O que realmente importa

Autor: Fidelis

Tradução: Drason

Sinopse: O que você faz quando sente que seus sonhos jamais serão alcançados, quando tudo o que você queria na vida é ignorado ou ridicularizado? o que faz você seguir em frente?

O sol estava levantando no horizonte, aquecendo as árvores e os campos com seu brilho suave da manhã. Era um símbolo de rejuvenescimento, enquanto as criaturas começavam a acordar para o início de um novo dia. Os pássaros cantavam, as criaturas da floresta corriam animadas, e pôneis começavam a preparar suas refeições da manhã.

Todos os pôneis, exceto uma. Ela caminhava solenemente ao longo de uma estrada de terra vazia, sua crina e pele uma vez bela agora estavam muito mal cuidadas. Seu chapéu ornamentado com estrelas há muito havia caído e deixado para trás, e a capa estava rasgada. Ela mantinha a cabeça baixa, mal olhando para onde estava caminhando, às vezes deixando para trás uma mancha molhada na estrada, enquanto uma lágrima caía de seu rosto.

Ela esteve viajando a noite toda. No começo estava correndo, mas teve que relutantemente diminuir para apenas um passeio, ao ficar sem energia. Tudo o que ela queria era continuar correndo para longe, longe de toda a dor que havia destruído sua carreira.

Ela contava histórias inacreditáveis para pôneis, em todo o lugar que ia, e eles geralmente acreditavam. No entanto, dessa vez foi diferente. Uma pônei havia desmascarado seu show na frente de uma cidade inteira.

Então ela corria. Corria sem olhar para trás, tentando não pensar sobre isso. Inevitavelmente, porém, ela pensava. Quando suas lembranças voltavam para aquela cidade horrível, ela chorava. Tentava conter as lágrimas, mas quanto mais se esforçava, pior elas ficavam. Depois de um tempo, seus dutos lacrimais secaram, e só era capaz de produzir algumas lágrimas de cada vez.

Com um suspiro pesado, ela saiu da estrada e caiu debaixo de uma árvore, escondendo o rosto em seus cascos e, finalmente, deixando a agonia seguir o seu curso. Através da agitação e do choro, ela não percebeu que estava sendo observada.

Um grunhido suave começou e ela olhava em volta. Não vendo ninguém, deitou a cabeça no chão apenas para ter que levantar novamente depois de ouvir outro grunhido.

“Aqui em cima.” Disse uma voz baixa. Ela olhou para cima e viu um pegasus laranja sentado nos galhos acima de sua cabeça. Ele tinha uma crina curta laranja escura com duas listras vermelhas. Sua longa cauda laranja se contorcia enquanto pairava sobre o galho. O que chamou atenção, no entanto, foram seus olhos. Eles eram laranja, assim como o resto dele, mas também suave e parecia mostrar sinceridade enquanto observava.

“Qual o problema?” Ele perguntou.

“Isso não lhe diz respeito.” Ela respondeu vacilante,  deitando a cabeça em seus cascos novamente. Mas se assustou quando um par de cascos laranjas pousaram em sua frente.

“Acho que não, mas você realmente não parece bem e talvez eu possa ajudar.” Ele disse, abaixando sua cabeça para se encontrar com os olhos dela. “Poderia pelo menos saber qual é o seu nome?”

“Como você não sabe meu nome? Eu sou simplesmente a melhor unicórnio de Equestria!“ Ela disse alto, incrédula. “Eu sou a grande e…” Sua voz começava a falhar. ”Eu sou Trixie.” Falou baixo depois de uma curta pausa.

“Algo como a grande e poderosa Trixie?” O pegasus perguntou. “A unicórnio que pode derrotar qualquer pônei em um desafio? Que derrotou uma ursa maior facilmente e… “ Ele foi interrompido por outro soluço.

“Trixie não é nada disso.” Ela disse suavemente. “Trixie mentiu e enganou os outros para tentar ser famosa. E acabei pagando por isso com humilhação e tristeza.

“Ei, não pense assim. “ Um casco laranja se estendia para Trixie. “Meu nome é Sun Dancer. Venha, quero te mostrar uma coisa.”

Trixie olhava para o casco de Sun Dancer por um momento antes de aceitar lentamente. Ele a ajudou a se levantar e então começaram a caminhar pela floresta, onde o pegaso fazia um sinal para que ela o seguisse. A unicórnio olhava em volta um pouco nervosa antes de segui-lo com cautela.

Depois de caminharem pouco mais de cem metros, eles se depararam com um imenso campo além das árvores. A grama verde estava repleta de pequenas flores e arbustos, e também havia várias casas, sendo uma delas bem rústica. A tinta verde clara estava descascando e o telhado de palha parecia que já teve dias melhores, mas ainda assim conseguia denotar aconchego.

“Esta é minha casa.” Disse Sun Dancer. “É pequena, mas confortável.“ Ele caminhava para frente enquanto abria a porta, segurando aberta para Trixie.

Ela seguiu devagar até a porta, olhando Sun Dancer antes de entrar. Imediatamente ofegou enquanto seus olhos se ajustavam à fraca luz.

Nas paredes havia muitos pôsteres referentes ao show da Trixie. Cada um correspondente à cidade onde ela apresentou, mesmo a partir de seus primeiros dias como apresentadora.

“O que… o que é isso?” Ela perguntou, olhando de volta para Sun Dancer.

Ele caminhou lentamente ao redor da sala, olhando para os cartazes de Trixie, enquanto falava.

“Eu sei que você não é exatamente o que diz ser. Trapaceando em seus desafios certamente não foi a melhor coisa que você já fez. Você não vivenciou as aventuras de que tanto se vangloriava. De qualquer forma, a questão não é sobre a linha divisória entre realidade e ficção. É sobre como você decide contar a história.” Sun Dancer virou para Trixie novamente.

“Então, você não se importa se eu menti sobre tudo isso?” Ela perguntou.

“Nem um pouco.” Ele respondeu. “O que os outros pôneis pensam de você é irrelevante. O que importa é o que você pensa de si mesma. Você deixa a opinião alheia e o status controlar sua vida?”

Trixie olhava ao redor novamente, se vendo nos cartazes que ela outrora utilizava apenas como um meio de ganhar popularidade. As contrações de um sorriso minúsculo tocava seus lábios, e ela olhava para Sun Dancer novamente.

“Obrigada.” Ela disse. “Acho que entendi em que parte errei. Não devo criar expectativa de retorno, foi por isso que sempre menti, como também foi isso que sempre me impediu de crescer.” A tristeza em seus olhos desaparecia e foi substituído por algo brilhante enquanto ela pensava sobre o que iria fazer em seu próximo show.

“Lembre-se Trixie, qualquer limitação ou qualquer solução está dentro de cada um de nós. Nós sempre teremos que enfrentar marés agitadas, mas se tivermos humildade, fé e acreditarmos em nós mesmos, teremos ferramentas e habilidades para embasar nossas decisões e fazer a escolha certa.”

“Mas afinal, quem é você??” Perguntou Trixie.

“Sou o guarda florestal. Agora vá, seus pais devem estar preocupados.”

Trixie acenou sorrindo em gratidão e então partiu de volta para a floresta, enquanto que o arcanjo de Celéstia se preparava para ajudar outro pônei.

Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim. (Chico Chavier).

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Dia de circo – Parte 5

Título original: Circus Day

Tradução: Lucas T.

Autor: Dragon Warlock

[Parte anterior]

Alexis levitou um balde de água e jogou no fogo espalhado por Spike. Ele olhava para o chão sentindo remorso pelo que fez. “Desculpe por tudo, Marik.” Disse o bebê dragão. “Não queria ter feito isso no seu escritório.”

“Está tudo bem Spike.” Disse o mestre de cerimônia friamente. “Você fez a escolha certa, eles não te mereciam.”

“Não se preocupe Spike.” Disse Pierce em um tom também frio. “Depois de tudo o que fizeram, você está melhor conosco.”

“Você merece melhores amigos do que elas.” Disse Larry amargamente.

“Fique tranqüilo Spike.” Disse Alexis com uma voz fria.

Spike estava imaginando porque todos ficaram tão frios repentinamente. O bebê dragão nunca os tinha visto assim antes. Ele pensava que todos estavam zangados da forma como Twilight e os outros o tratavam. Então imediatamente deixou de demonstrar preocupação e forçou um sorriso.

“Agora você é um de nós.” Disse Marik com sua voz tranqüilizante. “Você ficará na cabine de um vagão assim como todos nós. Venha, vou levá-lo até ele.”

Spike seguiu Marik, deixando sua barraca e caminhando até os vagões. O mestre de cerimônia e o dragão passavam pelas barracas que agora estavam fechadas com alguns empregados limpando a sujeira espalhada pelo chão. Spike foi até a quinta cabine que era na cor azul com alguns detalhes em amarelo dourado do lado de fora. Quando ele entrou nela, viu que o interior tinha uma cama do tamanho da de Twilight com um cachecol vermelho nele e um grande travesseiro azul, um pequeno armário para guardar as roupas e outros acessórios para os shows, e uma mesa com um relógio sobre ele fazendo tic-tac suavemente.

“Bem vindo ao seu novo lar Spike.” Disse Marik. “Por favor, sinta-se a vontade. Quero que você me encontre daqui uma hora no meu escritório para planejarmos uma forma de melhorar suas apresentações.”

Spike acenou e viu o mestre de cerimônias saindo da cabine e fechando a porta. Era um sonho se tornando realidade para Spike, ele não apenas fez novos amigos, mas agora era também um artista. Spike decidiu deitar na cama, se sentindo tão relaxado como se estivesse em uma nuvem. Os cobertores eram de seda e o travesseiro tão macio que Spike sentia prestes a cair no sono instantaneamente. Por um tempo Spike olhava pela janela observando sua nova vida. Se sentia satisfeito, mas outra parte dele se sentia culpado pelo ocorrido.

“Pare de pensar neles.” Spike dizia para si mesmo. “Depois do que elas fizeram pra mim, foi o correto.”

Ele observava pela janela as nuvens passando pela lua, se lembrando do conto sobre a égua na lua. De repente ele viu a face de Twilight em sua mente, e pulou. Ele sentia o coração acelerar um pouco e balançava sua cabeça.

“Não.” Spike disse para si mesmo. “Elas não são minhas amigas, nunca foram.”

Spike decidiu sair da cabine para tomar ar fresco. Ele olhava pelos arredores, passando por várias barracas, até ver uma que vendia maçã caramelizada.

“YEE HAW!” a voz com sotaque de Applejack gritou em sua mente. O bebê dragão pegou uma maça caramelado e jogou em um cesto de lixo em pânico.

Spike balançava sua cabeça e continuava andando. Ele passou por um cone de neve que tinha um arco-íris na parte superior da placa. De repente imaginou Rainbow Dash passando zunindo por ele. O dragão olhava ao redor para ter certeza de que não estava sendo observado.

Spike começava a se sentir frustrado, passando a andar rápido. Ele foi até onde os animais estavam, e viu uma gaiola com pássaros. Isso fez Spike se lembrar da primeira vez que viu Fluttershy ensaiando uma canção com seus pássaros.

Zangado, Spike correu para fora da ala dos animais sem ver para onde estava indo, e acabou se chocando com uma das barracas. O dragão resmungava enquanto se levantava, observando que era uma barraca de vender balões. Alguns eram azuis e outros amarelos. A imagem o fez se lembrar de Pinkie Pie por alguns segundos. Ele olhava em pânico achando que ela poderia aparecer do nada.

“Por que não consigo tirá-las da minha cabeça?” Spike chorava alto. “Por que continuo vendo elas? Elas não são minhas amigas!”

Spike corria de volta para sua cabine, mas acabou tropeçando em alguma coisa. Ele se levantou e pegou o objeto que era uma grande jóia em forma de diamante, provavelmente de algum cliente que deixou cair. No que estava prestes a comê-lo, a imagem de Rarity veio em sua mente, e ele largou a jóia. Colocando as duas mãos na cabeça ele chorava em frustração por alguns segundos. Então tirou as mãos da cabeça sentindo muito remorso pela forma como falou com elas.

“Talvez… talvez eu tenha sido muito severo com elas.” Disse o bebê dragão. “Digo, elas não eram minha melhores amigas, mas acho que fui longe demais. Preciso conversar com Marik.” Ele se levantou e foi até o escritório do mestre de cerimônias.

Twilight e os outros estavam sentadas próximas da floresta Whitetail esperando pelo retorno de Rainbow Dash. Todas estavam inquietas enquanto esperavam pela pegasus azul.

 “Quanto tempo vocês acham que ela vai levar pra voltar?” Perguntou Applejack.

“Espero que não muit…” Twilight foi interrompida por um deslocamento repentino de ar.

“Ei… voltei.” Dizia Rainbow tomando fôlego. Ela entregou um pergaminho para Twilight que levitava para o grupo. Lentamente a unicórnio o desenrolou e começou a ler.

“Querida Twilight Sparkle, minha aluna mais dedicada,

Eu lamento informar que o grupo de pôneis que você descreveu é na verdade um bando de criminosos procurados. Eu incluí nesta carta um cartaz que tem as descrições físicas e os verdadeiros nomes de cada um deles.

Sua mentora, Princesa Celéstia.”

As seis pôneis suspiraram espantadas e correram o mais rápido possível em direção ao circo.

“Espero que não estejamos atrasadas.” Twilight pensou.

Spike corria até o escritório do mestre de cerimônias, e mesmo que estivesse adiantado para o encontro, o dragão precisava conversar com ele. “Marik?” Spike perguntou entrando na tenda. “Posso falar com você por favor?” Ele não ouviu respostas e percebeu que o escritório estava vazio. “Marik? Onde você está?”

Ele foi até a mesa do mestre de cerimônias, onde viu algo que chamou sua atenção. Havia várias fotos de animais como o leão do show, um macaco que estava pendurado em um galho de árvore, e alguns pássaros como aqueles que viu em uma gaiola. Cada um tinha um “X” na cor vermelha na parte de trás dessas fotos.

No meio da mesa havia uma foto de Ponyville com alguém andando nas ruas. Spike olhou mais de perto e viu que era ele arrastando o livro de Twilight para a biblioteca e que a foto tinha um grande círculo vermelho ao redor dele. Então o dragão percebeu um pedaço de papel com outro “X” vermelho e um círculo na mesma cor onde estava escrito: X VERMELHO = ALVO. CÍRCULO VERMELHO = CAPTURADO. Spike olhou espantado e em pânico. Ele tentou deixar a barraca e partir para Ponyville, mas foi golpeado por alguma coisa em sua cabeça, ficando inconsciente.

Spike gemia enquanto abria seus olhos. Tudo parecia embaçado, e estava muito escuro. O dragão enxergava com dificuldades alguns assentos de longe, e percebeu que estava na arena de apresentação. Ele tentou se mover, mas percebeu que estava amarrado em uma mesa de madeira.

“Olá Spike.” Disse uma voz fria e ameaçadora. “Que bom que você foi no meu escritório bem na hora.”

Spike viu Marik sair das sombras enquanto caminhava, mas ao invés do sorriso gentil de antes ele estava com um sorriso de satisfação com os olhos brilhando. Os outros artistas vieram logo atrás, cada um com olhares frios.

“O que está havendo aqui?” Perguntou Spike meio nervoso.

“Por que Spike,” Disse Marik. “Nós apenas queríamos te ajudar com sua última apresentação.”

Spike olhava nervosamente enquanto todos observavam friamente.

“É apenas uma pena que você descobriu nosso segredo tão cedo.” Disse Alexis com sotaque de Manehatan.

“O que querem dizer? Por favor, eu esqueço de tudo o que vi aqui, apenas não me machuquem.” Implorou Spike.

Marik soltou um sorriso sinistro enquanto balançava a cabeça. “Temo que isso não será possível Spike, não podemos nos arriscar agora.”

Spike estava suando em pânico enquanto tentava se soltar, mas sem sucesso novamente. “Mas o que vocês querem afinal?” Perguntou Spike medrosamente.

“Não há problemas em dizer a ele chefe.” Disse Pierce. “Ele vai ficar enjaulado mesmo”

“Eu concordo com o Max.” Disse Larry.

“Max?? Quem… quem são vocês afinal?” Perguntou Spike.

Marik olhou para ele e soltou um suspiro. “Muito bem então, permita-me lhe apresentar meus amigos.”

“Este, como ouviu, é Max.” Disse apontando para Pierce. “Ele é nosso vistoriador que procura alvos.”

“Este é Samuel.” Larry reverenciou sorrindo. “Ele é o atirador do nosso grupo.”

“Diga olá para Maria, é ela que coloca armadilhas para nossos alvos.”

“E eu sou Alec, o líder desse grupo.” Disse Marik.

“Mas… mas o que vocês todos fazem?” Perguntou Spike.

Marik sorriu e disse, “De dia nós somos meros apresentadores de circo, mas a noite caçadores de animais.”

Os olhos de Spike arregalaram de medo, ele tentava dizer alguma coisa, mas não conseguia, então Marik continuou.

“Nós nunca dizemos a você o que aconteceu com nossos pais. Eles eram caçadores e amigos. Juntos, eles capturavam muitos animais e vendiam para o mercado negro. Leões, tigres, mantícoras e até dragões.”

“Nós fomos ensinados desde jovens como capturar animais usando vários truques. Mas Princesa Celéstia não gostava do que nossos pais estavam fazendo e mandou prendê-los. Sabendo que seriam pegos, eles se desesperaram e nos levaram para um orfanato horrível. Dias depois ficamos sabendo que nossos pais foram presos. Apesar de tudo, nós ficamos juntos e depois de obtermos nossas marcas especiais com o show nós deixamos o orfanato. Como aprendemos a enganar outros pôneis, nós continuamos o trabalhos dos nossos pais.”

“Depois nós fugimos para Phylifelfia onde vimos um circo de propriedade de Fred. Ele nos aceitou no circo e mudamos nossos nomes para não atrair suspeitas. Após sermos aceitos começamos a nos unir secretamente para praticarmos nossas habilidades de caça furtiva. Nós praticávamos a noite toda e depois voltávamos para descansar antes do dia começar. Fred descanfiou de nossas apresentações desleixadas em função do cansaço e mandou alguns de seus funcionários ficarem de olho em nós, onde nos flagaram capturando um jacaré. Quando Fred e os outros artistas nos confrontaram, ele estava furioso e disse que iria chamar os guardas reais. Então Maria usou um feitiço poderoso de apagar memórias em todos os funcionários, onde nós finalmente nos apoderamos do circo inteiro.” Spike estava se sentindo arrasado.

“Depois de tudo isso, nós saímos de Fillydelphia e por oito anos trabalhamos no circo e montávamos armadilhas de caça ilegal em várias regiões. Nós já fomos pegos em flagrante caçando animais, por isso mudávamos nosso nome e aparência constantemente.”

“Decidimos ficar pelos arredores de Whitetail quando soubemos que uma mantícora estava nessa área. No entanto, por pura sorte, quando eu estava na cidade comprando filme para a câmera, vi você. Eu o segui e te observei entrando na biblioteca. De início tentei te capturar, mas havia muitas testemunhas nas ruas então preferi esperar a noite. Assim, eu iria invadir a biblioteca pela janela pra te pegar, mas então escutei o desejo que você fez e aproveitei para fazer um plano. Max fez os panfletos que você viu, então Maria usou sua mágica para fazer multiplas cópias dele e espalhar pela cidade. Por fim esperei até o amanhecer para bater em sua porta, onde assisti você se apaixonar pela idéia de ir ao circo.”

Spike não podia acreditar no que estava ouvindo, e não tinha ideia do que dizer, até finalmente conseguir falar alguma coisa. “Mas…. por que eu? Existem muitos outros dragões que… ”

Alec balançou a cabeça e riu do que Spike disse. “Está errado, meu amigo. Você é muito valioso para nós. Dragões púrpuras são raros. Suas escamas possuem elementos mágicos que podem aumentar a magia de unicórnios em até dez vezes. Nós conhecemos unicórnios que adorariam ter escamas como as suas.

“E agora…” Alec pegou uma ferramenta de puxar escamas e caminhou lentamente até Spike. “Está na hora de pegarmos algumas.”

O bebê dragão derramava lágrimas. “Eu sinto muito, Twilight.“ Ele pensou consigo mesmo fechando os olhos, esperando o inevitável.

De repente, um zumbido no ar atingiu a ferramenta que Alec segurava, fazendo ele gemer de dor. Spike abriu os olhos e viu Alec e os outros sendo atingido por maçãs.

“Acabou, Alec.” Disse uma voz.

Alec, os artistas e Spike se viraram para ver que era Twilight e os outros com olhares furiosos. Spike chorava de alegria e sorria ao mesmo tempo.

Alec se virou para elas com um brilho intenso em seus olhos. “Não sabem que o público deve permanecer em seus assentos jovens?” Disse ironicamente.

“Poupe suas palavras para seu julgamento!” Gritou Applejack.

“Eu disse uma vez, e vou dizer de novo. Nunca abandono meus amigos!” Disse Rainbow Dash.

“Como se atrevem a fazer isso com Spike seus bandidos?” Gritou Rarity. “Vocês vão aprender uma lição que jamais esquecerão!”

“Você vão ser nocauteados no estilo Pinkie Pie!” Disse a pônei rosa com um sorriso.

“Ninguém machuca meus amigos!” Disse Fluttershy com uma voz severa.

Alec apenas olhava para elas com um sorriso irônico. “Bem… se as tolas querem ter o pior show de suas vidas, teremos o prazer em lhes dar.”

Samuel agarrou uma bolsa cheia de facas de arremessar e pulou em um monociclo. Max voou até o topo da tenda. O chifre de Maria brilhou fazendo Twilight e suas amigas fecharem os olhos. Alec foi até a jaula do leão, pegando seu chicote e golpeando os pés dele. O animal levantou o obedecendo, e ficou perto de Spike para garantir que ele não escaparia. Os dois grupos estavam se encarando.

Max voava no topo da tenda com Rainbow Dash atrás dele. Os dois pegasus estavam em uma incrível velocidade enquanto manobravam próximos do teto. Rarity e Twilight se esquivavam dos raios de energia lançados por Maria. Elas usavam suas magia para levitar objetos e arremessar na unicórnio azul escura. Pinkie Pie estava pulando longe do monociclo, se esquivando das facas lançadas por Samuel. Applejack viu o leão partir pra cima dela e se esquivou de suas garras. Fluttershy estava tentando conversar com o animal para acalmá-lo, mas sem sucesso. O leão rugiu alto e jogou suas garras em Applejack, mas ela pulou em cima do pescoço do leão e segurou sua juba para tentar controlá-la.

Applejack foi arremessada pelo leão e caiu perto da mesa de Maria cheia de acessórios, onde viu uma corda. Ela girou e arremessou nas pernas do leão, as amarrando juntas. Applejack observou o leão indo para o chão, causando um pequeno tremor. Ela se aproximou, acreditando que o havia derrotado, mas o leão rugiu rasgando a corda. Applejack aproveitou essa oportunidade mais uma vez para montar nele.

Maria continuava com seus raios de energia com Twilight e Rarity se esquivando. Twilight levitou e arremessou um monociclo por trás de Maria, que a acertou em cheia. Lentamente ela se levantou e contra-atacou levitando e arremessando duas jaulas de animais vazias. Twilight e Rarity se esquivaram com facilidade, mas perceberam Maria com um sorriso irônico em seu rosto. Elas foram surpreendidas por outras duas jaulas que as atingiram e as derrubaram no chão. A unicórnio azul escuro finalizou as atingindo com os raios de seu chifre. As unicórnios roxo e branco se levantaram um pouco atordoadas, mas seus chifres brilharam e elas voltaram a atacar Maria.

Rainbow foi capaz de alcançar Max e agarrá-lo. Ambos começaram a lutar em pleno ar. De repente eles chegaram no topo da tenda e se separaram. Rainbow ficou um pouco desorientada e notou ter perdido Max de vista.

Pinkie Pie desviava enquanto Samuel jogava várias facas nela. Então a pônei rosa chutou algumas bolas na direção dele, que conseguiu se desviar.

Fluttershy não sabia o que fazer, nem quem ajudar. Aproveitando sua distração, Alec golpeou a pegasus amarela, a derrubando no chão. O mestre de cerimônias olhava com um sorriso irônico e voltou até Spike enquanto observava a luta.

Spike olhava suas amigas enquanto estavam lutando, e não podia acreditar que mesmo depois de tudo o que ele disse elas voltariam por ele. Enquanto Alec observava, o bebê dragão teve uma idéia. Ele inalou e então cuspiu uma grande rajada de fogo nas correntes que o prendia, fazendo Alec pular de susto. Quando a chama se dissipou as correntes entortaram um pouco, mas não o suficiente para libertar Spike.

“Tolo!” gritou Alec. “Você não vai conseguir derreter essas correntes de aço tão facilmente!”

Spike olhou para ele, e inalou novamente para lançar outra chama. Alec tentou pará-lo, mas foi atingido por uma maçã na cabeça. O mestre de cerimônia viu que era Fluttershy levantando lentamente e rosnando. Ele estava prestes a avançar contra ela, mas então se lembrou de Spike, virando-se para ele. O dragão acabou soprando uma enorme chama nas correntes, enquanto agradecia à Celestia por ter escamas à prova de fogo. As correntes finalmente derreteram libertando o dragão que caiu em pé no chão. Alec ficou com um olhar furioso, e avançou contra o dragão, mas Spike pulou para o lado e o mestre de cerimônias se chocou com a mesa onde ele estava preso, caindo inconsciente. Então Spike viu os acessórios na mesa que Maria usava no show de mágica, e foi até o bracelete que fazia os poderes serem anulados. Spike o pegou e caminhou até onde Maria estava lutando com Twilight e Rarity. Todas as três unicórnios estavam ofegantes e exaustas com a luta. Então maria levitou um baralho com várias cartas.

“Tomem essas cartas afiadas!” Ela gritou.

Maria lançou várias cartas nas duas unicórnios que se desviavam, uma delas atingiu Rarity na cabeça de raspão. Nisso Spike ficou furioso e pulou contra suas costas, a segurando. Ela balançava violentamente para se livrar de Spike. O dragão usou suas garras para não se soltar e conseguiu alcançar a cabeça dela, colocando o bracelete em seu chifre. Com um último esforço, Spike foi arremessado contra a mesa de Maria. Ele viu a unicórnio azul escuro com um olhar frio.

“Não é nada agradável aborrecer um mágico.” Ela disse friamente.

Ela tentou lançar mágica nele, mas nada aconteceu, foi onde percebeu que o bracelete estava em seu chifre.

“Twilight! Rarity! Agora!” ele gritou.

Maria se virou e viu as duas unicórnios com seus chifres brilhando com cada uma lançando um raio nela, que foi nocauteada.

Rainbow Dash estava com problemas para encontrar Max. O teto estava mal iluminado, e o pegasus cinza parecia desaparecer nas sombras. Rainbow ouviu alguma coisa zumbindo por trás dela, e se esquivou na hora com Max passando por ela. No entanto, ele fez uma rápida parábola no ar e conseguiu atingi-la dessa vez. Spike olhava para cima ouvindo Rainbow gritar. Ele olhou para baixo, onde viu os fios da rede de segurança amarrados nos pilares de sustentação, onde teve uma idéia. Ele foi até Fluttershy que ainda estava tremendo e murmurou alguma coisa para ela, que acenou indo até os pilares.

“Rainbow!” Spike gritou para a pegasus azul. “Voe abaixo da rede!”

Rainbow acenou ao ouvir isso, e voou abaixo da rede de segurança com Max a seguindo com um sorriso sinistro.

“Fluttershy, agora!” gritou Spike.

A pegasus amarela agarrou um dos nós da corda e puxou enquanto Rainbow passava por baixo da rede. O pegasus cinza olhou em desespero ao observar a rede caindo em cima dele. Suas asas ficaram enroscadas de forma que ele não conseguia se mover, e só podia murmurar através da corda enrolada na boca. Rainbow aplaudia Spike agradecida pela ajuda.

Pinkie Pie estava pulando ao redor feliz e cantarolando com Samuel a perseguindo com um olhar de frustração no rosto. “Fique parada!” Ele gritou zangado enquanto arremessava as facas nela, mas errando.

Pinkie continuava pulando e se desviando. O pônei palhaço então teve uma idéia. Ele tirou um tubo enorme de cola e esguichou no chão. A pônei rosa acabou ficando presa no chão ao andar sobre ela. Samuel deu outro sorriso irônico enquanto se preparava para atacá-la, mas então uma torta vindo do nada o atingiu em cheia. Samuel virou e viu Spike, Rainbow Dash, Fluttershy, Twilight e Rarity cada um com uma torta prontos para arremessarem nele. Samuel ficou se esquivando até as tortas acabarem.

“Há! Vocês erraram!” ele gritou.

“E quem disse que estávamos mirando em você?” Spike falou sorrindo.

Samuel olhou confuso e, em seguida, tropeçou na mureta que circundava a arena, caindo. Ele acabou mergulhando em uma enorme torta de creme que seria usada para o próximo show. Então tentou se levantar, passando zangado por cima da mureta.

“Eu vou fazer vocês sorrirem pela última vez!” Ele gritou.

Foi onde percebeu que não conseguia se mover. Ao olhar para baixo viu que estava em cima da cola que ele mesmo esguichou. Samuel olhou preocupado para Spike e os outros, que davam um sorriso irônico. Então percebeu uma sombra ameaçadora sobre ele. O pônei castanho olhou para cima e viu uma torta de creme gigante acima dele sendo levitado por Twilight e Rarity.

“Podem soltar!” Spike gritou severamente.

O pônei castanho gritava enquanto a torta caía em cima dele, o cobrindo completamente. Twilight e Rarity levitaram a bandeja da torta e viram Samuel deitado inconsciente.

“Whoa!” Gritava Applejack ainda montada no pescoço do leão.

O animal se sacudia freneticamente, e não agüentando mais segurar Applejack acabou sendo arremessada para o chão. O leão avançava sobre ela, mas então escutou o som de um chicote. Applejack viu que era Spike usando ele. O bebê dragão então gesticulou para Fluttershy ir até o leão, que rosnou para ela.

“Shh.. está tudo bem.” Disse Fluttershy com uma voz suave. “Você não quer mais fazer isso, quer? Ficar preso nesse circo fazendo acrobacias?”

O leão sentiu sua ira diminuir lentamente. Ele olhou para Fluttershy com um olhar triste e acenou lentamente.

“Não se preocupe.” Disse Fluttershy. “Nós não iremos machucar você e os outros animais. Agora estão todos livres.” O leão fez um pequeno rugido para ela. “Sim… até os pássaros.”

Os olhos do leão se arregalaram, e ele abraçou Fluttershy lambendo sua face. A pegasus amarela sorriu um pouco e retribuiu o abraço. Então o leão a liberou e se virou para sair da tenda. Spike e os outros pôneis olharam em volta para ver os artistas caídos no chão derrotados, e respiraram aliviados.

De repente um gemido ecoou pela tenda. Spike e os outros olharam para ver que era Alec levantando-se lentamente, mas firmemente. O apresentador olhou em volta e viu seus companheiros caídos no chão.

“Seu fedelho!” ele gritou para Spike. “Como se atreve a fazer isso comigo? você é apenas um bebê dragão patetico e nada mais! A intromissão de suas amigas acaba aqui!”

Twilight e os outros começaram a caminhar até Alec, mas Spike foi mais rápido e golpeou o mestre de cerimônias no rosto. Alec chegou a tropeçar, mas conseguiu se recuperar, rapidamente prendendo Spike no chão. O dragão viu Alec dar um sorriso insano com seus olhos esbugalhados para fora.

“Considere isso seu destino final dragaozinho!” ele gritou prestes a golpeá-lo.

Spike usou todas as suas forças para se libertar de Marik, evitando o golpe. O bebê dragão chutou ele no estômago, fazendo o pônei verde rolar no chão de dor.

“O show acabou pra você!” disse Spike. “É hora de fazer uma reverência!”

Então o bebê dragão golpeou Alec mais uma vez o deixando inconsciente e o prendeu dentro da jaula do leão. Depois ele se certificou de que os outros artistas também estavam rendidos, soltando um suspiro de alívio.

“Auto!” Disse uma voz forte e imponente.

Twilight e os outros se viraram para ver dez pegasus brancos com armaduras nas cores brancas e douradas, eram os guardas reais.

“Nós cuidaremos de tudo agora, senhorita Sparkle.” Disse um dos guardas.

“Obrigada senhores.” Respondeu a unicórnio roxo.

O guarda deu um pequeno sorriso, e então se virou para os outros. “Muito bem homens, quero aqueles caçadores algemados e encaminhados para as jaulas nas carruagens agora mesmo! E tragam a equipe de investigação para averiguar todo o circo!”

“Sim senhor!” gritaram os outros guardas prestrando continência.

Twilight e os outros observavam felizes e aliviados ao verem que tudo acabou.

“Ei, onde está Spike?” Disse Pinkie repentinamente com um olhar preocupado em sua face.

“Twilight e os outros olhavam pelos arredores percebendo que o bebê dragão desapareceu de novo. Em pânico, elas começaram a procurar por ele.

“Twilight Sparkle.” Disse uma voz majestosa.

Twilight e as outras se viraram para ver uma alicórnio alta, branca, com uma longa crina rosa e azul ondulando como se estivesse em uma brisa.

“Princesa Celéstia!” Twilight e as outras disseram emocionadas, a reverenciando.

“Parece que chegamos a tempo.” Disse a alicórnio branca. “Mas por que vocês estão tão tristes? Vocês conseguiram salvar Spike e desmascarar esse circo.”

“É por isso mesmo, Princesa.” Disse Twilight enquanto se levantava da reverência. “Spike se foi novamente… e acho que é minha culpa.”

Celéstia continuava com um olhar calmo e se virou para um dos guardas reais. “Guarda.” Ela disse em um tom autoritário, mas carinhoso. “Mande uma equipe de busca imediatamente. Vasculhem toda a área assim como a floresta. Ele não deve ter ido muito longe.” O guarda a reverenciou e seguiu com mais alguns soldados para fora do circo. Celéstia se voltou para Twilight e viu que ela estava de cabeça baixa.

“Twilight.” Disse a princesa. A unicórnio roxo olhava para sua mentora com um sorriso gentil. “Vá achar ele.” Ela disse. “Ele precisa de você neste momento, de amigos para confortá-lo.”

“Mas… mas e se ele não me perdoar?” Ela perguntou com lágrimas escorrendo em seu rosto. “Eu magoei muito Spike.

“Minha queria aprendiz, enxugue seus olhos.” Disse Celéstia suavemente. Você já mostrou a magia da amizade aqui, e agora deve fazer o mesmo com Spike. Eu sei que ele perdoará você. Ele foi seu primeiro amigo, senão filho, e precisa de todas vocês para ajudá-lo a superar esse momento difícil.”

Twilight deu um pequeno sorriso e acenou. “Obrigada Princesa.” Ela se virou para suas amigas limpando as lágrimas. “Vamos garotas, precisamos encontrá-lo.” Todas saíram da tenda, caminhando em direção à floresta Whitetail. Princesa Celéstia observava com um sorriso enquanto elas estavam indo fazer as pazes.

Dia de Circo – parte 4

Título original: Circus Day

Tradução: Lucas T.

Autor: Dragon Warlock

[Parte anterior]

Twilight e suas amigas passavam pela multidão de pôneis aparentemente interminável para conseguir alguns assentos. Elas encontraram lugares vagos na primeira fila situada no meio da arena de apresentação. Cada uma delas tinha alguma coisa que obteram como prêmio durante a estada no circo. Pinkie Pie tinha uma torre de algodão doce tão alto quanto ela, e estava coberta de goma pegajosa em toda sua pele. Applejack e Rainbow Dash tinham cada uma dois enormes ursos de pelúcia, um grande chapéu de caubói com uma flecha atravessando ele e um dragão de pelúcia. Fluttershy comprou um chapéu ornamentado com um leão sorridente. Rarity tinha uma pequena medalha de prata escrita VICE-CAMPEÂ e Twilight uma medalha de ouro escrita CAMPEÃ DE MÁGICA.

“Vejo que vocês todas se divertiram também.” Disse Applejack para suas amigas. “Eu teria ganhado de Rainbow Dash se aquele anunciante avisando sobre o início do show não tivesse arruinado minha chance.”

“O que?! Eu estava prestes a bater o recorde na última etapa!” Rainbow retrucou. “Você apenas teve sorte em cima da hora.” Applejack apenas deu um sorriso pequeno e uma cotovelada em Rainbow, que fez o mesmo.

“Oh, vocês deviam estar comigo!” gritou Pinkie com seu jeito habitual. “Vocês perderam o mais açucarado algodão doce de todos! Bem, exceto pelo bolo de chocolate de sete camadas do Senhor e da Senhora Cake. Digo, nada é realmente mais doce do que aquilo!”

As amigas de Pinkie riram e então Fluttershy falou um pouco mais alto do que sua voz suave de sempre. “Nós todas tivemos bons momentos. Eu vi alguns chimpanzés fazerem truques e malabarismos, e depois ouvi alguns pássaros cantarem o Hino de Equestria. Comprei este chapéu na loja de presentes que eles tinham, e esse leão de pelúcia é tão fofo!”

“Bem, Twilight e eu fomos competir em uma batalha, vamos assim dizer.” Disse Rarity. Competimos contra vinte unicórnios, não apenas de Ponyville, mas alguns de Canterlot também. Tudo o que tínhamos que fazer era levitar o maior número de objetos possíveis, transformar vários itens em outros, como um pedaço de madeira em uma pena, chocar um ovo de pássaro, e criar um feixe de energia, tentando mantê-lo estável o máximo de tempo possível. Foi fácil enfrentar os outros unicórnios, mas contra Twilight foi um impasse completo.”

“Cada uma de nós levitamos cinqüenta itens, que foram perfeitamente transformados em outros objetos, e nós estávamos em um empate sobre a batalha de feixe de energia. Foram vinte minutos antes de eu começar a me sentir exausta. Enquanto estava triste por não ser a vencedora, cumprimentei Twilight.” Rarity e os outros bateram palmas com suas patas dianteiras e felicitou Twilight pela sua vitória.

Twilight não podia fazer nada senão sorrir um pouco. “Bem, não foi fácil.” Disse a unicórnio roxo. “Eu fui ensinada pela Princesa Celestia para conservar minha magia, no caso de uma situação de emergência. Se Rarity alguentasse por mais alguns minutos, eu quem cansaria primeiro e ela seria a vencedora.”

Rarity sorriu para sua amiga. “Obrigada Twilight, você é muito amável.”

“Então vocês ganharam mais alguma coisa além dessas medalhas brilhantes?” Perguntou Applejack.

Twilight assentiu e tirou sete ingressos brancos ilustrados com uma tenda de circo. “Bem, eu ganhei sete ingressos para me encontrar com os artistas depois do show. Eles disseram que o mestre de cerimônia nos viu e decidiu me dar mais seis para minhas amigas.” As amigas de Twilight se animaram ao ouvirem isso.

“Ei, há apenas seis de nós aqui.” Disse Pinkie. “De quem é o sétimo passe?”

Os outros pôneis olharam um para o outro confusos. Então as luzes diminuíram e o pegasus no topo da tenda tirou um pano que cobria um recipiente com vagalumes presos em um vidro, brilhando no meio da parte superior. Twilight e os outros viram um pônei verde floresta com um terno preto próximo a um microfone, com a luz direcionada a ele.

“SENHORAS E SENHORES!” O pônei dizia em uma voz alta. “PÔNEIS DE TODAS AS IDADES! BEM VINDOS AO MARAVILHOSO CIRCO DE MARIK!” A multidão aplaudia antes dele continuar. “HOJE NÓS NÃO SÓ APRESENTAREMOS NOSSO SHOW DE SEMPRE, MAS TAMBÉM TEMOS UM CONVIDADO ESPECIAL!”

A multidão ofegava com isso, murmurando entre eles sobre quem poderia ser.

O mestre de cerimônias esperou pela multidão se estabelecer antes de continuar. “MAS ISSO SERÁ MAIS TARDE, POR ENQUANTO DIVIRTAM-SE COM O SHOW! PRIMEIRO SOU EU, O PERITO DOMADOR DE ANIMAIS!”

Twilight estava observando o mestre de cerimônias com um olhar desconfiado suspeitando já te-lo visto antes.

“Alguma coisa errada, docinho?” Perguntou Applejack com uma expressão preocupada.

Twilight saía de seu pensamento e olhava para a pônei laranja. “Não, não é nada. Estou apenas tentando observar tudo mais atenta.“ respondeu a unicórnio roxo nervosamente.

Applejack levantou uma sobrancelha enquanto Twilight dava uma risada forçada. “Tudo bem então parceira, se você diz.” Completou a pônei laranja em um tom desconfiado.

Twilight suspirou aliviada e então olhou de volta para Marik.

O pônei verde entrou dentro de uma grande jaula onde estava um enorme leão amarelo dourado rosnando. Ele pegou um chicote com sua boca e acertou o chão perto das patas do leão, o fazendo parar de rosnar e ficando de pé sobre suas patas traseiras. Alguns assistentes de palco traziam com seus cascos argolas que eram tão altas quanto o próprio mestre de cerimônias. Marik se virou para o leão, e chicoteou o chão novamente. O leão agiu por extinto e pulou através das argolas. Os assistentes vieram novamente, e dessa vez colocaram fogo nas argolas, fazendo o público ofegar. Marik mais uma vez chicoteou o chão perto das patas do leão que pulou novamente pelas cinco argolas em chamas.

A multidão aplaudia bastante, mas Marik levantou seu casco esquerdo avisando que não havia acabado ainda, soltando o chicote com um sorriso em seu rosto. O leão rosnou e saltou na direção dele fazendo o público gritar. Marik se esquivou do salto e acertou as pernas traseiras do leão, fazendo ele perder o equilíbrio e cair. O leão levantou e usou suas garras contra Marik, mas o mestre de cerimônias se esquivou facilmente, e começou a correr ao redor do leão, que ficava girando como louco, até começar a ficar com tonturas. Então Marik laçou as patas dele, e em seguida fez uma reverência.

A multidão aplaudiu mais um pouco, e Marik levantou o casco novamente, desamarrando o leão. Ele pegou o chicote com sua boca novamente, e golpeou o animal mais uma vez. Ainda se sentindo tonto, ele ficou alerta, e Marik foi até o leão para abrir sua boca, colocando sua cabeça próxima dela fazendo a multidão ofegar. Marik ficou lá por cinco minutos antes de sair, e então com mais um golpe de seu chicote, fez o leão bater palmas com suas patas dianteiras. O público estava impressionado com a performance e voltaram a aplaudir.

“Eita, essa for por pouco.” Disse Applejack.

“Eu só espero que aquele pobre leão esteja bem.” Disse Fluttershy em um tom preocupado.

“Ah não se preocupe Fluttershy.” Rainbow disse a ela. Eles praticam bastante, e por isso o leão está bem.”

Marik saiu fora da jaula, voltando para o centro da arena. “MUITO BEM!” Gritou. “NOSSA PRÓXIMA ARTISTA É UMA UNICÓRNIO MUITO TALENTOSA! POR FAVOR, DEEM AS BOAS VINDAS PARA ALEXIS!”

O público aplaudia mais uma vez enquanto as luzes focalizavam e iluminavam um pequeno palco de madeira onde estava a unicórnio azul escura com sua capa e chapéu brancos.  Um assistente de palco empurrou uma mesa cheia de objetos, como pratos, varas longas e uma corda. Alexis começou levitando seu chapeu para fora de sua cabeça, e então disse algumas palavras.

“Fow ad em!”

Um buquê de flores apareceu repentinamente de dentro do chapéu e explodiu, jogando várias pétalas que voavam pelo ar, chegando até o público. Depois Alexis tirou do chapéu um bando de gralhas azuis as observando voarem, uma sacola cheia de maçãs, um bolo, e até mesmo um grande urso de pelúcia. Quando a multidão aplaudia, ela recitou um novo encantamento.

“Atrox tempesta fulmina!”

E grossas nuvens negras surgiram no topo da tenda. Fortes relãmpagos saíam delas fazendo a multidão gritar. Alexis sorriu calmamente, e seu chifre brihou ao criar relâmpagos que dançavam no ar. Lentamente a multidão parava de gritar e observavam perplexas os relâmpagos atravessando as nuvens. Houve até mesmo relâmpagos que assumiram a forma de parafusos, uma lua, árvores e até um cachorro.

Então Alexis disse com sua voz baixa e calma. “tempestatem profectus est.”

A tempestade desapareceu e ela se virou para os pratos e varas começando a levitá-los. Ela colocou todos os pratos na extremidade das varas, fazendo-os girar. As varas levitaram diante do público, flutuando através deles indo para cima e para baixo no ar. O chifre da unicórnio mágica brilhou intensamente e todos os pratos e varas se converteram em radiantes faíscas violeta brilhantes caindo sobre a multidão. Em seguida um assistente de palco empurrou um grande recipiente retangular cheio de água para o palco. Alexis levitou as cordas e amarrou firmemente a si mesma. Mais dois assistentes de palco vieram e colocaram alguns equipamentos em Alexis. Um deles colocou uma pulseira preta com um cadeado em seu chifre, e então ambos a levantaram e a colocaram dentro do recipiente de vidro, a selando nele. A multidão olhava com temor a forma como ela estava presa.

“E AGORA SENHORAS E SENHORES!” Gritou Marik. “Vejam Alexis escapar desse container de vidro sem mágica! O bracelete em seu chifre anula qualquer tipo de magia!”

Alexis parecia calma submersa na água, sem mostrar preocupação. Todos os seus cascos estavam amarrados, mas lentamente Alexis foi se balançando, saindo das cordas e abrindo o vidro na parte de cima, onde escutou muitos aplausos. Alexis saiu e reverenciou.

“Minha nossa, essa deu medo.” Disse Rarity. As outras acenaram concordando a pareciam chocadas com o que viram.

As luzes voltaram novamente para Marik situado no centro da arena. “E AGORA O NOSSO PRÓXIMO SHOW! ESSE PÔNEI VAI FAZER VOCÊS GARGALHAREM! VAMOS DAR UMA SALVA DE PALMAS PARA LARRY, O PALHAÇO!”

A multidão aplaudia enquanto Larry entrava escorregando em uma casca de banana, deslizando através da arena até se chocar com um dos postes de sustenção da barraca. A multidão ria e Larry, se levantando, foi até uma grande bola vermelha, pulando sobre ela. De início ele escorregou de propósito arrancando algumas risadas, em seguida se equilibrou sobre a bola, andando sobre ela. Alguns assistentes de palco jogavam pedaços de madeira no palhaço, que as agarrou fazendo malabarismos com elas. Ele continuava com isso por alguns minutos antes de jogar os pinos de madeira para o lado, pulando fora da bola fazendo um flipper e pousando bem em cima de uma banheira de chantili. Ele levantou com uma barba enorme de chantili fazendo a multidão rir novamente. Larry foi até um monociclo, e andou pela arena por alguns minutos. Vários asistentes de palco vestidos de palhaço jogaram tortas em Larry, mas nenhuma delas chegaram nem perto dele.

“Há!” Gritou Larry enquanto continuava montado no monociclo. “Vocês erraram!”

Larry acidentalmente tropeçou com o monociclo em uma pequena parede em torno da arena e caiu em cima de uma grande torta de chantili. A multidão deu uma risada enorme e Larry os reverenciou.

“Oh minha nossa!” Pinkie gritou. “Eu nunca vi uma torta tão grande como aquela antes. Já mi muitas tortas, mas aquela era enorme! Quero dizer, você já.. hmmmf!” Pinkie foi interrompida por Twilight colocando um casco em sua boca.

Marik mais uma vez foi ao centro para anunciar o próximo artista. “espero que vocês estejam prontos para incríveis acrobacias realizados por quem adora viver no limite! Com vocês, Pierce!”

As luzes foram direcionadas até o teto da tenda e lá estava o pegasus cinza com suas asas amarradas. Pierce começou a andar normalmente sobre a corda com seus quatro cascos, mas logo levantou suas pernas traseiras para cima, andando na corda com apenas dois cascos. A multidão observava com os olhos arregalados, imaginando o que poderia acontecer, já que não havia nenhuma rede embaixo. Pierce conseguiu atravessar a corda inteira e recebeu muitos aplausos.

Então ele surpreendeu o público pegando um monociclo e voltando a atravessar a corda lentamente com ele. Algumas pessoas do público gritavam em suspense observando o pegasus. Mas Pierce novamente conseguiu atravessar para receber mais aplausos. Agora o pegasus voltou para a corda montado no monociclo segurando dois pratos com os cascos. Parecia que iria durar uma eternidade, mas Pierce estava conseguindo chegar no final. De repente ele escorregou e caiu fora da corda fazendo todo o público gritar de medo. No entanto, Pierce apenas sorriu e segurou a corda com os dentes, balançando de um lado para o outro até tomar impulso e conseguir se estabelecer novamente na corda, continuando a atravessá-la.

A multidão explodiu em aplausos e deram um grito enorme que chegou a abalar o circo inteiro. Pierce reverenciou em gratidão e tirou a corda de suas asas, voando para o chão. Twilight e suas amigas estavam muito admiradas com a última apresentação.

“Isso foi vinte por cento mais legal do que qualquer performance que já fiz!” Disse Rainbow Dash.

“isso foi mais doido do que uma debandada de gados.” Disse Applejack.

Fluttershy estava tão ocupada torcendo que as outras não tinham notado isso desde a competição de Cloudsdale.

“Isso foi simplesmente magnífico.” Disse Rarity.

“Minha mente girou duas vezes com o que eu vi!” Gritou Pinkie Pie.

Twilight estava apenas surpresa e sem palavras com o que viu. Todos esses anos ela achava que o circo era apenas uma perda de tempo, mas logo concluiu que Spike e suas amigas tinham razão. Então Twilight assumiu uma expressão de pânico quando se lembrou do dragão.

“GAROTAS!”  Twilight gritou em um tom assustado. “SPIKE! NÓS ESQUECEMOS DELE!”

Os olhares de felicidade delas logo mudaram para olhares de susto, e se esforçavam para sair das arquibancadas para encontrar o bebê dragão.

“POSSO TER SUAS ATENÇÕES SENHORAS E SENHORES?” Perguntava a voz de Marik.

A multidão observava atenta, mas Twilight e suas amigas continuavam tentando sair, até ouvirem o anúncio.

“NÓS TEMOS MAIS UM ARTISTA HOJE! UM CONVIDADO ESPECIAL, UM JOVEM DRAGÃO QUE PODE SER PEQUENO, MAS QUE POSSUI INCRÍVEIS PODERES DE FOGO! ENTÃO POR FAVOR, SAÚDAM SPIKE!”

Twilight e as outras pararam ao ouvirem isso. “O QUE?!?” Todas elas gritaram incrédulas.

“Ele não pode estar falando do nosso Spike certo docinho?” Perguntou Applejack.

A pergunta de Applejack logo foi respondida enquanto Spike caminhava até a arena com um sorriso nervoso, olhando a platéia. O público gritava e aplaudia ao mesmo tempo. Spike se estabeleceu no centro da arena enquanto assistentes de palco colocavam quatro troncos idênticos aqueles em que ele praticou.

“SPIKE VAI QUEIMAR TODAS ESSAS TORAS USANDO SEU SOPRO DE FOGO!” Gritou Marik. “ENTÃO ELE IRÁ REALIZAR UM GRANDE SHOW DE LUZES PARA TODOS VOCÊS!”

“Marik foi até Spike e murmurou alguma coisa para ele. “Faça o seu melhor meu amigo.” Disse o mestre de cerimônias em uma voz reconfortante. “Eu também quero que você faça um chafariz de fogo. É quando um dragão lança seu fogo no ar, formando um chafariz incandescente.”

“Mas… e se isso der errado?” Spike perguntou hesitante.

Marik sorriu calorosamente para o bebê dragão. “Você pode fazê-lo, sei que consegue. Você tem um talento especial e por isso tudo vai ficar bem.” Ele então se afastou de Spike, ficando ao seu lado.

Spike olhou ao redor para perceber vários pôneis o observando com grandes sorrisos. Ele sentiu seus joelhos amolecerem um pouco, e estava à beira de um desmaio. Engolindo seco, ele se direcionou para as toras e prendeu o máximo possível sua respiração, segurando o ar. Depois de alguns segundos, ele liberou, lançando um grande fogo verde que atingiu todas as toras. A multidão aplaudia freneticamente.

Spike viu algumas toras sendo colocadas uma em cima da outra formando uma torre, e com outro sopro ele atingiu todas as toras em uma varredura limpa. O público mais uma vez aplaudia por um largo tempo. O bebê dragão continuava atingindo alvos que tinham a forma de muffins, maçãs e até uma fênix. A multidão aplaudia enquanto Spike preparava para fazer o chafariz de fogo.

Ele ficou olhando para o teto e inalou o ar firmemente para deixar as chamas se formarem, e então soltou um chafariz de fogo verde esvoaçante que quase atingiu a corda de Pierce, com as chamas se espalhando por todos os lados A multidão assistia admirada a forma como o bebê dragão continuava seu ato até algumas brasas choverem sobre eles, mas sem que fossem feridos. Depois de alguns minutos, Spike deixou o chafariz de fogo se dissipar, pegando fôlego. Ele se sentia suado como se tivesse participado da corrida das folhas cinco vezes em apenas um dia.

A multidão explodia em aplausos que era tão alto quanto qualquer outro ovacionado por eles naquela noite. Nas arquibancadas Twilight e suas amigas não estavam apenas aplaudindo mais do que qualquer outro pônei, mas estavam sem palavras com o que Spike fez. O dragão sentia lágrimas em seus olhos, mas com um sorriso enorme em seu rosto. Ele não sentia isso desde o dia em que se encontrou com Rarity. Spike viu os outros artistas se alinharem com ele no palco e então deram uma grande reverência.

A multidão saía lentamente, mas Twilight e as outras estavam correndo o mais rápido que podiam para ver Spike. O dragão e os outros artistas estavam voltando para suas tendas enquanto eram parabenizados por suas apresentações.

“Você me deu um grande susto Pierce.” Disse Larry com um copo de cidra.

Pierce sorriu e deu um tapa nas costas dele com seu casco. “Bem pelo menos não levei outro torta, de novo.”

Spike estava rindo com eles, até sentir um casco em seu ombro. Era Marik sorrindo. “Meu amigo, você foi magnífico hoje. Realmente você é um dragão especial, e provou isso nesta noite.”

“O que quer dizer?” Perguntou Spike.

“Spike, o que acha de se juntar a nós?” Perguntou Marik. “Com um talento como esse você poderia se tornar uma estrela.”

Os outros acenaram concordando, e Spike estava impressionado com o que foi dito. Uma chance para se tornar famoso e deixar Twilight orgulhosa. No entanto, ele sentia culpa. Estava imaginando o que Twilight e os outros diriam sobre isso. Poderia elas ainda serem suas amigas? Seu rosto fez uma carranca.

“Qual o problema Spike?” Perguntou Alexis.

“Bem… é que eu não sei como minhas amigas reagiriam se soubessem disso.”

“Spike, nós somos seus amigos.” Disse Marik. “Depois do que você me disse deles, ainda os considera seus amigos?”

A mente de Spike entrava em conflito. O que Marik estava dizendo era verdade, elas o deixaram sozinho. No entanto, uma parte dele sentia que deveria estar com Twilight e os outros. “Bem, eu…”

“SPIKE!!” Um grupo de voz gritou.

Spike se virou para ver Twilight e os outros sorrindo.

O bebê dragão correu e abraçou Twilight. “O que vocês todas estão fazendo aqui?”

Twilight tirou os ingressos de sua mochila. “Eu ganhei esses ingressos em uma competição. Vimos sua apresentação essa noite, e ficamos muito orgulhosas.”

“Obrigado Twilight!” ele se virou para Marik e os outros artistas. “Ei pessoal, essas são as minhas amigas!” Os artistas as cumprimentaram, e suas outras amigas fizeram o mesmo.

“Você foi incrível Pierce, e aquela sua façanha de escorregar na corda estupenda!” Disse Rainbow Dash.

“Aww, não foi nada. Eu tenho vontade de fazer isso de vez em quando.” Disse o pônei cinza com um sorriso.

“Senhorita Alexis, disse Rarity. “Suas mágicas foram simplesmente maravilhosas.” Alexis corou um pouco e sorriu.

“Oh, eu preciso saber onde você conseguiu aquela super torta gigante Larry! Nunca vi uma como aquela antes!” exclamou Pinkie Pie.

Larry sorriu e disse, “Nós temos os nossos chefs que fazem uma massa de torta enorme, junto com o chantili.”

Então Marik deu um passo à frente. “Olá a todas, espero que tenham se divertido com o show. Eu estava conversando com Spike, minha nova estrela.”

Twilight e os outros ofegaram ou ouvirem isso. “Spike, o que está havendo aqui?” Perguntou a unicórnio roxo.

O jovem dragão sorriu e disse, “Me foi oferecida uma chance para ficar aqui, e me tornar um artista Twilight. Eu posso mostrar meu talento e ficar famoso.”

As pôneis olharam chocadas. “Spike, você é meu assistente e amigo. Por favor, diga que você não vai ficar com eles, certo?” Twilight perguntou com um leve tom de preocupação em sua voz.

Spike olhou para suas amigas e viu que cada uma tinha os passes, mas Twilight tinha dois deles. “Ei Twilight, por que você tem dois ingressos?”

“Esse é um ingresso extra.” Disse Twilight parecendo um pouco nervosa. “Os juízes me deram uns extras para as minhas amigas, mas eu uh … ia dar um pra você.”

Twilight estava esperando que seu assistente fosse acreditar na mentira, mas ele olhou para a unicórnio um pouco zangado. “Não é verdade, é?” Perguntou Spike amargamente. “Se você queria me dar um, por que não me procurou então?”

Twilight estava paralisada de medo. Ela nunca viu o bebê dragão zangado em sua vida, mas imaginou que se dissesse a verdade e pedisse desculpas tudo ficaria bem. “Não é bem assim Spike… nós acidentalmente nos perdemos em toda a diversão e por isso acabamos… esquecendo você.”

Spike estava paralisado, incrédulo com o que acabara de ouvir. Ele sentiu sua indignação crescer cada vez mais. “Você me esqueceu? Como pôde fazer isso comigo?”

“Spike, foi um acidente.” Disse Twilight. “Nós nos importamos com você… muito. Nós apenas…”

“Suas mentirosas!” Spike gritou para elas.

O dragão estava furioso e não podia acreditar no que ouviu, mas era a verdade. Nenhuma delas se lembrou dele, que foi esquecido enquanto suas amigas estavam se divertindo. Ele olhou para elas com um olhar mais assustador do que a de Fluttershy com seus animais. Twilight e os outros se sentiram paralisadas, e empalideceram.

“Então é isso!?” Spike gritou com elas e em cada palavra a raiva crescia em sua voz. “Depois de tudo o que fiz, é assim que sou tratado?”

“S…Spike, por favor, nós nos importamos.” Disse Twilight com uma voz muito tímida.

“Mentiras de novo!” Gritou Spike. “Se você se importa tanto por que eu sempre sou deixado para trás trabalhando enquanto você está se divertindo?”

Em seguida, Applejack deu um passo à frente para acalmar o dragão. “Docinho, nós nunca te deixamos para trás, nós apenas…”

Spike não podia mais conter sua frustração. “Mentira! Nenhuma de vocês se importam e me usam apenas para trabalho! Quem foi forçado a ficar em casa durante a COMPETIÇÃO DE VÔO em CLOUDSDALE, tendo que limpar a biblioteca inteira de uma certa unicórnio?!”  Ele olhou para Twilight, que estava olhando para o chão e tremendo de medo.

“QUEM SEMPRE LIMPA TODA A BAGUNÇA DOS PÔNEIS? SOU EU! QUEM NÃO PÔDE IR NA FESTA DE ANIVERSÁRIO DA GUMMY? QUEM FOI ABANDONADO NO GRANDE BAILE GALOPANTE FICANDO HORAS SOZINHO NA LANCHONETE DO PONY JOE? QUEM ESTÁ SEMPRE LIMPANDO A BAGUNÇA DE TODA A NOITE DE ESTUDOS? QUEM foi deixado para trás PARA LEVAR um livro para casa quando O QUE EU QUERIA ERA estar com TODOS VOCÊS! EU! EU! EU!

Applejack ficou boquiaberta e se afastou um pouco, com Fluttershy atrás dela tremendo. Rarity estava sem palavras e sentiu as lágrimas se acumularem em seus olhos. Rainbow estava com os olhos arregalados e sentiu suas asas tremerem um pouco. Até Pinkie percebeu a gravidade da situação e olhou para baixo.

“E AQUI EU fui esquecido por todos vocês!” O bebê dragão gritou. “E JÁ FOI O BASTANTE! SE É ASSIM QUE VOU SER TRATADO ENTÃO ACABOU! EU NÃO QUERO MAIS SER AMIGO DE VOCÊS!

As pôneis ofegaram e Twilight queria de alguma forma confortá-lo. “Spike, por favor…”

Antes que elas pudessem reagir, Spike soprou um fogo no chão, fazendo uma linha entre ele e suas amigas os separando. “Eu não preciso de você Twilight… de nenhuma de vocês.” Ele disse amargamente. “Eu não vou voltar com vocês…esses são meus verdadeiros amigos. Agora vão embora e me deixem sozinho.”

A mente de Twilight ficou em branco. Ela não sabia o que fazer, tentava dizer alguma coisa, mas não encontrava palavras.

“Você ouviu ele.” Disse Marik quebrando o silêncio. “Por favor, nos deixe agora, ou os funcionários terão que acompanhá-las até a saída.”

Twilight e os outros olharam para Spike mais uma vez, mas ele deu as costas para elas. As pôneis perceberam que os artistas as observavam com um olhar severo. Concluindo que não havia mais o que fazer e chocadas com o que aconteceu, elas partiram deixando Spike com seus novos amigos.

Twilight e os outros caminharam para fora do circo, até o morro de onde vieram antes. Todas elas ainda estavam abaladas com o ocorrido e nenhuma conseguia encontrar palavras para quebrar o silêncio. Twilight era a que mais estava tendo dificuldades para lidar com isso. Ela sentia como se tivesse perdido um filho e ficava lembrando de todas aquelas coisas que Spike disse a ela e os outros sobre ele ter sido abandonado, e refletindo sobre isso ela sabia que ele tinha razão. A unicórnio se repreendia pelo que fez com seu amigo, e sentia lágrimas se acumulando. Ela se culpava pelo que aconteceu e por não saber como ele se sentia antes que fosse tarde demais. Ela imaginava que aqueles artistas pudessem ser melhores amigos e uma família para Spike. Mas de repente, algo brilhou na mente de Twilight quando se lembrou daquele mestre de cerimônia. Ela imaginou que ele era familiar, e teve uma percepção obscura sobre ele.

“Twi, nós não vamos deixar ele aqui, vamos?” Perguntou Rainbow Dash quebrando o silêncio.

Twilight ainda estava tremendo com o ocorrido, mas sacudiu sua cabeça e disse, ‘Não… há alguma coisa errada com esse circo. Eu me aproximei daquele mestre de cerimônias e ele… parecia com alguém que eu já li a respeito antes.”

“Espere um minuto.” Disse Applejack para Twilight. “Pode nos dizer o que você sabe sobre ele?”

As cinco pôneis olhavam para Twiligh apreensivas.

“Não… mas li sobre ele antes. Spike pode estar em perigo e temos que avisar a Princesa sobre isso.”

“Como querida?” Perguntou Rarity. “Spike é a sua única forma de se comunicar com Celéstia, e nenhuma de nós é rápida o bastante para levar a mensagem até ela.”

“Ei, eu posso chegar lá em poucos segundos… bom, não em poucos segundos, mas posso chegar lá antes que você perceba.” Disse Rainbow Dash. “Eu irei para Canterlot avisar a Princesa. O que querem que eu diga a ela?”

Twilight levitou um pergaminho, pena e tinta, começando a escrever. “Aqui, leve isto para Celéstia.” Ela enrolou o pergaminho e entregou para a pégasus azul.

“Deixa comigo!” Disse Rainbow Dash fazendo continência. Então ela se virou e voou rapidamente em direção a Canterlot.

“Twilight, Spike vai ficar bem? Perguntou Pinkie visivelmente preocupada.

Twilight deu um tapinha nas costas de sua amiga. “Ele tem que ficar, Pinkie, e se estiver em perigo nós estaremos lá.” Twilight olhou de volta para o circo derramando lágrimas. “Spike, eu te amo, e espero que esteja bem.

A batalha pelo Forte Livro

Título original: The Battle of Fort Book

Autora: PinkamenaPiePrincess

Tradução: Drason

Sinopse: A imaginação de Twilight Sparkle quando criança era inacreditável, provavelmente devido ao seu hábito de ler. Mas agora ela deve defender Twilightopia de Shining Armor e suas forças com ajuda do Capitão Smartypants e Soldado Cadence! Um conto de infância de Twi narrada a partir de seu ponto de vista.

———-

Soldado Cadence parecia não ouvir as ordens dadas pelo Capitão Smartypants. Claro que isso era incomum, Cadence era uma grande soldado, mas por alguma razão eu tive que levar todas as ordens do capitão até ela.

“Soldado!” eu gritei. “Você não ouviu as ordens do Capitão Smartypants?”

Cadence riu. Eu olhei. Um soldado não deveria rir de seus superiores. Eu li isso em um livro sobre hierarquia militar. E um general é sempre o posto mais alto.

“Não, General Twilight, eu não falo sua língua.” Respondeu Cadence, eu fiquei olhando até ela se lembrar de prestar continência, que é o que se deve fazer para um general.  Ela parecia confusa por alguns minutos até se lembrar do protocolo e fazer a continência.

“Ela diiiiiisse para guardar o extremo leste do forte!” Ordenei. Eu era muito boa em dar ordens, afinal era uma general.

“Senhora, sim senhora!” Soldado Cadence respondeu com um sorriso bobo no rosto, e fez continência novamente.

“E sem sorrir! Capitão Shining Armor estará atacando o Forte Livro em poucos minutos e nós temos que estar preparadas! Ninguém do exército sorri!”

“Senhora, sim senhora!” Disse Cadence de novo, se esforçando para manter uma expressão séria.

Eu não sabia o que ela achava tão engraçado. O Forte Livro era o mais impressionante de todos em Twilightopia, a terra gloriosa que nós estávamos defendendo do terrível Imperador Shining Armor, que também era o meu grande irmão, mas isso não importa.

O Forte Livro era enorme. Tinha pelo menos cem metros de largura e mais cem de altura! Eu imaginava que ele era feito de livros, mas na verdade era formado de pedras para que os invasores não pudessem entrar. Tinha outra parede de pedra para sua proteção, e um fosso, porque fossos eram legais. Era o forte mais lindo do mundo, embora estivesse chovendo agora e ele não era tão confortável quando chovia. Quando não estava chovendo, era bastante ensolarado, com o sol fazendo as rochas brilharem como se fossem pedras preciosas.

Agora… sobre meu grande irmão.

Ele era o capitão de um vasto exército que estava vindo tomar o Forte Livro e logo toda a Twilightopia para ele! Shinning era ganancioso e era meu trabalho defender o Forte Livro contra suas forças que ficavam na terra dele perto de Twilightopia. E sempre estava tentando tomar parte do nosso país para ele, que é o que aparentemente países fazem com quem não são amigos ou aliados, mais ou menos isso que dizia em meus livros. Ele sempre tentava dominar, porque o Forte Livro era o melhor forte de todos, e por isso ele e seus aliados não conseguiam conquistá-lo.

Capitão Smartypants me deu um tapa no ombro, me tirando dos pensamentos sobre meu irmão. “General, eu acho que eles devem estar perto das colinas agora!” Meu calado capitão me avisou. “De fato, são eles mesmo, e estão vindo até nós! temos que estar cem por cento preparados!”

“Leve seus homens para defender a parede oeste, eu vou para a parede leste!” Ordenei Smartypants. Ele fez continência e não riu, porque ele é capitão e Cadence ainda um soldado.

“Todos os soldados para seus postos! Os inimigos estão vindo!”

Capitão Smartpants fez continência de novo enquanto tomava posição e começava a comandar seus homens. Eu fui onde a soldado Cadence estava e limpei minha garganta para tomar sua atenção.

“Capitão Smartpants avistou o Capitão Shinning Armor, e nós temos que estar preparadas! Carregue os canhões!” Eu ordenei a ela. Ela obedeceu, embora pensei ter visto um sorriso, que obviamente não era permitido.

“Sem sorrir!” Eu disse. Cadende fez continência e fez força de novo para não sorrir.

“Às vezes eu não sei como você saiu do campo de treinamento sorrindo!”

“Porque de qualquer forma sou uma boa soldado, senhora.” Ela respondeu.

“Todos os homens em seus postos e parem de ficar conversando seus tolos!” Tolo era um dos meus insultos favoritos. Shinning Armor já estava perto dos portões da frente.

“Eu estou aqui General Twi!” Ele disse, me desafiando. “O que vai fazer sobre isso?”

“Isso!” Eu respondi e logo em seguida gritei. “FOGO!” para Cadence, que disparou o canhão em Shinning, que errou o alvo fazendo uma curva. Outro canhão foi disparado, que atingiu alguns homens de seu exército, e eles caíam lentamente diante da incrível enxurrada de ataques do Forte Livro!

“Continue atirando, Cadence! Nós temos que acertar Shinning Armor, ele é o líder!”

“Sim General!” Ela disse.

Cadence disparou nosso último canhão, que acertou Shinning Armor.

“Nós vencemos! Nós conseguimos defender o Forte Livro!” Eu disse enquanto meu irmão caía.

“Oww, Twi!” Disse meu grande irmão mais velho, que não era realmente terrível, mas o melhor irmão do mundo. “Para um travesseiro na cara, doeu!”

Eu ri. O Forte Livro era apenas uma pilha de livros com um lençol em cima e travesseiros ao redor dela, mas ainda assim era o melhor forte de todos.

“Foi a Cadence que jogou!” Eu disse desmoronando em risos.

“Eu acho que posso sorrir agora, né?” Perguntou Cadence, a melhor babá de todas.

“Te acertei em cheia, Shinning!”

Shinning deu aquele sorriso estranho de sempre quando estava perto de Cadence. Eu não sei por que ele fazia isso, acho que era de tanta felicidade que não conseguia rir direito.

“Sim, você acertou.” Ele disse, e começou a cair na risada assim como eu e depois Cadence, e apesar de ter sido um dia chuvoso em Canterlot, não deixou de ser um dia super divertido em nossos livros. Até Smartypants riu um pouco, e geralmente ele era quieto.

Mãe, por que sou diferente?

Título original: Mummy… why am I different?

Autor: Gingercolt

Tradução: Drason

Sinopse: Dinky Hooves sabia que era diferente dos outros pôneis da escola. Ela simplesmente não parecia compreender as coisas da mesma forma como os demais, e por isso eles a evitavam. Ela não tinha nenhum amigo, exceto sua mãe. Derpy e Dinky sempre passavam por ótimos momentos juntas, brincando, cozinhando, e fazendo tudo o que podiam. Derpy amava Dinky, mesmo que os demais não o fizessem.

——

Dinky Hooves sabia que era diferente das outras crianças em sua classe, mas simplesmente não entendia porque. Ela tinha a mesma aparência das demais crianças, e um tamanho normal para sua idade, então por que recebia um tratamento diferente? Não poderia ser pelo fato dela ser uma unicórnio, pois havia outros quatro em sua classe. A questão era que Dinky não podia compreender certas coisas muito bem como os outros. Durante a aula, sempre tinha tarefas difíceis, mesmo com todos conseguindo terminar as mesmas lições na hora. Cheerilee dizia que ela apenas precisava de um pequeno empurrão para acompanhar como os demais, mas por mais que ela se esforçasse, simplesmente não conseguia acompanhar. Isso deixava Dinky triste e às vezes até chorava, porque ela queria ser esperta como todo mundo na classe. Talvez o correto seria afirmar “como seus amigos na classe”, mas a questão era que Dinky não tinha amigos.

Sempre que ela ia até os seus colegas de classe durante o recreio e pedia para participar das brincadeiras, eles apenas a olhavam como se estivessem vendo algo terrível. Na maioria das vezes, eles simplesmente continuavam brincando, ou então a provocavam. “Boba” e “tonta” eram os insultos mais comuns, e Dinky os detestava. Tudo o que ela queria era ter um amigo, nada mais, então por que eles a provocavam tanto? Quando isso ficava insuportável para Dinky, ela corria chorando baixinho, se abrigando embaixo de um grande salgueiro até o recreio acabar. Poderia-se perguntar: “Por que ela não conta tudo para Cheerilee?” Dinky acreditava que se dissesse algo sobre as crianças que a atormentavam, isso iria apenas aumentar as provocações.

Mas de fato, ela tinha pelo menos uma amiga: sua mãe. Derpy Hooves, a melhor mãe que existia. Elas eram muito parecidas, ambas tinham a pele acinzentada meio azulada e uma bela crina loira, além de terem os mesmos interesses. A única diferença era que Derpy é uma pégasus e Dinky uma unicórnio. Os dias em que elas passavam juntas eram os melhores momentos na vida de Dinky. Quando a unicórnio voltava pra casa e era recepcionada por aqueles reconfortantes olhos amarelos e um amável sorriso, ela se esquecia de todos os seus problemas. Dinky ainda não podia contar à sua mãe sobre as provocações na escola, pois temia que ela ficasse preocupada, e a unicórnio não queria vê-la triste.

Dinky e Derpy faziam tudo juntas, brincavam, desenhavam, e o favorito de todos, assavam muffins. Dinky não se importava com o que elas fariam, desde que fizessem juntas. Derpy não se importava com o fato dela ser diferente, ela amava Dinky como ela era, e Dinky amava sua mãe com todo o seu coração.

O lugar favorito onde Dinky gostava de brincar era no grande lago perto da floresta. Lá sempre era quieto, e nunca tinha ninguém por perto, exceto os animais, como esquilos e pássaros. Era o local especial de sua mãe, onde elas faziam tudo o que queriam. Dinky adorava descansar na beira do lago com sua mãe, e juntas elas podiam ver muitos peixes. Uma vez, Dinky contou vinte cardumes! Elas também brincavam com jogos e rolavam na grama. Dinky sempre ficava triste quando chegava a hora de voltar para casa, mas ela sabia que esse dia se repetiria logo, e isso a deixava feliz.

Dinky também amava cozinhar muffins com sua mãe, que amava esse tipo de culinária. Ela ajudava a misturar todos os ingredientes em uma grande tigela com uma colher, a farinha se espalhava por todos os lados e fazia tudo ficar branco, até sua mãe, Dinky dava risada e Derpy também. Depois que todos os ingredientes estavam finalmente misturados, vinha a parte favorita de Dinky, usar a colher para rapar a tigela. Derpy sempre deixava Dinky lamber a colher porque a mistura era muito gostosa, e ela sempre era generosa com sua filha. Quando os muffins estavam prontos, Dinky tinha que esperar alguns minutos antes de comer, porque estavam muito quentes.  Mas a espera sempre valia a pena, porque os muffins eram deliciosos. Os muffins favoritos de Dinky era os de fruta, comida que ela amava, e que ficava ainda melhor nos bolinhos que sua mãe assava.

Infelizmente, não importava o quanto elas se divertiam juntas, pois uma hora Dinky teria que voltar para a escola.

Hoje foi um dos dias mais tristes de Dinky. Um grande grupo de crianças que costumavam provocá-la pegaram alguma coisa que Dinky amava muito, a foto de sua mãe. Dinky sempre a carregava em sua mochila, porque quando chorava, olhar a foto fazia ela se sentir melhor. Mas hoje, durante o recreio, enquanto sua mochila estava no chão, os outros a pegaram, e tiraram dela. A foto era emoldurada e muito frágil, o que a tornava muito preciosa para Dinky. No entanto, os garotos não se importavam, apenas queriam fazer Dinky chorar de novo. Logo, no entanto, o inevitável aconteceu.

Dinky estava desesperadamente tentando pegar de volta, mas como eles tinham o dobro do seu tamanho, não conseguia. Para piorar, o grupo jogava a foto um para o outro antes que ela se aproximasse mais. Quase chorando, e um pouco zangada, Dinky avançou contra o garoto que estava segurando a foto, golpeando ele no estômago. Surpreendido, o garoto deixou a foto cair no chão. Dinky só podia observar a terrível cena do vidro da moldura se partir em vários pequenos pedaços.

Vendo o que fizeram, o grupo de garotos saíram correndo, deixando Dinky chorando muito no chão por perder aquilo que ela tanto amava. Não tendo ideia do que fazer, Dinky pegou o que restou da foto, deixando a moldura quebrada no chão, e correu para fora da escola.

Agora Derpy estava extremamente assustada, depois de receber uma visita pessoal de Cheerilee, dizendo preocupada que Dinky não voltou para a aula depois do recreio e que as outras crianças disseram que a viram correr para a floresta. Ela ficou petrificada, já que estava ficando escuro, e não poderia suportar a idéia de Dinky ficar lá fora, no frio e sozinha por conta própria. A pégasus não tinha idéia de onde Dinky poderia ter ido. Então, começando a chorar, Derpy caía no sofá e olhava para as fotos dela abraçada com Dinky. E talvez essa fosse a pista que ela procurava, porque a foto favorita de Dinky mostrava Derpy no lugar onde sua filha sempre gostava de ir com ela.

Sentada no lago, com suas pernas chutando a água levemente, Dinky estava pensando sobre o que fazia as outras crianças a odiarem tanto, e esse pensamento a fazia derramar lágrimas novamente. Já estava escuro, e Dinky muito assustada. Ela não gostava dos sons assustadores que a floresta fazia no cair da noite, e queria que sua mãe estivesse lá para protegê-la.

“Mamãe deve estar super preocupada comigo agora.” Dinky pensava consigo mesma.

Ela não suportava imaginar sua mãe triste e chorando, o que a fazia cair aos prantos. Foi então que ela finalmente ouviu o barulho de um galho quebrando, de folhas se agitando, o que a deixou extremamente petrificada. Dinky se encolhia para tentar se proteger de um suposto monstro. Tremendo e chorando, ela mal podia ouvir alguém chamando pelo seu nome.

‘DINKY!” ela ouviu agora. “DINKY!” ela ouviu de novo, dessa vez mais alto.

“Mamãe?” ela pensava para si mesma. “DINKY,” aquela era definitivamente a voz de sua mãe. Não mais encolhida, Dinky se levantou e correu até o local de onde estava vindo o barulho.

“MAMÃE!” ela gritava, esperando por uma resposta.

“Oh minha filha!!” Derpy estava na orla da floresta, e mesmo estando tão escuro, ela podia ver sua amada filha correndo em sua direção. Ela correu também. Dinky pulou em sua mãe a abraçando forte, com ambas aos soluços.

“Dinky, você me deixou muito preocupada, nunca mais faça isso de novo!” Derpy dizia em meio às lágrimas.

“Eu sinto muito, mamãe, mas só fiz isso porque estava assustada e queria ir para um lugar que me deixasse feliz.”

Confusa, Derpy perguntou. “Como assim assustada? O que aconteceu?”

Dinky não respondeu, apenas perguntou. “Mamãe? Por que eu sou diferente?”

E com isso, Derpy começou a derramar lágrimas novamente. “Dinky, você não é diferente, é especial.”

“Como assim?” perguntou Dinky.

“Porque você é a melhor filha que uma mãe poderia desejar.” Então, como antes, deu um abraço forte em Dinky.

Agora sorrindo, Dinky devolvia o abraço, segurando sua mãe como se sua vida dependesse disso, e esperando nunca mais ter que deixá-la.

——————————

Entrevista com a psicóloga Joice Kacelnik sobre o bullying:

Porque geralmente um grupinho acaba escolhendo uma pessoa para zoar?

O alvo do bullying é geralmente alguém que destoa do grupo dos populares por ter características “diferentes”. Pode ser aquele gordinho, aquela magrela, aquele que usa óculos, o “nerd”, etc. Se este adolescente não tiver condições de se proteger dos ataques que possam surgir, ele poderá sofrer de bullying.

Como o jovem deve lidar quando percebe que alguém pratica “bullying” contra um garoto ou garota?

O adolescente que sofre bullying geralmente fica muito envergonhado porque acredita que há algo errado com ele, pois depende muito da opinião do grupo. É muito importante comunicar o que está ocorrendo para um adulto, seja ele da família ou até mesmo um professor, orientador na escola. O importante é não sofrer em silêncio. Pedir ajuda sempre. Não sinta que você está sendo dedo duro.

O que fazer para evitar o bullying?

Pelo bullying ser um fenômeno que envolve a sociedade como um todo, somos todos responsáveis e é só através da conscientização dessa situação que algo poderá ser transformado. De alguma forma já estivemos todos envolvidos, seja como vítimas, expectadores ou até mesmo como agentes. A educação para a tolerância da diferença deve ser praticada desde a pré-escola, e não apenas na pré-adolescência e adolescência.

O que fazer em casos extremos de bullying? Quem sofre deve tomar uma atitude? Qual?

O bullying é sempre uma forma de violência, e é responsabilidade da sociedade como um todo, da família, da escola. Nenhuma forma de bullying se inicia de modo extremo. O bullying vai crescendo e ganhando adeptos até que se torna insustentável, muitas vezes gerando mais violência, agressão e até mortes. Como já foi dito antes, a pessoa que está sofrendo bullying deve sempre comunicar o que está se passando, pedir ajuda a adultos, já que por princípio o bullying inicia-se no início da adolescência. Denunciar sempre, sentir vergonha nunca.

Fonte: Site Vida de Jovem

Sem palavras para descrever – Livro III – Cap.1 – Ausência

Autor: Grivous

Gênero: Normal, Triste, Drama, Romance

Sinopse: ”Em alguns dias, um show será apresentado na pequena cidade de Ponyville, como o último show da carreira musical de uma musicista muito famosa de Canterlot: Octavia. Twilight Sparkle e suas amigas ficaram encarregadas de aprontar os preparativos para o Grande Evento. Os fantasmas de seu passado continuam assombrar a jovem musicista, a ponto de isolar-se do mundo e daqueles que ama. Num único evento, cheio de reviravoltas e grandes emoções, ela está para descobrir algo muito mais do que apenas o fim…”

LIVRO I :

Apresentação

Prólogo

Capítulo 1 – Empolgação

Capítulo 2 – Cascos e Coices

Capítulo 3 – Desinformado e Desinteressado

Capítulo 4 – Convidado ou Intruso?

Capítulo 5 – Casa da Mãe Joana

Capítulo 6 – Recuperação

Capítulo 7 – Algo a mais

Capítulo 8 – Amanhã

LIVRO II:

Capítulo 1 – Caminhada

Capítulo 2 – Muffin

Capítulo 3 – Companhia

Capítulo 4 – Mudanças

——

Equestria — Canterlot, 13 de Fevereiro.

Duas horas horas atrás, antes da reunião na Biblioteca…

O Sol abaixava sua altitude conforme passavam os minutos de seu tempo. As sombras das montanhas e das árvores aumentavam seu tamanho e volume sobre a planície terrena. O brilho quente que antes iluminava os cantos mais escuros de Equestria estava agora se apagando, oferecendo seu lugar a fria escuridão da noite.

Um grandioso castelo se pendurava na encosta de uma montanha, assistindo as luzes se desfazerem diante de suas janelas. Do altar mais alto do magnífico castelo, dois seres majestosos encaravam o Sol recuando-se para o outro lado das montanhas. Um brilho pálido esbanjava da testa de um deles, enquanto o outro expandia uma cor negra-azulada. Os dois seres se encontravam um ao lado do outro, de olhos fechados, inteiramente focados no que estavam fazendo.

O Sol deixou os céus, a Lua tomou já o seu lugar. O brilho amarelado não existe mais naquele momento. Foi tomado pela luz branca do luar.

Os brilhos em suas testas cessaram. Os dois seres soltaram um longo suspiro.

— “Minha cara irmã,” — indagou um deles, revelando uma voz doce e suave — “Sentimo-nos muito honradas em, novamente, retomarmos a nossa tarefa em revezar o dia e a noite de Equestria.”

A unicórnia escura mais jovem falou com a unicórnio adulta de pelagem pálida como a neve ao seu lado. A crina ondulada da unicórnia mais velha tinha as cores rosa, verde e azul-claros, que reluziam um leve brilho mesmo estando noite. Apesar de não ventar naquele altar, sua crina balançava harmonicamente, como se tivesse vontade própria. Ela sorriu para a unicórnio de pelagem azul-escura, ao seu lado.

— “Também estou feliz que você esteja mais uma vez ao meu lado, querida Luna. E que você está quase se adaptando a Nova Era de hoje.”

A unicórnia fechou a cara e abriu suas asas, revelando que não era exatamente um unicórnio; mas sim, uma alicórnio.

— “O que queres dizer com isso, cara irmã? Tu crês que ainda não estejamos adaptadas o suficiente a essa Nova Era?! O quê mais precisamos aprender sobre ela?!”

A unicórnio branca soltou uma risadinha e, de repente, abre um pouco sua asa esquerda, alisando suavemente a bochecha de Luna, que agora abaixou suas asas. A unicórnio pálida, também, era uma alicórneo.

— “Ah, minha querida irmãzinha. Não se preocupe com isso. Muito tempo ainda terá pela frente para se adaptar. Agora que terminamos, entremos para conversamos mais a respeito.”

A alicórneo pálida ergueu-se do chão, suas asas abriram para uma relaxante esticada. Um suspiro reconfortante e ela se virou, entrando no castelo. Luna fez o mesmo e a seguiu em seguida, com passos mais ligeiros.

O quarto em que elas adentraram era o quarto particular da alicórneo branca. Era espaçoso e cheios de lembranças. Pergaminhos guardados, estatuetas e bustos dos mais importantes cidadãos de Equestria, sejam de agora ou de há muito tempo, retratos e bordados pendurados ou encostados nas paredes do cômodo. Um enorme carpete circular se encontrava no centro do quarto, com um desenho grande de uma estrela. A cama estava num canto, entre dois criados-mudos. A lareira ficava mais para o lado direito da cama, com muitas almofadas em frente ao mesmo. Sua mesa de trabalho, a escrivaninha, ficava perto de uma janela, onde podia ver pequenos vilarejos por ela.

A alicórneo branca andava e falava a frente de Luna. A mesma só escutava.

— “Nessa Nova Era, Luna, nossa cultura mudou muito enquanto você esteve… ausente.”

Luna suspirou, — “Sim, irmã. Nós entendemos.” — e sentou no carpete no meio da sala.

A alicórneo branca caminhou até uma escrivaninha. Com um brilho em seu chifre, abriu a primeira gaveta e tirou dela vários pergaminhos abertos, colocando-os em cima da mesa.

— “E com isso, muitos dos nossos cidadãos já nos deixaram com o passar das décadas, mas outros tomaram os seus lugares, como seus descendentes. E com esses descendentes, surgiam mentes maravilhosas e criativas, com novos olhares e novos sentimentos. Essas mentes moldaram a cultura e a tradição da antiga geração que desenvolveu-se para o que é hoje.”

Luna movimentava sutilmente os olhos para os lados, tentando assimilar o que sua irmã mais velha havia lhe dito.

— “Mas, cara irmã, para onde os nossos antigos cidadãos foram? Por que não ficaram com esses “descendentes” que tu falas?”

A alicórneo branca levitou o pote de tinta para perto de si, já abrindo a tampa. Ela sabia que, agora, teria que tomar cuidado com o que fala para não ferir os sentimentos de sua irmã mais nova.

— “Eles ficaram bastante tempo com seus descentes, querida Luna. Tinham que ensinar à esses descentes o que o mundo espera deles e o que eles teriam de fazer para enfrentá-lo. Foram anos de aprendizagem até que eles finalmente adquiriram idade e amadurecimento para cuidarem de si mesmos. É nesse momento em que eles recebem o seu descanso eterno, pois cumpriram sua missão de vida. Oferecendo amor, compreensão e ensinamentos à eles.”

Luna ergueu uma sobrancelha, — “ ‘Descanso’? Eles se aposentaram?”

A alicórneo branca levitou uma pena e mergulhou a ponta algumas vezes no pote de tinta. Com uma única frase, ela resumiu tudo o que disse.

— “Eles faleceram, Luna.”

Luna, finalmente, entendeu o que sua irmã estava tentando dizer. A alicórneo branca não queria responder dessa maneira e tentava explicar com palavras mais suaves, mas acabava usando expressões complicadas demais para Luna.

As orelhas de Luna abaixaram levemente, acompanhando um triste suspiro.

— “Per… Perdoe-nos, querida irmã.” — Luna fez uma pausa, — “Fomos muito infantis por não enxergarmos algo tão óbvio…”

Luna ainda se lembra dos seus antigos cidadãos quando ela ainda morava em Equestria ao lado de sua irmã. Tantos rostos, tantos pôneis, tantas criaturas… que agora não existem mais. Um milênio havia se passado, ela já começara a raciocinar quantas gerações de pôneis e criaturas haviam passado perante sua “ausência”.

A alicórneo branca virou a cabeça para a Luna, ela estava de cabeça já baixa.

Ela suspirou, — “Tentei ser mais gentil, Luna… De verdade.”.

— “Não se culpe, Luna. Lembre-se de que eles tiveram ótimos momentos e de que valeu a pena de passar tudo o que aprenderam para seus familiares mais jovens e inexperientes. Eles viveram bem suas vidas enquanto puderam.” — ela tomou um último fôlego. — “Eles foram felizes. E, agora, estão recompensados.”

Luna se sentia triste e com raiva por ter feito falta em seu reino por um milênio inteiro e não ter acompanhado seu desenvolvimento. Apesar de estar a maior parte do tempo ao lado de sua queridíssima irmã, Luna gostava de se separar dela por um momento para aprender o cotidiano deles. A cultura; a sociedade; e a lidar com seus súditos em seu reino.

Ela conhecia pôneis jovens, jovens sonhadores e cheios de energia quando ela estava presente. Como também conhecia os mais velhos, calmos e sábios. A balanço que havia entre esses jovens e velhos era o que mais Luna apreciava em acompanhar. O mais velho, o sábio, sempre ensinando ao mais jovem tudo o que sabe e o que aprendeu em sua vida como pônei. O mais jovem, sempre questionando os mais velhos e enxergando o mundo de uma forma que o mais velho achava uma tolice ou surreal.

E por mil anos, ela ficou ausente disso. E não pôde se despedir dos que já foram e nem pôde cumprimentar os que já haviam chegado. Muitas gerações se foram e tantas outras apareceram. E, por mil anos, ela não estava lá.

Luna ergueu a cabeça bruscamente e se levantou-se do chão, numa posição ameaçadora para cima de sua irmã mais velha. Seus olhos já estavam molhados e suas sobrancelhas cerradas. Sua emoção era bem visível e difícil de se ignorar.

— “ ‘Recompensados’ ?!” — sua voz ficou grave e estridente, muito diferente da anterior. Esta estremecia a sala e emanava uma rajada de vento forte enquanto pronunciava — “O que há de recompensa nisso, irmã?! Desde quando a morte é a recompensa da vida?! Nós não entendemos tua lógica! Como podes dizer e pensar que nossos antigos cidadãos estavam felizes com suas mortes?! Por acaso, tu vistes se eles estavam sorrindo quando suas vidas se esvairaram de seus corpos?!”

“Princesa Luna!”

A voz da alicórneo branco sobrepujou a de Luna, sendo mais grave e poderosa. Tão forte que estremeceu o quarto inteiro, deixando cair alguns quadros e enfeites de seus lugares. Nem mesmo Luna pôde combater contra o grande tremor provocado pela voz poderosíssima de sua irmã mais velha: ela se desiquilibrou e foi forçada a sentar-se novamente no chão.

Luna ficou quieta; muda. Ela se congelou com a reação de sua irmã.

A alicórneo branca estava de costas para a alicórneo escura. Infelizmente, Luna não podia ver o rosto de sua irmã mais velha. Ela não sabia se sua irmã estava com raiva ou se estava ofendida com suas palavras, mas ao ouvir o fungar de seu nariz, denunciou sua emoção.

Ela estava chorando.

Não…

Segurando o choro.

A alicórneo branca tomou um longo suspiro ao erguer levemente a cabeça e controlou sua intonação antes de começar um novo discurso.

Ela fechou os olhos e soltou o ar dos pulmões, — “O que eu quis dizer, Luna, foi que nossos antigos cidadãos estavam felizes por saberem que seus descendentes vão viver em seu nome. Com os ensinamentos que eles aprenderam, com os conselhos que obtiveram de seus parentes mais velhos. Eles sabiam que seus descendentes viverão suas vidas com coragem e determinação, sem ter o medo de falhar, enfrentando seus obstáculos que encontrarão adiante.” — sua respiração ficou mais calma e menos nervosa, — “Estavam felizes por acreditar que seus descendentes viverão suas vidas e ensinarão a próxima geração o que ela espera. Sentiram o dever cumprido.”

Luna abaixou a cabeça mais uma vez, ressentindo de sua reação ainda infantil perante a situação. Uma verdadeira princesa não deveria demonstrar tanto sentimentalismo dramático. Uma princesa deve estar imponente, confiante e impenetrável. Um único momento de fraqueza, como essa demonstração de raiva de Luna, a revelaria como um ser demolível, frágil. Bastava uma emoção, seja de raiva, de tristeza, ou de medo, e tudo desabava.

— “Mil perdões, irmã. Sentimos muito por distorcer tuas sinceras palavras. Mas…”

— “De novo, não se culpe, Luna.” — a alicórneo fez brilhar mais uma vez seu chifre, levitando a pena enquanto escrevia num pergaminho — “Eu sei que você está sentindo falta de nossos antigos cidadãos e que você esperava encontrá-los ainda aqui entre nós mas… Sinto muito.”

Luna suspirou, com olhos focados no chão.

A carta foi terminada. A alicórneo branca iluminou seu chifre um pouco mais e a carta desapareceu.

— “Mas você verá que os cidadãos dessa Nova Era não são tão diferentes.” — ela virou a cabeça para Luna, que olhava tristemente para o tapete qual estava sentava, —  “Você viu os sorrisos em seus rostos quando souberam que você retornou para o nosso reino.”

Luna se lembrava. E muito bem desse dia.

Princesa Luna mergulhou em seus pensamentos, a procura de memórias armazenadas em sua mente. Aquele dia; aquele evento que ocorreu meses atrás, de fato, se tornou algo muito precioso para ela, reservado em um lugar especial, não na sua cabeça; mas no seu coração.

Em Ponyville, uma pacata vila do interior, que antes a havia rejeitado por sua aparência medonha e atitude malígna de Nightmare Moon, abriu seus braços para o seu retorno ao trono como Princesa Luna, a irmã mais nova de Princesa Celestia, no reino de Equestria.

Houve canções, músicas, dança e muitas brincadeiras naquele dia. As risadas e a alegria eram de preencher buracos dos mais perfurados corações. Foram coisas que ela não tinha visto à mil anos e que aquilo a fez matar a saudade.

Ao entardecer daquele dia, Luna retomou sua antiga tarefa de erguer a Lua e escurecer o céu de Equestria. Mas ela teve um medo inicial de que seus súditos novamente rejeitariam sua bela obra estrelada, como sempre fizeram; mesmo depois de mil anos passados. Ainda assim, Luna desfez o dia e obscureceu seu reino, dando boas vindas à noite.

Um suspiro decepcionante e um pensamento negativo pairou em Luna, — “Não importa das mais belas noites, das mais brilhantes estrelas, da mais ofuscante Lua que nós fazemos… Nunca iremos receber o mesmo amor que desejávamos receber desde… desde–” — uma lágrima quase escorreu de seus olhos, essa nascente odiada e recheada de rejeição escorria pelo seu rosto azul-sombrio.

Mas não. Vozes abafadas em conjunto podiam ser ouvidas de sacada de seu quarto. Luna ergueu sua cabeça bruscamente e olhou em volta, tentando localizar de onde vinham a fonte desses seres sussurrantes.

— “Hã? Há cidadãos em perigo? Como isso é possível?!” — , Luna enxugou as lágrimas e levantou-se do chão, com suas asas abertas. Algo estava errado e diferente naquela noite. — “Guardas! Guardas!” — ela exclamou.

Dois guardas terrestres com uma vestimenta escura, nervosos, saíram do quarto da Princesa para a sacada onde ela estava. As cores roxo e azul escuro de suas armaduras brilhavam suavemente por causa da luz do luar.

— “Princesa! O quê houve?!” — perguntou um dos guardas noturnos, com os olhos correndo pela sacada.

— “Escutai vós esses sons!” — A Princesa ergueu o casco para o horizonte, olhando fixamente para os guardas. — “Queremos que descubram qual e onde é a fonte desses ruídos! São sons que nunca ouvimos antes! Queremos tua real revelação!”

Os dois guardas olharam em volta, com as orelhas abanando para todos os lados. Eles tentavam ouvir qualquer ruído ou som que a Princesa está indicando para eles.

— “Princesa…” — começou o outro guarda, já olhando para ela, — “Que ruído é esse que Vossa Majestade fala?”

O segundo guarda a sua direita deu uma cotovelada no peito de seu companheiro. — “Ai!”

— “Como assim?” — Luna demonstrou-se preocupada. — “Vós não escutais?”

Luna podia ainda ouvir esses sussurros pelos seus ouvidos. Soavam como um vento rápido minuano. Ela olhava para o horizonte de sua sacada, com as orelhas em pé e atentas aos sons. Os guardas se entreolharam, confusos.

Eram vozes que ela nunca ouvira durante suas noites de escuridão. Eram macias; meio silenciosas, mas calorosas.

— “Temos que descobrir de onde vêm esses sons e se vossos donos estão em perigo!” — Princesa Luna, sem pensar duas vezes, abriu suas enormes asas e levantou vôo, mergulhando do alto da sacada em sua torre.

Os guardas correram para sua sacada, apoiando-se na ponta dela, — “Princesa! Espere!” — um guarda gritou, mas foi em vão. Ela já estava longe para ouvir seus avisos.

O segundo guarda ao seu lado cutucou seu ombro, — “Quando a Princesa disse “Temos que descobrir”, ela se referia a nós dois?”

O primeiro deu uma patada em sua nuca, fazendo o capacete roxo escuro dele deslocar-se um pouco para frente, — “Ai!” — o mesmo ergueu os cascos para sua nuca, com dor.

Luna voava em uma velocidade surpreendente. Suas manobras por entre os edifícios de Canterlot não estavam enferrujadas. Ela voava rápido, assim como seus olhos e ouvidos que circulavam por todos os lados, atentos.

— “Não, não podem estar em perigo.” — Luna desviou de alguns prédios, ela ainda ouvia os sons. Mas esses ruídos não eram desesperadores como ela havia pensado, — “O quê serão esses sons?”

A adrenalina corria pelo seu peito, no grande anseio de encontrar essas vozes. Luna teve que diminuir a velocidade entre os prédios. As vielas e alas entre as casas ecoavam sons para todos os lugares ao redor dela. Ela ficou perdida, teve que parar para pensar no que fazer.

Até que uma idéia surgiu.

Princesa Luna olhou para o céu, — “Talvez lá de cima fique melhor para nós escutarmos!” — num bater de asas rápido, ergueu-se em direção ao céu noturno, visando em observar melhor a cidade do alto e concentrar-se na real fonte desses sons.

No mais alto céu de Canterlot, ela olhou em volta. Incrivelmente, esses sons viam de todos os lados. Ela se perdia dando várias voltas em torno de si mesma. Isso era inútil, ela pensou. Parou o que estava fazendo e decidiu deitar-se na nuvem cinzenta mais próxima.

Luna fechou os olhos e partiu-se a se concentrar apenas nos sons que ela ouvia naquela noite. Eram sussurros fracos, mas ela se esforçava para ouví-los atentamente. Sua irmã mais velha lhe disse uma vez sobre esse fenômeno, ocorria sempre durante o dia. Mas Luna discordava dela dizendo que era ridículo, ela nunca ouvira esses sons esquisitos durante a noite.

Isso preocupou Celestia, mas ela pediu para que Luna prestasse mais atenção toda vez que erguesse a Lua.

— “Será que era isso que nossa irmã queria nos dizer? Esses sons…”

As vozes ficavam mais claras conforme Luna se concentrava em ouví-las. Ela apertou um pouco os olhos, aumentando a concentração.

Das vozes sussurrantes, ela conseguiu ouvir claramente boa parte delas. Frases completas vinham em ondas, cada onda formava uma imagem em sua mente de cada pônei que as pronunciavam:

“Linda noite, querida…”

“É mesmo, nunca vi um céu tão estrelado em toda minha vida…”

“Uau! O que nossa Princesa Luna fez é surpreendente! Que céu magnífico!”

“É de encher água nos olhos…”

“Pai, quantas estrelas há nesse céu? Nunca vi tantas e tão juntas…”

“Ah, filhão. É difícil dizer… A Princesa Luna caprichou tanto nessa maravilha que contar quantas estrelas há nesse céu que demoraríamos milênios para descobrir…”

“Ufa! Pensei que a noite nunca iria chegar! Essas plantas já estavam desesperadas por um descanso noturno! Salve, Princesa Luna, por essa noite maravilhosa!”

“Estrelas no céu, estrelas nos jardins. Uma combinação majestosa de nossa Princesa.”

“Obrigado, Princesa. Pela maravilhosa noite que você nos agraciou hoje.”

“Amém!”

“Ei, amor… Será que a Princesa está feliz com seu trabalho?”

“Heh! Claro que está, querida… claro que está…”

Princesa Luna abriu os olhos de uma forma brusca; encontrou-se novamente em cima de uma nuvem cinzenta. Sua respiração estava meio ofegante e finas linhas aquosas escorriam em seu rosto negro. O que foi aquilo tudo, ela perguntou para si mesma.

Ela não sabia o que acabara de ocorrer em seus pensamentos, muito menos do que acabara de ouvir desses sons andarilhos. Mas uma coisa ela tinha certeza: Eram palavras de amor, de adoração.

Pela primeira vez em mais de mil anos, ela ouviu amor em sua solitária noite de trevas. Aquilo a envolveu como um abraço, um calor latente aqueceu em seu peito como nunca antes. Isso a assustou de início, mas logo percebeu que era quente, caloroso, aconchegante. Ela deitou naquela nuvem e apreciou cada segundo desse calor espiritual.

Um líguido fino deslizou de suas pálpebras; uma lágrima. Mas aquela não era de solidão; de angústia; de inveja; ou mesmo de ódio. Essas categorias mundanas não existiam mais em sua alma.

Não.

Eram de alegria; felicidade; reconhecimento. Eram lágrimas de compaixão e adoração. As primeiras lágrimas felizes que ela expurgou daqueles olhos, acostumados com a tristeza e a lamúria.

— “Então eram esses sons que nossa queridíssima irmã ouvia durante seus mandatos diurnos…” — ela fungou um pouco, — “Que… coisa magnífica… tão… linda e… apaixonante…”

E naquela nuvem ela ficou. Só por uma noite, ela ficou apenas apreciando aquelas vozes amorosas. Naquela nuvem, tomando uma cor mais clara, mais rosa. Aquela noite, tempo noturno do reino das trevas, era uma noite de amor; de apaixonados.

Só por uma noite, ela quis apreciar cada momento daquele calor.

Só por uma noite…

Princesa Luna voltou a si de seus pensamentos. Ela levantou a cabeça de forma brusca, como se tivesse acordado de um sonho. De um sonho magnífico, do qual ela jamais esqueceria.

A alicórnia de pelarem azul-sombrio estava de volta ao centro do quarto de sua irmã, Princesa Celestia, sentada em cima de um tapete circular grande. Ela estava se lembrando aos pouco de onde estava, antes de estranhamente ter adormecido durante seus pensamentos.

Luna olhou para as costas de sua irmã, que escrevia em sua escrivaninha, e levantou um leve sorriso no canto de sua boca, — “Acreditamos em tuas palavras, querida irmã. Esses cidadãos, apesar de parecerem muito diferentes, possuem o mesmo amor e compaixão das gerações anteriores, ou até muito mais. Nós sentimos que aprenderemos muito com eles!”

— “Sua força de vontade me alegra, Luna.” — a alicórneo branca sorriu. — “Você está crescendo tão rápido… Eu sempre me esqueço que você não é mais aquela pequenina potra que não conseguia nem pronunciar meu nome direito.”

Ela riu enquanto continuava a falar, — “Era sempre “Tia”, “Tia”, “Tia”. Hihihi! Era uma gracinha!”

Luna corou e cruzou suas patas, envergonhada, — “Ai, Celestia. Também não é pra tanto, né?”.

Celestia deu mais uma risada. Luna ficou mais vermelha ainda.

— “Queríamos dizer,” — Luna limpou a garganta ao colocar a pata perto da boca. Ela empinou o nariz ao sacudir sua crina pro alto, — “Ainda temos muito o que aprender, querida irmã. Deixarei teu cômodo particular agora. Estamos famintas e precisamos nos alimentar. Tu vens em seguida, irmã?”

A pena ainda levitava perto de Celestia, escrevendo alguma coisa em um rolo de pergaminho, que também flutuava por causa da magia de seu chifre.

— “Só terminando algumas linhas. Mas, Luna, você sabe que não precisa mais continuar a usar o “Nós” e o “Tu” em suas frases. O mesmo vale para a nosso antigo “grito” quando nos indagamos aos nossos súditos. Era isso que eu me referia antes quando disse que estava quase se adaptando à essa Nova Era. Em nossos cidadãos de hoje, não se usa mais esse tipo de conversação e eles não compreenderão o uso deles em seus futuros discursos ou mesmo em suas conversas diárias. Você pode até assustá-los com isso.”

Luna riu, — “Haha! Irmã, tu já estás à exagerar. Nossos súditos não devem ser tão frágeis assim!”

— “Queria acreditar em você, irmã…” — e num movimento sutil, Celestia assina a carta flutuante.

A porta bateu. Ambas as irmãs olharam para porta.

— “Deve ser um dos nossos guardas…” — , pensou Celestia — “Entre, por favor.”

A porta abriu em um estalo, entrou no cômodo um pônei cinza adulto com uma armadura lilás-escura. Seus olhos amarelos eram instingantes, como os de uma cobra. Ele, antes de começar a pronunciar suas palavras, olhou para as princesas, certificando de que não as incomodava.

— “Perdão incomodá-las, minhas princesas, mas o jantar já está servido…”

— “Incomodo algum, meu caro Greybloom.” — respondeu Celestia. — “Já estamos a caminho de lá.”

— “E…” — continuou Greybloom — “… seus três convidados já estão a suas esperas.”

Celestia refletiu por um breve momento e acentiu com a cabeça, — “Claro. Obrigada por nos avisar, caro Greybloom.”

O guarda real fez uma breve reverência, — “Estarei do lado de fora se precisar, Princesa.” — e fechou a porta num estalo.

Luna se vira para sua irmã mais velha, — “ “Convidados”, irmã?”.

— “Sim, Luna. Há algum problema?”

— “Quem são esses convidados? Não lembro de termos sido avisadas de que teríamos convidados no nosso jantar.”

Celestia percebeu sua intonação em “nosso”. Luna não gostou nem um pouco de ter ficado fora dos assuntos, sejam eles pessoais ou reais. Uma pequena reunião marcada, no meio do jantar entre elas, e somente elas, e Princesa Luna não foi avisada disso?

— “Foi de última hora, querida irmã.” — respondeu Celestia. — “Aquela carta que mandei agora pouco foi enviada para esses convidados, preciso muito falar com eles sobre uns assuntos. Umas providências que farei para um grande evento que acontecerá em alguns dias.”

— “Ah, sim… o último show de uma pônei conhecida pelo seu surpreendente talento musical.” — pensou Luna, — “Mas por quê Celestia está preocupada com um simples show de música?”.

— “E não se preocupe,” — continuou Celestia. — “Essa pequena reunião não irá atrapalhar nosso jantar. Só terei uma breve conversa com eles, nada mais. E, assim que terminarmos, iremos para o Grande Salão. E, claro, seria uma indelicadeza minha convocar eles para uma reunião importante no meio da noite sem oferecer as comodidades da casa, não?”

Luna relinchou, “Claro, irmã. Tu estás certa quanto a isso. Não nos importamos que haja convidados em nossa mesa, mas o que nos incomoda é quem são esses convidados. Acreditamos que não conhecemos nenhum deles…”

— “Mas acredito que já ouviu falar deles. Ou mesmo já leu a respeito de alguns.”

Luna levantou uma sobrancelha, mas ela não disse nada de volta. Ela já duvidou demais das palavras de sua queridíssima irmã mais velha hoje. Duas vezes já bastam, uma terceira seria um exagero. Luna não gosta de ficar contra sua irmã, ela queria voltar a apoiá-la, como antes. Não há por que duvidar de mais nada naquela noite.

— “Muito bem!” — Luna deu com o casco no chão, — “Que sigamos nosso caminho à essa reunião! Já que é algo breve, que terminemos de uma vez. Nossos estômagos proclamam por boa refeição!”

Celestia deu risada, — “Claro, Luna. Claro.”

A alicórnia pálida enrolou o pergaminho com sua magia e, num brilho extra em seu chifre, a carta desapareceu, — “A última carta da noite.” — pensou Celestia. — “Isto é… se depender do que resolvermos no fim da reunião…”.

Celestia se levantou e virou o corpo em direção à porta, acompanhando à direita de Luna.

A porta imediatamente abriu. O guarda real, Greybloom, estava abrindo caminho para as princesas, ele ouviu seus passos chegando a porta e, imediatamente, tomou a iniciativa.

Ao passarem pela porta, as princesas agradeceram ao guarda por abrir a porta e por ter esperado por elas. O guarda acentiu com a cabeça, confirmando o agradecimento.

As princesas atravessavam um comprido corredor. Ele estava pouco iluminado pelas velas, mas podiam-se ver belos quadros, cortinas bordadas e vidraças coloridas para compor as paredes peladas dos corredores. Cada vidraça ilustrava uma figura diferente. De um outro tempo, de uma outra história, marcado pelas gerações. Luna passava por elas quase todos os dias quando visitava o cômodo particular de sua irmã e sempre se esquecera de perguntar as histórias incrustadas naquelas vidraças históricas em formas e cores.

A irmã mais nova olhou para sua irmã mais velha, ao seu lado. Seu rosto olhava para frente, mas ela via que os olhos de Celestia moviam suavemente para os lados. Ela refletia, dentro de seus pensamentos enquanto andava.

— “Irmã…” — Luna disse suavemente.

— “Hã?” — Celestia acordou e olhou para Luna, em seguida. — “Sim, Luna?”

Mas ela parou de falar. Lembrou que estavam indo à uma breve reunião para, depois, jantar no Grande Salão. Ela percebeu que, se perguntasse sobre as histórias por trás dessas vidraças, teriam uma longa noite de contos e estórias. Aquela não era uma boa hora para perguntar, e forçar só leva ao estresse, tanto para sua ocupada irmã mais velha quanto para si própria.

— “Há algum problema, Luna?” — Celestia agora olhava para o rosto Luna.

Luna piscou e olhou para Celestia, gaguejando um pouco. — “N-não… não é nada. Só um… um pensamento que passou por nossa cabeça, mas não era deveras importante.”

Celestia estranhou, mas voltou a olhar para frente.

— “Nós não podemos ficar sempre dependentes dos conselhos de nossa irmã.” — Pensou Luna. — “Amanhã mesmo iremos visitar a biblioteca para fazermos uma profunda pesquisa. Mostraremos para nossa irmã que estamos adaptando a essa Nova Era!”

Luna ergueu um pouco a cabeça, confiante com sua decisão para amanhã. Mas, subitamente, o silêncio que persistia no corredor foi quebrado por vozes que vinham do fim do corredor. Vozes altas e conflitantes. Umas ameaçavam as outras.

As duas princesas aceleraram seus passos em direção às vozes, que ficavam cada vez mais nítidas conforme se aproximavam.

— “…Acalme-se, Stubborn. — começou uma voz feminina a discussão, era bastante familiar para muitos. — Até parece que vai tirar o pai da forca com toda essa sua agitação!!”

— “É o caralho, Spitfire! Eu vou é tirar isso a limpo! — uma voz grossa tomou conta do corredor, era velha e escarrada. — Não aceito esse tipo de incompetência, ainda mais numa hora como essa!”

— “Não há porque se enraivecer por causa disso, senhor.”  — uma voz masculina mais jovem intrometeu-se no meio das duas mais velhas. — “A Princesa queria, de alguma forma, falar conosco. Afinal, as cartas foram enviadas para nós três. Deve ser importante…”

— “Não se meta, seu mequetrefe. Se não sobra para você também!”

— “Stubborn! Pare com isso! Estou avisando!”

— “Ó, Spitfire! A esquina tá logo na entrada do castelo. Vá ver se eu tô lá!”

— “Argh!”

Luna não se aguentava mais dessa estranha agitação no fim do corredor, — “O quê estava havendo lá?” — , pensou ela.

— “Irmã? O que em nome de Equestria…?”

— “Também não compreendo, Luna. Eram para estar nos esperando no Grande Salão…”

— “Hã? Essas vozes em conflito… são dos nossos convidados?” —  disse Luna, incrédula, ao erguer uma sobrancelha.

As duas princesas foram ao encontro dessas vozes. Chegando ao perto do fim do corredor, há uma bifurcação para outros dois corredores. Um para a esquerda e um outro para a direita. Antes que elas pudessem chegar no final, os donos dessas vozes nervosas surgiram no corredor da direita, indo ao encontro delas.

— “Eu mereço uma explicação concreta sobre– Ah! Aí estão elas!” — indagou um pônei adulto de pelagem marrom escuro ao apontar para as duas princesas.

O pônei vestia um uniforme militar preto com algumas insígnias douradas no peito. Sua crina era um tanto bagunçada, deslumbrava uma cor cinzenta. Seus olhos amarelos fintaram nas duas princesas, que foram surpreendidas pelo grupo.

— “Saudações, altezas.” — Os dois pôneis que acompanhavam o pônei militar fizeram uma breve reverência, abaixando suas cabeças.

— “Spitfire, Foreign Eye, Capitão Stubborn.” — Celestia citou os nomes em cada lance com a cabeça, — “Fico feliz que aceitaram o convite tão repentino…” — Ela levantou um sorriso calmo.

Spitfire, líder do Esquadrão D e Capitã-Chefe da Força Aérea Equestriana, os Wonderbolts. A crina flamejante de laranja e amarelo marcava sua presença e transmitia claramente seu curto temperamento. Ela usava um collant azul-claro com algumas estampas amarelas na forma de raios, era o uniforme oficial dos Wonderbolts.  Bastante conhecida por sua grande habilidade aérea e atingir velocidades incríveis em segundos, ela era umas das pégasos mais jovens a conquistar um cargo tão alto em séculos. Há quem diz que ela conseguia ultrapassar a barreira do som! Rumores é que não faltam em qualquer lugar.

Foreign Eye, Conselheiro e Diplomata oficial do Reino das Terras Férteis em Canterlot. Usava as cores padrão de um terno: cinza e gravata vermelha. Sua pelagem cor-de-creme escura e olhos marrons penetrantes davam mais destaque que seu terno cinzento em seus clientes. Sua crina não era tão longa, era curta e fazia uma curva para trás, como um pequeno topete, enrolado em volta de seu chifre. Viajante e muito perspicaz, seus conhecimentos e experiências adquiridos ao longo de sua vida, através de lugares e povos que ele visitou, estão registrados em vários livros que escreveu.

“As Milhas de Clousdale”, “Appleloosa É Logo Ali Adiante”, “Rio Grande e Sulista”, “Terras Férteis Para Lá de Absurdas!” e entre muitos outros.

Aparentemente, esses três indivíduos foram convidados pela Princesa Celestia para uma pequena reunião no Grande Salão, mas alguma coisa os incomodou para não esperarem lá e irem eles mesmos ao encontro delas.

— “… E peço perdão se eu os interrompi de alguma coisa importante–”

— “Claro que não, Nossa Alteza!” — Spitfire respondeu, interrompendo Celestia sem querer. — “Basta chamar que estaremos aqui num piscar de olhos! Independentemente do que estivermos fazendo!”

— “Na verdade, não viemos aqui por que Vossa Majestade nos convocou…” — Stubborn engrossou sua voz. — “Mas por falta de competência da senhorita.”

Celestia ficou calada. Luna olhou torto e cerrou seus lábios para Stubborn, — “O quê faz esse ser pensar que pode falar assim com minha irmã?”.

Spitfire, na mesma hora, deu uma cotovelada em Stubborn.

— “Porra, Stubborn! Mais respeito com a Princesa!” — sussurrou ela no canto da boca, entre os dentes, para Stubborn.

Stubborn apenas virou a cabeça e disse, — “Fique calada se você não tem nada de útil a dizer, Spitfire.”

Spitfire ficou vermelha e relinchou forte, enfurecida. Ela olhou para as princesas e apenas virou o rosto pro lado, engolindo sua raiva.

— “Poderia explicar-se, Capitão?” — perguntou Celestia com um tom calmo.

— “Como Nossa Majestade disse, Nossa Humilde Princesa nos convocou para uma curta reunião em seu castelo.”

— “Sim…” — confirmou Princesa Celestia.

— “Pois sabemos que,” — continuou Stubborn, — “quando recebemos uma carta de Nossa Humilde Princesa, significa algo realmente importante para nos convocar nessa hora tão tarde da noite.”

— “E a carta continha informações sobre a reunião, exatamente como a escrevi–”

— “Sim.” — interrompeu Stubborn, elevando seu tom. — “Poderia conter informações sobre essa reunião… se tivesse alguma coisa escrita nela.”

— “Como?” — Celestia levantou uma sobrancelha. Ela não compreendeu o significado daquela frase de Stubborn.

Spitfire deu um passo a frente, — “Bom, Nossa Majestade… A carta que Nossa Alteza nos enviou meio que… Hã…”

Stubborn tirou, com sua boca, um pergaminho enrolado de dentro de sua roupa. Ele desenrolou o papel e o lançou ao chão, em frente para Celestia.

— “Está em branco.” — completou Stubborn. — “Não tem nada escrito nela.”

Celestia não estava entendo. Como aquela carta poderia estar em branco? Ela tinha certeza de que escreveu tudo que tinha que conter na carta e executou os feitiços de Duplicação e de Teletransporte corretamente. Algo estava errado… mas ela não entendia onde. A menos que…

— “Essa não…” – pensou Celestia, – ”Será que…?”

Celestia lembrava de ter puxado o pote de tinta para sua pena, mas não lembrava de ter lido o rótulo direito antes de usá-lo. Ela acreditava que, ao invés de tinta que ela tinha levitado da gaveta, ela levitou um pote de tinta invisível. Deve ser por isso que a carta estava em branco.

— “Então quer dizer que…” — Lembrou Celestia mais uma vez, da segunda carta que ela enviou. — “Oh, céus…” — ela brevemente fechou os olhos, um pouco envergonhada pelo que fez e que poderia ter evitado se tivesse prestado mais atenção.

— “Capitão Stubborn,” — começou Celestia, num tom melancólico, — “peço perdão pelo ocorrido. Garanto-lhe que não irá ocorrer novamente.”

— “Acho bom, Nossa Majestade. Seria muita irresponsabilidade de sua parte se ocorresse isso o tempo todo.”

Spitfire deu outra cotovelada no ombro de Stubborn. Foreign Eye apenas rolou os olhos e suspirou. Luna cerrou seus olhos e apertou os lábios, começando a se irritar de verdade com a atitude desse indivíduo.

Celestia assentiu com a cabeça, — ”Sim. Deveras seria. Antes que possamos ir para o Grande Salão para conversar mais a respeito, gostaria de conversar com Sr. Eye em particular.”

Foreign Eye assentiu com a cabeça, — “Sim, Vossa Majes–”

— “O que é de tão secreto que não pode ser compartilhado com o Comandante- General do B.O.T.E., Nossa Humilde Princesa?” — cortou Stubborn feito uma navalha em manteiga, metendo-se no meio da conversa.

Spitfire ia abrir a boca para mandar Stubborn parar com essas suas atitudes imponentes, mas uma voz mais sonora intrometeu-se.

— “Não te metas em assuntos reais, Capitão. Se sabes o quê é bom para tua “humilde” saúde.” — A voz estridente de Luna voou diretamente para Stubborn, a crina dele esvoaçou um pouco por causa do vento propagado pela sua voz.

Stubborn apenas levantou o casco para ajeitar sua boina, sem tirar os olhos de Luna.

— “Vá dormir, criança. A conversa entre adultos não chegou no berçário ainda.”

Os olhos de Spitfire arregalaram, — “Você ficou louco?!!” — foi a única coisa que veio em sua mente.

Princesa Luna deu uma patada forte no chão, fazendo todo o corredor tremer pela enorme força projetada, criando algumas rachaduras por baixo de seu casco. Seus olhos começaram a brilhar ofuscamente com uma luz branca e sua crina estremeceu freneticamente. Apesar do corredor ser fechado, uma suspeita ventania começou a circular pelo mesmo, parecendo que um tufão havia adentrado pelas alas do castelo.

Luna nunca se sentiu tão desrespeitada em sua vida. Quem é aquele mortal e quem ele pensa que é para falar desse jeito com uma divindade como ela? Uma punição severa e dolorosa deve ser executada por tal afronta contra a realeza. Ele deve pagar pelo que disse.

— “Quem tu pensas que és para virar essas palavras contra a realeza?!” — A voz de Luna ficou mais grave e poderosa, fazendo com que a ventania que estava no corredor ficasse mais forte do que antes. O som de sua voz misturava com gritos de vários pôneis, como se uma multidão estivesse gritando todos ao mesmo tempo, — “É uma afronta revoltante e desrespeitosa que não tolerarei vinda de um ser como você!”

Stubborn não se mexeu, ele ainda estava de pé e firme enquanto os outros dois convidados tentavam permanecer no chão por causa da forte ventania no estreito corredor. Stubborn deu um passo a frente, em direção a Luna.

— “É bom você baixar essa pose majestosa, Princesa. Não tenho medo de você ou do que você pode fazer. Já vivi coisas piores que você nem sonha em viver.” — ele deu mais um passo, ficando frente a frente para ela, — “Você não vai fazer alguma diferença.”

Princesa Luna olhou no fundo dos olhos do mortal. Apesar de estar quase tomada pela irritação do mesmo, ela conseguia sentir uma estranha conexão nos olhos de Stubborn. Aqueles olhos… Que olhos eram aqueles?! Que sensação é essa que causavam em Luna? Como é que ele…?!

Luna deu um passo para trás; um curto e assustado passo. Por causa disso, ela sentiu ainda mais raiva do que antes. Um mero mortal fazendo uma princesa como ela recuar?!

Seu destino estava selado. Os olhos de Luna brilharam ainda mais, seu chifre começou a borbulhar faíscas e suas asas abriram de uma forma ameaçadora, aparentemente deixando-a maior do que antes.

— “Eu, Princesa Luna de Equestria, Guardiã da Noite e da Lua, vou puní-lo pelo desacato contra a realeza e –!!”

— “Princesa Luna, já chega.”

A voz de sua irmã mais velha, Princesa Celestia, intrometeu-se no conflito assim como seu casco que apartou os dois. Luna olhou para Celestia, com os olhos ainda brancos e brilhantes, e sua respiração forte e enraivecida.

— “Irmã. Não te intrometas.” — Luna retrucou, — “Não podemos ficar caladas ou imóveis diante dessa afronta desrespeitosa–”

— “Eu disse chega!” — Celestia descansou o casco no ombro de sua irmã, tentando acalmá-la. Sua voz não demonstrava nada, apenas… calmaria. — “Acalme-se. É tudo que lhe peço no momento.”

A ventania ainda não cessara do corredor. Crinas e roupas batendo e estalando nos corpos dos indivíduos, lentamente, diminuíam. O forte vento no corredor estava se transformando numa fria brisa, os olhos de Luna perdiam seu brilho pálido e seus lábios escondiam seus dentes cerrados conforme o tempo progredia.

Princesa Luna descontrolou-se por um momento, por um breve momento. Ela não sente nem um pingo de vergonha por isso, apenas raiva e frustração por uma Princesa ser desrespeitada dessa maneira por um reles mortal. Sua respiração ainda estava forte, sua raiva estava sendo descontada pelas poderosas baforadas de suas narinas.

Princesa Celestia abaixou o casco e virou-se para Stubborn.

— “O que vou pedir ao Sr. Foreign Eye é apenas um favor, Capitão Stubborn. Não é nada referente a reunião em si.”

— “Acredito…” — Stubborn relinchou. — “Se não é nada útil e de deveras importância para a reunião, então não presta para nada. Estarei esperando Nossas Humildes Princesas no Grande Salão para a reunião.”

Stubborn virou o corpo e caminhou para o fim do corredor. Antes de ele dobrar a esquerda do corredor, ele parou e, sem virar o rosto, bradou:

— “Spitfire! Mexa esse flanco mole de uma vez! Deixe de ser enxerida.”

— “Olha como fala comigo, sua mula-manca!” — Spitfire limpou a garganta e virou a cabeça para as Princesas, — “Erm, com licença e perdão, Vossas Excelências..”

Spitfire fez uma rápida reverência, trotou rapidamente para o fim do corredor e dobrou a esquerda. Pôde-se ouvir os dois discutindo e trocando xingamentos. Spitfire reclamava da atitute prepotente e maluca de Stubborn ao desrespeitar as princesas daquele jeito e Stubborn apenas respondia de ombros. Spitfire ficava fula com isso. Aqueles dois não tem jeito…

Celestia soltou um longo suspiro, a tensa situação finalmente se acalmou. Mas não para Luna; ela ainda não admitia a total falta de respeito daquele mortal insignificante. Como ele ousa ofender e desrespeitar uma autoridade máxima como a Princesa Celestia ou mesmo ela mesma?! Isso é algo que ninguém da realeza deveria permitir. Confrontar palavras tão afiadas e ameaçadoras contra a realeza era inaceitável; inadmissível; insensato.

— “Luna…?” — Celestia chamou calmamente sua irmã.

— “Hã?” — Luna piscou, — “Sim, querida irmã?”

— “Espero que não tenho ficado zangada ou irritada com o que ocorreu agora pouco.” — o tom que Celestia demonstrava era de preocupação. — “Por favor, não se incomode com–”

— “Não te preocupas, irmã.” — Disse Luna, com a voz mais calma. — “Entendemos o que queiras dizer. Não vamos mais ir contra tuas palavras. Só pedimos perdão pelo nosso descontrole…”

Celestia ficou em silêncio por um momento. Mas respondeu a Luna com um leve sorriso e levantou gentilmente o rosto de Luna com seu casco sob o queixo dela.

— “Não se culpe, Luna. Como já lhe disse: Não é culpa sua pelo descontrole. Isso se aprende com o tempo e dedicação no controle de suas emoções. Fico feliz que esteja amadurecendo a cada minuto que passa!”

Luna forçou um sorriso no canto de sua bochecha. Ela sabia que não está amadurecendo nada. Aquele descontrole poderia ter sido evitado; as palavras ameaçadoras de Stubborn começavam a se tornar realidade para Luna. E aquilo a incomodava muito.

Mas uma coisa a deixava realmente irriquieta.

Aquele reles mortal, de alguma forma, fez ela recuar. O seu olhar feroz e angustiante fez uma Princesa, um ser nobre da realeza, dar um passo assustado para trás. O que há por trás daqueles olhos? Por quê ela recuou por causa daqueles olhos? Qual a sua história?

Princesa Celestia e Foreign Eye começaram a trotar para frente de Luna. Celestia levantou levemente a cabeça, sinalando para Luna que os acompanhasse.

Luna, na mesma hora, deu um leve salto para frente, apressando o passo para o lado de Celestia. A conversa entre Celestia e Foreign Eye havia finalmente começado, mas conforme iam andando e ficando mais distante do seus locais de origem, suas vozes ficavam cada vez mais baixas pelo longo corredor. Os três indivíduos estavam indo calmamente para o Grande Salão. Seus trotes ecoavam pelo estreito corredor, assim como suas vozes; até cessarem de uma vez por todas, deixando para trás nada além da poeira e do silêncio vazio.

Dia de circo – parte 3

 

Título original: Circus Day

Tradução: Lucas T.

Autor: Dragon Warlock

[Parte anterior]

Spike seguiu Marik até a entrada da tenda, onde viu uma grande arena. Nela havia alguns monociclos, bolas de malabarismo, uma corda estendida no alto com uma rede abaixo dela, algumas jaulas de animais e arcos. Ele também viu três pôneis que pareciam estar ensaiando para a próxima apresentação. Um estava montado em um dos monociclos, outro praticando mágica com uma cartola, onde muitas borboletas voavam para fora dela. O terceiro pônei estava no alto da corda andando através dela com seus cascos da frente enquanto os de trás estavam levantados.

“Atenção todo mundo!” Gritou Marik. “Deem uma pausa no ensaio por favor, temos um visitante.”

Os três artistas pararam o que estavam fazendo e foram até o mestre de cerimônias, onde Spike finalmente pôde observá-los melhor.

Aquele que estava no monociclo era um pônei terrestre, com maquiagem branca no rosto, um sorriso pintado em vermelho e usava um nariz de borracha também na cor vermelha. Estava vestido com um terno ornamentado com várias bolinhas e uma flor de esguichar água. Ele tinha uma calda e crina muito volumosa na cor laranja, ​​olhos castanhos, e sua pele era na cor azul petróleo. Spike notou que sua marca especial era uma boca que parecia estar sorrindo.

Aquela que estava fazendo truques mágicos era obviamente uma unicórnio e estava vestindo uma capa e um chapéu de seda, ambos na cor branca. A capa não cobria totalmente sua marca especial onde Spike viu uma cartola de ponta cabeça com faíscas saindo de dentro dela. Ela tinha uma pele azul escura, com uma fisionomia semelhante à de Twilight, olhos púrpuras e uma longa crina e calda nas cores marrom.

Aquele andando na corda era um pégasus muito magro, tinha uma crina verde cortada no estilo moicano, olhos azuis, e uma pele cinza, estava usando apenas uma faixa vermelha na cabeça. Spike viu que sua marca especial era um pônei apoiado com seus cascos frontais e os traseiros fazendo um coice.

“Spike, quero que você conheça meus amigos e artistas.” Disse Marik. “Este é Larry, o pônei bufão. Ele sempre quis fazer outros pôneis sorrirem até se tornar um comediante.”

Larry deu um sorriso de satisfação e apertou a mão de Spike com seu casco. “Prazer em conhecê-lo Spike.” Disse com um sotaque de Manehatan.

“Aqui está nossa amada mágica, Alexis.” Disse Marik apontando para a unicórnio. “Ela pode ser uma unicórnio, mas sempre queria impressionar o público como uma artista. Alexis consegue tirar muitas coisas fora de sua cartola, e eu sempre me pergunto se não seria algum tipo de portal dimensional, mas ela vive dizendo que um mágico nunca revela seus segredos.”

Alexis corou e murmurou com uma voz suave parecida com a de Fluttershy. “Olá Spike.. eu..hu…espero que esteja gostando daqui.”

“O último mas não menos importante, é o mais ágil do nosso grupo, Pierce. Ele adora fazer manobras e acrobacias perigosas, é  muito talentoso para andar em cordas e ama viver no limite. Ele sempre fica com suas asas amarradas para não voar, já vi ele atravessar a corda bamba com suas patas dianteiras, andar em uma roda de carroça através dela, e até mesmo com um monociclo sem rede de segurança. Ele é uma lenda entre nós.”

“Ah corta essa Marik.” Disse Pierce. “Você está me embaraçando.”

Marik deu uma risada alta, e bateu nas costas de Pierce fazendo um som de clop. “Bobagem meu amigo, você é muito talentoso assim como o resto de nós.” Pierce coçou a cabeça e desviou o olhar para tentar esconder seu constrangimento.

“Hum… Marik?” Disse Spike. “Você disse que você e seus amigos sabem o que é se sentir sozinho. Por que? Parece que vocês são amigos há muito tempo.”

Os três pôneis e Marik deram um sorriso triste. O mestre de cerimônias andou para frente e descansou seu casco direito em Spike. “Bem, quando éramos crianças perdemos nossos pais, e estávamos todos no mesmo orfanato de Phillydelphia. Era um lugar terrível, os quartos eram adornados com papéis de parede velhos e rasgados, o chão estava sempre sujo, a comida era péssima, havia pouquíssimos brinquedos, o diretor era um pônei muito cruel, e as camas eram duras como pedra. Nós éramos sempre perseguidos, e sofríamos gozação de outras crianças o tempo todo. Cada um de nós tinha medo de fazer amigos, uma vez que não sabíamos em quem confiar, e tem sido assim durante seis longos anos.”

“No entanto, um dia eu vi que Alexis estava chorando perto de uma árvore, e decidi ir até ela para saber o que estava errado. Ela me disse que um dos unicórnios usou mágica para pendurar o chapéu dela no topo de uma árvore, e que não possuía habilidade suficiente para pegá-lo de volta. Eu decidi ajudá-la golpeando a árvore com meus cascos traseiros, e depois de alguns coices ele finalmente caiu. Alexis me abraçou, e então Pierce e Larry vieram depois de ver o que eu fiz. Todos eles gostaram da forma como ajudei Alexis. Então nós conversamos muito entre nós, e descobrimos que tínhamos muito em comum; perdemos nossos pais, não tínhamos amigos, e éramos sempre perseguidos por outros pôneis do orfanato. Desde então, passamos a ficar juntos todos os dias.”

“Então como vocês conseguiram suas marcas especiais?” Perguntou Spike. “Deve ter levado muito tempo.”

Marik riu e disse, “Na verdade, não levou tanto assim. Poucos dias depois de nos tornarmos amigos, ficamos sabendo que o orfanato estava promovendo um show de talentos e que teria um prêmio especial. Todos nós fomos forçados a participar e fazer tudo de acordo com a categoria em que seríamos enquadrados. Nossa categoria era circo, e então planejamos o que cada um deveria fazer. Fui eleito para ser líder e domador, já que sempre estive liderando o grupo e tinha um jeito com animais. Alexis aprendeu mais sobre magia e de como fazer truques, então ela foi eleita a mágica. Larry sempre brincava conosco com suas pegadinhas malucas, então ele se tornou o palhaço. Pierce sempre dizia que era flexível, o que era verdade. Ele conseguia fazer várias cambalhotas, e também andava com os dois cascos da frente, então ele fez o acrobata.”

“Então nós passamos a treinar bastante o que iríamos fazer no dia do show de talentos. Eu anunciei com minha voz alta sobre o grande evento no orfanato, e impressionei a todos com a minha capacidade de domar um cão vira lata que o diretor encontrou. No fundo, o diretor estava esperando que o cão fosse nos atacar. De fato ele relutou muito, mas graças às minhas habilidades fui capaz de fazer esse cão obediente e adorável em apenas 2 minutos.“

“Pierce foi o último, e o mais impressionante de todos nós. Ele andou em um cabo de aço amarrado do telhado até uma árvore que era tão alta quanto o próprio prédio do orfanato. Para garantir que não estava trapaceando, ele amarrou suas próprias asas, e em vez de andar sobre a corda com os quatro cascos, usou apenas suas patas dianteiras para atravessar. A multidão ficou chocada, mas quando ele conseguiu chegar no outro lado, recebeu uma salva de palmas tão alta que poderia acordar todos em Fillydelphia. Pierce ainda fez um grand finale andando de monociclo em toda a corda bamba novamente. Outra vez a multidão ficou em estado de choque, e quando Pierce atravessou toda a corda recebeu aplausos, relinchos e gritos tão altos que a vizinhança chegou a pensar que Fillydelphia estava sofrendo um terremoto.”

“Quando o show de talentos acabou, foi anunciado que nós éramos os vencedores, mas não nos importamos muito com isso. Nós olhamos para a multidão nos aplaudindo e nos chamou a tenção a forma como os deixamos contentes. Foi onde vimos um brilho repentino, e quando olhamos nossos flancos lá estava nossas marcas especiais.”

Spike olhava com admiração. “E como vocês deixaram o orfanato?”

“Eu já ia chegar nessa parte. Desde que vencemos o show de talentos, descobrimos que nosso prêmio era uma viagem de campo para Canterlot com o diretor. Vimos enormes edifícios históricos, obras de arte que era tão belo quanto o pôr do sol nas montanhas, e muito mais. Enquanto estávamos lá, vimos que havia outro circo chamado Cirque de Equestria. Nós demos uma escapulida do diretor para dar uma olhada, e vimos que não era exatamente como um circo, embora as pessoas estivessem se entretendo mesmo assim. Naquele momento, decidimos que com nossas habilidades poderíamos nos tornar artistas para entreter os outros, mas o diretor não concordou.”

“Quando voltamos para Fillydelphia, saímos todos da carruagem, com o diretor andando na frente até os portões. Ele pensou que nós estávamos o seguindo, mas nesse momento fugimos pelas ruas, enquanto ouvíamos ele gritar de frustração. Felizmente, ele nunca tentou nos encontrar, e por isso decidimos ir em outro circo que estava localizado fora de Fillydelphia chamado O Fantástico Circo de Fred. O dono nos ensinou como administrar um circo, e nós ainda pudemos fazer algumas apresentações para melhorar nossas habilidades. Infelizmente, o dono do circo sofreu um acidente pouco tempo depois que começamos a trabalhar. Decidimos tomar conta do circo e continuar o legado de Fred. Isso foi há quatro anos, e desde então estamos firmes no trabalho.”

Quando Marik terminou Spike ficou em completa admiração pela história e pelas dificuldades que eles superaram. Comparado a isso, ser assistente de Twilight parecia tão fácil.

“Aqui está, um símbolo da nossa amizade e agradecimento por nos ouvir.” Disse Larry entregando para Spike uma flor vermelha.

Spike sentiu um doce aroma vindo da flor. De repente, o nariz parecia que estava queimando, e o coçou. Antes que pudesse reagir, soltou um espirro e sua boca lançou uma enorme coluna de fogo verde que atravessou a grande arena, e pegou todos os pôneis de surpresa.

Os olhos de Spike estavam arregalados, e sentiu seu rosto avermelhar. “Eu…eu… sinto muito. Não quis fazer isso!”

Mas ao invés de levar sermão, Spike viu Marik e os outros aplaudindo.

“Spike, isso foi incrível! Você não disse que podia fazer isso!” Disse Marik contente.

Spike se sentiu envergonhado e orgulhoso ao mesmo tempo. “Bem, eu sou um dragão, então às vezes isso acontece.”

“Você não entende Spike.” Disse o pônei verde. “Você é um bebê dragão e já pode lançar chamas como um adulto! Você tem um talento muito especial.”

Spike não podia acreditar no que estava ouvindo. Ele não apenas fez novos amigos, mas estava sendo elogiado por um talento que possuía. Sentiu seu coração inchar como um balão.

“Tenho uma idéia, Spike.” Disse Marik. “O show começa em uma hora, então gostaria de praticar suas habilidades de lançar fogo e se juntar a nós no show?”

Spike ficou boquiaberto, de repente ele teve a oportunidade de participar de um show. “Sério?” O mestre de cerimônias deu um aceno. “Claro!” O bebê dragão gritou feliz. Cada pônei aplaudiu e gritou o nome de Spike. O dragão não podia fazer nada além de se sentir corado de novo.

“Vamos todos.” Marik interveio. “Precisamos praticar e nos prepararmos. Spike venha comigo para que possamos arrumá-lo.”

O dragão acenou e foi com Marik enquanto os outros voltavam aos seus ensaios. “Então o que eu vou fazer?”

“Só um minuto por favor.” Respondeu Marik. O mestre de cerimônias foi em uma parte da arena e colocou algumas toras na posição ereta, formando colunas. Cada coluna tinha dez toras resultando em dez fileiras. Quando terminou, Marik voltou para instruir Spike.

“O que você tem que fazer é queimar aquelas toras com suas chamas que nem fez antes, entendeu?”

O bebê dragão olhou desapontado, e murmurou algo para Marik.

“Fale alto meu amigo, não ouvi.”

Então Spike desabafou. “Eu ainda não aprendi a lançar chamas dessa forma. Aquele espirro que soltei é o único meio que me permite lançá-las.” Ele olhou para o pônei esperando uma reação desapontada, mas ao invés disso viu o mesmo sorriso gentil de antes.

“Considerando o que você fez antes imaginei que já fosse um especialista. Você tem muito potencial e nunca teve a chance de usá-lo?”

Spike acenou desanimado e disse, “Twilight sempre me ensinou a não fazer algo assim. Ela sempre me censurou e disse que eu deveria usar as chamas apenas para enviar correspondências.”

Marik franziu a testa ouvindo isso. “Sua amiga pode pensar que isso é o melhor para você, inclusive para evitar acidentes, mas suprimir sua habilidade foi um grande desperdício de talento. No entanto, há um jeito de você lançar as chamas como antes despertando todo o seu potencial que ficou adormecido.”

Spike olhou com expectativa. “Como?”

“Basta você deixar as chamas acumularem e, em seguida, deixar tudo sair para fora.”

Spike refletiu sobre isso por alguns minutos. Uma parte dele dizia que estava errado usar suas habilidades dessa forma, mas outra dizia que ele sempre estava sendo reprimido por Twilight. Então Spike se lembrou do que aconteceu com ele quando as outras o deixaram sozinho, e sentiu um pouco de raiva delas. Deixando sua consciência de lado, o bebê dragão tomou sua decisão.

“Tudo bem Marik, eu farei isso.”

“Muito bem Spike.” Disse o pônei verde com um pequeno sorriso. “A melhor maneira de usar o seu poder é deixá-lo acumular, e então, quando você sentir que não pode mais segurá-lo, basta deixá-lo sair.”

Spike acenou e decidiu tentar. Ele fingiu que ia entregar uma carta à Princesa Celestia, mas em vez de deixar as chamas saírem como de costume, deixou elas se acumularem em seu interior. Spike sentia seu peito queimar, e começava a passar mal. Ele tentou segurar o máximo possível, mas quanto mais segurava, mais dor sentia. Não aguentando mais, cuspiu uma enorme coluna de fogo que foi em linha reta até as toras.

Spike se virou para Marik lhe dando um sorriso. “Muito bem Spike, agora faça o mesmo com as outras colunas de madeira.”

Spike acenou e se concentrou ao máximo. Ele não só queimou uma coluna de toras, mas aprendeu rapidamente como lançar chamas em forma de arcos para queimar as outras colunas. Quando terminou, viu Marik se aproximando com um sorriso.

“Você fez muito bem, meu amigo.”

De repente, uma mensagem foi anunciada no auto falante. “SENHORAS E SENHORES!” Spike reconheceu a voz como sendo de Pierce. “O SHOW IRÁ COMEÇAR EM CINCO MINUTOS. POR FAVOR, DIRIJAM-SE ATÉ SEUS ASSENTOS E DIVIRTAM-SE NO MARAVILHOSO CIRCO DE MARIK!”

Marik olhou para Spike novamente. “Você fez um grande trabalho, Spike. Nunca vi tamanho avanço em um curto espaço de tempo. Esta noite, eu quero que você dê tudo de si para o público, entendeu?”

Spike balançou a cabeça e foi com Marik no lugar onde se encontraram pela primeira vez, e lá viu os outros artistas alongando e se aquecendo. Larry estava usando um pó branco para se maquiar, Pierce estava se esticando, e Alexis olhando alguns acessórios na mesa. Enquanto ele observava, Spike percebeu que a multidão do lado de fora se acalmava a cada minuto que passava, se dirigindo para dentro do circo. O bebê dragão se sentiu um pouco intimidado e nervoso com medo de falhar.

“Você será ótimo, Spike.” Disse uma voz repentina.

Spike se virou e viu que era Larry e os outros ao lado dele.

“Não se preocupe.” Disse Pierce confiante. “Todo mundo fica com medo do palco em sua primeira apresentação, mas sei que você consegue.”

“Sim, você consegue.” Disse a voz de Alexis. Nós estaremos aqui para apoiá-lo o tempo todo.”

Spike acenou e disse, “Obrigado, a todos.” Ele olhou para trás, na entrada para a arena e sentiu sua confiança levantar voo quando já estava pronto para ir até o picadeiro.