Fanfic, Fanfics estrangeiras

Melhor tarde do que nunca

Macintosh
Ilustração: http://rose-mcsugar.deviantart.com

 

Autor: Noir de Plume

Tradução: Drason

SINOPSE: Bic Mac sempre foi forte, útil… e silencioso. Como irmão mais velho, sempre esteve ao lado de sua família as ajudando e nunca pedindo nada em troca. Juntos, eles cuidam do Rancho Maçã Doce. Mas teria sido esse sempre o seu único sonho?

Havia sido um longo dia, e o seguinte prometia ser ainda mais. Com um suspiro, Big Mac tirava o colar de trabalho e o levava até o gancho na parede. Tudo estava dolorido, do seus quadris até as orelhas. Mesmo assim, ele estava feliz pela fazenda estar produzindo muito, e Applejack iria ter uma boa safra de cidra nesta temporada.

Exausto, ele caminhava até sua cama. O pônei vermelho havia feito o mesmo naquela manhã quando acordou, antes do sol nascer. Big Mac sempre se sentia melhor voltando no final do dia para uma fresca e limpa cama – com lençóis brancos dobrados cuidadosamente e o travesseiro centrado na cabeceira. Coisas simples, das quais ele balançava a cabeça para si mesmo em aprovação.

“Big Mac!” ele ouvia sua irmã chamando do andar de baixo.

“Eeyup!” ele chamava de volta. Ouvia-se barulho de cascos subindo as escadas rapidamente, e Applejack se aproximava da porta, equilibrando uma caixa de papelão na cabeça.

“Eu estava limpando o celeiro e achei essa caixa cheia de coisas velhas. Imaginei que você quisesse salvar alguma coisa antes que eu jogasse fora,” ela sorria, jogando a caixa para cima e deixando cair em suas costas, permitindo que ela deslizasse suavemente para o chão. Big Mac sorria para a exibição de atletismo de sua irmã. “Bem, você parece cansado. Primeiro repouse um pouco,” Applejack sugeriu, acenando.

“Eyup.”

Ela fechou a porta atrás dela.

Big Mac foi até a caixa, aproximando o focinho da tampa e espirrando por causa da poeira. Ele observava seu conteúdo em silêncio.

Eram suas coisas da faculdade.

O diploma emoldurado da Universidade de Fillydelphia, a estranha foto de identificação que ele havia tirado no primeiro ano, a primeira fórmula que ele tinha redigido por conta própria. Ele vasculhava a caixa com um dos cascos, onde descobriu uma pilha de papeis.

Minha tese…

Ele se inclinava e cuidadosamente retirava os papeis amarelados com os dentes, carregando eles até a pequena mesa ao seu lado. Ele examinava atenciosamente – era tão jovem e tão confiante em sua teoria. Isso era evidente em seus traços de caneta. A bravura de um potro ainda não comprometida pela realidade da vida. O primeiro Apple a frequentar uma faculdade e tentar um doutorado.

“A física da mágica de Equestria” era o título. “Uma dissertação de M. Apple.”

Aquele dia vinha rugindo como um dragão…

Ele caminhava pelos corredores da faculdade com seu estômago gelando a cada passo. Mac tinha certeza que iria expulsar o que havia comido naquela manhã. Pela nona vez, ele verificava sua crina na superfície reflexiva da parede.

Ainda estava lá.

Seja legal.. apenas seja legal… ele dizia para si mesmo.

A porta rangia ao abrir. Mac quase pulava para fora de sua pele. A professora Hardhorn sorria gentilmente.

“Nós estamos prontos, Macintosh.” Ela disse.

Respirando bem fundo, o pônei vermelho entrava lentamente na sala. Isso não era tão intimidador como ele imaginava: os três professores sentados em uma mesa em frente a uma área de apresentação na sala de aula, onde ele balançava a cabeça em saudação para cada um deles.

Primeiro era o professor Tuft, ranzinza pela idade, era o chefe do departamento de física de voo. O velho grifo acenava rapidamente em retribuição, bagunçando suas penas.

A próxima era a professora Saand, chefe do departamento da ciência da terra. Originalmente de outro país, Macintosh estava mais preocupado em convencê-la sobre sua teoria dos pôneis terrestres.

Finalmente a professora Hardhorn, chefe do departamento de magias e feitiços. A agradável unicórnio lhe dava um gentil aceno encorajador enquanto ela se sentava. Mac limpava sua garganta.

“Bom. Bem… hã…”

“Solte a voz, garoto,” o professor Tuft cacarejava.

Mac respirava fundo enquanto ficava em linha reta de frente para eles.

“Meu nome é Apple Macintosh, e estou aqui para defender minha tese. Cada um de vocês deve ter uma cópia intitulada “A física da mágica de Equestria.” Nela, eu explico como a mágica não é inerente aos unicórnios, mas a todos os tipos de pôneis.” Nesse ponto, ele respirava fundo mais uma vez enquanto seus expectadores o observavam com mais interesse. “É a minha opinião que a magia, como a chamamos, não é tão exclusiva, e todo pônei nasce manifestando algum talento ou outro pela sua própria natureza em ser equestriano.”

“Vou começar com os unicórnios. Como já sabido pelo senso comum e o conhecimento moderno, unicórnios canalizam mágica através de um realce orgânico conhecido como chifre. Esses pôneis têm uma vantagem, já que o chifre é um tipo de amplificador. Independentemente do talento indicado pela marca especial dos unicórnios, sua magia é utilizada para alterar, ou de outra forma mudar o mundo e realidade a sua volta. A maneira em que essa alteração da realidade ocorre, no entanto, varia bastante, resultando em feitiços que se estendem por um amplo leque de dificuldade e complexidade. No nível básico, temos levitação de matéria e telecinese. Em um estágio mais avançado, o unicórnio é capaz de teleportar matéria ou avançar a idade de outro ser vivo. Essa manipulação da matéria, seja orgânico ou não, é única para o unicórnio lançar e o meio deles interagirem com sua mágica através de seus chifres. Um feitiço é uma referência básica, mas um unicórnio deve canalizá-lo através da magia de seu próprio corpo antes que eles sejam capazes manejá-los sobre o conceito.”

Ele pausou, tomando um copo de água que estava na mesa. A professora Saand acenou o casco para que ele continuasse.

“Pegasus, em contraste com os unicórnios, internalizam a mágica e incorporam em apêndices extras que se desenvolveram com o propósito de voo: asas. Foi provado que pegasus que sofrem deficiência de magia não são capazes de voarem. Quando a aerodinâmica moderna é aplicada, como feito em um recente estudo na Faculdade de Engenharia de Cloudsdale, foi demonstrado que a envergadura de um pegasus não gera sustentação necessária para manter um pônei planando, muito menos de vencer a gravidade de Equestria. É então presumível que a magia dos pegasus faz uma ou duas coisas: ou aumenta a área da superfície da asa sem aumentar a massa/densidade, ou aumenta a quantidade de impulso gerado pela asa. Esta magia é canalizada pelas asas da mesma forma que os unicórnios fazem com seus chifres. Há casos anormais que podem levar à descrença, pois nem todos os pegasus são hábeis em voo. Enquanto isso pode ser interpretado como uma ausência natural da habilidade, uma inspeção mais profunda revela uma especificação diferente de talento, único para macho ou fêmea, enquanto ainda são capazes de gerar e manter sustentação necessária para flutuar após a pratica. Esses pegasus sempre escolhem viver perto do chão. Um exemplo notável é um pegasus que trabalha como repórter, e tem uma glândula adrenal que funciona de maneira avançada, garantindo uma rápida reação ao tempo que permite a ele tirar fotos no momento perfeito.”

Mac pausou novamente para outro gole de água. Ele estava menos nervoso agora, e os professores fascinados. Mesmo o professor Tuft, o velho grifo excêntrico, foi inclinando para ouvir cada palavra. Mac se levou a um par de respirações lentas e então se lançou para o final.

“Já os pôneis terrestres têm a magia completamente interiorizadas. Isso resultou em habilidades únicas e aparentemente inacabáveis. Tal fenômeno reforçou seus corpos, com a mágica influenciando diretamente a constituição de seus músculos, os tornando fortes e mais energéticos no geral do que os outros dois tipos de pôneis. No entanto, esta internalização da mágica limitou os pôneis terrestres no modo de usarem seus talentos. Sua mágica causa efeito apenas em si mesmos, visto que fica confinada em seus corpos. Pôneis terrestres não tem ligação direta entre seus cérebros e sua mágica, diferente do unicórnio e seu chifre, então eles não podem visualizar ou enxergar os efeitos de sua magia. Eles também não tem qualquer ligação física com sua mágica, como pegasus com suas asas, então eles não tem como controlar os efeitos de suas magias. É por esse motivo que pôneis terrestres manifestam suas habilidades mágicas com técnicas e habilidades.”

Ele parou, colocando os cascos dianteiros juntos, deixando a sala cair em silêncio. A professora Hardhorn se preparava para falar, mas uma batida repentina e forte na porta a interrompeu, fazendo-a franzir a testa.

“Estamos avaliando uma tese!” Ela gritava para a porta, em seguida dando a Mac um olhar de desculpas.

A porta rangeu ao abrir lentamente e um pônei muito tímido adentrou a sala segurando com seus cascos trêmulos uma carta.

“Eu… eu sinto muito, mas a ca…carteira disse que era urgente. É de Ponyville para o senhor Apple.”

Mac pegou a referida carta.

“Obrigado.” Ele disse suavemente, abrindo-a e lendo lentamente. A sala permanecia em silêncio. Seus olhos foram para o topo ao ler novamente. Quando seus olhares chegaram no final da carta, ele também havia chegado a uma decisão, pois naquele momento, viu que não era mais um potro.

“Professores,” ele disse solenemente, dobrando a carta. “Eu agradeço por hoje, e peço desculpas por desperdiçar o tempo de vocês. Mas tenho que ir.”

“Ir?” A professora Saand exclamou. “Ainda vamos fazer perguntas sobre sua tese!”

“Você tem que defendê-la, rapaz!” O professor Tuft gritava, com Mac balançando a cabeça.

“Macintosh…” A professora Hardhorn dizia categoricamente. “Se você sair agora…”

Ela olhou em seus olhos, e observou uma mudança. Mac sorriu. Não era um sorriso de resignação ou derrota, mas de aceitação. Ele havia deixado Ponyville para encontrar seu lugar ao mundo, e agora tinha encontrado.

“Minhas irmãs precisam de mim.”

Big Mac deixou a última página de sua tese acima das outras folhas. Ainda parecia em bom estado de conservação… e ele ainda estava convencido que a teoria estava certa. Muita coisa aconteceu desde então, tanto para apoiar sua tese…

Determinado, Big Mac pegou os papeis e os levou para sua mesa. Abrindo uma gaveta, ele removeu uma resma de papel nova, um tinteiro e uma pena.

Melhor tarde do que nunca.

Em meio à madrugada o pônei vermelho descia as escadas o mais quieto que podia, com um envelope agarrado em sua boca. Ele continuava em silêncio para evitar os rangidos do chão de madeira. Algum dia. Ele olhava em volta quando chegava ao fundo. Ainda não havia ninguém. Silenciosamente, ele fez o seu caminho até a porta.

“Muito cedo pra trabalhar!”

Ele levantava uma sobrancelha enquanto Applejack trotava e o cutucava em seguida.

“Ooooh, o que ocê tem aí?” ela perguntou. Big Mac encolheu os ombros. “Uma carta? Estava andando escondido com uma carta?” ela pressionou. Seus olhos brilharam. “É uma carta de amor? Está escrevendo para a Princesa Luna?”

Ela levantou e pegou o envelope lacrado dele. Big Mac fez um barulho em protesto enquanto Applejack continuava. Ela parou repentinamente.

“Ei… isso…” Ela segurou o envelope para fora. “Isso vai para o Departamento de Ciência da Universidade de Equestria”, ela disse suavemente.

“Eyup.” Ele respondeu. Applejack olhoava para ele, com seus olhos brilhando em lágrimas.

“Isso é…? Você finalmente…?”

“Eyup.”

Ela correu e abraçou o irmão com força.

“Foi por minha causa que ocê desistiu de apresentar naquela época. Deixa eu colocar a carta na caixa de correios. Quero fazer parte deste momento.”

Big Mac acariciou a crina de sua irmã.

Eu faria tudo de novo por vocês, AJ.