Comics nacionais

(Flash) Minha pequena Dashie 2

thumb

CLIQUE NA IMAGEM PARA INICIAR

SINOPSE: Agindo secretamente, Twilight teleporta o pai adotivo de Rainbow Dash para Equestria, desencadeando uma série de eventos que resultará em um final inesperado para pai e filha.

Anúncios
Fanfic, Fanfics nacionais

A viagem de Trixie

Trixie e Mel
Ilustração: Drason

 

Autor: Drason

SINOPSE: Ao descobrir que Twilight utilizou um feitiço para voltar no tempo, Trixie tentou fazer o mesmo para corrigir seus erros do passado. Porém, ao invés de se deslocar no tempo, a unicornio é transportada para outra dimensão, um lugar onde suas crenças e seus valores iriam mudar completamente.

– – – – –

No centro da cidade de Manehatan, uma unicórnio azul agitava seu chifre banhado por uma aura. Ela havia recebido autorização do prefeito local para realizar um experimento, que se realmente desse certo, dispensaria o trabalho moroso e pesado dos pegasus com o clima. Consistia em um sistema inovador de se criar instantaneamente nuvens carregadas de água que se dissipariam imediatamente após a chuva. Esse tipo de magia já existia, mas não a ponto de cobrir uma cidade inteira do tamanho de Manehatan, o que tornaria seu experimento inovador e até polêmico, já que o trabalho dos pegasus poderia ficar em última instância.

Depois do ocorrido em Ponyville, Trixie queria de qualquer forma apagar a má fama que havia adquirido. Não havia sido a primeira vez que ela enganou o público em suas apresentações sobre ter derrotado criaturas ferozes como a ursa maior e sabia que era só uma questão de tempo até que a notícia se espalhasse por todas as cidades em que ela havia passado.  Então, para não comprometer sua reputação, teve a ideia de criar algo inovador e único do que simplesmente mais um show cheio de truques que certamente não chamaria a atenção de mais ninguém.

Uma multidão curiosa ficava na expectativa observando o céu enquanto Trixie se preparava. A magia, de fato, funcionou corretamente no início, cobrindo a cidade inteira de nuvens tão carregadas de água que Manehattan inteira ficou às escuras. No entanto, diferente do que a unicórnio azul havia previsto, as nuvens não se dissiparam, e no final foi necessário um exército de pegasus para conter as nuvens antes que a cidade inteira desaparecesse sob um “oceano”. Essa havia sido a gota d’água para sua reputação como mágica, literalmente.

Trixie atribuía o ocorrido em Ponyville pelas falhas posteriores, é como se aquele evento, de alguma forma, a tivesse afetado psicologicamente, tirando sua concentração em tudo que fazia. Ela acreditava veemente nessa ligação e tudo que passava em sua mente desde então era uma maneira de apagar o seu malogrado passado. A unicórnio azul só não esperava que um dia essa oportunidade pudesse vir até ela no sentido literal da palavra.

Certo dia, ouviu Pinkie Pie comentar com suas amigas no Torrão de Açúcar que Twilight havia voltado no tempo usando um feitiço que aprendeu na biblioteca de Canterlot. A reação de suas amigas foi obvia: uma gargalhada coletiva; todas deram risada da pônei rosa, com exceção de Trixie. Ela já havia ouvido falar de um livro que ensinava tal magia, mas nunca acreditou que realmente existia, tampouco chegou a se interessar por ele, pelo menos não até aquela dia, especialmente ao ficar sabendo que foi Twilight Sparkle quem o manuseou.

“Oras…” pensou. “Se eu usasse esse feitiço para voltar no tempo e utilizar as mesmas técnicas que Twilight usou para derrotar a Ursa Menor, o problema estaria resolvido.”

Do Torrão de Açúcar, a unicórnio azul rumou até Canterlot na biblioteca do castelo, na esperança de encontrar o livro. O que ela não esperava era se deparar com tantas prateleiras repletas de enciclopédias e pergaminhos, a levando a pensar que encontrar uma agulha no palheiro seria mais fácil. Embora pudesse simplesmente perguntar para a bibliotecária, ela duvidava que um livro potencialmente tão perigoso estivesse acessível ao público, mas o seu trunfo estava em uma técnica que seu pai havia ensinado a ela. Embora se recusasse a seguir a profissão de detetive do pai, ela achou interessante aprender a magia de “rastreamento de energia”, que poderia ser comparado a uma impressão digital. Cada pônei possuía uma consistência energética única, o que facilitava identificar tudo o que tocava.

Para um unicórnio, a facilidade de reconhecer a consistência energética de um pônei era similar em reconhecer a voz de alguém, e considerando tudo o que ela testemunhou de Twilight, ficaria fácil descobrir em qual livro na biblioteca a alicórnio roxo tocou.  No entanto, seu sorriso logo se desmanchou ao ver centenas de livros na biblioteca brilhando com a aura roxa de Twilight Sparkle; parecia que ela havia lido mais da metade da biblioteca.

Pouco mais de uma hora fazendo um pente fino, ela finalmente encontrou um livro intitulado “deslocamento no espaço/tempo dimensional”. Ainda era cedo para constatar se realmente seria aquele livro, mas depois de observar outras dezenas de prateleiras brilhando com a aura de Twilight, ela preferiu correr o risco.

Trixie colocava o livro aberto cuidadosamente sobre o chão e concentrava energia na ponta de seu chifre para iniciar o feitiço. Uma aura azul envolvia todo o seu corpo, e aparentemente tudo estava de acordo com as instruções do livro, faltava apenas a último passo que a levaria de volta no tempo, cerca de trinta minutos antes da ursa menor invadir Ponyville. Foi nessa parte que ela percebeu seu erro ao querer fazer as coisas com pressa, sem ter estudado o livro adequadamente: o último passo se referia apenas a um deslocamento dimensional mas não mencionava nada sobre deslocamento temporal, o que deixou a unicórnio na dúvida se ambos os termos seriam a mesma coisa, e naquele ponto ela não sabia como cancelar a magia. Em pânico, Trixie relia o livro às pressas para encontrar alguma instrução de cancelamento, mas já era tarde; um portal dimensional surgiu bem embaixo de seus cascos, revelando um lugar completamente diferente da biblioteca, onde ela acabou sendo sugada e caindo em uma estrada de terra. A unicórnio azul levantava atordoada, observando indignada seu chapéu e capa sujos de poeira; em seguida, observava atônita uma região que parecia estar bem longe do castelo e até mesmo de Canterlot, onde uma pequena casa próxima de um riacho próximo e várias animais andando pelos arredores chamou sua atenção.

“Funcionou!! Aquela casa pertence a uma pegasus amarela!” Ela acreditava ser a casa de Fluttershy, porque antes de apresentar seu show em Ponyville, se lembrou de ter passado em frente a observando cuidar de vários animais.

Ela corria animada em direção a Ponyville, onde esperava se encontrar consigo mesma e explicar como derrotar a ursa menor, exatamente como Twilight havia feito. Mas a cidade não estava lá, em seu lugar não havia nada senão um vasto campo desmatado. Quando voltou para a suposta casa de Fluttershy, viu uma criatura que jamais presenciou antes. Estava andando apenas com duas pernas, e em seu ombro parecia carregar algum tipo de instrumento agrícola; logo atrás surgiu mais uma saindo da casa, mas com o dobro do tamanho da primeira.

“Onde eu..estou?!”

Trixie ficava em pânico ao suspeitar que não estava mais em Equestria. O deslocamento, de fato, havia sido dimensional e não temporal. Ela olhava para os lados procurando o livro em desespero quando a criatura menor a observou na estrada de terra, se aproximando curiosa. A pônei azul ficava imóvel de medo, até aquele estranho ser ficar parado apenas três metros de distância dela. Agora Trixie podia vê-la nitidamente. Tinha um cabelo castanho longo, olhos verdes e uma roupa judiada com o tempo. Ela esboçava um sorriso, maravilhada com aquela pequena unicórnio azul. Quando se aproximou mais, porém, Trixie saiu em disparada correndo em direção aos campos desmatados, não dando importância nem mesmo ao seu chapéu que ficou para trás.

Em meio ao pânico, correu olhando por cima do ombro para ver se não estava sendo seguida, sem perceber que seguia em direção de um penhasco. Quando se deu conta já era tarde, e acabou caindo cerca de vinte metros de altura. Por sorte, caiu em cima de uma árvore, onde foi batendo em vários galhos até finalmente chegar ao chão. Ela olhava atordoada para os lados, antes de ficar com a visão turva a acabar inconsciente.

Quando acordou, tinha medo até mesmo de abrir os olhos. A única coisa que queria naquele momento era a certeza de que tudo não passou de um pesadelo. Mas logo começou a ouvir o som da correnteza do riacho e os animais do lado de fora da casa. Quando abriu os olhos, se deparou com um teto de madeira desgastado com o tempo assim como resto do quarto em que estava, um armário com várias bonecas sobre ele além de muitas ataduras em seu corpo. Perto dela estava aquele mesmo ser bípede de antes sentado em uma cadeira, olhando para a unicórnio. Observando novamente os curativos, imaginou que não lhe faria mal.

A criatura de cabelos castanhos colocou o chapéu e capa de Trixie em cima de uma raque que ficava ao lado da cabeceira da cama. Analisando a reação da unicórnio a azul, ficava claro para ela que sua capacidade de discernimento parecia acima de um animal comum. Dessa forma, tentou se comunicar com sua voz feminina, mas Trixie não entendia nada. Foi onde se lembrou de uma magia que possibilitava compreender outras línguas. “Pelo menos nessa parte fiz meu dever de casa.” pensou Trixie antes de executar a magia.

A criatura novamente falava: “você.. consegue me entender..?” Agora Trixie compreendia perfeitamente o que ela dizia.

“Sim… quem ou que é você? E que lugar é esse?”

A humana sorria. Para ela, ver aquela pônei se comunicar era como um milagre. “Meu nome é Melissa, mas todo mundo me chama de Mel.”

Antes que Trixie pudesse responder, ela corria para fora do quarto e voltava com a outra que tinha o dobro do seu tamanho.

“Ela pode falar!” comentava antes de se voltar para a unicórnio.” Essa é a minha irmã, o nome dela é Elen!”

Elen olhava para Trixie admirada e confusa ao mesmo tempo. A expressão no rosto das duas irmãs transmitia claramente para Trixie a ideia de que nunca viram um unicórnio antes. “De onde você veio e quem é o seu dono?” Perguntava Elen.

“Dono??” Trixie retrucava indignada. “Eu não tenho nenhum dono! eu…” Ela tentava levantar, mas seus ferimentos a impediam. “Eu sou de Equestria e vim parar aqui por acidente.”

“Equestria? Onde fica isso?” Elen franzia a testa enquanto perguntava, o que fez Trixie se lembrar imediatamente do livro.

“O livro!… preciso do meu livro! Foi ele que me trouxe aqui, e é a única coisa que poderá me levar de volta! Deve ter caído em algum lugar aqui perto, por acaso vocês não o viram?”

As duas irmãs olhavam uma para a outra confusas. Sem entender como um livro poderia realizar tal ato, Elen apenas mexia a cabeça negativamente. “Eu sinto muito. Tudo que posso lhe dizer é que agora você está na Terra e… bem. Não chegou em um bom momento. Talvez amanhã quando estiver melhor poderemos ajudá-la a procurar, mas agora é melhor você descansar.”

Antes de perguntar o que Elen quis dizer, Trixie apenas acenou, acreditando que com sua técnica de rastreamento de energia poderia encontrar o livro facilmente logo de manhã.

“Posso dormir com ela Elen?” perguntava Mel. Trixie olhava para Elen com um semblante visível de “não quero”. Então a irmã mais velha permitiu que a pônei azul descansasse sozinha no quarto. Ao amanhecer, Trixie finalmente conseguiu se levantar. Ela passeava pelo corredor da pequena casa, com cada passo fazendo as frágeis tábuas do chão de madeira rangerem, a casa toda parecia precisar de uma reforma, e ela não entendia como as duas suportavam morar naquele local, até finalmente as encontrar na cozinha e se deparar com uma cena assustadora, pelo menos para ela.

Uma das pernas de Mel estava em cima da mesa, com Elen mexendo nela. “O que em nome de Celestia você pensa que está fazendo??” Trixie perguntava atônita.

“Está tudo bem…” Respondia Mel. “É apenas uma prótese, eu perdi a minha perna verdadeira por causa da guerra.” A unicórnio azul sabia muito bem o significado de guerra, mas para ela era praticamente um mito, já que segundo a história de Equestria, a última guerra havia ocorrido há milênios. Se por um lado ela estava espantada com a cena, lhe chamou ainda mais atenção a naturalidade com que Mel havia falado sobre seu ferimento. Será que os humanos estavam tão acostumados assim com coisas ruins? Por um momento, Trixie se esquecia do livro e sentia alguma compaixão por ela, uma criança ferida gravemente era algo que a unicornio jamais poderia imaginar em sua vida, algo justificável para os padrões de Equestria onde amor e tolerância era uma cultura universal. Mal fazia um dia que a unicórnio estava naquele mundo, e ainda assim foi capaz de sentir uma mistura de sentimentos que jamais experimentara antes. Agora Trixie entendia o que Elen quis dizer sobre ter chegado em um “mal momento”.

Mel se levantava lentamente com a prótese já encaixada, ela se dirigia até o forno a lenha e em seguida levava até a mesa uma fôrma contendo pão caseiro, oferecendo para Trixie. “Fui eu que fiz!” Apesar de tudo, ela parecia contente, algo que a unicórnio azul não conseguia entender. Como ela poderia estar feliz naquele estado e ainda morando em uma casa tão desconfortável?

Esboçando um sorriso, Trixie aceitava educadamente o pão, se sentando em uma das cadeiras enquanto comia em silêncio. Mas o retrato de dois humanos aparentemente mais velhos sob e mesa logo a fez quebrar a quietude.

“Seus pais?”

“Sim, eles… eram.” Respondia Elen.

Pela expressão das duas irmãs, Trixie já havia compreendido o significado da resposta de Elen, incrédula com a quantidade de sentimentos tristes que chegavam até ela a cada minuto; suas frustrações em Equestria a fazia até se sentir envergonhada, não era absolutamente nada perto do que aquelas duas pareciam suportar.

“Fazia tempo que eu não via você tão contente Mel.” Dizia Elen enquanto se levantava da mesa e caminhava para fora da casa. Era como se o comentário de Elen respondesse a pergunta que a unicórnio havia feito para si mesma. Sua simples presença havia mudado a vida sofrida daquela criança, e se antes estava ansiosa para voltar para Equestria, agora se encontrava em um dilema consigo mesma. Repentinamente, Elen voltava com o livro em suas mãos, o colocando sobre a mesa na frente de Trixie, a surpreendendo pela facilidade com que havia sido encontrado. “Não foi difícil de achar,” Dizia Elen. “Seu livro é tão distinto e chamativo quanto você.”

Trixie ignorava Elen, mordendo os lábios enquanto olhava para Mel. Aquela criança era tão meiga, e seu coração picava ao imaginar seu sorriso desmanchando depois que ela partisse. Com seu chifre brilhando, ela começava a folhear o livro procurando pelo feitiço de retorno, e logo observava as duas espantadas. Ficou claro para ela que magia e telecinese não era algo exatamente comum naquele mundo. Finalmente, descobriu que não precisaria fazer nada para voltar. Sua estadia na Terra era temporária, exatamente como Twilight que ficou um determinado tempo no passado e depois automaticamente voltou para o presente, embora não mencionasse a quantidade de tempo que Trixie fosse ficar, apenas indicava “dias”.

Dessa forma, Trixie simplesmente tomou a decisão de ficar ao lado de Mel o máximo de tempo possível durante sua passagem temporária na Terra. Se por um lado a unicórnio queria impressionar o público, por trás disso também estava sua vontade de ser prestativa em algo, de querer contribuir com alguma coisa que pudesse melhorar o mundo, um sentimento de perfeccionismo comum na maioria dos unicórnios. Ela finalmente descobriu que essa utilidade era um tipo de magia que não precisava de seu chifre de unicórnio para funcionar, apenas de seu sentimento de amor, e isso não era difícil para um pônei.

Conforme os dias passavam, pessoas começavam a visitar a casa de Mel. Elen havia espalhado por todo o vilarejo próximo sobre Trixie, o que não agradou em nada a unicórnio, sem saber quais eram as intenções da irmã mais velha. O lado bom é que agora poderia sair livremente da casa, sem que sua presença alarmasse os habitantes da pequena cidade que já a conheciam, local em que ela pôde visitar pela primeira vez, apesar do desconforto de tantos olhares curiosos voltados para ela. As casas e prédios danificados por causa da guerra pareciam recentes, mas Trixie conseguia restaurá-los com sua magia, os deixando com aparência de novos.

Foi algo que a pegou de surpresa, pois em Equestria o mesmo procedimento levava muito mais tempo para ser executado, mas por alguma razão o mesmo poder fluía naturalmente naquele lugar, provavelmente decorrente da necessidade que ela tinha de tornar a vida de Mel especial enquanto estivessem juntas. Foi onde ela se lembrou do que sua mãe havia dito ao afirmar que “quem ama de verdade procura sempre ser agradável aos olhos da pessoa que está amando”. Aquela motivação fazia uma grande diferença, e isso atraía pessoas que vinham até ela reverenciá-la. Eles traziam pedras comuns e pediam para transformá-las em ouro. Outros traziam dinheiro e suplicavam para ela “clonar” uma nota de cem em dezenas de notas iguais, e outros traziam veículos em péssimo estado de conservação, que Trixie conseguia fazer todos voltarem a ser exatamente como eram poucos minutos depois de saírem da linha de montagem. A unicórnio fazia suas vontades sem hesitar, tudo o que ela queria era tornar a vida preta e branca de Mel e daquelas pessoas colorida. Sua estadia temporária deveria ser repleta de boas ações.

Infelizmente, Trixie ainda não conhecia a verdadeira natureza dos humanos. Se por uma lado ela, como equestriana, fazia as coisas enxergando o sentimento deles, por outro a maioria dos terráqueos enxergavam interesse nela, especialmente aqueles envolvidos na guerra, observando em seu poder um potencial instrumento bélico.

De qualquer maneira, pela primeira vez ela estava vivenciando aquilo que sempre desejava: várias pessoas a admirando, e ainda que não fossem pôneis. Finalmente se sentia útil em alguma coisa, e sem fracassar.

Depois de passar o dia todo na cidade, Trixie voltava com Mel para casa, orgulhosa de si mesma. Estava se sentindo uma Celéstia dos humanos. A emoção era tanta que passou a decorar cada palavra do livro, para se certificar que pudesse voltar assim que o feitiço acabasse. Apesar disso, ela não trocava a humilde casa de Mel e Elen por uma mansão outrora oferecida pelo prefeito da cidade. A unicórnio não queria um “castelo”, apenas passar seu tempo com Mel enquanto o feitiço durasse, temendo não conseguir voltar mesmo memorizando cada palavra do livro.

Mas a fama às vezes a aborrecia. Quando Trixie queria ficar em paz, longe de tanta atenção, viajava com Mel para algum local isolado, onde as duas pudessem passar o tempo juntas. Seu lugar preferido era o pico mais alto de uma montanha onde a unicórnio adorava ficar aconchegada nos braços de Mel, esperando o pôr do sol que resultava em uma bela paisagem, tornando tudo ao redor alaranjado. Durante dois anos essa foi a vida de Trixie, ela estava tão apegada àquela humana que a tinha como filha adotiva, e não poderia suportar a ideia de regressar para Equestria sem ela.

O que as duas não sabiam, é que a guerra ainda não havia terminado. Numa certa manhã, Mel e Trixie acordaram assustadas com tanto barulho. Ao saírem da casa, se surpreenderam com vários veículos militares e um helicóptero que pousava bem próximo da casa delas. Trixie já havia visto a foto de uma aeronave daquelas em um jornal, mas nunca imaginou que fosse tão grande e barulhenta. Dele, saíram vários soldados e um homem mais velho, que era chamado pelos outros de General. Ele se dirigiu até elas, com sua vestimenta verde escura e várias insígnias no peito; em seguida removeu seu quepe meneando a cabeça levemente em sinal de cumprimento.

Ele explicou que a guerra havia chegado em um estado crítico, e queriam que Trixie os ajudassem com seus poderes mágicos a combater os inimigos. Elen concordava, afirmando que queria vingar a morte dos pais, mas Mel negou, pois não queria colocar a vida de Trixie em risco e nem ver ela fazendo mal aos outros. A unicórnio, obviamente, concordava com Mel. Depois de muita insistência, os militares acabaram indo embora insatisfeitos e Trixie voltava para dentro da casa com Mel montada nela. Elen adentrava a casa logo atrás das duas, as repreendendo.

“Não é um momento para pensar em virtudes, tem uma guerra lá fora e não podemos ficar de braços cruzados!” Dizia em voz alta.

“Se Trixie tiver que usar seus poderes contra alguém seria apenas em legítima defesa!” retrucava Mel.

“É isso mesmo, uma ursa maior só ataca quando é provocada.” Completava Trixie.

O dia seguinte passava normalmente, exceto pelo fato de Elen ter deixado uma carta avisando que não voltaria para casa naquela noite. Trixie estranhava, já que ela nunca havia feito isso antes, mas não deu muita importância. Durante a madrugada, enquanto as duas dormiam, um míssil caiu bem próximo da casa, mas a explosão foi suficiente para destruí-la por completo. Trixie acordava ferida, ainda sem entender o que estava acontecendo, mas tudo o que ela queria naquele momento era encontrar Mel em meio aos escombros. Ela ouvia seus gemidos, e logo levitou uma das paredes da casa. Mel não conseguia falar em função dos ferimentos, e Trixie não possuía nenhuma magia de cura, seu poder restaurativo funcionava apenas em objetos. Na escola de mágica ela queria se especializar apenas nas “mais chamativas possíveis”. A unicórnio entrava em desespero sem saber o que fazer, e logo surgiram os militares do nada para prestar socorro. Ferida na cabeça, Trixie acabava desmaiando.

Ao acordar, se viu em um hospital, e na cama ao lado estava Mel. Ela se levantava, ignorando a agulha com o soro, mesmo com as enfermeiras tentando impedi-la.

“Mel! Fala comigo!! Você está bem??”

Com os olhos vendados, Mel tentava encontrar Trixie com as mãos, finalmente encontrando um de seus cascos apoiado sobre a cama. “Eles disseram que vou ficar bem.”

Os médicos olhavam um para o outro com preocupação, alguns até saíam do quarto coçando a cabeça. A unicórnio percebia através de suas atitudes que havia algo errado.

O que foi?? O que ela tem??” perguntava Trixie.

“Ela… nunca mais vai enxergar, eu sinto muito.”

Por um dado momento, parecia que o coração de Trixie havia parado de bater. Ela não podia acreditar no que acabou de escutar. Durante os dois anos na Terra, Mel havia ensinando a Trixie o alfabeto local, ela sempre lia em jornais notícias sobre famílias perdendo suas casas e entes queridos, seja pela guerra, seja por crimes, uma dor que ela passou a sentir pessoalmente. Se recusando a sair do lado de Mel, as enfermeiras tiveram que improvisar a cama para comportar as duas. A unicornio passava o dia todo deitada ao lado dela, até que um dos médicos solicitou a presença da unicórnio em seu escritório. Não demorou muito para Trixie perceber que estava em um hospital situado em uma base militar. No escritório, se deparou com o mesmo General de antes, mais uma vez insistindo para Trixie ajudá-los a evitar que “mais inocentes fossem pegos em suas casas de surpresa”. Quando voltava para o quarto, viu Elen sentada na cama ao lado de Mel.

“Você estava certa Elen, fui egoísta e agora vou reparar meu erro. Quem fez isso com Mel vai pagar.” A irmã mais velha apenas sorria sem dizer nada.

No dia seguinte, Trixie estava dentro de um caminhão militar com doze soldados, e logo atrás vinha mais vinte e nove caminhões com a mesma quantidade de homens. Suas ordens eram de envolver todos em um campo de força enquanto atacavam os inimigos. Quando finalmente chegaram no campo de batalha, ela observava pela janela dezenas de helicópteros, soldados correndo pelos campos e explosões por todos os lados, uma cena mais assustadora do que qualquer conto de terror que ouviu em Equestria. Os caminhões paravam em meio ao combate onde os homens saíam às pressas empunhando suas metralhadoras, porém confiantes.

“Agora Trixie!! Nos envolva com o campo de força!!” falava o comandante da operação.

Porém, o inesperado aconteceu. Trixie não conseguia usar sua magia. Foi onde ela se lembrou que, dependendo de um estresse ou um trauma muito grande, um unicórnio poderia perder seus poderes mágicos por tempo indeterminado. E de fato, ser acordada na madrugada com a casa sendo destruída e descobrir que a pessoa que mais amava ficou gravemente ferida, era o pior dos traumas.

A derrota acabou sendo iminente, e não restou outra opção senão uma ação evasiva das tropas. Assim que voltaram para a base, Trixie era ignorada pelos soldados. Ela decidiu ir até o General explicar o motivo de ter perdido seus poderes, mas parou próxima da porta ouvindo pela janela do escritório uma conversa entre ele e outros militares:

“A ideia de provocar aquela unicórnio foi um fracasso, recomendo voltarmos à estratégia anterior.”

Enfurecida, Trixie corria até Elen, coiceando a porta do quarto com tanta força que uma das dobradiças chegou a se deslocar.

“Foi você que deu a ideia não é?”

“Eu não sei do que você..”

“Você falou pra eles atacarem a nossa casa!!! por isso deixou uma carta falando que não iria voltar naquela noite!!!

“Você disse que uma ursa maior só ataca quando é provocada…” respondeu Elen chorando. “Eu queria vingar a morte dos meus pais!”

“Nos sacrificando?? você acha que isso era mais importante do que a vida da sua irmã que acabou de arruinar??”

“Eu..eu…”

“Para o seu próprio bem não diga mais uma única palavra, pegue suas coisas e saia desse quarto agora! fique bem longe de nós!” finalizava Trixie apontando um casco para a porta.

Quando Mel recebeu alta, Trixie a levou de volta para sua província natal. Não foi difícil as duas ganharem uma casa nova na cidade que a unicórnio havia mudado completamente. Foram tempos difíceis, onde Trixie sem seus poderes tinha que ajudar Mel cega, já que Elen havia desaparecido após o sermão. Uma coisa que Trixie passou a sentir falta foi o fato de que ninguém mais a reverenciava ou lhe dava atenção como antes. Aqueles que viviam pedindo dinheiro, a idolatrando e a chamando de deusa, simplesmente desapareceram. Foi onde ela finalmente compreendeu que a natureza dos humanos não era enxergar sentimentos, e sim interesse. A própria doutrina religiosa dos humanos era diferente dos pôneis: dízimo para os humanos significava dar alguma coisa para receber outra em troca, mas para os pôneis, dízimo significava tão somente dar ou ajudar alguém de coração, sem esperar reconhecimento ou algo em troca.

Certa noite, quando Trixie estava voltando com as compras do jantar, viu dois veículos estacionados na calçada de sua casa. Ela soltava os pacotes que segurava com a boca e corria o mais rápido que podia, temendo que algo pudesse ter acontecido com Mel. Mas quando entrou, se deparou com os tios dela, além de Elen segurando várias malas.

“Nós viemos buscar Mel, ela terá um tratamento médico adequado em outro país”. Afirmou uma das tias.

Pensativa, a unicórnio apenas acenava. “Tudo bem, eu vou com ela.” Respondia Trixie. Mas a resposta dessa mesma tia a surpreendeu.

“De jeito nenhum, é por sua causa que nossa Mel está assim, se tivesse aceitado ir para a guerra, ela ainda estaria enxergando!” Foi a primeira vez que Trixie conheceu outros parentes de Mel além de Elen, e a frase “nossa Mel” soava no mínimo hipócrita para ela. Onde estavam esses tios e tias durante todos esses anos?

Enquanto eles levavam as malas para os carros, Trixie subia as escadas às pressas até o quarto de Mel, procurando por ela. Repentinamente, ouviu o som dos motores dos veículos e correu rapidamente para fora da casa, mas tudo o que a unicórnio presenciou foram eles partindo, sem nem mesmo ver Mel se despedir dela. Trixie ficava vários minutos parada, observando os veículos sumirem na neblina do anoitecer. Voltando para dentro da casa, ficava olhando os móveis, andando em círculos, era muita coisa para pensar ao mesmo tempo. De repente, e como em um irônico passe de mágica, a unicornio estava sozinha.

Fazia muito frio naquela noite, mas ainda assim ela caminhava pelas ruas mal iluminadas, até chegar nos campos desmatados, onde finalmente encontrou o penhasco em que havia caído no dia que chegou na Terra. Ficando parada em sua beira, com o vento gélido atingindo seu rosto, observava que a árvore que outrora salvara sua vida não estava mais lá, em seu lugar havia um grande entulho de veículos militares destruídos pela guerra. Com muitas lágrimas, ela fechava os olhos, meditando sobre tudo o que aconteceu. Alguma coisa a havia trazido àquele lugar, até observar que em meio ao entulho de ferro velho se encontrava uma antiga carroça.

Aquela visão a fez recordar de seu pai, de quem ganhou a carruagem mágica para apresentar seus shows. Ele dizia ser parecido com ela quando era jovem. Queria ser famoso e cheio de amigos a qualquer custo, até entender que isso não era importante. Os verdadeiros amigos ficariam ao lado dele independentemente de ser um grande mágico, orador ou qualquer outra coisa, lhe desejariam o bem e vice versa, enquanto que os amigos oportunistas sempre seriam as piores das companhias. E assim como ele aprendeu com seus erros, esperava que Trixie fizesse o mesmo, mas muitas vezes ela ia longe demais, até acabar destruindo a carruagem em Ponyville e manchar sua reputação.

 “Foi por isso que vim parar aqui pai. Porque não te ouvi.”

Trixie voltava para casa de cabeça baixa, tudo o que esperava agora era que o feitiço acabasse logo para regressar a Equestria, mas já fazia tanto tempo que estava na Terra que a unicórnio chegava a duvidar se isso realmente iria acontecer. Chegando em casa, ela se deitava na cama, esgotada até mesmo para puxar a coberta com os dentes. Aos soluços, fechava os olhos ainda não acreditando no que aconteceu. De repente, sentia uma mão calorosa tocar em suas costas.

“Não precisa chorar, eu nunca vou te abandonar.”

Era a voz de Mel, ajoelhada na cabeceira da cama com os olhos fechados, finalmente encontrando a crina de Trixie para acariciá-la. A unicórnio se levantava surpresa.

“Me..Mel?? mas eu vi você indo embora!”

“Eu sei, briguei muito com eles por me colocarem à força dentro do carro, e principalmente porque não me deixaram nem mesmo ver você.”

“Mas… como você os convenceu a voltar?”

“Eu ofereci a eles o restante do ouro que nós escondíamos no porão em troca de me deixarem ficar.” Pausava, suspirando. “Eles não hesitaram em nenhum momento… mesmo não podendo enxergar sei que foram embora com sorrisos nos rostos.”

“O ouro guardado no porão?? Mas precisávamos dele para comprar seus remédios Mel..” Continuava aos soluços. “Acho que nunca falei isso antes, mas me perdoe por não ter ido naquela guerra…”

“Trixie, o que aconteceu com meus olhos não foi culpa sua, foi culpa da minha irmã. Você sim foi uma verdadeira irmã, e até mãe. Prefiro perder todo o ouro do mundo do que perder você. Com ou sem magia eu te amo!”

Trixie recebia um caloroso abraço de Mel, era como um remédio curando todas as suas frustrações e afastando os sentimentos ruins. Finalmente ela compreendeu o que o seu pai queria dizer. Os verdadeiros amigos o amam por quem você é, e não pelo que pode fazer ou tem a oferecer. Aqueles que a idolatravam, logo a abandonaram quando souberam que não poderia mais usar sua magia, quando não teria mais nada a oferecer. Mas Mel, mesmo sem enxergar, ainda estava ao seu lado, e sempre estaria, até o fim. Pela primeira vez, Trixie enxergava a vida sob uma perspectiva completamente diferente. Não dava mais a mínima se alguém a achava a “grande e poderosa Trixie” ou uma simples pônei. Ela estava feliz do mesmo jeito.

Infelizmente, a guerra ainda não havia terminado, e em plena luz do dia ouviu-se uma sirene na cidade; muitos corriam desesperados para se abrigarem e outros com seus carros tentavam fugir em meio ao congestionamento. Mais uma vez, Trixie observava dezenas de aviões sobrevoando a cidade, e dessa vez estava claro que não era outra armação do General e Elen.

Ela ajudava Mel a montar em suas costas e corria o mais rápido que podia para o porão antes que o bombardeio começasse. Depois de ficarem várias horas presas, Trixie conseguia sair do porão, onde se deparava com uma cidade em ruínas e ainda em chamas. Ela ajudava Mel, onde ambas caminhavam pelo que restou das casas e prédios. Repentinamente, são surpreendidas por vários soldados armados. Naquele momento de tensão, Trixie se posicionava na frente de Mel, disposta a protege-la até o fim, mas ambas são atingidas por dardos tranquilizantes, como se aquele exército não estivesse apenas invadindo a cidade, mas à procura delas.

Trixie acordava acorrentada em uma jaula, com vários soldados e aquele mesmo General de antes junto deles. A unicórnio não o encarava tão surpresa dessa vez. “Traiu seu país General??”

“Pelo contrário, ofereci você e seu poder de transformar objetos brutos em riqueza em troca de uma aliança, nada mais.”

“EU NÃO CONSIGO USAR MEUS PODERES E VOCÊ SABE DISSO!” respondia enfurecida.

“Isso não é mais problema meu, por que você acha que está em um laboratório?”  

Dentre os aliados, ela observava vários homens vestindo jalecos brancos. Eram cientistas, e estavam lá para estudá-la, talvez por isso mesmo que estivesse tão bem acorrentada.

Nada do que eles tentavam dava certo para aprenderem sobre os poderes de Trixie, e mesmo em meio à dor de injeções e descargas elétricas, Trixie só conseguia pensar em Mel, até ficar inconsciente. A unicórnio acordava ao som de vários helicópteros sobrevoando a base, o laboratório estava vazio e o relógio na parede indicava duas da manhã. Essa era a única chance que ela poderia ter de escapar. Apesar de estar bem acorrentada, ela ainda tinha seu chifre de unicórnio. Em suas apresentações costumava usá-lo para abrir fechaduras aparentemente insuperáveis. Primeiro tentou nas correntes dos cascos, e conseguiu se livrar deles, depois na porta da jaula, e mais uma vez obteve êxito. Ela pulava para fora, com o cuidado de não fazer barulho. Tudo o que queria era encontrar Mel e sair de lá o mais rápido possível.

A unicornio se dirigia até a janela, onde observava soldados fazendo ronda. Cuidadosamente a abriu e utilizou seu faro aguçado para tentar encontrar Mel. Finalmente, ela chegou até uma enorme grade no chão, era uma espécie de fosso onde ficavam os prisioneiros. Quando olhava para baixo, observou Mel junto deles. Trixie pedia para não fazerem barulho enquanto abria a grade com seu chifre.

Mel!” As duas se abraçavam no que parecia ser uma eternidade.

“Eu sabia que você viria.” Dizia Mel.

Trixie a beijava na testa. “Nós fizemos a promessa Pinkie Pie de nunca mais nos separarmos de novo.” Porém, antes que pudessem achar uma saída, o alarme disparava, e vários soldados gritavam que a unicórnio escapou. Sem ter tempo de pensar em algo, Trixie, Mel e os outros prisioneiros já haviam sido rapidamente abordados.

“Voltem para a cela agora!”

“NÃO!” dizia o General saindo das sombras. “Punam esses como exemplo e levem a unicórnio de volta para o laboratório.”

Trixie era mais uma vez acorrentada e observava Mel e os outros prisioneiros caminhando até o centro do pátio. Quando pararam, vários soldados apontavam suas armas para eles, fazendo a unicornio entender o que seria a punição ordenada pelo General.

Foi o pior erro dele. Se um trauma fazia os unicórnios perderem seus poderes, agora Trixie descobriu que o desespero de salvar alguém poderia fazer exatamente o contrário. O que aconteceu com Trixie naquele momento foi exatamente o que ocorreu com Twilight Sparkle no dia que ganhou sua marca especial. Seu corpo foi envolvido por uma enorme aura de energia azulada que destruiu facilmente as correntes em seu corpo. Assustados, os soldados atiravam nela, mas nada acontecia. Com seus olhos brilhando, ela fazia os soldados flutuarem e em seguida os arremessava para longe. Porém, mais soldados apareciam, e dessa vez disparos de bazucas eram deflagrados contra ela, levantando uma cortina de fumaça. Com uma aparente vitória dos soldados em meio à poeira levantada, o céu começava a se encher de nuvens negras, e relâmpagos enfurecidos caíam sob a cabeça dos soldados que fugiam em pânico.

“Liberem o protótipo dos alemães!” gritava o General. Um tanque modelo Panzer, o mais avançado da época, surgia em meio à confusão apontando seu canhão contra Trixie. Em seu interior, o piloto esboçava um sorriso malicioso quando a unicórnio ficava em sua mira, mas tudo o que ele viu em seguida foi uma enorme rajada de energia vindo em sua direção, e repentinamente não havia mais tanque e nem piloto, apenas uma enorme e funda cratera. Desesperado, o General subia abordo de um helicóptero, ordenando que o piloto disparasse todos os mísseis contra ela. A segunda decisão mais infeliz que poderia tomar.

Trixie fez o helicóptero se teleportar bem na frente dos mísseis disparados por ele mesmo, não sobrando nada além de uma bola de fogo e metais retorcidos.

Assustados com seu poder, os outros soldados fugiram, e os prisioneiros finalmente estavam livres. Mel era ajudada pelos outros a chegar até Trixie, mas a unicórnio sentia que havia algo errado, ela não conseguia se mexer.

T-Trixie? Tudo bem?”

“Tem.. alguma coisa errada Mel.. eu me sinto…”

De repente, um clarão de luz a envolvia, e quando cessou, ela estava dentro da biblioteca de Canterlot. Os pôneis que consultavam livros observavam pasmos aquela unicórnio azul aparecer do nada cheia de ferimentos e cicatrizes. O feitiço havia terminado, e Trixie finalmente voltou para Equestria. Desesperada, se lembrou que o livro foi destruído na Terra junto com a casa de Mel e Elen, a impossibilitando de memorizá-lo por completo. Então decidiu partir para seu único recurso. Explicou para Celéstia o ocorrido e pediu para ajudá-la a voltar. As duas seguiram até a biblioteca, e Celéstia explicou a Trixie que havia usado o livro errado. Aquele era para viajar no espaço tempo dimensional e não somente no tempo, embora ambos tivessem o mesmo efeito de manter seu usuário temporariamente deslocado no espaço tempo. O período de Trixie na Terra havia se esgotado, embora mesmo assim foi uma surpresa ela ter ficado tanto tempo.

Além disso, Celéstia considerou os livros perigosos e ordenou destruir todos os exemplares restantes. Salientou que levaria pelo menos um mês para fabricar um novo, e devido à experiência que teve com uma pégasus, Celéstia explicou que um dia em Equestria correspondia a um ano na Terra, e que portanto, até o livro ficar pronto, já teriam se passado trinta anos na Terra.

De fato, Trixie percebeu que pouca coisa mudou ao seu redor. Enquanto passou dois anos na Terra, só havia passado dois dias em Equestria. Desesperada, a unicórnio ignorava Celestia e procurava por outro livro nas prateleiras, derrubando uma atrás da outra. Sentindo seu desespero, Celéstia usou sua mágica para fazê-la dormir. Quando acordou, estava em seu quarto, com seus pais sentados ao lado dela, explicando que já sabiam do ocorrido. Por horas eles ficavam conversando, e no final seu pai apenas dizia para ela ter fé que tudo acabaria bem.

Mesmo assim foi o mês mais longo para Trixie. Quando veio até ela a notícia de que o livro estava pronto, ela correu ansiosa até Canterlot para se encontrar com Celéstia. A Princesa, no entanto, parecia menos otimista do que Trixie, como se já soubesse qual seria o resultado.

“Tem certeza que quer fazer isso?”

“Por favor Princesa, eu prometi que nunca iria abandoná-la.”

Assim, Celéstia iniciou a magia e ambas foram imediatamente teleportadas para o local onde Trixie havia recuperado seus poderes. De fato, puderam comprovar que já havia passado trinta anos naquele mundo. Aquela base militar estava às ruínas e cheio de matagal, e ao seu redor, que antes era uma floresta, prédios por todos os lados. Foi quando avistou no centro daquela estação abandonada uma estátua de bronze, que parecia ser de uma unicórnio e uma criança montada nela.

Quando se aproximaram mais, não restava dúvidas que a estátua representava Trixie e a criança montada, Mel. Em sua base havia uma placa com uma mensagem. Obviamente, Celéstia não entendia o que estava escrito, mas Trixie sim. Na placa estava os dizeres: “Em homenagem à unicórnio Trixie e a todos os prisioneiros que morreram como heróis naquela noite, ao derrotarem o General e ditador deste Estado.”

Trixie deduziu que após o seu desaparecimento, os soldados voltaram para a base. A unicórnio repousava sua cabeça aos soluços na estátua. Não restava nada mais a ser feito, senão voltar para Equestria. Mas Trixie se negava, ela ativava sua magia, tentando rastrear Mel, mesmo com Celestia afirmando que ela não estava mais naquele mundo. Não aceitando tal afirmação, ela corria em direção aos prédios, até ser detida por um feitiço de Celestia que a fez dormir novamente. Cuidadosamente, a Princesa a colocou em suas costas, e ambas retornaram para Equestria.

A unicórnio nunca mais se interessou em apresentar shows, e passava a maior parte do tempo trancada em seu quarto. Seus pais ficavam preocupados, e passavam horas conversando com ela, tentando ajudá-la a superar sua tristeza. Depois de tudo o que aprendeu na Terra, Trixie não se permitiria decepcionar seus pais novamente, ou deixar de escutá-los. Por isso, tentou voltar a ter uma vida normal, por eles e por Mel. Certo dia, assistiu a celebração do dia das mães, onde ficou sabendo que Rainbow Dash havia adotado Scootaloo.

Ela se lembrou que Mel e Elen também eram órfãs. Imaginou que talvez seu destino não fosse ser mágica, embora sua marca especial mostrasse o contrário. Mas agora entendia que Mel só havia reencontrado a felicidade após a perda dos pais, quando a conheceu, e que talvez pudesse fazer o mesmo pelas crianças de Equestria. Assim, ela foi até o orfanato local, os funcionários que conheciam Trixie e seu temperamento se surpreenderam ao ver a unicórnio se dar tão bem com as crianças.

Sob ordens de Celéstia, foi concedido um emprego à Trixie no orfanato, e ela sempre era motivo de alegria para as crianças. O tempo foi passando, e Trixie finalmente havia encontrado a paz consigo mesma. Certo dia, Celéstia foi ao orfanato visitá-la, onde a encontrou trabalhando no pátio.

A unicórnio se curvava para ela em sinal de respeito, mas as crianças só fizeram o mesmo depois que Trixie pediu. Celéstia sorriu.

“Vejo que está fazendo um ótimo trabalho Trixie.”

“Obrigada Princesa, como posso ajudá-la?”

Celéstia revelava debaixo de suas asas uma pônei terrestre de apenas três anos de idade. “Fiquei sabendo que ela não tinha onde ficar”.

 “Olá minha querida!” Dizia Trixie se aproximando dela. A unicórnio azul a abraçava carinhosamente, até que ao olhar mais atentamente para ela, viu algo familiar em sua crina castanha e olhos verdes.

“Qual o seu nome?”

 “M-meu nome é Mel!”

Lágrimas escorriam pelos olhos de Trixie.

“Vocês prometeram ficarem juntas para sempre!” Dizia Celestia.

Aos soluços, a unicornio abraçava Mel, sentindo a mesma energia da humana com quem aprendeu o verdadeiro significado da vida. Agora nada e ninguém iria separá-las novamente.

A marca especial de Trixie continuava a mesma, exceto pelo fato que na extremidade da varinha de condão não havia mais uma estrela, e sim um coração.

Fanfic, Fanfics estrangeiras

De onde vem a coragem

Floresta-Everfree

Autor: Once in a Blue Moon

Tradução: Drason

SINOPSE: Após o incidente com a Hydra no pântano Froggy Botton Bogg, Fluttershy passava a maior parte do tempo reclusa em sua casa. Buscando meios de superar o trauma, ela vai descobrir que a cura vai muito além de simplesmente enfrentar o medo.

—-

Era uma noite fria de outono em Ponyville. O sol estava se pondo, e seus raios finais atingiam uma pequena casa nos limites da Floresta de Everfree com uma bela luz alaranjada. No lado de fora da casa, uma pegasus amarela com uma crina rosa alimentava seus animais,  acompanhada por uma alicórnio roxo que conversava com ela animadamente. Ou mais precisamente, falando para ela.

“…e eu nem mesmo sabia que existia!” Twilight Sparkle concluía, olhando para Fluttershy.

“Isso é, hum, legal,” disse Fluttershy, um pouco insegura sobre como responder ao entusiasmo da amiga.

“Ela é tóxica para os pôneis, assim como para a maioria dos herbívoros, que provavelmente é o motivo de eu não ter lido sobre isso em nenhum livro de medicina. Mas aparentemente na maioria dos carnívoros o único efeito colateral é uma leve indigestão. Me pergunto por que isso ocorre.” Twilight continuava.

“Você não perguntou pra ela?” Fluttershy questionava, olhando para Twilight com um interesse renovado em seus olhos.

“Zecora poderia até ter me explicado, mas com o jeito dela falar eu não iria conseguir entender muita coisa. Toxicologia não é um dos meus temas mais fortes, especialmente quando é entregue com palavras que não rimam corretamente,” admitia a alicornio, um tanto tímida.

“Bem, isso é uma pena, mas você não pode esperar ter conhecimento de tudo, Twilight,”

“Não, mas…” Twilight pausava, com uma ideia emergindo em sua cabeça, “Já sei! Fluttershy, por que você não vem comigo na próxima vez que eu visitar a Zecora? Você é mais experiente com animais do que eu, então poderia entender melhor o que a Zecora fala e anotar as informações para mim. Assim eu poderia ler quantas vezes fosse necessário para aprender!” Fluttershy reconhecia o olhar ligeiramente empolgado de sua amiga, que sempre ocorria quando estava em busca de conhecimento.

“Eu não sei Twilight, isso soa como se você fosse conversar sobre coisas terrivelmente inteligentes e complexas com Zecora, e eu não iria querer ficar em seu caminho e te atrapalhar…” Fluttershy respondia, olhando para o interior da floresta Everfree. O sol já havia sumido, e a floresta estava totalmente escura e aparentemente perigosa. O que certamente era, já que em várias ocasiões elas se depararam com criaturas hostis, como a Hydra gigante em especial que ainda assombrava os pesadelos da pegasus amarela quase um ano depois, e era raro ela se aventurar tão adentro da floresta depois desse dia.

“Mas é claro que você não vai me atrapalhar, e tenho certeza que também irá achar fascinante,” Twilight observava o olhar nervoso de Fluttershy na direção da floresta, compreendendo sua amiga. Ela não poderia tranquilizar Fluttershy de que seria um lugar perfeitamente seguro, já que Everfree demonstrava o contrário; mas sabia que as chances de encontrar alguma coisa realmente perigosa eram mínimas, mesmo com as lembranças de suas desventuras. “Não se preocupe – nós iremos juntas, e cuidaremos uma da outra. Estarei mais segura com você também, já que você é muito melhor para lidar com animais.”

“Hum, tudo bem então, se você realmente acha isso.” Disse Fluttershy eventualmente. Sentindo-se um pouco mal por pressionar Fluttershy, mesmo por uma boa causa, Twilight mudava de assunto. Estava bem escuro quando elas se separaram, e Fluttershy se sentia aliviada por voltar para sua quente, aconchegante e segura casa, logo após a saída de Twilight. Ela olhava pela janela em direção de Everfree, com as sombras longas das árvores se estendendo na direção dela com o levantar da lua, fazendo-a tremer. Então Angel a lembrou sobre o jantar, e ela puxou as cortinas.

Passaram duas semanas antes que Twilight fosse visitar Zecora novamente, e Fluttershy estava esperançosa que Twilight tivesse esquecido sobre sua promessa, quando em uma certa tarde ela ouviu um batido na porta. Fluttershy abriu, recepcionando Twilight parada do lado de fora com alforjes estufados de materiais e um sorriso entusiasmado.

“Olá Fluttershy, você está livre nesta tarde?” Perguntava Twilight.

“Oh, hum, olá Twilight. Não tenho nada planejado,”

“Ótimo! eu estava indo visitar a Zecora hoje, e tive esperança de que você pudesse vir comigo,” Twilight dizia, e depois que Fluttershy falhou em reagir com um nível apropriado de entusiasmo, ela continuou, “Nós vamos perguntar a ela sobre animais, suas dietas, e por aí vai, lembra?”

Fluttershy não queria visitar Zecora; sua cabana ficava em um ponto profundo de Everfree, mais do que Fluttershy havia adentrado em meses. Não tinha como negar seu medo pela floresta, mas ela disse a Twilight que iria. E vendo o quanto sua amiga estava interessada na possibilidade de aprender coisas novas com a Zecora, a pegasus amarela também não queria desapontá-la.

“….Fluttershy, tudo bem?”

“Claro!” Disse Fluttershy, antes de recuperar sua compostura. “Sim, tudo bem. Só vou pegar minhas coisas.” Não levou muito tempo, ela mantinha um caderno com anotações veterinárias e um lápis em seu alforje, pendurado ao lado da porta, apenas no caso dela ser chamada em uma emergência inesperada, e tudo o que ela teria que fazer era pegá-lo de imediato. Com uma palavra tranquilizadora para Angel de que estaria de volta na hora do jantar, seguido de outra palavra reconfortante de Twilight que ficaria tudo bem, Fluttershy e Twilight partiram.

O sol ainda estava brilhando, mas em Everfree a passagem de luz pelas folhas das árvores era fortemente filtrada. Todas as cores pareciam opacas, como se a floresta drenasse a vida de quase tudo, como se estivesse desafiando os tolos que se atrevessem a entrar nela. Desesperada em parar com essa linha de pensamento antes que fosse ainda mais longe, Fluttershy tentava identificar algumas das plantas que cresciam pelo caminho da floresta. Haviam poucos frutos, e se ela voltasse naquele mesmo local no outono, provavelmente haveria uma boa colheita.

Se os seus medos não amenizavam pelo menos se enterravam, e Fluttershy começava a relaxar.  Twilight, que estava presa em seus próprios pensamentos acadêmicos, percebeu e sorriu. Elas caminhavam em silêncio na maior parte da estrada, e Twilight pensava em todas as perguntas que poderia fazer a Zecora enquanto que Fluttershy distraía-se observando a diversidade botânica. Não era particularmente longe a cabana de Zecora, mas o terreno acidentado e cheio de obstáculos tornava a viagem mais morosa. Quando Twilight e Fluttershy alcançaram a cabana, Twilight batia na porta, com Fluttershy se afastando um pouco. A unicórnio roxo entrava quando a porta se abriu, com Fluttershy a seguindo em alguns momentos de hesitação.

O resto da tarde passou voando para Fluttershy. Ela conversava com Zecora sobre medicina veterinária, ervas, raízes e frutos, sobre a biologia dos animais e pôneis; enquanto Twilight anotava, desenhava e elaborava gráficos freneticamente em seu caderno. Finalmente, depois que Zecora arrancou de Fluttershy uma promessa de voltar a visitá-la para conversar mais, Twilight e Fluttershy se despediram e partiram.

“É bom ver você um pouco mais à vontade, Fluttershy,” disse Twilight enquanto elas percorriam o caminho acidentado de volta para Ponyville, “você parecia tensa na maior parte do tempo, e eu fiquei preocupada.”

“Mesmo? Espero não ter te preocupado muito. Não gosto de deixar os outros preocupados.”

“Mas você esteve nervosa praticamente o tempo todo não é mesmo.” Twilight pressionava, não querendo fazer exatamente uma pergunta. Fluttershy pausava por um momento, imaginando a melhor resposta para dar a Twilight. No final, ela decidiu pela verdade.

“…Sim.”

Twilight parava e olhava diretamente para Fluttershy, tentando dar a ela um olhar confortável.

“O que foi?” Ela perguntava gentilmente, “O que aconteceu?” Tendo ido longe demais para voltar atrás, Fluttershy respirou fundo e começou a falar.

“Você se lembra da hydra gigante no pântano Froggy Botton Bogg? Quando eu estava ajudando todos aqueles pequenos sapos? Bem, aquele pântano não é muito longe de Everfree, e eu nunca havia visto algo tão grande e perigoso lá antes. Eu acreditava que estava segura, mas se você, Applejack, Spike e Pinkie Pie não tivessem aparecido, eu, hum…” Fluttershy parava de falar, com sua mente imaginando bocas enormes cheias de dentes afiados.

“Fluttershy, está tudo bem,” Disse Twilight, “Nós estávamos lá. Eu estou aqui. E você está bem.”

“Desculpe Twilight. No entanto, você entende onde quero chegar, não é? E se não estivessem lá? E se vocês não estiverem lá da próxima vez? Onde mais não é seguro?” Fluttershy respirava com dificuldade pelo tempo em que tinha acabado de falar, e não pelo esforço. Não era de se admirar que ela estivesse nervosa, ela tinha se traumatizado com aquele incidente. Na época, Twilight pensava apenas em Pinkie Pie e seu inexplicável sentido de prever as coisas, a ponto de desconsiderar suas outras amigas. Foi uma lição que ela havia aprendido. Ela também percebeu que o sol estava começando a sumir no horizonte, e que logo Everfree estaria completamente escuro. Poderia ser melhor se Fluttershy não estivesse refletindo sobre como a vida poderia ser perigosa e imprevisível quando aquilo aconteceu, pelo menos não naquele momento.

“Hum, Twilight, está ficando muito escuro,” disse Fluttershy, fazendo Twilight desejar que tivesse ficado de olho no horário no momento em que estavam com Zecora.

“Sim, bem… é melhor nos apressarmos. Angel vai estar se perguntando sobre a nossa volta até o jantar.”

“Twilight, os lobos de madeira conhecidos como Timber Wolves caçam à noite,” disse Fluttershy, sem nem mesmo tentar esconder o medo em sua voz.

“Eles apenas caçam pôneis quando não têm escolha, se lembra? Você mesma me ensinou isso,” respondeu Twilight, desesperada em tentar tranquilizar Fluttershy. Mas a pegasus amarela não estava mais pensando racionalmente; tudo o que ela podia ver eram as sombras das árvores se esticando em direção a ela, cabeças enormes com dentes afiados… “Fluttershy, olhe para mim. Me escute.” Twilight dizia firmemente, ficando na frente de Fluttershy, tentando atrair sua atenção. Fluttershy olhava diretamente para Twilight, mas apenas por causa das sombras que pelo menos surgiam parcialmente escondidas atrás dela.

“S-sim Twilight?” Ela gaguejava, ainda à beira de entrar em pânico.

“Fluttershy, não há nada lá. Não tem hydra, timber wolves, apenas nós. Mas por favor, você precisa continuar andando.”

“Eu, eu, não sei se posso,” Fluttershy respondia, perto de lacrimejar, “Está tão escuro! Qualquer coisa pode estar por perto! Eu não…”

“Fluttershy, temos que continuar. Veja o caminho,” Twilight gesticulava para a trilha acidentada na frente delas, “É o caminho de volta para casa. Chegando em Ponyville poderemos conversar mais, mas agora nós temos que ir, e o único caminho é esse.” Lágrimas escorriam pelo seu rosto, mas Fluttershy acenava, respirando profundamente, e começando a andar. Twilight iluminava seu chifre, banhando a floresta com uma luz púrpura. Sombras com garras ferozes dançavam entre as árvores, mas a luz de Twilight as mantinha acuadas. Fluttershy seguia em frente, se mantendo próxima da alicórnio.

Um pouco incomum, Fluttershy passava a maior parte do dia seguinte na biblioteca com Twilight e Spike. Twilight copiava algumas anotações de Fluttershy para complementar o que ela havia aprendido com Zecora, elas conversaram um pouco mais sobre toxicologia e medicina veterinária e Twilight ditava uma carta para a Princesa Celestia sobre a importância de olhar para todas as suas amigas, e não apenas aqueles de quem quer atenção. Tendo delegado a maioria de suas tarefas do dia para Angel, com Twilight observando por cima do ombro para ter certeza que Angel não iria dar trabalho a ela, Fluttershy foi capaz de relaxar, e com o passar do dia ela se sentiu capaz de conversar com Twilight um pouco mais sobre seu medo de Everfree e o grande mundo em geral. Twilight prometeu que da próxima vez ela ficaria de olho no horário para que elas pudessem voltar ainda de dia, e em troca Fluttershy prometeu que iria novamente visitar Zecora. Enquanto ela trotava para casa naquela noite, Fluttershy percebeu que se sentia melhor por ter compartilhado seus problemas com Twilight, e resolveu que deveria falar sobre suas preocupações com suas amigas com mais frequência. Enquanto ela fechava a porta de sua casa, sentiu que tinha conseguido, de alguma forma, superar o trauma com a hydra.

Duas semanas passaram, com Fluttershy se sentindo melhor a cada dia. Apesar de não ser uma chuva de confiança, ela se aventurava para fora da casa para se encontrar com suas amigas com mais frequência. Em uma certa tarde, Fluttershy estava limpando o galinheiro quando Applejack aproximava com sua cadela Winona a seguindo lentamente. Percebendo que havia algo errado, Fluttershy as cumprimentou.

“Olá Applejack, e olá Winona,” Disse Fluttershy, com sua preocupação crescendo ao ver Winona responder com dificuldades abanando o rabo.

“Olá, parceira. Winona não está se sentindo bem. Big Mac e eu estamos muitos ocupados com a fazenda, então queria saber se você pode cuidar dela esta tarde.”

“Mas é claro, ela pode ficar o tempo que precisar. Ela realmente não parece bem; por que não deixa comigo o dia todo, e então podemos ver se amanhã ela já está melhor.”

“Bem, seria de grande ajuda e muito gentil se você pudesse fazer isso, Fluttershy.”

“Sem problemas Applejack, eu cuido dela pra você.” Disse Fluttershy confiante.

Mais tarde naquela noite, porém, ela estava menos confiante. A condição de Winona estava piorando, e a pegasus amarela folheava freneticamente seu livro medicinal para tentar diagnosticar o problema. Eventualmente, ela descobriu a causa quando Winona regurgitou sementes de plantas tóxicas de Everfree, mais conhecidas como “teixo”. Julgando pela sua condição, as sementes já haviam causado danos severos, e a menos que ela fosse tratada logo, o desfecho poderia ser fatal.  Fluttershy sabia como tratar envenenamento de plantas tóxicas, mas ela precisava de um tipo raro de fungo chamado “parasbore” para fazer o antídoto, que graças a ela não visitar mais Everfree ante seu trauma com a hydra, acabou ficando sem estoque. Ela sabia que a veterinária da cidade também não tinha mais, já que muitos dos ingredientes ela comprava da própria Fluttershy, que era mais barato do que encomendar de Canterlot, então Fluttershy sempre era informada quando os suprimentos acabavam na clínica.

Fluttershy começava a entrar em pânico. Não havia nenhuma forma dela encontrar o fungo parasbore à noite; de tão raro, ela poderia passear pela floresta por horas sem encontrar uma única amostra. E no escuro, ela poderia passar por um sem nem mesmo perceber. Quem mais ela conhecia que poderia ter tal ingrediente? Como um raio, ela se recordou de Zecora que tinha um enorme acervo de ervas, frutos, raízes e fungos; ela tinha certeza que chegou a ver parasbore em seu estoque. Não havia tempo a perder, não com Winona enfraquecendo a cada minuto. Ela tinha que enfrentar a Floresta Evrerfree, à noite, sozinha, para ver Zecora.

Minutos depois, caminhando através da escuridão tão profunda que ela mal podia ver a trilha em sua frente, Fluttershy estava se sentindo mais insegura com sua decisão. Talvez ela devesse ter ido buscar Twilight, Rainbow Dash ou Applejack; qualquer um que pudesse ser corajosa por ela. Mas então a pegasus amarela se lembrou que simplesmente não poderia atrasar; quanto mais o tempo passava, menos eficaz poderia ser o antídoto.

Fluttershy ouvia um barulho sussurrante em um arbusto logo a frente dela, e então parou. Com seu olhar tenso, sua mente materializava imagens de dentes afiados, garras cortantes, temendo pelo pior. Por um momento, ela era uma pequena potra novamente, perdida na profunda e escura floresta com monstros a perseguindo onde quer que ela corresse. Mas o momento passava, e Fluttershy conseguia controlar seu pânico. Ela poderia correr e voltar para a segurança de sua casa em minutos. Mas e Winona? E Applejack? Ela prometeu cuidar dela, e mais do que isso, cuidar de animais era sua paixão. Dessa vez, ela tinha que seguir em frente, bem longe da segurança de sua casa, para o interior da floresta. A outra opção era voltar para trás, mas ela jamais o faria com alguém dependendo dela. Essa era a força positiva que emergia de si mesma para combater os momentos tenebrosos da vida, era de onde vinha a sua coragem, e foi onde a pegasus entendeu que enfrentar o medo não é algo para ser forçado, é uma virtude que deve fluir naturalmente. No caso dela, vinha do amor ao próximo.

O arbusto se mexia novamente, e então um texugo emergia repentinamente dele, fazendo Fluttershy respirar aliviada. Em um trote tão rápido quanto ela ousava na escuridão, Fluttershy enfrentava Everfree, avançando em seu interior cada vez mais, até Zecora.

 Applejack batia na porta da casa de Fluttershy, e ficava um pouco preocupada quando não ouvia nenhuma resposta.

“Fluttershy?” Ela gritava, batendo novamente. Fluttershy abriu a porta de repente, fazendo a pônei laranja saltar. “Calma aí Fluttershy!”

“Oh, desculpe,” Fluttershy dizia, olhando envergonhada.

“Tudo bem, você apenas me assustou,” Applejack pausava, e então olhava ao redor, “Onde está Winona?” Ela perguntava com uma voz preocupada.

“Está descansando,” Fluttershy respondia, e Applejack assentia em alívio, “ela estava muito doente, mas felizmente eu sabia qual remédio usar para ajudá-la a se sentir melhor. Eu temo que ela irá precisar pegar leve por um mês ou mais, sem atividades pesadas ou qualquer coisa do gênero para uma recuperação completa.”

Obrigada Flutershy,” Disse Applejack com um enorme sorriso em seu rosto, “Eu sabia que ela estaria segura com você.”

Fluttershy sorria.

Fanfic, Fanfics nacionais

Lágrimas de Dragão

Rarity_&_Spike

Autor: Embarrased_of_brown

SINOPSE: Depois de muitas tentativas frustradas, Spike decide que hoje finalmente é o dia em que irá se declarar para a unicórnio em que está apaixonado. Mas será que Rarity o aceitará como algo a mais?

***

“Você tem certeza disso Spike? É que você já tentou tantas vezes, mas desistiu bem na hora” Essa voz pertencia a Twilight Sparkle, uma jovem alicórnio de cor lavanda. Ela era a mais nova princesa em Equestria, porém já tinha seu próprio castelo. “Além do mais… minha preocupação é de como ela vai reagir a sua declaração” ela estava limpando o pó dos livros de sua biblioteca com um pano velho e surrado.

Suas paredes eram de um material similar a cristal, que estavam cheias de prateleiras e estantes com os mais diversos tipos de livros. Como a biblioteca era nova, Twilight passara uma semana inteira para organizá-la, o que para o tamanho do lugar era um grande trabalho. Havia várias janelas entre as prateleiras, que deixavam escapar uma leve brisa e raios de sol, trazidos por Celestia.

“Hah, não esquenta Twilight” zombava Spike cruzando os braços “Dessa vez é pra valer! Esse é o dia em que eu vou declarar todo o meu amor pela unicórnio mais glamorosa de toda Equestria” terminava sua frase com um brilho profundo nos olhos “Rarity!”

“Eu disse unicórnio, não alicórnio” acrescentou com um sorriso tímido, pois pensou que acabara de ofender Twilight.  “Eu vou olhar nos seus olhos e falar” antes de começar pegou o rubi de cristal que presentearia a Rarity e o colocou à sua frente “Rarity, tem uma coisa que eu não suporto mais guardar, o meu amor por você nunca vai cessar, você é a causa da minha vida, quer compartilha-la comigo?”

“Andou olhando a sessão de poesia, né?” indagou a alicórnio pelas palavras ditas pelo dragão enquanto colocava mais um livro no seu devido lugar. “Ah, como soube?” Spike não podia acreditar, ele queria fazer uma grande surpresa à Rarity com essas palavras. E imaginava que iria impressionar Twilight com sua sabedoria. “Não foi muito difícil.” Respondeu Twilight com uma expressão irônica “Talvez tenha sido por você não ter saído da biblioteca dois dias seguidos, mesmo na sua folga. Quem sabe pelo fato de eu te conhecer antes de você ter nascido e saber que você nunca foi do tipo que escreve poesia. Ou talvez porque você tenha retirado esse poema de um de meus livros favoritos…”

Ao ver Spike cabisbaixo rapidamente tentou levantar seu animo “Não se preocupe Spike, tenho certeza que vai arrasar!” colocando seu casco abaixo da cabeça do dragão deu-lhe um beijo em sua testa escamosa. “Faça o que achar que for preciso…” e o encarrou nos olhos.

“Obrigado Twi, obrigado por tudo” disse o dragãozinho verde que em seguida saiu em disparada pela porta da frente, queria chegar o mais rápido possível na Boutique Carrossel.

Enquanto caminhava na direção da porta da perspectiva boutique sentia um frio na barriga que não sabia como explicar. Quando chegou à sua frente posicionou sua garra com os dedos fechados prontos para bater na porta e chamar a atenção da unicórnio. Mas teve um pensamento que o congelou “Será que eu não estou me adiantando um pouco?” ele não sabia se estaria pronto para tal. Muito menos se ELA estaria pronta para ouvir tal.

Mas lembrou-se do que havia dito à Twilight minutos atrás. Tinha prometido que iria continuar até o fim e era o que iria fazer. Finalmente tomou coragem e bateu na porta. Esperou a unicórnio branca responder por quase um minuto, porém pela demora pensou que Rarity havia saído de casa, estava prestes a voltar para o castelo quando ouviu um rangido que indicava que a porta estava sendo aberta.

Por trás dela o dragão avistava a unicórnio branca, que a princípio não o viu aos pés da porta, porém ao olhar para baixo o avistou. A estilista cumprimentou o dragão e o mandou entrar.

“Oi Rarity!” respondeu Spike levantando a garra em sinal de cumprimento “Pensei que não estava em casa”. Rarity deu um passo para trás para dar passagem ao dragão e explicou que acabara de sair do banho, o motivo de não ter o atendido a princípio. Spike aproveitou a situação para argumentar a seu favor elogiando a crina da unicórnio por estar brilhante. Então correu para o outro lado da boutique para ver as criações da pônei, o que nem a deixou com chance de resposta.

“Vim ver se precisa de ajuda” disse caminhando novamente em sua direção “Já terminei meu trabalho na biblioteca da Twilight. Então… precisa de ajuda?” Rarity começou a pensar em sua resposta, mas vendo que era inútil se lembrar de todos os seus afazeres pegou sua agenda de cima do criado-mudo que se encontrava ao seu lado.

“Bem, vejamos” começou pensativa enquanto virava as páginas “Eu acho que… não tenho mais nada para hoje” a unicórnio balbuciava enquanto lia suas notas, o que deixou Spike levemente desapontado, pois assim não teria como chegar ao assunto sem que a mesma percebesse. Mas animou-se em imediato assim que Rarity tornou a falar “Ah não, como sou boba! Eu tenho um pedido de Manehattan de uma cliente muito importante, apesar de o prazo ser bem prolongado…” abaixou sua agenda com telecinésia para ver a reação de Spike, que sem perceber esbanjava uma expressão de aborrecimento. “Mas…” continuou Rarity nervosa “Não faz mal começarmos logo… não é?…” e mais uma vez abaixou seu caderno. Ficou extremamente relaxada vendo que Spike não demonstrava mais aquela expressão triste e no seu lugar uma de extrema alegria… “Alegria até demais” observava Rarity.

Ela fechou sua agenda e a colocou de volta no criado-mudo enquanto se direcionava para o quadro de projetos que se localizava no outro lado da boutique. Estava um dia lindo, apesar de se avistar algumas nuvens no horizonte, isso não impedia a visão azulada do céu. “Rainbow Dash ainda não deve ter acordado” pensou Spike enquanto seguia Rarity em passos curtos.

“Então… para quem exatamente é essa peça?” Perguntou enquanto a unicórnio pegava algumas folhas de papel do quadro próximo. Rarity respondeu sem desviar o olhar “Ah, é pra uma empresaria de Manehattan, a sua irmã vai se casar e ela me encomendou um vestido novo.” Enquanto falava ficava desenhando e fazendo anotações nas folhas de papel a sua frente “Me admira que não tenha feito o pedido em algum estilista de lá, depois dessa peça meu nome com certeza vai ecoar por toda Manehattan. Essa poderá ser a minha criação do ano!”.

Feliz pelo rumo que a conversa tomava Spike começou a manifestar a sua ideia de forma menos… Visível “Claro que vai ser, todas as criações são incríveis!” a fala acabara por deixar a face de Rarity de um tom rosado mas isso não impediu o dragão de continuar  “Você é incrível!” Spike tomou a gema que trouxera para Rarity com as duas garras e a encarara. O seu tom de azul refletia o sorriso do dragãozinho.

“Ora, o que é isso Spike?” Rarity colocou o casco no peito e desviou o olhar das suas folhas por um momento “Claro que minhas criações são boas, diria até que são divinas… mas não acha que está exagerando?” Rarity parou na frente do dragão e posicionou seu caso no ombro do mesmo. “Mas é claro que não Rarity, todas as suas criações são incríveis e acho que você devia ser mais reconhecida por quem é”. Rarity não sabia ao certo como reagir a tamanho elogio, nunca havia passado por tal situação.

“Ah Spike, nem sei como agradecer. Você é o melhor amigo que um pônei poderia querer” A unicórnio abraçou Spike em gesto de agradecimento.  “Claro… porque é o que somos… amigos…” Porem Spike não sentia a mesma alegria que Rarity. De alguma forma ele esperava mais da unicórnio.

“Mas é claro! Ou o que você pensa que somos?” Rarity não percebera a gravidade de suas palavras para o dragão então continuou “Você é um dos meus melhores amigos, está sempre aqui por mim, como eu estarei sempre aqui por você. Eu não poderia pedir nada melhor do que um pônei, digo… Dragão como você. E é o que sempre seremos: melhores amigos, não importa as circunstancias”. Terminando com o seu repertorio virou-se novamente a seus rascunhos.

“É claro… amigos…” Spike não sabia como reagir, pensava que pelo que Rarity falou ela não o aceitaria como algo a mais. Ele não queria que ela o visse nesse estado de choque e pensou na primeira desculpa possível para poder retirar-se “Eh, e-eu vou ter quer ir… hehe. Eu me lembrei de que me esqueci de colocar um livro de volta no lugar lá na biblioteca” o dragão se posicionou na frente da porta e a abriu “E tenho que arrumar antes que a Twilight perceba… você sabe como ela é… tchau”.

Ele saiu correndo sem nem dar tempo de resposta à Rarity. Não sabia o que pensar, talvez Twilight estivesse certa no final, ele não estava pronto para tal. Começavam a sair lágrimas de seus olhos e à medida que corria elas ficavam para trás. Spike não queria que ninguém o avistasse daquela maneira, então procurou a rota mais monótona até o castelo.

Logo que o distinguiu entre as demais construções adentrou correndo enquanto enxugava os olhos com as garras. Acabara nem percebendo a alicórnio lilás a sua frente e bateu na mesma.  “Spike! Olhe por onde anda!” após ver a reação do mesmo Twilight calou-se e encarou o dragão que ainda tentava cessar as lágrimas com suas garras. Twilight imaginando o que havia acontecido o abraçou para tentar reconfortar.

“Spike… eu…” Twilight começava a balbuciar alguma coisa, porém Spike a interrompeu antes.  O dragão tentou explicar-lhe a situação a soluços, porém foi em vão “Eu.. eu…  e-ela…”  Não sabia por onde começar “Me considera só um amigo…” Suas lágrimas diminuíram consideravelmente “SÓ UM AMIGO TWILIGHT!”. A alicórnio não sabia como reagir, nunca tinha visto o dragão em tal estado. Mas se tinha alguém bom em conselhos era ela –Apesar dela mesma não saber disso.

“Spike… eu sinto muito” Twilight posicionou seus cascos nos ombros do dragão para tentar acalma-lo “Eu sei que você tentou… mas talvez não fosse a hora certa” ela esperava a reação do dragão, e vendo que ele está indiferente continuou “Não se preocupe, você ainda vai ter muitas paixões, muitos romances e muita coisa pra viver.” Ao terminar o que queria dizer Twilight se levantou “Não se preocupe com o amanhã, viva o agora”. E saiu do cômodo para deixar Spike a sós para pensar.

O dragão já havia cessado o choro por completo, porém sua face ainda estava molhada e enrugada. Spike sentou-se no chão e olhou para a janela à sua frente. Haviam alguns pássaros passando e deixando uma melodia calmante no lugar. O dragão logo mudou sua visão para a joia que pretendia dar à Rarity após se confessar, ela lhe trazia lembranças de uma época que não recordava.

O sol estava mais alto no céu, daria para dizer que se passavam das nove horas. Spike olhou mais uma vez para a janela entreaberta, ela deixava escapar uma leve brisa animadora e alguns raios de sol que iluminava a joia e a deixavam de um tom azul reluzente. Ficou assim por alguns minutos até tomar coragem para falar.

“Talvez você tenha razão Twilight. Talvez…” e fechou seus olhos.