Comics, Comics nacionais

Dia das crianças em Equestria

Arte e roteiro: Drason

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Fanfic, Fanfics estrangeiras

Em suas asas

Título original: Under your wings

Autora: Askesalsa 

Gênero: Slice of Life

Tradução: Drason

SINOPSE: Scootaloo desaparece após uma discussão com Sweetie Belle e Applebloom. Quando Rainbow Dash decide investigar o ocorrido, acaba fazendo uma descoberta surpreendente sobre a pégaso laranja.

O autor Gabrieldltc fez uma comic baseada nessa fanfic que pode ser vista AQUI.

———

“Ei Rainbow Dash!”

A pégaso azul ouvia uma voz familiar a chamando. Ela estava no meio de um cochilo em uma nuvem depois de um dia cheio de trabalho. Em seguida, se esticou sobre a nuvem, espreguiçando as asas com um grande bocejo. Finalmente, foi até a borda da nuvem, olhando para baixo para ver Scootaloo de pé, a esperando.

“Ei Scoot.” Disse Rainbow Dash, sua voz ainda parecia cansada depois do cochilo. “O que foi?”

Scootaloo saltava do chão ansiosa. “Sem aula hoje! Vim o mais rápido que pude, pois não queria deixar você esperando!” A pégaso laranja parecia extremamente empolgada. Estava sorrindo de orelha a orelha, batendo suas pequenas asas enquanto pulava.

Rainbow Dash se lembrou que havia prometido dar a ela algumas lições de voo. “Tudo bem.” Respondeu a pégaso arco-íris, embora um pouco aborrecida por ter sido interrompida em seu sono, mas ela havia feito uma promessa, e sempre foi leal com a sua palavra. Rainbow pulou da nuvem, pousando graciosamente em frente a Scootaloo. A jovem pegasus parecia ainda mais animada do que apenas alguns segundos atrás, tremendo de felicidade. O tipo de alegria de uma criança quando fica diante de seu ídolo. Este era, naturalmente, o caso de Scootaloo, que admirava muito a pegasus azul.

“Então, já quer começar?” Perguntou Rainbow Dash. Qualquer má vontade que a incomodava logo desapareceu quando viu o rosto de sua fã. Sendo uma pônei orgulhosa e às vezes arrogante, ela sempre ficava feliz quando outros admiravam suas habilidades de voo, e nenhum outro pônei a admirava tanto quanto Scootaloo. “Como anda seu desempenho?”

Scootaloo se preparava batendo as pequenas asas, meio nervosa, abaixando a cabeça com um pouco de vergonha. “O que estou prestes a te mostrar é o mais longe que fui capaz de ficar no ar. E mesmo assim não foi por muito tempo.”

“Me mostre.”

As pequenas asas flutuavam em movimento, logo se tornando um borrão em função das batidas. A pégaso laranja fechou os olhos, concentrando-se, procurando bater as asas ainda pouco desenvolvidas o máximo possível. Lentamente, ela se levantou do chão, levitando no ar não mais do que alguns metros do solo. Ela começou a bufar um pouco em meio à tensão, mas se estabeleceu depois de alguns segundos. Sair do chão era sempre a parte mais difícil.

Rainbow Dash sorriu para a pégaso. “Tudo bem! Agora deixe-me ver até que altura você consegue chegar.” Ela ficou bastante impressionada com o progresso de Scootaloo. Foi a poucas semanas que a pégaso laranja conseguia apenas usar suas asas para mover seu skate. Isso foi, porém, durante o tempo que ela aprendia a voar, na época que Rainbow Dash não a treinava, e a pégaso azul sempre se perguntava por que seus pais não a ensinavam.

Scootaloo fez a mesma ação de antes. Ela subiu alguns metros antes de parar. Olhou para Rainbow Dash, com o suor cobrindo seus rosto. “Isso é o mais alto que posso chegar. Nessa parte estive treinando duro.”

“E você foi ótima. Não tanto quanto eu, quando tinha o seu tamanho obviamente.” Disse Dash brincando, mas com um pouco de orgulho em sua voz. “Mas você evoluiu muito em tão pouco tempo. Que tal começarmos a navegar hoje?”

“Navegar? Mesmo?” Scootaloo quase caiu no chão de tão surpresa, mas conseguiu manter o equilíbrio no ar. Rainbow Dash riu baixinho, deixando a pégaso laranja um pouco corada. Ela sorriu meio embaraçada. “Ops, hehe…”

Ainda rindo um pouco, Rainbow continuou. “Sim, navegando. Você praticamente tem o vôo sob controle. Daqui em diante, é só treinar. Que tal eu te ensinar como se deslocar de um lado para outro?”

Parece ótimo!” Dessa vez Scootaloo caiu no chão por ter exagerado na empolgação. Rainbow gargalhou, segurando a barriga para tentar se controlar.

“Ei, corta essa, Rainbow!” Disse Scootaloo, corando de novo. Ela levantou voo mais uma vez, agora um pouco mais rápido e com mais facilidade do que antes, embora ainda ofegante por alguns segundos.

Depois que terminou de rir, Rainbow Dash voou próximo de Scootaloo, afagando sua crina.

Scootaloo balançava a cabeça, tentando se manter estável no ar enquanto pairava.

“Eu vou ser honesta com você, nunca treinei ninguém antes, então vou lhe ensinar as mesmas coisas que meus pais me ensinavam quando eu tinha sua idade, tudo bem?”

Scootaloo balançou a cabeça concordando.

“Legal, primeiro passo: o peso influencia. Quando você quer voar em alguma direção, deve jogar o peso do seu corpo exatamente na direção desejada. Então, se por exemplo, você quiser ir para a frente, basta inclinar-se nesse sentido e então usar o peso do seu corpo para empurrá-la nessa direção. Entendeu?”

“Acho que sim.” Ela acenou novamente, engolindo seco meio nervosa.

“Ótimo. Agora tente me seguir.” Rainbow Dash inclinou para a frente, movendo-se lentamente em uma linha reta, sentindo a corrente de ar enquanto se movia. Ela olhou por trás de seu ombro para ver se Scootaloo estava fazendo o mesmo, embora um pouco hesitante. Scoot estava naturalmente nervosa, prestando atenção em cada movimento.

“Bom! Você está indo bem.” Dash a encorajou, sorrindo sobre seu ombro. “Agora tente se mover da mesma forma que eu, seguindo minha trilha.” Ela se inclinou para a direita, fazendo uma curva acentuada o suficiente para escutar o som do vento. Ela virou-se, de modo a tomar a frente novamente.

Scootaloo tentou fazer o mesmo, mas acidentalmente se inclinou demais, perdendo o equilíbrio. Ela oscilou um pouco através do ar em pânico antes de perder o controle, voando de forma desordenada enquanto tentava se restabelecer. Finalmente, a jovem pégaso acabou se chocando com o galho de uma árvore fazendo uma expressão de dor ante de cair no chão.

Os olhos de Rainbow Dash se arregalaram enquanto ela voava rapidamente até o local do acidente para acudir a pégaso. Elas não estavam tão alto, e a velocidade também não era elevada, mas mesmo uma pequena colisão poderia causar um estrago, de forma que Rainbow não poderia deixar de morder o lábio de preocupação. “Você está bem minha querida?” Ela perguntou, pousando ao lado de Scootaloo e a ajudando com seus cascos.

Scootaloo esfregou a testa um pouco dolorida, mas estava bem. Mesmo assim, Rainbow Dash sentiu que tinha que verificar por si mesma, desde que não quisesse uma pequena fã machucada.

“Vem aqui, deixe-me ver.” Enquanto Rainbow Dash verificava a cabeça de Scootaloo, ela não pôde deixar de notar a págaso laranja virar sua cabeça envergonhada, olhando para longe. Dash sorriu gentilmente e afagou sua testa de novo para indicar que estava tudo bem. “Não foi nada grave, no entanto você precisa praticar mais.”

Scootaloo olhou de novo para Rainbow. “Acha que algum dia vou ser tão boa quanto você?”

“Nem em um milhão de anos, você vai ter que se contentar com o segundo lugar.” Brincou Rainbow Dash com um sorriso. “Está pronta para começar de novo?”

Scootaloo balançou a cabeça rapidamente e voltou a voar, Rainbow a seguiu e se posicionou ao lado dela, prontas para o segundo round.

“Scootaloo!” Chamou Applebloom, fazendo ambas virarem suas cabeças. A jovem pônei terrestre e Sweetie Belle se aproximavam rapidamente. As cutie mark cruzaders haviam combinado de ficarem juntas hoje para tentar encontrar suas marcas especiais, ou apenas se divertirem e verem se a ganhariam durante o processo.

“Olá garotas!” Disse Scootaloo com um sorriso. “Estão empolgadas para hoje à noite tanto quanto eu?”

As duas balançaram a cabeça simultaneamente, sorrindo.

“Claro!” Proclamou Applebloom. Ela lançou um olhar para Rainbow. “Olá Rainbow, como está?”

Dash sorriu para a pônei terrestre. “Estou bem e você? Então as três têm planos para hoje à noite?”

“Teremos uma festa do pijama! Temos certeza que acharemos nossas marcas especiais hoje!” Disse a pônei amarela com muita confiança.

Rainbow Dash sorriu, se divertindo com a confiança da jovem. “Bem, boa sorte então, seus pais já estão sabendo sobre isso?”

“Eu avisei Big Macintosh, ele disse que estava tudo bem.” Respondeu Applebloom.

“Sim, Rarity também está sabendo.” Completou Sweetie Belle.

“Não se preocupe com isso.” Disse Scootaloo em voz baixa e com um sorriso tímido.

Applebloom olhou para sua amiga pégaso. Scootaloo sempre parecia ficar um pouco inquieta toda vez que algum pônei falava de seus pais. Embora ela não deu muita atenção.

Rainbow Dash olhou séria para ela, mas deixou por isso mesmo. “Bem, nesse caso, terminamos o treino por hoje, certo Scoot?”

“Sem problemas Rainbow!” A jovem pégaso sorriu largamente para sua ídolo.

Dash se despediu do trio. “Vou pra casa então, vocês três se divirtam!”

“Nós iremos!” As três jovem responderam simultaneamente.

Rainbow Dash voava, as deixando sozinhas, enquanto Scootaloo retornava atenção para suas amigas. “Então, vai ser como o planejado? Ou vocês têm algo mais em mente?”

“Não sem você, não temos.” Disse Sweetie Belle com um sorriso. “Pensamos em ir até a casa da árvore planejarmos sobre como obter nossas marcas especiais, e decidir onde teremos nossa festa do pijama, como combinamos.”

“Parece ótimo.” Respondeu Scootaloo.

“Certo! Então que tal irmos para o nosso clube?” Completou Sweetie Belle.

As outras duas concordaram com as cabeças e partiram para sua base de operações.

Na casa da árvore, Sweetie Belle pegou um papel dobrado e um giz de cera. Desdobrando o papel na mesa, foi revelado o plano inacabado sobre como obterem suas marcas especiais.

Applebloom e Scootaloo sentaram ao lado de Sweetie Belle. A jovem unicórnio batia seu casco na mesa como se fosse um martelinho de juiz enquanto limpava sua garganta. “Antes de começarmos a reunião, preciso verificar se todas estão aqui. Scootaloo?”

“Presente!” Respondeu a pégaso laranja levantando seu casco.

“Applebloom?”

“Aqui!” Applebloom riu, achando isso um pouco bobo, mas engraçado.

“Sweetie Belle?” A unicórnio branca ficou em silêncio por alguns segundos enquanto olhava para frente com um rosto tão sério quanto ela poderia fazer. “Alguém sabe onde está a Sweetie Belle?” Ela brincou, incapaz de esconder um sorriso em seu rosto.

“Só você mesmo!” Appleblomm sorria enquanto dava um leve empurrão no ombro da unicórnio branca. A reunião oficial das cutie mark cruzaders sempre começava do mesmo modo; muitos risos, e brincadeiras que não tinham muita coisa a ver em conseguir as marcas. Eram apenas três amigas se divertindo juntas.

Scootaloo sempre parecia a mais feliz. Enquanto Applebloom e Sweetie Belle paravam de rir relativamente rápido, Scootaloo simplesmente continuava. Ela realmente valorizava seus momentos juntas. Appleblom não podia deixar de sorrir para sua amiga. Ela mesma gostava de passar tempo com a pegasus e a unicórnio, mesmo com a sua amizade com elas sendo recente.

Era realmente estranho: Swetie Belle costumava frequentar outra escola em Ponyville, mas mudou quando os parasprites destruíram a antiga há poucos meses atrás. Scootaloo, no entanto, sempre frequentava o mesmo colégio que Applebloom. Porém ela sempre ficava quieta, e a pônei ruiva acabava não a notando. Era como se estivesse evitando outros pôneis intencionalmente.

Foi bom ver como ela se abriu em relação a isso. Scootaloo era divertida, ativa, e amiga de todos ao mesmo tempo, algo que era raro de ver. As três se tornaram amigas recentemente, mas parecia que elas já eram assim há muito tempo.

“De qualquer forma,” disse Applebloom quando a pégaso laranja finalmente se acalmou um pouco com os risos. “Acho que devemos definir agora onde será nossa festa do pijama. Eu ia propor aqui mesmo na casa da árvore, mas Applejack disse que sou muito nova para dormir sem adultos por perto. E também não vai ter como no Rancho Maçã Doce, porque Big Macintosh tem hóspedes e todos os quartos estão ocupados.”

“Também não podemos dormir na minha casa.” DisseSwetieBelle com um sentimento de culpa visível no rosto. “Sem querer eu incendiei um dos vestidos da Rarity, e ela precisa de paz e tranqüilidade para trabalhar essa noite.”

As duas riram alto do que Sweetie Belle disse, deixando ela um pouco corada enquanto sorria meio embaraçada. Esse tipo de resultado parecia ser corriqueiro sempre que ela tentava ajudar a irmã mais velha.

Assim, Sweetie Belle e Applebloom voltaram suas atenções para Scootaloo, sorrindo antecipadamente para ela com um brilho em seus olhos. A pégaso laranja parecia intimidada com seus olhares. Ela sorriu nervosamente, tossindo em seus cascos. “O que faremos então?”

“Bem, desde que não possamos dormir na minha casa e nem na de Sweetie Belle, nos resta uma última opção.” Respondeu Applebloom. Ela podia ver Scootaloo afundar, perdendo o sorriso em seu rosto.

“Eu…” Ela começou, obviamente dando desculpas. “…acho que essa noite não vai dar.”

Imaginando porque tão repentinamente Scootaloo estava nervosa, Applebloom continuou: “Por que não? Seus pais estão ocupados?”

“Bem…hum..sim. Eles estão. Estão tendo um… um jantar particular essa noite.” Scootaloo mentiu, sorrindo com os dentes. Ela estava tremendo de nervosismo, demonstrando também que não sabia mentir. Sweetie Belle e Applebloom olharam uma pra outra com uma pitada de preocupação em seus olhos. Por que Scootaloo mentiria?

Applebloom continuou: “Scootaloo, algum problema?”

A pégaso laranja estremeceu. “O que quer dizer?”

“Bem… você está mentindo.” Applebloom sempre foi bastante simples em suas palavras. Ela não queria fazer sua amiga se sentir constrangida, mas não podia deixar de imaginar porque a pégaso estava escondendo alguma coisa delas.

De costa, a pégaso laranja deu alguns passos para trás olhando para o chão. “Eu não estou mentindo, eles realmente vão ter um… jantar.”

Havia um estranho silêncio na sala. As três pôneis estavam todas olhando para o chão, pensando no que dizer. Applebloom estava preocupada se ela foi ou não longe demais, mas muito mais, estava preocupada sobre o que poderia ser tão importante para Scootaloo a ponto dela esconder algo de suas amigas.

“Vocês não podem ir pra casa comigo…” Disse Scootaloo repentinamente, com a cabeça baixa e quase sussurrando. Ela estava triste com alguma coisa, como se quisesse que Applebloom e Sweetie Belle a ajudassem, mas por alguma razão não podia permitir que isso acontecesse. “Eu não posso dizer porque, mas você não podem.”

“…mas por que? Você não precisa esconder nada de nós.”

“Eu não posso falar.”

“Tem alguma coisa a ver com seus pais?” Perguntou Sweetie Belle.

“Agora chega, tudo bem?”

“Talvez eu possa pedir para Applejack falar com eles, tenho certeza que vai dar tudo certo.”

“APENAS ME DEIXEM EM PAZ!” A pégaso laranja gritou repentinamente. Lágrimas começaram a escorrer sobre suas bochechas enquanto soluçava. Ela estava tentando não chorar, embora as lágrimas continuavam caindo.

Applebloom e Sweetie Belle ficaram horrorizadas. Elas não tinham a intenção de fazer sua amiga chorar. Ambas se desculparam ao mesmo tempo, com a voz baixa. Elas queriam se aproximar de Scootaloo e confortá-la de alguma forma, mas não tinham certeza se isso poderia ajudar muito naquele momento. Elas nunca tinham visto a sua amiga energética daquela forma antes.

Depois de um curto espaço de tempo, Scootaloo levantou e caminhou até a porta.  “Eu sinto muito… preciso ficar sozinha.” Ela disse, com sua voz fraca e triste. Então a pégaso correu, desaparecendo na escuridão da noite.

O clima mudou, e Sweetie Belle e Applebloom apenas deram boa noite para cada uma, voltando para casa com um sentimento de culpa por involuntariamente fazer Scootaloo chorar, preocupadas com o seu bem estar.

Quando Applebloom voltou para o Rancho Maçã Doce, sua cabeça estava baixa, ela foi recebida pela voz alegre e familiar de sua irmã. “Bom dia Applebloom, voltou cedo! Tiveram sua festa do pijama?” Applebloom olhava sua irmã, imaginando se deveria ou não dizer a ela o que aconteceu. Tinha certeza que Scootaloo não gostaria que dissesse isso para outro pônei, mas se ela conhecia bem Applejack, provavelmente descobriria mais cedo ou mais tarde. Além dos mais, sua grande irmã também poderia saber que atitude tomar numa situação dessas. Então decidiu contar tudo para Applejack.

O silêncio atingiu as irmãs e a expressão alegre no rosto da pônei laranja deu lugar a uma de preocupação. Ela se sentou e chamou sua irmã mais nova para se aproximar, para que pudesse consolá-la. Applebloom parecia realmente arrasada.

“Não há nada que você precise se preocupar, docinho.” Applejack a confortou, colocando um casco em torno da potranca, cujos olhos estavam molhados. “Tenho certeza que logo iremos saber o que está havendo. Na verdade, acho que posso falar com Rainbow Dash sobre isso. Desde que Scootaloo a idolatra, provavelmente irá se abrir com ela.” Applejack puxou Applebloom para si mesma lhe dando um abraço para aliviar suas preocupações. “Vai ficar tudo bem.”

Applebloom balançou a cabeça lentamente, com um sorriso fraco. Ela queria ser a única a cuidar disso, mas não sabia o que fazer. Foi provavelmente uma boa idéia deixar os mais velhos conversarem com sua amiga. Eles teriam melhores atitudes e argumentos para lidarem com a situação. Era o que ela esperava, pelo menos.

“Agora, vai dormir um pouco.” Disse sua irmã com um sorriso animado. “Você teve uma noite cheia e deve estar cansada.”

Rainbow Dash tinha saído mais cedo hoje. Ela estava praticando algumas parábolas no ar das quais queria mostrar aos Wonderbolts na próxima vez que os encontrasse. Ela já dominava bem as acrobacias, mas sempre procurava aperfeiçoar o já perfeito.

Limpando uma gota de suor de sua testa, ela notou uma figura familiar vindo em sua direção; era Applejack. Rainbow deu um largo sorriso e foi cumprimentar a amiga.

“Olá Applejack!” Ela cumprimentou, voando até a pônei laranja, pairando no ar perto dela. “Tudo bem?”

“Oi Rainbow,” Applejack respondeu, sentando na frente da pégaso. “Queria saber se você pode falar uma coisa pra mim, se não se importa.”

“Claro, o que é?”

“É sobre Scootaloo, Applebloom estava com ela na noite passada.”

“Sim, eu sei. Vi elas correndo até a casa na árvore. Ela não sumiu ou qualquer coisa assim certo?” Perguntou a pegaso azul um pouco preocupada.

Applejack balançou a cabeça. “Acho que não. Mas ela brigou com Applebloom e Sweetie Belle. Bem, briga ou fuga, chame como quiser. Enfim, aparentemente ficou muito chateada quando falaram sobre seus pais. Ela chorou bastante e deixou Applebloom e Sweetie Belle muito preocupadas. Imaginei que você poderia falar com ela sobre isso.”

Rainbow Dash finalmente pousou. Ela estava um pouco surpresa com o problema de Scootaloo, e ainda mais surpresa pelo que Applejack disse. Não sabia o que fazer sobre isso. Scootaloo era apenas uma fã. A pégaso laranja não era sua responsabilidade e não conseguia entender porque deveria falar com ela. Não era parente e apenas treinavam juntas.

“É muito ruim saber que ela está triste, mas por que eu?” Rainbow perguntou com um pouco de hesitação.

“Como é que é?” Applejack respondeu surpresa, apertando os olhos.

“Por que eu deveria falar com ela? Não sou sua mãe, nem parente.”

“Por que, Rainbow Dash… estou surpresa em ouvir você dizer isso!“ A voz de Applejack esboçava um pouco de irritação. Ficou desapontada pelo fato de Rainbow Dash simplesmente não concordar em falar com Scootaloo sem hesitar. Ela deu alguns passos próximos da pegaso azul, a fazendo se afastar um pouco.

“E eu não a conheço muito bem também!” Rainbow Dash se defendia, um pouco intimidada. “Ela nunca me falou sobre sua vida ou qualquer coisa assim. Só gostava de passar o tempo comigo treinando.”

“E por que você acha isso?”

“Eu não sei, porque ela sempre me procura ou algo assim?”

“Exatamente! E ainda insinua que não tem nada a ver com a vida dela?”

“Não foi isso que eu quis dizer… ela apenas não é minha responsabilidade.” Rainbow Dash estava ficando um pouco envergonhada, mas insistia que não deveria ser a única a falar com a pegasus laranja. Ela não saberia sobre o que conversar de qualquer forma. Não tinha nenhuma experiência com crianças, não uma experiência real, confortando pessoas. Applejack e Fluttershy provavelmente se sairiam muito melhor do que ela, talvez até Pinkie Pie.

“Mas você é a ídolo dela, Rainbow Dash” Applejack disse alto, com uma voz zangada. “Ela respeita você, e provavelmente só vai se abrir com você! Como pode simplesmente dizer que não quer falar com ela?”

Rainbow Dash desmoronou de vergonha. Ela virou-se quieta por um segundo e tentou evitar o contato visual com a pônei laranja. Realmente se sintia mal sobre o que estava dizendo, mas não tinha coragem de agir como adulta, para assumir a responsabilidade. “Eu apenas não sei o que fazer…”

Applejack suspirou. Balançou a cabeça um pouco e procurou se acalmar, mantendo o silêncio por um segundo. Então olhou Rainbow Dash nos olhos com determinação para concluir a conversa. “Scootaloo está tendo um momento difícil agora, Rainbow. Ela precisa de você. Por Celéstia, ela é apenas uma criança! Você precisa fazer alguma coisa certo?”

Rainbow Dash ficou quieta. Ela abaixou a cabeça acenando que concordava, aceitando sua derrota. Precisava fazer alguma coisa sobre isso.

Vendo Rainbow Dash meneando a cabeça em concordância, Applejack sorriu aliviada. “Ótimo! Agora vá falar com ela.”

“Eu só não sei onde ela mora.”

“Ah.. certo.” Applejack não tinha pensado nisso, mas sabia que era só uma questão de tempo. “Você combinou de treinar com ela hoje?”

“Não, e também não a vi.”

“E isso é incomum?”

“Na verdade, sim. Ela treina comigo sempre que pode, então chega todos os dias antes da escola e pede para praticar vôo com ela.”

“Nesse caso, ela ainda pode estar chateada. Vamos perguntar para sua professora onde Scootaloo mora, considerando que não deve ter ido para a escola hoje. É a Cheerilee, certo?”

“Provavelmente você sabe melhor do que eu, A.J. Você é a única que tem uma irmã na escola, lembra?” A pégaso riu, deixando a pônei laranja um pouco embaraçada.

“De fato, sou.”

Rainbow Dash e Applejack se separaram, concordando mutuamente em perguntar a Cherilee sobre onde Scootaloo costuma ir depois da escola. Rainbow Dash ainda se sentia mal depois da conversa com Applejack, envergonhada de seu ato hesitante.

Claro, ela não era irmã mais velha de Scootaloo, mas passava muito tempo com a pegasus laranja e deveria ter notado seus sentimentos por ela sem que Applejack precisasse explicar.

Ela voou até uma nuvem, com a intenção de relaxar um pouco antes de começar o trabalho de limpar os céus. Tentava descansar, mas não conseguia deixar de olhar para Ponyville, ponderando sobre o que fazer se Scootaloo realmente estivesse com problemas. O que poderia ser? Estaria com algum problema sério em casa? Algum tipo de trauma? Seja o que for, deve ter algo a ver com a sua família, considerando as reações que ela teve quando mencionaram sobre seus pais. Depois de alguns minutos refletindo, ela notou outra figura familiar no mercado Ponyville. Aparentemente, não precisaria mais falar com Cherilee: era Scootaloo. A pégaso laranja estava escondida atrás de uma esquina, por algum motivo, invisível aos pôneis no chão, mas muito perceptível a partir da nuvem onde Rainbow estava sentada. Rainbow pensou em voar até a potranca para conversar, como Applejack disse, mas ficou curiosa sobre o que ela estava fazendo. Por que estaria se escondendo dessa forma? Dash decidiu ficar escondida por um tempo e seguir a jovem pégaso para ver onde isso acabaria.

Para surpresa de Rainbow Dash, Scootaloo saltou de trás do canto quando nenhum pônei estava olhando, pegou escondida o máximo de maçãs que poderia levar, e rapidamente correu para longe. Ela roubou as maçãs.

Rainbow Dash ficou atordoada depois de testemunhar isso. Então decidiu continuar perseguindo a potranca, curiosa para saber por que ela faria isso, e também com um pouco de medo de confrontá-la. Sem mencionar com a temida conversa emocional que deveria ter com ela. A pégaso azul pulava de nuvem em nuvem, permanecendo fora da vista de Scootaloo. A potranca laranja tinha mudado seus meios de transporte de cascos para patinete.

“Eu trouxe café da manhã.” Disse Scootaloo, empurrando as maçãs para o túmulo na frente dela. “Eu sei, eu sei. Você não quer que eu roube mais, mas algumas maçãs não vão fazer tanta falta pra eles. Apesar de que, eu não fui pega ainda.” Ela deu uma mordida em sua maçã, e a mastigou rápido no início, desacelerando, forçando-se a engolir. Parecia enjoada da maçã em seu casco. “Eu nunca gostei de café da manhã. É sempre tão difícil mastigar no início do dia. Mas sei que é saudável pra mim. É o que me faz continuar cheia de energia, como você sempre disse, então tenho que comer.” A pégaso pausou ambos, comer e falar. Ela abaixou um pouco a cabeça, sorrindo para a pedra na frente dela. Com a voz baixa, continuou: “Sinto muito mantê-la acordada a noite toda… Eu só queria dizer sobre o que aconteceu entre mim, Applebloom e Sweetie Belle. Eu me sinto mal escondendo este segredo delas, mas não quero que elas me tratem de forma diferente também. Sei que estão apenas tentando ajudar, mas elas não compreenderiam, certo? Digo, elas não são como eu.” Outra pausa. “Como elas poderiam entender…”

Rainbow Dash estava atônita. Ela tinha idéia sobre o que estava errado, mas isso era simplesmente demais para ela dar conta. Poderia Scootaloo estar mesmo…? Poderia aquele túmulo…? Ela sentou-se atrás da árvore e colocou a casco sobre a boca, tentando encontrar coragem para falar com a potranca. Ela não tinha idéia do que dizer. A pégaso laranja estava completamente sozinha….

Scootaloo estava sentada tranqüilamente em frente ao túmulo por enquanto. Estava sorrindo vagamente, mas seus olhos expressavam outro tipo de humor. Não estava com lágrimas nos olhos. Parecia mais olhares de quem tinha perdido a vontade de lutar. Ela deitou-se de barriga, cabeça e cascos esticados para a frente, alcançando a lápide. “Sinto saudades de você, mãe…” Ela disse com uma voz sumida, quase um sussurro.

“Ei garota,” Disse Rainbow Dash gentilmente, mas ainda um pouco nervosa. Finalmente teve coragem de sair de seu esconderijo, querendo consolar a pégaso sentada em frente ao túmulo de sua mãe. Scootaloo foi pega de surpresa pelo súbito aparecimento de Rainbow e correu sobre as patas traseiras, tentando desesperadamente esconder o túmulo dela, bloqueando sua visão.

“O..Oi Dash.” Ela disse com uma voz mais ou menos perto de seu volume habitual. Estava tremendo, claramente com medo de quanto Dash tinha visto. Realmente não queria que nenhum pônei soubesse sobre isso. Embora agora fosse tarde. Rainbow Dash tinha visto tudo e ela não poderia mais fingir que estava tudo bem.

A pegasus mais velha aproximou-se da potranca, ainda sem certeza do que dizer, e seu rosto mostrava isso claramente. “O que faz aqui?” Ela perguntou, temendo que fosse uma pergunta simples demais e direta.

“Nada … só de passagem através do cemitério no caminho para a escola.”

“…Eu já sei, Scoot.” Rainbow Dash disse com um suspiro triste, finalmente a confrontando. Isso não era para si mesma, ela pensou, mas para Scootaloo.

A pégaso laranja deixou de lado seu sorriso falso e olhou para o chão, parecendo um pouco envergonhada e triste por Rainbow Dash ter descoberto. “E então…?” ela disse defensivamente com uma voz baixa e irritada. “Você vai ter pena de mim agora?”

“…”

“Vá em frente, e veja se me importo…” As duas ficaram em silêncio por um tempo. Rainbow Dash estava olhando para ela preocupada, e Scootaloo estava olhando para o chão, formando uma lágrima em seus olhos.

“Sim, provavelmente vou ter pena de você,” Disse Rainbow Dash, fazendo a potranca morder o lábio inferior. “Mas não que eu sinta isso por qualquer pônei.” Ela andou até a potranca, colocando as patas em volta dela, sentando-se ao seu lado. “Eu sinto muito, Scootaloo… queria que você não tivesse que passar por isso… não posso dizer que sei como você se sente, mas posso falar isso: Você não precisa mais ficar sozinha…”

As lágrimas nos olhos de Scootaloo se formaram rapidamente. Ela começou a choramingar, mas manteve seu corpo rígido com o máximo de controle possível.

“…Você está investindo demais em si mesma, sabe…?” Rainbow Dash continuou, apegando-se à pegaso laranja de uma forma que nunca pensou que faria. “…deveria ter um pouco mais de fé nos pôneis maiores… você é muito jovem para tentar se manter sozinha…”

“E daí se eu sou jovem?” A potranca gritou, chorando mais alto do que antes. “Vocês pôneis mais velhos são todos iguais! Assim que eu começo a confiar em vocês, vocês me deixou sozinha, me abandonam! ME ABANDONAM!” Ela agarrou Rainbow Dash, a abraçando com força e chorando. Estava tremendo muito. Era como se não tivesse chorado há anos. “Primeiro papai foi embora antes mesmo que eu pudesse falar! Então minha mãe me deixou! Até vovô e vovó me deixaram! Por que eu deveria acreditar que você é diferente?”

“…Eu não vou te abandonar…”

“CALE-SE, APENAS CALE-SE!”

“ESCUTE!!” Rainbow Dash gritou enquanto ela empurrava a potranca para trás, mantendo seus cascos dianteiros em seus ombros. Ela tentava se conter, mas algumas lágrimas formaram em seus olhos, sabia que Scootaloo precisava dela. Rainbow olhou a pégaso laranja nos olhos intensamente o suficiente para ela não se desviar, certificando-se de que seus olhares estavam fixos. “Eu não vou deixar você! Não importa o que aconteça, eu prometo, estarei aqui por você, entendeu?”

Scootaloo ficou em silêncio por alguns segundos. Seu rosto estava forçando uma expressão diferente enquanto lágrimas aumentavam rapidamente, derramando de seus olhos. Ela pulou de novo para um abraço, agarrando-se firmemente à pegaso azul. Chorava do fundo de seu coração. Todas as lágrimas que tinha guardado finalmente foram transmitidas de seus olhos, correndo no ombro do Rainbow Dash. Elas ficaram assim para o que parecia ser uma eternidade, sem dizerem uma palavra. A potranca chorava, e a pegasus mais velha acariciava a crina de Scoot com um casco, consolando-a.

Rainbow Dash trouxe a potranca de volta com ela para sua casa nas nuvens. Deixou faltar na escola, simplesmente por causa do que tinha acontecido. As duas compartilhavam de uma conexão que parecia ter se reforçado muito durante este pequeno incidente. Ela caminhou até a pégaso jovem, com uma caixa de lenços para limpar as lágrimas restantes no rosto.

“Sabe, você realmente não deve roubar.” Ela acrescentou enquanto limpava o rosto de Scootaloo com um lenço.

“Mas eu não quero ir para um orfanato.”

“Então você deve ficar aqui, comigo.”

A pégaso laranja olhou para cima. Seus olhos se arregalaram e sua boca escancarou de surpresa. Rainbow Dash sorriu perante essa reação e pensou que essa seria a melhor solução para ambas.

“Mas eu não sou uma boa cozinheira, então você vai ter que se acostumar com o feno que eu faço.” Ela riu, fazendo a jovem pégaso se animar. “Então, o que me diz?”

Scootaloo não disse nada. Simplesmente sorriu como nunca havia feito antes em sua vida e inclinou-se para dar um abraço forte e amoroso em Rainbow Dash. A pégaso azul retribuiu o abraço com um sorriso.

“Quer saber Scoot? no fundo do meu coração a sempre tive como filha, mas ainda não sabia. Eu te amo!”

Fanfic, Fanfics estrangeiras

My Little Fortress: TeamWork is Magic – Parte 10

Autor: Xaldensmutanthamster

Tradução: Matheus Dinero

[1ª Parte]

[Parte Anterior]

Finalmente a ultima parte! Mil desculpas pelo atraso e pela minha ausência durante essas semanas, mas enfim consegui terminar a fanfic do MLF, agradeço a todos que tenham gostado, também quero dar o parabens às fanfics que foram postadas aqui durante a minha ausencia, principalmente a do Grivous, adorei muito! Bonne lecture!~

——–

Todos se viraram para as duas que entravam na sala. “Ah, sorte que ela está bem” Todos eles estavam num grande círculo, cercando um corpo num berço.

“Engi!” O homem estava arruinado com uma medigun o curando. “O que aconteceu!?”

“O… RED Spy” Ele falou com os dentes rangendo, com muita dor. Ele estava coberto de bandagens ensanguentadas, principalmente em torno de seu peito e os braços.  “Ele me pegou de surpresa… Twilight, ele pegou as cópias”

A sentença atingiu-a como um trem de carga. Ela olhou em volta rapidamente, desesperada “Não… Não pode ser!”

“Não foi a única coisa que ele pegou…” A voz de Scout estava baixa, mas ele apontou para o regenerador. Uma grande parte dos fios estavam cobertos de marcas de faca, saindo faíscas. “Não podemos mais renascer”

“Como ele entrou aqui!?”

“Sei lá. Não importa mais, tá tudo acabado” Scout falou mais para as suas mãos do que para os outros em particular. “Já era”

Twilight olhou em volta nos rostos deprimentes. Todos tinham perdido a esperança. Assim como Scout. Até o entusiasmo de Pinkie foi sugado, seu cabelo perdendo a cor. Ela avistou a pegasus cinza num canto, suas costas viradas para todos.

Rarity levitou um pequeno bilhete. “Coitado dele. Derpy estava segurando isso quando ela veio com o Engi nas suas costas, mas ela não tinha feito um pio desde que chegou aqui”

Twilight pegou o bilhete na altura de seus olhos e leu as letras pequenas. Pareceu todo rabiscado, e havia um buraco no topo que obscurecia algumas das palavras, mas a caligrafia tinha uma elegância sobre o que ele escreveu.

“Meus Pequenos Pôneis, espero que vocês tenham recebido este bilhete. Afinal, seu amigo de olhos esbugalhados foi tão facilmente perdido. Isso seria uma vergonha perder algo tão importante para todos vocês.

Vocês despertaram a minha raiva. Não posso mais suportar essa tortura que sou posto todos os dias. Eu escrevi esse pequeno bilhete para avisar-lhes que o Engineer é a sua única esperança, e que agora está perdida. Vou acabar com tudo isso esta manhã. Vocês só tem uma vida agora, vamos ver como irão usá-las. As cópias estão na nossa Intel, e eu sou o guarda final.

RED venceu, e vocês perderam. Até mais.

PS: Cuidado com a faca’

Twilight ficou calada por um tempo, imaginando tudo em sua mente. Seus sentidos pareciam distantes, como um pesadelo que ela não conseguia acordar. Ela lentamente trotou até Derpy,  tendo cuidado para não assustá-la. “Derpy?” A pegasus não se virou. “Você tá bem?”

Um leve soluço quebrou o silencio. Ela se virou lentamente, mas não o suficiente para ver Engi, mesmo fora de sua vista. Twilight olhou para o brilho dos olhos dourados, agora orlado com um vermelho sem graça. Ela estava tremendo periodicamente quando ela sacudiu sua cabeça.

“Minha… culpa”

Twilight puxou-a para um abraço, tentando o seu melhor para acalmar a pegasus soluçando. Ela pensou em palavras de conforto, mas sua mente estava imaginando em brancos. Ela nem mesmo conseguiu se animar, deixando alguém sozinho que tinha muito mais a perder.

“Você deu o seu melhor, e ninguém está lhe culpando pelo o que aconteceu”  Não pareceu que ajudou muito quando Derpy se virou para o seu canto.

“E… agora?” A pergunta rodeou pela sala silenciosa. Todos ficaram cabisbaixos.

“Eu… Eu não sei!” Twilight desabou no chão. Seus olhos encheram de lágrimas e a sua mente corria. “Tudo o que nós lutamos até agora…”

Todos estavam sentados quietamente, alguns desapontados, outros com muita raiva, e outros ainda mal contendo suas próprias lágrimas. O silencio pairou no ar parecendo uma eternidade, até Trixie interrompe-lo.

“Então é assim que os fiéis estudantes de Celestia desistem? Não com um estrondo desses, mas uma choradeira, presos num mundo que não pertence a ela. Os Elementos da Harmonia, cujos derrotaram Nightmare Moon, Discord, e agora derrubados por um homem com uma faca e uma maquina quebrada. Eu estava errada, Twiligh, eu pensei que você tinha a vontade e o espírito para fazer o que for para consertar tudo isso. Mas parece que eu me enganei”

“Não há nada que possamos fazer, Trixie!”

“Twilight, você sabe o que eu fiz depois de deixar Ponyville?” Trixie perguntou, Twilight sacudiu sua cabeça. “Eu treinei. Todos os dias, a todo momento eu me dediquei para voltar e enfrentar o único unicórnio que poderia me vencer! Eu pensei que iria ser o duelo do século tendo essa revanche com você, e o que eu achei? Alguém que não se dedicou! Você elaborou um plano para derrotar a Ursa Menor em 10 minutos, mas agora que você tem uma noite inteira e não consegue pensar em nada?”

“O que… o que devemos fazer?”

“Vou te falar o que vamos fazer, vamos pegar essas cópias de volta nesta manhã”

“É muito arriscado!”

“Não é!” Trixie gritou. “Nós ficamos aqui o bastante! Estamos bons o suficiente para sobreviver a um ataque! Nós podemos sobreviver a qualquer coisa que eles jogarem na gente, mas você não quer tentar porque acha que não vai dar certo! Quer dizer, pode não dar certo, mas com certeza não vamos voltar para casa parando na linha de chegada só porque alguém colocou uma pedra em nosso caminho!”

Twilight olhou para o chão, pensativa.

“Eu acredito em você. Eu acredito em todos nós, mas a gente não vai a lugar algum até começarem a acreditar em vocês mesmos!” Trixie mudou sua atenção para o resto da sala.

“… você não se referiu a si mesma…” Twilight disse em voz alta.

“Eu não estou mais fazendo um show. Tudo o que eu disse é verdade, agora quem tá comigo?”

Ninguém se moveu.

“Ótimo. Se ninguém vai me ajudar, vou fazer isso sozinha. Pelo menos eu vou saber que eu morri tentando salvar meus amigos”

“… Bem, o ataque num é nada sem um pouco de defesa pra ajudar a recuar” Applejack ficou ao lado de Trixie.

“Sem me gabar, mas eu acho que vocês são um pouco lentos pra fazer isso” A raiva de Dash havia canalizado para a sua natureza competitiva. “Eu acho que vocês vão precisar de um Scout, não é mesmo?”

Um casco rosa tocou no ombro de Trixie. “Bobinhos, é claro que eu não pude deixar minha amiga medica fazer tudo isso sozinha!” A minigun da Pinkie girou incontrolavelmente. “Pode deixar comigo, Sasha vai ensiná-los uma lição!” Seu rosto estava iluminado como estivesse em uma de suas festas.

“Parece que o nosso time tá faltando um pouco de elegância, ‘uma certa elegância’, se vocês perdoam o trocadilho” Rarity girou a faca com sua magia. “E eu não posso simplesmente ficar assistindo e deixar um valentão desses estragar tudo”

Fluttershy andou silenciosamente, só para ajudar suas amigas. Angel saltou em suas costas, empurrando o capacete sobre os seus olhos e rugindo ferozmente. Trixie olhou para a pegasus e a unicórnio ainda em um canto.

“Bem?” Twilight manteve seu olhar para baixo. Um lado do seu pensamento gritou para ajudá-las, mas o outro para ficar longe. Trixie estava certa, ela sabia disso, mas a ideia de colocar todas as suas amigas em perigo a fez hesitar. Até ela ver o movimento no canto de seu olho. Ela olhou para Derpy trotando pela sala. Ela se virou, colocando a mascara sobre o seu focinho. Seus olhos destacavam uma determinação de aço que Twilight nunca tinha visto em ninguém, revelando a pônei carteira de sempre.

“Trixie…” Twilight se levantou, mas seus olhos continuaram olhando para o chão. “Eu não poderia aguentar eu mesma se eu soubesse que as mortes de meus amigos nunca fossem causadas por mim. Se eu fiz algo errado no campo de batalha, se eu mal calculei algo importante, se alguma coisa deu de errado até agora, eu vou me sentir a mais irresponsável por causa das minhas cópias que nos levaram até este momento”

“Mas se eu não planejar tudo isso agora, eu vou me sentir pior ainda, porque eu morreria sabendo que eu pude mudar isso. Então, eu acho o que estou dizendo é…” Ela levantou a sua cabeça triunfalmente, revelando um sorriso. “Que nós temos apenas seis horas, hora de trabalhar”

Scout viu todos eles se moverem sobre um mapa dos edifícios posto na mesa. “Cê acha que eles vão conseguir?” Ele perguntou baixinho para o Sniper.

“Se ninguém pode… Então eles conseguem”

——–

“Tudo bem, ninguém vai sair daqui até eu terminar de falar. Não quero ver ninguém sendo pego de surpresa, entenderam?” Todos balançaram a cabeça. “Alguma pergunta?” Ninguém falou uma palavra, seus entusiasmos transbordando. “Ótimo. Hora da parte um. Dash, tá pronta?”

“Já nasci pronta!” Dash arrancou a tampa do Bonk e bebeu rapidamente. Ela sentiu seus olhos arregalados quando a cafeína surgiu entre suas veias. Suas narinas queimaram e ela saiu como um raio para fora da sala. Nos oito segundos do efeito do Bonk, Dash sentia que era como uma hora. Suas asas a empurraram o mais rápido que podiam quando ela passou pela base RED, notando a posição de cada um. Uma sentry notou-a, mas ela já havia saído de sua vista antes de ela disparar um único tiro. Ela voltou para a sala quando o alto teor de açúcar intenso acabou. “Então?”

“Uma sentry nível três no pátio, no topo das escadas. Um dispenser bloqueando a câmara, mas não tenho certeza quem está lá em baixo. E parece que eles logo irão atacar a ponte. Eu vi o Medic com o Soldier, com o Heavy e com o Demo. O Scout e o Engi deles estão patrulhando na base. Sniper no seu lugar de sempre. Eu não vi o Pyro ou o Spy, então suponho que eles estejam lá embaixo com a Intel”

“Excelente. Agora para a parte dois. Applejack, monte as defesas. Rarity, Fluttershy, venham comigo! Você também, Dash!”

——–

O RED quarteto se dirigiu para as portas dianteiras.

“Então… A guerra termina hoje?” O Heavy liderava o grupo, os outros o deixando ir na frente.

“Sim, meu camarada. O Spy disse que o fim do time BLU deve ser hoje!” O Medic gritou, uma aura de pura alegria em sua voz. Todos eles saíram.

“AUGH!” Eles se assustaram quando viram o Sniper caindo nas suas frentes. Uma marca de uma faca nas suas costas revelou sua fatalidade.

“Onde você tá, Spy!? Eu sei que você tá A-AAAUUGGHH” O Heavy ficou de joelhos, uma bala de um rifle perfurando a sua cabeça.

“Eita, parece que esse Sniper finalmente aprendeu a atirA-AAARRGH” O Demo foi jogado na parede pelos dois tiros da Force-a-Nature. Dash apareceu no meio do Soldier e do Medic.

“Comé que vai, patetas!” Ela riu. O Soldier disparou mísseis nela, mas desviou deles facilmente no ar. Ele começou a carregar, mas a faca de Rarity o interrompeu. O Medic ficou sozinho na ponte.

Não importa! Nós vamos renascer! E vocês não!” Ele gritou disparando com sua arma de seringas em Dash, acertando poucos alvos.

“Então só temos que ser rápidos…” Dash voou bem em cima da cara do Medic. “Não é?” Ela atirou para cima, lançando-o em direção ao céu. O ponto azul traçou pela parede, depois mirou no casaco do alemão voando pelo ar, direcionando a mira bem no meio de seus olhos. Fluttershy atirou e o doutor caiu no chão como um boneco flácido. A pegasus tímida colocou um casco na sua orelha, ativando o microfone.

——–

Twilight ouviu uma pequena voz no receptor: “Ponte limpa”

“Perfeito. Hora da parte 3! Todos vocês, vamos!” Twilight, Pinkie, Angel, Trixie e Derpy correram para fora. O grupo correu até a ponte. Twilight parou na borda enquanto o resto continuou indo. “Dash! Fluttershy! Rarity! Mantenham a ponte segura! Não quero nenhuma surpresa no nosso caminho de volta!” Dash saudou, enquanto Rarity e Fluttershy acenavam. “Angel, vá por cima! Todos os outros, por baixo!” Twilight disparou uma sticky e explodiu voando pelo ar. Angel disparou um míssil nos seus pés, lançando-o para cima. Twilight pegou o coelho em pleno voo, colocando ele nas suas costas e aterrissando nos embasamentos RED.

Trixie estava numa pequena sala ao lado do pátio enquanto Derpy passava por um corredor. Elas estavam prestes a aparecer no outro lado do pátio quando um sotaque de Boston cumprimentou Trixie. “Olha só se não é aquele medico que não consegue descobrir como usa suas armas! Veio fazer o que aqui, morrer?” Ele soltou uma gargalhada abafada. “Fazer o que né, sou muito legal”

“A Grande e Poderosa Trixie não é aquela simples medica que você conhecia!”

“Sério? Então você não é completamente inútil. Só 98% inútil!” Scout zombou. Trixie se irritou e fechou os olhos.

“Você de pouca inteligência, você não sabe com quem está falando! Com a Grande e Poderosa Trixie cuja aprendeu a técnica que deve fazer até mesmo os espíritos mais corajosos tremer na minha presença!”

“E o que tu vai fazer, me chamar para a morte? Ah, cansei de brincadeiras” Ele correu até elas, puxando o gatilho da arma bem na frente de Trixie.

Os olhos delas abriram, brilhando. “Hora do show!” Um brilho azul revestiu ela e Pinkie, fazendo-as parecer um aço em movimento. As balas impeliram em Trixie, e ela rindo. Pinkie deu um grande soco que conectou com a cara do Scout. “Rápido, não vai durar por muito tempo!” As duas correram no pátio e a sentry cumprimentou-as com três rápidos bips. Uma rajada de balas e mísseis lançaram nelas, afetando-as inofensivamente.

“EU SOU À PROVA DE BALAAAAAS!!” A minigun de Pinkie fez buracos na máquina onde um Engineer frenético tentava consertar. A máquina explodiu brilhantemente, e o Engineer tentou correr, mas as balas o derrubou rapidamente. “Twilight! Tá tudo limpo! Vamos!”

Twilight e Angel correram para fora dos embasamentos, indo em direção à câmara enquanto Derpy descia as escadas estreitas.

——–

Twilight entrou e avistou o Spy, parado no meio da sala. “Muito bom, apesar de nenhuma morte até agora, nada mau para um bando de desenhos animados. Mas isso termina aqui, e agora”

“Por que você tá fazendo isso!? Nós estaríamos indo embora! Você não iria ver-nos nunca mais!”

“Eu não ligo por não vê-los novamente. Eu quero vingança. Eu fui humilhado em dois meses por um bando de pôneis coloridos. Você não imagina como é ser o único que gastou sua vida inteira lutando com pessoas e quando novos inimigos aparecem, eles são os mais difíceis que você já teve! E eles são pôneis!” Ele sacudiu sua cabeça. “Agora, diga adeusinho, porque vocês nunca voltarão para casa!” Um flare colocou o homem em chamas. “AAU! Mas o que-!?” Ele se virou para o vão da porta, e Twilight teve sua chance. Angel saltou. Ela ficou de costas e o coelho aterrissou em seus cascos. Ela chutou o mais forte possível, mandando-o em pleno voo. O Spy virou suas costas bem na hora de ver a bola de algodão branco espancá-lo com sua pá. O RED Spy caiu no chão, soltando as cópias desenrolando no chão. Twilight agarrou os papéis e rapidamente colocou-os em sua mochila. “Agora para a ultima parte! RECUAR!”

Eles correram em direção à escada a toda a velocidade, até que o coração de Twilight disparou quando viu o RED Pyro no topo. ‘NÃO!’ Seu pensamento gritou. ‘Estávamos tão perto!’ O Pyro continuou correndo até eles, mas parou. Ele olhou ao redor, como se estivesse procurando alguém. Quando viu que não havia ninguém por ali, o inesperado aconteceu: O Pyro saiu do caminho. Twilight se espantou, mas não iria se argumentar. Ela correu passando debaixo da porta. Quando viu Derpy passando por ali, o Pyro estendeu a mão para a pegasus. Derpy graciosamente aceitou o aperto de mão, sabendo que ela nunca poderia retribuí-lo pelo o que acabou de acontecer.

——–

O RED Medic e Heavy rastejavam para fora dos esgotos da base BLU. “Malditos sejam! Eu aposto que eles nem sabem dos esgotos!”

“E agora, doutor?”

“Quando eles vierem pela porta você acaba com eles!”

Os dois correram para as portas dianteiras, mas de repente pararam. Uma pônei laranja olhou para eles com um sorriso em seu rosto. “Como vai parcêro?” Sua sentry avistou os intrusos e abriu fogo, reduzindo-os em pedaços. “Ah, já tão indo? Voltem nunca!”

——–

Twilight correu para a ponte com os outros em grupo. “Conseguimos! Vamo lá!” Dash entrou na sala enquanto Rarity os seguia. Fluttershy estava cuidando da ponte, impedindo qualquer ameaça surpresa. O grupo andou até a porta, e ela os seguiu. O grupo passou por Applejack, que trouxe a retaguarda. Todos haviam entrado, com as classes olhando para eles ansiosamente quando a porta fechou atrás deles.

“Então?” O Scout perguntou, apertando suas mãos.

Twilight retirou as cópias da mochila, e todos gritaram de alegria quando viram os papéis desenrolando na mesa. Ela se virou para todos. “Vitória!” A animação era ensurdecedora.

“Sem ser estraga-prazeres, minha amiga, mas chegaram tarde demais” O Medic direcionou a atenção deles para uma cortina que cobria Engi “A Medigun não está o curando o suficiente, e acho que ela está prestes a quebrar”

“M-mas e a medigun da Trixie?”

“Só foi definida para funcionar em vocês pôneis, não humanos. Receio que não há nada que possamos fazer”

A cabeça de Twilight afundou, mas Trixie falou. “Na verdade, eu acredito que há uma coisa que eu possa fazer, mas eu vou querer a privacidade com Engi. Eu preciso ter certeza que ele estará tudo bem com isso” O doutor abriu a cortina e Trixie entrou.

——–

Twilight perdeu a noção de quanto tempo Trixie estava atrás da cortina. Ela estava prestes a olhar dentro para vê-los, quando uma luz brilhante banhou a sala. O som de uma medigun seguindo a dispersão da luz, e todos eles se surpreenderam. Em pé estava um pônei terrestre laranja. Seu curto cabelo amarelo era bagunçado e refinado. Ele olhou para o time com seus olhos azuis. Uma voz familiar escapou de sua garganta.

“Que tal?”

As bocas de todos estavam abertas. “V-vo-você é um pônei!”

“Cortesia de sua verdadeira!” Trixie se curvou. “Agora segurem seus aplausos, por favor”

“Como você… Quero dizer… O que!?” Twilight nem pôde começar a perguntar com as palavras que ela queria dizer.

“Era o único jeito. Já que não havia ninguém a não ser ele que sabia como concertar ou modificar as maquinas, e já que a única medigun funcionando cura apenas os pôneis…” Ela parou para todos o verem.

 Demoman cutucou a orelha de Engi, tentando provar para si mesmo que não estava tendo alucinações. “Ow. É Demo, eu sô real”

“Então… é permanente?”

“Ah, sim. Não tem como quebrar o feitiço. Para todos os efeitos, Engi agora é um pônei para sempre.”

“E você concordou com isso?”

“Tenho que ser honesto, era melhor do que morrer. Eu num ia sobreviver por muito tempo”

Ele olhou para as cópias. “Bem” Ele colocou os óculos sobre seus olhos e pegou seu capacete. “É melhor eu começar. Garanto que vamos levar ocês pra casa logo logo!”

Ele agarrou a chave inglesa com seus dentes, procurando os materiais. Os outros foram ajudar, juntando o metal que ele precisava. Twilight chamou Trixie ao seu lado. “Como você aprendeu esse feitiço?”

“Lembre, Twilight, eu fiquei treinando por meses desde após a nossa primeira batalha. Eu havia aprendido muito mais do que pequenos truques”

“Pode… me ensinar?”

Trixie sorriu, uma mistura estranha entre um sorriso competitivo e um genuinamente simpático. “Vou pensar nisso”

——–

“Um pouquinho aqui… e aqui… e… beleza!” Engi olhou para o teleporter. Durou a maior parte do dia para terminar aquilo, mas foi bem feito. No lugar do teleporter menor que ele sempre construía, aquele era muito maior, funcionando mais como um portal. O aparelho era grande o bastante para caber todos ali. Ele desmantelou o regenerador para alcançar a quantidade de metal que ele precisava. “Agora para os toques finais”

“Deixe eu te ajudar, com certeza você já deve ter se acostumado com toda essa parada de ‘Ser um pônei’” Dash entregou-o outro pedaço, enquanto Sniper trazia uma caixa de sucatas para ver o que poderia ser usado.

“Eu me sinto normal, eu aposto que é esse feitiço. Embora eu seja forçado para passar mais tempo do que eu quero, por conta de ter os meus rolamentos, vou terminar isso logo”

O trabalho dele foi interrompido por um som que ele não ouviu há anos. O ronco de um motor de trem. “Não… não pode ser…” Engi e Sniper se olharam, relembrando daquele tempo. “Vocês saiam daqui, eu conheço esse som”

Dash e Sniper correram para fora, chegando ao pátio. Uma mulher saiu do mecanismo e foi em direção a eles. Fluttershy se afastou. “É ela… não é?” Sniper acenou com a cabeça quando a mulher se aproximou. “Sra. Pauling, já faz muito tempo”

“Boa noite, senhores. E vocês também, pôneis”

“O que cê tá fazendo aqui?” Scout olhou-a com desconfiança. “Por que quando tu veio aqui, você matou um inocente”

A confirmação a fez calar por um breve segundo, mostrando dor em seu rosto. “Isso foi no passado, e eu queria que ele estivesse aqui ainda. Não, estou aqui por uma questão de negócio. Uma questão comemorativa. Como veem, RED quebrou os termos da guerra por sabotar a peça-chave do equipamento. Portanto, BLU é declarado o vencedor”

“Acabou?” Heavy perguntou.

“Quer dizer…” Medic se juntou.

“Podemos voltar pra casa?” Scout levantou-se, animado. “Eu posso voltar para a minha mãezinha!?”

“Na verdade…” Ela sacou seu revolver. “…Não”

Fluttershy se encolheu, vendo a arma de seus pesadelos tornando em realidade.

“Vocês estão em posse do precioso conhecimento que as empresas de RED e BLU gostariam de manter em segredo. E como eles dizem, ‘Homens mortos não contam histórias’”

Ela mirou no mais próximo, cujo foi em direção de Scout. “Sinto muito por terminar assim” Ela lentamente puxou o gatilho…

Depois se virou rapidamente, disparando uma bala na parede. Uma chuva de faíscas e um pedaço de painéis caíram, revelando uma câmera quebrada. Ela virou-se novamente e disparou em outro local na parede oposta. Outra câmera destruída. Mais um tiro e uma terceira câmera desmantelada bem acima de suas cabeças. “Tudo bem, agora ela não pode nos ver” Ela sinalizou para o trem e ele se afastou da base.

“Mas o que está acontecendo!? Eu quero respostas! Agora! Porque está aqui!?”

“Ontem a Administradora viu o RED Spy desativar o regenerador, como eu falei que ele violou os termos da guerra. Ela me ordenou a vir aqui e exterminá-los. Mas eu quero ajudá-los a escapar”

“Então você mandou embora os únicos meios de viagem que temos num deserto!?”

“Quer dizer aquele trem?” Ao dizer isso, uma enorme explosão destruiu o trem, acendendo o céu da noite em laranja por um momento. “Eu encontrei a bomba no meu caminho até aqui. Ela ia nos matar, não importa por que. Não temos mais a ajuda das empresas”

“Qual é o plano então?”

“Eu… não sei…” A confiança em sua voz foi simplesmente sugada. Ela ajustou seus óculos. “Honestamente não achei que chegaria a esse ponto. Mas o que importa agora é que temos um dia para pensar em algo, pois ela já deve estar vindo com um novo trem com um bando de assassinos dentro, e não acho que eles vão ser tão simpáticos como eu”

“AH, por favor. Cê espera que eu acredite numa senhora que tava prestes a nos matar? É ruim hein” Scout virou suas costas e afastou-se. “Eu vou encontrar um caminho para vazar daqui. Eu vou pra casa, tenho que voltar pra minha mãezinha”

“Eu acho que você não percebeu o que está acontecendo aqui!” Ela gritou para ele. Uma raiva profunda que tinha sido abrigada por um longo tempo escapou de sua boca. “Você está em perigo! Eles irão a qualquer lugar para te encontrar!”

“Eu não ligo! Minha mãe é o único motivo de eu estar fazendo isso”

“Por favor, pare…” Ela estava começando a tremer.

“Você acha que eu curto fazer a mesma droga todo dia? NÃO!”

“Para o seu próprio bem, pare…” A voz dela estava começando a perder o tom que tinha.

“Eu faço isso porque eu sei que minha mãe tá ganhando o dinheiro que eu faço!”

“Scout, sua mãe pensa que você morreu há cinco anos atrás!”

Nunca houve um silencio tão pesado. Nenhuma alma respirava. Até o vento pareceu dar um tempo logo neste momento. Scout não se virou. O único som foi um baixinho “…como?”

“Ela não aguentou! Notícias de morte, tudo sobre você! Qualquer pessoa que te conhecia pensa que você morreu depois de um ano que você chegou aqui. Todos vocês falaram para entregar todo o seu dinheiro para suas famílias. BLU fingiu suas mortes para que eles não tenham que ficar pagando nada mais do que chapéus ou armas!” Todos eles ficaram em silencio, enquanto olhavam um para o outro.

“Então minha mãe… meus irmãos… todos pensam que eu to morto? Como você sabe!?” Ele saiu do silencio para uma raiva fervente.

“Sinto muito, eu não sabia o que havia nos pacotes! Eles me contaram há muito tempo… É tudo culpa minha…” Ela caiu de joelhos, a força fez seus óculos caírem. Scout ficou parado por um longo tempo. Ele se afastou, provavelmente para achar algum lugar para ficar sozinho. Enquanto ele andava, ele deu um soco na parede, formando um buraco. Ele continuou em silencio.

Fluttershy andou tentativamente até Sra Pauling, pegando seus óculos. Ela esfregou levemente as lagrimas da mulher, até que ela se acalmou o suficiente para levantar sua cabeça. Fluttershy largou os óculos em suas palmas. “Você deixou cair”

Sra Pauling fungou, colocando seus óculos de volta. “Obrigada…” Ela olhou para os olhos preocupados de todos no pátio. “Eu acho que estou fazendo papel de bobo… de novo. Eu não vou culpá-los por não me perdoarem. Eu nem mesmo consigo falar uma verdade que perdoe a mim mesma…”

Um desconfortável tempo de silencio passava, mas Sniper suspirou. “Você fez o que tinha que fazer, Pauling. Era parte do trabalho” Ele disse claramente. “Como um assassino, eu teria que me chamar de um grande hipócrita por ficar bravo com alguém por fazer o seu trabalho”

Calmamente os mercenários se desculparam, ou pelo menos colocaram seus sentimentos para fora por um momento. Sra Pauling olhou lentamente aos redores, tendo um momento difícil ao olhar no rosto de alguém. O ar no pátio foi quebrado por Engi descendo do topo da escada.

“Ei vocês! Vamo logo com isso!” Ele fez um gesto mostrando que precisava de seus ajudantes de volta. Sniper e Dash voltaram para a sala. Engi desceu até a pobre mulher com os olhos turvos sentada no pátio. “Ouça, o que tu disse… eu acredito nocê . Ocê não parece uma pessoa má… Mas essas coisas são muitos difíceis de resolver mesmo… ouviu?”

Ela não respondeu, apenas olhando espantada pelo novo potro. “Sr. Conagher?”

“Hehe, já faz um bom tempo que não me chamam assim”

“Você… você é um pônei agora?”

“Uma parada de um feitiço. Eu não tinha muitas escolhas, seria isso ou morrer”

“Mas… eu… O que você vai fazer? Você não pode voltar para o mundo real, mesmo se conseguir sair! Você é um cavalo falante”

“É por isso que vou segui-los para o mundo deles” Ele apontou seu casco para as pôneis. “Falando nisso, tenho que voltar ao trabalho, especialmente que agora nós temos um limite de tempo”

“Isso é… genial! É assim que vamos sair daqui!” Ela ficou de pé. “Quem foi que lançou o feitiço?”

Trixie, agora com uma nova audiência, colocou sua atitude de maga em ação. “Esta seria eu!”

“O quanto duraria para fazer isso com todos aqui?”

“Para a tão poderosa como eu, não há tempo!”

“Então você pode fazer isso antes de amanhecer?”

“Mas é claro, contanto que meus participantes estiverem dispostos” Ela se virou para Twilight. “Especialmente se eu puder ter um pouco de assistência?” Twilight balançou sua cabeça.

“Mas o que vocês estão falando?” Demo entrou na conversa.

“Não entende? Temos um jeito de sair daqui! Para o mundo deles!”

“Então todos nós vamos ser transformados em pôneis?”

“Olha, eu sei que é embaraçoso, mas é tudo que temos. Então quem vai primeiro?” Ninguém se moveu. “Galera, essa é a nossa única chance! Não vamos sair daqui vivos como humanos! Mas nós temos um teleporte que nos tirará daqui se vocês forem como pôneis!” Todos continuaram parados, olhando desconfortavelmente um para o outro. “Tudo bem então” Ela se virou para Trixie. “Eu vou primeiro”

“Você sabe que isso é permanente, não é?” Ela acenou com a cabeça. “Então vamos começar, feche seus olhos” O chifre de Trixie começou a brilhar. Uma luz brilhante envolveu Sra Pauling. As luzes ficavam cada vez mais brilhantes, agindo como um farol na noite escura. Todos desviavam os olhos. Quando eles se viraram, uma pegasus violeta apareceu na frente deles, com um cabelo roxo-escuro penteado em rolos, óculos empoleirados em seu nariz. Ela olhou assustada, depois começou a olhar para si mesma. “Um pegasus?”

“O feitiço se baseia de acordo com sua personalidade, eu não tenho controle sobre qual tipo você se tornará”

Ela bateu um pouco as suas novas asas, subindo lentamente. “Eu acho que estou pegando o jeito disso!” Ela pairou em cima do time. “Tudo bem, agora que me provei digna de confiança”

Medic se levantou. “Eu ainda não sei como vou me sentir depois do resultado, mas é melhor do que ficar aqui.” Ele lançou um olhar manhoso para Trixie. “Permita-me” O chifre de Trixie começou a brilhar, seguido pela luz brilhante. Quando a luz desapareceu, estava em seu lugar um unicórnio branco, um toque de vermelho para a crina. Ele ajustou seus óculos em seu nariz. “Bem?”

“Perfeito, quem é o próximo?”

Heavy se levantou radiante. “Heavy vai ir” O russo colocou sua arma no chão e andou sobre a unicórnio. Ela lançou o feitiço, e a luz brilhante o atingiu. Ele olhou para os seus cascos azul-celeste, depois sentiu sua cabeça, tocando no seu chifre, mas sem crina. “Até sendo um pônei eu não tenho cabelo”

“Ajudaria se eu te der um bigode por um tempinho?”

“…Sim”

Twilight colocou um bigode preto no rosto sorridente do ruskie.

Pyro deu um passo à frente. “Um… Dois… TRÊS!” O feitiço acertou e envolveu o piromaníaco. Asas de pegasus apareceram, a pele amarela com o cabelo laranja, como um fogo vivo. Olhos vermelhos brilhantes mostrando onde a mascara ficava, agora desaparecida. Mas algo pareceu mais diferente do que Heavy e Medic. O focinho era mais redondo, parecido com o de Sra Pauling…

“Você é uma garota?” Demo foi o único a dizer isso, mas o choque passou por quase todos presentes.

“Claro né, dã” Ela olhou em volta para os olhos chocados. “Peraí… Sério? Nenhum de vocês sabiam? Estive aqui durante todo esse tempo e vocês nunca sabiam? A bolsa no meu cabide? O chapéu florescido?”

“Eu sempre pensei que você era uma frutinha” Disse Soldier, sentado no banco, imóvel. Os dois começaram a discutir. Dash ouviu sobre o alto-falante na sala.

“Pyro é uma garota?”

“Faz sentido pra mim” Engi não olhou para cima, enquanto Sniper estava de cabeça para baixo até a cintura numa grande caixa, tentando alcançar uma peça no fundo.

——–

Sentado num canto do pátio, olhando para a única fotografia que ele tinha. Um retrato desbotado, a família em férias, quando ele tinha oito anos. Seus irmãos cercavam sua mãe, a foto tirada no meio de uma briga. Seu irmão mais velho segurava dois outros pelos ombros de seus suéteres de Natal enquanto ele era segurado pelos braços de sua mãe. No canto, seus outros irmãos ficavam rindo e sacudindo suas mãos. Metade deles pareciam herdar o espírito aventureiro de seus pais, enquanto os outros se apoiavam na cabeça fria de sua mãe. Ele nunca conseguia se lembrar o que fez para deixar a família, mas ele amava a fotografia à medida que ele envelhecia e ficava mais ajuizado. Tantos erros que queria concertar. Ele olhava para a imagem enquanto brincava com seu colar em volta do pescoço.

‘Sempre vou amá-los’ Ele se levantou, deslizando a foto em seu bolso.

——–

Ele veio até uma cena que nunca pensou que veria. Um grande unicórnio azul segurando um pônei branco terrestre com um capacete em sua cabeça e uma pegasus amarela berrando profanações para os dois. Levou um segundo para registrar o que estava acontecendo. Seu cérebro finalmente estalou e decidiu parar o caos com um truque que sua mãe o ensinou. Ele colocou dois dedos em seus lábios e deixou sair um assobio estridente.

Soldier caiu, agarrando suas orelhas. “Que alto! O capacete não ajuda muito!” Um unicórnio roxo com um tapa-olho sobre um olho riu dele “Hehe, bem feito!”

Um potro com a pele dourada virou-se para ele, brandindo um par de óculos de sol e um colete em volta do peito. “Se sentindo melhor, colega?”

“Estou…”

Uma luz brilhante lhe chamou a atenção, e ele viu um unicórnio azul-escuro na frente de Trixie. “Merci” Spy poderia usar aquele sotaque de uma multidão de milhões de pessoas.

“Eu vou com vocês de manhã”

Sniper lançou um olhar para Scout. “Tem certeza?”

“Eu estive pensando muito sobre isso, e com o que aconteceu há cinco anos atrás. Cinco anos, que agora já superei tudo isso. E mesmo se me acostumei, e daí? Voltar a se esconder, nunca chegar a vê-los de novo? Fazê-los experimentar a minha morte duas vezes? Sem chance, não posso fazer isso com eles”

Trixie trotou até ele. “Você é o ultimo. Eu sugiro que você remova tudo o que você achar de valioso” Ele arrancou sua coleira fora de seu pescoço, depois colocou em seu boné, junto com sua foto. Ele soltou-os no chão. “Pronto”

——–

O grupo se reuniu na sala, todos os 19 em um semicírculo. Atrás deles estava uma caixa selada, ocupada pelos seus itens de valor sentimental de todas as classes. Eles olharam para Engi com expectativa.

“Então?”

Ele enganchou um fio grosso para a base do objeto, agora parecendo com uma porta. Depois de uns rápidos ajustes dos vários botões e alavancas no dispositivo, ele puxou um grande interruptor. Uma faísca formidável percorreu, e o dispositivo começou a chiar quando a energia surgiu. Algumas lâmpadas acenderam na estrutura, uma por uma. A última luz acendeu, e elas começaram a se arquear. A energia se construía rapidamente, e com um som muito forte, o portal se formou. Era como olhar para um cartão postal. A quantidade densa de árvores sinalizava que iriam se espalhar em algum lugar da floresta de Everfree no meio de uma tempestade, mas era definitivamente para casa. Eles gritaram de alegria, Pinkie praticamente explodindo de emoção. “Bem, façam suas despedidas, porque quando nós passarmos por isso, não vamos voltar nun… alguém ouviu isso?”

Eles escutaram o som repentino, e com certeza, puderam ouvi-lo a distancia.

“…haaaaaaaaAAAAAAAALLLLLLLLEEEEEEEE!!!!”

“Essa não…” Sra Pauling colocou um casco em seu rosto. O som de madeira estilhaçando fora da porta de aço por uma exclamação de “DANO MATERIAL!” que pareceu abalar as paredes. Eles correram para fora para ver o homem gigantesco parado na frente deles, com uma grande mochila cheia de que parecia com placas de protestos agredidas e ensanguentadas.

“Sr. Hale, o que está fazendo aqui!?”

“Ah, Sra. Pauling! Você tá aqui!” Ele não se virou, ainda tentando tirar seu pé direito do chão de madeira. “Eu vim pra entregar as novas armas! Você mesmo que falou que as placas de protestos eram aceitáveis, certo?”

“Sim, mas-“

Uma rachadura quebrou uma parte do piso, o pé de Saxton Hale ainda continuou firmemente preso no chão. Ele se virou esperando que ficasse no nível dos olhos. Ele olhou pra baixo e ofegou “Wow! Vocês são pôneis! Os pôneis!” Ele agarrou Fluttershy em panico. “Não acredito! Só posso estar sonhando!”

“Por favor me ajude-” Fluttershy silenciosamente pediu nos braços do australiano.

“Espere, você assiste também?” Scout inclinou sua cabeça para o lado.

“Claro que assisto!”

Senhora Pauling deu um passo adiante. “Sr. Hale, a guerra acabou”

“Como assim a guerra acabou?”

“Que o RED trapaceou, portanto BLU é o vencedor”

“Então eu… ‘peguei emprestado’… Todas essas placas de hippies para nada!? Não, isso não se faz. O time RED ainda está renascendo?”

“Bem, acho que sim, eles não desligaram tudo ainda”

 Ele soltou Fluttershy e acariciou a cabeça dela. Depois ele pegou uma placa com ‘Dê a Paz Uma Chance’ escrito. “Potras e potros, eu tenho uma guerra para continuar” Ele zarpou dali, gritando no topo dos seus pulmões por todos os lados. Engi limpou sua garganta.

“Como eu tava dizendo, façam suas despedidas, pois não voltaremos nunca mais”

——–

Zecora caminhava ao longo do caminho de sempre, direcionando para um grande grupo de flores para as suas poções. Embora chovia violentamente sobre ela, ela precisava das flores desesperadamente. Um som surpreendeu-a que deixou cair o conjunto de flores que acabou de pegar. Uma porta estranha parecia estar aberta numa próxima arvore de carvalho, quando um grande grupo saiu trotando da porta. Ela sacudiu sua cabeça e esfregou seus olhos, não acreditando na cena. “Será meus olhos me enganando, ou é a Twilight Sparkle que estou avistando?” Ela correu em direção a unicórnio, olhando surpresa para sua amiga que desapareceu há tanto tempo.

“Conseguimos! Estamos em casa…” Twilight olhou melancolicamente para a paisagem, avistando seu mundo colorido que ela lembrava. Até mesmo na chuva, ela conhecia aquele lugar. Seu coração acelerou e sentiu-se como se um peso enorme tivesse tirado de seus ombros.

“Dois meses e meio desde que não te vimos partir. Aonde você foi depois daquele feitiço explodir?”

“É uma longa historia, e eu vou contá-la mais tarde, mas eu acho que preciso voltar logo para Ponyville primeiro” Ela olhou em volta.

“É claro, minha amiga. Passando das margens daquele rio, vocês acharão o caminho para Ponyville” O grupo agradeceu a Zecora, e pararam nas águas rasas do rio. A poucos quilômetros de distância, ela podia ver claramente o seu lar.

——–

A Prefeita esfolheou mais um conjunto de papéis na sua mesa. Legislação era o que ela nem mesmo se preocupava. O dia inteiro tem sido monótono. A vida tem sido monótona desde que eles desapareceram, e isso estava a deixando sem trabalhos a fazer. Através de todos os problemas que causaram, o fato é que Ponyville precisava das guardiãs dos elementos da harmonia. Grupos de busca estavam procurando-os dia e noite, mas não adiantou. Ela colocou uma caneta no papel, em ordem de parar os grupos de busca. ‘Se eles estivessem em algum lugar’ ela pensou, ‘Já teríamos os encontrado’

Uma batida forte na porta de sua sala seguido por uma batida frenética a interrompeu. Ela resmungou quando ela atendeu a porta para um pegasus sorrindo. “Sim, Cloudburst?”

“Eles- os- estão- quer dizer” Ele estava falando cuspindo e apontando em direção à entrada da cidade.

“Desembucha, não tenho o dia todo”

“Eles estão aqui!”

“Co… Mesmo?”

O pegasus sacudiu sua cabeça tão forte que pensou que poderia se machucar. “Estão na Mane Street! Vamo lá!” Ele voou com pressa, a prefeita o seguindo.

A cidade foi para um rugido ensurdecedor de aplausos quando as Guardiãs dos Elementos da Harmonia, junto com seus novos amigos, puseram os pés no solo de Ponyville.

Rarity viu um baralhar no meio da multidão, os pôneis abrindo caminho para a prefeita. A pônei bronzeada ajustou seus óculos. “É verdade! Vocês estão de volta!” Ela se virou para o pegasus que a seguia. “Chamem os grupos de busca! E avise às famílias!”

Um milhão de perguntas bombardeou o grupo de uma vez, mas Twilight chamou a atenção de todos. “Vamos responder as perguntas em outra hora. Estamos muito cansados depois da viagem”

“Rarity!” Sweetie saiu debaixo das pernas da prefeita, correndo até sua irmã. As duas carinhosamente se aconchegaram. “Oh Sweetie, eu senti tanta sua falta!”

Um cão correu latindo para Applejack, seguido pela sua irmã e irmão. A família Apple compartilharam um abraço em grupo, finalmente reunidos.

O fiel jacaré de Pinkie, porém sem noção, gingou até ela, como se ela nunca tivesse ido embora. Ela sorriu para ele, e ele replicou aplicando uma pequena mordida com seus dentes no cabelo dela. “Aw, eu também te amo, Gummy!”

Dash ficou de pé, acenando para aqueles que estavam a cumprimentando, mas ficou preocupada. Todos aqueles pôneis que esperavam vê-la, Scootaloo seria o topo da lista. Mas a potrinha não estava por ali. Ela voou para o alto, procurando pela sua maior fã. Ela a avistou, bem longe, numa colina debaixo de uma arvore. “Ei Twi!” Twilight olhou para cima. “Eu já volto! Não faça nenhuma festa sem mim!” Twilight acenou.

“Mamãe!” A potrinha roxa correu para sua mãe, a carteira de olhos dourados de Ponyville. Ela inclinou-se e a potrinha pulou, derrubando sua mãe nas suas costas.

“Muffin!” As duas se aconchegaram num abraço, tão apertado que Twilight pensou que as duas nunca iriam se separar. ‘Apesar de tudo’ ela pensou, ‘Eu acho que isso será muito bom para elas’ Ela procurava o seu próprio assistente, mas o dragão não estava presente. Ela caminhou em direção à biblioteca, mas a multidão estava na sua frente.

“Com licença, eu precisa passar”

“Só uma perguntinha, Senhora Sparkle” A prefeita apontou um casco aos dez pôneis a seguindo. “Quem são esses?”

Twilight castigou a si mesma por esquecer algo tão simples. “Ponyville, por favor, eu quero que vocês conheçam o Time”

——–

O andar para a biblioteca estava espantosamente calmo. Ela percebeu que a maior parte de Ponyville tinha aparecido para ver o seu retorno. Ela olhou em volta lentamente, as vistas e sons de um mundo que haviam começado a sumir de sua memória naquele outro mundo desconhecido.

“Twilight!” Ela se virou, e viu Trixie galopando até ela.

“Trixie, tudo bem?”

Ela diminuiu a velocidade à medida que ela se aproximava da unicórnio violeta.

“Eu queria…” A sentença de Trixie sumiu, murmurando suas ultimas poucas palavras.

“Queria…?”

“Queria dizer… a…d…” Novamente murmurou. Twilight se inclinou.

“Sim..?”

Trixie bufou, em seguida endireitou os ombros, travando os olhos para Twilight. “Adeus. Estou deixando a cidade quando eu achar minha carroça, e eu… bem… eu não pude deixar minha rival não saber da minha partida!” Ela recuperou o ego que A Grande e Poderosa Trixie era conhecida. Twilight deu uma risada.

“Você vai voltar algum dia, ‘Rival’?”

“Considere-se sortuda, Twilight Sparkle, essa não vai ser a ultima vez que você verá A Grande e Poderosa Trixie!” Trixie olhou em volta, como se alguma entidade invisível fosse vê-la deixar a fachada. “Além disso… se toda vez que eu vier para a cidade e for esse emocionante, eu poderei voltar mais vezes” Trixie levantou-se sobre suas pernas traseiras. “Adeus, Twilight” Um sopro de uma fumaça, e a unicórnio correu a toda velocidade. Twilight revirou seus olhos, mas sorriu.

Ela caminhou até a porta da biblioteca, empurrando-a calmamente. A casa estava escura, mas na escuridão, ela podia enxergar seu assistente roxo tendo uma soneca no sofá. Ela silenciosamente andou até ele e o cutucou. “Spike… acorda Spike…”

Ele se rolou, esfregndo os olhos. “Sonhos idiotas. Você sabe que não tem que ficar me lembrando” Ele se rolou de volta.

“Spike, não é um sonho”

“Foi isso que o ultimo falou, prove” Ele estendeu seu braço. “Me belisca”

Twilight cutucou levemente o dragão com seu chifre.

“Au! Perái…” Os olhos do dragão iluminaram. Ele pulou em Twilight, abraçando-a em volta do pescoço. “É você! Você tá de volta!” Ela passou uma pata dianteira em volta dele, lágrimas escorregando livremente. “E não estou sonhando dessa vez”

Ela estava contente por ficar o mais perto de Spike o possível naquele momento. Após alguns minutos, os dois se soltaram. “Spike, eu preciso que você pegue uma carta”

——–

‘Querida Princesa Celestia,

Já faz alguns meses desde que não escrevi minha ultima carta, e eu peço mil desculpas, devido a um acidente mágico, eu fui enviada para um outro mundo. Um tão diferente do nosso que é chocante. Mas mesmo nos ambientes mais estranhos, você pode aprender a grandiosidade da amizade. Nesse tempo todo eu e minhas amigas, aprendemos nossas lições. Das garras da obsessão e encontrando lugares que te levam ao perdão e simplesmente se livrando de suas restrições. Enquanto eu seguir com relatórios mais detalhados, eu queria mais é dizer que todos nós voltamos, intactos e saudáveis. Mas não voltamos sozinhos. Amizade se varia em muitas formas, e esses novos pôneis não são a exceção. Originalmente eles eram os únicos naquele mundo que poderia nos ajudar a voltar, e nós os retribuímos salvando suas vidas.

Eu vou escrever mais cartas depois, mas para ser honesta eu preciso descansar muito. Então vou encerrar com isso: Uma boa equipe e uma boa amizade são muito semelhantes. Nenhum funciona sem uma confiança mútua, e cooperação. E assim como amizade, o trabalho em equipe pode fazer deveres bem melhores do que podem parecer.

De sua fiel estudante,

Twilight Sparkle’

——–

E assim a nossa história termina, mas não vamos parando por ai! Vou estar traduzindo o primeiro capitulo da fanfic “Changing Worlds“, que é a continuação dessa, cuja conta as ‘desventuras’ deles em Ponyville! Então nao se preocupem, que esse é só o começo.

Fanfic, Fanfics estrangeiras

Pônei background

 

Título original: Background Pony

Autor: shortskirtsandexplosions 

Gênero: Drama

Tradução: HOG

SINOPSE: Meu nome é Lyra Heartstrings, e você não se lembrará de mim. Você nem mesmo vai se lembrar dessa conversa. Assim como todo pônei com quem me encontro, tudo o que eu faço ou falo serão esquecidos. Mesmo uma carta que escrevo aparecerá em branco e qualquer evidência que eu deixar para trás será perdida. Eu estou presa em Ponyville pela mesma razão que me fez esquecível. Porém, isso não me impede de fazer aquilo que mais amo: música. Se minhas melodias encontrarem um caminho em seu coração, então ainda há esperança pra mim. Se eu não puder provar que existo, posso pelo menos provar que o meu amor por cada um de vocês ainda existe. Por favor, ouça minha história, minha sinfonia, por mim. 

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Querido diário,

Quando a música surgiu? Ela começou com uma pergunta? Uma exclamação? Foi alguém rindo? Ou chorando? Foi criada por um pônei sozinho, ou havia uma platéia?

Quando comecei a freqüentar a escola para unicórnios superdotados,  acreditava que iria descobrir todas as respostas de como e onde a música surgiu. No entanto, o que descobri foi que as melhores contribuições, as musicas mais artísticas, melodiosas e cheias de alma,  perderam-se para sempre.

A Civilização de Equestria data de mais de dez mil anos, e desses dez milênios, somente as músicas dos últimos cento e cinqüenta anos foram gravadas, preservadas ou ainda são tocadas atualmente.

O que aconteceu com as músicas que foram esquecida para sempre? Quantas obras-primas desapareceram no grande vácuo temporal? Quantos prodígios musicais e gênios existiram no passado, e quantas das suas obras primas nunca serão ouvidas? Será que o fato de que as musicas deles não ressoarem mais pelo nosso reino quer dizer que eles já não têm mais valor aos nossos olhos?

Há muito tempo atrás, eu era uma estudante de teoria musical, acreditando poder encontrar respostas. O que descobri é que a arte de fazer musica é meramente um meio de propor questões com os nossos corações, questões que a mente não tem capacidade de formular por si. Cada vez que cantamos ou tocamos um instrumento musical, na verdade, estamos procurando. Cada vez que enchemos o ar com ritmos e tonalidades musicais, estamos tentando entrar em contato com partes de nós mesmos, partes que não conseguem se comunicar por meras palavras.

Eu gostaria de acreditar que os pôneis do passado estavam procurando por algo tanto quanto nós estamos atualmente. Para mim, isso quer dizer que mesmo que a música do passado esteja perdida, o desejo de se expressar e descobrir a nós mesmos ainda se encontra presente em nossos corações. Toda a nossa civilização nada mais é do que um belíssimo bis de uma sinfonia que nunca mais será ouvida. Enquanto estivermos sentindo essa música – ao incorporar a curiosidade e ambição de nossos ancestrais – o que é realmente importante nunca será esquecido.

Hoje, eu toco música. Eu faço isso porque também estou procurando. Talvez essas notas mágicas que me esforço para construir podem ser uma forma de quebrar essa maldição. Por outro lado, estou contribuindo, meu coração bate em sequencia ao ritmo das batidas constantes de vários outros que o fazem desde o começo dos tempos.

Enquanto eu sou parte disso, enquanto eu faço melodias das quais a alma equestriana não possa deixar de dançar sobre, então talvez, e apenas talvez, eu possa ser ouvida por alguém.

Talvez eu não seja esquecida como tantos outros.

Outro dia, eu estava  na esquina da rua principal de Ponyville, tocando uma música experimental na minha lira. Eu decidi chamá-la de “Elegia lunar número sete”. Era a mesma melodia que estava tentando concretizar durante toda a semana. Você conhece, eu a escrevi na minha última carta. É a musica que eu ouvi ao acordar durante aquela noite tempestuosa – aquela que quase derrubou uma árvore sobre o meu jardim de cenouras. Eu sempre sentia que aquilo era um sinal, e encontrar um jeito de escrever aquela melodia iria, de algum modo, me ajudar em minha busca. Apesar disso, até agora eu não notei quaisquer propriedades mágicas na melodia, provavelmente porque ainda não tinha tocado ela para Twilight.

A senhorita Sparkle sempre tem as respostas. Ela é bem dotada nesse quesito. Agora, se ao menos ela pudesse utilizar os seus talentos para fazer música, tenho certeza que faria a Princesa Celestia ainda mais feliz.

Droga!  Eu sempre me distraio com essas notas. De qualquer forma, eu estava na esquina da rua principal, estava tocando minha lira e – meio que – no momento não possuía muito dinheiro, de modo que eu trouxe o frasco comigo. Não demorou muito para que os cidadãos de Ponyville mostrassem o seu apoio. Em menos de duas horas, eu tinha juntado cerca de vinte e cinco bits. Havia conseguido mais do que apenas isso, é claro. Vários sorrisos e risadas agradecidas foram jogadas em meu caminho. Eu simplesmente não disse nada e continuei tocando minha música. Devo ter parecido tão absorta. Mal sabiam eles que eu estava observando-os com muita atenção, tanto quanto eles me observavam.

É claro, Top Carrot foi a primeira a doar. Eu escrevi sobre ela antes. Aquela pônei amarela clara geralmente acorda mais cedo do que qualquer outra alma Ponyvilliana, trotando por toda a cidade e realizando uma vasta miríade de trabalhos aleatórios. Naquele dia, ela jogou um bit no meu jarro e sorriu para mim. Lembrei-me do mesmo rosto, manchado com sujeira e flocos de grama no final de um dia, quando ela me ensinou a plantar em um jardim. Ela acenou para mim como se fosse a primeira vez – pois para ela, era a primeira vez – e então ela se foi novamente.

A prefeita foi a próxima a aparecer. Sua crina parecia menos cinza naquele dia. Será que ela trocou a tintura usada nos cabelos?

A prefeita é uma pônei fantástica.  Se Ponyville fosse qualquer outra cidade, o líder eleito provavelmente desaprovaria um músico de rua tal como eu. A nossa prefeita, por sua vez, é bem mais culta do que tais pôneis. Ela sorriu para mim, elogiou meu talento, e jogou um bit dourado no frasco antes de trotar adiante. Eu me pergunto se ela já conseguia conversar com a filha. Estava muito preocupada com a bagagem emocional que se abatia entre os dois ultimamente. Ela nunca diria a qualquer outro pônei sobre como estava triste, eu tive de pressioná-la contra a parede para que ela me contasse isso. Foi uma conversa sincera durante o chá da tarde que ambos tivemos. Vou sempre me lembrar disso, se não por mim, por ela.

Vários outros pôneis trotaram até mim ao ponto de que o dia dava espaço à tarde. Durante todo o tempo, eu estava praticando “A elegia numero sete.” O fato de outros pôneis  gostarem da minha música ou jogarem moedas no meu frasco foram apenas benefícios marginais do exercício. Eu puxei magicamente cada corda da lira com uma precisão decorrente de muita pratica, repetindo a mesma melodia várias vezes. Ninguém nunca reclamou da repetição, mas eu nunca esperava que eles o fizessem. Os olhares estranhos que eu recebia focavam-se apenas na jaqueta que estava usando –

A mesma que eu sempre uso durante essas excursões na cidade. Achei que tinha me acostumado com isso, da mesma forma que tinha me acostumado com os calafrios durante as melodias que me acordam. Ainda assim, eu não podia reclamar. Eu simplesmente tinha que continuar praticando a elegia. Eu sabia que somente Twilight Sparkle poderia me ajudar a descobrir o que a música significava, da mesma forma que as outras músicas anteriores também retinham um significado próprio, mas isso não me impedia de tentar senti-la por mim mesma ate lá.

E então, apareceu a Rarity. A visão de sua linda crina e seus olhos brilhantes quase quebraram minha concentração, ela fez uma pausa em suas compras matinais para me ouvir. “Mas que música celestial!” Foram suas palavras exatas. Ela jogou três bits dentro do frasco, mais do que qualquer outro pônei. Eu sempre me sentia mal quando isso acontecia, mas uma parte de mim pensava que Rarity tinha maior necessidade de ser generosa do que os outros pôneis tinham a necessidade de receber tal generosidade.  Então, continuei tocando o meu instrumento, especialmente quando ela se inclinou para frente com um olhar simpático ao dizer: “Queridinha, você está praticamente congelando! Diga-me, está doente?”

Ela tinha razão. Os meus dentes rangiam, e não era fingimento. Quando os calafrios começam, não há muito que eu possa fazer para pará-los. O meu capuz sempre foi a minha principal defesa contra os inexplicáveis efeitos colaterais desta maldição. Eu nem ao menos posso tentar explicar tal coisa aos outros pôneis. Se eu ficasse encolhida, tal qual o meu corpo trêmulo silenciosamente urge, mais pôneis ainda parariam para fazer a mesma pergunta que Rarity fez.

“Oh, eu estou bem, madame.” Lembrei-me de responder a ela. Geralmente não respondia a ninguém durante uma performance, apesar de ser uma unicórnio que poderia se dar ao luxo de fazer múltiplas tarefas simultaneamente. “Eu só sou um pouco mais friorenta do que os outros pôneis, apenas isso.”

Era uma mentira. Mas, relativamente falando, tudo o que dizia a esses moradores nada mais eram do que mentiras. Afinal de contas, mesmo quando eu falo a verdade, ela tem o mesmo efeito sobre eles.

“Bem, eu não agüento ver uma música talentosa enquanto você fica congelando!” Ela disse. Então a unicórnio branca fez algo que eu deveria ter previsto. Ela abriu a sacola e retirou um cachecol amarelo. “Aqui querida. Fique com isso.”  O sorriso dela brilhava tanto quanto a magia que ela usava para flutuar o objeto dourado para mim. Evidentemente, eu não tinha escolha. Isso não fez com que aceitar o presente fosse mais fácil para mim.

“Oh, obrigada madame.” Eu sorri e fiz uma pausa na elegia para colocar o cachecol em volta do pescoço. Tentar naquela hora uma recusa educada teria sido impossivelmente complicado. “Você é muito gentil.”

“Ora, não é nada. Eu posso fazer mais cem dessas na minha butique. Além disso, o amarelo não é a minha cor – mas ele combina tão bem com os seus olhos.” Rarity sorriu. Algumas faces lindas duram para sempre em nossos pensamentos, e aquela não era exceção. “Me visite um dia desses, Eu posso fazer uma jaqueta nova pra você. Não que a sua seja feia, é claro, mas eu ouso dizer que ela está ficando meio desgastada.”

Eu dei uma risadinha nervosa. “Obrigada. Eu vou pensar nisso.”

“Não se acanhe.” E então Rarity trotava o seu caminho, assoviando sua própria versão mais extravagante da musica que eu estava tocando. Ela desapareceu ao adentrar uma loja.

Eu continuei tocando a minha música, mais aquecida pela sinceridade da generosidade da Rarity do que pela grossura do cachecol que ela tinha me dado. A tarde foi minguando aos poucos. Ao ponto que o sol descia em direção ao horizonte do ocidente, ele produzia um brilho vermelho que foi refletido na pele dos pôneis que ainda passavam.

Eu devo ter tocado a elegia lunar umas dez vezes antes de ver Rarity novamente, trotando com uma sacola cheia de coisas recém-compradas.

Não posso mentir. Meu coração se entremeceu um pouco quando ela imediatamente caminhou em minha direção e jogou três bits dourados no meu frasco. “Mas que música celestial!” Disse ela, então se inclinou sobre mim. “Queridinha você está praticamente congelando! Diga-me, você está doente?”

Desta vez, eu tive um pouco mais de dificuldade de sorrir. De qualquer modo, murmurei enquanto continuava tocando a melodia. “Oh, eu estou bem, madame”  Eu disse com uma piscadela. “De fato, uma unicórnio muito gentil me deu este cachecol ainda hoje.”

“Bem, ela deve ser uma pônei de bom-gosto excepcional!” Rarity disse com admiração. “Ele combina tão bem com os seus olhos. Me visite um dia desses, eu posso fazer uma jaqueta nova pra você. Não que a sua seja feia, é claro, mas eu ouso dizer que ela está ficando – “

“Meio desgastada?”

“Sim! Eu ia dizer exatamente isso!” Rarity exclamou, deixando escapar um suspiro. “Você também consegue ler mentes além de tocar músicas lindas?”

“Algo assim.” Eu disse. “Vou visitar a sua butique encantadora um dia desses, madame.”

“Não se acanhe”. E pela segunda vez, ela se fora. Novamente assoviando, novamente uma estranha elegante e despreocupada.

Eu decidi que já havia tocado o suficiente, então peguei a minha lira e o meu frasco cheio de bits e os guardei na minha sacola. Minha boca estava seca, então trotei em direção ao Sugarcube Corner.

A Sra. Cake estava trabalhando. Assim que me sentei em uma mesa, ela se aproximou com um sorriso tão brilhante e impecável quanto seu avental.

“Boa tarde senhorita! É a sua primeira visita a Ponyville?”

“Hmmm… Sim e não.” Eu sorri para ela. “Quanto custa uma xícara do seu melhor chá de ervas?”

“Um bit.”

“Que tal três bits por uma xícara e um sanduíche de margaridas?”

“Claro, querida!” A Sra.Cake disse alegremente. Eu me perguntava se ela sabia o quão harmoniosa suas palavras sempre soavam. Eu poderia escrever uma tese sobre a tonalidade de sua voz. Ela correu para a cozinha na parte de trás do Torrão de Açúcar enquanto eu pegava minha sacola para retirar o frasco cheio de bits.

Naquele momento, ouvi um soluço a duas mesas de distancia. Olhei naquela direção e vi a Sra. Hooves a filhinha dela, Dinky. A pequena unicórnio chorava, uma espécie triste, perturbada de choro. Eu nunca vi aquela criança fazer birra em público, e naquela ocasião não foi diferente. Dinky escondia o rosto entre os cascos enquanto sua mãe se inclinava e sussurrava palavras tranqüilizadoras em seus ouvidos. Da minha distancia, eu não poderia dizer exatamente o que Derpy tinha dito, mas podia ver o sorriso genuíno em seu rosto  e, de algum modo, suas consolações funcionaram. Dinky enxugava as lágrimas sorrindo para sua mãe.

A essa altura, Pinkie Pie já havia aparecido -saltitando descontroladamente como sempre fazia. Ela então começou a entreter os vários potrinhos no interior da confeitaria, com as suas usuais piadas ultrajantes e charadas. As crianças riam e aplaudiam as  palhaçadas da Pinkie.

Derpy apontava para a pônei saltitante e empurrava de leve o flanco de Dinky, motivando-a para ir e se divertir com Pinkie e os outros. A jovem unicórnio rapidamente o fez, a tristeza em seu rosto foi brevemente substituída pela inocente euforia infantil. Derpy ficava de olho na filha, embora ela não conseguisse esconder o suspiro escapando de seus lábios ao olhar deprimida em seu rosto recaindo sobre a mesa.

Eu estava tão atenta a essas observações que minha visão periférica mal captou a Sra. Cake retornando. Eu me virei para olhá-la. A padeira estava parada, olhando fixamente pela sua confeitaria. Ela segurava uma bandeja com uma xícara fumegante de chá e um sanduíche de margaridas, mas não tinha a mínima idéia do que fazer com aquilo.

“Estranho…” Seus olhos piscaram levemente enquanto os lábios se retinham sobre cada palavra que sua boca deixava escapar. “Eu poderia ter jurado que eu só…” Ela se virou e olhou para a cozinha. “Onde eu estava indo com isso? Devo estar ficando…”

Eu limpei a minha garganta.

Ela olhou para mim e imediatamente deu um sorriso educado. “Boa tarde senhorita! É a sua primeira visita a Ponyville?”

“Hmmm…” Eu sorri gentilmente. “Sim e não. Você parece confusa. Está tudo bem?”

“Sim, está tudo certo. Eu só queria saber o que estava fazendo com … com …” A Sra. Cake franziu a testa para a bandeja, como se estivesse cheia de formigas. “Bah! Eu deveria estar assando o bolo para o banquete da prefeita amanhã. “

Eu estiquei o pescoço para olhar para os conteúdos da bandeja. “É um chá de ervas e um sanduíche de margarida?”

“Pelo visto, é do que se trata. “

 “Hmmm …” Eu soltei algumas moedas de ouro sobre a mesa. “Será que três bits podem pagar por este pedido?”

“Oh! Erhm … Você quer isso? “

Eu sorri. “Parecem deliciosos. Vou experimentá-los.”

Muito bem, então! Pelo menos eles não vão para o lixo! “A Sra.Cake colocou graciosamente o copo e o prato na minha mesa enquanto eu entregava os bits. Ela os pegou e fez uma reverência. “Aproveite a sua estada no Torrão de Açúcar!   se precisar de mais alguma coisa, é só me chamar, querida.”

“Obrigada.” Eu disse. Depois que ela saiu, tomei lentamente o chá, aproveitando o calor da bebida que, pouco a pouco, remediava meus calafrios. Eu tive tempo para relaxar, refletir, pensar sobre a minha música. Eu deveria ter gasto cada minuto procurando as notas finais da incompleta “Elegia Lunar # 7”, mas ao invés disso, eu continuei a olhar na direção da mesa da Sra. Hooves.

Derpy é uma pônei triste. Não são muitos os que sabem disso. Muitos cometem o pecado de tratar a pônei carteira de Ponyville meramente pelo modo como ela age durante o trabalho. Eu estive incluída entre as pessoas que já fizeram isso, mas isso é porque durante as muitas vezes que eu tentei aprender mais sobre ela, falhei em descobrir a fonte de sua tristeza. No entanto, tendo apenas visto consolar a filha, eu já tinha uma idéia do que estava afetando a pégaso cinza.

Então, após terminar o meu chá e devorar o sanduíche de margaridas,  fechei a minha sacola e trotei na direção da mesa dela. No meu caso,nunca há uma maneira fácil de lidar com as “apresentações”, há muito eu aprendi a pular tal fútil pretensa.

“Por que está tão triste, Sra Hooves?”

Derpy olhava por cima da mesa. Seus olhos piscavam em direções opostas. Eu sabia exatamente onde ficar para que ela pudesse me ver. “Uhm … Sinto muito. Já nos conhecemos? “

Eu sorri. “Quem em Ponyville não conhece a pégaso-carteira mais eficiente da cidade?”

“Oh, bem, acho que você tem razão nisso.” Derpy riu nervosamente, então passou um casco através de sua crina. “Eu não… uhm … quebrei uma janela sua ao voar perto dela ou algo do tipo, não é?“

“Hehehe … Nada disso. “

“Ufa. Eu estou contente. Minha memória não é tão boa assim. “

“Todos nós estamos no mesmo barco, Sra Hooves, acredite em mim.” Eu me sentei ao lado dela e apontei para onde a filha dela estava, juntamente com os  outros potros risonhos e Pinkie Pie. “Dinky é extremamente dotada para a idade dela. Obteve a maior pontuação da classe nos últimos três testes consecutivos. Você sabia disso?”

“S-sim… claro que eu sabia!” Derpy exclamou, seus olhos se contorcendo em ângulos bizarros ao me olhar. “Mas como você sabia disso?”

Isto é o que quero dizer quando escrevo que nunca é fácil. Pensando rapidamente, respondi: “Eu sou uma professora de música vindo de Canterlot. Não muito tempo atrás, eu fui enviada para ajudar a senhorita Cheerilee  a expandir o currículo. Ela está pensando em montar uma banda para potrinhos. Você já ouviu falar nisso? “

“Claro que sim! Eu ouvi. “ Disse Derpy.

Eu estava errada sobre uma coisa que escrevi anteriormente: algumas vezes, eu digo a verdade, mas isso é só porque estive a observando atentamente. No mês passado, Cheerilee tinha realmente tentado estabelecer uma banda escolar. Não parecia ser um assunto muito agradável para a Sra. Hooves.

“Minha querida está tão animada com isso.” Disse. “Ela não para de falar sobre isso todas as manhãs antes de eu deixá-la na escola.” Derpy suspirava e olhava  letargicamente pela confeitaria, enquanto que a filha dela morria de rir das extravagâncias de Pinkie Pie. “Ela tem um talento natural para a música. Na semana passada, eu a levei para a loja de instrumentos musicais. Eles tinham uma flauta e deixaram que ela tocasse um pouco… eu juro, eu nunca tinha ouvido nada tão surpreendente… e o meu muffinzinho nem praticou tanto assim. Ela é tão talentosa… assim como o pai. “As últimas palavras em particular, saíram com dificuldade, e eu vi a tristeza se abater mais uma vez sobre o rosto pálido da pégaso.

“Eu ouvi ela chorando.” Disse. Algumas músicas não têm uma ponte própria. Às vezes, tudo que você precisa fazer é ouvir o refrão, não importa o quanto seja doloroso. “Acredito que ela não tenha conseguido fazer parte da banda…”

Derpy estremeceu, mas eu sabia que ela não estava prestes a parar de falar. Tantos pôneis nesta cidade tem tanto a dizer, e o momento em que eles se abrem é quando eu pergunto a eles… Talvez este seja o meu propósito? Penso muito nisso. Eu sou a única pônei que tem de fazê-lo.

“Eu queria muito que ela conseguisse.”  A Sra. Hooves eventualmente disse. “Mas temo não ter condições de ajudar a minha pequena.”

“Ah?”

“Eu não digo isso a muitos pôneis, e certamente não vou dizer pra ela, mas as coisas têm sido difíceis ultimamente.” Derpy olhou para baixo da mesa e girou círculos preguiçosamente com o seu casco, como se estivesse desesperadamente tentando equilibrar a rotação dos olhos. “Eu mal ganho o suficiente para sobreviver. Ser uma pônei carteira simplesmente não dá dinheiro o suficiente, sendo uma mãe solteira. Se o pai dela ainda estivesse vivo e trabalhando, então talvez eu tivesse alguma renda extra disponível para fazer mais do que apenas botar comida na mesa. Mas uma banda escolar…?” Derpy suspirou de novo e moveu um casco sobre as pálpebras úmidas. “Dinky é a mais doce e bonita criança que eu poderia desejar… Ela é tão altruísta e solidária comigo. Tudo que ela quer para si é poder tocar flauta. Ela tem um dom, e eu mal consigo acreditar o quão talentosa ela é…”

“A proficiência musical é um tipo único de talento, Sra. Hooves.” Eu disse com um sorriso gentil. “Você deveria estar orgulhosa. A sua filha vai tocar as almas dos outros pôneis do mesmo modo que toca a sua simplesmente por estar viva.”

“Ela não vai poder estar tocando nada se eu não puder dar o que ela merece”, Derpy murmurou, com sua voz minguando. “A minha querida é tão educada com todo mundo –   jovens e velhos. E ela dá o melhor de si na escola. Estuda muito. Ela é tão … tão doce … “ Derpy fungava e esfregava uma lágrima seca antes que pudesse rolar pelo rosto cinza. “Sua paixão é fazer música, e eu não posso ajudá-la nisso. Eu não sou tão talentosa como ela. Nem posso pagar por um lugar melhor para morarmos, que dirá uma flauta para dar asas aos sonhos dela. Que tipo de amor é esse? “

Inclinei-me e coloquei a minha pata delicadamente sobre a dela. “Seu amor é sincero, do tipo que a sua filha vai valorizar e lembrar para sempre. Há pais que pensam que o dinheiro pode comprar qualquer coisa, mas ele não pode dar atenção ou respeito a uma criança. Você não é esse tipo de mãe, Sra. Hooves… Acredito que de uma forma ou de outra, você vai encontrar uma maneira de dar a Dinky o que ela quer. Mas você já está dando o que ela precisa. Se você se esquecer de qualquer uma das palavras que estou lhe dizendo agora, pelo menos, lembre-se do sentimento que elas estão fazendo a senhora experimentar agora enquanto eu as digo, pois ele é real e uma coisa eterna.”

Derpy fungava novamente. Por um brevíssimo momento, eu podia jurar que seus dois olhos tinham se focado em mim. Ela sorria com uma expressão cuja lembrança ainda me aquecia. “Como eu poderia esquecer as palavras de uma pônei tão gentil e compreensiva como você?”

Eu sorri para ela. “Esteja sempre do lado de sua filha, Sra. Hooves, como você sempre esteve. De algum modo, de alguma forma, seus sonhos irão se tornar realidade. Eu prometo. “

Antes que Derpy tivesse a chance de responder, Dinky saltitou de volta a mãe, rindo e repetindo muitas das coisas bobas que Pinkie Pie tinha dito para os potros. Derpy mal conseguia conter a filha, até finalmente recorrer a um abraço, envolvendo a pequena unicórnio em seus cascos. Dinky riu e se contorceu sobre as patas da mãe, ao ponto que esta afagava a criança gentilmente.

Foi nesse momento que um súbito arrepio correu através de mim. Estremeci e puxei a borda das mangas da minha jaqueta. Por um momento, pude ver um vapor de respiração escapando dos meus lábios,  é sempre assim… eu sabia o que fora perdido.

Um dos olhos de Derpy piscava em minha direção, e seu corpo se sacudia surpresa. “Oh,Olá! Posso ajudá-la, senhorita? “

Limpei a garganta, lutando contra o último dos meus arrepios. “Me desculpe.” Eu levantei. “Não sabia que esta mesa já estava ocupada.”

“Bobagem!” Disse Derpy animada, seu tom era igualmente feliz ao da filha. Uma coisa era certa, ela estava feliz agora. “Este é o Torrão de Açúcar. Qualquer pônei pode se sentar aonde quiser, certo meu bolinho?”

Dinky apenas riu. Eu sempre invejei o efeito que a Pinkie Pie tinha sobre as crianças. Eu não tenho muita prática para entoar rimas infantis e canções de ninar.

“Obrigada, mas eu realmente tenho que ir embora.” Eu disse. Era verdade. O sol estava se pondo, e ainda tinha que ver a Twilight. Logo, seria noite, e com os calafrios recorrentes, eu não conseguiria falar com ninguém. “Eu desejo a vocês uma boa noite”.

“Hehe… Eu não sei por que exatamente.” Derpy disse. “Mas tenho certeza que estou tendo uma.”

Eu deixei a confeitaria e lentamente me dirigi para a Biblioteca de Ponyville. No advento da noite, ela pairava sobre o meu chifre tal qual um cobertor profundamente roxo. Tudo ao meu redor, os outros pôneis galopavam freneticamente para casa. Eu não conseguia entender por que eles têm tanta pressa quando o sol se põe. Às vezes me pergunto se eu sou o único pônei que faz isso: que anda calmamente e permite que o murmúrio fresco e revigorante da noite me embale. Eu comecei a murmurar levemente, recitando um número de piano que a minha mãe me ensinou quando eu era apenas uma criança. Minha família havia tido melhores condições que Derpy e Dinky. Eu nunca imaginei que pudesse perder contato de vez com eles… Tanto emocionalmente quanto materialmente. Ainda me pergunto como eles estão atualmente, mas tento não pensar nisso. Pensar sobre a melodia do piano traz consigo todas as memórias quentes do passado. Eu gostaria que o presente não fosse tão gélido.

Os postes de luz nas ruas de Ponyville estavam sendo acesos no momento em que cheguei à porta da biblioteca. Estava aberta, o assistente de Twilight provavelmente estava carregando algo para dentro. Assim que entrei, percebi que estava correta. Spike movimentava diversos pacotes cheios de livros antigos enviados de Canterlot . Ele olhou para mim e acenou alegremente.“Oi!” Ele passou por mim, carregando um pacote para a extremidade oposta da sala.”Capuz maneiro, o seu!”

“Obrigada”, eu disse. “A Srta Sparkle se encontra?”

“Você tem um encontro marcado com ela?”

“Spiiiiike!” Só então, a unicórnio cor de lavanda em questão adentrou o hall de entrada vindo de um corredor adjacente. “Será que você já abriu o pacote que contém todos os oito volumes de Heróis na Literatura Equestriana?” Ela parou e soltou um suspiro leve ao me ver. “Oh! Sinto muito. Eu não sabia que alguém estava aqui!” Ela piscou e depois abriu um sorriso. “Posso te ajudar?”

Já mencionei que Twilight Sparkle é ridiculamente adorável?

“Na verdade, você pode.”

“Bem, vejamos … uhm … Eu vou fazer o meu melhor, mas já digo que agora estou encerrando as atividades da biblioteca, tenho uma carta importante para escrever para…”

“…Princesa Celestia.” Balancei a cabeça finalizando antes dela. “Eu sei”.

 “Oi!” Spike passou por mim mais uma vez. “Capuz maneiro, o seu!”

“Sim, eu sabia que você iria gostar.” Virei a cara para Twilight, sorrindo novamente. “Confie em mim, Srta. Sparkle, acredito que você vai ficar muito… erm … intrigada com o que tenho para compartilhar com você, e então vou pedir sua ajuda somente com uma coisa.”

“Sim?”

“Eu prometo que você não vai se atrasar ao enviar a carta para a Princesa.”

“Atrasada?” Os dentes de Twilight Sparkle foram expostos quando ela deu uma risadinha nervosa . “Qu-quem está com medo de estar atrasada aqui? Não eu, certamente…”

“Heeheehee … realmente.” Eu trotei ao longo de um banquinho e sentei nele, em seguida remexendo minha sacola. Olhando para a minha anfitriã, murmurei, “Srta Sparkle, você já teve uma bela melodia presa em sua cabeça, mas você não sabe de onde veio ou o que significa, somente tendo um desejo incontrolável e irracional de cantarolar a canção?”

Twilight Sparkle olhou curiosa para mim. Seus olhos eram tortos, a aparência inegável de confusão. Eu poderia escrever um livro sobre essa expressão no rosto de cada pônei que encontro. Para ser honesta, é meio o que estou fazendo agora, não é?

Eu ri enquanto tirava a minha lira da sacola, a segurando diante de mim. Contemplando suavemente a minha anfitriã, eu disse: “Meu nome é Lyra Heartstrings, e você não vai se lembrar de mim. Você nem vai se lembrar dessa conversa. Assim como todo mundo que já conheci, tudo o que eu faço ou digo será esquecido. Cada carta que eu escrevi vai aparecer em branco, cada pedaço de evidência que deixei para trás vai desaparecer por completo. Eu estou presa aqui em Ponyville por causa desta maldição que me fez ser tão esquecível. Ainda assim, isso não me impede de fazer a única coisa que eu amo: música. Se as minhas melodias encontrarem o caminho ate o seu coração, então ainda há esperança para mim. Se eu não posso provar que existo, posso pelo menos provar que meu amor por todos e cada um de vocês existe. Por favor, ouça a minha história, minha sinfonia, porque ela não é nada menos do que a minha essência.”

“Eu.” Twilight Sparkle piscou rapidamente. Ela correu um casco pela testa e a apertou antes de processar suas palavras, passando uma expressão estremecida. “O que você quer dizer? Eu não entendo. Isto é algum tipo de…”

“Shhhh.” Eu sorri e flutuei a lira na minha frente. “Basta ouvir”.     

Fechei os olhos e me concentrei, utilizando a minha mágica para dedilhar cada seqüência em sucessão. Todas as vezes que eu tocava na rua principal de Ponyville, eram apenas ensaios. Ali, diante de Twilight, no coração acústico de sua casa de madeira, eu executei a “Elegia Lunar # 7″ tão docemente e eloqüentemente quanto pude. Embora eu não soubesse o final, dedilhei pelo instrumento com toda a confiança. Quando a performance acabou, eu reabri os olhos para ver Twilight Sparkle sentada diante de mim, com o rosto brilhando e com a minha melodia  ainda ecoando dentro de sua mente talentosa.

“Isso …” Twilight Sparkle começou a murmurar.”…foi tão… tão…”

“Diga-me,” falei com firmeza, o meu olhar estava focado totalmente na unicórnio naquele momento. “É familiar?”

“Sim … sim!”, Exclamou ela. “Sinto como se … como se eu já tivesse ouvido antes em… “

Eu me inclinei para frente. Meu coração estava batendo com antecipação. Eu fiz tudo que pude para manter minha compostura.

Finalmente, Twilight Sparkle gaguejou. “Os arquivos lunares! Sim! Sim, eu acredito que é uma sinfonia da Era Neo-Clássica antiga!” Ela sorria enquanto a informação florescia em sua mente, se desenrolando a partir de uma peça atá o momento ignorada de sua biblioteca mental. ”A Princesa Celestia compartilhou essa canção comigo uma vez ,antes do retorno de Nightmare Moon. Ela me disse que era uma das poucas coisas que tinha para …se lembrar da irmã, antes da Princesa Luna ter sido contaminada pelo espírito que a corrompeu”.

“Diga-me, Srta. Sparkle ,” Eu falei com firmeza. “Você sabe como ela termina?”

“O número musical que acabou de realizar?”

“Sim”.

“Ela… você não tocou ela até o final? “

“Não. Mas você obviamente ouviu isso antes. Você sabe como ela termina? “

“Eu … Eu não entendo qual o significado disso!” Twilight olhou de soslaio para mim, com a sobrancelha franzida sob sua franja violeta. “Claro, eu ouvi a música antes. Mas isso é porque a Princesa Celestia a retirou pessoalmente dos arquivos lunares e a dividiu comigo! Como você poderia conhecê-la? “

“Porque eu a ouvi”, murmurei. “Quando estou dormindo. Quando estou acordada. Quando eu fecho meus olhos. Quando eu os abro. Eu ouço esta melodia, e muitas outras semelhantes, saltando através das paredes da minha mente, ecoando através de pontos conectados na minha consciência… como se o meu próprio chifre estivesse captando algo além da freqüência dos vivos em uma tentativa de me dizer alguma coisa, somente a mim.”

“Mas … M-Mas como? Por quê? “

“Suspeito que pela mesma razão que você não consegue ouvir.” Eu respirei fundo e disse: “Pela mesma razão que ninguém nunca vai lembrar que eles já conversaram comigo. Pois, para eles, a música é tão esquecível quanto eu.”

“Huh?” Twilight Sparkle balançou e caiu de cócoras, piscando confusamente. “Srta. Heartstrings , eu não entendo. O que você quer dizer com ser tão esquecível para os outros?”

Eu sorri. Spike estava andando perto de nós novamente e eu assoviei para ele. “Ei, escamas azuis!”

“Oi!” Disse ele, em pé diante do ultimo pacote. “Capuz maneiro, o seu!”

 “Sim, nós sabemos, Spike!” Twilight Sparkle franziu a testa para o dragão. “Você já não disse isso ao nosso convidado?”

“O nosso convidado?” Spike fez uma cara de confusão, o olhar torto se retendo entre Twilight e eu. “Sinto muito, Twilight. Eu estava longe de vocês, desembalando os pacotes, lembra? Esta é a primeira vez que eu a vejo!”

Antes de Twilight poder dizer algo para combinar com sua expressão atônita, eu falei. “Spike, me faça um favor. Eu gostaria de verificar Zoologia da Zebrahara por Jockey Goodall. Você se importaria de pegar esse livro pra mim enquanto eu tenho uma conversinha com a Twilight?”

“Com certeza! Zoologia da Zebrahara , vou pegar em um instante!” O jovem assistente ansiosamente desceu por um corredor distante.

“Uhm …” Twilight coçava a cabeça com um casco errante. “Por que o súbito interesse pela literatura Goodalliana?”

“Eu não me importo com a natureza do livro,” disse. “Só sei que você guardou este livro na parte mais longínqua da biblioteca.”

“E como você poderia saber isso? Esta é a primeira vez que você visita a biblioteca – pelo menos desde que cheguei aqui e me tornei a bibliotecária “

“Hmmm … Na realidade, eu já visitei esta biblioteca muitas vezes.” Eu sorri fixamente para ela. “E todas essas visitas ocorreram após a sua chegada a Ponyville, Twilight.”

“Mas eu não…”

“Eu cheguei em Ponyville não muito tempo depois de você, Srta Sparkle.” A próxima parte seria a mais difícil. Eu sempre tive dificuldade em manter a compostura neste ponto, mas acho que eu fico cada vez melhor nisso. “Costumava viver em Canterlot, assim como você. Meus pais e eu morávamos no Distrito Alabaster superior, na Rua Starswirl. “

“Rua Starswirl?” As orelhas de Twilight se contraíam enquanto seus olhos se iluminavam.”É duas ruas abaixo de onde eu costumava morar!”

“484, avenida Nebula,” eu disse, meus olhos se refletindo nos dela. “O seu apartamento era um andar acima do da Moondancer.”

Twilight não foi capaz de se conter… Ela soltou a mesma risadinha estranha que eu já tinha ouvido centenas de vezes. “Isso é estranho! Quer dizer que você conhecia a Moondancer também? “

Sim. Éramos boas amigas de infância”

“Vocês duas? Como é que ela nunca falou de você?”

“Não, Twilight,” eu disse. “Eu quis dizer que nós três éramos amigas. Você, Moondancer, e eu. Fizemos o jardim de infância mágico juntas, e o resto é historia… bem, foi outrora.”

Ela olhou para mim, seus olhos se estreitando e sua boca aberta. “Mas isso é …” Ela engoliu em seco e balançou a cabeça. “Eu…eu teria me lembrado! Moondancer e eu teríamos -“

“Fomos para o Acampamento de Verão Mágico juntas faz alguns anos. Um verão em que  você tinha apenas sete anos, que tentou lançar um feitiço de teletransporte e ficou  presa no topo de uma torre da guarda real. Levou a tarde inteira para nús encontrarmos um pégaso para lhe dar uma carona de volta para a rua. Você estava tão embaraçada que chorou. Então Moondancer e eu a levamos até o café e loja de rosquinhas de Canterlot e fizemos você se sentir melhor. Foi neste momento que você finalmente nos contou sobre ter sido aceita na escola para unicórnios superdotados. Você tinha mantido isso em segredo de nós por tanto tempo porque estava com medo que tivéssemos ciúmes e não quiséssemos mais ser suas amigas, quando na realidade nós amamos e adoramos cada momento que tivemos com você. Anos mais tarde, quando Moondancer e eu também fomos aceitas na escola, você nos mostrou todo o campus. Nosso primeiro ano na escola saiu sem problemas – ao contrário de tantos outros estudantes principiantes – e sempre tivemos que agradecer a você por isso.”

Twilight ouviu todas as minhas palavras. Assim que eu acabei, ela olhou para o final da sala e murmurou baixinho: “Eu… me lembro de todos esses momentos. Mas eles aconteceram somente com Moondancer e eu. Eu … Não me lembro de você, Srta. Heartstrings.” Ela olhou para cima e rapidamente fez uma carranca. “Como eu sei que isso não é algum tipo de brincadeira idiota?Será que Rainbow Dash mandou você me fazer de boba?”

“Igual a aquela vez que ela e Pinkie Pie trocaram a sua tinta por tinta invisível?” Eu disse com um sorrisinho. “Ou na vez que Rainbow Dash encharcou sua crina com um balde escondido cheio de ketchup, fazendo você trotar para o banheiro … só para encontrar a banheira cheia de pacotes de batatas fritas congeladas?” Eu ri e respirei fundo. “Ou talvez no dia em que ela te convenceu que seu chifre estava caindo, fazendo com que você passasse a noite inteira lendo sobre doenças de unicórnios e adormecer no meio da biblioteca? Eu me lembro de ela ter pago um almoço para você no Torrão de Açúcar para compensar essa última brincadeira …”

“Como … Como você pode saber sobre tudo isso? “

“Porque você me contou.”

“Você quer dizer que nós já conversamos antes?”

“Dezenas de vezes.” Eu disse, tinha saído como um zumbido. É difícil variar o vocabulário ao se responder a palavras que foram repetidas tantas vezes. Eu fiz o melhor que pude para soar agradável e calma. “Você é uma unicórnio altamente inteligente, Twilight. Eu já sabia disso quando ainda éramos potrancas. Fico feliz em ver que você se tornou um membro importante da comunidade de Ponyville. Mas, assim como todas as conversas que já tivemos, você não vai se lembrar de nada do que eu lhe disse.”

“Isso … me parece algo muito improvável… você não espera que eu acre…”

Uma voz jovem soou ao lado do unicórnio. “Uhmm …Twilight? “

Twilight olhou para o seu assistente.

Spike estava de pé, piscando, sua expressão em branco. Ele segurava um livro nas mãos, mas ele permanecia parado no meio do corredor do qual tinha saído. “Você me pediu para fazer algo, e eu… eu…” Ele olhou para o livro em suas mãos. “Zoologia da Zebrahara? Ugh, este livro é tão desatualizado. Eles ainda se referem às zebras com nomes preconceituosos. Por que nós ainda mantemos isso em estoque? “

“Spike, esse é o livro que a Lyra Heartstrings  te pediu agora a pouco.”

” Lyra quem?”

“Olá!” Eu acenei com um sorriso.

“Oh!” Ele piscou para mim. “Oi! Capuz maneiro o seu!”

“Você  não se lembra dela?” A voz da unicórnio soou com confusão e frustração. “Ela está sentada aqui falando comigo por vários minutos! Você já passou por nós umas três vezes!”

” Sinto muito, Twilight! Eu não sabia! Além disso, não deveríamos estar fechando a biblioteca? É um pouco tarde para visitantes misteriosos, não acha?” 

“Spike…”

“Twilight e eu estamos simplesmente tendo uma conversa aqui.” Eu disse, acenando reconfortantemente com o casco.  “Não deixe ela te incomodar”

“Ugh … tanto faz.” Ele nos deixou, soltando um leve gemido, praticamente arrastando espesso tomo consigo. “Eu sou um assistente mágico, não um porteiro.”

Quando ele saiu, olhei para a Twilight e disse: “Você vê? Ele se afastou de mim. Distância é uma das coisas que faz com que os outros se esqueçam de mim. “

“E … qu -qual é a outra coisa?”

Olhei pela janela mais próxima. O pôr do sol estava quase desaparecendo. A escuridão da noite estava a engolfar o céu, e com ela viria o brilho pálido da lua.

“Tempo.” Eu finalmente disse, com minhas narinas queimando. “É uma questão de minutos. Às vezes uma hora. Muito raramente mais do que isso, mas você não vai saber que eu  existo. É isso que torna todo o processo tão difícil – todas as vezes – porque eu quase nunca consigo chegar ao que realmente importa e conseguir pedir o que eu realmente preciso de você.”

“Me perdoe, mas eu realmente preciso de uma explicação!” Twilight exclamou, sua voz tão afiada e desesperada como sua expressão se contorcendo. “Este tipo de coisa é sem precedentes! Mesmo se fosse verdade, como alguém poderia conseguir sobreviver em tal estado de existência? “

“Eu me viro. Não tem sido fácil, mas estou conseguindo. “

“Eu ainda acho muito difícil de acreditar nisso,senhorita Heartstrings , temo que você tenha de me mostrar mais para provar que tudo o que esta dizendo não é…”

“Durante a sua primeira semana no Palácio Real como aprendiz da Princesa Celestia …” eu comecei. “…sua Majestade mostrou-lhe uma galeria de retratos dos muitos unicórnios estimados da história de Equestria. Você estava tão orgulhosa de si mesma, porque reconheceu instantaneamente a pintura de Starswirl o Barbudo. Em seguida, a sua mentora a levou para o lado e explicou-lhe algo. Ela disse que todos os retratos tinham uma coisa em comum. Eram todos ex-alunos que ela havia ensinado através dos tempos, tal qual ela estava fazendo com você.”

A unicórnio manteve os olhos fixos em mim, suaves e vulneráveis enquanto eu me inclinava sobre ela e continuava a falar suavemente.

“Essa foi a primeira vez que você compreendeu verdadeiramente a morte. Você era um potro jovem, cheia de energia e vida. Você soube de sua inexplicável sorte por ser aluna da Princesa Celestia, e não tinha um conceito do fim de todas as coisas. Olhando para esses retratos, repassou a história equestriana em sua cabeça, e percebeu que mesmo o futuro teria sua própria história, e que você seria apenas um pedaço daquilo – ser imortalizada em uma pintura, na melhor das hipóteses. Você de repente começou a chorar, e não entendeu o porquê. A Princesa Celestia ficou ao seu lado a noite toda. Ela não saiu do seu lado até as suas lágrimas ficarem secas. Ela até mesmo atrasou o nascer do Sol só para ter certeza de que você havia sido consolada. Até esse dia, pouquíssimos pôneis sabem por que aquela manha de quinze anos atrás estava tão escura.”

Eu sorri e movi o meu casco sobre o dela, sentindo o seu corpo trêmulo e tentando fazer o que podia para consolá-la tal qual uma sábia monarca fez uma vez.

“Durante uma conversa muito profunda que conseguimos ter algumas semanas atrás, você me disse que a razão de você estudar tantos livros, o motivo pelo qual você prefere ler ao invés de sair, a razão pela qual você não é capaz de gastar um segundo solitário da sua vida sem processar informações, é porque quer se encher com tanto conhecimento quanto possível, porque a história está aqui por uma razão. Incontáveis gerações viveram e morreram antes do nosso tempo para garantir que tenhamos os dados que precisamos para aplicar à nossa existência e fazer do mundo um lugar melhor.  Deixar de exercer nossa inteligência é esquecer o legado dos pôneis que nos antecedem. Você me disse que a Princesa Celestia é mais do que uma mentora para você. Ela é o coração latente de Equestria. E, como a faísca central que mantém unidos os elementos da harmonia, você quer o que é melhor para Equestria, você quer o melhor para nossa Princesa. Nesse sentido, você se esforçou para se tornar mais do que um mero retrato na parede dela.”

Eu sorri, meu rosto refletia um par de olhos que ficavam cada vez mais brilhantes enquanto eu falava.

“Por tantas vezes os seus amigos te perguntaram por que você nunca se preocupou encontrar um jovem garanhão, passar algum tempo romântico com ele. Você se esquivou de tais perguntas bem-humorada,  fingindo que toda a noção é bobagem, mas no fundo, você percebeu que não podia se dar ao luxo de ter um companheiro enquanto ainda reter essa necessidade incessante de fazer a diferença neste mundo. Mas isso é mais do que apenas uma peculiaridade de sua personalidade, não é? Algum dia, Twilight, você pretende escrever um livro -um almanaque abrangente que disponha sobre todo o conhecimento mágico atemporal e importante que em toda a sua vida, você possa compilar. E o título deste livro, você me disse, é “O Caminho da Harmonia”. Cada manhã que você acorda, você pensa nesse livro, e pensa na Princesa Celestia lendo ele todos os dias depois que ela levanta o Sol, muito depois que você se foi, em louvor constante de suas contribuições para este mundo. Porque, se há uma coisa que você teme mais do que tudo, Twilight, é – como todo mundo – ser esquecida.”

Quando eu terminei de falar, Twilight já não estava olhando mais para mim, mas eu sabia que ela tinha ouvido cada palavra. Um arrepio percorria seu corpo, e uma única lágrima corria pelo seu rosto. Ela o enxugava o com um casco, estremecia, e murmurava  com uma voz deveras instável.

“Como … C-Como é que tudo isso aconteceu com você?”          

Mais uma vez, eu a tinha como minha audiência. Meu coração pulou uma batida, mas a noite estava próxima. Olhei pela janela. A lua ainda não saiu. Ainda assim, eu suspirei e disse: “Tudo o que sei é que aconteceu enquanto eu estava na cidade ano passado para visitar a festa de celebração ao sol.”

“No ano passado?” Twilight fungou, então piscou. “Você quer dizer, na noite em que Nightmare Moon retornou?”

“Sim.”

“Algo aconteceu com você que causou esta … esta…”

“Maldição.” Eu murmurei. “Pelo menos, eu tenho certeza de que se trata de uma maldição. Heh … Eu não sei de outro nome para isso “

“Mas … Como? Como isso funciona? Tem alguma coisa a ver com a Princesa Luna – quero dizer, Nightmare Moon?”

“Eu já gastei tempo demais explicando até esse ponto.” Disse em voz baixa. “Explicar tudo é impossível neste momento. Você vai parar de entender o que estou tentando dizer no meio da coisa toda. “

“Então escreva!” Twilight exclamou, com os olhos úmidos se contorcendo em todas as direções para encontrar uma caneta e papel. “Escreva, para que possamos ler a coisa toda e…”

“As páginas vão aparecer em branco para você, assim como para qualquer outro pônei.” Eu disse com um sorriso suave e amargo. “Acredite em mim, eu escrevi várias palavras …em várias superfícies … em vários pontos da cidade inteira. Ninguém pode ver qualquer coisa, contanto que minha escrita esteja de alguma forma envolvida no processo.”

“Por causa do mesmo fator de distância ou tempo que tem fazem ser tão esquecível?”  Twilight Sparkle comentou, respirando ofegantemente, quando sua face se iluminava.   “Já sei! Vamos enviar uma carta à Princesa Celestia! Agora! O poder da chama verde poderia dar notícias de sua existência a ela em um instante! Certamente ela poderia te ajudar a se livrar dessa ‘maldição!’ Spiiiike! “

Eu levantei as minhas patas, silenciando-a. “Nós já tentamos isso.”

“Já tentamos?”

“Sim. Três vezes, em ocasiões distintas, meses atrás. Tudo o que a Princesa vai receber é uma nuvem de fumaça verde e cinzas negras. Enquanto você escreve alguma coisa, enquanto possuir memória de curto prazo sobre mim, nada que enviar através do processo de teletransporte chegará ao destino. “

“Então … Então …” Nesse momento, Twilight estava a procura de mais idéias. Ela estava tremendo. Eu sempre admiro sua preocupação e sinceridade quando ela chega no ponto de “saber a verdade”, mas nunca agüentava vê-la tão perturbada. Meu único consolo é que isso nunca dura por muito tempo. “Sim! Uma fotografia!” Ela começou a trotar pela biblioteca até onde uma câmera repousava dentro de um armário. “Podemos tirar uma foto de você e…”

“Você já tem uma foto minha.” Eu disse. Levantando-me, caminhei em direção a uma janela e apontei para uma fotografia  com dois pôneis coloridos nas ruas de Canterlot. “Isso quer dizer … teria uma foto de mim, só que … bem. Veja por si mesma. “

Twilight olhou para a foto dela e de Moondancer ,de pé e sorridentes ante ao pônei fotografo. Ela apertava os olhos, como se analisasse a imagem pela primeira vez. “Engraçado … O fotógrafo não soube centralizar isso direito. Há muito espaço no lado esquerdo da foto.”

“Talvez, espaço o suficiente para um terceiro pônei?”

Twilight mordeu o lábio. Ela colocou a foto de volta , engolindo em seco e olhou para mim. “Você … Você poderia deixar a cidade, vá para Canterlot, e peça uma audiência com a Princesa Celestia …” Suas palavras já estavam se desconstruindo ao ver a expressão em meu rosto.

Eu balancei minha cabeça lentamente e disse: “A mesma maldição que me mantém fora das mentes dos pôneis me mantém presa dentro dos limites da cidade de Ponyville.” Eu voltei para onde minha lira e sacola estavam. “Eu tenho a hipótese de que é porque ambos Nightmare Moon e eu estávamos aqui quando a maldição começou. Sempre que tento deixar Ponyville, sou dominada por uma queda de temperatura horrível, como se eu estivesse entrando no vácuo amargo e gélido do espaço.” Meus dentes batiam um pouco com tal idéia enquanto eu vestia minha jaqueta para dar ênfase. “É por isso que eu tenho esta jaqueta e o cachecol. Às vezes o frio do feitiço se concentra em minhas veias e se torna insuportável.”

“Eu…” Twilight estremeceu e caiu no meio da biblioteca. Sua voz soava como a de um potro, impotente choramingando. “Eu gostaria que houvesse uma maneira de ajudar você, Lyra. Enquanto ainda sei o suficiente para fazer alguma coisa … “

“Então, faça uma coisa para mim.” Eu disse, erguendo a lira com a minha magia. Eu respirei fundo, me preparando. “Você já fez isso antes, e isso me ajudou imensamente. Tenho certeza que você pode fazê-lo novamente. “

“Absolutamente!” Twilight se levantou, com os olhos brilhantes. “Diga-me o que é!”

Ajude-me a terminar esta canção.”

“A que você tocou antes?” Ela engoliu em seco. “Senhorita Heartstrings, você está certa sobre uma coisa: eu estou fazendo o que posso para me tornar um repositório vivo de conhecimento, mas temo que a música não seja o meu ponto forte.”

“Eu não peço para que use o cérebro e seu conhecimento nisso…” Disse suavemente, sorrindo. “Peço para que use o seu coração, Twilight. Você conhece essa música. Você já ouviu isso antes. Eu não preciso de uma tese elaborada sobre isso, só preciso saber como você sente que ela deveria terminar”.

“Eu…” Ela mordeu o lábio e deu um passo mais perto, sentando-se ao meu lado. “Acho que preciso ouvi-la novamente.”

Eu balancei a cabeça. Delicadamente, toquei a melodia novamente. O ritmo era um pouco mais rápido desta vez, pois a noite tinha caído e eu estava começando a me sentir pressionada pelo tempo. Logo, o número foi concluído, e o que eu tinha até então, o chamado de “Elegia Lunar # 7”, de repente se chamava…

“Trenodia da Noite.” Twilight murmurou.

“Oh, esse é o nome da canção?”

“Sim. Pelo menos eu acho que é.” Disse ela com um sorriso nervoso. “De acordo com a Princesa Celestia, era algo que a própria Luna escreveu algumas décadas antes de seu banimento. Luna passou por um período introspectivo de expressão, artística … até que seu ciúme e inveja, fundidas com a mácula de amargura, transformaram-naem Nightmare Moon.”

“E você sabe os últimos compassos da canção?”

“Eu…” Twilight Sparkle  se mexeu. “Lyra , eu não sou boa em escrever notas musicais. Além disso, acabaria desaparecendo do papel se eu escrevesse enquanto conversamos, certo?”

“Então cantarole.” Eu disse. “Isso é o que sempre fizemos antes. Eu prometo a você.” Pisquei. “Vou me lembrar disso.”

“Eu … Eu deveria apenas cantarolar isso? “

Por favor.”

“Tudo bem. Uhm … aí vai.”

O som do resto da biblioteca foi abafado enquanto uma voz angelical navegava uma série de cordas invisíveis no centro da árvore oca. Eu escutava atentamente, o meu coração proporcionando uma batida para a melodia que surgia do fundo da alma de Twilight.  Mais cedo do que eu esperava, a canção chegou ao fim. Ele teria trazido uma lágrima aos meus olhos se eu não estivesse tão ocupada rindo.

“Mas é claro. Heehee … tão desoladora. “

Eu juro. É assim que termina!” Twilight disse. “Lembro-me agora como se fosse ontem. A trenodia pára abruptamente. Eu questionei a Princesa sobre isso. Foi a primeira vez que ouvi ela rir… Luna nunca soube como fazer uma saída graciosa.” Disse ela, balançando a cabeça com um sorriso bobo. ”Engraçado como eu me esqueci daquele momento até agora …”

“É sempre engraçado da primeira vez que isso acontece.” Eu murmurei, concentrando-me em derramar uma onda de magia sobre a minha lira e repetir nas cordas o final da música que Twilight tinha cantarolado para mim. A melodia ecoava ressonantemente ao longo da câmara de madeira. Eu já sabia como a trenodia terminava. Outra semana, outro elegia. É tão simples…”E é isso.”

“Você não vai tocar a música inteira?”

“Não.” Respondi rapidamente. “Não, não aqui, nesse lugar.” Eu calmamente deslizei a lira dentro da minha sacola. “Não seria… seguro. ”        

Twilight Sparkle apertou os olhos. “A trenodia, ela tem uma propriedade mágica, não é?”

“A maioria das músicas tem, mas só depois de eu ter restaurado as melodias que ouço na minha cabeça e após compilá-las com os meus instrumentos. Elas nada mais são do que peças de um enorme quebra-cabeças do qual eu me esforço todos os dias para completar, mas eu estaria mentindo se dissesse que trabalhei nelas completamente sozinha. Eu tenho de agradecer a você por me ajudar a completar outra elegia, Twilight.” Eu sorri para ela. “De alguma forma, você nunca me desaponta.”

“Eu gostaria de poder fazer mais do que isso.”

“Bem …” Afastei-me da minha sacola e me virei para ela. No entanto, evitei o seu olhar. “Eu meio que menti antes, quando disse que precisava de só uma coisa de você. Há algo mais de que eu preciso…”

“Sim?”

“É …” Eu não conseguia olhar para ela diretamente. Mesmo agora, eu tenho dificuldade em acreditar no que eu disse, no que fiz, que eu tenha feito tal pedido. Todos esses meses que se passaram, eu disse a mim mesma que eu deveria ser forte. Eu já tinha conseguido o que realmente precisava de Twilight naquela noite, que pudesse realmente me ajudar em minha busca pela compreensão. Não havia sentido em pedir qualquer outra coisa. Mas, acho que sou mais fraca do que pensava, e que essa é a verdadeira razão porque estou escrevendo esta passagem inconseqüente. “Você pode achar estranho, ao ouvir isso de mim é totalmente normal que você sinta isso, e você pode dizer ‘não’ se você quiser. Está perfeitamente no seu direito de me recusar e eu realmente não poderia culpá-la …”

” Lyra…” Twilight se aproximou.”O que é? Do que mais você precisa? “

Eu gosto de pensar que sou muito boa em sorrir. É a melhor expressão para ter em qualquer circunstância. Eu uso o tempo todo porque quero que os pôneis ao redor de mim sejam felizes. É o que o mundo merece, afinal de contas. Mas ali, sobre o olhar da Twilight, o meu sorriso era tão sólido como sempre foi. Os olhos, no entanto, não o eram. A imagem dela ficou embaçada quando eu finalmente olhei para cima.

“Pode me abraçar?”

Eu falei com ela nada menos que cinqüenta vezes desde que a maldição começou. Eu tive essa mesma conversa com ela duas dezenas de vezes. Esta ocasião, no entanto, foi a única vez que fiz este pedido. Eu não posso adivinhar exatamente o porquê. Talvez, naquela tarde era mais frio que o habitual para mim. Talvez eu estava pensando na doce filhinha da Derpy.Talvez fosse apenas a trenodia – ela tinha terminado tão bruscamente, e eu me senti tão vazia, exatamente como a composição de Luna fora criada para ser sentida.

Meus pensamentos terminaram bruscamente também, pois eu estava recebendo um abraço de Twilight, um abraço que me tirou o fôlego… de repente, estar em um lugar tão quentinho novamente. Deixei que ela me abraçasse, minhas patas dianteiras balançando nas costas dela enquanto eu fechei os olhos por cima do ombro da minha amiga de infância. Se o esquecimento fosse um pecado, eu não seria uma santa,  pois estar envolta nos braços dela, de repente, me fez perceber que eu tinha perdido a noção do que era que estava realmente procurando. A música é uma coisa linda, mas é só um artifício do ritmo real que bombeia em nossas veias, aquecidos por nossos corações.

Oh, que criaturas frágeis nós, os pôneis, somos… criaturas individuais, porém especiais – que precisam de sons felizes de riso e da harpa para preencher as lacunas frias entre nós que geralmente são preenchidas por pó e lágrimas. Eu queria dizer tantas coisas a Twilight naquele momento, mas sabia que as palavras nos falhariam, nós dois não conseguiríamos utilizá-las para encontrar a expressão exata. Além disso, as palavras só seriam esquecidas. Nossa amizade é imortal, e a melhor coisa para transmitir essa verdade é a única coisa que nós fizemos. Se esse abraço durasse para sempre, eu não teria o menor problema se o meu nome perdesse todo o significado.

“Obrigada, Twilight.” Eu disse, mais uma vez retornando ao frio quando nos separamos. Eu fungou uma única vez, e o sorriso voltou a preencher o breve vazio que tinha engolido a minha expressão. “Isso significa mais para mim do que você pode imaginar.”

“Eu apenas gostaria que fosse o suficiente.” Ela murmurou tristemente. Ela olhou por um momento para a parede, e de repente se iluminou com um uma risadinha feliz. “Já sei! Um feitiço de memória!” Ela saiu em disparada em direção a uma estante enorme que estava no fundo do hall de entrada. ”Se eu puder lançar um feitiço poderoso o suficiente, talvez possamos neutralizar temporariamente esta maldição e evitar que você seja esquecida até que a Princesa e eu possamos chegar a uma solução permanente!”

Eu suspirei. “Twilight, guarde as suas forças. Não funcionou da última vez que você tentou, nem qualquer das vezes antes disso.” Fiquei parada enquanto ela corria ao meu redor, coletando tomos mais tomos das estantes. “É melhor que você não cultive falsas esperanças.”

“Não, é sério! Este é um feitiço inventado por Starswirl o Barbudo! “

“Você quer dizer o buffer de concentração?” Murmurei, olhando para a janela.Eu vi um pedaço de luar, e meu coração se afundou.

“Sim! Como você sabe? De qualquer forma, se eu posso encontrar a fórmula e lançá-lo com uma pitada de pó de mana como um reagente, eu poderia ser capaz de…” Ela parou no meio da frase, tão logo suas pernas o fizeram.

Um arrepio percorreu meu corpo. Um pouco de vapor escapou dos meus lábios. Eu não queria me virar. Eu nunca quero me virar e olhar para os outros pôneis quando isso acontece. Mas toda vez, eu faço isso. E eu o fiz.

Twilight Sparkle ainda estava paralisada no meio da sala, o seu chifre brilhando.  Vários livros pairavam à sua volta. Ela olhou para eles, curiosamente, como se fossem um enxame de mariposas irritantes.

“O que … mas o que eu …?” Ela piscou os olhos, franziu a testa, e flutuou os livros de volta para seus respectivos lugares nas prateleiras. “Eu não tenho tempo para projetos paralelos! Tenho de abrir o pacote com a edição de Heróis de Literatura de Equestria.” Ela terminou de colocar os livros no lugar, virou-se, e instantaneamente gritou de surpresa ao olhar para mim. “Eeep! Uau … uhm …o-olá! De onde você veio, senhorita…?”

“Me perdoe.” Eu disse, levantando a minha sacola. “Não queria assustá-la. Eu estava terminando … um projeto.”

“É o que parece. Bem, não quero parecer mal educada ou qualquer  outra coisa.” Disse Twilight com um sorriso tímido. “Mas a biblioteca vai fechar em cerca de…” Ela olhou para o relógio- duas vezes. “Oh! já passou das sete! Uhm, estamos fechados! Nós estivemos fechados por … minha nossa! cerca de quinze minutos agora? “

“Eu vejo. Bem, vou deixá-la a só.”  Fiz uma reverência e me movi para a porta. “Adeus, madame. Desejo-lhe uma noite agradável. “

“Hehehe … o mesmo para você, senhorita.” Enquanto eu trotava para longe, ouvi ela gritar de dentro da Árvore oca: “Spiiiiike? Aonde está você? Estes pacotes não vão se abrir sozinhos! jantar depois que acabarmos com isso! “

Hoje, poucas horas antes de escrever isso, eu estava novamente na esquina da ensolarada rua principal de Ponyville. Sabia que não era uma boa idéia tocar a “Trenodia da Noite” em sua totalidade para o público, em vez disso, eu somente toquei pequenas partes da sinfonia, para que pudesse decorá-las até que o momento de realizar um recital particular chegasse.

Muitos pôneis passaram por mim, e alguns deles jogaram bits na latinha abaixo dos meus cascos… Eu vi o Dr. Whooves, a Granny Smith, Carrot Top, e vários outros rostos agradáveis. No entanto, eu não perdi a concentração até que um pônei em particular apareceu. Antes que ela chegasse perto demais, eu sorrateiramente empurrei a latinha cheia de moedas com o meu casco traseiro esquerdo, escondendo-a além da vista dentro de um arbusto verde atrás de mim.

“Mas que música celestial!” Rarity disse, seus olhos brilhantes cor de safira resplandecendo no sol do meio-dia quando ela estava diante de mim com sua sacola. “Querida, você está praticamente congelando! Diga-me, está doente?”

Eu estou … uhm … Estou perfeitamente bem.” Eu disse com um sorriso, sem perder o ritmo. “Não estou doente. Só sou um pouco mais friorenta do que os outros pôneis, só isso.

“Mas eu tenho este capuz maravilhoso e este cachecol lindo, vê? “

“É bom que você os tenha!” Rarity disse, andando em volta de mim. “Eu não agüentaria ver uma música talentosa como você ficar congelando até a morte! Boa escolha no cachecol, querida. Ele combina tão bem com os seus olhos.”

“Foi exatamente isso que a pônei que me deu falou.” Eu observei.

“Bem, se você me perguntar, acho que você merece. Sua música realmente torna um passeio através da cidade muito mais agradável. Eu ouso dizer que me sinto tentada a lhe dar alguns bits somente para te mostrar o quanto eu aprecio a sua arte.”

“Heheh …” Limpei a garganta e me esforcei para manter a melodia. “Acredite em mim, isso não será necessário. Eu … Eu nem sequer pensaria em receber por isso.” Eu disse, embora meus pulmões já estivessem se esvaziando vergonhosamente.

“Bobagem!” Rarity acenou com a pata e disse: “Você não sabia, querida? Generosidade é a lente do coração! Senão, como vamos ver a sorte que temos por estar vivos?” Ela inclinou a cabeça para cima. “Mas, se você insiste, vou deixar você ser a sua instrumentação perfeita. Talvez possamos nos encontrar de novo?”

Eu consegui respirar mais facilmente. Olhei para ela e sorri. “Sim. Tenho certeza de que nós vamos nos encontrar novamente. “

“Esplêndido. Até mais, madame maestro! Heeheehee … “ E ela se foi.

Uma hora depois, eu estava sentada dentro do Torrão de Açúcar, segurando uma xícara de chá em meus cascos. Eu não tomei tudo em um gole só. Tudo que fiz foi olhar para os pequenos tufos de vapor saindo da bebida, percebendo o quão frios eles eram em comparação ao primeiro abraço misericordioso que recebi em meses.

Um frasco cheio de bits descansava sob a minha mesa. Depois de quatro dias consecutivos tocando no centro de Ponyville, eu tinha mais uma vez acumulado dinheiro suficiente para comprar os materiais que precisava para a minha pequena experiência. Eu já tinha decorado a “Trenodia da Noite” na sua totalidade, mas não era o suficiente para realizar a composição musical na íntegra. Eu precisava comprar os ingredientes mágicos certos para o caso de algo dar errado. Afinal, eu já tinha cometido um erro anteriormente, e nem mesmo todos os cachecóis, suéteres ou lençóis do mundo conseguiriam me salvar da frieza que encontrei além das notas finais tocadas pela minha lira.

Se eu não continuar trabalhando neste projeto, então poderia perder uma oportunidade de subir deste fosso maldito no qual me encontrava. Por que, então, eu sinto como se estivesse prestes a cometer um pecado com esses bits? Eu já me aproveitei da minha “situação” anteriormente, adquirindo muitas coisas das quais não estava totalmente orgulhosa, mesmo que os fins justificassem os meios. Mas agora, após o ver de quão longe eu vim – após o abraço – eu me perguntava se poderia perdoar a mim mesma depois de… me encontrar.

“Oh, nossa! Uma lira! Diga-me, você é uma música profissional?”

“Hmm?” Olhei para cima. “Oh, Sim, claro… algo assim. “

Twilight Sparkle sorriu para mim, ela estava parada no meio da confeitaria. “Eu sempre admirei os músicos, porque muitos dos meus amigos unicórnios passaram a estudar música enquanto eu me dediquei a outros campos. Eu gostaria de ter gasto algum tempo estudando para entender a teoria da música. É ao mesmo tempo fascinante e bela.”

Eu expirei suavemente. “É impressionante como tantas coisas na vida podem ser essas duas coisas ao mesmo tempo, não é?”

“Oh! Uhm … Sinto muito. Me perdi em minhas próprias palavras.” Twilight murmurou, revirando os olhos sob um sorriso bobo. “Aham. Eu sou Twilight Sparkle, a bibliotecária da Biblioteca  de Ponyville no distrito leste. “

“Você também é a aprendiz da Princesa Celestia e o elemento vivo da Magia responsável por banir a essência contaminada de Nightmare Moon.”

“Oh …” Twilight sorriu timidamente, com as orelhas caídas. “Então você já ouviu falar sobre todas essas coisas também, né?”

“É tão difícil de acreditar em sua fama?” Eu finalmente tomei um gole do chá. Talvez não fosse tão frio, afinal. “Alguns de nós fazem mais para sermos lembrados do que outros. Eu toco música –  você salva o nosso mundo.” Levantei a xícara de chá em um “brinde” e sorri. “Em algum lugar, em algum momento, você e eu nos encontraremos.”

Ela piscou para mim, depois deu uma risadinha. “… Eheheh certo, cada um na sua especialidade, certo? “

“Eu não poderia desejar nada além disso.”

“Bem, visite a biblioteca algum dia desses. Eu ficaria mais do que feliz em mostrar-lhe todos os volumes que temos em teoria musical. Eu tenho pelo menos doze livros escritos apenas sobre liras equestrianas antigas. Aposto que você adoraria lê-los. “

“Heeheehee …” Não tive coragem para lhe dizer que já tinha os lido. Duas vezes. “Se a necessidade vier a tona, Srta Sparkle, pode ser que eu aceite a sua oferta.”

“Espero que você o faça.” Twilight disse com um sorriso suave. “Cada um de nós temos nossos próprios talentos. Compartilhá-los é … é como um caminho para nos conhecer melhor uns aos outros. E que melhor maneira de não se sentir sozinho neste mundo do que fazer o que fazemos de melhor e compartilhar tal talento com outros pôneis? Essa é a chave essencial para a harmonia, pelo menos eu penso assim. “

Ouvi cada palavra que ela disse, e, instintivamente, meus olhos caíram sobre o frasco de bits de dourados. De repente, tudo ficou claro para mim. “Creio que foi uma pônei sábia que disse uma vez que “A generosidade é a lente do coração. Senão, como vamos ver a sorte que temos por estar vivos?'”

“Hmmm … Quem disse isso soa muito eloquente. “

Eu balancei a cabeça. “Fabulosamente eloquente.”

“Bem, aproveite o seu chá. Vou me encontrar com as minhas amigas, até mais.” Twilight Sparkle acenou e saiu. Virei-me para a frente do restaurante, quando de repente ouvi algo. Inclinei a cabeça ao meu redor, minhas orelhas eretas capturando uma trenodia assustadoramente familiar. Twilight estava cantarolando os últimos compassos da nossa elegia mais recente, e ela tinha um sorriso em seu rosto enquanto fazia isso. Eu quase perguntei se ela entendia a muúsica, mas depois percebi que não era importante.

Respirei fundo e peguei minhas coisas, começando com o frasco de bits dourados. De repente, eu sabia exatamente o que fazer durante essa tarde. Minha experiência poderia esperar. O que é uma semana a mais ou a menos no poço do esquecimento?

Naquela noite, um pacote longo e fino magicamente flutuou até a entrada de uma residência Ponyvilliana na ala oeste da cidade. Ele roçou contra a campainha. Lutei de longe para empurrá-lo com a minha magia, e logo o pacote estava tocando a campainha. Após o gongo ritmicamente começar e terminar, eu baixei o pacote e me agachei atrás de uma árvore no jardim da frente.

Após alguns segundos, a porta se abriu. Derpy Hooves olhou para fora, balançando, os olhos arregalados cansados e turvos, resultantes de uma tarde cheia de entrega de encomendas e cartasem toda Ponyville. Ela olhava para a esquerda e direita, e por um momento eu estava com medo que ela não encontrasse o pacote, a minha mais recente na loja de instrumentos.

Finalmente, um de seus olhos cor de âmbar giraram para baixo e ela avistou o item. Sua testa franziu-se. Ela se ajoelhou e cutucou o pacote, como se temesse que a caixa estivesse viva e pronta para saltar sobre ela. A experiente pônei-carteira brincava com o pacote, procurando por uma marca ou algum tipo de identificação que pudesse indicar o remetente. De supetão, ela agarrou as bordas da caixa e abriu-a. Imediatamente, seu queixo caiu.

Eu assistia em silêncio, mordendo meu lábio.

Derpy caiu sobre suas patas traseiras. Um sopro trêmulo deixou a boca da pégaso cinza quando ela tirou uma fina flauta dourada de dentro da caixa e embalou-a em seus cascos cinzentos. Seus olhos focaram no instrumento – ambos os dois – e logo eles se encheram de lágrimas. Sufocando um gemido, Derpy sorriu e se levantou do chão.

“Dinky! Meu pequeno bolinho!” Ela trotou de volta para dentro. “Olha! Olha o que mamãe encontrou para você! “A porta rangeu lentamente ao se fechar atrás dela, mas não sem deixar que os ruídos de uma criança alegre escapassem através de sua fresta.

Pela segunda vez em dias, senti o calor do abraço de Twilight Sparkle, mas não precisava de outro pônei para realizá-lo. Eu estava sozinha, como sempre, e embora tenha desperdiçado vários bits que poderiam ser usados para iniciar a próxima etapa das minhas experiências musicais, era algo que eu estava disposta a aguardar mais um pouco.

Talvez … apenas talvez, as coisas mais doces que acontecem na vida são as quais nunca são gravadas pela história.

Com um sorriso, eu puxei o capuz da jaqueta sobre a minha cabeça, virei-me e corri  sob o beijo vermelho do pôr do sol. Ponyville nunca tinha deixado de ser uma bela cidade, nem por um mísero segundo.

Você já teve uma bela melodia presa em sua cabeça, mas nunca soube de onde veio?

Esta melodia sou eu.

Fanfic, Fanfics estrangeiras

A dádiva dos alicórnios

Titulo original: The gift of alicorns

Gênero: Normal

Autor: Keta

Tradução: Lucas T.

__________________

Parecia estar faltando alguma coisa.

Twilight Sparkle tinha certeza disso, mas…

Apenas algumas horas mais tarde depois de derrotar a Rainha dos Changelings e começar os preparativos para o casamento da princesa Cadance, alguém poderia pensar que Twilight já tinha o direito de reclamar. Tudo estava bem, Cadence era exatamente como Twilight se lembrava e todos estavam felizes. No entanto, havia o sentimento de que Twilight não o faria. Deveria haver algo que ela esqueceu. Alguns poucos detalhes que ainda não foram corrigidos.

Ela gemeu. Como desejava ter uma de suas listas de organização agora para que pudesse simplesmente ler sem a esperança de tenter se lembrar! Ela tinha dezenas de listas de verificação, o problema é que a coisa com a qual ela se proecupava não estava anotada em nenhuma delas.

“Bem, se e não me preocupei em anotá-la, provavelmente não era tão importante.” Ela tentou dizer para si mesma, mas não funcionou. A unicórnio não conseguia se livrar do pensamento tão facilmente. E ela sabia que se não lembrasse, isso iria incomodá-la durante o resto do casamento.

Enquanto observava pôneis correndo pelos arredores e consertando coisas que foram destruídas pelos changelings, seus olhos lentamente se fechavam e seus pensamentos ficavam à deriva em seus dias de infância.

Uma pequena unicórnio roxo e uma alicórnio rosa com crina de três cores estavam sentadas uma ao lado da outra na grande varanda da casa de seus pais, olhando as estrelas.  De vez em quando uma delas levantava o casco e apontava para uma constelação ou apenas uma estrela muito brilhante. Cadance estava testando os conhecimentos de Twilight sobre os nomes das estrelas, porque a pequena e amável unicórnio adorava mostrar suas habilidades.

“E qual é o nome daquela constelação?” Perguntava Cadence.

“Qual, aquela?” Twilight apontava seus cascos para uma delas. ”Aquela é Orion!” Ela riu.

Por que dentre tantos acontecimentos em Equestria ela se lembrou justamente dessa parte? Não que ela não adorasse se lembrar do tempo que passou com Cadance, mas o pensamento sobre o passado não iria resolver o seu problema atual.

Assim que ela estava prestes a desistir, algo a parou. Algo sobre esse mesmo momento que há muito tempo passou.

Elas ficaram em silêncio por um tempo, apenas admirando o céu. Então Twilight falou:

“Cadence?”

“Sim?”

“Se a Princesa Celestia tem o controle de ambos, o sol e a lua, como a marca especial dela pode ser apenas o sol? Digo…” Ela corou levemente. “Parece um pouco injusto para a lua.”

Cadence a olhou sorrindo. “Mesmo, Twilight? É sobre isso que você fica pensando quando não está dando nome para as estrelas?”

A pequena unicórnio apenas ficou em silêncio, e Cadence continuou. “Honestamente, eu não procurei saber e nunca perguntei a ela sobre como ganhou sua marca especial. Talvez seja porque ela é a governante desta terra e achei que seria um pouco desconfortável questionar a imagem no flanco da realeza, mas quer saber? Você está certa. Definitivamente deveria perguntar a ela sobre isso.”

A alicornio ao lado dela provavelmente não queria dizer isso, mas Twilight se sentia em desconforto pensando em perguntar à Princesa sobre sua marca especial. Ela nunca perguntou à sua mentora sobre isso.

E no final nem precisou. O retorno de Luna explicava tudo. Tanto quanto era confortável para ela pensar nas Princesas – Cadence incluída – a memória não a ajudou muito sobre o que estava tentando lembrar.

Pelo amor de Celestia, o que estava errado com ela? Por que era tão difícil de recordar? Por que ela sentia como se alguma coisa que Cadance tinha dito era tão importante?

Espere um segundo…

“Eu não estive tempo suficiente em Canterlot para descobrir sozinha…”

Há quanto tempo ela estava por perto?

Era isso! Twilight quase começou a pular alegremente, porque estava finalmente certa de que se lembrou. Ela se virou e foi para o castelo se encontrar com Cadance.

Quando a encontrou, experimentando o vestido novo que Rarity fez para ela, rapidamente se certificou de que não havia mais nenhum pônei por perto. Ela queria ficar sozinha com sua amiga de infância, para fazer perguntas pessoais. Twilight se sentia estranha, era estranho imaginar Cadence sendo mais velha que ela.

Apenas quando Twilight olhava para ela e via alguém muito velho do que a garota que costumava cuidar dela. Ela é adulta agora. E estava muito mais velha do que Twilight. Mas não poderia ser…

Princesa Celestia nunca envelheceu. Ela nunca mudou em nada. E tudo porque era uma alicórnio.

“Cadence?” Twilight disse em voz baixa, fazendo a pônei notar ela na primeira vez.

“Oh Twilight, não vi você aí, o que foi?”

Twilight decidiu ignorar a pergunta, só porque ela queria ter o problema resolvido. “Posso falar com você? Há uma pequena coisa me incomodando…”

Os olhos de Cadence se encheram de preocupação.  “Claro, o que é?”

“Uma vez você sendo alicórnio…” Twilight começou inquieta. “Eu estive pensando que é talvez, apenas talvez, um pouco estranho você crescer igualzinho a mim. Digo, todo pônei sabe que a Princesa Celéstia nunca muda, nunca cresce. E nós todos sabemos porque: alguns chamam de dádiva dos alicórnios, a imortalidade. A Princesa Celéstia não vai envelhecer, porque ela é uma alicórnio. Porque ela é imortal e por isso nunca vai mudar. Então, se você não se importa de eu perguntar, onde isso deixa você?”

Enquanto ela falava a expressão de Cadance parecia um pouco desanimada. Enquanto ainda ouvia as palavras da unicórnio, ela levitou seu vestido e o colocou em um dos manequins. Então ela se virou para Twilight, que agora estava esperando impacientemente pela sua resposta.

“Mortal.” Foi a sua simples resposta.

Twilight deu alguns passos na direção dela, com os olhos arregalados não acreditando. “Perdão?”

“Eu sou mortal. Eu não quero a dádiva dos alicórnios.“ Ela abaixou a cabeça se aproximando da unicórnio. “Porque eu realmente não sou um deles.”

Twilight agora estava perto o bastante para tocá-la. Ela se sentia muito estranha com isso tudo, e era algo com o qual não estava preparada. Desde o dia que ela entendeu o que a “imortalidade” significava, passou a ver Cadance como um dos imortais alicornios, que ela detestava admitir, talvez por um pouco de inveja.

“Certo, o que você está dizendo não faz sentido.” Ela questionou. “Você é uma alicórnio, tem asas e chifre, não pode simplesmente fingir que não é.”

Sua amiga sorriu levemente. “Eu não estou fingindo que não sou, Twilight. Mas como você já disse, asas e chifre não me fazem uma alicórnio. É a imortalidade, e eu não tenho isso.”

“Por que não? Como pode saber? Como pode ter certeza disso!” Twilight nunca pensou em sua própria morte, mas pensando em Cadance fazia sua cabeça doer. Ela não queria perder sua amiga, nunca.

Cadence esticou sua asa e abraçou Twilight no ombro.

“Eu sinto muito.” Ela disse, quando começava a explicar. “Eu deveria ter dito, então você não precisaria perguntar. Veja, alicornios são criaturas criadas pelo próprio universo. Princesa Celéstia e Princesa Luna não possuem nenhum parente. E, como você provavelmente pode imaginar, meus pais eram de diferentes espécies – meu pai era um pégasus e minha mãe uma unicórnio. É muito, muito raro uma criança herdar ambos os genes e nascer com as características de ambos os pais, mas como você pode ver, esse é o meu caso. Mas isso nunca me fez uma alicórnio. Eu sou e sempre serei mortal.”

Twilight tentava falar, mas não conseguia encontrar palavras. Era tão óbvio! Por que ela não pensou nisso? Mas tanto quanto ela estava feliz por ter o problema resolvido, havia ainda o pensamento sobre a velhice de Cadance. Tendo os seus pensamentos sobre a imortalidade da Cadance caindo por terra, ela não sabia no que pensar agora.

Cadance provavelmente viu em seus olhos sua confusão e por isso acrescentou silenciosamente. “Princesa Celestia uma vez me disse, que eu deveria estar feliz por ser mortal. E eu acho que ela está certa. Estou feliz que não vou ter que ficar neste mundo por muito tempo depois que todos os meus amigos não estiverem mais.”

Twilight sentiu lágrimas em seus olhos, e rapidamente tentou evitá-las. Toda a conversa sobre mortalidade e imortalidade estava fazendo ela querer parar o tempo.

Um alicornio – não, espere – apenas um pônei com asas e chifre, em pé ao lado dela, de repente teve sua asa fora de seu ombro e sorriu calorosamente para ela.

“Oh Twilight, não se preocupe.  Eu não vou a lugar nenhum tão cedo. E quer saber? Se eu fosse uma alicórnio de verdade, renunciaria a imortalidade sem pensar duas vezes, só para ficar com as pessoas que eu amo e também com quem  vou me casar. De que adianta viver para sempre, sem as pessoas que amamos, sem nos sentirmos verdadeiramente felizes? Aliás, essa é a verdadeira dádiva, e é isso que nos torna imortais. Agora venha, vamos ter um grande casamento!” Twilight sorriu, e desde então, sempre que pensava na imortalidade, se lembrava das palavras de Cadence, compreendendo que essa dádiva ela já possuía por ser quem ela era.

Fanfic, Fanfics estrangeiras

Derpy escreve uma fanfic

Título original: Derpy submits a story

Autor: PaxusJKL

Gênero: Drama, Slice of Life

Tradução: Lucas T.

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Era uma vez um pequeno muffin que vivia na cidade de Muffintopia. Seu nome era Muffy! Ela amava sua vida em Muffintopia, e tinha muitos e muitos amigos porque ela era realmente muito popular.

Um dia, estava caminhando até o grande Shopping que havia acabado de ser inaugurado em Muffinlot, quando viu uma criança chorando na calçada. Ao perguntar por que ela estava chorando, a criança apenas respondeu:

“Eu não sei onde minha mãe está!”

Lágrimas escorriam pelo rosto da criança, enquanto Muffy procurava levantar seu astral falando alegremente:

“Vamos, pequeno muffin, vamos encontrar sua mãe!” E assim eles partiram juntos pelo shopping para procurá-la. Enquanto vasculhavam o shopping, se deparavam com muitas pessoas desconhecidas, em lugares estranhos, como uma loja para chapéus gigantes, ou um bolo feito de bambu! No entanto, após horas de buscas por sua mãe, eles saíram do Shopping de mãos vazias. Muffy se sentou com a criança e falou em voz baixa:

“Você se lembra da última vez onde viu sua mãe?” Ela perguntou gentilmente.

“O pequeno Muffin começou a sacudir. “Três anos atrás, ela foi para a loja e nunca mais voltou.”

Muffy a abraçou um pouco apertado, sussurrando-lhe suavemente. “Você gostaria de morar comigo? Eu prometo que não vou deixar você sozinha, e sempre irei te proteger, você poderá comer bolos e nós sempre nos divertiremos muito juntas, com o resto de minha família!”

Então o pequeno Muffin concordou e foi para casa com Muffy, e eles viveram felizes para sempre, onde brincavam, compravam coisas, sempre tendo ótimos momentos juntas.

Muffy agradeceu a Celéstia pela dádiva que lhe foi concedida, e sempre que olhava o sol nascendo, lembrava da Princesa, e dizia para si mesma: “Me sinto como um dia de sol, o amor está em mim!”

Fim!

Derpy observava sua fanfic com seus olhos “diferentes”.

“Eu gosto dela!” Ela gritava de alegria enquanto colocava seu lápis na mesa e pegava o pedaço de papel que continha a sua história. Ela ordenadamente e com precisão colocou dentro de um envelope e o selou com um token de cera, escrevendo um endereço e algumas informações adicionais. Derpy adorava escrever. Claro, ela não achava que suas histórias fossem grandes, mas todas elas vinham do fundo do seu coração, a partir da experiência e da emoção que tinha engarrafado dentro dela. Por trás desses olhos estranhos havia uma sensível, amorosa e carinhosa criatura, como qualquer outro pônei.

Derpy trotava feliz até as escadas da estação de correios, quase tropeçando no primeiro degrau enquanto ela ria para si mesma feliz.

“Avô?” Ela chamou logo quando chegou no topo das escadas. “Eu tenho uma carta para você enviar!”

Dias depois, Derpy acordava lentamente, o sol da manhã brilhava em seus olhos, forçando-a a levantar. Ela bocejava enquanto se espreguiçava, ansiosa para sair debaixo dos lençóis de sua cama quente e colorida. Ela cambaleava em direção à porta desajeitadamente, tropeçando em algumas roupas jogadas e outros apetrechos. Seu quarto estava uma bagunça.

“Vovô! Vovô! Já deram uma resposta?” Ela gritava alto enquanto trotava pelo corredor e na cozinha.

“Bem, eu não sei, Derpy, eu enviei a carta a apenas dois dias atrás. Eu não acho… “Seu velho avô cinzento começava a tentar ler o jornal com sua visão falhando.

“ESTÁ AQUI!” Ela gritava enquanto abria a caixa, tirando um maço de cartas, todas embrulhadas em um único laço vermelho.

“Bem, essa foi rápida.” Seu avô disse surpreso enquanto fechava a porta atrás dela e colocava o maço de cartas sobre a mesa da cozinha.

“Estou tão ansiosa! Queria saber o que eles acharam! Será que gostaram?” Derpy começava a babar enquanto ela mastigava o laço e deixava as cartas caírem na mesa. “Devem haver centenas de cartas aqui vovô!’

As cartas vieram em várias formas e tamanhos, em diferentes cores e estilos, mas a maioria parecia ser simples cartas brancas padrão. Cada uma estava assinada por diferentes pôneis, algumas letras bonitas e outros grandes garranchos.

Derpy abriu a primeira carta, sentindo uma grande felicidade correndo através dela, mas ainda assim com algum temor.

E se eles não gostaram?

Ela leu a primeira carta:

“Uma história muito bonita, eu amei!”

Eles gostaram!

Ela leu outra:

“Sua gramática poderia ser melhor, mas ainda assim é uma bela história!”

E outra:

“Eu realmente gostei dela, fez meu coração sorrir! É bom ver alguma coisa simples de vez em quando.”

“Muito bom, continua fazendo ótimos trabalhos!”

“Eu quero ver mais! Continue escrevendo!”

Derpy sentiu seu coração aquecer com todos os elogios e ela sentia como se pudesse chorar a qualquer momento. Eles gostaram! Fizeram boas críticas e gostaram!”

Mas, quando ela abriu a próxima carta e começou a ler as primeiras palavras, sentiu ser coração afundar.

“Que negócio é esse?”

“Eu nem mesmo sei por onde começar. Essa é uma das piores histórias que já li. Não há emoção, sentimentos, e nem um roteiro. Onde está o desenvolvimento do personagem? Onde estão os bons diálogos? Difícil acreditar que alguém poderia gostar disso. Honestamente, não é como se eu não tivesse lido isso um milhão de vezes antes!”

Quando Derpy sentiu seu coração apertar, ela tirou algo mais do envelope. Uma foto de um grupo considerável de pôneis, todos reunidos em torno de um outro pônei com um livro. Ele tinha um olhar convencido em seu rosto, como se merecesse toda a atenção. Estava marcado com “meus fãs” na parte de trás.

Derpy ficou em silêncio por alguns momentos. Ela sentia um aperto em seu coração, pressionando-o firmemente enquanto ela apertava de volta, tentando controlar suas emoções. No entanto, com a pressão acumulada, ela sentiu uma tosse irromper a garganta. Não uma tosse seca, como se estivesse doente, mas a tosse molhada com lágrimas.

Por que ele diria isso? Por que ele diria essas coisas da história dela?

Lágrimas emergiram de seus olhos, seu coração em dor enquanto ela soluçava, seu avô veio até ela.

“Derpy? Qual o problema?” Ele perguntou delicadamente, preocupado sobre sua neta estar chorando.

Derpy apenas correu com o maço de cartas em sua boca. Ela foi até o porão, fechando a porta no topo das escadas, e descendo para o quarto dela.

A pégaso cinza caiu sobre sua cama com um soluço.

“Por que ele diria aquilo?” Ela chorava em seu travesseiro.

Espere, as pessoas fazem críticas ruins o tempo todo. Às vezes as pessoas escrevem aquilo apenas como um significado. Ele deveria estar apenas fazendo isso.

Ela fungava. Deveria haver apenas boas críticas, certo?

Quando ela abriu as outras cartas, ela viu mais do mesmo.

“Onde está o desenvolvimento do personagem?”

“Por que você escreveria isso?”

Derpy sentiu suas lágrimas voltando, passando pelo focinho.

“Eles não gostaram.”

Ela percebeu que aquele pônei estava certo. Não havia desenvolvimento do personagem. Não havia bons diálogos.

Mas ela não escreveu isso pelos diálogos, nem pelo desenvolvimento dos personagens. Ela escreveu porque havia um significado. Sobre como gostaria de que alguém viesse cuidar dela quando sua mãe saiu e não voltou mais. Como ela teria gostado de se divertir com uma família e ter irmãos e irmãs e pôneis para brincar. Como ela teria gostado de ir à escola e aprender como todo pônei. Ela escreveu sobre como ela teria gostado de ter tudo o que ela queria comer, em vez de passar fome por dias.

Ela escreveu, porque isso era o que sentia no fundo de seu coração e alma, e quando as pessoas insultavam sua história, ela sentiu como se estivessem insultando ela mesma, e quem ela era.

E Derpy não podia lidar com isso.

Pulando para fora da cama, ela agarrou outra cópia da história que tinha escrito e rasgou em pedaços, jogando por todos os lados. Ela gritou com raiva.

“EU SÓ QUERIA SER AMADA!”

Derpy desabou sobre a cama novamente, enchendo o ar de suas emoções com soluços.

“Eu apenas queria ser amada.”

Derpy jogaria a resto das cartas fora, sem se importar em lê-las por medo de mais uma dura crítica, mesmo sem perceber que, sob a pequena pilha de críticas, havia uma grande pilha de elogios.

Derpy retornou ao seu trabalho de carteira.

Ela nunca escreveria de novo, mas sua frase ficou famosa em toda Equestria: “me sinto como um dia de sol, o amor está em mim.”

Nota do autor: Tenha em mente que o final dessa história é um evento intencional, e não tenho intenção de mudar isso, porque é assim que as coisas acabam no mundo real, às vezes. Eu não vou escrever um final feliz para você, porque mais do que qualquer coisa, você precisa voltar-se sobre a pônei e escrever um final feliz para si mesmo.

Fanfic, Fanfics nacionais

Sem palavras para descrever – Livro I – Cap.2 – Cascos e coices

Autor: Grivous

Gênero: Normal, Triste, Drama, Romance

Sinopse: ”Em alguns dias, um show será apresentado na pequena cidade de Ponyville, como o último show da carreira musical de uma musicista muito famosa de Canterlot: Octavia. Twilight Sparkle e suas amigas ficaram encarregadas de aprontar os preparativos para o Grande Evento. Os fantasmas de seu passado continuam assombrar a jovem musicista, a ponto de isolar-se do mundo e daqueles que ama. Num único evento, cheio de reviravoltas e grandes emoções, ela está para descobrir algo muito mais do que apenas o fim…”

LIVRO I :

Apresentação

Prólogo

Capítulo 1 – Empolgação

Capítulo 3 – Desinformado e Desinteressado

Capítulo 4 – Convidado ou Intruso?

Capítulo 5 – Casa da Mãe Joana

Capítulo 6 – Recuperação

Capítulo 7 – Algo a mais

Capítulo 8 – Amanhã

LIVRO II:

Capítulo 1 – Caminhada

Capítulo 2 – Muffin

Capítulo 3 – Companhia

Capítulo 4 – Mudanças

LIVRO III:

Capítulo 1 – Ausência

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Equestria — Ponyville, 13 de Fevereiro, 19:54.

O sol já descansara do seu dia de trabalho em iluminar os caminhos das criaturas habitantes de Equestria. Todos agradeciam a Princesa Celestia por erguer o Sol com sua magia para os auxiliar em suas rotinas diurnas e por descer o Sol para terem o merecido descanso noturno. A Lua já surgia dentre as densas nuvens; era a Princesa Luna, retomando a sua antiga tarefa de erguer o pálido satélite após o descanso do astro incandescente. O Sol já se foi, mas o céu ainda tinha uma cor alaranjada antes de se escurecer por completo.

Os pássaros retornavam para os ninhos enquanto os morcegos tomavam os lugares deles no céu. Coelhos, esquilos, cervos, todos se escondiam da noite escura para se proteger dos animais que atacavam durante a noite. Lobos, ursos, onças, todos com fome.

A maioria conseguia se esconder. Mas sempre havia os ousados. Durante a caça dessas criaturas vorazes para saciar suas fomes, rolavam algumas brigas e lutas entre si pois nunca dividiam os restos ou mesmo a maior parte da presa. Era cada um por si. E nenhum deles estavam dispostos a ficar sem nenhuma comida para comer.

As brigas eram muito violentas, tão violentas que acabavam com um oponente perdendor. E os que morriam nessas brigas, os outros aproveitavam de sua carne.

É a Cadeia Alimentar. A Supremacia do Mais Forte. A Queda do Mais Fraco. É assim que esses animais viviam nessa floresta em que todos, sejam pôneis ou outros animais místicos, evitavam de entrar ou chegar perto: A Floresta Alforriada.

Ponyville é a cidade mais próxima da Floresta. Os habitantes não se preocupavam por estarem tão perto da floresta pois as criaturas não saem de lá. Elas tem tanto medo de sair como os pôneis tem medo de entrar. Enquanto ambos dos lados não invadiam um ao outro, nada de ruim acontecia.

O dia caiu, a noite se ergueu. Os pôneis de Ponyville já acendiam as luzes das ruas, iluminando a noite estrelada da Princesa Luna. Alguns pôneis andavam ainda pelas ruas, mas porque estavam indo para casa após uma longa jornada de trabalho com os preparativos para o grandiosíssimo evento que ocorrerá na vila. Todos estavam excitados com o evento, mas também estavam mortos de cansaço. Suas patas ralavam no chão, elas estavam pesadas. Seus olhos quase caídos e orelhas deitadas, mas com um sorriso satisfeito em seus rostos. Eles estavam realmente cansados, mas, apesar de tudo, sentiam que valia a pena todo o esforço.

A Prefeita estava na Praça da Central, dispensando os últimos pôneis que insistiam em continuar o trabalho por mais algumas horas. Eles eram insistentes e esforçados.

— “Srta. Prefeita,” — falou um pônei um tanto maior que a mesma, ele possuía um tronco largo, uma pelagem marrom, sua crina refletia uma cor dourada apesar da noite, seu capacete protetor era amarelo e seu colete era laranja. — “Não se preocupe conosco. Faremos o serviço por mais algumas horas e…”

— “Não, senhor!” — a Prefeita apontou o casco para ele, — “Os senhores já fizeram o bastante para um dia. Vocês não paravam nem para um lanche! Vocês devem estar famintos por não se alimentarem direito e por terem executado diversas tarefas.”

— “Está tudo bem, Srta. Prefeita, nós não estamos com–”

A barriga dele roncou. Alto.

— “Ô, caceta, tinha que ser logo agora?!” — Pensou ele. O pônei marrom estava imóvel e tentou olhar para os lados com os olhos, torçendo para que ninguém tenha o ouvido. Mas a Prefeita levantou um sorriso malicioso no canto de sua boca.

— “Caçarolas… Ela ouviu…”

— “Senhor… Eu entendo que o senhor e seus colegas querem nos ajudar. Mas não posso deixá-los continuar prejudicando a si mesmos desse jeito. Por favor, vá para casa e descanse. Amanhã vocês podem continuar o que pararam. Não tem problema.”

As palavras dela eram gentis. Ele tinha que admitir que não estava mais aguentando e estava louco para comer uma bela torta de framboesa que a ponêi em seu lar já deve estar preparando neste exato momento.

Ele suspirou, — “Está bem, Srta. Prefeita. Agradeço pela sua gentileza. Pode considerar que aceitarei sua proposta–”

O corcel mal terminou de falar e um de seus colegas saiu de uma moita em que estava escondido. O ser corria em disparada por entre as obras em direção a sua casa e começou a berrar aos seus outros colegas de trabalho, sem olhar para trás:

— “Aí, galera! Liberou geral! Vam’bora antes que ele mude de idéia!!”

O grupo de trabalhadores que estava ainda trabalhando no palco, na mesma hora, soltaram suas ferramentas e cada um tomou seu rumo. Num piscar de olhos, a praça estava deserta.

O pônei marrom soltou mais um suspiro, — “Ai, ai… esses bunda-moles…”

— “Bom, acho que não dá mais para continuar por hoje…” — disse o pônei marrom.

— “Vá descançar, senhor. Você precisará de um ótimo repouso para amanhã nos ajudar mais bem disposto. Acredito que seus colegas também vão estar bem dispostos amanhã.”

Ele riu com desdém.

— “Se houvesse uma corrida entre esses bundas-moles e uma tartaruga até Canterlot, a tartaruga já teria ido e voltado de lá e eles ainda estariam aqui escolhendo qual caminho é mais lento!”

A Prefeita apertou os lábios. Estava vindo. Aquele sentimento, aquela vontade de gargalhar, borbulhando cada vez mais. Ela encarava o pônei marrom, que já olhava para ela com um olhar safado.

Ela cobriu a boca com o casco e soltou uma risadinha. Com um ar satisfeito, o pônei marrom deu um sorriso maroto.

— “Está bém, Srta. Prefeita. Vou fazer isso. Vejo a senhorita amanhã de manhã, então.”

— “Muit– Caham!” — ela limpou a garganta, — “Muito bem. Que as Princesas Celestia e Luna te guiem, senhor.”

— “Ah, desejo o mesmo para senhora.”

O pônei marrom finalmente seguiu seu caminho, para casa. A Prefeita permaneceu olhando para as costas do pônei marrom, certificando que ele vá mesmo para casa descançar. Ela era a responsável pelo bem estar de todos os pôneis, residentes ou não, em Ponyville. Ela é quem supervisiona os projetos, avalia os resultados, checa as possibilidades existentes e certifica se todos estejam sãos e salvos em suas casas. Ele, o ponêi marrom e seus colegas, eram os últimos a saírem do local.

— “Tudo certo até agora.”

A Prefeita arrumou sua crina com seu casco, descontraindo um pouco. Já está até um tanto tarde. As estrelas já piscavam felizes por aparecerem finalmente no céu. A Lua em si está divina, seu brilho era incrível apesar de não ser seu.

— “A Princesa Luna fez um excelente trabalho.”

Quantas estrelas. Dezenas de estrelas. Milhares. Talvez até bilhões. A quantidade era infinita, mas pouco importa a quantidade. O que importava era a qualidade. A noite estava linda. Tão linda que a Prefeita sentou no chão para admirá-la um pouco mais.

Fazia tempo que ela não sentava para admirar a noite. Era tanto trabalho, tantos afazeres, tantas coisas para pôr em ordem e tantos pôneis para ajudar… que acabava não sobrando a necessária atenção para si mesma. A Prefeita evitava ter animais ou plantas em casa por não ter tempo de cuidá-las. As plantas acabavam morrendo de sede e os animais acabavam sendo entregues para outras famílias. É triste viver em um local fechado sem você sentir a presença de um ser vivo convivendo com você.

Que noite linda. O vento soprava, era úmido e frio. Refrescava a mente perturbada e expelia para longe os problemas encravados, como a sujeira que escorre entre os fios de cabelo em água corrente. Que noite.

Ela bocejou, o sono já estava batendo a porta.

— “Ééé… já está na hora de eu ir também… sinto que minha cama já está até me chamando.”

Ela deu uma risadinha, — “Hehe! ‘Cama me chamando’. Não sei onde eu tiro esses devaneios. Acho que estou saindo tanto com a Srta. Pie que acabo…”

Ela parou. Infelizmente, ela lembrou-se de um compromisso ainda pendente naquela noite. E nesse, ela não podia faltar de jeito nenhum.

— “Ai, carambolas…” — ela deu com o casco na testa. — Esqueci que tenho que reunir com a Srta. Sparkle e suas amigas para debater a abertura do evento, quem são os convidados especiais, quem irá cuidar deles… Ai, ai…”

A Prefeita girou o corpo e começou a trotar. Conforme ia avançando, a velocidade dos trotes aumentava.

— “Ai, que vergonha. A Srta. Sparkle deve estar me esperando até agora!”

O barulho dos cascos da Prefeita estavam altos, o som ecoava nas ruas vazias de Ponyville. Os vizinhos não se incomodavam com isso, mas a Prefeita evitava de andar mais rápido que já estava.

A praça central ficou vazia, só se ouvia o som dos cascos estalando no chão, que ia diminuindo aos poucos.

Silêncio.

Equestria — Ponyville — Biblioteca de Ponyville, 13 de Fevereiro, 19:59.

A biblioteca de Ponyville; é um lugar cheio de livros, obviamente.

Livros que desejam manifestar a sabedoria e o conhecimentos que guardam. Lugares majestosos, culturas surpreendentes, biologia infinita, é um conhecimento sem fim. Dezenas, centenas, talvez até milhares de livros dentro de um só lugar em Ponyville. Desde capa dura até as lisas, de grossas até rasgadas. Todos os tipos de tamanho e grossura. Centenas de assuntos, milhares de especulações, registradas em folhas de papéis por intelectuais(ou amadores) para que não sejam esquecidos tanto as memórias do autor quanto o autor em si.

Livros de História, de Geografia, de Matemática, de Biologia, de Ficção, de Não-Ficção, de Auto-Ajuda, de Culinária, de Aeronáutica, de Magia, de Poções, de Química, de Alquimia. As opções são mundanas e diversas.

Para o consolo dessas solitárias pilhas de papéis mofados, eles não estavam sozinhos. Havia dois importantes indivíduos que cuidavam delas com muito amor e carinho pelo conhecimento:

Spike, o Office-Boy da Biblioteca.  Um dragão de escamas roxo e verde ofuscante, possuía dois olhos esmeraldas e dois longos caninos que escapavam de seus lábios, visíveis. Ele é quem cuidava da organização primárias dos livros, de acordo com o gênero, matéria, assunto, número e autor. Tudo cronológicamente, numéricamente, genéricamente, “assuntamente” e “autoralmente” organizado. Ele era muito bom nisso, consegueia achar qualquer livro em questão de segundos. Há quem diga que Pinkie Pie compete com ele, mas isso são rumores; não vêm ao caso.

Além da organização dos livros, ele é quem mantía tudo limpo e arrumado. Os livros empoeirados, era ele quem tirava a poeira. Estantes com teias de aranhas, era ele quem as expulsava de seus cantos. Se havia algum item, seja guardanapo, lenço, cobertor, toalha de mesa, qualquer coisa irregular ou fora do lugar, ele imediatamente dava uma ajeitada.

Alguns se perguntavam “por que todo esse esforço para deixar tudo arrumado e organizado?”.

Acontece que ele divide o espaço da biblioteca com uma pônei que ele conviveu durante sua vida inteira. Uma pônei que sempre o cuidou, o alimentou e o ensinou tudo sobre a sociedade e o livre-arbítrio. Em todas as maravilhosas brincadeiras, em todos os momentos oportunos, em todas as prazerosas memórias e lembranças que compartilhava, sua melhor amiga e irmã-postiça, Twilight Sparkle, estava lá. Apoiando e compartilhando. Observando e participando.

Twilight Sparkle era a moradora da biblioteca. Ela era quem mandava e desmandava dentro daquele lugar empilhado de livros organizadamente limpos. Na visão de outros pôneis, Spike era comparado a um secretário pessoal de Twilight Sparkle. Mas Spike não enxergava dessa maneira. Não.

Twilight Sparkle era, praticamante, como uma irmã mais velha para ele. Uma tutora, uma mentora, uma guia, alguém que lhe orientava e lhe ensinava os caminhos da vida. E Twilight não abusava(muito) de Spike. Ela sabia quando era hora de descanso e quando era hora de trabalho. Spike ainda era um bebê-dragão, ela não podia forçá-lo trabalhar até tarde nem tão cedo. Ter um bebê-dragão tem suas responsabilidades e seus cuidados. E Twilight os respeitava fielmente.

Ainda era noite, Spike estava na cozinha preparando alguns petiscos para os convidados na casa. A visita se encontrava na sala de estar, eram cinco pôneis bem reconhecidos, estavam apenas conversando enquanto esperavam outros convidados que não estavam presentes no momento.

Mais do que uma típica visita de amigos, era uma importante reunião que não poderia ser adiada nem cancelada. A reunião era sobre os preparativos para o grande evento. Na visita, encontravam-se os responsáveis por determinadas áreas do evento:

Rarity, uma charmosa pônei de cor branca, com atraentes olhos azuis e uma crina cacheadamente roxa. Ela era responsável pela decoração e pelos visitantes. As fitas tinham que estar bem laçadas, os guardanapos bem dobrados, copos bem posicionados, cadeiras e mesas bem contadas, nada deveria passar despercebido por ela. Orientar os visitantes era outro trabalho dela. Muitos pôneis da alta sociedade como os de Canterlot que virão aqui e precisariam de alguém sofisticado e generoso para guiá-los durante o evento.

Pinkie Pie, uma divertida pônei cor-de-rosa, olhos eletricamente azuis e uma crina fofamente rosa-escuro. Ela era quem cuidava dos quitutes, comidas, doces, petiscos, bebidas, lugares na mesa, cozinheiros e festas. Ela era, praticamente, a “dona da festa”. Está com fome ou quer se divertir? Procure Pinkie.

Applejack, uma dedicada pônei alaranjada, olhos esmeralda ameaçadores e uma crina loira como os raios de sol. A chefe do roçado e dos ingredientes para os quitutes. Todas as maçãs da vila eram feitas por ela e por sua família. Tudo era totalmente orgânico e estavam nesse ramo a gerações. São os experts das maçãs e suas sementes. Pinkie e Applejack estavam, na maior parte do tempo, trabalhando juntas para fazer com que suas áreas estejam produzindo. Pois sem ingredientes da Fazenda Maçã Doce, não haveria comida para serem feitas no Sugar Cube Corner.

Applejack e Pinkie estavam, no momento, tirando suas dúvidas quanto aos seus departamentos, para que coordenem a hora de trazer da Fazenda Maçã Doce e levar até ao Sugar Cube Corner os ingredientes necessários.

Applejack se sentia honrada em estar nessa área, ela era muito esforçada e bem séria quando o assunto é trabalho e cooperação. E Pinkie se sentia muito feliz em receber ajuda de sua amiga, AJ. Ela até acreditava que os doces e os aperitivos ficavam mais deliciosos por saber que AJ e sua família estavam se esforçando pra valer.

E por última, Rainbow Dash, uma atlética pégaso azulada com olhos rosa escuros penetrantes, sua crina multicolorida demonstrava ser uma pônei “fora do normal”, um ser diferente do grupo. Além de ser responsável pelo controle do clima de Ponyville, ela também foi convidada a trabalhar na segurança da vila durante o evento. Ou seja: trabalhar como Secretária de Segurança.

Qual a importância disso?

Rainbow Dash não acreditava no que via e ouvira ao ser convidada para esse cargo, essa área era onde os maiores ídolos dela pertenciam. Os mais ágeis e incríveis voadores de Equestria, a elite da Força Aérea Equestriana.

— “Os… Wonderbolts… AQUI!” — disse Dash, soltando um gritinho esganiçado de emoção.

— “Ixi, mió tomá banho di água fria pra baxá êssi fogo, minina!” — exclamou Applejack, olhando para sua amiga excitada.

— “Nhé, nhé, nhé pra você, AJ!” — Rainbow dash cruzou os braços e mostrou a língua.

— “Ói qui arranco essa língua numa dentada!”

Rainbow Dash arregalou os olhos e recolheu a língua por reflexo. As duas não segurar seus risos e riram juntas. Applejack rindo da reação de sua amiga e Rainbow Dash rindo dela mesma por cair nessa traquinagem da AJ.

— “Ahahaha! Arre, Rêinbou. É séri qui num pódi si segurá? Só farta ocê sortá essis isganido fino na frente delis! Eita, comédia das boa!”

— “Ha-ha-ha. Pode rir, AJ. Isso não vai acontecer NUNCA.” — Dash relinchou e cruzou os braços, — “Eu sei me controlar muito bem, visse?”

— “Num só vi como ôvi!” — AJ levantou um sorriso maroto.

— “Blééé.” — Dash mostrou mais uma vez a língua.

Mais risadas. Era um momento caloroso entre amigas. Todos estavam curtindo e rindo apesar do trabalho que esse grande evento esteja consumindo desses esforçados pôneis. Mas tudo valia a pena. Uma grande recompensa não pode ser ganha sem um grande esforço para conquistá-la. E nem sempre quem se esforça a conquistá-lo, consegue conter suas frustrasções e acaba criando, ao invés de harmonia, caos.

— “Isso não é hora de ficar brincando!” — Twilight apareceu do nada e bateu os cascos sobre mesa, fazendo ela tremer toda.

As duas deram um salto no susto e cessaram as risadas. AJ não gostou nada daquilo.

— “Arri égua, Tualáiti! Pricisava fazê isso?!” — o casco estava em seu peito, o coração tinha acelerado um pouco no susto.

— “É CLARO!” — ela virou a cabeça para a Applejack, — “Estamos na maior crise e vocês ficam rindo como se não ligassem para o que está acontecendo!”

Applejack ficou encarando a Twilight, confusa.

— “Hã….. Qui crisi, Tualáiti?” — Ela ergueu uma sobrancelha.

— “VIU?! NEM VOCÊ SABE!” — Twilight apontou o casco para AJ, sacudindo-o freneticamente em frente ao seu rosto.

— “Ara, é craro, creuza!” — AJ desviou o casco de Twilight para o lado, — “Si ocê mi falá, eu vô tá sabêno, oxênte!”

Twilight bufou e virou-se, trotando até a janela da sala mais próxima.

— “É, Twilight. Qualé a de mesma? O que te incomoda tanto, afinal?” — perguntou Rainbow Dash, estranhando o comportamento de seu amiga.

— “Bota para fora, meu bem.” — entrou Rarity na conversa, balançando gentilmente seu casco, — “Não deixe esse sentimento te abalar dentro de você! Compartilhe conosco sua angústia, amiga.”

Twilight fechou os olhos e tomou um longo fôlego. Ela vai ter que explicar de novo sua frustação.

— “Eu marquei essa reunião para às 08:00 da noite. Queria resolver todos os assuntos nessa reunião, não quero que tudo vá por água a baixo após vários dias de esforço de todos os pôneis da cidade… e de fora!”

— “Mas Twilight…” — Rarity tentou chamar a atenção de seu amiga ansiosa, mas foi em vão.

— “Mas para que a reunião aconteça, precisamos da Prefeita para podermos dar ínicio a ela! Eu não sei o que ela está fazendo para demorar tanto! Daqui a pouco, vai ser tarde demais e não iremos conseguir resolver tudo…”

— “Twilight…” — insistiu Rarity.

— “Onde é que ela se meteu?!”

— “Twilight!” — Rarity praticamente berrou no quarto.

— “Quié?!” — Twilight virou a cabeça para a Rarity, soltando uma baforada pelo nariz, irritada.

— “São só 8:06…” — Rarity apontou para o relógio da sala.

— “É POR ISSO MESMO!”

Rainbow Dash deu com o casco na testa, — “Afê, Twilight! Francamente…”

— “Máis qui minina máis cumpricada, seu!” — AJ ajeitou o chapéu um pouco para trás, — “Senta teu rabo aí i sussega o faxo! Ela já devi di tá a caminho daqui.”

— “Como é que vou me acalmar se ela está super-hiper-mega-atrasada desse jeito!? Onde já se viu!? Isso não é nem um pouco profissional da parte dela… E ela ainda se diz Prefeita…”

Applejack olhou torto para Twilight. Ela já estava començando a não controlar o que diz e pode ser que ela piore a situação de vez. Ela deixou passar, por enquanto. AJ deu um sinal para a Rarity com o erguer de sua sobrancelha e olhando em seguida para Twilight com os olhos, discretamente pedindo para ficar de olho nela.

Rarity assentiu com a cabeça, confirmando para Applejack.

— “Twilight precisa de férias!” — afirmou Pinkie Pie no fundo, levantando o casco pro alto, — “Ela tá nervosinha, nervosinha de pedra!”

— “Eu. Não. Preciso. De férias!”

— “Intonci fica quieta duma vez, diacho! Ficá nervosa du jêto qui tu tá num vai dá im nada.”

— “É, Twilight, sente-se aqui com a sua turma, com as patas pro ar…” — Rainbow bateu as asas levemente, flutuando deitada no ar, — “… um suquinho, um solzinho… só de boíssima.”

Twilight olhou para Rainbow flutuando no ar, com a cara fechada. Ela não gostava muito da atitude preguiçosa da Rainbow. Às vezes a irritava profundamente. Twilight não queria descançar, não queria esquecer suas responsabilidades, não queria perder tempo sentada sem fazer nada. Ela se sente uma inútil fazendo isso. E Rainbow Dash não estava ajudando em nada, mas ela até que estava; Twilight que não via isso. Apenas aumentava o estresse da pônei roxa.

E ela já não aguentava mais.

— “Isso é típico de você, Rainbow…” — A voz da Twilight saiu com o peso de uma Ursa Menor, de tão pesada.

Rainbow Dash parou no ar e encarou Twilight. O tom que ela usou em sua frase foi o suficiente para chamar a atenção da atlética pégaso azul.

— “O que você quer dizer com isso?”

— “É típico de você ficar com o papo pro ar,” — continuou Twilight, olhando para a pégaso azulada por baixo, mas não tirando seu olhar sério dela — “só no bembão, sem se importar com nada e com ninguém…”

— “Você se diz a pônei mais atlética da vila mas não faz juz ao que diz. Você nunca fez. O que você está me dizendo neste exato momento prova isso. Você é egocêntrica e se acha demais para fazer parte de um time.” — pausa, — “Os Wonderbolts jamais aceitariam pôneis com atitutes tão presunçosas e relaxadas.”

O silêncio prevalesceu na sala. Twilight e Rainbow Dash se encaravam ferozmente.

— “Tenso……..” — comentou Pinkie Pie bem baixinho.

Rarity e AJ se entreolharam, perguntando-se mentalmente o que fariam agora. Rainbow Dash ficou calada e desceu até o chão bem devagar, sem tirar os olhos da Twilight. Muita coisa passou pela cabeça daquela pégaso azulada, ela não esperava essa reação de sua amiga, ainda mais naquela hora. Aquelas palavras eram uma ameaça à Rainbow. Ela ficou muito irritada com aquilo. A pégaso azulada andou lentamente até unicórnia cor-de-lavanda, cada trote de seus cascos ecoava pela sala, assim como suas palavras conforme elevava seu tom ameaçador.

— “Você tem muita coragem para falar assim na minha cara, sua nerdzinha escrota de meia tige–”

— “Podem parar vocês duas!” — Rarity, num salto, intrometeu-se no meio das duas como uma faca que dividia duas partes da manteiga. Sua encaracolada crina balançou suavemente ao girar seu rosto, olhando diretamente para Rainbow Dash, com o corpo de lado para as duas pôneis presentes.

— “Rarity.” — A voz da Rainbow era pesada, Rarity podia sentir o impacto de suas palavras em seu rosto, — “Saia da frente. Essa cabeçuda vai se arrepender de—”

— “Não, Rainbow Dash!” — Rarity bateu com o casco no chão, — “Você não vai fazer nada. Ela só está meio emocional e falou por falar. Por favor, não leve a sério.”

— “Não levar a sério?!!” — Rainbow indagou tão alto que ecoou na sala inteira.

— “Cê realmente acha que vou ficar calada diante de uma estupidez dessa?!” — Rainbow apontou o casco para Twilight, ela estava atrás da Rarity, e abaixou ele em seguida. — “Depois de tanto que ajudei, de tanto que me esforcei para o “Grande Dia Idiota de Todas as Vidas dos Pôneis” acontecer como todos os outros em Ponyville e AINDA VOU TER QUE ESCUTAR UMA MERDA DESSA?!! É UM ABSURDO! Você tem muita cara-de-pau de virar para mim com essas palavras, Twilight!”

O casco de Rainbow Dash voou por entre a Rarity e apontou ferozmente para Twilight, sua tremulação causada pela adrenalina estava bem visível.

— “É muito fácil você ficar apenas dando ordens aos outros pois você não precisa executar trabalhos pesados e exaustivos para suar essa sua pelagem de prada “A-la-Canterlot” para fazer acontecer! Quem é a presunçosa e relaxada aqui?! Você aponta os defeitos dos outros mas não tem capacidade para assumir e admitir seus próprios defeitos! Você se acha realmente ‘perfeita’, ‘a mais fodinha de todas’, blé, blé, blé! Você é uma merdinha com ego do tamanho desse seu cabeção que se acha melhor que todo mundo!” — seu rosto estava torcido entre raiva e mágoa. Seu queixo cerrado e olhos molhados não eram ignoráveis. Seu peito doeu dolorosamente no esforço de concluir sua angustia. — “Q-que quebre uma perna, sua idiota cabeçuda!”

— “Já chega, Rainbow Dash!” — Rarity colocou o casco no peito de Rainbow e pressionou para frente, afastando-a. — “Apenas se acalme, querida! É tudo que lhe peço! Cascos e coices não vão levar as coisas para melhor. Foi com cascos e coices que organizamos tudo?”

Rainbow Dash encarava furiosamente Twilight. Com seu olhar predador, irritados e brilhantes, suas sobrancelhas e dentes cerrados, e sua respiração forte parecia que estava soltando fogo pelas ventas, demonstrava que ela estava pronta para dar o bote. Ela podia pular pra cima de Twilight a qualquer momento.

— “Rainbow Dash?” — Rarity a chamou mais uma vez.

Rainbow virou o rosto para Rarity. A pônei branca estava com um olhar sério.

— “Foi, Rainbow Dash?” — Rarity perguntou uma última vez.

Rainbow Dash relinchou com força, irritada. Com muito esforço, Dash respondeu:

— “Não…” — virou a cabeça pro lado e relinchou mais uma vez.

— “Sente-se e se acalme, amiga. Beba um golinho d’água que, já, já, você esquece tudo…”

Rainbow Dash ficou parada por um momento. Ela ordenava que suas patas fosse até a cadeira, mas o que elas queriam era meter porrada em alguém, em específico. Ela não aguentava mais segurar suas patas, algo tinha que ser feito.

A pégaso olhou em volta rapidamente e avistou um banquinho atrás dela. Num movimento rápido e feroz, ela deu um coice no banquinho que voou rápido para uma estante de livros.

O movimento foi tão rápido que as outras não acompanharam o coice da Rainbow e nem o impacto do objeto com a estante. O banquinho, pela incrível força que foi inserida em sua massa, arrebentou-se em vários pedaços. A estante recuou um pouco para trás e voltou para frente, deixando cair alguns livros. O som do impacto foi alto, todos olharam para a Rainbow e o que ela fez ao banquinho, agora em pedaços. Twilight arregalou os olhos, perplexa com a força que ela fez ao objeto para deixá-lo nesse estado, em fragalhos.

Um pensamento horrível veio na mente de Twilight ao ver o estado do banquinho. Poderia ter sido ela aquele banquinho.

Dash finalmente controlou suas patas e andou até a cadeira. Ela encarava Twilight de longe, sendo que a mesma olhava para Rainbow Dash, assustada.

Rarity suspirou aliviada. E ficou feliz que Rainbow conseguiu se controlar. Se ela não tivesse se controlado, aquela força teria sido investida em algo mais… vivo.

— “E quanto a você, Twilight Sparkle…” — Rarity virou o corpo, olhando para a pônei roxa, — “Eu realmente esperava mais de você.”

Twilight virou a cabeça, olhando para Rarity. Ela ergueu a sobrancelha, fingindo não entender o que Rarity estava indagando.

— “Como?”

— “É isso mesmo que você ouviu!” — Rarity deu com o casco no chão. — “O que há com você para ser tão rude e estúpida com sua amiga, Rainbow Dash?”

Foi a emoção do momento que a descontrolou, ela nem lembra mais qual era o motivo da irritação. Foi meio que…. por impulso. Twilight olhava para Rarity de cima para baixo, procurando o que dizer de volta.

— “Eu… Eu…”

— “A sua atitude foi estúpida, Twilight Sparkle! A mais inteligente e sensata do grupo se rebaixando desse jeito para chifrar suas amigas, por uma coisa tão inútil, tão supérflua?!”

Twilight abaixou a cabeça levemente. Ato normal de alguém que se sente arrependido com o que fez, e uma válvula de escape para tal situação que encurrala os arrependidos contra a parede. Twilight virou um pouco a cabeça para Rainbow Dash, ela via que Dash estava meio calada e com o queixo sobre os braços em cima da mesa. Pinkie Pie fazia de tudo para alegrá-la, com piadinhas, caretas, barulhos esquisitos e tortas na cara.

Nada a alegrava.

Twilight olhou agora para a Applejack, a pônei mais sincera da vila. A pônei terrestre loira olhava furiosa com seus olhos esmeralda para a unicórnia roxa. Seu rosto era de pura mágoa e repulsa pela estúpida atitude com sua amiga pégaso. Ela não esperava isso de Twilight, nunca sequer pensou que ela faria uma coisa dessas, ainda mais com sua própria amiga.

Twilight olhou novamente para Rarity; ela ainda estava séria, como sempre, e não desviava o olhar por um minuto sequer.

— “Vamos, Twilight Sparkle!” — insistiu a unicórnia pálida ao dar alguns trotes para frente, aproximando-se de Twilight, sendo que a mesma se afastava instintivamente,  — “Me explica! Ou você é tão cabeça-dura que não admite mesmo os seus erros ou vai me dizer que não aprendeu NADA e esqueceu TUDO que a Prefeita te falou esta manhã!?”

Twilight congelou. Rarity percebeu que ela ficou imóvel e parou de andar na mesma hora. A unicórnia roxa ficou com um olhar meio vago, se lembrando do que houve hoje de manhã, na Praça Central de Ponyville. Onde a Prefeita estava conversando com ela; aconselhando ela; reconfortando ela.

“Devemos dar o nosso melhor para um agradável resultado para todos os pôneis. Confiando nos corações e na força de vontade de cada pônei, podemos qualquer coisa.”

A voz ecoou na cabeça de Twilight, foi tão penetrante que tudo ao redor dela ficou em silêncio, que só a voz em sua mente era audível naquele momento.

Twilight agora se deu conta na besteira que ela fez, no erro que ela cometeu. Ela deu uma lenta piscada reflexiva, olhando um pouco para baixo. Até que levantou a cabeça e olhou para Rainbow Dash, ainda ferida com as ações recentes de Twilgiht.

— “O quê deu em mim naquela hora?” — Perguntou Twilight para si mesma, em seus pensamentos, — “Que situação… Eu não devia ter feito isso, eu… eu…”

A porta bateu, tem alguém do lado de fora querendo entrar. Twilight e Rarity olharam para a porta, assim como todos presentes na sala. Mas rapidamente Rarity virou para Twilight, esperando ainda por algum resposta da mesma, se ao menos se sente arrependida de ter feito aquilo à Rainbow.

A unicórnia roxa virou lentamente para o rosto pálido de sua amiga, olhando em seus olhos cor de sáfira. Ela não podia mentir para Rarity, dizendo que não se arrepende de nada. Ela SABIA que fez algo errado e seria muito egoísta e mais estúpido ainda da parte dela mentir desse jeito. Mentir não melhora as coisa, só deixam ela do jeito que estão ou até pioram.

Twilight apenas virou o rosto com a cabeça um pouco baixa, indo até a porta. Rarity suspirou e virou o corpo, trotando até sua cadeira.

Pensativa, a unicórnia de sedosas crinas roxas concluiu — “Tudo bem, Rarity. Ela não admite publicamente mas sabe que fez algo errado. E isso é o suficiente.”

Rarity sentou na cadeira e, com o casco, ajeitou elegantemente sua crina para o lado do rosto.

Twilight abriu a porta. Ela limpou sua garganta e tomou um fôlego antes de começar a falar.

— “Srt. Prefeita, ainda bem que chegou. Estamos doidas para começar a reunião e…”

Twilight parou de falar.

Applejack e Rarity estranharam. As duas inclinaram suas cabeças um pouco para o alto para verem quem era a figura do lado de fora que fez Twilight Sparkle ficar sem palavras. Rainbow Dash pouco se importou quem estava lá fora e Pinkie Pie ainda estava se esforçando para alegrá-la.

— “Desculpe…” — Twilight finalmente falou, — “Eu pensei que fosse outro pônei… que eu estava esperando, mas… hã… posso ajudá-lo em alguma coisa, senhor?”

O pônei do lado de fora era de uma aparência bem sofisticada. Usava um terno cinza com uma gravata vermelha, sua pelagem tinha uma cor creme e sua crina dourada escura fazia uma curva para trás, um topete básico. Seus olhos brilhavam azul perante ao luar, ele olhava para Twilight Sparkle com atenção.

— “Sim, minha jovem!” — o pônei falou, sua voz era suave e um tanto brincalhona, — “Sei que parece meio besta perguntar isso, mas aqui é a biblioteca?”

Twilight acentiu com a cabeça, — “Sim, é sim. Mas ela, no momento, está fechada. O senhor teria que voltar pela manhã se–”

— “Desculpe por interrompê-la, mas… a senhorita é a Twilight Sparkle?”

Twilight congelou. Ela olhou bem para o estranho, tentando lembrar se ela já o viu em algum lugar.

— “Como ele–?” — ela se perguntou mentalmente.

Ela tinha certeza de que nunca viu aquele pônei cor-de-creme em lugar algum. Aliás, sua aparência é vagamente familiar… Não como se ela tivesse conhecido ele de algum lugar ou de algum tempo atrás, mas… era como se ela tivesse o visto em algum lugar. E como ele sabia seu nome?

— “S-sim. Sou eu, sim.”

— “Boa noite, Srta. Sparkle.” — o pônei cor-de-creme assentiu com a cabeça cordialmente e ofereceu seu casco para Twilight, — “Sou Foreign Eye e venho do Reino das Terras Férteis à pedido de Princesa Celestia e Princesa Luna para auxiliá-la durante todo o evento que virá. Fui informado de que haveria uma reunião para a programação do Grande Evento hoje às 8:00 da noite na Biblioteca da Ponyville e vim para participar dela, se não se importar, claro.”

Twilight Sparkle ficou boquiaberta. Não acreditou no que estava havendo, não estava acreditando com quem ela estava falando naquele exato momento.

— “Foreign… Eye?!”

Fanfic, Fanfics estrangeiras

Eu precisei de você

Título original: I needed YOU

Gênero: Slice of Life

Autor: Nintendogal55

Tradução: Drason

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Missão cumprida. A água da chuva foi transportada com segurança até Cloudsdale, com nuvens carregadas o suficiente para espalhar água por toda Equestria. Talvez a perda de alguns pégasus tenha reduzido as chances de quebrar o recorde atual, mas no final, tudo funcionou como deveria.

Para dizer que até Fluttershy estivesse orgulhosa de si mesma, seria uma atenuação. Ela não estava apenas orgulhosa da realização em si, mas principalmente da forma como sua melhor amiga lidou com a situação. O fato de que ela estava disposta a desistir de quebrar o recorde, sabendo muito bem que não poderia alcançá-lo, e ainda a pressa para o que eles precisavam fazer: transportar a água do reservatório na superfície até Clodsdale. Aquele era o objetivo em primeiro lugar, com ou sem recorde, eles precisavam fazê-lo.

Ela também estava orgulhosa de si mesma.  Talvez a força de sua asa fosse insignificante, mas ela percebeu que qualquer contribuição, não importasse o quão pequena, pode sempre ajudar a fazer a diferença. Além do mais, ela superou sua própria ansiedade e insegurança sobre o vôo, e foi capaz de ajudar a equipe de pegasos a alcançar a asa de força mínima de 800 pontos.

Foi incrível ser reconhecida por Spitfire dos Wonderbolts, que ela sabia muito bem que era uma honra. Embora isso não se comparava com a alegria e felicidade que Rainbow Dash expressou. Deixar ela orgulhosa era algo que Fluttershy sempre esperava.

É o que nos trás no dia de hoje.

Era o dia após os eventos. Fluttershy, com uma cesta que estava segurando em sua boca, voava até a casa de Rainbow Dash. A grandiosa casa nublada de sempre, alta e orgulhosa sobre uma núvem, juntamente com alguns riachos e caichoeiras de arco-íris. Mesmo Fluttershy não podia deixar de apreciar a sua suntuosidade, especialmente considerando que era tão Rainbow Dash.

Colocando a cesta de guloseimas no chão, Fluttershy bateu na porta da frente com o casco.

“A porta está aberta!” Rainbow Dash falou do lado de dentro.

Abrindo a porta, Fluttershy levou o cesto com um casco, fechando a porta atrás dela. Ela viu sua amiga, que estava pairando sobre aquário do tanque, enquanto despejava comida de um saco.

“Aqui vamos nós, Tank! (a tartaruga de Rainbow Dash) coma direitinho!” Bajulava Rainbow Dash antes de colocar o saco de comida no chão. Ela viu Fluttershy e sorriu.

“Olá amiga! O que foi?”

“Oh nada, eu apenas… queria trazer alguma coisa pra você.” Fluttershy pousou, e trotou até a pegasus azul, colocando a cesta no chão mais uma vez.

“Eu fiz algumas de suas sobremesas favoritas…”

Rainbow Dash inspecionou o cesta antes de sorrir amplamente. “Wow, impressionante! isso é o que eu chamo de um bom dia! Obrigada Fluttershy!” Pegando a cesta, ela olhou para a sua tímida amiga confusa. “Mas por que? Qual a razão?”

“Oh nada de especial, apenas… bem, se você quiser, pode considerar como… minha gratidão.” Fluttershy disse suavemente, olhando para baixo um pouco corada. “Por ontem.”

“Você está me agradecendo?” Os olhos de Rainbow Dash arregalaram. “Mas eu não fiz nada! Foi apenas você, Fluttershy.”

“Eu sei…mas…bem…você sempre disse para eu lutar e dar o melhor de mim…especialmente voando. Eu tive muita ajuda dos meus amigos da floresta… e também de você.” Fluttershy corria seu casco ao longo do chão timidamente. “E eu sei que você precisou de toda a asa de força que pudesse encontrar… tudo isso me ajudou a superar os problemas.”

“Mas Fluttershy, não foi apenas a sua asa de força!” Ranbow Dash colocou a cesta no chão e trotou até sua amiga. “Eu precisei de você!”

“O… o que?!” Fluttershy olhou para ela surpresa.

“Quero dizer, claro, eu precisei de toda a asa de força que pudesse conseguir naquele dia… mas não era apenas por causa disso!” Rainbow Dash balançou sua cabeça, e então colocou um casco no ombro de sua amiga.

“Eu queria você lá, Fluttershy. Você! Minha melhor amiga, desde criança… eu não queria apenas a força de suas asas. Eu queria você lá comigo! Sua assistência, bem… isso significa muito pra mim, sabe? Lembra da corrida de juniores? Eu não queria você lá para afagar meu ego.”

Rainbow olhou para baixo com as bochechas vermelhas depois de admitir isso. “Ou porque você era a única pegasus ali que me animava… eu queria você lá, Fluttershy! Seu apoio sempre foi importante para mim porque você é a pônei que eu sempre confiei mais do que ninguém!”

Fluttershy piscou. Como ela poderia fazer a diferença? Talvez Rainbow Dash não tenha se expressado antes, mas parecia óbvio que o seu apoio significava mais para ela do que sua asa de força, e qualquer outra coisa.

“Nossa, eu não sou boa em dizer essas coisas!” Agora, a pegasus arco íris virou-se, escondendo o rosto vermelho. “Apenas lembre-se disso, tudo bem?” Não era apenas sua asa de força, eu não me importava com isso, eu queria você! Se eu estivesse interessada em sua asa de força, por que ficaria orgulhosa de você chegar a uns 2,3 pontos?”

“Porque… eu estava fazendo tudo o que podia?” Fluttershy imaginou, engolindo seco. Isso era exatamente o que ela estava tentando fazer, apesar do resultado fraco.

“Bem, sim! O ponto não era sobre sua asa de força!” Rainbow Dash se virou então, conseguindo conter suas emoções. “Logo… eu deveria estar agradecida, você realmente nos ajudou!”

Enquanto ela olhava a pegasus amarela, Rainbow Dash sentiu uma forte onda de emoções sobre ela. Sempre que ela ficava assim, se sentia nervosa e insegura de falar o que passava em sua mente. Foi tão estranho para ela se expressar dessa maneira, com palavras reais de como isso significava para ela.

Mas com Fluttershy, parecia que de alguma forma ela conseguia se expressar. Muito. Ela tinha outras maneiras de expressar sua alegria e felicidade e o quanto suas amigas significavam para ela, mas Fluttershy sempre parecia trazer uma nova forma de expressar esses sentimentos.

“Quando eu disse que precisava de você, eu queria dizer…” Rainbow Dash abaixou sua cabeça um pouco embaraçada. “Eu precisava de você, Fluttershy.”

Com isso, Fluttershy apenas sorriu. Apenas de pensar que o seu apoio, sua presença e sua ajuda pudesse significar tanto para alguém, tendo o valor dela, a fazia se sentir muito especial. Ela queria fazer a sua melhor amiga feliz, e também deixá-la orgulhosa a qualquer custo. Era isso que sempre a machucava ao sentir que suas falhas a irritava. Mas sempre que isso ocorria, nunca houve um momento em que Rainbow Dash não provasse ser uma amiga boa e leal.

“Lamento ter colocado tanto alarde em tudo isso.” Murmurou Fluttershy.

“Não, não se desculpe. Não precisa. Está tudo resolvido agora.”

“Eu…eu sei… mas eu sinto que poderia ter feito bem melhor… eu queria deixar você feliz, orgulhosa de mim… mesmo que eu estivesse com tanto medo para tentar.”

Sem pensar, Rainbow Dash se aproximou dela, dando um abraço caloroso no pescoço de Fluttershy.

“Fluttershy, eu estou orgulhosa de você.”

“Mas… eu não… não sou como você… eu não tenho suas habilidades e nada para mostrar.”

“Do que está falando?” Rainbow Dash se afastou para olhar em seus olhos. “Mesmo Fluttershy? É com isso que você está preocupada? Não ser como eu? E quem disse que eu queria que você fosse como eu?”

Fluttershy apenas piscou, olhando ela com admiração. “Mas…”

“Quero dizer, se você fosse como eu, nem acho que estaríamos aqui agora! Eu não quero que você seja eu!” Rainbow Dash insistia, sacudindo sua cabeça e sorrindo.

“Às vezes você me deixa louco, às vezes eu acho que você precisa trabalhar sua confiança e problemas de assertividade, mas no final do dia, você continua sendo Fluttershy. E quer saber? Eu não queria você fosse diferente.”

No final, sua melhor amiga, que às vezes tinha dificuldades em se expressar com emoções e palavras, apenas conseguia tocar o coração dela. Não foi a primeira vez, e Fluttershy sorriu brilhantemente, em seguida, a abraçando.

“Awwww… e eu não mudaria você para o mundo, Rainbow Dash. Eu gosto de você do jeito que você é.”

Rainbow Dash riu, a abraçando forte, e em seguida se afastando. Ela sorriu, e, em seguida, esfregou o nariz em um gesto carinhoso. “Você é demais, amiga.”

Fluttershy sorriu e suas bochechas arrosaram. Rindo um pouco, Rainbow Dash jogou seu antebraço em torno dos ombros dela. “Então, o que você me diz de dividir aquelas sobremesas comigo? Tenho certeza que tem muitas, e não vou conseguir comer tudo sozinha!”

“Oh, tem certeza? Eu fiz tudo pra você…” Fluttershy piscou.

“Ei, você me deu, o que a torna a minha, e por isso eu decido agora o que fazer com elas! E eu adoraria dividi-los com a aminha melhor amiga Fluttershy!” Ranbow Dash sorriu.

Um sorriso escapou de Fluttershy enquanto ela sorria acenando. “Tudo bem, Dashie.” Ela esfregou seu focinho carinhosamente no rosto de sua melhor amiga.

Rainbow Dash corou um pouco, mas sorriu esfregando de volta. “Ótimo, o primeiro que chegar na mesa ganha os doces maiores!”

As duas amigas pegasos riram antes de irem correndo até a mesa juntas, prontas para desfrutar de uma deliciosa sobremesa.

Os eventos do dia anterior sempre serão lembrados, tanto como uma parte da história da pegaso obtendo sucesso ao transportar água para Cloudsdale, em um momento culminante onde superou sua insegurança.

Mas havia uma coisa que nenhum deles jamais esquecerão.

Para Fluttershy, que foi capaz de reunir sua coragem. Para mergulhar no tornado, e ajudar no transporte de água mesmo com a pouca capacidade de voo que tinha. Para finalmente lutar contra as vozes de sua infância a insultando, e provando o seu valor. Tinha passado por muita coisa difícil para ela superar seus medos, mas no final, foi um momento inesquecível de auto-estima.

Para Rainbow Dash, ela estava vendo Fluttershy no tornado com eles. Não era de se admirar que imediatamente se iluminou com o sorriso mais brilhante que ela poderia dar quando viu que sua melhor amiga estava lá não apenas para apoiá-la, mas para estar com ela.

Com isso também, Fluttershy nunca esqueceu o sorriso brilhante, cheio de alegria no rosto de sua melhor amiga.