Applejack jovem canta para Apple Bloom dormir

Disponível em 1080p full HD

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O natal de Twilight Sparkle

Twilight-natal

Ilustrador: Candy Stealer

SINOPSE: Quando criança, Twilight queria saber que método Papai Noel utilizava para conseguir entregar os presentes de natal para milhares de crianças em apenas um dia, mas ao pesquisar informações na Biblioteca de Canterlot, ela vai descobrir da forma mais inesperada possível.

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Tudo começou com uma curiosidade, típica de criança: “Mãe, como o Papai Noel consegue entregar presentes pra todo mundo no dia de natal?”

A mãe, distraída com seus afazeres, respondia com um simples (e frustrante) “Ele é o Papai Noel, Twi. Ele consegue.”

Twilight não ficava nada satisfeita com a resposta. Embora estivesse com oito anos de idade, já tinha discernimento e curiosidade suficiente para causar um nó em sua cabeça tentando entender como Papai Noel conseguia tal proeza em apenas um dia.

Então foi até o seu pai fazer a mesma pergunta; o pai, sem saber o que dizer e com medo de falar alguma bobagem que pudesse fazer sua filha não acreditar mais em Papai Noel, fazia uma longa explicação sobre fusos horários, sobre como Papai Noel conseguia passar por continentes diferentes, um monte de explicações confusas que para Twilight Sparkle não faziam sentido algum.

Consequentemente, a dúvida persistia; a pequena unicórnio roxo decidiu ir até a Biblioteca de Canterlot, na esperança de encontrar alguma informação que pudesse sanar sua dúvida. Usando uma enciclopédia mágica que buscava todo tipo de palavras ou frases dos livros disponíveis em toda a biblioteca, Twilight pegava uma pena, mergulhava em um frasco de tinta e escrevia a seguinte frase na enciclopédia:

COMO PAPAI NOEL ENTREGA PRESENTES PARA TODO MUNDO?

A pesquisa ofereceu 1.345.547 resultados de livros disponíveis na biblioteca, incluindo mapas de lojas de presentes, venda de produtos de decoração e árvores de Natal, cartões de Natal e mais um monte de informações que nem chegavam perto de responder sua pergunta. Twilight foi passando página por página de resultados, até que cerca de trinta páginas depois, uma lhe chamou atenção: “fale com o Papai Noel”. Curiosa, ela foi até a prateleira onde estava o livro com a referida frase. Ao abri-lo, não havia conteúdo algum, apenas diversas páginas em branco, porém na contracapa havia outra pena, e um pouco abaixo dela o texto “escreva para enviar uma mensagem”.

Um pouco incrédula, Twilight começava a escrever, até completar duas páginas. Quando terminou, se surpreendeu ao ver as páginas escritas desaparecerem de forma semelhante aos pergaminhos que são enviados à Princesa Celestia.

Foi aí que tudo começou.

À noite, novamente em sua casa, a unicórnio roxo se trancava em seu quarto, pensativa. De repente, as luzes do quarto se apagaram, e foram substituídas por uma mistura de cores, que Twilight identificava após alguns segundos como sendo luzes de Natal. Lentamente, ela voltava a enxergar, onde foi pega de surpresa ao perceber que não estava mais em casa.

A primeira coisa que viu foi uma placa com os dizeres “Oficina do Papai Noel – Sem acidentes há 2.345.341.678 dias”.

“Ei, deu certo!!! Eu falei!!!” O duende do marketing saltitava. “Eu falei que a gente devia usar aquele livro ao invés de receber cartas!! Mas ninguém acreditou e abandonou aquele livro em uma prateleira qualquer daquela biblioteca.”

“Sim, mas era para o livro trazer crianças para cá?” O cético duende de Tecnologia de Informação questionava.

“Veja bem, não era exatamente ISSO que deveria acontecer, mas é válido, pois é uma experiência co-participativa com nosso público-alvo, que permite à nossa empresa se comunicar melhor criando experiências com nossa marca…”

Os outros duendes ignoravam o do Marketing e se dirigiam até Twilight. Após se certificarem que a pequena unicórnio roxo estava bem, a levaram por largos corredores, repletos dos enfeites de Natal mais brilhantes do que Twilight já tinha visto, com uma luz natural que deixava tudo mais bonito. Os corredores eram limpos, e as paredes tinham alguns quadros de aviso, calendários, mapas de planejamento. Tudo muito organizado, como se esperava, e isso, obviamente, deixava Twilight com um brilho nos olhos.

Ela chegava em uma sala de conferência, com um mapa mundi gigante no centro cheio de luzes acesas, indicando vários lares de crianças. O duende do SAC (serviço de atendimento ao cliente) e o duende do Marketing a acomodaram no sofá e começavam a conversar com a unicornio:

“Pois então, Twilight,” – disse o do SAC, levantando uma sobrancelha. “O que podemos fazer para lhe ajudar?”

“Bom, é que…” – Twilight gaguejava um pouco, ainda não acostumada com tudo que via, “…eu queria saber como o Papai Noel entrega todos os brinquedos”.

O duende do marketing saltava da cadeira. Era sua hora de brilhar. “Veja bem garota, esquece essa coisa da entrega: o segredo do sucesso está no nosso planejamento estratégico, que começa por manter um mailing atualizado de todos nossos clientes, mantendo-os encantados durante o ano todo até o Natal, quando começa a parte menos interessante, que é a entrega”.

Que bobagem!” O duende da área técnica entrava na sala. “É Twilight Sparkle seu nome, certo? Amiguinha, a entrega é a parte mais importante do Natal. Trabalhamos 365 dias por ano regulando o trenó, mantendo as renas alimentadas e exercitadas, com um controle rigoroso da linha de produção em conjunto com a logística…”

Nisso, entrou o duende do RH na pequena sala, que começava a deixa-la apertada: “E as pessoas? Coordenamos mais de 5 mil funcionários, que atuam em perfeita harmonia e são constantemente motivados por nós para que tudo dê certo…”. O duende do Financeiro entrava atropelando e falava do budget milimetricamente planejado, que por sua vez foi atropelado pelo de Compras, que falava da importância de ter matérias-primas ideais para realização do serviço.

Lá pelas tantas, quando não cabia mais duendes na sala, o alto-falante da oficina soava, com a voz do duende assistente do Papai Noel:

“Atenção duendes da segurança: favor levar a unicornio da sala de conferências 2 para a sala do Papai Noel.”

Dois duendes de tamanho 3×4 e óculos escuros abriram caminho no mar de funcionários de todas as áreas que estavam na sala e conduziram Twilight por mais uma série de corredores.

À medida que chegava mais perto do destino, os corredores pareciam brilhar com mais intensidade.

Os duendes a deixaram em uma grande sala, com apenas uma mesinha simples de madeira. Na parede, fotos de diversos Natais, confraternizações na oficina, e várias anotações. Em um dos cantos, sacolas de cartas de crianças. Na mesa, Twilight observava uma bela foto da Mamãe Noel, ao lado de alguns papéis, memorandos e outras coisas deixadas pelos duendes.

Enquanto Twilight olhava para o resto da sala, um casco lhe tocava no ombro. O susto da unicórnio ao ser surpreendida nem se comparava ao que tomou quando viu que o casco era do Papai Noel.

“Oi Twilight, tudo bem com você?”

“…………………..t-tudo!” Twilight estava perdida, ela poderia dizer para si mesma que naquele momento sua pele estava branca ao invés de roxa.

Não fica de pé não, Twilight; pode sentar, fique à vontade.” Papai Noel foi conversando com a unicórnio até que ela se sentisse à vontade.

Após alguns minutos de conversa e uns refrescos trazidos pelo duende assistente, Twilight finalmente fazia a pergunta que a levou até o Polo Norte:

Papai Noel, como o senhor faz para entregar presentes para todo mundo em apenas um dia?”

E Twilight contava as várias versões de todos os duendes para Papai Noel, que ouvia com muita calma.

Twilight, apesar dos meus duendes terem se empolgado um pouco, todos eles falaram a verdade. Olhe para a bola de cristal, deixa eu te mostrar um pouco do que nós fazemos.” E a bola de cristal gigante se iluminava. Papai Noel começava a dar diversas explicações, sobre como cada departamento fazia sua parte de maneira bem harmoniosa e com igual importância.

Durante o ano, a área de marketing mantém vivo o interesse de todo mundo no Natal para que todos enfeitem bem as casas e os duendes saibam onde entregar os presentes. A área comercial faz a captação dos pedidos via carta e faz a ligação com a área de compras e financeira, que providenciam todos os produtos que vão para a logística, que arruma as embalagens para cada criança. Dali, os presentes são preparados para entrar não em um trenó, mas em vários, todos bem preparados pela área técnica, com os duendes pilotos esperando. Os trenós percorrem o mundo e distribuem os presentes.”

Twilight ia ouvindo a explicação e ficando desanimada.

Então não era Papai Noel que entregava os presentes? A unicornio era pura desolação, vendo a fantasia ruir, mas Papai Noel não perdia o sorriso.

“Agora Twilight, você vem comigo que eu vou te mostrar a minha parte”.

Twilight ficava confusa. Mas os duendes não faziam tudo sozinhos? Ela passava com Papai Noel pelos corredores até chegar em um enorme hangar em uma das pontas da oficina, onde vários duendes já partiam para diversos pontos do mundo, com os trenós cheios de presentes. A unicornio e o Papai Noel se dirigiram para a plataforma principal, onde estava estacionado seu trenó particular.

O velhinho acomodava Twilight no banco do passageiro e subia no trenó. Era quase meia-noite, e os dois partiram.

Após mais ou menos uns 10 segundos de viagem, chegaram na primeira cidade. Lá, um senhor dormia na rua, passando frio, abraçado a uma garrafa. A rua estava fria, feia e triste, sem nenhuma luz ou cuidado.

Papai Noel descia do trenó, enquanto que Twilight, do banco do passageiro, observava Papai Noel tocar de leve a cabeça do mendigo, que se levantava após alguns instantes, com um sorriso. Começava a se dirigir para o albergue do outro lado da rua, onde as luzes acesas e os sons eram certamente bem melhores que a rua.

Twilight achava estranho, tentava perguntar algo, mas Papai Noel subia no trenó e acelerava novamente. O trenó subia, subia, subia até um ponto muito alto da cidade, na cobertura de um prédio.

Lá dentro, um outro senhor, mas diferente daquele que dormia na rua, com o conforto do lar, jantava sozinho uma ceia que parecia ter sido feita para 20 pôneis, rodeado de quadros caros, esculturas raras, talheres de prata e enfeites de ouro.

Nada na casa indicava que era Natal, tudo era muito escuro e pouco convidativo, de muitas maneiras parecido com o beco escuro onde o mendigo dormia.

Papai Noel se aproximava do homem e tocava-lhe no peito. No mesmo instante ele levantava da mesa, com um olhar determinado. Juntava toda a comida da mesa em cestos improvisados, ainda buscava mais coisas da dispensa e corria até o elevador.

Papai Noel e Twilight desceram no trenó, seguindo o pônei, que se dirigia ao mesmo albergue onde o mendigo entrou.

Do lado de fora, os dois olhavam para dentro do albergue. Lá, o pônei rico distribuía sua ceia, enchendo os pratos de todos, inclusive o do mendigo, que depois de um grande jantar começava a cantar para todos que lá estavam, com uma voz que espalhava alegria. Todos estavam muito felizes, e Twilight ficava igualmente feliz com o que via, mas outra dúvida acabava emergindo da unicórnio roxo.

Papai Noel, como você muda o comportamento dos outros? Com hipnose? Isso é certo?”

Papai Noel sorria. “De forma alguma, querida. Eu apenas desperto a bondade que existe em cada um.” Ele batia no ombro da pequena unicornio, ainda encantada com o que via. “Agora sim você entende o que eu faço, e a importância disso. Dar presentes qualquer um pode dar, mas o Natal serve para darmos esperança para quem tem pouco e bondade para quem tem muito”.

Depois de muitas viagens, a próxima foi exatamente para a casa da unicórnio roxo, onde o velhinho a deixava a tempo para a ceia com a família. Twilight observava da janela Papai Noel desaparecer em meio à neblina daquela noite, pensando em tudo em que ela havia passado e prometendo para si mesma que aquelas lembranças ficariam para sempre intactas em suas memórias.

Repentinamente, um unicórnio azul abria a porta do quarto de Twilight, enquanto dizia:

Aí está você, Twi!! Advinha só o que o Papai Noel lhe trouxe de presente!!”

E então seu pai entrava no quarto com uma boneca novinha, do jeito que Twilight queria.

Com um largo sorriso, a pequena unicornio roxo olhava para o pai enquanto dizia:

“Isso não é nada pai, você tem que ver o presentão que o Papai Noel me deu esse ano!”

Fonte: http://www.refletirpararefletir.com.br

Um conto de natal

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Autor: Gobraveheart

Gênero: Slice of Life

Tradução: Drason

SINOPSE: Rarity decide levar Sweetie Belle a Canterlot para comprar qualquer presente de natal que ela quisesse. Depois de conhecer um pônei em especial, Sweetie Belle finalmente faz a sua escolha.

***

Logo de manhã havia uma pequena e agradável brisa por toda Canterlot, mesmo em meio à neve que caía em pequenos flocos. As calçadas estavam cobertas de gelo, mas ainda era possível caminhar com um ou outro escorregão. Por todos os lados havia uma cobertura de neve, mas os pôneis andavam e conversavam como se não fosse nada. As lojas ainda estavam abertas, especialmente o Shopping Canterlot. Em plena véspera de natal, os pôneis gastavam seus bits para amigos e familiares, assim como uma jovem unicórnio que passeava com sua irmã mais velha.

O trem que veio de Ponyville se atracou na estação ferroviária, onde pôneis atrás de pôneis saiam rapidamente correndo para seus entes queridos. Os últimos a saírem foram duas irmâs: Rarity e Sweetie Belle. A unicórnio mais velha estava vestindo um cachecol azul escuro para combinar com seus olhos, assim como Sweetie Belle que fazia o mesmo, usando um na cor verde. Embora ela imaginasse que uma marca especial seria um ótimo presente de natal, algo que tentou sem sucesso obter o ano todo, ela procurava não pensar sobre isso naquela ocasião. Apenas queria aproveitar o passeio à Canterlot com sua irmã, que era o suficiente para trazer um sorriso em seu rosto.

“Uau Rarity!” disse Sweetie Belle, incapaz de conter sua emoção. “Olhe para todas essas luzes, as árvores decoradas, e os bastões de doces gigantes, são tão bonitos!”

Rarity sorri para sua irmã. “Claro, querida.” Ela responde enquanto ajeita o cachecol de sua irmã mais nova. “Está frio aqui fora, mas isso não vai nos impedir de fazer compras, não é?” Sweetie Belle sorriu amplamente, deixando Rarity contente por sua irmã estar passando o tempo com ela. “Esse é o espírito! Agora, onde você quer ir primeiro? Loja de vestidos? Brinquedos? Qualquer coisa que você quiser.”

Sweetie Belle rolou os olhos. “Brinquedo? Hmmm, não, os que tenho já são bons. Eu quero ir…” Ao longe, ela observa uma pequena loja de música, onde havia na vitrine um objeto de metal atraindo seus interesses. “Eu quero ir lá!” Sem aviso, ela corre até a loja.

“Sweetie Belle, espere!” Responde Rarity, tentando manter-se com sua irmã. “Eu e minha generosidade.” Ela trotava rapidamente atrás de sua irmã mais nova, que estava muito concentrada observando a vitrine. “Você é muito rápida Sweetie, assim eu não consigo te acompanhar.”

Rarity notou que Sweetie Belle observava em transe um microfone. “Foi isso que te chamou atenção, um simples microfone?”

O termo “simples” foi suficiente para trazer Sweetie Belle de volta ao foco. “Simples? Rarity, este não é um microfone qualquer! É um modelo que consegue transmitir o som a mais de cem metros de distância! Posso ficar com ele por favor?”

Rarity olhou melhor para o microfone, parecia ser bem anatômico e seu acabamento não deixava dúvidas de que era feito com material de alta qualidade. Rarity estava prestes a dizer sim, até ver o preço dele. “Trezentos bits? Isso é muito…”

Rarity olhou para sua irmã. Os olhos de Sweetie Belle estavam alargados a ponto de Rarity ver seu próprio reflexo neles, e a passagem da neve transmitia um olhar extra de tristeza. Porém, Rarity conhecia esse truque melhor do que sua irmã, e mesmo que não quisesse decepcioná-la, chegou a uma conclusão.

“Ok Sweetie, tenho uma ideia. Que tal olharmos as outras lojas da cidade para ver se encontramos outras coisas que você goste? Porque se eu comprar esse microfone, só vai sobrar dinheiro para almoçarmos e depois voltar a Ponyville.”

“Hmm… tem certeza que você vai comprar o microfone se não encontrarmos nada que eu goste?” Perguntou Sweetie Belle, questionando sua irmã.

“Sim, é uma promessa.”

“Tudo bem então!”

Rarity e Sweetie Belle caminhavam por todas as lojas, passando por brinquedos, roupas, e ainda assim aquele microfone estava na preferência da unicórnio jovem. Rarity finalmente desistiu, e decidiu levar Sweetie Belle à loja de antes para buscar seu presente de natal.

No caminho para a loja de música, Sweetie Belle dizia coisas como “Obrigada Rarity! Eu adoro música! Talvez assim eu consiga descobrir a minha marca especial!” Rarity estava feliz por sua irmã, embora seu plano fosse comprar mais de um presente para ela, o que foi frustrado com o preço do microfone.

À medida em que se aproximavam da porta da loja, Sweetie Belle ouviu um barulho tinindo próximo dela. Ela olhou ao redor, até que viu um senhor, cuja pele era na cor vermelha e a crina e calda faziam contraste nas cores branca e cinza, ele estava acenando com um copo velho. De onde ela estava, dava para ver que seus olhos pareciam tristes. Ele estava chorando? Ela perguntou para si mesma.

“Rarity?” Disse Sweetie Belle, sem tirar os olhos daquele senhor. “Por que ele parece tão triste?”

Rarity se virou para observar o pônei de quem sua irmã estava falando. Ela sentiu uma dor aguda no coração. “Oh, ele… fique aqui, querida, eu vou…” Antes que pudesse terminar, Sweetie Belle já estava na frente dele. Rarity tentou ir atrás dela, mas o trânsito de pôneis nas ruas bloqueavam sua visão. Ela ainda gritou o nome de sua irmã, mas o barulho era alto demais ao redor dela.

Agora que Sweetie Belle estava mais próxima daquele senhor, podia observá-lo melhor em todos os detalhes. Era um pônei terrestre, que não estava usando nada além de um gorro velho. Sua pele estava suja e a crina bagunçada. A barba estava bem arrumada, no entanto. Seus olhos, na cor verde pinheiro, juntamente com olheiras, expunham sua tristeza, fazendo Sweetie Belle olhar para ele com pena. Ele ainda acenava ao redor com o copo velho, sem nem mesmo prestar atenção na jovem unicórnio branca.

“Senhor? Por que parece tão triste?” Sweetie Belle perguntou inocentemente. O pônei olhou para ela, mantendo a mesma expressão.

“Porque estou com frio.” Ele apontou para o próprio peito com o copo. “Por isso estou triste.”

“Mas é véspera de natal.” Disse Sweetie Belle, inclinando a cabeça. “Todo pônei está feliz, viu?”

“Tem certeza?” Ele perguntou. Seu tom de voz era profundo, mas não zangado. Mesmo que não agisse daquela forma por mal, no fundo era possível sentir sua frustração.

“Claro, eu tenho certeza.” Disse Sweetie Belle. Ela se virou para ver os rostos sorridentes dos pôneis que passavam. “Está vendo?”

“Eu vejo o que você não consegue.” Ele disse. “Observe atentamente, Sweetie Belle.”

A jovem unicórnio não entendia do que ele estava falando, até ela ver um pônei com uma expressão muito parecida com o dele. E outra, e outra. Agora Sweetie Belle percebeu quantos pôneis pareciam tristes.

A unicórnio tinha muitas perguntas passando em sua mente. Por que tantos pôneis tristes? Como aquele senhor sabia o nome dela? E o mais importante, por que os outros pônei não se ajudavam?

Sweetie Belle se virou para fazer as perguntas ao pônei vermelho, mas ele se foi, deixando para trás seu velho copo. Ela olhou em seu interior e encontrou dois bits e uma pequena nota. Então tirou do copo para ler em voz alta. “Se você tivesse um monte de bits, o que ou com quem você gastaria?”

“Sweetie Belle!” Ela se virou para a direção de onde vinha a voz de Rarity, que foi se aproximando dela ofegante. “Não vá sozinha assim!” Ela olhou ao redor, confusa. “Onde está aquele senhor?”

“Eu não sei. Há um minuto estava aqui do meu lado. Ele me disse para observar atentamente as pessoas.” Disse Sweetie Belle, olhando cada pônei passar por ela e Rarity.

“Oh, é uma pena, eu ia dar alguns bits para ele.” Disse Rarity, olhando ao redor. “Bem, que tal nós irmos buscar o microfone?”

Sweetie Belle não estava prestando atenção. Ela pensava sobre o significado daquela mensagem no copo. “Se você tivesse um monte de bits, o que ou com quem você gastaria?” Sweetie Belle pensava, até que chegou em uma decisão.

“Na verdade Rarity, eu tenho uma ideia melhor. “Ela colocou o copo na bolsa que estava carregando, e galopou rapidamente até a loja de roupas mais próxima.

Rarity estava confusa do porquê de sua irmã correr até uma loja de roupas. Então olhou ao redor, e logo suspeitou do que se tratava. Não foi difícil deduzir o que ela queria, não que Rarity concordasse totalmente com isso, mas ela prometeu dar qualquer presente para Sweetie Belle. Sorrindo para a generosidade de sua irmã, Rarity a seguiu até a loja.

“Isso tudo sairá por trezentos bits.” A vendedora disse. Usando sua mágica, Rarity pegou todas as bolsas ao redor dela, com Sweetie Belle levando as menores. Com seu casco, Rarity deu todo o dinheiro ao caixa. “Tenham um bom natal vocês duas!”

Elas trotaram para fora, logo sendo atingidas pelo frio intenso, e rapidamente observando os pôneis que sofriam com as baixas temperaturas. Sweetie Belle olhou para Rarity, que estava tentando descobrir para qual pônei ir primeiro. “Eu vou levar para o lado direito, e você para o esquerdo! Pronto Rarity?”

Ela assentiu com a cabeça. “Esta é uma boa ação que você está fazendo, Sweetie Belle.”

Elas trotaram uma para longe da outra, e a primeira pônei estava sentada perto de uma fonte. Sweetie Belle correu até ela que estava tentando se manter aquecida, encolhida em seus cascos. Quando percebeu Sweetie Belle, a jovem unicórnio já estava tirando alguma roupas quentes da sacola.

“Feliz natal!” Disse Sweetie Belle.

“Você… comprou para mim?” A pônei disse. Quando Sweetie Belle assentiu, ela agradeceu emocionada. “Muito obrigada! Você não tem ideia do quanto isso significa para mim!”

“Tudo bem!” Disse Sweetie Belle, a abraçando. “Por favor, vá encontrar outros pôneis que precisam de calor!”

“Certo, muito obrigada!” a pônei correu em direção de um grupo. Assim que Sweetie Belle percebeu eles olhando para ela, todos sorriram, trotando lentamente até a jovem unicórnio.

“Você está distribuindo agasalhos?” Um deles perguntou. Sweetie Belle acenou, e disse que sua irmã estava fazendo o mesmo não muito longe dela. Os pôneis olharam uns para os outros com alegria, agradecendo a Sweetie Belle.

“É a coisa certa a fazer.” Disse Sweetie Belle.

“Você fez uma coisa muito boa hoje Sweetie Belle, fez um monte de pôneis felizes, e estou orgulhosa de você.” Disse Rarity enquanto abria a porta, deixando sua irmã mais nova entrar primeiro. “Elas deixaram Canterlot após doar todas as roupas que compraram, e estavam felizes pelos pônei terem algo no dia de natal. Elas chegaram a Ponyville no final da tarde, onde a lua da Princesa Luna já estava sendo erguida.

“Sim, eu me senti bem vendo eles sorrirem.” Disse Sweetie Belle, tirando suas roupas de inverno. Ela ficou um pouco triste, percebendo que não conseguiu o que queria. “Pena que não consegui o microfone.”

“Eu sei querida, mas ser generoso às vezes requer um pouco de sacrifício. “Disse Rarity consolando a irmã. “Às vezes você tem que dar um pouco para conseguir um pouco.”

“Mas nesse caso demos muito, né?” Disse Sweetie Belle rindo. “Está tudo bem Rarity, estou feliz que aqueles pôneis tenham algo no natal, não só pelos presentes, mas em seus corações também.”

“Isso é maravilhoso, Sweetie.” Disse Rarity, dando-lhe um abraço. “Não se preocupe, eu compro o microfone no seu aniversário, você mais do que merece”

“Tudo bem!” Disse Sweetie Belle, sorrindo. A jovem unicórnio decidiu ir até o seu quarto descansar um pouco depois do banho.

Ela começou a fechar os olhos, caindo no sono. Logo ela foi interrompida por um barulho vindo do lado de fora. Ela reconheceu o som sem problemas, e rapidamente vestiu suas roupas de inverno e correu para fora. As decorações em torno de Ponyville forneciam luz suficiente para Sweetie Belle enxergar, e à direita, embaixo de um poste decorado estava o pônei vermelho sorrindo, com o seu velho copo.

Sweetie Belle podia jurar que ela deixou aquele copo em sua bolsa, mas não se importou muito enquanto corria até o pônei. “Olá senhor! Você está melhor?”

O pônei vermelho olhou para Sweetie Belle com um grande sorriso. “Estou sim, Sweetie Belle. Vejo que você conseguiu o que queria para o natal?”

“Bem, não exatamente, mas eu dei um monte de roupas para pôneis que estavam passando frio!” Sweetie Belle disse contente. Ela caminhou para mais perto do pônei vermelho e o abraçou. “Obrigada por me deixar saber o que é certo, senhor.”

O pônei a abraçou de volta. “Eu? Não, essa escolha foi sua, Sweetie Belle. É sempre bom saber que os jovens cuidam uns dos outros.” O pônei se virou e começou a se afastar.

“Espere! Aonde você vai?” Perguntou Sweetie Belle, o interrompendo. Ele se virou sorrindo.

“Eu tenho que visitar outras crianças. Afinal é natal. Tenha um feliz ano novo, Sweetie Belle.”

De repente, o pônei vermelho ficou envolto por uma luz brilhante, e desapareceu entre a neve. Sweetie Belle não conseguia entender o que viu: como ele sabia seu nome, e como podia usar magia? Ele era um pônei terrestre!

Seja quem fosse, Sweetie Belle agradeceu de qualquer forma. Ela sorriu e correu para dentro de casa, fechando a porta. Foi quando ouviu Rarity gritar de alegria.

“Sweetie Belle! Olhe nossa sala de estar!” Quando a jovem unicórnio correu até lá, viu que estava toda decorada, uma árvore de natal com luzes coloridas e…

“Presentes?!” Ambas falaram ao mesmo tempo. Rarity disse que não poderia abri-los até à meia noite, então teriam que esperar.

“Onde você comprou, Rarity?” Perguntou Sweetie Belle, incrédula.

“Não comprei, gastei todos os bits com as roupas.” Disse Rarity.

“Então… quem foi?”

“Elas decidiram não pensar sobre isso, e foram jantar. Elas se divertiram uma com a outra, rindo, bebendo chocolate quente com pequenos marshmelows neles. Com ou sem presentes, elas estavam felizes.

No momento em que soou meia noite, Sweetie Belle não podia conter sua emoção por mais tempo. Elas desceu as escadas em silêncio e pegou o primeiro presente. Ela estava prestes a rasgar o embrulho, até que leu de quem era:

PARA: SWEETIE BELLE

DE: ??????

FELIZ NATAL, PEQUENINA.

“Mas de quem será?” Sweetie Belle perguntou, confusa.

Ela não queria se debruçar sobre o remetente misterioso, e decidiu abrir seu presente. Quando tirou todo o embrulho, ficou sem palavras.

“Não.. acredito! O microfone que eu queria!” Ela disse, sussurrando em voz alta. Então ouviu um tipo diferente de barulho, como se fossem sinos. Ela foi até a janela mais próxima e olhou para o céu noturno. Não tinha ideia que pônei era aquele no céu, voando com uma grande sacola vermelha. Mas uma coisa era certa, ela nunca se esquecerá das palavras que aquele pônei disse em meio à noite de natal.

“Ho! Ho! Ho! Feliz natal a todos!”