Como desenhar pôneis

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Você é a minha Princesa favorita de todas!

Luna e Pip

Autor: Jinadan

Título original: You are my favorite Princess Ever!

Gênero: Romance, Drama, Slice of Life

Tradução: Drason

SINOPSE: Luna descobre tudo sobre a vida de Pip e decide adotá-lo. Isso faz com que ela passe a visitar Ponyville com mais frequência, vendo rostos familiares. Sentimentos que antes ela não podia explicar começavam a despertar em seu coração.

——

CAPÍTULO 1 – ADOÇÃO

O sol de Celéstia começava a subir, e todos os pôneis estavam ajudando na limpeza após o Festival de Halloween. Uma certa alicórnio azul escura estava auxiliando na tarefa de recolher as decorações. No entanto, por ser uma pônei noturna, já estava começando a sentir o cansaço. Ela estava quase adormecendo, quando voltou à consciência depois de sentir algo puxando sua calda. Ela virou a cabeça para olhar quem era, e viu ninguém menos além do único que se atreveu a puxar a calda e crina real da Princesa.

“Princesa Luna, você vai ficar em Ponyville?”

“Desculpe querido habitante, devo voltar para Canterlot, de onde eu pertenço.”

“Oh, certo.” Pipsqueak se afastou, olhando desanimado.

Luna apenas observava o jovem pônei caminhando. Um fluxo de pensamentos passava por sua cabeça.

Além de Twilight Sparkle, ele foi o único pônei que conversou com ela naquela noite. Twilight foi bastante amigável e compreensiva, mas Luna sentia uma felicidade inexplicável toda vez que estava com aquele pônei. Ele era tão inocente e adorável. Além de Celéstia, ele foi o único pônei que a abraçou, e mesmo que tenha sido um abraço em um de seus cascos, Luna apreciou aquele momento.

Era agora ou nunca. Luna não sabia nem mesmo o nome daquele pequeno pônei, e se ela voltasse para sua casa em Canterlot, talvez ela não o visse novamente. Seria devastador ela perder um amigo tão valioso como este.

“Criança, espere!” Luna chamou por ele.

“Sim, Princesa Luna?”

“Qual é o teu nome?

“É Pipsqueak, o pirata!” Ele exclamou, desembainhando sua espada de borracha com a boca e a girando no ar.

O coração de Luna derreteu com aquela cena. Ele mostrou a sua inocência, apenas apreciando a vida da forma como ela era.

“Bem, Pipsqueak. Tu vives aqui em Ponyville?”

“Sim, desde que deixei Trottingham.” Ele respondeu.

“E por que tu vieste para Ponyville?”

“Bem… eu.. errr…” Pip gaguejava, tentando esconder sua tristeza.

Luna caminhou até ele, sentando-se ao seu lado. Ela colocou um casco sobre suas costas, dando-lhe um tapinha reconfortante.

“Alguma coisa aconteceu com a minha família em Trottingham, então agora eu estou sozinho em Ponyville.” O pequeno pônei observava Luna com um olhar triste.

Luna estava chocada com o que acabara de ouvir. Essa era uma das coisas que ela mais destetava. Ficar sozinha. Dentre todos os pôneis, ela sabia melhor do que ninguém a sensação de ficar sozinho, e definitivamente não gostaria de ver Pip sentindo a mesma coisa. Agora ela estava morando com sua irmã, mas Pip simplesmente não tinha ninguém. Uma parte dela queria saber o que exatamente havia acontecido com sua família, enquanto que a outra não queria que ele se machucasse respondendo tais perguntas. A alicórnio decidiu deixar esse assunto para outra ocasião.

“Ei Princesa Luna, você gostaria de ver a minha casa?”

“Sim, mas por favor, me chame de Luna.”

Nisso, Pipsqueak deu um enorme sorriso e começou a caminhar até seu lar. Luna o seguiu, e eles pararam em uma pequena casa localizada a algumas quadras do Torrão de Açúcar.

Pip foi até um barraco e abriu a porta, entrando. Luna fez o mesmo, e a visão diante dela a rasgou por dentro. Era apenas um pequeno quarto não muito maior do que o banheiro. Havia apenas duas coisas: um colchão velho e um baú simples retangular de madeira. Havia uma outra porta, que levava até o pequeno banheiro extremamente apertado. Não era nada se comparado com o quarto real de Canterlot.

Pipsqueak sentou em seu colchão, olhando sorrindo para Luna.

“Então, o que você acha da minha casa?” Pip perguntou.

“É… linda…” Respondeu Luna fingindo um sorriso.

“Fico feliz que gostou!” Disse sorridente. Imediatamente, Luna se sentiu horrível por ter mentido para ele. Subitamente, um bocejo escapou de sua boca, evidenciando seu cansaço.

“Eu tenho que voltar para Canterlot agora.” Disse Luna com fadiga em sua voz. Ela receava a ideia de ter que voar de volta para o castelo.

“Ei Luna, quer ficar para a festa do pijama?”

Luna pensou sobre isso durante algum tempo. Ela sabia que isso poderia deixar sua irmã preocupada, mas definitivamente a alicórnio gostou da ideia de passar a noite em outro lugar que não fosse a sua casa.

“Sim. Nós.. digo… eu adoraria ficar.” Exclamou a Princesa.

Com isso, Pipsqueak pulou de emoção, afirmando o quão divertido seria. Luna apenas sorriu para o pônei malhado. Eventualmente, depois de algum tempo, ele parou.

“Primeiro eu vou tomar um banho.” Pip retirou sua roupa de pirata e guardou no baú. Antes dele fechar a tampa, Luna conseguiu observar o que tinha dentro. Havia apenas um saco de maçãs e alguns conjuntos de roupas. Luna viu Pip pegar uma pequena toalha e caminhar até o banheiro, onde fechou a porta.

“Hoje vai ser o melhor dia de todos!” Pip gritava emocionado. Ele já tinha em mente o que fazer ao lado de sua Princesa favorita. Eles iriam brincar, e ele mostraria a ela seu salto em pirueta sobre o colchão, um truque que aprendeu enquanto ficava entediado em sua casa.  “Princesa Luna vai amar!” Ele pensou.

Um fluxo de pensamentos e perguntas passavam pela cabeça de Luna novamente. O que aconteceu com sua família? Quem iria sustentá-lo? O que ele iria comer quando as maçãs acabassem? Quanto tempo ele aguentaria morar aqui? Como posso ajudá-lo a viver em um lugar melhor? Outro bocejo escapava de sua boca, interrompendo seus pensamentos. Ela sentou no colchão. Não era nada confortável se comparado com sua cama em Canterlot, mas estava bom por enquanto. No momento em que esperava por Pip, ela se deitou de costas no colchão, olhando para o teto. Mais pensamentos vieram novamente até ela, porém seu cansaço a impedia de prestar atenção em qualquer um deles. Tudo estava se afastando lentamente, com sua visão perdendo foco…

Pip saiu do banheiro, se sentindo refrescado. No entanto, ficou desapontado quando viu Luna dormindo. Ele queria brincar um pouco com ela antes de dormir. Então decidiu descansar também, deitando-se ao lado de Luna.

“Boa noite, Luna.” Ele falou em voz baixa, antes de adormecer em um sono profundo.

CAPÍTULO 2 – UMA NOITE MARAVILHOSA

Os raios da noite surgiam em tons alaranjados e quentes do sol que eram filtrados ao passarem pela janela levemente aberta, atingindo diretamente os olhos de Luna. Ao despertar de seu sono, ela notou duas coisas, primeiro a ausência de Pip e segundo que ela tinha que voltar para Canterlot o quanto antes para levantar a lua, ou sua irmã poderia enviar guardas para procurarem por ela. Na pressa, ela se esqueceu de Pip, saiu de dentro da casa e partiu imediatamente para Canterlot.

Poucas horas antes….

O sol de Celéstia ainda estava alto, e Pip despertou para ver que Luna continuava dormindo.

“Ei Princesa Luna, acorde! Eu disse a Pinkie que nós vamos fazer bolinhos hoje!” Pip exclamou, empurrando levemente Luna para frente e para trás. No entanto, a alicórnio permanecia em seu sono. Minutos passavam, e mesmo na insistência de tentar acordá-la, a Princesa não abria os olhos. Ele começou a desanimar, mas estava determinado a assar bolinhos com a sua princesa favorita. Ele esperou e esperou, mas ela ainda estava profundamente relaxada. Uma hora se passou, e agora ele estava desapontado. O pônei descansou sua cabeça em seus cascos, contando cada segundo que passava, na esperança de que ela fosse se levantar em breve. De repente a porta se abriu, com uma pônei rosa parada do lado de fora.

“Ei Pip, por que está demorando tanto?”

“A Princesa Luna ainda está dormindo.” Respondeu, olhando desanimado para Pinkie.

“Com o trabalho duro dela, é compreensível. Vamos nós primeiro, Pip!”

Pip apenas suspirou, enquanto seguia Pinkie Pie até o Torrão de Açúcar.

Luna travava uma batalha consigo mesma enquanto voava para casa, suas emoções estavam brincando com ela, e a Princesa se sentia totalmente terrível.

“Você apenas ficou na casa dele, e o deixou sozinho sem que o mesmo soubesse que estava partindo. E se acontecer um acidente com ele? Pip queria passar um tempo com você e tudo o que você fez foi dormir. Qual o problema com você? Você estava apenas usando ele. A Princesa da Noite usando um pônei terrestre. Você não deveria sequer ser chamada de Princesa.”

Luna só podia conter as lágrimas enquanto regressava para o castelo. Seu quarto já estava à vista agora, e ela decidiu voar diretamente para ele. Depois de tudo, ela não queria ver sua irmã ou um guarda real hoje.

“Vou apenas levantar a lua.”

Luna pousou na varanda, e começou a usar sua magia. Um brilho prateado emanou de seu chifre, e logo se tornou uma luz brilhante. Lentamente, ela levantou a lua até o céu. Em seguida, a alicórnio trotou para dentro de seu quarto, apenas para soltar um suspiro aborrecido ao ver sua irmã.

“O que você estava fazendo esse tempo todo, irmã? Estive preocupada.”

“Não é da sua conta.” Luna tentou ser difícil, não olhando diretamente nos olhos de Celéstia.

“Tem certeza que não quer dizer nada?”

“Sim irmã, não quero.”

“Qualquer coisa que você precisar, estarei aqui por você, tudo bem?”

Luna não respondeu o último comentário. Apenas deitou na cama, ouvindo a porta fechar lentamente. Ela olhava ao redor, e sua irmã não estava mais lá.

Uma luz brilhante caía sobre os olhos de Luna e a interrompia de seu sono. Ela olhou para fora, e o sol já havia se levantado. Então ela voou pra fora da janela, seguindo diretamente para Ponyville.

Agora a alicórnio estava apenas a um metro da porta da casa de Pip, e um monte de pensamentos passavam pela sua mente.

“Tudo bem até aqui, Luna. Apenas bata na porta e…”

“Luna!” A porta bateu na parede ao ser aberta, e Pip sorria enquanto corria até Luna se jogando em seus cascos dianteiros. Naquele momento, Luna não tinha palavras para se expressar. Ela tinha traído ele, e ainda assim Pip foi capaz de abraçá-la. Ela retribuiu o acariciando com o focinho, enquanto ele a liberava do abraço.

“Eu queria te acordar para fazer bolinhos comigo e com Pinkie ontem, mas você só continuava dormindo.”

“Eu… eu… peço desculpas.”

“Tudo bem. Entre Luna!” Ele pulava emocionado enquanto Luna se adentrava novamente em sua casa. A pureza de Pip deixou Luna com um sentimento de culpa ainda maior enquanto entrava em seu lar apertado.

“Ei Luna, eu vou brincar com Scootaloo, Applebloom e Sweetie Belle, quer ir também?”

“Onde tu vais jogar?”

“Nos campos entre as montanhas.”

“Tudo bem Pip, estaremos lá em dez minutos.”

Uma ideia gratificante veio em sua mente. Luna bateu suas asas, e se impulsionou para Canterlot, deixando Pip confuso. Voando em alta velocidade, ela chegou aos arredores da cidade em menos de cinco minutos.

“Guardas!” Gritava Luna com sua voz real. Um esquadrão inteiro de pegasus soldados voavam em direção a ela.

“Como podemos servi-la, majestade?

“Preciso de vós para fazer uma coisa, agora.”

A alicórnio voou de volta para os céus de Ponyville, procurando por Pip. Logo ela o avistou de longe junto de mais três pôneis. Eles pereciam muito familiar, e então as reconheceu como as pôneis que estavam no festival. Luna tocou suavemente o chão, deixando as três pôneis em estado de choque.

“Saudações, cidadãos.”

As Cutie Mark Crusaders apenas se ajoelharam, escondendo o rosto de medo.

“Relaxem, garotas, ela é muito legal. Assustadora, mas legal.”

“Pedimos desculpas por sermos tão… mesquinhas no festival.” O tom compassivo da Princesa foi definitivamente um contraste enorme com ela gritando no Festival do Halloween.

Mas logo, o desconforto entre elas diminuiu enquanto começavam a brincar. Jogar bola com as crianças a deixou tão feliz.

Havia uma alegria borbulhante em seu estômago, ela simplesmente não sabia explicar, era uma sensação como se desejasse que aquele momento durasse pra sempre. Elas jogaram até a noite, e as Cutie Mark Crusaders voltaram para casa. Luna sabia que com o sol se pondo era o sinal para voltar para Canterlot e levantar a lua, mas ela simplesmente não podia retornar, ainda…

“Pipsqueak, você tem que voltar para casa agora.”

“Vai voltar para Canterlot de novo, Luna?”

“Ainda não, primeiro irei te acompanhar até sua casa.”

Eles estavam agora a poucos passos da casa de Pip. Luna esperava que os guardas reais tivessem feito tudo certo, e ela não podia esperar para ver a reação dele. Pip apenas caminhou até a porta, e ao abri-la…

Seu queixo caiu.

Uma lágrima de alegria escapava dos olhos de Pip. Luna decidiu que se ela não podia mudar o tamanho da casa, mudaria todo o resto. A sala inteira foi pintada com uma cor azulada, e o chão de madeira simples se tornou um tapete de lavanda. O colchão foi substituído por um dossel de veludo, e o baú, por um armário moderno. Havia também um mini frigorífico e um pequeno forno de microondas em cima dela. Ele correu para o armário novo e o abriu, onde além de todos os seus pertences, também estavam incluídos alguns brinquedos extras. Pip estava circulando e saltitando por toda a casa num êxtase que não podia expressar em palavras.

“Esperamos que você tenha gostado!”

“Se eu gostei? EU AMEI!!” Pip pulou em cima dela e lhe deu um forte abraço, fazendo suas bochechas corarem.

Temos que ir agora, voltaremos amanhã.”

Pip sorriu para ela, enquanto saía da casa, dando-lhe um último sorriso caloroso enquanto Luna e os guardas partiam para Canterlot.

Compreender e perdoar

Trixie

Autor: Mr.Grimm

Ilustração: Lilalá Star

Gênero: Slice of Life

Tradução: Lucas T.

SINOPSE: Trixie reflete sobre suas ações após a derrota no duelo mágico contra Twilight, acreditando que ninguém jamais a perdoaria pelo ocorrido. Mas dois de seus maiores fãs a ajudarão a mudar de ideia.

——

Trixie não se sentia mais a grande e poderosa enquanto se esgueirava lentamente para longe da praça central. Ao invés disso, sentia uma imensa sensação de vulnerabilidade enquanto se escondia da multidão de Ponyville, onde encontrou refúgio dos olhos do público em um pequeno beco. Uma vez nas sombras, a unicórnio mágica se sentou, olhando para Twilight e suas amigas enquanto elas eram cercadas por pôneis as aplaudindo. Embora ela observasse os elogios e carinhos que todas recebiam, pela primeira vez isso não causou nenhuma inveja nela. Sua mente ainda estava em choque, seus pensamentos cambaleando em sua cabeça como partículas em um globo de neve.

Trixie ainda estava tentando entender o que tinha acontecido. A unicórnio olhava fixamente para fora, nos pôneis que ajudaram Twilight a impedir o domínio de Ponyville. Agora ela entendeu o que aconteceu. O feitiço da idade foi simulado com vários pôneis diferentes, passando a ideia de que era o mesmo pônei. O feitiço que duplicou Rainbow Dash foi feito praticamente da mesma forma, duas pegasus se parecendo com apenas uma. O semblante de Trixie caiu em uma carranca enquanto as últimas brasas de seu orgulho desapareciam.

Elas a derrotaram com mágica de palco, cheio de truques, algo em que Trixie deveria ter sido boa.

Boquiaberta e em silêncio, a unicórnio azul se afastou da praça da cidade e da massa de pôneis atrás dela conversando um com o outro. Ela não os escutava mais. Trixie pressionou suas costas contra a parede, olhando fixamente para frente. Os eventos que haviam acontecido momentos antes voltavam mais e mais em sua mente. No final, mais poder não mudou absolutamente nada. Ainda assim ela acabou sendo humilhada novamente. Mas não por Twilight Sparkle.

Trixie fechou os olhos, os cobrindo com os cascos. Estúpido. Simplesmente estúpido. Essa era a única forma como ela conseguia definir sua derrota. Trixie caiu facilmente nessa armação, sem nem mesmo desconfiar. A unicórnio azul estava tão segura de si, tão confiante em suas habilidades, que acabou agindo como uma boba. Ela poderia ter negado a entrada de Twilight para a cidade recém chamada de “Trixieville” e evitado toda aquela situação, mas não.

Trixie olhava de volta para Twilight e suas amigas, agora todas unidas em um único abraço. Presenciando a demonstração de carinho entre elas, a unicórnio passou a comparar suas próprias atitudes para com as amigas de Twilight. Ela não havia sido gentil com elas, as questionando sobre o porquê de terem ficado do lado de Twilight, após sua humilhação durante o incidente com a ursa menor. Mas agora, depois de recordar, a unicórnio se lembrou que não havia sido gentil com qualquer um dos cidadãos de Ponyville. Tão duro quanto ela pensava, Trixie não poderia encontrar uma forma de justificar seu comportamento.

Uma lágrima escorria pelo seu rosto. Nada. Não havia nenhuma razão para ela ter agido daquela forma. Seus lábios se separaram, deixando um soluço silencioso se propagando pelo beco escuro. Ela tinha sido cruel com todos.

Trixie os forçou a confecionar banners, estátuas, até mesmo um trono, sendo que ela poderia ter feito tudo isso facilmente com o poder do amuleto. Ela se lembrou de tudo o que tinha feito naquele dia e, a cada pensamento ela se sentia mais e mais pesada.

A unicórnio fungou. Ela merecia os longos e solitários anos que viriam após esta derrota. As notícias iriam se espalhar sobre seus atos, assim como da última vez. Ela não seria aceita em qualquer lugar perto da civilização. A grande e poderosa Trixie nunca iria se realizar novamente, ou apresentar um show.

“Trixie?”

A unicórnio olhou para cima e viu outros dois unicórnios de pé, situados no lado de fora do beco, um alto e magro, o outro curto e robusto. Trixie sentia a culpa como uma facada em seu coração enquanto olhava para eles. Ela os fez puxarem um vagão sem rodas pela cidade. Por isso estava surpresa com eles ainda serem capazes de falar com ela depois de tudo o que os fez passarem.

“Ei Trixie, o que está fazendo aqui?” Perguntou Snips. Trixie se afastou deles.

“Escondendo…” retornou a voz baixa e triste das sombras. Um minuto se passou, e os dois potros ainda permaneciam lá. Snails inclinou a cabeça ligeiramente.

“Por que?”

“Porque… eu sou uma pônei estúpida e arrogante.” A unicórnio recuou um pouco mais para dentro do beco, querendo apenas que eles fossem embora. Mas eles não foram. Em vez disso, eles entraram no beco e se sentaram na frente dela. A unicórnio azul escuro ficou ainda mais surpresa quando não viu qualquer ódio em seus olhos. Eles apenas tinham o mesmo entusiasmo e respeito de sempre enquanto olhavam para ela.

“Não se preocupe, Trixie.” Disse Snails. “Vai ficar tudo bem”

“Essa poeira toda vai baixar até amanhã.” Acrescentou Snips. Trixie olhou para os dois. Ela sabia que eles não eram muito espertos, mas ainda assim inteligentes o suficiente para entenderem a gravidade do que ela fez.

“Eu… não acho que irão se esquecer disso tão cedo…” Trixie respondeu rouca.

“Claro que vai…” Respondeu Snips. “E ficará tudo bem.”

“Como da última vez quando trouxemos a ursa menor para a cidade.” Disse Snails.

Sim.” Continuou Snips. “Eles ficaram bravos com a gente por um tempo, mas passou.” O sorriso dos dois não foi suficiente para consolar a unicórnio. Ela tinha tomado e escravizado uma cidade inteira. Trixie duvidava que isso poderia passar.

“Snips, Snails…” Ela suspirou. “Vocês não entenderam. Eu fui terrível com todos e eu…” Trixie não conseguia se expressar com palavras, referente à forma como ela agiu. Doía pensar sobre o que ela tinha feito.

“A culpa não foi toda sua.” Disse Snips. “Twilight disse que o amuleto mexeu com sua cabeça.” Os ouvidos de Trixie se levantaram, e ela olhava arregalada para o potro azul.

“O que?”

“Ela disse que o amuleto estava te corrompendo ou algo assim.” Disse Snails. O semblante de Trixie mudou ao refletir sobre isso. Se o amuleto era corruptível, poderia explicar seu comportamento desagradável para com os habitantes de Ponyville. Porém, ao invés de se sentir aliviada pela possibilidade de sua crueldade não ter sido culpa dela, Trixie começou a sentir horrorizada. Até que ponto ela chegou antes que pudesse parar? Como ela pôde se tornar tão distorcida?

“E você lamenta, certo?” Trixie piscou quando foi tirada de seu transe pela pergunta, voltando a olhar para os dois unicórnios.

“Mas é claro que sim.” Ela murmurou, com uma expressão de tristeza. “Me sinto terrível.”

“Tudo bem.” Disse Snails. “Eu te perdoo.”

 “Eu também.” Acrescentou Snips.

Trixie se surpreendeu com os dois. Ela percebeu que em nenhum momento eles vieram até ela para demonstrar que a odiaram pelo que fez, mas sim para fazê-la entender que eles a perdoaram. Trixie achava que isso seria impossível.  Ela procurou por algum traço de sarcasmo no semblante dos dois, mas não achou nada.

“Mesmo?” Murmurou uma vez que encontrou sua voz novamente. “Vocês… me perdoam?”

“Sim.” Disse Snails.

“Claro.” Acenou Snips.

A fria vergonha que dominava Trixie foi diminuindo aos poucos, dando lugar a um calor que emanava de seu peito. Sua carranca assumiu um leve sorriso.

“Obrigada…” antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, já tinha os dois em um abraço. “Muito obrigada.” Ela disse enquanto os dois se afastavam. Após alguns minutos, Snips limpou a garganta e deu um sorriso tímido.

“Tudo bem.” Ele disse. “Você quer ir conosco para a festa de hoje à noite?”

Trixie olhou hesitante para todos os pôneis na praça. Ela não sabia se eles a perdoariam como Snips e Snails.

Mas ela jamais saberia se não tentasse, e além disso, também precisava se desculpar com uma certa unicórnio roxo, Twilight. Ela olhou de volta para Snips e sorriu levemente.

“Eu… vou com vocês!”