Fanfic, Fanfics estrangeiras

A chave para o sucesso

celestia twilight

Autor: FlameOfFaith

Gênero: Normal

Tradução: Drason

SINOPSE: Ainda criança, Twilight tenta pela primeira vez usar a magia de teletransporte. Sua determinação irá levá-la até o limite, mesmo que tenha que se encharcar sob uma forte chuva e, claro, arrastando a Princesa Celéstia junto com ela.

***

“Minha aluna, tem certeza que quer continuar tentando?”

“Claro!” A jovem unicórnio insistiu. “Todas as noites, não importa como!”

Princesa Celéstia suspirou. Ela e Twilight estavam uma de frente para a outra, perto da porta. Twilight olhava para sua professora com um semblante esperançoso, mas ingênuo. Sua aluna certamente possuía tanta motivação quanto disciplina, mas quando se tratava de sabedoria e paciência, ela pecava um pouco.

“Twilight, acho que você precisa tirar pelo menos um dia para descansar. Não quer ir para a cama mais cedo e recuperar energias?”

Às vezes, Twilight perguntava para si mesma se sua professora já foi jovem como ela. Ir para a cama cedo? Afinal quem iria querer isso?

“Mas Princesa…” Twilight fez beicinho. “Você prometeu que iria me observar todas as noites até eu conseguir!”

Celestia suspirou. Ela havia feito essa promessa uma semana atrás, e em troca Twilight parava um pouco de praticar para dormir. A pequena unicórnio havia tentado o feitiço durante três horas seguidas, sem sucesso. Mesmo depois de uma semana de práticas noturnas, sua aluna ainda não tinha conseguido executar a magia.

“Sabe Twilight, essa magia foi feita para unicórnios mais velhos, que tal se nós…”

“Mas Celéstia, eu estou tão perto! E você me assistiu nas outras noites!”

“Sim Twilight, mas naquelas noites não estava chovendo.”

Twilight parou por um segundo para observar o lado de fora. Pingos de chuva caíam uniformemente, sem nenhum sinal de que iriam diminuir. E ela certamente ficaria encharcada se saísse, assim como a Princesa.

Mas Twilight se sentia tão perto de realizar o feitiço que não se importava.

“Por favor Princesa?” Twilight manifestou o que ela acreditava ser o seu semblante mais bonito de clemência.

Celestia suspirou mais uma vez. Ela supôs que um pouco de chuva não faria mal a ninguém. “Está bem Twilight, só mais uma tentativa.” Celéstia acreditava que outra tentativa não poderia demorar muito, se perguntando quanta energia a pequena unicórnio roxo ainda teria.

“Yay! Obrigada Princesa!” Twilight já estava saltando para fora da porta, se encharcando na chuva. Celestia suspirava outra vez, a seguindo para fora. Seria uma longa noite.

A chuva batia contra Twilight, com cada gota a pressionando para baixo. Ela sentia o impacto, e desejava de alguma forma rebatê-las de volta. Mas tinha coisas mais importantes para se preocupar agora. A jovem unicórnio ignorava a chuva e se virava para sua professora, de quem ela queria como expectadora. A Princesa havia saído para o lado de fora, embora um pouco descontente com a situação. Celestia acenou com a cabeça. “Tudo bem, comece.”

Twilight fechou os olhos e começou a se concentrar, reunindo energias para executar a magia. Assim como qualquer outra noite, ela dizia a si mesma que faça sol ou faça chuva, não fazia diferença. O poder vinha de dentro dela, e lentamente emanava para fora, se concentrando em seu chifre. Por alguma razão, o poder estava se manifestando lentamente, levando muito tempo para reunir a quantidade que ela precisava.

Twilight não aceitava a ideia de ser em função do tempo. A chuva não importava. Então ela se obrigou a concentrar mais energia em seu chifre. Pouco a pouco, o poder crescia, e cada adição colocava ainda mais pressão sobre o jovem unicórnio.

“Assim está bom”, pensou Twilight. De acordo com seus cálculos, aquela quantidade de energia deveria ser suficiente. Ela abriu os olhos para ver seu chifre brilhando em uma aura violeta, muito visível devido à escuridão da noite, e menos visível devido à chuva irritante. Celestia fez sinal de aprovação, e Twilight sorriu com orgulho. O primeiro passo estava completo.

Agora vinha a parte complicada. Twilight se concentrava com muito esforço, tensionando seu corpo. O objetivo era levar a sua forma física para a magia (ou a magia para sua forma física, a teoria predominante era de que ambos conceitos eram idênticos). A chave para o sucesso estava na fronteira entre a física e a magia. Se ela pudesse balanceá-los, então certamente poderia completar o feitiço.

Com um grande esforço, Twilight “empurrou” seu corpo em direção à magia. Apesar de muita leitura para se aprofundar no assunto, esse conceito física/magia ainda era completamente confuso. Como ela poderia empurrar seu corpo físico através de algo tão irreal? Parecia impossível, assim como todas as outras noites, mas Twilight lembrava a si mesma que milhares de unicórnios haviam conseguido, e que portanto, ela também seria capaz, mesmo na chuva.

Twilight redobrou seus esforços, tensionando todos os músculos do corpo. Ela se sentia como se estivesse tentando atravessar uma maçã dentro de um tubo de ensaio. Como ela poderia fazer o seu próprio corpo se ajustar através da magia? Segundo sua pesquisa, bastava que ela visualizasse o fluxo corretamente, para que se incorporasse de forma correta.

“UGH! Que chuva!” As gotas batiam contra ela sem parar, como se estivessem zombando dela, a atormentando e, acima de tudo, a distraindo. Ela não conseguia se concentrar, e para a primeira noite em uma semana, Twilight parecia que não tinha feito nenhum progresso. Relutante, ela perdeu a concentração, e baixou a cabeça envergonhada. A jovem unicórnio roxo falhou de novo, e desta vez não tinha sequer chegado perto.

Twilight olhava para sua mentora, esperando algum estímulo seguido de um conselho sobre como proceder. O que ela viu, no entanto, foi a Princesa Celestia olhando diretamente para ela, na expectativa. Twilight se perguntava se a Princesa estaria esperando por uma nova tentativa, porém, pela primeira vez, a unicórnio roxo parecia não ter mais vontade de continuar. Ela pensava em dizer à Princesa que não se sentia mais motivada.

Mas então Twilight percebeu que sua professora não estava esperando uma segunda tentativa, e sim a primeira. De alguma forma, Twilight não havia disparado a magia de seu chifre, a energia ainda estava concentrada nele, embora a jovem unicórnio não tivesse notado.

Twilight ficou confusa por um momento. Ela restabeleceu sua mente para sentir a magia, percebendo que a energia estava modelada, pura e concluída. Foi onde ela percebeu que de alguma forma sua mente estava prendendo a magia, permitindo que o fluxo de energia fluísse sem instabilidade. Então Twilight percebeu algo mais.

A chuva. Ela não estava mais sentindo o impacto das gotas contra seu corpo, embora estivesse chovendo mais do que nunca. O que ela sentia era apenas o fluxo da água que não estava atingindo a unicórnio, mas fluindo ao seu redor. Ela estava na chuva, mas não sob ela, como se fossem apenas uma.

Twilight se tornou uma parte da chuva, assim como ela era uma parte da magia, de forma que não precisava se empurrar para ela, porque percebeu que já estava lá. A magia estava nela e ao redor dela, e tudo o que tinha que fazer era estabilizar o fluxo. A unicórnio relaxou seu corpo enquanto preparava sua mente. Sem perceber, ela ativou a mágica em seu chifre, observando, através de sua mente, o campo de magia ao seu redor.

Para qualquer um que estivesse observando, a magia em torno de Twilight parecia que estava apenas brilhando, nada mais, porém, para Twilight, era muito mais do que isso. Ela podia sentir o outro lado através da magia, como se houvesse uma porta lá, feita especialmente para ela, e a unicórnio sabia que poderia saltar dentro. Então ela o fez.

“EU CONSEGUI!” Twilight gritou. Finalmente o feitiço era dela. Seus joelhos tremiam, seus olhos estavam desfocados, e sua cabeça girando. Ela se sentia incrível.

“Muito bem minha aluna!” Celestia riu entusiasmada. “Você nunca deixa de me surpreender.”

Twilight sorriu irradiante. Muitos unicórnios cresceram sem saber como se teletransportar, mas Twilight conseguiu esse feito ainda muito jovem. Se ela tivesse energia, certamente faria de novo. Ela quase tentou, mas sua cabeça doía só de pensar nessa possibilidade. Talvez seria melhor não ir tão longe…

A voz da Princesa Celestia tirou Twilight para fora de seus pensamentos. “Melhor irmos nos secar lá dentro minha aluna, ou teremos que aprender uma magia para curar resfriados também.”

Twilight pensou por um momento, e então balançou a cabeça. “Daqui a pouco!”, ela respondeu, e então saiu correndo, rindo, para a chuva. Celestia observava atônita, mas admirando sua aluna que não conseguia sucesso ou proezas por ser melhor ou mais inteligente do que os outros alunos, mas simplesmente porque era dedicada aos estudos e não se entregava às dificuldades.

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As asas da virtude

rainbow e scoot

Autor: Drakkith

Tradução: Drason

Gênero: Normal, Slice of Life

SINOPSE: Rainbow Dash ensina Scootaloo a alisar suas asas, além de guardar uma surpresa muito especial para a pégaso laranja.

Scootaloo se deitou em uma nuvem perto da casa de Rainbow Dash. Ela se deixou afundar na superfície macia, e estendeu suas asas doloridas em meio à luz do pôr do sol. A pégaso laranja passou o dia inteiro com Rainbow Dash, onde as duas praticaram voo desde o horário em que ela havia sido pega no orfanato pela manhã. A pégaso mais velha nunca mencionou o motivo pelo qual decidiu passar o dia inteiro com Scootaloo, mas tinha gostado de cada minuto.

“Você está bem Scoot?” Dash perguntou enquanto se deitava ao lado dela.

Ambas estavam do lado de fora, próximas da porta da frente da casa de Dash, onde a superfície da nuvem tinha ficado com uma cor alaranjada sob o pôr do sol que quase se igualava com a própria pele de Scootaloo. Ela se virou de costas e olhou para sua ídolo, mentora, e irmã mais velha, cujo rosto estava em uma das asas, ajeitando algumas penas azuis fora do lugar.

“Minhas asas…” Scootaloo disse, estendendo uma cuidadosamente. “Eu não sabia que poderiam doer tanto durante o treino.”

Olhando para ela de trás de uma asa, Rainbow disse: “Isso faz parte de aprender a voar. Não se preocupe, quando você desenvolver bem os músculos, elas não irão mais doer.”

“Sim, mas parece que isso vai levar uma eternidade!” Disse Scootaloo jogando os dois cascos dianteiros para o ar.

Dash puxou uma pena quebrada de sua asa e a cuspiu fora de sua boca. A pena flutuou no ar por alguns segundos antes de pousar bem no nariz de Scootaloo. A jovem pégaso espirrou, fazendo a pena e sua crina rosa voarem. Quando ela abriu os olhos, a pena foi embora.

“Desculpe por isso”, disse Dash, com um canto de sua boca virada para cima sorrindo. “Olha Scoot, é apenas uma das coisas que você vai ter que aceitar, se quiser aprender a voar. Dói no começo. Continue assim e logo você vai ser capaz de voar o dia todo, sem problemas.”

“Eu sei…” ela suspirou.

“Bom. Agora, deixe-me ver as suas asas.” Dash estendeu o casco, mas com as mesmas doloridas, Scootaloo se contorceu e as dobrou.

“Pra que?” exclamou.

“Para ver as penas!” Dash estendeu uma de suas asas e sacudiu. “Você usou suas asas o dia todo e elas estão todas desarrumadas, precisam de cuidados!”

“Aww, mas isso leva muito tempo também!”

“Ei!” Rainbow olhou para ela. “Qual foi o combinado quando busquei você hoje de manhã?”

Scootaloo rolou os olhos. “Que eu faria tudo o que você pedisse, sem discutir, e em troca passaríamos o dia todo juntas.”

“E se você questionasse?”

“Que eu não teria mais a minha surpresa”. Scoot não tinha idéia do que seria essa surpresa, mas se tivesse que adivinhar, provavelmente seria um pôster dos Wonderbolts ou algo parecido.

“Exato! Então deixe-me ver suas penas!”

Ela se virou e sentou de costas para Dash inspecionar, desdobrando as asas e tremendo um pouco por causa da dor.

“Nossa, você está bem cansada não?” Perguntou Dash enquanto analisava uma das asas com um casco.

Scootaloo acenou.

“Bem, você trabalhou duro hoje.” Disse Dash, colocando um casco no ombro dela. “Estou orgulhosa de você.”

“Mesmo??” Scotaloo praticamente brilhava com o elogio.

Rainbow acenou e olhou para a asa da pégaso laranja. Ainda era muito pequena, e Dash estava ansiosa até sua próxima fase de crescimento, onde finalmente estaria no tamanho adequado para voar facilmente. Com um casco segurando a asa, ela deslizou o outro sobre a superfície dela. Ao invés de ser suave como deveria, havia dezenas de penas “embaraçadas”, presas umas nas outras, estragando a superfície como ervas daninhas laranjas aparecendo em um jardim bem aparado.

“Suas penas estão uma bagunça! Quando foi a última vez que você as alisou?”

 “Uh…”

“Sim, foi o que pensei.” Dash sorriu. “Você tem que alisá-las todos os dias, caso contrário, a aerodinâmica de suas asas ficarão comprometidas durante o voo.”

Scootaloo encolheu os ombros. “Mas por que isso é importante se eu nem posso voar ainda?”

“Porque ajuda você entrar em uma rotina. E quando é parte de uma rotina, se torna um hábito e você faz todos os dias, mesmo sem perceber. Além disso, é bom para as suas asas, mesmo se não estiver voando. Entendeu?”

“Sim.”

“Ótimo. Então comece a alisá-las!”

Scootaloo trouxe sua asa direita para próximo de seu rosto e encontrou uma pena fora do lugar. Ela a agarrou com seus dentes e a torceu, tentando ajeitá-la na posição correta. Era difícil. Cada vez que tentava ajeitar no lugar, outra saía para fora. Depois de algumas tentativas fracassadas, ela resmungou, irritada.

“O que você está fazendo?” Dash olhava para ela com uma sobrancelha levantada.

“Eu… alisando, como você disse!”

“Alguma vez alguém já te ensinou como fazer isso?”

“Não, nenhum dos adultos no orfanato são pégasus, por que?”

“Porque você está sendo muito dura com suas penas. Não é à toa que leva tanto tempo para alisar. Cada vez que arruma uma, bagunça um monte.”

“Bem, como devo fazer então?” Ela perguntou, coçando uma das orelhas.

“Vem aqui, vou te mostrar.”

Uma asa de Rainbow envolveu Scootaloo e a puxou contra o peito da pégasus azul. Ela olhava por cima do ombro enquanto Dash abaixava a cabeça, gentilmente segurando uma pena laranja com seus dentes.  Rainbow colocou ela de volta no lugar, deixando para trás uma superfície perfeitamente lisa.

“Apenas isso.” Disse Dash. “Viu como é fácil?”

“Uh.. você pode fazer mais um pouco?”

Dash sorriu e arrumou sua crina. “Claro!”

Scootaloo dobrou suas pernas dianteiras, ficando totalmente deitada de bruço, e se inclinou enquanto Dash começava a trabalhar mais uma vez. A sensação de ter suas asas alisadas por outro pégasus era surpreendentemente bom. Havia uma pressão suave cada vez que Dash a encostava com seu nariz, sentindo a respiração quente cada vez que a pégasus azul expirava através do labirinto de penas, com o calor se irradiando para fora, finalmente desaparecendo antes que Dash encostasse seu nariz em outro ponto da asa. Aconchegada sobre a asa e o corpo quente de Rainbow, aliado ao dia cansativo que teve, suas pálpebras começavam a se inclinar.

Você está bem?” Ela ouviu uma voz perguntar.

“Hã?” Scootaloo piscou algumas vezes para acordar e, em seguida, virou-se para ver Rainbow Dash sorrindo para ela.

“Você está caindo no sono.”

Oh, sim, apenas…” Ela abriu a boca, deixando escapar um súbito bocejo. “Só cansada … mas me sentindo tão bem.”

“Por eu estar alisando as penas?”

“Não sabia que iria me sentir tão bem com isso.”

“Hehe. Eu nunca disse isso a outro pônei, mas quando tinha sua idade, e toda vez que tinha um dia ruim, minha mãe sempre arrumava minhas asas depois do jantar. Eu poderia deitar com a minha cabeça apoiada na asa dela durante toda a noite enquanto minha mãe alisava.” De repente, um pensamento surgiu em sua cabeça. “Já teve algum pônei para fazer isso por você Scoot?”

“Não.”

Os olhos de Dash amoleceram. O número de coisas que ela havia perdido por não ter pais continuavam a surpreendê-la.

“Bem, nesse caso, relaxe e vamos continuar” Disse ela antes de inclinar a cabeça para baixo e agarrar outra pena.

“Tudo bem!” Scootaloo respondeu, meio sonolenta. Poucos segundos depois, uma dor a acordou novamente. “Ai!”

“Desculpe,” Dash levantou uma pena quebrada com os dentes. “Tive que arrancar essa aqui. Mas não vejo qualquer outra quebrada, não vai doer mais.”

Ela levantou a cabeça e soltou a pena no ar. Ela pairava para a esquerda, e em seguida para a direita, enquanto Dash abaixava a cabeça para continuar, isso fez com que a pena quebrada caísse bem em cima de sua crina, na parte amarela. Ela passou despercebida por Dash, enquanto seu rosto continuava alisando a asa de Scoot.

Enquanto trabalhava, os pensamentos de Rainbow voltavam para o que havia dito anteriormente sobre a sua mãe. Aquelas noites foram alguns dos melhores momentos de sua infância. Rainbow deixava as memórias se lançarem em sua mente enquanto trabalhava. Como Scootaloo, ela levava um longo tempo para se alisar quando criança, e nunca entendia como sua mãe podia se sentar para o que pareciam horas alisando as asas de outro pegasus, senão as dela própria. Embora teve que admitir que ser alisada por outro pegasus era muito praseroso, como se fosse apenas … o certo. Apesar de todo o trabalho, ela gostou. O pensamento ficou em sua mente por uma pena ou duas até que …

Ela parou um pouco para observar Scoot. Aquele pequeno corpo quente prensado entre sua asa e peito, muito menor do que ela e desfrutando da sensação de outro pegasus alisar suas penas. Por um momento em sua mente a crina rosa de Scootaloo era uma bagunça de cores, o mesmo rosa claro de sua mãe.

Sua boca esticou em um pequeno sorriso. Ela nunca teria imaginado que alisando outro pégasus poderia faze-la tão feliz. Com o sorriso ainda no rosto, ela partiu para a próxima pena.

A sessão de alisamento durou até o sol desaparecer no horizonte. Uma vez finalizado, Dash colocou Scootaloo suavemente na nuvem e viu, pela décima segunda vez em outros tantos minutos, a cabeça dela cair antes de disparar de volta para cima mais uma vez enquanto lutava para não cochilar.

 Rainbow riu com a visão, e disse: “Pode dormir se quiser Scoot.”

“E a minha surpresa?”

Pode ficar pra depois, confie em mim.”

“Mas eu tenho que ir pra casa …” Scootaloo bocejou e, em seguida, continuou, “se eu dormir agora, vou estar ainda mais cansada no caminho de volta.”

“Não se preocupe, darei um jeito para que você acorde em casa, ok?”

“Tudo bem …” ela bocejou novamente e amontoou partes da nuvem para fazer um travesseiro antes de colocar a cabeça sobre ele. “Ei, Rainbow…”

“Sim?”

“Você acha que algum dia vão me deixar ter uma cama de nuvem? Isto é muito melhor do que a minha cama no orfanato…”

“Sim Scoot, eu acho que eles vão deixar você ter uma.”

“Mesmo?? Isso seria tão bom…” disse ela, enquanto se aconchegava no travesseiro improvisado.

Dash sorriu para si mesma. Durante vários minutos, ela ficou lá, deitada ao seu lado, enquanto o sol terminava sua vagarosa descida, finalmente desaparecendo pouco antes da respiração da pequena potranca mudar, sinalizando que ela finalmente havia caído no sono.

De repente, um som diferente chamou a atenção de Rainbow Dash, que se virou para ver um pegasus na cor verde claro pousando no jardim de sua casa. Ela se levantou e caminhou até ele.

“Posso ajudá-lo?” Ela perguntou em voz baixa para não acordar Scootaloo.

“Desculpe incomodá-la, Sra. Dash”, o pônei sussurrou. “Mas minha esposa queria que eu lhe trouxesse isso.”

Ele entregou uma pasta pesada, com uma pilha de documentos em seu interior.

“Achei que fosse assinar tudo amanhã cedo.” Disse Dash foleando os documentos.

“Minha esposa sabia o quanto este dia significou para vocês duas, então pediu para eu pegar a sua assinatura ainda hoje. Dessa forma, seria oficial a sua primeira noite em casa.” Ele olhou para Scootaloo e sorriu. “Ela teria vindo sozinha, mas eu sou o único pégasus na família, e minha companheira não queria andar por todo esse caminho no escuro.”

“Bem, obrigada por ter vindo, significa muito pra mim!” Dash não tinha uma caneta com ela, então apontou para a casa e fez sinal para que ele a seguisse, dizendo: “Vamos lá dentro.”

Eles caminharam em direção à porta da frente. Havia uma sensação de calor no peito de Rainbow e ela não conseguia parar de sorrir com o pensamento do rosto de Scootaloo quando acordasse.

“Você já deu a surpresa para ela?” Ele acenou com a cabeça na direção de Scootaloo enquanto entravam.

“Eu ia, mas o dia de hoje foi muito cheio. Ela estava tão cansada que não conseguia manter os olhos abertos”.

Dash o levou para dentro e colocou a pasta em cima da mesa da cozinha antes de ir para a escrivaninha, onde havia uma pena de escrever em um frasco de tinta preta. Ela tinha acabado de se abaixar para pegar a pena quando algo caiu de sua crina, ao lado do tinteiro. Ela olhou fixamente para ele. Era uma pena alaranjada, quebrada na metade.

Ela pegou a pena quebrada e o tinteiro e os levou para a mesa. Cuidadosamente, começou a assinar seu nome em todas as páginas. Com a pena quebrada pela metade, ficou um pouco mais difícil de escrever, mas ela continuou. Já estava muito escuro, a Scootaloo era pouco visível através da janela da cozinha.

Ela entregou a pasta de volta para o pégasus verde claro e lhe agradeceu. Eles caminharam de volta para fora, onde ele calmamente se dirigiu até a beirada da nuvem, antes de decolar e voar para longe. Dash voltou para onde Scootaloo estava dormindo. Ela parecia tão feliz e confortável. Rainbow não tinha certeza de quantas vezes a pégaso laranja tinha dormido em uma nuvem, mas duvidava que tivesse sido mais do que uma ou duas vezes.

Scootaloo mal se mexia enquanto Dash a colocava em seu colo, sob suas pernas dianteiras. Ela voou para dentro de casa, passando pelo corredor até o quarto que ficava ao lado do dela, onde costumava ser o de hóspedes. Mas agora era outra coisa, muito mais do que um simples quarto, feito para sua nova ocupante.

Empurrando a porta aberta, Dash entrou no quarto recém reformado e acendeu as luzes. Aqui e ali havia um pôster dos Wonderbolts grudado nas paredes. Algumas cartas assinadas com tinta de prata brilhavam em cima da raque, com os dizeres:

Para a melhor voadora jovem de Equestria,
Obrigado por salvar nossas vidas!

-Spitfire
-Soarin
-Misty Fly

Vários porta retratos sob a cabeceira da cama estavam sem fotos, exceto um que continha três crianças na praia, sorridentes, e outro que mostrava Scootaloo mais jovem, com um sorriso tão amplo e contente, enquanto Dash a abraçava para serem fotografadas.

Rainbow voou até a cama e colocou Scootaloo entre os lençóis, a cobrindo. Assim como ela queria. A jovem pégaso se mexeu um pouco, mas não acordou enquanto Dash se deitava ao seu lado, puxando as cobertas sobre ambas. Nesse momento, a luz refletia em seus olhos a partir das letras brilhantes na placa pendurada no teto:

Bem vinda a sua nova casa Scootaloo!

Inclinando-se, Dash tocou seus lábios na cabeça de Scootaloo. Ela os deixou lá durante vários segundos antes de se afastar um pouco.

“Eu disse que você estaria em casa quando acordasse.” Ela murmurou.

As últimas palavras que o pegasus verde havia dito antes de ir embora foram:

“Parabéns Rainbow Dash! Eu sei que você será uma grande mãe!”

Uma mãe. Não é um amigo. Não é uma grande irmã. Uma mãe. Ela estendeu o casco até a cabeceira da cama, para pegar a foto dela e Scootaloo abraçadas. O porta retrato foi um presente de Pinkie Pie, e ela acariciou a frase na cor rosa brilhante que estava escrita na parte inferior:

Mãe e filha

Ela fungou e limpou a lágrima que havia aparecido em seu rosto.

“Bem vinda ao lar, Scoot”, ela conseguiu dizer antes de beijar sua crina cor de rosa mais uma vez. “Bem vinda ao lar”.