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O Pônei de Oasis – Parte IV

 

oasis
Ilustração: Drason

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Autor: ROBCakeran53

Tradução: Drason

SINOPSE: Equestria ainda estava sendo reconstruída após a derrota de Tirek, e as seis novas governantas de Ponyville ajudando em sua reconstrução. Tudo mudou de maneira inusitada quando a Princesa Celestia entregou a elas uma carta descrevendo acerca das façanhas realizadas por um único cidadão da cidade de Oasis conhecido como Senhor Baker, e a forma como superou Tirek. Com a missão de descobrir se os relatos eram verdadeiros, as seis pôneis devem ir até a referida cidade para investigar. No entanto, elas irão descobrir que o Senhor Baker não era exatamente quem ou o que elas esperavam.

Rarity e Fluttershy desciam a escada que levava até a sala de jantar de Sunny Side, onde já havia vários pôneis se servindo do café da manhã.

“Bom dia, queridas. Dormiram bem?” Sunny Side perguntava atrás do balcão.

“Sim, tão bem quanto pudemos.” Rarity rolava seu ombro. “Eu não sabia que colchões de palha ainda estavam em uso.”

Eu dormi bem, obrigada Sunny.”

Rarity rolava seus olhos para Fluttershy.

“Tem mais alguém que irá se juntar a vocês duas para o café da manhã ou devo preparar uma mesa só para ambas?” Sunny Side perguntava enquanto pegava o cardápio.

A maioria das mesas estava ocupada, e as poucas livres eram pequenas demais para seis pôneis. Com sorte, o bar ainda não estava cheio, então Fluttershy e Rarity tomaram seus assentos por lá.

Rarity pegava o cardápio, olhando por cima dele na direção das escadas. “Elas deverão descer logo. Twilight ficou acordada até tarde lendo aquele livro enorme que Thomas deu a ela.”

“Sim, ele e Bob trabalharam muito naquela coisa.”

“Bob? Ele é seu marido, certo?” Fluttershy perguntava.

“Eyup. Completou seis anos no mês passado. Que jeito horrível de se comemorar nosso aniversário.” Sunny folheava um bloco de notas. “Então, o que vão querer?”

“Um copo de sopa para mim, por favor,” Rarity respondia, colocando o cardápio na mesa.

“O mesmo para mim, por gentileza.” Acrescentava Fluttershy.

“Hoje teremos nossa especial sopa de ervilhas, espero que gostem.” Sunny retornava para o balcão.

“Certamente, obrigada.”

“Novo pedido, Bob,” Sunny o chamava através da janela de serviço.

Um casco negro surgia da janela pegando as anotações e então desaparecia novamente.

“Então, seu marido é o chef?” Rarity perguntava.

Sunny ria. “Eu não iria tão longe a ponto de chamar ele de…”

De repente surgia um gemido da cozinha.

Sunny sorria. “…mas sim, ele prepara a maior parte das refeições. Também administra o bar nos finais de semana. A maioria dos bêbados acabam se comportando bem sabendo que o administrador do bar tem o dobro do tamanho deles.”

“Soa muito como meu irmão Big Mac.”

A conversa delas era interrompida enquanto se viravam para verem Pinkie Pie saltando escadas abaixo com uma impossível cambalhota. Ela era lentamente seguida pela exausta Rainbow Dash que parecia ter acabado de acordar, e finalmente Applejack, ajudando uma relutante Twilight a terminar os últimos degraus da escada.

“Nas reuniões de família, meu irmão Big Macintosh serve cidra para os adultos.” Applejack sorria para Sunny, e pegava um assento situado no lado oposto do bar.

“Bem, pelo menos é de família. Mas aqui estou li dando com um bando de folgados que não querem nada com nada e ainda achando que me elogiar irá isentá-los de pagar a conta.”

Elas ouviam uma risada vindo da cozinha.

“Oh, silêncio aí.” Sunny arremessava uma toalha de prato na janela de serviço. “Aliás, o que o resto de vocês vão querer para o café da manhã? Essas duas assíduas pediram nosso prato especial de sopa de ervilhas.”

“Sopa de ervilhas? Primeiro aquela torta vegetariana, e agora sopa de ervilhas? Isso é quase como se tivesse tentando me fazer ficar doente,” Applejack dizia.

“Bem, eu poderia usar algumas maçãs daquela árvore que você trouxe.”

Applejack piscava, então seus olhos arregalavam. “Oh céus, eu me esqueci completamente daquela macieira. Com tudo o que aconteceu ontem, bem, foi muita coisa pra minha cabeça.”

“Com todas nós, Applejack.” Rarity dizia.

Um sino tocava na janela de serviço. Cuidadosamente, Sunny colocava os copos de sopa na frente de Fluttershy e Rarity.

Rainbow Dash respirava fundo. “Hmmm, isso parece bom.”

“Nem me diga! Vou pegar duas tigelas de sopa!” Pinkie Pie exclamava.

Todas olhavam para a pônei rosa.

“O que? Eu estou com fome.”

“Bob, mais três copos e duas tigelas,” Sunny gritava de volta, então retornava para Applejack. “Não se preocupe sobre a árvore Applejack. Bob está cuidando bem dela e já a regou hoje cedo.”

“Bem, nesse caso, obrigada Bob!” Applejack gritava. “Aquela árvore é para a cidade de qualquer maneira, então podem pegar quantas maçãs quiserem.”

Um casco negro balançava na janela tomando a atenção de Applejack. Ela se virava para ver melhor, mas o casco já havia sumido de sua vista.

“Isso é muito amável de sua parte Applejack, obrigada,” Sunny dizia, então se virava na direção da alicornio sentada no meio do grupo, “Então, como está o livro?”

Twilighr olhava para cima. “Hum? Oh, isso é… interessante, para dizer o mínimo. Há muitas coisas aqui que eu legitimamente não entendi nada, por simplesmente não fazer nenhum sentido. Alguma coisa no começo, sobre um Big Bang” é ridículo.

“Bem, Tom não é daqui. Muitas coisas sobre ele não fazem muito sentido mesmo.”

“Como o que?”

Sunny ria, “Você verá conforme for lendo.”

Twilight gemia, batendo seu rosto no livro como uma resposta frustrada.

Rarity colocava a colher ao lado de sua xícara já vazia. “Eu devo dizer, a sopa estava excelente Sunny. Meus cumprimentos para o chef.”

“Ouviu Bob? Você ganhou um elogio!”

O casco de Bob batia no sino poucas vezes em sinal de aplauso.

Applejack olhava para o casco de Bob. Alguma coisa não parece certo, mas o que é?

“Bem, Fluttershy e eu temos que ir. Sunny, será que Thomas já levantou nesse horário?

“Está brincando? Ele é o mais adiantado nessa cidade! Há uma razão para não termos nenhuma minhoca faltando.“

“Ele come minhocas?” Pinkie Pie perguntava.

Novamente, todas as pôneis olharam para ela.

“O que? Essa pergunta é séria.”

“Vocês não estão planejando prendê-lo, estão?” Perguntava Sunny.

“Oh, você ouviu algo sobre isso?” Twilight perguntava com as orelhas achatadas.

“Não exatamente, mas você impressionou o prefeito e o carteiro de uma forma que eles não deixaram suas casas desde ontem à noite.”

Twilight suspirava. “Eu devo me desculpar com eles por aquilo tudo.

“E quanto ao Sherife?” Rainbow perguntava.

“Copper Top?” Sunny ria. “Será necessário mais do que uma princesa para assustá-lo.”

Twilight encolhia com o comentário, mas deixava passar.

“Vamos indo, Fluttershy. Não temos o dia todo. Eu gostaria de começar do zero com o Senhor Baker.” Rarity ficava de pé na frente de seu assento.

“Oh, se for necessário…” Fluttershy levantava de sua cadeira.

“Vocês duas vão ver Tom?” Sunny perguntava. “Mesmo depois dele ter dado aquele livro?”

“Você fala como se isso não fosse uma boa ideia,” Dizia Rarity.

“Ninguém realmente chegou a ler o livro inteiro, com exceção de Bob, mas isso foi porque ele ajudou a escrevê-lo.”

“Porque ele é muito longo?” Perguntava Rainbow.

“Não por isso, mas porque o livro é muito chato, entediante,” Dizia Sunny.

Uma toalha de prato voava para fora da janela de serviço.

“Não é culpa sua se você escreveu daquele jeito, Bob.”

“Eu realmente não achei o livro entediante,” Twilight dizia. “Na verdade, ele é totalmente detalhado sobre os aspectos da cultura de Thomas que é um tanto interessante, como o fato de que é de costume deles andarem sempre com roupas.”

“Como disse, entediante.” Sunny colocava a toalha de cozinha no balcão. “Bem, se vocês garotas vão ver Tom, eu posso acompanha-las, no caso dele resolver bater a porta na cara de vocês.”

“Oh, nós apreciaríamos muito, Sunny,” Dizia Rarity.

“Bob trará as sopas de vocês assim que estiverem prontas.” Sunny saía do balcão, se juntando à Rarity e Fluttershy enquanto elas caminhavam. “Voltarei daqui a pouco, Bob! Tente não ser preso pela princesa!”

O casco negro balançava preguiçosamente na janela de serviço antes de desaparecer de novo. Novamente, Applejack olhava até a janela de serviço com uma sensação desconfortável em seu estômago.

Depois que as três pôneis saíram, Applejack se virava para suas amigas, agitada pelas suas preocupações anteriores. “Então Twi, fazendo algum progresso? Sei que você já leu muito, mas encontrou algo útil?”

Twilight não tirava os olhos do livro enquanto respondia. “É bastante útil conhecer sua cultura, mas o Thomas Baker pessoalmente? Não vi nada até agora. Este livro está mais para uma enciclopédia do que uma autobiografia dele.”

“Então você está dizendo que esse livro não está ajudando como deveria.” Rainbow olhava o livro com uma expressão entediada, com seu queixo descansando em um casco.

Twilight finalmente tirava os olhos do livro e olhava para Dash. “Eu não diria exatamente isso, mas muito do que está aqui me faz hesitar para acreditar em uma única palavra dele. Aqui fala de tecnologia avançada, máquinas, combustíveis fósseis, e blá, blá, blá. Muita coisa para assimilar, especialmente sem nenhum conhecimento prévio do que diz aqui.” Um casco negro colocava uma xícara de sopa na frente de Twilight. “Oh, obrigada,” Twilight olhava de volta para o livro.

“Embora eu tenha lido apenas um quarto deste livro, posso seguramente afirmar que se alguma coisa descrita aqui for real, então o Senhor Baker não é sequer de Equestria. Já cheguei a fazer muitas pesquisas sobre outros territórios, e nenhum deles fala sobre esse lugar chamado de Estados Unidos, ou a região norte dele conhecida como Canadá.”

Twilight levitava uma colher, mergulhando ela em sua xícara de sopa, assoprava ela, e experimentava. “Nossa, isso é bom,” ela olhava de volta para Rainbow Dash. “E então acabei achando algumas semelhanças. Ambos temos eletricidade, embora se comparado aos exemplos do livro, a nossa ainda é primitiva. Ambos temos locomotivas a vapor, embora para eles isso agora é só uma peça de museu já que agora eles utilizam motores mais modernos movidos a gasolina e diesel, seja lá o que isso for.”

Twilight pegava outra colher de sopa. “Uau, isso é realmente bom. Applejack, sua família pode ter uma competição séria aqui,” ela brincava, olhando para sua amiga, somente agora percebendo o quão quietas todas elas estavam, ela pelo menos esperava alguma reação de Rainbow Dash agora depois da conversa. Applejack estava olhando para frente, com os olhos apertados. Ela nem havia tocado na sopa ainda. Pinkie Pie ao lado dela já estava em sua segunda tigela.

Ela olhava para sua esquerda, onde Dash havia começado a comer, mas agora partilhando de um comportamento semelhante ao de Applejack. “Algo errado garotas?” Twilight perguntava.

O changeling chamava suas atenções enquanto ele pegava um copo sujo, cuspia nele, e então o enxugava, colocando ele junto com outros copos mais “limpos”. Ele pegava outro copo sujo, percebendo os olhares chocados, assustados e possivelmente hostis das quatro pôneis. Ele não tinha um sorriso de início, mas sua expressão neutra se deslocava para uma carranca.

Então naturalmente foi até Pinkie Pie quebrar o silêncio constrangedor.

“Bob, pode me dar outra tigela por favor?”

Rarity e Fluttershy deixavam Sunny Side guiá-las até a loja de Thomas, jogando conversa fora entre elas. Algumas perguntas sobre Tom eram evitadas como antes, então Rarity tentava outro meio.

“Então, há quanto tempo seu marido e Thomas são amigos?”

Sunny normalmente parava por um segundo, olhando de volta para Rarity, mentalmente julgando se esse seria algum tipo de truque para deixar escapar qualquer informação sobre o carpinteiro. “Oito anos, se não me falha a memória. Por que?”

“Bem, Bob ajudou Thomas a escrever seu livro, não foi? Imagino que eles sejam amigos por um bom tempo então.”

“Imaginou como?”

“Aquele é um livro bem grande, e bem confeccionado. Deve ter levado um bom tempo para finalizá-lo.”

“Três anos, na verdade.” Sunny começava a caminhar novamente. “Quando se trata de um trabalho literário, Bob é um tanto perfeccionista. Foi Bob que deu ao velho Thomas a ideia de escrevê-lo.”

“Então pelo que entendi eles são mesmo bons amigos, não?”

Sunny suspirava. “Melhores amigos na verdade. Ambos passam por algumas situações difíceis, mas é através delas que eles ajudam um ao outro.”

“Mesmo?” Rarity olhava para Fluttershy, que observava a estrada suja pela qual caminhavam.

“Tom esteve aqui apenas por alguns anos quando eles se conheceram. Até então a maioria de nós habitantes da cidade tínhamos aceitado Tom como um dos nossos, porém demorou um pouco mais para o Bob. O próprio Tom ajudou a melhorar essa relação, auxiliando Bob com qualquer trabalho que o Senhor Fixit o designava.”

“O Senhor Fixit foi o primeiro dono da loja, correto?” Rarity perguntava.

“Isso mesmo. Os Fixits foram os primeiros a se relacionarem bem com Tom. Foi muita coincidência o próprio Tom ser um carpinteiro e encanador em seu antigo trabalho antes de vir parar aqui, então ele se adaptou naturalmente com eles. Ele tinha um carinho especial da Senhora Fixit; não faria nada ousado ou impróprio ao redor dela. No mesmo segundo em que você viesse a insultá-la ele partiria na defesa dela te estrangulando.” Sunny ria.

“Metaforicamente falando, certo?” Rarity perguntava.

“Isso, Tom teve alguns problemas em seu tempo. Se você se depara com ele estressado, ele chuta seu flanco. Sempre que há problemas na cidade em que necessita de músculos nós chamamos Tom e Bob para lidar com eles. Entre os dois tudo se resolvia,” Sunny deixava sair um longo suspiro, “ou pelo menos, em noventa por cento dos casos.”

“Tirek?” Fluttershy perguntava mansamente.

Sunny cuspia na estrada. “Sim, ele.”

As três pôneis se aproximavam da varanda, com Sunny parando enquanto ela se virava para Rarity e Fluttershy.

“Então, o que é que vocês vão tentar fazer?”

“Com Thomas?”

“Sim.”

Rarity sorria. “Bem, vocês vilarejos queriam que Thomas recebesse um ressarcimento por seus suprimentos usados nos reparos da cidade. Então nós precisamos analisar o caso e ver o quanto foi feito para calcularmos o valor do reembolso.”

Fluttershy olhava para Rarity com uma sobrancelha levantada. Rarity rolava seus olhos. “Existem alguns benefícios em dividir um quarto com Twilight, embora poucos.”

Rarity se voltava para Sunny. “E então há toda a questão da medalha. Não são todos os pôneis que conseguem uma. Elas são reservadas para pôneis, ou o que quer que sejam, que fizeram alguma coisa grande e heroica que beneficiou a todos, e não apenas a si mesmo.”

“Então você vai julgar seu caráter?” Ambas pôneis acenaram; Sunny ria. “Bem, ele é bastante complicado, boa sorte.”

As bocas de Rarity e Fluttershy afrouxavam enquanto Sunny Side caminhava e entrava pela porta escorada. Rarity e Fluttershy levaram um segundo extra para se recuperarem, então rapidamente a seguiam. O lugar estava praticamente o mesmo de ontem, embora houvesse uma anotação no balcão, avisando que ele estaria fora e voltaria mais tarde.

Sunny Side caminhava até a porta restrita para funcionários e entrava. Ela deixava a porta aberta, esperando que as duas a seguissem.

No local exclusivo para empregados, Rarity estava esperando se deparar com algum tipo de sala para armazenar suprimentos, onde ele tivesse diversas caixas empilhadas com materiais guardados. Ao invés disso, elas entraram em um local que mais parecia uma sala de carpintaria, com meia dúzia de cadeiras, cada uma diferente da outra em vários estágios de acabamento. Uma parecia ser o projeto de uma cadeira de jantar com braçadeiras fixadas em cola seca. A outra era uma cadeira de balanço, já envernizada.

O berço chamava a atenção de Rarity. Sunny caminhava até os fundos da loja, chamando o nome de Tom enquanto Rarity e Fluttershy ficavam para trás. Rarity caminhava até o berço, analisando os detalhes ponto a ponto. Esculturas únicas foram esculpidas ao longo de cada balaústre, parecidos com o da varanda de Sunny, porém muito mais finas.

Lá, preso na parte de trás, havia uma velha foto preta e branca envelhecida pelo tempo. Era de uma mãe e seu bebê, que combinava perfeitamente com o berço, embora agora faltando a arte detalhada como mostrava na foto. Rarity estava prestes a pedir para Fluttershy dar uma olhada na foto quando a porta pela qual haviam entrado se abria com o Senhor Baker entediado entrando com uma xícara de café em uma mão e uma ferramenta semelhante a uma faca na outra.

A decisão de Fluttershy foi a de rapidamente se esconder atrás de uma das cadeiras. Rarity teria se juntado a ela se o chão não estivesse coberto de pó de serra.

Thomas passava andando, nem mesmo olhando para o seu lado enquanto lentamente caminhava até o fundo da sala e colocava sua xícara de café em uma das cadeiras. Ele estendia a mão e apertava um botão em uma caixa preta, deixando escapar o som do violão que Rarity havia ouvido falar há algum tempo. Então as vozes começavam.

Era um rádio, embora parecesse bem mais moderno do que o do bar de Sunny. Não demorou nem um minuto para aquecer. O som não tinha chiado, estática, ou qualquer tendência a desvanecer-se como a maioria das rádios. A música era pura e limpa.

Thomas sorria para o rádio, então com a ferramenta nas mãos, ele começava a trabalhar na cadeira. Foi onde Rarity percebeu que não era uma faca, mas uma lima para suavizar os sulcos que foram esculpidos na cadeira. Fluttershy engatinhava, saindo debaixo do banco com sua pele e crina cheias de pó de serra e suas orelhas se contraindo com a música. Pouco tempo depois as duas estavam balançando suavemente com a música.

Foi o momento perfeito para Sunny interromper a calma enquanto ela caminhava dentro da sala através de outra entrada.

Três coisas aconteceram de uma só vez: Thomas pulou, derrubando sua xícara de café no chão que se reduzia a cacos, o rádio mudou de faixa, fazendo um ruído antes de sintonizar outro canal, e Fluttershy voltava para debaixo do banco.

“Oh, aí está você Tom! Estive te procurando.”

Thomas levava uma das mãos em seu peito, com a outra segurando com força uma ferramenta.

“Jesus Cristo, Sunny. Pra que entrar assim?” Thomas expirava, levando sua mão no peito até seu cabelo.

“Bem, para fazer seu coração bater mais forte e melhorar sua disposição.” Sunny ria.

“Oh, muito engraçado.” Thomas olhava para baixo para ver o que sobrou de sua xícara e do café derramado. Ele apertava um botão em seu rádio, o desligando, então olhava de volta para Sunny. “A que devo a honra dessa visita tão cedo? A cidade mal acordou, não está servindo café da manhã hoje?”

“Bob está cuidando disso pra mim.”

Thomas piscava, olhando para Sunny como se ela fosse boba. “Você deixou Bob sozinho, cuidando do bar, com a princesa de Equestria? Sunny não estou dizendo que foi a coisa mais estúpida que você já fez, afinal é casada com ele, mais ainda assim.”

“Ele vai ficar bem.”

Um som estrondoso de “boooom” sacudia o estabelecimento, fazendo o pó de serra que cobria os lampiões pendurados no teto e outros móveis se espalharem pelo ar.

Thomas franzia.

“Certo, talvez não. Provavelmente eu deveria voltar lá antes que o pior aconteça. Sunny batia na perna de Tom com sua calda enquanto ela corria. “Oh Tom, como eu amaria envenenar seu café da manhã.”

“Pelo menos iria dar mais tempero na sua comida!”

Sunny ria, então se virava para Rarity. “Vocês ficarão bem, queridas, então divirtam-se!” Sunny corria para fora da porta.

Foi então que Rarity percebeu que Thomas estava olhando diretamente para ela.

“Oh, hum, olá de novo, Senhor Baker.”

“Apenas Thomas, senhoria Rarity.”

“Então é apenas Rarity, Thomas.”

Os dois mantinham olhares por mais alguns segundos, antes que Fluttershy mansamente saísse debaixo da cadeira feita por Thomas.

“Oh, olá para você também, tem mais alguém escondido aqui?” Thomas olhava embaixo de sua cadeira.

“Não Thomas, apenas nós duas. Nós viemos ver se havia alguma coisa em que pudéssemos ajudar, certo Fluttershy?”

A pegasus amarela acenava levemente.

A expressão de Thomas era de alívio. “Aprecio a oferta, mas estou bem, obrigado.”

“Bem, você deve ter companhia com esse trabalho, a julgar pela placa restrita a funcionários lá na porta. Eu posso não ser uma mestre em carpintaria como você, mas tenho me envolvido nessa atividade com alguns clientes recentemente.”

Thomas caminhava para outro canto da sala, pegando uma vassoura e um espanador. “Se eu quisesse ajuda, eu contrataria alguém.”

Thomas se virava, e Rarity já estava levitando um pano com sua magia para limpar o café derramado. Ele só podia torcer para que ela não estivesse usando um de seus panos limpos.

“Então talvez você precise de algumas roupas sob medida?”

“Nós temos um alfaiate, eu estou bem.”

“Bem, talvez…”

Thomas erguia um dedo. “Olha, sei o que você está tentando fazer e falhando. Pode parar de rodeios e ir direto ao ponto.”

As orelhas de Rarity dobravam. “Bem, é que, nós queríamos saber… sobre um certo aspecto de sua espécie.”

“Eu lhes dei o livro, é só olhar nele.”

“Bem, isso estava preocupando Twilight, porque ela ainda não achou a resposta no livro.”

“Mas quando encontrar, e provavelmente vai, ela pode se acalmar e parar de mandar suas amigas tentar obter a informação de mim.” Thomas começava a varrer os pedaços da xícara, agora secos graças à Rarity.

Enquanto os dois discutiam, Fluttershy chegava mais perto, examinando Thomas enquanto ele falava. Finalmente, ela andava até Thomas enquanto ele estava ajoelhado varrendo os cacos de porcelana para dentro de uma panela.

“Abra sua boca, por favor.”

Rarity e Thomas imediatamente ficavam em silêncio, olhando para a pegasus confusos.

“Perdão?” Thomas perguntava, mais surpreso do que aborrecido.

“Hu, se você não se importa, eu gostaria de ver seus dentes, por favor,” Fluttershy respondia.

Thomas olhava de volta para Rarity com um olhar de interrogação. Ela dava de ombros. Thomas rolava seus olhos, então abria a boca. Fluttershy analisava o interior dela, acenando em seguida.

“Obrigada, isso responde minha pergunta.”

“Só isso? Não vai querer me fazer tossir e tirar minha roupa?”

Fluttershy ficava com o rosto vermelho, então Rarity tirava a atenção de sua amiga.

“Bem, é que na noite passada as opções do cardápio do restaurante de Sunny Side nos pegou de surpresa.”

Thomas sorria, mostrando seus dentes. “E vocês não fugiram da cidade? Então onívoros não deve ser uma coisa nova pra vocês duas.”

“Já conhecemos alguns griffons com esses hábitos alimentares, então não.” Rarity dizia.

“A pergunta de vocês era essa então? Em que consistia minha dieta?”

“Bem, essa foi a pergunta urgente.”

Thomas se virava para Fluttershy. “Onívoro, o tipo que como qualquer coisa que é jogado na frente dele. E daí, você é uma dentista ou algo assim? Pode dizer qual é a minha dieta apenas olhando meus dentes?

“Oh, hum, não. Na minha casa eu cuido de muitos animais, então me acostumei a identificar o que eles comem apenas analisando os dentes.”

Thomas realmente se animava com isso, pegando uma pequena pá e despejando seu conteúdo em uma lata de lixo. “Então você é como um veterinário, certo?”

“Bem, eu não sou formada em veterinária, então tecnicamente não…”

“Isso é perfeito então. Eu sempre detestei pessoas formadas. Só porque eles têm diplomas não quer dizer que sejam espertas o suficiente para compreenderem a natureza de seus ofícios.” Thomas caminhava até a cadeira de balanço, passando os dedos em um dos apoios de braço. “Sabe, você pode realmente ser capaz de me ajudar no final das contas.”

Rarity e Fluttershy dividiam olhares, então se voltavam para Thomas. “Mesmo?”

“Veja, enquanto toda aquela besteira do Tirek estava acontecendo e eu estava ocupado, não fui realmente capaz de manter um olho sobre os gatos da Senhora Fixit. Um deles parece doente, eu acho.”

Fluttershy dava um passo à frente. “Doente? Como assim?”

“Bem, um de seus olhos não abre por inteiro. Eu só tinha um animal de estimação em constante crescimento e que era um comedor de algas que sobreviveu em meio aos mais de vinte peixes dourados. Provavelmente ele ainda está vivo. Então quando o assunto é gato eu realmente não entendo nada. Pensei em mandar um telegrama para alguns veterinários de Manehattan já que eu conheço alguns por lá, mas se você é familiarizada com animais de estimação, acho que poderia dar uma olhada então? “

Fluttershy sorria com orgulho. “Claro, com certeza. Deixe-me voltar e pegar meu alforje, vou ser rápida.”

Antes que alguém pudesse dizer algo, Fluttershy já estava passando pela porta de saída, deixando um rastro de pó de serra. O que veio depois foi um embaraçoso silêncio, embora Thomas ainda estivesse se mantendo ocupado.

“Então, o nome senhora Fixit me soa familiar,” Rarity finalmente quebrava o gelo… de novo.

“Bem, conhecendo Sunny Side, ela provavelmente mencionou o nome Fixit. Senhor Fixit era o proprietário original deste estabelecimento, e o carpinteiro da cidade. Sua esposa ainda mora em sua casa, sozinha, com meia dúzia de gatos. Não tenho ideia de onde eles vieram.”

“Oh sim, Sunny estava falando brevemente sobre isso. Ele deixou o estabelecimento pra você?”

“Por aí.”

“Por aí?”

Thomas parava de mexer em um bloco de madeira, olhando Rarity de cima a baixo, julgando mentalmente sobre o que ele poderia ou deveria dizer. “Tecnicamente, ele deixou tudo para sua esposa. Eu ofereci comprar tudo, mas ela se recusou e insistiu em dar o estabelecimento para mim.”

“Ela deu este lugar para você?”

Thomas encolhia os ombros. “Pôneis, vocês são todos confiantes e felizes e querem fazer todos ao redor terem o mesmo sentimento. Então, como pagamento,” Thomas gesticulava seus dedos em um estranho gesto de palavra, “Eu geralmente ajudo a cuidar de sua casa. A visito frequentemente, ajudo com o que quer que ela precise, bem como conserto o que precisa de reparos ou reforma.”

Então Thomas pegava a cadeira de balanço, a colocando em um carrinho de mão. “E hoje estou levando de volta para ela sua cadeira, totalmente renovada e pronta para outra década de desgastes.”

“Bem, você faz um trabalho amável, devo dizer.”

Thomas balançava uma mão. “Eu não construí essa cadeira, Senhor Fixit fez ela como presente de aniversário há poucas décadas atrás. Apenas passei uma outra camada de verniz e endireitei as partes tortas.”

“Bem, ainda assim, expõe o seu talento. Aquele berço por exemplo.” Rarity se virava até ele.

Thomas olhava também, então rapidamente corria para pegar um lençol e o cobria. “Sim, bem, não diga uma palavra sobre esse berço para qualquer um.”

“Por que não deveria? A confecção dele está indo muito bem.”

“Porque é segredo e a última coisa que preciso fazer é abastecer os moradores dessa cidade com fascínios me elogiando por besteira…”

Antes que Rarity pudesse perguntar mais, Fluttershy retornava com um par de alforjes e um grande sorriso. “Tudo bem, estou pronta.”

“Certo.” Thomas pegava uma pequena caixa de ferramentas e a colocava no carrinho de mão, logo em seguida ele abria facilmente um grande conjunto de portas de seis pés de largura, conduzindo o carrinho para fora, atrás da loja.

Thomas pegava o carrinho de mão, tendo ainda que se curvar para baixo e empurrá-lo para fora com Rarity e Fluttershy logo atrás. Algumas coisas imediatamente chamavam a atenção da unicórnio branca.

“Aquela é a carruagem de Trixie?”

“Sim, infelizmente. Presumo que vocês duas já conhecem a senhorita arrogante?”

Rarity ria. “Oh sim, nós vimos ela ontem à noite. Na verdade nós temos uma história com ela, a partir de algumas ocorrências em nosso passado.”

“Na verdade não chega a ser algo novo.” Thomas continuava caminhando passando pela carruagem de Trixie. “Você ficaria surpresa em saber como muitos pôneis que passam nessa cidade saem correndo assim que se deparam com ela. Para nossa sorte ela só costuma ficar por algumas semanas, meses, no máximo. Só que desta vez é um pouco diferente, porém.”

“Como assim?” Fluttershy perguntava.

“Bem, como ela mesma falou, um grupo de seis pôneis frustraram suas tentativas de riqueza e de fama e coincidentemente também destruíram sua carruagem.” Thomas parava, deixando o carrinho e mão. “Se algum dia eu descobrir quem são esses pôneis, irei fazê-los pagar.” Ele cerrava seu punho.

“P-pagar? Co-como assim?” Fluttershy gaguejava, tentando se esconder atrás de Rarity.

“Bem, desde que Trixie não pode pagar pelo conserto de sua carruagem, eles certamente poderão!“ Thomas pegava a carriola novamente. “Afinal, se o que ela disse é verdade, eles deveriam mesmo pagar pelos danos.”

Rarity e Fluttershy soltavam um suspiro de alívio, rapidamente se juntando ao Thomas enquanto ele continuava. Rarity queria perguntar sobre o outro estranho veículo com design único, mas preferiu deixar para mais tarde. Agora, uma outra pergunta mais importante surgia.

“Thomas? Vai ser quanto tempo de caminhada?”

Thomas olhava para Rarity. “Uma meia hora de caminhada. Se eu não estivesse empurrando esta carriola seria mais rápido.”

“Então você caminha em todo lugar?”

“Você pergunta como se isso não fosse uma coisa boa.”

“Não exatamente por isso, é que ouvi dizer que algumas casas ficam bem distantes da cidade.”

“Bem, normalmente eu dirijo por aí, mas sem gasolina ainda estou S-O-L.”

“Dirigir?” Fluttershy perguntava.

“S-O-L?” Rarity também perguntava.

“É uma longa história. Aquele livro irá explicar isso tudo, quando vocês o lerem inteiro eu preencho as lacunas das suas perguntas.”

“Bem, honestamente Twilight é a leitora, então ela é que irá preencher.”

“Típico.” Disse Thomas, deixando escapar uma risada.

“O que é tão engraçado?”

“Apenas me lembrou alguém.”

“Quem seria?”

O sorriso brincalhão na face de Thomas mudava para uma testa franzida. “Ninguém importante.”

Para o resto da caminhada, Rarity e Fluttershy permitiram a Thomas algum espaço para respirar enquanto ele liderava o caminho. Outros pensamentos e perguntas surgiriam das duas pôneis, mas para o resto da caminhada ele dava apenas respostas curtas e rápidas. Em pouco tempo uma pequena cabana ficava à vista.

“Aquela é a casa?” Rarity perguntava.

“Isso. Nós realmente fomos rápidos, ou vocês duas foram distração suficientes para não pensarmos sobre a caminhada.”

Thomas colocava a carriola próxima à parte da frente da varanda, onde costumava ficar a cadeira de balanço. Eles se aproximaram da porta de entrada, com Thomas colocando a reformada cadeira ao lado dela. Rarity observava compassiva como desgastado e cansado Thomas parecia. Provavelmente ele já estava cansado antes de sair com esse carrinho de mão, ela pensava.

Thomas levantava sua mão para bater na porta, mas antes mesmo de tocá-la uma voz o chamava.

“Thomas! A porta está destrancada, entre!”

As duas pôneis olhavam Thomas confusas enquanto ele sacudia a cabeça, então sussurrava, “Ela está sempre destrancada.”

Ele abria a porta, conduzindo as duas pôneis para uma simples sala da cabana. Não havia paredes separadas. A cama, cozinha, guarda-roupa, tudo se concentrava em uma enorme sala. Por mais desanimador que parecesse, a decoração, móveis e outros acessórios espalhados tornavam o local bastante confortável. Cada parte dos móveis era decorado com tecido costurado na frente e trás. Havia quadros com pinturas a mão nas paredes, fazendo Rarity se lembrar dos museus de arte de Canterlot.

O que mais chamava a atenção eram as prateleiras que alinhavam a “sala de estar”, cheias de pequenas estatuetas de pôneis.

“Eu estava começando a fazer um pouco de chá, você e suas amigas querem também?”

Rarity finalmente avistava a pônei em questão, de costas para eles em um fogão. Como ela sabia que estávamos aqui? Ela nem mesmo se virou.

“Eu adoraria, e tenho certeza que as duas também.” Thomas olhava Rarity e Fluttershy com uma expressão de expectativa.

“Oh sim, eu adoraria, obrigada.” Fluttershy confirmava.

“Então, quem são suas hóspedes de hoje Thomas? Não reconheço as vozes.”

“Rarity e Fluttershy, esta última uma vet…”

“Eu não sou uma…”

“Oh, isso é ótimo! Meus pobres gatinhos não tiveram um bom check-up desde que o doutor aposentou.

“Doutor? Seria um médico?” Rarity perguntava.

“Sim, o doutor era tanto médico como veterinário. Nunca consegui vencer a paranoia de que todos os seus termômetros se pareciam com o mesmo.”

Rarity e Fluttershy olhavam uma para a outra, mas se voltavam novamente para a Senhora Fixit andando com uma bandeja em suas costas. Suas asas estavam uniformemente espalhadas, embora um pouco trêmulas, e antes que as pontas das asas se chocassem com algum móvel, ela as ajustava para continuar em direção da “sala de estar”.

Foi quando Rarity ficou perto de engasgar, observando os olhos daquela pônei.

Eles estavam completamente limpos, não havia pupilas e a íris parecia estar quase ausente também.

“Thomas, querido, poderia?”

“Claro.” Thomas pegava a bandeja da velha pegasus, a colocando na mesa de café.

Usando suas asas, Senhora Fixit se ajustava para sentar em uma simples, mas confortável cadeira, aconchegando suas costas com alguns leves gemidos.

“Sintam-se à vontade! Sentem-se por favor!” Ela apontava para o sofá.

Thomas sentava no meio do sofá, Fluttershy no lado direito e Rarity no lado esquerdo. Seu desconforto era visível, mas as duas pôneis fingiam ignorar enquanto ele servia as xícaras de chá para todos. Rarity conseguiu evitar de comentar o fato de que as xícaras não combinavam com a cor dos pires.

“Então, fale-me de vocês! Devem ser muito especiais para Thomas trazê-las com ele.” Senhora Fixit dizia, tomando um gole de chá.

“Bem, hum, o que Thomas disse não é totalmente verdadeiro. Não sou formada em veterinária, embora sempre quisesse ser, mas eu cuido de todo tipo de animais, seja domésticos ou selvagens.” Fluttershy soprava sua xícara de chá e então tomava um gole para tentar acalmar a si mesma. “Tenho cuidado de animais desde que era criança, então adquiri muita experiência nessa área. Thomas, hum, disse alguma coisa sobre um de seus gatos estar doente.”

“Sim, é o Scrufflepuss, e não se preocupe querida, se Thomas confia em você então está tudo bem.”

Fluttershy olhava Thomas nervosamente, que apenas acenava. “É isso aí.”

“E quanto a você, querida? Estamos muito longe de Manehattan.”

Rarity foi pega de surpresa. “Oh, eu não sou de Manehattan.”

“Mesmo? Eu devo estar enferrujando. Costumava identificar a origem de um pônei apenas pelo seu sotaque. A exemplo de sua amiga Fluttershy, você tem a voz tão doce querida, estou sentindo fortemente que você é de origem Fillidelphiana, mas parece ter vínculo com alguma área rural, estou certa?”

Fluttershy piscava. “Nossa, é isso mesmo!”

Rarity se virava para sua amiga. “Você nunca me disse que era de Fillidelphia!”

“Ah, aí está!” Senhora Fixit sorria. “Pelo que posso ver agora ambas são da mesma cidade, não é?”

“Sim, Ponyville para ser exato.” Rarity mantinha seus olhos em Fluttershy, que tentava se esconder atrás do enorme corpo de Thomas.

“Você disse Ponyville? Eu me lembro dessa cidade. Pequena, elegante, tem as melhores maçãs de Equestria. Diga-me, a Senhorita Smith ainda mora lá?”

“Oh sim! Na verdade, uma de nossas amigas é neta dela.”

Senhora Fixit sorria. “Ela era uma pônei forte, nada a impedia de ficar de cabeça erguida, mesmo quando perdeu seu marido, pobrezinha.”

Fluttershy surgia do corpo de Thomas, olhando para Rarity. “Ela… eu não sabia disso.”

“Thomas, querido? Parede sul, terceiro quadro à esquerda.”

Thomas levantava, caminhando e puxando para baixo uma das muitas pinturas emolduradas. Em seguida ele passava o quadro para Rarity, que o levitava com sua mágica.

A ilustração era de dois pôneis e uma potranca.

“Esse é o rancho Maçã Doce!”

“Essa é a Vovó Smith?” Fluttershy apontava para a pônei mãe.

“Sim, essa foi a família mais hospitaleira que eu e meu marido já conhecemos em nossas viagens.”

Você viajava muito?” Fluttershy perguntava.

“Por toda a parte. Cada pintura que você observa nessa sala é dos lugares por onde passamos.”

“Você pintou todos esses quadros?”

Senhora Fixit deixava escapar uma risada antes de mudar um pouco sua posição na cadeira e levantar uma asa para mostrar sua marca especial: um pincel com asas.

“Eu também gostava de costurar, mas sim. Meu marido fazia esses quadros de madeira, e eu dava vida a eles.”

“Então vocês trabalhavam em equipe, adicionado ao fato de que viajavam muito, essa parecia ser uma vida adorável,” Rarity dizia, devolvendo o quadro para Thomas. “Applejack adoraria ver esse quadro também.” Mais para ver sua mãe também, agora sei que Big Macintosh herdou seus traços fortes.

“Thomas terá que trazê-la,” ela colocava sua xícara vazia na mesa ao lado do pires, mas parecia não se importar com esse detalhe. “Então, não quero desperdiçar o dia de vocês fazendo uma releitura do passado. Vamos ver se achamos os gatinhos.”

Após algum tempo examinando metade dos gatos, Rarity saía da casa, cansada, com sua crina um pouco bagunçada, mas feliz pelo pesadelo ter acabado. E ela se lembrando de sua gata Opal era doloroso. Imagine ter seis delas! Ela deixava Fluttershy checar os gatos restantes e saía para tomar ar fresco.

Em meio ao caos, ela perdia a localização de Thomas depois dele ter ido consertar uma porta do armário que estava caindo.

Shink, Shink, Shink.

Rarity olhava para cima, observando o humano sentado em um caixote de madeira ao lado das duas cadeiras de balanço. Em uma mão aparentemente uma faca normal, e na outra um bloco de madeira. Conforme ela se aproximava, o bloco de madeira realmente ia ganhando forma.

“Foi você que fez aquelas estatuetas de pôneis?”

Thomas desviava o olhar do bloco para Rarity, acenava, então voltava a se concentrar na madeira.

Rarity encontrava uma outra caixa de madeira e a arrastava para se sentar ao lado de Thomas, embora não muito perto com receio de perturbá-lo. Ela ficava admirada observando a escultura para o que antes era apenas um bloco de madeira. Às vezes parecia que ele estava raspando com a faca de forma aleatória, porém quanto mais ele continuava, mais a forma ia ficando nítida. Era um formato único, diferente das outras estatuetas. A estátua estava deitada sobre suas coxas, e a cauda enrolada em torno das pernas traseiras.

“Você está esculpindo a Fluttershy, não é?”

“Acertou.”

Ocorreu um silêncio por mais alguns segundos.

“Então, há quanto tempo…”

“Poucos meses depois do Senhor Fixit falecer, já deve dar uns três anos. Naquela época a visão da Senhora Fixit já estava apresentando problemas.”

“Ela foi uma adorável pintora em seu auge.”

“Sim.”

Novamente, o silêncio.

“Esta é a maneira como ela enxerga um pônei.”

Rarity piscava, retornando sua visão de volta para o humano. “Hm?”

Thomas levantava a estátua quase completa. “Eu costumava fazer esses brinquedos para algumas crianças da cidade, mas quando Senhora Fixit ficou cega, ela se esforçava para falar com outros pôneis. Ela sempre foi boa em identificar sotaques como você percebeu, mas para descrever alguém pela voz era um esforço muito grande. Um dia ela tropeçou em um desses brinquedos que eu tinha feito, e foi capaz de senti-lo e reconhecer quem era.”

“E isso me fez pensar. Se ela podia sentir e reconhecer instantaneamente quem era, então por que não fazer mais quando ela conhecer novos pôneis? Então é isso o que eu faço. Quando ela conhece alguém e gosta dele, eu faço um desses para que ela possa ‘enxergá-lo’ dessa maneira.”

“Você gosta muito dela, não é?”

Thomas voltava a talhar. “Sim, seu marido e ela foram os únicos que confiaram em mim quando cheguei aqui. Se não fosse por eles, eu poderia ter ficado perdido no deserto, e acabado morto por vá se lá saber que motivo.”

“Bem, tenho certeza que alguém mais o teria ajudado também.”

Ele riu. “Oh sim, você e a reação das suas outras amigas no nosso primeiro encontro deixou isso bem claro. Se o Sherife e o Prefeito não estivessem lá, tenho certeza que não estaria intacto como estou agora.”

Rarity encolhia, se recordando do primeiro encontro onde procurou por algum objeto próximo na sala para levitar e arremessar nele.

“Tem razão.”

Eles ficavam sentados em silêncio por mais alguns minutos, então Thomas se levantava e se espreguiçava.

“Bem, acho que está pronto,” ele dizia, entregando a estátua na direção de Rarity.

Gentilmente, ela levitava a figura com sua mágica e a trazia para perto dela. “Simplesmente perfeito, Thomas. Você enriquece seus trabalhos com muitos detalhes.”

Sim, bem, quando eu não estava ocupado com meus irmãos, eu passava o tempo brincando com blocos de madeira. Fiz muitos como sendo meus próprios brinquedos quando era jovem, simplesmente porque nada do que nosso pai comprava dava pra dividir. Para ser nosso nós tínhamos que fazer e comprar nós mesmos.”

A mente de Rarity ficava em chamas, essa frase simplesmente abria um leque para muitas perguntas, mas no momento ela só poderia compila-las. Perguntar a ele sobre coisas pessoais poderia acabar arruinando aquele momento.

“Bem, suas habilidades demonstram isso.” Rarity devolvia a estátua, que Thomas pegava cuidadosamente de sua mágica.

“Raios, nunca me acostumo com esse sentimento,” ele dizia, tremendo enquanto caminhava para dentro da casa. Quando ele retornou, estava com outro bloco de madeira nas mãos.

“Vai fazer outro?” Rarity perguntava.

“Claro, disse que faço os pôneis que a Senhora Fixit gosta.”

“Será eu?” Rarity colocava um casco em seu próprio peito.

Thomas ignorava a pergunta, virando-se junto com seu banco para Rarity. “Fique nessa posição.”

Assim fez Rarity, e Thomas começava o trabalho. Poucos minutos depois ela foi capaz de relaxar novamente, ele já havia memorizado a imagem que queria, e continuava. Para Rarity, era maravilhoso assistir um simples bloco de madeira ganhar forma a cada movimento da ferramenta que Thomas fazia.

“Seus irmãos devem ter inveja dessa habilidade.” Rarity chutava a si mesma em pensamentos. Oh, aqui vou eu estragando tudo.

Thomas não perdia o ritmo. “Até que não, meus irmãos usavam isso como desculpa para ficar com todos os brinquedos para eles. Meu pai era o único quem realmente apreciava.”

“E sua mãe?”

Thomas hesitava, mas continuava. “Ela faleceu quando eu tinha seis anos.”

As orelhas de Rarity murchavam. “Eu… eu sinto muit…”

“Foi há muito tempo atrás. Eu era novo demais para me lembrar de qualquer maneira.”

A porta se abria, com Fluttershy conduzindo Senhora Fixit com uma bandeja nas costas.

“Fizemos mais chá, caso vocês queiram,” Fluttershy dizia.

“Eu adoraria.” Rarity se virava para Thomas, que estava de pé. A forma como ele age e trata ela com amor… faz muito sentido agora.

Os quatro sentaram na varanda, com Thomas dando seu banco para Fluttershy e se sentando no chão. Ele continuava fazendo a estátua de Rarity, a Senhora Fixit cochilava em sua cadeira de balanço recém reformada, enquanto Fluttershy e Rarity continuavam maravilhadas com o trabalho de Thomas. Eles haviam perdido a noção do tempo, mas o sol estava se posicionando bem em cima deles dificultando um pouco a visão. A outra cadeira de balanço vazia rangia um pouco, influenciada por uma brisa suave.

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