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O Pônei de Oasis

thewhittler

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Autor: ROBCakeran53

Tradução: Drason

SINOPSE: Equestria ainda estava sendo reconstruída após a derrota de Tirek, e as seis novas governantas de Ponyville ajudando em sua reconstrução. Tudo mudou de maneira inusitada quando a Princesa Celestia entregou a elas uma carta descrevendo acerca das façanhas realizadas por um único cidadão da cidade de Oasis conhecido como Senhor Baker, e a forma como superou Tirek. Com a missão de descobrir se os relatos eram verdadeiros, as seis pôneis devem ir até a referida cidade para investigar. No entanto, elas irão descobrir que o Senhor Baker não era exatamente quem ou o que elas esperavam.

– – –

Twilight Sparkle olhava para suas amigas e depois para as grandes pilhas de papeis espalhados sobre a mesa. Ela tinha pego a maior parte, que consistia principalmente em documentos solicitando verbas e recursos para os danos materiais causados por Tirek. E estragos era o que não faltava. Alguns lugares simplesmente haviam desaparecido.

O grupo de amigas estiveram analisando as petições por vários dias, fazendo pausas intermitentes para descanso e refeições. Com milhares de pôneis dependendo delas para encontrar um lugar para ficar, nenhuma queria deixar seus súditos desamparados. Twilight estava motivada, acima de tudo, por ter um maior censo de dever agora que era a nova princesa. Ela sentia o peso da responsabilidade muito mais do que as outras.

O som dos óculos de leitura de Rarity batendo sobre a mesa de pedra levava todas as pôneis em suas próprias dores de cabeça. A unicórnio branca massageava a têmpora com um casco, seus olhos fechavam enquanto ela tentava e falhava ao aliviar um pouco a pressão.

“Intervalo, garotas.” Dizia Twilight, tendo ela mesma que lutar contra uma latejante dor de cabeça.

Rainbow Dash esticava suas asas rígidas devido ao pouco uso nesses últimos dias. Twilight fazia o mesmo, sentindo suas próprias asas dormentes por todo esse tempo. Applejack praticamente caía de seu trono, com sua franja loira escondendo seus olhos fechados por trás. Fluttershy se desculpava com as suas pernas estalando por estar sentada na mesma posição por muito tempo.

A pônei que mais sofria, embora fizesse o que podia para esconder sua agonia, era Pinkie Pie. Não havia um problema que ela não pudesse resolver com uma festa. De fato, ela realizou várias após a derrota de Tirek para trazer moral à maioria dos pôneis que ela sabia que começariam a sentir depressão após o desastre, vendo muitos deles perdidos. Toda aquela papelada a estava deixando louca, e Twilight sabia que teria que reescrever alguns dos textos de Pinkie. Ela usava tinta rosa nos papeis, sendo que para documentos oficiais eram autorizadas apenas as cores preta ou azul. Além disso, a pônei rosa pontilhava a letra “i” com corações ao invés de pontos, mas se isso a estava ajudando a evitar a insanidade, então a alicornio roxo poderia ignorar.

Fluttershy caminhava de volta para a sala, com sua crina cobrindo metade da sua face.

“Hum, Twilight? Há alguém querendo uma audiência com você.” Ela dizia, voltando em seguida para seu trono.

“Quem…?” As palavras de Twilight sumiam enquanto a Princesa Celestia passava pela porta de entrada.

“P-Princesa! Digo, Celestia, o que a trás para Ponyville?” Twilight gaguejava, se forçando a sair de seu assento para se curvar.

“Bem, me dói fazer isso.” Dizia Celestia, levantando um pergaminho desenrolado, “Mas eu tenho outra cidade precisando de verba.”

De uma só vez, todas as amigas de Twilight soltaram um frustrado gemido. Rainbow Dash foi tão longe a ponto de bater a cabeça na mesa, o que foi um erro. Não apenas porque desarrumou os papeis empilhados de Rarity, mas por causa do material que era feito a mesa.

“Ugh… eu continuo esquecendo que essa mesa é feita de pedra.”

“Mesmo? Outra cidade precisando de ajuda? Perdoe-me por argumentar, mas já fazem semanas desde que Tirek foi detido, e nós estamos perto de encaminhar cada verba aos municípios atingidos. Como pode uma única cidade estar pedindo ajuda somente agora, depois de tanto tempo?” Perguntava Rarity, ao mesmo tempo que usava sua magia para arrumar os papeis.

“Bem, é por isso que vim aqui.” Celestia respondia, caminhando em direção de Twilight. “A questão é que os pôneis dessa cidade rural chamada Oasis, na verdade não estão pedindo ajuda. Pelo menos não para reconstruir.”

“Eu não entendi Princ… Celestia.” Dizia Twilight.

Princesa Celestia levitava o pergaminho aberto até Twilight, que o pegava com sua própria mágica para ler. Todas as suas amigas podiam ver a mudança na expressão de Twilight, de frustração para curiosidade, e então descrença.

“Isso não pode estar certo, Celestia.” Twilight colocava o pergaminho em cima da mesa.

O papel foi então envolto por outra a aura, pertencente a Rarity que o levitava para ler.

“Isso não pode ser verdadeiro, não é?”

“Mais o que qui tem aí afinal??” Perguntava Applejack, olhando para o verso do papel em uma frustrada tentativa de ler.

Celestia limpava sua garganta. “Parece que quando Tirek chegou na cidade de Oasis, ele fez com ela exatamente o mesmo que havia feito com as demais, drenando a magia dos pôneis. Eles estavam todos fracos, incapazes de se moverem, e estavam lutando para evitar que a cidade caísse aos pedaços.”

“E isso é estranho por que?” Applejack perguntava colocando o cotovelo sobre a mesa, descansando o queixo em seu casco.

“Porque um pônei evitou que sua mágica fosse roubada.”

Com aquelas palavras, o restante das orelhas das amigas de Twilight se levantaram.

Hein?” Applejack deixava o casco cair sobre a mesa.

“Um tal de Senhor Baker não foi afetado por Tirek. Como ou porque a carta não diz, mas esse indivíduo conseguiu ajudar todos eles, cuidar deles, suas casas, seus negócios. Ele inclusive preparou suas refeições, café da manhã e jantar.”

“Mas Tirek não estava controlando tudo e todos por… uma semana?” Perguntava Rainbow Dash.

Celestia acenava, sem necessidade de adicionar palavras para a já curiosa situação.

“Então, esse tal de Baker cuidou de uma cidade inteira por uma semana. De quantos pôneis estamos falando?” Perguntava Applejack.

“Quatrocentos e dois, sendo dez bebês e cinco crianças dentre eles.” Respondeu Celestia.

O silêncio era ensurdecedor para Twilight, todas as suas amigas olhavam para Celestia em choque.

“Eu… isso é…” Rarity gaguejava, ainda olhando para o pergaminho.

“Aí também diz que essa carta foi escrita sem o conhecimento do Senhor Baker. Me parece que ele não queria qualquer tipo de reconhecimento pelo que fez, embora se possível, entendo que deve ser reembolsado pelos materiais que ele usou de seu próprio estoque para reconstruir um pouco da cidade.”

“Espere, reconstruir?!” Perguntou Rainbow Dash. “Ele também consertou a cidade enquanto cuidava dos habitantes?”

“Sim. Uma casa foi completamente destruída, enquanto duas lojas foram danificadas, mas reparadas. Parece que esse Senhor Baker não é apenas um cozinheiro, mas carpinteiro também. Me atrevo a suspeitar que este pônei pode fazer muitas outras coisas.”

“Bem, hum… mas se não é ajuda então o que eles querem?” Fluttershy finalmente falava.

“Como eu disse antes, reembolso pelos suprimentos que ele usou, materiais para construir uma casa e consertar duas lojas.” Celestia olhava para Twilight. “O próprio prefeito daquela cidade quer que nós concedamos a ele uma medalha.”

A sala do trono ficava em silêncio por um longo minuto, antes que Twilight limpasse sua garganta.

“O que quer que nós façamos então?”

Celestia pegava o pergaminho de Rarity, olhando para ele mais uma vez antes de enrrolá-lo.

“Com todas essas informações, há também uma preocupante lacuna. Tenho certeza que todas vocês têm mais perguntas, assim como eu. Enquanto estamos em um momento de crise, tentando reconstruir e nos recuperarmos, eu não iria querer ver ninguém explorar esse desastre.”

“Explorar? Princesa Celestia, você não pode estar sugerindo…”

“Rarity, eu estive governando por pouco mais de mil anos, pelo que eu consiga me recordar. Tenho visto muitas coisas boas e ruins sobre pôneis. Estou surpresa desta ser a única situação que levanta alguma suspeita, e se esse pedido tivesse vindo no mesmo dia que os outros, eu simplesmente teria deixado de lado.  Mas, quatro semanas depois? Quando estamos prestes a encaminhar as verbas e recursos? Eu acho isso tudo muito estranho.”

“Então eu quero que vocês seis vão investigar.” Celestia olhava para a porta, onde um único guarda a esperava. Após o aceno de Celestia, ele trotava com uma caixa em suas costas. Celestia a levitava com sua magia e a abria. “Este é o maior prêmio que um cidadão de Equestria pode receber. A Marca da Harmonia. Apenas nove pôneis e um griffon em todos os séculos do meu governo o receberam.”

As pôneis olhavam admiradas para o medalhão dourado do tamanho de um casco, descansando em um forro de veludo púrpura. Uma escultura estava encrustada na superfície dela, aparentando ser uma esfera que Twilight presumia ser a representação do mundo inteiro. No topo do medalhão, “A Marca da Harmonia” estava rotulada com letras em relevo, e na base havia os dizeres “Não para nós mesmos, mas para cada um.” Era simples, e se destinava a ser assim.

“Como podem ver, a parte traseira foi deixada em branco por razões obvias. Twilight, se você quiser, tem minha autorização para colocar o nome do Senhor Baker nessa parte. Eu também tenho o dinheiro requerido para restituição esperando a transferência se tiver a sua concordância. Enquanto todos em Equestria precisam dessas verbas, eu me atrevo a dizer que poderia fazer uma exceção para um indivíduo que foi acima e além de qualquer outro pônei.”

Celestia fechava a caixa, colocando ela na mesa na frente de Twilight.

“Eu… não tenho certeza, Celestia. Digo, o certo não seria você conceder tal honra?”

Celestia sorriu. “Twilight Sparkle, depois de tudo que você fez por Equestria, por suas amigas, por mim, você realmente acha que eu não iria querer ver um herói honrado recebendo tal premiação de outra heroína honrada, que é você?”

Twilight corava, sentindo suas amigas sorrindo para ela. Claro, ela salvou Equestria muitas vezes, mas foi com suas amigas. Ela não poderia fazer isso sem elas. Mas este pônei? Senhor Baker? ele fez tudo sozinho.

Twilight acenava. “Você está certa. E se esse pônei realmente fez o que está dizendo nesse pergaminho, então eu vou assegurar que ele receba a merecida homenagem.” Twilight olhava para a pônei rosa. “Pinkie, você poderia levar seus suprimentos de festas?”

Pinkie Pie saltava de seu assento. “Ah sim, vai ser uma festa fora de série!” Ela dizia antes de sair da sala para buscar suas coisas.

“Rarity, você acha que pode fazer um cordão bem bonito para pendurar isso?” Twilight levitava a caixa na direção de Rarity, que o pegava com sua própria mágica.

“Mas é claro, querida. Me dê uma hora que estará pronto.” Ela se levantou, curvando-se em seguida para Celestia e depois saindo.

“Applejack, você acha que pode preparar alguns lotes de maçãs e outros alimentos para levar? Tenho certeza que depois de tudo o que ele fez, esse Senhor Baker deve estar com seu estoque praticamente esgotado.”

“Considere isso feito sô!” Applejack pulava de seu assento, galopando para o final do corredor.

“Fluttershy, eu não sei se eles têm um médico. Pode ser que sim, mas na dúvida, poderia ir até o hospital de Ponyville buscar alguns suprimentos para a viagem?”

“Sim, claro Twilight. Vou levar meu equipamento veterinário também. Quem sabe alguns animais não estejam precisando de ajuda.”

E Rainbow Dash, poderia checar Cloudsdale e ver se eles ainda têm a máquina geradora de nuvens? Vai saber quanto tempo eles ficaram sem chuva, e nesse caso ela seria muito útil.”

“Conte comigo, Twi.” Rainbow fazia continência, e em seguida voava para fora da janela.

Twilight suspirava, curvando-se em má postura em seu trono.

“Muito bem, Twilight.”

Twilight pulava, completamente esquecida que sua mentora ainda estava na sala.

“Sei que você ainda duvida de si mesma, mas lhe dê um tempo. Você está se moldando para se tornar uma grande princesa. E depois de observar duas outras alicornios entrar para a realeza, posso dizer com confiança que você já está agindo bem como autoridade.”

Twilight corava de novo.

Próximo à porta de entrada, o guarda tossia, chamando atenção das duas princesas.

“Já deu o horário para o outro compromisso Hank?”

“Eu temo que sim, Princesa.” Respondeu o guarda.

“Muito bem. Twilight, deixo essa situação sob seus cuidados. Vou levar a papelada comigo para Canterlot. Tenho certeza que Luna e eu podemos terminar tudo isso até o seu retorno.”

“Certo. E Spike? Posso escrever para ele voltar?”

Celestia balançava a cabeça. “Vou escrever para ele, lhe dando ciência que assim que terminar suas tarefas deverá encontrar você em Oasis. Ele ainda pode levar um dois dias para terminar e tem sido um dragão muito valente ajudando o Império de Cristal.”

“É natural, ele aprendeu muita coisa sobre organização. Tenho certeza que Cadence está apreciando a ajuda dele.”

Celestia acenava. “Além disso, eu sei que você se sente muito responsável com isso tudo, tente tirar esses dias de viagem a Oasis com suas amigas para relaxar. Você esteve trabalhando tão duro e posso ver que está estressada. Luna, Cadence, Spike e eu vamos cuidar de tudo enquanto isso.”

“Tudo bem então, Princesa. Eu sei que as garotas vão ficar contentes fazendo uma pausa com toda essa papelada. Aliás, coitada da Pinkie Pie, já estava quase dormindo em cima dos papeis.”

Celestia riu. “Sim, não a culpo. Você deveria ter visto Luna após seu retorno. Ela ficava trancada em seu quarto por semanas, fazendo de tudo para restabelecer sua côrte noturna.”

“Eu imagino, mil anos é muito tempo para pôr em dia.” Twilight olhava para a janela, perdida em pensamentos.

“Bem, tenho que ir. Vou aguardar com muita expectativa sua carta, Twilight. Espero que tudo que esse prefeito disse seja verdadeiro. Um pônei que fez tanto por uma cidade como aquela, bem, ele merece cada bit em reconhecimento pelos seus esforços. Ele pode não ter uma premiação completa aos moldes de Canterlot, mas nem parece mesmo que ele gostaria que fosse assim. Talvez com os pôneis daquela cidade que ele ajudou, ele aceite.”

Sem outra palavra, Celestia caminhava para fora da sala, deixando Twilight com seus muitos pensamentos. Uma simples questão continuava voltando em sua mente, e ela não conseguia colocar um casco na resposta.

“Mas que tipo de pônei é esse Senhor Baker?”

Thomas Baker não aparentava estar muito contente ao saber da carta. Era algo aparente pela sua entrada explosiva e passos pesados no único prédio da prefeitura de Oasis, onde funcionava tanto o escritório do prefeito como o posto de correios. O piso de madeira agora com três anos de idade estava finalmente começando a mostrar o desgaste dos inúmeros cascos que pisavam nele. Levou meses para Baker obter tais madeiras de qualidade para refazer o chão da prefeitura, e isso era aparente pela ausência da madeira rangendo quando andava nela.

A pônei sentada no balcão de recepção que levava até o gabinete do prefeito olhava para Thomas com um largo sorriso.

“Bom dia, Senhor Baker, como está hoje?”

Ele parava, olhando para ela. “Não muito contente, senhoria Billfold, não muito contente. E o pônei naquele escritório é o principal motivo. Então se me der licença, preciso trocar algumas ideias como o nosso amado prefeito.”

“Se puder esperar apenas um momento, porque Copper Top está lá com ele.”

“Ele está? ótimo, esse é outro pônei com quem quero ter uma conversinha. Vou golpear dois pássaros com apenas uma pedra.” Ele dizia, passando pelo balcão e caminhando até a porta do prefeito.

“Sabe, eles fizeram isso por você, Senhor Baker. Depois de tudo que fez por nós, a cidade…”

“Eu não quero ouvir isso, Senhorita Billfold. Tenho ouvido o suficiente dos outros nas últimas quatro semanas.”

“Não quer dizer que não seja verdade, Senhor Baker.” Ela respondia, sem enxergar qualquer ofensa.

Ele ignorava, agarrando a maçaneta e abrindo a porta. Ele entrava no gabinete, dando um chute na porta para fechá-la, e olhava os dois velhos pôneis compartilhando um copo de Bourbon, a bebida favorita do prefeito.

“Olha só, foi só falar do Thomas que ele apareceu, por favor, sente-se.” Dizia o prefeito, apontando para um banco no canto da sala.

“Prefiro ficar de pé, senhor prefeito.”

“Bem, como preferir, você gostaria…”

“Não, agora não. Não estou de bom humor, e a única coisa que esse licor poderia fazer é com que eu me sentisse pior.”

“Argumento justo, rapaz, argumento justo. Eu esqueci de como suas emoções ficam meio selvagens depois do licor.”

“Ei, isso aconteceu poucas vezes!” Retrucava Thomas.

“Sim, me lembro da última vez que você bebeu… um pouco? Você ficava rindo sem parar.” O outro pônei, o sherife da cidade Copper Top dizia enquanto tomava outro gole. “Como poderíamos nos esquecer do incidente no vigésimo primeiro aniversário da estrada Road Rage?”

Thomas Baker gemia. “Por que vocês sempre tem que lembrar daquilo?”

Copper Top esboçava um sorriso largo. “Porque é sempre embaraçoso pra você, que também serve para acalmá-lo quando está de mau humor.”

“Sinceramente, às vezes você é inteligente demais para ser um sherife.” Dizia Thomas, cruzando os braços.

“Bem, eu fui ambos médico e sherife por seis anos até aquele pônei de Manehatan aparecer com sua carruagem extravagante, se estabelecer na cidade, onde fui deixando o ofício de médico aos poucos até ficar apenas com o de sherife.”

“Não que eu esteja reclamando, é claro. O conhecimento médico que ele tem, por Celestia, a filha de Gaden Patch poderia ter perdido seu chifre de unicórnio se ele não estivesse aqui.” Disse o sherife.

“De fato, eu nem sabia que era possível transplantar uma artéria daquela forma. Ele pode ser convencido, mas é um ótimo médico.” Afirmava o prefeito.

“Certo, certo, entendi. Mas voltando ao assunto.”

“Sim, por que você está aqui Thom?” Perguntava Copper Top.

“Porque alguém enviou uma carta a Canterlot descrevendo o que eu fiz nas últimas semanas.”

“E de onde você ouviu tal acusação?” O prefeito perguntou.

“De sua esposa quando ela parou para me pedir sabonete esta manhã.” Ele disse.

“Eu avisei pra você não dizer a ela.” Disse Copper para o prefeito, tomando outro gole.

“Você sabe muito bem que eu não poderia escrever aquela carta com meu problema de coordenação motora. Felizmente a minha esposa, a Senhorita Billfold é a minha salvação, é ela que escreve todos os documentos por mim, sejam oficiais ou extraoficiais.”

“Então você admite, foi você quem teve a ideia da carta e a enviou.”

“Sim.”

“Bom, então meu blefe funcionou.”

“Seu blefe?”

Copper Top caía na gargalhada, enquanto que o prefeito olhava confuso.

“Para um não pônei, Thomas, você certamente tem coragem fazendo isso. Se eu não te respeitasse como eu faço, então teria que te colocar na cadeia por mentir para o prefeito.”

“Espere um minuto, do que vocês estão falando…”

“Sim, eu estava blefando. Você sabe que os sabonetes que a sua esposa adquire são encomendado de Canterlot. Eu apenas vendo o material padrão, não produtos de limpeza.”

O prefeito deu um tapa na testa com seu casco.

“Então como você ficou sabend…”

“Porque quando Speed Delivery parou para entregar minha carta, ela deixou cair outra no chão ao sair. Tinha o selo oficial do governo de Canterlot endereçado a você.”

Thomas tirou a carta de seu bolso, a acenando no ar.

“Bem, certamente que essa carta apenas…”

“Prefeito, eu posso ser um humano ingênuo, mas mesmo eu sei que as únicas coisas que você envia para Canterlot são as prestações de contas da cidade, e isso foi há quatro meses.”

O prefeito deixava escapar um suspiro de derrota. “Tudo bem, você me pegou, Thomas. Sim, eu enviei a carta e essa que você está segurando deve ser uma resposta vinda de Canterlot.”

“Sobre mim, não é?”

“Sim.. e não.”

“E que isso exatamente quer dizer?”

“Thom, o prefeito e eu sabíamos muito bem que você não queria nada de especial pelo que fez. E eu acho isso altamente respeitável e louvável de sua parte, mas de maneira alguma que você sairia livre pelo que fez. Por isso nós tivemos que mandar aquela carta para o Castelo de Canterlot, diretamente para as princesas.”

“VOCÊS O QUE??” Thomas gritava.

“Relaxa, relaxa. Nós não dissemos nada além daquilo que elas deveriam saber. A carta apenas diz que você é um de nós e que ajudou sua cidade, em nenhum momento dizemos que você não é um pônei. Não te culpo por não querer se envolver com o resto de Equestria. Se nosso encontro há dez anos atrás foi algum sinal de como o resto de Equestria poderia ter te tratado, provavelmente você estaria em algum zoológico agora.” Disse o prefeito.

“Sim, obrigado por aquilo. Você ainda tem sorte por aquela pancada não ter lhe deixado uma cicatriz.”

“Agora relaxe, Thomas. A pior coisa que pode acontecer é elas negarem o pedido, então você ganhará e não terá que se preocupar mais. No entanto, se tudo der certo, então você será apenas reembolsado pelos materiais que usou para consertar a cidade. Por que você não me entrega essa carta e vemos que tipo de resposta elas deram, hmm?” Disse o prefeito, estendendo o casco.

Thomas balançava a cabeça. “Pode ser, você já fez tudo pelas minhas costas mesmo.”

Ele jogava o envelope sobre a mesa, onde o prefeito graciosamente pegava para abrir. Ansiosamente, Thomas e Copper esperavam pelo prefeito começar a leitura da carta, mas ele escolheu ler em silêncio primeiro. Para o horror de Thomas, a expressão do prefeito passou de excitação para descrença.

“Eu não acredito nisso.” Ele disse, jogando a carta na mesa, então olhando para Thomas. “Simplesmente não acredito.”

O que?? Não acredita em que??” Thomas perguntava preocupado.

Copper Top limpava a garganta antes de começar a ler a carta em voz alta.

“Senhor prefeito, agradeço pela carta. Tenho certeza que você sabe tão bem quanto eu que seguindo os estragos de Tirek, todos em Equestria estão lutando para se recuperar. Há muitas cidades ainda destruídas e dispersas. Mas quando recebi sua carta quatro semanas depois do resto de Equestria, ela me deixou querendo saber o que aconteceu por aí.”

“Depois de ler as façanhas realizadas por um de seus cidadãos conhecido pelo nome de Senhor Baker, posso apenas sentir um grande senso de honra que um mero pônei poderia assumir não apenas para ajudar seus companheiros, mas para restaurar a própria cidade. Uma coisa me chama atenção, que foi o fato desse pônei evitar que Tirek lhe roubasse a magia. Não há registros de qualquer outro pônei que tenha conseguido escapar de sua drenagem mágica, e eu gostaria de saber mais.”

“Então, pelo tempo que você estiver lendo esta carta, Princesa Twilight Sparkle e os outros elementos da harmonia estarão em um trem a caminho de sua cidade para recepcionar o Senhor Baker, conhecerem sua história, e decidirem se é ou não verdadeira. Se for, então seu pedido por uma medalha de honra será concedida, e ele receberá o mais honroso prêmio de Equestria: A Marca da Harmonia, juntamente com as despesas solicitadas para restituir seus suprimentos, além de um adicional de duzentos por cento pelo tempo de serviço.”

“Pelo que pude entender de sua carta, ele não quer absolutamente nada em troca por seus atos, então recomenda-se não deixá-lo saber de imediato acerca da chegada da Princesa Twilight, pois ele pode considerar injusto e se evadir do local e até da cidade. O elemento da alegria preparou uma pequena e suficiente festa para ele, enquanto grande o bastante para os demais cidadãos apreciarem e celebrar o verdadeiro herói que ele é.”

“Me traz profunda tristeza saber que muitos pôneis sofreram sob controle de Tirek, mas as ações do Senhor Baker me mostraram que ainda há luz no fim do túnel, e nós apenas temos que trabalhar para garantir que Equestria esteja segura mais uma vez. Eu desejo a você e aos demais moradores de Oasis tudo de bom, e fico contente em saber que ninguém se feriu.”

“Sua Majestade Real, Princesa Celestia.” Copper parava, abaixando a carta com os olhos arregalado.

Tanto ele como o prefeito olhavam para Thomas, que estava com os braços ao lado do corpo e um olhar chocado que se completava com um semblante horrorizado.

 Thomas se virou, pegou a grande cadeira dobrável que foi construída especialmente para ele,  a colocou ao lado de Copper, se sentando nela.

“Eu aceito aquele bebida, prefeito.”

O prefeito pegava outra taça, derramando uma porção de líquido cor âmbar nela.

Copper Top olhava para a carta novamente. “Mas afinal de contas, quem é essa Princesa Twilight Sparkle?!”

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Por trás de minha sombra

Shadowy-Passion
Ilustração: Falk

Autor: Falk

SINOPSE:  Shady é uma garota retraída, nascida de família pobre, ela é solitária. Tem sonhos assim como qualquer pônei, mas o que ela mais quer é ser feliz e ter uma vida simples. Esta é uma  breve história que conta como Shady conseguiu avançar através de sua vida, e também, conseguir algo que ela nunca imaginara antes. 

***

Meu nome é Shadowy Passion, uma jovem unicórnio de 22 anos de idade, olhos violeta, pelagem preta e crina cinza escura com listras violetas escuras. Minha cutie mark é uma alma…e vou lhes contar minha história.

Data: 25/12/1990.

Localidade: Em algum lugar da cidade de Ponyville.

Há muito tempo atrás, em uma época de natal, em meio a um dos invernos mais frios já registrados. Ainda me lembro da sensação de neve tocando meus cascos. Eu me via caminhando pelas ruas gélidas e desoladas daquela noite, voltando para casa após um duro dia de trabalho. Lembro de ter avistado duas pôneis em uma praça, um tanto suspeito já que ninguém mais se encorajava a caminhar pelas ruas naquela época tão fria. Pelo que consigo recordar, uma se chamava Lyra e a outra Bon Bon, que provavelmente era amiga da unicórnio verde. Não era a primeira vez que as observava, e havia algo que sempre me chamava atenção nas duas.

Chegando em casa, tirei as chaves do meu bolso para abrir a porta, e ao entrar observei a pequena árvore natalina mal decorada com algumas poucas luzes que havia montado. O que me deixava de certa forma melancólica; lembrar um passado triste do qual sempre me fazia sentir solitária.

Preparei um pouco de café antes de ligar a TV, e como de costume, acabava dormindo no sofá com a TV ligada. Ao acordar, olhava para o relógio que apontava 8:00 horas, algumas roupas estavam no chão e ainda havia muita louça para lavar. Como sempre uma bagunça que eu vivia adiando para arrumar. Aliás, eu levantava apenas para acumular ainda mais bagunça, já que em um ato corriqueiro tinha que sair às pressas atrasada para o trabalho.

Um cliente me esperava em um prédio de quinze andares, e para chegar até ele era necessário me identificar para vários seguranças, até finalmente ser conduzida ao último andar e caminhar por um longo corredor, finalmente chegando na porta em que eu era aguardada.

E lá estava ele.

– Sente-se, por favor.

– Obrigada.

Não era minha gratidão que ele queria ouvir, então continuei.

– Eu vim lhe trazer o relatório – lhe disse sorrindo gentilmente.

– Como foi…? – o cliente perguntava mais uma vez esperando pela única resposta que realmente queria ouvir.

– Missão cumprida.

Meu trabalho era simples, o cliente entrava em contato, me informava um alvo e eu o despachava. Em palavras curtas e grossas: eu era uma algoz, e assim que ganhava minha vida.

Por que acabei assim? Tudo começou quando eu tinha apenas treze anos. Meu pai era alcoólatra, trabalhava em uma fábrica e sempre chegava em casa cansado descontando suas frustrações na própria família. Minha mãe por outro lado era omissa, sempre estava fumando, principalmente quando o meu pai voltava, e pouco fazia para tentar mudar aquela vida degradante. Quando eu era ainda mais nova e pedia alguma coisa diferente para comer, minha mãe me levava até a barraca de cachorro quente apenas para me dizer que não tinha dinheiro para comprar, sensibilizando o vendedor que acabava me dando de graça. Ela fazia isso de propósito, sabendo que o vendedor iria ceder, e supostamente sabendo que estava ensinando a própria filha a ser qualquer coisa na vida, menos honesta. Foi nessa época que eu finalmente decidi abandonar a minha “família”, e olha que estou sendo generosa com as poucas aspas que coloquei nessa palavra. Eles faziam eu me sentir como se fosse um empecilho em suas vidas. Ainda acho que comemoraram quando desapareci.

Vivendo nas ruas, por anos consegui me manter viva trabalhando como lustradora de sapatos entre outras coisas em geral. Trabalhei de forma escrava por anos. Aos meus dezessete anos eu já tinha aprendido muito bem como me defender dos perigos da cidade, foi também a época em que consegui minha cutie mark. Andando por bibliotecas, aprendi muitas coisas, e descobri que aquilo que antes achava ser apenas um mito, era realidade, o inevitável simplesmente aconteceu, mas deixemos essa história para outra ocasião.

Solitária (ou não) pelas ruas escuras de Hollow Shades, foi onde conheci pôneis que poderiam mudar minha vida, não necessariamente para o bem, mas já era algo. Estes agentes me deram um trabalho e foi assim que comecei minha carreira, se é que posso chamar tal atividade dessa forma. Lembro da minha primeira missão, foi na minha cidade natal, Hollow Shades, a princípio eles não acreditavam que eu seria capaz de cumprir a missão, então lhes mostrei meu potencial ao executar o trabalho com uma eficiência inesperada, foi como um “teste de passagem”, e assim segui aquela carreira da qual hoje me machuca quando olho para trás.

Eu sempre pensava na oportunidade de ser amada por alguém e seguir uma vida feliz e ordinária, porém essa possibilidade parecia cada vez mais distante. E certamente essa era a maior razão de eu sempre observar admirada a amizade entre aquela unicórnio verde e a pônei terrestre beje.

Data: 24/12/1995.
Local: Cidade de Ponyville.

Após anos nesse serviço, com uma maleta cheia de dinheiro, da qual não consegui de forma exatamente legal, decidi parar e desaparecer. Queria apenas ter uma vida normal e comum como qualquer outra pônei, bastava vê-las para sentir um pouco de inveja. Caminhando, falando, interagindo com seus conhecidos, amigos, amantes, família e até pessoas que não conheciam direito.

Então, desde aquele dia decidi virar a página da minha vida, esquecer o meu passado e ter uma vida normal. Lembro-me de que naquela tarde de véspera de natal fui a uma loja perto de casa, comprei um pequeno presente e o coloquei debaixo de minha pequena árvore, foi onde vivenciei sentimentos diferentes, era a primeira vez que fazia esse tipo de coisa e chegava a ser até embaraçoso. Acho que tenho alguma coisa com datas natalinas, me fazem sentir um pouco mais…digamos, esperançosa.

Data: 01/01/1996.

Rapidamente chegava ano novo, e com ele a vida nova que tanto planejei, embora ainda sem rumo e indecisa sobre como começar. Foi onde me veio uma ideia, e decidi viajar para outros lugares, conhecer um pouco mais de Equestria. Me empolguei. Recolhi todas as roupas do chão e guardei tudo nas malas.

Eu não podia deixar que a vida antiga me partisse no meio. Com a nova, tinha que desfrutar das maravilhas ocultas dela, tinha certeza que resultaria em algo bonito e reconfortante, e segui em frente. Na estação de trens, a recepcionista bastante carismática esperava eu me manifestar.

– Olá, eu gostaria de uma passagem para, hum… –  interrompia a mim mesma para observar os destinos disponíveis.

– Está perdida? Sem querer me intrometer mas posso lhe fazer uma recomendação? – ela perguntou, deixando claro saber identificar uma turista indecisa.

– Não há problema, já que a minha incerteza está tão visível assim.

– O que acha de Hollow Shades? Poucas pessoas vão para lá devido ao tom sombrio da cidade, porém lhe asseguro ser um bom destino pelos inúmeros pontos turísticos que irá encontrar por lá.

Tinha certeza que ninguém ia para Hollow Shades, afinal, nasci lá. Com certeza a indústria turística não estava indo bem. Eu planejava visitar outros lugares, mas a ideia me parecia boa. Fazia muitos anos que não caminhava pelas ruas daquela cidade, mas ao mesmo tempo achava estranho sentir falta dela.

– Hum, pode ser. Uma passagem para Hollow Shades, por favor.

Data: 04/01/1996.
Local: Cidade de Hollow Shades.

Finalmente, estava de volta para minha cidade natal após dois cansativos dias de viajem. Saindo do trem, avistei uma pônei que rapidamente se dirigia a mim sorrido. Nunca a tinha visto antes. Era uma pégasus cor lilás claro assim como os seus olhos, com crina cor branca. Seus cabelos eram bastante lisos, e sua franja ficava paralelamente reta sobre cima de seus olhos, ela era bastante bonita.

– Olá! – me saudou, com um tom bastante agradável.

Apenas lhe respondi um “oi” insegura, não entendo a razão da abordagem repentina e um tanto suspeita.

Um vácuo surgia, e dentro disso, subitamente ela falava.

– De onde você vem, estrangeira? Se quiser posso ser a sua guia na cidade.

– Isso seria conveniente . – Foi engraçado eu responder quase que automaticamente, já que eu conhecia a cidade em todos os detalhes.

– Então, vamos caminhar um pouco.

Após algumas horas de caminhada e bastante conversa, ela me agradou com facilidade e as suspeitas foram diminuindo. Como guia, ela era bastante simpática e carismática. Em uma cidade onde vinha poucos turistas, a minha simples presença mudou a rotina dela. E talvez, era mesmo para eu conhece-la, de alguma forma…

Ao entardecer.

– Você sabe de algum lugar onde eu possa ficar? – Eu não tinha para onde ir, já que Hollow Shades não era uma cidade cheia de hotéis. Talvez eu perguntei de propósito porque já sabia a resposta..

– Infelizmente a quantidade de pontos turísticos não é proporcional ao número de hospedagens nessa cidade. Por que não fica na minha casa por enquanto? De qualquer forma estou precisando de uma companheira de quarto. Já que a outra se foi…

– A outra? Quem seria ela?

– Ah, outra pônei. No começo a gente se dava bem, porém, ela começou a trazer problemas, mas deixemos isso de lado, ok?

– Tudo bem.. – respondi desconfiada.

Então passei a noite na casa dela. Era muito bem arrumada e limpa. Mas ainda havia algo de estranho nela.

No dia seguinte, logo de manhã, acordei sentindo algo cutucando minha cabeça.

– Ei bom dia! se não é a minha mais nova amiga preferida!

– Ahm, o que? – ainda abrindo os olhos enquanto me levantava.

Lá estava ela voando, com alguns pratos com pão e uma xícara de café, não me pergunte como ela estava segurando aqueles pratos ao mesmo tempo, nem eu sei.

– Eu lhe fiz o caf- antes de terminar de falar, ela tropeçava na lâmpada do teto, derrubando a jarra de café em mim.

– AAAAAH!!! ISSO QUEIMA!! – eu saía “voando” da cama com o corpo ardendo.

– Eu tô cega!!! AAAaaahhh…são só os pães, hahaha.

– Mas o que você tentou fazer?!

– Eu só lhe fiz o café da manhã, mas parece que você já “experimentou” todo ele! – ela ria.

– Isso não tem graça… – Olhei para seus olhos, sua expressão amável, feliz. Nunca tinha visto alguém tão…ingenuamente contente de perto na minha vida inteira.

– Por acaso, você não me falou o seu nome ainda, senhorita da qual me deu teto?

– Ah sim, eu sou Aki Knowledge…

– Knowledge de conhecimento? Não parece fazer muito jus ao seu sobrenome. – eu soltava uma risadinha pelo canto da boca.

– Hm, isso porque você não me conhece senhorita sem teto!

– Eu sou Shadowy Passion, prazer, “Miss Knowledge”!

Eu só tinha visto o quarto por uma hora, era quase de noite quando ela me apresentou a casa, não houve oportunidade para ver muita coisa. A casa tinha por si só três pisos, porém não tinha visto o resto além do primeiro que continha a cozinha e os nossos dois quartos. Os outros eram enormes bibliotecas com monte de livros, vastos labirintos sem fim. Eram escuros e tinham poucas velas, o que poderia haver ali além de livros velhos?

– Com licença? – eu chamava a atenção dela.

A pegasus tirava os óculos enquanto voava segurando um livro. – Sim?

– Porque você veio até mim sem me conhecer, digo, lá na estação de trens?

– Ah, sei lá…coisa do des-ti-no…!

Essa pônei me era cada vez mais estranha.

Mais tarde, saí para observar um pouco da cidade e ver como estavam as coisas, talvez para ver se ainda moravam por ali antigos conhecidos.

Ao voltar, vi uma pégasos cor cinza, de crina amarelada, com dificuldades para colocar as cartas na caixa de correio, ocasião em que me aproximei para ajudar.

– Olá, parece que está tendo alguns problemas ai…

– Eu só não sei o que está dando de errado nisso!

– Deixe-me ajudar! – peguei a carta destinada à residência de Aki Knowledge.

– Qual o seu nome, a propósito?

Elá já estava voando para longe quando me dirigi a ela, então deixei por isso mesmo. Peguei a carta e caminhei para dentro da casa, colocando-a sobre a mesa. Olhei de relance para a carta e percebi que por cima não havia remetente, ou pelo menos, não havia um nome, nada escrito. Achei estranho… tudo parecia que girava por volta de algo…esse ambiente estranho, algo me cheirava mal. Me perdia em pensamentos quando alguém de repente batia na porta.

– O que está fazendo aí Shady?!

– O que disse? desde quando eu deixei você me chamar assim!?

– Desde que eu te chamei assim, – ela ria – O que é isso que está segurando? Uma carta?

– Ah, sim, acabou de chegar.

– E porque está no chão?

– Ah nada…e-eu tropecei…nada demais.

– Pois bem, deixe-me vê-la!

A pegasus vinha voando quando recolhi a carta entregando a ela.

Ao ler a mensagem, sua face ficava pálida, ao mesmo tempo que aparentava ficar tensa.

– O que, o que é?!

– Droga!

– O QUE?!

– O que eu menos esperava…

– …acho que não deveria repetir, mas…O QUE?!

– Eles estão atrás de ti…

– Como assi- Antes que pudesse terminar a pergunta, ela me agarrava.

A pegasus me arrastava pelo chão até uma parte da biblioteca onde estava bastante escuro, ela movia um dos livros de uma das estantes e o colocava em um lugar onde eu não consegui ver, após isso, uma espécie de passagem se abriu.

– Vamos, rápido.

– Mas o qu-

– Eu sei sobre você. – Ao afirmar isso, eu permaneci em silêncio.

Nós estávamos em um quarto totalmente escuro, só consegui escutar a passagem se fechar. Ela pegou uma vela que estava em uma mesinha e a acendeu com alguns fósforos que estavam em cima de uma das estantes de livros.

– Bem, outra sala com mais livros.. agora estamos a salvos!

– Shhhh!

– Como eles sabiam que eu te esconderia nessa casa?! Bandidos…

– Como você sabe tanto sobre mim, e por que manteve isso em segredo?!

– Porque você, você…

O som de uma porta caindo se escutava de longe. Era a porta da entrada da casa, provavelmente sendo arrombada.

– Isso é conversa para outra hora, agora corre!

“Eles” já tinham invadido a casa e estavam atrás de nós. Eu corri o máximo que consegui até o outro lado das fileiras gigantes de estantes de livros junto com ela. Estávamos encurraladas.

– Só tem uma saída…

Eu nunca imaginei que ela seria louca o suficiente para fazer aquilo, até ouvir uma grande explosão.

– MAS O QUE VOCÊ FEZ, AGORA ELES DEFINITIVAMENTE SABEM ONDE ESTAMOS!!!

– HAHAHAHAH!, EU NUNCA IMAGINEI QUE IRIA USAR ESTA BELEZINHA!, AGORA CALA A BOCA E CORRE!!!

Ela acabou explodindo grande parte da biblioteca. Ela “simplesmente” pegou uma granada, atirou contra a parede para abrir uma saída de fuga. Desse dia em diante, eu percebi que ela poderia ser uma das pôneis mais interessante que eu iria conhecer em toda minha vida. Eu viajei até aqui buscando uma vida nova, e mais uma vez estava vivenciando a vida antiga, com correria e explosões, é como se eu fosse um imã atraindo aquilo tudo.

Após fugirmos da biblioteca, não parecia que “eles”, ou melhor, os agentes tinham conseguido nos rastrear, acho que os escombros os haviam nocauteado, ou pelo menos dificultando a saída deles.

Após fugirmos para longe, acreditei que com ela poderíamos ir para qualquer lugar sem nos importar com nada…acreditei.

Atualmente… 2001.

Local: Em uma casinha muito afastada, nas planícies de Equestria.

Fazia cinco anos que estava com ela…nunca me senti assim, eles pretendiam me pegar porque eu era uma ameaça para “todos”, eles sabiam que eu já fui uma algoz. Eu não tinha nenhuma intenção de acabar com eles, acredito que eles temiam que me usassem, para algo, uma vez que desapareci tão bruscamente e sem avisá-los, algo inaceitável para essa organização. Eles não me deixariam viver, porém, eu conheci essa pégasus que me salvou, não só a vida, mas também a alma.

Data: 27/10/1997

Local: ???

Eu já não conseguia mais me conter, eram reiteradas fugas, e em todas elas colocando a vida de Aki em perigo por culpa minha… No topo de um prédio de mais ou menos 30 andares. Preparada para saltar, lá estava eu, era apenas um passo entre a vida e a morte, mesmo que eu não gostasse da ideia, sabendo que faria mal a ela…eu a amava, ainda assim.

Uma lágrima escorreu pelo meu rosto enquanto eu olhava para atrás e me atirei. Estava caindo, me sentia tão leve, já não estava assustada, pronta para o que viesse. Quando de repente, olhei para aquele vulto lilás claro que se aproximava a uma velocidade impressionante…como se não houvesse amanhã.

Ela me pegou em seus braços quando já estava na metade da queda.

– “SUA IDIOTA!”

Eu olhava pra ela surpresa, sem saber o que dizer. – Eu só pensei que iss-

– Thu, cale-se! – ela dizia aos prantos – Depois do que passamos s-shuntas! Você seria mesmo egoísta de fazer isso? – Ela estava chorando incessantemente.

– E-eu…

Enquanto limpava suas lágrimas, ela me respondeu:

– Vamos desaparecer, mudar nossas identidades, vamos buscar outra vida! Eu sei que foi difícil. E sei que vai ser difícil, mas temos que tentar.

As lágrimas seguiam escorrendo pelo seu rosto, nunca acreditei que alguém realmente iria me amar. Pela primeira vez, eu me senti feliz de verdade.

– E-eu…te amo!