Fanfic, Fanfics estrangeiras

O moinho

moinho
Ilustração: Drason

Autor: RazedRainbow

Tradução: Drason

SINOPSE: A vida de qualquer um pode mudar completamente de forma inesperada, para melhor ou para pior. Independentemente de qual for, só existe uma coisa que pode nos ajudar a superar mudanças indesejadas.

***

Eu queria me lembrar do que me levou até a margem do rio naquele dia. Talvez eu estivesse com sede, talvez eu quisesse saltar sobre as pedras, talvez não houvesse absolutamente nenhuma razão. Pessoalmente, gosto de pensar que foram os cascos do destino que me empurraram para a beira da água, mas, de novo, não tenho certeza.

Independentemente de qual tenha sido o motivo, eu estava lá. No final, isso era tudo o que realmente importava.

Eu estava de pé ao lado da correnteza, observando a água colidindo com as rochas e criar correntezas trovejantes. Havia uma certa beleza nas correntezas; fortes o bastante para te carregar para baixo, mas ainda assim mantendo a elegância insondável que apenas a água parecia possuir. Não era nenhuma surpresa para mim que pôneis ainda fossem atraídos para aquele velho rio, apenas para serem arrastados pela sua corrente. É tão poderosa e, ao mesmo tempo, tão atraente. Eu ainda sinto vontade de ir para um mergulho quando passo por ele. É um impulso bobo, mas ainda assim um desejo.

Foi enquanto estive assistindo a carenagem da água que percebi o reflexo. Alguma coisa de madeira e saliente fora da linha das árvores, sua metade debaixo acariciando a água e sua metade superior agradando os galhos das árvores. Eu virei minha cabeça, convencida de que estava apenas vendo coisas, e vi uma grande roda. A água avançava contra ela, batendo em seu corpo com uma força aparentemente intensa, e a roda girava lentamente, onde um incessante e irritável chiado surgia de cada rotação.

Eu cheguei mais perto da roda e notei que ela estava conectada em uma grande construção de pedra: um moinho. Estava evidente que essa construção havia sido desocupada há muitos anos. As pedras usadas nela estavam desgastadas e cheias de musgos. Havia apenas uma janela inclinada na parte da frente, sem vidro, e a entrada sem porta, nem dobradiças. Eu não era nenhuma expert em arquitetura, mas mesmo minha mente de criança poderia me dizer que essa construção era antiga. Claro que como uma criança, também imaginei que pertencia a um bravo cavalheiro com sua armadura brilhante. Eu tinha imaginado que o interior da construção estivesse cheio de espadas, armaduras ou qualquer coisa que um cavalheiro usasse.

Essa teoria foi rapidamente desmentida. As únicas coisas, passada ou presente, eram teias nos cantos e buracos de ratos nas paredes.

De qualquer forma, apesar da idade óbvia, eu me senti compelida. A estrutura era tão bonita, e ainda estava em boas condições que, com alguns buracos tapados e uma adição de novas portas e janelas, poderia ser ocupado novamente. Eu tinha consertado algumas coisas no meu passado, mais notavelmente, a velha casa da árvore da minha família na fazenda, e eu sempre me considerei boa nisso, então decidi tentar. Não havia nenhum mal em fazê-lo.

E foi assim que começou. Uma simples decisão tomada por um capricho sem expectativas reais ou consequências plausíveis.

Se ao menos tivesse ficado por isso mesmo.

O moinho demonstrou que era preciso muito mais do que uma simples reforma anteriormente prevista. A coisa toda soava estruturalmente como um pedaço de fiapo. Várias vezes, eu estava tapando buracos quando metade do telhado decidiu ali mesmo que queria me matar ao desabar. Como ele não conseguiu foi um milagre. Mas eu superei a tempestade. Enquanto era um trabalho difícil e perigoso, uma voz em minha cabeça me dizia que tudo seria gratificante no final.

A parte mais difícil foi mantê-la em segredo. Eu sabia que, se minha irmã ou irmão soubessem, eu teria que parar. “Não é seguro!” eles diriam. “Uma criança não pode fazer coisas como essa.” E eu sabia que não iria ouvir o final. Então me assegurei de parar pelo riacho que passava perto do pomar de maçã todas as noites. Eu esfregaria a sujeira, tinta no corpo, e  camuflaria minha pele para esconder quaisquer ferimentos ou hematomas. Depois que tivesse certeza que estava relativamente impecável, eu iria para o jantar. Minha família nunca suspeitou, então eu supunha que estava indo bem.

Esconder minhas aventuras solitárias das minhas amigas era outro desafio. Nós tínhamos feito um pacto de que iríamos ganhar nossas marcas especiais juntas. Se elas descobrissem que eu estava na minha própria cruzada, haveria uma boa discussão.

Diferente dos meus irmãos, minhas amigas começaram a suspeitar. Elas me pegaram saindo da floresta, no final da noite, cansada e ferida. Elas perguntariam onde eu estava, e eu diria que apenas estava indo para uma caminhada. Elas perguntariam por que eu estava coberta de arranhões, e eu responderia que caí em um espinheiro depois de tropeçar em uma pedra. Enquanto eu não era a melhor mentirosa do mundo, foi convincente o suficiente. Elas deram de ombro e seguiram seu caminho, e eu pude respirar aliviada e continuar meu trabalho.

Conseguir os materiais que eu precisava era ao mesmo tempo o mais difícil de realizar e os mais complicados para minha alma. Estando em uma fazenda, eu estava cercada de materiais que precisava para consertar qualquer coisa. Pés de cabra, martelos, pregos, chaves de fenda, madeiras e até uma carroça. Eu tinha tudo isso ao meu alcance, apenas esperando serem apanhados. No entanto, não eram minha ferramentas, eram da minha família. Não seria furtar, mas ainda assim os pegando emprestado sem permissão seria um grande não. Eu poderia pedir, mas sabia que eles iriam questionar para que eu queria, para onde eu iria, e então não me deixariam. Era uma situação de perda. Eu tinha que escolher entre a santidade da minha alma e o moinho.

Escolhi o moinho.

O moinho levou meses de trabalho exaustivo para reformar, mas eu consegui. Tudo sozinha, sem ajuda de ninguém. Alguma coisa na minha cabeça me dizia, mesmo assim, que ninguém saberia sobre meu trabalho duro. O moinho estava muito longe da minha jornada árdua; para ter um vislumbre dele era necessário trilhar até os bosques. Mas eu ainda estava satisfeita. Fiz isso por mim mesma. Se algum pônei percebesse isso e gostasse, bom para eles. Talvez o usassem para uma fonte de inspiração, pintura, ou até uma canção. Talvez decidissem transformá-lo em algo útil, para produzir coisas.

Ou talvez ele ficaria imperceptível. Eu não me importava. O moinho era meu orgulho, e nada poderia tirar isso de mim.

Eu limpei o suor da minha testa e manquei de volta para a cidade. Resmungava e estremecia em cada passo. Um passo mal feito no caminho para o moinho me levou a um tornozelo torcido. Enquanto hematomas poderiam facilmente serem escondidos, um manco seria quase impossível. Mas mordi o lábio e continuei andando. Eu esperava ser convincente o suor misturado às lágrimas, e eu estava andando praticamente normal pelo tempo que emergi da floresta. O sol estava se pondo no oeste, cobrindo o céu em um brilhante mar de vermelho e laranja. Eu parei de admirá-lo. Esse foi o meu erro.

Com um grito, Sweetie Belle e Scootaloo saíram para fora dos arbustos. Elas haviam feito isso muitas vezes antes, tanto que eu nem saltava mais de surpresa. Com os cascos levantados, elas apontaram para mim, com olhares de perguntas estampados em seus rostos. Um mar de perguntas saíam delas.

“Onde você estava?”

“O que estava fazendo?”

“Por que está mancando?”

“O que é isso no seu flanco?!”

A última pergunta me pegou de surpresa. Meus olhos se arregalaram, e eu virei minha cabeça. Gritei quando vi, minha voz estalando mais do que Sweetie Belle quando fez a observação.

Pele amarela já não era mais a única ocupante em meu flanco. Agora um martelo e pincel também residiam lá.

Minha marca especial.

Uma onda de emoções em cascata emanava da minha mente.  Excitação, medo, tristeza, desgosto, alegria.

Eu finalmente consegui.

Eu tinha minha marca especial.

No entanto, as emoções mais proeminentes eram as negativas.

As envergonhadas.

As assustadoras.

Eu não podia encarar Sweetie Belle e Scootaloo nos olhos. Isso me traria face a face com as pôneis que eu tinha injustiçado. Nós tínhamos um pacto, e eu o quebrei. Conseguir nossas marcas juntas deveria ser nossa corrente, alguma coisa que nos mantivesse ligadas mesmo quando crescêssemos e ficássemos mais distantes. A intenção de adquirir mutuamente nossas marcas especiais foi o que nos uniu, e era o que nos mantinha juntas.

E eu arruinei isso.

Sem reconhecer precisamente suas respirações irregulares e murmúrios de “o que?”, eu abaixei minha cabeça e me arrastei até o Rancho Maçã Doce. Eu sabia que quando chegasse lá seria descoberta. Descoberta como uma pagã, mentirosa e sem o sobrenome Apple.

A vergonha batia em meu coração, e comecei a mancar novamente.

A Família Apple tinha uma história.

Se você é um Apple, “um verdadeiro Apple”, sua marca especial será algo relacionado a maçã.

Mesmo se você está destinado a ser um ator talentoso, uma maçã vai aparecer em seu flanco.

Essa é a marca de um “verdadeiro Apple.”

E o meu flanco estava sem ela.

No começo, eu pensava e esperava que tudo seria uma questão de percepção. Eu esperava que a iluminação era muito fraca para ver minha maçã, ou que ela estava localizada em um ponto difícil de perceber, não importava o quão longe eu esticasse meu pescoço.

Mas foi apenas uma ilusão. Enquanto eu me curvei no riacho para lavar a sujeira no meu rosto, vi o reflexo do meu flanco.

Era um martelo, um pincel, e nada mais. Nem mesmo uma semente de maçã.

Senti uma súbita vontade de apagar ela ali mesmo, soe isso louco ou não. Mesmo não totalmente crescida, nem mesmo fora da escola, e eu me considerava afogando no riacho. Mas, no momento em que estava perdida e confusa, eu sabia que nada de bom viria a partir dessa marca. Eu sabia que nada de bom iria sair andando pela porta da frente da minha casa. Eu sabia que nada de bom sairia amanhã, e no dia seguinte e seguinte.

E eu sabia que eu estava “errada”, ou pelo menos o que a tradição dizia que era “errado”.

Eu não sou uma Apple.

O furacão de emoções e pensamentos carregava uma escuridão absoluta. Minha família estaria procurando por mim em breve, e eu debati se deveria deixar eles me encontrarem. As luzes ainda estavam acesas na casa da fazenda, e eu mal podia ver a silhueta do chapéu da minha irmã enquanto ela andava na frente da janela. Sua voz, audível de quase um kilômetro de distância. Mordi o lábio e comecei a chorar novamente.

O que eu vou fazer?

Eu olhei para a lua. Era mais brilhante do que poderia me lembrar. Para este dia, não acho que já vi esse brilho antes. Havia algo de reconfortante nela. Um brilho que me abraçava e me dizia que as coisas iriam ficar bem. Enquanto isso não me consolava completamente, foi o suficiente.

Eu lavei meu rosto no riacho pela última vez e caminhei até minha casa.

Eles estavam em mim logo que abri a porta. Repreensão, perguntas, abraços; Big Mac me envolveu com tanta força em seus braços que eu não conseguia nem respirar. Tudo se acalmou depois de um minuto, e as perguntas se tornaram mais decifráveis.

“Onde você estava?”

“O que estava fazendo?”

“Por que está sangrando?”

“O que é isso no seu flanco?!”

Eu não abaixei minha cabeça dessa vez. Não, eu levantei meu queixo o mais alto que podia, e deixei meu flanco o mais visível possível. Se eles iriam me odiar pelo que eu era, eu não iria lhes dar o prazer de me machucar. Eles poderiam me negar, insultar, mas não teriam vitória. Eu não permitiria isso.

Applejack se abaixou, franzindo a testa e apertando os olhos. Ela olhou para a marca, e então para mim, depois novamente para a marca, e depois para mim.

Apenas faça! Pensei. Pare de hesitar e faça!

Ela olhou diretamente em meus olhos, sua onda de emoção era facilmente evidenciado pelo seu olhar.

Era isso. Foi o momento em que tudo caiu.

Ela deu uma genuína risada e me puxou para um abraço. O ar foi expelido para fora de meus pulmões com a intensidade de seu abraço.

Essa não foi a risada de deboche, mas de uma amiga.

A risada de alguém que me amava.

“Você conseguiu Applebloom!” ela engasgava, com a voz abafada em meu ombro. “Você finalmente conseguiu!”

Eu olhei para ela perplexa. “Não está brava?” Perguntei.

Ela olhou para mim com sua própria expressão perplexa. “Por que cargas de feno eu estaria brava?”

Eu suspirei e me afastei levemente do abraço. Balancei a cabeça e olhei triste para a marca. “Olhe Applejack, percebeu alguma coisa? Percebeu o que não está lá?”

Applejack inclinou a cabeça e colocou um casco embaixo do queixo. Ela olhou para a marca por um longo tempo, tempo demais para minha paciência.

“Não tem uma maçã Applejack! Apenas este martelo e pincel!” Eu caí de joelhos, tremendo. Tinha prometido que não iria lhes dar o benefício de me entristecer, mas quebrar promessas parecia ser a única coisa que eu podia fazer naquele momento.

“Eu não sou uma Apple.” Eu soluçava. “E-eu… não sou uma Apple.” Eu funguei e bati a cabeça contra o chão. Minhas lágrimas infiltravam nas rachaduras das tábuas e fluíam através delas.

Como um rio.

Então Applejack me abraçou de novo, me calando. Eu senti os cascos dianteiros do meu irmão me envolvendo também. Finalmente, podia sentir o frágil casco da vovó Smith nas minhas costas, tremendo com a idade e emoção.

“Você é uma Apple.” Applejack sussurrou em meu ouvido. “E você é minha irmã, e eu te amo. Não se atreva a pensar o contrário.”

Comecei a chorar de novo, mas dessa vez foi uma liberação real. Sem medo, sem raiva, só liberação. As coisas não seriam ruim, ou pelo menos não tão ruins. Eu ainda tinha que conversar com Sweetie Belle e Scootalooe e pedir desculpas a elas por quebrar o nossos pacto. Se elas iriam ou não me perdoar era um mistério, mas naquela noite eu não me importei.

Eu estava com fome e cansada.

Palavras poderiam ser ditas amanhã.

Para este dia, o moinho está desocupado. Já considerei em me mudar para lá de vez em quando, mas rapidamente deixei de lado. Embora eu sinta que fiz um bom trabalho enfeitando o lugar, um moinho não era exatamente a mais confortável das casas. Além disso, nada pode mudar o que ele fez por mim. E enquanto eu sou grata por ter me deparado com ele, senti que a coisa mais respeitosa que eu poderia fazer por ele era apenas deixá-lo ser o que era.

Estava bom assim.

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Petricultura

petriculture

Autor: Kwakerjak

Tradução: Drason

SINOPSE: Twilight Sparkle decide estudar sobre a agricultura de rochas da fazenda da família Pie. Porém, durante suas pesquisas, ela acaba fazendo uma descoberta surpreendente.

***

“Eu sabia que estava me esquecendo de alguma coisa, mas não posso colocar meu chifre nisso. Eu saí da cama, fiz todos os arranjos do jantar, planejei um itinerário, e me assegurei de ter tempo para as inevitáveis loucuras que sempre parecem acontecer por aqui, então o que mais poderia ser?”

Spike não poderia resistir ao impulso de rolar seus olhos. Esta certamente não foi a primeira vez que Twilight Sparkle trabalhava para si mesma em frenesi, e provavelmente não seria a última, mas isso não significava que o bebê dragão não estava totalmente acostumado com isso, especialmente quando os cascos da unicórnio ficavam agitados, o que era surpreendentemente eficaz na produção de dores de cabeça em meio ao barulho que causava na biblioteca. “Talvez você não tenha se esquecido de nada, Twilight. Afinal é por isso que você faz uma lista de verificação, certo?”

Os olhos da pônei se arregalaram ao perceber: “claro! me esqueci de verificar a lista novamente!”

 “Hum, geralmente você checa a lista quatro vezes.”

“Eu faço uma verificação quádrupla para me certificar que não me esqueci de nada.” A unicórnio roxo o corrigiu. “Eu não fiz a segunda verificação apenas para me assegurar que não havia nada importante na lista em primeiro lugar!”

“Uh, Twilight?”

“O que é Spike?”

“Eu tenho certeza que seus pais ficarão contentes apenas por passarem o tempo com você.”

Twilight suspirou. “Eu sei disso Spike. Mas essa é a primeira visita deles a Ponyville, e eu quero que tudo seja perfeito.” Isso era fato; ela estava tão focada em garantir que seus pais apreciariam sua estadia que ela ocasionalmente tinha que ser lembrada de que era o aniversário dela e que a viagem era para comemorar isso em primeiro lugar. Mesmo o fato de que suas amigas haviam concordado em assumir algumas responsabilidades, não foi suficiente para acalmá-la, pelo contrário, isso a colocou no modo “supervisora”.

“Mas você realmente precisa chegar a ficar exausta com isso?” Spike perguntou, numa tentativa de argumentar com sua chefe maternal para minimizar sua posição autoritária para um nível mais controlável de neurose.

“Eles são meus pais Spike. Independentemente de ser ou não necessário, eu tenho que me esgotar sim. Eles são mais do que dignos disso.”

“Sim, mas sou eu que tenho que suportar seus ataques de pânico”, o dragão murmurou.

“Você disse alguma coisa?”

“Er… não, nada. É que, uh, eu quero dizer…” Spike tentava mudar de assunto. “Por que você não vai ler um livro ou algo assim? Digo, seus pais só virão amanhã, certo?”

“Hmmm.. não.” Twilight respondeu, muito desapontada com seu assistente. “Tenho uma ideia melhor. Pesquisa!”

Spike se animou visivelmente com essa proposta. Se a unicórnio devoradora de livros estava absorta em um esforço para responder algumas questões obscuras, as chances eram boas para que ela ficasse mais tolerável. “Entendido. Então que mágica chata você vai estudar hoje?”

Twilight preferiu ignorar a parte em que seus interesses eram “chatos”, e ao invés ofereceu uma sugestão diferente. “Na verdade, acho que é uma boa hora para solucionar a lista de charadas.”

“Como?”

“Você sabe, a lista de perguntas difíceis de responder que eu estive compilando para eu ter alguma coisa pra fazer quando precisasse manter minha mente ocupada.”

“Ah sim.” O dragão caminhou até a gaveta onde havia vários pergaminhos, todos preenchidos com várias notas, rabiscos e ideias aleatórias. Ele revirou os pergaminhos por um ou dois minutos antes de achar aquele que estava procurando. “Ah, aqui vamos nós,” ele disse, desenrolando um.

“Ótimo, o que temos aqui?”

“Hum, eu acho que…”

“Vamos Spike, eu sei que não respondi todos eles ainda.”

“Sim, eu sei mas… a maioria desses aqui são sobre Pinkie Pie.”

Twilight parecia cabisbaixa. “Estou vendo..” Havia alguma coisa sobre a pônei rosa que simplesmente se recusava em ter uma consonância entre lógica e bom senso, e Twilight já havia aprendido isso antes, da maneira mais difícil.

“Espere… tem alguma coisa aqui. O que exatamente significa agricultura de rocha?” Spike leu em voz alta, e suspirou. “

“Nada demais, apenas outra questão sobre Pinkie Pie.”

A unicórnio levantou um casco. “Espere um minuto, Spike. Talvez esse possa ser útil.” Afinal, ela nunca havia ouvido falar sobre agricultura de rocha antes de Pinkie Pie revelar como conseguiu sua marca especial, mas isso era muito interessante, pela simples ideia de que crescimento de material inorgânico parecia ser uma contradição em termos. Se ela pudesse aprender os princípios básicos por trás disso, o conhecimento poderia, provavelmente, ser aproveitado para resolver outro no futuro.

“O que você quer dizer?”

“Bem, não é apenas sobre Pinkie Pie, certo? Ela disse que toda sua família trabalhava e ainda trabalha com isso, e eles são relativamente normais.”

“Não sei, Twilight. Parece que você só vai acabar puxando as palhas de novo.”

“Bem, eu suponho que poderia voltar a me preocupar com meus pais…”

Em um piscar de olhos, Spike se dirigiu até as prateleiras de livros. “Ok, então onde está a seção de geologia?”

Spike suspirou. “Nada. Nenhuma palavra sobre cultura de rocha nesses livros.”

“Você checou os índices?”

“Sim.”

“Bem, talvez esteja listado sobre algo mais. Tente ‘Petricultura’, que soa como um termo acadêmico ou algo assim.

“Você já sugeriu esse, eu procurei e não está aqui.”

Twilight cuidadosamente levou seu casco até o próprio queixo. “Hmm… talvez estejamos usando os termos da maneira errada. Afinal, pelo que sabemos, agricultura de rocha nada mais é do que uma figura de linguagem. Pode ser que não tenha nada a ver com o sentido tradicional de colheita.”

“Ótimo… como vamos encontrar então?”

“A unicórnio encolheu os ombros despreocupada antes de responder. “A palavra chave é Pinkie Pie.”

“Hum… tem certeza que é uma boa ideia? Ela não parece gostar muito de conversar sobre seu passado.”

“Spike, não é como se eu estivesse indo perguntar sobre os membros de sua família, é algo que está apenas relacionado. Olhe, por que você não fica aqui pesquisando, enquanto vou averiguar?”

Isso soava bem para o dragão, já que assim ele teria uma pausa do perfeccionismo obsessivo de Twilight (embora ele não se atrevia a dizer isso a ela). “Com certeza! Vejo você depois!”

Enquanto Twilight Sparkle entrava na padaria local, ela foi recepcionada pela simpática Senhora Cake. “Bem vinda ao Torrão de Açúcar! Como eu posso… ajudar… você?” A alegria parecia diminuir enquanto ela reconhecia a cliente. “Twilight! Hum.. é bom vê-la novamente. Er… presumo que você tenha outras instruções de como fazer um bolo? Eu te garanto que o Senhor Cake e eu seguimos perfeitamente as instruções de sua carta, e usamos até uma régua para reduzir as rebarbas de chantili conforme você solicitou, misturando o extrato de baunilha com o corante que você queria para deixá-lo na tonalidade azul, e tenho certeza que a extremidade estava com três milímetros de espessura, e…”

“Na verdade Senhora Cake, eu estou aqui para conversar com a Pinkie. Ela está?”

“Oh sim! Claro, você quer falar com ela, porque afinal são amigas, não é?” Sendo uma pônei educada, Senhora Cake fazia tudo o que podia para não demonstrar seu alívio por não ter nenhuma instrução de como fazer um bolo (e nisso, ela falhou espetacularmente). “Pinkie Pie! Twilight está aqui e quer falar com você!”

Segundos depois, a pônei terrestre saía com exuberância da cozinha. “Ei Twilight! Precisa de ajuda com a festa de aniversário?”

“Ainda não, mas obrigada.” A unicórnio deixou claro que queria lidar com os detalhes de sua festa por conta própria, particularmente para se assegurar que seus pais apreciariam a estadia, e porque ela sempre queria organizar uma festa sozinha, razão pela qual o envolvimento de Pinkie Pie até agora se limitou apenas em conselhos e suprimentos. A pônei rosa ainda não entendia porque Twilight era tão insistente em planejar sua própria festa, mas desde que isso era importante para ela, Pinkie (muito relutantemente), deixou o assunto de lado.

“Oh? Certo… então do que você está precisando?”

“Bem, os preparativos estão me deixando meio estressada, então estou tentando criar alguma diversão para minha mente. Eu, uh, estava esperando que você pudesse me responder algumas perguntas.”

“Ah legal! Quer dizer que você vai usar aquela penca de equipamentos em mim de novo no seu porão?”

Twilight balançou a cabeça. “Dessa vez não. Quero um outro meio de pesquisa pra saber como você é capaz de fazer o impossível, mas estava esperando que você pudesse me dar um ponto de partida.”

“Um… okie dokie, eu acho.”

“Ótimo, então o que você pode me dizer sobre o cultivo de rochas?” A abordagem brusca sobre o tema se tornou um erro aparente quando Pinkie Pie ficou em silêncio, olhando para o chão. “Oh, me desculpe Pinkie, me esqueci como você se sente sobre isso. Não precisa responder se não quiser.”

“Não é que eu não quero… acontece que eu não sei muito sobre isso. Eu, hum.. apenas seguia as instruções de meus pais, é tudo. Eu realmente nunca procurei tomar conhecimento sobre como funcionava.”

Twilight suspirou. “Certo, você pode pelo menos me dizer sobre a agricultura atual? seria essa agricultura um sinônimo de mineração?”

“Bem, uh… Eu estou certa que se trata da agricultura atual. Eu… nunca vi nenhum pônei cavando, e as rochas tiveram que vir de algum lugar certo?”

Observando a pônei mais alegre de Ponyville (e possivelmente de toda Equestria) expressar uma emoção diferente, tudo estava começando a ficar deprimente, e quase parecia que sua crina estava menos crespa. “Tudo bem, pelo menos é um começo. Desculpe te arrastar para o passado Pinkie.”

 A simples mudança de assunto foi suficiente para melhorar o humor da pônei rosa. “Está tudo bem, apenas certifique-se que sua festa será super!”

Twilight riu. “Farei o possível.”

Apesar de sair do Torrão de Açúcar um tanto frustrada, a fiel aluna da Princesa Celestia ainda não estava totalmente desencorajada. Afinal, mesmo se Pinkie Pie não soubesse o bastante sobre agricultura de rochas para fornecer a ela respostas definitivas, havia outra pônei especializada na área que poderia. Assim, a unicórnio roxo trotou confiante através da entrada do Rancho Maçã Doce.

“Applejack!” Ela gritou. “Você está aí?” Twilight passou vários minutos procurando ela antes de encontrá-la cuidando de algumas mudas. “Ei Applejack!”

A pônei loira deixou sair um suspiro audível, que parecia ser uma tentativa de disfarçar um gemido, antes de olhar para sua amiga com um sorriso um tanto forçado. “Olá Twi! O que posso fazer por você?”

“Bem, você tem um tempo para responder uma ou duas perguntas?”

Desta vez Applejack nem tentou disfarçar o gemido. “Olhe Twilight, é realmente necessário? Nada mudou nas últimas doze horas, ainda temos todos os ingredientes que precisaremos para fazer as quatro refeições que você pediu, Vovó Smith mudou suas receitas para resolver o problema alérgico da sua mãe e prometeu que até amanhã cedo estará tudo pronto. Confie em mim, vai ficar tudo bem, não precisa se preocupar com nada.”

“Eu realmente tenho sido neurótica?”

“Quer mesmo que eu responda docinho?”

“Uh, na verdade não, eu tenho uma pergunta sobre agricultura, e não, não tem nada a ver sobre amanhã à noite, na festa de aniversário.”

“Mesmo? Então pode perguntar.”

Você se lembra quando estávamos todas juntas falando para Applebloom, Sweetie Belle e Scootaloo sobre como conseguimos nossas marcas?”

“Claro que sim.”

“Bem, desde que ouvi a história da Pinkie, estive pensando sobre agricultura de rochas. Digo, se realmente é possível rochas crescerem para depois serem colhidas, então as ramificações mágicas devem ser enormes, sem mencionar o potencial econômico.”

Applejack levantou um casco enquanto ela interrompia sua amiga. “Ok, pare aí, Twi.”

“Por que?”

Applejack suspirou. “Docinho, não me leve a mal, mas esse é a coisa mais boba que uma unicórnio inteligente como você perguntou.”

“Qual é Applejack?”

“É sério Twi. Sei que você já explicou como os pônei terrestres têm seus próprios tipos de magia, assim como unicórnios e pégasus, mas você sabe muito bem que a sua maneira de ver as coisas e falar sobre elas é sutil demais.”

“Mas… não há nada de sutil sobre o que Pinkie Pie pode fazer. Talvez, apenas talvez, se seus talentos são inerentes em sua família, então aqueles com uma conexão mais forte com a terra pode tornar isso possível.”

“Twilight, apenas confie em mim. Eu não posso imaginar por que um pônei terrestre tentaria cultivar rochas. E sabe por que? Simplesmente porque podemos minerar ao invés de fazê-las crescerem.”

“Então o que Pinkie quis dizer sobre cultivo de rochas?”

“Provavelmente que sua família possuía uma pedreira.”

 “Mas quem chama uma pedreira de cultivo de rochas?”

“Pinkie Pie, claro.”

“Mas…”

“Twi, parece que você está querendo que eu te explique algo que não precisa de explicação. Ela está apenas sendo Pinkie Pie, e não vale a pena ficar se desgastando com isso.”

No final da tarde, Twilight Sparkle estava de volta na Biblioteca, pesquisando sobre o tema de cultivo de rochas. Isso por si só não teria sido tão ruim, se não fosse o fato de que na Biblioteca estavam três clientes no momento, todos tentando ler vários livros: Rainbow Dash estava em uma pilha de livros sobre Daring Do, Rarity estava procurando temas sobre costura, e Fluttershy pesquisando livros sobre preguiças de três dedos por alguma razão.

Claro, todas as três eram ótimas amigas dela e muito próximas, motivo pela qual sentiam que ela não parecia bem. “Pinkie Pie sendo Pinkie Pie? Que tipo de resposta é essa?”

“Hum, não é a mesma resposta que teve da última vez?” Fluttershy interrompeu.

“Não, da última vez, a resposta que surgiu foi que eu não necessariamente tinha que entender alguma coisa a fim de aceitá-la. Você sabe, exatamente o oposto do que Applejack sugeriu?”

“Não vejo porque você está obcecada com isso, querida.” Acrescentou Rarity. “A explicação de Applejack foi bastante razoável pra mim.”

“Dá um tempo! Pinkie Pie pode agir de forma confusa às vezes, mas ela não é boba. Ou você acha mesmo que ela não sabe a diferença entre uma pedreira ou fazenda?”

Rainbow Dash olhou brevemente seu livro antes de fechá-lo. “Bem, talvez ela estava inventando.”

“Mas por que ela faria isso?” Perguntou Rarity.

“Não sei. Por que você tenta esconder que sua família é de Santo Paulomino toda vez que você vai para Canterlot?”

Isso deixou Rarity visivelmente nervosa. “o que… bem… eu… é.. eu nunca!”

“Onde fica Santo Paulomino?” Fluttershy perguntou.

“É um longo caminho ao norte daqui,” Rainbow Dash respondeu com o sotaque estereotipado daquela região. “Yah, você tem apenas que conversar com os pais dela por apenas um minuto para perceber que eles são de lá.”

“Primeiramente, isso não soa como o sotaque de Santo Paulomino,” Rarity respondeu. “E segundo, eu não escondo que meus pais são daquela região, isso nunca veio à tona.”

“O povo de Canterlot não é curioso, ou é você que desvia a conversa deles?”

“Vale a pena ficar discutindo por isso?” Fluttershy perguntou em voz baixa.

“Ah, estou apenas brincando,” disse Rainbow Dash. “Desculpe se você pensou diferente, Rarity.”

“Eu… tudo bem. É preciso ser capaz de fazer considerações sobre a personalidade dos outros, afinal.”

“Em todo caso, ponto para a Rainbow Dash,” Twilight relutantemente concluiu. “Pinkie Pie não gosta de conversar sobre seu passado, e ela termina a conversa o mais rápido possível.” A unicórnio roxo suspirou. “Acho que é um beco sem saída.”

“Bem, pelo menos você não gasta o tempo preocupada com seus pais,” Disse Fluttershy.

“Na verdade isso não importa muito”, disse Spike, entrando na sala com uma carta aberta.

“Você vai querer ler isso, Twi.”

A unicórnio levitou a carta das garras do dragão e brevemente leu o conteúdo. ”Oh não!”

“Alguma coisa errada querida?” Perguntou Rarity.

“É a minha mãe, ela está doente.”

“Oh, é muito sério?” Perguntou Fluttershy.

“Não, ela deve estar bem, mas o médico recomendou que ela ficasse de cama, então não poderá vir a Ponyville. E isso significa que meu pai também não poderá, pois sei que ele não vai querer deixar minha mãe sozinha.”

“Sinto muito Twilight, sei que estava muito ansiosa para vê-los.”

“Sim, embora…. agora que penso nisso…”

“Twilight? Você está bem?” Perguntou Rainbow Dash.

“Sim, poderiam me fazer um favor e avisar os outros que a festa foi cancelada? Spike e eu temos que pegar um trem para Canterlot.”

“Você sabe, por um tempo, realmente pensei que você pegou esse trem para ver seus pais. Eu deveria saber que você poderia usar isso como desculpa para ir à Biblioteca de Canterlot.”

Twilight gemeu com a rabugisse persistente de seu dragão. Ela mal podia culpá-lo, já que ele não esperava ter que se arrumar para pegar um trem à Capital de Equestria, mas não significava que ele tinha que ser rude. “Olha, não importa o quão curiosa eu seja, eu não teria o esforço de preparar aquela festa se não fosse para ver meus pais. Mas desde que a Biblioteca Real esteja no caminho, eu imagino que nós podemos aproveitar o fato de que lá tem mais recursos, de forma que eu possa fazer algum progresso em minha pesquisa sobre cultivo de rochas. Porque se houver uma resposta, não está em Ponyville.”

Três horas depois, já na Biblioteca de Canterlot, Twilight estava começando a se sentir ligeiramente frustrada. “Como assim não tem nada sobre o assunto??”

Isto valeu a ela pouco mais do que um olhar sério da unicórnio sentada no balcão. “Senhorita Sparkle, por favor, isto é uma Biblioteca.”

“Desculpe. É que… como pode não haver nada relacionado ao cultivo de rochas?”

“A resposta é simples, porque isso não existe.”

“Mas isso não faz sentido.”

“Certamente faz mais do que rochas crescendo. De fato, há pôneis que estão atualmente estudando a possibilidade de criar pedras preciosas em laboratório, mas ainda está em fase experimental e longe de ser comercializado.”

“Oh… que maravilha…”

“Hum, twilight?” Spike interrompeu. “não deveríamos ir para a casa de seus pais?”

A unicórnio roxo suspirou. “Tem razão, Spike. E nesse tempo,” ela acrescentou, voltando-se para a bibliotecária. “Talvez você possa obter informações entrando em contato com a família de Pinkie Pie. Se algum pônei pode ter alguma informação, são eles.” A bibliotecária concordou em checar os registros enquanto Twilight visitava seus pais.

“Ótimo, te vejo amanhã.”

“Eu não sei não…,” Disse Spike enquanto saiam da biblioteca. “Você realmente acha que Pinkie Pie vai gostar disso?”

“Não é como se estivéssemos falando sobre sua infância, Spike. Eu só quero saber mais sobre o negócio da família, só isso.”

Como ela meio que esperava, o tempo que Twilight Sparkle gastou na casa de seus pais passou rápido, principalmente porque ela sempre gostava do tempo que passava com eles, desde que ela se mudou para longe e começou seus estudos.Depois de passar a noite com eles (e provocando uma promessa deles a visitarem assim que sua mãe se recuperasse), ela embalou seu presente de aniversário, um álbum com uma compilação de fotos desde quando ela era uma criança. Inicialmente ela queria evitar olhar para ele até voltar para casa, mas sua mãe insistiu que ela pelo menos começasse vendo no caminho, porque “não é certo deixar suas memorias desaparecerem”. Twilight seguiu o caminho até a estação de trem, com Spike montado, uma vez que era a mesma rua em que se localizava a biblioteca real.

“Então, você pode me dizer como entrar em contato com a família Pie?”

A bibliotecária parecia bastante sem jeito. “Bem, na verdade Senhorita Sparkle… você não pode.”

“Hã? Por que? Será por não gostarem de conversar com pôneis que não conhecem?”

“Não… é porque… bem… não há registro deles.”

“O que?!”

“Por favor senhorita Sparkle, sua voz.”

“Desculpe, mas o que você quer dizer com não há registro?”

“O sobrenome Pie não existe, parece que eles não participaram de nenhum censo, ou registro fiscal, não há sequer uma árvore genealógica disponível. Também não há nenhuma evidência ou documento oficial de que sua amiga tenha uma família com esse sobrenome. ”

“Mas… e apenas Pinkie?”

“Bem, há muitas provas de que ela existe, mas…”

“Mas?”

“…até cerca de dez anos atrás, não havia nenhum registro com esse nome também.”

“A unicórnio roxo simplesmente permaneceu em silêncio por quase um minuto antes que Spike falasse. “Hum, Twilight? Você está bem?”

Outra longa pausa. “Estou, Spike. Acho que a família Pie de alguma forma… uh… vamos, temos que pegar um trem.”

Twilight suspirava enquanto olhava para fora da janela do trem, observando o cenário passar. “Bem, terminou como outra busca inútil,” ela murmurou. Mais uma vez, suas tentativas de desvendar os mistérios de Pinkie haviam caído por terra. Talvez algum dia, no futuro, ela seria capaz de aceitar o fato de que sua amiga era, até certo ponto, totalmente indescritível. “Pelo menos eu tinha algo para pensar que não fosse apenas minha mãe,” a unicórnio pensou consigo mesma. Ela provavelmente teria apenas mudado sua preocupação com a festa para com o bem estar de sua mãe, se não fosse o dilema que havia sido criado, quando Spike sugeriu pensar nisso em primeiro lugar.

“Eu acho que essa busca não foi tão inútil afinal,” Twilight concluiu com um sorriso. Assim, ela decidiu abrir o álbum que seus pais haviam dado carinhosamente a ela.

O que ela viu quase fez o livro cair no chão.

“Hum… você está bem? Você não disse quase nada desde que saímos do trem.”

Twilight suspirava enquanto caminhava através de Ponyville. “Eu…. estou bem Spike. Apenas… preciso pensar um pouco sobre algumas coisas.” Os dois caminhavam em silêncio quando a Biblioteca de Ponyville finalmente ficou a vista.

“Feliz aniversário.”

“Obrigada Spike,” disse a unicórnio, finalmente permitindo a si mesma sorrir enquanto ela abria a porta. “Bem, agora eu vou…”

“SURPRESA!!”

“Twilight se surpreendeu ao ver suas cinco amigas na biblioteca que estava decorada com várias serpentinas e bexigas em tom azul. Todas estavam sorrindo para ela, sendo Pinkie Pie com o sorriso mais largo (como de costume). “Pinkie Pie… você planejou uma festa para mim?”

A pônei terrestre sorriu. “Não boba, você planejou essa festa. Eu apenas garanti que tudo estaria pronto quando você voltasse de Canterlot. Veja que tudo está feito do jeito que você queria!”

De fato, era verdade: o bolo, a comida, as decorações, a festa em si estava perfeitamente em conformidade com seu planejamento original. “Nossa pessoal, ficou… maravilhoso.” Twilight esboçou um grande sorriso. “Bem, e o que estamos esperando? Vamos começar!”

A festa em si era relativamente discreta; quando Pinkie Pie disse que ela usou o plano de Twilight, por Celestia, foi o que ela quis dizer. Esta foi uma noite bem movimentada, mas de muitos risos e conversas calmas.  Não muito demasiada, mas não muito louca também, era o tipo de festa que a unicórnio roxo sempre queria ter desde que era criança. Pensando em sua infância, porém, ela se lembrava do conteúdo que viu no álbum, e logo foi ficando visivelmente quieta.

“Twilight? Alguma coisa errada?”

“A unicórnio se restabeleceu para ver o rosto de Pinkie Pie olhando para ela com alguma preocupação. “Eu estou bem Pinkie. É que…”

“Sim?”

“Nós podemos conversar? Digo, eu e você em particular. Há algo que eu preciso tirar das minhas costas, por assim dizer.”

“Okie dokie lokie! Que tal na sua cozinha?”

“Pode ser.”

A dupla foi para o local em questão enquanto suas amigas ficavam conversando, fechando a porta atrás delas. “Certo, estamos aqui!” Disse Pinkie. “O que você queria falar?”

Aqui vai nada, Twilight pensou consigo mesma. “Bem, você sabe que estive interessada no cultivo de rochas recentemente.”

“Hum… sim.” Pinkie Pie respondeu hesitante.

“Bem, desde que saí de Ponyville, eu passei na Biblioteca Real… e mesmo lá não achei nada parecido. Então pensei que poderia entrar em contato com sua família, apenas para conversar sobre cultivo de rochas, nada mais, e, bem, não havia nenhum registro deles.” Twilight pausou para ver a reação de Pinkie Pie, mas ela não aparentava nenhuma reação. A unicórnio decidiu continuar enquanto pegava o presente de seus pais e o colocava sobre a mesa. “Eu, na verdade não iria falar sobre isso, mas então olhei o álbum que minha mãe me deu. Dê uma olhada.”

Lentamente, Pinkie caminhou até a mesa e olhou para a página que sua amiga tinha aberto. Era um tipo de desenho a lápis de uma pégasus branca com uma crina crespa e loira, olhos roxos profundos, um grande sorriso, e uma marca especial com três balões roxos. Ela estava cercada por um bolo, confetes, e outros acessórios de festas. Pinkie Pie comentou o óbvio: “Ela se parece muito comigo, não?”

Twilight preferiu não responder diretamente. “Como você provavelmente pode perceber, quando eu era criança, era muito mais introvertida do que sou agora, em outras palavras, eu era solitária. Na maioria das vezes, eu era capaz de li dar com isso. Sempre tive meus livros, minha família, brinquedos como Smart Pants, mas sentia que ainda faltava alguma coisa, e era sempre óbvio quando havia uma festa. Do meu ponto de vista, havia dois tipos de festas: o tipo em que não era convidada e o tipo em que era, porque os pais dos pôneis aniversariantes os faziam convidar todos os alunos que estudavam na mesma sala de aula. Ambos os tipos faziam eu me sentir totalmente miserável, então, eventualmente, decidi criar minha própria amiga, uma pônei que faria festas para mim, não importava o que acontecia. Eu dei a ela o nome de Surprise, e desenhei essa imagem dela. Nós… digo, eu me divertia muito com ela. Quando ela não estava fazendo uma festa no meu quarto, me fazia rir com coisas loucas que não deveriam ser possíveis, mas estava tudo bem, porque ela era imaginária, de forma que as regras normais não se aplicavam a ela. Mas… depois que ganhei minha marca especial e a Princesa Celestia me aceitou como sua aluna particular, eu… parei de pensar nela. Na verdade, foi até abrir esse álbum que me lembrei de quem ela era. Além das cores diferentes, e do fato de ter asas, ela… ela se parecia com você, Pinkie. Ela agia como você. Eu acho que até a voz dela soava como a sua.”

Pinkie Pie não respondeu, continuando olhando o desenho no álbum.

“Pinkie Pie? Como você realmente conseguiu sua marca especial?”

A pônei rosa ainda não disse nada. Ao invés disso, ela fechou os olhos com força, como se estivesse tentando segurar uma lágrima que estava se formando.

“Olha Pinkie, eu sei que você não gosta de falar sobre isso, e também não tem que responder a minha pergunta, mas… depois de tudo o que eu vi, e tudo que lembrei, eu estou chegando a uma conclusão que não faz absolutamente nenhum sentido.”

“Eu… eu não quero estar certa sobre isso Pinkie, mas essa parece que é a única conclusão que se encaixa, que é porque eu estou esperando que você possa me dar a evidência que me falta, alguma coisa que dê lógica a isso tudo.”

Após um longo silêncio, a pônei terrestre olhou para sua amiga. “Eu sinto muito, Twilight.” Ela disse em um tom baixo da qual a unicórnio jamais ouvira antes, “mas eu não posso.”

“Você não quer falar sobre isso?”

“Não, o que quero dizer é que não posso dar a informação que lhe falta… porque não há nenhuma.”

“O que?! Mas Pinkie… você… você entende onde eu quero chegar, certo?”

Pinkie Pie não respondeu, preferindo contar a ela sua própria história. “Antes de eu ver o sonic rainboom, todas as minhas memórias eram… como um sonho. Eles meio que vinham e sumiam, mas nunca eram sólidos, como o tipo normal. Era muito divertido. Haviam as festas, claro, mas mais do que isso, era divertido porque eu passava todo o meu tempo com essa incrível unicórnio criança. Ela era realmente super ultra inteligente, mas não tinha muitos amigos, então ela precisava ser animada um pouco. Eu amava quando conseguia fazer ela esboçar um sorriso.

“Mas depois do sonic rainboom, tudo ficou diferente. Digo, não apenas porque eu era uma pônei rosa ao invés de uma pegasus branca, mas… que era… real. Oh, e minha marca especial não era mais roxa. Desde que eu realmente não tenho nenhuma lembrança de não ter uma, acho que isso é o mais perto que consigo de uma história de ganhar a marca.”

“Então, cultivo de rocha é…”

“É algo que inventei no calor do momento, onde as Cutie Mark Crusaders não achariam que era algo estranho, ou que eu não queria contar minha verdadeira história. Achei que seria uma boa… eu… eu não devia ter mentido para elas.”

“Está tudo bem, Pinkie… eu não acho que nenhum pônei estava pronto para a verdade naquele momento. Quero dizer… eu não estou certa se eu estou pronta para isso, mas aqui está você me dizendo. Então… você sempre soube?”

“Bem, eu me encontrei no lado de fora de Ponyville quando vi o rainboom, e quando andei pela cidade, todos os pôneis acharam que eu estava com amnésia. As lembranças dos sonhos não ajudou nenhum pônei a descobrir quem eu era, então eu decidi que a melhor coisa a fazer era começar de novo. Desde que uma das enfermeiras no hospital me chamou de Pinkie Pie, eu decidi usar como meu nome. A família Cake me levou, me deram um emprego pra pagar meu aluguel, que eu sei que foi menos do que o normal, desde que eu ainda tinha que ir para a escola na época. Felizmente, fui capaz frequentar a sala de aula com facilidade, provavelmente por passar tanto tempo em sua cabeça.

“Depois de alguns anos, as coisas pareciam se estabelecerem muito bem. Após a graduação, os Cakes me deram um trabalho melhor, digamos que eu fui promovida, o que foi ótimo. Havia momentos em que eu quase acreditei que realmente era apenas uma pônei terrestre normal, que tinha amnésia. Mas então… você veio a Ponyville. Quando eu te vi, imaginei que era familiar, então decidi caminhar para conversar com você, mas quando você se apresentou como Twilight Sparkle…”

“…você se apavorou porque percebeu que suas memórias eram verdadeiras.” A unicórnio completou.

“Uh huh. Levei um tempo para voltar ao hábito alegre de sempre, do contrário, você teria conseguido um tratamento Pinkie Pie no ponto!” A pônei terrestre concluiu com uma risadinha.

Twilight suspirou. “Deve ter acontecido durante essa onda de energia mágica em meu teste. Quero dizer, eu transformei meus pais em vasos de plantas. Então fazer uma amiga imaginária aparecer no mundo real não é muito mais inacreditável …. Sinto muito, Pinkie Pie “.

Pinkie Pie parecia confusa por um breve momento, mas depois ela estourou em um grande sorriso reconfortante. Essa era outra chance de animar uma amiga familiar. “Por quê? Você não tem nada que se desculpar. Não é como se você tentasse se livrar de mim de propósito. “

“Mas muita coisa deve ter sido difícil pra você.”

“Bem, sim, no começo, mas eu não me entregaria por nada.”

“Mesmo?”

“Claro! Quero dizer, sendo sua amiga imaginária era super divertido, se as outras soubessem o quão incrível era o interior de sua cabeça, elas adorariam também, mas isso não é nada, e eu quero dizer nada como ser sua amiga de verdade!” Qualquer sugestão de melancolia era, até agora, completamente ausente da voz de Pinkie Pie.

“Mas eu me esqueci de você por anos …”

“Bem, duh! Eu não estava em sua cabeça mais, então por que você pensaria em mim?”

“Ainda assim, eu não te reconheci até hoje cedo.”

“Eu não me pareço com a Surprise mais. Você, por outro casco, ainda parece Twilight Sparkle “.

“Pinkie … Eu não … Eu. .. “Twilight estava em uma perda completa de palavras, então em vez de falar ela caminhou até sua amiga e a abraçou. “Obrigada.”

“Sem problemas, Twilight. Hum, se terminamos, podemos voltar para a festa?”

“Oh, sim! As outras provavelmente estão se perguntando por que estamos demorando muito.”

“Na verdade não. Elas estão todas ouvindo do outro lado da porta.”

“O quê?” A unicórnio usou sua magia para abrir a porta o mais rápido que pôde, fazendo quatro pôneis e um bebê dragão caírem um em cima do outro na cozinha. “Vocês …”

“Uh, desculpe, Twi”, disse Applejack se levantando. “Mas nós estávamos curiosas sobre o que vocês estavam falando, e …”

“E?”

“Bem, Pinkie Pie realmente disse que era apenas sua amiga imaginária?”, perguntou Rainbow Dash.

“Praticamente”, confirmou Pinkie.

“Mas … como pode isso? “, perguntou Fluttershy.

“Eu não tenho idéia “, respondeu Twilight Sparkle. “E realmente não me importo agora. Pinkie Pie ainda é Pinkie Pie, independentemente de onde ela veio. “

“Sabe,” Rarity repentinamente falou, “isso tecnicamente faz de você mãe de Pinkie Pie”.

“Eu acho… espere, o que?”

Os olhos de Pinkie se arregalaram. “Ooh! Isso significa que eu posso chamá-la de ‘mamãe?’”

“Não! Eu não deixou nem Spike me chamar assim.”

A pônei terrestre engasgou. “É isso mesmo! Você me criou no mesmo dia em que chocou Spike! Isso significa que nós somos gêmeos!”

Twilight revirou os olhos e gemeu. Isso vai me dar algumas dores de cabeça antes de ficar tudo resolvido. Ainda assim, no grande esquema das coisas, era um pequeno preço a pagar.

Querida Princesa Celestia,

Quando você me deu pela primeira vez a missão de aprender sobre “a magia da amizade,” eu supunha que você estava falando metaforicamente. Mesmo no contexto de empunhar os Elementos da Harmonia para a defesa de Equestria, pensei em amizade mais como uma ajuda psicológica que permitiria que a nossa magia funcionasse de forma eficiente, e não como uma fonte de mágica propriamente dita. Para ser honesta, esta abordagem tem me ajudado a ver como a amizade pode, em muitos aspectos, ser tão poderosa como os feitiços que eu aprendi em meus estudos, mas isso só é possível se de fato houver a compreensão do que é amizade, que significa exatamente desejar o bem para o próximo, mesmo que para isso haja o risco de nos afastarmos uns dos outros.

A recente revelação de quem é Pinkie Pie, de fato, uma das amigas imaginárias que eu tinha quando criança, dada a forma física durante a explosão de magia que ocorreu quando eu recebi a minha marca especial, me levou à conclusão de que existem circunstâncias em que a amizade é realmente mágica, no sentido mais literal possível, graças ao amor que sentimos um pelo outro, que é exatamente de onde vem a verdadeira amizade.

Todas as coisas que fazem Pinkie Pie ser uma pônei unica é o resultado direto da atenção que eu dei a ela durante a criação de sua encarnação anterior como Surprise. Mesmo seu Senso Pinkie é o resultado direto isto: como criança, eu queria ter uma amiga que pudesse me acalmar quando eu começasse a me preocupar e me desse confiança de que tudo ficaria bem, então eu dei a Surprise a capacidade de prever o futuro. Em outras palavras, é por causa da amizade que eu criei com ela quando criança que Pinkie Pie tem todas essas habilidades estranhas que só podem ser classificadas como “mágica”.

Eu ainda não entendo porque o corpo e crina de Pinkie Pie mudaram de cor, ou por que ela se materializou como uma pônei terrestre em vez de pegasus. Eu diria que tem algo a ver com a minha incapacidade de controlar minha magia na época, mas essa experiência reforçou a importância de nunca assumir nada quando se trata de Pinkie Pie.

Com tudo o que está sendo dito, eu atualmente não tenho ideia de como isso vai mudar a relação que tenho com ela, mas estou confiante de que, com a ajuda de nossas amigas, tudo vai dar certo, porque acima de tudo, mais do que mágica, foi o amor que sentia por ela que tornou tudo isso possível, e eu estou muito feliz por tê-la ao meu lado. Pinkie Pie… minha amiga, uma parte de mim, minha família.

Sua aluna fiel,

Twilight Sparkle.

Luna guardou a carta que sua irmã lhe entregou. “Você está certa. Isso foi de fato … interessante.”

Celestia levantou uma sobrancelha com curiosidade. “Esse é o seu único comentário?”

“Sendo ou não uma amiga imaginária, me pergunto de qual ponto do universo veio seu espírito.”

“Nunca ouviu falar de filtro espiritual irmã?”

Luna acenou. “Claro, para encarnar como um pônei o espírito deve ser puro, para não dizer evoluído.”

“Então você sabe que não precisa se preocupar com Pinkie Pie.”

Luna sorri, balançando a cabeça “Da mesma forma como você não se preocupa com Lyra?”

“Sim. Você sabe, a Terra é o contrário de Equestria, lá nascem os piores espíritos, e são muito poucos os que conseguem transcender. Mas não é impossível e eu gosto quando um deles consegue.”

Luna ri. “Mas a maioria dos humanos é muito boa em acreditar que se um furacão passar em um ferro velho, levantar aquele monte de parafusos e peças velhas, esse processo de alguma forma irá formar do nada uma máquina que eles chamam de automóvel.”

“Por que diz isso?”

“Porque o corpo humano é milhões de vezes mais complexo do que qualquer máquina já construída por eles. Então se eles não acreditam em Deus e acham que suas vidas surgiram do nada, também devem acreditar que se um furacão passar em um ferro velho e levantar aquela parafernalha de peças soltas irá formar um carro, navio, avião, computador, nave espacial, etc… do nada. Aposto que eles acreditam que ao arremessar um quebra-cabeça com centenas de peças para o ar, elas irão cair no chão montadas, com cada peça encaixada perfeitamente uma na outra.”

Celestia sorri. “De qualquer forma, voltando ao assunto, Pinkie Pie deu muito certo, não é?” Celestia afirmava enquanto olhava distraidamente para fora da janela do palácio no jardim de esculturas. “Melhor do que a nossa experiência, para dizer o mínimo.”

Ao ouvir isso, Luna se permitiu o luxo de um sorriso quase imperceptível. “Como de costume, o seu talento para o eufemismo é estranho, minha querida irmã.”

Fanfic, Fanfics estrangeiras

Uma época mais simples

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Autor: DJLowrider

Tradução: Drason

SINOPSE: O que começou com uma simples visita na casa de Rarity, acaba levando Twilight a descobrir que ambas já eram amigas desde muito antes de sua primeira chegada a Ponyville, quando ainda eram crianças. 

*****

Twilight Sparkle levitava a última peça de tecido até a prateleira em que ele pertencia e deu um passo para trás para admirar o seu trabalho. Ela chegou na Boutique Carrossel quase uma hora atrás para um chá com Rarity, e encontrou a fashionista de Ponyville em meio à maior bagunça que já havia visto. O lugar parecia ter sido atingido por um furacão e Rarity confirmou que tal evento havia ocorrido, pelo menos metaforicamente falando.

O furacão que passou se chamava “Cutie Mark Crusaders”, que tinha insistido em tentar ajudar Rarity a limpar a boutique. Ontem ocorreu o festival anual da noite e Rarity não participou devido ao exagero em ficar preparando seu próprio traje. Como resultado, sua área de trabalho se parecia mais com uma área de desastre mesmo antes das Cutie Mark Crusaders passarem por lá. Enquanto Twilight ainda não estava a par dos resultados dos esforços das garotas, ela sentia que era seguro assumir que estava bem evidenciado não apenas pelo estado da boutique mas também pelo tique nervoso que atormentava o olho direito de Rarity quando ela chegou primeiro.

“Eu não posso te agradecer o suficiente pela ajuda, Twilight,” Disse Rarity, suspirando exaustivamente enquanto ela olhava ao redor da sala de trabalho já arrumada. “Por mais que eu saiba que minha irmã e suas amigas têm seus corações no lugar certo, eu adoraria se elas pudessem aprender a ter um pouco de respeito pela propriedade de outros pôneis. Sem mencionar habilidade para arrumar bagunça.”

“Eu vou ter uma conversa com a Cheerilee e ver se ela pode tentar ensinar algo assim com as garotas de vez em quando,” Twilight disse a ela depois de uma risada sufocada. “E de nada, aliás. É o mínimo que eu poderia fazer depois das vezes que você me ajudou a arrumar a biblioteca.”

“Bem, não vamos perder muito tempo aqui. Uma xícara de chá e um sanduíche de narcisia vai muito bem agora. E esse vai ser o meu agradecimento então não se atreva a pagar hoje. É o mínimo que posso fazer para mostrar minha gratidão pela sua ajuda. Deixe-me apenas colocar o aviso de “fechado” na porta da loja e então podemos ir.“

Enquanto Rarity fechava a loja temporariamente, Twilight olhava de volta para o local de trabalho de Rarity. Tecidos, linhas e vários apetrechos cobriam as prateleiras, tudo muito bem organizado graças aos seus esforços conjuntos. Uma coisa, no entanto, chamou sua atenção em uma prateleira alta na parte de trás da sala. Era uma pequena pilha de pano vermelho que parecia muito velho. Com Rarity ainda arrumando as coisas para fechar a loja, Twilight levitou o pano para baixo e olhou para ele. Era um traje de criança na forma de uma lagosta. Alguma coisa sobre ele parecia estranhamente familiar para Twilight e ela se viu em uma busca em suas memórias para o que poderia ser.

Veio até ela em um instante; um dia quase perdido em sua memória, já que havia ocorrido há muito tempo atrás. Ela olhava de volta para o traje e sentia uma mistura de sentimentos: surpresa e perplexidade era uns deles, porém mais do que qualquer outra coisa ela se sentiu bastante contente com a descoberta. Twilight permanecia em silêncio, paralisada, quando percebeu que Rarity estava parada bem atrás dela, terminando de fechar a loja.

“Alguma coisa errada, Twilight querida?” Rarity perguntou, preocupada com o silêncio de sua amiga e a postura paralisada.

“Oh não, de maneira alguma…” Disse Twilight, agora sorrindo enquanto ela se virava para a unicórnio branca. “…Lagosta Vermelha.” Ela acrescentou enquanto levitava a roupa entre as duas.

Rarity engasgou e rapidamente tomou o controle telecinético da roupa, imediatamente o colocando em sua prateleira. “C-como isso foi parar lá em cima?” Ela perguntou em pânico. “E… espere um segundo, como você sabe sobre…?!”

Twiligh limpou sua garganta e forçou sua voz um pouco, de forma a imitar a si mesma quando era mais jovem. “Entendido, Lagosta Vermelha. Que a velocidade de Celestia esteja com você!” Ela disse, sorrindo para Rarity mais uma vez.

“Forte livr…” Disse Rarity. Sua voz sussurrava enquanto a memória também vinha à tona em sua mente. “Não é possível… todos aqueles anos atrás, isso foi…”

“Afinal é um mundo pequeno, não é?” Twilight comentou. “Vamos lá, vamos recordar mais com chá e sanduiches.”

Rarity concordou e caminhou ao lado de Twilight, ainda muito surpresa em perceber que enquanto elas dividiam um elo em comum com suas marcas especiais juntamente com suas outras quatro amigas, a amizade entre as duas era ainda mais longe.

Muitos anos antes…

Por favor mãe, eu quero ir no shopping com você!” A pequena Rarity implorava enquanto tentava acompanhar a ritmo de sua mãe.

“Sinto muito, Rarity, mas mamãe precisa fazer muitas compras hoje e a JC Bitses não é apenas uma das lojas de departamento mais famosas de Canterlot,” sua mãe lhe disse enquanto elas se aproximavam da famosa loja. “É também uma das maiores, e você vai ficar muito cansada se andar por todos os locais que eu preciso ir. Tenho certeza que você vai encontrar algo pra fazer na creche da loja.”

“Mas mamãe, nós não andamos muito por Canterlot!” Rarity lamentou. “E eu quero me divertir com você!”

“Eu realmente sinto muito querida. Prometo que teremos um dia especial apenas de mãe e filha, mas é assim que tem que ser dessa vez.”

Rarity estava à beira das lágrimas enquanto elas entravam no shopping e caminhavam até a creche. Depois que sua mãe conversou um pouco com a funcionária que estava de plantão, ela beijou a testa de Rarity e disse que voltaria mais tarde. Rarity ficou olhando desanimada para o chão por alguns momentos. Para ficar presa sozinha na creche enquanto sua mãe ia às compras era simplesmente terrível para ela. Enquanto pensava no que fazer, ouviu um ruído vindo do outro lado da sala. Ela finalmente olhou por cima e viu a cena mais curiosa que já havia observado.

Do outro lado da sala estava duas grandes pilhas de livros e entre eles sentada outra jovem unicórnio que parecia da mesma idade dela. Tinha uma pele roxa e a crina e cauda que eram principalmente na cor anil com faixas nas cores rosa e lavanda. Ela se sentou no chão com seu rosto enterrado em um livro na frente dela. Rarity não sabia o que fazer, especialmente considerando que a unicórnio roxa estava sentada no meio do que parecia uma fortaleza feita de livros, mas companhia era companhia e ela preferia pelo menos ter alguém para conversar do que passar o tempo sem nada pra fazer. Ela respirou fundo e se aproximou cautelosamente pensando sobre o que deveria falar primeiro.

A potranca estudiosa em que Rarity estava se aproximando, cujo nome era Twilight Sparkle, tinha se perdido na leitura do livro que estava na frente dela. Era sua única pausa para a realidade agora, uma realidade da qual não estava nada satisfeita. Ela certamente queria ter certeza que poderia dar ao seu pai uma festa de aniversário decente naquele fim de semana, razão pela qual queria ficar desesperadamente com sua mãe enquanto fazia compras. Sua mãe, no entanto, insistiu em deixar ela na creche do shopping, lembrando sua filha que se cansava facilmente em ficar andando pelas lojas. Essa não foi a primeira visita de Twilight na JC Bitses, mas estava com sorte dessa vez. Ela não só era a única criança lá na época, mas havia todo um conjunto de livros novos nas estantes para ler.  Rapidamente puxou para baixo todos os livros que pareciam interessantes para ela, e depois de empilhá-los ordenadamente em cada lado, estabeleceu a tarefa de ler quantos fosse possível até sua mãe voltar. Ela já estava em seu terceiro livro quando a jovem unicórnio branca com uma crina e cauda violeta, impecavelmente arrumadas, caminhou até onde ela estava lendo.

“Bom dia pra você.” Disse Rarity depois de decidir que sua melhor aposta para causar uma boa impressão era com boas maneiras.

Twilight lhe deu apenas um simples aceno como resposta enquanto mal parecia notar mais alguém ao seu redor.

“Eu acho que vamos ficar presas aqui até nossas mães voltarem,” Rarity comentou, olhando pelos arredores vazios da creche.

Dessa vez o comentário de Rarity aparentemente não garantiu nenhum tipo de resposta.

“Então… o que você está lendo?” Rarity perguntou, olhando com curiosidade para Twilight.

Twilight segurou seu livro sem fechar e mostrou a capa para ela.

“…é interessante?” Perguntou Rarity, sentindo mais e mais dificuldade com cada momento que passava.

Twilight retomou a leitura por um momento antes de finalmente dar uma resposta vocal.

“Único.” Foi tudo o que ela disse.

“Qual parte?”

“…o livro inteiro.”

“Eu…uh… imagino que você gosta muito de livros então?”

“…relativamente.”

“Estou vendo… você…uh…sempre vem aqui?”

“Eu acho.”

“Eu também queria, mas Canterlot é um pouco longe de onde eu moro.”

“Huh.”

Rarity resmungava um pouco enquanto ficava claro que a outra unicórnio não estava prestando muita atenção nela.

“Você é rude com tudo mundo ou é apenas eu?” Ela perguntou, parecendo bastante irritada.

“…hã?” Disse Twilight, agora apenas olhando para a unicórnio branca parada na frente dela. Ela imediatamente se encolheu um pouco, olhando para Rarity timidamente. A unicórnio branca se sentiu mal por intimidá-la.

“Eu sinto muito, não queria te assustar. Apenas… ainda um pouco chateada. Eu queria ir às compras com a mamãe, mas acho que ainda sou muito pequena para isso.”

“Está… tudo bem,” Disse Twilight, se sentindo menos nervosa depois da desculpa e explicação de Rarity. “Eu realmente não gosto muito daqui também, mas quando mamãe vem ao shopping eu tenho que ficar aqui. Eu me canso facilmente, então não posso acompanhá-la ainda. Pelo menos há muitos livros dessa vez.”

“Você realmente parece gostar muito de livros, não é?” Rarity perguntou, notando as torres de livros ao redor da unicórnio roxa.

“Livros são divertidos,” Disse Twilight enquanto fechava o que estava segurando, colocando ele ao lado e puxando outro para fora das torres. “Eles contam estórias ou me ensinam coisas, e eles não dão risada ou tiram sarro de mim por ser diferente.”

“Eu não queria tirar sarro ou rir de você.” Disse Rarity a ela se desculpando. “Sinto muito.”

“Está tudo bem.”

“De qualquer forma, acho que seria melhor encontrar algo pra fazer. Minha mãe não vai vir me buscar tão cedo.”

“Você…uh… quer ler um livro?” Perguntou Twilight timidamente. “Eu peguei quase todos porque era a única criança aqui antes. Me sentiria mal se monopolizasse todos eles.”

“Ler um livro…” Disse Rarity, considerando a ideia enquanto ela olhava para a pilha de livros mais uma vez. “Eu suponho que há maneiras piores de passar o tempo. Qual deveria ler?”

“Bem, eu ia começar a ler este aqui,” Disse Twilight, apontando para baixo com o livro na frente dela. “Você pode ler ele comigo se quiser.”

Rarity encolheu os ombros, depois de ajustar a pilha de livros para dar espaço a ambas e começarem a ler. Era uma estória de ficção cientifica sobre uma rebelião no espaço contra um império vilão, com direito a batalhas espaciais e tudo. Ambas acharam muito divertido lerem juntas mesmo começando a conversar uma com a outra sobre suas cenas favoritas.

“Devo dizer que este não é o tipo de coisa que costumo ler em casa,” Disse Rarity enquanto elas terminavam o livro algum tempo depois. “No entanto foi uma estória muito divertida.”

“Eu sei.” Twilight respondeu animadamente. “Às vezes quando leio estórias como essa me faz querer fingir que estou dentro do conto e interpreto uma das cenas! Só que… bem… eu não tenho nenhum pônei da minha idade para brincar. Então acabo brincando sozinha com minhas bonecas e outros brinquedos.”

Rarity franziu a testa em meio ao pensamento de se sentir sozinha. “Isso me soa muito solitário,” ela disse.

Twilight deu de ombros. “Já estou acostumada.”

Rarity ficava em silêncio e olhava ao redor da sala, observando que elas ainda eram as duas únicas crianças na creche. Então olhou para Twilight e sorriu para ela.

“Bem, você poderia brincar comigo,” ela sugeriu. “Podemos fingir que estamos lutando na última grande batalha da estória. Se você quiser, claro.”

“Mesmo?” Twilight perguntou esperançosa. “Você… quer brincar comigo?”

Rarity acenou para ela e imediatamente se viu abraçada por Twilight. Ela não estava acostumada a tais demonstrações de afeto, especialmente de alguém que havia acabado de conhecer, mas sorriu do mesmo jeito.

Não demorou muito para as duas reempilharem os livros em algo semelhante a uma fortaleza como aquela em que os rebeldes tinham na estória. Elas também formaram blocos em formas semelhantes às naves de batalha do império. Com tudo organizado, Rarity olhou ao redor da sala para algo que poderia acrescentar em sua aparência já que ela iria fingir ser uma piloto de caça. Ela viu uma mala cheia de fantasias de brincar e rapidamente foi até ela, decidindo se vestir com o traje de uma lagosta. Na verdade ela apenas pegou aquela porque o personagem que iria interpretar se chamava “Lagosta Vermelha” e a roupa era, claro, vermelha.

“Lagosta vermelha apostos,” disse Rarity, assumindo uma expressão séria, com a brincadeira já começando. “Entre no Forte Livro. Câmbio.”

“Este é o Forte Livro,” Disse Twilight, colocando sua cabeça para fora da fortaleza. “Câmbio, Lagosta Vermelha.”

“Forte Livro, estou começando a minha corrida de ataque,” Disse Rarity enquanto trotava ao redor da borda da sala, observando as espaçonaves feitas de livro cautelosamente.

“Entendido, Lagosta Vermelha,” Twilight respondeu. “Que a velocidade de Celestia esteja com você!”

Rarity se virou bruscamente e correu em direção à “nave”, se esquivando um pouco antes de alcançá-la. Ela voltou ao redor e fez outra passagem, dessa vez acelerando bem na frente dele.

“Forte Livro, o campo de força do império é muito forte!” Ela gritou. “Meus lasers não estão fazendo nada contra ele!”

“Aponte para a torre de controle, Lagosta Vermelha,” Respondeu Twilight. “Se você puder atingi-la, os escudos das espaçonaves serão desativados e você poderá contê-las!”

“Entendido, Forte Livro!”

“Cuidado Lagosta Vermelha! Caças inimigos estão se aproximando!”

“Estou vendo Forte Livro, partindo para uma manobra evasiva!”

Rarity rapidamente contornou para trás da “nave de batalha” encenando que vários caças inimigos a perseguiam agora.

Estou sob fogo pesado Forte Livro!”

“Os reforços estão a caminho Lagosta Vermelha!” Disse Twilight enquanto ela começava a engatinhar para fora do Forte. “Nesse meio tempo faça uma derrapada!”

Rarity rapidamente caiu para seu estômago e rolou várias vezes antes de pular por cima e correr de volta para a “nave de batalha”. Ela bateu no topo dele, tombando sobre os poucos blocos espalhados no chão.

“Eu tomei o controle da torre!” Ela gritou. “Mas ainda tem caças inimigos atrás de mim e não consigo escapar deles!”

“Yeee haaa!” Twilight gritou enquanto ela cruzava o caminho logo atrás de Rarity, encenando derrotar o último caça inimigo. “Você está salva Lagosta Vermelha! Agora vamos explodir essa base e ir para casa!”

Twilight e Rarity derrubaram a “nave de batalha”, lançando-se sobre ela, enquanto a demolição mandava livros por todos os lados na sala. As duas riram e celebraram suas vitórias enquanto voltavam para o Forte Livro, ambas um pouco sem fôlego.

“Isso foi muito divertido!” Disse Twilight energicamente. “Vamos encontrar uma outra estória para brincar!”

“Totalmente a favor,” disse Rarity, também sentindo um pouco de pressa para brincar. “É realmente divertido brincar com você, sabia?”

“Obrigada. Você é uma das crianças mais legais que já conheci. A maioria dos pôneis da minha idade me chamam de nerd, cabeção, ou algo do tipo.”

“Bem, eu não sou como eles,” Rarity afirmou orgulhosa enquanto se sentava, com Twilight pegando outro livro.

Twilight apenas sorriu para ela enquanto arrumava o próximo livro para lerem. Não muito longe da estória, porém, ambas encontram-se bocejando e sentindo suas pálpebras mais e mais pesadas. Quando a mãe de Rarity voltou na creche para buscá-la, encontrou sua filha vestindo a fantasia de lagosta dormindo ao lado de Twilight. Calmamente e com cuidado, ela caminhou até as duas e levantou Rarity. Era bastante carga juntamente com os alforjes cheios que estava carregando, mas nada que não estivesse acostumada.

“…mmm… Forte Livr…” Rarity murmurava em seu sono. “…vamos brincar um pouco mais…”

“Shh,” sua mãe disse em voz baixa. “Apenas continue dormindo, querida.”

Depois de prometer para a funcionária de plantão na creche que iria devolver a fantasia de lagosta, a mãe de Rarity caminhou até o serviço de táxi aéreo dos pegasus para voltar a Ponyville. Assim que ela saiu da loja, a mãe de Twilight chegou para buscá-la também. Ela, igualmente, colocou sua filha nas costas e voltou para agradecer a funcionária de plantão.

“Lagosta Vermelha…” Twilight murmurava enquanto se mexia nas costas da mãe. “…podemos ser… amigas?”

“Parece que você teve um dia cheio, querida,” sua mãe disse em voz baixa. “Hora de ir pra casa e então posso fazer o jantar que lhe prometi.”

Ambas dormiam tranquilamente enquanto retornavam para suas respectivas casas. Não ocorreu para nenhuma delas até muito depois daquele dia que em toda a brincadeira e leitura que fizeram juntas, não se apresentaram pelos nomes reais.

“Depois que eu percebi que não tinha perguntado seu nome naquele dia, fiquei arrasada,” Rarity disse a Twilight, sentada em frente a ela na mesa de café. Duas xícaras de chá vazias e um par de sanduíches narcisia foram colocados na mesa entre elas. “Minha mãe teve a intenção de devolver a roupa de lagosta, mas eu implorei para ficar com ela. Eu usei ele como meu traje de Halooween nos próximos dois anos, na esperança de que talvez eu veria novamente a criança que conheci no Forte Livro, e que com aquela roupa ela me reconheceria também. Obviamente que nunca aconteceu, mas eu continuei com a fantasia de qualquer maneira, como uma recordação de que em algum lugar lá fora, havia uma pônei que foi minha amiga em um dia que eu estava urgentemente precisando de uma.”

“Eu sempre gostava do halloween quando criança, mas Canterlot tinha suas próprias celebrações,” Twilight respondeu. “Eu nunca cheguei a vir para o festival de Ponyville até este ano. Aquele dia na loja ficou na minha memória por muito tempo, e eventualmente até fiz uma amiga imaginária baseada na criança que conheci como ‘Lagosta Vermelha’. O livro que nós lemos naquele dia se tornou um dos meus favoritos na época e voltei a lê-la várias vezes desde então. Não porque era uma boa leitura, mas porque era a estória que me ajudou a encontrar minha primeira verdadeira amiga.”

“Eu simplesmente não posso acreditar que nunca percebi que era você até hoje, Twilight. Me sinto uma tola.”

“Imagine como me senti. Sempre me lembrava da criança com quem eu tinha brincado era uma unicórnio branca com crina roxa. Sinto-me completamente boba por não perceber que era você quando vim para Ponyville pela primeira vez.”

Rarity colocou um de seus cascos frontal sob o queixo, pensativa. “Eu suponho que isso significa que sempre fomos destinadas a sermos amigas. É só uma pena que levou tanto tempo para ficarmos juntas novamente.”

“Eu imagino que ambas nossas vidas teriam sido diferente se ficássemos em contato de alguma forma,” Twilight disse com uma risada ligeiramente sarcástica.

“Para dizer o mínimo, querida. Eu teria feito você muito mais popular na escola com algumas roupas.”

“E eu provavelmente poderia ter lhe ajudado a obter melhores notas na escola, com algumas técnicas de estudo infalíveis.”

Ambas unicórnios não podiam deixar de ter um ataque de risos em seus próprios comentários. Uma vez que elas se acalmaram novamente, Rarity pagou a conta do restaurante como havia prometido, e as duas se prepararam para sair.

“Você acha que devemos contar às garotas sobre nossa história Rarity?” Twilight perguntou enquanto caminhavam.

“Por mais que eu tenha certeza que seria curioso saber sobre o nosso verdadeiro primeiro encontro, prefiro manter isso entre nós duas, se você pensar o mesmo, Twilight,” Respondeu Rarity. “Eu tenho o sentimento que sempre vou ouvir um ou dois me chamar de ‘Lagosta Vermelha’, se não mais.”

“Acho que posso compreender,” Disse Twilight sufocando outra risadinha.

Se importa se eu perguntar uma coisa, Twilight?” Perguntou Rarity claramente com algo em sua mente.

“De forma alguma Rarity, o que?”

“Sente falta daqueles tempos quando você era mais jovem? Você sabe, quando a vida não era tão complicada… quando você sentia mais certeza sobre o que o amanhã traria… e todo dia parecia um pouco mais claro?”

Twilight parou de andar enquanto pensava sobre a pergunta de Rarity. Enquanto ela formava sua resposta na cabeça, não podia deixar de sorrir para sua amiga novamente.

“Eu posso entender seu anseio pelo tempo passado, Rarity,” ela disse. “E você terá que me perdoar se eu responder sua pergunta com outra, mas por mais feliz e puro que esses tempos podem ter sido naquela época… você realmente trocaria um pouco do seu tempo agora com suas amigas por mais um dia como a criança que estava sozinha e querendo saber se ela veria sua melhor amiga de novo?”

A resposta de Twilight, apesar de ser uma pergunta, era exatamente o que Rarity desejava escutar. Ela sorriu de volta enquanto começavam a caminhar novamente.

“Eu não trocaria mesmo como um piscar de olhos,” ela disse para Twilight. “Tempos mais simples podem parecer atraentes quando se olha para trás, mas nada bate o aqui e o agora.”

“Eu não poderia estar mais de acordo,” Twilight respondeu. Então um pensamento ocorreu a ela relacionado a toda sua conversa naquela tarde. “Você se importaria se eu escrevesse uma carta à Princesa sobre a nossa conversa de hoje, Rarity?” Ela perguntou.

“De forma alguma, Twilight. Na verdade eu estava pensando em fazer a mesma coisa, se estiver tudo bem pra você.”

“Absolutamente. Oh, e não se preocupe, eu deixarei de fora a parte sobre a fantasia na minha carta.”

“Sim, eu agradeço por isso querida. Ouso dizer que a Princesa Celestia sabendo seria mais humilhante do que nossas amigas.”

Quando chegaram na Boutique Carrossel, as duas amigas se despediram e então Twilight se virou para voltar à biblioteca para escrever sua carta e fazer algumas pesquisas.

“Oh Twilight, mais uma coisa,” Rarity gritou correndo atrás dela. Twilight parou e se virou para a unicórnio branca novamente. “Você acha que poderia me emprestar o livro algum dia? Adoraria lê-lo novamente para relembrar os velhos tempos.”

“O dia que você quiser, Lagosta Vermelha,” Twilight respondeu com um sorriso antes de trotar novamente.

“Obrigada, Forte Livro,” Disse Rarity enquanto se dirigia até sua loja. “Obrigada, velha amiga.”