O toque de uma mãe

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Ilustração: Rainbow Spine

Autor: DustyPNY

Gênero: Slice of Life

Tradução: Drason

SINOPSE: Twilight sabia que um dia Spike sentiria o impacto de ser diferente dos outros pôneis. Ela só não esperava que isso aconteceria tão cedo, em plena festa de natal na casa de Pinkie Pie.

****

A escuridão gritante de natal envolvia toda Ponyville enquanto Twilight Sparkle se estabelecia com o cair da noite. A cabeceira próxima da sua cama mantinha a última vela acesa na biblioteca, com o cintilar das luzes dançando entre as paredes e as frestas da janela de seu quarto. Seus olhos cansados se fixavam nos lençóis de sua cama enquanto ela usava sua magia para levantá-los, se rastejando preguiçosamente embaixo deles. A satisfação corria por suas veias enquanto sua pele tocava o colchão macio, resultando em um merecido descanso depois do forte resfriado que a assolou o dia todo.

“Eu me pergunto como está indo o Spike.” A alicórnio roxo pensava consigo mesma enquanto brincava com sua mágica, deixando uma pena do travesseiro cair em cima de seu focinho. Apesar do resfriado, ela disse a Spike que poderia cuidar de si mesma, e insistiu que o dragão fosse ao Torrão de Açúcar onde Pinkie Pie havia organizado uma festa de natal que já era tradição em Ponyville, onde Big Mac vestido de Papai Noel aparecia para recepcionar várias crianças que o esperavam ansiosamente. Twilight sempre pensava no fato de que, assim como aquelas crianças, Spike também era uma, e assim como elas deveria usufruir de sua infância, algo que muitas vezes ele mesmo se privava com o trabalho na biblioteca, mesmo quando Twilight pedia para ele tirar uns dias de folga, já que a responsabilidade do dragão sempre falava mais alto, e acabava ficando por isso mesmo.

Outro detalhe que preocupava Twilight era o fato dele ser o único dragão de Ponyville, o que certamente tornava mais difícil seu entrosamento com outras crianças e do qual ela temia que poderia ocorrer nessa noite. Twilight agitava seu pensamento, se virando em direção da vela acesa, finalmente deixando seus olhos se fecharem. Ela sorria, procurando evitar seu temor, imaginando Spike brincando com as outras crianças, tendo uma infância que nem ela mesma administrou direito, e do qual ela não queria que se repetisse com Spike.

Twilight acabou finalmente adormecendo, porém, um ruído no andar debaixo interrompeu subitamente o sono. Assustada, seu chifre começava a brilhar enquanto ela se levantava com dificuldade, saindo debaixo dos cobertores. Alguém havia acabado de entrar em sua casa.  “Se pelo menos Spike estivesse aqui,” Twilight pensava enquanto produzia uma esfera roxa de magia brilhante. Sem a vela que queimou há muito tempo, a magia era sua única fonte de luz, da qual ela usou para descer escadas abaixo até o salão principal da biblioteca.

Uma rápida inspeção na sala e ela constatou que a porta da frente não estava totalmente fechada. Por meio da fenda na porta, ela podia ver a neve caindo em grandes pedaços do lado de fora, além do assovio do vento, mas também era possível escutar a música vindo do Torrão de Açúcar e as crianças gritando alegremente, em uma mistura de vozes em que certamente a mais alta era de Pinkie Pie. Twilight rapidamente fechou a porta para que o vento gelado não entrasse mais, agravando ainda mais seu resfriado.

A esfera flutuava em cima dela, lançando sua luz aquecida ao redor da sala. A luz também revelou a sombra de um calda. Twilight só conseguia pensar em uma coisa que pudesse ter aquela forma.

“Spike?” Twilight chamava em voz baixa enquanto se aproximava do local em que a sombra estava. A única resposta que ela teve foi o estalo de uma joia caindo no chão e rolando até atingir o seu casco. Ela olhou para baixo e o levitou com sua magia, abrindo ligeiramente sua mandíbula e o pegando com a boca.

Era um rubi de fogo, esculpido na forma de um coração, porém não possuía curvatura perfeita, deixando bem claro que foi feito por um escultor novato, que também parecia estar faltando um pedaço. Os sons de soluço traziam sua atenção de volta para o bebê dragão. Ela colocou o rubi em uma mesa próxima e se voltou para Spike, ouvindo seus choros. Meu pobre bebê, Twilight entristeceu um pouco enquanto trotava até ele, que estava situado atrás de uma estátua da StarSwil.

“Spike, vem aqui.” Twilight suspirava enquanto se aproximava dele. Seus olhos estavam cheios de simpatia enquanto ela o chamava.

Um triste gemido escapou por trás da estátua. Para surpresa dele, ela usou sua mágica para localizá-lo com precisão e usar sua telecinese. Sua aura envolveu o dragão e o tirou cuidadosamente do local. O beicinho que resultou confirmou as suspeitas de Twilight, enquanto ela o estabelecia bem próximo de si.

“Spike, o que houve?” A resposta do dragão veio na forma de fungadas e soluços.

“Por que demorei tanto pra perceber isso? Todas as crianças brincando, conversando entre elas, e eu não conseguia, eu tentava, mas não saía uma palavra de mim, elas viram que eu era diferente, mas o pior foi eu me sentir assim e transmitir isso para elas. Só agora notei Twilight, que não vou conseguir me socializar com outros pôneis da forma como eles fazem normalmente. Eu não sirvo pra nada além de ser um ajudante de biblioteca.” Os olhos de Twilight se encharcaram vendo Spike, o dragão que ela arrastou de Canterlot para Ponyville com o coração partido.

Twilight levitou seu assistente para mais próximo dela, sentando bem ao lado dele. Ela acariciava suavemente suas costas com o casco, enquanto seus soluços davam lugar a um gemido de dor no peito. Ela não podia suportar vê-lo com o coração partido, mas sabia que um dia ele iria sentir que era diferente dos outros, sem no entanto saber que tipo de impacto isso teria em sua vida. Agora ela sabia. Spike mantinha seu rosto na direção do chão, com suas lágrimas congeladas caindo enquanto derretiam.

Twilight não tinha certeza de como responder. Ela não queria machucá-lo ainda mais.

“Meu natal está arruinado…” Spike fungava, deitando-se contra o chão.

Os olhos de Twilight brilhavam em uma centelha especial, algo que ela não sentia desde o incidente contra Nightmare Moon.

“Spike,” Twilight começou, com um sorriso simpático. “Só porque uma coisa não vai bem, não quer dizer que o seu natal está arruinado.”

Spike gemia enquanto Twilight se deitava ao lado dele, envolvendo seu braço sob o corpo do dragão. “Eu nunca vou ter uma vida normal, Twilight, sempre vou me sentir um alienígena perto dos outros.”

Twilight sabia que isso era verdade. Desde o dia em que ele foi sozinho se encontrar com outros dragões no topo de um vulcão, ficou claro que não apenas seu físico, sua personalidade também era diferente.

“Por que eu não poderia ser um pônei grande e forte como o Big Mac? Ele é calado, mas consegue ter mais amigos do que eu, e com certeza chamaria atenção até da Rarity…” Spike colocou seu focinho nas dobras do antebraço de Twilight, escondendo seu rosto dela.

“Porque não é quem você é, Spike. Mesmo se Rarity passasse a gostar de você como pônei parecido com Big Mac ou qualquer outro, ainda assim ela não estaria amando quem você é.”

“Eu… acho que você está certa…” Spike suspirou nos braços de Twilight, seus olhos encharcados também deixaram uma mancha em sua pele. Ela o abraçou ainda mais apertado contra o peito. Twilight riu suavemente ao se levantar sobre seus cascos, segurando Spike com uma de suas pernas dianteiras e usando outro feitiço de luz para iluminar o caminho até o seu quarto. Enquanto o dragão se estabelecia em seus braços, ela acendeu seu chifre e agarrou o rubi em cima da mesa discretamente. Spike bocejava baixinho enquanto Twilight começava a subir as escadas, com a esfera de luz flutuando acima de suas cabeças.

Enquanto eles subiam, Twilight podia ver pelas janelas o céu mal iluminado com a enxurrada de neve soprando em meio às ventanias. Pelo menos Spike estava em casa agora, ela se assegurou, contente por ele ter voltado para casa ao invés de enfrentar o inverno e se esconder de todo mundo, frustrado, em um lugar incerto. Twilight passou pelo cesto em que Spike costuma dormir, e ao invés de colocá-lo nele, ela o aconchegou em sua cama, usando sua magia para cobri-lo.

“Mas Twilight, eu não estou cansado…” Spike interrompeu, com seus olhos ainda húmidos. Algumas lágrimas ainda estavam lá, mas Twilight os limpou com as costas de seu casco.

“Você passou o dia todo ajudando Pinkie com os preparativos no Torrão de Açúcar, precisa descansar, Spike.” Ela disse, acariciando seu rosto com o focinho, e em seguida o abraçando e o envolvendo em suas asas, recebendo um merecido carinho de sua zeladora. Twilight usou o tempo em que eles estavam perto um do outro para levitar o rubi e colocá-lo ao lado dele. Ela sentiu os braços relaxarem ao redor do dragão.

“Você esculpiu esse rubi para Rarity?”

“Sim.”

“Ficou muito bonito, devia ter dado a ela.

“Eu… fiquei com medo que ela não gostasse…”

“Você é mais amado do que pensa, Spike.” Twilight encostou a nuca na cabeceira da cama, observando a neve caindo pela janela. “Com o tempo você vai descobrir isso, e saber lidar com essa diferença, mas a primeira coisa que você tem que fazer é se aceitar como é. A partir do momento que você começar a gostar de si mesmo, não vai mais se importar de ser diferente ou do que os outros pensam a seu respeito.” Ela finalizou beijando Spike na testa. O carinho da alicórnio roxo acalmava o dragão de todas as suas frustrações.

“Feliz natal, mãe.” Spike bocejava enquanto colocava o rubi ao seu lado. Seus olhos verdes finalmente se esconderam entre suas pálpebras, agora sem lágrimas, nem a tristeza de se sentir sozinho, aconchegado nos braços e asas da alicórnio. Porém, os próprios olhos de Twilight começaram a derramar lágrimas. Ele me chamou de mãe..

Twilight mantinha as lágrimas caindo em seu cobertor enquanto ela finalmente se aconchegava na cama, com Spike em seus braços. Ela puxou bem a coberta próxima de suas cabeças para garantir que seu dragão ficasse bem aquecido a noite toda.

“Boa noite, meu filho.” Twilight fungava enquanto lhe dava outro beijo maternal. De todos os bons momentos que ela já teve desde que veio para Ponyville, nenhum superaria este. Através de seus anos de lições sobre amizade, nada poderia superar o momento em que o dragão que ela chocou, desde quando era apenas uma criança, iria chama-la de mãe.

Isso abriu uma nova via de lições e aprendizados, que seriam partilhados com suas amigas, e com o tempo ajudaria Spike a superar suas mágoas.

“Spike, meu assistente número um e filho número um. Eu te amo, e sempre vou te amar com ou sem diferenças.” Twilight sorria enquanto seus olhos se fechavam suavemente, em seu confortável travesseiro. Sua magia de luz estava finalmente se dissipando enquanto ela voltava a dormir. Uma vez que a luz sobrecarregada do presente queimado se foi, os pensamentos do futuro começavam a fluir. O natal foi o marco do começo para uma ótima relação mãe e filho.

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Um conto de natal

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Autor: Gobraveheart

Gênero: Slice of Life

Tradução: Drason

SINOPSE: Rarity decide levar Sweetie Belle a Canterlot para comprar qualquer presente de natal que ela quisesse. Depois de conhecer um pônei em especial, Sweetie Belle finalmente faz a sua escolha.

***

Logo de manhã havia uma pequena e agradável brisa por toda Canterlot, mesmo em meio à neve que caía em pequenos flocos. As calçadas estavam cobertas de gelo, mas ainda era possível caminhar com um ou outro escorregão. Por todos os lados havia uma cobertura de neve, mas os pôneis andavam e conversavam como se não fosse nada. As lojas ainda estavam abertas, especialmente o Shopping Canterlot. Em plena véspera de natal, os pôneis gastavam seus bits para amigos e familiares, assim como uma jovem unicórnio que passeava com sua irmã mais velha.

O trem que veio de Ponyville se atracou na estação ferroviária, onde pôneis atrás de pôneis saiam rapidamente correndo para seus entes queridos. Os últimos a saírem foram duas irmâs: Rarity e Sweetie Belle. A unicórnio mais velha estava vestindo um cachecol azul escuro para combinar com seus olhos, assim como Sweetie Belle que fazia o mesmo, usando um na cor verde. Embora ela imaginasse que uma marca especial seria um ótimo presente de natal, algo que tentou sem sucesso obter o ano todo, ela procurava não pensar sobre isso naquela ocasião. Apenas queria aproveitar o passeio à Canterlot com sua irmã, que era o suficiente para trazer um sorriso em seu rosto.

“Uau Rarity!” disse Sweetie Belle, incapaz de conter sua emoção. “Olhe para todas essas luzes, as árvores decoradas, e os bastões de doces gigantes, são tão bonitos!”

Rarity sorri para sua irmã. “Claro, querida.” Ela responde enquanto ajeita o cachecol de sua irmã mais nova. “Está frio aqui fora, mas isso não vai nos impedir de fazer compras, não é?” Sweetie Belle sorriu amplamente, deixando Rarity contente por sua irmã estar passando o tempo com ela. “Esse é o espírito! Agora, onde você quer ir primeiro? Loja de vestidos? Brinquedos? Qualquer coisa que você quiser.”

Sweetie Belle rolou os olhos. “Brinquedo? Hmmm, não, os que tenho já são bons. Eu quero ir…” Ao longe, ela observa uma pequena loja de música, onde havia na vitrine um objeto de metal atraindo seus interesses. “Eu quero ir lá!” Sem aviso, ela corre até a loja.

“Sweetie Belle, espere!” Responde Rarity, tentando manter-se com sua irmã. “Eu e minha generosidade.” Ela trotava rapidamente atrás de sua irmã mais nova, que estava muito concentrada observando a vitrine. “Você é muito rápida Sweetie, assim eu não consigo te acompanhar.”

Rarity notou que Sweetie Belle observava em transe um microfone. “Foi isso que te chamou atenção, um simples microfone?”

O termo “simples” foi suficiente para trazer Sweetie Belle de volta ao foco. “Simples? Rarity, este não é um microfone qualquer! É um modelo que consegue transmitir o som a mais de cem metros de distância! Posso ficar com ele por favor?”

Rarity olhou melhor para o microfone, parecia ser bem anatômico e seu acabamento não deixava dúvidas de que era feito com material de alta qualidade. Rarity estava prestes a dizer sim, até ver o preço dele. “Trezentos bits? Isso é muito…”

Rarity olhou para sua irmã. Os olhos de Sweetie Belle estavam alargados a ponto de Rarity ver seu próprio reflexo neles, e a passagem da neve transmitia um olhar extra de tristeza. Porém, Rarity conhecia esse truque melhor do que sua irmã, e mesmo que não quisesse decepcioná-la, chegou a uma conclusão.

“Ok Sweetie, tenho uma ideia. Que tal olharmos as outras lojas da cidade para ver se encontramos outras coisas que você goste? Porque se eu comprar esse microfone, só vai sobrar dinheiro para almoçarmos e depois voltar a Ponyville.”

“Hmm… tem certeza que você vai comprar o microfone se não encontrarmos nada que eu goste?” Perguntou Sweetie Belle, questionando sua irmã.

“Sim, é uma promessa.”

“Tudo bem então!”

Rarity e Sweetie Belle caminhavam por todas as lojas, passando por brinquedos, roupas, e ainda assim aquele microfone estava na preferência da unicórnio jovem. Rarity finalmente desistiu, e decidiu levar Sweetie Belle à loja de antes para buscar seu presente de natal.

No caminho para a loja de música, Sweetie Belle dizia coisas como “Obrigada Rarity! Eu adoro música! Talvez assim eu consiga descobrir a minha marca especial!” Rarity estava feliz por sua irmã, embora seu plano fosse comprar mais de um presente para ela, o que foi frustrado com o preço do microfone.

À medida em que se aproximavam da porta da loja, Sweetie Belle ouviu um barulho tinindo próximo dela. Ela olhou ao redor, até que viu um senhor, cuja pele era na cor vermelha e a crina e calda faziam contraste nas cores branca e cinza, ele estava acenando com um copo velho. De onde ela estava, dava para ver que seus olhos pareciam tristes. Ele estava chorando? Ela perguntou para si mesma.

“Rarity?” Disse Sweetie Belle, sem tirar os olhos daquele senhor. “Por que ele parece tão triste?”

Rarity se virou para observar o pônei de quem sua irmã estava falando. Ela sentiu uma dor aguda no coração. “Oh, ele… fique aqui, querida, eu vou…” Antes que pudesse terminar, Sweetie Belle já estava na frente dele. Rarity tentou ir atrás dela, mas o trânsito de pôneis nas ruas bloqueavam sua visão. Ela ainda gritou o nome de sua irmã, mas o barulho era alto demais ao redor dela.

Agora que Sweetie Belle estava mais próxima daquele senhor, podia observá-lo melhor em todos os detalhes. Era um pônei terrestre, que não estava usando nada além de um gorro velho. Sua pele estava suja e a crina bagunçada. A barba estava bem arrumada, no entanto. Seus olhos, na cor verde pinheiro, juntamente com olheiras, expunham sua tristeza, fazendo Sweetie Belle olhar para ele com pena. Ele ainda acenava ao redor com o copo velho, sem nem mesmo prestar atenção na jovem unicórnio branca.

“Senhor? Por que parece tão triste?” Sweetie Belle perguntou inocentemente. O pônei olhou para ela, mantendo a mesma expressão.

“Porque estou com frio.” Ele apontou para o próprio peito com o copo. “Por isso estou triste.”

“Mas é véspera de natal.” Disse Sweetie Belle, inclinando a cabeça. “Todo pônei está feliz, viu?”

“Tem certeza?” Ele perguntou. Seu tom de voz era profundo, mas não zangado. Mesmo que não agisse daquela forma por mal, no fundo era possível sentir sua frustração.

“Claro, eu tenho certeza.” Disse Sweetie Belle. Ela se virou para ver os rostos sorridentes dos pôneis que passavam. “Está vendo?”

“Eu vejo o que você não consegue.” Ele disse. “Observe atentamente, Sweetie Belle.”

A jovem unicórnio não entendia do que ele estava falando, até ela ver um pônei com uma expressão muito parecida com o dele. E outra, e outra. Agora Sweetie Belle percebeu quantos pôneis pareciam tristes.

A unicórnio tinha muitas perguntas passando em sua mente. Por que tantos pôneis tristes? Como aquele senhor sabia o nome dela? E o mais importante, por que os outros pônei não se ajudavam?

Sweetie Belle se virou para fazer as perguntas ao pônei vermelho, mas ele se foi, deixando para trás seu velho copo. Ela olhou em seu interior e encontrou dois bits e uma pequena nota. Então tirou do copo para ler em voz alta. “Se você tivesse um monte de bits, o que ou com quem você gastaria?”

“Sweetie Belle!” Ela se virou para a direção de onde vinha a voz de Rarity, que foi se aproximando dela ofegante. “Não vá sozinha assim!” Ela olhou ao redor, confusa. “Onde está aquele senhor?”

“Eu não sei. Há um minuto estava aqui do meu lado. Ele me disse para observar atentamente as pessoas.” Disse Sweetie Belle, olhando cada pônei passar por ela e Rarity.

“Oh, é uma pena, eu ia dar alguns bits para ele.” Disse Rarity, olhando ao redor. “Bem, que tal nós irmos buscar o microfone?”

Sweetie Belle não estava prestando atenção. Ela pensava sobre o significado daquela mensagem no copo. “Se você tivesse um monte de bits, o que ou com quem você gastaria?” Sweetie Belle pensava, até que chegou em uma decisão.

“Na verdade Rarity, eu tenho uma ideia melhor. “Ela colocou o copo na bolsa que estava carregando, e galopou rapidamente até a loja de roupas mais próxima.

Rarity estava confusa do porquê de sua irmã correr até uma loja de roupas. Então olhou ao redor, e logo suspeitou do que se tratava. Não foi difícil deduzir o que ela queria, não que Rarity concordasse totalmente com isso, mas ela prometeu dar qualquer presente para Sweetie Belle. Sorrindo para a generosidade de sua irmã, Rarity a seguiu até a loja.

“Isso tudo sairá por trezentos bits.” A vendedora disse. Usando sua mágica, Rarity pegou todas as bolsas ao redor dela, com Sweetie Belle levando as menores. Com seu casco, Rarity deu todo o dinheiro ao caixa. “Tenham um bom natal vocês duas!”

Elas trotaram para fora, logo sendo atingidas pelo frio intenso, e rapidamente observando os pôneis que sofriam com as baixas temperaturas. Sweetie Belle olhou para Rarity, que estava tentando descobrir para qual pônei ir primeiro. “Eu vou levar para o lado direito, e você para o esquerdo! Pronto Rarity?”

Ela assentiu com a cabeça. “Esta é uma boa ação que você está fazendo, Sweetie Belle.”

Elas trotaram uma para longe da outra, e a primeira pônei estava sentada perto de uma fonte. Sweetie Belle correu até ela que estava tentando se manter aquecida, encolhida em seus cascos. Quando percebeu Sweetie Belle, a jovem unicórnio já estava tirando alguma roupas quentes da sacola.

“Feliz natal!” Disse Sweetie Belle.

“Você… comprou para mim?” A pônei disse. Quando Sweetie Belle assentiu, ela agradeceu emocionada. “Muito obrigada! Você não tem ideia do quanto isso significa para mim!”

“Tudo bem!” Disse Sweetie Belle, a abraçando. “Por favor, vá encontrar outros pôneis que precisam de calor!”

“Certo, muito obrigada!” a pônei correu em direção de um grupo. Assim que Sweetie Belle percebeu eles olhando para ela, todos sorriram, trotando lentamente até a jovem unicórnio.

“Você está distribuindo agasalhos?” Um deles perguntou. Sweetie Belle acenou, e disse que sua irmã estava fazendo o mesmo não muito longe dela. Os pôneis olharam uns para os outros com alegria, agradecendo a Sweetie Belle.

“É a coisa certa a fazer.” Disse Sweetie Belle.

“Você fez uma coisa muito boa hoje Sweetie Belle, fez um monte de pôneis felizes, e estou orgulhosa de você.” Disse Rarity enquanto abria a porta, deixando sua irmã mais nova entrar primeiro. “Elas deixaram Canterlot após doar todas as roupas que compraram, e estavam felizes pelos pônei terem algo no dia de natal. Elas chegaram a Ponyville no final da tarde, onde a lua da Princesa Luna já estava sendo erguida.

“Sim, eu me senti bem vendo eles sorrirem.” Disse Sweetie Belle, tirando suas roupas de inverno. Ela ficou um pouco triste, percebendo que não conseguiu o que queria. “Pena que não consegui o microfone.”

“Eu sei querida, mas ser generoso às vezes requer um pouco de sacrifício. “Disse Rarity consolando a irmã. “Às vezes você tem que dar um pouco para conseguir um pouco.”

“Mas nesse caso demos muito, né?” Disse Sweetie Belle rindo. “Está tudo bem Rarity, estou feliz que aqueles pôneis tenham algo no natal, não só pelos presentes, mas em seus corações também.”

“Isso é maravilhoso, Sweetie.” Disse Rarity, dando-lhe um abraço. “Não se preocupe, eu compro o microfone no seu aniversário, você mais do que merece”

“Tudo bem!” Disse Sweetie Belle, sorrindo. A jovem unicórnio decidiu ir até o seu quarto descansar um pouco depois do banho.

Ela começou a fechar os olhos, caindo no sono. Logo ela foi interrompida por um barulho vindo do lado de fora. Ela reconheceu o som sem problemas, e rapidamente vestiu suas roupas de inverno e correu para fora. As decorações em torno de Ponyville forneciam luz suficiente para Sweetie Belle enxergar, e à direita, embaixo de um poste decorado estava o pônei vermelho sorrindo, com o seu velho copo.

Sweetie Belle podia jurar que ela deixou aquele copo em sua bolsa, mas não se importou muito enquanto corria até o pônei. “Olá senhor! Você está melhor?”

O pônei vermelho olhou para Sweetie Belle com um grande sorriso. “Estou sim, Sweetie Belle. Vejo que você conseguiu o que queria para o natal?”

“Bem, não exatamente, mas eu dei um monte de roupas para pôneis que estavam passando frio!” Sweetie Belle disse contente. Ela caminhou para mais perto do pônei vermelho e o abraçou. “Obrigada por me deixar saber o que é certo, senhor.”

O pônei a abraçou de volta. “Eu? Não, essa escolha foi sua, Sweetie Belle. É sempre bom saber que os jovens cuidam uns dos outros.” O pônei se virou e começou a se afastar.

“Espere! Aonde você vai?” Perguntou Sweetie Belle, o interrompendo. Ele se virou sorrindo.

“Eu tenho que visitar outras crianças. Afinal é natal. Tenha um feliz ano novo, Sweetie Belle.”

De repente, o pônei vermelho ficou envolto por uma luz brilhante, e desapareceu entre a neve. Sweetie Belle não conseguia entender o que viu: como ele sabia seu nome, e como podia usar magia? Ele era um pônei terrestre!

Seja quem fosse, Sweetie Belle agradeceu de qualquer forma. Ela sorriu e correu para dentro de casa, fechando a porta. Foi quando ouviu Rarity gritar de alegria.

“Sweetie Belle! Olhe nossa sala de estar!” Quando a jovem unicórnio correu até lá, viu que estava toda decorada, uma árvore de natal com luzes coloridas e…

“Presentes?!” Ambas falaram ao mesmo tempo. Rarity disse que não poderia abri-los até à meia noite, então teriam que esperar.

“Onde você comprou, Rarity?” Perguntou Sweetie Belle, incrédula.

“Não comprei, gastei todos os bits com as roupas.” Disse Rarity.

“Então… quem foi?”

“Elas decidiram não pensar sobre isso, e foram jantar. Elas se divertiram uma com a outra, rindo, bebendo chocolate quente com pequenos marshmelows neles. Com ou sem presentes, elas estavam felizes.

No momento em que soou meia noite, Sweetie Belle não podia conter sua emoção por mais tempo. Elas desceu as escadas em silêncio e pegou o primeiro presente. Ela estava prestes a rasgar o embrulho, até que leu de quem era:

PARA: SWEETIE BELLE

DE: ??????

FELIZ NATAL, PEQUENINA.

“Mas de quem será?” Sweetie Belle perguntou, confusa.

Ela não queria se debruçar sobre o remetente misterioso, e decidiu abrir seu presente. Quando tirou todo o embrulho, ficou sem palavras.

“Não.. acredito! O microfone que eu queria!” Ela disse, sussurrando em voz alta. Então ouviu um tipo diferente de barulho, como se fossem sinos. Ela foi até a janela mais próxima e olhou para o céu noturno. Não tinha ideia que pônei era aquele no céu, voando com uma grande sacola vermelha. Mas uma coisa era certa, ela nunca se esquecerá das palavras que aquele pônei disse em meio à noite de natal.

“Ho! Ho! Ho! Feliz natal a todos!”