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Minha Pequena Dashie – Trailer dublado

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My Little Dashie é uma fanfic escrita por RobCakeran. Na estória, Rainbow Dash é transportada para a Terra na forma de um filhote, sem se lembrar de nada da sua vida anterior. Um homem solitário, até então com uma vida pacata, a encontra e passa a cuidar dela por quinze anos. Essa fic escrita em primeira pessoa fez tanto sucesso entre os bronies que acabou virando referência para muitas outras estórias, fanarts, comics e até um vídeo que está sendo desenvolvido por um bronie conhecido como Jenomorph! Abaixo você pode ver o trailer e ter uma ideia do que está por vir e o melhor de tudo, totalmente dublado por Alessandro R. B., o Grivous! Certamente que quando o filme for lançado, também teremos uma versão totalmente dublada dele!

Sem palavras para descrever – Livro I – Cap.4 – Convidado ou intruso?

Autor: Grivous

Gênero: Normal, Triste, Drama, Romance

Sinopse: ”Em alguns dias, um show será apresentado na pequena cidade de Ponyville, como o último show da carreira musical de uma musicista muito famosa de Canterlot: Octavia. Twilight Sparkle e suas amigas ficaram encarregadas de aprontar os preparativos para o Grande Evento. Os fantasmas de seu passado continuam assombrar a jovem musicista, a ponto de isolar-se do mundo e daqueles que ama. Num único evento, cheio de reviravoltas e grandes emoções, ela está para descobrir algo muito mais do que apenas o fim…”

LIVRO I :

Apresentação

Prólogo

Capítulo 1 – Empolgação

Capítulo 2 – Cascos e Coices

Capítulo 3 – Desinformado e Desinteressado

Capítulo 5 – Casa da Mãe Joana

Capítulo 6 – Recuperação

Capítulo 7 – Algo a mais

Capítulo 8 – Amanhã

LIVRO II:

Capítulo 1 – Caminhada

Capítulo 2 – Muffin

Capítulo 3 – Companhia

Capítulo 4 – Mudanças

LIVRO III:

Capítulo 1 – Ausência

—–

Equestria — Ponyville — Interior da Biblioteca, 13 de Fevereiro, 20:28.

A porta fechou com a ajuda do casco da Applejack. Foreign estava uns passos a frente dela e da porta, contemplando o ambiente bibliotecário que havia adentrado. A sala era bem espaçosa, com várias estantes cobrindo as paredes até o teto. Nessas estantes, livros de vários tipos, pergaminhos enrolados em pilhas, folhas abarrotadas e espremidas ocupavam os espaços vazios das estantes. A luz dentro do cômodo, expandida por lamparinas a óleo, não era fraca; dava para enxergar o suficiente no cômodo, apesar de ser noite. Uma mesa bem comprida centrava na sala, ocupada com cadeiras vazias; havia uns quitutes e beliscos para as visitas, alguns papéis espalhados sobre a mesa com um mapa bem grande de Ponyville no centro, na visão de todos os participantes. Algumas velas, prontas para serem acendidas, estavam sobre o mapa para fixá-lo no local, impedindo de ser movido por forças naturais de fora ou por distorções em sua massa após dias e dias enrolado. A Prefeita estava de pé com os cascos posteriores em cima de alguns papéis espalhados; ela os estava lendo e separando-os em pequenas pilhas.

Foreign parou por um instante para olhar bem o local. O lugar era interessante de se perseguir com os olhos nos mínimos detalhes.

Spike veio com uma bandeja cheio de brigadeiros para perto de Foreign — “Está servido, Sr. Eye?”

— “Ora, não vejo porquê nã–”

— “SPIKE!” — a voz da Twilight veio de uma batente que dava acesso a um corredor espaçoso. Spike tremeu um pouco a bandeja pela vibração que sentiu do grito de sua chefe unicórnia — “Spike! Não consigo achar os fósforos! Venha cá um minuto que quero lhe usar!”

— “Bah, ela simplesmente precisa de mim para tudo!” — Spike largou a bandeja na ponta da mesa comprida e foi ao encontro de Twilight bufando pelas narinas. — “Se eu cobrasse cada vez que ela me chamasse, eu já seria dono de Equestria inteira!”

Spike se aproximou no batente para o corredor quando, ao virar à esquerda, deu de cara com uma bela unicórnia pálida de crina púrpura, Rarity, já recuperada do recente desmaio.

O pequeno dragão não pôde conter sua entonação — “Rarity! Você…!” — segurou um pouco a voz e limpou a garganta com um espigarro abafado — “Você… se sente melhor? Está tudo bem?”

Ela estava aparentemente normal; sua crina estava ajeitada — ela rapidamente a havia penteado ao acordar, horrorizada com seu estado —  e sua compostura e elegância continuava intacta. Sua pelagem esclerótica ainda cintilava em atraência e cuidado físico, não possuía nenhuma anomalia ou arrepio em seus pêlos.

— “Ora, mas é claro, Spike!” — disse Rarity num tom alegre e despreocupado — “Foi só um pequeno imprevisto! Nada muito sério. A pressão subiu significativamente para me deixar tonta, mas me sinto melhor, sim! Obrigada.”

— “Ufa, que bom!” — o pequeno dragão podia suspirar aliviado.

— “Awn, Spikezinho! Não precisa ficar tão preocupado!” — Rarity apertou as bochechas de Spike delicadamente, mas o suficiente para fazer um biquinho em sua boca. — “Você é um fofo! Tão atencioso! Por isso você é o meu dragãozinho favorito!”

Spike ficou vermelho igual um pimentão; suas bochechas queimavam, atingindo um tom levemente rosa, — “E-eu?! Fofo?! F-favorito?! É! Digo…! Não! Eu… Hã… V-vou… Vou ver o quê a Twilight precisa de mim! Com licença!”

E saiu em disparada por entre a batente do cômodo, indo direto pela sua esquerda para a outra sala atrás de Rarity. Podia-se ouvir o dragãozinho rir de emoção em um eco durante sua passagem pelo corredor. Rarity deu uma risadinha.

A unicórnia branca girou sua cabeça com o balançar de sua crina encaracolada, num estilo harmonioso e atraente; digno de observar e apreciar a beleza e suavidez de seus longos fios purpuramente em espirais. Seus olhos diamantes fitaram Foreign, no qual ela trotou lentamente elegante em direção a ele; seus trotes macios e abafados, firmes para tomar todo o cuidado em cada passo para que não percam sua harmonia.

— “Perdão pelo meu recém descuido de minhas emoções fragilmente descontraídas, meu jovem senhor…” — disse Rarity um pouco constrangida — “Uma dama deveria saber como lidar de seu estado emocional nas horas mais improváveis e inesperadas como essa.”

“Que é isso, Srta. Rarity.” — respondeu Foreign Eye. — “Eu é que devo desculpas à senhorita. Não esperava que essas novidades iriam afetá-la tanto… Eu deveria ter sido mais cuidadoso com–”

Rarity ergueu o casco, interrompendo — “Oh, não! Você fez muito bem, meu caro senhor! E agradeço profundamente por isso. Essas novidades significam muito para mim e para minha carreira como estilista.”

— “Ah, é mesmo?” — Se fazendo de bobo para descontrair.

— “Ora, mas é claro!” — Rarity agitou sua crina e apoiou seu casco esquerdo sobre a testa — “Não sabe o quão difícil é ser reconhecida pelo que gosta ou mesmo ama fazer! Ter seu trabalho valorizado por outros pôneis é o sonho de qualquer artista! Horas de dedicação a finco super valem a pena quando você receber elogios de seus clientes.”

— “Hm, posso entender como é isso…”

Rarity abaixou ligeiramente seu casco de sua testa para seus lábios e esbugalhou os olhos, perplexa consigo mesma — “Por Celestia! Eu terrivelmente esqueci que você também é um artista, sendo um escritor! Deve ter passado pela mesmíssima coisa com seus livros! Oh, perdões por não ter percebido isso antes! Como eu sou lerda!”

— “Não, Srta. Rarity!” — disse ele já sacudindo os cascos desesperadamente — “Está tudo bem! Não se chame de lerda, por favor!”

— “Oh, perdões pelo meu descontrole emocional. Parece que ainda estou com sentimentos à flor da pele! Preciso de um tempinho para relaxar. Com licença, Sr. Eye.” — Rarity assentiu cordialmente com a cabeça e dirigiu-se para a cadeira na mesa central, perto da Prefeita, que lia e organizava os papéis em cima da mesma. Ambas se cumprimentaram brevemente; Rarity acionou sua magia para puxar uma cadeira e sentou-se sobre ela.

O pônei elegante suspirou aliviado, porém os olhos de Foreign ainda perambulavam pelo recinto arbóreo repleto de documentos. Ele xeretava alguns títulos de livros que podiam ser vistos à distância, apesar das letras pequenas e finas. Alguns livros não tinham o título em sua borda; seus nomes estavam ocultos e só podiam ser lidos pela capa da frente. Linhas em espirais e onduladas dançavam pelas bordas das estantes. Algumas terminavam com algumas flores em suas pontas, outras com alguns insetos como abelhas ou borboletas, ou mesmo com frutas como maçãs ou pêras.

Subitamente, as luzes se apagaram. O cômodo ficou em um breu profundo; não se enxergava nada e a noite que entrava pela janela não ajudava a clarear a situação. Rarity soltou um grito fino, pois se assustou um pouco. Ouvia-se alguns batuques e objetos sendo movidos no meio da escuridão.

Foreign não sabia para onde ir, mas alguma coisa o segurou pelo ombro.  No mesmo instante, ele ficou imóvel; até segurou a respiração. Mas a tensão em seu corpo arriou ao sentir um reconhecível aroma de maçãs.

Mais barulhos surgiram na escuridão. Esses eram mais esquisitos; pareciam que luvas de borracha se esfregavam entre si ou papéis se amaçavam num abraço.

— “O que em nome de Equestria está acontecendo!?” — indagou a voz de Rarity no meio do escuro, com um esperado tom de pânico em sua voz.

As lamparinas de óleo voltaram a iluminar o cômodo. Os olhos de todos doeram um pouco, pois estavam já acostumados com a recente escuridão. Foreign, ao abrir os olhos novamente, encontrou uma língua-de-sogra vermelha acertando-o bem em seu rosto.

— “SURPRESA!” — uma pônei espalhafatosamente rosa-claro apareceu em sua frente com um chapéu de festas em sua cabeça. Ela agitava os braços e pulava numa frenetização impressionante. Foreign olhava ao redor todo confuso e começou a perceber várias diferenças no cômodo. Havia um monte de papéizinhos picotados espalhados pelo chão, balões estavam amarrados nas cadeiras — alguns estavam espalhados pelo chão e outros cutucavam o teto — a mesa central estava repleta de doces, bolinhos, muffins e sucos. Todos os pôneis presentes à mesa também estavam meio perdidos e chapéus de festa foram colocados em suas cabeças sem eles perceberem. Foreign só agora se deu conta que havia um chapéu de papelão colorido amarrado em sua cabeça.

— “Mas como–!?” — foi só o que ele pôde dizer até ser interrompido por uma canção.

“Hey, hey, hey, como vai você?

Hey, hey, hey, prazer em te conhecer!

Por aqui e aí, eu nunca o vi…

Deve ser porque és novo aqui!

Surpresa pra você! Surpresa para mim!

Surpresa à volver! Surpresa à jasmim!

Hey, hey, hey, como vai você?

Hey, hey, hey, prazer em te conhecer!

Apesar dos enfeites, doces e bartender,

Seu aniversário, hoje, não é!

Surpresa pra você! Surpresa para mim!

Surpresa à volver! Surpresa à jasmim!

Hey, hey, hey, como vai você!

Hey, hey, hey, prazer em te conhecer!

Se você fosse um bolinho eu te comeria,

Mas seu eu o fizesse, o seu nome, não me diria!

Surpresa pra você! Surpresa para mim!

Acabaram minhas rimas, então diga seu nome para mim!”

 E ela finalizou sua canção com uma bombinha que estourou em seu casco ao puxar uma cordinha fina dele. Mais papéis picados e algumas serpentinas voaram em volta dela e do corcel embasbacado.

Foreign ainda estava confuso com aquela situação toda. Estava meio perplexo do ambiente mudar drasticamente diante de seus olhos, dessa pônei cor-de-rosa aparecer do nada com uma festa que parecia ser de alguma forma para a sua chegada e ao ver a quantidade enorme de balões de borracha urubuzando pelo cômodo, fitando-o com um olhar ameaçador; só esperando uma boa oportunidade para surpreendê-lo em um estouro de seus corpos borrachudos. Seus lábios mexiam um pouco, mas não saia nenhuma palavra deles; algumas gotículas de suor frio emergiam de sua testa por algum motivo. A pônei de crina espalhafatosamente rosa-choque o encarava com um sorriso que ia de orelha a orelha e seus olhos brilhavam com ansiedade.

Applejack, que estava ao lado do corcel, respondeu-a em seu lugar — “O nómi deli é Fôraiguinê Aiê, Pinquí Pái. Eli é novo por essas banda i vêio para participá da reunião di hoji.”

— “Nossa, muito prazer em conhecê-lo, Sr. Eye! Espero que não tenha se importado em dar uma festa pela sua chegada! Eu sei que não é o seu aniversário, mas… Peraí, eu não sei se é seu aniversário! Você não me disse ainda! Será que é hoje mesmo? Nossa, nossa! Então teremos que dar duas festas para você! Parabéns pelo seu aniversário, Sr. Eye!” — Pinkie Pie deu um pulo em direção ao corcel e o abraçou rapidamente, fazendo-o cambalear um pouco para trás — “Precisamos colocar velas no bolo! Quantos anos você faz hoje? Não, não! Não me conta! É mais divertido quando se adivinha! Eu diria uns… nove? Não! Onze? Não! Velho demais! Uns dez anos, então!”

— “Num pêrcisa nada disso, Pinquí.” — disse Applejack, gesticulando com o casco, — “Hoji num é aniversário deli, num. Eli só vêio prucauso da reunião. A festa nóis pódi dá aminhã, quando todos os pônei estiverem já dispérto!”

—  “Ahh…. então tá bom! Amanhã daremos uma grande, mega, ultra festa para você! Convidarei todos os pôneis de Ponyville para te desejar um ótimo “Bem-Vindo”! Será o maior barato!” — A pônei rosa virou as costas e saiu em direção ao seu lugar na mesa central, saltitando e cantarolando alegremente.

Applejack, ainda ao lado de Foreign, apalpou seu ombro gentilmente — “Num percisa ficá avexado, Nhô Aiê. Pinquí Pái é ansim mêrmo. Mêi… energética, mas uma pônei bem amigáver.”

Foreign limpou a garganta e assentiu com a cabeça, confirmando. O pônei elegante pretendia limpar sua testa úmida com o lenço no seu bolso do paletó, mas lembrou que tinha oferecido à Prefeita, qual ficou com ela. Deixando pra lá, contentou-se a controlar o nervosismo e tentar relaxar um pouco no meio daquelas borrachas urlulantes cheias de ar e gás.

A pônei laranja descansou o casco ao chão e lembrou — “Ah! I pódi relaxa! Sinta-si como si estivesse nim casa!”

Foreign tirou o chapéu de festa e, novamente, assentiu com a cabeça — “Está certo. Sem problemas, Sinhá Applejack…”

Ambos trocaram sorrisos e Applejack foi na frente para puxar uma cadeira para ela. Twilight apareceu da batente de um corredor, levitando uma caixa de fósforos com sua magia, ao lado de seu fiel ajudante, Spike, que estava seguindo-a logo atrás.

— “Achei a caixa de fósforos!” — exclamou Twilight, sacudindo a caixinha no ar.

— “É… VOCÊ achou.” — indagou Spike ao intonar a voz, cruzando os bracinhos.

Twilight rolou um pouco os olhos e respondeu num tom alegre — “Tá bom, tá bom. Obrigada, Spike, por seu fabuloso auxílio em me ajudar a encontrar os fósforos.”

Spike encheu o peito, confiante, — “Eu sei, eu sei. Você estaria perdida sem mim.”

— “Tá, Spike. Chega de se encher.” — Twilight acariciou levemente sua cabeça — “Não quero que você acabe estourando sem motivos.”

O pequeno dragão coçou levemente sua nuca, descontraindo-se um pouco. Twilight levantou um sorriso e aconchegou Spike em seu peito para um abraço amigável. Durante o abraço, Spike bocejou, seus olhos já estavam caindo aos poucos e ele fazia o que pôde para mantê-los ainda abertos.

— “Acho que vou puxar a carroça agora…” — disse ele ao esfregar os olhos, cansado.

— “Pode ir, Spike. Eu posso cuidar de mim mesma por agora. Não se preocupe.”

Spike retribuiu um abraço de despedida em Twilight e acenou para todos na sala. Todos responderam com um “boa noite” ao dragãozinho. Twilight, ainda levitando a caixa de fósforos com sua magia, virou-se para adentrar-se a sala quando percebeu todos os enfeites que não estavam ali quando ela tinha saído do cômodo.

— “Mas o que– O que aconteceu?!” — perguntou ela, olhando ao redor, embasbacada.

— “Pinkie Pie aconteceu…” — Rarity apontou para a ponêi rosa que sentava na ponta direita da mesa. A mesma acenava com um sorriso enorme no rosto.

— “Ah… isso explica tudo, sem dúvida.” — Twilight, ignorando todos papéis picotados e serpentinas espalhadas pelo chão, trotou para perto da mesa e deixou a caixa perto das velas apagadas, empurrando alguns balões no caminho.

— “Bom, acho que podemos começar com a reunião. Podem começar a se sentar…”

Na mesma hora, todos se sentaram e confirmaram suas ações com um aceno com a cabeça. Twilight estava na ponta da mesa, com a Prefeita sentada ao seu lado esquerdo e Applejack sentada a sua direita. Pinkie Pie cantarolava com a boca fechada ao lado de Rarity, sendo que a mesma sentava ao lado de Applejack. A unicórnia roxa olhou para todos e viu que Foreign ainda estava de pé, perto da porta.

Twilight apontou o casco para a cadeira vazia mais próxima para ele — “Por favor, Sr. Eye, sente-se.”

Foreign virou o rosto para a Twilight e viu a cadeira vazia ao seguir seu casco erguido. Ele começou a trotar em direção a ela, mas foi surpreendido por uma voz ameaçadora por trás dele.

 — “Apresente seus documentos oficiais, senhor”.

Foreign se sobressaltou num susto e virou seu corpo bruscamente. Diante de seu rosto, uma crina rebelde e multicolorida invadiu seu campo de visão. Ao abaixar os olhos, encontrou um rosto azulado de uma jovem pégaso. Porém esse rosto o encarava com seus olhos púrpuras de uma forma ameaçadora; com sobrancelhas cerradas e lábios retos. Seu corpo fino e forte inclinava superiormente para frente, acrescentando sua postura selvagem contra a suspeita visita.

Foreign deu um curto passo para trás, tentando se sentir um pouco mais confortável. A pégaso azulada não se mexeu e ainda esperava pela resposta do pônei visitante.

— “Rainbow Dash.” — Twilight alavancou seu tom, olhando para a pégaso de longe — “O que está fazendo?”

Rainbow Dash não tirou os olhos do corcel, e respondeu em uma voz seca — “Apenas o meu trabalho, caso não tenha percebido.”

— “E o seu trabalho, por acaso, é xeretar os documentos pessoais dos convidados?”

— “Até que ele não me mostre seus documentos oficiais, ele não é um convidado. E, sim, um intruso nessa reunião.”

Twilight levantou-se da cadeira bruscamente e bradou — “Como é que é?! O quê te levou a pensar em um absurdo desse?”

— “Todos os pôneis presentes nesta reunião” — continuou a pégaso, não se intimidando com a desinteressante reação da unicórnia roxa — “possuem seus próprios documentos oficiais entregues pelas Princesas: Celestia e Luna, os quais lhe dão acesso a locais restritos do evento. Eles também indicam quais pôneis fazem parte da equipe que coordenará todo o evento em Ponyville.”

Rainbow pousou o casco em seu peito — “É meu trabalho como Secretária de Segurança de Ponyville, o bem-estar de todos os pôneis presentes e ausentes. Por isso mesmo, deve apresentar seus documentos oficiais para mim, se quiser participar desta reunião.”

Twilight não quis dizer nada. Estranhamente, ela não podia discordar da pégaso azulada. Mas suas pupilas púrpuras não se desviaram do rosto cerúleo de Rainbow.

— “Se eu estiver enganada quanto a essa observação, ergam o casco aqueles que não possuem o tal documento.”

Houve um curto silêncio no cômodo, Foreign olhava um pouco em volta, aparentemente perdido. Twilight olhava para Rainbow Dash com as sobrancelhas cerradas de raiva. Os pôneis presentes não fizeram nada, assim adivinhou a pégaso. Nenhum pônei presente no cômodo ergueu um casco sequer, confirmando que todos possuíam esse documento oficial.

— “Se você fosse mesmo um convidado para essa reunião, senhor…” — continuou Rainbow Dash, chamando a atenção de Foreign. — “Deveria ter esses documentos em cascos. Se não for pedir demais, gostaria de vê-los.”

Rainbow estendeu o casco para o Foreign Eye, sendo que o mesmo olhou por uns breves segundos. Ele sinceramente não estava sabendo desses documentos oficiais que aquela pégaso indagava. Princesa Celestia não comentou nada sobre isso quando conversou com ela em seu Castelo. Será que ela havia esquecido? Mas por que ela esqueceu? Algo perturbava a cabeça da Princesa para se esquecer de um detalhe importante como esse? Ele perguntava a si mesmo em seus pensamentos. A pégaso de crina arco-íris ainda o encarava com uma expressão séria.

Foreign só pôde recuar os olhos, decepcionado. Twilight percebeu isso; assim como Rainbow Dash.

— “Perdão, Senhorita. Não possuo esses documentos que requere. A Princesa Celestia não me–”

Rainbow Dash o cortou numa frase ríspida e dura. — “Se o senhor não possui os documentos, peço que se retire do recinto imediatamente.”

Twilight na mesma hora saiu de sua cadeira e trotou rapidamente para o lado de Foreign, chutando alguns balões coloridos no caminho. — “Sr. Eye! Tem certeza de que o documento não está com você? Olhou direito? Procure melhor em seu terno!”

A unicórnia cor-de-lavanda ia ela mesma procurar pelos documentos em seus bolsos quando Foreign a impediu levantando seu casco para ela.

— “Não adianta, Srta. Sparkle. Os documentos não estão comigo. Se estivessem, eu os teria lembrado e entregue imediatamente para a Srta. Dash.”

— “Mas não pode ser verdade! Você é o Conselheiro e Diplomata Oficial das Terras Férteis! Deveria ter esses documentos! E se você não estivesse com esses documentos, ela deveria ter, ao menos, reportado alguma coisa para mim!” — Twlight, de repente, sentiu uma pontada num canto esquecido de sua memória.

Consequência disso, lembrou-se do Spike e exclamou por ele — “Spike! Spike!”

Alguns breves segundos, o pequeno dragãozinho apareceu correndo ao cômodo com a boca cheia de uma espuma branca; estava escovando os dentes antes de se deitar. Seus olhos esmeraldas voaram pelo cômodo, tentando compreender o que estava acontecendo, pelo suspeitoso desespero de Twilight.

— “U qui fffoi, Tchualaitchi?! Qualhé u inssfêndio?” — disse Spike com a escova entre as bochechas.

— “Qual foi a última carta enviada pela Princesa essa semana? Você sabe me dizer?”

Spike suspirou aliviadamente pelas narinas. Retirou a escova da boca, ainda com espumas ao redor de sua boca — “Carta da Princesa? Hm… Para falar a verdade, ela enviou uma carta para a gente esta tarde. Ela está aqui nesta gaveta.”

As pernas curtas do pequeno dragão agiram para o criado mudo perto de algumas estantes. Ele abriu a primeira gaveta com a mão livre e tirou um rolo de pergaminho sem o selo real da Princesa. Twilight acionou sua magia num brilho em seu chifre e levitou o pergaminho para perto dela. Ao desenrolar o pergaminho, sua expressão mudou drasticamente.

— “Mas, Spike! Ele está em branco!” — a unicórnia olhava para seu fiel assistente, atônica.

— “Foi isso que achei estranho. Não tinha nada escrito nele. Achei melhor guardá-lo para você dar uma olhada mais tarde e, talvez, descobrir alguma coisa.”

Twilight não estava entendendo mais nada. — “Isso não faz nenhum sentido! Por que a Princesa me enviaria uma carta em branco? E se for algo importante?! Poderia ter sido o documento oficial de Foreign, falando de sua presença na reunião e–”

— “Sinto muito, Twilight.” — disse Rainbow Dash. — “Sr. Eye. Por favor, peço que se retire.”

— “Espere, Rainbow Dash! Não sabemos ainda se isso–”

— “Perdão, Twilight, querida.” — agora Rarity se pronunciava, erguendo o casco. — “Mas sinto dizer que concordo com a Rainbow Dash.”

A unicórnia roxa parou e olhou surpresa para a pálida unicórnia sentada a mesa.

— “Não me leve a mal, Twilight! Nem o senhor, Sr. Eye.” — acrescentou Rarity, imediatamente na defensiva. — “Adoraria que o senhor estivesse conosco em nossa reunião, eu acredito que você seja um amor de pônei. Mas terei que acatar com as palavras da Rainbow. Ela está certa. Está no protocolo quando aceitamos esses cargos.”

— “Mas, Rarity…”

— “Eu tamém caicordo cum a Reinbôu.” — entrou Applejack no meio. — “Discurpa, Tualáiti. Már nóis num podêmo contradizê-la. Ocê mêrmo apoiô as regra di segurança que Reinbôu estabeleceu im nossa equipe. Ninguém recramô, nem nada. Num pôdemo vortá atráis para rêformulá ou fazê excêção.”

— “Sinto dizer que também concordo, Srta. Sparkle.” — comentou a Prefeita por último.

— “Pôxa, eu já estava gostando do Sr. Eye! Queria que ele ficasse mais um pouco…” — disse Pinkie Pie, tristemente.

— “Todos já deram seu veredicto.” — disse Rainbow Dash, parecendo que estava gostando de ver que aquela unicórnia nem sempre está certa, como sempre era. — “Não há mais nada a ser dito. Sr. Eye, por favor–”

— “Ele não vai sair daqui!” — Twilight deu com o casco no chão, ela já estava ficando impaciente. — “Princesa Celestia o enviou para cá por algum motivo! Não veem? Por que ele viria aqui, se não fosse por isso?!”

— “Para se infiltrar, dando uma de bonzinho… — Rainbow Dash olhou de uma forma suspeita para Foreign, o escaneando com seus olhos magenta. — “Para sabotar tudo, criar uma confusão. Dar uma de dócil é sempre fácil…”

— “Ora, por favor, Rainbow!” — Twilight trotou para perto dela, com um tom irônico em sua voz. — “Agora ele virou algum tipo de terrorista? Isso é apenas um evento musical! Não uma Base Militar!”

— “Não me importa. Ele não possui nenhum documento oficial para essa reunião. Até que se tenha em cascos algo que comprove que ele foi convidado pelas Princesas nesta reunião, ele é um intruso.”

Twilight não estava suportando a teimosia de Rainbow Dash. Estava roçando os dentes de nervosismo, enquanto a pégaso azulada a encarava com um olhar sério em uma postura dura. Applejack coçava a nuca desconfortavelmente com a nova situação entre elas duas. Rarity olhava para elas sem ideia do que fazer, ambas não iriam ceder de suas propostas e ela não podia escolher apenas uma para alegria de todos. A Prefeita apenas enxugava as pequenas linhas de suor de sua testa com o lenço que ela ganhou de Foreign.

O silêncio predominava no recinto por longos segundos. Foreign estava entre as duas pôneis que se encaravam conflitantemente. Ele esperava uma oportunidade para poder expressar sua opinião, mas o conflito entre essas duas era bastante delicado.

— “Ei, vocês duas!”  — Uma jovem pônei rosa sorridente surgiu do nada entre Twilgiht e Rainbow Dash, dando-as um grande abraço entre seus pescoços. — “Eu acabei de ter uma GRANDE ideia! Por que não perguntamos a opinião do Eyezinho? Ele deve estar se coçando para poder dizer alguma coisa!”

Essa pônei simplesmente leu seus pensamentos; Foreign até olhou para ela, perplexo. Toda a atenção voltou-se para o suspeito convidado da casa. Todos queriam ouvir a opinião de Foreign para a recente discussão, ele havia ficado quieto por um longo tempo enquanto desenrolava o atrito entre Twilight e Rainbow Dash.

As duas respiraram fundo e relaxaram-se após o abraço de Pinkie, que se afastou delas com um sorriso dental largo em suas bochechas rosadas. Twilight foi a primeira a perguntar:

— “Sr. Eye. Desculpe pelo que aconteceu, mas será que o senhor tem algo há dizer quanto a isso?”

O grande corcel olhou para Twilight com um olhar neutro. A unicórnia roxa tinha uma expressão triste em seus olhos e lábios. Suas orelhas estavam levemente abaixadas, meio ressentida com o que estará por vir da situação atual. Ele não podia mentir para ela, sua saída daquele local era iminente. Ele não tinha os documentos e apenas suas palavras que conversara com as Princesas não valiam para a pégaso azulada, que o encarava desconfortavelmente. As sobrancelhas daquela pégaso estavam cerradas e suas pálpebras um tanto entreabertas, desconfiada. Mas sua postura não relaxara, seus cascos estavam firmes no chão e suas orelhas estavam retas para ele, como duas lanças afiadas apontando diretamente para o seu rosto. De certa forma, aquela pégaso o faz lembrar de alguém que conhecera no Castelo das Princesas…

Foreign suspirou longamente antes de começar a expressar sua opinião. Ele mexeu levemente os lábios para dizer as primeiras sílabas quando batidas pesadas em uma porta gritou no quarto, fazendo um corte profundo nas futuras palavras que Foreign iria pronunciar. Todos no cômodo olharam bruscamente para a única porta de entrada e saída da biblioteca.

Por alguns breves segundos, os pôneis no recinto fitaram os olhos na porta desconfiados. Novamente, o silêncio foi quebrado pela entidade do lado de fora, com batidas mais fortes e num berro nervoso.

— “Vão demorar muito ou o quê?!” — a voz era rouca e um tanto grossa. Pelo visto, a rua ainda não estava vazia de pôneis.

Foreign percebeu na hora de quem era aquela voz. “Ai, por Celestia… Ele está aqui.”, pensou ele.

— “Eu acho que tem algum pônei na porta!” — indagou Pinkie Pie estranhamente de volta ao seu lugar na mesa. Todos rolaram os olhos, “não diga…!”.

Rainbow Dash apontou o casco para Foreign bruscamente, qual chamou a atenção dele. — “Não ouse fazer alguma gracinha, Sr. Mary Sue. Essa conversa ainda não acabou.” — e virou seu flanco em direção a porta, deixando o intruso com a unicórnia de expressão roxamente irritada.

— “Bom…” — Spike se pronunciou de repente no meio da multidão; alguns até se esqueceram que ele ainda estava ali. — “Acho que meu trabalho acabou, novamente. Uaahh! Vou terminar de escovar os dentes e cairei na cama.” — e o pequeno dragão andou em passos pesados para o quarto e recomeçou a escovar os dentes.

Rainbow Dash aproximou-se da porta e enrolou seu casco sobre a maçaneta da porta. Com um giro firme, abriu a porta horizontalmente, deixando uma leve brisa fria da noite passar por entre sua crina rebelde multicolorida. Os pôneis logo atrás dela inclinaram suas cabeças, no intuito de tentar enxergar quem era o indivíduo qual Rainbow Dash estava abrindo a porta. Rainbow, ao erguer os olhos, encontra em sua frente um corcel um pouco alto, mas de aparência robusta. Ele tinha uma pelagem marrom claro, porém possuía manchas levemente mais escuras em algumas partes do corpo. Sua crina negra como carvão quase escondia sua boina preta sobre sua cabeça, avistada apenas por um pequeno emblema dourado circular. Seu uniforme era escuro, invísivel no meio da noite, cheio de bolsos e insígnias de várias formas e cores pendurados. Comparado a Foreign — que já é grande dentre as pôneis presentes — , teria que erguer a cabeça um pouco mais para encarar esse corcel de frente.

— “Sim…” — pensou Foreign, nervoso — “É ele.”

Fim do Capítulo Sete