Promessas de Papel

Valor-promessa

Fonte: cdn-img.fimfiction.net

Autor: Fervidor

SINOPSE: Filthy Rich tem um problema. Sua filha, Diamond Tiara, continua quebrando suas promessas para tratar suas colegas de classe com mais respeito. Na verdade, ela nem parece entender o que é uma promessa. Já que puní-la não aparenta ter nenhum efeito eficaz, Senhor Rich é forçado a elaborar um método educacional mais criativo. Mas como ele pode fazer uma filha tão mimada e materialista como Diamond Tiara entender o valor de uma promessa?

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Diamond Dazzle Tiara estava na frente da mesa de trabalho de seu pai Filthy Rich, movendo-se desajeitadamente em seus cascos sob o olhar severo e desaprovador dele. Ele estava com aquele olhar de desapontado em seu rosto, que poderia ser compreendido como você-está-escrencada-garota, o que significava que eles teriam uma daquelas longas conversas onde ambos prefeririam evitar, mas por razões ligeiramente diferentes.

“Você quebrou sua promessa, Diamond,” começava Filthy Rich.

“Mas papai…” Antes que Diamond terminasse, Filthy levantava um casco para silenciá-la.

“Pensei que nós já havíamos concordado que você não iria mais incomodar aquelas três alunas,” ele continuava. “E agora eu ouço da professora Cheerilee que não deu nem uma semana pra você começar tudo de novo. Você sabe muito bem que não gosto quando sua professora me traz más notícias, Tiara, se é que ainda dá pra chamar isso de notícia.”

“Não é culpa minha se aquelas três são um bando de flancos brancos imaturos,” Diamond murmurava. “Elas simplesmente me dão nos nervos.”

“Não é questão de você gostar ou não delas,” Filthy suspirava. “Você nem precisa se dar bem com elas, embora fosse isso que eu queria. Já aceitei que você não é o tipo de criança que faz amigos facilmente, mas esse não é o ponto agora. O ponto é que você tinha feito uma promessa.”

“Sim, para elas,” Diamond argumentava. “Eu nunca tinha prometido nada pra você ou para a professora Cheerilee.”

Filthy Rich levantava uma sobrancelha. “E isso faz alguma diferença pra você?”

“Claro que faz!” Diamond respondia. “Eu não me dou bem com elas, então quem se importa?”

Filthy Rich olhava para a filha momentaneamente com uma expressão preocupada, como se ele tivesse descoberto algo terrível. “Diamond,” dizia ele, lentamente. “Você sabe o que é uma promessa?”

Diamond Tiara parecia ligeiramente ofendida. “Que tipo de pergunta é essa? Claro que sei, não sou mais um bebê. Promessa é quando você quer que alguém faça alguma coisa que foi concordado.”

“Sim, mas por qual razão você deve honrar suas promessas?” Perguntava Filthy. “Qual a importância disso?”

Diamond franzia a testa. Não era assim que essas conversas costumavam acontecer. “A importância é que senão você vai pegar a cinta ou reduzir minha mesada?”

O pai colocava os cascos sob o queixo. De repente, ele parecia muito cansado. “E é só por isso? Você mantém suas promessas somente porque tem medo de ser punida?”

“Bem, sim?” Diamond respondia. Ela ainda não entendia o foco da conversa. “Eu acho.”

Havia uma pausa. Filthy continuava dando a ela aquele estranho olhar cansado por alguns instantes, em seguida, suspirava profundamente e se inclinava para a frente com seus cascos sobre os olhos. “Maldição,” ele murmurava. “A senhorita Cheerilee estava certa. Sou um fracasso como pai.”

“Oh, para com isso!” Diamond gemia. “Quem se importa com o que  a professora Cheerilee pensa? Olha, você vai me colocar de castigo, vai cortar minha mesada ou o que?”

Filthy nem sequer olhava para ela. “Que diferença isso faz? Você nem entende porque está sendo punida.”

Diamond não entendia; eles já não tinham passado por isso? Ela ficaria de castigo por ter quebrado alguma promessa que fizera para alguns flancos brancos, mesmo que ela entendesse que isso fosse totalmente injusto, embora não fosse boba de falar nada disso em voz alta. “…Espera aí, então você não vai me punir? Isso quer dizer que eu posso ir agora?”

“Bem…” Filthy acenava um casco para ela, gesticulando para que saísse. “Pode ir, eu… eu preciso pensar sobre tudo isso.”

Diamond virava-se para sair, sorrindo para si mesma. Isso havia sido melhor do que o esperado. Ela não tinha ideia do que estava acontecendo com seu pai, mas se isso era sinônimo dela sair impune, a pônei rosa clara faria qualquer negócio para não discutir sobre isso.

Ela estava prestes de tocar a maçaneta da porta do escritório quando Filthy Rich repentinamente lhe chamava atenção. “Diamond, espere um minuto.”

“Bah!” Ela sabia que era bom demais para ser verdade. Suspirando levemente, ela se virava para ele. “Sim Papai?”

“Já que você tocou no assunto, eu ainda não lhe dei a mesada esse mês, não foi?” Filthy meditava, coçando o queixo. “Por que não resolvemos isso agora antes que eu esqueça de novo?”

Diamond piscava. “…Mesmo?!” Ele ia dar o dinheiro agora? Estava ficando cada vez melhor! Ela rapidamente voltava até a mesa, esboçando o seu sorriso mais encantador. O que quer que estivesse acontecendo ali, ela estava decidida a aproveitar ao máximo. “Isso é ótimo! Obrigada papai!”

Filthy dava um tapinha nos bolsos do paletó. “Hmm, minha carteira não está comigo… Ah, espere!” Ele parecia ter uma ideia e abria uma das gavetas em sua mesa, colocando um dos cascos dentro. “Um momento, no final das contas tenho algo aqui pra você.”

Depois de remexer um pouco, ele tirava o que pareciam ser quatro papéis retangulares com um tom levemente verde. Ele os estendia para Diamond. “Aqui, pode levar.”

Diamond olhava para os papeis confusa. “O que são essas coisas?”

“Cédulas de Eyrian,” respondia Filthy. “É dinheiro do povo griffo.”

“Isso é dinheiro? Mas eles são feitos de papel,” apontava Diamond.

“Como eu disse, são chamados de cédulas,” dizia Filthy. “Originalmente eles podiam ser trocados por uma certa quantia de moeda, mas atualmente os griffos usam essas notas da mesma forma como usamos os bits. Eu ganhei algumas durante minha viagem a trabalho em Eyria, então pensei em dá-las pra você.”

Diamond Tiara pegava os pedaços de papel e dava uma olhada mais de perto. Eles estavam adornados com a foto de um griffo usando um chapéu engraçado cercado por muitos enfeites bizarros. Ela ainda tinha dúvidas, que desapareceram por completo quando viu a soma impressa nos cantos de cada uma das cédulas. Eram muitos zeros. “Quer dizer que esses papeis valem esses números impressos neles?!”

Filthy sorria. “Exatamente.”

A mente de Diamond espantava. Ela sabia que os griffos faziam negócios em Equestria e se perguntava qual seria a taxa de câmbio. Quando se sentia entediada, às vezes pegava algumas revistas complicadas do seu pai para tentar ler, e embora muitos dos detalhes lhe escapassem, ela parecia se lembrar de uma parte que falava sobre a economia de Eyria estar se saindo muito bem atualmente. Mesmo que a moeda dos griffos valesse menos em bits, aquela quantidade de zeros convertido para o dinheiro dos pôneis deveria valer muito.

“Oh,” ela dizia, e então olhava para o pai com um enorme sorriso no rosto. “Obrigada, papai, você é um paizão! E sei exatamente o que fazer com esse dinheiro. O Torrão de Açúcar inventou uma nova receita de bolo que eu estava morrendo de vontade de experimentar. Acho que vou lá agora mesmo!” Ela falava rapidamente enquanto se apressava até a porta, ansiosa para sair do escritório antes que seu pai a interrompesse de novo. “Tenho certeza que você tem muito o que fazer, então te vejo mais tarde! Tchau!”

“Tenha um bom dia, filha,” dizia Filthy Rich enquanto ela fechava a porta. Deixado sozinho, ele inclinava a poltrona para trás e ria baixinho. “Bem, ela vai ter uma decepção.”

Diamond não conseguia parar de sorrir enquanto trotava pela estrada até o Torrão de Açúcar, com as notas de griffo muito bem guardadas em sua carteira. A cada passo que ela dava, a deixava cada vez mais convencida de que estava carregando uma fortuna e imaginava um futuro cheio de doces deliciosos diante de seus olhos.

“Se é isso o que acontece quando quebro minhas promessas, deveria fazer mais vezes,” Ela pensava consigo mesma. Ainda assim, uma pequena parte de sua consciência achava a súbita generosidade de seu pai uma perplexidade. Talvez ele só não deve ter percebido a quantidade de dinheiro que tinha dado a ela? Seja qual for o caso, ela não estava prestes a reconsiderar. Era o dinheiro dela agora, justo e quitado.

Ela chegava ao Torrão de Açúcar e abria a porta. Correndo para dentro, a pônei rosa clara notava que era a única cliente no momento. Isso foi um pouco decepcionante, ela esperava pela chance de se exibir para seus colegas de classe, em particular aos flancos brancos, que provavelmente ficariam mais verdes de inveja do que aquelas cédulas ao verem o banquete que ela estava prestes a pedir. “Oh bem,” ela pensava. “Pelo menos posso aproveitar em paz.”

Não havia sinal dos bolos que ela falou, mas Diamond mal havia fechado a porta atrás dela quando Pinkie Pie repentinamente levantava a cabeça por trás do balcão com seu sorriso característico no rosto. “Oh! Olá Diamond Tiara! Os bolos estão sendo empacotados para encomenda, mas ficarei feliz em anotar seu pedido.”

“Olá, Pinkie,” dizia Diamond, sentando-se. “Eu soube dos novos bolos e pães doce que você fez e pensei em experimentar uns. Faça três pães doces de luxo. E traga um dos seus cupcakes especiais enquanto espero. Ah, e um grande milk shake de morango para acompanhar.”

Pinkie Pie dava uma risadinha. “Bem, então você vai ser a gastadeira de hoje?”

“Pode apostar.” Diamond tirava as cédulas de griffo da carteira e as espalhava no balcão com um sorriso confiante. “Isso deve cobrir tudo, não acha? E não se esqueça do troco.”

Pinkie olhava confusa para as cédulas, voltava a olhar para Diamond e novamente olhava as cédulas.

“Oh! Ooooh!” Ela exclamava e de repente começava a rir calorosamente. “Isso é… ha!ha!ha! essa foi boa! Nossa, a Apple Bloom estava errada, você tem senso de humor sim!”

“Ei!” Diamond Tiara franzia a testa. “Você quer dizer o que com isso? Vai me vender os doces ou não?”

“Heh… lamento garota, não posso.” Pinkie enxugava uma lágrima do seu olho, risos ainda borbulhavam dentro dela. “Eu gosto de uma boa piada tanto quanto de qualquer pessoa, começando tão jovem assim com as brincadeiras logo logo você vai ser outra Pinkie Pie! A cor já é parecida!”

“Eu não estou brincando!” Diamond insistia. “Eu te dei o dinheiro e quero os doces!”

Pinkie finalmente parava de rir e agora olhava para Diamond Tiara com uma sobrancelha arqueada em confusão. “Espera, você estava falando sério?”

Diamond assentia. “Como sempre.”

“Oh,” Pinkie Pie coçava a crina. “Bem, isso é constrangedor. Pensei que você só estava brincando. Adoraria te vender alguma coisa, mas com esse dinheiro, nada bom. Você precisa pagar em bits se quiser comprar alguma coisa. Aliás Diamond, de todos os pôneis, eu imagino que você, com o pai que tem, é a que mais deveria saber disso.”

“Ah! Estou vendo! Então meu dinheiro não é bom o bastante pra você, né?” Diamond bufava e empinava o focinho. Imaginava que Pinkie Pie estava indecisa. “Então talvez eu gaste meu dinheiro em outro lugar!”

Pinkie acenava com o casco. “Não, não, não! Você não entendeu. Essas cédulas não são boas em qualquer lugar porque não é uma moeda válida em Equestria.”

Demorava alguns instantes para as palavras serem processas corretamente na mente de Diamond. Uma vez que isso ocorria, sua boca se abria. ”…Como é!? Está falando sério?”

Pinkie assentia. “Tão séria quanto a cara da Maud Pie.”

“N-Não, isso não pode estar certo,” Diamond gaguejava, sacudindo a cabeça em descrença. “Tem certeza?”

“Ab-so-lu-ta-men-te!” Pinkie dizia. “Veja, Twilight me mostrou este livro interessante sobre todos os tipos de dinheiro existentes e eu definitivamente me lembro dela dizendo que este aí não pode ser usado para comprar coisas aqui. Você não vai encontrar ninguém em Ponyville que os aceite. Ela pegava uma das notas e dava um olhar curioso. Eu nunca vi uma de perto antes. Onde você conseguiu isso?”

“Meu… meu pai me deu,” respondia Diamond fracamente. “Ele disse que era minha mesada.”

“Uau, mesmo?” Pinkie colocava a nota de volta no balcão, parecendo genuinamente impressionada. “Eu não sabia que o Senhor Rich era brincalhão. Acho que isso o torna engraçado na sua família, né?”

Diamond olhava para as notas de griffo com uma sensação de afundamento no estômago. “Então… você está dizendo que meu pai mentiu para mim?”

“Hmmm, eu não sei?” Pinkie Pie inclinava-se desconfortavelmente para perto dela, olhando atentamente para a pônei rosa clara. “Ele disse que você poderia comprar qualquer coisa com esse dinheiro?”

“Uh… eu acho que ele não,” admitia Diamond, esvaziando um pouco. “Mas simplesmente não posso acreditar que meu pai acabou de me enganar!”

“Aquele Filthy Rich, que papelão,” Pinkie ria. “Eu tenho que me lembrar disso, ele enviando alguém para comprar coisas com dinheiro que não vale nada. Inestimável!” De repente, ela fazia uma pausa. “Oh, ei! Impagável! Tem que haver um bom trocadilho nisso em algum lugar.”

Diamond colocava seus cascos na cabeça e gemia. Isso não podia estar acontecendo. Ela foi traída. Traída por sua própria carne e sangue! E pra piorar, ela não conseguiria os doces que tanto queria hoje.

Se bem que por outro lado, poderia ter sido pior. Pelo menos não haviam outros clientes no Torrão de Açúcar para testemunhar aquela humilhação. Ela estremecia ao imaginar os flancos brancos testemunhando aquela cena. Ela nunca viveria com isso.

“Acho que devo ir,” ela murmurava sombriamente, pegando as notas do balcão. Ela ia ter uma conversinha com seu pai assim que chegasse em casa. Prestes a sair do Torrão, ela fazia uma pausa. “Hum, Pinkie? Você se importaria de não contar pra ninguém o que aconteceu aqui?”

“Não se preocupe com isso,” Pinkie sorria brilhantemente. “Será o nosso segredinho, eu prometo.”

O tom indiferente de Pinkie não deixava Diamond se sentindo realmente segura. “Eu estou falando sério,” ela enfatizava. “Nenhuma palavra pra ninguém!”

“Oh, relaxe,” Pinkie dizia. “Prometo não contar pra ninguém que você tentou comprar pães doces toda sorridente com dinheiro falso. Por isso eu fechei minha boca, tranquei com uma chave, escavei um buraco, enterrei a chave, depois construí uma casa em cima do buraco e fui viver na casa em cima do buraco! Cruze o meu coração, espere voar e enfie um bolinho no meu olho!”

Diamond a observava realizar aqueles movimentos ridículos com os cascos e falando todas aquelas coisas confusas ao mesmo tempo, sentindo-se envergonhada por ambos. “Por que fez isso?”

Pinkie parecia um pouco confusa. “Por que fiz o que? Essa é a minha promessa Pinkie Pie.”

“Sim, eu sei o que é,” dizia Diamond com a frustração rastejando em sua voz. “O que eu quero saber é por que manter essas promessas infantis são tão importantes pra você?!”

Por um momento, Pinkie apenas piscava e olhava para Diamond como se ela tivesse perguntado por que a grama é verde. Então ela começava a rir outra vez. “Sua garotinha boba! Se você não cumprir suas promessas, qual é o sentido de prometer alguma coisa?”

O que isso significava afinal? Diamond apenas balançava a cabeça e se dirigia para a porta. “Que seja. Desculpe por desperdiçar seu tempo.”

“Tenha um bom dia!” Pinkie gritava atrás dela. “Volte quando tiver dinheiro de verdade!”

Diamond estremecia. A falta completa de sarcasmo na voz de Pinkie de alguma forma só piorava a situação. A pônei rosa clara abria a porta com um pouco mais de força do que o necessário e quase se chocava com Fluttershy ao sair.

“Oh, desculpe, eu não queria…” Fluttershy murmurava, mas Diamond ignorava a pegasus enquanto se afastava com uma expressão de raiva no rosto.

Entrando no Torrão de Açúcar, Fluttershy virava-se para Pinkie Pie. A pegaso amarela parecia preocupada. “Aconteceu alguma coisa Pinkie?”

“Não posso falar sobre isso,” respondia. “Promessa Pinkie Pie. Então Fluttershy, o que vai querer?”

“Oh, o de sempre, por favor,” respondia Fluttershy.

Pinkie assentia. “Um bolo especial de cenoura chegando! Ei, você sabia que o dinheiro dos griffos é de papel?”

“Mesmo?” Fluttershy arfava.

“Sim,” Pinkie ria. “Diferente, né?”

Fluttershy colocava um casco sobre o queixo, parecendo bastante angustiada. “Aqueles pobres patinhos…”

“Heh, sim.” Alcançando o bolo de cenoura, Pinkie fazia uma pausa e inclinava a cabeça. “Espere o que você disse?”

Filthy Rich não saía da mesa, embora tenha pedido ao mordomo Randolph que lhe trouxesse algumas revistas para passar o tempo. Ele conhecia sua filha muito bem pra saber que ela voltaria direto para casa para lhe dar um sermão assim que descobrisse a fraude. Afinal, ela sempre foi do tipo conflituosa. Ele olhava por cima da sua revista sobre Economia Estável para observar o relógio na parede. A qualquer momento agora.

As portas se abriam e Diamond Tiara invadia o escritório parecendo uma minúscula tempestade rosa clara. “Ha!ha! Muito engraçado! Acho que prefiro ficar de castigo na próxima vez.”

Filthy colocava a revista na mesa e dava a ela um sorriso gentil. “Pelo visto você não conseguiu aquele bolo de que falou?”

“Você sabe perfeitamente que não!” Diamond estalava. ”Tem ideia de como eu quase fui humilhada no Torrão de Açúcar? A sorte é que só a atendente estava lá!” Ela batia as cédulas com força na mesa para dar ênfase. “Aqui está seu dinheiro inútil de volta!”

“Oh, bem, eu estava esperando que você os trouxesse de volta,” dizia Filthy. “Isso deixa a demonstração mais eficaz.” Ainda sorrindo calmamente, ele pegava uma das notas e lentamente a rasgava ao meio.

Diamond ofegava, com seus olhos arregalando em choque. “E-espera, o que você está fazendo?!”

“Rasgando essas notas, é claro.” Respondia Filthy num tom casual. Outra rasgada lenta transformava a cédula em quatro pedaços menores. “Você mesma disse que esse dinheiro é inútil”.

“Mas ainda é dinheiro, não é?” Diamond argumentava horrorizada. Se ela aprendeu alguma coisa crescendo na casa de pessoas ricas, era que destruir dinheiro se equiparava a um pecado mortal. Ver seu próprio pai cometendo tal “sacrilégio” era como ver Twilight Sparkle desfigurar uma das estátuas de Celestia com grafites anarquistas. “Digo, mesmo que não dê para comprar nada em Equestria com esse dinheiro, eles valem alguma coisa para os griffos, certo? Daria pra gastar tudo no país deles.”

“Na verdade, não,” respondia Filthy. Ele segurava uma das cédulas ainda intactas. “Este dinheiro é do antigo período Eyriano onde ocorreu a mais recente guerra entre griffos e minotauros, e que os grifos perderam. Por causa disso, Eyria teve que pagar os reparos realizados em Labyrinthia, que somado com as dívidas contraídas para financiar a própria guerra, causou uma inflação rápida. Você se lembra do que é inflação, não é?”

Diamond assentia. “É quando o valor do dinheiro cai à medida que os custos de bens e serviços sobem, certo?” Ela sabia muito bem a definição, mas ainda não entendia aonde o seu pai estava querendo chegar com tudo isso. Destruir dinheiro só para lhe dar uma lição básica de economia parecia ser um exagero sem tamanho.

“Exatamente,” respondia Filthy. “Agora, não vou te encher explicando os detalhes sobre como ficou a economia de Eyrian após a guerra. A questão é que os griffos acabaram tendo que imprimir mais e mais notas de banco apenas para acompanhar as despesas. O dinheiro deles se desvalorizou tão dramaticamente que, no final, precisaram de milhares dessas notas, milhões só para comprarem comida. Usá-los como papel era mais barato do que comprar a coisa real. Como você pode imaginar, a economia de Eyrian praticamente entrou em colapso. Felizmente, eles conseguiram se recuperar com a emissão de uma nova moeda que se mostrou estável, a Libra Peregrina, que eles usam até hoje. Claro, isso tornou esse dinheiro aqui completamente obsoleto.”

“Então como você vê, essa cédula é realmente inútil,” concluía Filthy. Ele começava a rasgar as demais cédulas, ainda nos mesmos movimentos lentos, quase como se estivesse saboreando. “Não apenas em Equestria. Você não poderia comprar nada com essas cédulas em qualquer outro lugar. Eles nem sequer têm qualquer valor como itens de colecionador, porque já existiam pilhas deles desde antes de saírem de circulação. Eles são, literalmente, apenas pedaços de papeis inúteis. Dinheiro que não tem valor não é dinheiro, não é?”

Assim que terminava de rasgar, ele dava um olhar sério para sua filha. “Agora, vamos falar sobre promessas”.

Diamond franzia a testa. “O que uma coisa tem a ver com a outra?”

“Tudo,” Filthy ria. “Falar de promessa e de dinheiro é mesma coisa.”

Diamond inclinava a cabeça confusa. “A mesma coisa?”

Seu pai assentia. “Ou melhor, dinheiro é promessa. Os bits que usamos para comprar e trocar coisas são promessas de uma transação justa de valor. Eles não são como jóias ou metais preciosos. Eles não são valiosos em si mesmos, mas sim porque todos concordaram que eles têm valor. É por isso que eles podem ser confiáveis. Quando você leva seus bits para o Torrão de Açúcar, os Senhores Cakes e a Senhorita Pie estão dependendo que esses bits gerem os lucros nos doces que você compra, para que eles possam usá-los para comprar algo do mesmo valor. Se esse acordo fosse quebrado, nossos bits deixariam de ser valiosos. Toda a nossa riqueza se reduziria a sucata, assim como essas cédulas que se tornaram pedaços inúteis de papel. Entende aonde quero chegar com isso, Diamond?”

Diamond balançava a cabeça lentamente no momento em que a compreensão despertava nela. “Acho que sim. Você está dizendo que as promessas são basicamente uma espécie de dinheiro?”

“Perfeito,” dizia Filthy Rich. “Não um dinheiro que você pode guardar em sua carteira e gastar em uma loja qualquer, mas o princípio é o mesmo. Você ainda pode comprar coisas com suas promessas, como lealdade, favores ou boa reputação. Mas isso só funciona se todas as suas promessas forem confiáveis, caso contrário ninguém vai te dar credibilidade. Mantendo suas promessas e honrando seus negócios, outros pôneis confiarão em você, pois verão que suas palavras têm valor. Esse valor é o que faz de uma promessa uma promessa.”

“O que faz de uma promessa… uma promessa?” Diamond murmurava.

“Dinheiro que não tem valor não é dinheiro, é?”

“Deixa de ser ingênua! Se você não cumprir suas promessas, qual é o sentido de prometer o que quer que seja?”

As sobrancelhas de Diamond levantavam no momento em que ela lembrava das palavras de Pinkie Pie. De alguma forma, tudo fazia sentido agora.

Percebendo uma mudança em seu comportamento, Filthy levantava-se da mesa. Ele se aproximava de Diamond Tiara e segurava o casco dela. “Promessas quebradas não têm valor, Diamond, e elas não lhe comprarão nada. Nem em Equestria, nem em qualquer outro lugar.” Ele colocava os pedaços rasgados das cédulas em seus cascos. “Promessas não cumpridas são como esses pedaços de papel sem valor.”

Diamond Tiara olhava para os fragmentos. Dinheiro absolutamente inútil que até mesmo Filthy Rich não sentia reverência por isso. Dinheiro que não era mais dinheiro real. Promessas quebradas.

Ela olhava para o pai. “Eu… eu entendi agora.”

“Espero que sim,” dizia Filthy com um leve sorriso. “Espero mesmo. Agora vamos tentar de novo. Você pode prometer ser mais gentil com essas três alunas daqui pra frente?”

Diamond hesitava e parecia pensar por alguns instantes. “Prometo tentar,” respondia ela.

Filthy meio que riu e meio que suspirou. “Bem, suponho que já seja um começo. E por que você vai manter essa promessa?”

Diamond Tiara ficava um pouco mais ereta, com um olhar expressando nova determinação. “Porque se eu quebrar minhas promessas, é o mesmo que não prometer nada. Minhas palavras não terão valor, assim como esse dinheiro rasgado.”

“Essa é a minha garota!” Filthy Rich dizia e dava um tapinha no ombro dela. “Bem, então acredito que te devo um bolo no Torrão de Açúcar. Na verdade, acho que até eu quero um. Por que não vamos lá agora?”

“Mesmo?” O rosto de Diamond se iluminava instantaneamente como um pequeno sol. Pulando de alegria, ela dava-lhe um abraço sincero. “Yay! Obrigada pai! Você é o melhor!”

Alguns minutos depois, ambos estavam a caminho, e Filthy Rich sorria enquanto Diamond Tiara trotava alegremente ao seu lado. Parecia que ele finalmente conseguiu ajudar sua filha a compreender o significado e a importância de uma promessa, e se permitia ter um pouco de orgulho paternal pelo feito. Ele não tinha certeza se a lição iria ser suficiente, mas esperava. Talvez hoje sua filha tivesse finalmente aprendido algo sobre o significado de confiança e valor?

Talvez, e apenas talvez, Diamond Tiara fosse um pouco mais rica a partir de hoje.

Nota do autor:

A inspiração para essa estória veio, principalmente, de um relato que um homem me contou anos atrás. Este homem teve um filho que foi vítima de bullying bastante frequente na escola. Chegou ao ponto em que o pai e o diretor da escola tiveram que chamar os valentões até a diretoria, quando o diretor basicamente os coagiu a prometerem deixar o filho do homem em paz. Enquanto ele estava lá, ouvindo, o homem teve uma epifania bastante deprimente: os intimidadores, ele percebeu, nem pareciam saber o que significava a palavra “promessa”, e muito menos porque eles deveriam se incomodar em cumpri-la.

Essa história meio que permaneceu em meu subconsciente por anos, aparecendo de vez em quando e me fazendo pensar: como alguém pode ensinar a uma criança o que é uma promessa? Quando aplicado a Diamond Tiara, a resposta de repente parecia óbvia: você usa dinheiro. Depois disso, essa história mais ou menos se escreveu. Eu amo quando isso acontece.

Audiolivro da estória (em inglês)

A páscoa e o dilema do consumo de carne

Rainbow indignada

Para os cristãos, a Páscoa é uma data de extrema importância que celebra a ressurreição de Cristo três dias após a sua morte por crucificação. A Páscoa também é definida por teólogos do mundo todo como uma “esperança viva” atribuída por Deus. Ou seja, uma data propícia para a restauração da fé em um mundo mais auspicioso, justo e misericordioso.

É exatamente no período que antecede a Páscoa que os cristãos se abstêm de “carne” – na realidade, quase sempre carne vermelha, e jejuam principalmente na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa. No entanto, é usual o consumo de peixes. Mas não seria o peixe um ser carnoso? Assim como o boi, o porco, o frango?

De fato, e inclusive com níveis de senciência e consciência equiparáveis a outras espécies animais, segundo o artigo “The Fish Intelligence, Sentience and Ethics” (A inteligência do peixe, senciência e ética), publicado na revista Animal Cognition em janeiro de 2015. Mas, claro, não precisamos de pesquisa alguma para concluir que um peixe sofre antes de morrer – basta testemunhá-lo se debatendo fora d’água enquanto é violentamente vitimado por asfixia.

Porém, é importante ressaltar tal fato porque exemplifica o equívoco da ideia de um “jejum de carne” nesse período – algo tão propalado por tanta gente que ignora o fato de que o peixe também é essencialmente um ser carnoso repleto de vida e interesse em não sofrer e morrer precocemente.

De acordo com o padre Paulo Ricardo, o jejum no período de Páscoa é uma prática plurissecular que mostra aos cristãos a importância de uma vida de ascese (prática que visa o desenvolvimento espiritual). Ou seja, o jejum do consumo de animais, desconsiderando o peixe, é uma forma de se alcançar à virtude da temperança, “uma virtude moral que modera a atração pelos prazeres, assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos dentro dos limites da honestidade.”

Mas se o “jejum de carne” representa algo em tão alta estima pelos cristãos, sendo apontado como uma grande virtude moral, por que não se abster completamente desse consumo, e não somente no período de Páscoa? Por que não incluir os peixes nessa abstenção fundamentada na virtude moral, já que eles também são animais? E como são sencientes, será que não inspiram a misericórdia da renovação da fé cristã? O exercício da violência contra outras espécies não é inclemente, em oposição ao desejo de um mundo justo e misericordioso?

Francisco de Assis, uma referência para milhões de católicos do mundo todo que se alimentam de animais, dizia que “todas as criaturas são nossos irmãos e irmãs”, e que eles não são seres com menos direito à vida do que os humanos – tanto que ele compartilhava suas pregações com pessoas e animais. Discursava que o seu amor por Deus se manifestava por meio de seu amor e respeito por criaturas humanas e não humanas.

Independente de seus hábitos alimentares, não seria uma mensagem de que não devemos endossar a violência contra outras espécies? Animais que domesticamos e tornamos vulneráveis para atender aos prazeres que não controlamos? À volúpia do paladar? Embora símbolo inquestionável do antropocentrismo no seio da civilização cristã ocidental. Tomás de Aquino escreveu na “Suma Teológica” que “o jejum (de carne) foi estabelecido pela Igreja para reprimir as concupiscências da carne, cujo objeto são os prazeres sensíveis da mesa.”

Mas não é isso que a maioria dos cristãos faz o ano todo, quando se alimentam desnecessariamente de animais? E, claro, para além da questão da virtude moral vaticinada pela Igreja Católica, sabemos que o consumo de carne não é essencial à vida; basta considerarmos a existência de veganos e vegetarianos saudáveis. Sendo assim, resta-nos uma conclusão – não há nada de nobre e equânime em comer animais, porque representa basicamente a primazia do paladar, ou seja, os “prazeres sensíveis da mesa”, que normalmente as pessoas não controlam por condicionamento, hábito e conveniência.

Aliás, muita gente usa Jesus para justificar o consumo de carne, afirmando que ele também consumia peixe. Mas se esquecem do detalhe que na época dele, há mais de dois milênios atrás, o alimento era escasso, não existia mercados, restaurantes, self service, comodidades de serviços de entrega, etc. Na época de Jesus, alimentação era uma questão de SOBREVIVÊNCIA, hoje é uma questão de ESCOLHA (como os próprios vegetarianos e veganos demonstram atualmente, tendo uma vida perfeitamente saudável).

O que Cristo mais fazia era discursar sobre a revolução do respeito, da dignidade, do amor incondicional, e ele fazia isso desafiando as pessoas da época a romperem as barreiras intelectuais, a desenvolverem a arte de pensar, de serem autocríticas, de questionarem as própria crenças e evoluírem tais virtudes com o passar dos anos, décadas, séculos…. ou seja, comparar uma dieta alimentar de mais de dois mil anos com a atual é o pior dos retrocessos, e ainda usar Jesus de exemplo é autodenunciar o fato de que não aprendeu nada do que ele ensinava.

A humanidade está seguindo o caminho de Cristo?

Todos os anos no Brasil, sem qualquer piedade, são sacrificados mais de cinco bilhões de animais, não por saúde, sobrevivência ou legítima defesa, mas por hábito, tradição, sabor e obviamente, dinheiro. Afinal, qual é a definição de holocausto? Seria o massacre de seres humanos ou o massacre de seres inocentes? Obviamente que é este último, o que nos leva ao maior dentre todos os holocaustos. Jesus foi capaz de sacrificar a própria vida pela humanidade, que por sua vez não é capaz nem mesmo de sacrificar o hábito, tradição e paladar.

Jesus salientava que jamais deveríamos perder a fé.

Peguemos de exemplo o argentino Claudio Bertonatti. Nas palavras do próprio Claudio: “Vegetarianos e veganos cometem equívoco ao acreditarem que não estão matando animais. Visitem um campo de produção pecuária e outro de produção agrícola na mesma região e anotem a diversidade de formas de vida que veem em cada um deles. O resultado será inequívoco: um cultivo (soja, trigo, milho ou arroz, para citar os mais difundidos) não convivem com muito mais que si mesmo. Inclusive, acontece isso com a horta mais orgânica do mundo. As espécies animais não somente não são bem vindas, mas também, nos cultivos não orgânicos (a maioria), são combatidas com biocidas ou agrotóxicos, quando não, tiros ou outras formas de luta para evitar a presença de predadores que causam danos ou perdas econômicas.” Com essa conclusão, Claudio que era vegetariano, voltou a ser onívoro.

Quando nos deparamos com um impasse ou obstáculo aparentemente insuperáveis, temos duas opções: A primeira é encará-los com sentimento de derrota ou fracasso, e a segunda, com sentimento de que temos algo a aprender e superar. Se optarmos pela primeira, seguiremos os passos de Claudio Bertonatti e desistiremos de lutar por um mundo melhor, seremos estacionários. Se optarmos pela segunda, entenderemos que vegetarianos e veganos estão conscientes de que não podem fazer milagres, de que não podem tornar o mundo perfeito da noite para o dia e que certamente nem viverão para testemunhar tal milagre. Mas é exatamente por não perderem a fé, por não desistirem, que edificam, ainda que gradativamente, uma sociedade que causa o menor dano possível em si mesmo, nos animais e na natureza, colocando em prática a revolução do amor que Jesus tanto pregava.

Certo dia Jesus disse: “No mundo, passais por várias aflições, mas tende bom ânimo, pois eu venci o mundo.” Ele quis dizer que reconheceu que a vida é sinuosa e possui turbulências inevitáveis (como as que Claudio Bertonatti mencionou), e encorajava seus íntimos a não se intimidarem diante das aflições da existência, mas a se equiparem com ânimo e determinação para SUPERÁ-LAS. Disse que tinha vencido o mundo, superado as intempéries da vida, o que indica que ele não vivia sua vida de qualquer maneira, mas com CONSCIÊNCIA, com metas bem estabelecidas e ao mesmo tempo, deixava bem claro de que todos nós somos capazes de fazer o mesmo.

Conheça duas maneiras fáceis de ajudar as vítimas da guerra na Síria

herois

Ajude a transformar o futuro de famílias inteiras desoladas pelo caos e sofrimento da guerra na Síria.

A guerra que assola a Síria tomou proporções ainda mais cruéis quando a notícia de que mais de mil crianças já foram mortas desde o início de 2018, foi divulgada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). As autoridades estimam que o número corresponde a uma morte por hora.. 4,5 milhões de cidadãos se viram obrigados à deixarem seus lares.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos ainda comunicou que cerca de 65% das vítimas faleceram devido aos bombardeios aéreos protagonizados por aviões do regime sírio e russo. O diretor regional da Unicef, responsável pelas regiões do Oriente Médio e Norte da África, Geert Cappelaere ainda ressaltou que há meses as entidades que atuam para ajudar as vítimas da guerra não conseguem acessar três áreas, onde o conflito tem se intensificado, são elas Idlib, Ghouta Oriental e Dera’a. Ele ainda calcula que mais de 5 milhões de pequenos necessitem de assistência humanitária em todo o território sírio.

A pediatra síria Amani Ballour, de 30 anos, responsável por cuidar das vítimas da região de Ghouta Oriental, comunicou, em entrevista ao portal brasileiro R7, que não há lugar seguro, visto que os ataques ministrados pelo governo do presidente Bashar al-Assad, têm tido como alvo hospitais, creches e escolas.

Diante de tanto caos, sofrimento e desespero, há duas atitudes possíveis: a primeira, que claramente não ajudará essas pessoas, é cruzar os braços. Já a segunda, trata-se de assumir nossa responsabilidade social e ajudar a transformar o futuro de famílias inteiras que estão à procura de algo que, infelizmente, não faz mais parte de suas vidas: a paz.

Então, ao invés de gastarmos nosso dinheiro apenas com netflix, jogos eletrônicos, etc, por que não ajudar também? Por que não desenvolvermos em nós a caridade desinteressada? (SIM, desinteressada, existe um significado muito importante por trás desse termo…).

Conheça duas maneiras de ajudar as vítimas:

1. Ajude os Capacetes Brancos

Encabeçada pelo líder humanitário Raed Al-Saleh, esta organização é responsável por procurar e salvar vítimas em regiões controladas pelos rebeldes, inclusive em Aleppo.

Até o presente momento, 10 mil feridos já foram resgatados durante o conflito. Integrantes também desempenham, além da retirada de pessoas de bombardeios e escombros, as tarefas de arrecadação de dinheiro para próteses e apoio psicológico aos familiares dos mortos. Saiba como ajudar visitando seu site oficial.

2. Ajude o Salve As Crianças

Esta ONG é responsável por auxiliar crianças e seus familiares a fugirem dos conflitos que os afetam – tanto os que se mudam internamente, quanto aqueles que partem para outros países. Basta acessar o site https://www.savethechildren.org e clicar no botão vermelho “donate”.

Fonte: Claudia Abril

O mais dedicado e esforçado

Edital

Fonte: cdn-img.fimfiction.net

SINOPSE: A Escola da Princesa Celestia para Unicórnios Superdotados é famosa em toda a Equestria como um centro de excelência acadêmica. Apenas aos mais dedicados unicórnios são oferecidas vagas, selecionados por seu mérito acadêmico, habilidades mágicas e paixão pelo estudo. Para tornar o processo de admissão o mais justo e confiável possível, todos os candidatos recebem três exames avaliados por diferentes bancas de examinadores, que então se reúnem em particular para decidirem quais os candidatos que mais merecem uma vaga.

Autor: Pineta

***

“Posso ter a atenção dos senhores?” Perguntava a professora Crystal Clear, presidente do Conselho de Examinadores da Universidade de Equestria. “O cronograma para a rodada final de testes de admissão já está publicado no edital. Por favor, anotem o horário e o número da sala em que farão suas provas e certifiquem-se de estarem na sala de aula com cinco minutos de antecedência. Gostaríamos de lembrar aos pais que, embora vocês possam estar presentes durante o exame de seus filhos, devem permanecer em silêncio durante todo o teste.”

A professora estava na frente de uma multidão de pôneis no chão azulejado da universidade. Era o dia do vestibular, uma data importante no calendário acadêmico, quando todos os jovens e esperançosos pôneis que haviam passado na prova escrita de magia teórica foram classificados para a banca de examinadores que avaliariam suas habilidades práticas de magia e decidiriam a quem deveria ser ofertada uma vaga. A entrada da universidade estava agora cheia de pôneis nervosos, acompanhados por seus pais igualmente nervosos.

Após o breve discurso, a professora virava-se para sair, levitando sua prancheta com anotações diante dela. Mas ela não conseguia ir muito longe antes de ser parada por uma pônei verde clara com uma crina bem esbelta, usando um vestido sob medida.

“Professora! Quando vai sair o resultado da minha filha?”

“Divulgaremos a lista de aprovados semana que vem. Depois de termos avaliado todos os candidatos, os professores se reunirão para analisar os desempenhos dos alunos em todos os exames práticos, bem como no resultado da prova escrita, antes de publicarmos o resultado final.”

Era a política da escola que cada candidato recebesse três exames por diferentes bancas de examinadores profissionais para ajudar a tornar o processo seletivo o mais justo possível.

“Certo, e você vai classificar minha filha para capitã de sua equipe de esportes mágicos e ela receberá o prêmio Gold Prince Blueblood e…”

“Calma, o painel considerará todas as informações relevantes para julgar a aptidão de cada candidato para estudos mágicos avançados.”

Antes que a pônei pudesse fazer mais perguntas, a professora se afastava em direção à sala de professores da escola com uma expressão severa, sem prestar atenção em todos os pôneis que a olhavam. Ela chegava à porta e desaparecia nesse refúgio particular. Os pais e os filhos ficavam em silêncio por um momento antes que a multidão se dividisse em pequenos grupos.

“Sei que estraguei tudo no último teste,” dizia uma pequena pônei roxa em lágrimas com uma crina rosa, roxo e indigo. “Nunca pensei que eles me pediriam para fazer uma metamorfose de quatro dimensões. Cadence nunca disse nada sobre isso. E quando perguntaram sobre as interações fundamentais entre a magia dos unicórnios e os espíritos terrestres, eu só conseguia pensar em cinco… eu deveria saber que existem mais… e…”

“Twilight,” dizia a mãe. “Você foi capaz de fazer tudo o que eles pediram. Tenho certeza que se saiu muito bem.”

“Mas não fiz tudo corretamente,” Respondia Twilight enquanto lia as pontuações do teste em um pergaminho levitando em torno de sua cabeça com uma aura rosa. “E o próximo teste é o último, onde eles me perguntarão algo realmente difícil. Eu tenho que acertar. Preciso ler um pouco mais sobre os limites práticos dos encantamentos infinitos.”

Ela levitava um livro de sua mochila e começava a folhear as páginas.

“Twilight,” dizia a mãe. “Há uma lanchonete adorável do outro lado da rua. Temos meia hora antes do seu exame final. Vamos lá tomar um sorvete?”

“Não posso. Tenho que aprender isso agora.”

“Você não pode aprender muita coisa em trinta minutos filha.” Dizia seu pai. “É melhor tentar relaxar.” Com a autoridade dos pais, os dois pôneis adultos levavam a pequena Twilight para fora dos portões da universidade.

Do outro lado da faculdade, uma jovem unicórnio cor de marfim com a crina rosada e encaracolada soluçava incontrolavelmente enquanto seus pais tentavam consolá-la. “Eu não pude fazer nada, eles… eles me pediram para formar um octaedro usando uns gravetos, mas eu não conseguia lembrar o que era um octaedro! Fiquei nervosa e deu branco! Então eles só perguntaram se eu poderia pelo menos levitar os gravetos, e eu deveria ter sido capaz de fazer algo simples assim, mas eu congelei de nervosa e eles não saíram do chão!!”

“Está tudo bem Twinkle,” dizia sua mãe. “Não é o fim do mundo se você não conseguir uma vaga. Existem muitas outras boas universidades ou então você pode tentar de novo o ano que vem.”

“M-mas não posso esperar mais um ano e realmente quero estudar nessa. É a melhor, e tenho certeza que vou fazer amigos aqui, que gostam de estudar tanto quanto eu.”

Enquanto isso, no centro da sala, uma pônei azul e verde com uma crina loira confiantemente girava uma bolinha oval na ponta do chifre.

Superei totalmente aquele teste. Com certeza eles vão me oferecer uma vaga, afinal eles vão querer uma profissional como eu no time de levibol da escola.”

Ela disparava a bola contra a parede usando uma levitação de alta potência, então a parava no ar quando a bola rebatia de volta.

“Ei você, pegue!” Ela jogava a bola para Twinkle, que congelava, olhando para o projétil que se chocava contra seu rosto. Ela se desfazia em lágrimas. O pai de Twinkle lhe dava um abraço reconfortante enquanto sua mãe focava com um olhar gelado contra a agressora, mas decidiu, com certa resistência, não criar confusão.

“Você certamente deve receber uma oferta Sapphire Scrum,” dizia sua mãe. “Ainda mais depois de todas as aulas particulares que pagamos.”

“Mas não posso aceitar,” acrescentava a filha, levitando a bola novamente. “Parece uma escola secundária. Acho que nem quero estudar aqui.”

“Você vai aceitar a oferta sim senhora!” insistia a mãe. “Mesmo que você não esteja interessada em estudar, ser aluna da escola da Princesa Celestia abrirá muitas portas pra você.”

Dentro da sala dos professores, a professora Crystal Clear bocejava. Tinha sido um longo dia, e eles ainda tinham um conjunto final de candidatos para avaliar antes de irem jantar. Ainda assim, lembrava a si mesma que o esforço valia a pena. O trabalho de ensinar era muito mais fácil se você escolhesse os alunos certos para isso.

Infelizmente, nenhum processo seletivo era perfeito, e os professores estavam cientes de que todos os anos cometiam erros. Pôneis brilhantes iriam falhar sob pressão e nervosismo e perderiam uma vaga. E pior, às vezes eles admitiam terem aprovado equivocadamente candidatos que não estavam preparados, o que tornava uma dor real na hora de dar aula. O corpo docente não se esqueceu das consequências de aprovarem a senhorita Trixie há alguns anos. Daí o sistema de três exames, que tornou o vestibular o mais confiável possível no tempo restrito.

Eles tinham um intervalo de quinze minutos antes de voltarem aos exames. A professora sentava-se em suas almofadas de pelúcia, servia-se de uma xícara de chá de um grande bule azul e branco, acrescentava uma gota de limão e tirava alguns biscoitos de um prato. Ao redor dela, a equipe estava comparando notas. A essa altura do dia, ficava claro quem eram os favoritos para preencherem as primeiras vagas, mas os candidatos que iriam ficar com os últimos lugares ainda era incerto.

Seu colega, o professor Arpeggio estava lendo as notas de outro membro do conselho de exame. “Você deu nota dez para essa aluna! Sério? Não acha que foi generoso demais?” Ele perguntava.

“Fui bem criterioso, não teria dado essa nota se ela não merecesse. Aliás, vejo que você não não teve a mesma opinião com a candidata Miss Scrum,” O professor Nota Baixa respondia.

“Você deu a ela nota quatro, isso parece generoso?”

“Sim, ela estava bem em levitação, mas não conseguia soletrar seu próprio nome, quanto mais lançar qualquer encantamento sério. Ficou claro, depois de cinco minutos, que ela não tinha aptidão para a vaga. ”

“O que ela conseguiu na prova escrita?”

“Setenta e um. Mas isso não é uma surpresa. Ela foi para a escola preparatória, onde resolveu os testes de todos os vestibulares anteriores nos últimos cinco anos.”

Crystal Clear olhava para as anotações do professor Nota Baixa e as lia. “Você só deu à Senhorita Twinkle Twirl um três, por que?” Ela perguntava.

“Nós não conseguimos tirar nada dela. Ela começou a chorar depois de alguns minutos e não conseguiu fazer mais nada.”

“Nossa, ela provavelmente só estava nervosa! Os professores Art Liberal e Cap Square gostaram dela. Lhe deram uma nota sete.”

O professor idoso em outra mesa, ao ouvir seu nome, dizia: “Sim, ela nos mostrou uma bela demonstração de encanto de manipulação das luzes prismáticas. O conjunto de cores ficaram quase perfeitos. Vai ser uma pena se uma das vagas não for dela.”

“Mas de quanto foi a taxa de luzes que ela conseguiu filtrar no prisma de cristal?” Perguntava o professor Logic.

“Setenta e oito por cento, incluindo o infravermelho de onda longa que possui propriedades medicinais, nada mal,” Respondia Arpeggio. “Vamos ver as notas que os professores Rhetoric a Apple Polish darão a dela. Eu diria que ela ainda tem boas chances.”

A professora Clear empurrava os óculos mais para cima do focinho e tomava um gole de chá. “Algo mais que precisamos discutir? Alguma outra grande discrepância nas pontuações?”

Todos os unicórnios levitavam os papéis no ar à frente deles e examinavam as tabelas de pontuações.

“Eu vejo que você deu ao Sr. Sky Blue um cinco,” dizia Liberal Art. “Nós também achamos ele um pouco sem brilho. Apesar de toda a sua conversa entusiasmada sobre ser inspirado a estudar magia depois de ver a Princesa Celestia levantar o sol, não é o que todos dizem? Ele teve dificuldades para realizar a levitação mais básica, o que deixou bem claro a falta de estudo. Acho que podemos dispensá-lo. A classificação dos outros é bastante clara agora.”

“Precisamos falar sobre Twilight Sparkle,” dizia a professora Square Cap.

“Senhorita Sparkle?” Perguntava Crystal Clear. “O que há para discutir? Ela gabaritou. Ela tirou a nota máxima na prova escrita, e nenhum pônei conseguiu gabaritar desde a Sunset Shimmer. Nós dissemos ontem que com uma pontuação dessas ela teria que transformar o examinador em um vaso de plantas ou qualquer outro objeto para conseguir uma vaga. E, vejamos, foi você que deu nota dez a ela, não foi?”

“Não foi isso que quiz dizer. O problema é que com uma pontuação dessas, não tem como dar a ela exercícios padrões no teste final. Ela resolveu todos eles no primeiro exame.”

“Todos os testes? Até a trasmutação de pedras?”

“Ela transmutou todas antes de terminarmos de fazer a pergunta,” disse Square Cap.

“E a magia para criar uma ilusão?”

“Ela criou uma imagem em tamanho real de Starswirl no ar bem na nossa frente. Em cores, com todos os detalhes. Ela até acertou a barba.”

A professora Clear respirava fundo. A maioria dos novos alunos mal conseguia produzir uma aparência de uma forma simples.

“Temos exercícios reserva, não temos?” A professora Rhetoric falava.

“Usamos todos na metade do segundo exame. E ainda tivemos que pesquisar em nossas anotações antigas para encontrar algum exercício do ano passado que não tivesse sido reutilizado. Depois disso, tivemos que improvisar. Olhei ao redor da sala procurando por idéias e meus olhos caíram na porta da sala, então perguntei a ela como seria possível quebrar uma fechadura mágica. Em dois minutos ela decifrou o feitiço de criptografia e nos deu uma lista de sugestões sobre possíveis melhorias na segurança da escola.”

Os professores olhavam para a porta com um olhar preocupado. Poderia um candidato ter se infiltrado na sala dos professores?

“E devo dizer que ela também foi extremamente educada, modesta quanto às suas habilidades e, ao mesmo tempo, uma pequena e doce unicornio.”

“Mas o que vamos fazer então?” Perguntava Arpeggio. “Não temos tempo para pensar em novos exercícios.”

“Nós poderíamos simplesmente dizer a ela que ganhou uma vaga e não precisa do terceiro teste.” Sugeria o professor Lógic Empíric.

“Não podemos fazer isso. Seria injusto com os outros candidatos e nada profissional.” Respondia Crystal Clear.

“Bem, então, precisamos apenas definir algo muito difícil para ela,” disse Arpeggio.

“É isso que estamos tentando fazer!” respondiam os outros professores ao mesmo tempo. “Ela dá respostas perfeitas para tudo.” Acrescentava Apple Polish.

O professor Logic ponderava o problema. “Talvez pudéssemos perguntar a ela que pergunta ela faria a si mesma em um exame.”

Crystal Clear apontava a falha nessa ideia. “Ela pode pensar em algo que não podemos fazer ou responder.” Logic arregalava os olhos.

“E se nós darmos um teste impossível de resolver? Diga a ela para levantar a lua, ou prever o futuro ou se transformar em um alicórnio ou algo assim.”

“Vamos chamar ela de boba então? Ela saberia que é impossível…” dizia Arpeggio. “Prefiro não ver outra criança chorando hoje. Tem que ser algo que ela não sabe que é impossível.”

“Já sei!”

A professora Apple Polish virava a cabeça e focava sua magia em um armário no final da sala, que continha uma seleção de curiosidades ornamentais. Ela levitava um grande objeto oval, coberto de manchas roxas, até a mesa de café. Era um ovo de dragão antigo recuperado de uma escavação arqueológica alguns anos antes.

“Qual é a jogada? Ela tem que adivinhar o que é isso?” Perguntava Lógic Empíric.

“Eu pensei que poderíamos pedir a ela para chocá-lo.”

Todos os professores começavam a rir.

“Isso é perfeito,” dizia a professora Clear. “Ela não vai saber quantos anos tem. Vai tentar chocá-lo usando feitiços para ovos de pássaros, ou talvez um encantamento por fratura de energia, ou quem sabe o que mais? Será bem interessante ver o que ela vai tentar fazer. Eu acho que é até mesmo possível teoricamente chocá-lo, não muito provavelmente dada a idade, mas não há como um único pônei conseguir gerar energia mágica suficiente para chocá-lo. Isso é brilhante.”

Ela limpava um carrinho de chá com xícaras e pratos e colocava o ovo no centro. Enquanto isso, Apple Polish pegava um pedaço de papel e giz de cera e desenhava um esboço simples para mostrar um pequeno dragão dentro de um ovo quebrado. Ela colocava a ilustração na lateral do carrinho.

“Tudo bem, tudo bem,” dizia ela, ajeitando os cascos, arrumando os óculos e colocando folhas de sulfite novas na prancheta. “Lembrem-se, profissionalismo. Não podemos mostrar à Senhorita Sparkle qualquer sinal de nossa decisão ou o que esperamos dela.”

Adotando seus semblantes mais profissionais, os quatro examinadores caminhavam em direção à porta. Crystal Clear dirigia-se ao porteiro da escola. “Dê-nos alguns minutos para nos prepararmos e depois trazer o carrinho com o ovo, aí pode chamá-la para o teste.”

O porteiro assentia.

“Vamos conhecer a senhorita Sparkle.”

Eles saíam pela porta da sala dos professores com o olhar passivo e determinado de examinadores profissionais. Mas a professora Clear permitia-se um pequeno sorriso. “Essa aluna sim vai ser divertida de dar aulas.”

Os outros professores acenavam a cabeça. “Dá gosto ministrar aulas para um aluno assim.”

“Então, como vamos decidir quem será seu tutor pessoal?”

O Homem de Bem

 

O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e caridade, na sua maior pureza. Interroga a sua consciência sobre os próprios atos, pergunta se não violou essa lei, se não cometeu o mal, se fez todo o bem que podia, se não deixou escapar voluntariamente uma ocasião de ser útil, se ninguém tem do que se queixar dele, enfim, se fez aos outros aquilo que queria que os outros fizessem por ele.

Tem fé em Deus, na sua bondade, na sua justiça e na sua sabedoria; sabe que nada acontece sem a sua permissão, e submete-se em todas as coisas à sua vontade e sabe que não precisa de nenhuma religião para seguir os preceitos de Deus, bastando os princípios acima.

Tem fé no futuro, e por isso coloca os bens espirituais acima dos bens materiais.
Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções, são provas ou expiações, e as aceita sem murmurar.

O homem possuído pelo sentimento de caridade e de amor ao próximo faz o bem pelo bem, sem esperar recompensa, paga o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte e sacrifica sempre o seu interesse à justiça.

Encontra e usa satisfação nos benefícios que distribui, nos serviços que presta, nas venturas que promove, nas lágrimas que faz secar, nas consolações que leva aos aflitos. Seu primeiro impulso é o de pensar nos outros antes que em si mesmo. O egoísta, ao contrário, calcula os proveitos e as perdas de cada ação generosa.

É bom e benevolente para com todos, sem distinção de raças, espécies e nem de crenças, porque vê todos como irmãos.

Respeita nos outros todas as convicções sinceras, e não lança o anátema aos que não pensam como ele.

Em todas as circunstâncias, a caridade é o seu guia. Considera que aquele que prejudica os outros com palavras maldosas, provocações, que fere a suscetibilidade alheia com o seu orgulho e o seu desdém, que não recua à idéia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever do amor ao próximo e não merece a clemência do Senhor.

Não tem ódio nem rancor, nem desejos de vingança. A exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas, e não se lembra senão dos benefícios. Porque sabe que será perdoado, conforme houver perdoado.

É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que ele mesmo tem necessidade de indulgência, e se lembra destas palavras do Cristo: “Aquele que está sem pecado atire a primeira pedra”.

Não se compraz em procurar os defeitos dos outros, nem a pô-los em evidência. Se a necessidade o obriga a isso, procura sempre o bem que pode atenuar o mal.

Estuda as suas próprias imperfeições, e trabalha sem cessar em combatê-las. Todos os seus esforços tendem a permitir-lhe dizer, amanhã, que traz em si alguma coisa melhor do que na véspera.

Não tenta fazer valer o seu espírito, nem os seus talentos, às expensas dos outros. Pelo contrário, aproveita todas as ocasiões para fazer ressaltar a vantagens dos outros.

Não se envaidece em nada com a sua sorte, nem com os seus predicados pessoais, porque sabe que tudo quanto lhe foi dado pode ser retirado.

Usa mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe tratar-se de um depósito, do qual deverá prestar contas, e que o emprego mais prejudicial para si mesmo, que poderá lhes dar, é pô-los ao serviço da satisfação de suas paixões.

Se nas relações sociais, alguns homens se encontram na sua dependência, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus. Usa sua autoridade para erguer-lhes a moral, e não para os esmagar com o seu orgulho, e evita tudo quanto poderia tornar mais penosa a sua posição subalterna.

O subordinado, por sua vez, compreende os deveres da sua posição, e tem o escrúpulo de procurar cumpri-los conscientemente.

O homem de bem, enfim, respeita nos seus semelhantes todos os direitos que lhes são assegurados pelas leis da natureza, como desejaria que os seus fossem respeitados.

Esta não é a relação completa das qualidades que distinguem o homem de bem, mas quem quer que se esforce para possuí-las, estará no caminho que conduz às demais.

O Tijolo

Um jovem e executivo bem sucedido dirigia, em alta velocidade sua nova Ferrari. De repente, um tijolo espatifou-se na porta lateral do veículo.

Ele freava bruscamente e dava ré até o lugar de onde teria vindo o tijolo. Saltou do carro e pegou bruscamente uma criança, empurrando-a enquanto gritava:

– Por que fez isso? Quem é você? Que besteira você pensa que está fazendo? Este é um carro novo e caro. Aquele tijolo que você jogou vai me custar muito dinheiro. Por que você fez isto?

– Por favor senhor me desculpe, eu não sabia mais o que fazer! Implorou o pequenino. – Ninguém estava disposto a parar e me atender neste local.

Lágrimas corriam do rosto do garoto, enquanto apontava na direção da cadeira de roda.

– É meu irmão. Ele desceu sem freio e caiu de sua cadeira de rodas e não consigo levantá-lo. Soluçando, o menino perguntou ao jovem:

– O senhor poderia me ajudar a recolocá-lo em sua cadeira de rodas? Ele está machucado e é muito pesado para mim.

Movido internamente muito além das palavras, o jovem motorista engolindo “um imenso nó” dirigiu-se ao jovenzinho, colocando-o em sua cadeira de rodas. Tirou seu lenço, limpou as feridas e arranhões, verificando se tudo estava bem.

– Obrigado e que Deus possa abençoá-lo, agradeceu a criança.

O jovem viu então o menino se distanciar… empurrando o irmão em direção à casa.

Foi um longo caminho até a Ferrari… um longo e lento caminho de volta.

Ele nunca consertou a porta amassada. Deixou assim para lembrá-lo de não ir tão rápido pela vida, que alguém precisasse atirar um tijolo para obter a sua atenção…

“Deus sussurra em nossas almas e fala aos nossos corações”.

Algumas vezes, quando não temos tempo de ouvir, ele tem de jogar um Tijolo em nós.

(autor desconhecido)

Pequenas ações, grandes resultados

Jamais subestime o poder de suas boas ações e gentilezas!

Um dia, quando eu era caloura na escola, vi uma garota caminhando para casa depois da aula.

Seu nome era Ditzy. Parecia que ela estava carregando todos os seus livros.

Eu pensava:

“Por que alguém iria levar para casa todos os seus livros numa Sexta-Feira? Ela deve ser bem estudiosa!”

O meu final de semana estava planejado (ir com as amigas ao Shopping de Canterlot), então dava de ombros e seguia o meu caminho.

Conforme ia caminhando, vi um grupo de garotas correndo em direção de Ditzy.

Elas a atropelaram, arrancando todos os livros de seus braços, empurrando-a de forma que ela caísse no chão.

Seus óculos voaram e eu os vi aterrissarem na grama há alguns metros de onde ela estava. Ditzy erguia o rosto e eu observava uma terrível tristeza em seus olhos.

Meu coração penalizou-se! Corri até a colega, enquanto ela engatinhava procurando por seus óculos.

Pude ver uma lágrima em seus olhos. Enquanto eu lhe entregava os óculos, disse: “Aquelas pôneis são umas idiotas! Elas realmente deviam arrumar algo pra fazer.” Ditzy olhava-me nos olhos e dizia: “Hey, obrigada!”

Havia um grande sorriso em seu rosto. Era um daqueles sorrisos que realmente mostravam gratidão. Eu a ajudei a apanhar seus livros e perguntei onde ela morava.

Por coincidência, ela morava perto da minha casa, mas não havíamos nos visto antes, porque ela freqüentava uma escola particular.

Conversamos por todo o caminho de volta para casa e eu carreguei seus livros. Ela se revelou uma garota bem legal.

Perguntei se ela queria ir no Shopping no Sábado comigo e minhas amigas. Ela disse que sim. Ficamos juntas todo o final de semana e quanto mais eu conhecia Ditzy, mais gostava dela.

Minhas amigas pensavam da mesma forma.

Chegava a Segunda-Feira e lá estava a Ditzy com aquela quantidade imensa de livros outra vez! Eu a parei e disse:

“Nossa garota, você vai ficar musculosa carregando essa pilha de livros assim todos os dias!’.

Ela simplesmente riu e me entregou metade dos livros. Nos quatro anos seguintes, Ditzy e eu nos tornamos mais amigas, mais unidas. Quando estávamos nos formando no segundo grau, começamos a pensar em Faculdade.

Nós duas fomos para a mesma Universidade, mas o campus do curso dela ficava em Cloudsdalle e o meu em Manehattan. Eu sabia que seríamos sempre amigas, que a distância nunca seria um problema. No dia da formatura, Ditzy foi eleita a oradora oficial. Eu a provocava o tempo todo sobre ela ser uma C.D.F.

Ela teve que preparar um discurso de formatura e eu estava super contente por não ser eu quem deveria subir lá no palanque para discursar.

No dia da Formatura, Ditzy estava ótima.

Parecia em forma, com as asas majestosas e mesmo possuindo olhos diferentes (ela tinha estrabismo), sua aparência estava incrível.

De criança que sofria bullying, ela se tornou uma das acadêmicas mais admiradas da faculdade.

Eu podia ver o quanto ela estava nervosa sobre o discurso. Então, dei-lhe um tapinha nas costas e disse: ‘Ei, garota, você vai se sair bem!’

Ela olhava para mim com aquele olhar de gratidão, sorria e dizia:

“Valeu!”

Quando ela subia no oratório, limpava a garganta e começava o discurso:

“A Formatura é uma época para agradecermos àqueles que nos ajudaram durante todos estes anos duros. Seus pais, professores, irmãos, talvez até um treinador, mas principalmente aos seus amigos. Eu estou aqui para lhes dizer que ser uma amiga ou amigo para alguém, significa sempre lhes desejar o bem, e esse é o melhor presente que vocês podem lhes dar. Vou contar-lhes uma história…”

Eu olhava para a minha amiga sem conseguir acreditar enquanto ela contava a história sobre o primeiro dia em que nos conhecemos. Ela havia planejado se matar naquele final de semana! Contava a todos como havia esvaziado seu armário na escola, para que sua mãe não tivesse o trabalho de fazer isso depois que ela morresse e por isso estava levando todos os seus livros para casa.

Ela olhava diretamente em meus olhos e dava um pequeno sorriso.

“Felizmente, minha amiga me salvou de fazer algo inominável!” Eu observava o nó na garganta de todos na plateia enquanto aquela pegasus admirada por todos e bonita contava sobre aquele seu momento de fraqueza.

Vi sua mãe e seu pai olhando para mim e sorrindo com a mesma gratidão.

Até aquele momento, eu jamais tive ideia da profundidade do sorriso que ela havia me dado naquele dia.

Nunca subestime o poder de suas ações. Com um pequeno gesto você pode mudar a vida de uma pessoa. Para melhor ou para pior.

Deus nos coloca na vida dos outros para que tenhamos um impacto, uns sobre o outro de alguma forma.

Fonte: http://www.refletirpararefletir.com.br

Perdoe

 

Era uma vez um rapaz que ia muito mal na escola. Sua notas e comportamento eram uma decepção para seus pais que sonhavam vê-lo formado e bem sucedido. Um belo dia, o bom pai lhe propôs um acordo: “se você, meu filho, mudar o comportamento, se dedicar aos estudos e conseguir ser aprovado no vestibular, lhe darei então um carro de presente”. Por causa do carro, o rapaz mudou da água para o vinho. Passou a estudar como nunca e a ter um comportamento exemplar. O pai estava feliz, mas tinha uma preocupação. Sabia que a mudança do rapaz não era fruto de uma transformação sincera, mas apenas do interesse em obter o automóvel. Isso era mau!
O rapaz seguia os estudos e aguardava o resultado de seus esforços. Assim, o grande dia chegou! Fora aprovado para o curso de Medicina. Como havia prometido, o pai convidou a família e os amigos para uma festa de comemoração. O rapaz tinha por certo que na festa o pai lhe daria o automóvel. Quando pediu a palavra, o pai elogiou o resultado obtido pelo filho e lhe passou às mãos uma caixa de presente. Acreditando que ali estavam as chaves do carro, o rapaz abriu emocionado o pacote. Para sua surpresa era um livro. O rapaz ficou visivelmente decepcionado e nada disse.
A partir daquele dia, o silêncio e distância separavam pai e filho. O jovem se sentia traído e, agora, lutava para ser independente. Deixou a casa dos pais e foi morar no Campus da Universidade. Raramente mandava notícias à família. O tempo passou, ele se formou, conseguiu um emprego em um bom hospital e se esqueceu completamente do pai. Todas as tentativas do pai para reatar os laços foram em vão.
Quando estava no último ano da faculdade, o rapaz, que nunca perdoara o pai, ao procurar em sua estante livros para o trabalho de conclusão de curso, achou aquele que o seu pai havia lhe dado, e do qual fez questão nem mesmo de abri-lo por todos esses anos. Ao abri-lo, encontrou uma carta e um cheque. A carta dizia: “Meu querido filho, sei o quanto você deseja ter um carro. Eu prometi e aqui está o cheque para que você escolha aquele que mais lhe agradar. No entanto, fiz questão de lhe dar um presente ainda melhor: A Bíblia Sagrada. Nela aprenderás o Amor a Deus e a fazer o bem, não pelo prazer da recompensa, mas pela gratidão e pelo dever de consciência”. Corroído de remorso, o filho caiu em profundo pranto. Como é triste a vida dos que não sabem perdoar. Isso leva a erros terríveis e até a um fim ainda pior. Antes que seja tarde, perdoe aquele a quem você pensa ter lhe feito mal. Talvez se olhar com cuidado, verá que há também um “cheque escondido” em todas as adversidades da vida.

Fonte: http://www.refletirpararefletir.com.br

Star Swirl explica o amor a peixe

Amor é uma palavra que em nossa cultura quase perdeu seu sentido. Existe uma história muito interessante da Princesa Celestia. Ela passava por um jovem que estava claramente deliciando-se em um prato de peixe que comia próximo de um lago. Ela fez uma pergunta um tanto óbvia ao jovem, mas ainda assim com um claro sentido: “Por que você está comendo esse peixe?” E o jovem respondeu: “Porque eu amo peixe!” Celestia responde: “Ah, você ama o peixe e por isso o tirou da água, o matou e o ferveu. Não me diga que você ama o peixe. Você ama a si mesmo. E porque o peixe é gostoso na sua opinião, você o tirou da água, o matou e ferveu.” Por isso que muito do que chamam de “amor” é conhecido como “amor a peixe”. Por exemplo, um casal de jovens se apaixona, o que isso significa? Significa que o homem viu na mulher alguém que ele acreditou que poderia prover todas as suas necessidades emocionais e físicas, e ela sentiu que esse homem poderia fazer o mesmo por ela. Isso foi amor, mas ambos estão obviamente olhando para as próprias necessidades. Logo, não é amor pelo outro, e sim uma forma de amar a si mesmo através do outro. A outra pessoa se torna um veículo para a minha satisfação. Isso é amor a peixe. O amor verdadeiro nunca é sobre o que vou receber. Havia um professor de ética, que disse que as pessoas cometem um erro grave ao pensar que “você dá àqueles que você ama”. Mas a verdadeira resposta é “você ama aqueles a quem você dá.” E seu argumento é que se eu dou algo a você, eu me investi em você. E já que amor próprio é natural, todos amam a si mesmos, mas agora que parte de mim está em você, há uma parte de mim em você que eu amo. Então, o amor verdadeiro é um amor que dá, não que recebe.

Texto: Abrahan Twerski