O melhor presente de natal

Natal

Fonte: cdn-img.fimfiction.net

SINOPSE: É quase véspera de Natal, e todos os alunos de Cheerilee estão ansiosos para passarem as férias em casa com suas famílias. Todos, exceto Scootaloo. Suas duas melhores amigas estão prestes a descobrirem que às vezes, amizade é o melhor presente que você pode dar.

Autor: JasonTheHuman

***

A última semana de aula antes do recesso natalino era sempre a mais demorada.

A escola de Ponyville estava cheia de conversas de alunos planejando o que fazer nas próximas semanas. Havia conversas sobre como passar as férias, visitas para ver parentes distantes e até mesmo previsões sobre os presentes que iriam receber. O natal era sinônimo de ficar sem aula, nenhuma lição de casa, e o melhor de tudo: presentes.

Sweetie Belle estava sentada em sua escrivaninha situada na parte de tráz da sala de aula ansiosa, ouvindo Cheerilee explicar as frações matemáticas com um pouco de entusiasmo, até que o sinal do recreio a acordasse de volta. Ela pegava sua lancheira e caminhava para a porta com Apple Bloom e Scootaloo.

Mas antes de saírem da sala, Cheerilee as parava. “Scootaloo, posso falar com você por um minuto?”

“Claro! Scootaloo olhava para as amigas e em seguida acenava para elas. “Vão na frente, eu alcanço vocês!”

“Nos encontraremos lá fora então, no lugar de sempre,” dizia Apple Bloom.

Elas saíam para o ar frio. Ainda não havia nevado, mas a grama já estava com uma fina camada de geada branca e os céus estavam opacos e cinzentos. As duas foram até o “lugar de sempre”, que era uma mesa de piquenique de madeira perto do parquinho, onde abriam suas respectivas lancheiras.

Sweetie Belle pegava um amburguer de pepino, o que significava que Rarity deve ter feito o lanche dela hoje. Essa era uma das especialidades da irmã. Apple Bloom tinha alguns queijos e bolachas, juntamente com uma garrafa de suco de maçã caseiro.

“Oi pessoal! Estou de volta!” Gritava Scootaloo alguns minutos depois.

“Foi rápido, nem abrimos as lancheiras direito,” dizia Apple Bloom. “O que a professora Cheerilee queria?”

Scootaloo abaixava os olhos. “Oh, uh… que eu participasse do festival do Dia da Família novamente.”

Sweetie Belle dava uma mordida em seu amburguer de pepino. “Não era pra você participar desse festival algumas semanas atrás?” Ela perguntava com a boca cheia.

“Era, mas meus pais estavam… fora da cidade novamente,” dizia Scootaloo, sentando-se ao lado delas. “Então Ruby Pinch acabou indo no meu lugar. E agora Cheerilee está perguntando se eu poderia participar esta semana antes da escola entrar em recesso natalino, mas novamente não sei se meus pais estarão na cidade.”

“Eles parecem viajar muito,” dizia Apple Bloom. “Acho que nunca os conheci.”

“Sim. Eles são… muito ocupados.”

“O que eles fazem?”

“Sabe como é. Muito trabalho, essas coisas,” Scootaloo dizia. Ela abria a lancheira e vasculhava através dela. A pegaso laranja pegava uma caixa de leite de soja, abria e tomava um gole. “De qualquer forma, eu perguntei a ela se eu poderia ir com Rainbow Dash, já que somos irmãs agora. Ela é praticamente da família para mim.”

“Aposto que a Rainbow teria um monte de histórias legais para contar no festival,” dizia Apple Bloom. “Mas não há mais ninguém que você poderia chamar? Nenhum de seus pais poderia ir com você?”

“Bem, não.” Scootaloo dava de ombros. “Não é minha culpa se a professora Cheerilee sempre me indica para o evento do Dia da Família quando eles estão fora da cidade.”

“Talvez você possa ir depois que aula acabar! Porque na hora do almoço seus pais devem voltar, certo? ”Sweetie Belle dizia. “Quero dizer, a menos que Rainbow Dash possa ir.”

“Sim. Talvez.”

Scootaloo terminava seu leite em mais alguns goles e sentava-se, assistindo suas amigas terminarem seus lanches. Apple Bloom dava uma olhada, observando a amiga.

“Acho que tenho uma maçã extra na minha bolsa, se você ainda estiver com fome. Quer Scootaloo?” Perguntava Apple Bloom.

“Hã? Não, obrigada. Estou bem.” Respondia Scootaloo.

“Não mesmo? Applejack sempre me dá umas maçãs a mais para o lanche da tarde.”

Scootaloo sacudia a cabeça. “Já tomei um bom café da manhă hoje cedo. Estou satisfeita, mas obrigada.”

“Normalmente você não traz muita coisa pra comer,” dizia Sweetie Belle. “Geralmente só te vejo com uma caixa de leite de amêndoas ou de soja ou algo assim. Às vezes você nem traz nada.”

“Bem, hum, isso é porque eu tomo muito café da manhã todos os dias!” Scootaloo dizia, com um sorriso meio desajeitado. “É uma espécie de rotina, sabe? Eu como muito de manhã e isso me dá energia para aproveitar praticamente o dia todo! ”

“Applejack sempre fala que o café da manhã é a refeição mais importante do dia, mas eu nunca dei bola” dizia Apple Bloom, encolhendo os ombros.

Scootaloo assentia, mas ainda estava olhando a maçã que saía da mochila da Apple Bloom. Por um momento, ela não dizia nada.

“Mas se você não vai comer tudo bem.”

“Tá no casco!” Apple Bloom estendia o casco com a maçã para ela.

“Obrigada.” Scootaloo repetia o gesto estendendo o casco, hesitando por um momento, e em seguida pegava a fruta. Ela dava uma mordida, depois falava de novo. Sua energia habitual parecia ter retornado. “Então, qual é o nosso plano hoje? O recesso natalino significa ainda mais tempo para tentarmos obter as nossas marcas!”

Apple Bloom pensava por um momento. “Há muitas colinas grandes na fazenda. Aposto que poderíamos tentar usar um trenó.”

“E patinação no gelo? Ouvi dizer que é divertido no inverno,” sugeria Sweetie Belle.

“Mas onde vamos conseguir patins?” Perguntava Apple Bloom.

“Aposto que podemos encontrar em algum lugar na cidade…” Sweetie Belle batia o queixo em pensamentos.

Elas ouviam Diamond Tiara e Silver Spoon falando e rindo alto antes de vê-las aparecerem. Ambas estavam usando cachecois que combinavam as cores.

“Papai contratou um fornecedor profissional para a nossa festa este ano. Um dos chefs mais famosos de Canterlot.” Dizia Diamond Tiara.

“Isso parece incrível. Virão quantos convidados?” Perguntava Silver Spoon.

“Oh, estamos esperando muitos. Mas na verdade, qualquer pônei está convidado para a nossa super festa especial de natal,” dizia Diamond Tiara. Ela fazia uma pausa, notando as três sentadas na mesa e dava um sorriso maroto. “Então, mas acho que vocês três não estarão na festa, não é mesmo?”

Ela e Silver Spoon riam e se viravam para irem embora. O rosto de Sweetie Belle ficava vermelho, e ela começava a se levantar antes que Apple Bloom a segurasse.

“Pois nós não iríamos mesmo se você nos convidasse!” A voz de Sweetie Belle falhava enquanto ela gritava atrás delas. Elas nem se viravam.

“Calma, Sweetie Belle”, dizia Apple Bloom. “Eu certamente não vou sentir saudade dessas duas quando a escola entrar em recesso.”

Scootaloo ficava sentada em silêncio o tempo todo. Ela dava uma mordida na maçã e mastigava devagar. “Eu simplesmente não suporto ela. Diamond Tiara acha que é melhor do que qualquer outra só porque ela tem pais com dinheiro.”

“Eles são a família mais rica em Ponyville…” Sweetie Belle lembrava.

Scootaloo sacudia a cabeça com um suspiro. “Tanto faz. Não importa mesmo.”

O sinal da escola soava novamente, e elas saltavam das mesas voltando para o interior da escola. Cheerilee caminhava até a lousa e começava a escrever, o giz batendo intermitentemente no quadro.

“Como o natal está perto, pensei que a aula de história de hoje deveria ser sobre a fundação da Equestria! Alguém pode me dizer os nomes dos líderes dos pégasus, unicórnios e dos pôneis terrestres que são lembrados durante este feriado? ”Cheerilee olhava esperançosa para os alunos.

Apple Bloom se acomodava em sua escrivaninha para esperar o resto do dia. Ela olhava para Scootaloo e a via descansando a cabeça no livro aberto, roncando baixinho.

O primeiro dia de folga havia chegado e trazia consigo um cobertor de neve. Apple Bloom acordava naquela manhã, olhava pela janela para a pitoresca paisagem de inverno e sabia instantaneamente o que tinha que fazer.

Levou alguns minutos para sair da cama, vestir um cachecol e botas e sair correndo pela porta da frente, mas a pegaso laranja já estava no clube das Cutie Mark Cruzaders em tempo recorde, situado na casa da árvore. Scootaloo estava esperando sentada e folheando uma revista em quadrinhos no clube. Sweetie Belle tinha aparecido poucos minutos depois, enrolada em um elegante chapéu e cachecol que Rarity havia feito para ela.

A neve já era de vários centímetros de espessura, perfeita para brincarem. Elas passavam algumas horas construindo paredes para uma fortaleza de neve.

Sweetie Belle olhava em volta da fortaleza que elas construíram. “Mas vocês realmente acham que podemos ganhar nossas marcas especiais construindo coisas da neve?”

Uma bola de neve batia na lateral do rosto dela, e ela ouvia Scootaloo rindo. “Eu não sei, mas é divertido!”

Sacudindo a neve de seu rosto e reajustando seu chapéu, Sweetie Belle rapidamente pulava para trás de uma das paredes da fortaleza de neve e começava a juntar mais neve em seus cascos. Apple Bloom reivindicava uma posição no centro, e Scootaloo estava na extremidade da clareira mais próxima do clube.

A batalha durava a maior parte da tarde, com alianças se formando e se dissolvendo, e territórios constantemente mudando de cascos. Bolas de neve voavam para a frente e para trás até o sol começar a se pôr atrás das árvores.

Eventualmente, Sweetie Belle gritava: “Trégua! Trégua! As três caminhavam em direção ao centro do campo e balançavam solenemente, declarando oficialmente a guerra. Apple Bloom não conseguia manter o semblante sério, e logo todas as três começavam a rir.

“Então o que vamos fazer agora? Hockey no gelo? Snowboard? Scootaloo tinha um largo sorriso no rosto.

“Que tal irmos para casa? Está ficando frio,” dizia Apple Bloom.

“Sim. Hoje foi divertido, mas acho que quero entrar e me aquecer também,” dizia Sweetie Belle. Ela bocejava. “Vejo vocês amanhã então!”

Ela começava a andar de volta para casa, mas Scootaloo a alcançava. “Tem certeza? Quer dizer, nós termos que aproveitar ao máximo as férias de natal! Não podemos perder nada disso!”

“Mas é apenas o primeiro dia,” dizia Sweetie Belle.

Scootaloo suspirava e suas asas baixavam. “Sim, tem razão. Vou ver o que a Rainbow Dash está fazendo então…”

“Não se preocupe, Scootaloo. Tenho certeza que vamos fazer muito mais coisas juntas nas férias antes das aulas voltarem,” dizia Apple Bloom.

Sweetie Belle de repente dava um pulo. “Oh! Oh sim! Eu esqueci de dizer a vocês algo importante! Rarity sempre prepara sua loja para a véspera de natal. Ela disse que poderíamos ajudar, e quem sabe poderíamos ser, tipo, as Cruzadoras da Decoração! ”

“Isso com certeza parece divertido!” Dizia Apple Bloom.

“Sim, e você sabe o que mais? Eu vou ver se ela deixa a gente fazer uma festa do pijama!” Sweetie Belle dizia.

“Ótimo! Eu estava esperando que pudéssemos ter uma festa dessas!” Dizia Scootaloo.

“Sim! Eu vou ter que pedir para a Applejack, mas acho que ela vai deixar,” dizia Apple Bloom. “Nos veremos então!”

As três se separavam em direções opostas, deixando três marcas de pegadas na neve.

“Estou tão feliz que você recrutou suas amiguinhas para me ajudar a decorar, querida,” dizia Rarity. Ela ficava na frente de uma pilha de caixas de papelão com os rótulos: “Decorações de Natal.” As Cutie Mark Crusaders estavam alinhadas, prontas para começarem a trabalhar. “E vocês duas têm certeza que suas famílias deixaram vocês dormirem aqui?”

“Sim! Applejack disse que tudo estaria bem,” dizia Apple Bloom.

“E os pais de Scootaloo se foram, então eles provavelmente não se importam,” acrescentava Sweetie Belle.

“Se foram?” Rarity perguntava, franzindo a testa. “O que você quer dizer com…”

“Viajando,” dizia Scootaloo rapidamente. “Então sem problemas.”

“Bem, então…” dizia Rarity, pensativa sobre os pais de Scootaloo viajarem na semana de natal sem a filha. “As mesmas regras de sempre, ok? Não toquem em nenhum dos meus suprimentos sem minha permissão. Vocês devem estar na cama às dez e meia da noite e nem um minuto a mais. Não corram pela loja. E, por favor, sem muito barulho, tentem manter o volume no mínimo.”

Sweetie Belle mergulhava de cabeça em uma das caixas e saía coberta de enfeites e guirlandas. “Onde nós começamos?” Ela perguntava.

Rarity mordia o lábio. “Eu estava pensando que vocês três poderiam começar com a árvore.” Ela apontava o pinheiro alto e esbelto no canto. Vou pendurar as coroas de flores nas janelas do andar de cima. Pensei em decorar com um estilo mais tradicional este ano. Ir a Canterlot no ano passado me deu todo tipo de novas idéias. ”

Uma das caixas começava a brilhar com uma suave luz azul, e várias grinaldas flutuavam com grandes fitas vermelhas e douradas amarradas em laços. Rarity inspecionava uma delas com uma expressão de desaprovação. “Um pouco desigual. Isso certamente vai precisar ser corrigido… ”

Enquanto ela corria e subia as escadas, as três foram deixadas para cuidar do resto. Sweetie Belle começava a abrir as outras caixas e a vasculhá-las.

“Então, o que vamos colocar na árvore?” Scootaloo perguntava, observando-a.

Sweetie Belle tirava a cabeça de uma caixa e passava para a próxima. “Rarity tem uns enfeites em algum lugar.” Ela verificava a próxima caixa. “Aqui estão eles!”

Apple Bloom pegava uma das bolas de natal vermelha e olhava para ela, com seu próprio reflexo distorcido olhando de volta. “Na minha casa, na maioria das vezes, temos nossos próprios enfeites caseiros. Todos estes parecem tão sofisticados.”

“Sim. Rarity diz que esses estão mais na moda para sua butique, ou algo assim.”

“Então, o que fazemos com eles?” Perguntava Scootaloo.

“Você sabe. Nunca decorou uma árvore antes?” Perguntava Apple Bloom. “Porque eu ajudo minha família com a nossa todos os anos!”

“Eu não posso dizer que sim,” dizia Scootaloo. Ela tentava sorrir, mas estava claramente envergonhada. “Mas me diga o que fazer e aposto que posso descobrir.”

“Mesmo? Huh… ” Sweetie Belle disse. Ela olhava para Scootaloo por um momento, depois seu rosto se iluminava novamente. “É fácil! Vou mostrar como Rarity e eu sempre fazemos.”

Elas corriam para onde a árvore verde recém cortada já estava apoiada no suporte. Apple Bloom empurrava a caixa de ornamentos e as três olhavam para a árvore.

“Mas como vamos colocar todos os enfeites nessa árvore enorme?” Scootaloo perguntava.

Sweetie Belle apertava os olhos. “Isso pode ser um problema…”

Rarity retornava com três canecas de chocolate quente levitando ao seu lado.

“Parece maravilhoso, meninas, muito obrigada pela ajud…”

Ela parava egolindo seco o que via. Scootaloo, estendendo o casco para enganchar uma única bola de natal em um dos galhos mais altos, estava de pé em cima de Sweetie Belle, que estava de pé em cima de Apple Bloom em uma torre precária ao lado da árvore.

“Não colocou ainda, Scootaloo?” Apple Bloom dizia ofegante, esforçando-se sob o peso.

Scootaloo se inclinava, rangendo os dentes e se esticava o mais perto que conseguia. “Qua… quase lá!”

“Meninas! Desçam imediatamente!” Rarity gritava.

Scootaloo pulava e revirava os olhos. “Nós estávamos sendo cuidadosas…”

Apple Bloom soltava um suspiro e desabava no chão. “Talvez Rarity tenha um ponto. Eu não tenho certeza de quanto tempo eu seria capaz de segurar vocês duas.”

“Eu acho que…” Sweetie Belle dizia. Ela pegava uma das canecas fumegantes de Rarity. “Nós estávamos apenas tentando ajudar.”

“Vocês podem ajudar de um jeito menos perigoso e sem tanta bagunça,” dizia Rarity.

“Desculpe, Rarity,” Sweetie Belle murmurava.

Rarity dava um suspiro de exasperação e balançava a cabeça. Um fio de ouro se erguia da caixa como uma serpente sendo enfeitiçada, e ela começava a envolvê-lo em volta da árvore em espiral. Rarity fazia uma pausa por um momento, olhava para as três e dizia: “Suponho que vocês possam ajudar com os galhos mais baixos.”

As três trocavam olhares, depois Sweetie Belle trotava e tirava mais alguns enfeites. Scootaloo e Apple Bloom seguiam o exemplo.

No final do dia, a Botique Carrossel estava completamente transformada. Decorações em verde, vermelho e dourado estavam penduradas nas paredes, e a árvore brilhava com as lantejoulas.

A crina de Rarity estava levemente bagunçada, mas ela sorria. “Obrigada pela ajuda garotas,” dizia ela, examinando os resultados.

“Isso foi ótimo. Eu nunca percebi o quanto foi divertido!” Scootaloo dizia, olhando para a guirlanda que decorava a sala.

“Este foi um dos melhores natais! E é melhor ainda quando nós estamos juntas nos ajudando,” acrescentava Sweetie Belle.

“Mas está ficando tarde agora,” dizia Rarity, olhando pela janela. No escuro, flocos de neve podiam ser vistos descendo como minúsculos pedaços de luz que sopravam ao vento e se acumulavam nas bordas da janela. “Vocês três não devem se arrumar para a cama?”

“Já?” Sweetie Belle choramingava.

“Lembrem-se do que eu disse. Dez e meia.” A resposta de Rarity era curta. “Estou esperando clientes amanhã bem cedo. Agora subam as escadas e se arrumem.”

As três se aborreceram caminhando até as escadas, em direção ao quarto de Sweetie Belle. O quarto já estava arrumado para elas. Havia apenas uma cama, mas ainda era larga o suficiente para caber todas elas confortavelmente. Sweetie Belle pulava em cima.

“Se ficarmos quietas, Rarity não saberá que estamos acordadas e poderemos ficar acordadas a noite toda!” Ela dizia.

Apple Bloom sorria. “Sim! Nós sempre dizíamos que um dia íamos ficar acordadas até tarde, e hoje é o dia!”

“Não sei quanto a vocês, mas eu não estou com sono!” Sweetie Belle acrescentava, pulando para cima e para baixo. “De todas as festas do pijama das Cutie Mark Crusader, esta será a melhor de todas!”

“Sim!” As três gritavam juntas.

Três batidas fortes chegavam à porta. “Lembram do que falei sobre o volume baixo senhoritas?” a voz de Rarity ecoava.

“Uh, entendido!” Apple Bloom respondia. Ela trocava um olhar com as amigas, e todas seguravam suas risadinhas.

“Às vezes, nós deveríamos ter uma festa do pijama em sua casa, Scootaloo,” dizia Sweetie Belle, dando uma cutucada nela.

Scootaloo olhava para ela com os olhos arregalados. “Minha casa? Eu não sei. Eu gosto de fazer isso aqui, ou na casa da Apple Bloom,” dizia Scootaloo. “Ou talvez Fluttershy nos deixasse ficar novamente.”

“Provavelmente não depois da última vez,” disse Apple Bloom. Elas riam enquanto se lembravam daquela noite. “Mas o que há de errado com a sua casa, Scootaloo? Quer dizer, tenho certeza que você tem uma casa muito legal.”

“Não é isso. É apenas… muito difícil, desde que meus pais…”

“Oh sim,” dizia Sweetie Belle. “Você disse que eles não estão sempre por perto.”

“Sim,” respondia Scootaloo em voz baixa. “Uh, eu vou descer as escadas e pegar um copo de água.”

Apple Bloom e Sweetie Belle esperavam que Scootaloo saísse do quarto. Uma vez que elas ouviram seus passos batendo nas escadas abaixo, as duas se entreolhavam.

“Você notou alguma coisa estranha sobre a Scootaloo ultimamente? A situação toda com os pais dela, e agora ela diz que nunca decorou uma árvore antes…” Sussurrava Apple Bloom.

“O que você quer dizer?” Sweetie Belle perguntava.

“Estou começando a suspeitar que há uma razão pela qual nunca vimos a família dela ou a casa dela. Pense bem! Somos suas melhores amigas há mais de um ano e nunca os vimos!”

“Então você quer dizer… talvez ela não tenha realmente uma família, ou uma casa?” Sweetie Belle olhava para baixo na direção de seus cascos, franzindo a testa.

Apple Bloom assentia. “No começo, eu não conseguia acreditar, mas o que mais faz sentido? Ela está sempre tão animada sempre que dormimos na minha casa ou na sua, mas ela nunca fala sobre sua própria casa. Como conseguimos passar despercebidas por isso?”

“Ela nunca parece querer ir pra casa depois que terminamos de brincar…” acrescentava Sweetie Belle. “Eu me sinto tão mal. O que deveríamos fazer?”

“Acho que não devemos dizer nada”. Ela vai ficar envergonhada se nós perguntarmos,” disse Apple Bloom. “Mas nós provavelmente deveríamos fazer alguma coisa por ela. É a época de natal, da amizade e generosidade.”

A porta se abria silenciosamente e Scootaloo voltava para o quarto, saindo do corredor escuro. Ela dava uma rápida olhada atrás dela. “Acho que Rarity já está dormindo.”

“Oh. Sim. ”Sweetie Belle se mexia desconfortavelmente. “Então…”

“Quem está pronta para não ir para a cama?” Perguntava Apple Bloom repentinamente. Ela voltava à sua alegria habitual, aparentemente sem nenhuma preocupação em sua voz. “A primeira festa do pijamas das Cutie Mark Cruzaders oficialmente começa agora!”

Scootaloo sorria. “Viva!”

Já era mais de onze e meia da noite, elas procuravam manter suas vozes baixas para que Rarity não as escutasse, mas no final a conversa delas desacelerava e as três desmoronavam uma a uma. Scootaloo parecia adormecer no momento em que sua cabeça batia no travesseiro. Apple Bloom, no entanto, não conseguia. Ela se mexia e virava por um tempo, obervando Scootaloo, imaginando onde sua amiga estaria dormindo esta noite se ela não estivesse com elas.

Foram alguns dias depois. Apenas dois dias antes da véspera de natal.

Todas as lojas em Ponyville estavam cheias de pôneis fazendo compras de natal de última hora. Havia uma fila pela porta do Torrão de Açúcar, e no meio de todo o caos, Sweetie Belle notava alguns colegas da escola construindo um boneco de neve desequilibrado na praça da cidade.

Normalmente ela teria amado todas as atrações festivas, mas hoje ela estava imersa em pensamentos enquanto caminhava pelas lojas. Ela deveria estar procurando por presentes para seus pais e Rarity, mas não importava o quanto tentasse, não conseguia tirar Scootaloo da cabeça. Ela simplesmente não podia deixar de se perguntar se Scootaloo alguma vez ganhara um presente de natal.

Ela conseguia erguer os olhos bem a tempo de ver Rainbow Dash chutando algumas nuvens cinzentas e afastando as outras do caminho.

“Rainbow Dash!” Sweetie Belle gritava.

Rainbow parava no ar e se virava na direção de onde vinha o grito. “Oh, e aí Sweetie Belle! Tudo bem?”

“Eu estive pensando…” Sweetie Belle tentava pensar na melhor maneira de fazer a pergunta. “Você já conheceu a família de Scootaloo? Como eles são?”

“Bem…” Rainbow Dash diminuía a altitude que distanciava as duas e pensava por um momento. “Na verdade, não consigo me lembrar dela dizendo alguma coisa sobre eles. Achei que você provavelmente os conhecia.”

“E a casa dela? Você já visitou?”

“Não. Ela geralmente vem e fica na minha casa, mas quem pode culpá-la?” Rainbow Dash dizia com um encolher de ombros casual. “É, sem dúvida, a casa mais legal do mundo. Eu geralmente tenho que carregá-la até a porta da frente, porém. É estranho. Meus pais me ensinaram a voar quando eu tinha metade da idade dela.”

“Oh,” Sweetie Belle dizia em uma voz calma.

“Mas ela nunca convidou você e a Apple Bloom? Há quanto tempo vocês três se conheceram?”

Sweetie Belle era atingida por uma pontada de culpa novamente. Ela não queria responder. “E se você a convidar para a véspera de natal? Já que vocês são duas irmãs agora?”

Rainbow Dash balançava a cabeça. “Não dá. Depois de cuidar dessas nuvens vou para Cloudsdale receber meus parentes para o natal. Além disso, a Scoot provavelmente vai passar o dia com a família de verdade dela, quem quer que eles sejam.”

“Mas…!”

Antes que Sweetie Belle pudesse terminar, Rainbow Dash voava rápido ganhando altitude, ficando fora de vista. Ela chutava o chão em frustração, lançando uma rajada de neve.

Olhando ao redor da rua, ela tentava se concentrar em escolher presentes. O distinto teto azul da loja de chapéus, com a maior parte coberto de neve, imediatamente chamava sua atenção. Era tão difícil prever o que Rarity adoraria ou odiaria completamente. E a joalheria era tão cara …

“Ei, Sweetie Belle!”

Ela se virava para ver Apple Bloom enrolada em um chapéu e cachecol. “Olá! Eu estava aqui tentando encontrar presentes…”

“O mesmo aqui.” Apple Bloom assentia.

“Mas não consigo parar de pensar em…” A voz de Sweetie Belle sumia.

“Scootaloo?” Dizia Apple Bloom, e Sweetie Belle assentia com tristeza. “Sim. O mesmo aqui.”

Com o canto do olho, Sweetie Belle notava algo laranja e fazia sinal para Apple Bloom ficar quieta.

“Aí estão vocês! Então, o que vamos fazer hoje? ”Scootaloo perguntava. “Patinação? Decoração de novo? Aposto que seria uma ótima marca especial!” Seus olhos pareciam iluminar com o pensamento.

“Na verdade, não posso fazer nada hoje,” dizia Apple Bloom. “Tenho que ir pra casa ajudar nos preparativos para recebermos toda a família Apple. Desculpa.”

“Estou ocupada hoje também. Eu meio que adiei comprar presentes este ano,” complementava Sweetie Belle. “E são só mais dois dias até o natal.”

“Mesmo?” Scootaloo recuava surpresa. “Acho que perdi totalmente a noção do tempo.”

“Sim. Normalmente, os últimos dias que antecedem o natal demoram muito pra passar,” dizia Sweetie Belle. “Mas algo está diferente este ano.”

“De qualquer forma, acho que vamos nos encontrar mais tarde, Scootaloo,” dizia Apple Bloom. “Mas por hora é melhor eu voltar.”

“Vocês têm lugares para estar. Eu entendo,” dizia Scootaloo, assentindo. Seu sorriso desaparecia. “Quero dizer, é apenas difícil… ter que passar o natal sozinha. Vocês realmente não entenderiam.”

Sweetie Belle e Applebloom olhavam para ela, sem palavras.

Scootaloo sacudia a cabeça. “Deixa pra lá. Não se preocupem comigo. Acabaremos nos encontrando mais tarde e continuaremos tentando ganhar as nossas marcas especiais!” Scootaloo estava sorrindo de novo, mas também parecia que estava se esforçando muito.

“Uh… sim.” Sweetie Belle olhava para Apple Bloom.

“Nos vemos mais tarde então,” disse Apple Bloom. “Tenha, uh… tenha um bom natal, Scootaloo.”

“Obrigada. Vocês também.” Scootaloo se virava e ia embora até que a perdessem no meio da multidão.

Apple Bloom se virava para Sweetie Belle, que parecia tão preocupada quanto ela. “É pior do que pensamos! Scootaloo não tem ninguém para passar o natal!”

“O que devemos fazer?”

Apple Bloom pensava por um momento. “Reunião de emergência das Cutie Mark Cruzaders na casa da árvore, esta tarde,” disse ela. “Bem… só nós duas, eu acho.”

Sweetie Belle assentia. “É melhor eu fazer essas compras logo então, te encontro lá.”

Um vento frio varria o ar e sacudia os galhos mortos das árvores. A casa da árvore era aconchegante, mas ainda não era a melhor proteção contra o frio que estava se instalando rapidamente. Apple Bloom parecia não notar enquanto andava de um lado para o outro sem parar.

“O que nós vamos fazer? É quase Véspera Natal, e temos apenas que fazer algo pela Scootaloo!” Dizia a pônei amarela.

“Eu até conversei com Rainbow Dash. Ela não sabe nada sobre a situação de Scootaloo…” Dizia Sweetie Belle. “Realmente cabe a nós duas.”

Apple Bloom olhava pela janela, para a luz alaranjada do pôr do sol brilhando na neve. “E tão pouco tempo também.”

“Todas as lojas estarão sem estoque logo, logo,” disse Sweetie Belle.

“Eu não sei. Talvez precisemos fazer outra coisa. Algo especial.” Apple Bloom não conseguia parar de pensar no que Scootaloo havia dito, sobre ter que passar o natal sozinha.

“Bem, seria uma notícia curta, mas minha família está tendo um grande encontro para as festas. Algumas das pessoas de fora da cidade estão chegando e vamos ter um grande banquete,” dizia Apple Bloom. “Aposto que Applejack não se importaria se nós convidássemos Scootaloo.”

“Sim!” Sweetie Belle dizia, pulando para cima. “Se você contar a ela sobre a situação de Scootaloo, ela com certeza vai concordar!”

“Afinal de contas, é a Noite de Natal,” Completava Apple Bloom.

A neve chiava do lado de fora e podia-se ouvir sons de passos se aproximando da porta da frente da casa da árvore. As duas instantaneamente ficavam em silêncio e fingiam que nada estava errado. Em alguns momentos, Scootaloo aparecia. Seus olhos estavam abatidos e ela mexia-se com um dos cascos da frente.

“Uh, ei, Scootaloo,” disse Apple Bloom. “Como sabia que estávamos aqui?”

“Ei pessoal,” disse Scootaloo, sorrindo fracamente. “Eu estava procurando por vocês. Está tudo bem?”

“Claro. Nós não estávamos falando de você,” respondia Sweetie Belle. Apple Bloom a cutucava. “Oof! Quero dizer, hum…”

“Está tudo bem, sério,” Disse Scootaloo. “Eu realmente ia dizer… bem…” Ela respirava fundo. “Vocês duas estão… convidadas para minha casa. Esta noite. Para a véspera do natal.”

Suas amigas a olhavam em silêncio, atordoadas. O vento uivava do lado de fora.

“O que? Na… na sua casa?” Perguntava Apple Bloom. “Mas isso é…”

“Eu sei,” interrompia Scootaloo. Ela revirava os olhos. “Não queria tomar o tempo de vocês com suas famílias. Geralmente eu não convido pôneis, e… e por um bom motivo. Ela franzia a testa e apontava para cada uma delas. “Ouçam, nenhum pônei da escola pode saber sobre isso, tudo bem?”

Sweetie Belle e Apple Bloom assentiam lentamente. Elas trocavam olhares nervosos.

“Mas…” Sweetie Belle começava.

“Você tem certeza disso, Scootaloo?” Dizia Apple Bloom. “Você realmente quer nos convidar?”

“Sim. Eu estive pensando sobre isso. Vocês deveriam saber a verdade cedo ou tarde, certo? ”Scootaloo dizia. “Vamos. Vou mostrar onde fica, mas exige um pouco de caminhada.”

Scootaloo virava-se e descia a escada, e depois de um momento de hesitação, as outras a seguiam. Não havia som a não ser o ruído da neve sob os cascos. Realmente era uma noite especialmente fria, mas Scootaloo não parecia incomodada com isso.

“Ei, Apple Bloom?” Sweetie Belle sussurrava, olhando para Scootaloo para ter certeza que ela não estava ouvindo. “O que você acha que Scootaloo quer dizer sobre estarmos convidadas para a casa dela?”

“Honestamente eu não sei,” respondia Apple Bloom. “Mas se ela quer fazer isso por nós, acho que por hora devemos acompanhá-la, depois vamos descobrir o que fazer por ela.”

“Eu sei,” respondia Sweetie Belle. “Me sinto mal aceitando tudo dela. Você sabe?”

Scootaloo se virava para verificar se elas ainda a estavam seguindo. “Vamos! Vamos pegar o atalho, mas ainda é um longo caminho.”

Elas estavam se distanciando da propriedade da família Apple, mas Scootaloo não as levava para Ponyville. As luzes da cidade brilhavam na neblina cinza de neve, ainda assim mantinham distância. Apple Bloom parava e colocava um casco para proteger os olhos do vento gelado, e via que Scootaloo estava indo em direção a Whitetail Woods.

O caminho estava quase coberto de neve, com apenas um único conjunto de pegadas quase expostos. Essas teriam sido os próprios rastros de Scootaloo. Ela era a única que seguia esse caminho, aparentemente. Não havia marcadores nem sinais. O caminho através da floresta em si era estreito.

“Só um pouco mais,” dizia Scootaloo. “Apenas… não fiquem muito surpresas quando chegarmos lá. Provavelmente não é o que vocês esperavam. Havia um ligeiro tremor em sua voz.

“É pior do que pensei…” Apple Bloom dizia em voz baixa. “Achei que Scootaloo, pelo menos, devia ter algum lugar na cidade em que ela se escondia. Não acho que haja nada aqui fora.”

“Talvez uma caverna. Ou uma árvore oca.” Respondia Sweetie Belle.

O caminho serpenteava ao redor de um lago congelado, várias árvores perenes. De certo modo, era bonito, mas Apple Bloom sentia os dentes batendo de frio. Era difícil dizer como elas estavam isoladas do resto de Ponyville agora. Apple Bloom olhava para trás e só podia ver um pouco da luz da cidade. Um pequeno ponto de calor no frio.

“Bem, chegamos.” disse Scootaloo.

Apple Bloom se virava. De alguma forma, ela não tinha notado aquela casa até aquele momento.

Scootaloo dava um sorriso tímido. “Eu avisei que poderia não ser o que vocês esperavam.”

Era uma casa de tijolos de aparência convidativa, recuada na floresta, onde ninguém tinha como vê-la até se aproximar, apesar do fato de ter três andares e ser bastante extensa. A neve cobria o muro de plantas que se extendiam a uma longa passarela de tijolos até a porta da frente. Havia luzes acesas nas janelas e fumaças subiam de uma das várias chaminés.

Demorou um minuto para Sweetie Belle encontrar sua voz. “Espere, isso não pode ser, pode?

Scootaloo já estava passando pelos pilares da varanda da frente. “Só venham para dentro, ok?” Espero que vocês estejam com fome. Eu disse aos mordomos para começarem o jantar antes de sair.”

“Mordomos?” Sweetie Belle e Apple Bloom disseram em um uníssono.

Elas trocavam olhares e corriam para alcançar Scootaloo. A pegaso laranja já estava empurrando a porta da frente e entrando como se fosse a dona do lugar, e por mais difícil fosse aceitar, ela o fez.

Um velho unicórnio com uma crina cinzenta penteada para trás cumprimentava Scootaloo com uma reverência. “Ah, a jovem madame voltou! São suas convidadas?” Sua voz tinha um traço de sotaque de Canterlot.

“Vamos, Silver,” dizia Scootaloo com um leve sorriso. “Você não precisa me cumprimentar o tempo todo.” Ela se virava para suas amigas e as apresentava. “Esta é a Apple Bloom e a Sweetie Belle. Eles vão ficar para o jantar hoje à noite.”

Sweetie Belle piscava, apenas observando o grande salão de entrada, sem sequer olhar para o mordomo. “Prazer em conhecê-lo…”

Scootaloo as conduzia pelo corredor. Escadarias curvas flanqueavam os dois lados, conduzindo a uma sacada até o segundo andar. Um lustre de cristal estava pendurado acima delas. As paredes estavam cobertas de pinturas e vasos caros ficavam em cima de pedestais.

“Aquele era Silver Platter, o chefe dos mordomos,” dizia Scootaloo, acenando na direção do mordomo enquanto saía pela porta lateral. “Se vocês precisarem de alguma coisa, podem simplesmente perguntar a uma das mordomas ou mordomos e eles vão cuidar disso.”

Sweetie Belle olhava para a guirlanda enrolada no corrimão da escada primorosamente esculpida. O cheiro de pinheiro fresco chegava ao nariz, mesmo à distância. “Pensei ter ouvido você dizer que nunca usou enfeites natalinos para decorar antes.”

“Sim, porque todos os mordomos fazem esse trabalho.” Scootaloo respondia. “Eu vou dar a eles dias de folga. Acho que não devo fazer nenhuma bagunça por enquanto. Não que eu possa garantir, é claro. ”

“Ainda não consigo acreditar que você mora aqui,” dizia Apple Bloom. “É tudo… fantasia e… e …”

“Não se preocupe em ser formal demais,” dizia Scootaloo. “Mesmo que seja um jantar de cinco pratos, somos apenas nós três esta noite, eu não me importo.”

“Cinco pratos?” Sweetie Belle deixava escapar. “Se Rarity estivesse aqui, ela ficaria totalmente louca!”

“É por isso que eu nunca gosto de trazer pôneis. Eu realmente não sou diferente de qualquer outra pessoa. ”Scootaloo revirava os olhos. “Vocês prometem que não vão contar nada, certo?”

“Claro,” dizia Apple Bloom, olhando distraidamente para seu próprio reflexo no chão de mármore polido enquanto caminhavam.

“Recebi a carta dos meus pais hoje dizendo que eles estariam em Canterlot para o natal, em uma importante reunião social, mais uma vez. Scootaloo suspirava. “Talvez um dia vocês possam conhecê-los. Eu contei a eles sobre vocês!”

“Então, seus pais ainda estão vivos!” Sweetie Belle dizia. Scootaloo se virava com uma sobrancelha levantada, e ela rapidamente acrescentava: “Por que eles não estariam? Eles enviam cartas para a escola o tempo todo, então…”

“Sim. Eles passam a maior parte do tempo em nossa casa em Canterlot, ou em Manehattan, onde a maioria dos escritórios da empresa está, ou na outra casa que fica em…”

“Quantas casas vocês têm?!” Perguntava Apple Bloom.

Scootaloo congelava. “Realmente não importa. De qualquer forma, aqui está a sala de jantar!”

Elas passavam por uma curva no refeitório, levando a uma sala cavernosa com uma grande lareira já crepitando. Uma mesa esculpida em madeira escura estendia-se diante delas, já armada de velas e pratos cobertos. Sweetie Belle finalmente era capaz de afastar os olhos de toda a comida e notava a grande pintura pendurada sobre a lareira.

Era um retrato muito real de Scootaloo, com dois unicórnios sentados em ambos os lados dela. Um era um garanhão com uma crina loura e do outro lado havia uma pônei violeta com um casco ao redor do ombro de Scootaloo.

“São os seus pais?” Ela perguntava. “Você nunca nos disse que os dois eram unicórnios.”

“Sim. Acho que temos alguns pégasos do lado da minha mãe, há algumas gerações atrás. Eu não acho que eles estavam realmente conscientes disso até o dia que eu nasci, ” dizia Scootaloo. Ela olhava para o quadro e franzia a testa. “A pintura é do ano passado. Espero que não tenhamos que fazer outro. É tão chato ficar parada por tanto tempo fazendo pose enquanto pintam nosso retrato.”

“E é por isso que eles não tinham como te ensinar a voar,” disse Sweetie Belle.

Scootaloo fazia uma careta. “Pois é, eles queriam contratar um instrutor, mas nunca encontramos ninguém melhor do que Rainbow Dash. E é a mesma coisa na escola. Você não tem ideia de como foi difícil convencê-los de me dar um professor particular. Eu nunca teria conhecido vocês, se isso tivesse acontecido!”

Scootaloo se virava e se dirigia até a mesa. Ela pulava em uma cadeira, e depois de um momento de hesitação, Apple Bloom e Sweetie Belle se sentavam ambas os lados dela. A mesa era comprida o suficiente para pelo menos mais quinze pôneis.

Mordomos chegavam e levantavam as tampas das panelas e pirex. Com movimentos ligeiros, eles saíam tão rapidamente quanto entravam. Scootaloo olhava para a comida, embora não fosse algo que as outras estivessem habituadas a ver.

“Parece que hoje teremos com carne de soja ao molho de Manehatan, couve com crudités e… Oh! Isso cheira a sopa de matsutake com champignon. É muito difícil conseguir nessa época do ano,” dizia Scootaloo.

Sweetie Belle apenas olhava para ela. “Você parece a Rarity…”

“Confie em mim, você vai gostar.”

“Você sempre come assim??” Apple Bloom perguntava, levantando uma sobrancelha.

Scootaloo sacudia a cabeça. “Isso é um pouco mais do que o normal, já que são as férias de natal. Mas às vezes, quase todos os domingos.”

Depois que Scootaloo começava a comer, Apple Bloom hesitantemente dava uma mordida. O gosto era tão difícil de descrever quanto o nome da comida era para pronunciar, mas ela tinha que admitir que era muito bom. Repentinamente, ela se lembrava do jantar que Applejack estava preparando antes. Não tinha comparação.

“Provavelmente eu deveria ter falado sobre minha família muito mais cedo,” dizia Scootaloo. “Aposto que vocês pensaram que eu era como qualquer outra pônei na cidade, vivendo em uma casa de campo de tamanho normal.”

“Você com certeza nos convenceu,” acrescentava Apple Bloom. Vendo Scootaloo naquela casa, era difícil imaginá-la encolhida em algum beco escuro e sujo tentando dormir sob um jornal encharcado.

“Por que você não nos disse antes?” Sweetie Belle perguntava. “Isso não é motivo para se envergonhar. Digo, Diamond Tiara e Silver Spoon ficariam com uma baita inveja!”

“Sim, sobre isso…” dizia Scootaloo. Ela comia mais um pouco e pensava por um momento. “Quando você tem muito dinheiro, suas amigas normalmente não estão por perto pelos motivos certos, por quem você é. Se é que você entende o que quero dizer. Não quero ser outra Diamond Tiara.”

“Faz sentido,” dizia Apple Bloom.

“Eu realmente deveria ter contado a vocês muito mais cedo, mas não sabia como. E detesto sentir que estou apenas me gabando da minha família,” dizia Scootaloo. Ela olhava para trás e para frente para qualquer uma delas. “Vocês não vão mudar só porque descobriram a verdade, não é? Vamos continuar sendo as mesmas amigas de sempre.”

“Mas é claro que vamos!” Respondia Apple Bloom.

“De qualquer forma, acho que posso dar a vocês uma turnê depois que comermos. Na áltima véspera de natal, meus pais me deram minha própria pista de skate indoor! É muito legal! Eu posso praticar todos os meus movimentos antes de mostrá-los pela cidade. Eu costumava esvaziar a piscina e usá-la como pista, mas a nova é muito melhor.”

Alguns outros mordomos entravam na sala de jantar, com mais pratos de comida e sobremesa levitando ao lado deles. Eles os estabeleciam na mesa e faziam uma reverência.

“Há mais alguma coisa que você queira, senhorita?”

Scootaloo sacudia a cabeça. “Não, obrigada. Tudo está ótimo, como de costume.”

Apple Bloom encostava-se na cadeira para observar os mordomos enquanto eles voltavam para a cozinha. Ela tinha ouvido falar de Applejack sobre como os tios Orange viviam na cidade grande, e como eles tinham seus próprios mordomos, mas isso era inacreditável.

“Ah, a propósito… vocês parecem ter ficado bem quietas ultimamente,” dizia Scootaloo. As duas balançavam a cabeça freneticamente, mas Scootaloo apenas sorria. “Acho que não me caiu a ficha. Vocês estavam planejando me dar presentes?”

Sweetie Belle cutucava a comida em seu prato. “Hum…”

“Uh, nós estávamos, mas… nosso presente nunca chegaria nesse nível,” dizia Apple Bloom.

“Não precisam se preocupar, sério.” respondia Scootaloo. “Passar o natal com minhas melhores amigas é o melhor presente que eu posso ter.” Ela fazia uma pausa, depois acrescentava: “E se alguém ouvir que eu estava dizendo coisas bobas como essa…”

Apple Bloom sorria. “Não se preocupe com isso.”

“Estamos felizes por você ter uma casa,” dizia Sweetie Belle.

Scootaloo fazia uma pausa no meio da mordida e olhava para ela. “Como assim? Por que eu não teria uma casa?”

“Bem, nós realmente achamos que você não tinha casa e nem pai e mãe.” A voz de Sweetie Belle ecoava na enorme sala. Em seguida, toda a mansão parecia ficar em silêncio. Havia apenas o som dos troncos estalando no fogo.

“É… uma longa história,” dizia Apple Bloom.

Esperança e desesperança

Ponyville

Fonte: cdn-img.fimfiction.net

SINOPSE: Em um dia quente de verão, Princesa Celestia caminhava pelos campos de Ponyville, onde acabou se deparando com um estranho “pônei”.

Autor: LittleKhan

***

“Bem, meus pequenos pôneis,” Princesa Celestia sorria enquanto saía do castelo de Twilight. “ Foi maravilhoso ver todas vocês novamente. E Fluttershy, obrigada por trazer aquela nova receita de chá, estava delicioso! ”Fluttershy corava e sorria.

“Oh, bem… disponha, alteza. Foi um prazer.” As outras caminhavam atrás dela e paravam no ar quente.

“Bem, todas vocês,” Dizia Applejack, “Foi uma ótima maneira de passar a manhã, mas tenho que voltar ao Rancho Maçã Doce, o Big Mac precisa de ajuda com o plantio”.

“Sim”, dizia Pinkie. “E eu tenho que pegar mais ingredientes na loja do BonBon. Tenho uma remessa de cupcakes para fazer no Torrão de Açúcar.” A princesa Celestia dava a todas outro sorriso caloroso.

“Bem, suponho que todas vocês tenham lugares para estar. Obrigada por passarem algum tempo comigo hoje. Tenha um bom dia, garotas.” Cinco das pôneis disseram seu adeus final e trotaram (ou voaram), embora uma permanecesse. Twilight Sparkle se virava para sua mentora.

“Bem, eu tenho que ir também, Celestia. Tenho um compromisso com a prefeita hoje. Códigos de impostos.” Ela fazia uma careta. Princesa Celestia ria.

“Boa sorte então, Princesa Twilight. Tenho certeza que você se sairá bem.” Twilight revirava os olhos.

“Tenho certeza que vou sobreviver. De qualquer forma, tenha um bom voo de volta!” Em seguida, ela saía correndo.

Princesa Celestia caminhava lentamente até onde seus guardas e a carruagem estavam. Era realmente um dia lindo. O céu era de um azul claro, enquanto apenas algumas nuvens brancas estavam espalhadas. Os pássaros chilreavam e cantavam, e uma brisa suave soprava pela grama. Ela parava na frente da carruagem, fechava os olhos, inclinava a cabeça para trás, respirava fundo e depois expirava. Momentos como esses eram mais raros do que ela gostaria. Canterlot e seus jardins tinham sua própria beleza, mas a princesa Celestia concluía que o esplendor ininterrupto do campo não podia ser substituído por nada. Por um momento, ela ficava ali parada, com uma expressão satisfeita no rosto. Então ela piscava uma vez, abria os olhos e olhava em volta. Era realmente lindo aqui, ao seu redor. Tão pacífico e tranquilo.

De fato…

Uma ideia estava se formando em sua mente. Ela havia planejado voltar para Canterlot e colocar em dia o que estava lendo, mas agora outro pensamento lhe ocorrera.

Eu imagino… bah! Para o tártaro com isso.

Ela se virava para seus guardas, com os cantos de sua boca puxando para cima. “Cavalheiros, mudança nos planos. Decidi fazer uma caminhada. Os guardas piscavam. Eles a encaravam por um momento e então olhavam de volta um para o outro. Em seguida eles tiravam os arreios da carruagem e davam um passo à frente. Com o sorriso ainda em seu rosto, ela se virava e saía caminhando em direção ao campo.

Por um tempo ela apenas caminhava, com os guardas a uma distância respeitosa atrás dela, longe o suficiente para que ela provavelmente não os notasse, mas perto o suficiente caso ela precisasse deles para alguma coisa. A princesa estava gostando disso. Ela vagava pelos arredores de Ponyville sem um objetivo ou destino específico em mente, apenas apreciando a chance de estar fora da cidade, longe da proximidade e dos compromissos de Canterlot.

Eu deveria trazer Luna aqui às vezes.

Quando ela chegava ao topo de uma colina, Princesa Celestia avistava alguém caminhando pelos campos há aproximadamente 100 trotadas à sua frente. Parecia um unicórnio de cor verde escuro, com uma crina marrom e um par de alforjes sobre ele. Ela via quando ele caminhava cerca de uma dúzia de metros, um pouco instável, ela pensava, e se sentava na frente de uma árvore. Ela olhava para o pônei por um momento, se perguntando o que poderia trazer qualquer outro pônei para esse local. O mais provável é que eles não estavam tão longe de Ponyville assim; talvez ele estivesse apenas pensando em apreciar a paisagem, como ela estava fazendo.

Ou talvez não.

Ela achava curioso saber quem era esse pônei e o que ele estava fazendo aqui. Ela poderia simplesmente ir até ele e perguntar, mas não queria ver ninguém se curvando para ela. Não, isso exigia alguma sutileza e planejamento.

Ela virava para a direita e avistava um pequeno bosque. Isso funcionaria. Ela gesticulava para os guardas, e todos se aproximavam. Entrando no bosque, ela fechava os olhos e focava sua magia. Ela lançava o primeiro feitiço. O primeiro só demorou alguns segundos; sua coroa e colar desapareceram com um breve flash. O segundo feitiço foi mais complicado. Era um feitiço temporário de mudança de forma/ilusão. Enquanto seu chifre brilhava, ela começava a encolher. Suas asas desvaneciam-se de vista e seu cabelo perdia a eterealidade habitual, tornando-se um rosa claro. Por fim, sua marca especial mudava, o sol em seu flanco dava lugar a uma estrela dourada de quatro pontas. Esse era um disfarce que ela costumava usar quando queria ou precisava de anonimato entre seus súditos; apenas pouquíssimos pôneis sabiam disso. Depois de uma rápida checagem final da aparência, ela saía do interior do bosque e caminhava para onde havia visto o garanhão se sentar.

Aproximando-se por trás e ligeiramente à sua esquerda, a princesa via que ele não tinha saído. Estava sentado com suas ancas na frente dela, embora um pouco mais encurvado, olhando para Ponyville ao horizonte. Quando a princesa completava as últimas dezenas de metros, notava várias coisas sobre ele. Embora as sombras que a árvore lançava sobre ele o tornassem um pouco difícil de ver, ela podia observar que a crina e o pêlo pareciam sujos e despenteados, como se ele não tivesse tomado banho e/ou escovado por algum tempo. Ele também parecia um pouco magro, quase emaciado. Quando ela chegava mais perto, suas orelhas se animavam e sua cabeça se virava para ela. O rosto do pônei estava na mesma condição que o resto dele: sujo e havia olheiras.

“Olá”, dizia ela, tentando dar-lhe um sorriso mais caloroso enquanto ela encerrava o passo final e sentava-se.

“Olá”. Ele não se virava para ela.

“Eu sou Star Burst. Qual o seu nome?” Dizia Celestia.

“… Meu nome é John.”

Bem, esse era um nome bastante estranho… mas não era o nome mais estranho que a princesa já ouviu. Seu olhar então se dirigia até seu flanco, onde estava sua marca especial, ou pelo menos onde deveria estar.

Este pônei não tinha marca especial. Embora não fosse inédito para um pônei adulto não ter uma, certamente era uma ocorrência muito rara, e também muito debilitante. Quando a Princesa olhava para o rosto dele, notava que ele tinha uma sobrancelha ligeiramente levantada, em uma expressão conhecida, mas resignada. Em um esforço para prosseguir com a conversa, ela gesticulava para seus alforjes.

“Então, pelo que estou vendo parece que você não é daqui.” Dizia John.

“Não, sou nova em Equestria.” Respondia Celestia.

“Sim, dá pra ver.” John assentia, e então seus olhos passavam por ela.

“E por que os guardas?”, Ele perguntava. Celestia olhava para trás.

Oh céus. Me esqueci deles. Ok, pense… como eu explico isso?

“Ah, bem, eu trabalho para a Princesa Celestia. Tinha alguns negócios em Ponyville e decidi dar um passeio. Seus olhos se arregalavam um pouco com a resposta.

“Você trabalha para a Princesa?” Ela respondia a pergunta assentindo com a cabeça. Houve uma pausa desajeitada quando ele parecia considerar isso.

“Então, de onde você é?” Ela perguntava. John hesitava por um momento, e então, seu olhar abaixava.

“De muito longe. É bem provável que você não tenha ouvido falar.”

“Entendo. Posso perguntar por que você decidiu vir para Equestria?” Ela perguntava hesitantemente.

“Eu realmente não tinha muita escolha.” Seu tom de voz combinava com seu olhar novamente resignado. Ela estremecia um pouco por dentro.

“Bem, Equestria é um país muito bom. Tenho certeza que você vai gostar daqui.” Ela sinceramente esperava que ele gostasse. É triste que algum pônei possa parecer tão destituído e sem esperança. Ele inclinava a cabeça, um olhar levemente pensativo deslizava pelo rosto.

“Sabe, é realmente um pouco diferente aqui… mais do que eu pensei que fosse.”

“Oh”, ela perguntava, ambos antecipando e temendo sua resposta. “Como assim?”

“Eu… tive alguns amigos que costumavam falar sobre esse lugar. Eu realmente nunca os escutei muito. Eu estava… ocupado com outras coisas. Acho que… bem, quando você está tão distante, você tende a ver as coisas de uma forma diferente de quando você está realmente lá, vivenciando.” Não era bem essa resposta que Celestia esperava.

“Então, você teve amigos que te falaram sobre Equestria?”

“Sim”. Ele fazia uma pausa novamente. “Eles até me levaram para ver uma… peça de teatro sobre esse lugar uma vez.” Um olhar peculiar pairava sobre ele, um composto de humor e um toque de amargura.

“Hmm. Foi bom?” Ele pensava na resposta, como se não esperasse que ela fizesse tal pergunta.

“Ah bem. Digamos que para uma peça de teatro feita para crianças não foi ruim.” O olhar de humor misturado com a amargura se tornava um pouco mais agudo. Havia outra pausa desajeitada. Ele ficava tenso, como se estivesse discutindo consigo mesmo novamente. Então ele se virava para olhar Celestia.

“Você… trabalha para a Princesa Celestia, certo?” Ela assentia. “Ouvi dizer que houve um incidente um tempo atrás, onde uma ex-aluna dela roubou a coroa da princesa Twilight ou algo assim.” Ela balançava a cabeça novamente, mais hesitantemente desta vez.

“Ah…sim.”

“E isso… não envolveu um espelho mágico que leva a outros mundos, por acaso?” Sua voz subia no final.

“Er, não, não foi. Eu temo que eu não saiba muita coisa sobre esse evento.” Ela não queria decepcioná-lo assim, mesmo que ela não tivesse ideia do que ou porque ele estava fazendo essa pergunta. Sua cabeça se voltava para baixo para observar a grama sob seus cascos dianteiros.

“Eu não penso assim.” Ele esvaziava, sua expressão tornando-se monótona e sem vida novamente. Por um momento, eles apenas ficavam sentados, perdidos em seus próprios pensamentos. A princesa estava quebrando a cabeça, tentando pensar em alguma maneira de descobrir como ajudá-lo.

“Bem, você já pensou em voltar para casa?” Certamente havia pôneis lá que cuidavam dele.

Sua voz estava mais quieta e mais dura que antes. “Receio que não seja possível.” Suas orelhas se dobravam.

“Oh. Eu sinto muito.”Com nada mais para fazer, ela olhava por cima do corpo dele mais uma vez. Ele parecia ter a mesma idade de Twilight e suas amigas, ou talvez um pouco mais velho. Quando ela o examinava novamente, notava algo sobre as orelhas dele, havia alguma coloração amarelada ao redor da parte de baixo.“ Sabe, você parece um pouco doente. Deveria ir ao hospital. Há um em Ponyville.

“Não tenho dinheiro.”

“O que?”

“Dinheiro?”

Ele se virava para ela. “Dinheiro para o hospital.”

“Mas você não precisa de dinheiro para isso. De onde você vem é necessário? Isso deveria ter sido explicado para você quando imigrou para cá.” Ele piscava. Então começava a rir, uma risada que não era inteiramente divertida.

“Claro!”, Ele gritava. “Como eu poderia ser tão estúpido?! hahahaha!” Celestia recuava um pouco, em choque. Ela esperava até que o riso de John cessasse. Ele enxugava algumas lágrimas dos olhos. “Bem, suponho que eu poderia ir para a cidade. Ponyville, certo?” Celestia assentia. “Acho que aqui é um lugar tão bom quanto qualquer outro.”

“Você vai gostar desta cidade. É muito amigável.” Ele bufava para isso.

“Sim, sim, ouvi falar.” A princesa esperava que ele pudesse encontrar uma nova vida aqui, talvez até mesmo arranjar uma casa.

“Sabe, se você está procurando um emprego, acho que o Rancho Maçã Doce está contratando.” John olhava para ela com uma expressão cética em seu rosto.

“Não acho que eles contratariam alguém como eu.”

De fato, ele provavelmente estava certo.

A frustração começava a atormentá-la. Ela odiava quando se envolvia numa situação como essa. Ela era a governante absoluta do reino mais poderoso e próspero do mundo, ela movia o sol, e ainda assim não conseguia ajudar um único pônei a conseguir um emprego… e provavelmente um lugar para morar também, agora que ela pensava sobre isso.

Não, eu tenho que fazer alguma coisa.

Ela respirava fundo. “Diga a eles que Star Burst enviou você.” John escutava, e então franzia a testa.

“Não, está tudo bem”, dizia ele, sacudindo a cabeça. “Eu posso me virar.”

Ela gemia internamente.

“Por favor, pode pelo menos tentar?” Sua voz subia no final, apenas tímida de implorar. Ele olhava para ela por um momento.

“Tudo bem,” ele respondia. Ela sorriu. Então ele se levantava e ela fazia o mesmo.

“Bem, eu deveria ir embora então.” Sua voz ainda não tinha alegria, mas havia uma determinação que não estava lá antes. Ela estava feliz em ouvir isso.

“Boa sorte John,” ela dizia. “Foi bom conhecê-lo.”

“Foi bom te conhecer também,” respondia ele. Com isso, ele se virava e ia embora. Enquanto ele se distanciava, a princesa notava que seu caminhar era um pouco estranho. Quando ele começava a descer o lado da colina, ele diminuía consideravelmente, como se tivesse certeza absoluta de que não tropeçaria ou cairia. Ela não achava que isso poderia ser causado por fome ou qualquer tipo de doença.

O que mais pode estar errado com ele?

Ela definitivamente iria escrever uma carta para Twilight, perguntando se ela poderia dar assistência a ele. Com a bondade e compreensão dos moradores de Ponyville, Celestia sabia que ele ficaria bem.

Então ela se virava e começava a caminhar de volta para a cidade e sua carruagem.

O Homem de Bem

 

O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e caridade, na sua maior pureza. Interroga a sua consciência sobre os próprios atos, pergunta se não violou essa lei, se não cometeu o mal, se fez todo o bem que podia, se não deixou escapar voluntariamente uma ocasião de ser útil, se ninguém tem do que se queixar dele, enfim, se fez aos outros aquilo que queria que os outros fizessem por ele.

Tem fé em Deus, na sua bondade, na sua justiça e na sua sabedoria; sabe que nada acontece sem a sua permissão, e submete-se em todas as coisas à sua vontade e sabe que não precisa de nenhuma religião para seguir os preceitos de Deus, bastando os princípios acima.

Tem fé no futuro, e por isso coloca os bens espirituais acima dos bens materiais.
Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções, são provas ou expiações, e as aceita sem murmurar.

O homem possuído pelo sentimento de caridade e de amor ao próximo faz o bem pelo bem, sem esperar recompensa, paga o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte e sacrifica sempre o seu interesse à justiça.

Encontra e usa satisfação nos benefícios que distribui, nos serviços que presta, nas venturas que promove, nas lágrimas que faz secar, nas consolações que leva aos aflitos. Seu primeiro impulso é o de pensar nos outros antes que em si mesmo. O egoísta, ao contrário, calcula os proveitos e as perdas de cada ação generosa.

É bom e benevolente para com todos, sem distinção de raças, espécies e nem de crenças, porque vê todos como irmãos.

Respeita nos outros todas as convicções sinceras, e não lança o anátema aos que não pensam como ele.

Em todas as circunstâncias, a caridade é o seu guia. Considera que aquele que prejudica os outros com palavras maldosas, provocações, que fere a suscetibilidade alheia com o seu orgulho e o seu desdém, que não recua à idéia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever do amor ao próximo e não merece a clemência do Senhor.

Não tem ódio nem rancor, nem desejos de vingança. A exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas, e não se lembra senão dos benefícios. Porque sabe que será perdoado, conforme houver perdoado.

É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que ele mesmo tem necessidade de indulgência, e se lembra destas palavras do Cristo: “Aquele que está sem pecado atire a primeira pedra”.

Não se compraz em procurar os defeitos dos outros, nem a pô-los em evidência. Se a necessidade o obriga a isso, procura sempre o bem que pode atenuar o mal.

Estuda as suas próprias imperfeições, e trabalha sem cessar em combatê-las. Todos os seus esforços tendem a permitir-lhe dizer, amanhã, que traz em si alguma coisa melhor do que na véspera.

Não tenta fazer valer o seu espírito, nem os seus talentos, às expensas dos outros. Pelo contrário, aproveita todas as ocasiões para fazer ressaltar a vantagens dos outros.

Não se envaidece em nada com a sua sorte, nem com os seus predicados pessoais, porque sabe que tudo quanto lhe foi dado pode ser retirado.

Usa mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe tratar-se de um depósito, do qual deverá prestar contas, e que o emprego mais prejudicial para si mesmo, que poderá lhes dar, é pô-los ao serviço da satisfação de suas paixões.

Se nas relações sociais, alguns homens se encontram na sua dependência, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus. Usa sua autoridade para erguer-lhes a moral, e não para os esmagar com o seu orgulho, e evita tudo quanto poderia tornar mais penosa a sua posição subalterna.

O subordinado, por sua vez, compreende os deveres da sua posição, e tem o escrúpulo de procurar cumpri-los conscientemente.

O homem de bem, enfim, respeita nos seus semelhantes todos os direitos que lhes são assegurados pelas leis da natureza, como desejaria que os seus fossem respeitados.

Esta não é a relação completa das qualidades que distinguem o homem de bem, mas quem quer que se esforce para possuí-las, estará no caminho que conduz às demais.

O Tijolo

Um jovem e executivo bem sucedido dirigia, em alta velocidade sua nova Ferrari. De repente, um tijolo espatifou-se na porta lateral do veículo.

Ele freava bruscamente e dava ré até o lugar de onde teria vindo o tijolo. Saltou do carro e pegou bruscamente uma criança, empurrando-a enquanto gritava:

– Por que fez isso? Quem é você? Que besteira você pensa que está fazendo? Este é um carro novo e caro. Aquele tijolo que você jogou vai me custar muito dinheiro. Por que você fez isto?

– Por favor senhor me desculpe, eu não sabia mais o que fazer! Implorou o pequenino. – Ninguém estava disposto a parar e me atender neste local.

Lágrimas corriam do rosto do garoto, enquanto apontava na direção da cadeira de roda.

– É meu irmão. Ele desceu sem freio e caiu de sua cadeira de rodas e não consigo levantá-lo. Soluçando, o menino perguntou ao jovem:

– O senhor poderia me ajudar a recolocá-lo em sua cadeira de rodas? Ele está machucado e é muito pesado para mim.

Movido internamente muito além das palavras, o jovem motorista engolindo “um imenso nó” dirigiu-se ao jovenzinho, colocando-o em sua cadeira de rodas. Tirou seu lenço, limpou as feridas e arranhões, verificando se tudo estava bem.

– Obrigado e que Deus possa abençoá-lo, agradeceu a criança.

O jovem viu então o menino se distanciar… empurrando o irmão em direção à casa.

Foi um longo caminho até a Ferrari… um longo e lento caminho de volta.

Ele nunca consertou a porta amassada. Deixou assim para lembrá-lo de não ir tão rápido pela vida, que alguém precisasse atirar um tijolo para obter a sua atenção…

“Deus sussurra em nossas almas e fala aos nossos corações”.

Algumas vezes, quando não temos tempo de ouvir, ele tem de jogar um Tijolo em nós.

(autor desconhecido)

Sweetie Belle surpreende a mãe ao falar sobre carne

Já ouviu falar de uma frase na bíblia que diz: “não matarás”? Quando alguém afirma que essa frase vale apenas para humanos, está também afirmando que a bíblia discrimina. Existem várias tipos de discriminações e preconceitos. Racismo, homofobia e especismo, que é exatamente o que desrespeita as espécies. Não adianta nada alguém falar que é contra o racismo, mas ser homofóbico, da mesma forma como não adianta nada afirmar que é contra racismo e homofobia e fechar os olhos para a matança de animais, se tornando um especista. Ou alguém é contra todo tipo de discriminação, ou o preconceito vai continuar dentro dela do mesmo jeito. Você pode até alegar que os animais irracionais não se comparam com humanos. Mas eu te faço uma pergunta: de acordo com o IBGE, somente em 2015 pouco mais de 5 bilhões de animais foram mortos para consumo de carne só aqui no Brasil. Cinco bilhões! Você acredita mesmo que essa quantidade de vidas vale menos do que uma única vida humana? Acha mesmo que para Deus existe essa distinção? Porque se a sua resposta for afirmativa, então implicitamente você está afirmando que o amor de Deus é totalmente condicional.  Os vegetarianos e principalmente veganos aprenderam a respeitar até a mais primitivas das espécies e isso, consequentemente, os tornaram capazes de enxergar sentimentos de uma maneira muito mais ampla, diferente daqueles que enxergam sentimentos de forma seletiva, tornando o seu amor limitado, e consequentemente, sua capacidade de fazer o bem, acaba sendo limitada também. Um exemplo foi o que aconteceu nas filmagens de um longa metragem chamado quatro vidas, onde um cachorro quase foi afogado. Esse fato foi duramente criticado em redes sociais e os produtores do filme até ameaçados. Mas lembra das cinco bilhões de vidas animais? Nos poucos minutos em que você viu esse vídeo, quantos animais já não foram abatidos? E ninguém, absolutamente ninguém, fala sobre isso. Uma contradição que apenas exemplifica o que eu disse sobre a capacidade limitada de fazer o bem. Agora, se o seu argumento é que o homem consome carne desde os primórdios de sua origem, e usa isso como desculpa para fechar os olhos, deveria tentar imaginar um anjo ou Deus consumindo carne. Se você quer atingir um grau evolutivo maior, certamente não vai conseguir isso negando a própria evolução com desculpas como essa e colocando em xeque a sua própria racionalidade, porque fechar os olhos, de fato, é realmente muito mais fácil e cômodo do que sacrificar seus princípios por um bem maior. É claro que ninguém nasce vegetariano ou vegano, todos nós nascemos e coexistimos em uma cultura onde consumir carne é normal. O que faz a diferença de um para o outro é exatamente a capacidade de tomar consciência de que isso não está certo e mudar seus hábitos alimentares. Quando você faz isso, você aguça os sentimentos de amor e respeito e principalmente a sua capacidade evolutiva.  Se você quer evoluir, transcender para algo superior, não tem lógica alguma simplesmente fechar seus olhos e fingir que isso não é problema seu, porque se você consome carne, quer goste ou não, é problema seu sim. Se você quer um mundo justo, onde a bondade, o respeito e a igualdade prevaleçam, não é investindo em morte de animais inocentes que você vai conseguir. Pense nisso, mas nunca procure fazer o certo por medo de sofrer uma punição ou esperando recompensas. Faça de coração, caso contrário seu amor, seu espírito, será limitado e tudo que é limitado, um dia acaba.

O Projeto HitchBot

Era uma vez uma unicórnio chamada Lyra, ela tinha a pele esverdeada, e seu chifre e cabelos partilhavam da mesma tonalidade. Lyra tinha muita admiração por uma espécie alienígena conhecida como “humanos” e sempre pesquisava tudo a respeito deles. Porém, as informações sobre os terráqueos em seu mundo eram muito escassas, então certo dia, a fim de dirimir esse problema, resolveu usar sua magia para desenvolver um meio de abrir um portal para o mundo deles. Ao tomar conhecimento de seu plano, Princesa Celestia a advertiu que indo para a Terra, a unicórnio teria muitas decepções, e que até mesmo sua vida estaria em risco naquele planeta, pois muitos Terráqueos não partilhavam do mesmo amor que os Equestrianos, já que muitos deles possuíam um tipo de amor condicional, também conhecido como amor a peixe.

Lyra finalmente havia conseguido abrir o portal para o mundo dos humanos, e para provar que Celestia estava errada, criou o projeto “RITCHBOT”, um robô na forma humanoide que dependia da bondade humana para atravessar um país inteiro até chegar em seu destino. Para isso, os humanos deveriam ajuda-lo com carona e recarga de sua bateria. Além disso, o robô possuía inteligência artificial, e era capaz de conversar, responder perguntas e pedir ajuda. Em suma, o robô precisava do suporte de estranhos para chegar até seu destino.

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O robô passou pelo Canadá, Alemanha e Holanda sem maiores problemas, sempre sendo ajudado por pessoas solidárias. Nesse ponto, a unicórnio verde estava muito animada e confiante com o resultado previsto para o seu projeto, e decidiu que o quarto e último país para o robô atravessar seria os Estados Unidos. Nesse sentido, Lyra o deixou sozinho em uma rodovia americana, exatamente como havia feito nos outros países, onde o robô ficava parado pedindo carona.

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Dias depois, no entanto, o robô foi encontrado vandalizado..

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Ao tomar conhecimento desse fato, a decepção da qual Celestia tanto a advertia atormentava a unicornio verde, que estava muito triste e confusa, pois não conseguia entender como os humanos poderiam ser capazes de fazer isso com um robô tão simpático que sorria para todos.

Celestia consolava sua súdita com um caloroso abraço e explicava que a Terra é um mundo de espiação, é um local de aprendizado e evolução, onde muitos falham, mas muitos também adquirem êxito, como o próprio projeto de Lyra demonstrou.

Ainda, Celestia explicava que as ações dos humanos determinavam que tipo de espírito eles teriam. Por exemplo, um humano que passa a vida toda enganando os outros, sendo desonesto, se aproveitando das pessoas e chega na terceira idade acreditando que se deu bem, sem nunca ter sido punido pelos seus atos, tem uma consistência espiritual diferente daquele que passou a vida sendo exatamente o contrário.

Colocar ambos espíritos um do lado do outro iria deixar bem visível a diferença de qualidade entre os dois, como seria colocar um carro de marca autêntica ao lado de uma cópia barata “xing ling”… a diferença seria gritante na qualidade e durabilidade dos materiais. Ou seja, pura ilusão daquele que acredita não ter sofrido nenhum tipo de consequência com suas condutas malogradas.

Após a explicação de Celestia, Lyra passava a enxergar os humanos com outros olhos, mas isso não a impedia de continuar a admirá-los, pois em um mundo onde existe tanta coisa ruim, é realmente admirável existir pessoas capazes de não se deixarem corromper ou perder sua fé, porque esse, de fato, é o maior desafio de todos para se alcançar a excelência no amor, que só pode ser realizado por aqueles que não precisam de uma religião, mas simplesmente ser de Deus, que é exatamente de onde emana o amor incondicional.

Essa estória é baseada em um fato real. Para saber mais, veja a matéria abaixo:
http://veja.abril.com.br/tecnologia/hitchbot-o-robo-mochileiro-que-dependida-da-bondade-humana-terminou-sua-viagem-decapitado

Como moldar a luz

Não importa o que você fizer, faça-o com profunda percepção, pois então até mesmo as pequenas coisas se tornarão sagradas. Dessa forma, cozinhar ou limpar a casa serão sagrados, serão uma oração. Não importa o que você esteja fazendo, o que importa é COMO você o está fazendo. Você pode limpar o chão como um robô, como um dispositivo mecânico: é preciso limpar o chão, então você o limpa. Mas, se fizer isso de forma automática, estará deixando de ver algo de belo. Limpar o chão poderia ser uma grande experiência, mas você a terá perdido. O chão ficará limpo, mas algo que poderia ter acontecido dentro de você não aconteceu. Se você estivesse perceptivo, alerta, não apenas o chão, mas também você, teria sentido uma limpeza profunda.  Limpe o chão em estado de total percepção, iluminado pela percepção. Trabalhe ou sente-se ou ande, mas uma coisa precisa ser continuamente desenvolvida: faça com que um número cada vez maior de momentos em sua vida, sejam iluminados pela percepção. Deixe que a chama da percepção brilhe em cada momento, em cada ato. Atingir a iluminação será o efeito cumulativo disso. O efeito cumulativo, todos os momentos juntos, todas as pequenas luzes juntas, se tornarão uma grande fonte de luz.