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O fundo do barril

berrypunch
Ilustração: ClayintheCarpet

Autor: Ryan Bean

Tradução: Drason

SINOPSE: Berry Punch recebe a tarefa de buscar barris de cidra no Rancho Maçã Doce para o estabelecimento comercial de sua família. No entanto, seus hábitos peculiares de ficar apenas na farra com amigos poderá atrapalhar um pouco seus planos…  

****

Berry Punch galopava rapidamente pelas ruas vazias de Ponyville com um olhar determinado em seu rosto, uma bolsa de moedas em seu alforje, e um carrinho vazio sendo puxado logo atrás. Embora ainda bastante cansada desde a noite anterior, ela estava confiante na ideia de que iria superar a longa fila de multidão. O sol ainda não tinha nascido, mas ela sabia que toda a família Apple já estava totalmente acordada, instalando a barraca de cidra perto da entrada do portão da fazenda.

Como de costume, na véspera do primeiro dia da temporada de cidra, ela tinha ficado acordada a noite toda, bebendo. A quantidade de descanso que ela teria conseguido de outra forma era puramente risível para os seus padrões, uma vez que ela acreditava que o tempo era melhor aproveitado tomando um pouco de vinho e se divertindo em um bar com os amigos. Berry já havia aprendido com os anos anteriores como a fila dos pôneis se formava inacreditavelmente cedo, ansiosos para provarem o primeiro lote de cidra, e neste ano, logo no inicio da manhã, ela começava a se formar muito mais cedo. Na verdade, sempre houve uma longa fila de pôneis acampados em tendas na noite anterior, do lado de fora do portão da fazenda, com a única finalidade de vencer a maior parte da multidão. Como a pônei magenta não era de fazer o mesmo, ela de fato tinha que sair correndo para a fazenda Apple logo de manhã.

Seu pai, Frosty Glass, o proprietário do “Pony Up”, o único bar em Ponyville, havia pedido na noite anterior que ela pegasse alguns barris de cidra para reabastecer seu estoque de volta ao bar. Embora o bar de Frosty mantivesse estoque de algumas outras bebidas, a cidra da família Apple era uma especialidade rara e, portanto, sempre um grande ponto de venda para o bar devido à fama de desaparecer tão rapidamente. Berry Punch, em seu decididamente agradável estado de espírito, estava mais do que disposta a assumir a tarefa de ir buscar alguns dos primeiros barris de cidra para colocar na torneira. Não importava o quanto ela bebeu na noite anterior, o pensamento ainda estava preso como cola em sua mente, como a maioria dos pedidos que seu pai costumava fazer. Ela não tinha nenhum propósito de decepcionar alguém, especialmente seu querido pai.

Enquanto a pônei magenta surgia nos limites do pomar da família Apple, começava a perceber a habitual fila de tendas próximas do cercado branco da fazenda, mas dessa vez, a quantidade de tendas havia dobrado, talvez até mesmo triplicado desde o ano passado, e já havia uma longa fila de pôneis se formando atrás deles. Berry sentia uma espécie borrada de medo começar a alcançá-la enquanto galopava mais rápido com sua concentração focalizada. Ela derrapou até parar na parte de trás da fila e começou a avaliar os números de pôneis o melhor que podia… vinte…trinta…quarenta… talvez mais do que cinquenta tendas na sua frente, além de outros vinte ou trinta pôneis que já haviam acordado antes dela fazer a caminhada até o Rancho Maçã Doce.

Seus olhos se arregalaram. “Oh, só pode ser brincadeira!” ela pensou consigo mesma enquanto o medo começava a se formar através dela em um persistente zumbido. Na verdade, a fila era mais longa do que o comparecimento às urnas no ano passado. Pela primeira vez, ela começava a se preocupar que não seria capaz de encher os barris a tempo, antes que o fornecimento de cidra se esgotasse. Isso não seria nada bom.

A espera era insuportável e a fila apenas se movia alguns passos a cada dois ou três minutos. À medida que o sol ficava mais alto no céu e o zumbido de Berry Punch lentamente liberava seu controle sobre sua mente, ela podia observar um número cada vez maior de pôneis se formando atrás dela e conversando entre eles.

Sua mente começava a vagar enquanto o sentimento de tontura diminuía. Tudo que Berry precisava era de cerca de três barris de cidra, então poderia voltar para casa e dormir. Seu horário de sono tem sido muito estranho nesses últimos anos, indo dormir às oito ou nove da manhã em dias de semana, que não era nada fora do comum para ela. Pelo contrário, este horário realmente funcionava a seu favor. Ela cresceu gostando de trabalhar com seu pai no bar à noite, para ajudá-lo a reabastecer as bebidas e levar os pedidos aos clientes. Na verdade, ela já havia se tornado bem conhecida pela sua atitude alegre, sempre rindo, brincando, cantando músicas engraçadas nas noites de karaokê. Parecido com Pinkie Pie, que aparentemente nasceu para ter uma vida de festa. Foi desta forma que todo pônei na cidade havia chegado a conhecê-la, e a maioria a considerava muito cativante. Mas Pinkie Pie tinha uma coisa que Berry parecia não ter aprendido ainda: “responsabilidade”, um fator certamente mais importante do que ser “cativante”.

Mas diferente de como os pôneis a viam, sua filha, Pina Colada, era uma exceção. Pina era muito jovem para saber alguma coisa sobre sua mãe no bar, apenas que era o seu trabalho. Sua filha vivia com o pai, separado de Berry. Ela era uma das coisas mais importantes em sua vida, e alegremente saboreava o momento em que passavam juntas, mas as visitas eram raras. Um novo pensamento pairava em sua mente enquanto a fila avançava, e ela começava a sorrir. Faltava apenas sete dias para mais uma maravilhosa visita de dois dias. Elas já tinham feito planos para saírem logo de manhã no primeiro dia, primeiro o café da manhã que seria no Torrão de Açúcar, e depois…

“DESCULPEM PESSOAL, ISSO É TUDO POR HOJE!”

O grito fez ela voltar à realidade, a fazendo limpar o sorriso limpo de seu rosto. Ela virou-se na direção do grito ao ver que apenas a alguns metros de distância, Applejack havia feito o anúncio. Havia menos de dez pôneis na frente da fila. Toda a multidão restante gemia coletivamente, exceto Berry. “Agora,” Applejack gritou, “Como sempre, fizemos o nosso melhor para aumentar o fornecimento este ano… lembrem-se, a cidra da família Apple é feita com amor, e integridade… e apenas da mais alta qualidade de maçãs de Equestria!”

Berry Punch apenas ficou congelada no lugar dela, com boca e olhos abertos. Um nó de medo começava a se formar em seu estômago. Ela não podia acreditar. Este foi o primeiro ano que ela chegou tarde o suficiente para perder um dos lotes de cidra na fazenda. Claro, ela havia chegado atrasada no primeiro dia de temporada no ano passado, quando Flim e Flam chegaram a competir com a família Apple, mas aquele dia foi um passeio pessoal para pegar uma ou duas canecas para si mesma. Na época seu pai havia tomado a iniciativa de sair muito mais cedo para pegar os barris pessoalmente.  Agora, o bar não poderia ser reabastecido pelo menos até amanhã à noite, e toda sexta feira era o dia mais lucrativo da semana no bar Pony Up… pior ainda, o que o seu pai diria? Seus olhos começaram a lacrimejar. “Ele vai ficar decepcionado…” ela murmurou para si mesma enquanto abaixava a cabeça lentamente, se juntando com seu carrinho vazio à multidão que caminhava de volta a Ponyville.

Frosty Glass já havia levantado e descia as escadas, diferente de sua filha ele sempre dormia e acordava cedo. Embora fosse dono de um bar, raramente bebia ou festejava com os pôneis que regularmente passavam a noite no estabelecimento. Ele era um grande unicórnio com a pele branca, e sua marca especial era um copo de vidro refrigerado, cheio de espumas na borda. Ele preferia desfrutar de uma agradável e tranquila noite sozinho em casa com um livro, sempre que podia fazê-lo. No momento, ele estava lendo o jornal local de Ponyville.

Após um breve momento, Berry Punch relutantemente abriu a porta da frente e se arrastou para dentro, ainda mantendo a cabeça baixa e seu olhar fixado para o chão enquanto seguia até a sala de estar onde estava seu pai. “Ah, bem vinda, minha querida filha!” Com um sorriso profundo, ele rapidamente dobrou o jornal com sua magia, o colocando sobre a mesa ao lado da poltrona. “Como foram as coisas esta manhã?” Enquanto ele perguntava, se levantou da cadeira com a intenção de dar um caloroso abraço em Berry.

A pônei magenta manteve a cabeça baixa, em completo silêncio, seu olhar passava rapidamente por cima, e depois voltava a olhar o tapete sobre o qual estava pisando.  O sorriso alegre de Frosty rapidamente se transformou em preocupação, franzindo a testa. “Alguma coisa errada? Você está bem, querida?”

Berry pausou por um momento, e então finalmente conseguiu responder. “Eu apenas não sei o que deu errado… pensei que tinha chegado lá a tempo, mas havia muitas tendas montadas e eu esperei por umas duas horas ou mais, e no momento em que chegou minha vez, eles anunciaram que havia acabado o estoque! Eu sinto muito, pai, por favor não fique bravo!”

Com isso, seus olhos cansados e avermelhados começaram a se encher de lágrimas enquanto seu pai a examinava por um momento. O olhar preocupado e a testa franzida em seu rosto deram lugar a um caloroso sorriso enquanto ele caminhava até Berry e lhe dava um delicado abraço. “Ei, ei. Não precisa chorar. Não estou bravo com você, querida. Amanhã eu saio mais cedo para estocar alguns barris. Nós certamente temos estoque suficiente para durar na noite de hoje, então anime-se!” Sua voz era simpática e suave, o que fez Berry querer chorar ainda mais. O casco de Frosty cautelosamente levantou a cabeça dela para enxergá-la nos olhos.

“Então… você não está chateado?”

“De forma alguma. Às vezes essas coisas acontecem. É realmente difícil chegar cedo na fila antes que ela já esteja demasiadamente longa. No ano passado eu tive que chegar às três da manhã para superar a multidão. Agora seque seus olhos e não fique aflita com isso.”

O tom sincero de sua voz foi suficiente para acalmá-la, mas de um jeito ou de outro a pônei magenta estaria esgotada nesta manhã, mesmo sem o incidente. Ela estava definitivamente cansada desde o início da manhã pelo simples fato de ter dormido tarde, como sempre. Um pequeno sorriso se formava no rosto e umas poucas lágrimas finais passavam por suas bochechas, enquanto ela abraçava fortemente seu pai.

“Obrigada pai, isso não vai acontecer de novo, eu prometo!”

“Bom. Agora vá dormir um pouco, querida. Quando você acordar farei uma ótima refeição.”

Berry acenou, deixando o abraço e subindo as escadas trêmula, em direção ao seu quarto. Enquanto ela subia, Frosty observava, com sua sinceridade agora favorecendo uma testa franzida e os lábios para baixo. Uma vez que ela estava suficientemente fora do alcance da voz, Frosty soltou um suspiro de frustração e balançou a cabeça enquanto voltava para sua poltrona, pensando por um momento no silêncio renovado na sala.

Na verdade, ele estava desapontado com Berry, mas não zangado. Ele estava ciente da forma como ela tem agido nesses últimos meses, ficando até mais tarde com os amigos bebendo, perdendo tempo com festas e churrascos, dormindo durante o dia, e quase sempre se sentindo na ressaca. Ele estava satisfeito com seu trabalho no bar, enquanto ela tinha crescido bastante e se tornado hábil atendendo os clientes. No entanto, ele havia dado a ela a tarefa de pegar alguns barris de cidra na esperança de que assim ela teria algo mais construtivo pra fazer e talvez até alterar seu horário de sono. Ele até esperava, talvez ingenuamente, que ela iria refletir e decidir não ficar a noite toda perdendo um tempo precioso com coisas desnecessárias. No entanto, estava começando a parecer que Berry estava trilhando mais e mais por um caminho extremamente insalubre de vida, que poderia levar a falhas muito mais pessoais se ela continuasse.

Este era o pensamento que havia começado a incomodá-lo mais e mais do que qualquer outra coisa. Ele suspirou mais uma vez, dessa vez profundamente, enquanto olhava para fora em uma janela próxima. Após um longo momento, ele interrompeu o olhar pensativo e desdobrou o jornal com sua magia mais uma vez.

Quantos jovens se encontram nessa situação? E como irão sair dela?

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Minha Pequena Dashie – Tempestade

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Autor: Cadet Prewitt

Tradução: Drason

SINOPSE: Durante uma forte tempestade, o pai de Dashie permite que sua filha passe a noite com ele. Isso o faz ter uma breve reflexão sobre algo extremamente importante que está ficando cada vez mais escasso no mundo. 

***

O trovão estrondoso fora de casa era a única coisa sugerindo que essa noite não seria um clima perfeito para observar as estrelas. Foi também a única coisa me impedindo de ter um sono tranquilo.

Poderia acontecer qualquer coisa, menos uma noite barulhenta que simplesmente não me faria dormir.

Havia passado dez minutos em que eu estava deitado na cama, acordado, imaginando todo o sono que estava perdendo quando veio uma súbita batida na porta. Não era exatamente uma batida. Parecia mais com o barulho suave de um casco batendo nela, como se estivesse hesitando de realmente fazer algum barulho. A porta rangia um pouco enquanto ia sendo aberta lentamente.

Eu saio dos cobertores, caminhando até ela.

“Entre.”

Lentamente, muito lentamente, a porta revelava um casco azul por trás dela. De início tudo o que vi foi uma calda colorida, mas quando a porta continuava abrindo, um azul cintilante rapidamente era revelado, dessa vez dando lugar a uma crina colorida com grandes olhos magenta.

Obviamente, eu sabia que era Rainbow Dash.

Olhando para ela, eu levo um momento para admirar o quanto a pegasus azul cresceu no pouco tempo em que estive cuidando dela. Eu podia ver atrás dela as muitas linhas pretas marcadas na porta ao longo do tempo para registrar o crescimento de Dashie. Fazia apenas dois anos desde que a encontrei e ela já cresceu tanto!

“O que foi Dashie?”

“Eu.. eu tive um sonho ruim.” Ela sussurra baixinho, olhando meio deprimida para o chão. “Posso ficar com você esta noite?” Cheia de esperança, ela me olhava com os olhos quase cheios de lágrimas, e ainda de alguma forma eu podia ver tanta alegria escondida por trás deles.

Seus olhos se fechavam enquanto um sorriso deslizava em seu rosto.

“Claro que pode.”

Abrindo os olhos mais uma vez, eu vejo a alegria que Rainbow Dash estava segurando para entrar em erupção. Com um grande sorriso em seu rosto, ela dá um salto antes de correr e subir na minha cama.

“Obrigada!” Ela disse animada enquanto finalmente se aconchegava.

Ela deitava em um dos lados da cama e rolava até o curto espaço entre nós dois ficar fechado. Seus cascos dianteiros se envolviam em torno de meu braço esquerdo, enquanto ela contorcia o corpo se aconchegando mais perto.

Para seu desanimo, eu gentilmente puxo meu braço de seu alcance, mas logo ela se anima novamente enquanto eu envolvo meus braços em seus ombros e a puxo para mais perto de mim. Em seguida, pego a coberta, envolvendo nós dois.

Rainbow parecia se acalmar rapidamente. Ela estava deitada, usando um de seus cascos como travesseiro. Logo, seu queixo se encontrava descansando sobre sua cabeça, e seus olhos se fechavam enquanto eu gradualmente começava a respirar profundamente.

Uma sensação absoluta de serenidade ultrapassava o quarto. Deitado aqui na madrugada com Rainbow Dash em meus braços… eu sentia como se tudo estivesse bem com o mundo, como se tudo o que eu precisasse ou quisesse estivesse aqui, comigo.

E de fato, estava.

A vista adorável de Dashie respirando calmamente em meu peito, cuidando dela de uma forma como se não houvesse mais nada que eu quisesse fazer no mundo além do que já estava fazendo. Era um amor único de pai. Eu sabia que não era único pelo fato de ser a Rainbow Dash, mas por ser um sentimento que poucos experimentavam nesse mundo. Eu sempre me entristeçia ao me lembrar que muitos homens e mulheres nem sempre têm filhos por amor, mas por vaidade ou irresponsabilidade e que, consequentemente, o sentimento de amor pelos filhos nunca acaba sendo o mesmo que eu e Dashie sentimos um pelo outro.

Um pequeno tempo depois, eu me pego exatamente como estou prestes a cair no sono. Que não o faria. Afinal, ainda tinha uma coisa em mente.

“Rainbow Dash?” Eu falo em voz baixa.

Por alguns momentos em silêncio, eu percebo que o sono já havia tomado a jovem pegasus. No fundo, não queria acordá-la.

“Hmm, sim?”

Rainbow inclina a cabeça na minha direção, bocejando.

“Desculpe, não quis acordá-la, pode voltar a dormir.”

“Não, não.” Ela sussurrou, com os olhos ainda fechados. “Está tudo bem, o que você queria falar?”

Eu pergunto com uma voz ainda curiosa. “Dashie, com o que você sonhou?”

“Uh…”

Rainbow não disse nada. Em vez disso, ela girou lentamente a cabeça em minha direção, mas mantendo os olhos fechados, que se abriram assustados, olhando para baixo, não muito dispostos a olharem para os meus.

“E-eu sinto muito.”

Ela mergulha o focinho em meu ombro, escondendo seu rosto longe de minha vista. Eu escuto imediatamente uma fungada abafada de Dashie, seguido por um gemido suave.

“Dashie? Com o que você está triste? Era apenas um sonho!”

“Você me ama?”

“Claro que sim!” Eu respondo com um sorriso, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. “Precisava mesmo perguntar?”

“Promete que não vai ficar bravo?” Ela finalmente olhou em meus olhos, claramente segurando as lágrimas.

“Eu prometo.”

Rainbow leva um momento para respirar e se acalmar antes de continuar.

“E-eu não tive um sonho ruim, apenas…” Ela ficou em silêncio, sem saber como continuar.

Agora minha curiosidade estava aguçada. Se Rainbow não teve nenhum sonho ruim, por que ela teria mentido para mim? De qualquer forma, eu sabia que a maneira mais simples de descobrir era perguntar a ela, sem parecer zangado ou impaciente, mas com o mesmo carinho e amor de pai que sempre tive com ela.

“Por que você me disse que teve um sonho ruim Dashie?”

“Por favor, não fique bravo!” Um milésimo de segundo depois ela mergulha novamente para meus braços. Gentilmente eu a removo, colocando minhas mãos em seus ombros, olhando para ela.

“Não vou ficar bravo, eu prometo.” A simples frase foi suficiente para acalmá-la.

Bem, é que… quando eu vi você andando no quarto, escutei o trovão, e me lembrei que você não consegue dormir quando troveja muito… então eu pensei que talvez, se eu passasse a noite com você, poderia te ajudar…” Enquanto as palavras aumentavam, sua confiança diminuía, até ser difícil escutar o que ela dizia.

“Então você fez isso por mim?”

“Sim.”

Depois de olhar fixamente para ela por alguns segundos, o maior sorriso que eu poderia recordar em erupção se estampava em minha face. Foi quando eu puxei Dashie para um abraço incrivelmente apertado, sabendo que se ela estava ali por mim, era porque eu não falhei como pai. No momento em que a puxei, ela se sentiu tão bem, aliviada ao saber que eu não estava chateado. Oras, eu chateado? Talvez eu estivesse sim, em saber que essa relação de pai e filho que eu tenho com ela, é tão malograda em meu mundo.

“Obrigado, Rainbow Dash.”

O sorriso dela ampliava enquanto respondia: “Eu também te amo!”

“Obrigado!”

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Meu irmão não fala muito

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Ilustração: Mister Makers

 

Título original: Her brother doesn’t talk much

Autor: Alpha Scorpi

Gênero: Normal, Slice of Life

Tradução: Drason

SINOPSE: Com o passar dos anos, Apple Bloom percebeu que o seu irmão era diferente, falava pouco, mas também descobriu que havia algo muito especial nele, que nenhum outro pônei falador possuía.

****

O irmão dela não fala muito, mas ela não se importa.

A jovem pônei amarela mora em uma fazenda onde todo pônei fala, e muito. Sua avó conta a ela muitas estórias sobre como as coisas funcionam na fazenda, e às vezes contos de uma época antes mesmo dela ter nascido. Sua grande irmã está sempre falando também, sobre o quanto ela adora trabalhar nos pomares, ou sobre os outros pôneis na cidade, e às vezes sobre aquele grande castelo branco nas montanhas.

A potranca amarela também fala muito. Ela estava falando incansavelmente desde que aprendeu sua primeira palavra. Ela fala, e fala, e fala, porque todo dia tem alguma coisa nova pra conversar com sua família. Podia ser uma nova lição que ela aprendeu na escola, ou um novo pônei que conheceu na cidade, ou que ela coiceou uma árvore com tanta força que uma maçã, sua primeira maçã, finalmente caiu.

No entanto, seu grande irmão não falava muito.

Para dizer a verdade, a jovem potranca amarela percebeu há muito tempo atrás que ele era diferente. Era enorme, e sua pele vermelha como uma maçã. Suas duas palavras favoritas eram “Eeeyup” e “Nnnope”, e para ele era o suficiente pra responder quase tudo. O primeiro pensamento que ela teve é que todos os pôneis adultos e crianças homens eram assim, mas logo notou que pôneis garotos falavam tanto quanto sua grande irmã e sua avó.

Era apenas seu irmão que não falava muito.

Ela sempre se lembrava dele dessa forma, tímido e silencioso, forte nos campos mas agradável e gentil em casa. Sempre que sua grande irmã ou avó não pudesse fazê-lo, ele a ajudava no banho, desde a época em que era muito pequena. Ela jogaria água por todos os lados, e colocaria um pouco de sabão em seu nariz; mas ao invés de ficar zangado, ele apenas iria sorrir e dizer “Eeeyup”.

Uma vez que ela cresceu o suficiente, às vezes acompanhava seu irmão quando ia trabalhar nos pomares. Ela gostava de sentar na carroça, com ou sem maçãs em seu interior, enquanto ele a empurrava pelos campos. Ela iria rir e rir, e às vezes fingir que era a Princesa Celestia em sua carruagem real viajando; e seu irmão apenas iria sorrir e dizer “Eeeyup”.

A potranca também se lembrava daquelas noites, quando pesadelos a acordavam e a escuridão não deixava ela voltar a dormir. Às vezes era sua grande irmã que aparecia para ajudá-la a dormir novamente, mas outras vezes era seu irmão. Ele estaria ao seu lado, esperando ela cair no sono. E, sempre que ela perguntasse se havia monstros no escuro, ele olharia ao redor, sorrindo, e sacudindo sua cabeça dizendo “Nnnope”.

Seu irmão estava sempre trabalhando. Se ele não estivesse nos campos colhendo maçãs ou plantando novas árvores, estaria em casa ou no celeiro, com um martelo em sua boca. Às vezes a potranca queria ajudá-lo, mas ele não deixava, porque era muito pequena, e poderia se machucar; então ele sacudia sua cabeça e dizia “Nnnope”. Quando isso acontecia, a potranca amarela sentava na grama, franzindo a testa, e observava seu irmão em silêncio. Mas às vezes, quando havia apenas mais um prego para ser martelado, seu irmão sorria, e dava o martelo a ela, deixando dar as marteladas finais. Então ele olhava para o resultado final e dizia orgulhoso de sua irmã, “Eeeyup”.

Havia algumas vezes, porém, que ele ficava bravo com ela, e nesses momentos ele conversava bastante, com palavras que não eram nem “Eeeyup” e nem “Nnnnope”. A potranca amarela se lembrou de uma ocasião particularmente ruim, quando ela tinha brigado com outros pôneis na escola porque eles estavam tirando sarro de seu irmão, por ele falar pouco. Eles estavam dizendo que ele era mudo, que sua marca especial deveria ser uma mordaça ao invés de uma maçã verde, o que a deixou muito zangada.

Ela se lembrou de como seu irmão, calmamente, havia interrompido a briga. Ele a levou de volta para a fazenda, com sua pele amarela suja e alguns hematomas. Ele a repreendeu, usando muitas palavras novas, ele não gostava que ela brigasse com outros pôneis, ainda que fosse para defendê-lo.

A potranca amarela não entendia na época, e ficava zangada com seu irmão, reclamando antes de se trancar em seu quarto. Naquela noite, os pesadelos a acordaram de novo, e ela esperava que alguém viesse até seu quarto, talvez vovó Smith ou sua irmã Applejack, embora elas também estivessem bravas por causa da briga.

O único que chegou, no entanto, foi seu irmão mais velho. Ele ficou ao lado dela, agradável e calmo como sempre, e ainda explorou a escuridão para ela novamente. Ele a beijou na testa como costumava fazer, como se o incidente na escola não tivesse sido nada.

Quando a potranca amarela perguntava se ele iria perdoá-la, ele apenas sorria e dizia “Eeeeyup”.

Esse era o seu irmão, ele não falava muito, mas ela não se importava.

Era noite na fazenda. O jantar foi servido, a mesa limpa, e os quatro pôneis relaxaram ao redor da lareira, a mais velha deles em uma cadeira de balanço. Tem sido um par de anos desde que ocorreu a briga, e a pônei amarela já havia crescido bastante. Ela aprendeu muitas palavras novas, que a ajudava a continuar falando, e falando, e falando; tanto quanto sua irmã e avó.

Certo dia, como muitos pôneis de sua idade, ela não estava totalmente cansada, apesar de estar muito tarde. Era por isso que ela gemia quando sua irmã dizia ser hora de ir pra cama. Sua avó concordava, descendo da cadeira de balanço, dizendo que todos trabalharam muito o dia todo, e mereciam uma boa noite de sono.

A potranca amarela afirmava que estava sem sono, que ainda queria brincar um pouco mais, e talvez ouvir uma estória da vovó; mas seu irmão calmamente a pegava no colo e subia as escadas com ela.

A potranca cruzava os braços, reclamando que eles nunca deixavam ela fazer alguma coisa divertida.

Seu irmão riu.

Eles chegaram no quarto dela, e seu irmão a colocou em sua cama, a ajudando a se cobrir. A jovem pônei amarela colocava a cabeça embaixo do travesseiro. A lua podia ser vista através da janela, iluminando a paisagem com sua luz prateada, especialmente o castelo branco distante no horizonte, que brilhava como uma pequena vela.

Enquanto ela se arrastava para debaixo do travesseiro e cobertores, a potranca amarela perguntava ao seu irmão se ele já viu a Princesa Celestia pessoalmente.

Ele disse “Nnnope”.

Ela abraçou seu ursinho de pelúcia, e perguntou ao seu irmão se ele pensava que Celestia poderia vir para a cidade algum dia, ou se talvez eles poderiam ir para Canterlot.

Ele apenas acenou afirmativamente.

A potranca amarela não tentava mais puxar assunto. Ela sabia que não iria obter uma resposta mais elaborada do que um “Eeeyup” ou “Nnnope”, mas ela não se importava com isso. Seu irmão era assim mesmo, tímido e falava pouco. Ele gosta de trabalhar nos campos, mantendo seus pensamentos para si mesmo, e não é um amigo de palavras. Mas não havia nada de errado com isso, pois se por um lado ele não era nas palavras, em atitudes, atenção e carinho ele era o melhor irmão e amigo do mundo.

Era simplesmente o jeito dele, com uma personalidade tão especial quanto a sua marca.

Apesar de que, em algumas ocasiões extraordinárias…

Seu irmão abria uma gaveta e pegava um livro muito velho e desbotado. Era um dos tesouros da família, um livro de estórias para dormir que foi passado por gerações. Ele sentou na cama ao lado de sua irmã e o abriu, segurando em seus cascos dianteiros. Ele limpou a garganta e começou a narrar.

A jovem pônei amarela sorria, porque sabia que seu irmão não falava muito, mas quando o fazia, suas palavras eram apenas para ela.

“Era uma vez, na terra mágica de Equestria…”