By Princesa Celestia

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Existe uma diferença profunda entre o homem comum e um guerreiro, e não tem nada ver com força ou habilidade, mas sim sobre sua visão de mundo. Enquanto o homem comum amaldiçoa seus problemas, obstáculos, e os dias ruins que todos nós temos, o guerreiro vê tudo isso como um grande desafio (leia a próxima fanfic abaixo “O Coração está onde a Casa está”).

Existem dois homens, um, o guerreiro, e outro comum. Ambos iniciam sua jornada com as mesmas dificuldades, cercados de pobreza e fraquezas. Porém, conforme o caminho é percorrido, o guerreiro começa a ver esses obstáculos não como problemas, mas como desafios, e como desafios, ele escolhe vê-los como oportunidades. Enquanto isso, o homem comum continua comparando sua vida com a dos outros, vendo seus obstáculos como injustiças da vida.

Conforme a vida ia passando, o guerreiro cresceu, mas o homem comum, no geral, continuou o mesmo.

O homem comum vive uma vida insignificante, já que não consegue ver motivos para trabalhar e correr atrás dos seus objetivos. Ele só consegue enxergar que o destino está contra ele e que tudo o que ele faça vai ser perda de tempo. Ele até tenta trabalhar pesado, mas como não vê os resultados esperados em um curto período de tempo, acaba desistindo.

Por outro lado, o guerreiro vê as coisas de uma maneira totalmente diferente. Ele vê obstáculos como oportunidades para crescimento pessoal. Ele vê o destino desfavorável como uma oportunidade de conquista. Então, ele luta. E quando falha, ele apenas aprende novas lições para poder voltar ao trabalho o mais rápido possível.

Para ele, a falha não era o fim, mas meramente uma lição de vida.

O homem comum se manteve insignificante. Enquanto o guerreiro crescia, se tornava mais esperto, forte e resistente. Ele se tornou auto suficiente. Ele adquiriu fibra. Ele aprendeu que qualquer jornada é, de fato, uma jornada. Então, enquanto o homem comum trabalhava pesado por um tempo, o guerreiro trabalhava pesado todo o tempo. Seu trabalho nunca terminava, assim como as falhas sempre apareciam, mas logo desapareciam e o objetivo continuava no horizonte.

No final da história, o homem comum que via sua vida apenas como azar e sorte, viveu com recalque de todos aqueles que tinham uma situação melhor do que ele. Ele ficou cínico a respeito da sociedade. Ele pensava que sucesso e felicidade era algo que você tinha desde o nascimento. E que ele, na própria visão, não tinha poder para mudar isso.

E ele se conformou e se acostumou com essa visão. Ele não conseguia ver o bom da vida, e odiava qualquer pessoa que conseguisse viver a vida que ele esperava ter, enquanto as chances de uma vida melhor sempre estiveram ao seu alcance, se ele tivesse uma visão diferente.

O guerreiro, conseguiu conquistar muitas coisas na vida. Viveu sua vida dos sonhos, mas que tinha vários altos e baixos, e com MUITO mais falhas que o homem comum, mas com muito mais sucesso e felicidade também. Até mesmo em seus momentos ruins ele conseguia ver uma luz, porque isso era simplesmente uma parte no desafio constante que é a vida. Ele se transformou em um homem forte e com orgulho. As pessoas queriam ficar perto dele. Sua visão otimista era infecciosa. Ele tinha mais amigos que qualquer pessoa precisa. Enquanto o homem comum ficou sozinho em sua própria miséria, o guerreiro estava acompanhado pelos seus amigos, família e sua visão.

Independente da sua situação na vida, você tem uma chance. Você pode escolher ver a vida como o guerreiro, como um desafio, ou ver a vida como uma série de maldições. A chave está na sua escolha.

Escolha de maneira sábia, pois sua vida literalmente depende disso.

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O Coração está onde a Casa está

Autor: Skywriter

SINOPSE: Trixie narra suas frustrações após ter sua carruagem destruída pela ursa menor, exemplificando meios de superar problemas sem sentir pena de si mesma e encará-los como desafios a serem vencidos.

♠♠♠

Eu não esperava me encontrar de volta aos destroços tão cedo.

Assim como não esperava todas as coisas que aconteceram hoje, resistindo aos ataques de uma gigante e rosnenta criatura que se erguia sobre os telhados das casas de Ponyville derrubando tudo que estivesse em seu caminho.

Eu nunca fui do tipo aflita. O mundo tinha fechado qualquer número de portas no meu passado; e eu sei, que tanto no meu coração como em minha mente, a única solução que sempre funcionava era não desistir, para reconstruir, para rir na cara de um mundo muitas vezes cruel, para nunca deixar erros como aquele serem notados.

Eu vou chegar lá. Eu vou.

A certeza de um conhecimento sobre coisas maiores e melhores esperando por mim além do horizonte me deixa mais segura. Eu sei que sou uma unicórnio de destino, marcada por coisas grandiosas. Talvez, nos olhos do universo, simplesmente não era certo eu ocupar uma casa humilde e modesta. Talvez o universo esteja lentamente tentando moldar a unicórnio que estou destinada a ser, como um famoso escultor uma vez disse, esculpindo cada parte de mim que ainda não é grandioso. Minha casa era pequena, aconchegante e segura, mas no final, não exatamente grande. Talvez, no maior esquema das coisas, ela tinha que ir. Algo inevitável, como a água que flui para baixo. Às vezes ela está além do poder de um pequeno pônei para lutar contra a corrente.

Eu falo para mim mesma um monte de coisas para fazer eu me sentir melhor. Nem sempre isso faz a dor ir embora.

Então aqui estou eu, em pé, diante de um escombro de madeira estilhaçada. Eu sequer deveria estar acordada nessa hora, mas não sei exatamente como o setor de obras públicas trabalha nesta cidade. Eficiente, eu aposto. Provavelmente irão remover logo, a ruína do que uma vez foi uma carruagem. E é por essa razão que acordei e fiz meu caminho até aqui nesse horário. Até amanhã, já poderiam levar o entulho embora, e eu não poderia suportar a ideia de deixa-la para sempre sem uma última despedida. Durante anos, essa pilha de entulhos foi meu castelo, meu santuário, minha casa. Um caloroso ponto seguro para me aconchegar em uma noite fria de inverno; e no calor do verão, um espaço aberto e brilhante para praticar meu trabalho. Toda vez que ficasse aflita mancando em meus passos, este era o lugar em que eu retornaria, para buscar conforto em memórias de obstáculos superados e triunfos alcançados. Foi a primeira casa que eu realmente tive, e além dos meus trajes de mágica, ela literalmente alojava todas as coisas que eu possuía.

Sei o que você está pensando. Você é como o resto deles, não é? Qualquer um diria que são apenas coisas. “Objetos podem ser substituídos, pôneis não.” É um daqueles gracejos reflexivos que pôneis irão sempre oferecer quando esse tipo de tragédia atingir alguém (não a eles mesmos). Você tem um álbum de fotos? Certamente que sim. Por que simplesmente não rasgá-lo? Coloque algo um pouco mais útil e funcional em seu lugar! São apenas coisas, certo?

Em seu coração, sabe que isso não é verdade. Experiências e memórias transformam qualquer objeto ou bugiganga em um valor afetivo. Logo, não são apenas “lembranças” ou “coisas”. São as amarras para que nossas memórias estejam conectadas para que elas não flutuem e se tornem nada mais do que destroços perdidos em um nebuloso oceano do tempo. Roupas. Livros. Uma simples rosa seca. Não são apenas tecidos de algodão ou seda e polpa de madeira se degradando. Em um senso muito real (ainda que metafísico), eles são minhas experiências. Meu passado. Eles são quem eu sou, tudo que me fez a grande unicórnio que sou hoje.

E agora, eles não são nada além de entulhos, prontos para serem removidos para um local apropriado.

Eu chuto com indiferença toda a minha antiga vida.

Então, é isso. O encerramento de outro capítulo. Uma temporada termina, outra começa. “Mudar é bom”, eles me dizem (geralmente os mesmos pôneis que disseram “são apenas coisas”). “Mudança não é para ser temida, mas compreendida, abraçada”. E eu, contra a minha vontade, devo admitir que dessa vez eles têm razão. Se eu fosse orgulhosa em não escutar quem quer me ajudar, estaria sendo mais injusta comigo do que com eles, pois a prejudicada seria eu. É difícil quando a mudança parece voar em face de tudo que você pensou que seu criador queria pra você, quando você se preocupa que o futuro parece como nada mais do que uma longa e lenta inclinação em direção da mediocridade e esquecimento. Mas eu sou melhor que isso. Eu suportei o pior, e provavelmente irei suportar pior de agora também. No final, isso será lembrado nada mais do que um curto, trágico retrocesso, uma pequena e ilegível nota de rodapé do desespero de uma vida longa, cheia de realizações incríveis. Eu desenho a mim mesma até a minha altura máxima, tomando o calor e força da grandeza que está por vir, e viro minhas costas para minha antiga casa pela última vez. O mais brilhante de todos os possíveis amanhãs me aguarda.

Eu só queria ter, digamos, amigos ou algo assim.

Eu sacudo para afastar os pensamentos traiçoeiros. Amigos é para os fracos. Twilight Sparkle precisa de amigos. A grande e poderosa Trixie não. Esse último pensamento, porém, é ainda mais traiçoeiro, pois é o orgulho falando em meu lugar. Sou eu quem devo ser dona de mim mesma e não o orgulho, ou outro caminho de frustrações estará no meu aguardo, mas não vou deixar isso acontecer. Tenho uma capa. Um chapéu. A noite não é tão fria, as madeiras estão cheias de pinhões comestíveis, e os pegasus prometeram chuvas para o resto da semana. É confortável saber que minhas necessidades físicas serão bem cuidadas, para que minha mente esteja livre para pensar sobre coisas importantes. Uma nova cidade. Uma nova ação. Uma nova carruagem.

Revanche.

É bom ter um plano. E é bom ter uma perspectiva renovada sobre a vida. O show deve continuar. Mas apesar de tudo ainda temo monstros gigantes.

“Droga de Ursa Menor”. Eu murmuro para mim mesma, e galopo em direção ao futuro.

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Diferente

rainbow-e-ditzy

Autor: DJLowrider

Tradução/edição: Drason

SINOPSE: Manter um nível de auto estima sem que seja abalada perante uma ou outra circunstância pode ser um grande desafio, especialmente quando se é diferente da maioria. De todos os remédios no mundo, porém, nenhum supera o amor do próximo que lhe deseja o bem, e fará de tudo para restabelecer suas crenças sobre si mesmo.

*****

Rainbow Dash tomou uma profunda e refrescante lufada de ar enquanto estava em um canto de sua casa nas nuvens. Ela havia tomado um cuidado extra para assegurar que o trabalho com o tempo estava perfeitamente finalizado, e agora tinha o resto do dia para si mesma. Ela pendurou seus alforjes nas costas e retirou dois pequenos pedaços de papel do interior. Eram ingressos para o show dos Wonderbolts que teve apresentação marcada na arena de Cloudsdale naquela tarde. Ela guardou os ingressos de volta na bolsa e rapidamente verificou o resto dos mantimentos que havia embalado, que incluía alguns sucos para desfrutar durante o show e um par de óculos de sol no caso dele ficar demasiadamente brilhante no local do show. Convencida de que tinha tudo em ordem, levantou voo e partiu em direção à casa de Fluttershy para convidar sua amiga a se juntar ao evento.

Dash estava aproximadamente a meio caminho da casa da pegasus amarela, quando ouviu o que pareciam soluços vindo de uma nuvem próxima. Ainda havia muito tempo antes do show começar, e ela mudou de direção para ver o que estava acontecendo. Ficou surpresa ao se deparar com Ditzy Hooves, uma das carteiras de Ponyville, escondida atrás de uma nuvem aparentemente abatida. Dash conhecia bem a pegasus cinza, mesmo que ela não fizesse parte de seu habitual círculo de amigas. Além disso, ela não gostava de ver pôneis tristes. A pegasus azul se aproximou de Ditzy, cuidadosamente para não assustá-la.

“Ei Ditzy,” Disse Dash alegremente anunciando sua chegada. Ditzy olhou em volta e, depois de observar Rainbow pousando em sua nuvem, ficou de pé e esfregou seus olhos rapidamente para tentar esconder as lágrimas.

“Oh, olá Rainbow Dash,” respondeu Ditzy, soando muito desanimada e irreconhecível para Dash. “Se você está procurando por alguma carta que esteja faltando, sugiro procurar outro carteiro. Hoje estou de folga.”

“Não estou à procura de cartas, Ditzy,” Rainbow respondeu. A pegasus cinza tinha a reputação de ser um pouco insegura quando se tratava de entregas, mas nada que tivesse aborrecido Dash antes. “Eu estou preocupada com você. Por que estava chorando?”

“Oh… você ouviu,” Disse Ditzy, agora parecendo ainda mais chateada por ter atraído atenção. “Não é nada demais. Nada que eu nunca lidei antes.”

“Se você está tentando esconder algo de mim vai ter que fazer melhor do que isso, Ditzy,” Disse Dash a ela.

“Não é nada que você deva se preocupar, Rainbow.” Disse a pégasus cinza se afastando dela. “E eu não quero que você desperdice seu tempo comigo. Vou ficar bem, sério.”

Dash mordeu os lábios e se aproximou de Ditzy novamente, olhando para ela diretamente em seus olhos avermelhados.

“Muito bem, já é o bastante.” Disse Rainbow um pouco ríspida. “O que é isso tudo? Pôneis como eu? Como você? Estou acostumada em ouvir você falar sobre coisas estranhas, mas isso não faz sentido. O que aconteceu?”

Ditzy tentou evitar o olhar de Dash, mas a pegasus azul sempre foi muito persistente. Ditzy finalmente se sentou e suspirou profundamente, percebendo que não tinha opções.

“Eu estava indo fazer compras no Torrão de Açúcar para mim e Dinky”, dizia a pegasus cinza, analisando a maciez da nuvem em que estava sentada enquanto falava. “Eu tinha acabado de sair de casa quando um casal de griffons me pararam. Eu os conheço da minha rota de trabalho como carteira, e eles não estavam contentes da forma como eu trabalhava. Eles… eles disseram algumas coisas significantes para mim.”

“Como o que?” Dash perguntou enquanto se sentava na frente de Ditzy.

“Eles me chamaram de coisas como… desajeitada, sem qualificação para o trabalho e… bem, um monte de outras coisas que prefiro não repetir.”

“Está tudo bem.” Disse Dash, se sentindo indignada.

“Mas a pior parte foi… as coisas que disseram sobre Dinky que provavelmente era verdade”, Ditzy dizia com alguns soluços a interrompendo enquanto forçava as palavras para fora.

“Eles não fizeram isso!” Disse Dash em choque. Dinky era a coisa mais importante para Ditzy, e Rainbow sabia que a pegasus cinza amava sua filha mais do que qualquer outra coisa no mundo. Ditzy apenas acenou para Dash confirmando.

“Estou acostumada quando falam coisas do tipo sobre mim, mas Dinky não é como eu. Ela é inteligente, bonita e vai se tornar uma grande unicórnio um dia. Sei que sou meio atrapalhada, mas faço o meu melhor para cuidar dela. E ouvir alguém falar mal dela… é inaceitável.”

Rainbow Dash estava prestes a perguntar para Ditzy quem eram os griffons que a magoaram apenas para localizá-los e dar-lhes uma lição de boas maneiras, mas se lembrou quando Twilight disse que uma ação cheia de ira e nervosismo a levaria a tomar a menos sábia das atitudes. Ela levou um momento para se acalmar enquanto Ditzy tentava ter controle sobre suas emoções novamente.

“Eu sinto muito, Rainbow Dash,” Disse Ditzy, ainda soluçando um pouco. “Não queria te incomodar com isso. Voei até aqui achando que ninguém iria me encontrar. Mas eu vou ficar bem. Apenas esqueça isso tudo.”

“De forma alguma!” Disse Dash firmemente enquanto voltava a si. “Ninguém merece ser tratado assim, especialmente você, Ditzy!”

“Mas eu não sou nada especial,” Disse Ditzy, ainda examinando atentamente a nuvem abaixo dela. “Não como você.”

“Está brincando? Ditzy, você é tão especial e importante quanto eu, e pra falar a verdade até mais do que qualquer outro pônei.”

“Mas Rainbow, você é uma pegasus incrível”, disse Ditzy, finalmente olhando para ela. “Você ganhou o concurso de melhor jovem voadora, se tornou a diretora de meteorologia de Ponyville. Você é incrível e importante. Mas eu sou apenas uma carteira. Não há nada de especial sobre mim.”

“Posso ter feito muitas coisas legais Ditzy, mas há algo que você faz que é mais incrível e importante do que qualquer coisa que eu já fiz”, Rainbow disse a ela.

“Mas o que poderia ser?” A pegasus cinza perguntou muito curiosa.

“Você é uma mãe, e uma mãe de verdade.” Disse Dash sorrindo para ela. “Você daria tudo de si para se certificar que nunca faltaria nada para Dinky. Muitas vezes vejo você deixar de fazer o que gosta para cuidar da dela, ou de sacrificar um vestido novo ou qualquer outra coisa para investir na sua filha, e só quem tem um amor verdadeiro de mãe é capaz disso. Nenhum número de Sonics Rainbooms supera uma grandiosidade dessa.”

“Você… realmente acredita nisso?”

“Absolutamente.” Disse Dash categórica. “E digo mais, não deixe que outros a façam se sentir magoada, eles é quem são os desqualificados na vida e nos sentimentos por não procurarem compreender quais são suas dificuldades antes de saírem falando a primeira estupidez que passa no cérebro atrofiado deles.”

“Sei que não deveria, mas não é fácil quando me sinto tão diferente dos outros,” Disse Ditzy enquanto seus olhos lentamente vagueavam para as posições de costume.

“Fale-me sobre isso,” Disse Dash, imediatamente identificando-se com o sentimento de Ditzy.

“Mas Rainbow, você é legal, não diferente.”

“Acha mesmo isso?” Dash perguntou com um sorriso meio assustado em seu rosto. “Quando eu era criança, falava baixo o tempo todo.”

“Sério?” Perguntou Ditzy, incrédula.

“Sim. Para começar eu costumava ser muito desajeitada. Bem… eu ainda sou agora que toquei no assunto. Posso ser boa em voar, mas pousar não é o meu forte. Foi por isso que ganhei o apelido ‘Rainbow Crash’. Só pararam de me chamar assim depois que venci e torneio e salvei alguns wonderbolts, além da Rarity.”

“E isso não era tudo,” acrescentou Dash, alisando sua crina com o casco. “Você não tem ideia do quanto eu fui incomodada ao longo dos anos por causa da cor da minha crina e cauda.”

“Não pode ser!” Disse Ditzy surpresa. “Sua crina é linda!”

“Obrigada, mas muitos pôneis achavam estranha. Porém é parte de quem eu sou, e me orgulho disso. Quem me julga sem me conhecer não vale nada. A falta de conhecimento, a ignorância propriamente dita, é o que leva os outros a agirem com estupidez e julgarem com uma enxurrada de equívocos. E esses sim é que são os inúteis que vêm ao mundo apenas para ocupar espaço, nada mais, e não merecem minha atenção. E o mesmo vale para você. Digo, você realmente não conhece esses que te insultaram, certo?”

“Estou familiarizada com eles, mas não os chamaria de amigos.” Ditzy admitiu.

“E eles sabem alguma coisa sobre Dinky?”

“Nunca sequer a conheceram, no máximo apenas de vista.”

“Viu só o que eu disse? E por que você deveria se importar com o que pensam de você então?” Dash perguntou de forma retórica. “Eles são apenas um bando de idiotas mentes vazias que querem se sentir melhor julgando quem lhes convém, ou que é diferente. Mas ser diferente não é ruim, Ditzy. Você deve sentir orgulho de quem você é, e valorizar apenas a opinião daqueles que realmente te conhecem, que te amam, e querem o seu bem.”

“Eu… eu nunca pensei dessa forma,” Disse Ditzy, balançando a cabeça em concordância.” Obrigada, Rainbow Dash. Realmente me sinto muito melhor agora.”

“Fico feliz em ouvir isso,” disse Rainbow Dash enquanto trotava até ela antes de lhe dar um confortante abraço. Em seguida, caminhou até a borda da nuvem, onde parou e olhou para a pegasus cinza. Você disse que hoje é o seu dia de folga?”

“Sim, por que?”

“Eu tenho dois ingressos para ver a apresentação dos Wonderbolts em Cloudsdalle hoje, gostaria de ir comigo?”

“Eu?” Ditzy disse surpresa. “Mas… você não iria convidar umas de suas amigas?”

“Exatamente, e por isso que estou convidando você.” Dash sorriu calorosamente para ela.

“Rainbow Dash, eu… eu adoraria, mas não posso deixar Dinky sozinha o dia todo.”

“Essa é a melhor parte, as crianças podem entrar de graça,” Disse Dash com uma piscadela. “É só pedirmos para Twilight usar a magia de caminhar nas nuvens para Dinky, e então poderemos ir nós três. E de quebra, ainda podemos levá-la para conhecer os Wolderbolts pessoalmente!”

“Você faria tudo isso por ela?” Ditzy perguntou surpresa.

“Mas é claro que sim, sei que sua maior felicidade é ver Dinky sentindo a mesma coisa, e nada me deixaria mais contente.”

“Então nesse caso eu adoraria ir!”

 “E o que estamos esperando?” Perguntou Dash esticando suas asas. “Primeiro vamos até o Torrão de Açúcar fazer suas compras, e então buscaremos Dinky para termos um ótimo dia!” Dash disse a ela com um sorriso.

Esse seria um dos melhores dias que Ditzy poderia lembrar. Ela ia levar Dinky para ver os Wolderbolts, para conhecer Soarin, Spitfire e ganhar seus autógrafos. Porém mais do que qualquer outra coisa, seria um grande dia porque ela ganhou confiança e autoestima de uma amiga fantástica que sempre estaria lá por ela, assim como Ditzy por sua filha.

CONSIDERAÇÕES DO AUTOR

De vez em quando a ideia de uma estória me vem a mente, e embora não seja o mais original ou significativo, é algo que você simplesmente tem que escrever de qualquer maneira. É o caso deste conto, e se ele talvez pareça um tanto simples, é porque meu público alvo não foi necessariamente os bronies. Pelo contrário, é a minha própria filha.

Sim, acredite ou não, eu sou um pai. Meu perfil aqui (Fimfiction) diz muito. Minha filha é a mais velha, e foi ela que me apresentou MLP:FIM do qual faço questão de assistir com meus filhos. Minha filha também é uma criança autista de grau acentuado. Apesar de sua inaptidão social, ela é uma jovem brilhante e bonita da qual eu amo imensamente. Ontem (pelo menos foi ontem o dia que originalmente escrevi isso), ela teve um dia bastante difícil depois de ser insultada por outra criança no acampamento de verão, e golpeada na perna por outra.

O conceito para esta estória veio a mim enquanto dirigia para o trabalho, e a escrevi muito rapidamente. Eu imprimi e contei a estória para minha filha na hora de dormir. Ela adorou, e isso foi o suficiente para eu saber que cumpri o meu papel de pai. Então agora estou compartilhando esta estória com vocês. Não espero críticas ou feedback, apenas que a estória seja agradável e de reflexão. Obrigado pelo seu tempo e consideração.

Uma receita de amor

SINOPSE: Dinky Hooves sabia que sua mãe era diferente, e aprendeu a viver ao lado dela superando juntas todas as dificuldades. Não era fácil, mas isso não impedia Dinky de amar sua mãe mais do que qualquer coisa no mundo. Um simples conto que retrata o amor de mãe para filha e vice versa.

—–

 A chuva batia contra as telhas, enquanto Dinky Hooves pressionava um casco na janela, observando a tempestade nos céus à procura de sua mãe. Ela não estava muito preocupada. A maioria dos pegasus eram capazes de suportarem fortes tempestades. Mas ela sabia que sua mãe era um pouco diferente da maioria. Dinky suspirou aliviada quando uma pegasus cinza ensopada pousou no quintal de sua casa, sacudindo a crina para se livrar da água.

“Você voltou!” Dinky sorriu, correndo para abraçar sua mãe, nem mesmo se importando em ficar toda ensopada também.

“Eu me perdi nessa chuva.” Sua mãe admitiu, com uma pequena carranca em seu rosto.

“O importante é que está tudo bem.” Dinky sorria, abraçando sua mãe. “Está com fome?”

“Bastante,” Ditzy respondeu balançando a cabeça, olhando em direção da cozinha. “Vou fazer algumas batatas fritas para o jantar, que tal?”

“Não é justo que apenas você tenha o trabalho de fazer o jantar, ainda mais depois de um dia cansativo, por isso já preparei umas margaridas com um toque de menta.” Dinky sorria enquanto levitava as bandejas com a comida que havia preparado, as colocando sobre a mesa. “E ainda adicionei um toque especial com cenouras, que são as suas favoritas!”

“Oh Dinky! Não precisa se preocupar com isso, sou eu quem tenho que cuidar de você e não o contrário.”

“Não me dá maior felicidade do que retribuir todo o seu esforço e amor de mãe cuidando de você também. E além do mais, gosto de cozinhar, talvez seja assim que um dia consiga minha marca especial.” Dinky olhou para seu próprio flanco. “Quem sabe!”

 “Um coração de ouro é o que você já poderia ter em seu flanco!” Ditzy respondeu sorrindo, espalhando partes da salada acidentalmente para fora do prato. Um pouco sem jeito, ela se apressou para limpar, mas Dinky se antecipou levitando um pano a partir da pia, removendo a bagunça. A pequena unicórnio sabia das dificuldades de sua mãe, e por isso sempre se esforçava para que aquela casa onde ambas moravam não fosse apenas uma simples moradia, mas um ponto seguro onde sua mãe sempre poderia se aconchegar, deixando toda e qualquer mágoa para trás, ciente que ali estava uma filha com quem ela sempre poderia contar.

“Não se preocupe com a louça, eu lavo. Melhor você tomar um banho bem quente para não se resfriar.”

“Não Dinky, você fez a janta, então eu arrumo a cozinha.”

“Não se preocupe, eu cuido disso. Você precisa descansar para amanhã. Lembra que vai falar na minha escola sobre como é ser uma pegasus carteira?” Ditzy balançou a cabeça, com seus olhos brilhando.

“Ah sim! Para dizer a eles porque amo meu trabalho.”

“Isso mesmo,” Dinky sorriu, enxugando as taças e as colocando nas prateleiras de cima. “Porque você não é apenas a melhor mãe, mas a melhor carteira do mundo também.”

“E sortuda também, por ter você como filha!”

“Isso não é sorte, é mérito.” Dinky sorria enquanto observava sua mãe subir as escadas até o banheiro, onde começou a ouvir a água do chuveiro. A maioria das crianças estavam dormindo naquele horário, mas Dinky sempre ficava acordada até mais tarde para manter a casa arrumada, não só porque a pegasus cinza tivesse mais dificuldades para li dar com atividades do que os outros pôneis, embora isso não a impedisse de fazê-lo, mas também para que sua mãe pudesse ir para o trabalho tranquila sabendo que sua filha era capaz cuidar de si mesma enquanto a mãe estivesse ausente.

Na escola, era difícil para Dinky ser um flanco branco, porém mais ainda era ouvir o que os outros alunos insinuavam com relação à sua mãe. Atitude de criança, é claro, mas Dinky não se importava. Ninguém conhecia sua mãe melhor do que ela, e por isso as gozações entravam em um ouvido e saíam pelo outro, e ainda que ela ficasse um pouco chateada, jamais levaria aquele problema para dentro de casa. Porém às vezes sua mãe sentia que alguma coisa estava errada e questionava Dinky para saber o que houve. Para não deixar sua mãe preocupada, a unicórnio acabava descrevendo o que aconteceu, pois sabia que as palavras de sua mãe sempre estariam lá para confortá-la e livrá-la de qualquer sentimento ruim.

Dinky terminou de arrumar a cozinha antes de ouvir sua mãe abrir a porta, sacudindo as asas ao sair do banheiro. A unicórnio dobrou o pano de prato e foi até o quarto de sua mãe que se situava a poucos metros do seu para lhe fazer um pouco de companhia. Ditzy já estava enrolada em seu cobertor quando Dinky se aconchegou ao lado dela na cama, extinguindo a magia de luz com seu chifre.

A pegasus cinza acariciava a crina de sua filha. “Conheço muitas mães que se queixam que seus filhos dão trabalho, mas eu, no entanto, tenho a melhor filha de Equestria, tomando conta de mim enquanto eu quem deveria tomar conta de você.”

Dinky beijou sua mãe na testa e sorriu. “Você cuida de mim também. Eu apenas te ajudo, e amanhã teremos um ótimo dia de mãe e filha.”

Ditzy sorriu, olhando nos olhos de sua filha, que lhes remetiam ao olhar de uma anja. “Boa noite, Dinky. Eu te amo.”

“Eu também te amo, mãe.” Dinky sorriu, abraçando fortemente sua mãe. “Eu também te amo.”

Gravidade

Autor: Avox

Tradução: Drason

SINOPSE: Enquanto tenta superar o estresse na Biblioteca de Canterlot, Twilight Sparkle se depara com uma velha amiga.

O cheiro denso de avelã permeava o ar, envolvendo Twilight em um cobertor quente de aroma doce. Ela respirou fundo e, sob o aroma de café, farejou a rosquinha açucarada ao lado de uma caneca incrivelmente grande.

Ela sorria enquanto a rosquinha flutuava de seu prato, até chegar na altura de sua boca. Sem um momento de hesitação, ela afundou os dentes na macia e melosa massa. Ela derretia em sua boca, de forma que apenas poderia apreciar seu sabor por um breve momento antes que ele se fosse. Ela imediatamente substituiu a primeira mordida por outra, bem maior, seguido de um pequeno gole de café.

Não havia maneiras de contornar isso: Definitivamente Pony Joe sabia o que estava fazendo.

De modo que, de fato, Twilight tinha de bom grado quebrado as regras da biblioteca para o seu café com rosquinhas. Alimentos e bebidas estavam estritamente proibidos no estabelecimento por medo de causar avarias nos livros. Depois de ter deixado alguns farelos de sua própria rosquinha, porém, a bibliotecária tinha entendido a importância das regras.

Ela colocou o café de volta no porta copos e soltou um profundo e longo suspiro. Os músculos dos seus ombros estavam relaxados, e suas asas esvoaçavam pelos lados fazendo ela se sentir completamente à vontade.

Mas Twilight não tinha tempo para relaxar. Havia estudos e pesquisas para fazer – estudar tanto que ela deixou Ponyville cedo o bastante para pegar o primeiro trem para Canterlot às cinco da manhã. Infelizmente, Twilight não levantou cedo o suficiente para o café da manhã antes de correr para a estação do trem. Ela mal teve tempo de deixar um recado para Spike explicando para onde foi.

Uma vez que o trem parou na estação de Canterlot, no entanto – após seu estômago roncando ter recebido alguns olhares estranhos dos passageiros, a unicórnio roxo fez uma pausa para a sua lanchonete de café favorita. Ela realmente não poderia estar zangada consigo mesma por ter pulado o café da manhã. Qualquer desculpa para ir ao Pony Joe era uma boa justificativa em seu livro.

E então, trinta minutos depois, lá estava ela sentada com seu café e meio donutos comidos, logo após a Biblioteca Real de Canterlot abrir. Ainda sorrindo, ela pegou o primeiro livro do topo de uma das muitas pilhas ao redor dela, apropriadamente intitulado “O começo: Antiga História de Equestria”, e mergulhou o focinho logo de início.

Se possível, seu sorriso ficou um pouco maior. Este era o lugar onde Twilight se sentia em casa: enterrada de pilhas de livros. Tudo da biologia de reprodução de fungos para a cópia assinada da própria Daring Do e a Vingança de Ahuizotl podia ser encontrado situado em algum lugar na frente dela. Nomeie um livro, e ele estaria lá; ela empilhou mais deles sobre aquela pequena mesa de madeira do que ela jamais poderia ler antes da biblioteca ser fechada.

Claro, isso certamente não a impediria de tentar.

Mas enquanto seus olhos se debruçavam sobre o primeiro capítulo, o segundo, e o terceiro, ela não poderia deixar de sentir que alguma coisa estava errada. Ela sempre tinha que reler frases ou mesmo trechos inteiros de cada vez, algo que ela se via fazendo muito mais recentemente. Ela balançava a cabeça e esfregava suas têmporas, afastando o estranho sentimento. O que quer que fosse, ela não deixaria isso interferir com seu dia na biblioteca. Ela precisava ter sua mente de volta na atividade.

E então ela tomou outro gole de seu café morno e finalizou o último pedaço de sua rosquinha antes de se pressionar para a frente. Página por página, gole por gole, capítulo por capítulo, Twilight eventualmente terminou seu café e a primeira pilha de livros.

Sem dizer uma palavra, ela colocou seu último livro na mesa, com a cautela de não dobrar as páginas. Ela olhou para cima, para seu horror, percebeu que não podia se lembrar os títulos da metade dos livros que havia lido nas últimas quatro horas. Por mais que Twilight lutasse contra, a testa franzida ainda persistia em sua face. Hoje era para ser o seu dia. Hoje ela deveria ler mais livros do que poderia. Hoje era para ser diferente do que em casa, onde ela sem sucesso tentou passar o tempo lendo, limpando ou cozinhando.

Hoje não era para ser como qualquer outro dia de sua vida.

Mas ela estava entediada, fora de sua mente. Mesmo os livros não mantinham sua atenção. Twilight apenas podia ler tantas palavras antes que elas todas se fundissem juntas em um grande pedaço de nada, e ela passasse milhas além desse ponto.

Com o milésimo suspiro naquela manhã, ela descansou seu queixo na mesa. Orelhas caídas e pálpebras caíram enquanto ela apertava os lábios, sentindo-se esmagada sob o peso que tinha acabado de ser colocado em seus ombros.

Como uma deixa, seu estômago deixou soltar um rugido de tremer o chão. Sua cabeça subiu em disparada, e ela se virou. Foi recebida por alguns olhares estranhos de outros visitantes da biblioteca, para o que ela respondeu com um sorriso tímido.

Ela olhou para o relógio na parede, e seu queixo quase caindo no chão. Já era duas da tarde!

Assim como ela decidiu que iria sair para um almoço atrasado, seus olhos caíram sobre o livro que estava dobrado aberto na mesa diante dela. Ela estava a poucos minutos de finalizá-lo – tinha apenas dois capítulos restantes, no máximo – e isso iria ferir seu orgulho ao deixa-lo sem ler, independentemente de já ou não reter as informações.

Então ela sentou-se de volta e pegou o livro. Estava grata pela maravilhosa dobra do velho livro e o familiar cheiro de poeira do papel velho. Ela queria sorrir para isso, mas o habitual entusiasmo que a acompanhava não estava lá.

Assim como ela estava prestes a tentar mergulhar de volta na história, entretanto, uma voz prateada quebrou sua já delicada concentração.

“Twilight? É você?”

Sua cabeça se virou para localizar a voz, e a menos de dez metros de distância havia uma pônei. Ela se parecia com a idade de Twilight, mas era um pouco menor e magra. Sua pele era um branco delicado, e sua crina uma rica cor de mogno, com uma pequena listra de cor lilás passando através dela. Seus olhos combinavam com a cor da faixa lilás, e sua calda era parecida com a crina. Na base da mesma, ela tinha amarrado um arco de seda na cor azul celeste.

“M-Moondancer?!”

A pônei soltou uma pequena, suave risada que parecia preencher a biblioteca inteira com seu calor. “Sim, você está ótima, mas com asas agora. Faz séculos! Como você está? Ponyville está tratando bem sua mais nova princesa?”

Depois de um momento, Twilight finalmente encontrou sua voz. “S-sim! Ponyville está bem. As coisas têm sido meio lentas ultimamente, mas não posso reclamar.”

“Lentas? Mas Ponyville não ficou mais movimentada agora?” “Moondancer perguntou, diminuindo a distância entre ela e pegando um assento perto de Twilight. “Digo, eu vejo nas notícias o tempo todo. Você teve que lidar com Nightmare Moon, Cerberus, Discordia e Tirek, e…”

“…Sim, mas é a mesma coisa o tempo todo.” Twilight respondeu, dando de ombros. “Começa a ficar um pouco monótono depois de um tempo.”

“Monótono, Lutando por sua vida?? Ohh.” Uma enxurrada de risos saíam de sua boca, atraindo uma série de olhares dos pôneis que estavam na biblioteca. “Por favor nunca mude, Twi. Você é uma comédia.”

Twilight, por sua vez, se sentiu prestes a morrer de vergonha. Não, não morra; aquilo não era grave o bastante. Oras, ela preferiria sentar na biblioteca com todos os livros do mundo e nunca ser capaz de tocá-los do que pela humilhação de centenas de olhos estranhos em cima dela.

Ok, talvez isso fosse um pouco exagerado. Ainda assim, Moondancer estava rindo muito, muito alto…

Twilight deslocou um olhar em Moondancer por trás de seus cascos. A pônei estava literalmente em lágrimas de tanto rir. Twilight balançou a cabeça e, apesar de suas bochechas vermelhas, silenciosamente riu junto com ela.

Eventualmente, o riso de Moondancer deixou de soar por toda a sala. Depois de limpar as lágrimas de seus olhos, ela sorriu para Twilight. “Como nos velhos tempos, hein?”

Twilight esboçou um meio sorriso, lutando contra a vontade de rolar seus olhos. “Sim, como nos velhos tempos. De qualquer forma, o que você está fazendo aqui em primeiro lugar? Você nunca foi o tipo que passeou em uma biblioteca a menos que alguém a forçasse.”

“O que você quer dizer com alguém? Foi sempre você que me forçou.” Ela respondeu dando a Twilight um bem intencionado tapa em seu ombro.

Em uma extrema demonstração de graça imprópria para uma dama, Twilight pressionou os lábios e colocou a língua para fora.

“Ei, às vezes Twinkleshine e Minuette vinham com a gente. Além disso, se eu não lhe forçasse a se alimentar de livros, quem o faria?”

“Ninguém! Isso é fato.” Ela disse. “De qualquer forma, para responder sua pergunta, eu estou aqui para procurar um livro de receitas.”

Twiligh levantou uma sobrancelha. “Um livro de receitas? Por que você precisaria de um desses? Você nunca gostou de cozinhar.”

“Pois é, mas desta vez eu vou cozinhar para o meu noivo, e quero ter certeza que a comida será satisfatória.”

“Noivo?”

Ela acenou, com o semblante mais sério do que Twilight havia visto antes. “Sim, meu noivo.”

Twilight abriu sua boca para dizer alguma coisa, qualquer coisa, mas as palavras não vinham. Ela simplesmente ficou lá, abrindo e fechando a boca como uma boba.

Moondancer deu um grande sorriso, com suas bochechas corando. “Sim, isso me pegou de surpresa também. Mas ele realmente é um bom companheiro: apenas o tipo com quem sempre quis me casar. E ele sempre me trata como uma princesa. Mesmo que eu não esteja pronta para casamento, não acho que não poderia dizer a ele um não mesmo se quisesse.”

Twilight inspirou uma lufada de ar e expirou lentamente. “Bem… uau. Eu nunca imaginei você sendo do tipo que resolvesse tudo, especialmente antes do resto de nós. Digo, estou feliz por você, mas… como você o conheceu?”

Ela soltou uma pequena risadinha, cobrindo a boca. “Agora que é uma história. Eu fui designada para ser sua advogada, na verdade. Foi um processo contra sua ex-esposa doida. Ela estava queimando todos os seus produtos, e ele se fartou. Nós meio que… nos ligamos, eu acho. Não tenho certeza de como aconteceu, mas estou feliz que tenha acontecido.”

“Espere, você é uma advogada?”

Moondancer rolou seus olhos. “Oras Twilight, pensei que você já soubesse disso.“

“Eu imaginei que você queria ser uma cantora, ou uma designer de moda, apresentadora de rádio, ou atriz. Praticamente qualquer coisa, menos uma advogada.”

Ela deu de ombros. “Isso foi a anos e anos atrás. E além do mais, ser advogada é divertido! Especialmente quando me subestimam, o que fica ainda melhor quando eu ganho uma causa antes deles saberem o que os atingiu.”

“Uau,” disse Twilight, mais uma vez em uma perda de palavras. “O que as outras garotas vêm fazendo então? Se você é uma advogada, nem posso imaginar o que elas poderiam ser agora.”

“Vamos ver…” Disse ela, batendo o casco sobre a mesa. Twinkleshine é co-diretora de teatro em Bridleway com uma pônei terrestre que ela conheceu na faculdade. Lemon Heart está trabalhando em uma empresa renomada que fabrica doces – não me lembro do nome, no entanto. E Minuette… mudou para Ponyville, não é? Você sabe melhor do que eu o que ela vem fazendo.”

Os olhos de Twilight se abriram, e seu queixo caiu no chão. “Espere, ela está em Ponyville? Por que ainda não parou para me visitar?”

Moondancer mordeu os lábios, com o lado esquerdo da boca curvando para cima. “Faço a mesma pergunta, Twi.”

Não pela primeira vez naquele dia, Twilight se viu tropeçando em palavras fora de seu alcance. “Eu…eu não…”

“Não se estresse por causa disso,” Moondancer disse gesticulando com o casco para desconsiderar. “Você tem um reino para administrar agora, e um monte de amigos novos. Não é grande coisa.”

Mesmo que Moondancer não quisesse dizer daquela maneira, a frase “novos amigos” picavam. As orelhas de Twilight se estendiam, mas ela tentava seu melhor para manter um sorriso. “Eu irei contatar Minuette quando voltar para casa. Já faz uma eternidade que eu vi qualquer uma de vocês e… eu amaria falar com ela.”

As orelhas de Moondancer se espalharam e ela mordeu um pouco o lábio. “Diga, o que você está fazendo aqui por falar nisso?”

Twilight sorriu timidamente, seu olhar se voltava para as pilhas de livros na mesa.

Moondancer seguia seu olhar. Tão logo ela viu todos os livros – miraculosamente já havia se deparado com eles antes – seus olhos se arregalaram. Seu olhar voltou para Twilight. “Qual o problema?”

 “Perdão?”

“Qual o problema?” ela repetiu. “Você só lê demasiadamente quando alguma coisa está te incomodando. O que está errado?”

“Eu… bem…” Agora que pensava nisso, ela tendia a manter-se em seus livros quando algo estava errado em sua mente. Moondancer era uma das poucas que notava isso. “Eu acho… acho que estou ficando cansada da rotina.”

“Rotina do que, de ler?” ela deixou escapar uma risada curta e afiada. “Hoje vai chover.”

“Eu não sei. De quase tudo, na verdade. Não sei como descrever isso, é como se nada mais fizesse sentido.”

Moondancer soltou uma pequena bufada de ar, sacudindo a cabeça ligeiramente. “Então o que você está dizendo é que está estressada.”

Twilight soltou uma pequena e abrupta risada. “Sim, essa palavra seria a definição certa.”

“….E a solução para este problema é ler mais uma pilha de livros?”

Twilight esboçou outro sorriso, rindo um pouco. “Admito que não é exatamente e ideia mais inteligente, mas sim.”

“Se eu estou sendo terrivelmente honesta com você, Twi, na verdade estou um pouco ofendida,” Moondancer disse. “Você está estressada, então veio para Canterlot e nem me visitou? Francamente, pensei que fossemos mais amigas do que isso.”

O olhar de Twilight caiu para o chão, fugindo do olhar de Moondancer. Moondancer tinha a fama de ser a mais brincalhona, Twilight sabia – mas ela também conhecia Moondancer. Havia definitivamente uma fatia de verdade no que ela estava dizendo, mesmo se nunca fosse admitir.

“Honestamente, imaginei que você não queria me ver em primeiro lugar. Já se passaram quantos, cinco anos desde que conversamos? Você deve ter amigos melhores e mais próximos para conversar agora.” Disse Twilight.

O olhar que Moondancer deu a ela poderia queimar o concreto – isso lembrou Twilight do olhar que sua mãe lhe dava quando era pega no quarto lendo livros até de madrugada, ou quando ela sorrateiramente deslizava as couves do almoço para o prato de Shinning Armor, quando ela não estava olhando.

“Primeiramente, Twilight, foram seis anos e meio, e não cinco. Segundo, só porque moramos em cidades diferentes, não quer dizer que não sejamos mais amigas! Isso seria simplesmente ridículo. Amizade… amizade é como a gravidade. A distância – ou  mesmo a quantidade de tempo entre duas amigas não importa. Suas amizades sempre irão reuni-las novamente, mesmo que demore alguns anos. Olhe para nós agora! Acidentalmente nos encontramos em uma biblioteca? Você não pode me dizer que é apenas uma mera coincidência.”

Um momento se passou. Então outro. E outro. Twilight buscava por palavras, mas não havia nenhuma. Ao invés disso, no lugar de uma resposta, ela envolveu seus cascos em Moondancer para um caloroso e apertado abraço. “…Obrigada Moondancer, eu precisava disso.”

“De nada. Mas não pense que você já se livrou dessa, senhorita.” Disse Moondancer, a abraçando de volta. “Eu ainda estou chateada com você por evitar minha festa e mudar de cidade sem nem mesmo se despedir de todas nós. A carta que você mandou posteriormente foi boa, não a mesma coisa.”

Twilight apertou um pouco mais o abraço, com um sorriso se estendendo de orelha a orelha. “Eu vou tentar fazer as pazes com vocês, então. Todas.”

Moondancer olhou Twilight diretamente nos olhos. “Eu sei como você pode fazer isso por mim. Está entediada, certo? Vamos fazer alguma coisa agora mesmo! Nós poderíamos praticar alpinismo, ou nadar, qualquer coisa. O céu é o limite!”

Os olhos de Twilight arregalaram. “Nadar? Eu não sei…”

Por um momento, nenhuma das duas disseram nada, aquecendo-se no silêncio desconfortável. Felizmente, o estômago de Twilight, zangado de ter sido temporariamente esquecido, soltou outro rugido duas vezes mais alto que o primeiro, mais uma vez atraindo olhares de quem estava na biblioteca.

Moondancer soltou uma risada tímida e inclinou a cabeça para o lado levemente. “…Ou talvez nós poderíamos sair para um lanche. Que tal umas magnólias?”

O par de velhas amigas compartilharam uma longa risada antes de Twilight finalmente responder. “Mas você não veio buscar o livro de receitas? Não quero te atrapalhar com o jantar para o seu noivo.”

Moondancer varreu um casco pelos cabelos, puxando uma parte fora de seu rosto. “Isso pode esperar. Em vez disso nós três podemos sair para jantar fora. Aliás, tenho certeza que ele adoraria te conhecer.”

“Na verdade…” Twilight interrompeu. “Isso seria adorável, Moondancer.”

Com isso, ambas saltaram sobre seus cascos e se dirigiram até a saída, conversando e rindo o tempo todo. O livro de Twilight – aquele que ela estava tão ansiosa para terminar, ainda estava na mesa dobrado e aberto, inacabado.

E Twilight não se importava.