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O pônei de Oasis – Parte V

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Ilustração: Drason

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Autor: ROBCakeran53

Tradução: Drason

SINOPSE: Equestria ainda estava sendo reconstruída após a derrota de Tirek, e as seis novas governantas de Ponyville ajudando em sua reconstrução. Tudo mudou de maneira inusitada quando a Princesa Celestia entregou a elas uma carta descrevendo acerca das façanhas realizadas por um único cidadão da cidade de Oasis conhecido como Senhor Baker, e a forma como superou Tirek. Com a missão de descobrir se os relatos eram verdadeiros, as seis pôneis devem ir até a referida cidade para investigar. No entanto, elas irão descobrir que o Senhor Baker não era exatamente quem ou o que elas esperavam.

***

Pela tarde da noite, Senhora Fixit estava cansada depois do dia agitado, e Thomas sugeria que ele, Flutterhy e Rarity partissem para deixar a velha pônei descansar. Durante a caminhada de volta, Thomas decidiu não levar seus equipamentos para que pudessem chegar mais rápido. Com todos cansados, a viagem de volta acabou sendo silenciosa.

Fluttershy continuamente olhava Thomas e Rarity, que parecia ter se saído muito bem conversando com ele na varanda da Senhora Fixit. Mas agora era um silêncio absoluto, que normalmente para a pegasus amarela seria uma coisa bem vinda. Rarity havia mencionado brevemente que Thomas tinha se aberto um pouco na varanda. Talvez aquela fosse a razão por trás do estranho silêncio?

Finalmente, as casas e luzes da cidade já podiam ser vistas de longe, eles estavam há pouco mais de cinco minutos dela agora. Fluttershy imediatamente percebia os ombros de Thomas relaxarem.

“Obrigado.”

Ambas pôneis trotavam com antecedência para acompanharem o ritmo dele.

“Como?” Perguntava Rarity.

“Eu disse obrigado. Você sabe, por ajudar.”

“Sem problemas, querido. Embora você devesse agradecer mais à Fluttershy, ela que fez todo o trabalho.”

Thomas balançava a cabeça. “Não apenas pelos gatos, mas pela Senhora Fixit.” As duas pôneis manifestavam expressões confusas, e Thomas continuava, “Ela não tem muitos visitantes, especialmente que a tratem de maneira diferenciada por ser cega. Foi muito bom vê-la sorrindo novamente daquela maneira.”

“Já lidei com pôneis cegos antes, então sei como pode ser, como eles se sentem.” Fluttershy dizia.

Thomas e Rarity se viravam para Fluttershy, e suas orelhas imediatamente se achatavam perante seus olhares súbitos.

Thomas manifestava uma expressão confusa por um momento, então seu rosto clareava. Ele dava à Fluttershy um olhar de simpatia. Rarity continuava olhando confusa até sua amiga prosseguir.

Fluttershy deixava escapar um suspiro elaborado. “É uma peculiaridade comum que ocorre com pegasus enquanto eles envelhecem. Minha avó ficou cega muito cedo, antes mesmo de eu nascer.”

“Fluttershy, querida, eu não sabia disso,” Rarity dizia, cutucando sua amiga.

“Eu também não sabia que era característico de pegasus.” Thomas colocava as mãos nos bolsos. “Mesmo em um mundo cheio de arco íris e mágica, genética ainda é um problema.”

Novamente ficava um silêncio entre os três enquanto eles se aproximavam da parte frontal da loja, até Thomas perceber alguma coisa de longe.

“Eu devo estar vendo coisas.” Eles caminhavam mais próximos, com Thomas esfregando seus olhos. “Não acredito.” Repentinamente ele corria até sua loja, onde as duas pôneis apenas observavam uma carroça estacionada na frente dela.

Enquanto Thomas corria para dentro, Rarity e Fluttershy olhavam a carruagem de perto com uma placa na lateral dela.

Gasolina e Óleo do Match

Rarity jurava que reconhecia aquele nome. Julgando pelos barris de metal que se alinhavam na carroça, ela podia apenas imaginar que serviam para estocar óleo e outros fluídos.

Havia então uma gargalhada vindo de dentro, de quem Rarity pensava ser de Thomas. As duas pôneis entravam na loja, e foram recebidas por uma… estranha visão.

Thomas tinha um pônei terrestre vermelho em seus braços, suas pernas traseiras chutavam o ar enquanto Thomas o abraçava forte.

“Tom! Não estou respirando!” O pônei implorava.

“Sem chances! Faz um ano que não te vejo, então você chega aqui dizendo que vai se casar e que ainda está esperando um filho? Não se faz isso com um de seus amigos, Júnior!”

Finalmente, com as bochechas vermelhas, Rarity deixava escapar uma tosse e os dois rapidamente se recolhiam na presença das duas pôneis. O pônei vermelho cruzava suas pernas de vergonha, e então Thomas o soltava em seguida.

“Rarity, Fluttershy, este é Matchbox Junior, ou apenas Junior, como costumamos chama-lo. Junior, elas estão aqui para…” Thomas levantava uma sobrancelha. “Na verdade é complicado, mas elas me ajudaram com os gatos da Senhora Fixit.”

O pônei terrestre, Junior, ficava de pé enquanto sacudia sua cabeça. “Prazer em conhece-las senhoritas. Só espero que o que quer que Thomas tenha feito para trazer a ira dos elementos da harmonia não seja tão severo…”

“Espere, você sabe quem nós somos?” Rarity era pega de surpresa.

“Mas é claro, você salvaram Equestria muitas vezes, isso sem mencionar que a minha esposa tem a coleção completa das suas roupas de outono.”

“Mesmo?”

“Você parece surpresa.” Thomas entrava na conversa, com uma bandeja de canecas em uma mão e uma garrafa de âmbar líquido na outra.

“Bem, é que nem sempre somos reconhecidas,” Rarity dizia, percebendo a garrafa de bourbon.

Thomas pegava uma cadeira na mesa derramando o Bourbon em cada caneca. “Bem, eu não reconheci, e tenho certeza que noventa e nove por cento desta cidade também não, mas enfim.”

“Então, como vocês dois se conheceram?”

Fluttershy se sentava na mesa perto de Thomas, enquanto Junior na frente de Rarity. “Bem, eu e meu pai costumávamos morar aqui. Eu cresci nesta cidade,” Junior dizia.

“Sim, os sortudos descobriram ouro negro há uns vinte quilômetros ao norte de nós,” Thomas interrompia.

Junior rolava seus olhos. “Nós sempre trabalhamos com combustíveis, mas quando meu pai encontrou petróleo há uns seis anos atrás nós nos mudamos para Manehattan para expandir os negócios.”

“O Senhor Senior estava sempre se queixando sobre morar aqui, dizendo que ele queria o melhor para Junior. Bem, eles certamente estão bem melhores agora, não é mesmo?” Thomas dava uma risada para Junior.

O pônei vermelho retribuía com uma rápida risada. “Sim, vamos assim dizer.”

“Ah, chega de ser tão modesto, você é noivo! E está esperando um filho! É hora de celebrar, um brinde!” Thomas entregava uma das canecas ao Junior e em seguida para Rarity.

“Pra mim? Não seria uma ocasião especial para vocês dois?”

“De maneira alguma, vocês duas me ajudaram hoje, e é o mínimo que posso fazer.”

Rarity levitava a caneca com sua mágica, a analisando cuidadosamente.

“Relaxe, tem apenas alguns parafusos nele, eu já limpei.”

Rarity engolia seco, tentando com dificuldade ignorar as manchas que cobriam a parte externa da caneca, e na esperança de não ter que fazer o mesmo com o interior.

Thomas empurrava a última caneca na direção de Fluttershy. “Você também.”

“Oh, um, o-obrigada.” Fluttershy pegava a caneca com os dois cascos dianteiros, dando uma cheirada.

“Um brinde!” Thomas levantava sua caneca, e os demais o acompanhavam. “Parabéns pelos anúncios, e é melhor você dar logo um nome para o bebê antes que eu o faça.”

Rarity e Fluttershy compartilharam uma risada, Thomas sorria enquanto todas as quatro canecas se chocavam juntas, e em seguida eles davam um gole. Bem, as pôneis deram um gole, já Thomas e Junior viraram as respectivas canecas.

“Então, quem é a pônei de sorte? Como vocês se conheceram?” Thomas perguntava.

Junior sorria, “Oh, caramba, é meio embaraçoso.”

“Eu ajudo a organizar o bufê do casamento, então desembucha.”

Thomas derramava para ele e Junior outra porção do Bourbon.

“Bem, faz dois anos que nos conhecemos. Você se lembra quando papai expandiu a fábrica, comprando aquele velho lote que ficava ao lado? Bem…”

“…e então Doc veio correndo para fora da fábrica, com suas garrafas de uísques vazias em um casco enquanto ele as arremessava em mim, com fúria em seus olhos, ‘Droga Tom, se eu te achar na minha adega do licor de novo eu vou te esfolar vivo e te mandar para Zoológico de Canterlot!’.”

Todos os pôneis exceto Fluttershy gargalhavam, a tímida pônei apenas ostentava um largo sorriso. Enquanto a história de júnior conhecendo sua esposa era tocante, a conversa se descarrilava para as palhaçadas que Thomas iria compartilhar com Junior.

Junior estava à beira das lágrimas. “Oh Celestia, eu nunca tinha visto o Senhor Doc tão furioso em minha vida.”

Thomas tomava outro gole em sua caneca. “Ei, é melhor você ser grato por eu levar a bronca no seu lugar. Se o seu velho descobrisse que era você furtando o uísque do Doc ele teria te deserdado!”

O grupo deixava escapar mais uma rodada de risadas, com Thomas sendo o primeiro a se acalmar.

“Por falar nisso, como está o seu pai? Não tenho tido notícias dele. Deve estar em êxtase por saber que vai ser avô.”

O sorriso de Junior desaparecia instantaneamente, movendo seus olhos para baixo na direção de sua caneca vazia. Rarity percebia de imediato a expressão tensa do garanhão.

Por alguns momentos, houve um total silêncio na sala.

“Tom, podemos conversar em particular por um minuto?”

Thomas franzia. “Não vejo porque. Tudo bem senhoritas?”

Rarity e Fluttershy olhavam uma para a outra. “Claro, fiquem à vontade. Foi uma honra vocês dois partilharem suas histórias conosco,” Dizia Rarity.

Thomas ficava de pé, caminhando com uma ligeira oscilação até a porta exclusiva para funcionários. “Vamos no meu escritório, podemos conversar lá.”

Junior caminhava passando através da porta aberta, e em seguida Thomas fazia o mesmo.

Por alguns momentos, o local ficava em silêncio.

“Então, será que aconteceu alguma coisa?”

Fluttershy olhava para sua caneca quase vazia. Ela ainda estava no primeiro copo. “Eu acho que deve ter algo a ver com o pai de Junior.”

Rarity recordava a última hora, sobre como eles estavam contando a história sobre os anos passados. Toda vez que Senior era mencionado, o semblante de Junior mudava, mas ele mantinha a cabeça levantada.

“Oh querida, você acha que…”

Rarity era interrompida pelo som de vidro quebrando que vinha atrás da porta onde os dois estavam.

“Tom! Acalma-se!”

“Acalmar?! Como exatamente você espera que eu me acalme?”

“Olhe, não havia nada que pudesse ser feito-”

“Como assim não havia!”

“Tom, nós não tínhamos mágica!”

“Eu sei disso caramba! O que você acha que eu passei durante aquela semana infernal depois de Tirek ter passado aqui? Esta cidade estava morta, e eu era a única coisa ainda de pé!”

“Tom, não havia nada que você pudesse fazer-“

“Você não tem como saber!”

“Nem você!”

Havia barulho alto de pisões, então de repente a porta foi chutada, abrindo tão rápido que ao atingir a parede fez um estrondo suficiente para deixar o quadro negro torto. Fluttershy e Rarity quase foram parar no teto, e a pura raiva estampada na expressão de Thomas transmitia calafrios.

“Thomas, querido, está tudo bem?”

Ele ignorava Rarity, se dirigindo até a mesa e pegando sua caneca ainda com metade do Bourbon.

“Thomas?” Fluttershy perguntava baixinho.

“A loja está fechada, saiam todos,” Ele resmungava.

“O que?”

Ele se virava para as pôneis. “Eu disse que a loja está fechada! Saiam!”

Fluttershy agachava-se em sua cadeira, se escondendo atrás de Rarity o máximo que podia. Rarity não tinha como dizer se era ela tremendo ou Fluttershy que tremia em cima dela.

“Tom! Não desconte nelas!” Junior passava pela porta.

Thomas se virava para Junior. “Não estou descontando em ninguém!”

“Sim, você está, e ainda por cima gritando com elas seu imbecil!”

“Dá um tempo Junior, apenas saiam todos.”

“Thomas, por favor, tenha calma. Seja qual for o problema eu tenho certeza-“

Thomas interrompia Rarity, arremessando a garrafa de Bourbon na parede a apenas dez centímetros da unicórnio. “NÃO! Você não pode consertar isso, você não pode! Simplesmente acabou! Eu vi meus amigos morrerem no meu mundo, vítimas de violência. Este lugar deveria ser diferente, nenhuma morte sem sentido, uns matando aos outros. Vocês saíram de um linha reta de fantasia minha nossa! Vocês podem voar, usar mágica, então por que ainda morrem?”

Thomas estava ofegante, com as mãos tremendo enquanto as fechava apertando com força olhando para as pôneis. Fluttershy soltava um gemido, os olhos de Rarity umedeciam enquanto ela olhava com dificuldade para ele. Os olhos de Thomas suavizavam, olhando para o que sobrou da garrafa. O líquido escorria entre as tábuas do assoalho, com pedaços de vidro espalhados por toda parte. Ele inclusive observava alguns cacos na cauda de Rarity.

“Eu… eu estou…” a voz de Thomas rachava, seus olhos que antes estavam cheios de raiva agora estavam congelados, suavizados, e se Rarity estava permitida a acreditar, tristes, “…droga.” Os ombros de Thomas caíam enquanto ele se virava para longe das pôneis, arrastando os pés como se estivessem pesados. Ele parava no primeiro degrau das escadas, olhando de volta para as pôneis ainda tremendo, então lentamente subia. Todos se encolhiam enquanto uma porta no andar de cima batia, se fechando.

“Bem, poderia ter sido pior.” Junior se dirigia até a saída. “Vocês duas é bom virem comigo.”

Aquilo nem precisava ser dito duas vezes. Elas praticamente galoparam para fora.

Eles ficaram em silêncio por vários segundos enquanto Junior descarregava um dos barris de sua carroça.

Fluttershy deixava escapar um suspiro antes de falar, “O… o que foi aquilo?”

Rarity ficava surpresa ao ver que Fluttershy foi a primeira a falar, a tímida pegasus ainda parecia pronta para cair em choros.

“Aquele foi o Tom sendo Tom.” Junior empurrava o barril até a varanda.

“Isso não responde a pergunta,” Rarity acrescentava.

Junior suspirava. “O que mais posso dizer, olha que tal caminharmos? Eu explico o que aconteceu, e talvez assim vocês duas possam compreender o que ocorreu lá atrás.”

“Bem, já está muito tarde. Temos que voltar para o hotel de Sunny…” Rarity dizia.

“Então nós caminhamos até lá.” Junior deixava um recibo colado em cima do barril, então junto das duas pôneis, começavam a caminhar lentamente.

“Cerca de duas semanas antes de Tirek aparecer aqui, meu pai ficou doente. No início não era nada para se preocupar, mas foi se agravando quando deveria melhorar. Alguma coisa a ver com o fato de nós estarmos rodeados de muitos produtos industriais na nossa fábrica.”

“Oh nossa…” Fluttershy sussurrava.

“Então, ele teve que ir para o hospital para realizar terapia de quelação. A única coisa que iria funcionar seriam transfusões mágicas induzidas, tenho certeza de que vocês sabem do que estou falando.”

Rarity acenava. “Sim, sou familiar com isso.”

“Ótimo, porque não tenho a menor ideia. De qualquer forma, era tudo baseado em mágica. Bem, ele estava melhorando, o tratamento já estava sendo desnecessário, seus rins voltaram a funcionar, o que resultou em um grande avanço.”

Junior parava na frente da varanda de Sunny, olhando para a porta.

“Então, vocês provavelmente sabem mais sobre os acontecimentos com Tirek do que eu.”

“Bem, sim, sabemos um pouco sobre todos os lugares em que ele passou e os resultados disso.”

“Hmm, sim, vocês estiveram em todos os locais que Tirek invadiu, mas isso foi muito tempo depois dele ter atacado. Por acaso vocês estiveram em uma cidade logo depois de Tirek ter saído dela?”

“Bem, não.” As orelhas de Rarity caíam.

“Foi um desastre. Manehatan estava afundada na sujeira e forçada a comê-la. Nós perdemos eletricidade, água corrente, tudo. Todos os médicos unicórnios tiveram que recorrer a métodos primitivos, mas sem suas mágicas, eles eram placebos em uma ferida aberta. Quando perdemos nossa mágica, o hospital dos unicórnios perdeu sua magia…”

“O tratamento parou…” Rarity sussurrava.

“Nos primeiros dias não foi tão mal, ele ainda estava apresentando sinais de melhora, então acreditei ser o suficiente para mantê-lo. Porém, no terceiro dia, ele começou a ficar pior. Os unicórnios estavam desesperados, trabalhando exaustos, tentando ajudar a todos.”

“O hospital estava superlotado, então eles começaram a priorizar pacientes em estado grave e com idade avançada…”

Ambas pôneis estavam em silêncio, apenas olhando o pônei vermelho.

“Ele tinha sessenta e cinco anos, e estavam checando todos acima de cinquenta.”

“Por Celestia…” Rarity dizia.

“Sim, certo. Nem mesmo as princesas puderam ajudar. Bem, pelo menos três delas não.”

Rarity estreitava os olhos. “O que está dizendo?”

“Nós temos quatro princesas agora, não temos? Sabemos que três foram capturadas, mas onde estava a quarta?”

Rarity e Fluttershy desviaram seus olhares de Junior. Ele não prestava atenção.

“Onde estava a Princesa Twilight Sparkle, quando não tínhamos líder, nem estrutura ou esperança?”

“Junior, você não pode empurrar a culpa para ela! A princesa não foi a causa do que aconteceu com seu pai.”

Junior deixava sair um suspiro. “Sim, eu sei que não. Mas muitos pôneis ainda ressentem a falta de liderança naquela época. Mesmo que ela tenha agido, e os médicos capazes de salvar a maioria dos pôneis.”

“Então, você está dizendo, um, que é por isso que Thomas está tão furioso? Por causa da Twilight?”

Junior olhava para Fluttershy, acenando sua cabeça. “Conhecendo ele? Ele provavelmente está com raiva de si mesmo. Por que? Não tenho ideia.”

“Bem, ele não tem mágica em primeiro lugar. Segundo, ele não foi pego por Tirek?”

Rarity foi pega de surpresa. “Sem mágica e ainda assim não foi pego…?”

Fluttershy dava um passo à frente. “Hum, não, de acordo com os moradores daqui ele sequer estava por perto quando Tirek invadiu.”

Junior soltava um suspiro. “Isso explica então. Bem, melhor nós entrarmos, eu posso pedir para Bob ir lá dar uma mão para Tom. Bob ainda está aqui, não está? Vocês não capturaram ele ou algo assim?”

“Por que faríamos isso?”

Junior abria a porta. “Bem, depois do ocorrido em Canterlot eu imagino que vocês tenham um certo receio de changelings.”

Ambas as pôneis paravam, apenas agora Rarity percebia que uma das janelas perto da porta estava quebrada. “Bob é um changeling?”

Junior passava pela porta, e em seguida a mantinha aberta para que as duas pôneis entrassem.

“Ah, aquilo explica a janela quebrada então, você ou suas amigas devem ter se assustado com Bob e lutado com ele,” Junior dizia, olhando ao redor da sala principal. “Estranho no entanto, todo o resto parece intacto.”

“Isso porque, felizmente, alguns reagiram a tempo antes que alguém ficasse seriamente ferido.”

Os três se viravam para a direção de onde veio a voz, e viram Sunny atrás do balcão, os observando.

“Ugh!”

Ou mais precisamente, observando as pôneis escondidas atrás dos três.

“Garotas? O que vocês estão fazendo aí?” Rarity perguntava, olhando atônita todas as suas amigas juntas ao lado da janela quebrada, então com espanto notava suas orelhas contra o buraco da janela. “Você estavam escutando às escondidas nossa conversa?”

Rainbow Dash exaltava. “O que? Pfft Claro que não. Nós não faríamos algo assim, não é mesmo garotas?”

O focinho de Applejack torcia, com os olhos desviando lado a lado. Pinkie Pie passava um zíper na boca. Mesmo Rainbow Dash ia evitando o olhar, cruzando as pernas dianteiras em seu peito. A única pônei com comportamento diferente era Twilight, com suas orelhas achatadas enquanto olhava para o chão.

Era fácil somar dois mais dois para perceber que a expressão abatida de Twilight foi por ter escutado o que Junior falou dela.

“Ei Sunny, há quanto tempo não te vejo.” Junior caminhava até o balcão, conversando.

Rarity e Fluttershy olhavam uma para a outra, acenando, então Rarity relatou às suas amigas sobre o ocorrido.

“Espere, você disse que ele arremessou uma garrafa em vocês?“ Applejack perguntava.

“Bem, não diretamente em nós, mas na nossa direção, o suficiente para cacos de vidro irem parar na minha cauda.” Rarity continuava escovando sua crina longa, com os pequenos pedaços de vidro caindo em uma pá de lixo no chão.

“Eu sabia que havia algo duvidoso e suspeito com ele,” Rainbow dizia.

“O que quer dizer?” Rarity perguntava.

“Pelo que soou dele, o sujeito é um poço de álcool.”

“Eu não iria tão longe, afinal ele descobriu que um amigo querido faleceu…” Rarity olhava para uma ainda abatida Twilight, “…já passou.”

Fluttershy ouvia atentamente, deixando Rarity tomar as rédeas da discussão. Não havia muito que a pegasus amarela pudesse contribuir para o que Rarity já não soubesse. Na verdade, havia coisas que suas amigas sabiam sobre Thomas que ela não.

“Pelo que aconteceu com vocês duas, eu diria que ele tem um lado bem manchado e problemas para se expressar direito. Eu já lidei com família assim. Beber não ajuda em nada.”

Rainbow suspirava. “Se você me perguntar, eu digo que isso é tudo que preciso saber sobre ele para dizer que ele ganhou um relincho de mim.”

Pinkie Pie fungava um riso com o trocadilho, fazendo Rainbow Dash rolar seus olhos.

“Bem Rainbow, acho que podemos apenas confiar na posição de Rarity. Ela e Fluttershy interagiram com ele. Nós somos apenas o outro lado da história.”

Rarity e Fluttershy acenavam, então olhavam para sua amiga ainda quieta. “Twilight? Querida, você está bem? Não falou nada até agora.”

Twilight pulava, se assustando ao ser o centro das atenções repentinamente. “Oh, o que? Sim, eu hum, estou bem. Vocês duas estavam prestes a me darem seus votos sobre Thomas ser ou não um suposto herói, certo?”

Ambas pôneis acenaram. Twilight trazia o livro maciço que Thomas deu a ela, assim como um bloco de notas. “Certo, o que vocês me dizem? Ele é mesmo um herói e merece receber o maior prêmio de Equestria: a marca da harmonia? Sim ou não?” Pinkie Pie deixava escapar uma bufada.

“Não.”

“Sim.”

Todos os pôneis olhavam para Fluttershy, que agora era o centro das atenções, tentando e falhando em esconder atrás de sua própria crina.

“Sim?? Fluttershy, querida, você não estava na mesma sala com Thomas?”

“Um, sim, eu estava.”

“E você viu como ele foi rude e violento. Alguém assim não poderia possivelmente…”

“Se não fosse pelo Thomas, Senhora Fixit teria morrido.”

A sala caía em silêncio por vários segundos.

Rarity era a primeira a quebrar o silêncio. “Bem, querida, certamente que todos estavam em um ponto áspero, mas não temos qualquer prova de que Thomas realmente fez o que ele disse ter feito pela cidade.”

Silenciosamente, Fluttershy tirava de seu alforje um caderno e o colocava no chão. “Quando Senhora Fixit e eu estávamos sozinhas, nós conversamos um pouco. Ela é uma pônei muito amável para conversar, e tudo que eu perguntava sobre o Senhor Baker era normal.”

“Normal?” Twilight perguntava, levitando o caderno com sua mágica.

“Bem, ela não poderia dizer que ele era perfeito, ele tem falhas que qualquer pônei pode facilmente observar. Apenas porque ele não é como nós, não quer dizer que devemos tratá-lo em um padrão diferente de nós.”

Todas as pôneis olhavam uma para a outra, pensando, enquanto Twilight virava a página do caderno. “Fluttershy, o que é isso?”

Fluttershy sorria. “Isso é o que Thomas estava usando para acompanhar cada pônei na cidade. Sua agenda diária de como ele cuidava de cada um, bem como outras tarefas que os pôneis pediam enquanto ele estava ajudando.”

“Como você conseguiu isso?” Applejck perguntava.

“Ele deixou na casa da Senhora Fixit quando a cidade voltou ao normal. Ela sabia que Thomas estava registrando como e quando ele cuidava dos pôneis na cidade porque ela sempre podia ouvir ele escrevendo com sua audição aguçada, já que ela é cega. Para não mencionar que há vários pôneis idosos na cidade, que tinham que ter uma regular medicação.”

Twilight parava em uma página aleatória, analisando os gráficos desenhados de maneira tosca. O casco, ou possivelmente as mãos do desenhista eram igualmente enfadonhos.

“Como vamos saber que é mesmo a letra dele?” Dash perguntava.

Twilight levitava seu alforje para cima, tirando um pequeno cartão de visitas. Enquanto a maior parte do texto no cartão estava digitado em negrito, a última linha “se vale a pena fazer, vale a pena fazer direito!” estava escrito fora do padrão. Com certeza era fácil afirmar que as letras eram da mesma pessoa.

Applejack olhava por cima do ombro de Twilight. “Sim. Eu vi seu quadro negro na loja, vê essas letras “a”? Era assim que elas estavam escritas lá também.”

Rainbow caçoava. “Certo, certo, então ele escreveu mesmo, grande coisa. Ainda não prova nada.”

“Há alguns gráficos muito bem detalhados, Rainbow,” Twilight dizia. “Se de fato isto é bem preciso…”

Twilight colocava o caderno aberto no centro de suas amigas, esfregando sua cabeça com um casco. “Isso não faz sentido nenhum. Como pode alguém tão volátil ser tão…tão…”

“Gentil?”

Todas olhavam para Fluttershy, que estava segurando o caderno com seus cascos.

“Vocês não se lembram quando chegamos na cidade, como os pôneis estavam tentando proteger Thomas? Por que eles fariam aquilo por alguém que não gostam, que não respeitam?”

As pôneis ficaram em silêncio por vários segundos.

“Eu acho que ele está sofrendo muito. Não apenas pela perda do pai de Junior, mas por causa de algo mais. A triste notícia que ele recebeu hoje provavelmente foi a gota d’água para ele desmoronar.”

“Uau Fluttershy, isso foi…” Rainbow esfregava as costas de sua amiga.

“Muuuuuuuiiito profundo, garota,” Pinkie falava.

“Bem, mudou de ideia então Rarity?” Twilight perguntava.

Rarity olhava o caderno nos cascos de Fluttershy. “Eu… preciso pensar sobre isso um pouco mais antes de dar o meu voto.”

“Bem, se isso vai demorar, então amanhã é a minha vez e de Dash.”

“Espere, por que nós?” Rainbow protestava.

“Sim, por que vocês duas?” Pinkie Pie também protestava.

“Porque Twi ainda está lendo aquela monstruosidade de livro, e você não deveria estar preparando uma festa pra ele?”

Pinkie saltava sem sair do lugar. “Isso mesmo! Devo dar um jeito de mudar aquele humor nada humorado.”

“Então nós faremos de tudo para não ter álcool na festa,” Applejack dizia.

“Sim,” Pinkie Pie falava, então novamente com mais energia, “Sim! Não precisamos disso para deixar a festa mais divertida!”

“Espere, você nunca serviu bebidas alcoólicas em suas festas,” Rainbow dizia.

Pinkie oscilava um casco, “Normalmente isso é coisa de garanhões. Então novamente, nenhuma de vocês esteve em uma festa feita para eles.” Pinkie piscava.

“Espere, o que?” Dash perguntava, mas sem receber uma resposta.

“Bem, acho que é hora de irmos para nossos quartos e descansarmos. Boa noite para todas.” Applejack ficava de pé, caminhando na direção da porta, seguida por Rainbow Dash e Pinkie Pie.

Fluttershy colocava o caderno de volta em seu alforje “por segurança”, ela dizia a Twilight, e deitava na sua cama, exausta depois de um dia tão agitado. As que restaram eram Twilight e Rarity, que ainda estavam sentadas em suas respectivas camas, olhando para o nada.

“Twilight, gostaria de… conversar sobre alguma coisa?”

Twilight notava a expressão preocupada de Rarity, mas não respondia.

“Eu lamento você ouvir aquelas coisas que Junior falou de você, sobre o que os pôneis pensam sobre você, mas ignore aquilo tudo, não foi culpa sua.”

“Foi apenas… apenas sobre quantos pôneis eu deixei abandonados à própria sorte? Eu poderia simplesmente ter teleportado e deixado Tirek pra lá, para auxiliá-los, vencendo ou perdendo.”

“Twilight, querida, não foi culpa sua se os pôneis perderam sua mágica ou sofreram. Tirek que causou isso a eles.” Rarity sentava ao lado de sua amiga, acariciando suas costas. “Em hipótese alguma você deve se culpar. Você fez a coisa certa, e se alguns dizem que você errou, então deixe eles lidarem com o próximo vilão que atacar Equestria e ver se eles farão melhor.”

Twilight permanecia sentada em silêncio, enquanto refletia as palavras da amiga.

O sorriso de Rarity diminuía. “Querida, eu acho que o que você precisa fazer agora é descansar, e depois poderemos conversar sobre isso, como um grupo de amigas.”

Twilight, na verdade, não conseguia dormir. Por horas ela ficava deitada de costas, embaixo de seu lençol. Pensando. Às três da manhã, ela arremessava seu lençol com um gemido. Sua mente permanecia em um emaranhado de pensamentos desde que deitou. Ela queria procurar um culpado por tudo o que aconteceu. Tirek era a escolha óbvia, mas a autodúvida estava ao lado dele.

De repente, Twilight ouvia um estrondo abafado vindo do andar debaixo. Ela se levantava, ficando sentada na cama, percebendo que Fluttershy e Rarity continuavam dormindo. Ela rastejava até a porta, e cautelosamente passava pela sala e corredor, seguindo o som de vidro tilintando vindo da área principal de jantar. Ela seguia pela parede, na furtividade, parando pouco antes de chegar na varanda, quando um som de passo por trás dela a fez girar sobre os calcanhares.

Twilight não pensava que poderia ser tão terrível chegar perto de um changeling, e Bob não era exceção. O fato dele ter metade de sua cabeça coberta por ataduras também não ajudava… por causa da briga anterior entre eles ao descobrirem que ele era um changeling. Twilight não podia olhar para seus olhos. Ela podia sentir suas orelhas caindo enquanto ela murchava perante seu olhar. Bob não parecia ofendido de qualquer forma, mas caminhava ao redor dela para perdoar a injúria. Seu suspiro distinto dizia a ela tudo o que ela precisava saber.

Bob descia as escadas, levando Twilight ao bar onde um humano descabelado estava sentado em um banco, falando sozinho. Uma de suas mãos estava segurando meia garrafa de âmbar liquido, a outra uma xícara de café. Os olhos de Thomas estavam semi-fechados, olhando o líquido na xícara enquanto suas mãos gentilmente a sacudia. Enquanto eles chegavam perto, Twilight percebia que ele não estava falando, mas cantando para si mesmo.

“Se eu pudesse parar o tempo em uma garrafa, a primeira coisa que eu gostaria de fazer era parar o dia inteiro, para a eternidade durar sempre e eu passa-la com você.”

Onde Twilight hesitava, Bob caminhava atrás do balcão, ficando de pé do outro lado olhando Thomas. Levou mais alguns resmungos e outro gole de sua caneca para finalmente perceber o changeling.

“Oh, eeeiiii Bob. Engraxçado ver você aqui a exsta hora. Você sabe que está muuuuiito tarde certo?”

Bob piscava, sério.

“Certo, certo. Então ou poooooso estar um pouco bêbado, e teeeerrrr me trancado do lado de fora da minha loja, então eu poooossssooo vir aqui para uma bebida ou duas… ou cinco…perdi a conta depois da segunda.”

Bob deixava escapar outro suspiro, caminhando até Twilight. Ele acenava com um casco cheio de buracos na frente de seu rosto, o suficiente para fazer ela gaguejar enquanto tentava recuperar a compostura. O olhar era educado, e ela apenas tinha feito muitos olhares. Não era culpa dela se a camisa dele estava desabotoada, mostrando o que ela apenas poderia descrever como o seu peito nu e musculoso.

Novamente, Bob pigarreava, fazendo Twilight prestar atenção no changeling. Ele apontava para seus próprios olhos, então para ela, e finalmente para Thomas. Levou um segundo, mas então Twilight entendeu o significado. Ela acenava, e Bob caminhava até as escadas, para fazer seja lá o que for, ela não sabia. A única coisa que ela sabia era manter um olho no obviamente embriagado humano.

Quando ela se voltava para o humano, ele de alguma forma se movia do banco para o chão, apoiando suas costas contra o balcão enquanto ele cuidava dos pequenos remanescentes de sua garrafa de licor. Ou mais precisamente, da garrafa do licor de Sunny que ela apenas poderia suspeitar que ele procurou atrás do balcão.

Twilight se sentava perto de Thomas, mas ainda mantendo uma certa distância dele. Se ele atacou tão violentamente duas de suas amigas após alguns copos de bebida, não daria pra dizer o que ele faria depois de uma garrafa inteira.

“Entãããooo… você é a prinxxxceesa, hein?” Thomas dizia, ainda olhando para o chão.

As orelhas de Twilight se reanimavam. “Sim, por mais doido que isso pareça, eu sou.”

“Por que doido?”

Twilight piscava. “Bem, se você me conhecesse antes, nunca acharia que eu me tornaria uma.”

Thomas fungava. “Voxce fala como se não tivesse excolha.”

As orelhas de Twilight caíam. “Eu… não, exato.”

Thomas finalmente se virava para a alicornio, embora seus olhos se esforçavam para focá-la.”

“Entãããããooo, é como se voxcê tivesse naxcido na realeza ou algo assim?”

Twilight balançava sua cabeça.

“Eu… me tornei assim, depois de completar uma magia difícil e aprender sobre a magia da amizade.” Enquanto ela falava, Twilight aproveitava a distração para levitar a garrafa de volta para o balcão.

Thomas fungava novamente. “Uaaauuu, só ixsso?”

“É mais difícil do que parece.”

“Ainda axssim, não te falaram ‘ei, voxcê feizzz aquilo, agora pode se tornar uma prinxcesa!’”

Twilight balançava a cabeça. “Não, apenas… aconteceu.”

“Droga, igual a hixstória da minha vida.” Thomas passava a mão no chão procurando a garrafa.

Twilight inclinava sua cabeça. “Como assim?”

“Eu, exstando aqui e tudo. Eu não excolhi isso. Eu apenas… apareci.”

“Apareceu?”

Thomas encolhia os ombros. “Eu exstava apenas… dirigindo, voltando do trabalho, sim, e então… kabum… eu exstava aqui.”

Twilight tinha muitas perguntas para fazer, mas uma em especial que ela realmente se importava.

“Em que termos exatamente você pode descrever isso?”

Thomas piscava algumas vezes, claramente perdido. “Com o que?”

“Parando aqui. Você acabou de falar que apareceu aqui, não foi difícil de se adaptar?”

Thomas violentamente sacudia sua cabeça, coçava o peito, então esfregava seus olhos. “Depois do choque de vir parar aqui… eu tentei pensar positivamente sobre ixsso. Tudo aqui era o mundo da fantasia e felicidade. Coisas que pra mim eram só contos de fada, aqui eram reais, como pôneis voadores, e mágica! Era tão inacreditável, eu não tinha como acreditar que nossos mundos possuíam semelhanças, aqui era superior.”

“Isso até eu encontrar Bob.”

Twilight percebia o changeling com o canto de seu olho. Ele hesitava na parte inferior das escadas, mas então continuava no balcão.

“Bob é meu melhor amigo, eu sei. Exceto pelos Fixits, ele foi meu único amigo por muito tempo aqui. Eu achei ele, lá fora no deserto, à beira da morte. Eu carreguei ele até minha caminhonete e dirigi de volta para a cidade, levando ele até o médico, nosso primeiro médico, eu o levei até ele e perguntei o que ele poderia fazer.

“Você sabe o que ele disse para mim?” Twilight balançava negativamente sua cabeça. “Ele disse que não tratava insetos.”

Twilight arriscava um olhar para Bob, ela percebia sua expressão estóica enquanto ele endireitava as garrafas de licor no balcão.

“Até então eu nunca vi um pônei agir tão… tão preconceituosamente. Os Fixits cuidaram bem de mim, e certamente eu já tive experiência com outros pôneis, mas eu não era um deles. Nós não saíamos para bebidas ou outras baboseiras, nada disso. Levei muito tempo para perceber que naqueles primeiros dois anos eu estava isolado, trancando a mim mesmo na oficina. Então eu achei Bob, e comecei a perceber como pôneis ao redor da cidade olhavam para mim. Falavam de mim.”

“Eu apenas queria ajudar este pônei. Eu não sabia que ele era um changeling, apenas parecia diferente, assim como no meu mundo que tem brancos, negros, amarelos, pardos. Eu começava a pedir ajuda aos outros pôneis, nenhum ajudaria. A maioria apenas me ignorava. Eu dava água pra ele, tentava alimentá-lo mas ele recusava. Eu estava desesperado. Os Fixits não sabiam muito mais do que eu.”

“Finalmente, aconteceu.”

Twilight olhava de volta para Bob que tinha parado no meio da limpeza de uma bandeja. Ela olhava de volta para Thomas. “O que aconteceu?”

“Eu perdi meu temperamento. Persuadi o prefeito daquela época a renunciar, Billfold assumiu, e Bob conseguiu ajuda. Os Fixits me deram oportunidade para trabalhar em mais projetos, para que a partir daí eu pudesse conversar e conhecer todo mundo na cidade. Devo muito à família Fixit, e a Bob também. Uma vez que Bob melhorou, começamos a aprender sobre ele. “Por um lado, você percebeu que ele nunca fala?” Twilight acenava. “Sim, aparentemente há este tabu na cultura changeling, a única coisa que eles nunca fazem.”

Twilight olhava para Bob esperando alguma resposta dele, mas ele permanecia em silêncio, então Twilight perguntava, “Por que não?”

“Você não pergunta ‘por que’.”

“Como assim?”

“Fazer perguntas é um sinal de inteligência, e a rainha deles não quer drones inteligentes. Ela quer drones que acatem ordens, que sejam dependentes e facilmente manipulados. Então, eles pegam um chengeling, espancam ele e cortam sua língua como primeira advertência. A segunda é eles espancarem de novo e jogarem no deserto para que aconteça o inevitável.”

A crina e calda de Twilight se arrepiavam. “Eles… fazem o que?” Ela olhava entre os dois, Bob finalmente acenava. “Isso… não pode ser…”

“E essa foi a minha segunda lição de como nossos mundos são semelhantes. Eu não podia acreditar que tais coisas existissem nesse mundo.”

Thomas começava a se sentar. Twilight se movia para mobilizar ele, com dificuldades para se sustentar por causa da bebida, apenas para o humano colocar sua mão na cabeça dela e usá-la como apoio.

“Obrigado,” Thomas dizia, para a irritação de Twilight com sua crina babada. “A última peça do quebra-cabeça veio alguns anos depois, quando o Senhor Fixit ficou doente. Ainda não tinha a experiência com uma morte de pônei, então eu tive a esperança de que talvez isso não acontecesse com eles.”

Thomas cambaleava até uma seção isolada da parede, onde uma grande moldura estava presa a ela. Dentro da moldura havia mais de uma dúzia de fotos de pôneis. Então Thomas tirava uma foto de seu bolso.

“Eu estava errado.” Thomas tirou um de seus sapatos, e usando um prego que Twilight não fazia a menor ideia de onde ele tirou, Thomas pregava a foto na parede dentro do quadro usando seu sapato como martelo.

“Primeiro foi o Senhor Fixit, então Doc, o médico, então o fazendeiro Jack e sua esposa Patch, e seus filho Pumpkin Seed. Era como se uma onda de desespero atingisse Oasis. Parecia que as coisas finalmente estavam melhorando, até…”

Thomas olhava Twilight, sua embriaguez parecia estar diminuindo, ou pelo menos a sua falta de equilíbrio menos acentuada parecia ser alguma indicação, então olhava de volta para o quadro. “E agora, eu perdi mais um.”

“Não foi sua culpa, Thomas.”

Thomas sacudia a cabeça. “Certamente é o que parece.”

Twilight queria dizer mais, mas mantinha sua boca fechada. Ela desesperadamente queria alguém para conversar sobre seus problemas, mas teria como falar com o humano sobre isso? Ela sentia que era sua culpa, para muito do que aconteceu, se ele partisse para cima dela, a alicornio poderia lidar com isso? Culpando ela por tudo? Ela suportaria isso, mas ainda assim, ele já estava angustiado da forma como estava.

“Bem, pelo menos você não vai ficar presa aqui por mais tempo do que deveria.”

Twilight olhava Thomas com um olhar confuso. Ele soltava seu sapato, caminhando com seu pé descalço de volta para o bar, onde a garrafa e copo já se foram graças a Bob, que estava de guarda. Ele se sentava em um banco e olhava seu reflexo no espelho do bar. Percebendo sua aparência desleixada, ele passava a mão no cabelo e tentava abotoar sua camisa.

“Tenho certeza que Rarity e Fluttershy contaram a você sobre o pequeno incidente que tivemos no início da noite.”

Twilight se juntava a ele no banco. “Sim, elas me disseram sobre o que você faz pela Senhora Fixit, e ajuda ela com tudo que precisa. E que você se importa muito com ela.”

“E que eu tenho um péssimo temperamento e arremesso garrafas de Bourbon.”

Twilight estremecia. “Bem, Rarity foi pega de surpresa.”

“Foi.”

“Ainda assim, nós conversamos sobre isso.“

“E vocês estão partindo de manhã, certo?”

Twilight balançava a cabeça. “Não. Na verdade, Fluttershy defendeu você.”

Thomas parava de abotoar sua camisa, que nem estava alinhada direito como Twilight podia perceber, enquanto ele se virava na direção de Twilight, com uma sobrancelha levantada.

Twilight acenava. “Ela viu falhas, mas no geral acredita na sua bondade. Ela está do seu lado. Rarity ainda está em cima do muro, depois de ter que tirar todos os cacos de vidro de sua cauda que a surpreendeu.” Twilight deixava escapar uma pequena risada.

Thomas suspirava. “Já é alguma coisa.” ele dizia olhando de volta para o espelho, com o reflexo dele e Twilight, “e quanto a você?”

Twilight se enrijecia. “Eu… não sei ainda. Você me lembra outro pônei que conheço, que me importo e que tem falhas.”

“Quem é esse… ou essa?”

“Você vai descobrir amanhã,” Twilight olhava para o relógio na parede, “ou melhor, hoje. Já está tarde.”

Thomas esfregava seu rosto com ambas as mãos, sua voz abafava nelas. “Se você diz.”

Bob viu que essa era sua deixa enquanto ele cutucava Thomas na lateral. “Hm? Oh, conseguiu um quarto de reserva para mim?”

Bob acenava.

“Ótimo, obrigado.”

Com ajuda de Bob, Thomas começava a caminhar até as escadas, usando a cabeça de Bob como uma bengala improvisada. Uma última coisa que Thomas disse fez as orelhas de Twilight se levantarem.

“Diga Bob, o que aconteceu para sua cabeça estar toda enfaixada?”

Twilight deixava escapar um gemido, batendo sua cabeça no balcão.