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Fluttershy explica: Por que ser vegano?

fluttershy-vegan
Ilustração: http://killryde.deviantart.com

Olá, vocês já me conhecem como a pegasus tímida do desenho, mas hoje vou deixar a timidez de lado e explicar pra vocês a importância do veganismo para nós e para o mundo! O vegano é um vegetariano estrito em sua dieta, seja na alimentação como em qualquer outro produto de origem animal. Em outras palavras, o vegano busca excluir, na medida do possível, todas as formas de exploração e de crueldade contra animais.

Ou seja, o veganismo é um movimento que busca a libertação animal em todas as frentes possíveis, incluindo mercado, alimentação, trabalho forçado e entretenimento. Vale dizer que isso não envolve apenas os animais não humanos (que são chamados de “irracionais” pelo senso comum).

Isso significa que veganos também buscam eliminar o consumo de produtos oriundos de empresas que exploram a mão de obra análoga à escravidão. Além disso, também há movimentos (como o Food for Life) que apoiam a adoção universal do veganismo como forma de democratizar o acesso à alimentação — pois cerca da metade dos grãos produzidos no mundo são usados para a engorda de “animais de corte”.

A dieta vegetariana também exclui a carne dos peixes e de outros frutos do mar de seu cardápio, porque todos os animais possuem sistema nervoso central e senciência — a capacidade de sofrer, sentir dor ou felicidade que somente os animais têm. Por mais que eles não emitam sons fora da água, eles sentem dor ao serem pescados ou cortados ainda vivos. Ao serem retirados da água, morrem em um doloroso processo de asfixia.

Ainda, há quem diga que o leite e os ovos não são um problema, pois eles são criados sem a necessidade de matar um animal. Porém, existe uma série de explorações que a grande maioria não leva em consideração quando se fala sobre o tema. Abaixo você pode conferir alguns exemplos:

Leite

Como em toda espécie de mamífero, para que a “vaca leiteira” produza leite, é preciso que ela seja mãe. Na indústria, as vacas são emprenhadas com inseminação artificial e depois do parto têm seus filhotes levados embora — geralmente as fêmeas são encaminhadas para o mesmo processo e os machos são abatidos ainda enquanto bezerros para abastecer o mercado de vitelos.

A expectativa de vida de uma vaca é de cerca de 20 anos, mas as vacas leiteiras geralmente são abatidas com menos de 8 anos. Isso acontece porque elas começam a apresentar problemas de reprodução após várias gestações forçadas, problemas de locomoção devido a infecções ou matistes e outras inflamações.

Ovos

Galinhas botam seus ovos em um processo natural? Sim, mas isso não significa que elas não sejam exploradas. Assim que nascem, as galinhas são debicadas (têm os bicos arrancados) sem anestesia. Isso é feito para que elas não firam umas às outras ao serem submetidas a situações de muito stress — o que acontece bastante, visto que até oito animais dividem gaiolas com pouco mais de 0,2 m².

Essas galinhas podem passar a vida inteira sem ver a luz do sol, sem poder caminhar de uma maneira digna e sem poder viver do modo natural — livres e tendo suas próprias vontades respeitadas.

O que mais é deixado de lado?

Além de não comerem carne de nenhum tipo, veganos também deixam de lado derivados de qualquer produto animal — incluindo corantes criados com o esmagamento de insetos — e também não usam couro natural ou qualquer outro tipo de pele. Abaixo, você confere uma lista com diversas outras atividades que são deixadas de lado por quem é adepto do veganismo:

Circos (com animais), Zoológicos, Caça, Consumo de produtos testados em animais, Touradas, rodeios, vaquejadas e afins e exploração ou abandono de animais domésticos.

Isso não significa que a dieta de um vegano não seja tão bom quanto ao seu oposto. Geralmente, costuma-se pensar que a refeição de veganos envolva apenas saladas sem gosto e sem tempero, mas essa imagem é completamente errada. Veganos comem cereais, frutas, legumes e qualquer outro alimento que venha das plantas, além de algas e cogumelos.

E isso não quer dizer que as comidas sejam apenas cruas — muito pelo contrário. Com algumas receitas na mão, é possível fazer alimentos saborosos e totalmente saudáveis. Além disso, também há muito “Junkie Food” vegano, pois a variedade de hambúrgueres, doces e frituras que podem ser feitas é gigantesca. E mais, é possível comer tudo isso sem ingerir um único grama de soja se você não quiser.

E as proteínas?

Costuma-se pensar que carnes são a única fonte de proteína, mas isso é um grande equívoco. Todos os aminoácidos essenciais para a produção de proteínas dentro do seu corpo podem ser conseguidos por meio dos vegetais.

Alguns exemplos de proteínas vegetais: Grão de Bico, Feijão (que além de proteína também é rico em ferro), Cogumelos, Oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas, etc.), Quinua (que além de ser ótima fonte de carboidratos de baixo índice glicêmico, vitaminas, minerais e gordura saudável, contém todos os aminoácidos essenciais que nosso corpo não fabrica e que vão formar as proteínas), soja e algas.

Todos os exemplos acima valem por um bife no seu prato, exceto a soja que dependendo da quantidade que você consome possui até dez vezes mais proteínas do que a carne, seja vermelha ou branca… sim, a soja é uma overdose de proteínas.

Existe apenas um nutriente que não podemos encontrar em abundância na dieta vegetariana: a vitamina B12. Ela é produzida por bactérias e cianobactérias, com as quais a humanidade tem pouco ou nenhum contato atualmente. Isso significa que uma boa parcela da população — vegetariana ou não — pode apresentar deficiência ou insuficiência de B12. Felizmente, existem diversas suplementações da vitamina.

Exemplo: leveduras, leite de soja e nori.

Nori é uma espécie de folha feita a partir de algas marinhas amplamente utilizada em pratos da culinária japonesa. É geralmente de cor esverdeada ou avermelhada dependendo da espécie de alga empregada na fabricação.  A alga Nori é rica em proteína, cálcio, ferro, vitamina A, B e C. A alga nori contém duas vezes mais proteína do que carnes.

Lembre-se que quando você consome carne, está também absorvendo o sofrimento dos animais. Em países como a China e Coreia do Sul, os animais são submetidos propositadamente ao sofrimento para produzirem adrenalina, com o fim de deixar a carne mais “saborosa”…

Como é possível nós desejarmos um mundo justo, sem guerras, sem sofrimentos, se somos capazes de banalizarmos uma vida sob a mera justificativa que é para nos alimentarmos? Como é possível que nesse caminho pratiquemos o amor pelo nosso mundo?

Você acha mesmo que não ocorre nenhum efeito em seu organismo ao absorver o sofrimento de um animal?

Nunca se esqueça disso: A escolha de consumir carne foi nossa, porque Deus nos concedeu opções de sobra para sobrevivermos sem ela.

Fonte: Megacurioso

Fanfics estrangeiras

O Pônei de Oasis – Parte IV

 

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Ilustração: Drason

CLIQUE AQUI PARA LER A TERCEIRA PARTE

Autor: ROBCakeran53

Tradução: Drason

SINOPSE: Equestria ainda estava sendo reconstruída após a derrota de Tirek, e as seis novas governantas de Ponyville ajudando em sua reconstrução. Tudo mudou de maneira inusitada quando a Princesa Celestia entregou a elas uma carta descrevendo acerca das façanhas realizadas por um único cidadão da cidade de Oasis conhecido como Senhor Baker, e a forma como superou Tirek. Com a missão de descobrir se os relatos eram verdadeiros, as seis pôneis devem ir até a referida cidade para investigar. No entanto, elas irão descobrir que o Senhor Baker não era exatamente quem ou o que elas esperavam.

Rarity e Fluttershy desciam a escada que levava até a sala de jantar de Sunny Side, onde já havia vários pôneis se servindo do café da manhã.

“Bom dia, queridas. Dormiram bem?” Sunny Side perguntava atrás do balcão.

“Sim, tão bem quanto pudemos.” Rarity rolava seu ombro. “Eu não sabia que colchões de palha ainda estavam em uso.”

Eu dormi bem, obrigada Sunny.”

Rarity rolava seus olhos para Fluttershy.

“Tem mais alguém que irá se juntar a vocês duas para o café da manhã ou devo preparar uma mesa só para ambas?” Sunny Side perguntava enquanto pegava o cardápio.

A maioria das mesas estava ocupada, e as poucas livres eram pequenas demais para seis pôneis. Com sorte, o bar ainda não estava cheio, então Fluttershy e Rarity tomaram seus assentos por lá.

Rarity pegava o cardápio, olhando por cima dele na direção das escadas. “Elas deverão descer logo. Twilight ficou acordada até tarde lendo aquele livro enorme que Thomas deu a ela.”

“Sim, ele e Bob trabalharam muito naquela coisa.”

“Bob? Ele é seu marido, certo?” Fluttershy perguntava.

“Eyup. Completou seis anos no mês passado. Que jeito horrível de se comemorar nosso aniversário.” Sunny folheava um bloco de notas. “Então, o que vão querer?”

“Um copo de sopa para mim, por favor,” Rarity respondia, colocando o cardápio na mesa.

“O mesmo para mim, por gentileza.” Acrescentava Fluttershy.

“Hoje teremos nossa especial sopa de ervilhas, espero que gostem.” Sunny retornava para o balcão.

“Certamente, obrigada.”

“Novo pedido, Bob,” Sunny o chamava através da janela de serviço.

Um casco negro surgia da janela pegando as anotações e então desaparecia novamente.

“Então, seu marido é o chef?” Rarity perguntava.

Sunny ria. “Eu não iria tão longe a ponto de chamar ele de…”

De repente surgia um gemido da cozinha.

Sunny sorria. “…mas sim, ele prepara a maior parte das refeições. Também administra o bar nos finais de semana. A maioria dos bêbados acabam se comportando bem sabendo que o administrador do bar tem o dobro do tamanho deles.”

“Soa muito como meu irmão Big Mac.”

A conversa delas era interrompida enquanto se viravam para verem Pinkie Pie saltando escadas abaixo com uma impossível cambalhota. Ela era lentamente seguida pela exausta Rainbow Dash que parecia ter acabado de acordar, e finalmente Applejack, ajudando uma relutante Twilight a terminar os últimos degraus da escada.

“Nas reuniões de família, meu irmão Big Macintosh serve cidra para os adultos.” Applejack sorria para Sunny, e pegava um assento situado no lado oposto do bar.

“Bem, pelo menos é de família. Mas aqui estou li dando com um bando de folgados que não querem nada com nada e ainda achando que me elogiar irá isentá-los de pagar a conta.”

Elas ouviam uma risada vindo da cozinha.

“Oh, silêncio aí.” Sunny arremessava uma toalha de prato na janela de serviço. “Aliás, o que o resto de vocês vão querer para o café da manhã? Essas duas assíduas pediram nosso prato especial de sopa de ervilhas.”

“Sopa de ervilhas? Primeiro aquela torta vegetariana, e agora sopa de ervilhas? Isso é quase como se tivesse tentando me fazer ficar doente,” Applejack dizia.

“Bem, eu poderia usar algumas maçãs daquela árvore que você trouxe.”

Applejack piscava, então seus olhos arregalavam. “Oh céus, eu me esqueci completamente daquela macieira. Com tudo o que aconteceu ontem, bem, foi muita coisa pra minha cabeça.”

“Com todas nós, Applejack.” Rarity dizia.

Um sino tocava na janela de serviço. Cuidadosamente, Sunny colocava os copos de sopa na frente de Fluttershy e Rarity.

Rainbow Dash respirava fundo. “Hmmm, isso parece bom.”

“Nem me diga! Vou pegar duas tigelas de sopa!” Pinkie Pie exclamava.

Todas olhavam para a pônei rosa.

“O que? Eu estou com fome.”

“Bob, mais três copos e duas tigelas,” Sunny gritava de volta, então retornava para Applejack. “Não se preocupe sobre a árvore Applejack. Bob está cuidando bem dela e já a regou hoje cedo.”

“Bem, nesse caso, obrigada Bob!” Applejack gritava. “Aquela árvore é para a cidade de qualquer maneira, então podem pegar quantas maçãs quiserem.”

Um casco negro balançava na janela tomando a atenção de Applejack. Ela se virava para ver melhor, mas o casco já havia sumido de sua vista.

“Isso é muito amável de sua parte Applejack, obrigada,” Sunny dizia, então se virava na direção da alicornio sentada no meio do grupo, “Então, como está o livro?”

Twilighr olhava para cima. “Hum? Oh, isso é… interessante, para dizer o mínimo. Há muitas coisas aqui que eu legitimamente não entendi nada, por simplesmente não fazer nenhum sentido. Alguma coisa no começo, sobre um Big Bang” é ridículo.

“Bem, Tom não é daqui. Muitas coisas sobre ele não fazem muito sentido mesmo.”

“Como o que?”

Sunny ria, “Você verá conforme for lendo.”

Twilight gemia, batendo seu rosto no livro como uma resposta frustrada.

Rarity colocava a colher ao lado de sua xícara já vazia. “Eu devo dizer, a sopa estava excelente Sunny. Meus cumprimentos para o chef.”

“Ouviu Bob? Você ganhou um elogio!”

O casco de Bob batia no sino poucas vezes em sinal de aplauso.

Applejack olhava para o casco de Bob. Alguma coisa não parece certo, mas o que é?

“Bem, Fluttershy e eu temos que ir. Sunny, será que Thomas já levantou nesse horário?

“Está brincando? Ele é o mais adiantado nessa cidade! Há uma razão para não termos nenhuma minhoca faltando.“

“Ele come minhocas?” Pinkie Pie perguntava.

Novamente, todas as pôneis olharam para ela.

“O que? Essa pergunta é séria.”

“Vocês não estão planejando prendê-lo, estão?” Perguntava Sunny.

“Oh, você ouviu algo sobre isso?” Twilight perguntava com as orelhas achatadas.

“Não exatamente, mas você impressionou o prefeito e o carteiro de uma forma que eles não deixaram suas casas desde ontem à noite.”

Twilight suspirava. “Eu devo me desculpar com eles por aquilo tudo.

“E quanto ao Sherife?” Rainbow perguntava.

“Copper Top?” Sunny ria. “Será necessário mais do que uma princesa para assustá-lo.”

Twilight encolhia com o comentário, mas deixava passar.

“Vamos indo, Fluttershy. Não temos o dia todo. Eu gostaria de começar do zero com o Senhor Baker.” Rarity ficava de pé na frente de seu assento.

“Oh, se for necessário…” Fluttershy levantava de sua cadeira.

“Vocês duas vão ver Tom?” Sunny perguntava. “Mesmo depois dele ter dado aquele livro?”

“Você fala como se isso não fosse uma boa ideia,” Dizia Rarity.

“Ninguém realmente chegou a ler o livro inteiro, com exceção de Bob, mas isso foi porque ele ajudou a escrevê-lo.”

“Porque ele é muito longo?” Perguntava Rainbow.

“Não por isso, mas porque o livro é muito chato, entediante,” Dizia Sunny.

Uma toalha de prato voava para fora da janela de serviço.

“Não é culpa sua se você escreveu daquele jeito, Bob.”

“Eu realmente não achei o livro entediante,” Twilight dizia. “Na verdade, ele é totalmente detalhado sobre os aspectos da cultura de Thomas que é um tanto interessante, como o fato de que é de costume deles andarem sempre com roupas.”

“Como disse, entediante.” Sunny colocava a toalha de cozinha no balcão. “Bem, se vocês garotas vão ver Tom, eu posso acompanha-las, no caso dele resolver bater a porta na cara de vocês.”

“Oh, nós apreciaríamos muito, Sunny,” Dizia Rarity.

“Bob trará as sopas de vocês assim que estiverem prontas.” Sunny saía do balcão, se juntando à Rarity e Fluttershy enquanto elas caminhavam. “Voltarei daqui a pouco, Bob! Tente não ser preso pela princesa!”

O casco negro balançava preguiçosamente na janela de serviço antes de desaparecer de novo. Novamente, Applejack olhava até a janela de serviço com uma sensação desconfortável em seu estômago.

Depois que as três pôneis saíram, Applejack se virava para suas amigas, agitada pelas suas preocupações anteriores. “Então Twi, fazendo algum progresso? Sei que você já leu muito, mas encontrou algo útil?”

Twilight não tirava os olhos do livro enquanto respondia. “É bastante útil conhecer sua cultura, mas o Thomas Baker pessoalmente? Não vi nada até agora. Este livro está mais para uma enciclopédia do que uma autobiografia dele.”

“Então você está dizendo que esse livro não está ajudando como deveria.” Rainbow olhava o livro com uma expressão entediada, com seu queixo descansando em um casco.

Twilight finalmente tirava os olhos do livro e olhava para Dash. “Eu não diria exatamente isso, mas muito do que está aqui me faz hesitar para acreditar em uma única palavra dele. Aqui fala de tecnologia avançada, máquinas, combustíveis fósseis, e blá, blá, blá. Muita coisa para assimilar, especialmente sem nenhum conhecimento prévio do que diz aqui.” Um casco negro colocava uma xícara de sopa na frente de Twilight. “Oh, obrigada,” Twilight olhava de volta para o livro.

“Embora eu tenha lido apenas um quarto deste livro, posso seguramente afirmar que se alguma coisa descrita aqui for real, então o Senhor Baker não é sequer de Equestria. Já cheguei a fazer muitas pesquisas sobre outros territórios, e nenhum deles fala sobre esse lugar chamado de Estados Unidos, ou a região norte dele conhecida como Canadá.”

Twilight levitava uma colher, mergulhando ela em sua xícara de sopa, assoprava ela, e experimentava. “Nossa, isso é bom,” ela olhava de volta para Rainbow Dash. “E então acabei achando algumas semelhanças. Ambos temos eletricidade, embora se comparado aos exemplos do livro, a nossa ainda é primitiva. Ambos temos locomotivas a vapor, embora para eles isso agora é só uma peça de museu já que agora eles utilizam motores mais modernos movidos a gasolina e diesel, seja lá o que isso for.”

Twilight pegava outra colher de sopa. “Uau, isso é realmente bom. Applejack, sua família pode ter uma competição séria aqui,” ela brincava, olhando para sua amiga, somente agora percebendo o quão quietas todas elas estavam, ela pelo menos esperava alguma reação de Rainbow Dash agora depois da conversa. Applejack estava olhando para frente, com os olhos apertados. Ela nem havia tocado na sopa ainda. Pinkie Pie ao lado dela já estava em sua segunda tigela.

Ela olhava para sua esquerda, onde Dash havia começado a comer, mas agora partilhando de um comportamento semelhante ao de Applejack. “Algo errado garotas?” Twilight perguntava.

O changeling chamava suas atenções enquanto ele pegava um copo sujo, cuspia nele, e então o enxugava, colocando ele junto com outros copos mais “limpos”. Ele pegava outro copo sujo, percebendo os olhares chocados, assustados e possivelmente hostis das quatro pôneis. Ele não tinha um sorriso de início, mas sua expressão neutra se deslocava para uma carranca.

Então naturalmente foi até Pinkie Pie quebrar o silêncio constrangedor.

“Bob, pode me dar outra tigela por favor?”

Rarity e Fluttershy deixavam Sunny Side guiá-las até a loja de Thomas, jogando conversa fora entre elas. Algumas perguntas sobre Tom eram evitadas como antes, então Rarity tentava outro meio.

“Então, há quanto tempo seu marido e Thomas são amigos?”

Sunny normalmente parava por um segundo, olhando de volta para Rarity, mentalmente julgando se esse seria algum tipo de truque para deixar escapar qualquer informação sobre o carpinteiro. “Oito anos, se não me falha a memória. Por que?”

“Bem, Bob ajudou Thomas a escrever seu livro, não foi? Imagino que eles sejam amigos por um bom tempo então.”

“Imaginou como?”

“Aquele é um livro bem grande, e bem confeccionado. Deve ter levado um bom tempo para finalizá-lo.”

“Três anos, na verdade.” Sunny começava a caminhar novamente. “Quando se trata de um trabalho literário, Bob é um tanto perfeccionista. Foi Bob que deu ao velho Thomas a ideia de escrevê-lo.”

“Então pelo que entendi eles são mesmo bons amigos, não?”

Sunny suspirava. “Melhores amigos na verdade. Ambos passam por algumas situações difíceis, mas é através delas que eles ajudam um ao outro.”

“Mesmo?” Rarity olhava para Fluttershy, que observava a estrada suja pela qual caminhavam.

“Tom esteve aqui apenas por alguns anos quando eles se conheceram. Até então a maioria de nós habitantes da cidade tínhamos aceitado Tom como um dos nossos, porém demorou um pouco mais para o Bob. O próprio Tom ajudou a melhorar essa relação, auxiliando Bob com qualquer trabalho que o Senhor Fixit o designava.”

“O Senhor Fixit foi o primeiro dono da loja, correto?” Rarity perguntava.

“Isso mesmo. Os Fixits foram os primeiros a se relacionarem bem com Tom. Foi muita coincidência o próprio Tom ser um carpinteiro e encanador em seu antigo trabalho antes de vir parar aqui, então ele se adaptou naturalmente com eles. Ele tinha um carinho especial da Senhora Fixit; não faria nada ousado ou impróprio ao redor dela. No mesmo segundo em que você viesse a insultá-la ele partiria na defesa dela te estrangulando.” Sunny ria.

“Metaforicamente falando, certo?” Rarity perguntava.

“Isso, Tom teve alguns problemas em seu tempo. Se você se depara com ele estressado, ele chuta seu flanco. Sempre que há problemas na cidade em que necessita de músculos nós chamamos Tom e Bob para lidar com eles. Entre os dois tudo se resolvia,” Sunny deixava sair um longo suspiro, “ou pelo menos, em noventa por cento dos casos.”

“Tirek?” Fluttershy perguntava mansamente.

Sunny cuspia na estrada. “Sim, ele.”

As três pôneis se aproximavam da varanda, com Sunny parando enquanto ela se virava para Rarity e Fluttershy.

“Então, o que é que vocês vão tentar fazer?”

“Com Thomas?”

“Sim.”

Rarity sorria. “Bem, vocês vilarejos queriam que Thomas recebesse um ressarcimento por seus suprimentos usados nos reparos da cidade. Então nós precisamos analisar o caso e ver o quanto foi feito para calcularmos o valor do reembolso.”

Fluttershy olhava para Rarity com uma sobrancelha levantada. Rarity rolava seus olhos. “Existem alguns benefícios em dividir um quarto com Twilight, embora poucos.”

Rarity se voltava para Sunny. “E então há toda a questão da medalha. Não são todos os pôneis que conseguem uma. Elas são reservadas para pôneis, ou o que quer que sejam, que fizeram alguma coisa grande e heroica que beneficiou a todos, e não apenas a si mesmo.”

“Então você vai julgar seu caráter?” Ambas pôneis acenaram; Sunny ria. “Bem, ele é bastante complicado, boa sorte.”

As bocas de Rarity e Fluttershy afrouxavam enquanto Sunny Side caminhava e entrava pela porta escorada. Rarity e Fluttershy levaram um segundo extra para se recuperarem, então rapidamente a seguiam. O lugar estava praticamente o mesmo de ontem, embora houvesse uma anotação no balcão, avisando que ele estaria fora e voltaria mais tarde.

Sunny Side caminhava até a porta restrita para funcionários e entrava. Ela deixava a porta aberta, esperando que as duas a seguissem.

No local exclusivo para empregados, Rarity estava esperando se deparar com algum tipo de sala para armazenar suprimentos, onde ele tivesse diversas caixas empilhadas com materiais guardados. Ao invés disso, elas entraram em um local que mais parecia uma sala de carpintaria, com meia dúzia de cadeiras, cada uma diferente da outra em vários estágios de acabamento. Uma parecia ser o projeto de uma cadeira de jantar com braçadeiras fixadas em cola seca. A outra era uma cadeira de balanço, já envernizada.

O berço chamava a atenção de Rarity. Sunny caminhava até os fundos da loja, chamando o nome de Tom enquanto Rarity e Fluttershy ficavam para trás. Rarity caminhava até o berço, analisando os detalhes ponto a ponto. Esculturas únicas foram esculpidas ao longo de cada balaústre, parecidos com o da varanda de Sunny, porém muito mais finas.

Lá, preso na parte de trás, havia uma velha foto preta e branca envelhecida pelo tempo. Era de uma mãe e seu bebê, que combinava perfeitamente com o berço, embora agora faltando a arte detalhada como mostrava na foto. Rarity estava prestes a pedir para Fluttershy dar uma olhada na foto quando a porta pela qual haviam entrado se abria com o Senhor Baker entediado entrando com uma xícara de café em uma mão e uma ferramenta semelhante a uma faca na outra.

A decisão de Fluttershy foi a de rapidamente se esconder atrás de uma das cadeiras. Rarity teria se juntado a ela se o chão não estivesse coberto de pó de serra.

Thomas passava andando, nem mesmo olhando para o seu lado enquanto lentamente caminhava até o fundo da sala e colocava sua xícara de café em uma das cadeiras. Ele estendia a mão e apertava um botão em uma caixa preta, deixando escapar o som do violão que Rarity havia ouvido falar há algum tempo. Então as vozes começavam.

Era um rádio, embora parecesse bem mais moderno do que o do bar de Sunny. Não demorou nem um minuto para aquecer. O som não tinha chiado, estática, ou qualquer tendência a desvanecer-se como a maioria das rádios. A música era pura e limpa.

Thomas sorria para o rádio, então com a ferramenta nas mãos, ele começava a trabalhar na cadeira. Foi onde Rarity percebeu que não era uma faca, mas uma lima para suavizar os sulcos que foram esculpidos na cadeira. Fluttershy engatinhava, saindo debaixo do banco com sua pele e crina cheias de pó de serra e suas orelhas se contraindo com a música. Pouco tempo depois as duas estavam balançando suavemente com a música.

Foi o momento perfeito para Sunny interromper a calma enquanto ela caminhava dentro da sala através de outra entrada.

Três coisas aconteceram de uma só vez: Thomas pulou, derrubando sua xícara de café no chão que se reduzia a cacos, o rádio mudou de faixa, fazendo um ruído antes de sintonizar outro canal, e Fluttershy voltava para debaixo do banco.

“Oh, aí está você Tom! Estive te procurando.”

Thomas levava uma das mãos em seu peito, com a outra segurando com força uma ferramenta.

“Jesus Cristo, Sunny. Pra que entrar assim?” Thomas expirava, levando sua mão no peito até seu cabelo.

“Bem, para fazer seu coração bater mais forte e melhorar sua disposição.” Sunny ria.

“Oh, muito engraçado.” Thomas olhava para baixo para ver o que sobrou de sua xícara e do café derramado. Ele apertava um botão em seu rádio, o desligando, então olhava de volta para Sunny. “A que devo a honra dessa visita tão cedo? A cidade mal acordou, não está servindo café da manhã hoje?”

“Bob está cuidando disso pra mim.”

Thomas piscava, olhando para Sunny como se ela fosse boba. “Você deixou Bob sozinho, cuidando do bar, com a princesa de Equestria? Sunny não estou dizendo que foi a coisa mais estúpida que você já fez, afinal é casada com ele, mais ainda assim.”

“Ele vai ficar bem.”

Um som estrondoso de “boooom” sacudia o estabelecimento, fazendo o pó de serra que cobria os lampiões pendurados no teto e outros móveis se espalharem pelo ar.

Thomas franzia.

“Certo, talvez não. Provavelmente eu deveria voltar lá antes que o pior aconteça. Sunny batia na perna de Tom com sua calda enquanto ela corria. “Oh Tom, como eu amaria envenenar seu café da manhã.”

“Pelo menos iria dar mais tempero na sua comida!”

Sunny ria, então se virava para Rarity. “Vocês ficarão bem, queridas, então divirtam-se!” Sunny corria para fora da porta.

Foi então que Rarity percebeu que Thomas estava olhando diretamente para ela.

“Oh, hum, olá de novo, Senhor Baker.”

“Apenas Thomas, senhoria Rarity.”

“Então é apenas Rarity, Thomas.”

Os dois mantinham olhares por mais alguns segundos, antes que Fluttershy mansamente saísse debaixo da cadeira feita por Thomas.

“Oh, olá para você também, tem mais alguém escondido aqui?” Thomas olhava embaixo de sua cadeira.

“Não Thomas, apenas nós duas. Nós viemos ver se havia alguma coisa em que pudéssemos ajudar, certo Fluttershy?”

A pegasus amarela acenava levemente.

A expressão de Thomas era de alívio. “Aprecio a oferta, mas estou bem, obrigado.”

“Bem, você deve ter companhia com esse trabalho, a julgar pela placa restrita a funcionários lá na porta. Eu posso não ser uma mestre em carpintaria como você, mas tenho me envolvido nessa atividade com alguns clientes recentemente.”

Thomas caminhava para outro canto da sala, pegando uma vassoura e um espanador. “Se eu quisesse ajuda, eu contrataria alguém.”

Thomas se virava, e Rarity já estava levitando um pano com sua magia para limpar o café derramado. Ele só podia torcer para que ela não estivesse usando um de seus panos limpos.

“Então talvez você precise de algumas roupas sob medida?”

“Nós temos um alfaiate, eu estou bem.”

“Bem, talvez…”

Thomas erguia um dedo. “Olha, sei o que você está tentando fazer e falhando. Pode parar de rodeios e ir direto ao ponto.”

As orelhas de Rarity dobravam. “Bem, é que, nós queríamos saber… sobre um certo aspecto de sua espécie.”

“Eu lhes dei o livro, é só olhar nele.”

“Bem, isso estava preocupando Twilight, porque ela ainda não achou a resposta no livro.”

“Mas quando encontrar, e provavelmente vai, ela pode se acalmar e parar de mandar suas amigas tentar obter a informação de mim.” Thomas começava a varrer os pedaços da xícara, agora secos graças à Rarity.

Enquanto os dois discutiam, Fluttershy chegava mais perto, examinando Thomas enquanto ele falava. Finalmente, ela andava até Thomas enquanto ele estava ajoelhado varrendo os cacos de porcelana para dentro de uma panela.

“Abra sua boca, por favor.”

Rarity e Thomas imediatamente ficavam em silêncio, olhando para a pegasus confusos.

“Perdão?” Thomas perguntava, mais surpreso do que aborrecido.

“Hu, se você não se importa, eu gostaria de ver seus dentes, por favor,” Fluttershy respondia.

Thomas olhava de volta para Rarity com um olhar de interrogação. Ela dava de ombros. Thomas rolava seus olhos, então abria a boca. Fluttershy analisava o interior dela, acenando em seguida.

“Obrigada, isso responde minha pergunta.”

“Só isso? Não vai querer me fazer tossir e tirar minha roupa?”

Fluttershy ficava com o rosto vermelho, então Rarity tirava a atenção de sua amiga.

“Bem, é que na noite passada as opções do cardápio do restaurante de Sunny Side nos pegou de surpresa.”

Thomas sorria, mostrando seus dentes. “E vocês não fugiram da cidade? Então onívoros não deve ser uma coisa nova pra vocês duas.”

“Já conhecemos alguns griffons com esses hábitos alimentares, então não.” Rarity dizia.

“A pergunta de vocês era essa então? Em que consistia minha dieta?”

“Bem, essa foi a pergunta urgente.”

Thomas se virava para Fluttershy. “Onívoro, o tipo que como qualquer coisa que é jogado na frente dele. E daí, você é uma dentista ou algo assim? Pode dizer qual é a minha dieta apenas olhando meus dentes?

“Oh, hum, não. Na minha casa eu cuido de muitos animais, então me acostumei a identificar o que eles comem apenas analisando os dentes.”

Thomas realmente se animava com isso, pegando uma pequena pá e despejando seu conteúdo em uma lata de lixo. “Então você é como um veterinário, certo?”

“Bem, eu não sou formada em veterinária, então tecnicamente não…”

“Isso é perfeito então. Eu sempre detestei pessoas formadas. Só porque eles têm diplomas não quer dizer que sejam espertas o suficiente para compreenderem a natureza de seus ofícios.” Thomas caminhava até a cadeira de balanço, passando os dedos em um dos apoios de braço. “Sabe, você pode realmente ser capaz de me ajudar no final das contas.”

Rarity e Fluttershy dividiam olhares, então se voltavam para Thomas. “Mesmo?”

“Veja, enquanto toda aquela besteira do Tirek estava acontecendo e eu estava ocupado, não fui realmente capaz de manter um olho sobre os gatos da Senhora Fixit. Um deles parece doente, eu acho.”

Fluttershy dava um passo à frente. “Doente? Como assim?”

“Bem, um de seus olhos não abre por inteiro. Eu só tinha um animal de estimação em constante crescimento e que era um comedor de algas que sobreviveu em meio aos mais de vinte peixes dourados. Provavelmente ele ainda está vivo. Então quando o assunto é gato eu realmente não entendo nada. Pensei em mandar um telegrama para alguns veterinários de Manehattan já que eu conheço alguns por lá, mas se você é familiarizada com animais de estimação, acho que poderia dar uma olhada então? “

Fluttershy sorria com orgulho. “Claro, com certeza. Deixe-me voltar e pegar meu alforje, vou ser rápida.”

Antes que alguém pudesse dizer algo, Fluttershy já estava passando pela porta de saída, deixando um rastro de pó de serra. O que veio depois foi um embaraçoso silêncio, embora Thomas ainda estivesse se mantendo ocupado.

“Então, o nome senhora Fixit me soa familiar,” Rarity finalmente quebrava o gelo… de novo.

“Bem, conhecendo Sunny Side, ela provavelmente mencionou o nome Fixit. Senhor Fixit era o proprietário original deste estabelecimento, e o carpinteiro da cidade. Sua esposa ainda mora em sua casa, sozinha, com meia dúzia de gatos. Não tenho ideia de onde eles vieram.”

“Oh sim, Sunny estava falando brevemente sobre isso. Ele deixou o estabelecimento pra você?”

“Por aí.”

“Por aí?”

Thomas parava de mexer em um bloco de madeira, olhando Rarity de cima a baixo, julgando mentalmente sobre o que ele poderia ou deveria dizer. “Tecnicamente, ele deixou tudo para sua esposa. Eu ofereci comprar tudo, mas ela se recusou e insistiu em dar o estabelecimento para mim.”

“Ela deu este lugar para você?”

Thomas encolhia os ombros. “Pôneis, vocês são todos confiantes e felizes e querem fazer todos ao redor terem o mesmo sentimento. Então, como pagamento,” Thomas gesticulava seus dedos em um estranho gesto de palavra, “Eu geralmente ajudo a cuidar de sua casa. A visito frequentemente, ajudo com o que quer que ela precise, bem como conserto o que precisa de reparos ou reforma.”

Então Thomas pegava a cadeira de balanço, a colocando em um carrinho de mão. “E hoje estou levando de volta para ela sua cadeira, totalmente renovada e pronta para outra década de desgastes.”

“Bem, você faz um trabalho amável, devo dizer.”

Thomas balançava uma mão. “Eu não construí essa cadeira, Senhor Fixit fez ela como presente de aniversário há poucas décadas atrás. Apenas passei uma outra camada de verniz e endireitei as partes tortas.”

“Bem, ainda assim, expõe o seu talento. Aquele berço por exemplo.” Rarity se virava até ele.

Thomas olhava também, então rapidamente corria para pegar um lençol e o cobria. “Sim, bem, não diga uma palavra sobre esse berço para qualquer um.”

“Por que não deveria? A confecção dele está indo muito bem.”

“Porque é segredo e a última coisa que preciso fazer é abastecer os moradores dessa cidade com fascínios me elogiando por besteira…”

Antes que Rarity pudesse perguntar mais, Fluttershy retornava com um par de alforjes e um grande sorriso. “Tudo bem, estou pronta.”

“Certo.” Thomas pegava uma pequena caixa de ferramentas e a colocava no carrinho de mão, logo em seguida ele abria facilmente um grande conjunto de portas de seis pés de largura, conduzindo o carrinho para fora, atrás da loja.

Thomas pegava o carrinho de mão, tendo ainda que se curvar para baixo e empurrá-lo para fora com Rarity e Fluttershy logo atrás. Algumas coisas imediatamente chamavam a atenção da unicórnio branca.

“Aquela é a carruagem de Trixie?”

“Sim, infelizmente. Presumo que vocês duas já conhecem a senhorita arrogante?”

Rarity ria. “Oh sim, nós vimos ela ontem à noite. Na verdade nós temos uma história com ela, a partir de algumas ocorrências em nosso passado.”

“Na verdade não chega a ser algo novo.” Thomas continuava caminhando passando pela carruagem de Trixie. “Você ficaria surpresa em saber como muitos pôneis que passam nessa cidade saem correndo assim que se deparam com ela. Para nossa sorte ela só costuma ficar por algumas semanas, meses, no máximo. Só que desta vez é um pouco diferente, porém.”

“Como assim?” Fluttershy perguntava.

“Bem, como ela mesma falou, um grupo de seis pôneis frustraram suas tentativas de riqueza e de fama e coincidentemente também destruíram sua carruagem.” Thomas parava, deixando o carrinho e mão. “Se algum dia eu descobrir quem são esses pôneis, irei fazê-los pagar.” Ele cerrava seu punho.

“P-pagar? Co-como assim?” Fluttershy gaguejava, tentando se esconder atrás de Rarity.

“Bem, desde que Trixie não pode pagar pelo conserto de sua carruagem, eles certamente poderão!“ Thomas pegava a carriola novamente. “Afinal, se o que ela disse é verdade, eles deveriam mesmo pagar pelos danos.”

Rarity e Fluttershy soltavam um suspiro de alívio, rapidamente se juntando ao Thomas enquanto ele continuava. Rarity queria perguntar sobre o outro estranho veículo com design único, mas preferiu deixar para mais tarde. Agora, uma outra pergunta mais importante surgia.

“Thomas? Vai ser quanto tempo de caminhada?”

Thomas olhava para Rarity. “Uma meia hora de caminhada. Se eu não estivesse empurrando esta carriola seria mais rápido.”

“Então você caminha em todo lugar?”

“Você pergunta como se isso não fosse uma coisa boa.”

“Não exatamente por isso, é que ouvi dizer que algumas casas ficam bem distantes da cidade.”

“Bem, normalmente eu dirijo por aí, mas sem gasolina ainda estou S-O-L.”

“Dirigir?” Fluttershy perguntava.

“S-O-L?” Rarity também perguntava.

“É uma longa história. Aquele livro irá explicar isso tudo, quando vocês o lerem inteiro eu preencho as lacunas das suas perguntas.”

“Bem, honestamente Twilight é a leitora, então ela é que irá preencher.”

“Típico.” Disse Thomas, deixando escapar uma risada.

“O que é tão engraçado?”

“Apenas me lembrou alguém.”

“Quem seria?”

O sorriso brincalhão na face de Thomas mudava para uma testa franzida. “Ninguém importante.”

Para o resto da caminhada, Rarity e Fluttershy permitiram a Thomas algum espaço para respirar enquanto ele liderava o caminho. Outros pensamentos e perguntas surgiriam das duas pôneis, mas para o resto da caminhada ele dava apenas respostas curtas e rápidas. Em pouco tempo uma pequena cabana ficava à vista.

“Aquela é a casa?” Rarity perguntava.

“Isso. Nós realmente fomos rápidos, ou vocês duas foram distração suficientes para não pensarmos sobre a caminhada.”

Thomas colocava a carriola próxima à parte da frente da varanda, onde costumava ficar a cadeira de balanço. Eles se aproximaram da porta de entrada, com Thomas colocando a reformada cadeira ao lado dela. Rarity observava compassiva como desgastado e cansado Thomas parecia. Provavelmente ele já estava cansado antes de sair com esse carrinho de mão, ela pensava.

Thomas levantava sua mão para bater na porta, mas antes mesmo de tocá-la uma voz o chamava.

“Thomas! A porta está destrancada, entre!”

As duas pôneis olhavam Thomas confusas enquanto ele sacudia a cabeça, então sussurrava, “Ela está sempre destrancada.”

Ele abria a porta, conduzindo as duas pôneis para uma simples sala da cabana. Não havia paredes separadas. A cama, cozinha, guarda-roupa, tudo se concentrava em uma enorme sala. Por mais desanimador que parecesse, a decoração, móveis e outros acessórios espalhados tornavam o local bastante confortável. Cada parte dos móveis era decorado com tecido costurado na frente e trás. Havia quadros com pinturas a mão nas paredes, fazendo Rarity se lembrar dos museus de arte de Canterlot.

O que mais chamava a atenção eram as prateleiras que alinhavam a “sala de estar”, cheias de pequenas estatuetas de pôneis.

“Eu estava começando a fazer um pouco de chá, você e suas amigas querem também?”

Rarity finalmente avistava a pônei em questão, de costas para eles em um fogão. Como ela sabia que estávamos aqui? Ela nem mesmo se virou.

“Eu adoraria, e tenho certeza que as duas também.” Thomas olhava Rarity e Fluttershy com uma expressão de expectativa.

“Oh sim, eu adoraria, obrigada.” Fluttershy confirmava.

“Então, quem são suas hóspedes de hoje Thomas? Não reconheço as vozes.”

“Rarity e Fluttershy, esta última uma vet…”

“Eu não sou uma…”

“Oh, isso é ótimo! Meus pobres gatinhos não tiveram um bom check-up desde que o doutor aposentou.

“Doutor? Seria um médico?” Rarity perguntava.

“Sim, o doutor era tanto médico como veterinário. Nunca consegui vencer a paranoia de que todos os seus termômetros se pareciam com o mesmo.”

Rarity e Fluttershy olhavam uma para a outra, mas se voltavam novamente para a Senhora Fixit andando com uma bandeja em suas costas. Suas asas estavam uniformemente espalhadas, embora um pouco trêmulas, e antes que as pontas das asas se chocassem com algum móvel, ela as ajustava para continuar em direção da “sala de estar”.

Foi quando Rarity ficou perto de engasgar, observando os olhos daquela pônei.

Eles estavam completamente limpos, não havia pupilas e a íris parecia estar quase ausente também.

“Thomas, querido, poderia?”

“Claro.” Thomas pegava a bandeja da velha pegasus, a colocando na mesa de café.

Usando suas asas, Senhora Fixit se ajustava para sentar em uma simples, mas confortável cadeira, aconchegando suas costas com alguns leves gemidos.

“Sintam-se à vontade! Sentem-se por favor!” Ela apontava para o sofá.

Thomas sentava no meio do sofá, Fluttershy no lado direito e Rarity no lado esquerdo. Seu desconforto era visível, mas as duas pôneis fingiam ignorar enquanto ele servia as xícaras de chá para todos. Rarity conseguiu evitar de comentar o fato de que as xícaras não combinavam com a cor dos pires.

“Então, fale-me de vocês! Devem ser muito especiais para Thomas trazê-las com ele.” Senhora Fixit dizia, tomando um gole de chá.

“Bem, hum, o que Thomas disse não é totalmente verdadeiro. Não sou formada em veterinária, embora sempre quisesse ser, mas eu cuido de todo tipo de animais, seja domésticos ou selvagens.” Fluttershy soprava sua xícara de chá e então tomava um gole para tentar acalmar a si mesma. “Tenho cuidado de animais desde que era criança, então adquiri muita experiência nessa área. Thomas, hum, disse alguma coisa sobre um de seus gatos estar doente.”

“Sim, é o Scrufflepuss, e não se preocupe querida, se Thomas confia em você então está tudo bem.”

Fluttershy olhava Thomas nervosamente, que apenas acenava. “É isso aí.”

“E quanto a você, querida? Estamos muito longe de Manehattan.”

Rarity foi pega de surpresa. “Oh, eu não sou de Manehattan.”

“Mesmo? Eu devo estar enferrujando. Costumava identificar a origem de um pônei apenas pelo seu sotaque. A exemplo de sua amiga Fluttershy, você tem a voz tão doce querida, estou sentindo fortemente que você é de origem Fillidelphiana, mas parece ter vínculo com alguma área rural, estou certa?”

Fluttershy piscava. “Nossa, é isso mesmo!”

Rarity se virava para sua amiga. “Você nunca me disse que era de Fillidelphia!”

“Ah, aí está!” Senhora Fixit sorria. “Pelo que posso ver agora ambas são da mesma cidade, não é?”

“Sim, Ponyville para ser exato.” Rarity mantinha seus olhos em Fluttershy, que tentava se esconder atrás do enorme corpo de Thomas.

“Você disse Ponyville? Eu me lembro dessa cidade. Pequena, elegante, tem as melhores maçãs de Equestria. Diga-me, a Senhorita Smith ainda mora lá?”

“Oh sim! Na verdade, uma de nossas amigas é neta dela.”

Senhora Fixit sorria. “Ela era uma pônei forte, nada a impedia de ficar de cabeça erguida, mesmo quando perdeu seu marido, pobrezinha.”

Fluttershy surgia do corpo de Thomas, olhando para Rarity. “Ela… eu não sabia disso.”

“Thomas, querido? Parede sul, terceiro quadro à esquerda.”

Thomas levantava, caminhando e puxando para baixo uma das muitas pinturas emolduradas. Em seguida ele passava o quadro para Rarity, que o levitava com sua mágica.

A ilustração era de dois pôneis e uma potranca.

“Esse é o rancho Maçã Doce!”

“Essa é a Vovó Smith?” Fluttershy apontava para a pônei mãe.

“Sim, essa foi a família mais hospitaleira que eu e meu marido já conhecemos em nossas viagens.”

Você viajava muito?” Fluttershy perguntava.

“Por toda a parte. Cada pintura que você observa nessa sala é dos lugares por onde passamos.”

“Você pintou todos esses quadros?”

Senhora Fixit deixava escapar uma risada antes de mudar um pouco sua posição na cadeira e levantar uma asa para mostrar sua marca especial: um pincel com asas.

“Eu também gostava de costurar, mas sim. Meu marido fazia esses quadros de madeira, e eu dava vida a eles.”

“Então vocês trabalhavam em equipe, adicionado ao fato de que viajavam muito, essa parecia ser uma vida adorável,” Rarity dizia, devolvendo o quadro para Thomas. “Applejack adoraria ver esse quadro também.” Mais para ver sua mãe também, agora sei que Big Macintosh herdou seus traços fortes.

“Thomas terá que trazê-la,” ela colocava sua xícara vazia na mesa ao lado do pires, mas parecia não se importar com esse detalhe. “Então, não quero desperdiçar o dia de vocês fazendo uma releitura do passado. Vamos ver se achamos os gatinhos.”

Após algum tempo examinando metade dos gatos, Rarity saía da casa, cansada, com sua crina um pouco bagunçada, mas feliz pelo pesadelo ter acabado. E ela se lembrando de sua gata Opal era doloroso. Imagine ter seis delas! Ela deixava Fluttershy checar os gatos restantes e saía para tomar ar fresco.

Em meio ao caos, ela perdia a localização de Thomas depois dele ter ido consertar uma porta do armário que estava caindo.

Shink, Shink, Shink.

Rarity olhava para cima, observando o humano sentado em um caixote de madeira ao lado das duas cadeiras de balanço. Em uma mão aparentemente uma faca normal, e na outra um bloco de madeira. Conforme ela se aproximava, o bloco de madeira realmente ia ganhando forma.

“Foi você que fez aquelas estatuetas de pôneis?”

Thomas desviava o olhar do bloco para Rarity, acenava, então voltava a se concentrar na madeira.

Rarity encontrava uma outra caixa de madeira e a arrastava para se sentar ao lado de Thomas, embora não muito perto com receio de perturbá-lo. Ela ficava admirada observando a escultura para o que antes era apenas um bloco de madeira. Às vezes parecia que ele estava raspando com a faca de forma aleatória, porém quanto mais ele continuava, mais a forma ia ficando nítida. Era um formato único, diferente das outras estatuetas. A estátua estava deitada sobre suas coxas, e a cauda enrolada em torno das pernas traseiras.

“Você está esculpindo a Fluttershy, não é?”

“Acertou.”

Ocorreu um silêncio por mais alguns segundos.

“Então, há quanto tempo…”

“Poucos meses depois do Senhor Fixit falecer, já deve dar uns três anos. Naquela época a visão da Senhora Fixit já estava apresentando problemas.”

“Ela foi uma adorável pintora em seu auge.”

“Sim.”

Novamente, o silêncio.

“Esta é a maneira como ela enxerga um pônei.”

Rarity piscava, retornando sua visão de volta para o humano. “Hm?”

Thomas levantava a estátua quase completa. “Eu costumava fazer esses brinquedos para algumas crianças da cidade, mas quando Senhora Fixit ficou cega, ela se esforçava para falar com outros pôneis. Ela sempre foi boa em identificar sotaques como você percebeu, mas para descrever alguém pela voz era um esforço muito grande. Um dia ela tropeçou em um desses brinquedos que eu tinha feito, e foi capaz de senti-lo e reconhecer quem era.”

“E isso me fez pensar. Se ela podia sentir e reconhecer instantaneamente quem era, então por que não fazer mais quando ela conhecer novos pôneis? Então é isso o que eu faço. Quando ela conhece alguém e gosta dele, eu faço um desses para que ela possa ‘enxergá-lo’ dessa maneira.”

“Você gosta muito dela, não é?”

Thomas voltava a talhar. “Sim, seu marido e ela foram os únicos que confiaram em mim quando cheguei aqui. Se não fosse por eles, eu poderia ter ficado perdido no deserto, e acabado morto por vá se lá saber que motivo.”

“Bem, tenho certeza que alguém mais o teria ajudado também.”

Ele riu. “Oh sim, você e a reação das suas outras amigas no nosso primeiro encontro deixou isso bem claro. Se o Sherife e o Prefeito não estivessem lá, tenho certeza que não estaria intacto como estou agora.”

Rarity encolhia, se recordando do primeiro encontro onde procurou por algum objeto próximo na sala para levitar e arremessar nele.

“Tem razão.”

Eles ficavam sentados em silêncio por mais alguns minutos, então Thomas se levantava e se espreguiçava.

“Bem, acho que está pronto,” ele dizia, entregando a estátua na direção de Rarity.

Gentilmente, ela levitava a figura com sua mágica e a trazia para perto dela. “Simplesmente perfeito, Thomas. Você enriquece seus trabalhos com muitos detalhes.”

Sim, bem, quando eu não estava ocupado com meus irmãos, eu passava o tempo brincando com blocos de madeira. Fiz muitos como sendo meus próprios brinquedos quando era jovem, simplesmente porque nada do que nosso pai comprava dava pra dividir. Para ser nosso nós tínhamos que fazer e comprar nós mesmos.”

A mente de Rarity ficava em chamas, essa frase simplesmente abria um leque para muitas perguntas, mas no momento ela só poderia compila-las. Perguntar a ele sobre coisas pessoais poderia acabar arruinando aquele momento.

“Bem, suas habilidades demonstram isso.” Rarity devolvia a estátua, que Thomas pegava cuidadosamente de sua mágica.

“Raios, nunca me acostumo com esse sentimento,” ele dizia, tremendo enquanto caminhava para dentro da casa. Quando ele retornou, estava com outro bloco de madeira nas mãos.

“Vai fazer outro?” Rarity perguntava.

“Claro, disse que faço os pôneis que a Senhora Fixit gosta.”

“Será eu?” Rarity colocava um casco em seu próprio peito.

Thomas ignorava a pergunta, virando-se junto com seu banco para Rarity. “Fique nessa posição.”

Assim fez Rarity, e Thomas começava o trabalho. Poucos minutos depois ela foi capaz de relaxar novamente, ele já havia memorizado a imagem que queria, e continuava. Para Rarity, era maravilhoso assistir um simples bloco de madeira ganhar forma a cada movimento da ferramenta que Thomas fazia.

“Seus irmãos devem ter inveja dessa habilidade.” Rarity chutava a si mesma em pensamentos. Oh, aqui vou eu estragando tudo.

Thomas não perdia o ritmo. “Até que não, meus irmãos usavam isso como desculpa para ficar com todos os brinquedos para eles. Meu pai era o único quem realmente apreciava.”

“E sua mãe?”

Thomas hesitava, mas continuava. “Ela faleceu quando eu tinha seis anos.”

As orelhas de Rarity murchavam. “Eu… eu sinto muit…”

“Foi há muito tempo atrás. Eu era novo demais para me lembrar de qualquer maneira.”

A porta se abria, com Fluttershy conduzindo Senhora Fixit com uma bandeja nas costas.

“Fizemos mais chá, caso vocês queiram,” Fluttershy dizia.

“Eu adoraria.” Rarity se virava para Thomas, que estava de pé. A forma como ele age e trata ela com amor… faz muito sentido agora.

Os quatro sentaram na varanda, com Thomas dando seu banco para Fluttershy e se sentando no chão. Ele continuava fazendo a estátua de Rarity, a Senhora Fixit cochilava em sua cadeira de balanço recém reformada, enquanto Fluttershy e Rarity continuavam maravilhadas com o trabalho de Thomas. Eles haviam perdido a noção do tempo, mas o sol estava se posicionando bem em cima deles dificultando um pouco a visão. A outra cadeira de balanço vazia rangia um pouco, influenciada por uma brisa suave.

Fanfics estrangeiras

Importaria se eu fosse?

Fluttershy

Autor: GaPJaxie

Tradução: Drason

SINOPSE: Fluttershy sempre foi apegada aos animais, dos mais fofos até os mais assustadores, e mesmo os changelings não se tornaram exceções. Interessada em saber até onde iria o preconceito dos outros pôneis sobre essa raça, a pegasus amarela faz uma pergunta inusitada à Princesa Twilight Sparkle.

—-

“O que?” Twilight perguntava, olhando através da sala. Sua boca ficava ligeiramente aberta, e suas orelhas dobravam levemente. Fluttershy olhava de volta sem responder, e Twilight franzia a testa. “Sinto muito, acho que entendi errado.”

“Isso importa?” Fluttershy repetia, colocando ao lado uma das maiores caixas de livros. Sua voz era quieta, mas não tímida, e ela mantinha o olhar de Twilight através da longa distância entre elas. Ela estava ajudando Twilight a limpar a biblioteca, e tinha vários livros abrigados em suas asas. “E se eu fosse um deles. É isso.”

“Teria importância se você fosse uma changeling?” Twilight questionava, acrescentando mais firmeza em suas palavras. Sua expressão confusa ficava acanhada, e sua calda sacudia. “Era isso que você queria saber?” Fluttershy acenava em concordância, e Twilight continuava. “Bem, teria importância sim. Os changelings tentaram invadir Canterlot e escravizar toda Equestria.”

“Changelings tentaram invadir Canterlot e escravizar toda Equestria,” Fluttershy repetia, mais gentilmente do que Twilight havia feito. Sua voz era suave, mas a estrutura de suas palavras eram ordenadas, como se ela estivesse lendo uma declaração bem ensaiada. Ela se virava de volta para a prateleira na frente dela, e retornava os livros sob suas asas de volta para ela.

“Foi o que eu disse.” Twilight continuava olhando Fluttershy, agora em suas costas. Fluttershy pegava um livro e arrumava as dobras. Havia muito trabalho a ser feito para deixar Canterlot em ordem novamente após a invasão dos changelings. Elas ainda não haviam deixado a biblioteca de Canterlot. Fluttershy estava guardando os livros nas prateleiras e Twilight estava colocando as cadeiras em ordem, com Spike dormindo em algum lugar.

“Não, você disse que changelings invadiram Canterlot.” Fluttershy terminava com seus livros, e usava suas asas para suavizar uma parte de suas penas que estavam bagunçadas. Feito isso, ela se voltava para Twilight. “Digo, é diferente de alguns unicórnios dessa cidade chamando Applejack de uma… lam…hoje.”

“Lama não é palavrão, Fluttershy,” Twilight respondia, franzindo enquanto falava. Sua orelha esquerda torcia.

“Quando se usa naquele sentido, é sim.” Ela andava através da sala, mas não próxima ao sofá de Twilight. Ao invés, ela foi até a velha escrivaninha, ainda coberta de papeis e copos empoeirados. “E não mude de assunto.”

“Não estou mudando de assunto. Você está apenas…” Twilight suspirava, sacudindo sua calda para trás e esticando seu pescoço. Olhe, Fluttershy. Esta não é a hora. Tudo bem? Meu irmão e Cadence ainda estão traumatizados por ele ter tido sua mente controlada e ela raptada. Então se você quer ter um debate filosófico depois, com certeza, mas isso não é divertido.”

“Não é divertido porque não estou brincando.” Fluttershy chegava até a escrivaninha e começava a empilhar ordenadamente os pratos e copos para carregá-los com mais facilidade. As pontas de suas asas davam um ótimo espanador ao usá-las para afastar as cinzas camadas de poeira que tinham acumulado na madeira. Foi só depois da pausa que ela prosseguia. “Tenho sido sua amiga por muito tempo. Eu fui o elemento da bondade, lutei ao seu lado contra a rainha e seu exército. A magia de Shinning e Cadence não me baniu. E, bem…”

Ela ficava quieta por um segundo, seus olhos focavam firmemente na mesa enquanto ela trabalhava. “Quero dizer que seu fosse te trair, eu tive uma ampla oportunidade para isso. Então eu penso neste ponto, provei que minhas ações e minha amizade são reais. Então, se minha forma de changeling tivesse sido revelada, isso faria diferença?”

Twilight pausava e olhava através da sala. Ela se sentava em linha reta, e seus ouvidos se animavam-se à atenção, até seus olhos se estreitavam. Ela começava a falar, mas fechava sua boca sem dizer nada. Fluttershy ainda não erguia os olhos. “Está falando sério,” Twilight finalmente falava.

“Estou falando sério quando digo que quero saber sua resposta para a pergunta,” Fluttershy respondia. Ela soltava a respiração que estava segurando, e pegava a pilha de pratos. Seus olhos ficavam em seu trabalho, e sua cabeça para baixo.

“Você…” A respiração de Twilight ficava presa em sua garganta, e ela teve que forçar as palavras para saírem. Seus olhos estavam arregalados. “Você é um changeling?”

“Eu não disse isso,” Fluttershy respondia. A pequena área da biblioteca não tinha cozinha – que ficava no andar de baixo – então ela levava os pratos sujos para o topo da escada, e os deixava ao lado dela.

“Então você não é uma changeling?” Twilight se inclinava para frente. “Está me perguntando isso sem nenhuma razão aparente!?”

“Não disse isso também,” Fluttershy encostava na pilha de pratos com um casco.

“Fluttershy!” Twilight exclamava, com sua voz aumentando abruptamente. “Isso não é engraçado!”

“Bem, eu não sou de brincar, sou Twilight!?” Fluttershy retrucava, voltando a fazer contato visual em toda a sala. Suas asas alargavam para fora de seu corpo, e os ouvidos inclinavam para trás. “Estou tão somente lhe fazendo uma pergunta.”

“Bem, se você não é uma changeling, por que isso importa?” Perguntava Twilight. Sua respiração ficava rapidamente instável, e suas pernas tremiam enquanto ela se levantava do sofá. “Hein!? Por que você precisa saber?”

“Porque você não sabe o que aconteceu ontem, Twilight.” A voz de Fluttershy soava em um tom firme, e ela não desviava o olhar de sua amiga. “Nenhuma de nós sabia. Tudo o que sei é que um grupo de changelings nos atacaram por algum motivo, e logo em seguida foram banidos. Você não sabe de onde eles são, ou como eles são, ou até mesmo porque eles fizeram aquilo. Mas apenas por isso, você já está preparada para estigmatizar e julgar toda uma raça como má.

Twilight olhava para Fluttershy, ela abaixava a cabeça em alguns graus, para depois levantá-la de volta. Suas pernas se mexiam de maneira aleatória. “Eu não disse que eles eram maus.”

“Você acabou de deixar bem claro que só de pensar na possibilidade de uma de suas amigas ser uma changeling seria aterrorizante.” Fluttershy amaciava suas asas, erguendo um casco dianteiro e abaixando novamente. Ela abaixava a cabeça em alguns graus, mas mantinha os olhos em Twilight. “Digo”, disse ela depois de um momento, “Você passou por muita coisa, tem o direito de ficar com medo, até de ficar com raiva. Mas não é a mesma coisa.”

“Então o que você está dizendo?” Twilight perguntava. “Que há outros changelings por aí que não são maus?”

“Talvez.” Fluttershy inspirava, e então erguia seu queixo para olhar Twilight diretamente nos olhos. “Talvez nem todos os changelings. Você não sabe. E porque tudo isso importa é pelo fato de que não estou convencida de que o exército que nos atacou era mau.”

“O que?!” Twilight dava um passo acentuado à frente. “Eles escravizaram meu irmão e tentaram destruir todos nós! Por acaso você perdeu essa parte Fluttershy??”

A pegasus amarela dava meio passo para trás no momento em que Twilight avançava, se afastando de seu olhar com um casco saindo do chão. Ela congelava nessa posição, e Twilight congelava da forma que estava, com as duas olhando uma para a outra com indiferença. Eventualmente, a expressão de Twilight se acalmava e Fluttershy colocava o casco novamente no chão. “Desculpe”, dizia Twilight.

“Está…” Fluttershy engolia. “Está tudo bem. Mas foi a rainha deles que escravizou e tentou nos destruir. Os outros eram apenas soldados. Apenas talvez eles fossem como ela, eu não sei, definitivamente não tem como ter certeza. Ainda, o feitiço de Shining Armor baniu eles, e eu me lembro de você falar que foi executado sem más intenções. Mas… talvez eles estivessem apenas fazendo o que lhes foi ordenado.” Fluttershy se afastava de Twilight ligeiramente, e caminhava para o outro lado da escrivaninha com um passo firme. “Eles se parecem com insetos, talvez fossem realmente leal à colmeia deles. Você não sabe.”

Fluttershy chegava à escrivaninha e colocava um casco em cima dela, olhando para ele por alguns segundos enquanto prendia a respiração. “Você não sabe e por isso não deveria tomar decisões e suposições precipitadas.”

“Se você não é uma changeling, por que está falando tudo isso?” Twilight exigia. Seus olhos ficavam apontados para as costas de Fluttershy. “Essa nem parece você.”

“Porque se eu esperar, será tarde demais.” Fluttershy começava a arrumar os papéis sobre a escrivaninha, usando pequenos golpes das penas de suas asas para jogar a poeira para fora dos papeis. “Se você, Shining, Cadende, Celestia e Luna nos ordenassem a… eu não sei, a começar a analisar os pôneis para ver se eles realmente são metamorfos e em seguida verificar se eles eram changelings o tempo todo? Digo, pense sobre isso.” Fluttershy respirava fundo e então deixava o ar sair abruptamente. Falando rápido ela disparava para fora. “Se nossas amigas ou qualquer outro lá fora fosse um changeling o tempo todo, será que iríamos nos sentar e termos uma boa conversa sobre o que isso significaria?”

“Por que você se importa?” Twilight exigia.

“Tenha dó, Twilight. Por que eu me importaria com o fato de você estar condenando uma criatura inocente apenas por causa de sua raça?” Ela franzia e batia um casco na escrivaninha com força. “Ainda acha que essa não parece eu?”

“Sendo impaciente e sarcástica não parece”, salientava Twilight. Seu tom, porém, abrandava, tornando-se mais cautelosa do que com raiva. “Ou pelo menos seu jeito tímido e educado de sempre não parece estar impedindo você de ser assim agora.”

“Bem, você está gritando comigo”, dizia Fluttershy, baixando a voz. Ela virava a cabeça para trás de Twilight, olhando por cima do ombro.

Twilight respirava longamente várias vezes. Ela olhava para Fluttershy, e Fluttershy olhava para ela. Os cascos de Twilight raspavam no chão. Ela engolia seco. “Eu sempre te vejo cercada de animais que te amam.”

Fluttershy hesitava, suas orelhas inclinavam para trás enquanto sua cauda encolhia. “Eu presumo que sim.”

“E nisso você tem um lado desagradável.” Twilight continuava, sua voz elevava-se lentamente. “Um lado realmente desagradável, na verdade até cruel. Você não deixa seus bichinhos saírem muito, e … “Os olhos de Twilight arregalavam. “Seu olhar fixo! Você pode controlar a mente dos animais!”

“Suponho que posso,” Fluttershy concordava, se afastando e virando a cabeça.

“Fluttershy…” Twilight deu meio passo à frente. “Você é uma changeling?”

“Importaria se eu fosse?” Fluttershy repetia.

“Fluttershy, eu preciso que você responda essa pergunta,” Twilight dizia. Ela dava um passo em direção à sua amiga, fazendo uma pausa em seguida, dando um passo para trás. Ela mantinha uma distância entre as duas, seu chifre baixava um pouco na direção das costas de sua amiga.

“Bem,” Fluttershy dizia. Seus olhos se fixavam para frente. “Preciso que você responda minha pergunta primeiro.”

Twilight não respondia. Ela olhava para trás de sua amiga, não fazendo nenhum outro som além de sua respiração. Após alguns segundos de silêncio, Fluttershy olhava para Twilight. Seus olhos estavam arregalados, mas não dilatados de medo. Ela simplesmente parecia olhar para Twilight muito atentamente, e Twilight dava meio passo para trás.

Twilight olhava para o lado, evitando o olhar da pegasus amarela.

“Não, nã… não. Isso não importaria nem um pouco e nem haveria preconceito de minha parte”, dizia Twilight. “Com certeza seria estranho, mas, bem. Como você mesma disse, provou que realmente é minha amiga. Não importa se você é uma pônei terrestre, uma Pegasus, ou um inseto gigante. A amizade é o que importa aqui. Eu estou apenas um… apenas um pouco desconfortável com isso tudo. “Ela limpava a garganta. “Pois é.”

“Twilight, eu acho que você está mais do que um pouco desconfortável.” Fluttershy expirava. Ela até sorria um pouco, apesar de não se estender até os olhos. “Mas, você já passou por muita coisa, dá para entender. Digo, eu não me importo se Applejack, por exemplo, é uma pônei terrestre ou uma Pegasus, mas se eu descobrisse que ela era uma pegasus esse tempo todo…eu não sei. Que tinha suas asas escondidas de alguma forma? Eu sei que provavelmente iria surtar.”

“Rainbow e as outras surtariam também, pegaria todo mundo de surpresa,” Twilight concordava. Ela soltava uma risada, e Fluttershy ria também. O riso desaparecia, e Twilight respirava profundamente. “É isso então? Você é uma changeling?”

“Não,” Fluttershy simplesmente respondia. “Não sou.”

Twilight piscava. “O que?”

“Não sou uma changeling,” Fluttershy repetia com um tom forte. “Foi apenas hipotético.”

“Mas…” Twilight abria e fechava a boca, e suas orelhas levantavam. “Não, não! Você concretamente se recusou a negar!”

“”Porque é fácil afirmar que você faria a coisa certa quando em abstrato,” Fluttershy respondia, dando de ombros. “Porém, difícil pessoalmente.”

“Mas… o olhar!” Twilight insistia. “E os animais que te amam!”

“Eu apenas gosto de cuidar dos animais, Twilight, não pense demais. Não sou eu que não deixo eles saírem, eles simplesmente gostam de ficar em casa porque eu cuido deles com muito amor, apenas isso.“ Fluttershy virava-se e voltava para as escadas, recolhendo os pratos que havia deixado lá. “Vou levá-los para o andar de baixo. Applejack chegará em breve e disse que estava trazendo comida.”

 “Fluttershy!”, a alicornio roxo gritava, dando um passo depois que Fluttershy começava a descer as escadas. “Não! Apenas… não! Você não pode fazer isso!” Ela gesticulava de maneira acentuada. “Porque eu sei que é exatamente isso que você diria se você fosse uma changeling!”

“Se eu fosse uma changeling, por que mentiria?” Fluttershy perguntava. “Quero dizer, desde que você acabou de afirmar que não importaria.”

“Eu…” Twilight gaguejava. “Digo…”

“Vou levar esses pratos lá pra baixo,” dizia Fluttershy. Ela segurava os pratos contra ela usando as asas, e rapidamente descia. À medida que ela descia a escada em espiral, foi logo perdendo a vista de Twilight.

Fanfics estrangeiras

O Pônei de Oasis

thewhittler

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Autor: ROBCakeran53

Tradução: Drason

SINOPSE: Equestria ainda estava sendo reconstruída após a derrota de Tirek, e as seis novas governantas de Ponyville ajudando em sua reconstrução. Tudo mudou de maneira inusitada quando a Princesa Celestia entregou a elas uma carta descrevendo acerca das façanhas realizadas por um único cidadão da cidade de Oasis conhecido como Senhor Baker, e a forma como superou Tirek. Com a missão de descobrir se os relatos eram verdadeiros, as seis pôneis devem ir até a referida cidade para investigar. No entanto, elas irão descobrir que o Senhor Baker não era exatamente quem ou o que elas esperavam.

– – –

Twilight Sparkle olhava para suas amigas e depois para as grandes pilhas de papeis espalhados sobre a mesa. Ela tinha pego a maior parte, que consistia principalmente em documentos solicitando verbas e recursos para os danos materiais causados por Tirek. E estragos era o que não faltava. Alguns lugares simplesmente haviam desaparecido.

O grupo de amigas estiveram analisando as petições por vários dias, fazendo pausas intermitentes para descanso e refeições. Com milhares de pôneis dependendo delas para encontrar um lugar para ficar, nenhuma queria deixar seus súditos desamparados. Twilight estava motivada, acima de tudo, por ter um maior censo de dever agora que era a nova princesa. Ela sentia o peso da responsabilidade muito mais do que as outras.

O som dos óculos de leitura de Rarity batendo sobre a mesa de pedra levava todas as pôneis em suas próprias dores de cabeça. A unicórnio branca massageava a têmpora com um casco, seus olhos fechavam enquanto ela tentava e falhava ao aliviar um pouco a pressão.

“Intervalo, garotas.” Dizia Twilight, tendo ela mesma que lutar contra uma latejante dor de cabeça.

Rainbow Dash esticava suas asas rígidas devido ao pouco uso nesses últimos dias. Twilight fazia o mesmo, sentindo suas próprias asas dormentes por todo esse tempo. Applejack praticamente caía de seu trono, com sua franja loira escondendo seus olhos fechados por trás. Fluttershy se desculpava com as suas pernas estalando por estar sentada na mesma posição por muito tempo.

A pônei que mais sofria, embora fizesse o que podia para esconder sua agonia, era Pinkie Pie. Não havia um problema que ela não pudesse resolver com uma festa. De fato, ela realizou várias após a derrota de Tirek para trazer moral à maioria dos pôneis que ela sabia que começariam a sentir depressão após o desastre, vendo muitos deles perdidos. Toda aquela papelada a estava deixando louca, e Twilight sabia que teria que reescrever alguns dos textos de Pinkie. Ela usava tinta rosa nos papeis, sendo que para documentos oficiais eram autorizadas apenas as cores preta ou azul. Além disso, a pônei rosa pontilhava a letra “i” com corações ao invés de pontos, mas se isso a estava ajudando a evitar a insanidade, então a alicornio roxo poderia ignorar.

Fluttershy caminhava de volta para a sala, com sua crina cobrindo metade da sua face.

“Hum, Twilight? Há alguém querendo uma audiência com você.” Ela dizia, voltando em seguida para seu trono.

“Quem…?” As palavras de Twilight sumiam enquanto a Princesa Celestia passava pela porta de entrada.

“P-Princesa! Digo, Celestia, o que a trás para Ponyville?” Twilight gaguejava, se forçando a sair de seu assento para se curvar.

“Bem, me dói fazer isso.” Dizia Celestia, levantando um pergaminho desenrolado, “Mas eu tenho outra cidade precisando de verba.”

De uma só vez, todas as amigas de Twilight soltaram um frustrado gemido. Rainbow Dash foi tão longe a ponto de bater a cabeça na mesa, o que foi um erro. Não apenas porque desarrumou os papeis empilhados de Rarity, mas por causa do material que era feito a mesa.

“Ugh… eu continuo esquecendo que essa mesa é feita de pedra.”

“Mesmo? Outra cidade precisando de ajuda? Perdoe-me por argumentar, mas já fazem semanas desde que Tirek foi detido, e nós estamos perto de encaminhar cada verba aos municípios atingidos. Como pode uma única cidade estar pedindo ajuda somente agora, depois de tanto tempo?” Perguntava Rarity, ao mesmo tempo que usava sua magia para arrumar os papeis.

“Bem, é por isso que vim aqui.” Celestia respondia, caminhando em direção de Twilight. “A questão é que os pôneis dessa cidade rural chamada Oasis, na verdade não estão pedindo ajuda. Pelo menos não para reconstruir.”

“Eu não entendi Princ… Celestia.” Dizia Twilight.

Princesa Celestia levitava o pergaminho aberto até Twilight, que o pegava com sua própria mágica para ler. Todas as suas amigas podiam ver a mudança na expressão de Twilight, de frustração para curiosidade, e então descrença.

“Isso não pode estar certo, Celestia.” Twilight colocava o pergaminho em cima da mesa.

O papel foi então envolto por outra a aura, pertencente a Rarity que o levitava para ler.

“Isso não pode ser verdadeiro, não é?”

“Mais o que qui tem aí afinal??” Perguntava Applejack, olhando para o verso do papel em uma frustrada tentativa de ler.

Celestia limpava sua garganta. “Parece que quando Tirek chegou na cidade de Oasis, ele fez com ela exatamente o mesmo que havia feito com as demais, drenando a magia dos pôneis. Eles estavam todos fracos, incapazes de se moverem, e estavam lutando para evitar que a cidade caísse aos pedaços.”

“E isso é estranho por que?” Applejack perguntava colocando o cotovelo sobre a mesa, descansando o queixo em seu casco.

“Porque um pônei evitou que sua mágica fosse roubada.”

Com aquelas palavras, o restante das orelhas das amigas de Twilight se levantaram.

Hein?” Applejack deixava o casco cair sobre a mesa.

“Um tal de Senhor Baker não foi afetado por Tirek. Como ou porque a carta não diz, mas esse indivíduo conseguiu ajudar todos eles, cuidar deles, suas casas, seus negócios. Ele inclusive preparou suas refeições, café da manhã e jantar.”

“Mas Tirek não estava controlando tudo e todos por… uma semana?” Perguntava Rainbow Dash.

Celestia acenava, sem necessidade de adicionar palavras para a já curiosa situação.

“Então, esse tal de Baker cuidou de uma cidade inteira por uma semana. De quantos pôneis estamos falando?” Perguntava Applejack.

“Quatrocentos e dois, sendo dez bebês e cinco crianças dentre eles.” Respondeu Celestia.

O silêncio era ensurdecedor para Twilight, todas as suas amigas olhavam para Celestia em choque.

“Eu… isso é…” Rarity gaguejava, ainda olhando para o pergaminho.

“Aí também diz que essa carta foi escrita sem o conhecimento do Senhor Baker. Me parece que ele não queria qualquer tipo de reconhecimento pelo que fez, embora se possível, entendo que deve ser reembolsado pelos materiais que ele usou de seu próprio estoque para reconstruir um pouco da cidade.”

“Espere, reconstruir?!” Perguntou Rainbow Dash. “Ele também consertou a cidade enquanto cuidava dos habitantes?”

“Sim. Uma casa foi completamente destruída, enquanto duas lojas foram danificadas, mas reparadas. Parece que esse Senhor Baker não é apenas um cozinheiro, mas carpinteiro também. Me atrevo a suspeitar que este pônei pode fazer muitas outras coisas.”

“Bem, hum… mas se não é ajuda então o que eles querem?” Fluttershy finalmente falava.

“Como eu disse antes, reembolso pelos suprimentos que ele usou, materiais para construir uma casa e consertar duas lojas.” Celestia olhava para Twilight. “O próprio prefeito daquela cidade quer que nós concedamos a ele uma medalha.”

A sala do trono ficava em silêncio por um longo minuto, antes que Twilight limpasse sua garganta.

“O que quer que nós façamos então?”

Celestia pegava o pergaminho de Rarity, olhando para ele mais uma vez antes de enrrolá-lo.

“Com todas essas informações, há também uma preocupante lacuna. Tenho certeza que todas vocês têm mais perguntas, assim como eu. Enquanto estamos em um momento de crise, tentando reconstruir e nos recuperarmos, eu não iria querer ver ninguém explorar esse desastre.”

“Explorar? Princesa Celestia, você não pode estar sugerindo…”

“Rarity, eu estive governando por pouco mais de mil anos, pelo que eu consiga me recordar. Tenho visto muitas coisas boas e ruins sobre pôneis. Estou surpresa desta ser a única situação que levanta alguma suspeita, e se esse pedido tivesse vindo no mesmo dia que os outros, eu simplesmente teria deixado de lado.  Mas, quatro semanas depois? Quando estamos prestes a encaminhar as verbas e recursos? Eu acho isso tudo muito estranho.”

“Então eu quero que vocês seis vão investigar.” Celestia olhava para a porta, onde um único guarda a esperava. Após o aceno de Celestia, ele trotava com uma caixa em suas costas. Celestia a levitava com sua magia e a abria. “Este é o maior prêmio que um cidadão de Equestria pode receber. A Marca da Harmonia. Apenas nove pôneis e um griffon em todos os séculos do meu governo o receberam.”

As pôneis olhavam admiradas para o medalhão dourado do tamanho de um casco, descansando em um forro de veludo púrpura. Uma escultura estava encrustada na superfície dela, aparentando ser uma esfera que Twilight presumia ser a representação do mundo inteiro. No topo do medalhão, “A Marca da Harmonia” estava rotulada com letras em relevo, e na base havia os dizeres “Não para nós mesmos, mas para cada um.” Era simples, e se destinava a ser assim.

“Como podem ver, a parte traseira foi deixada em branco por razões obvias. Twilight, se você quiser, tem minha autorização para colocar o nome do Senhor Baker nessa parte. Eu também tenho o dinheiro requerido para restituição esperando a transferência se tiver a sua concordância. Enquanto todos em Equestria precisam dessas verbas, eu me atrevo a dizer que poderia fazer uma exceção para um indivíduo que foi acima e além de qualquer outro pônei.”

Celestia fechava a caixa, colocando ela na mesa na frente de Twilight.

“Eu… não tenho certeza, Celestia. Digo, o certo não seria você conceder tal honra?”

Celestia sorriu. “Twilight Sparkle, depois de tudo que você fez por Equestria, por suas amigas, por mim, você realmente acha que eu não iria querer ver um herói honrado recebendo tal premiação de outra heroína honrada, que é você?”

Twilight corava, sentindo suas amigas sorrindo para ela. Claro, ela salvou Equestria muitas vezes, mas foi com suas amigas. Ela não poderia fazer isso sem elas. Mas este pônei? Senhor Baker? ele fez tudo sozinho.

Twilight acenava. “Você está certa. E se esse pônei realmente fez o que está dizendo nesse pergaminho, então eu vou assegurar que ele receba a merecida homenagem.” Twilight olhava para a pônei rosa. “Pinkie, você poderia levar seus suprimentos de festas?”

Pinkie Pie saltava de seu assento. “Ah sim, vai ser uma festa fora de série!” Ela dizia antes de sair da sala para buscar suas coisas.

“Rarity, você acha que pode fazer um cordão bem bonito para pendurar isso?” Twilight levitava a caixa na direção de Rarity, que o pegava com sua própria mágica.

“Mas é claro, querida. Me dê uma hora que estará pronto.” Ela se levantou, curvando-se em seguida para Celestia e depois saindo.

“Applejack, você acha que pode preparar alguns lotes de maçãs e outros alimentos para levar? Tenho certeza que depois de tudo o que ele fez, esse Senhor Baker deve estar com seu estoque praticamente esgotado.”

“Considere isso feito sô!” Applejack pulava de seu assento, galopando para o final do corredor.

“Fluttershy, eu não sei se eles têm um médico. Pode ser que sim, mas na dúvida, poderia ir até o hospital de Ponyville buscar alguns suprimentos para a viagem?”

“Sim, claro Twilight. Vou levar meu equipamento veterinário também. Quem sabe alguns animais não estejam precisando de ajuda.”

E Rainbow Dash, poderia checar Cloudsdale e ver se eles ainda têm a máquina geradora de nuvens? Vai saber quanto tempo eles ficaram sem chuva, e nesse caso ela seria muito útil.”

“Conte comigo, Twi.” Rainbow fazia continência, e em seguida voava para fora da janela.

Twilight suspirava, curvando-se em má postura em seu trono.

“Muito bem, Twilight.”

Twilight pulava, completamente esquecida que sua mentora ainda estava na sala.

“Sei que você ainda duvida de si mesma, mas lhe dê um tempo. Você está se moldando para se tornar uma grande princesa. E depois de observar duas outras alicornios entrar para a realeza, posso dizer com confiança que você já está agindo bem como autoridade.”

Twilight corava de novo.

Próximo à porta de entrada, o guarda tossia, chamando atenção das duas princesas.

“Já deu o horário para o outro compromisso Hank?”

“Eu temo que sim, Princesa.” Respondeu o guarda.

“Muito bem. Twilight, deixo essa situação sob seus cuidados. Vou levar a papelada comigo para Canterlot. Tenho certeza que Luna e eu podemos terminar tudo isso até o seu retorno.”

“Certo. E Spike? Posso escrever para ele voltar?”

Celestia balançava a cabeça. “Vou escrever para ele, lhe dando ciência que assim que terminar suas tarefas deverá encontrar você em Oasis. Ele ainda pode levar um dois dias para terminar e tem sido um dragão muito valente ajudando o Império de Cristal.”

“É natural, ele aprendeu muita coisa sobre organização. Tenho certeza que Cadence está apreciando a ajuda dele.”

Celestia acenava. “Além disso, eu sei que você se sente muito responsável com isso tudo, tente tirar esses dias de viagem a Oasis com suas amigas para relaxar. Você esteve trabalhando tão duro e posso ver que está estressada. Luna, Cadence, Spike e eu vamos cuidar de tudo enquanto isso.”

“Tudo bem então, Princesa. Eu sei que as garotas vão ficar contentes fazendo uma pausa com toda essa papelada. Aliás, coitada da Pinkie Pie, já estava quase dormindo em cima dos papeis.”

Celestia riu. “Sim, não a culpo. Você deveria ter visto Luna após seu retorno. Ela ficava trancada em seu quarto por semanas, fazendo de tudo para restabelecer sua côrte noturna.”

“Eu imagino, mil anos é muito tempo para pôr em dia.” Twilight olhava para a janela, perdida em pensamentos.

“Bem, tenho que ir. Vou aguardar com muita expectativa sua carta, Twilight. Espero que tudo que esse prefeito disse seja verdadeiro. Um pônei que fez tanto por uma cidade como aquela, bem, ele merece cada bit em reconhecimento pelos seus esforços. Ele pode não ter uma premiação completa aos moldes de Canterlot, mas nem parece mesmo que ele gostaria que fosse assim. Talvez com os pôneis daquela cidade que ele ajudou, ele aceite.”

Sem outra palavra, Celestia caminhava para fora da sala, deixando Twilight com seus muitos pensamentos. Uma simples questão continuava voltando em sua mente, e ela não conseguia colocar um casco na resposta.

“Mas que tipo de pônei é esse Senhor Baker?”

Thomas Baker não aparentava estar muito contente ao saber da carta. Era algo aparente pela sua entrada explosiva e passos pesados no único prédio da prefeitura de Oasis, onde funcionava tanto o escritório do prefeito como o posto de correios. O piso de madeira agora com três anos de idade estava finalmente começando a mostrar o desgaste dos inúmeros cascos que pisavam nele. Levou meses para Baker obter tais madeiras de qualidade para refazer o chão da prefeitura, e isso era aparente pela ausência da madeira rangendo quando andava nela.

A pônei sentada no balcão de recepção que levava até o gabinete do prefeito olhava para Thomas com um largo sorriso.

“Bom dia, Senhor Baker, como está hoje?”

Ele parava, olhando para ela. “Não muito contente, senhoria Billfold, não muito contente. E o pônei naquele escritório é o principal motivo. Então se me der licença, preciso trocar algumas ideias como o nosso amado prefeito.”

“Se puder esperar apenas um momento, porque Copper Top está lá com ele.”

“Ele está? ótimo, esse é outro pônei com quem quero ter uma conversinha. Vou golpear dois pássaros com apenas uma pedra.” Ele dizia, passando pelo balcão e caminhando até a porta do prefeito.

“Sabe, eles fizeram isso por você, Senhor Baker. Depois de tudo que fez por nós, a cidade…”

“Eu não quero ouvir isso, Senhorita Billfold. Tenho ouvido o suficiente dos outros nas últimas quatro semanas.”

“Não quer dizer que não seja verdade, Senhor Baker.” Ela respondia, sem enxergar qualquer ofensa.

Ele ignorava, agarrando a maçaneta e abrindo a porta. Ele entrava no gabinete, dando um chute na porta para fechá-la, e olhava os dois velhos pôneis compartilhando um copo de Bourbon, a bebida favorita do prefeito.

“Olha só, foi só falar do Thomas que ele apareceu, por favor, sente-se.” Dizia o prefeito, apontando para um banco no canto da sala.

“Prefiro ficar de pé, senhor prefeito.”

“Bem, como preferir, você gostaria…”

“Não, agora não. Não estou de bom humor, e a única coisa que esse licor poderia fazer é com que eu me sentisse pior.”

“Argumento justo, rapaz, argumento justo. Eu esqueci de como suas emoções ficam meio selvagens depois do licor.”

“Ei, isso aconteceu poucas vezes!” Retrucava Thomas.

“Sim, me lembro da última vez que você bebeu… um pouco? Você ficava rindo sem parar.” O outro pônei, o sherife da cidade Copper Top dizia enquanto tomava outro gole. “Como poderíamos nos esquecer do incidente no vigésimo primeiro aniversário da estrada Road Rage?”

Thomas Baker gemia. “Por que vocês sempre tem que lembrar daquilo?”

Copper Top esboçava um sorriso largo. “Porque é sempre embaraçoso pra você, que também serve para acalmá-lo quando está de mau humor.”

“Sinceramente, às vezes você é inteligente demais para ser um sherife.” Dizia Thomas, cruzando os braços.

“Bem, eu fui ambos médico e sherife por seis anos até aquele pônei de Manehatan aparecer com sua carruagem extravagante, se estabelecer na cidade, onde fui deixando o ofício de médico aos poucos até ficar apenas com o de sherife.”

“Não que eu esteja reclamando, é claro. O conhecimento médico que ele tem, por Celestia, a filha de Gaden Patch poderia ter perdido seu chifre de unicórnio se ele não estivesse aqui.” Disse o sherife.

“De fato, eu nem sabia que era possível transplantar uma artéria daquela forma. Ele pode ser convencido, mas é um ótimo médico.” Afirmava o prefeito.

“Certo, certo, entendi. Mas voltando ao assunto.”

“Sim, por que você está aqui Thom?” Perguntava Copper Top.

“Porque alguém enviou uma carta a Canterlot descrevendo o que eu fiz nas últimas semanas.”

“E de onde você ouviu tal acusação?” O prefeito perguntou.

“De sua esposa quando ela parou para me pedir sabonete esta manhã.” Ele disse.

“Eu avisei pra você não dizer a ela.” Disse Copper para o prefeito, tomando outro gole.

“Você sabe muito bem que eu não poderia escrever aquela carta com meu problema de coordenação motora. Felizmente a minha esposa, a Senhorita Billfold é a minha salvação, é ela que escreve todos os documentos por mim, sejam oficiais ou extraoficiais.”

“Então você admite, foi você quem teve a ideia da carta e a enviou.”

“Sim.”

“Bom, então meu blefe funcionou.”

“Seu blefe?”

Copper Top caía na gargalhada, enquanto que o prefeito olhava confuso.

“Para um não pônei, Thomas, você certamente tem coragem fazendo isso. Se eu não te respeitasse como eu faço, então teria que te colocar na cadeia por mentir para o prefeito.”

“Espere um minuto, do que vocês estão falando…”

“Sim, eu estava blefando. Você sabe que os sabonetes que a sua esposa adquire são encomendado de Canterlot. Eu apenas vendo o material padrão, não produtos de limpeza.”

O prefeito deu um tapa na testa com seu casco.

“Então como você ficou sabend…”

“Porque quando Speed Delivery parou para entregar minha carta, ela deixou cair outra no chão ao sair. Tinha o selo oficial do governo de Canterlot endereçado a você.”

Thomas tirou a carta de seu bolso, a acenando no ar.

“Bem, certamente que essa carta apenas…”

“Prefeito, eu posso ser um humano ingênuo, mas mesmo eu sei que as únicas coisas que você envia para Canterlot são as prestações de contas da cidade, e isso foi há quatro meses.”

O prefeito deixava escapar um suspiro de derrota. “Tudo bem, você me pegou, Thomas. Sim, eu enviei a carta e essa que você está segurando deve ser uma resposta vinda de Canterlot.”

“Sobre mim, não é?”

“Sim.. e não.”

“E que isso exatamente quer dizer?”

“Thom, o prefeito e eu sabíamos muito bem que você não queria nada de especial pelo que fez. E eu acho isso altamente respeitável e louvável de sua parte, mas de maneira alguma que você sairia livre pelo que fez. Por isso nós tivemos que mandar aquela carta para o Castelo de Canterlot, diretamente para as princesas.”

“VOCÊS O QUE??” Thomas gritava.

“Relaxa, relaxa. Nós não dissemos nada além daquilo que elas deveriam saber. A carta apenas diz que você é um de nós e que ajudou sua cidade, em nenhum momento dizemos que você não é um pônei. Não te culpo por não querer se envolver com o resto de Equestria. Se nosso encontro há dez anos atrás foi algum sinal de como o resto de Equestria poderia ter te tratado, provavelmente você estaria em algum zoológico agora.” Disse o prefeito.

“Sim, obrigado por aquilo. Você ainda tem sorte por aquela pancada não ter lhe deixado uma cicatriz.”

“Agora relaxe, Thomas. A pior coisa que pode acontecer é elas negarem o pedido, então você ganhará e não terá que se preocupar mais. No entanto, se tudo der certo, então você será apenas reembolsado pelos materiais que usou para consertar a cidade. Por que você não me entrega essa carta e vemos que tipo de resposta elas deram, hmm?” Disse o prefeito, estendendo o casco.

Thomas balançava a cabeça. “Pode ser, você já fez tudo pelas minhas costas mesmo.”

Ele jogava o envelope sobre a mesa, onde o prefeito graciosamente pegava para abrir. Ansiosamente, Thomas e Copper esperavam pelo prefeito começar a leitura da carta, mas ele escolheu ler em silêncio primeiro. Para o horror de Thomas, a expressão do prefeito passou de excitação para descrença.

“Eu não acredito nisso.” Ele disse, jogando a carta na mesa, então olhando para Thomas. “Simplesmente não acredito.”

O que?? Não acredita em que??” Thomas perguntava preocupado.

Copper Top limpava a garganta antes de começar a ler a carta em voz alta.

“Senhor prefeito, agradeço pela carta. Tenho certeza que você sabe tão bem quanto eu que seguindo os estragos de Tirek, todos em Equestria estão lutando para se recuperar. Há muitas cidades ainda destruídas e dispersas. Mas quando recebi sua carta quatro semanas depois do resto de Equestria, ela me deixou querendo saber o que aconteceu por aí.”

“Depois de ler as façanhas realizadas por um de seus cidadãos conhecido pelo nome de Senhor Baker, posso apenas sentir um grande senso de honra que um mero pônei poderia assumir não apenas para ajudar seus companheiros, mas para restaurar a própria cidade. Uma coisa me chama atenção, que foi o fato desse pônei evitar que Tirek lhe roubasse a magia. Não há registros de qualquer outro pônei que tenha conseguido escapar de sua drenagem mágica, e eu gostaria de saber mais.”

“Então, pelo tempo que você estiver lendo esta carta, Princesa Twilight Sparkle e os outros elementos da harmonia estarão em um trem a caminho de sua cidade para recepcionar o Senhor Baker, conhecerem sua história, e decidirem se é ou não verdadeira. Se for, então seu pedido por uma medalha de honra será concedida, e ele receberá o mais honroso prêmio de Equestria: A Marca da Harmonia, juntamente com as despesas solicitadas para restituir seus suprimentos, além de um adicional de duzentos por cento pelo tempo de serviço.”

“Pelo que pude entender de sua carta, ele não quer absolutamente nada em troca por seus atos, então recomenda-se não deixá-lo saber de imediato acerca da chegada da Princesa Twilight, pois ele pode considerar injusto e se evadir do local e até da cidade. O elemento da alegria preparou uma pequena e suficiente festa para ele, enquanto grande o bastante para os demais cidadãos apreciarem e celebrar o verdadeiro herói que ele é.”

“Me traz profunda tristeza saber que muitos pôneis sofreram sob controle de Tirek, mas as ações do Senhor Baker me mostraram que ainda há luz no fim do túnel, e nós apenas temos que trabalhar para garantir que Equestria esteja segura mais uma vez. Eu desejo a você e aos demais moradores de Oasis tudo de bom, e fico contente em saber que ninguém se feriu.”

“Sua Majestade Real, Princesa Celestia.” Copper parava, abaixando a carta com os olhos arregalado.

Tanto ele como o prefeito olhavam para Thomas, que estava com os braços ao lado do corpo e um olhar chocado que se completava com um semblante horrorizado.

 Thomas se virou, pegou a grande cadeira dobrável que foi construída especialmente para ele,  a colocou ao lado de Copper, se sentando nela.

“Eu aceito aquele bebida, prefeito.”

O prefeito pegava outra taça, derramando uma porção de líquido cor âmbar nela.

Copper Top olhava para a carta novamente. “Mas afinal de contas, quem é essa Princesa Twilight Sparkle?!”

Fanfic, Fanfics estrangeiras

De onde vem a coragem

Floresta-Everfree

Autor: Once in a Blue Moon

Tradução: Drason

SINOPSE: Após o incidente com a Hydra no pântano Froggy Botton Bogg, Fluttershy passava a maior parte do tempo reclusa em sua casa. Buscando meios de superar o trauma, ela vai descobrir que a cura vai muito além de simplesmente enfrentar o medo.

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Era uma noite fria de outono em Ponyville. O sol estava se pondo, e seus raios finais atingiam uma pequena casa nos limites da Floresta de Everfree com uma bela luz alaranjada. No lado de fora da casa, uma pegasus amarela com uma crina rosa alimentava seus animais,  acompanhada por uma alicórnio roxo que conversava com ela animadamente. Ou mais precisamente, falando para ela.

“…e eu nem mesmo sabia que existia!” Twilight Sparkle concluía, olhando para Fluttershy.

“Isso é, hum, legal,” disse Fluttershy, um pouco insegura sobre como responder ao entusiasmo da amiga.

“Ela é tóxica para os pôneis, assim como para a maioria dos herbívoros, que provavelmente é o motivo de eu não ter lido sobre isso em nenhum livro de medicina. Mas aparentemente na maioria dos carnívoros o único efeito colateral é uma leve indigestão. Me pergunto por que isso ocorre.” Twilight continuava.

“Você não perguntou pra ela?” Fluttershy questionava, olhando para Twilight com um interesse renovado em seus olhos.

“Zecora poderia até ter me explicado, mas com o jeito dela falar eu não iria conseguir entender muita coisa. Toxicologia não é um dos meus temas mais fortes, especialmente quando é entregue com palavras que não rimam corretamente,” admitia a alicornio, um tanto tímida.

“Bem, isso é uma pena, mas você não pode esperar ter conhecimento de tudo, Twilight,”

“Não, mas…” Twilight pausava, com uma ideia emergindo em sua cabeça, “Já sei! Fluttershy, por que você não vem comigo na próxima vez que eu visitar a Zecora? Você é mais experiente com animais do que eu, então poderia entender melhor o que a Zecora fala e anotar as informações para mim. Assim eu poderia ler quantas vezes fosse necessário para aprender!” Fluttershy reconhecia o olhar ligeiramente empolgado de sua amiga, que sempre ocorria quando estava em busca de conhecimento.

“Eu não sei Twilight, isso soa como se você fosse conversar sobre coisas terrivelmente inteligentes e complexas com Zecora, e eu não iria querer ficar em seu caminho e te atrapalhar…” Fluttershy respondia, olhando para o interior da floresta Everfree. O sol já havia sumido, e a floresta estava totalmente escura e aparentemente perigosa. O que certamente era, já que em várias ocasiões elas se depararam com criaturas hostis, como a Hydra gigante em especial que ainda assombrava os pesadelos da pegasus amarela quase um ano depois, e era raro ela se aventurar tão adentro da floresta depois desse dia.

“Mas é claro que você não vai me atrapalhar, e tenho certeza que também irá achar fascinante,” Twilight observava o olhar nervoso de Fluttershy na direção da floresta, compreendendo sua amiga. Ela não poderia tranquilizar Fluttershy de que seria um lugar perfeitamente seguro, já que Everfree demonstrava o contrário; mas sabia que as chances de encontrar alguma coisa realmente perigosa eram mínimas, mesmo com as lembranças de suas desventuras. “Não se preocupe – nós iremos juntas, e cuidaremos uma da outra. Estarei mais segura com você também, já que você é muito melhor para lidar com animais.”

“Hum, tudo bem então, se você realmente acha isso.” Disse Fluttershy eventualmente. Sentindo-se um pouco mal por pressionar Fluttershy, mesmo por uma boa causa, Twilight mudava de assunto. Estava bem escuro quando elas se separaram, e Fluttershy se sentia aliviada por voltar para sua quente, aconchegante e segura casa, logo após a saída de Twilight. Ela olhava pela janela em direção de Everfree, com as sombras longas das árvores se estendendo na direção dela com o levantar da lua, fazendo-a tremer. Então Angel a lembrou sobre o jantar, e ela puxou as cortinas.

Passaram duas semanas antes que Twilight fosse visitar Zecora novamente, e Fluttershy estava esperançosa que Twilight tivesse esquecido sobre sua promessa, quando em uma certa tarde ela ouviu um batido na porta. Fluttershy abriu, recepcionando Twilight parada do lado de fora com alforjes estufados de materiais e um sorriso entusiasmado.

“Olá Fluttershy, você está livre nesta tarde?” Perguntava Twilight.

“Oh, hum, olá Twilight. Não tenho nada planejado,”

“Ótimo! eu estava indo visitar a Zecora hoje, e tive esperança de que você pudesse vir comigo,” Twilight dizia, e depois que Fluttershy falhou em reagir com um nível apropriado de entusiasmo, ela continuou, “Nós vamos perguntar a ela sobre animais, suas dietas, e por aí vai, lembra?”

Fluttershy não queria visitar Zecora; sua cabana ficava em um ponto profundo de Everfree, mais do que Fluttershy havia adentrado em meses. Não tinha como negar seu medo pela floresta, mas ela disse a Twilight que iria. E vendo o quanto sua amiga estava interessada na possibilidade de aprender coisas novas com a Zecora, a pegasus amarela também não queria desapontá-la.

“….Fluttershy, tudo bem?”

“Claro!” Disse Fluttershy, antes de recuperar sua compostura. “Sim, tudo bem. Só vou pegar minhas coisas.” Não levou muito tempo, ela mantinha um caderno com anotações veterinárias e um lápis em seu alforje, pendurado ao lado da porta, apenas no caso dela ser chamada em uma emergência inesperada, e tudo o que ela teria que fazer era pegá-lo de imediato. Com uma palavra tranquilizadora para Angel de que estaria de volta na hora do jantar, seguido de outra palavra reconfortante de Twilight que ficaria tudo bem, Fluttershy e Twilight partiram.

O sol ainda estava brilhando, mas em Everfree a passagem de luz pelas folhas das árvores era fortemente filtrada. Todas as cores pareciam opacas, como se a floresta drenasse a vida de quase tudo, como se estivesse desafiando os tolos que se atrevessem a entrar nela. Desesperada em parar com essa linha de pensamento antes que fosse ainda mais longe, Fluttershy tentava identificar algumas das plantas que cresciam pelo caminho da floresta. Haviam poucos frutos, e se ela voltasse naquele mesmo local no outono, provavelmente haveria uma boa colheita.

Se os seus medos não amenizavam pelo menos se enterravam, e Fluttershy começava a relaxar.  Twilight, que estava presa em seus próprios pensamentos acadêmicos, percebeu e sorriu. Elas caminhavam em silêncio na maior parte da estrada, e Twilight pensava em todas as perguntas que poderia fazer a Zecora enquanto que Fluttershy distraía-se observando a diversidade botânica. Não era particularmente longe a cabana de Zecora, mas o terreno acidentado e cheio de obstáculos tornava a viagem mais morosa. Quando Twilight e Fluttershy alcançaram a cabana, Twilight batia na porta, com Fluttershy se afastando um pouco. A unicórnio roxo entrava quando a porta se abriu, com Fluttershy a seguindo em alguns momentos de hesitação.

O resto da tarde passou voando para Fluttershy. Ela conversava com Zecora sobre medicina veterinária, ervas, raízes e frutos, sobre a biologia dos animais e pôneis; enquanto Twilight anotava, desenhava e elaborava gráficos freneticamente em seu caderno. Finalmente, depois que Zecora arrancou de Fluttershy uma promessa de voltar a visitá-la para conversar mais, Twilight e Fluttershy se despediram e partiram.

“É bom ver você um pouco mais à vontade, Fluttershy,” disse Twilight enquanto elas percorriam o caminho acidentado de volta para Ponyville, “você parecia tensa na maior parte do tempo, e eu fiquei preocupada.”

“Mesmo? Espero não ter te preocupado muito. Não gosto de deixar os outros preocupados.”

“Mas você esteve nervosa praticamente o tempo todo não é mesmo.” Twilight pressionava, não querendo fazer exatamente uma pergunta. Fluttershy pausava por um momento, imaginando a melhor resposta para dar a Twilight. No final, ela decidiu pela verdade.

“…Sim.”

Twilight parava e olhava diretamente para Fluttershy, tentando dar a ela um olhar confortável.

“O que foi?” Ela perguntava gentilmente, “O que aconteceu?” Tendo ido longe demais para voltar atrás, Fluttershy respirou fundo e começou a falar.

“Você se lembra da hydra gigante no pântano Froggy Botton Bogg? Quando eu estava ajudando todos aqueles pequenos sapos? Bem, aquele pântano não é muito longe de Everfree, e eu nunca havia visto algo tão grande e perigoso lá antes. Eu acreditava que estava segura, mas se você, Applejack, Spike e Pinkie Pie não tivessem aparecido, eu, hum…” Fluttershy parava de falar, com sua mente imaginando bocas enormes cheias de dentes afiados.

“Fluttershy, está tudo bem,” Disse Twilight, “Nós estávamos lá. Eu estou aqui. E você está bem.”

“Desculpe Twilight. No entanto, você entende onde quero chegar, não é? E se não estivessem lá? E se vocês não estiverem lá da próxima vez? Onde mais não é seguro?” Fluttershy respirava com dificuldade pelo tempo em que tinha acabado de falar, e não pelo esforço. Não era de se admirar que ela estivesse nervosa, ela tinha se traumatizado com aquele incidente. Na época, Twilight pensava apenas em Pinkie Pie e seu inexplicável sentido de prever as coisas, a ponto de desconsiderar suas outras amigas. Foi uma lição que ela havia aprendido. Ela também percebeu que o sol estava começando a sumir no horizonte, e que logo Everfree estaria completamente escuro. Poderia ser melhor se Fluttershy não estivesse refletindo sobre como a vida poderia ser perigosa e imprevisível quando aquilo aconteceu, pelo menos não naquele momento.

“Hum, Twilight, está ficando muito escuro,” disse Fluttershy, fazendo Twilight desejar que tivesse ficado de olho no horário no momento em que estavam com Zecora.

“Sim, bem… é melhor nos apressarmos. Angel vai estar se perguntando sobre a nossa volta até o jantar.”

“Twilight, os lobos de madeira conhecidos como Timber Wolves caçam à noite,” disse Fluttershy, sem nem mesmo tentar esconder o medo em sua voz.

“Eles apenas caçam pôneis quando não têm escolha, se lembra? Você mesma me ensinou isso,” respondeu Twilight, desesperada em tentar tranquilizar Fluttershy. Mas a pegasus amarela não estava mais pensando racionalmente; tudo o que ela podia ver eram as sombras das árvores se esticando em direção a ela, cabeças enormes com dentes afiados… “Fluttershy, olhe para mim. Me escute.” Twilight dizia firmemente, ficando na frente de Fluttershy, tentando atrair sua atenção. Fluttershy olhava diretamente para Twilight, mas apenas por causa das sombras que pelo menos surgiam parcialmente escondidas atrás dela.

“S-sim Twilight?” Ela gaguejava, ainda à beira de entrar em pânico.

“Fluttershy, não há nada lá. Não tem hydra, timber wolves, apenas nós. Mas por favor, você precisa continuar andando.”

“Eu, eu, não sei se posso,” Fluttershy respondia, perto de lacrimejar, “Está tão escuro! Qualquer coisa pode estar por perto! Eu não…”

“Fluttershy, temos que continuar. Veja o caminho,” Twilight gesticulava para a trilha acidentada na frente delas, “É o caminho de volta para casa. Chegando em Ponyville poderemos conversar mais, mas agora nós temos que ir, e o único caminho é esse.” Lágrimas escorriam pelo seu rosto, mas Fluttershy acenava, respirando profundamente, e começando a andar. Twilight iluminava seu chifre, banhando a floresta com uma luz púrpura. Sombras com garras ferozes dançavam entre as árvores, mas a luz de Twilight as mantinha acuadas. Fluttershy seguia em frente, se mantendo próxima da alicórnio.

Um pouco incomum, Fluttershy passava a maior parte do dia seguinte na biblioteca com Twilight e Spike. Twilight copiava algumas anotações de Fluttershy para complementar o que ela havia aprendido com Zecora, elas conversaram um pouco mais sobre toxicologia e medicina veterinária e Twilight ditava uma carta para a Princesa Celestia sobre a importância de olhar para todas as suas amigas, e não apenas aqueles de quem quer atenção. Tendo delegado a maioria de suas tarefas do dia para Angel, com Twilight observando por cima do ombro para ter certeza que Angel não iria dar trabalho a ela, Fluttershy foi capaz de relaxar, e com o passar do dia ela se sentiu capaz de conversar com Twilight um pouco mais sobre seu medo de Everfree e o grande mundo em geral. Twilight prometeu que da próxima vez ela ficaria de olho no horário para que elas pudessem voltar ainda de dia, e em troca Fluttershy prometeu que iria novamente visitar Zecora. Enquanto ela trotava para casa naquela noite, Fluttershy percebeu que se sentia melhor por ter compartilhado seus problemas com Twilight, e resolveu que deveria falar sobre suas preocupações com suas amigas com mais frequência. Enquanto ela fechava a porta de sua casa, sentiu que tinha conseguido, de alguma forma, superar o trauma com a hydra.

Duas semanas passaram, com Fluttershy se sentindo melhor a cada dia. Apesar de não ser uma chuva de confiança, ela se aventurava para fora da casa para se encontrar com suas amigas com mais frequência. Em uma certa tarde, Fluttershy estava limpando o galinheiro quando Applejack aproximava com sua cadela Winona a seguindo lentamente. Percebendo que havia algo errado, Fluttershy as cumprimentou.

“Olá Applejack, e olá Winona,” Disse Fluttershy, com sua preocupação crescendo ao ver Winona responder com dificuldades abanando o rabo.

“Olá, parceira. Winona não está se sentindo bem. Big Mac e eu estamos muitos ocupados com a fazenda, então queria saber se você pode cuidar dela esta tarde.”

“Mas é claro, ela pode ficar o tempo que precisar. Ela realmente não parece bem; por que não deixa comigo o dia todo, e então podemos ver se amanhã ela já está melhor.”

“Bem, seria de grande ajuda e muito gentil se você pudesse fazer isso, Fluttershy.”

“Sem problemas Applejack, eu cuido dela pra você.” Disse Fluttershy confiante.

Mais tarde naquela noite, porém, ela estava menos confiante. A condição de Winona estava piorando, e a pegasus amarela folheava freneticamente seu livro medicinal para tentar diagnosticar o problema. Eventualmente, ela descobriu a causa quando Winona regurgitou sementes de plantas tóxicas de Everfree, mais conhecidas como “teixo”. Julgando pela sua condição, as sementes já haviam causado danos severos, e a menos que ela fosse tratada logo, o desfecho poderia ser fatal.  Fluttershy sabia como tratar envenenamento de plantas tóxicas, mas ela precisava de um tipo raro de fungo chamado “parasbore” para fazer o antídoto, que graças a ela não visitar mais Everfree ante seu trauma com a hydra, acabou ficando sem estoque. Ela sabia que a veterinária da cidade também não tinha mais, já que muitos dos ingredientes ela comprava da própria Fluttershy, que era mais barato do que encomendar de Canterlot, então Fluttershy sempre era informada quando os suprimentos acabavam na clínica.

Fluttershy começava a entrar em pânico. Não havia nenhuma forma dela encontrar o fungo parasbore à noite; de tão raro, ela poderia passear pela floresta por horas sem encontrar uma única amostra. E no escuro, ela poderia passar por um sem nem mesmo perceber. Quem mais ela conhecia que poderia ter tal ingrediente? Como um raio, ela se recordou de Zecora que tinha um enorme acervo de ervas, frutos, raízes e fungos; ela tinha certeza que chegou a ver parasbore em seu estoque. Não havia tempo a perder, não com Winona enfraquecendo a cada minuto. Ela tinha que enfrentar a Floresta Evrerfree, à noite, sozinha, para ver Zecora.

Minutos depois, caminhando através da escuridão tão profunda que ela mal podia ver a trilha em sua frente, Fluttershy estava se sentindo mais insegura com sua decisão. Talvez ela devesse ter ido buscar Twilight, Rainbow Dash ou Applejack; qualquer um que pudesse ser corajosa por ela. Mas então a pegasus amarela se lembrou que simplesmente não poderia atrasar; quanto mais o tempo passava, menos eficaz poderia ser o antídoto.

Fluttershy ouvia um barulho sussurrante em um arbusto logo a frente dela, e então parou. Com seu olhar tenso, sua mente materializava imagens de dentes afiados, garras cortantes, temendo pelo pior. Por um momento, ela era uma pequena potra novamente, perdida na profunda e escura floresta com monstros a perseguindo onde quer que ela corresse. Mas o momento passava, e Fluttershy conseguia controlar seu pânico. Ela poderia correr e voltar para a segurança de sua casa em minutos. Mas e Winona? E Applejack? Ela prometeu cuidar dela, e mais do que isso, cuidar de animais era sua paixão. Dessa vez, ela tinha que seguir em frente, bem longe da segurança de sua casa, para o interior da floresta. A outra opção era voltar para trás, mas ela jamais o faria com alguém dependendo dela. Essa era a força positiva que emergia de si mesma para combater os momentos tenebrosos da vida, era de onde vinha a sua coragem, e foi onde a pegasus entendeu que enfrentar o medo não é algo para ser forçado, é uma virtude que deve fluir naturalmente. No caso dela, vinha do amor ao próximo.

O arbusto se mexia novamente, e então um texugo emergia repentinamente dele, fazendo Fluttershy respirar aliviada. Em um trote tão rápido quanto ela ousava na escuridão, Fluttershy enfrentava Everfree, avançando em seu interior cada vez mais, até Zecora.

 Applejack batia na porta da casa de Fluttershy, e ficava um pouco preocupada quando não ouvia nenhuma resposta.

“Fluttershy?” Ela gritava, batendo novamente. Fluttershy abriu a porta de repente, fazendo a pônei laranja saltar. “Calma aí Fluttershy!”

“Oh, desculpe,” Fluttershy dizia, olhando envergonhada.

“Tudo bem, você apenas me assustou,” Applejack pausava, e então olhava ao redor, “Onde está Winona?” Ela perguntava com uma voz preocupada.

“Está descansando,” Fluttershy respondia, e Applejack assentia em alívio, “ela estava muito doente, mas felizmente eu sabia qual remédio usar para ajudá-la a se sentir melhor. Eu temo que ela irá precisar pegar leve por um mês ou mais, sem atividades pesadas ou qualquer coisa do gênero para uma recuperação completa.”

Obrigada Flutershy,” Disse Applejack com um enorme sorriso em seu rosto, “Eu sabia que ela estaria segura com você.”

Fluttershy sorria.

Colunas, Fanfic, Fanfics nacionais

Diferenças

Diferenças

 

Conta-se que os animais da Fluttershy decidiram fundar uma escola. Para isso, reuniram-se e começaram a escolher as disciplinas. O Pássaro insistiu para que houvesse aulas de vôo. O Esquilo achou que a subida perpendicular em árvores era fundamental. E o Coelho Angel queria de qualquer jeito que a corrida fosse incluída. E assim foi feito. Incluíram tudo, mas cometeram um grande erro. Insistiram para que todos os bichos praticassem todos os cursos oferecidos. O Coelho foi magnífico na corrida, ninguém corria como ele. Mas queriam ensiná-lo a voar. Colocaram-no numa árvore e disseram:

“Voa, coelho!”.

Ele saltou lá de cima e “pluft”… coitadinho! Quebrou as pernas. O Coelho não aprendeu a voar e acabou sem poder correr também.  O Pássaro voava como nenhum outro, mas o obrigaram a cavar buracos como uma toupeira. Quebrou o bico e as asas e, depois, já não conseguia voar tão bem e nem mais cavar buracos.

Sabe de uma coisa?

Todos nós somos diferentes uns dos outros e cada um tem uma ou mais qualidades próprias dadas por Deus. Não podemos exigir ou forçar para que as outras pessoas sejam parecidas conosco ou tenham nossas qualidades. Se assim agirmos, acabaremos fazendo com que elas sofram e, no final, elas poderão não ser o que queríamos que fossem ou, ainda pior, elas poderão não mais fazer o que faziam bem feito.

Respeitar as diferenças é amar as pessoas como elas são!

“Nenhum de nós é tão bom quanto todos nós juntos!”

Amigos pra Valer…. fazendo o dia nascer mais feliz!

Autor Desconhecido

Comics estrangeiras, Fanfic

As Crônicas de Equestria

Autor: SleepingSpirit

Gênero: Normal; Romance; Relacionamento; Aventura.

Sinopse: Quando o pegasus Starray finalmente aposta uma corrida com a famosa Rainbow Dash, ambos acabam no hospital. Mesmo recebendo alta, Starray não poderá voltar para casa tão cedo devido aos ferimentos e ossos quebrados, e acaba fazendo amizades em Ponyville. Mas seriam algumas delas mais do que isso?

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Crônica 1: Um voo, uma queda (One flew, One fall)

Crônica 2: Para a casa (To home)

Crônica 3: Uma casa distante (A faraway fome)

Crônica 4: Brilhar (Shine)