Estrabismo

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Autor: Moabite

Gênero: Slice of Life

Tradução: Drason

SINOPSE: Derpy explica para sua filha por que seus olhos são diferentes.

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Derpy estava usando um pedaço de carvão para fazer o contorno imaginário de um lago cintilante. Ela estava enrolada em um cobertor no chão de sua sala de estar, saboreando esta breve oportunidade de desfrutar um de seus hobbies que mais gostava: desenhar. A poucos metros de distância, Dinky sentava-se em frente da lareira, segurando um de seus livros preferidos. Seus lábios se moviam em torno das palavras que lia.

O fogo da lareira fazia sombras nas paredes da sala, projetando no papel de parede alaranjado  figuras que dançavam e balançavam ao ritmo de uma música inaudível. A sombra do carvão parecia um barco balançando no mar agitado sob a tempestade, com relâmpagos dourados que surgiam através do reflexo da taça de cidra da Derpy. Uma segunda lenha acesa na cena projetava uma silhueta que se dividia em duas, em lados opostos na parede.

Derpy limpava o pó de carvão do papel, revelando um céu salpicado de estrelas brilhantes e uma enorme lua cheia.

Dinky começava a balançar a cabeça para cada sílaba que ela murmurava. Sua mãe reconhecia esse gesto como um sinal de que ela estava tendo dificuldade com alguma palavra.

“Soletre para mim, Dinky.” Ela disse.

Dinky puxou o livro para mais perto de seu rosto e colocou um casco na página, o levando da esquerda para a direita ao longo da estranha palavra.

“C-O-M-P-O-R-T-A-M-E-N-T-O”.

“Comportamento. Você sabe essa, Dinky. Por exemplo: estar bem comportada.”

“Eu sempre estou bem comportada.” Brincou Dinky.

Derpy sorriu e estendeu o casco para a cidra. De repente, sua visão duplicada fez o seu casco desastradamente bater contra a taça, derramando seu conteúdo sobre o tapete cor de creme. Ela reclamou em voz alta antes que pudesse parar. Então colocou seus dois cascos na boca e se virou para Dinky, que olhava para a mãe com os olhos arregalados, e o livro esquecido.

“Eu sinto muito, Dinky. Disse uma palavra feia. Nunca fale algo assim, mesmo que eu diga algumas vezes.”

Dinky ainda olhava assustada. “Mamãe, seus olhos ficaram todos engraçados.”

Derpy moveu um casco para o seu olho direito, cobrindo-o e reduzindo o número de Dinkys que ela estava vendo para apenas uma. Seu olho restante focava na jovem unicórnio, cujo rosto estava cheio de preocupação.

“Eu estou bem, Dinky. Sente-se aqui um pouco.”

A pegaso cinza batia suavemente no chão em frente a ela. Dinky obedientemente fechou o livro, o colocou ordenadamente na estante, antes de se sentar na frente de Derpy. Ela era uma boa filha e Derpy ficava triste ao vê-la chateada. Era melhor explicar esse problema agora do que deixá-la preocupada. Ela destampou seu olho novamente, que traiçoeiramente focava as cortinas enquanto o outro observava Dinky.

“Isso é chamado estrabismo, ou olho preguiçoso. Às vezes ele não se posiciona na direção certa, o que dificulta saber o quão longe as coisas estão de mim, como essa taça que acabei de derrubar. Tenho problemas para leitura também, mas os médicos estão tratando e com certeza vou melhorar, então não se preocupe.”

“Dói?”

“Não.” Ela mente.

Derpy tinha o tempo livre entre o final do seu expediente de trabalho e do horário que tinha para buscar Dinky na escola. Ela decidiu complementar sua renda com algum serviço com jornada de trabalho parcial na empresa de transportes chamada Boxy Brown. O salário de carteira não vinha sendo o suficiente nesses últimos meses.

Durante um dia de trabalho nessa empresa, sua amiga Raindrops a estava acompanhando para passar o tempo enquanto Derpy e outros funcionários carregavam uma carroça cheia de mercadorias em pleno voo. Depois que Raindrops falou uma piada, Derpy fechou os olhos e riu descontroladamente. Quando os abriu novamente, sua visão nadou. Ela teve um breve momento de desorientação e deixou cair uma caixa fortemente na parte de trás da carroça, a inclinando totalmente para trás. Os transportadores que seguravam o veículo gritaram enquanto lutavam para restabilizar o nível, mas já era tarde demais. Algumas das cargas começaram a deslizar ao longo das pranchas de madeira para a parte traseira.

Raindrops se atirou nas caixas e batia suas asas o mais rápido que podia, tentando impedi-las de deslizarem, mas cada vez mais peso vinha contra ela.

“Derpy!” ela gritou. “A rampa! Feche a rampa!

Derpy agarrou a rampa e a fechou rapidamente sobre a parte de trás da carroça. Ela estendeu o casco para o trinco, mas sem a percepção de profundidade, acabou errando o alvo por alguns centímetros. Ela não teria outra chance de tentar de novo antes que Raindrops escorregasse e se chocasse com a rampa, a abrindo novamente. As duas assistiram assustadas a carga caindo no vazio, direto para o chão.

O dono da empresa chamado Boxy as encarava com um olhar gelado e tudo que Derpy podia fazer era sorrir, se desculpando.

O seguro cobria os danos, por isso Boxy decidiu não cobrar as duas pelos estragos, mas ele não deixou Derpy voltar a trabalhar, com receio de que isso pudesse ocorrer novamente. Ela tinha ido para casa naquela noite chorando de frustração, amaldiçoando sua aflição, sua inutilidade.

Sim, às vezes machuca.

“Não, não machuca. É só um pouco de incômodo.”

“Como isso aconteceu?” Perguntou Dinky.

“Bem, neste caso é hereditário. Muitas pessoas de nossa família tiveram isso. Minha tia em Canterlot tinha, e meu avô também. É possível que você também tenha um dia, por isso que é tão importante tratar cedo. Sabe quando você costuma fazer seu exame na clínica, e a enfermeira Redheart coloca a luz em seus olhos?”

Dinky acenou. “Sim.”

“É exatamente para checar o estrabismo.”

“Eu não gosto de ir ao médico.” Dinky disse distraída.

Derpy bateu o casco bruscamente no chão. “Bem, você deve!”

Ela se arrependeu imediatamente enquanto Dinky se encolhia.

“Eu sinto muito, Dinky. Só não quero que você tenha os mesmos problemas que eu.”

No dia seguinte, o sol já estava se pondo, com as últimas luzes alaranjadas brilhando sobre as montanhas de Ponyville, enquanto Derpy descia para a rua principal da estação de correios. Sua corrida matinal havia sido particularmente intensa nesse dia, com quase o dobro do número de cartas e revistas para entregar do que o habitual. Nas capas das revistas tinha uma bela pegasus amarela com crina rosa, e Derpy tinha certeza que a conhecia, mas não se lembrava do nome.

Seus músculos estavam cansados e doloridos e ela bocejava intensamente. Nesse momento, seu olho direito apontava para o pico de uma montanha distante, enquanto o esquerdo permanecia em linha reta. Derpy descia em seu voo direto para o telhado dos correios, sem saber o quão perto poderia estar dele. Apavorada, ela se inclinou para a direita, em seu ponto cego, e uma de suas asas acabou atingindo o mastro da bandeira, sendo jogada dolorosamente para seu flanco. Sua outra asa se estabilizou por pouco tempo no ar, antes dela mergulhar desajeitadamente na rua movimentada.

Ela caiu no chão, inclinando a cabeça para baixo antes de bater o rosto na sujeira. Gemendo, ela levantou a cabeça. Através da visão dúplice, tomou conhecimento da multidão que se reunia ao redor. Alguns pôneis preocupados se ​​agaixaram na frente dela, dizendo para não se mover enquanto verificavam possíveis lesões. Um número de espectadores conteve-se, sussurrando uns com os outros. Muitos na parte de trás pareciam rir.

Derpy estava ciente da reputação que ganhou com sua falta de jeito, as pessoas boas a ajudavam, enquanto que outros faziam piadas. Era verdade que ela era diferente, mas alguns rumores sobre ela eram exagerados. Desde então, qualquer oferta que ela dava a alguns pôneis para ajudar com as tarefas eram educadamente recusada, como se houvesse o risco dela quebrar ou arruinar alguma coisa. Essa não era a vida que ela queria para a filha.

Chegando em casa, Dinky se aproximou dela, observando os olhos díspares de sua mãe e inclinando a cabeça intrigada com o olho direito que se recusava a acompanhar os movimentos da unicórnio. Eventualmente, Dinky se sentou.

“Mamãe, se um dia eu tiver estrapilho…”

“Estrabismo.” Derpy a corrigiu.

“Se um dia eu tiver estrabismo, você ainda vai me amar?”

A pégaso foi pega de surpresa. “Claro que ainda vou te amar Dinky! Nada nesse mundo vai me impedir de amá-la, filha.”

A unicórnio azulada se levantou e trotou até Derpy. Ela colocou os cascos dianteiros em volta do pescoço de sua mãe e a abraçou com força.

“Eu também sempre vou te amar.”

Derpy sorriu e a abraçou de volta. Elas mantiveram o abraço caloroso por um longo tempo antes de Derpy a liberar suavemente.

“Pode pegar o seu livro filha?”

Dinky pegou o livro da estante e voltou para Derpy, que agora estava deitada de lado com uma asa esticada. Dinky se aconchegou sob as penas macias de sua mãe e colocou o livro na frente dela.

“Ok.” Disse Derpy. “Vamos ler juntas. Eu vou ajudá-la com todas as palavras difíceis e você me ajuda se eu me perder na leitura, tudo bem?”

“Tudo bem!”

Na lareira, uma lenha rolava e caía, fazendo a sombra de um coração em chamas. As duas silhuetas que no começo estavam em lados opostos na parede, se tornaram uma novamente, clara e nítida.

Mais do que remédios e médicos, era o amor de Dinky que dava forças e confortava o coração de sua mãe.

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As Crônicas de Equestria

Autor: SleepingSpirit

Gênero: Normal; Romance; Relacionamento; Aventura.

Sinopse: Quando o pegasus Starray finalmente aposta uma corrida com a famosa Rainbow Dash, ambos acabam no hospital. Mesmo recebendo alta, Starray não poderá voltar para casa tão cedo devido aos ferimentos e ossos quebrados, e acaba fazendo amizades em Ponyville. Mas seriam algumas delas mais do que isso?

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Crônica 1: Um voo, uma queda (One flew, One fall)

Crônica 2: Para a casa (To home)

Crônica 3: Uma casa distante (A faraway fome)

Crônica 4: Brilhar (Shine) 

Mãe, por que sou diferente?

Título original: Mummy… why am I different?

Autor: Gingercolt

Tradução: Drason

Sinopse: Dinky Hooves sabia que era diferente dos outros pôneis da escola. Ela simplesmente não parecia compreender as coisas da mesma forma como os demais, e por isso eles a evitavam. Ela não tinha nenhum amigo, exceto sua mãe. Derpy e Dinky sempre passavam por ótimos momentos juntas, brincando, cozinhando, e fazendo tudo o que podiam. Derpy amava Dinky, mesmo que os demais não o fizessem.

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Dinky Hooves sabia que era diferente das outras crianças em sua classe, mas simplesmente não entendia porque. Ela tinha a mesma aparência das demais crianças, e um tamanho normal para sua idade, então por que recebia um tratamento diferente? Não poderia ser pelo fato dela ser uma unicórnio, pois havia outros quatro em sua classe. A questão era que Dinky não podia compreender certas coisas muito bem como os outros. Durante a aula, sempre tinha tarefas difíceis, mesmo com todos conseguindo terminar as mesmas lições na hora. Cheerilee dizia que ela apenas precisava de um pequeno empurrão para acompanhar como os demais, mas por mais que ela se esforçasse, simplesmente não conseguia acompanhar. Isso deixava Dinky triste e às vezes até chorava, porque ela queria ser esperta como todo mundo na classe. Talvez o correto seria afirmar “como seus amigos na classe”, mas a questão era que Dinky não tinha amigos.

Sempre que ela ia até os seus colegas de classe durante o recreio e pedia para participar das brincadeiras, eles apenas a olhavam como se estivessem vendo algo terrível. Na maioria das vezes, eles simplesmente continuavam brincando, ou então a provocavam. “Boba” e “tonta” eram os insultos mais comuns, e Dinky os detestava. Tudo o que ela queria era ter um amigo, nada mais, então por que eles a provocavam tanto? Quando isso ficava insuportável para Dinky, ela corria chorando baixinho, se abrigando embaixo de um grande salgueiro até o recreio acabar. Poderia-se perguntar: “Por que ela não conta tudo para Cheerilee?” Dinky acreditava que se dissesse algo sobre as crianças que a atormentavam, isso iria apenas aumentar as provocações.

Mas de fato, ela tinha pelo menos uma amiga: sua mãe. Derpy Hooves, a melhor mãe que existia. Elas eram muito parecidas, ambas tinham a pele acinzentada meio azulada e uma bela crina loira, além de terem os mesmos interesses. A única diferença era que Derpy é uma pégasus e Dinky uma unicórnio. Os dias em que elas passavam juntas eram os melhores momentos na vida de Dinky. Quando a unicórnio voltava pra casa e era recepcionada por aqueles reconfortantes olhos amarelos e um amável sorriso, ela se esquecia de todos os seus problemas. Dinky ainda não podia contar à sua mãe sobre as provocações na escola, pois temia que ela ficasse preocupada, e a unicórnio não queria vê-la triste.

Dinky e Derpy faziam tudo juntas, brincavam, desenhavam, e o favorito de todos, assavam muffins. Dinky não se importava com o que elas fariam, desde que fizessem juntas. Derpy não se importava com o fato dela ser diferente, ela amava Dinky como ela era, e Dinky amava sua mãe com todo o seu coração.

O lugar favorito onde Dinky gostava de brincar era no grande lago perto da floresta. Lá sempre era quieto, e nunca tinha ninguém por perto, exceto os animais, como esquilos e pássaros. Era o local especial de sua mãe, onde elas faziam tudo o que queriam. Dinky adorava descansar na beira do lago com sua mãe, e juntas elas podiam ver muitos peixes. Uma vez, Dinky contou vinte cardumes! Elas também brincavam com jogos e rolavam na grama. Dinky sempre ficava triste quando chegava a hora de voltar para casa, mas ela sabia que esse dia se repetiria logo, e isso a deixava feliz.

Dinky também amava cozinhar muffins com sua mãe, que amava esse tipo de culinária. Ela ajudava a misturar todos os ingredientes em uma grande tigela com uma colher, a farinha se espalhava por todos os lados e fazia tudo ficar branco, até sua mãe, Dinky dava risada e Derpy também. Depois que todos os ingredientes estavam finalmente misturados, vinha a parte favorita de Dinky, usar a colher para rapar a tigela. Derpy sempre deixava Dinky lamber a colher porque a mistura era muito gostosa, e ela sempre era generosa com sua filha. Quando os muffins estavam prontos, Dinky tinha que esperar alguns minutos antes de comer, porque estavam muito quentes.  Mas a espera sempre valia a pena, porque os muffins eram deliciosos. Os muffins favoritos de Dinky era os de fruta, comida que ela amava, e que ficava ainda melhor nos bolinhos que sua mãe assava.

Infelizmente, não importava o quanto elas se divertiam juntas, pois uma hora Dinky teria que voltar para a escola.

Hoje foi um dos dias mais tristes de Dinky. Um grande grupo de crianças que costumavam provocá-la pegaram alguma coisa que Dinky amava muito, a foto de sua mãe. Dinky sempre a carregava em sua mochila, porque quando chorava, olhar a foto fazia ela se sentir melhor. Mas hoje, durante o recreio, enquanto sua mochila estava no chão, os outros a pegaram, e tiraram dela. A foto era emoldurada e muito frágil, o que a tornava muito preciosa para Dinky. No entanto, os garotos não se importavam, apenas queriam fazer Dinky chorar de novo. Logo, no entanto, o inevitável aconteceu.

Dinky estava desesperadamente tentando pegar de volta, mas como eles tinham o dobro do seu tamanho, não conseguia. Para piorar, o grupo jogava a foto um para o outro antes que ela se aproximasse mais. Quase chorando, e um pouco zangada, Dinky avançou contra o garoto que estava segurando a foto, golpeando ele no estômago. Surpreendido, o garoto deixou a foto cair no chão. Dinky só podia observar a terrível cena do vidro da moldura se partir em vários pequenos pedaços.

Vendo o que fizeram, o grupo de garotos saíram correndo, deixando Dinky chorando muito no chão por perder aquilo que ela tanto amava. Não tendo ideia do que fazer, Dinky pegou o que restou da foto, deixando a moldura quebrada no chão, e correu para fora da escola.

Agora Derpy estava extremamente assustada, depois de receber uma visita pessoal de Cheerilee, dizendo preocupada que Dinky não voltou para a aula depois do recreio e que as outras crianças disseram que a viram correr para a floresta. Ela ficou petrificada, já que estava ficando escuro, e não poderia suportar a idéia de Dinky ficar lá fora, no frio e sozinha por conta própria. A pégasus não tinha idéia de onde Dinky poderia ter ido. Então, começando a chorar, Derpy caía no sofá e olhava para as fotos dela abraçada com Dinky. E talvez essa fosse a pista que ela procurava, porque a foto favorita de Dinky mostrava Derpy no lugar onde sua filha sempre gostava de ir com ela.

Sentada no lago, com suas pernas chutando a água levemente, Dinky estava pensando sobre o que fazia as outras crianças a odiarem tanto, e esse pensamento a fazia derramar lágrimas novamente. Já estava escuro, e Dinky muito assustada. Ela não gostava dos sons assustadores que a floresta fazia no cair da noite, e queria que sua mãe estivesse lá para protegê-la.

“Mamãe deve estar super preocupada comigo agora.” Dinky pensava consigo mesma.

Ela não suportava imaginar sua mãe triste e chorando, o que a fazia cair aos prantos. Foi então que ela finalmente ouviu o barulho de um galho quebrando, de folhas se agitando, o que a deixou extremamente petrificada. Dinky se encolhia para tentar se proteger de um suposto monstro. Tremendo e chorando, ela mal podia ouvir alguém chamando pelo seu nome.

‘DINKY!” ela ouviu agora. “DINKY!” ela ouviu de novo, dessa vez mais alto.

“Mamãe?” ela pensava para si mesma. “DINKY,” aquela era definitivamente a voz de sua mãe. Não mais encolhida, Dinky se levantou e correu até o local de onde estava vindo o barulho.

“MAMÃE!” ela gritava, esperando por uma resposta.

“Oh minha filha!!” Derpy estava na orla da floresta, e mesmo estando tão escuro, ela podia ver sua amada filha correndo em sua direção. Ela correu também. Dinky pulou em sua mãe a abraçando forte, com ambas aos soluços.

“Dinky, você me deixou muito preocupada, nunca mais faça isso de novo!” Derpy dizia em meio às lágrimas.

“Eu sinto muito, mamãe, mas só fiz isso porque estava assustada e queria ir para um lugar que me deixasse feliz.”

Confusa, Derpy perguntou. “Como assim assustada? O que aconteceu?”

Dinky não respondeu, apenas perguntou. “Mamãe? Por que eu sou diferente?”

E com isso, Derpy começou a derramar lágrimas novamente. “Dinky, você não é diferente, é especial.”

“Como assim?” perguntou Dinky.

“Porque você é a melhor filha que uma mãe poderia desejar.” Então, como antes, deu um abraço forte em Dinky.

Agora sorrindo, Dinky devolvia o abraço, segurando sua mãe como se sua vida dependesse disso, e esperando nunca mais ter que deixá-la.

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Entrevista com a psicóloga Joice Kacelnik sobre o bullying:

Porque geralmente um grupinho acaba escolhendo uma pessoa para zoar?

O alvo do bullying é geralmente alguém que destoa do grupo dos populares por ter características “diferentes”. Pode ser aquele gordinho, aquela magrela, aquele que usa óculos, o “nerd”, etc. Se este adolescente não tiver condições de se proteger dos ataques que possam surgir, ele poderá sofrer de bullying.

Como o jovem deve lidar quando percebe que alguém pratica “bullying” contra um garoto ou garota?

O adolescente que sofre bullying geralmente fica muito envergonhado porque acredita que há algo errado com ele, pois depende muito da opinião do grupo. É muito importante comunicar o que está ocorrendo para um adulto, seja ele da família ou até mesmo um professor, orientador na escola. O importante é não sofrer em silêncio. Pedir ajuda sempre. Não sinta que você está sendo dedo duro.

O que fazer para evitar o bullying?

Pelo bullying ser um fenômeno que envolve a sociedade como um todo, somos todos responsáveis e é só através da conscientização dessa situação que algo poderá ser transformado. De alguma forma já estivemos todos envolvidos, seja como vítimas, expectadores ou até mesmo como agentes. A educação para a tolerância da diferença deve ser praticada desde a pré-escola, e não apenas na pré-adolescência e adolescência.

O que fazer em casos extremos de bullying? Quem sofre deve tomar uma atitude? Qual?

O bullying é sempre uma forma de violência, e é responsabilidade da sociedade como um todo, da família, da escola. Nenhuma forma de bullying se inicia de modo extremo. O bullying vai crescendo e ganhando adeptos até que se torna insustentável, muitas vezes gerando mais violência, agressão e até mortes. Como já foi dito antes, a pessoa que está sofrendo bullying deve sempre comunicar o que está se passando, pedir ajuda a adultos, já que por princípio o bullying inicia-se no início da adolescência. Denunciar sempre, sentir vergonha nunca.

Fonte: Site Vida de Jovem

O pai de Dinky Hooves – Parte final

 

Autor: RoyGbiv-MLP

Tradução: Drason

Parte 1 aqui

Parte 2 aqui

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Dinky trotava lentamente escadas abaixo depois do banho, se é que poderia ser chamado de banho. Nessa hospedagem, as banheiras geralmente eram usadas para armazenar as frutas colhidas. Mas tinha sido o suficiente para limpar toda a sujeira do cabelo, e o cheiro de pêssego da colheita estocada deu um aroma agradável para a sua crina e calda.

Rapidamente esticando seu corpo dolorido, a jovem unicórnio olhava ao redor da pousada para ver se havia mais algum hóspede. No canto estavam sentados quatro grifos, seus corpos grandes lançavam uma sombra de luz do sol poente enquanto jogavam uma partida de cartas. Na mesa perto da porta, um casal de pegasus idosos jantavam uma salada com um olhar de apaixonados um pelo outro.

E do bar, um pônei não mais velho do que ela estava sentado com seu violão enquanto o ajustava, na esperança de ganhar uma noite de descanso.

A unicórnio riu para si mesma, então fez uma pausa em sua procura. Um cheiro familiar estava flutuando no ar, um aroma que parecia com o de sua casa. Ela sentia esse cheiro todos os dias, quando voltava da escola. Sua mãe fazia uma comida melhor que a outra, e esse era o cheiro de uma refeição muito especial se espalhando pela pousada: muffins.

Dinky começou a farejar o ar mais profundamente, um sorriso cruzava seu focinho enquanto trotava até o balcão onde estava Peachstone. “Com licença senhor,” Ela começou, em um tom nervoso. “Mas você assou alguns muffins para acompanhar o jantar de hoje à noite?”

O pônei laranja olhou para a unicórnio balançando a cabeça, sua longa crina amarela caía pelos lados enquanto um sorriso agradável cruzava seu focinho. “É graças ao ajudante de cozinha que contratei há pouco tempo. Ele não fala muito, mas é trabalhador e ajuda bastante.”

O rosto de Dinky empalideceu em estado de choque, a potranca tropeçava para trás e o seu coração acelerava o ritmo. ‘Não poderia ser…’ Ela pensou para si mesma. Em seguida, ela balançou a cabeça e sorriu. “Bem, eles cheiram muito bem! Você se importaria se eu fosse até a cozinha para agradecer ao cozinheiro pela refeição maravilhosa que está preparando?”

O pônei terrestre jogou sua crina para trás e assentiu. “Bem, não vejo problema nisso. Apenas não o incomode muito, temos muitos clientes para chegar, e até lá tem que estar tudo pronto!”

Dinky acenou e sorriu. “Eu vou tentar, obrigada!” Um sorriso iluminava seu focinho, imaginando que sua busca finalmente poderia estar chegando ao fim.  Passando pelo balcão, a unicórnio se dirigiu rapidamente até a cozinha.

A pequena cozinha estava cheia de talheres, pratos e alimentos. No entanto, apesar da grande quantidade de coisas nela, tudo parecia impecável e limpo. Ela ouvia o som de comida fritando, o cheiro de espinafre misturado na massa cozinhando, fazendo suas narinas dançarem com o intensificado aroma de muffins recém tirados do forno. Rastejando em torno de um outro balcão, ela parou em choque.

Lá, na frente do forno usando magia para cozinhar vários pratos ao mesmo tempo, estava seu pai. Ele parecia mais velho, sua crina e cauda estavam muito mais longa, e seu corpo aparentava estar com algumas cicatrizes. Mas a marca especial em seu flanco, um muffin, não deixava dúvidas. Dinky não conseguia conter seu entusiasmo, e com um grito alto ela o chamou. “PAPAI!”

Bram Muffin se virou, suas orelhas sacudiam em curiosidade enquanto observava a jovem unicórnio na cozinha, parada na frente dele. Ele fez uma pausa, inclinando a cabeça interrogativamente com seus olhos assumindo um olhar confuso. Dinky saiu mais das sombras, a luz do sol de Celestia passava pela janela para iluminar sua forma jovem enquanto um sorriso cruzava seu focinho. Levantando seus cascos frontais, ela iniciou o teste final para ter certeza de que era ele. Dinky começou a falar com seus cascos, com a linguagem de sinais. “Papai, sou eu! Dinky Hooves! Eu procurei você por todos esses anos para te levar para casa!”

Um olhar de reconhecimento passava pelo focinho do unicórnio mais velho enquanto lia os cascos antes de galopar para frente e abraçar sua filha no mais apertado dos abraços, com lágrimas fluindo pelo seu rosto. Dinky sentia as lágrimas enchendo seus próprios olhos no alívio por sua busca ter acabado. Ela finalmente encontrou seu pai.

Peachstone trotou até a cozinha, onde observava com um olhar preocupado sobre o focinho os dois abraçados aos soluços. “E-está tudo bem?”

Dinky olhava para cima, com um sorriso aliviado em seu focinho enquanto balançava a cabeça fervorosamente. “Sim, por Celéstia, sim! Senhor, este é o meu pai que eu passei as últimas semanas procurando. Ele estava desaparecido por muito tempo, e temíamos pelo pior.” Ela se voltou para Bran e sorriu. “Mas agora eu posso levá-lo para casa… mamãe vai ficar tão feliz!”

Peachstone suspirou baixinho e abanou a cabeça. “Eu… não posso manter uma filha longe de seu pai. Unicórnio quieto, tire essa noite de descanso, eu termino o jantar e você vai conversar com sua filha certo?”

Bran Muffin acenou com a cabeça, levantando o focinho de Dinky antes de fazer alguns movimentos rápidos com os cascos dianteiros.

Dinky assentiu e virou-se para Peachstone. “Papai disse que seu nome é Bram Muffin, e ele é grato por você deixá-lo trabalhar aqui.”

O pônei terrestre acenou e sorriu para os dois. “Está tudo bem. Nós Peaches sempre ajudamos os viajantes. Agora podem ir… tenho certeza que vocês têm muito o que conversar.” Os dois concordaram e galoparam para fora da cozinha enquanto o pônei terrestre observava, virando-se em seguida para o fogão e terminando o trabalho de Bram, mas pensando consigo mesmo: “Minha mãe estava certa quando dizia que esse lugar era uma benção. Sempre uma nova história começando ou terminando com final feliz na Hospedagem Duas Árvores… e de alguma forma eu contribuo para que coisas maravilhosas aconteçam. Eu amo minha vida.”

Dinky e Bran sentaram-se na sala principal da pousada com um de frente para o outro, um tanto nervosos para dizer qualquer coisa. A unicórnio tinha tanta coisa pra fazer! Ela tinha que escrever para sua mãe, arranjar transporte para casa, e ainda fazer uma pergunta que queimava dentro de seu coração. Olhando para cima com um olhar nervoso em seus olhos, seus cascos tremiam enquanto tentava várias vezes dizer alguma coisa, apenas para perceber que não sabia nem mesmo por onde começar.

Bran soltou um suspiro pesado, vendo sua filha tão crescida e parecendo tão confusa. Levantando seus cascos, ele começou primeiro. “Minha palavra, Dinky. Eu não via você desde que tinha apenas três anos. E te olhando agora, parece que está prestes a se formar na escola! Mas como aprendeu a linguagem dos cascos?”

Dinky corou enquanto seus cascos respondiam na mesma língua. “Mamãe me ensinava todas as noites depois que me contou sobre você. Ela me disse quando eu tinha treze anos, e passou os próximos dois anos me ensinando enquanto me preparava fisica e psicológicamente para encontrá-lo.”

Bran balançava a cabeça enquanto um olhar triste cruzava seus olhos. “Doze anos longe de você e de sua mãe, não havia um dia em que não pensasse em vocês duas.”

Dinky se inclinou para frente, com um olhar zangado enquanto batia o casco esquerdo sobre a mesa. Piscando as lágrimas, ela fez um sinal com seus cascos novamente. “Então onde você estava? Por que não voltou para casa?! Tem idéia do quanto machucou mamãe? E eu? Cada criança tinha dois pais para vê-los crescerem. Eu tive apenas mamãe, isso não foi justo!”

O velho unicórnio saiu de seu banco e andou em volta, descansando o casco gentilmente no ombro de sua filha enquanto balançava a cabeça. “Não, não foi justo.” Seus cascos balançavam enquanto ele fazia os sinais. “Confie em mim, eu tentei várias vezes voltar para casa, mas estava sendo mantido preso por uma tribo de cães diamantes. Eles costumavam manter pôneis para o trabalho escravo até ficarem velhos. Várias vezes tentei fugir, mas eles me recapturavam. A única coisa que me mantinha de cabeça erguida nos trabalhos das minas era a esperança de reencontrar vocês duas novamente. E foi apenas recentemente, após uma cão diamante anciã, que era contra a escravidão organizar um motim entre a tribo, que eu e outros pôneis fomos finalmente liberados. Depois de me perder no deserto por um mês, acabei encontrando a Hospedagem Duas Árvores, e comecei a trabalhar aqui para ganhar o suficiente e poder viajar para casa e reencontrar a família que perdi, mas que sempre tive em meu coração.”

A unicórnio cinza azulada continuava sentada, lendo os cascos de seu pai enquanto balançava a cabeça. “Eu tenho dinheiro, papai. Se você quiser, podemos seguir viagem amanhã para Fillydelphia, enviar uma carta para mamãe avisando que achei você, e então pegar a próxima carruagem de Pégaso de volta para casa.”

Bran balançou a cabeça meio desacreditado. “Mas como você pode se dar ao luxo de pegar uma carruagem de pegasus? Eles são tão caros!”

Dinky apenas sorriu suavemente. “Eu tenho uma amiga que já foi uma wonderbolt, e agora está aposentada. Sei que com sua ajuda posso baixar o preço da viagem.”

Bran pausou por um momento e depois deu um aceno com a cabeça. “Bem, então é melhor comermos e partirmos cedo. Daqui até Fillydelphia vai ser um dia inteiro de caminhada.”

De repente, Dinky pulou para frente, seus cascos frontais agarraram o pescoço de seu pai enquanto o abraçava aliviada. “Obrigada por nunca se entregar dentro da prisão papai, a líder dos cães diamantes falou muito bem de você. E obrigada por ter ficado pelos arredores até que eu pudesse encontrá-lo e levá-lo para casa.” Bran apenas abraçava sua filha, com lágrimas transbordando em seus próprios olhos enquanto ele balançava a cabeça em silêncio. Às vezes palavras não são necessárias, e essa foi uma das ocasiões. Tudo o que era necessário agora era um caloroso abraço em silêncio em uma unicórnio que perdeu o pai que sempre precisava em sua vida durante muito tempo.

Derpy Hooves trotava para frente e para trás próxima do Torrão de Açúcar, a pégasus cinza olhava para céu em intervalos de tempo desde que o dia começou. Senhora Cake e Hairspray trotaram para fora, e a Senhora Cake colocou um casco gentilmente no ombro de Derpy. “Por favor Derpy, acalme-se! Estamos todas ansiosas, mas eles estarão logo aqui! A carruagem costuma chegar ao meio dia, e nunca atrasa!”

Hairspray acenou com a cabeça enquanto descansava no outro ombro de Derpy. “É irmã, você precisa se acalmar! Olha, sua crina está uma bagunça, e ontem ficamos um tempão arrumando ela para a celebração de Dinky e o retorno de Bran.” A pônei terrestre tirou um pente de sua bolsa. “Fique parada para eu arrumá-la.”

Mas Derpy estava tão ansiosa que não prestava atenção, e olhava para o céu enquanto seus olhos brilhavam de alegria. Levantando um casco no ar, de repente ela gritou. “MEUS MUFFINS!!” Senhora Cake e Hairspray se viraram, olhando para o céu, enquanto Quarterback e Carrot Cake saíam do Torrão de Açúcar para verem a causa de tanta agitação. Enquanto todos olhavam para o céu, eles podiam ver uma carruagem descendo lentamente em espiral, na direção da praça, até pousar próxima deles, levantando uma nuvem de poeira.

Saindo da carruagem, Dinky Hooves e Bram Muffin acenaram. Mas antes que eles terminassem de acenar, Derpy voou rapidamente através do ar, os abordando e os abraçando fortemente, lágrimas escorriam de seus olhos enquanto ela os abraçava. “Meus muffins, meus dois muffins voltaram para casa!”

Os olhos de Dinky e Bram também não podiam conter as lágrimas enquanto retribuíam o abraço. Senhor e Senhora Cake também abraçavam seu filho adotivo que temiam nunca mais ver. Quarterback descansava o braço em Hairspray enquanto observavam emocionados.

Finalmente, Bran Muffin se afastou e começou a mover seus cascos para Derpy. “Há algo em que estive esperando por doze anos para fazer, Derpy.” Andando para frente, ele envolveu seus cascos sob a pégasus cinza, enquanto a beijava, com Derpy beijando de volta. “Pequeno muffin aqui! Espere até a noite para nos beijarmos mais! Por enquanto, festa com muffins e abraços para celebrar a família inteira junta novamente!”

Enquanto toda a família entrava no Torrão de Açúcar para comemorar o retorno de Bram, Dinky Hooves parou por um momento ainda no lado de fora para olhar por cima do ombro, para Canterlot situado em uma montanha no horizonte. “Obrigada, Princesa Celéstia e Luna. Obrigada por me ajudarem a reunir minha família novamente.” Então, com um agito em sua cauda, a unicórnio entrou no Torrão de Açúcar para se juntar à celebração.

O pai de Dinky Hooves

Título original: Dinky Doo’s Father Revealed

Autor: RoyGbiv-MLP

Tradução: Drason

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“Mamãe, quem é meu pai?

Derpy Hooves fez uma pausa na preparação da refeição, o corpo cinza da Pégasus ficou imóvel quando seus olhos se abriram em estado de choque. Se virando, olhou para a filha Dinky e piscou lentamente. Ela prendeu a respiração por um momento, contando até cinco antes de aspirar. Em sua mente, sabia que esse dia chegaria, mas esperava que sua filha fosse um pouco mais velha.

Derpy sabia que os outros potros zombavam dela porque sua mãe era “especial”. Tão cruel como era saber que as crianças da idade de Dinky não cresceriam passando pela mesma fase difícil. Os espinhos verdadeiramente dolorosos vinham das crianças da cidade. Os sussurros e olhares disfarçados como se estivessem exergando algo que nunca viram. Isso chegava a doer muito mais, porque às vezes a expressão em seus rostos já dizia tudo.

Mas há muito tempo eles haviam parado com essa fase. Dinky sabia que sua mãe compreendia e entendia muito mais do que os outros pôneis pensavam. Em público, a dupla ainda estava sorrindo e às vezes só agradecendo aos outros por insultos e elogios mal-intencionados sobre como era maravilhoso que uma pegasus tão especial como ela pudesse ter como filha uma unicórnio. Mas Derpy estava esperando por este dia. Quando os outros pôneis falavam de seus pais, Dinky pensava sempre em sua mãe, a pégasus carteira. Mas a questão sobre seu pai nunca havia sido levantado antes. Assim nasceu na Pegasus uma esperança de que este dia nunca precisasse chegar.

“Mamãe …” Derpy trotou em direção a ela, colocando as patas dianteiras no ombro de sua mãe com um olhar preocupado. “Se …. se você não quiser falar sobre isso ….”
A filha de Derpy observou um olhar triste em seu rosto enquanto ela balançava a cabeça. Ela desligou o fogão e pediu a sua filha para segui-la. “Muffins me disse que um dia você gostaria de saber sobre o unicórnio que um dia preencheu minha vida com alegria …” A pégasus cinza começou a levá-la para o seu quarto enquanto falava. “E o meu muffin mais especial de bondade tem o direito de saber sobre o dia que conheci o pai que me deu tanta alegria!!”

Dinky seguia silenciosamente balançando a cabeça, ela estava acostumada com o jeito diferente da sua mãe falar. Ao entrar no quarto de Derpy, as paredes eram decoradas com desenhos da infância de todos os pôneis da cidade que Derpy considerava seus amigos, e estavam realmente muito bem elaborados. Cada vez que sua mãe conhecia um pônei novo, sempre desenhava naquela noite. Esta era apenas uma das muitas peculiaridades que Dinky via em sua mãe e que a fazia única.

Derpy se abaixou e se rastejou para debaixo da cama, empurrando uma caixinha de papelão antes de sair se contorcendo. Ela sacudiu a poeira de seu corpo e entregou a caixa para a filha. “Todas as respostas sobre o espaço e os balões voadores estão aqui. Eu vou acabar de preparar as delícias de alimentos e felicidade enquanto você aprender a ciência.”

Dinky acenou com a cabeça, vendo sua mãe voltar para a cozinha. A caixa em si era velha e rasgada, como se tivesse sido mexida muitas vezes. Usando um dos cascos, a unicórnio empurrou a tampa da caixa e olhou para seu interior.
Havia apenas um pergaminho enrolado e algumas fotos. Ela viu um retrato de sua mãe quando era mais jovem em uma fazenda com outros pôneis, alguns eram terrestres, outros pégasus, e mais alguns unicórnios. Todos estavam rindo e sorrindo em um dia de campo, Dinky sentiu uma lágrima na borda de seus olhos ao ver sua mãe tão feliz.

Mas outra coisa lhe chamou a atenção, e teve que olhar mais de perto para ver se ela estava enxergando direito. Sim, muitos dos pôneis na foto tinham o mesmo olhar em seus olhos que o da sua mãe. Alguns estavam em cadeiras de rodas, e outros de muletas. Mas todos eles aparentemente eram tão especiais quanto sua mãe.

Ela colocou a primeira foto sobre a caixa e pegou a segunda antes de fazer uma pausa. Na foto, sua mãe estava abraçando um unicórnio jovem ao lado de uma árvore. Seu corpo era marrom e tinha uma crina e cauda castanha-marrom. O que mais lhe chamou a atenção foi o fato de que sua marca especial era um muffin. Ela ficou olhando para a foto por muito tempo, suas pernas tremiam enquanto observava a árvore. Sim, parecia ser da mesma fazenda e esculpido nela havia um coração com as siglas ‘BM + DH’ esculpido nela. Ficou bem claro para Dinky, essa era uma foto de seu pai.

Dinky pensava no que isso significava. Tinha um pai unicornio e sua mãe se encontrou com ele em uma fazenda onde todos os pôneis eram tão especiais quanto ela. De repente, os anos em que sua mãe a levava para estudar fazia cada vez mais sentido agora. Ela sempre achou que era porque sua mãe tinha medo que Dinky ficasse igual a ela. Mas com os dois pais naquele lugar, a verdade foi como uma explosão em sua mente: Ela venceu as adversidades e deixou sua mãe muito orgulhosa por ser uma das melhores alunas na escola. Não era estranho que sua mãe sempre checasse seus estudos enquanto trabalhava entregando cartas!

Deixando a outra foto na caixa, o corpo de Dinky abalou com os nervos quando olhou para o pergaminho enrolado. Ela realmente queria fazer isso? Parte dela queria desenrolar e começar a ler, mas uma pontada de medo percorreu em sua cabeça. Depois disso, não haveria retorno. Não poderia mais passar noites sonhando sobre como seria seu pai. Estaria pronta para passar da ilusão e fantasia para a fria realidade?

.
Segurando o pergaminho, ela acenou para si mesma. Tinha que saber, não só por ela mesma, mas também por sua mãe. Sua mãe deu-lhe muito e enfrentou o mundo bravamente, manteve esta caixa guardada só para sua filha saber da verdade. Ela devia isso a sua mãe. Abrindo o pergaminho, Dinky deitou no chão de bruços e começou a ler.

“Dinky, estou escrevendo esta carta para que um dia você saiba quem é o seu pai. Espero que você esteja lendo agora. Se você encontrou esta caixa por acidente fuçando meu quarto, então você está de castigo!! Vá para seu quarto e espere até eu chegar em casa!”

Dinky riu levemente, sorrindo para si mesma da pequena nota. Mesmo por escrito, sua mãe tinha senso de humor, por vezes, divertido. Balançando a cabeça, ela continuou lendo o pergaminho.

“Quando me formei na escola, meus pais haviam morrido um ano antes de trabalhar como pôneis climáticos. Meu irmão mais velho, Quarterback, tinha começado a trabalhar em uma construção, e eu era um casco cheio. Tinha muitos problemas mesmo fazendo as tarefas mais básicas e não conseguia dizer mais do que duas palavras. O trabalho do meu irmão mais velho em Fillydelphia era necessário para ajudar a construir uma nova escola, ele explicou que eu iria viver em um lugar especial que poderia me ajudar. Foi quando me apresentou na Fazenda.”


“A Fazenda ficava nos arredores de Coltland, e foi criada para ajudar pôneis especiais a serem auto-suficientes. Mas eu não sabia disso na época. Não, tudo que eu sabia era que o último da minha família estava me deixando lá, e pensei que era porque não me queria mais. Passei a primeira semana no meu quarto, recusando-se a sair nem mesmo para comer. Cada dia só ficava encolhida debaixo dos meus cobertores, ignorando tudo e a todos.”  


“No final da semana, ouvi uma batida suave na minha porta. Então escutei alguém caminhar lentamente para a sala antes de sentir que algo foi deixado na minha cama. Quando ele saiu, farejei debaixo dos cobertores o aroma mais delicioso. Tirando o focinho pra fora vi que o visitante misterioso havia deixado uma cesta de muffins na minha cama.”

“Meu estômago roncava, precisava de comida após uma semana de jejum. Nada mais importava, eu enterrei meu nariz na cesta e comecei a comer aquelas delícias assadas com alegria. Claro, depois de tanto tempo sem comida, devia me controlar. Acabei comendo demais e tão rápido que me deu uma dor de estômago que durou até tarde da noite.”             

Dinky suspirou, apoiando o casco na testa, balançando a cabeça. Várias vezes tinha visto os resultados de sua mãe comendo bolinhos demais, e estava guardando uma grande quantidade de uma especial poção rosa que uma pônei enfermeira havia preparado para ela. “Ah, mãe …” ela sussurrou para si mesma. “É tão típico de você.”

“Na manhã seguinte, eu estava com fome novamente, então corri lentamente para fora do meu quarto até a área principal. A casa da fazenda era o lugar onde todos nós vivíamos e foi projetado de modo que cada sala dos pôneis levasse para a área principal, onde havia comida, jogos e aulas. Vários pôneis me viram sair da sala e me deram uma saudação amigável, quis evitar um pouco, quase pronta para voar de volta ao meu quarto.”        

“Mas uma enfermeira pônei me viu e sorriu simpaticamente para mim, trotando em minha direção para me cumprimentar. Ela explicou sobre a fazenda, e disse que meu irmão não me deixou lá como um castigo, mas como uma recompensa para me tornar uma pônei melhor. Então ela me mostrou a fazenda, às vezes me puxando, me mostrando tudo o que o lugar tinha a oferecer.”

“Lentamente comecei a sair da minha “concha” na fazenda, aprendendo a viver sozinha. De início foi lento, com eles me ensinado a cozinhar e ajudar com as tarefas agrícolas. Também começaram a me ensinar como voar corretamente, algo que tinha sido um desafio na escola por causa do meu olho ruim. Aprendi a difícil tarefa sobre a percepção de profundidade, e como os objetos poderiam estar mais próximos de mim do que pareciam.”

“E todas as noites, após um longo dia, sempre encontrava uma nova cesta de bolinhos na minha cama esperando por mim. De início, pensei que fosse o meu irmão, Quarterback, achando que estava me observando para saber se estava tudo bem. Mas tudo mudou no início do verão.”

“Era um dia ensolarado, o sol brilhava sobre nós enquanto nos dirigíamos para o campo. Nós tínhamos acabado todas as tarefas do dia mais cedo, então fomos fazer um piquenique para celebrar o nosso trabalho duro. Speed Whells também estava prestes a se “formar”, e todos nós queríamos desejar-lhe boa sorte. Ele nasceu com algo chamado PaHabis e passou sua vida em uma cadeira de rodas. Mas ele tinha dois anos na fazenda e percebeu que era muito talentoso em serviços de entrega, e que a cadeira não seria um obstáculo para ele. Mesmo sentado naquela cadeira, ainda assim poderia ir em qualquer lugar.”         

Eu o ajudava, e foi onde descobri que também tinha um talento especial para entregar coisas. Entre nós dois, não havia qualquer entrega na fazenda que não pudesse chegar até o seu destino a tempo. Éramos uma dupla imparável, e foi com um pouco de medo que recebi a notícia de sua saída, pois todas as entregas da fazenda e cartas seriam feitos apenas por mim.

“Mas estávamos todos felizes por Speed. A Fazenda o ajudou a conseguir um emprego na cidade de Coltland em uma empresa de entrega, além de uma casa. Seria uma grande transição para nós, ele foi um dos sortudos. Alguns na Casa nunca poderiam chegar tão longe, e ficariam até morrer.            Mas naquele dia nós estávamos felizes por Speed, e fomos até o campo para festejar. Mesmo os enfermeiros foram relaxando, brincando com a gente enquanto o som alegre de nossos risos ecoava nos campos e colinas próximas.”

Dinky sorriu um pouco deitada no chão e balançou suavemente a cabeça para si mesma. Ela podia sentir a alegria de sua mãe enquanto lia, e sentiu o desejo de vê-la sempre dessa maneira, sem ter de ficar com um semblante bravo, feliz por ninguém ficar tirando sarro dela.

“Vários pôneis da cozinha haviam trazido sopas, saladas e outras delícias. Quando a refeição foi servida, uma coisa me chamou atenção: Uma grande variedade de bolos que estavam sendo colocados por um unicórnio marrom. Eu trotei, cheirando os muffins curiosamente antes olhar para ele. Esses eram os mesmos muffins que foram deixados em meu quarto, na época que pensei que meu irmão me deixou!”         

“Me virei para o unicórnio, minha crina ficou de pé quando comecei a gritar. Quem era ele para pegar os muffins de meu irmão? é claro que com os meus problemas de fala, não saiu exatamente como eu esperava. Mas a questão é que eu estava muito chateada.”

“Ele só olhou em silêncio antes de começar a mover os cascos dianteiros em sinais estranhos na minha frente. Eu balancei minha cabeça, não entendia, e comecei a gritar de novo … antes de sentir seu casco esquerdo descansar delicadamente na ponta de meu focinho. Ele me disse para segui-lo e eu reclamei … por que deveria seguir um unicórnio estranho em algum lugar? Mas ele acenou de novo e de novo para segui-lo, e de modo relutante concordei.”

“Ele não me levou para muito longe, apenas do outro lado da pradaria, para um enfermeiro que ele chamava insistentemente. O enfermeiro virou e sorriu. Se me lembro bem, acho que seu nome era Cruz Vermelha. Ele era um pegasus simpático que me ajudou em algumas aulas de vôo.“

“Sim? olá Bran Muffin! Como posso ajudar?”          

“O unicórnio marrom alisou sua crina castanha dourada para trás, antes de fazer estranhos sinais com os cascos novamente. Cruz Vermelha olhou para nós, o Pegasus branco balançou a cabeça e crina vermelha curta.”

“Ah, entendi.” Depois olhou para mim e sorriu. “Derpy, vou lhe dizer o que Bran está falando, ok? Mas converse com ele como se eu não estivesse aqui.”   

“Lembro que estava um pouco confusa com tudo isso, mas acenei com a cabeça em silêncio antes de olhar de volta para o unicórnio. “Por que você pegou os muffins do meu irmão mais velho naquele dia?”           

“Os cascos do unicórnio começaram seus movimentos rápidos enquanto eu ouvia a voz de Cruz Vermelha. “Desculpe, os muffins eram meus. Você parecia tão triste quando chegou, que eu só queria fazer algo para te alegrar. Os muffins pareciam fazer você feliz, e você parece tão bonita quando sorri, que eu decidi continuar levando mais muffins.”

“Virei-me para Cruz Vermelha e perguntei: “O quê …? os muffins de…” mas dificilmente consegui dizer outra palavra antes de sentir os cascos dianteiros de Bran segurando os lados da minha cabeça, virando-se para o unicórnio antes de uma nova onda de sinais com os cascos”      

“Não olhe para ele!” Cruz Vermelha traduzia. “Ele é apenas a minha voz para que possamos conversar! Estamos falando de nós dois!”

“Tentei me acalmar, como me ensinaram a fazer nas aulas de discursos para usar as palavras certas. Finalmente, as palavras vieram lentamente, e eu era capaz de entender o que ele queria dizer: “Você não é meu irmão. É um pônei mais novo que está sendo simpático comigo. Mas por que você mesmo não fala?”

“O unicórnio suspirou, apontando para a garganta antes de fazer mais sinais, enquanto a Cruz Vermelha falava novamente. “Eu nasci incapaz de falar, como você, por um longo tempo eu não conseguia me comunicar com outros. Mas aqui na fazenda, aprendi a falar com os meus cascos e você teve aulas para aprender a usar sua voz corretamente.”

Lembro-me de balançar a cabeça, olhando para o unicórnio com um suave sorriso. “Você … Você pode me ensinar a falar com os cascos sem que minha voz cause explosões de estrelas que confunde os pôneis?”   


“Ele riu baixinho, com seu corpo tremendo enquanto acenava com a cabeça. “Claro, Derpy.” Eu ouvia a voz da Cruz Vermelha enquanto Bran fazia sinais novamente. “Eu te ensino com prazer!”        

“Durante o dia inteiro até pôr do sol de Celestia, Bran Muffin começou a me ensinar a falar com os cascos por meio de sinais. Enquanto todos ao nosso redor estavam comemorando a formatura do nosso amigo Speedy Whells, nós dois começamos a encontrar algo muito mais significativo. Estávamos nos escontrando um ao outro com nossos cascos, em nossa própria maneira pessoal de falar.”

Dinky sentiu seus olhos se encheram de lágrimas novamente e colocou o pergaminho no chão enquanto ela pegava um lenço, limpando as lágrimas e sorrindo para si mesma.

“Mamãe …… esta é uma parte de você que eu nunca soube.”


“Depois de constituída, Dinky olhou para o pergaminho dobrado. Poderia ela continuar? Será que ela realmente queria aprender muito sobre esta juventude de sua mãe? Robustecendo a si mesma, ela acenou com a cabeça. Pegando o pergaminho, subiu na cama e aconchegou-se nas cobertas. Com o cheiro de sua mãe por perto, desdobrou o papel e voltou de onde parou a leitura.”

“Foi um trabalho árduo, mas no final do verão não precisamos mais da ajuda de Cruz Vermelha para conversarmos. Sentávamos no lado de fora ou no salão principal, conversando com nossos cascos. Ele falou sobre sua infância onde cresceu em uma padaria em Ponyville, e de seus pais adotivos. Na verdade, ele era sobrinho deles, e tinha perdido os pais em uma inundação, quando ele nasceu. Foi o dilúvio que tirou sua capacidade de falar”.

“Mas vivendo lá, aprendeu a cozinhar e criar alimentos que nos deixava satisfeitos toda noite. Pode não ter sido capaz de falar, mas o silêncio escondia uma mente brilhante cheia de talento culinário e experiência. Sua especialidade era os muffins. E eu rapidamente amei estas delícias assadas. Mesmo assim, estávamos felizes.            “

“Cada dia, depois de entregar as cartas e pacotes da fazenda, voava para a cozinha e ajudava Bram a preparar refeições. A vida era simples, mas éramos felizes, verdadeiramente felizes. Gastávamos nosso tempo rindo e conversando com os nossos cascos, dizendo um ao outro sobre nossos dias, nossas esperanças e sonhos. E para nós era o suficiente. Pelo menos, à primeira vista.”   

“Não me lembro quando começou, mas de repente nos tornamos mais que amigos. Os aconchegos ocasionais, enquanto cozinhávamos, os abraços quando nos conhecemos, e até mesmo os longos períodos, quando apenas sorríamos um para o outro, com nossos cascos dianteiros descansando juntos em diferentes ocasiões. Os outros moradores da fazenda e as enfermeiras pareciam ver o crescente relacionamento entre nós.”

“Mas tudo mudou na safra de outono. Todo outono, as culturas colhidas e vendidas  ajudavam a pagar pela construção da fazenda, e nesses dias todos comemoravam com uma grande festa. Havia sempre um voto para a escolha de um príncipe e uma princesa para o turno da noite. E muitos dos outros residentes ficavam me dando piscadelas sabendo que eu entreguei suas cartas na semana que antecedeu a festa da colheita.”

“Então chegou o dia da festa, e todos nós trabalhamos duro para torná-la a melhor noite de todas. Bran e eu trabalhamos muito preparando o evento para os nossos amigos na fazenda. Finalmente nós terminamos e levamos tudo em nossos carrinhos antes de servir um grande buffet de comida deliciosa.”

“Oh, Dinky, como eu gostaria que tivesse visto aquela noite. Vários convidados da fazenda tinham decorado o pasto e, com a ajuda das enfermeiras, instalaram lanternas de papel para acender o pasto inteiro em brilhos suaves de vermelho, laranja e amarelo. Tudo estava perfeito, Dinky. Completamente perfeito.”

“A enfermeira chefe, uma unicórnio chamado Mare Blucher, fez um discurso sobre como estava orgulhosa de tudo o que conseguimos este ano. Todos nós relinchamos e aplaudimos com cascos no ar, felizes por ter uma noite tão divertida como recompensa. No final do discurso, ela pegou um envelope. “E agora, vou anunciar o  príncipe e princesa da noite!” Ela usou sua magia para abrir o envelope e ler em voz alta: “O Príncipe e a Princesa Muffin Bran e Derpy Hooves!”        

“Todos à nossa volta batiam palmas e relinchavam com os cascos, e ambos ficamos surpresos. Vários moradores começaram a nos conduzir ainda atordoados em direção ao palco enquanto nós sentíamos coroas de brinquedo descansando em nossas cabeças. Finalmente chegamos ao palco e olhamos ao nosso redor, a multidão de amigos torcendo por nós, pois todos começaram a cantar uma única palavra:” Beija! Beija! Beija!”

“Olhamos um para o outro enquanto Blucher Mare tentava acalmar a platéia, mas eles continuaram aplaudindo e gritando a palavra de novo e novamente com mais intensidade: “Beija! Beija! Beija!”     

“Olhei para Bran, e ele olhou de volta enquanto nós dois demos de ombros. Naquele momento só queríamos acalmar os pôneis para continuar a celebração. Então, nos inclinamos mais perto e nossos lábios se encontraram.”

“Não sei por quanto tempo nós realizamos nosso primeiro beijo, Dinky. Era como … um vôo de Verão e até mesmo muffins, todos juntos. Era como ser abraçada pelo meu irmão Quarterback … Como se os meus pais vivessem … tudo isto foi enrolado em uma bola de sentimentos quentes que corriam pelo meu corpo como um relâmpago. Eu senti meus olhos fechados e tudo o mais no mundo desapareceu, Bran e eu estávamos sozinhos e felizes.“

“Finalmente terminamos o beijo e apenas olhamos um para o outro. Então, ouvi os gritos de alegria da platéia e quando me virei, vi lágrimas em seus olhos enquanto eles aplaudiam. Ambos Bran e eu coramos muito, nossos narizes eram quase tão vermelho como uma beterraba conforme os festejos se iniciavam.”

“Enquanto todos foram para o buffet para começar a comer, nós apenas ficamos olhando um para o outro por um longo tempo. Mais uma vez senti que o mundo estava desaparecendo e éramos apenas nós novamente. Levantando as pernas dianteiras, Bran começou a contar em palavras que se tornaram a nossa linguagem pessoal. “Eu te amo”. Sorrindo, fiz um sinal de volta para ele, enquanto as lágrimas começaram a escorrer em meus olhos. “Eu também te amo!”.

“Naquela noite, quando a festa se acalmou, eu não voltei para o meu quarto. Em vez disso, segui Bran para o apartamento que tinha atrás da cozinha. Você não vai querer saber o que aconteceu naquela noite, e muitas outras noites depois. Só sei que nós nos amávamos muito. Pouco tempo depois, no final do solstício de Inverno, eu comecei a adoecer com freqüência. “

“Nós dois estávamos com muito medo, Dinky! Pela primeira vez em meses, os muffins estavam me fazendo mal! Eu não queria comer o que Bran Muffin preparava, queria coisas como picles ou rolos cobertos de chocolate com molho picante e batatas fritas! Eventualmente, por insistência de Bran, fomos até a enfermeira Mare Blucher para fazer um exame. Ela olhava e ouvia enquanto conversavamos dos meus problemas de saúde, e algumas perguntas pessoais que nos fizeram corar. Finalmente, sentindo minha barriga com seus cascos, ela nos deu a notícia: eu não estava doente, Bran e eu iríamos ter um filho!”

“Depois disso, as coisas começaram a se mover muito rapidamente. Os pais de Bran foram chamados e nos ajudou a embalar nossas coisas. Eles planejaram uma festa, e todos os nossos amigos nos deu muitos abraços e bons votos. A fazenda era nossa casa, mas não era lugar para ter um filho. Então, nós ficamos com seus pais, onde poderíamos ter nosso filho mais facilmente.”


“Assim, viajamos em uma carruajem de Pegasus para Ponyville, onde seus pais nos acolheram de braços abertos. Ah, Dinky, foi maravilhoso. Bran começou a trabalhar na padaria, e seus pais nos ajudaram a estabelecer uma casa fora de Ponyville. E um dia, apenas depois de terminar o inverno, comecei a sentir as dores. As enfermeiras foram chamadas enquanto eu estava deitada na cama, cheia de dor. Mas valeu a pena. Depois de tudo, você estava em nossos braços, Dinky. Nosso bolinho mais precioso.”

“Nós vivemos juntos por três anos, Dinky. Só nós três como uma grande família feliz. Você era jovem demais para saber, mas seu pai te amou com todas as fibras do seu ser. Mas a fazenda precisava dele. Eles continuaram tentando encontrar alguém para substituí-lo como cozinheiro, mas nenhum um deles teve a paciência para lidar com o serviço.”

“Eles precisavam dele, e o possível aumento de moradores fez da fazenda um lugar onde você nunca poderia crescer. E nós queríamos o melhor para você. Queríamos que você tivesse a vida que nenhum de nós poderia ter. Você teve a mente brilhante de seu pai e minha voz, se eu tivesse nascido normal. Você foi a melhor dos dois juntos em um só, assim como a decisão dolorosa de ficar separada até que um substituto podesse ser encontrado e seu pai pudesse voltar para casa.”

“Mas várias semanas passaram e recebemos uma carta da fazenda. Seu pai nunca chegou. Eles enviaram grupos de busca, e eu fiz tudo o que pude para tentar encontrá-lo. Mas era como se ele tivesse desaparecido, e ninguém sabia onde ele estava. Eu sei que ele nunca nos abandonaria. Só gostaria de poder provar pra você o quanto ele te amava. Só espero que esta carta possa servir como algum conforto para isso.”

Sentada, Dinky fungava sozinha. Ela sabia que sua mãe já tinha desistido de muitas coisas, mas não do pônei que amava ….que era tudo para ela. Deixando o pergaminho na cama, ela saiu do quarto e correu para a sala de estar.

Derpy Hooves estava sentada na mesa, a cabeça entre os cascos, atormentada de preocupação. Dinky veio correndo, abraçando fortemente sua mãe enquanto Derpy olhava para baixo. Sorrindo aliviada, ela inclinou-se para abraçar a filha, e permaneceram abraçadas por muito tempo.

Dinky olhou para sua mãe depois de um momento e disse:

“Mãe? … Você pode me ensinar a falar como você e o papai? Eu vou encontrar meu pai, sei que deve estar lá fora em algum lugar. E quando eu encontrá-lo, quero que sejamos capazes de falar na mesma língua para que eu possa descobrir o que aconteceu. Você fez tanto por mim, agora é minha vez de fazer por você.”

Derpy mordeu um pouco o lábio, tentando segurar as lágrimas enquanto balançava a cabeça. “Claro, meu bolinho precioso.” Naquela noite, depois do jantar, Derpy começou a ensinar sua filha do mesmo jeito que tinha aprendido: Uma palavra de cada vez. Não foi até a manhã seguinte que eles perceberam que durante à noite a marca especial de Dinky finalmente apareceu:

Dois grandes bolinhos de muffin com um pouco de descanso entre eles.

Dinky Hooves não vai para a escola

 

Título original: Dinky doesn’t go to school.

Autor: RagingSemi

Traduzido por Lucas Tondinelli

Olá everypony! peço desculpas pelo sumiço mas ando muito ocupado com a facul (que é em período integral). Isso no entanto, não vai me impedir de sempre postar algo traduzido, mesmo que demore um pouco. Até amanhã prometo postar a continuação da fic “At Home on the Range”. Boa leitura!

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Dinky estava passando por momentos difíceis na escola. Talvez mais do que a maioria.

Quando iniciaram as aulas na escola Fohlengarten, começaram a tirar sarro dela por ser uma unicórnio. Claro que não havia nada de errado em ser um unicórnio, haviam outros alunos que também eram. O problema é que ela era uma unicórnio e sua mãe uma pegasus. Isso era raro. Os pôneis mais velhos não falavam muito sobre isso, mas as crianças sim, especialmente quando os adultos não estavam por perto.

Dinky não concordava com isso. Eles zombavam dela por ser uma unicórnio e porque sua mãe era diferente.

Toda manhã, quando sua mãe estava fora de seu percurso no trabalho, ela parava na rua em frente à escola, e olhava através da janela. Ficava ali, chamando atenção até Dinky acenar de volta. Às vezes, ela ficava lá por vários minutos acenando faça chuva ou faça sol. E repetia novamente à tarde em seu caminho de volta. Se qualquer outro pai dos alunos interrompesse a aula daquela forma, Cheerilee teria colocado um ponto final, mas no caso de Derpy Hooves ela deixava. Dinky acreditava que se devia ao fato dela e sua mãe serem amigas. De vez em quando Cheerilee e um pônei médico visitavam as duas em sua casa para tomar um chá e conversar com a mãe dela. Agora Dinky tinha idade suficiente para perceber que era só porque sua mãe era diferente. E por isso que ela tinha tanta atenção “especial”. Pensou Dinky.

“Sua mãe é estúpida, e você também”, os potros na escola diziam coisas como essa. Ela se sentia constrangida. Até mesmo potros agradáveis como Twist e Applebloom participavam do divertimento, apenas porque não queriam se sentir constrangidas também. “Pra que você vem mesmo na escola?” eles perguntavam. “Por que fazer lição de casa se você vai ser igual sua mãe quando crescer?” eles diziam, enquanto tiravam suas lições das mochilas.

“Eu ouvi falar que o seu pai era um unicórnio da Universidade de Canterlot,” Diamond Tiara disse, “e ele estava fazendo uma experiência para ver se pôneis bobas teriam bebês bobos, e descobriu-se que estava certo.” Todos riram.

“Eu ouvi falar que o seu pai era um palhaço de circo”, Silverspoon disse, “e ele pensou que sua mãe era uma palhaço de circo também, e quando ele percebeu que ela não estava fingindo ele fugiu.” Todos riram.

“Ah ouvi dizer que seu pai era uma rocha,” Applebloom disse, “e é por isso que era mudo como uma rocha, igual sua mãe.” Toda a classe riu.

Dinky não culpava os outros estudantes. Ela não podia se defender dizendo “isso não é verdade”, ou “o mesmo com você.” Porque a cada dia sua mãe lhes dava razão, enquanto ela ficava na frente da escola acenando e chamando a atenção de Dinky sem parar.

Assim, no dia seguinte, Dinky decidiu não ir para a escola. De manhã, ela se escondeu atrás de algumas árvores do parque. Quando percebeu que ninguém estava vendo,correu e se jogou no riacho que passava pela casa de Fluttershy. Depois de ficar bem longe, ela saiu e foi até a cidade comprar algumas guloseimas no Torrão de Açúcar. Senhora Cake e Pinkie Pie desconfiaram dela, mas não perguntaram por que não estava na escola. Na parte da tarde ela foi empinar pipa, e depois foi para um trote pelo lago. Durante esses momentos ninguém fez piada com ela por ser um unicórnio, ou por sua mãe ser diferente. “Se todos os dias pudessem ser assim…” pensou Dinky.

Finalmente ela foi para casa jantar, no horário habitual, sorrindo para si mesma por ter tido um dia tão bom. Sua mãe já estava em casa, e parecia bem irritada, estava com sua crina toda despenteada, havia galhos e carrapixos em todo o casaco, e novamente havia se esquecido de tirar as ferraduras antes de entrar. Deixava rastros de sujeira no chão da cozinha por onde passava. Às vezes sua mãe era assim quando estava realmente chateada.

“Murchos hambúrgueres golfinhos!” sua mãe gritou. O pônei médico dizia para Dinky que era “euforia” da mamãe ou algo parecido. Ela apenas disse um monte de palavras que não significavam nada. Mamãe provavelmente nem sabia o que estava dizendo. De vez em quando conseguia uma frase coerente, mas era difícil. Ela realmente tinha que se esforçar. “Salsicha e peixe? Rir de um macaco garbonzo feijão!”

Ela parecia zangada. Mamãe diicilmente ficava com raiva.

“Por que você é assim, mamãe?” Dinky perguntou.

“Pequena potranca em nenhuma escola. Potrancas devem ir para a escola. Potros pequenos precisam da escola. Escola forte.”  Mamãe estava repreendendo Dinky. Ela nunca repreendeu Dinky antes.

“Quem você pensa que é?” Dinky gritou de volta. “É tudo sua culpa!” a resposta surpreendeu sua mãe. Ela deu um passo para trás, confusa e perturbada. “Você é a razão dos outros tirarem sarro de mim! Você é a razão da senhorita Cheerilee ser boa pra mim. Você é a razão pela qual eu vou crescer e ser como você. Porque você é uma retardada.” Havia lágrimas nos olhos da mãe e também na de Dinky. “Eu odeio a escola. Eu nunca vou voltar lá novamente. Eu te odeio e vou embora!” Dinky saiu correndo pela porta da frente. Nem sabia para onde estava indo, mas continuava correndo.

“Cientista!” sua mãe gritou. “Princesa! Você ir para a escola que você não vai ser como eu!” ela chorou.

Dinky se sentou em uma mesa de piquenique no parque, já tinha estado lá no início da manhã. Estava ficando escuro e começava a chuviscar. Ela tinha parado de chorar, mas a garganta ainda doía. De repente, um par de cascos se sobrepõe à mesa, surpeendendo Dinky com uma voz grave. “Então você estava aqui”. Uma pégasus com cabelo de arco-íris abaixou a cabeça sobre a mesa a encarando. “Você não deveria estar em casa, garota?” perguntou.

“Eu estava em casa”, respondeu Dinky. “Mas não quero voltar nunca mais.”

Rainbow Dash, sendo a representação física da lealdade, foi capaz de medir a extensão problema rapidamente. “Você não acha que sua mãe está preocupada com você?”

“Eu não me importo. Minha mãe provavelmente nem sequer se lembra de mim agora. Ela não lembra de nada.”

“Você é estúpida ou algo assim, garota?” Dash perguntou. “Não sabe que sua mãe passou o dia inteiro procurando por você?”

“Ela fez isso?” perguntou Dinky.

“Está brincando? Claro que ela fez. De manhã, quando percebeu que você não estava na escola, pediu ajuda de vários pégasus para auxiliá-la nas buscas. Para ser honesta, não sei como te perdemos, pois vasculhamos todo o vale. Aliás, quando alguém suspeitou que você tinha ido para a Floresta Everfree, não faz idéia da expressão que vi no rosto da sua mãe. Eu já vi pégasus fazerem coisas incríveis, mas nunca tinha visto uma entrar naquela floresta com tanta pressa e sem medo, voando abaixo das árvores! Isso foi incrível! Não foi fácil convencê-la a sair de lá, voltar para casa e esperar por você enquanto nós procurávamos.”

Dinky se lembrou dos galhos e carrapixos na crina de sua mãe. “Minha mãe fez tudo isso por mim?” Dinky perguntou. “Mas eu ainda não quero ir para casa. Mamãe quer que eu vá para a escola, e eu não quero ir pra lá nunca mais.”

“Você já pensou sobre o PORQUE de sua mãe querer que você vá para a escola?” perguntou Rainbow Dash. “Já se perguntou por que ela vai todos os dias na escola te ver? era para ter certeza que você ainda estava lá, estudando!”

Dinky nunca tinha pensado nisso antes. Ela refletiu muito. No momento em que estava pronta para se levantar e ir para casa, tinha se esquecido da pégasus ainda de pé sobre a mesa. Dinky correu de volta para casa, e Rainbow Dash supervisionava de cima o seu retorno, sorrindo.

Já estava escuro quando Dinky chegou em casa. Sua mãe estava dormindo devido a um forte calmante dado pelo médico. Ela tinha empilhado um monte de almofadas na sala, na porta da frente, e adormecido ali, chorando. Seus olhos estavam enrrugados. Dinky aconchegou-se ao lado dela. “Me desculpe, mãe”, ela disse. Desculpe por eu ter ficado com raiva de você. Eu sinto muito por ter te chamado de retardada, e me desculpe por não ter ido na escola hoje. Eu vou voltar todos os dias. Vou fazer você se sentir orgulhosa de mim. Eu não te odeio, eu te amo mãe. ”

Sua mãe virou, abraçando Dinky. “Eu também te amo.”

Naquela noite, Dinky conseguiu sua marca especial. Na manhã seguinte, sua mãe não tinha percebido, enquanto fazia café da manhã. Mas todos os outros pôneis sim. Eles pensaram que era a coisa mais incrível que já tinham visto. Dinky era a única em sua idade que tinha conseguido uma como aquela. Mesmo a maioria dos pôneis mais velhos não tinham conseguido uma igual.

Era uma marca especial rara na história de Equestria. Pôneis repórteres apareceram para tirar fotos. Historiadores escreveram sobre isso em seus registros. Cientistas pôneis e filósofos estudaram a sua marca. Até a Princesa Celéstia fez uma visita em Ponyville para ver a marca especial. Ela foi na casa de Derpy tomar chá com ela e Dinky. Era a primeira marca a ter um texto escrito sobre o símbolo.

Era a marca de um coração vermelho, estilizado. Tinha uma flecha que passava através dele, e em cima do coração havia um pergaminho com a palavra “MÃE”.