O pônei de Oasis – Parte II

Ferramentas

CLIQUE AQUI PARA VER A PRIMEIRA PARTE

Autor: ROBCakeran53

Tradução: Drason

SINOPSE: Equestria ainda estava sendo reconstruída após a derrota de Tirek, e as seis novas governantas de Ponyville ajudando em sua reconstrução. Tudo mudou de maneira inusitada quando a Princesa Celestia entregou a elas uma carta descrevendo acerca das façanhas realizadas por um único cidadão da cidade de Oasis conhecido como Senhor Baker, e a forma como superou Tirek. Com a missão de descobrir se os relatos eram verdadeiros, as seis pôneis devem ir até a referida cidade para investigar. No entanto, elas irão descobrir que o Senhor Baker não era exatamente quem ou o que elas esperavam.

——

O trem foi longo e cansativo. Mais do que a viagem até Appleloosa, que tinha um pequeno povoado literalmente… em lugar nenhum. Twilight perguntava para si mesma como o trem se mantinha operando naquela região desértica.

Enquanto ocupada em seus próprios pensamentos, Applejack tossia. “Meu primo Braeburn me disse que há muitas caravanas que viajam por toda Equestria. De que maneira eles obtém seus proprios suprimentos? Provavelmente fazem a maior parte deles com os próprios cascos.”

Twilight acenava, olhando de volta para a janela, que era a coisa que ela mais havia feito nas últimas dezoito horas.

“Ainda estou surpresa que você trouxe uma árvore inteira para eles, Applejack.” A voz de Rarity atraía o olhar de Twilight para suas amigas. “Você nem mesmo sabe se tem algum Apple morando lá.”

Applejack riu. “Confie em mim quando digo que há muitos Apples lá fora, eu ficaria chocada se não houvesse pelo menos um na cidade. Mas mesmo que acontecesse de não existir, independentemente disso eu a entregaria. Tenho certeza que poderiam fazer bom uso dela.”

“Bem, pelo menos você está trazendo alguma coisa para ajudar,” Rainbow amuava, sentando-se em outro banco.

“Olhe docinho, não é culpa sua que eles ainda estejam tendo problemas com a máquina de fazer nuvens.  Quando estiver consertada você poderá trazer depois.”

“Sim, sim,” Disse Dash, acenando seu casco e olhando a janela. “Ugh, quanto tempo ainda vai durar essa viajem?”

Twilight esfregava os olhos e então pegava um mapa de seu alforge. “Bem, se meus cálculos estiverem corretos, mais ou menos uma meia hora.”

“Oh, finalmente! Vou poder descansar assim que encontrar um hotel,” disse Rarity, arrumando seus cílios com um espelho de bolso.

“No entanto, eu temo que isso não é tudo. O trem não vai parar na cidade, ainda teremos que caminhar uns oito quilômetros a partir da estação.”

Rarity abaixou o espelho. “Você não pode estar falando sério, né?”

“Eu disse para trazer seus sapatos,” afirmou Applejack, cutucando Rarity. Com isso, o último trecho do trem foi completado com as reclamações da unicórnio branca.

Com um solavanco final do trem, ele finalmente parava, com o vapor sendo liberado da chaminé. Twilight levitava a grande macieira de Applejack, e Rarity a bagagem de todos. Assim que saíram, o trem foi rápido ao partir, com o maquinista não querendo perder mais tempo no local em que não costumava passar com frequencia.

As seis pôneis olhavam ao redor e para a pequena plataforma feita inteiramente de madeira, bem como a pequena casinha situada nela. Para a surpresa de Twilight, realmente havia um pônei nela.

“Bem vindas a lugar nenhum,” dizia ele por meio de um sotaque nativo do local, com toda e qualquer emoção perdida em seu tom.

“Nós estamos, hu…” Twlight tossia com a poeira levantada pelo trem que persistia em ficar no ar. “Nós vamos para Oasis. Por acaso há alguma carruagem que possa nos levar até lá?” Perguntava a unicórnio roxo.

Ele imediatamente se animava, observando a coroa em sua cabeça. “Oh, Princesa Twilight Sparkle! Lamento por isso. É que… “ele tossia”, deixa pra lá. Na verdade, tem uma carruagem vindo para buscá-la, e estou surpreso que ainda não esteja aqui, certamente eles estão tentando esconder as últimas garrafas de cidras antes de vocês chegarem lá,” ele ria.

Twilight levantava uma sobrancelha, mas logo percebeu uma nuvem de poeira vindo na direção deles.

“Falando neles…”, disse o pônei da estação. Twilight apertava seus olhos, mal era capaz de ver o pônei puxando a grande carroça. “Oh, o pônei que vai puxar sua carroça é o Road Rage. Boa sorte.”

Antes que Twilight pudesse perguntar o porquê do “boa sorte”, o pônei puxava para baixo uma proteção de metal da janela, a trancando, e então caminhava para fora da pequena casinha. Depois, como um andarilho no deserto, ele simplesmente seguia em frente, nunca olhando para trás. Apenas andava para o que parecia ser uma direção aleatória.

A carruagem fazia uma parada abrupta, quase arremessando o pônei que estava dentro para a frente.

“Me ajude, Road Rage. Se você fizer isso com a Princesa Sparkle dentro desta carruagem, terei que jogar você em uma jaula por um mês!” A voz de dentro gritava.

“Sim, sim, entendi, Prefeito.” O pônei puxador olhava para as seis pôneis. “Oh, e por falar nisso.”

“O que o pônei dentro da carruagem quis dizer com essa frase?” Twilight pensava.

“O que? Oh Princesas!” O pônei gritava, saindo da carruagem. Sua gravata vermelha brilhante entrava em um confronto terrível com sua pele verde e crina dourada. “Não percebi que vocês já estavam aqui. Estranho, o trem estava…” ele olhava para o relógio dourado de bolso, “minha nossa, foi realmente pontual? Essa é a primeira vez.”

“Bem, tendo uma princesa esperando é bem óbvio,” Disse Rainbow Dash com um sorriso.

“Suponho que sim. Bem, por que vocês todas não entram e eu começarei as apresentações fora desse sol?”

Elas acenaram, e embarcaram na grande carruagem, Twilight colocava a árvore em cima dela, enquanto Rarity guardava as bagagens no porta malas. O prefeito foi o último pônei a entrar, mas não sem algumas palavras bem escolhidas.

“Road Rage, estamos tentando chegar lá vivos, então nada de gracinhas.”

“Sim, sim, entendi, senhor Prefeito. Segure sua gravata.”

“Eu o faria se não fosse a razão de você sair que nem louco.”

Road Rage revirava os olhos enquanto o Prefeito caía sentado bruscamente no banco após o solavanco.

“Perdoe-me, alteza,” disse o prefeito, sentando próximo a ela.

“Tudo bem,” Twilight ainda estava tentando esconder o desconforto daquela situação. “E por favor, apenas Twilight Sparkle. Ainda sou nova para o título de princesa.”

“Oh sim, parabéns aliás.”

“Obrigada,” Twilight respondia com um aceno.

“Mas onde estão minhas maneiras? Eu sempre esqueço as apresentações. Sou o prefeito Billfold.”

“Oh, então é você que escreveu as cartas?” Perguntou Rarity.

“Bem, é o que estava na carta, mas foi minha esposa que escreveu para mim. Minha letra é um garrancho.”

“Estou surpresa que você conseguiu se tornar prefeito então. Não escreve muito?” Twilight perguntou.

“Escrever é trabalho de secretário.”

“Sei…”

“Então, posso perguntar quem são suas amigas?”

“Ah, desculpe, esta é…”

“Espere, espere, você não sabe quem nós somos?” Rainbow perguntava. “Mesmo?”

“Eu temo que não, jovem pegasus.”

“Mas como? Nós somos as heroínas da história.”

“Rainbow!” Applejack sussurrava.

“Qual o problema? Só acho estranho que nenhum pônei saiba quem nós somos.”

Twilight tossia. “Por favor, perdoe Rainbow Dash, prefeito Billfold.”

“Apenas prefeito está bom.”

“Certo, prefeito. Ela fala antes de pensar.”

“Ei!” Rainbow Dash protestava.

“E as minhas outras amigas são Applejack, Rarity, Fluttershy e Pinkie Pie.”

“Isso!” Gritava Pinkie Pie saltando na cara do prefeito.

“Oh sim, olá.” Ele recuava, enquanto a pônei rosa voltava para o seu lugar.

“Então, você realmente nunca ouviu falar de nós?” Rainbow perguntava mais uma vez.

“Bem senhorita Dash, a verdade é que as notícias demoram muito tempo para chegar até nós.”

“Vocês não tem um jornal?” Perguntava Rarity.

“Oh não, embora quando viajantes vêm para a cidade, ocasionalmente trazem consigo um jornal ou algo similar. O último foi há… um ano e meio atrás.”

Twilight piscava. “Um ano e meio?”

“Sim.”

“Tenho certeza que vocês têm rádio, há um canal de notícias.”

“Bem, nós temos apenas um rádio na cidade, e duas estações.”

“Que!” os olhos de Rainbow estreitaram.

“Como vocês conseguem viver assim, sem saber o que está acontecendo com o resto do mundo?” Twilight perguntava.

“Uma coisa que vocês têm que entender sobre Oasis, senhorita Sparkle, é que a cidade foi fundada por um grupo de pôneis que queriam pouco a ver com o resto de Equestria. Começou com um grupo de tendas, e assim que mais pôneis foram vindo, a primeira casa foi construída, e depois outra, até que a cidade foi construída por pôneis que geralmente fugiam de seus problemas, ou se cansaram das outras cidades.”

O casco de Rarity subia até o peito, deixando sair um suspiro enquanto tentava falar.

O prefeito levantava um casco, sacudindo a cabeça. “Não! Não! Por favor, não fique alarmada. Nós não toleramos bandidos e vândalos. Somos uma cidade construída com a finalidade de um novo começo. Muitos pôneis vêm para ficar apenas por um ano, limpar suas mentes, descansar, e então voltam para suas casas. Outros fazem dessa cidade seu lugar de repouso. Minha esposa e eu estamos nesse grupo.”

“Qual a razão, se não for demais a pergunta?” questionava Twilight.

“Não tem segredo nenhum. Para fazer uma longa e curta história ao mesmo tempo, minha esposa e eu viemos aqui cerca de doze anos atrás, depois que o pai dela a deserdou por se casar comigo. Nós não queríamos ficar na esnobe Canterlot, então a deixamos. Eventualmente, nós viemos até Oasis. Me tornei prefeito… se não me engano há oito anos.”

“Apenas quatro anos na cidade e eles o elegem prefeito?” Twilight levantava uma sobrancelha.

“Bem, eu ouso dizer que Thomas teve um papel fundamental para me ajudar com isso.”

“Quem é Thomas?” Perguntava Applejack.

“Ah, esse é o Sr. Baker, Thomas Baker, embora alguns na cidade passaram a chamá-lo de Tom.”

“O nome soa engraçado. O que é um Thomas?” Perguntava a pônei laranja.

“Bem, na verdade nós não nos conhecemos. Embora uma vez ele disse que havia uma locomotiva azul de onde ele veio que era chamado Thomas, então imaginei que tinha algo a ver com trens.”

Twilight batia em seu queixo. “Isso não faz sentido. O que trens, Tomas e o sobrenome Baker tem a ver um com o outro?”

O prefeito sorria. “Confie em mim, senhoria Sparkle, espero que você não se importe com o título, mas seu nome é bastante enganador. O sobrenome Baker vem de cozinheiro, e ele não poderia cozinhar para salvar uma vida.”

“O que? Então… não entendi nada.”

“Bem, retiro o que disse, ele sabe cozinhar e assar, embora ouso dizer que não é exatamente um banquete. Mas na época ninguém estava reclamando. O talento de Thomas é muito além disso. Ele é carpinteiro, encanador, e recentemente se tornou o eletricista da cidade mesmo com conhecimentos limitados sobre o assunto.”

“Então sua marca especial é algo relacionado a carpintaria?” Perguntava Twilight.

Com essa pergunta, o prefeito começava a suar, olhando para qualquer lugar, menos para a alicornio roxo. “Be…bem, não exatamente.”

“Prefeito, não estou conseguindo compreender. Ele é um pônei, certo?” Twilight levantava uma sobrancelha.

“C…claro que ele é, haha, quão bobo poderia ser se ele não fosse?” O prefeito gaguejava.

Os olhos de Twilight semicerravam. “Ceeeerto. Bem, então tenho algumas perguntas preliminares que preciso fazer ao Senhor Baker, mas enquanto estamos aqui, se importa em responder algumas?”

O prefeito engolia seco, enxugando a testa com um lenço. “Bem, digo, se elas são para o Senhor Baker, certamente eu não seria capaz de responder por ele.”

“Oh, mas eu insisto. São perguntas bem simples. A primeira e a mais óbvia, como o Senhor Baker fez para não ter sua magia roubada por Tirek?”

“Bem…hu… ele estava fora da cidade!”

“Estava fora da cidade…” Twilight repetia lentamente.

“Sim, estava trabalhando fora. E quando voltou para a cidade, nós estávamos todos enfraquecidos, então ele nos ajudou.”

“Prefeito, Tirek poderia sentir a energia de um pônei a quilômetros de distância. Você está tentando me dizer que ele conseguiu evitar de ser detectado só porque estava fora da cidade?”

“Bem, v…veja bem, Senhorita Sparkle, há muitas casas a quilômetros de distância de Oasis. É o caso do fazendeiro Take Farmer, por exemplo. Ele mora cerca de trinta quilômetros a leste daqui.” O prefeito tossia. “E f…foi isso que aconteceu, ele foi naquela fazenda consertar o encamento do Sr. Take Farmer!”

Twilight continuava a encarar o prefeito, que já estava se encharcando de suor.

“Prefeito, eu realmente estou duvidando…”

“Oh vejam! Chegamos.” O prefeito interrompia Twilight.

E então a parada abrupta interrompia repentinamente a todos dentro da carruagem.

Road Rage desamarrava os arreios, balançando o corpo para se livrar da fina camada de poeira que cobria sua pele marrom a crina negra. Afinal, ele deveria ficar com uma aparência agradável para a Princesa. Com um salto feliz em seus trotes, ele se dirigia até a porta da carruagem, com vozes gritando do lado de dentro, mas sem que ele desse tanta atenção.

“Uggh, olha o seu casco Pinkie!”

“Desculpe!”

“Alguém me diga que isso é a crina de alguém e não a calda!”

“Road Rage, quando eu colocar meus cascos em você…”

“Calma, Dash. Você quase sentou no meu rosto.”

Casualmente, ele torcia o casco para girar a maçaneta e abrir a porta. Todos os sete pôneis caiam para fora da carruagem, com Pinkie sendo a última a sair com uma risadinha.

“Weee! Foi divertido!” ela dizia saltando.

“Nunca mais passeio em uma carruagem como essa,” Rarity bufava, se levantando.

“Oh, sinto muito, Twilight.” Finalmente, o prefeito foi o último a ficar de pé, com sua gravata pendurada em seu colarinho solto.

“Road Rage,” O prefeito resmungava.

“Sim, senhor?”

“Leve a carruagem para o hotel, descarregue a bagagem das visitantes e em seguida vá até o meu escrtório para discutirmos a sua RESCISÃO!” O prefeito gritava na última parte.

O jovem garanhou o saldou, sorrindo. “Sim, sim.”

Novamente conectado à carruagem, ele partia levantando poeira.

“Estou pensando seriamente em estabelecer um limite de velocidade para carruagens, mas temo que Road Rage veria isso com um desafio.” Dizia o prefeito, tentando arrumar a gravata desfeita.

“Sim, eles tentaram fazer isso para nós pegasus em Cloudsdale.” Disse Rainbow.

“E eu tive que tirar você da cadeia oito vezes por causa disso,” Fluttershy sussurrava.

“Bem, tenho certeza que todas desejam se encontrar com o Sr. Baker, mas sinto que deveria mostrar a vocês os trabalhos deslumbrantes que ele fez primeiro. Sigam-me, por favor.”

Enquanto caminhavam, Twilight analisava as construções, ainda sem certeza se era realmente uma cidade ou apenas um estabelecimento. Pelo menos era o que aparentava para ela, mas uma estrutura chamava sua atenção.

“Aquele é a varanda que você disse que o Sr. Baker fez?” Rarity perguntava antes que Twilight o fizesse.

“Sim. Lá fica a hospedagem de Sunny Side. É onde vocês vão ficar. Thomas fez um trabalho maravilhoso com a varanda. Atrevo-me a dizer que se um dia a hospedagem desmoronar antes do tempo, a varanda ficará lá para sempre.”

“Me atrevo a pensar o mesmo.” Rarity trotava examinando os basílicos. “Ele esculpiu esses também?”

“Sim, cada um deles feitos com as mã… digo, casco. Levou duas semanas para terminar.

“Trabalho impressionante.” Rarity deslizava o casco na pilastra.” Muito lisas, sem manchas. Simplesmente incrível.”

“Você tem um olho afiado para os detalhes, senhorita.”

O grupo de pôneis olhava para a pônei na varanda que havia acabado de falar. Ela usava um vestido vermelho e branco, além de um avental também branco. Sua pele verde se complementava com sua crina loira.

“Nossa, você se parece muito com minha avó.” Applejack deixava escapar.

“Sério, eu pareço velha?” Ela dizia com um sorriso.

Applejack balançava a cabeça. “Não, quiz dizer quando ela era jovem…”

“Estou brincando.” Ela piscava, se virando para Rarity. “Foi mesmo um ótimo trabalho do Tom. Eu disse a ele que não precisava ser tão perfeccionista, mas bem, quando se trata do Tom e de madeira, ninguém segura.” Ela acrescentava com uma risada.

“Ele certamente o fez, senhorita…?”

“Sunny. Sunny Side. E como podem ver minha hospedagem tem o mesmo nome. E vocês são a comitiva que vieram ver o velho Tom?”

“Correto, senhorita. Sou a Princesa Twilight Sparkle, mas me chame apenas de Twilight. E essas são minhas amigas Applejack, Fluttershy, Rainbow Dash, Pinkie Pie e Rarity.”

“Prazer em conhecer vocês todas.”

“Senhorita…” Twilight começava.

“Me chame apenas de Sunny, querida.”

“Certo, Sunny, o que você quiz dizer com “velho Tom”? Quantos anos ele tem?”

“Oh, isso é apenas um modo de dizer. Ele gosta de agir como se fosse mais velho, mas todos nós sabemos que é apenas um show.”

“Isso não responde a minha pergunta. Quantos anos ele tem?” Repetia Twilight.

“Você tem cara de quem é faminta por informações.” O sorriso de Sunny hesitava por um momento, então ela continuava. “Se não me falha  amemória, ele faz quarenta e quatro neste ano.”

“É novo ainda. O pai de Braeburn trabalhou até os setenta e oito.” Disse Applejack.

Twilight puxava uma pena e um pergaminho e anotava a nova informação.

“Então Sunny, o que você pode me dizer sobre o Sr. Baker?”

“Há muitas coisas que posso dizer sobre ele, tanto verdades quanto fofocas. Mas dentre todas elas, posso dizer com honestidade que ele é um garanhão com um coração muito amável. Graças a ele a cidade foi reerguida assim como seus moradores, e como você já viu, seu ofício de carpinteiro é uma maravilha.”

“Isso eu já percebi, mas não pode me falar nada sobre sua vida pessoal?? Ele é casado? Tem filhos?”

“Senhorita, temo que essas perguntas é melhor deixar para o próprio Tom responder. Ele não se importa em compartilhar suas informações pessoais com estranhos, mas nós como amigos dele respeitamos sua privacidade.”

“É justo.” Disse Twilight. “Então você saberia me dizer como o Sr. Baker não perdeu sua magia?”

Sunny Side abriu a boca para responder, e em seguida fechou, estalando a língua. “A verdade é que não faço ideia. Apenas me lembro daquele enorme monstro na cidade destruindo minha varanda, e logo depois o Tom me pegando e me levando para dentro. Eu estava tão fraca, me sentia mal do estômago, mas ele sempre estava perto cuidando de mim e me alimentando com aquele mingau dele.”

“Mingau? Que tipo de mingau? Já comi ótimos mingaus, especialmente o dos búfalos. Aquele mingau foi o mingauzante mingau mais mingauzasso que já expeimentei, mas era ótimo!” Pinkie Pie saltava em torno do grupo com um sorriso cheio de dentes.

“Era só um mingau. Mas seus métodos de cozinhar são, digamos, diferente dos nossos.”

“Entendo.” Twilight rabiscava mais um pouco em seu pergaminho, e com um brilho de sua magia o papel desaparecia. “Bem, obrigada pelas informações. Terei mais algumas perguntas depois.”

“Tenho certeza que sim, senhorita. Certifiquem-se de voltarem às seis da tarde para o jantar.”

“Oh, oh!” Pinkie saltava com um casco no ar.

“Pinkie, não vai ser mingau.” Disse Rainbow Dash.

“Aahhhh…”

“Voltaremos logo, obrigada.” Disse Twilight.

Com isso, Sunny Side voltava para dentro. O prefeito tossia, ganhando a atenção de Twilight mais uma vez.

“Bem, agora acho que poderíamos ver o escritório do Dr. Doc Hollywood e o belo trabalho que Thomas fez consertando o buraco no teto.”

Para as próximas duas horas, Twilight e suas amigas passeavam pela cidade, conhecendo vários pôneis que chamavam Oasis de casa. Assim como as respostas de Sunny, Twilight não encontrava ninguém disposto a dar qualquer informação relevante sobre o Sr. Baker, além daquilo que ela já tinha ouvido. Nenhum deles conseguia recordar como Tirek não drenou sua mágica também, com todos dizendo que ele não estava na cidade.

“Obrigada pelas informações, Senhora Stalk.” Twilight dizia, e novamente sua pena e o pergaminho desapareciam do nada.

“Sem problemas. Senhor Baker fez muito por esta cidade. Ele merece ser reconhecido por isso, por mais que ele não queira. Minha fazenda estaria muito pior se não fosse por ele,” dizia a pônei com um aceno, trotando de volta aos seus afazeres.

“Bem, com essa foram dez pôneis afirmando o quão incrivel é esse Senhor Baker. Então agora, prefeito, se não é demais, eu quero conhecê-lo.” Disse Twilight com um tom autoritário.

“Oh, s…sim, claro. Tenho certeza que ele já deve ter voltado para sua loja. Siga-me, por favor.” Dizia o prefeito.

“Seguir ele é o que já estávamos fazendo há mais de duas horas.” Rainbow Dash sussurrava para Twilight.

“Eu sei. Ele está tentando ganhar tempo.” Twilight sussurrava de volta.

“Você acha que que esse tal de Senhor Baker existe mesmo?”

“Não sei, mas espero descobrir isso logo.”

As seis pôneis seguiam o prefeito para um prédio de dois andares com uma pequena varanda na frente. A varanda era bem parecida com a de Sunny Side, porém com muito mais detalhes.

“Mais um trabalho do Senhor Baker, eu presumo?” Perguntava Rarity.

“Sim, ele construiu há algum tempo, antes de herdar essa loja.”

“Herdar? De família?” Twilight perguntava.

“Não, Thomas não tem parentes.” Twilight levantava uma sobrancelha. “Digo, na cidade.” O prefeito se recuperava, puxando o colarinho. “Thomas herdou essa loja do nosso antigo encanador que faleceu pela idade, o Senhor Fixit.”

“Então ele era aprendiz do Sr. Fixit?” Perguntou Twlight.

“Vamos assim dizer. De onde o Thomas veio, ele já era um carpinteiro e encanador, embora ainda meio amador, mas depois de alguns anos trabalhando para o Sr. Fixit, eu ouso dizer que o aluno superou o mestre.”

O grupo de pôneis caminhavam na varanda, com o prefeito abrindo a porta. Twilight observava uma placa no vidro de umas das janelas escrita “Aberto” entre!”

“Thomas! Sou eu, prefeito Billfold. Tenho algumas convidadas que gostariam de conhecê-lo!” O prefeito dizia em voz alta.

“Entrem! Sintam-se em casa! Vou descer em um minuto!” Uma voz rouca soava pela escada.

Twilight podia ouvir o som dos cascos caminhando no andar de cima. Ela olhava para suas amigas, todas olhando em volta para os objetos espalhados ao redor da sala de entrada. Além da entrada, havia outras duas portas, uma que levava ao andar de cima e outra com os dizeres “apenas funcionários”. Dentro da sala havia um balcão bem alto com uma caixa registradora em cima dela e outras bugingangas.

Havia cartões com informações de Baker, um sino prateado, e muitos lápis dentro de um frasco. Twilight levitava um dos cartões até ela, lendo cuidadosamente:

Sr. Thomas M. Baker

Mestre carpinteiro, encanador

Qualquer hora do dia

Telegrafia nº 459

“Se vale a pena fazer, vale a pena fazer direito!”

Twilight colocava o cartão de volta com os demais, em seguida, olhava para o resto da sala. A coisa mais óbvia eram os retratos nas paredes. A maioria fotos preta e brancas, cheias de pôneis, mostrando o progresso desta pequena loja e os residentes da cidade que a frequentavam. Por tráz do balcão, porém, ela podia ver espaços entre os quadros, que aparentemente eram outros quadros removidos.

“Uau, este Senhor Baker parece ser bem ocupado para um cidadão de uma pequena cidade.” A voz de Applejack tirava a atenção de Twilight dos quadros.

Applejack ficava ao lado da porta que era apenas para funcionários, onde um grande quadro de giz estava pendurado. Nele estava listado nomes, projetos, suprimentos e até uma data para conclusão. O quadro inteiro estava cheio. Havia uma nota ao lado do último:

Lulamoon – Viajante de carruagem – reparos concluídos

Aguardar o pagamento total

“Lulamoon, esse nome não lhe soa familiar Twi?” Applejack perguntava.

Na verdade, parecia vagamente familiar, mas ela não tinha certeza. Ela dava de ombros, se voltando para o resto de suas amigas que estavam observando as poucas prateleiras com itens à venda. Coisas como porta sabonetes para paredes de gancho, dentre outros cométicos.

“Essas argolas para cortinas de banheiro são bem bonitas. Eu devo comprar algumas quando o Sr. Baker descer.” Dizia Rarity, segurando uma argola branca polida com uma jóia azul decorada nela.

Twilight sorria, e então olhava para outro canto da sala. Um pequeno fogão a lenha ainda iluminado, com um coador de café repousando no topo. Perto dele, uma pequena mesa redonda com quatro cadeiras. Uma delas chamava a atenção de Twilight; era maior, com um encosto igualmente alto. Ela olhava de volta para o balcão.

Ele deve ser um pônei bem grande. Twilight pensava.

O som dos cascos descendo as escadas causava um olhar de expectativa a todas as pôneis. Twilight notava a expressão nervosa do prefeito, que corria os olhos à distância ao perceber Twilight olhando para ele.

“Oooops!”

Twilight engasgava quando o som de cascos pisando foi substituído com o tombo de um corpo. Felizmente, não foram muitos passos, enquanto um pônei terrestre azul se chocava com o chão, sua curta crina cor de cobre ficava uma bagunça.

“Sheri… digo… Thomas, você está bem?” O prefeito corria, ajudando o pônei a se levantar.

“Estou bem, obrigado senhor prefeito.” Dizia ele.

“Você é o Sr. Baker?” Rarity trocava olhares com Twilight, as duas já com pensamentos similares.

“Sim, sou eu.” Thomas disse.

Enquanto ele estava de pé, Twilight observava a camisa que ele estava vestindo, e suspeitava o quão longas eram as mangas.

“Não me admira que você tropeçou, querido. Essas mangas estão sobrando,” Rarity dizia, traduzindo os pensamentos de Twilight.

A unicornio branca trotava, examinando a camisa enquanto Thomas tentava se afastar.

“Não se preocupe, estou bem.”

“Sim, eu posso ver isso. Sua camisa está aos farrapos, meu bom garanhão.” Rarity se inclinava mais perto. “Essa camisa é grande demais pra você, não acha?”

Twilight olhava o prefeito, que estava visivelmente nervoso.

“Bem, veja você senhorita…?”

“Oh, me chame de Rarity.”

“Rarity, obrigado por perceber. Nosso alfaiate não tem como atender a todos, então decidi eu mesmo fazer essa.” Ele ria. “Pelo menos tem o meu nome.”

Twilight percebia a costura na etiqueta, branca com ambas bordas vermelhas escrito “Tom”.

“Muito bem, eu poderia fazer alguns ajustes apropriados? Eu trouxe meus equipamentos de costura, só para o caso de uma emergência.”

“Oh não, está bem assim. Além do mais, não há muito sentido em vocês ficarem na cidade. Depois de tudo, estou certo que vocês falaram com alguns pôneis da cidade e já tiveram uma compreensão de tudo o que aconteceu.”

Twilight piscava. “Uma compreensão? Senhor Baker, não temos absolutamente compreensão nenhuma.”

Pinkie repentinamente aparecia por tráz de Thomas. “Além disso, não podemos partir ainda bobo! Não até eu começar a festa chamada “obrigado por ajudar a cidade inteira!”

Thomas ria nervosamente. “N…não, obrigado, jovem pônei. Não preciso de uma festa, a cidade já me recompensou bastante.” Pinkie esvaziava a partir daí. Ele então se virava para Twilight. “Se você tem perguntas para mim princesa, posso economizar um tempo para respondê-las.”

Twilight sorria. Finalmente, ela estava prestes a obter alguma resposta coerente.

“Eu agradeceria muito, Senhor Baker.”

“Por favor, Thomas ou simplesmente Tom está bom.”

“Muito bem, Thomas. Devo dizer que você tem um balcão muito alto para quem é um pônei tão baixo.”

Thomas piscava, a pergunta não era o que ele esperava. “Oh, bem, isso é porque… eu uso para armazenamento! Ali atráz há um espaço para depósito, pois como você pode ver esta sala é muito grande, então eu aproveito o espaço.”

Twiligh acenava, embora não estivesse acreditando. “E a cadeira?”

“Perdão?”

Aquela única cadeira, na mesa. É bem maior do que o resto.”

“Oh, bem, eu acho mais confortável assim. Uma cadeira maior significa mais espaço para descansar.”

Nada mal. Twilight pensava. “Então Thomas, por que alguns quadros nas paredes estão faltando?”

Thomas piscava. “Os quadros?”

“Na parede atráz do balcão. Há várias lacunas onde teoricamente estavam mais quadros. É só uma curiosidade sobre isso.”

Thomas olhava para o prefeito, que agora estava suando como louco, e então olhava de volta para Twilight. “Bem, estou fazendo novos quadros para pregar ali.”

Oh, você é bom. “Certo, entendi.”

“Princesa, há algum problema com a maneira como moro na minha própria loja?” Thomas perguntava com uma sobrancelha levantada.

Twilight foi pega de surpresa com a pergunta. “O que? Não, eu estava penas curiosa sobre…”

“Bem, parece que você está tentando tirar alguma coisa de mim, alteza. Sou um pônei muito ocupado, como você pode ver naquela placa com tarefas anotadas, então a menos que você tenha alguma pergunta importante, eu apreciaria se pudessemos terminar.”

Twilight estremecia sob os olhares de Thomas. Ela estava errada? Havia muitas coisas curiosas, com certeza, mas tudo o que ele disse poderiam ser possibilidade. Ela se virava para Applejack, a pônei fazendeira olhava para Thomas em pensamentos. Se algum pônei poderia dizer se ele estava mentindo, era Applejack.

Repentinamente, o som dos cascos de um pegasus entrando dentro da loja fazia todos os pôneis pularem, o ruído inesperado foi rapidamente seguido por uma voz.

“Boa tarde, Tom. Eu tenho o seu…” O pônei carteiro parava, sua palavras sumiam ao perceber tantos pôneis olhando para ele. “Algum problema prefeito?”

O prefeito foi rápido ao reagir, quase correndo até o carteiro e envolvendo um casco ao redor do seu pescoço em uma vã tentativa de afastá-lo.

“Swift, é tão agradável ver você, mas como pode ver o Senhor Thomas está ocupado no momento, então se você puder apenas…”

O prefeito foi interrompido pelo pegasus carteiro que caía em gargalhadas no chão, espalhando as cartas que caíam de sua bolsa enquanto ele rolava no chão em ataques de risos.

“Sh…Sherife!!! O que o senhor está fazendo com essa camis…” o focinho de Swift era fechada pelos cascos do prefeito.

“Thomas estava prestes a dizer para a princesa sobre o ocorrido, para que elas pudessem ir.” O prefeito rosnava.

Os olhos do pegasus iam ligeiramente para o lado, na direção de Twilight em total compreensão, especialmente ao ver a coroa em sua cabeça.

“Oh! S…sua… majestade!” Swift ficava de pé, fazendo uma reverência.

Twilight não dava atenção, olhando novamente para Thomas.

“Sherife?!” Ela perguntava.

“Bem, sua alteza, muitas vezes sou um policial substituto para o xerife. Alguns pôneis acham divertido me chamarem assim.” Ele olhava para Swift, que ainda estava se curvando para pegar as cartas caídas.

Twilight olhava entre os três pôneis da cidade. Cada um de alguma forma em pânico, e estava na hora de acabar com essa charada.

“Applejack, como a representante do elemento da honestidade, poderia me dar sua opinião honesta se esse pônei está dizendo a verdade?”

Applejack sorria. “Acredito que posso, princesa.”

“E o que você me diz deles?”

“Se eles estivessem vestindo calças, estariam encharcados agora.”

O prefeito engolia seco, alto o suficiente para que todos pudessem ouvir.

“Obrigada Applejack. Bem, eu devo admitir, você se saiu bem, prefeito.” Twilight caminhava até o balcão, levitando um dos cartões. “Convencendo os pôneis a inventarem histórias, como desses cartões. Devo admitir que você fez um bom trabalho, mas não o suficiente.” Twilight balançava sua cabeça. “Tudo isso será um relatório para a Princesa Celestia.”

“E..espere alteza, por favor…” O prefeito dava um passo a frente.

“NÃO!!!”, Gritava Twilight, fazendo todos os pôneis pularem, incluindo suas amigas. “Já ouvi o bastante de suas mentiras, e francamente, estou chocada em ver como você foi tão longe para o que tem sido uma das épocas mais difíceis de Equestria desde a Nightmare Moon! E tudo isso por causa de dinheiro e… uma medalha?? Para um pônei que nem existe?”

“P…princesa…”

“Não Senhor Billfold, não vou ouvir mais nada.”

“Você pegou ele, Twi!” Rainbow aplaudia.

Twilight ignorava os aplausos da amiga. “Além disso, você nos arrastou a meio caminho através do continente, gastando nosso precioso tempo que poderia ter sido utilizado para ajudar os pôneis que realmente precisavam, e ainda por cima levando com você alguns cidadãos inocentes para os quais você jurou governar, e tudo para sustentar suas mentiras?”

“Sua alteza…” Thomas começava.

“Não, você fica quieto.” Twilight apontava um casco para ele. “De fato, mentindo diretamente não para uma, mas duas princesas de Equestria entre as outras acusações contra vocês três…”

“Espere, o que eu…” Swift era interrompido por um brilho de Twilight.

“Vocês três estão agora sob detenção. Como Princesa, estou dando a vocês voz de prisão.” Twilight dizia batendo seu casco no chão.

Atráz da alicornio roxa todas as suas amigas concordavam batendo seus cascos.

As orelhas de Swift se contraíam. Alguém ou alguma coisa estava se aproximando. “Hum, sua alteza?”

Twilight ignorava ele. “Agora, você vai me acompanhar à cadeia mais próxima. Felizmente é um dos prédios que você mesmo me mostrou, do contrário seria difícil conduzi-lo até lá.”

Os passos se aproximavam.

“Princesa Twilight,” Swift falava um pouco mais alto.

“Lamento o fato de vocês terem envolvido esse pônei carteiro, mas até iniciar os devidos procedimentos investigatórios ele também é suspeito e testemunha.”

“Mas…”

“A menos que…” Twilight olhava para o xerife e o prefeito. “Vocês estiverem dispostos a me dizerem a verdade aqui e agora.”

Os dois pôneis olhavam um para o outro.

Agora te peguei… Twilight sorria.

“Oh minha nossa, aí vem o Tom!” Disse Swift, se afastando da porta.

“O que?” Twilight se virava, notando que o prefeito tinha uma expressão aterrorizada em seu rosto.

Enquanto isso, o xerife estava sorrindo. “falando nele…”

Aquela frase…. A crina no pescoço de Twilight ficava em pé quando ela olhava para a porta. De pé, proximo a ela com duas longas pernas, estava uma criatura bípede, suas feições mascaradas na sombra que se projetava sobre ele graças ao sol batendo em suas costas.

A mandíbula de Twilight caía. O que em nome de Equestria era AQUILO?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s