Diferente

rainbow-e-ditzy

Autor: DJLowrider

Tradução/edição: Drason

SINOPSE: Manter um nível de auto estima sem que seja abalada perante uma ou outra circunstância pode ser um grande desafio, especialmente quando se é diferente da maioria. De todos os remédios no mundo, porém, nenhum supera o amor do próximo que lhe deseja o bem, e fará de tudo para restabelecer suas crenças sobre si mesmo.

*****

Rainbow Dash tomou uma profunda e refrescante lufada de ar enquanto estava em um canto de sua casa nas nuvens. Ela havia tomado um cuidado extra para assegurar que o trabalho com o tempo estava perfeitamente finalizado, e agora tinha o resto do dia para si mesma. Ela pendurou seus alforjes nas costas e retirou dois pequenos pedaços de papel do interior. Eram ingressos para o show dos Wonderbolts que teve apresentação marcada na arena de Cloudsdale naquela tarde. Ela guardou os ingressos de volta na bolsa e rapidamente verificou o resto dos mantimentos que havia embalado, que incluía alguns sucos para desfrutar durante o show e um par de óculos de sol no caso dele ficar demasiadamente brilhante no local do show. Convencida de que tinha tudo em ordem, levantou voo e partiu em direção à casa de Fluttershy para convidar sua amiga a se juntar ao evento.

Dash estava aproximadamente a meio caminho da casa da pegasus amarela, quando ouviu o que pareciam soluços vindo de uma nuvem próxima. Ainda havia muito tempo antes do show começar, e ela mudou de direção para ver o que estava acontecendo. Ficou surpresa ao se deparar com Ditzy Hooves, uma das carteiras de Ponyville, escondida atrás de uma nuvem aparentemente abatida. Dash conhecia bem a pegasus cinza, mesmo que ela não fizesse parte de seu habitual círculo de amigas. Além disso, ela não gostava de ver pôneis tristes. A pegasus azul se aproximou de Ditzy, cuidadosamente para não assustá-la.

“Ei Ditzy,” Disse Dash alegremente anunciando sua chegada. Ditzy olhou em volta e, depois de observar Rainbow pousando em sua nuvem, ficou de pé e esfregou seus olhos rapidamente para tentar esconder as lágrimas.

“Oh, olá Rainbow Dash,” respondeu Ditzy, soando muito desanimada e irreconhecível para Dash. “Se você está procurando por alguma carta que esteja faltando, sugiro procurar outro carteiro. Hoje estou de folga.”

“Não estou à procura de cartas, Ditzy,” Rainbow respondeu. A pegasus cinza tinha a reputação de ser um pouco insegura quando se tratava de entregas, mas nada que tivesse aborrecido Dash antes. “Eu estou preocupada com você. Por que estava chorando?”

“Oh… você ouviu,” Disse Ditzy, agora parecendo ainda mais chateada por ter atraído atenção. “Não é nada demais. Nada que eu nunca lidei antes.”

“Se você está tentando esconder algo de mim vai ter que fazer melhor do que isso, Ditzy,” Disse Dash a ela.

“Não é nada que você deva se preocupar, Rainbow.” Disse a pégasus cinza se afastando dela. “E eu não quero que você desperdice seu tempo comigo. Vou ficar bem, sério.”

Dash mordeu os lábios e se aproximou de Ditzy novamente, olhando para ela diretamente em seus olhos avermelhados.

“Muito bem, já é o bastante.” Disse Rainbow um pouco ríspida. “O que é isso tudo? Pôneis como eu? Como você? Estou acostumada em ouvir você falar sobre coisas estranhas, mas isso não faz sentido. O que aconteceu?”

Ditzy tentou evitar o olhar de Dash, mas a pegasus azul sempre foi muito persistente. Ditzy finalmente se sentou e suspirou profundamente, percebendo que não tinha opções.

“Eu estava indo fazer compras no Torrão de Açúcar para mim e Dinky”, dizia a pegasus cinza, analisando a maciez da nuvem em que estava sentada enquanto falava. “Eu tinha acabado de sair de casa quando um casal de griffons me pararam. Eu os conheço da minha rota de trabalho como carteira, e eles não estavam contentes da forma como eu trabalhava. Eles… eles disseram algumas coisas significantes para mim.”

“Como o que?” Dash perguntou enquanto se sentava na frente de Ditzy.

“Eles me chamaram de coisas como… desajeitada, sem qualificação para o trabalho e… bem, um monte de outras coisas que prefiro não repetir.”

“Está tudo bem.” Disse Dash, se sentindo indignada.

“Mas a pior parte foi… as coisas que disseram sobre Dinky que provavelmente era verdade”, Ditzy dizia com alguns soluços a interrompendo enquanto forçava as palavras para fora.

“Eles não fizeram isso!” Disse Dash em choque. Dinky era a coisa mais importante para Ditzy, e Rainbow sabia que a pegasus cinza amava sua filha mais do que qualquer outra coisa no mundo. Ditzy apenas acenou para Dash confirmando.

“Estou acostumada quando falam coisas do tipo sobre mim, mas Dinky não é como eu. Ela é inteligente, bonita e vai se tornar uma grande unicórnio um dia. Sei que sou meio atrapalhada, mas faço o meu melhor para cuidar dela. E ouvir alguém falar mal dela… é inaceitável.”

Rainbow Dash estava prestes a perguntar para Ditzy quem eram os griffons que a magoaram apenas para localizá-los e dar-lhes uma lição de boas maneiras, mas se lembrou quando Twilight disse que uma ação cheia de ira e nervosismo a levaria a tomar a menos sábia das atitudes. Ela levou um momento para se acalmar enquanto Ditzy tentava ter controle sobre suas emoções novamente.

“Eu sinto muito, Rainbow Dash,” Disse Ditzy, ainda soluçando um pouco. “Não queria te incomodar com isso. Voei até aqui achando que ninguém iria me encontrar. Mas eu vou ficar bem. Apenas esqueça isso tudo.”

“De forma alguma!” Disse Dash firmemente enquanto voltava a si. “Ninguém merece ser tratado assim, especialmente você, Ditzy!”

“Mas eu não sou nada especial,” Disse Ditzy, ainda examinando atentamente a nuvem abaixo dela. “Não como você.”

“Está brincando? Ditzy, você é tão especial e importante quanto eu, e pra falar a verdade até mais do que qualquer outro pônei.”

“Mas Rainbow, você é uma pegasus incrível”, disse Ditzy, finalmente olhando para ela. “Você ganhou o concurso de melhor jovem voadora, se tornou a diretora de meteorologia de Ponyville. Você é incrível e importante. Mas eu sou apenas uma carteira. Não há nada de especial sobre mim.”

“Posso ter feito muitas coisas legais Ditzy, mas há algo que você faz que é mais incrível e importante do que qualquer coisa que eu já fiz”, Rainbow disse a ela.

“Mas o que poderia ser?” A pegasus cinza perguntou muito curiosa.

“Você é uma mãe, e uma mãe de verdade.” Disse Dash sorrindo para ela. “Você daria tudo de si para se certificar que nunca faltaria nada para Dinky. Muitas vezes vejo você deixar de fazer o que gosta para cuidar da dela, ou de sacrificar um vestido novo ou qualquer outra coisa para investir na sua filha, e só quem tem um amor verdadeiro de mãe é capaz disso. Nenhum número de Sonics Rainbooms supera uma grandiosidade dessa.”

“Você… realmente acredita nisso?”

“Absolutamente.” Disse Dash categórica. “E digo mais, não deixe que outros a façam se sentir magoada, eles é quem são os desqualificados na vida e nos sentimentos por não procurarem compreender quais são suas dificuldades antes de saírem falando a primeira estupidez que passa no cérebro atrofiado deles.”

“Sei que não deveria, mas não é fácil quando me sinto tão diferente dos outros,” Disse Ditzy enquanto seus olhos lentamente vagueavam para as posições de costume.

“Fale-me sobre isso,” Disse Dash, imediatamente identificando-se com o sentimento de Ditzy.

“Mas Rainbow, você é legal, não diferente.”

“Acha mesmo isso?” Dash perguntou com um sorriso meio assustado em seu rosto. “Quando eu era criança, falava baixo o tempo todo.”

“Sério?” Perguntou Ditzy, incrédula.

“Sim. Para começar eu costumava ser muito desajeitada. Bem… eu ainda sou agora que toquei no assunto. Posso ser boa em voar, mas pousar não é o meu forte. Foi por isso que ganhei o apelido ‘Rainbow Crash’. Só pararam de me chamar assim depois que venci e torneio e salvei alguns wonderbolts, além da Rarity.”

“E isso não era tudo,” acrescentou Dash, alisando sua crina com o casco. “Você não tem ideia do quanto eu fui incomodada ao longo dos anos por causa da cor da minha crina e cauda.”

“Não pode ser!” Disse Ditzy surpresa. “Sua crina é linda!”

“Obrigada, mas muitos pôneis achavam estranha. Porém é parte de quem eu sou, e me orgulho disso. Quem me julga sem me conhecer não vale nada. A falta de conhecimento, a ignorância propriamente dita, é o que leva os outros a agirem com estupidez e julgarem com uma enxurrada de equívocos. E esses sim é que são os inúteis que vêm ao mundo apenas para ocupar espaço, nada mais, e não merecem minha atenção. E o mesmo vale para você. Digo, você realmente não conhece esses que te insultaram, certo?”

“Estou familiarizada com eles, mas não os chamaria de amigos.” Ditzy admitiu.

“E eles sabem alguma coisa sobre Dinky?”

“Nunca sequer a conheceram, no máximo apenas de vista.”

“Viu só o que eu disse? E por que você deveria se importar com o que pensam de você então?” Dash perguntou de forma retórica. “Eles são apenas um bando de idiotas mentes vazias que querem se sentir melhor julgando quem lhes convém, ou que é diferente. Mas ser diferente não é ruim, Ditzy. Você deve sentir orgulho de quem você é, e valorizar apenas a opinião daqueles que realmente te conhecem, que te amam, e querem o seu bem.”

“Eu… eu nunca pensei dessa forma,” Disse Ditzy, balançando a cabeça em concordância.” Obrigada, Rainbow Dash. Realmente me sinto muito melhor agora.”

“Fico feliz em ouvir isso,” disse Rainbow Dash enquanto trotava até ela antes de lhe dar um confortante abraço. Em seguida, caminhou até a borda da nuvem, onde parou e olhou para a pegasus cinza. Você disse que hoje é o seu dia de folga?”

“Sim, por que?”

“Eu tenho dois ingressos para ver a apresentação dos Wonderbolts em Cloudsdalle hoje, gostaria de ir comigo?”

“Eu?” Ditzy disse surpresa. “Mas… você não iria convidar umas de suas amigas?”

“Exatamente, e por isso que estou convidando você.” Dash sorriu calorosamente para ela.

“Rainbow Dash, eu… eu adoraria, mas não posso deixar Dinky sozinha o dia todo.”

“Essa é a melhor parte, as crianças podem entrar de graça,” Disse Dash com uma piscadela. “É só pedirmos para Twilight usar a magia de caminhar nas nuvens para Dinky, e então poderemos ir nós três. E de quebra, ainda podemos levá-la para conhecer os Wolderbolts pessoalmente!”

“Você faria tudo isso por ela?” Ditzy perguntou surpresa.

“Mas é claro que sim, sei que sua maior felicidade é ver Dinky sentindo a mesma coisa, e nada me deixaria mais contente.”

“Então nesse caso eu adoraria ir!”

 “E o que estamos esperando?” Perguntou Dash esticando suas asas. “Primeiro vamos até o Torrão de Açúcar fazer suas compras, e então buscaremos Dinky para termos um ótimo dia!” Dash disse a ela com um sorriso.

Esse seria um dos melhores dias que Ditzy poderia lembrar. Ela ia levar Dinky para ver os Wolderbolts, para conhecer Soarin, Spitfire e ganhar seus autógrafos. Porém mais do que qualquer outra coisa, seria um grande dia porque ela ganhou confiança e autoestima de uma amiga fantástica que sempre estaria lá por ela, assim como Ditzy por sua filha.

CONSIDERAÇÕES DO AUTOR

De vez em quando a ideia de uma estória me vem a mente, e embora não seja o mais original ou significativo, é algo que você simplesmente tem que escrever de qualquer maneira. É o caso deste conto, e se ele talvez pareça um tanto simples, é porque meu público alvo não foi necessariamente os bronies. Pelo contrário, é a minha própria filha.

Sim, acredite ou não, eu sou um pai. Meu perfil aqui (Fimfiction) diz muito. Minha filha é a mais velha, e foi ela que me apresentou MLP:FIM do qual faço questão de assistir com meus filhos. Minha filha também é uma criança autista de grau acentuado. Apesar de sua inaptidão social, ela é uma jovem brilhante e bonita da qual eu amo imensamente. Ontem (pelo menos foi ontem o dia que originalmente escrevi isso), ela teve um dia bastante difícil depois de ser insultada por outra criança no acampamento de verão, e golpeada na perna por outra.

O conceito para esta estória veio a mim enquanto dirigia para o trabalho, e a escrevi muito rapidamente. Eu imprimi e contei a estória para minha filha na hora de dormir. Ela adorou, e isso foi o suficiente para eu saber que cumpri o meu papel de pai. Então agora estou compartilhando esta estória com vocês. Não espero críticas ou feedback, apenas que a estória seja agradável e de reflexão. Obrigado pelo seu tempo e consideração.

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