Equestria.

Ele olhava para a lua e via alguma coisa familiar, uma estrela que estava brilhando perto dela. O bebê dragão se lembrou do que aconteceu na noite passada e sentiu uma onda de raiva passando por ele. A raiva rapidamente deu lugar à tristeza e Spike colocava as mãos em seus olhos com as lágrimas escorrendo.

“Eu queria nunca ter feito aquele desejo estúpido.” Disse o bebê dragão com sua voz de choro.

“Spike…” De repente uma voz surgiu da escuridão.

O bebê dragão reconheceu como sendo de Twilight, mas se recusava olhar para ela.

“Por favor Spike.” Disse Twilight. “Estávamos preocupadas com você, e queremos ajudá-lo.”

O bebê dragão ainda se recusava a olhar, e tentou evitá-la. Twilight rapidamente foi até ele, e encostou amigavelmente um casco em seu ombro, mas ele golpeou o casco para longe.

“Spike, tudo o que queremos é conversar com você.” Disse Twilight novamente. “Eu sei que você está magoado e tem razão de estar, não só conosco mas com aqueles caçadores também. Por favor, fale com a gente e deixe-nos ajudá-lo.”

Spike tomou coragem para olhar para suas amigas, esperando olhares zangados para ele. Mas ao invés disso ele viu que todas estavam com semblantes de preocupação.

“Como… como vocês me encontraram?”

Twilight iluminou seu chifre e Spike viu pegadas fluorescentes formando um rastro. “Eu usei a magia de rastrear pegadas Spike.” Disse a unicórnio roxo. “E assim as seguimos até aqui.”

“De qualquer forma… me deixem sozinho.” “Disse Spike olhando para baixo. “Pensei ter dito que não queria mais ver vocês…”

“Peraí Spike.” Disse Applejack. “Nós te procuramos por tudo que é canto porque estávamos preocupadas com você.”

“Preocupadas? Vocês estavam preocupadas comigo?”

Twilight acenou e disse, “Porque nós nos importamos com você Spike, você é nosso amigo.”

Spike sentiu conforto nas palavras de Twilight, mas uma parte dele ainda estava zangado. “Então vocês têm um jeito engraçado de se preocuparem.” Ele disse com ressentimento em sua voz.

“O que quer dizer?” Perguntou Twilight. “Nós nos importamos com você, e sempre muito querido por todas nós…”

“Você ainda não entendeu, Twilight.” Spike replicou. “Nenhuma de você ainda compreenderam o que eu sinto. Desde que mudei para Ponyville com Twilight, passei a trabalhar mais do que nunca. Eu via vocês em aventuras, cantando e se divertindo juntas. E eu? Tudo o que eu fiz foi limpar bagunça, fazer serviços durante o dia e ser deixado para trás.”

“Eu imaginava que seria ótimo Twilight fazer amigos, mas eu não consegui nenhum, e os outros pôneis pareciam ter medo de mim. Tudo o que eu queria era um pouco de consideração pelo que eu fazia, e sair um pouco com todas vocês. Ao invés disso, faço a mesma coisa todos os dias, limpar e ser eu mesmo.”

Spike olhava para baixo tremendo, sentindo novamente lágrimas encherem seus olhos. Ele não fez nenhum esforço para escondâ-las e viu as lágrimas refletirem a luz da lua.

“Ouçam eu… eu quero agradecer a vocês por terem me salvado. Sinto muito pelo que disse lá no circo… e vocês não precisarão mais se preocupar comigo causando problemas.” Spike se virou de costas para elas. “Adeus Twilight… e obrigado por tudo.”

Spike começava a andar em meio às sombras da caverna quando foi repentinamente envolvido por um par de cascos o abraçando. O bebê dragão olhou para cima e viu que era Twilight com lágrimas em seu rosto. Uma atrás da outra, elas abraçaram Spike derramando lágrimas, e ficaram assim por vários minutos até se liberarem dos abraços.

“Você não precisa se desculpar Spike.” Disse Twilight. “Se alguém precisa se desculpar, somos nós.”

“Twi está certa, docinho.” Disse Applejack. “Nós o tratamos com desprezo.”

“Não foi legal a forma como tratamos você.” Disse Rainbow.

“Foi injusto e rude o que fizemos.” Disse Rarity. “Uma dama de verdade nunca deve se aproveitar de seus amigos.”

“Não é engraçado fazer os outros se sentirem mal. Estou me sentindo terrível.” Disse Pinkie.

“Eu também me sinto mal e envergonhada.” Disse Fluttershy. “Nós nunca queríamos magoar você.”

“DESCULPA SPIKE!” As seis pôneis falaram juntas.

Spike olhou para elas admirado, e deu um pequeno sorriso. Ele sentia que uma parte dele o incomodava. “Afinal, por que?” perguntou o bebê dragão.

“Por que o que?” Perguntou Twilight.

“Por que vocês me perdoariam, mesmo depois do que disse a vocês?”

“Spike, quando você disse aquelas coisas nós sentimos que era tudo verdade.” Disse Twilight. “Eu tirei vantagem de você e de suas habilidades como meu assistente. Nunca parei pra pensar como você realmente se sentia até nos dizer naquele circo. Nós refletimos sobre isso e nos sentimos terrível pelo que fizemos com você.”

Então Spike sentiu um casco encostar em seu ombro e viu que era Applejack. “Você trabalhava duro e dava o seu melhor por todas nós docinho. Você trabalhou mais do que qualquer membro da família Apple em época de colheita.”

“Spike, querido, você é muito valente.” Disse Rarity. “Nos ajudou a derrotar aqueles caçadores sujos.”

“Q… quem, eu??” Perguntava Spike com todas acenando a cabeça logo em seguida.

“Você foi o máximo Spike!” Disse Rainbow. “Bem, não que eu não tivesse tudo sobre controle, mas você ensinou a esses caras uma lição que nunca irão esquecer!”

“Você fez aqueles bobocas pensarem duas vezes entes de se meterem com a gente de novo!” Disse Pinkie alegremente.

“Você é demais, Spike.” Disse Fluttershy.

O bebê dragão olhava sorrindo para todos os pôneis. Ele sentia lágrimas se formando novamente, mas não de tristeza, e sim de alegria. Ele se aproximou e abraçou todas as suas amigas.

“Eu realmente sinto muito pessoal.” Disse Spike. “Acabei me esquecendo quem sempre foram minhas verdadeiras amigas.”

“Está tudo bem Spike.” Disse Twilight. “Nós apenas estamos felizes em ver você de novo.”

“Parece que muita coisa foi aprendida essa noite.” Disse uma voz majestosa.

Twilight e os outros se viraram e viram a alicórnio branca escoltada por guardas saindo das sombras.

“Princesa Celéstia!” o grupo gritou e se curvou.

Spike olhou para a governanta e se sentiu nervoso da forma como ela poderia reagir, mas tomou coragem para falar. “Princesa Celéstia… sinto muito pelo que fiz. Entenderei se você estiver chateada comigo e aceitarei minha punição.”

Spike viu a Princesa Celéstia dar um pequeno sorriso. “Não será necessário Spike.” Disse a alicórnio. “Você aprendeu muito essa noite, da maneira difícil.” Spike sorriu, se sentindo aliviado pela Princesa não estar brava com ele.

“Com licença Princesa.” Disse Twilight. “Também aprendi uma coisa nesta noite.”

Celéstia levantou uma sobrancelha e sorriu. “Então me diga, o que você aprendeu sobre a amizade hoje?”

Twilight olhava para sua mentora com um sorriso. “Aprendi que você nunca deve fazer seus amigos se sentirem esquecidos e jamais negligenciá-los. Isso pode não apenas feri-los, mas também ferir a si mesma e outros amigos, além de destruir o vínculo que você tem. Sempre devemos nos certificar que o amor que demonstramos para nossos amigos é o mesmo para cada um deles, sem diferença, para que um ou mais amigos nunca se sintam excluídos.”

“Muito bem, minha dedicada aluna! Parece que todos vocês tiveram um dia cheio.” Disse Celéstia. “Acho que está na hora de vocês voltarem para Ponyville. Nós terminamos aqui e, além disso, parece que seu assistente precisa descansar.”

Twilight e as outros se viraram para verem Spike caído no chão, dormindo e roncando tranquilamente. Todas acenaram e Twilight colocou o dragão em suas costas.

“Ele não é meu assistente, é meu filho e amigo.” Disse Twilight sorrindo.

As seis pôneis se despediram da Princesa e entraram em uma carruagem que as levariam de volta para Ponyville. Enquanto Spike dormia na volta, Twilight e as outras olhavam para ele sorrindo e conversavam baixinho para não acordá-lo. Chegando em Ponyville, todas deram boa noite e rumaram para suas casas. Twilight entrou na biblioteca e caminhou até seu quarto. Ela colocou Spike em sua cama, lhe dando um beijo na testa, sorrindo antes de ir para sua cama.

Acordando no dia seguinte, Spike se sentia atordoado, mas se lembrando do que aconteceu na noite passada.

“Foi tudo um sonho.” Spike pensou. “Nada foi real e tudo voltou ao normal.”

Spike olhava para o relógio vendo que havia dormido demais, o que o deixou preocupado. Ele pulou da cama e foi até a escada que levava ao salão principal, onde percebeu que estava tudo escuro e com as cortinas fechadas. Ele desceu as escadas cuidadosamente no escuro para abrir uma das janelas.

Mas antes que ele chegasse até as janelas, todas elas se abriram repentinamente. “SURPRESA!” Gritaram várias vozes.

Spike pulou assustado para trás e quase caiu. Ele recuperou seu equilíbrio e viu um banner com os dizeres “NÓS TE AMAMOS SPIKE!” e abaixo dele estava Twilight e suas amigas sorrindo para ele.

“O… o que é isso?” Perguntou Spike.

“É uma celebração para você Spike, em agradecimento a tudo que já fez por nós.” Disse Twilight.

“Para mim?” Perguntou Spike em choque.

“Nós planejamos isso ontem à noite enquanto você dormia.” Disse Rainbow Dash.

“Você merece, docinho!” Disse Applejack.

Spike estava se sentindo sobrecarregado com tudo isso e abraçou Twilight. “Obrigado Twilight, obrigado a todos!”

“De nada Spike!” Disseram as pôneis ao mesmo tempo.

“Então, o que devo fazer agora?” Perguntou Spike.

“Qualquer coisa.” Disse Twilight. “Esse é o seu dia!”

“Por que nós não vamos lá na fazenda?” Perguntou Applejack. “Eu vou te ensinar como fazer uma deliciosa torta de maçã caseira!”

“Não, não!” Rainbow Dash interferiu. “Que tal eu te levar para Cloudsdale para fazer tour na cidade e depois fazermos um sonic rainboom juntos?”

Rarity sacudia a cabeça não concordando. “Spike, eu nunca te agradeci corretamente por ter me salvo daqueles cães diamantes. Por que você não vai comigo para a botique? Eu faço uma roupa especial só pra você e depois um ótimo jantar.”

“Spike, eu adoraria mostrar pra você meu santuário de animais.” Disse Fluttershy. “É tão maravilhoso e calmo.. uhn, se estiver tudo bem pra você.”

Pinkie saltou na frente de Spike. “Que tal uma super e incrível festa só pra você? Nós podemos brincar de colocar a calda no pônei, comer muita comida e cantar juntos!”

Spike pensava e viu que Twilight estava ausente. Ele se virou e viu a unicórnio roxo olhando para um livro. “O que foi Twilight?” Ele perguntou. “O que você vai fazer?”

Twilight olhou com um pequeno sorriso em seu rosto. “Oh, eu não vou a lugar algum. Tenho trabalho a fazer e terminar alguns relatórios.”

Spike olhou incrédulo e foi até Twilight e os livros que ela estava mexendo. Ele jogou os livros de lado fazendo Twilight olhar surpresa para ele.

“Twilight, você não vai trabalhar ou estudar, hoje não.” Disse o bebê dragão. “Hoje eu quero ficar com todas as minhas amigas, incluindo você.”

Twilight olhou para Spike e viu que ele tinha um olhar sério no rosto. Ela sorriu e acenou. “Tudo bem Spike, eu irei.” “Spike e os outros sorriram com isso e saíram da biblioteca.

“Twilight?” Spike perguntou. “O que aconteceu com Alec e os outros?”

“Bem Spike, eles foram para a Prisão Stalliongrad sem condicional. Os funcionários do circo tiveram suas memórias recuperadas pela Princesa Celéstia. Eles prometeram continuar com o circo, mas de hoje em diante vão tomar muito cuidado na hora de contratar novos funcionários e artistas.”

Spike estava feliz em saber que tudo acabou bem e que os verdadeiros donos do circo se recuperaram, mas ele pensava consigo mesmo que não iria voltar para um circo tão cedo.

“Então aonde você quer ir Spike?” Perguntou Twilight.

Spike pensava nas opções que lhe foi oferecida. “Há muitas coisas que eu queria fazer com todas vocês, e todas seriam ótimas.”

“Não se preocupe docinho.” Disse Applejack. “Se não conseguirmos aproveitar tudo hoje, continuaremos amanhã.”

“Mesmo?” Perguntou Spike. Ele viu Twilight e os outros acenarem. O bebê dragão pensou em suas opções por alguns minutos antes de tomar uma decisão. “Bem… eu nunca estive em Cloudsdale antes. E também adoraria passar o dia com Rarity.”

Twilight e os outros sorriram e foram buscar o balão que usaram para ir a Cloudsdale pela primeira vez.

“Mais uma coisa Spike.” Disse Twilight enquanto suas amigas preparavam o balão. “Prometo que de agora em diante não farei muita bagunça, e que irei guardar todos os livros que usar.”

“E… e quanto a sair com você e os outros?” O bebê dragão perguntou.

Twilight sorriu e disse, “Você é mais do que bem vindo para sair conosco Spike, quando terminar a parte de suas tarefas.”

Spike sorriu e deu outro abraço em Twilight. “Combinado!”

O balão decolou e voou para o céu em direção a Cloudsdale. Spike conversava e ria com as pôneis, se sentindo feliz de uma forma que não acontecia há muito tempo. Ele olhava para suas amigas e sorria para si mesmo.

“Acho que o meu desejo se realizou.” O bebê dragão pensou. “No final, não era apenas um velho conto de pôneis.”

Fanfic, Fanfics estrangeiras

Dia de circo – Parte 5

Título original: Circus Day

Tradução: Lucas T.

Autor: Dragon Warlock

[Parte anterior]

Alexis levitou um balde de água e jogou no fogo espalhado por Spike. Ele olhava para o chão sentindo remorso pelo que fez. “Desculpe por tudo, Marik.” Disse o bebê dragão. “Não queria ter feito isso no seu escritório.”

“Está tudo bem Spike.” Disse o mestre de cerimônia friamente. “Você fez a escolha certa, eles não te mereciam.”

“Não se preocupe Spike.” Disse Pierce em um tom também frio. “Depois de tudo o que fizeram, você está melhor conosco.”

“Você merece melhores amigos do que elas.” Disse Larry amargamente.

“Fique tranqüilo Spike.” Disse Alexis com uma voz fria.

Spike estava imaginando porque todos ficaram tão frios repentinamente. O bebê dragão nunca os tinha visto assim antes. Ele pensava que todos estavam zangados da forma como Twilight e os outros o tratavam. Então imediatamente deixou de demonstrar preocupação e forçou um sorriso.

“Agora você é um de nós.” Disse Marik com sua voz tranqüilizante. “Você ficará na cabine de um vagão assim como todos nós. Venha, vou levá-lo até ele.”

Spike seguiu Marik, deixando sua barraca e caminhando até os vagões. O mestre de cerimônia e o dragão passavam pelas barracas que agora estavam fechadas com alguns empregados limpando a sujeira espalhada pelo chão. Spike foi até a quinta cabine que era na cor azul com alguns detalhes em amarelo dourado do lado de fora. Quando ele entrou nela, viu que o interior tinha uma cama do tamanho da de Twilight com um cachecol vermelho nele e um grande travesseiro azul, um pequeno armário para guardar as roupas e outros acessórios para os shows, e uma mesa com um relógio sobre ele fazendo tic-tac suavemente.

“Bem vindo ao seu novo lar Spike.” Disse Marik. “Por favor, sinta-se a vontade. Quero que você me encontre daqui uma hora no meu escritório para planejarmos uma forma de melhorar suas apresentações.”

Spike acenou e viu o mestre de cerimônias saindo da cabine e fechando a porta. Era um sonho se tornando realidade para Spike, ele não apenas fez novos amigos, mas agora era também um artista. Spike decidiu deitar na cama, se sentindo tão relaxado como se estivesse em uma nuvem. Os cobertores eram de seda e o travesseiro tão macio que Spike sentia prestes a cair no sono instantaneamente. Por um tempo Spike olhava pela janela observando sua nova vida. Se sentia satisfeito, mas outra parte dele se sentia culpado pelo ocorrido.

“Pare de pensar neles.” Spike dizia para si mesmo. “Depois do que elas fizeram pra mim, foi o correto.”

Ele observava pela janela as nuvens passando pela lua, se lembrando do conto sobre a égua na lua. De repente ele viu a face de Twilight em sua mente, e pulou. Ele sentia o coração acelerar um pouco e balançava sua cabeça.

“Não.” Spike disse para si mesmo. “Elas não são minhas amigas, nunca foram.”

Spike decidiu sair da cabine para tomar ar fresco. Ele olhava pelos arredores, passando por várias barracas, até ver uma que vendia maçã caramelizada.

“YEE HAW!” a voz com sotaque de Applejack gritou em sua mente. O bebê dragão pegou uma maça caramelado e jogou em um cesto de lixo em pânico.

Spike balançava sua cabeça e continuava andando. Ele passou por um cone de neve que tinha um arco-íris na parte superior da placa. De repente imaginou Rainbow Dash passando zunindo por ele. O dragão olhava ao redor para ter certeza de que não estava sendo observado.

Spike começava a se sentir frustrado, passando a andar rápido. Ele foi até onde os animais estavam, e viu uma gaiola com pássaros. Isso fez Spike se lembrar da primeira vez que viu Fluttershy ensaiando uma canção com seus pássaros.

Zangado, Spike correu para fora da ala dos animais sem ver para onde estava indo, e acabou se chocando com uma das barracas. O dragão resmungava enquanto se levantava, observando que era uma barraca de vender balões. Alguns eram azuis e outros amarelos. A imagem o fez se lembrar de Pinkie Pie por alguns segundos. Ele olhava em pânico achando que ela poderia aparecer do nada.

“Por que não consigo tirá-las da minha cabeça?” Spike chorava alto. “Por que continuo vendo elas? Elas não são minhas amigas!”

Spike corria de volta para sua cabine, mas acabou tropeçando em alguma coisa. Ele se levantou e pegou o objeto que era uma grande jóia em forma de diamante, provavelmente de algum cliente que deixou cair. No que estava prestes a comê-lo, a imagem de Rarity veio em sua mente, e ele largou a jóia. Colocando as duas mãos na cabeça ele chorava em frustração por alguns segundos. Então tirou as mãos da cabeça sentindo muito remorso pela forma como falou com elas.

“Talvez… talvez eu tenha sido muito severo com elas.” Disse o bebê dragão. “Digo, elas não eram minha melhores amigas, mas acho que fui longe demais. Preciso conversar com Marik.” Ele se levantou e foi até o escritório do mestre de cerimônias.

Twilight e os outros estavam sentadas próximas da floresta Whitetail esperando pelo retorno de Rainbow Dash. Todas estavam inquietas enquanto esperavam pela pegasus azul.

 “Quanto tempo vocês acham que ela vai levar pra voltar?” Perguntou Applejack.

“Espero que não muit…” Twilight foi interrompida por um deslocamento repentino de ar.

“Ei… voltei.” Dizia Rainbow tomando fôlego. Ela entregou um pergaminho para Twilight que levitava para o grupo. Lentamente a unicórnio o desenrolou e começou a ler.

“Querida Twilight Sparkle, minha aluna mais dedicada,

Eu lamento informar que o grupo de pôneis que você descreveu é na verdade um bando de criminosos procurados. Eu incluí nesta carta um cartaz que tem as descrições físicas e os verdadeiros nomes de cada um deles.

Sua mentora, Princesa Celéstia.”

As seis pôneis suspiraram espantadas e correram o mais rápido possível em direção ao circo.

“Espero que não estejamos atrasadas.” Twilight pensou.

Spike corria até o escritório do mestre de cerimônias, e mesmo que estivesse adiantado para o encontro, o dragão precisava conversar com ele. “Marik?” Spike perguntou entrando na tenda. “Posso falar com você por favor?” Ele não ouviu respostas e percebeu que o escritório estava vazio. “Marik? Onde você está?”

Ele foi até a mesa do mestre de cerimônias, onde viu algo que chamou sua atenção. Havia várias fotos de animais como o leão do show, um macaco que estava pendurado em um galho de árvore, e alguns pássaros como aqueles que viu em uma gaiola. Cada um tinha um “X” na cor vermelha na parte de trás dessas fotos.

No meio da mesa havia uma foto de Ponyville com alguém andando nas ruas. Spike olhou mais de perto e viu que era ele arrastando o livro de Twilight para a biblioteca e que a foto tinha um grande círculo vermelho ao redor dele. Então o dragão percebeu um pedaço de papel com outro “X” vermelho e um círculo na mesma cor onde estava escrito: X VERMELHO = ALVO. CÍRCULO VERMELHO = CAPTURADO. Spike olhou espantado e em pânico. Ele tentou deixar a barraca e partir para Ponyville, mas foi golpeado por alguma coisa em sua cabeça, ficando inconsciente.

Spike gemia enquanto abria seus olhos. Tudo parecia embaçado, e estava muito escuro. O dragão enxergava com dificuldades alguns assentos de longe, e percebeu que estava na arena de apresentação. Ele tentou se mover, mas percebeu que estava amarrado em uma mesa de madeira.

“Olá Spike.” Disse uma voz fria e ameaçadora. “Que bom que você foi no meu escritório bem na hora.”

Spike viu Marik sair das sombras enquanto caminhava, mas ao invés do sorriso gentil de antes ele estava com um sorriso de satisfação com os olhos brilhando. Os outros artistas vieram logo atrás, cada um com olhares frios.

“O que está havendo aqui?” Perguntou Spike meio nervoso.

“Por que Spike,” Disse Marik. “Nós apenas queríamos te ajudar com sua última apresentação.”

Spike olhava nervosamente enquanto todos observavam friamente.

“É apenas uma pena que você descobriu nosso segredo tão cedo.” Disse Alexis com sotaque de Manehatan.

“O que querem dizer? Por favor, eu esqueço de tudo o que vi aqui, apenas não me machuquem.” Implorou Spike.

Marik soltou um sorriso sinistro enquanto balançava a cabeça. “Temo que isso não será possível Spike, não podemos nos arriscar agora.”

Spike estava suando em pânico enquanto tentava se soltar, mas sem sucesso novamente. “Mas o que vocês querem afinal?” Perguntou Spike medrosamente.

“Não há problemas em dizer a ele chefe.” Disse Pierce. “Ele vai ficar enjaulado mesmo”

“Eu concordo com o Max.” Disse Larry.

“Max?? Quem… quem são vocês afinal?” Perguntou Spike.

Marik olhou para ele e soltou um suspiro. “Muito bem então, permita-me lhe apresentar meus amigos.”

“Este, como ouviu, é Max.” Disse apontando para Pierce. “Ele é nosso vistoriador que procura alvos.”

“Este é Samuel.” Larry reverenciou sorrindo. “Ele é o atirador do nosso grupo.”

“Diga olá para Maria, é ela que coloca armadilhas para nossos alvos.”

“E eu sou Alec, o líder desse grupo.” Disse Marik.

“Mas… mas o que vocês todos fazem?” Perguntou Spike.

Marik sorriu e disse, “De dia nós somos meros apresentadores de circo, mas a noite caçadores de animais.”

Os olhos de Spike arregalaram de medo, ele tentava dizer alguma coisa, mas não conseguia, então Marik continuou.

“Nós nunca dizemos a você o que aconteceu com nossos pais. Eles eram caçadores e amigos. Juntos, eles capturavam muitos animais e vendiam para o mercado negro. Leões, tigres, mantícoras e até dragões.”

“Nós fomos ensinados desde jovens como capturar animais usando vários truques. Mas Princesa Celéstia não gostava do que nossos pais estavam fazendo e mandou prendê-los. Sabendo que seriam pegos, eles se desesperaram e nos levaram para um orfanato horrível. Dias depois ficamos sabendo que nossos pais foram presos. Apesar de tudo, nós ficamos juntos e depois de obtermos nossas marcas especiais com o show nós deixamos o orfanato. Como aprendemos a enganar outros pôneis, nós continuamos o trabalhos dos nossos pais.”

“Depois nós fugimos para Phylifelfia onde vimos um circo de propriedade de Fred. Ele nos aceitou no circo e mudamos nossos nomes para não atrair suspeitas. Após sermos aceitos começamos a nos unir secretamente para praticarmos nossas habilidades de caça furtiva. Nós praticávamos a noite toda e depois voltávamos para descansar antes do dia começar. Fred descanfiou de nossas apresentações desleixadas em função do cansaço e mandou alguns de seus funcionários ficarem de olho em nós, onde nos flagaram capturando um jacaré. Quando Fred e os outros artistas nos confrontaram, ele estava furioso e disse que iria chamar os guardas reais. Então Maria usou um feitiço poderoso de apagar memórias em todos os funcionários, onde nós finalmente nos apoderamos do circo inteiro.” Spike estava se sentindo arrasado.

“Depois de tudo isso, nós saímos de Fillydelphia e por oito anos trabalhamos no circo e montávamos armadilhas de caça ilegal em várias regiões. Nós já fomos pegos em flagrante caçando animais, por isso mudávamos nosso nome e aparência constantemente.”

“Decidimos ficar pelos arredores de Whitetail quando soubemos que uma mantícora estava nessa área. No entanto, por pura sorte, quando eu estava na cidade comprando filme para a câmera, vi você. Eu o segui e te observei entrando na biblioteca. De início tentei te capturar, mas havia muitas testemunhas nas ruas então preferi esperar a noite. Assim, eu iria invadir a biblioteca pela janela pra te pegar, mas então escutei o desejo que você fez e aproveitei para fazer um plano. Max fez os panfletos que você viu, então Maria usou sua mágica para fazer multiplas cópias dele e espalhar pela cidade. Por fim esperei até o amanhecer para bater em sua porta, onde assisti você se apaixonar pela idéia de ir ao circo.”

Spike não podia acreditar no que estava ouvindo, e não tinha ideia do que dizer, até finalmente conseguir falar alguma coisa. “Mas…. por que eu? Existem muitos outros dragões que… ”

Alec balançou a cabeça e riu do que Spike disse. “Está errado, meu amigo. Você é muito valioso para nós. Dragões púrpuras são raros. Suas escamas possuem elementos mágicos que podem aumentar a magia de unicórnios em até dez vezes. Nós conhecemos unicórnios que adorariam ter escamas como as suas.

“E agora…” Alec pegou uma ferramenta de puxar escamas e caminhou lentamente até Spike. “Está na hora de pegarmos algumas.”

O bebê dragão derramava lágrimas. “Eu sinto muito, Twilight.“ Ele pensou consigo mesmo fechando os olhos, esperando o inevitável.

De repente, um zumbido no ar atingiu a ferramenta que Alec segurava, fazendo ele gemer de dor. Spike abriu os olhos e viu Alec e os outros sendo atingido por maçãs.

“Acabou, Alec.” Disse uma voz.

Alec, os artistas e Spike se viraram para ver que era Twilight e os outros com olhares furiosos. Spike chorava de alegria e sorria ao mesmo tempo.

Alec se virou para elas com um brilho intenso em seus olhos. “Não sabem que o público deve permanecer em seus assentos jovens?” Disse ironicamente.

“Poupe suas palavras para seu julgamento!” Gritou Applejack.

“Eu disse uma vez, e vou dizer de novo. Nunca abandono meus amigos!” Disse Rainbow Dash.

“Como se atrevem a fazer isso com Spike seus bandidos?” Gritou Rarity. “Vocês vão aprender uma lição que jamais esquecerão!”

“Você vão ser nocauteados no estilo Pinkie Pie!” Disse a pônei rosa com um sorriso.

“Ninguém machuca meus amigos!” Disse Fluttershy com uma voz severa.

Alec apenas olhava para elas com um sorriso irônico. “Bem… se as tolas querem ter o pior show de suas vidas, teremos o prazer em lhes dar.”

Samuel agarrou uma bolsa cheia de facas de arremessar e pulou em um monociclo. Max voou até o topo da tenda. O chifre de Maria brilhou fazendo Twilight e suas amigas fecharem os olhos. Alec foi até a jaula do leão, pegando seu chicote e golpeando os pés dele. O animal levantou o obedecendo, e ficou perto de Spike para garantir que ele não escaparia. Os dois grupos estavam se encarando.

Max voava no topo da tenda com Rainbow Dash atrás dele. Os dois pegasus estavam em uma incrível velocidade enquanto manobravam próximos do teto. Rarity e Twilight se esquivavam dos raios de energia lançados por Maria. Elas usavam suas magia para levitar objetos e arremessar na unicórnio azul escura. Pinkie Pie estava pulando longe do monociclo, se esquivando das facas lançadas por Samuel. Applejack viu o leão partir pra cima dela e se esquivou de suas garras. Fluttershy estava tentando conversar com o animal para acalmá-lo, mas sem sucesso. O leão rugiu alto e jogou suas garras em Applejack, mas ela pulou em cima do pescoço do leão e segurou sua juba para tentar controlá-la.

Applejack foi arremessada pelo leão e caiu perto da mesa de Maria cheia de acessórios, onde viu uma corda. Ela girou e arremessou nas pernas do leão, as amarrando juntas. Applejack observou o leão indo para o chão, causando um pequeno tremor. Ela se aproximou, acreditando que o havia derrotado, mas o leão rugiu rasgando a corda. Applejack aproveitou essa oportunidade mais uma vez para montar nele.

Maria continuava com seus raios de energia com Twilight e Rarity se esquivando. Twilight levitou e arremessou um monociclo por trás de Maria, que a acertou em cheia. Lentamente ela se levantou e contra-atacou levitando e arremessando duas jaulas de animais vazias. Twilight e Rarity se esquivaram com facilidade, mas perceberam Maria com um sorriso irônico em seu rosto. Elas foram surpreendidas por outras duas jaulas que as atingiram e as derrubaram no chão. A unicórnio azul escuro finalizou as atingindo com os raios de seu chifre. As unicórnios roxo e branco se levantaram um pouco atordoadas, mas seus chifres brilharam e elas voltaram a atacar Maria.

Rainbow foi capaz de alcançar Max e agarrá-lo. Ambos começaram a lutar em pleno ar. De repente eles chegaram no topo da tenda e se separaram. Rainbow ficou um pouco desorientada e notou ter perdido Max de vista.

Pinkie Pie desviava enquanto Samuel jogava várias facas nela. Então a pônei rosa chutou algumas bolas na direção dele, que conseguiu se desviar.

Fluttershy não sabia o que fazer, nem quem ajudar. Aproveitando sua distração, Alec golpeou a pegasus amarela, a derrubando no chão. O mestre de cerimônias olhava com um sorriso irônico e voltou até Spike enquanto observava a luta.

Spike olhava suas amigas enquanto estavam lutando, e não podia acreditar que mesmo depois de tudo o que ele disse elas voltariam por ele. Enquanto Alec observava, o bebê dragão teve uma idéia. Ele inalou e então cuspiu uma grande rajada de fogo nas correntes que o prendia, fazendo Alec pular de susto. Quando a chama se dissipou as correntes entortaram um pouco, mas não o suficiente para libertar Spike.

“Tolo!” gritou Alec. “Você não vai conseguir derreter essas correntes de aço tão facilmente!”

Spike olhou para ele, e inalou novamente para lançar outra chama. Alec tentou pará-lo, mas foi atingido por uma maçã na cabeça. O mestre de cerimônia viu que era Fluttershy levantando lentamente e rosnando. Ele estava prestes a avançar contra ela, mas então se lembrou de Spike, virando-se para ele. O dragão acabou soprando uma enorme chama nas correntes, enquanto agradecia à Celestia por ter escamas à prova de fogo. As correntes finalmente derreteram libertando o dragão que caiu em pé no chão. Alec ficou com um olhar furioso, e avançou contra o dragão, mas Spike pulou para o lado e o mestre de cerimônias se chocou com a mesa onde ele estava preso, caindo inconsciente. Então Spike viu os acessórios na mesa que Maria usava no show de mágica, e foi até o bracelete que fazia os poderes serem anulados. Spike o pegou e caminhou até onde Maria estava lutando com Twilight e Rarity. Todas as três unicórnios estavam ofegantes e exaustas com a luta. Então maria levitou um baralho com várias cartas.

“Tomem essas cartas afiadas!” Ela gritou.

Maria lançou várias cartas nas duas unicórnios que se desviavam, uma delas atingiu Rarity na cabeça de raspão. Nisso Spike ficou furioso e pulou contra suas costas, a segurando. Ela balançava violentamente para se livrar de Spike. O dragão usou suas garras para não se soltar e conseguiu alcançar a cabeça dela, colocando o bracelete em seu chifre. Com um último esforço, Spike foi arremessado contra a mesa de Maria. Ele viu a unicórnio azul escuro com um olhar frio.

“Não é nada agradável aborrecer um mágico.” Ela disse friamente.

Ela tentou lançar mágica nele, mas nada aconteceu, foi onde percebeu que o bracelete estava em seu chifre.

“Twilight! Rarity! Agora!” ele gritou.

Maria se virou e viu as duas unicórnios com seus chifres brilhando com cada uma lançando um raio nela, que foi nocauteada.

Rainbow Dash estava com problemas para encontrar Max. O teto estava mal iluminado, e o pegasus cinza parecia desaparecer nas sombras. Rainbow ouviu alguma coisa zumbindo por trás dela, e se esquivou na hora com Max passando por ela. No entanto, ele fez uma rápida parábola no ar e conseguiu atingi-la dessa vez. Spike olhava para cima ouvindo Rainbow gritar. Ele olhou para baixo, onde viu os fios da rede de segurança amarrados nos pilares de sustentação, onde teve uma idéia. Ele foi até Fluttershy que ainda estava tremendo e murmurou alguma coisa para ela, que acenou indo até os pilares.

“Rainbow!” Spike gritou para a pegasus azul. “Voe abaixo da rede!”

Rainbow acenou ao ouvir isso, e voou abaixo da rede de segurança com Max a seguindo com um sorriso sinistro.

“Fluttershy, agora!” gritou Spike.

A pegasus amarela agarrou um dos nós da corda e puxou enquanto Rainbow passava por baixo da rede. O pegasus cinza olhou em desespero ao observar a rede caindo em cima dele. Suas asas ficaram enroscadas de forma que ele não conseguia se mover, e só podia murmurar através da corda enrolada na boca. Rainbow aplaudia Spike agradecida pela ajuda.

Pinkie Pie estava pulando ao redor feliz e cantarolando com Samuel a perseguindo com um olhar de frustração no rosto. “Fique parada!” Ele gritou zangado enquanto arremessava as facas nela, mas errando.

Pinkie continuava pulando e se desviando. O pônei palhaço então teve uma idéia. Ele tirou um tubo enorme de cola e esguichou no chão. A pônei rosa acabou ficando presa no chão ao andar sobre ela. Samuel deu outro sorriso irônico enquanto se preparava para atacá-la, mas então uma torta vindo do nada o atingiu em cheia. Samuel virou e viu Spike, Rainbow Dash, Fluttershy, Twilight e Rarity cada um com uma torta prontos para arremessarem nele. Samuel ficou se esquivando até as tortas acabarem.

“Há! Vocês erraram!” ele gritou.

“E quem disse que estávamos mirando em você?” Spike falou sorrindo.

Samuel olhou confuso e, em seguida, tropeçou na mureta que circundava a arena, caindo. Ele acabou mergulhando em uma enorme torta de creme que seria usada para o próximo show. Então tentou se levantar, passando zangado por cima da mureta.

“Eu vou fazer vocês sorrirem pela última vez!” Ele gritou.

Foi onde percebeu que não conseguia se mover. Ao olhar para baixo viu que estava em cima da cola que ele mesmo esguichou. Samuel olhou preocupado para Spike e os outros, que davam um sorriso irônico. Então percebeu uma sombra ameaçadora sobre ele. O pônei castanho olhou para cima e viu uma torta de creme gigante acima dele sendo levitado por Twilight e Rarity.

“Podem soltar!” Spike gritou severamente.

O pônei castanho gritava enquanto a torta caía em cima dele, o cobrindo completamente. Twilight e Rarity levitaram a bandeja da torta e viram Samuel deitado inconsciente.

“Whoa!” Gritava Applejack ainda montada no pescoço do leão.

O animal se sacudia freneticamente, e não agüentando mais segurar Applejack acabou sendo arremessada para o chão. O leão avançava sobre ela, mas então escutou o som de um chicote. Applejack viu que era Spike usando ele. O bebê dragão então gesticulou para Fluttershy ir até o leão, que rosnou para ela.

“Shh.. está tudo bem.” Disse Fluttershy com uma voz suave. “Você não quer mais fazer isso, quer? Ficar preso nesse circo fazendo acrobacias?”

O leão sentiu sua ira diminuir lentamente. Ele olhou para Fluttershy com um olhar triste e acenou lentamente.

“Não se preocupe.” Disse Fluttershy. “Nós não iremos machucar você e os outros animais. Agora estão todos livres.” O leão fez um pequeno rugido para ela. “Sim… até os pássaros.”

Os olhos do leão se arregalaram, e ele abraçou Fluttershy lambendo sua face. A pegasus amarela sorriu um pouco e retribuiu o abraço. Então o leão a liberou e se virou para sair da tenda. Spike e os outros pôneis olharam em volta para ver os artistas caídos no chão derrotados, e respiraram aliviados.

De repente um gemido ecoou pela tenda. Spike e os outros olharam para ver que era Alec levantando-se lentamente, mas firmemente. O apresentador olhou em volta e viu seus companheiros caídos no chão.

“Seu fedelho!” ele gritou para Spike. “Como se atreve a fazer isso comigo? você é apenas um bebê dragão patetico e nada mais! A intromissão de suas amigas acaba aqui!”

Twilight e os outros começaram a caminhar até Alec, mas Spike foi mais rápido e golpeou o mestre de cerimônias no rosto. Alec chegou a tropeçar, mas conseguiu se recuperar, rapidamente prendendo Spike no chão. O dragão viu Alec dar um sorriso insano com seus olhos esbugalhados para fora.

“Considere isso seu destino final dragaozinho!” ele gritou prestes a golpeá-lo.

Spike usou todas as suas forças para se libertar de Marik, evitando o golpe. O bebê dragão chutou ele no estômago, fazendo o pônei verde rolar no chão de dor.

“O show acabou pra você!” disse Spike. “É hora de fazer uma reverência!”

Então o bebê dragão golpeou Alec mais uma vez o deixando inconsciente e o prendeu dentro da jaula do leão. Depois ele se certificou de que os outros artistas também estavam rendidos, soltando um suspiro de alívio.

“Auto!” Disse uma voz forte e imponente.

Twilight e os outros se viraram para ver dez pegasus brancos com armaduras nas cores brancas e douradas, eram os guardas reais.

“Nós cuidaremos de tudo agora, senhorita Sparkle.” Disse um dos guardas.

“Obrigada senhores.” Respondeu a unicórnio roxo.

O guarda deu um pequeno sorriso, e então se virou para os outros. “Muito bem homens, quero aqueles caçadores algemados e encaminhados para as jaulas nas carruagens agora mesmo! E tragam a equipe de investigação para averiguar todo o circo!”

“Sim senhor!” gritaram os outros guardas prestrando continência.

Twilight e os outros observavam felizes e aliviados ao verem que tudo acabou.

“Ei, onde está Spike?” Disse Pinkie repentinamente com um olhar preocupado em sua face.

“Twilight e os outros olhavam pelos arredores percebendo que o bebê dragão desapareceu de novo. Em pânico, elas começaram a procurar por ele.

“Twilight Sparkle.” Disse uma voz majestosa.

Twilight e as outras se viraram para ver uma alicórnio alta, branca, com uma longa crina rosa e azul ondulando como se estivesse em uma brisa.

“Princesa Celéstia!” Twilight e as outras disseram emocionadas, a reverenciando.

“Parece que chegamos a tempo.” Disse a alicórnio branca. “Mas por que vocês estão tão tristes? Vocês conseguiram salvar Spike e desmascarar esse circo.”

“É por isso mesmo, Princesa.” Disse Twilight enquanto se levantava da reverência. “Spike se foi novamente… e acho que é minha culpa.”

Celéstia continuava com um olhar calmo e se virou para um dos guardas reais. “Guarda.” Ela disse em um tom autoritário, mas carinhoso. “Mande uma equipe de busca imediatamente. Vasculhem toda a área assim como a floresta. Ele não deve ter ido muito longe.” O guarda a reverenciou e seguiu com mais alguns soldados para fora do circo. Celéstia se voltou para Twilight e viu que ela estava de cabeça baixa.

“Twilight.” Disse a princesa. A unicórnio roxo olhava para sua mentora com um sorriso gentil. “Vá achar ele.” Ela disse. “Ele precisa de você neste momento, de amigos para confortá-lo.”

“Mas… mas e se ele não me perdoar?” Ela perguntou com lágrimas escorrendo em seu rosto. “Eu magoei muito Spike.

“Minha queria aprendiz, enxugue seus olhos.” Disse Celéstia suavemente. Você já mostrou a magia da amizade aqui, e agora deve fazer o mesmo com Spike. Eu sei que ele perdoará você. Ele foi seu primeiro amigo, senão filho, e precisa de todas vocês para ajudá-lo a superar esse momento difícil.”

Twilight deu um pequeno sorriso e acenou. “Obrigada Princesa.” Ela se virou para suas amigas limpando as lágrimas. “Vamos garotas, precisamos encontrá-lo.” Todas saíram da tenda, caminhando em direção à floresta Whitetail. Princesa Celéstia observava com um sorriso enquanto elas estavam indo fazer as pazes.

Fanfic, Fanfics estrangeiras

My Little Fortress: TeamWork is Magic – Parte 8

Autor: Xaldensmutanthamster

Tradução: Matheus Dinero

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Woot! Eu fui um dos vencedores do concurso Comic Life? Valeu mesmo pelo apoio pessoal! Agradeço também ao Drason por promover esse concurso pra gente, vlw!

8ª Parte do MLF! Depois de um tempo, já acostumada com o lugar, Pinkie e o seu Sentido agem muito estranhos durante as batalhas…

——–

Pinkie correu para fora do respawn, um sorriso estampado em seu rosto. Sem saber, como sempre, um RED Spy esperava nos embasamentos do RED, esperando por sua próxima vitima. ‘Aquele pônei rosa faz sempre a mesma coisa. Aparece saindo saltando da sala e mata tudo o que vê. Eu pego ela quando ela virar as costas’ Ele a viu correndo em direção à ponte. ‘Perfeito. Agora só vou pular e…’ Antes de ele terminar seu pensamento, ele viu uma estranha tremedeira em sua cauda. Ela parou no meio da rampa. Ele saltou no chão, aterrissando bem atrás dela como um fantasma. Antes de ele ficar visível, ela deu um chute feroz para trás, acertando em cheio em seu rosto e derrubando-o no chão, morto. Pinkie virou-se, surpresa, mas encolheu os ombros e continuou andando.

“O que aconteceu?” Spy coçou sua cabeça. “Não tinha jeito algum ela ter me percebido”

“Ei, francezinho! Quer dar um jeito de ajudar a gente a se livrar desse maldito Heavy que tá impedindo nossa saída?” O Scout vermelho passou correndo por ele, abrindo a porta para revelar que ela estava na frente da sala, disparando incontrolavelmente.

“Feh, típico” Ele ficou invisível e andou em direção à porta. O Demoman passou correndo na sua frente e ela virou-se para atacá-lo. A porta fechou antes de ele ver o resultado. Ele chegou perto, ainda invisível, mas parou quando ele ouviu sua voz do outro lado da porta.

“Orelhas se batendo… piscadelas… joelhos tremendo”

“Ótimo, ela está distraída. Agora eu posso chamar isso de uma morte súbita’ Ele saiu pela porta e ela se virou, rachando seu casco da frente na sua mandíbula invisível, matando ele.

“Mas que diabos!?” Ele renasceu, com as mãos na cabeça. Ela bateu-lhe no mesmo lugar de antes. “Não tem como ela me perceber!” Ele correu para fora da sala, furiosamente procurando por ela. Ele chegou perto e, de alguma forma, ela o notou. Ele rapidamente saltou dos embasamentos, mas ela pegou-o primeiro.

Ele estava quase espumando pela boca quando ele pegou o Dead Ringer. A minigun da Pinkie começou a girar. Ele correu até ela, levando alguns tiros. Mais um pouco e ele deixou cair o falso cadáver e manobrou atrás dela, reaparecendo e dando cortes com sua faca descontroladamente. Ele errou uma vez e ela se virou.

“POR QUE”

Ele deu um corte em seu braço.

“VOCÊ”

Outro corte que ele errou.

“NÃO”

Outro corte em seu braço.

“MORRE!!?”

Pinkie se apoiou, depois pegou umas luvas de boxe atrás de suas costas e bateu nele com toda a sua força. Ela olhou ao redor confusa. Dash se aproximou dela.

“E aí Pinkie, beleza? Eu não vi você o dia todo. Você tá bem? Você parece meio assustada”

“Meu sentido Pinkie ficou prevendo o dia todo, mas nada está acontecendo. E toda vez que eu tento me livrar disso eu continuo batendo em alguma coisa invisível!” Pinkie olhou ao redor, olhando para o céu.

Dash olhou para o espião morto. “Pinkie, eu acho que você vai ficar bem. Vamo lá, eu preciso de uma ajudinha pra tirar aqueles idiotas da nossa base” Pinkie seguiu Dash, ainda olhando ao redor.

O RED Spy sentou na sala do respawn, humilhado. “Dane-se, eu vou atrás daquele coelhinho de agora em diante”

——–

O grupo sentou ao redor da fogueira, compartilhando suas histórias dos dia-a-dias, e geralmente batendo um papo. Todos pareciam estar de bom humor, exceto Applejack, cujos olhos estavam paralisados olhando no fogo.

“Alguma coisa errada, Applejack?” Ela olhou para cima e notou que Twilight estava olhando para ela, com uma preocupação óbvia em seu rosto.

“Sim, tô bem” Ela tentou sorrir, mas seus olhos a traiu.

Twilight olhou para ela. “AJ, você sabe que você é terrível em mentir”

Ela suspirou. “Eu acho que tô com saudades de casa. Sinto falta da Applebloom, Big Mac e a Vovó” Ela pensou na sua fazenda e a sua família.

Twilight olhou para baixo. “Eu acho que todos nós estamos assim. Eu não vi o Spike desde… Há quanto tempo estamos aqui?” Ela se preocupou por causa das cartas para Celestia que ela não pôde fazer. Toda vez que ela aprendia alguma lição nova sobre amizade, ela escrevia e colocava na sua mochila. Mas ela estava ficando sem papel muito rápido.

“Quase 2 meses” Rarity falou imediatamente. “Sweetie deve estar muito preocupada” Ela esperava que sua irmã ficaria com alguém. Com sua única babá despedida, Sweetie não poderia cuidar dela mesma por dois meses.

“Eu aposto que Gummy tá fazendo a festa lá sem mim” Pinkie imaginou ela abrindo a porta e encontrar seu quarto despedaçado, marcas de mordidas em toda parte. A imagem fez ela rir baixinho.

“Tomara que os animais estejam tudo bem sem mim” Fluttershy olhou para Angel, que estava em uma competição de olhar feroz com o Soldier. ‘Ele é um dos poucos que sabe se cuidar sozinho. Oh, tomara que alguém esteja tomando conta deles’

“Bem, a Grande e Poderosa Trixie não tem tempo para se preocupar com casa! Pra que isso, se ela viaja pelo todo o país, fazendo do mundo a sua casa!” Mesmo com seu volume de sempre, ela lançou um olhar incrédulo para baixo. “Silencio… Trixie iria odiar se vesse sua ultima turnê terminar numa certa controvérsia” Ela sacudiu sua cabeça. Todos haviam se acostumado com ela. “E eu aposto que você tá sentindo falta da Scootaloo, Dash”

“Eu acho” Dash disse deprimente, em voz baixa. Na verdade, enquanto ela sentia falta da criança que a tratou como um ídolo, ela percebeu que não tinha tantos motivos como os outros para voltar. Os Wonderbolts e Scootaloo eram mesmo os únicos motivos. Seu coração quase saltou pela garganta quando ela pensou nisso. Mas ela tentou não mostrar isso para os outros. Se havia uma coisa que ela recusaria a mostrar, seria a fraqueza. Para o seu alívio o assunto mudou para algo mais animado.

Derpy estava longe do grupo, com seu caderno novamente. Enquanto os outros conversavam, ela preferiu não deixar os outros vê-la escrevendo. Todos a conheciam como desatenta, ou estúpida, e ela aceitou isso porque não poderia mais mudar. Não naquele momento. Ela sacudiu a cabeça tirando a máscara, que estava personalizada para apenas cobrir o focinho. Ela segurou a caneta na sua boca.

‘Querido diário.

Receio que minhas paginas podem ficar muito grandes para caber nesse diário. Enquanto estou escrevendo, eu chego ao final de 12 ou mais paginas, por isso vou tentar ser mais breve, a fim de prolongar sua longevidade.

Tenho escutado a Sra. Sparkle falando que está tendo dificuldades em compreender as cópias azuis. A parte mais difícil parece ser a compreensão da relação espacial desse universo com o nosso. Porém, parece que descobrimos a localização, tudo o que falta a fazer é adquirir uma grande fonte de energia suficiente para ligar o teleporte. Portanto as cópias azuis foram alteradas para isso.

Os outros começaram a falar de casa. É estranho, eles parecem evitar o assunto quando for possível, tentando puxar a angústia para trabalhar na solução.

Eu sinto tanta falta dela. Meu coração dói muito quando penso que talvez eu nunca vou poder ver a Dinky novamente. É a minha sincera esperança que nenhum mal pode acontecer a ela, ou para mim. Ela precisa de sua mãe…’

Algumas gotas de lágrima mancharam a tinta da folha antes de ela perceber que estava chorando. Ela enxugou seus olhos com seu casco e assinou, fechando o caderno. Quando ela colocou o caderno no chão, ela sentiu uma mão em seu ombro. Ela olhou para cima no vidro refletivo dos olhos do Pyro, que pareciam preocupados. Ela fungou, e deixou o caderno pra lá. Depois de ler pelas páginas, o Pyro acenou com a cabeça solenemente e sentou do lado dela. Pareceu estranho, mas ela se sentiu segura com seu novo amigo. Ela ficou com sono, deixando os estalos do fogo serem a única vista antes de ela adormecer.

——–

“Sra. Pauling, como seus mercenários passaram hoje?” Sra Pauling ouviu a voz atrás dela, com os olhos grudados nas telas mostrando cada lugar de 2-Fort, RED e BLU. A magricela Administradora tomou um trago de seu cigarro.

O de sempre, madame”

“Como se você estivesse com seu entusiasmo de sempre”

“É que eu tive uma longa noite” ‘E que longa noite, hein’ Ela pensou. Ela levantou, deixando a Administradora sentar na sua poltrona de sempre.

“Bem, vá cuidar dos seus deveres. Não estamos te pagando para você relaxar”

“Sim madame” Ela pegou sua prancheta e dirigiu-se ao seu escritório de sempre, com a cabeça tonta. No dia anterior ela estava encarregada de assistir as câmeras, e tinha ouvido a conversa do Sniper. Ela tentou esquecer seus atos naquele dia, não vendo as câmeras, mas assistindo às fitas antigas.

Ela suspirou e olhou para o primeiro item escrito na prancheta. Ela fez uma careta quando ela pegou o telefone e discou. “Sr. Hale?”

“Ah! Isso que é valente, Sra. Pauling! Você está me chamando por causa das novas armas para a temporada?”

“Sim”

“Bem, eu não estou com elas”

“Como assim-“

“Eu acabei com aqueles caras. Bando de preguiçosos, gastaram uma semana para fazer uma espingarda! Os chapéus não são a solução mais fácil?”

“Não Sr. Hale, era pra você estar com as novas armas”

“Ops, desculpe então mocinha, eu não tenho nenhuma”

“Nenhuma?”

“Uma placa de protesto de hippies ajudaria?”

“Acho que sim, mas… Sr.Hale? Sr. Hale?” Ela desligou quando a linha cortou. Ela odiava falar com aquele homem. “Esses pôneis… estão mudando tudo. As rotinas, as pessoas, tudo… Eu não acho que isso vai terminar bem…”

“Sra. Pauling” Seu interfone zumbiu.

“Sim, Administradora?”

“Esqueça tudo o que você está fazendo. Eu tenho outro trabalho para você”

——–

Angel relaxava nas costas de Derpy enquanto ela andava, procurando pelos inimigos. Os dois se tornaram amigos inseparáveis por um simples motivo: não precisavam dizer uma palavra para se comunicar. Os dois trabalhando juntos pendurados, Angel cuidando dos maiores e mais longes alvos e Derpy com os inimigos mais próximos. Ele tirou o capacete sobre os olhos, começando a cochilar. Uma parada repentina o acordou. Ele olhou para cima e viu que estavam na beira da ponte. Ele lançou seu olhar para baixo das pranchas para ver o Pyro inimigo parado do outro lado, olhando para eles. ‘Provocando a gente’ Angel levantou. Ele pegou seu pequeno lançador de foguetes e atirou. O inimigo não se moveu. Só antes do míssil atingir, uma compressão de ar emanou e o míssil mudou seu curso de volta para eles.

Derpy se abaixou rapidamente, o míssil passando sobre sua cabeça. Ela se levantou lentamente. Angel olhou para a marca chamuscada na parede, quando se virou viu um sinalizador o atingindo, colocando-o em chamas. Com o resto de sua força ele puxou o gatilho novamente antes de ele morrer. O inimigo criticou o míssil de volta, mas agora ela estava pronta, puxando o segundo gatilho e mandando de volta para ele.

O inimigo mandou de volta, sem se mover. Derpy retornou para ele, também sem se mover.

Para o inimigo.

Para ela.

Para o inimigo.

Para ela.

O míssil voava pra trás e para frente pela ponte, apenas dois combatentes fazendo nenhum movimento, a não ser o puxar do gatilho. O mundo parecia se mover em câmera lenta quando ela calculava exatamente quando ela puxaria o gatilho.

Ela mandou pela ultima vez. ‘Estou sem munição!’ O inimigo puxou pela segunda vez e o lança-chamas travou. Um olhar de pânico e o Pyro desviou saltando para a direita, o míssil se colidindo na base RED. Um ar de tensão entre os dois pareceu durar uma eternidade. Seu oponente deixou seu lança-chamas no chão e andou atravessando a ponte, nenhuma arma nas mãos.

Ela permaneceu em sua guarda. ‘É um truque’ O Pyro se aproximou ainda mais. Ela ficou confusa quando ele amigavelmente estendeu sua mão para ela. Timidamente, ela o agarrou, e eles compartilharam um firme aperto de mão. O Pyro correu para o outro lado, pegando o lança-chamas e desaparecendo no edifício.

Ela se sentou por um momento, tentando entender o que aconteceu. Quando ela saiu de seus pensamentos, uma pata branca estava acenando na frente de seu rosto. Ela olhou para o Angel nervoso, que pulou nas suas costas e apontou em direção ao edifício. Ela sorriu de baixo de sua mascara e seguiu para frente.

Fanfic, Fanfics nacionais

Sem Palavras para Descrever – Livro I – Cap. 1 – Empolgação

Livro I - Cap. 1 - Empolgação

Autor: Grivous

Gênero: Normal, Triste, Drama, Romance

Sinopse: ”Em alguns dias, um show será apresentado na pequena cidade de Ponyville, como o último show da carreira musical de uma musicista muito famosa de Canterlot: Octavia. Twilight Sparkle e suas amigas ficaram encarregadas de aprontar os preparativos para o Grande Evento. Os fantasmas de seu passado continuam assombrar a jovem musicista, a ponto de isolar-se do mundo e daqueles que ama. Num único evento, cheio de reviravoltas e grandes emoções, ela está para descobrir algo muito mais do que apenas o fim…”

LIVRO I :

Apresentação

Prólogo

Capítulo 2 – Cascos e Coices

Capítulo 3 – Desinformado e Desinteressado

Capítulo 4 – Convidado ou Intruso?

Capítulo 5 – Casa da Mãe Joana

Capítulo 6 – Recuperação

Capítulo 7 – Algo a mais

Capítulo 8 – Amanhã

LIVRO II:

Capítulo 1 – Caminhada

Capítulo 2 – Muffin

Capítulo 3 – Companhia

Capítulo 4 – Mudanças

LIVRO III:

Capítulo 1 – Ausência

———-

 

Equestria — Vila dos Pôneis. 13 de Fevereiro, 09:43 da manhã.

Seis meses atrás…

O sol reluzente da manhã estava um pouco mais alto que a montanha mais alta de Ponyville.

Era um dia bem típico aos gentis cidadãos do vilarejo. Esse dia, porém, tinha um sabor diferente no ar; de empolgação. Os pacíficos pôneis estavam com uma vibrante, e bem visível, energia. Eles corriam e trotavam por todo o lugar, fazendo seus afazeres muito rápido. Eles não paravam nem um segundo para respirar ou nem mesmo para uma limonada geladinha. Uma unicórnia roxa em especial no meio da praça central apontava com seu casco, dando tarefas e funções para os pôneis agitadíssimos.

— “Algum pégaso precisa limpar o céu!” — exclamou a unicórnia roxa enquanto olhava para o alto.

A unicórnia era a Twilight Sparkle. Uma jovem unicórnia com uma longa crina nas cores roxo escuro, roxo normal e rosa misturadas em mexas e olhos de cor violeta. Ela falava diretamente com um pégaso em pleno ar.

— “Rainbow!” — exclamou Twilight, apontando para Rainbow Dash, um pégaso azul com uma crina média com as cores indêtincas ao do arco-íris e olhos lilás, que voava por perto. — “Chame alguns pégasos com você e dê um jeito nessas nuvens!”

— “Xá comigo!” — disse Rainbow Dash com o casco em sua testa. Ela apontou para três pégasos que estavam perto dela e voaram em direção ao céu. — “Vamulá, galera!”

Twilight olhava ao redor enquanto trotava pela entrada de Ponyville, até que viu duas pôneis na tentiva erguer um banner, puxando-o com as cordas entre os dentes. O chifre de Twilight começou a brilhar, dando-lhes um “cascozinho”. O banner finalmente ficou de pé e as duas pôneis sorriram para Twilight, agradecidas.

— “Muito obrigada, Senhorita Sparkle!” — disse uma das duas.

— “Não há de quê, meninas. Eu só–” — Twilight olhou para o banner e leu em voz alta.

— “Hã? ‘Bem-vinda à Ponyville, Octav’ ?!” — Twilight levantou uma sobrancelha de sua testa. — “O que houve com o resto do nome?”

— “Não conseguimos colocar ele todo…” — explicou a outra pônei de crina encaracolada azul-marinho.

— “Não podemos erguer um banner que diz ‘Bem-vinda à Vila dos Pôneis, Octav’!” — acusou Twilight enquanto apontava para a pônei que tinha respondido. — “Nosso convidado é um músico, não um matemático acadêmico!”

As duas pôneis se entreolharam, confusas. — “Como é?” — perguntaram em coro.

Twilight bateu o casco na testa, exasperada — “Ai, deixa pra lá! É melhor nós abaixarmos esse banner e tentar de novo.”

As duas pôneis viraram os olhos, já era a terceira vez que elas ergueram esse banner e vão ter que descê-lo de novo. O chifre de Twilight brilhou mais uma vez.

De repente, uma corrente de ar invadiu a entrada da Vila dos Pôneis, fazendo o banner cair mais rápido do que deveria. Twilight percebeu que o banner caía rápido demais, ela deu meia volta e tentou fugir do banner mas era inútil.

Bonc!

As duas pôneis estavam em choque, com os cascos em suas bocas. Elas podiam ouvir a voz de Twilight debaixo do banner. — “Auuu… Isso não pode estar acontecendo…”

Indo direto ao Sugarcube Corner, perto da praça central de Ponyville, uma pônei de uma coloração rosa adentra a loja saltitando alegremente. Ela estava muito animada.

Uma voz feminina veio de dentro do Sugarcube Corner. Parecia bastante histérica.

— “Pinkie! Até que enfim! Por onde você andou, afinal?!”

— “Ah, oi, Bon-bon! Eu estava trotando aqui perto mas eu vi a Rainbow Dash e me lembrei que eu queria perguntar alguma coisa para ela que simplesmente surgiu em minha cabeça assim que a vi! Ela parecia estar muito ocupada porque ela tentou fugir sem mesmo responder a minha pergunta! Que grosseria! É uma grosseria não responder as perguntas dos pôneis quando eles perguntam a você, sabe? Imagine que eu ia pedir para ela sumir com uma nuvem eletrificada que estava perto da casa da Berry Punch e ela simplesmente foge? Então eu tentei seguí-la mas ela não desistia de fugir! Bom… No final, quem acabou desistindo fui eu porque a Twilight disse para eu parar de brincar e começasse a ajudar os pôneis da cidade para a grande grande dia! É amanhã, não é? Isso é tão emocionante! A violoncelista mais famosa de Canterlot! AQUI! Aliás, porquê ela está vindo para cá? É o último show dela, claro, mas porque ela escolheu a Ponyville? Há, tipo, centenas melhores lugares para fazer o grande estupendo show como ela está desejando fazer. E ela está vindo para cá de Canterlot! Canterlot, cê acredita?! Porquê ela não faz o grande gigantesco show dela lá? Eu gostaria de ir lá mais uma vez! É um incrível, engraçado, maravilhoso, lindo, estupendo, cheiroso e enorme lugar para se fazer a maior grande gigantesca festa do mundo! O que você realmente acha disso, Bon-bon?”

Silêncio. Podia ouvir alguém murmurando de dentro do Sugarcube Corner.

— “Hã… Bon-bon? Você está b–?” — Pinkie Pie foi interrompida por alguma coisa que bloqueou suas palavras de saírem de sua boca.

— “Apenas. Pegue. A farinha. Da dispensa.” — murmurou Bon-bon.

— “Tudo bem que beren–!” — Pinkie foi interrompida de novo.

— “Sem. Uma palavra.”

Dentro do Canto do Cubo de Açúcar, estavam: Pinkie Pie, uma jovem pônei cor de rosa com uma longa e bagunçada crina rosa-magenta e olhos azuis, pegando a farinha de dentro da despensa com a boca dela; Bon-bon, uma jovem pônei de cor amarelo esverdado com uma crina média e cacheada nas pontas de cores azul e rosa misturadas e olhos azuis, pegando uns biscoitos assados no fogão com um pano-de-prato em sua boca; Sra. Cup Cake, uma pônei adulta de cor azul claro com um topete médio de cores rosa-choque e rosa claro misturadas e olhos roxos, amassando uma bola de massa com um rolo; E seu marido, Sr. Carrot Cake, um pônei adulto de cor âmbar com uma uma curta crina alaranjada e olhos verdes, cortando algumas frutas para fazer uma deliciosa salada.

A entrada da loja estava vazia. Pinkie Pie, Sr. e Sra. Cake e Bon-Bon estavam na cozinha, fazendo muitos doces, comida, bebidas, e–

— “Cupcakes! São tão gostosos!” — Pinkie Pie começou a cantar quando ela jogou um pouco de farinha pro ar. — “Cupcakes! São saborosos! Cupcakes! Não sejam tão gulosooooss!”

— “Mmffhgg!” — tentou indagar Bon-Bon, mas estava segurando com a boca uma fôrma com biscoitos.

Bon-Bon largou a fôrma em cima da mesa que estava perto dela e olhou para Pinkie Pie. Ela não podia deixar Pinkie fazer o que bem entender na cozinha, não enquanto todos estavam tentando fazer comida e doces para todo mundo e com urgência.

— “Pinkie! Pare! Você está fazendo a maior bagunça! E NÃO SE ATREVA A LAMBER ESSA ESPÁTULA!!”

Daqui alguns dias, virão pôneis de todos os lugares: Pôneis de Canterlot, de Appleloosa, Manehattan, Cloudsdale, Trottinhan, enfim pôneis de toda a Equestria.

Pôneis famosos também estarão em Ponyville, tudo precisava estar bem apresentável e cheio de delícias para os visitantes(por que eles tem dinheiro; e esse dinheiro precisa ser gasto em alguma coisa, certo?).

Um pouco além do Canto do Cubo de Açúcar, nos deparamos com a praça central da cidade outra vez. Lá, Twilight Sparkle(que coisa azulada é aquela em cima da cabeça dela?) estava conversando com a Prefeita, uma pônei adulta cor de caqui com um topete médio das cores cinza claro e escuro e dois olhos azulados.

A unicórnia roxa parecia muito nervosa. Muito, muito nervosa. Além do mais, há algum pônei que não está nervoso nessa cidade?

— “Ai, Srta. Prefeita! Tem certeza de que está tudo bem? Digo, tudo está perfeitamente perfeito, mas e se não estiver perfeitamente perfeito o suficiente para ela? Ela vai estar chegando aqui dentro de alguns dias!”

— “Acalme-se, Srta. Sparkle!” — disse a Prefeita na tentativa de relaxar a agitada pônei roxa. — “Tudo está indo bem! Não precisa entrar em pânico.”

— “Pânico!? QUEM está em pânico?! Quem poderia estar em pânico quando a musicista mais famosa de Canterlot está vindo para cá, PARA CÁ, para realizar o último show de sua carreira!!?”

A Prefeita suspirou, esfregando o casco em sua testa.

— “Olha o stress, Twilight Sparkle.” — uma voz suave e feminina adentrou-se aos ouvidos das duas pôneis, — “Acalme-se antes que derreta a sacola de gelo… de novo.”

Surgiu perto delas uma pônei branca com uma longa e cacheada crina roxa, trotando elegantemente de sua chiquérrima loja de roupas, o Carousel Boutique.

Twilight olhou para o pequeno saco de gelo amarrado em sua cabeça. Ela abaixou levemente a cabeça, um pouco constrangida. Twilight levantou os olhos agora em direção ao pônei branco que se aproximava até ela elegantemente.

— “Desculpa, Rarity…” — começou Twilight Sparkle a se desculpar, com um tom meio tímido em sua voz — “Eu só estou–”

— “Nós TODOS estamos nervosos, minha querida!” — exclamou Rarity, sacudindo seu casco gentilmente. — “Mas ficando nervosa não vai resolver nada! Só irá arruinar esse seu belo e jovem rostinho!”

Rarity apontava para o rosto da Twilight; ela tinha um olho-roxo e um saco de gelo amarrado em sua cabeça.

— “E quanto mais nervosa você fica, mais estressada você se torna. E quanto mais estressada você se torna, mais cabelos brancos e peles enrugadas começarão a aparecer!” — Rarity colocou seu casco em seu peito demostrando uma feição de nojo em seu rosto, — “Argh! Que horror!”

A Prefeita ergueu uma sobrancelha, encarando diretamente para Rarity. As linhas em seu rosto estavam cobertas, mas ainda assim visíveis, com uma detalhada maquiagem para escondê-las e a cor pálida de sua crina não demonstrava timidez diante dos pôneis; apenas intimidação sobre a Rarity.

— “A-haha…!” — Rarity limpou a garganta e olhou desconfortavelmente para a Prefeita. — “Digo… Sem ofensas, né, Srta. Prefeita…?” Rarity sorriu falsamente para a Prefeita.

— “Não ofendeu…” — replicou a Prefeita, obviamente ela estava ofendida.

— “Agora, Srta. Sparkle, se você está tão preocupada com a nossa organização, podemos rever a lista de afazeres da semana para a chegada do nosso ilustre convidado.”

A Prefeita lentamente apontou para a fazenda Sweet Apple Acres. Twilight seguiu o casco da Prefeita com o olhar, virando a cabeça.

— “Applejack e sua família estão catando e catalogando cada maçã de sua fazenda para que possamos fazer os melhores receitas de maçã para o grande show.”

A pônei com a pelagem cor de caqui então ergueu seu casco, apontando para o céu; A cabeça de Twilight acompanhou o casco da Prefeita até o expansivo azul.

— “Em seguida: Todos os pégasos estão em alerta. Eles não deixarão nenhuma tempestade interromper o Grande Evento que irá acontecer daqui alguns dias.”

— “Vamulá, meninas! Mexam essas asas COM GOSTO!” — bradou Rainbow Dash para as três pégasos que estão com ela no céu, desmanchando as nuvens.

A Prefeita descansou seu casco no chão, agora gesticulou o mesmo para o Sugarcube Corner, que estava próximo a elas. Twilight continuou seguindo o casco da Prefeita com olhares e viradas com a cabeça. As gotículas de gelo que escorria entre a crina de Twilight agora ficavam voando pelo ar a cada virada de cabeça dela. Rarity também acompanhava junto com ela.

— “Pinkie Pie, Bon-Bon e Sr. e Sra. Cake” — continou a Prefeita. — “estão fazendo o melhor deles tentando fazer o máximo de comida, bebida e doces para o Grande Dia.”

De repente, uma voz fina e perturbada bradou de dentro do Canto do Cubo de Açúcar.

— “PARE DE LAMBER A PORCARIA DA ESPÁTULA, PINKIE!”

Pinkie Pie, com uma rápida resposta, disse — “Mas está coberta de chocolate! Eu PRECISO lambê-la!”

Os sons de cascos e talheres de cozinha caindo ao chão encheram a cozinha. Haverá problemas… e não é preciso ser adivinho para prever isso.

— “Muito bem, agora já chega, Pinkie Pie!” — Bon-Bon, com um puxão, arrebentou seu avental, largou suas ferramentas de trabalho culinário e começou a correr atrás de Pinkie Pie, com o nariz bufando.

Uma segunda leva de sons de cascos se juntou à confusão: Ambos barulhos soavam cada vez mais alto e cada vez mais rápido. Como nenhuma delas saíram para a entrada do estabelecimento ou para fora do mesmo, é dedutível de que elas estejam correndo em círculos; em volta de uma mesa.

— “Ei, ei, ei! Não seja tão Sra. Egoísta da Silva Souza, Bon-Bon!”

O número de utensílios caindo aumentou, e, com ele, o volume das vozes. Que bagunça está acontecendo dentro daquela cozinha…

— “Pinkie! Me dá essa espátula! AGORA!”

A pônei rosa não desistia. Aquela espátula coberta de chocolate valia mais do que ouro para ela.

— “Mas eu quero lambe-ê-ê-ê-ê-êêêê-lá!!”

A Sra. Cake não podia aguentar mais aquele caos dentro daquela cozinha e começou a exclamar para as pôneis problemáticas:

— “MENINAS, POR FAVOR, PAREM COM ISSO ANTES QUE VOCÊS DERRUBEM–”

Com um baixo(porém audível) “Pluf”, uma nuvem branca espessa começou a sair pela janela do Canto do Cubo de Acúcar. O caos havia acabado… por enquanto.

Twilight levou seu casco aos seus olhos, esfregando-os, — “Oh, Pinkie…” Pensou Twilight.

— “Como eu tinha dito,” — Murmurou a Prefeita enquanto ajeitava seu branco topete com um dos cascos. — “Estão fazendo o melhor.”

Ela tossiu alto, tentando chamar a atenção das duas, — “Bom, vamos seguir em frente. Sobre nossos convidados: Derpy Hooves é a única pônei responsável nesta área. Ela está enviando cada convite aos seus respectivos destinatários em cada casa de Ponyville e de toda Equestria.”

— “Ah, que óti– Esperaí, “a única responsável”?!” — Twilight girou bruscamente a cabeça, olhando para ambas Prefeita e Rarity, atônica. — “Não tem mais nenhum? E ela pretende enviar TODOS os convites em TODA Equestria?! E SOZINHA?!”

— “Sim.” — responderam a Prefeita e a Rarity em coro.

— “Mas, mas, mas…! Isso…!” — As palavras não saiam da boca de Twilight. Como é possível um pônei fazer isso tudo? Ela acredita que nem Rainbow Dash, ou nem mesmo os próprios Wonderbolts, seriam capazes de tal proeza. Ela, sim, era um pônei um tanto… peculiar.

— “Há algum problema, Twilight, querida?” — Rarity olhava para ela, estranhando a surpresa de Twilight.

— “Não! Claro que não, Rarity! Por quê haveria?! Ha…hahaha… haha…!”

A Prefeita e a Rarity se entreolharam, confusas e um pouco assustadas.

— “Mas… Caham! … quem é Derpy Hooves? Eu não me recordo muito bem dela desde que vim a Vila dos Pôneis(ou nem mesmo ouvi falar dela)…”

A Prefeita voltou a apontar seu casco para o céu, acima da cabeça de Twilight. Twilight encarou um pouco a Prefeita, confusa. Mas, mesmo assim, ela ergueu a cabeça para o céu e viu um ponto de cores cinza e amarelo voando na abóbada azulada. Um pégaso de cor cinza, com uma crina média amarelada, voando com uma sacola marrom cheia em suas costas. Era o que Twilight via no céu.

Por algum motivo, parecia que aquele pégaso estava pegando algum tipo de impulso porque estava voando alto, e mais alto. E mais alto.

— “O que ela está pensando em fazer? Será que…” — Twilight tenta olhar para onde Derpy estava “mirando”.

Fazendo os cálculos de cabeça, Twilight calcula o ângulo em que a pônei cinza se encontrava, em que direção ela está “mirando” e de onde o vento está ventando, ela descobre onde seria o possível “alvo” de Derpy: A casa da Fluttershy.

— “Não… Ela não va–” — Antes que ela terminasse, a pégaso cinza colidiu com o teto da casa da Fluttershy.

CRASH!

— “Aimêdeusminhanossasinhoradospôneis! Ela atravessou a casa da Fluttershy!” — a unicórneo roxa começou a trotar em círculos, desesperada, — “Minha santa Celestia! Ela pode ter se machucado! Ou ter morrido! Ou ter machucado Fluttershy! Ou ela e a Fluttershy terem se machucado e morrido! Temos que chamar alguém! Temos que–”

Twilight olhou para a Rarity e para a Prefeita. Ambas quietas, paradas, sem nenhuma reação ao acontecido.

— “Por quê estão paradas?! O que as impedem de–”

As duas calmamente apontaram. Twilight lentamente olhou para aonde as duas apontaram, o que seria o telhado da casa da Fluttershy.

Do buraco do telhado da casa, uma pégaso cinzendo reapareceu, saindo perfeitamente intacto dele. Sem nenhum aviso prévio, ela se preparou para mais um impulso. E com um giro rápido, mergulhou descontrolavelmente e colidiu com mais uma casa. Uma voz jovem em resposta podia ser ouvido de dentro de sua casa, gritando:

— “MEU TELHADO!”

Mais uma vez, Twilight levou seu casco diretamente em sua testa. Desta vez, foi forte o suficiente para fazer um “clop” alto.

— “AI!” — Sobressaltou Twilight, esquecendo da dor de cabeça. — “Porcaria! Ai, essa doeu muito…”

— “Calma, Twilight.” — Rarity chegou divinamente para perto da Twilight, acariciando seu ombro de leve. — “Precisa tomar cuidado com essa cabeça. O que você viu é completamente normal…”

— “ ‘Normal’?! Imagine se não fosse…!” — Pensou Twilight, esfregando um pouco a cabeça dolorida.

— “CAHAM!” — A Prefeita chamou atenção das duas, com um som muito esquisito de sua garganta.

Rarity e Twilight viraram a cabeça ao encontro da Prefeita.

— “E…!” — sua impaciência demonstrava que não aguentava mais tantas interrupções durante seus discursos, — “… É claro, a Srta. Rarity está–”

“Sim!” — Rarity interrompeu, entrando em cena com o casco sobre o peito, sentindo os holofotes imaginários apontando para ela, — “Eu estou fazendo todas as decorações para quando a nossa ilustremente chiquérrima convidada chegar! Sweetie Belle e suas amigas companheiras estão… me ajudando um pouco. Hehe” — O olho da Rarity soltou uma pequena e involuntária piscada.

Numa apararição mais rápido que um corisco, três pequeninos pôneis apareceram do nada. A irmã mais nova de Rarity, Sweetie Belle, uma pequena unicórnea branca com uma crina curta das cores rosa e roxa claras e olhos verdes; A irmã mais nova de Applejack, Applebloom, uma pequena pônei com uma crina média com mechas avermelhadas, pêlo amarelado e olhos cor de mel; e, por fim, Scootaloo, uma pequena pégaso com uma crina de cor fúcsia, uma pelagem alaranjada e olhos púrpuras.

    Coletivamente em coro, elas são:

— “CUTIE MARK CRUSADERS! AGORA DESIGNERS DE DECORAÇÕES! YAY!”

— “WHOA-HAAA!! MENINAS!”

Num piscar de olhos, as três pequeninas sumiram, correndo para dentro do Carrousel Boutique.

— “EI! Esperem…! GRRR! Essas meninas são incontroláveis!” — disse Rarity, bufando pelo nariz, — “Como Fluttershy consegue?!”

Twilight apenas rolou os olhos.

— “CAHAM. Enfim, Srta. Sparkle,” — continuou a Prefeita após a interrupição, — “Não há necessidade para tal preocupação! Apesar dos possíveis obstáculos que apresentam em nossa atual rotina de afazeres para o Grande Dia, tudo está prosseguindo agradavelmente, na minha sincera opinião. Isso era o que eu mais esperava de você, Srta. Sparkle. Essa é a SUA área; VOCÊ é quem organizou tudo!”

Twilight sentiu seu rosto corar, ela esqueceu completamente de que ela é quem fez e está fazendo toda a organização para o Grande Dia.

— “É… Acho que a senhora tem razão, Prefeita… é que… é difícil relaxar em momentos estressantes como esse. Mas… é… eu acredito que está tudo bem, mesmo.”

— “Sim, tudo.” — reafirmou a Prefeita, reconfortando Twilight com uma esfregadinha leve na cabeça.

Rarity veio logo em seguida, esfregando o rosto na bochecha de Twilight. — “Não se preocupe, Twilight, nós todas estamos aqui. Para ajudar e realizar o nosso trabalho!”

— “Sim, você está certa, Srta. Rarity! Devemos dar o nosso melhor para um agradável resultado para todos os pôneis. Confiando nos corações e na força de vontade de cada pônei, podemos qualquer coisa.”

A Prefeita fez uma breve pausa.

— “Nós confiamos em você, Twilight Sparkle. Você confia em nós?”

Twilight olhou surpresa para Prefeita, ela não acreditou no que acabara de ouvir.

— “Ela… me chamou de Twilight?”, pensou ela.

Twilight Sparkle sentia uma vibração diferente do que estava sentindo agora pouco. Uma sensação de segurança e bem-estar pairou ao redor dela. A confiança e a atitude voltou a fluir de dentro dela graças às calorosas e reconfortantes palavras da Prefeita e da Rarity.

— “Sim, eu confio em cada pônei em Ponyville…” — Twilight não pôde se conter da alegria que ela sentia naquele momento. Um calor gostoso era sentido em seu coração, um aperto no peito; como se fosse um abraço.

— “Obrigada…” — pensou Twilight Sparkle quando abaixou levemente a cabeça, lágrimas discretamente começaram a encher os olhos dela, — “Muito obrigada, fico muito feliz perto de pôneis como vocês…”

Twilight Sparkle, finalmente, estava calma e sentimentavelmente segura. A Prefeita gentilmente encostou o casco por baixo do queixo de Twilight e ergueu levemente o rosto dela.

—  “Tudo certo, então. Nós temos agora de voltar aos nossos afazeres. Todos os pôneis, incluindo nós duas, devemos nos preparar para a chegada da Srta. Octavia!”

Twilight e Rarity sorriram de excitação. Daqui alguns dias será um estupendo momento para os cidadãos da Vila dos Pôneis. E para um pônei em particular…

A janela da cozinha do Canto do Cubo de Açúcar abriu num estalo, deixando esvoaçar outra camada de farinha pelo ar.

— “EI, TWILIGHT!” — uma pônei rosa coberta de farinha e com a crina toda bagunçada(mais do que normalmente é) apareceu na janela, toda selerepe e falando num tom infantil, — “Essa cozinha tá uma maior BAGUNÇA! Essa é a bagunça mais bagunçada de todas as bagunças que já vi em minha vida!”

— “Hã… Legal, Pin–”

— “MAS nós já conseguimos fazer um monte de doces, bolos, tortas, cupcakes, biscoitos, bolinhos, doces, sucos… Eu disse ‘doces’ de novo? EI! O que vocês estão fazen–”

Pinkie Pie encarou Twilight Sparkle totalmente surpresa. E foi o suficiente para deixar Twilight um pouco preocupada para o quê ela está encarando.

Twilight arriscou perguntar, — “Hã… Sim, Pinkie? Há… algum problema?”

— “Você não deveria ter somente um chifre, Twilight?” — Pinkie Pie olhava para o galo na cabeça de Twilight, agora visível por que o gelo dentro do pacote já derreteu todo.

Equestria – Canterlot. 13 de Fevereiro, 12:34 da tarde.

Canterlot. Uma das grandiosas cidades em Equestria. Um lugar cheio de artesãos; feiticeiros mágicos e encantados; e pôneis famosos a cada metro quadrado nas ruas.

Alguns pôneis andavam pelas ruas da cidade, rindo e conversando, felizes e bem-humorados, assim como deve sempre ser. E porquê eles não deveriam estar? Eles estão cercados pelo melhor do melhor. A Praça Central tem um belíssimo parque de vida selvagem, cheio de pássaros, coelhos, tartarugas e entre outros animais; um enorme lago cristalino com patos, gansos e vários tipos diferentes de peixes e outros seres aquáticos; era divino o lugar. Essa cidade é o paraíso dos pôneis e um sonho para todos os pôneis sonhadores.

Princesa Celestia e Princesa Luna, juntas em seu palácio, formam o ponto central de Canterlot. A base de operações dos Wonderbolts, da FAE, permanece perto do palácio. Dentro da base de operações, no Corredor da Fama, permanecem os retratos dos mais importantes e lendários integrantes dos Wonderbolts da atualidade, consagrados pelos grandes feitos realizados pelos povos de Equestria. Dentre eles, são destacados o formidável Blizzard, a brilhante Misty, o eternamente faminto Soarin, a poderosa Spitifire, o apropriadamente denominado Blast, e o motorizado Tyco.

 Pôneis famosos e “modernos” como Photo Finish, Hoity Toity e, claro, Shappire Shores, todos vivem em suas luxuosas e gigantescas mansões, apenas à alguns metros dos monumentos celébres: A Praça Central, o Castelo das Princesas, e a base de operações dos Wonderbolts. Essas casas luxuosas são(naturalmente) as primeiras da rua principal, e essas mesmas casas formam o início de um expansivo corredor urbano denominado “Avenida dos Famosos”.

Poucos pôneis conseguem comprar uma casa nessa rua. E pouquíssimos são presenteados com uma casa nessa rua, nem que seja a última; localizada na ponta da Avenida.

E o pônei presenteado com uma casa em meio dessa rua recheada de famosos e pôneis importantes foi, é claro, Octavia.

Apesar de sua fama músical, Octavia vivia modestamente em uma casa com apenas dois andares e um simples, mas impecável, jardim com flores e moitas geometricamente cortadas. No recinto do jardim havia algumas margaridas, uma fileira de rosas e tulipas e um cantinho especial somente para as papoulas. No portão da frente, havia três significativas caixas de correio. O primeiro estava completamente e eternamente cheio de cartas; nele estava escrito “Fãs”. Na segunda caixa de correio estava escrito “Patrocinadores”. Não estava tecnicamente cheio, mas uma significativa pilha de várias cartas habitava o interior dele. E, na terceira caixa de correio, estava o mais longo título dentre as três, “Família/Amigos” e estava vazio.

Espere… “Vazio”? Mas por quê estaria vazio?

Houve um ruído. Era um som natural, mas ao mesmo tempo artificial: Esse som não veio da natureza, nem de um choramingo de um cão, nem de uma súbita mudança do vento, nem de uma forma oral. Não é de nenhum som produzido pela vida urbanizada e civilizada que se encontrava ao redor daquele jardim.

Não. O que ouvimos foi uma triste nota de um violoncelo, habilmente tocado e pronunciado com uma distinta melancolia.

Este som de outro mundo, estranhamente, veio de dentro da casa. Passando pela porta de entrada, nos deparamos com um pequeno corredor estreito, espaço suficiente para dois pôneis passarem ao mesmo tempo. No fim do corredor, há uma escada em espiral que leva para o segundo andar. À direita, uma grande sala, com uma lareira cheia de cinzas, umas poltronas baixas, um tapete grande, uma longa prateleira de livros de música, algumas pinturas e um toca-discos grande. Uma sala como sempre dever ser: Uma apropriada sala de estar.

A esquerda do corredor estreito, há uma pequena sala com uma placa dourada no topo da porta que dizia “Sala dos Troféus”. A pequena sala, quase com um escritório, havia uma escrivaninha, papéis(inteiros, amassados, molhados, queimados e em pedaços) dentro de uma lixeira, mais quadros e uma prateleira gigantesca que cobria uma parede inteira. Ele estava cheio de troféus e medalhas de todos os tipos. Todos estavam denominados com um título, entre eles havia “Melhor Música do Ano”, “Melhor Músico Estreante do Ano”, “Melhor Canção Solo do Ano” e muitos e muitos outros “Melhores do Ano”.

Porém, podemos ver que há um troféu especial na prateleira. Conscientemente colocado no centro de todos os troféus na prateleira. Por algum motivo, era muito importante e muito querido.

Uma fotografia.

Da Octavia como uma jovem poneizinha, com seus pais ao redor, abraçando-a. Todos estavam muito felizes… ou apenas aparentavam ser. Ao lado da fotografia, uma espécie de papel velho e empoeirado estava sentado em aberto para todos lerem. Nele está escrito à boca:

“Querida Octavia,

Eu, diretora do Colégio Equestriano da Música(CEM), Loud Noise, tenho o orgulho e o prazer em lhe entregar esse certificado de autenticidade. Você, como proprietária desse certificado, foi provado que você está dedicado a viver e amar o mundo da música e da exuberante melodia. Nós, os professores da CEM, afirmamos através da sua dedicação à arte e ao conhecimento no campo da música, e estendemos a você nossos agradecimentos e nossos parabéns. Eu pessoalmente ofereço a você minha benção de que, um dia, você será conhecida e reconhecida como a grande musicista que és. Nosso conselho de despedida: Ame tua família e acredite naqueles que te cercam, sejam amigos ou colegas. Em algum lugar no meio destes, há sempre um casco amigo.

Boa sorte!

Loud Noise.”

O som de um violoncelo encobria todos dos cantos da casa. Se tivéssemos que sentir as paredes, nós sentiríamos as paredes de madeira da casa vibrarem com o toque profundo das notas dos acordes do violoncelo. Cada nota, estava sendo tocado em maior tom. Dó maior, Ré menor, Mi maior. O ar estava pesado; espesso; uma sensação um tanto desconfortável que dificultava a respiração.

Subindo para o segundo andar pela escada em espiral no final do corredor estreito, o som do violoncelo ficava cada vez mais audível; estamos chegando perto da fonte do som. Chegando no segundo andar, as paredes vibravam mais do que quando estávamos na Sala dos Troféus e a fonte dessa vibração estava vindo no quarto mais próximo da escada à direita.

Adentrando ao quarto, não havia nada de anormal nele. Uma cama, duas mesinhas de cabeceira de cada lado, um sofá simples, uma cômoda, um armário de roupas. Praticamente um quarto normal; mas neste quarto, habitava uma pônei que seria muito difícil de classificar como normal.

Octavia. Sentada em uma cadeira baixa, tocando seu violoncelo. Uma jovem e atraente pônei cinza. Seus cabelos longos carbonizados pareciam um tanto embaraçados; alguém não conseguiu dormir direito naquela noite. Seus olhos de cores ainda desconhecidas estava fechados, demonstrando profunda concentração durante seu concerto particular.

Octavia é um perfeita imagem de postura e foco, uma pônei que não falava a menos que tinha algo relevante para dizer e, mesmo assim, quando as palavras não variavam ou eram insuficientes, ela procurava outros meios de transmitir seus pensamentos.

Um exemplo de outro meio de comunicação que ela usaria é o seu violoncelo. Octavia estava sozinha no quarto mas era evidente de que ela não estava sozinha… em seus pensamentos.

Ela estava tocando intensamente, como se estivesse tocando em uma orquestra ou em um concerto.

Em frente a ela, havia dois retratos pendurados na parede. Abaixo deles estavam cravadas duas placas douradas, os títulos que denominavam os quadros nas placas foram escritos em letra de boca em alta temperatura. Estavam escritos nas duas placas em nítido contraste: “Mamãe” e “Papai”.

Abaixo das incrições, as placas estavam sendo iluminadas por velas acesas, num típico ritual de honra e respeito… aos que não estão mais presentes. As velas eram a única fonte de luz mais abundante no quarto em um dia quase nublado. Não importa quantas velas estejam acesas no quarto, não expulsava a aparência fria e acinzentada do ambiente. O quarto estava mais cinzento que a própria Octavia, a combinação do ambiente com a cor da pelagem dela faziam-na camuflar-se perante o cinza da sala.

A luz do sol em sua janela invadia lentamente o quarto conforme quebravam as nuvens no céu; o quarto, finalmente, estava deixando a sua aparência acinzentada.

A luz do sol iluminou seu corpo; entre ela e a janela, os raios solares tornavam as partículas de poeira vísiveis a olho nu ao redor dela.

A música que Octavia escolheu para tocar era uma das suas canções proclamadas como “Melhores do Ano”. Uma canção feliz, alegre, compenetrada. Por quê ela o está tocando de uma forma triste e melancólica?

Octavia não ia parar de tocar a música. Ela não podia; ela queria terminá-la. Ela precisava terminar aquele solo.

O ar do ambiente no quarto estava pesado e o eco das vibrações do violoncelo incrustava nas paredes, no chão e no teto de sua casa. Pesado e triste. Seu rosto realizava uma intensa expressão enraivecida enquato pressionava o próprio queixo, forçando as lágrimas que quase escorriam de seus olhos de volta para dentro. Apesar de fazer o possível de esconder sua angústia, era inútil empurrar para dentro; era muito mais forte do que ela.

Ela mordeu o lábio e pressionou os olhos. Ela sufocou um suspiro, um soluço silencioso, mas não era o suficiente para interrompê-la de seu concerto: De um casco segurava o arco e do outro segurava o braço do violoncelo; as lágrimas que fluíam em seus olhos como uma nascente, ela tentava ao máximo retê-las.

— “Não… Se atreva a chorar agora…” — disse ela em seus pensamentos, — “Este… é o ultimo refrão.”

Como um pônei sendo torturado, seu corpo estava coberto de indesejadas tremulações. Mas ao contrário de uma tortura a base de dor, medo e desespero, com direito a sangue, cordas apertadas e ferros em brasa, esse tipo de tortura não podia rasgar aço, não podia cortar cordas, nem mesmo fazer sangue jorrar. Eram os acordes do violoncelo, quase vivo pelo som de suas notas executadas por Octavia.

Eram apenas Octavia e seu violoncelo, sozinhos no quarto com a melodia. A tortura era em sua mente, em sua alma, uma verdadeira tortura psicológica. Sem dor. Sem objetos. Sem sangue.

Octavia respirou estremecendo, quase como um gemido.

A última nota.

Octavia largou o arco em seu casco e começou a entrar em colapso com o chão, mas ela se pendurou sobre o violoncelo; o violoncelo a segurava de uma forma como seguraria um verdadeiro amigo.

Só agora a nascente pôde escorrer livremente pelo rosto de Octavia. As lágrimas escorriam levemente pelas bochechas de Octavia, indo ao encontro com o braço do violoncelo, deslizando algumas gotas sobre o braço do mesmo. Agora era o violoncelo que chorava junto a ela.

Octavia tentou usar suas esgotadas forças para se segurar-se no violoncelo. Não para se levantar, mas para abraçá-lo. Ela o apertava pelo tronco do violoncelo desesperadamente. Seu rosto esfregava carinhosamente o braço do viloncelo. A situação em qual ela se encontrava deve ser desconfortante para ela chegar ao ponto de abraçar um objeto frio e sem vida; abraçar um mero instrumento de madeira morta de um ser que já esteve vivo na natureza.

— “Mãe… Pai…” — as palavras ecoavam em sua mente, como um piano em lentas e delicadas notas.

Alguém bateu a porta. Octavia estremeceu e, num sobressalto, ergueu-se do violoncelo. Octavia olhou para a porta.

— “S-sim?” — ela gaguejou. — “Porcaria!” — resmungou ela baixinho enquanto massageava a garganta.

— “Madame?” — uma voz masculina veio do outro lado da porta, — “Tenho vossa permissão de adentrar em seu recanto particular?”

Octavia esfregou seus cascos no rosto para tentar enxugar suas lágrimas. Ela não queria que ninguém a visse nesse estado embaraçoso. Ela deu um longo suspiro, tentando controlar seu tom de voz, prejudicado com gaguejos e soluços.

— “… Sim, tem minha permissão.”

A maçaneta gritou no quarto. O som da porta se abrindo e fechando ecoou de uma forma patética pelo quarto, em comparação as notas do violoncelo.

Um pônei adulto cor de creme com uma crina escura portando olhos azuis adentrou-se no quarto de Octavia. Ele estava vestindo um terno preto simples, seus trotes eram precisos e sérios.

Era o seu mordomo, White Glove. A preocupação alastrou-se na sobrancelha direita do mordomo enquanto ele observava a respiração irregular e ofegante de sua patroa, mas ele continuou com sua tarefa.

— “Minha senhora? Novas cartas estavam no correio esta manhã. Gostaria de lê-las?”

Havia uma mochila nas costas do mordomo. Octavia olhou para o saco, pensativa. Depois olhou para o rosto do mordomo, os olhos dela estavam vermelhos e irritados.

O mordomo olhou discretamente com os olhos, sem mover a cabeça, para a parede em frente a Octavia: as velas estavam apagadas e em todas só restavam rastros de fumaça. Suspeitosamente as velas estavam sob os quadros dos pais dela, Sr. Maior e Sra. Menor.

White Glove já percebeu.

— “Ela não está se sentindo bem no momento,” — ele pensou, — “só um pônei cego e ignorante não entenderia o que ela está passando agora…”

— “Eu posso voltar mais tarde, se preferir, madame.” — White Glove girou o seu corpo para a porta mas olhava de relance para o rosto de Octavia.

Ela sacudiu sua cabeça e lançou o casco em direção ao mordomo, pedindo para esperar. No meio disso, ela soltou um agudo, — “Não!”

O mordomo parou. Octavia ficou vermelha de vergonha. Que estúpido “não” foi aquele, ela se perguntava em sua mente com o casco em sua boca.

Calmamente o mordomo virou a cabeça, — “Tem certeza, madame?” —  E então, gentilmente — “Eu estou um pouco preocupado com… seu bem-estar”

Ela olhou para baixo e levou seu casco direito ao seu peito enquanto o casco esquerdo segurava o braço do violoncelo. Depois de um breve momento, ela assentiu com a cabeça.

— “… Muito bem, então.” — disse White Glove. Ele virou seu corpo em direção a Octavia e puxou da mochila uma pilha grande de cartas amarradas com sua boca. Ele empilhou ordenadamente duas pilhas de cartas perto da Octavia.

— “Há algo mais em que eu possa fazer para a senhorita?”

Octavia refletiu por um momento, respirando mais devagar agora. Uma lágrima estava surgindo de seus olhos conforme ela devaneava, lembrando-se de seu mais recente concerto melancólico neste quarto.

White Glove, sem pensar duas vezes, puxou um lenço de seu bolso com a boca e ofereceu-o a Octavia.

 — “Madame?” — ele disse carinhosamente sério.

Octavia olhou para o lenço e olhou em seguida para os olhos do mordomo.

— “Por fuavor, madame. Acheite o lencho.”

Alguns segundos passaram. Octavia encarava o mordomo e o mordomo encarava sua patroa. As nuvens espessas surgiram e bloquearam os raios solares, levando embora as cores do ambiente. Os olhos dela devanearam novamente, desviando o olhar para o nada. Com uma respiração afiada, deixou cair o lenço e pisou um dos cascos no chão violentamente. Numa única pisada, todo o quarto estremeceu. Não foi um som patético como o da porta, foi até mais potente que os próprios acordes do violoncelo. Durante as vibrações nas paredes, provocadas pela forte pisada de White Glove, ele bradou:

— “Senhorita Octavia, por favor!” sua voz estava num tom assustadoramente sério.

Octavia olhou assustada para o White Glove. Ela não esperava esse tipo de reação de seu mordomo. Neste momento, ela estava realmente assustada.

— “Por favor, madame. Estou implorando.” — o mordomo pegou com sua boca o lenço do chão e, novamente, ofereceu-o a sua patroa.

A luz do sol voltou. Ela o encarou por um breve momente, até que, finalmente, ela estendeu o casco para o mordomo, aceitando o lenço.

— “Obrigado, madame.” — disse o mordomo, abaixando levemente a cabeça.

Octavia esfregou o lenço em seus olhos e sentia que o lenço expulsava todas as lágrimas de suas pálpebras. Era uma sensação de alívio para ela.

— “Vou perguntar novamente: Há algo mais que eu possa fazer pela senhora?”

Ela terminou de enxugar as lágrimas com o lenço e olhou novamente para o nada, pensativa. Ela assentiu com a cabeça. White Glove respondeu também com um assento com a cabeça e uma frase:

— “Como quiser, senhorita”

O mordomo se virou e trotou até a saída do quarto dela. Ele silenciosamente fechou a porta do quarto atrás dele, deixando Octavia mais uma vez sozinha  em seu recanto particular.

— “Ele é um bom mordomo,” — disse baixinho a Octavia com os olhos fechados. Ela soltou um longe suspiro, — “não o culpo por preocupar-se comigo. Ele está apenas fazendo o seu trabalho…”

Ela largou o braço do violoncelo e esfregou um pouco a testa, tentando descontrair a tensão.

— “Daqui alguns dias… minha carreira como–” — ela soluçou, — “… como música irá finalmente se extinguir…”

Octavia olhou para o seu tronco e começou a respirar fortemente. O tronco dela estava “vazio”. Não existia nada naquele tronco. Estava vazio.

Ela enxugou uma lágrima que acabara de escorrer em seu rosto, — “Acho que… esta é a melhor coisa a fazer… Não consigo mais viver dessa maneira…”

Octavia olhou de relance para as cartas empilhadas ao lado dela e percebeu algo sutil nas pilhas. White Glove fez questão de separar as cartas que estavam todas embaralhadas e escreveu em cada pilha seus respectivos assuntos: Patrocinadores, Fãs e Família/Amigos.

A pônei cinzenta, pela primeira vez no dia, sorriu.

— “Obrigada, White Glove…”

Octavia assentiu com a cabeça para a poeira, agradecida, enquanto uma última lágrima pingou de seu olho.

Do lado de fora do quarto, atrás da porta, permanecia uma figura suspeitamente familiar, seu rosto estava coberto por uma sombra, o que impedia de identificar seu rosto. Num instante, a figura sombria se ergueu do chão e, sem nenhum ruído, trotou para a escada em espiral, descendo para o primeiro andar.

Ele abaixou a cabeça tristemente. Ele não podia fazer nada para ajudá-la.

Com toda a clareza em sua mente, ele podia vê-la: O rosto de Octavia, encharcado de lágrimas, e ela lutando para conte-las, sem nenhum êxito.

Fanfic, Fanfics estrangeiras

My Little Fortress: TeamWork is Magic – Parte 6

Autor: Xaldensmutanthamster

Tradução: Matheus Dinero

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Finally, aqui está a 6ª Parte da Fanfic My Little Fortress! Peço desculpas pela demora, essa semana fiquei cheio de bombas provas… É, não é fácil não u_u, mas não foi só isso! Estão inclusas também as aulas a tarde (e nem te falo do que são…) e basquete à noite, ô dureza.

Nesta parte, a Trixie aprenderá como entrará em batalha com sua classe de médica, além de não ter prestado atenção nos treinamentos, ela fica indignada com sua classe, apesar de não ser eficaz em ataques corpo a corpo, a principal função é “curar e acompanhar”, com a estratégia de avançar e dar o suporte de vida aos colegas de equipe, e com sua habilidade especial, o UberCharge! Como a Trixie só fala dela mesma (em terceira pessoa ainda, essa Trixie…) e só pensa nela, faz o contrario da função de sua classe, que pode prejudicar muito seu time. Boa Leitura!

——–

“BASTA!” Trixie resmungou. “A Grande e Poderosa Trixie está cansada de morrer!”

“Seus companheiros não estão lhe protegendo corretamente?” O Medic tentou fazer o sentido de tudo. Os pôneis estavam fazendo um bom trabalho, claro que eles sabiam proteger o Medic…

“A Grande e Poderosa Trixie não precisa de companheiros! O inimigo se enche de medo quando eles veem a Grande e Poderosa Trixie procurando por eles!”

A boca do medico estava aberta. “C… Como assim você não precisa de companheiros? Quem você está curando se está indo sozinha?”

“Curando?”

“Ai Senhor…” O Medic estava começando a perder a paciência, colocando sua mão em seu rosto. “Você não curou ninguém ainda, né?”

“Oh, é claro que não. A arma que você deu à Grande e Poderosa Trixie não pode curá-la”

O doutor começou a murmurar baixinho uma sequencia de palavras que pareciam muito ofensivas se Trixie entendesse sua língua nativa. “É claro que não pode curá-la, você cura os outros! Ah, já sei, você estava brincando né? Muito engraçado”

“A Grande e Poderosa Trixie não estava brincando.”

“Era isso que eu estava com medo. Você ainda nem curou uma coisinha durante essa semana e meia que você esteve aqui. Seu time trabalhou muito duro desde então, e você não fez sequer uma coisa”

“Quero que você saiba que eu matei cinco pessoas!”

“ATÉ AGORA!?” Ele suspirou pesadamente, balançando sua cabeça. “Então você não estava apenas curando ninguém, estava sendo um médico em batalha. Desnecessário.”

Trixie indagou-se e preparou uma resposta, mas o Medic interrompeu-a.

“Eu não tenho certeza se você sabe o que deve fazer, mas deixe-me explicar isso, tudo de novo. Você deve apontar essa medigun em alguém que está ferido e acompanhá-lo. Tentar atacar o inimigo sozinho é a pior coisa que um Medic pode fazer. Então a partir de agora você vai sair daqui, procurar seus companheiros que estão feridos, e curá-los. Entendeu?”

Trixie olhou para o doutor, mas ele lançou um olhar mais nervoso. Ela andou pra fora da sala, resmungando. “Quem ele pensa que é? Ninguém insulta Trixie e dá as costas para ela. Não há truques, a Grande e Poderosa Trixie pode fazer o que ela quiser! E ela vai começar tratando desses plebeus para a luxuria com seu raio de cura!”

——–

Ela apontou o raio no primeiro pônei que ela viu. Infelizmente foi com a melhor voadora de Ponyville. Trixie lutou para ficar perto o suficiente para deixar o raio na pegasus colorida. “Ah! Mais devagar seu cérebro de penas coloridas!”

Dash parou friamente e Trixie alcançou-a, ofegante. “Trixie, você obviamente sabe nada sobre mim”

“E isso seria?”

Dash bateu suas asas “Rainbow Dash. Nunca. Vai. Devagar” Com isso, ela decolou como um raio.

Trixie ficou admirada por alguns segundos, depois fez uma careta. “Mas que potrinha ignorante. Ela com certeza não é inteligente o bastante para apreciar minha utilidade” Ela olhou através da ponte e viu uma unicórnio branca entrando na base RED. ‘Então foi essa a unicórnio que baguncei o cabelo dela. Rarity, não é?’ Trixie seguiu-a. Ela apontou a medigun e começou a curá-la. Rarity pulou e olhou bruscamente para Trixie.

“O que você pensa que tá fazendo!?” Ela disse em um sussurro abafado.

“Te curando. Não precisa agradecer, A Grande e Poderosa Trixie pode sentir sua apreciação se radiando”

“Não, sua idiota! Você vai estragar o meu disfa-a-a-AAAA…!!!” Sua sentença foi interrompida por um Pyro vindo ao redor de um canto e queimando Rarity rapidamente à morte. Trixie tentou fugir, mas um sinalizador acertou suas costas, colocando-a em chamas. Ela caiu logo após.

Trixie reapareceu na sala branca e estava cara a cara com uma unicórnio fumegante. “EU ACHO que é muito provável quando um BLU Medic está CURANDO UM RED PYRO!!” Rarity gritou, saindo da sala colocando um outro disfarce.

“Ohhh, não precisa ser arrogante” Ela falou ironicamente para Rarity, saindo da sala. Trixie andou em direção à ponte quando avistou uma pegasus amarela encolhendo-se debaixo das janelas do embasamento onde ficavam os Snipers. ‘Ah, mas do que em nome de Celestia ela está com medo? Que um pássaro pode pousar na cabeça dela? Ah, tudo bem, eu acho que curá-la pode ajudar a tirar dessa frustração’ Trixie começou curá-la. Fluttershy gritou, deixando escapar um barulho semelhante de um bode. Trixie começou a rir. “Não há necessidades de ter medo! A Grande e Poderosa Trixie decidiu ajudá-la!” Trixie irradiou de alegria, à espera de ser louvada de agradecimentos.

Fluttershy levantou-se, falando nada exceto um suave ‘obrigado’ que foi muito baixo para Trixie ouvir. A unicórnio azul franziu a testa. ‘Se eu não vou ser apreciada, é melhor eu achar alguém que saiba falar. Não tem nada pra fazer aqui encima mesmo.’ Ela pensou. “Ah tinha esquecido, tenho mais lugares para ir, pôneis mais importantes para curar. Até mais!” Trixie andou para longe, mas foi parada na frente da porta por um coelho olhando para ela muito irado.

“Ah, e eu acho que você também deseja a assistência da Trixie, não é coelhinho?”

Angel pulou no topo de sua cabeça, em seguida dando pisadas com seu pé. Depois deu um salto saindo da cabeça de Trixie.

Trixie esfregou sua cabeça com seu casco. “Au! Tudo bem então, você acaba de perder o suporte da melhor unicórnio de Equestria!”

——–

“Ugh. Mais uma vez tem alguém é muito tolo para apreciar meus esforços” Twilight educadamente não rejeitou nenhuma cura de Trixie, pois ela estava fora da zona de batalha, ajudando Engi, portanto não precisava de cura. Trixie viu a pônei laranja que bateu nela com sua chave inglesa há poucos dias. Ela mesquinhamente trotou até ela e lançou o raio em seu alvo.

“Ah, é ocê. Eu acho que devo agradecê-la por estar me curando. Mas eu meio que tenho meu dispenser. Então ocê pode ir achando alguém que precisa de mais vida do que eu, tudo bem?” Applejack falou, batendo no dispenser com sua chave inglesa.

“Oh, mas esta é a grande tragédia. Todos eles não estão interessados na companhia de Trixie. Você mal se qualifica” Applejack começou a bater mais forte no seu dispenser com sua chave inglesa. “Todos eles recusaram a dar a Trixie o elogio que ela tanto merecia, portanto esses não vão receber a ajuda de Trixie. Você deve considerar-se sortuda. Você tem o bom senso em deixar a Trixie a honrar-te com sua presença, Caipira”

“JÁ CHEGA!” Applejack jogou sua chave inglesa na Trixie.

Trixie gritou e desviou da chave inglesa, quase acertando seu chifre. “Qual seu problema!?” Ela gritou, indignada

“Eu queria tanto que OUTRO PONEI estivesse aqui no seu lugar! Você não se preocupa com ninguém a não ser você mesma! Você nem sabe meu nome! Eu não gosto nem um pouquinho docê! Ninguém gosta! Você nos prendeu aqui nesse mundo que não é nosso, e podemos nunca mais voltar! Mas ocê não se importa, desde que alguém te dê uma pancada na sua cabeça. Então é melhor ocê ficar fora do nosso caminho até a gente arranjar um jeito de arrumar a SUA confusão!”

Trixie rangeu seus dentes. “Eu me recuso a ser insultada por caipiras que provavelmente não conseguem contar até quatro sem usar os cascos de outro pônei!”

“Eu sugiro que ocê saia da minha vista antes que meus cascos comecem a falar por mim!”

Trixie foi embora, pisando no chão com raiva. Applejack pegou a chave inglesa e bateu com toda a sua força no dispenser.

——–

Dash correu para fora do respawn. Ela esfregou seu pescoço, onde um Demoman tinha degolado sua cabeça conforme como a espada dele cortou-a. ‘Eu prefiro que isso não aconteça hoje de novo… Perai… Que som é esse?’ Quando ela passou da rampa da sala, ela ouviu algo atrás da porta. Parecia como um… choro? Ela esticou seu pescoço e viu uma unicórnio azul, atrás da porta com os cascos cobrindo seu rosto. No outro canto, estava seu equipamento de medico colocado em uma pilha que pareceu que foi jogado contra a parede. Dash parou de observá-la, envergonhada. ‘Que droga. Odeio ver alguém tão chateado assim, mesmo se for a Trixie’ Ela entrou na sala obscura. “Trixie? Você tá bem?”

“Sai daqui! Eu não quero ser vista desse jeito!”

“O que aconteceu?”

“Eu falei pra sair!”

“Não até você desembuchar!”

Trixie olhou os olhos rosa escuros de Dash. “Tudo bem! Todo mundo me odeia e queria que eu não estivesse aqui! Tá bom pra você!?” Ela gritou e afastou-se, silenciosamente retomando seus soluços

Dash voltou-se para ela. “Tenho certeza de que nem todo mundo te odeia”

“Como não? Todo mundo aqui, você, Rarity, Applesmack”

“Applejack”

“Que seja! Até o coelhinho me odeia”

“Bem… Eu não te odeio.”

“Eu não sou idiota. Não minta para mim”

“E não estou! Bem, eu não gosto de você, só por falar, mas eu não te odeio. E eu sei que Pinkie não tem como te odiar. Ela não odeia ninguém ou qualquer coisa”

“…Quem é Pinkie”?

“Pinkie Pie?”

“Quem?”

“Como assim, você não conhece a Pinkie? Ela esteve aqui a semana toda!”

“É aquela pônei rosa?”

 Ao ouvir isso, quase que Dash deixou escapar um ‘Claro, Dã’ para a unicórnio. “Sim, é ela. Você já falou com ela?”

“…Não…”

“Então tá esperando o que? Vai procurar e curá-la. Ela é perfeita! Ela se machuca toda hora!”

Trixie tirou seu casco debaixo de seu olho. “Você… acha mesmo isso?”

“Trixie, eu te garanto” Dash pegou o chapéu e entregou-a, amigavelmente cutucando em seu ombro. “Se sente melhor?”

Trixie deu um rápido abraço na pegasus. “Muito melhor” Ela pegou seu equipamento. “E se você contar para alguém que eu te abracei, eu vou arrancar a sua pele para uma nova capa. Entendeu?” Dash imitou fechando um zíper nos seus lábios. “Bom mesmo” Trixie correu para fora da sala com mais confiança, procurando pelo seu alvo rosa.

——–

Trixie viu a pônei rosa terrestre atravessando a ponte, e ela chegou até ela. Trixie estava prestes a falar algo quando de repente Pinkie mergulhou na canção:

“Sandvich, Sandvich, Sandvich!

Pinkie ama seu Sandvich!

Tomates, alface, queijo e pão de centeio

Me deixa forte pra acabar com o time vermelho!

Sandvich, Sandvich, Sandvich!

Dando o fora sem nenhum ‘Vixe!’ ”

Me curando e curando Tu

Vencendo isso para o nosso time BLU!”

 Pinkie segurou a nota por alguns segundos, depois olhou ao seu lado e viu Trixie, que olhou muito confusa. “Olá…! É a Trixie, certo? Você acredita Trixie que eu nunca fiz uma festa pra você quando você chegou na cidade! Juro que quando voltarmos eu faço uma pra você! Quero dizer, se você quizer uma, mas quem não iria querer uma festa estilo Pinkie Pie? Ou não me chamo a Primeira Pônei Organizadora de Festas de Ponyville!” Pinkie continuou falando sem parar por mais alguns segundos até Trixie interrompê-la.

“Tudo bem, Pinkie. Hoje é seu dia de sorte, por que você vai ter a oportunidade de deixar eu lhe acompanhar!”

“Ooh! Legal! O que você vai fazer?”

“Tá vendo essa arma especial?” Pinkie acenou com sua cabeça rapidamente. “É bem simples, ela pode lhe curar e será capaz de-“ Ela foi interrompida por um abraço esmagador tirando seu ar fora de seus pulmões.

“Quer dizer que eu posso lutar sem precisar de voltar ao respawn tantas vezes!? YIPPIE!” Pinkie largou-a rapidamente, e Trixie cambaleada por alguns segundos, recuperando sua respiração.

“É” Ela tossiu. “Mas você precisa fazer algo por mim. Você precisa me manter viva então eu posso usar a arma em você. Fechado?” Pinkie colocou seu casco em sua testa

“Fechado!”

——–

‘Como ela pode ser tão forte?’ Quando Trixie ponderou, um Demoman caiu do embasamento inimigo, atrás de Pinkie. “Cuidado!” Trixie lançou o raio em Pinkie quando a pônei terrestre virou-se e disparou uma rajada de balas no inimigo. O homem lançou granada atrás de granada nas duas. Uma acertou Trixie, fazendo que ela gritasse. Outra granada acertou-a e ela parecia que já estava abatida. Uma granada brilhante lançou-se contra Pinkie, acertando-a em cheio. Mas ela continuou de pé, derrubando o Demoman com sua minigun.

“UAAU! Isso que foi legal!” Ela virou para Trixie. “Eita! Geralmente essas brilhantes dai me matam na hora! Isso significa que você me manteve viva!”

“Ótimo, e eu não me sinto muito bem…” Trixie ainda estava no chão, titubeando pelas granadas que a havia acertado. Tinha quase tirado toda a sua vida.

Um sanduiche num prato caiu na frente dela. Ela olhou para uma expectante Pinkie. “Coma isso! Vai te fazer sentir melhor!” Ela não tinha nada para comer durante todo o dia e ela não tinha nada a perder. Ela deu uma mordida provisória e sentiu um poder surgir através dela. Ela se sentiu muito melhor. Assim que ela terminou de comer, sentiu-se à força total.

“Mas o que foi isso?”

“Se o sandvich pode te curar, você pode me curar!”

“Ah, entendi” O sino tinha chamado para o término da batalha. “Parece que temos que voltar logo, mas eu acho que vou ficar com você quando nós começarmos amanhã novamente”

“Hum, tudo bem, contanto que você cure meus amigos, se eles precisarem. Fechado?”

“…Fechado. E eu acho que isso é o começo de uma bela parceria” Pinkie soltou uma risada e as duas caminharam de volta ao acampamento para a bela noite. 

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Próxima parte: Fluttershy, classe: Sniper, Notinhas: Abaixo\/

Nota1: Como eu falei, o médico é uma classe de ‘suporte de vida’,  não é muito sucessiva no combate corpo a corpo, e muito menos quando estiver com pouca vida. Porém é uma das classes mais estratégicas do jogo, com sua habilidade especial UberCharge, que ao estiver a barra carregado em 100%(a barra se enche conforme você estiver curando alguém), habilita instantaneamente você e seu alvo a ficarem invulneráveis e com um brilho ao redor do corpo da cor do time que você estiver em um intervalo de ao torno de 10 segundos, é geralmente aplicado nos game modes Capture the Point e Payload como uma intenção de facilitar a situação de um time e avançar o ataque, é bem legal ;).

Nota2: E essa música da Pinkie do Sandvich, não pude resistir de deixar uma rima legal em portugues! Na musica em ingles os versos em que ela fala “pão de centeio” foi o mais dificil de encontrar uma rima, pois estava em inglês: “Salad, lettuce, cheese and bread makes me strong to beat up RED!” Como você vê, não consegui encontrar nenhuma palavra que rimasse com “RED”, então decidi colocar “vermelho”, já que o time era vermelho mesmo ^^. Mas agora eu precisava que pensar em um ‘pão’ que rimasse com vermelho! Ficou muito mais complicado ainda, portanto logo lembrei do ‘pão de centeio‘ (não sei como eu lembrei desse tipo de pão mas tudo bem), uma massa de pão feita na cidade de Chaves, em Portugal, é feita de farinha de centeio (Dã), e no preparo, ele fica branco e bem macio! Porém não é muito semelhante ao ‘Sandvich’, mas como era o unico tipo de pão que consegui lembrar e pesquisar, tinha a rima que eu queria e não tinha nada a perder, considerei ele na rima. Mas até que ficou bom, não é? xD