Fanfics estrangeiras

Quer ser minha mãe?

Twilight-e-Spike
Ilustração: http://swanlullaby.deviantart.com

Autor: Twifi

Tradução: Drason

SINOPSE: Spike não queria nada além de um natal perfeito, mas como único dragão na família, ele sempre se sentia isolado nessa época do ano. Para consertar isso, ele teve a ideia de comprar um presente de natal para Twilight e aproveitar a oportunidade para pedir uma coisa importante a ela, algo que ele queria pedir há muito tempo. No entanto, um acidente poderia arruinar seus planos.

Eu estava enrolado em um daqueles casacos espalhafatosos que Rarity havia feito para mim. Ele era vermelho e pesado – eu parecia engraçado nele, especialmente com o chapéu que veio junto, “festivo” foi a palavra usada por Rarity. Combinava com o casaco, e tinha pequenas esmeraldas bordadas nele. Digamos que as joias o tornava mais dracônico, certo?

Eu nunca gostei muito do frio, mas normalmente podia tolerar. No entanto, o inverno desse ano estava mais gelado do que o normal; o bastante para um dragão. Tenho sido devoto em ficar dentro de casa neste inverno, mas Twilight me incentivava a sair do castelo com a promessa de experimentar a melhor cidra na cidade. E provavelmente Twilight estava certa, uma vez que a referida cidra era feita pela família Apple.

Enquanto eu me sentava nas costas de Twilight com a minha calda congelando, balançando suavemente para trás e para frente com o ritmo dos passos de Twilight, eu percebi que aceitei a proposta dela rápido demais. Cidra realmente valia a pena… e minha cama quente? Era para eu estar nela ensaiando um discurso para Twilight, e tentar encontrar o presente perfeito para ela nesse natal.

Eu tenho adiado por muito tempo uma coisa que queria dizer. Hoje teria sido ideal se Twilight não insistisse em correr por toda a cidade comprando e entregando presentes, que ela tem feito durante toda a semana. Como Princesa da Amizade, ela sentia a necessidade de entregar presentes significativos para todas as suas amigas, bem como qualquer outro que tenha sido importante em sua vida. Me pergunto o que ela comprou para mim.

Eu me arrastava nas costas de Twilight, passando os braços em volta de seu pescoço, me mantendo no lugar. Seu pescoço esticava, enquanto ela virava a cabeça tentando olhar para mim.

“Spike? O que está fazendo?” Ela perguntava animada, mas um pouco preocupada.

“T-tentando me manter aq-quecido,” Eu respondia, enquanto tentava virar a cabeça com minhas garras dormentes. Eu movia minha face diretamente atrás da cabeça dela para bloquear a mordida amarga do vento gelado.

“Oh, Spike,” Twilight ria. “É muito frio mesmo para um pônei. Mas não se preocupe, a cidra de maçã quente da Applejack irá aquecê-lo”, dizia Twilight com confiança. “Eu só vou ter que fazer uma rápida parada na loja do Senhor Stirling.”

Mesmo que Stirling fosse uma das lojas mais incomuns na cidade, ela certamente tinha uma coisa que me interessava muito. Calor.

A loja do Senhor Stirling geralmente era especializada em prata e coisas feitas de prata, mas também vendia uma variedade de artefatos raros, tais como bolas de cristal, talismãs, placas com pinturas artísticas, pinturas raras, e por aí vai. Uma vez Rarity encontrou algumas peças raras de seda nessa loja, e Rainbow Dash uma velha insígnia em forma de medalha desgastada que pertencia aos Wonderbolts. Scootaloo estava olhando um modelo clássico de scooter na vitrine há algumas semanas. Mal sabia a pegasus laranja, que Rainbow Dash comprou para ela. Eu adoraria ver a expressão em seu rosto.

O barulho suave de um sino que tocava ao abrir a porta da loja significava apenas uma coisa… e antes que eu percebesse, já estava cheio de ar quente. Ignorando todos os itens da loja, eu saltava das costas de Twilight, desabotoando o casaco e o deixando cair no chão atrás de mim. Eu corria por toda a loja tão rápido quanto minhas pernas dormentes poderiam se mover para aquece-las.

“Bom dia, Senhor Stirling – Spike, o que você está fazendo?”

“Oh calor, glorioso calor.” Eu ouvia Twilight rir um pouco: provavelmente pelo quão ridículo eu parecia.

“Desculpe quanto a ele. Dragões, você sabe como é…” Twilight dizia.

“Sem problemas Princesa. Como posso ajuda-la?” Senhor Stirling perguntava, como se nada de anormal estivesse acontecendo.

“Eu estou procurando um presente para uma amiga. Ela é bem especial e tem um olho para coisas boas.”

Twilight e Senhor Stirling continuavam conversando sobre que tipos de joias Rarity gostaria, ou qualquer coisa assim, eu realmente nem estava escutando. Já tinha escolhido o presente perfeito para Rarity, uma das melhores gemas do meu esconderijo secreto. Eu tive que resistir à tentação de devorá-lo, mas só de imaginar a reação dela sei que o sacrifício valeria a pena.

Sorrindo para mim mesmo, eu andava ao redor da loja olhando as prateleiras. A maioria delas estavam vazias, e os objetos que estavam lá realmente não me chamavam muito a atenção. Então eu vi um chamativo abridor de correspondência e envelopes. Parecia uma pequena espada; ele tinha pequenas pedras preciosas sobre o punho que brilhavam com a luz. Eu tive que desviar meu olhar para longe dele, enquanto meu estômago roncava e minha boca encharcava.

Vi também um pequeno livro em uma prateleira adjacente. Talvez fosse apenas força do hábito, devido a conviver com Twilight, mas eu não sei porque ainda caminhava para dar uma olhada melhor em um livro.

Ele parecia velho e desgastado, mas alguma coisa parecia familiar sobre a capa. A imagem estava desbotada, e parecia redigido com a antiga escrita de Equestria. Cada página estava irregular e amarelada com o tempo. Isso é algo que Twilight acharia interessante. Ela provavelmente poderia passar dias lendo este livro, e então iria ler outros livros para tentar aprender a história deste aqui.

História … é isso! Este é um livro muito velho chamado Equestria: Uma Breve História. Eu sabia que a imagem na capa me parecia familiar. Twilight tinha uma cópia dele e estava chateada por ter perdido há muito tempo, já que sua cópia foi dada a ela por Celestia.

“Twi…” Eu começava, mas parando em seguida. Ao invés de dizer a ela que o livro estava aqui, eu voltava atrás e decidi adquiri-lo como presente para ela. Ela ficaria tão contente.

“Sim?” Twilight respondia, olhando por cima do ombro enquanto levitava um pequeno colar de prata.

“Oh…um, apenas querendo saber se você já fez as compras, mas vejo que ainda não,” Eu dizia um pouco rápido.

“Apenas mais uns minutos…” Twilight franzia, enquanto continuava me olhando. Eu não gostava daquele olhar, era como se ela soubesse que eu estava tramando alguma coisa. “Por que repentinamente você ficou tão interessado em ir lá fora Spike?

“Nada demais. Apenas quero um pouco de cidra, você realmente falou tudo.” Eu dizia, tentando manter o mesmo tom. No entanto, não era suficiente para escapar daquele olhar: aquele com uma sobrancelha levantada.

Depois do que parecia ser uma eternidade esperando, ela voltava sua atenção novamente para o Senhor Stirling. “Isto é elegante, muito simples. Acho que será perfeita para minha amiga.”

“Certamente, excelente escolha, Princesa!” Senhor Stirling dizia. Ele pegava o pequeno colar de Twilight e o colocava em uma bela caixa ornamentada.

Agora que Twilight estava distraída novamente, eu me voltava para o livro. Precisava descobrir o preço dele, mas aparentemente não tinha etiqueta. E eu sei o que Twilight dizia sobre ter que perguntar o preço de alguma coisa…

Mas não me importava se tivesse que gastar todas as minhas gemas neste livro, Twilight merecia ele, e seria também a oportunidade perfeita para dizer a ela.

“Venha Spike. Vamos buscar algumas cidras com Applejack,” Twilight dizia, enquanto levitava um presente embrulhado e colocava dentro de seu alforje.

Rapidamente eu me afastava da prateleira, com esperança dela não ter visto o que eu estava olhando. Twilight não parecia interessada no que eu estava fazendo, mas estaria acabado se ela visse o livro, ela imediatamente o compraria.

Eu pegava meu casaco e o vestia novamente. Enquanto estava o abotoando, ouvi o som do sino acima da porta. Uma potranca cinza com óculos entrava na loja. Sua expressão parecia ameaçadora, e ela não percebia eu e Twilight.

“Como vai, querida?” Senhor Stirling perguntava para a potranca cinza.

“Bem.” Ela respondia em voz baixa.

“Fez o que mandei?” Senhor Stirling perguntava de forma severa.

A potranca cinza lançava um olhar sobre o chão. “Sim,” Ela dizia, na mesma voz baixa de antes.

“Silver… diga a verdade.” Senhor Stirling começava.

“Mas papai, a família inteira dela está na cidade!” A potranca gemia.

“Você deveria ter pensado nisso antes de ter sido má com aquela pobre criança. Se você não for lá pedir desculpas, então irei com você, e você vai ter que pedir na minha frente e de toda a família dela. E vai ficar de castigo de novo!”

“Mas papai…”

“Não, Silver, nada de mas.” Senhor Stirling olhava para Silver. Ele parecia ter esquecido que nós estávamos na loja por um momento. Mas quando seus olhos se encontraram com os meus, ele engoliu seco, e seu peito murchava um pouco. “Silver.” Ele dizia suavemente, com seus olhos se virando para Twilight com um leve aceno da cabeça.

“Princesa.” Silver dizia baixinho, fazendo uma pequena reverência. Ela confrontava e então deixava a loja, batendo a porta atrás dela.

“Me desculpe por isso, Princesa.” As bochechas do Senhor Stirling coravam um pouco.

“Oh, está tudo bem,” Dizia Twilight.

Eu poderia dizer que ela estava se sentindo sem jeito. Sabendo que ela não queria mais nada além de sair, eu pulava nas costas dela, que apressadamente deixava a loja. “Feliz natal!” Twilight gritava por cima do ombro, enquanto a porta se fechava atrás dela.

Nós estávamos novamente de volta para o frio, mas desta vez eu não estava me sentindo tão incomodado. Eu continuava imaginando situações na minha cabeça sobre como conseguir aquele livro, e a reação de Twilight. Ela ficaria tão feliz, e então eu diria a ela finalmente sobre o natal e o que eu sentia. Eu não conseguia pensar em um melhor dia para dizer a ela algo que provavelmente já deveria ter dito há muito tempo atrás.

“Olá Twi!” A voz de Applejack me tirava de minhas reflexões. “E olá Spike!”

Nós estávamos na frente da tenda de natal de Applejack. Parte das temporadas festivas incluíam várias tendas montadas no centro da cidade pelos donos das lojas locais. Alguns vendiam comidas e doces, e outros vendiam enfeites decorativos. A família Apple era de longe a mais popular devido às suas cidras feitas especialmente para o inverno de natal.

O forte aroma de maçã e canela enchiam minhas narinas. Somente o aroma era suficiente para aquecer meu estômago. O puro pensamento das maçãs misturadas com a canela fazia meu estômago rosnar. Com água na boca, eu pulava das costas de Twilight, pronto para engolir alguns deliciosos copos de cidra.

“Ei Applejack. Nós viemos buscar alguns copos de cidra,” Twilight dizia, fechando seus olhos enquanto inalava o aroma.

“Vocês chegaram bem na hora, eu já estava quase fechando. Vou empacotar tudo para que possamos ir para Appaloosa amanhã de manhã. Como sempre, o natal reúne toda a família Apple”.

Eu dava um passo para o lado. Sempre me sentia estranho quando pôneis falavam sobre família. Ponyville me fazia sentir em casa, até mais do que Canterlot, mas nessa época eu me sentia como se não pertencesse a esse lugar. Ser um dragão, por si só, já dizia tudo… esta época do ano sempre era difícil para mim, exceto pelas vezes quando Twilight e suas amigas estavam juntas. O natal era sempre mais animado.

“Spike? Algum problema?”

Eu me virava, vindo a ficar cara a cara com Apple Bloom. “Oh, um.. olá, Apple Bloom,” Eu dizia melancolicamente.

“Qual o problema?” Ela perguntava de novo.

“Nada, apenas esperando servir a cidra,” Eu mentia.

“Então por que você está parado aí com essa cara de desanimado? Twilight já pegou a cidra dela, viu?” Apple Bloom gesticulava para Twilight bebendo um copo de cidra com gosto.

“Spike, sua cidra está bem aqui. Pegue antes que esfrie, docinho.” Applejack colocava uma caneca sobre o balcão, com muita fumaça saindo dela. Mas antes que eu pudesse me mover, Apple Bloom disparava para pegar a caneca.

“Aqui,” ela entregava a caneca para mim. “Agora, por que você parece tão triste?”

Bem, não havia como mentir para ela. Eu sabia que não poderia usar o manjado “estou cansado”, que ela não acreditaria, então eu continuava: “Está tudo bem, só fico assim nesta época do ano. Parte do problema é sobre eu e Equestria, mas é a outra parte que me pega”.

“Que parte?” Apple Bloom perguntava.

Eu não sei porque, mas era sempre tão fácil conversar com ela. Eu poderia simplesmente não ter dito nada, mas aqui estava eu me desabafando. Talvez seja porque Apple Bloom e sua família sabem reconhecer quando alguém não está bem, ou talvez porque eu apenas me sentia confortável dizendo a ela coisas que eram pessoais. Apenas queria que essa facilidade fosse a mesma para conversar com Twilight às vezes.

“Família.” Eu respondia.

Apple Bloom franzia. “O que você quer dizer?”

“Estar com a família é importante no natal, é o que todos os pôneis dessa cidade fazem, ficando juntos e felizes com suas respectivas famílias… coisa que eu não tenho.” Eu olhava para o chão.

Os olhos de Apple Bloom arregalavam. “Do que está falando Spike, claro que você tem uma família. Nós somos sua família.” Apple Bloom sorria calorosamente enquanto colocava um casco em meu ombro. “Eu sei que não é uma família como a que a maioria tem, mas ainda sim uma família.”

Ela continuava. “Nós olhamos um para o outro, sempre ajudamos uns aos outros, e às vezes nem sempre nos damos bem, mas no final do dia nós ainda amamos um ao outro. E isso é o que importa.”

Apple Bloom estava certa. Isso me ajudava a me sentir um pouco melhor, e depois de tomar um gole daquela maravilhosa cidra, minhas preocupações permaneceram como uma sombra atrás da minha mente. Enquanto eu continuava bebendo a cidra apreciando seu doce sabor, percebi aquela potranca cinza da loja nos observando de longe. Nós fizemos um breve contato de olhares, e ao perceber que ela foi descoberta, relutantemente começou a caminhar na nossa direção.

“Ei flanco…digo… Apple Bloom?” Silver Spoon dizia com uma quantidade surpreendente de confiança, mesmo depois de se atrapalhar ao dizer o nome da Apple Bloom. “Posso falar com você em outro lugar?”

Apple Bloom franzia em suspeita quando viu Silver apontando para outra tenda que vendia doces. “Nós podemos conversar aqui mesmo,” ela respondia em um tom firme.

“M-muito bem, Apple Bloom. Eu queria me desculpar por ter sido tão mesquinha com você. Não estou pedindo pra você ser minha amiga ou gostar de mim, mas espero que possa me perdoar. Prometo nunca mais fazer aquilo de novo. E vou garantir que Diamond Tiara deixe você em paz também…” Silver parava. Apple Bloom permanecia em silêncio, totalmente perdida em palavras. “Eu fiz isso pra você…” Silver levantava um pequeno colar com um medalhão em forma de coração de prata. Ele balançava em seu casco estendido.

Apple Bloom piscava, então aceitava o colar, colocando ele ao redor de seu pescoço. “Um… obrigada, Silver Spoon. Eu… realmente significa muito ouvir isso de você. Eu te perdoo.”

“Oh meu Deus! Papai estava certo! Eu me sinto muito melhor agora.” Silver saltava sobre as patas traseiras, envolvendo suas pernas dianteiras ao redor do pescoço da Apple Bloom. “Feliz natal! Agora, eu tenho que pedir desculpas para outras duas.” Silver desfazia o abraço, e saía trotando contente.

“Bem… foi uma bela surpresa.” Eu dizia para uma imóvel Apple Bloom. Aquela foi uma das mais sinceras desculpas que eu já vi. Talvez houvesse alguma coisa nessa época do ano que fosse mágico. Se aquela pônei podia achar coragem para dizer aquilo para Apple Bloom, então eu também poderia achar a mesma coragem para dizer a Twilight o que tanto queria.

Eu corria tão rápido quanto minhas pernas podiam me carregar. Uma bolsa cheia de gemas estalavam em minhas costas a cada passo. Eu percebia que havia apenas alguns minutos antes que o Senhor Stirling fechasse a loja, já que as festividades estavam chegando ao fim. Pôneis podiam ser vistos desmontando suas barracas; entre eles estava Applejack e Big Mac fechando a tenda de cidra. Apple Bloom ficava sentada ao lado observando seu novo colar, ignorando o movimento ao seu redor.

Eu não poderia deixar de sorrir. Essa seria a primeira vez que teria um natal de verdade, ou pelo menos da forma como imaginava que deveria ser. Apple Bloom estava certa, Twilight e suas amigas eram uma família. De certa forma eu pensava assim, mas sempre me sentia afastado delas. Só de ouvir Apple Bloom dizer que ajudava com o que eu tinha vontade de perguntar por tanto tempo. E amanhã já era natal. Que presente seria melhor do que esse?

Eu abria a porta da loja, e rapidamente a fechava atrás de mim. Não havia nenhum pônei no balcão de recepção, mas o toque do sino acima da porta, sem dúvida, acusava que tinha um cliente. Era o que eu esperava… porém ninguém parecia estar vindo.

“Olá?” Eu falava dentro da loja vazia. Cuidadosamente pegava o livro da prateleira, enquanto esperava o Senhor Stirling. “Olá!” Eu dizia um pouco mais alto. Meu coração começava a disparar com a ansiedade. Será que eles fecharam a loja e esqueceram de trancar? Não, certamente Senhor Stirling não seria tão descuidado a ponto deixar todos esses itens valiosos expostos. Talvez eu devesse apenas deixar algumas gemas e bits, e em seguida partir? Isso não seria furto, não é?

Mas todas as minhas ansiedades diminuíram quando ouvi passos se aproximando. Um olhar confuso do Senhor Stirling emergia da parte de trás da loja. “Olá?” Ele dizia, olhando ao redor da loja. “Eu pensei ter ouvido alguma coisa…” Então ele olhava para baixo, finalmente me vendo com um olhar suplicante para ele. “Ah você novamente. Me desculpe, eu estava no fundo da loja fazendo o inventário. Já estamos fechando. O que posso fazer por você, Senhor Dragão assistente da Princesa Twilight?”

Eu me encolhia internamente mediante a observação dele. Eu não era apenas um assistente, mas o seu assistente número um. “Gostaria de comprar este livro.” Eu o colocava no balcão.

Equestria: Uma breve História, esta é a primeira edição. Muito raro, poucos podem pagar por tal raridade. “A Princesa lhe deu dinheiro suficiente?”

Eu colocava a bolsa de pedras preciosas sobre o balcão, deixando algumas gemas deslizarem para fora dela. Era difícil perder o brilho em seus olhos com a visão das gemas, mesmo que fosse apenas por um momento fugaz.

“Gemas, hein? Normalmente aceito apenas pagamento em bits.”

“Por favor, Senhor Stirling, essa gemas são as melhores. Eu as encontrei sozinho. Elas valem muitos bits,” Eu implorava e podia ver que ele as queria muito.

“Elas são belas, mas prefiro bits. Gema não é dinheiro. O preço deste livro é duzentos mil bits.“ Senhor Stirling dizia, enquanto tentava empurrar as gemas de volta para a bolsa.

“Mas você pode vende-las por muito mais. Por favor, senhor, é um presente para Twilight. Significaria o mundo para ela ter a primeira edição de Equestria: Uma Breve História.” Eu despejava o conteúdo da bolsa sobre o balcão, deixando a safira azul brilhante visível para ele.

Senhor Stirling pegava uma lupa e examinava as gemas de perto. Ele prestava uma atenção especial para os rubis e safiras. “Estas são todas impecáveis”, dizia ele, mais para si mesmo. Ele olhava para mim, e então suspirava, “está bem.” Ele colocava a lupa no balcão, olhava para o livro, e em seguida, para a pilha de pedras preciosas. “Se é realmente importante para você, então talvez possamos resolver isso. Esta é uma coleção muito impressionante, e este é um livro muito raro. Acho que podemos chamar isso de troca.” Ele sorria, e empurrava algumas das pequenas esmeraldas de volta para mim, então agrupava todas as gemas em uma pilha. “É justo assim, Senhor Dragão?”

“S-sim!” Eu estava esperando ele pegar a bolsa inteira, mas deixou algumas esmeraldas.

“Tudo bem, nesse caso foi um prazer fazer negócios com você.”

“Obrigado, obrigado!” Enquanto eu me virava para partir, a porta abria e Silver Spoon passava por ela novamente, sorrindo de orelha a orelha.

“Pai, eu consegui! Me desculpei com todos com quem fui mesquinha, todos me perdoaram, e Sweetie Belle ficou minha amiga!”

“Muito bom! Não foi o que eu te disse? Venha aqui, querida.” Senhor Stirling gritava de alegria, enquanto Silver Spoon corria para abraçar seu pai.

“Me sinto muito melhor agora, pai.” Silver Spoon se aconchegava nos cascos de seu pai. “Só estou preocupada com Diamond Tiara, tenho medo dela ficar brigada comigo agora.”

“Vocês duas são amigas há muito tempo para que isso acabe agora por causa de uma mudança. Estou orgulhoso de você, mesmo quando te ensinava que bullying era errado e você acabava fazendo mesmo assim, pelo menos agora você aprendeu a lição. No entanto, ainda está de castigo até as aulas recomeçarem.” Ele sorria para sua filha, beijando-a na bochecha.

Deixei a loja com um sentimento caloroso em meu coração. Eu tinha o livro em meus braços, um pequeno salto em meu passo, e Silver Spoon aprendeu uma lição com seu pai. Um dia vou ter que perguntar para Apple Bloom o quanto Silver Spoon foi mesquinha com ela.

Como eu quase literalmente pulava para casa, me alimentava das gemas restantes. Esmeraldas nunca foram tão boas quanto rubis, mas tudo bem. Eu iria comer os rubis de qualquer maneira, pelo menos agora eles se foram por uma causa melhor do que o meu estômago. E ainda tinha meu rubi premiado embaixo da minha cama, que era para Rarity.

Eu não podia esperar para ver a expressão de Twilight quando eu der o livro a ela. Deveria colocar ele em sua mesa e deixá-la encontra-lo? Deveria apenas caminhar e entregar a ela? Oh! Eu deveria colocá-lo em uma de suas estantes da biblioteca e ver quanto tempo ela levaria para notar. Sim, isso vai ser muito engraçado. Aposto que ela desmaiaria de choque.

O castelo estava vazio quando cheguei, então chequei seu quarto e a biblioteca, mas ela não estava lá. Talvez tivesse ido entregar seu presente para Rarity, o que é bem provável. Perfeito, agora onde posso colocar este livro?

Enquanto eu procurava um local aberto para deixa-lo, a curiosidade acabou levando a melhor sobre mim. Eu tive que abrir o livro, tinha que dar uma olhada em seu conteúdo. Afinal, esta foi a primeira edição, então muitas coisas mudaram em Equestria desde que este livro foi publicado. Poderia até ter informações sobre dragões, e um rápido olhar não faria mal.

Eu abria o livro na primeira página, onde uma nuvem de poeira grossa levantava. O amontoado de pó fazia cócegas em minhas narinas, a pressionando de uma forma que… “oh não! Não-!” Eu tentava colocar o livro em algum lugar e virar a cabeça bem longe, mas era tarde.

A primeira coisa a saudar meu olfato era fumaça. Eu olhava para baixo em horror para os restos carbonizados do presente mais perfeito. Meu olho se emparedava com lágrimas.

Tudo estava arruinado. Meu natal perfeito estava arruinado. É por isso que nunca vou ser da família, é por isso que sempre serei um mero assistente para a Princesa. Esta é a segunda vez que isso acontece. Pelo menos desta vez, Twilight não vai se decepcionar, porque ela nunca vai saber.

Sons de passos… era Twilight e suas amigas chegando, dava para ouvir suas vozes de longe.

“Fluttershy, amei seu presente! É um livro muito interessante sobre animais raros encontrados em Equestria.” Dizia Twilight. Eu não podia ter certeza de onde ela falava, mas se ela tinha um livro, então estava vindo para a biblioteca. “Spike? Onde você está? Eu vou na casa Rarity agora, não quer vir comigo e dar pra ela aquele rubi que você esconde embaixo da sua cama?” Ela estava se aproximando. Rapidamente eu secava meus olhos, me virando para ficar de frente para Twilight parada na entrada da porta da biblioteca.

“E-eu… darei pra ela depois, você pode ir.” Apenas de olhar para ela já era doloroso. Eu lutava contra meus lábios trêmulos, mas não tinha como parar minha gagueira melancólica.

“Alguma coisa errada Spike?” Twilight perguntava suavemente. Ela se aproximava, me fazendo recuar.

“Nada.”

“Spike,” Ela suspirava. “Seja lá o que for, pode falar.”

“Não importa mais. Está arruinado. Eu arruinei tudo,” Eu dizia lutando novamente contra as lágrimas.

“Arruinou o que Spike?”

“O natal. Tudo isso… não importa mais.” Twilight chegava bem perto de mim. Com um casco, ela levantava minha cabeça e então me olhava nos olhos.

“Spike, como você poderia arruinar o natal?”

Não era nada disso que eu queria. Era pra ela encontrar o presente, ficar feliz, e então eu ia perguntar uma coisa importante a ela. Eu poderia muito bem dizer a ela o que aconteceu. Então talvez pudesse desfrutar o natal em busca de uma nova casa, porque certamente Twilight não iria querer um assistente desajeitado que desintegra as coisas por mero acidente.

Respirava fundo, “Eu sempre me senti sozinho no natal porque sou um dragão e nunca vi outro por aí morando com pôneis que nem eu, mas eu queria que o natal desse ano fosse perfeito, tanto que eu tinha encontrado o presente perfeito pra você, e nessa oportunidade eu iria pedir pra você ser minha mãe, para que eu pudesse me sentir como se tivesse uma família real no dia de natal.” Respirava fundo novamente depois que terminava. Twilight simplesmente olhava para mim, piscando. Eu percebi que desabafei sem querer. A coisa que eu queria perguntar a ela, a coisa mais importante que eu queria perguntar a ela, escapou do nada. “Aí eu encontrei uma cópia do livro Equestria: Uma Breve História, na loja do Senhor Stirling, mas quando cheguei aqui, a poeira que saiu das páginas me fez espirrar e-“

“Spike,” Twilight dizia suavemente. Sua voz tinha um leve tremor. “Spike… fale de novo.”

Eu engolia seco, sabia em que parte ela estava se referindo. Meu coração batia forte em meu peito, sentia meu rosto corar. Mesmo depois de dizer a ela acidentalmente, ainda era um grande negócio para mim. Nunca tive ninguém que pudesse chamar de mãe, mas Twilight sempre foi a mais próxima de uma mãe que eu já tive. “Pensei em perguntar isso por um longo tempo, mas até o dia de hoje nunca tive coragem. Mesmo hoje, quando vi a filha do Senhor Stirling servir de exemplo ao arrumar forças e coragem para pedir desculpas, eu ainda não sabia como ter a mesma força e coragem para dizer isso a você, eu imaginava que ao te deixar feliz com um presente perfeito, poderia ser o momento para eu me desabafar com você espontaneamente, um plano bem burro, mas na minha cabeça parecia uma boa ideia. Então, eu não sou um pônei, mas você é a mais próxima de uma mãe que eu já tive, e por isso preciso te perguntar… quer ser minha mãe, Twilight?”

“Oh, Spike,” Os olhos de Twilight encharcavam. Ela me puxava para um caloroso abraço, me apertando com força. “Eu não sabia que você se sentia dessa forma, Spike. E sim, eu amaria ser sua mãe.“ Twilight me beijava no rosto várias vezes. “Eu te amo muito, meu filho.”

Foi demais para eu conseguir me conter, e acabava deixando as lágrimas saírem. Tudo saiu tão horrivelmente errado, e ainda assim tão perfeito. “M-me desculpe por ter arruinado o livro”.

“Era Equestria: Uma breve história. Nós podemos conseguir outra cópia por aí.”

“Mas era a primeira edição, escrita por um antigo equestriano…”

“Isso foi muito gentil de sua parte. As primeiras edições são extremamente raras. Mas foi um acidente, então não se preocupe com isso. Eles podem ser raros, mas existem muitos outros lá fora para nós encontrarmos.”

“Tem certeza?”

“Confie em mim,” Twilight dizia em um tom tranquilizador. “Você queria me dar o melhor presente de natal para me deixar feliz, e foi o que você fez.” Twilight respirava, com seus cascos esfregando em minhas costas. “Eu ganhei alguém de quem me orgulho de chamar de filho. Mais raro do que o livro, é um dragão como você, Spike. Vamos passar o dia de manhã que será o primeiro como mãe e filho, e teremos o melhor natal de todos.”

“Isso é ótimo, m-mãe!”

“Agora, por que você não vai pegar aquele presente para Rarity, antes que ela viaje para Canterlot?”

“Certo.” Eu saía do abraço e caminhava até o meu quarto para buscar o presente que estava embaixo da cama.”

Enquanto eu entrava no meu quarto, observava a neve caindo pela janela. De alguma forma tudo parecia diferente, tudo parecia novo e surpreendente. Talvez nada tenha mudado efetivamente, mas só o fato de eu poder dizer mãe, foi o suficiente para trazer um novo significado a tudo.

Porque hoje, aprendi que família vai muito além do sangue, e a maneira mais simples de falar as coisas mais importantes, é com o coração, e não com palavras bonitas.

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O natal de Twilight Sparkle

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Ilustrador: Candy Stealer

SINOPSE: Quando criança, Twilight queria saber que método Papai Noel utilizava para conseguir entregar os presentes de natal para milhares de crianças em apenas um dia, mas ao pesquisar informações na Biblioteca de Canterlot, ela vai descobrir da forma mais inesperada possível.

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Tudo começou com uma curiosidade, típica de criança: “Mãe, como o Papai Noel consegue entregar presentes pra todo mundo no dia de natal?”

A mãe, distraída com seus afazeres, respondia com um simples (e frustrante) “Ele é o Papai Noel, Twi. Ele consegue.”

Twilight não ficava nada satisfeita com a resposta. Embora estivesse com oito anos de idade, já tinha discernimento e curiosidade suficiente para causar um nó em sua cabeça tentando entender como Papai Noel conseguia tal proeza em apenas um dia.

Então foi até o seu pai fazer a mesma pergunta; o pai, sem saber o que dizer e com medo de falar alguma bobagem que pudesse fazer sua filha não acreditar mais em Papai Noel, fazia uma longa explicação sobre fusos horários, sobre como Papai Noel conseguia passar por continentes diferentes, um monte de explicações confusas que para Twilight Sparkle não faziam sentido algum.

Consequentemente, a dúvida persistia; a pequena unicórnio roxo decidiu ir até a Biblioteca de Canterlot, na esperança de encontrar alguma informação que pudesse sanar sua dúvida. Usando uma enciclopédia mágica que buscava todo tipo de palavras ou frases dos livros disponíveis em toda a biblioteca, Twilight pegava uma pena, mergulhava em um frasco de tinta e escrevia a seguinte frase na enciclopédia:

COMO PAPAI NOEL ENTREGA PRESENTES PARA TODO MUNDO?

A pesquisa ofereceu 1.345.547 resultados de livros disponíveis na biblioteca, incluindo mapas de lojas de presentes, venda de produtos de decoração e árvores de Natal, cartões de Natal e mais um monte de informações que nem chegavam perto de responder sua pergunta. Twilight foi passando página por página de resultados, até que cerca de trinta páginas depois, uma lhe chamou atenção: “fale com o Papai Noel”. Curiosa, ela foi até a prateleira onde estava o livro com a referida frase. Ao abri-lo, não havia conteúdo algum, apenas diversas páginas em branco, porém na contracapa havia outra pena, e um pouco abaixo dela o texto “escreva para enviar uma mensagem”.

Um pouco incrédula, Twilight começava a escrever, até completar duas páginas. Quando terminou, se surpreendeu ao ver as páginas escritas desaparecerem de forma semelhante aos pergaminhos que são enviados à Princesa Celestia.

Foi aí que tudo começou.

À noite, novamente em sua casa, a unicórnio roxo se trancava em seu quarto, pensativa. De repente, as luzes do quarto se apagaram, e foram substituídas por uma mistura de cores, que Twilight identificava após alguns segundos como sendo luzes de Natal. Lentamente, ela voltava a enxergar, onde foi pega de surpresa ao perceber que não estava mais em casa.

A primeira coisa que viu foi uma placa com os dizeres “Oficina do Papai Noel – Sem acidentes há 2.345.341.678 dias”.

“Ei, deu certo!!! Eu falei!!!” O duende do marketing saltitava. “Eu falei que a gente devia usar aquele livro ao invés de receber cartas!! Mas ninguém acreditou e abandonou aquele livro em uma prateleira qualquer daquela biblioteca.”

“Sim, mas era para o livro trazer crianças para cá?” O cético duende de Tecnologia de Informação questionava.

“Veja bem, não era exatamente ISSO que deveria acontecer, mas é válido, pois é uma experiência co-participativa com nosso público-alvo, que permite à nossa empresa se comunicar melhor criando experiências com nossa marca…”

Os outros duendes ignoravam o do Marketing e se dirigiam até Twilight. Após se certificarem que a pequena unicórnio roxo estava bem, a levaram por largos corredores, repletos dos enfeites de Natal mais brilhantes do que Twilight já tinha visto, com uma luz natural que deixava tudo mais bonito. Os corredores eram limpos, e as paredes tinham alguns quadros de aviso, calendários, mapas de planejamento. Tudo muito organizado, como se esperava, e isso, obviamente, deixava Twilight com um brilho nos olhos.

Ela chegava em uma sala de conferência, com um mapa mundi gigante no centro cheio de luzes acesas, indicando vários lares de crianças. O duende do SAC (serviço de atendimento ao cliente) e o duende do Marketing a acomodaram no sofá e começavam a conversar com a unicornio:

“Pois então, Twilight,” – disse o do SAC, levantando uma sobrancelha. “O que podemos fazer para lhe ajudar?”

“Bom, é que…” – Twilight gaguejava um pouco, ainda não acostumada com tudo que via, “…eu queria saber como o Papai Noel entrega todos os brinquedos”.

O duende do marketing saltava da cadeira. Era sua hora de brilhar. “Veja bem garota, esquece essa coisa da entrega: o segredo do sucesso está no nosso planejamento estratégico, que começa por manter um mailing atualizado de todos nossos clientes, mantendo-os encantados durante o ano todo até o Natal, quando começa a parte menos interessante, que é a entrega”.

Que bobagem!” O duende da área técnica entrava na sala. “É Twilight Sparkle seu nome, certo? Amiguinha, a entrega é a parte mais importante do Natal. Trabalhamos 365 dias por ano regulando o trenó, mantendo as renas alimentadas e exercitadas, com um controle rigoroso da linha de produção em conjunto com a logística…”

Nisso, entrou o duende do RH na pequena sala, que começava a deixa-la apertada: “E as pessoas? Coordenamos mais de 5 mil funcionários, que atuam em perfeita harmonia e são constantemente motivados por nós para que tudo dê certo…”. O duende do Financeiro entrava atropelando e falava do budget milimetricamente planejado, que por sua vez foi atropelado pelo de Compras, que falava da importância de ter matérias-primas ideais para realização do serviço.

Lá pelas tantas, quando não cabia mais duendes na sala, o alto-falante da oficina soava, com a voz do duende assistente do Papai Noel:

“Atenção duendes da segurança: favor levar a unicornio da sala de conferências 2 para a sala do Papai Noel.”

Dois duendes de tamanho 3×4 e óculos escuros abriram caminho no mar de funcionários de todas as áreas que estavam na sala e conduziram Twilight por mais uma série de corredores.

À medida que chegava mais perto do destino, os corredores pareciam brilhar com mais intensidade.

Os duendes a deixaram em uma grande sala, com apenas uma mesinha simples de madeira. Na parede, fotos de diversos Natais, confraternizações na oficina, e várias anotações. Em um dos cantos, sacolas de cartas de crianças. Na mesa, Twilight observava uma bela foto da Mamãe Noel, ao lado de alguns papéis, memorandos e outras coisas deixadas pelos duendes.

Enquanto Twilight olhava para o resto da sala, um casco lhe tocava no ombro. O susto da unicórnio ao ser surpreendida nem se comparava ao que tomou quando viu que o casco era do Papai Noel.

“Oi Twilight, tudo bem com você?”

“…………………..t-tudo!” Twilight estava perdida, ela poderia dizer para si mesma que naquele momento sua pele estava branca ao invés de roxa.

Não fica de pé não, Twilight; pode sentar, fique à vontade.” Papai Noel foi conversando com a unicórnio até que ela se sentisse à vontade.

Após alguns minutos de conversa e uns refrescos trazidos pelo duende assistente, Twilight finalmente fazia a pergunta que a levou até o Polo Norte:

Papai Noel, como o senhor faz para entregar presentes para todo mundo em apenas um dia?”

E Twilight contava as várias versões de todos os duendes para Papai Noel, que ouvia com muita calma.

Twilight, apesar dos meus duendes terem se empolgado um pouco, todos eles falaram a verdade. Olhe para a bola de cristal, deixa eu te mostrar um pouco do que nós fazemos.” E a bola de cristal gigante se iluminava. Papai Noel começava a dar diversas explicações, sobre como cada departamento fazia sua parte de maneira bem harmoniosa e com igual importância.

Durante o ano, a área de marketing mantém vivo o interesse de todo mundo no Natal para que todos enfeitem bem as casas e os duendes saibam onde entregar os presentes. A área comercial faz a captação dos pedidos via carta e faz a ligação com a área de compras e financeira, que providenciam todos os produtos que vão para a logística, que arruma as embalagens para cada criança. Dali, os presentes são preparados para entrar não em um trenó, mas em vários, todos bem preparados pela área técnica, com os duendes pilotos esperando. Os trenós percorrem o mundo e distribuem os presentes.”

Twilight ia ouvindo a explicação e ficando desanimada.

Então não era Papai Noel que entregava os presentes? A unicornio era pura desolação, vendo a fantasia ruir, mas Papai Noel não perdia o sorriso.

“Agora Twilight, você vem comigo que eu vou te mostrar a minha parte”.

Twilight ficava confusa. Mas os duendes não faziam tudo sozinhos? Ela passava com Papai Noel pelos corredores até chegar em um enorme hangar em uma das pontas da oficina, onde vários duendes já partiam para diversos pontos do mundo, com os trenós cheios de presentes. A unicornio e o Papai Noel se dirigiram para a plataforma principal, onde estava estacionado seu trenó particular.

O velhinho acomodava Twilight no banco do passageiro e subia no trenó. Era quase meia-noite, e os dois partiram.

Após mais ou menos uns 10 segundos de viagem, chegaram na primeira cidade. Lá, um senhor dormia na rua, passando frio, abraçado a uma garrafa. A rua estava fria, feia e triste, sem nenhuma luz ou cuidado.

Papai Noel descia do trenó, enquanto que Twilight, do banco do passageiro, observava Papai Noel tocar de leve a cabeça do mendigo, que se levantava após alguns instantes, com um sorriso. Começava a se dirigir para o albergue do outro lado da rua, onde as luzes acesas e os sons eram certamente bem melhores que a rua.

Twilight achava estranho, tentava perguntar algo, mas Papai Noel subia no trenó e acelerava novamente. O trenó subia, subia, subia até um ponto muito alto da cidade, na cobertura de um prédio.

Lá dentro, um outro senhor, mas diferente daquele que dormia na rua, com o conforto do lar, jantava sozinho uma ceia que parecia ter sido feita para 20 pôneis, rodeado de quadros caros, esculturas raras, talheres de prata e enfeites de ouro.

Nada na casa indicava que era Natal, tudo era muito escuro e pouco convidativo, de muitas maneiras parecido com o beco escuro onde o mendigo dormia.

Papai Noel se aproximava do homem e tocava-lhe no peito. No mesmo instante ele levantava da mesa, com um olhar determinado. Juntava toda a comida da mesa em cestos improvisados, ainda buscava mais coisas da dispensa e corria até o elevador.

Papai Noel e Twilight desceram no trenó, seguindo o pônei, que se dirigia ao mesmo albergue onde o mendigo entrou.

Do lado de fora, os dois olhavam para dentro do albergue. Lá, o pônei rico distribuía sua ceia, enchendo os pratos de todos, inclusive o do mendigo, que depois de um grande jantar começava a cantar para todos que lá estavam, com uma voz que espalhava alegria. Todos estavam muito felizes, e Twilight ficava igualmente feliz com o que via, mas outra dúvida acabava emergindo da unicórnio roxo.

Papai Noel, como você muda o comportamento dos outros? Com hipnose? Isso é certo?”

Papai Noel sorria. “De forma alguma, querida. Eu apenas desperto a bondade que existe em cada um.” Ele batia no ombro da pequena unicornio, ainda encantada com o que via. “Agora sim você entende o que eu faço, e a importância disso. Dar presentes qualquer um pode dar, mas o Natal serve para darmos esperança para quem tem pouco e bondade para quem tem muito”.

Depois de muitas viagens, a próxima foi exatamente para a casa da unicórnio roxo, onde o velhinho a deixava a tempo para a ceia com a família. Twilight observava da janela Papai Noel desaparecer em meio à neblina daquela noite, pensando em tudo em que ela havia passado e prometendo para si mesma que aquelas lembranças ficariam para sempre intactas em suas memórias.

Repentinamente, um unicórnio azul abria a porta do quarto de Twilight, enquanto dizia:

Aí está você, Twi!! Advinha só o que o Papai Noel lhe trouxe de presente!!”

E então seu pai entrava no quarto com uma boneca novinha, do jeito que Twilight queria.

Com um largo sorriso, a pequena unicornio roxo olhava para o pai enquanto dizia:

“Isso não é nada pai, você tem que ver o presentão que o Papai Noel me deu esse ano!”

Fonte: http://www.refletirpararefletir.com.br

Fanfics estrangeiras

Como despertar a magia

coins
Ilustração: http://boneswolbach.deviantart.com

Autor: Joseph Saltourn

Certo dia um grupo de unicórnios perguntou para a Princesa Twilight Sparkle qual seria o caminho para revelarem a magia interior que cada um possuía.

A resposta pegou a todos de surpresa. Para ajudá-los a compreenderem, a alicornio roxo deu um pequeno exemplo relativo ao propósito da existência da vida de cada um e o caminho para revelarem:

“Imaginem a seguinte cena,” ela disse. “Sobre a mesa de um escritório estão 100.000,00 em dinheiro vivo.”

“Cenário 1: Um pônei passa e vê o dinheiro. Ele verifica se há alguém por perto. Então embolsa o dinheiro e escapa como um bandido.”

“Cenário 2: Um pônei passa e vê o dinheiro. Ele começa a tremer, cheio de medo ante a perspectiva até de tocar no dinheiro, o qual ele deseja, mas tem medo de ser pego. Deixa o dinheiro onde está e corre do local como um coelho assustado.”

“Cenário 3: Um pônei passa e vê o dinheiro. Ele verifica se alguém está olhando. Então ele embolsa o dinheiro e começa a fugir. Aí ele para. Tortura-se por um momento. Então decide não fazer aquilo. Recoloca o dinheiro sobre a mesa e vai embora.”

“Cenário 4: Um pônei passa e vê o dinheiro. Pega tudo imediatamente, guarda dentro de uma pasta, tranca a pasta e a leva para as autoridades com segurança. Deixa um bilhete sobre a mesa do escritório dizendo que se alguém perdeu uma soma grande de dinheiro, poderia ligar para ele. Se o pônei for capaz de identificar a soma, ele virá com as chaves da pasta e acompanhará o pônei até a polícia para devolver o dinheiro.”

“Qual das quatro hipóteses acima revela mais Luz para si mesmo e para o nosso mundo?” Perguntava Twilight. “Vamos examinar de forma breve cada cenário para encontrar a resposta.”

“Cenário 1: o pônei é governado pela sua reatividade, natureza instintiva do desejo de receber que diz a ele para pegar o dinheiro e correr. Ele simplesmente reage ao seu desejo de ficar com o dinheiro para si. Comportamento reativo que não produz Luz.”

“Cenário 2: neste caso o pônei também está meramente reagindo ao medo de ser pego e ao seu instinto natural de ficar amedrontado até com ideia de roubar algum dinheiro. Deixa o edifício com a mesma natureza com que entrou. Não produz nenhuma Luz.”

“Cenário 3: esse pônei inicialmente reage ao seu desejo de pegar o dinheiro. Mas então ele interrompe a reação. Ele a elimina. Indo então, contra todo seu instinto inicial, ele transforma sua natureza e nesse instante devolve o dinheiro. Sua transformação de reativa para pro ativa revela a medida de Luz espiritual apropriada.”

“Cenário 4: este pônei já está num estado pro ativo mentalmente em relação a furtar o dinheiro de alguém. Nenhuma mudança de natureza ocorreu. Ele continua o mesmo pônei que era quando entrou na sala pela primeira vez. Seu comportamento, neste caso, não produziu Luz. É claro que esse pônei ainda pode revelar Luz nesse caso, se após devolver o dinheiro ele não reagir ao seu ego o qual agora diz a ele que pônei fantástico e honesto ele é.”

“Espiritualmente falando, ele precisa entender que não fez favor nenhum a ninguém, mas a si mesmo, criando uma situação de parar sua reação de se orgulhar e ao invés disso, ser mais humilde e agradecer a oportunidade que teve de se comportar espiritualmente. O mais importante a entender sobre o que foi dito até agora, é que tudo isso não tem a ver com princípios morais, éticos ou altruístas. Isso tem a ver com você, com o que é bom para você, com o que gera Luz espiritual para você, e somente do espírito que pode vir a magia, seja ela de que tipo for.”

Fanfic

Eu sou capaz

sejaforte
Ilustração: Drason

Duas crianças estavam patinando num lago congelado em Ponyville. Era uma tarde nublada e fria, e as crianças brincavam despreocupadas. De repente, o gelo se quebrou e uma delas caiu, ficando presa na fenda que se formou.

A outra, vendo sua amiguinha presa e se congelando, tirou os patins e começou a golpear o gelo com todas as suas forças, conseguindo por fim quebrá-lo e libertar a amiga.

Quando vários pôneis chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram à pegasus cinza:

Como você conseguiu fazer isso? É impossível que tenha conseguido quebrar o gelo, sendo tão pequena e com cascos tão frágeis!

Nesse instante, Twilight Sparkle que passava pelo local, comentou:

– Eu sei como ela conseguiu. Todos perguntaram:

– Pode nos dizer como?

– É simples, respondeu Twilight.

– Não havia ninguém ao seu redor, para lhe dizer que não seria capaz. “Deus nos fez perfeitos e não escolhe os capacitados, capacita os escolhidos”. Fazer ou não fazer algo, só depende de nossa vontade e perseverança.

Conclusão: Preocupe-se mais com a sua consciência do que com a reputação, porque a consciência é o que você é, e sua reputação é o que os outros pensam de você. Mas o que os outros pensam é problema deles.

Baseada no conto “A lógica de Einstein”

Vídeos

[Vídeo] Cenários animados de Equestria com música relaxante

Já viu alguma animação no youtube tocando uma música calma acompanhada do som e vídeo da correnteza dos rios, barulhos da natureza, tudo para relaxar? Se você gosta de ver vídeos como esses de vez em quando, agora também pode apreciá-los com cenários de Equestria! Tenho todos esses vídeos separados, caso alguém se interesse em colocar suas próprias músicas. Essa animação também está disponível no EQD.  Enjoy!