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My Little Fortress: TeamWork is Magic – Parte 8

Autor: Xaldensmutanthamster

Tradução: Matheus Dinero

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Woot! Eu fui um dos vencedores do concurso Comic Life? Valeu mesmo pelo apoio pessoal! Agradeço também ao Drason por promover esse concurso pra gente, vlw!

8ª Parte do MLF! Depois de um tempo, já acostumada com o lugar, Pinkie e o seu Sentido agem muito estranhos durante as batalhas…

——–

Pinkie correu para fora do respawn, um sorriso estampado em seu rosto. Sem saber, como sempre, um RED Spy esperava nos embasamentos do RED, esperando por sua próxima vitima. ‘Aquele pônei rosa faz sempre a mesma coisa. Aparece saindo saltando da sala e mata tudo o que vê. Eu pego ela quando ela virar as costas’ Ele a viu correndo em direção à ponte. ‘Perfeito. Agora só vou pular e…’ Antes de ele terminar seu pensamento, ele viu uma estranha tremedeira em sua cauda. Ela parou no meio da rampa. Ele saltou no chão, aterrissando bem atrás dela como um fantasma. Antes de ele ficar visível, ela deu um chute feroz para trás, acertando em cheio em seu rosto e derrubando-o no chão, morto. Pinkie virou-se, surpresa, mas encolheu os ombros e continuou andando.

“O que aconteceu?” Spy coçou sua cabeça. “Não tinha jeito algum ela ter me percebido”

“Ei, francezinho! Quer dar um jeito de ajudar a gente a se livrar desse maldito Heavy que tá impedindo nossa saída?” O Scout vermelho passou correndo por ele, abrindo a porta para revelar que ela estava na frente da sala, disparando incontrolavelmente.

“Feh, típico” Ele ficou invisível e andou em direção à porta. O Demoman passou correndo na sua frente e ela virou-se para atacá-lo. A porta fechou antes de ele ver o resultado. Ele chegou perto, ainda invisível, mas parou quando ele ouviu sua voz do outro lado da porta.

“Orelhas se batendo… piscadelas… joelhos tremendo”

“Ótimo, ela está distraída. Agora eu posso chamar isso de uma morte súbita’ Ele saiu pela porta e ela se virou, rachando seu casco da frente na sua mandíbula invisível, matando ele.

“Mas que diabos!?” Ele renasceu, com as mãos na cabeça. Ela bateu-lhe no mesmo lugar de antes. “Não tem como ela me perceber!” Ele correu para fora da sala, furiosamente procurando por ela. Ele chegou perto e, de alguma forma, ela o notou. Ele rapidamente saltou dos embasamentos, mas ela pegou-o primeiro.

Ele estava quase espumando pela boca quando ele pegou o Dead Ringer. A minigun da Pinkie começou a girar. Ele correu até ela, levando alguns tiros. Mais um pouco e ele deixou cair o falso cadáver e manobrou atrás dela, reaparecendo e dando cortes com sua faca descontroladamente. Ele errou uma vez e ela se virou.

“POR QUE”

Ele deu um corte em seu braço.

“VOCÊ”

Outro corte que ele errou.

“NÃO”

Outro corte em seu braço.

“MORRE!!?”

Pinkie se apoiou, depois pegou umas luvas de boxe atrás de suas costas e bateu nele com toda a sua força. Ela olhou ao redor confusa. Dash se aproximou dela.

“E aí Pinkie, beleza? Eu não vi você o dia todo. Você tá bem? Você parece meio assustada”

“Meu sentido Pinkie ficou prevendo o dia todo, mas nada está acontecendo. E toda vez que eu tento me livrar disso eu continuo batendo em alguma coisa invisível!” Pinkie olhou ao redor, olhando para o céu.

Dash olhou para o espião morto. “Pinkie, eu acho que você vai ficar bem. Vamo lá, eu preciso de uma ajudinha pra tirar aqueles idiotas da nossa base” Pinkie seguiu Dash, ainda olhando ao redor.

O RED Spy sentou na sala do respawn, humilhado. “Dane-se, eu vou atrás daquele coelhinho de agora em diante”

——–

O grupo sentou ao redor da fogueira, compartilhando suas histórias dos dia-a-dias, e geralmente batendo um papo. Todos pareciam estar de bom humor, exceto Applejack, cujos olhos estavam paralisados olhando no fogo.

“Alguma coisa errada, Applejack?” Ela olhou para cima e notou que Twilight estava olhando para ela, com uma preocupação óbvia em seu rosto.

“Sim, tô bem” Ela tentou sorrir, mas seus olhos a traiu.

Twilight olhou para ela. “AJ, você sabe que você é terrível em mentir”

Ela suspirou. “Eu acho que tô com saudades de casa. Sinto falta da Applebloom, Big Mac e a Vovó” Ela pensou na sua fazenda e a sua família.

Twilight olhou para baixo. “Eu acho que todos nós estamos assim. Eu não vi o Spike desde… Há quanto tempo estamos aqui?” Ela se preocupou por causa das cartas para Celestia que ela não pôde fazer. Toda vez que ela aprendia alguma lição nova sobre amizade, ela escrevia e colocava na sua mochila. Mas ela estava ficando sem papel muito rápido.

“Quase 2 meses” Rarity falou imediatamente. “Sweetie deve estar muito preocupada” Ela esperava que sua irmã ficaria com alguém. Com sua única babá despedida, Sweetie não poderia cuidar dela mesma por dois meses.

“Eu aposto que Gummy tá fazendo a festa lá sem mim” Pinkie imaginou ela abrindo a porta e encontrar seu quarto despedaçado, marcas de mordidas em toda parte. A imagem fez ela rir baixinho.

“Tomara que os animais estejam tudo bem sem mim” Fluttershy olhou para Angel, que estava em uma competição de olhar feroz com o Soldier. ‘Ele é um dos poucos que sabe se cuidar sozinho. Oh, tomara que alguém esteja tomando conta deles’

“Bem, a Grande e Poderosa Trixie não tem tempo para se preocupar com casa! Pra que isso, se ela viaja pelo todo o país, fazendo do mundo a sua casa!” Mesmo com seu volume de sempre, ela lançou um olhar incrédulo para baixo. “Silencio… Trixie iria odiar se vesse sua ultima turnê terminar numa certa controvérsia” Ela sacudiu sua cabeça. Todos haviam se acostumado com ela. “E eu aposto que você tá sentindo falta da Scootaloo, Dash”

“Eu acho” Dash disse deprimente, em voz baixa. Na verdade, enquanto ela sentia falta da criança que a tratou como um ídolo, ela percebeu que não tinha tantos motivos como os outros para voltar. Os Wonderbolts e Scootaloo eram mesmo os únicos motivos. Seu coração quase saltou pela garganta quando ela pensou nisso. Mas ela tentou não mostrar isso para os outros. Se havia uma coisa que ela recusaria a mostrar, seria a fraqueza. Para o seu alívio o assunto mudou para algo mais animado.

Derpy estava longe do grupo, com seu caderno novamente. Enquanto os outros conversavam, ela preferiu não deixar os outros vê-la escrevendo. Todos a conheciam como desatenta, ou estúpida, e ela aceitou isso porque não poderia mais mudar. Não naquele momento. Ela sacudiu a cabeça tirando a máscara, que estava personalizada para apenas cobrir o focinho. Ela segurou a caneta na sua boca.

‘Querido diário.

Receio que minhas paginas podem ficar muito grandes para caber nesse diário. Enquanto estou escrevendo, eu chego ao final de 12 ou mais paginas, por isso vou tentar ser mais breve, a fim de prolongar sua longevidade.

Tenho escutado a Sra. Sparkle falando que está tendo dificuldades em compreender as cópias azuis. A parte mais difícil parece ser a compreensão da relação espacial desse universo com o nosso. Porém, parece que descobrimos a localização, tudo o que falta a fazer é adquirir uma grande fonte de energia suficiente para ligar o teleporte. Portanto as cópias azuis foram alteradas para isso.

Os outros começaram a falar de casa. É estranho, eles parecem evitar o assunto quando for possível, tentando puxar a angústia para trabalhar na solução.

Eu sinto tanta falta dela. Meu coração dói muito quando penso que talvez eu nunca vou poder ver a Dinky novamente. É a minha sincera esperança que nenhum mal pode acontecer a ela, ou para mim. Ela precisa de sua mãe…’

Algumas gotas de lágrima mancharam a tinta da folha antes de ela perceber que estava chorando. Ela enxugou seus olhos com seu casco e assinou, fechando o caderno. Quando ela colocou o caderno no chão, ela sentiu uma mão em seu ombro. Ela olhou para cima no vidro refletivo dos olhos do Pyro, que pareciam preocupados. Ela fungou, e deixou o caderno pra lá. Depois de ler pelas páginas, o Pyro acenou com a cabeça solenemente e sentou do lado dela. Pareceu estranho, mas ela se sentiu segura com seu novo amigo. Ela ficou com sono, deixando os estalos do fogo serem a única vista antes de ela adormecer.

——–

“Sra. Pauling, como seus mercenários passaram hoje?” Sra Pauling ouviu a voz atrás dela, com os olhos grudados nas telas mostrando cada lugar de 2-Fort, RED e BLU. A magricela Administradora tomou um trago de seu cigarro.

O de sempre, madame”

“Como se você estivesse com seu entusiasmo de sempre”

“É que eu tive uma longa noite” ‘E que longa noite, hein’ Ela pensou. Ela levantou, deixando a Administradora sentar na sua poltrona de sempre.

“Bem, vá cuidar dos seus deveres. Não estamos te pagando para você relaxar”

“Sim madame” Ela pegou sua prancheta e dirigiu-se ao seu escritório de sempre, com a cabeça tonta. No dia anterior ela estava encarregada de assistir as câmeras, e tinha ouvido a conversa do Sniper. Ela tentou esquecer seus atos naquele dia, não vendo as câmeras, mas assistindo às fitas antigas.

Ela suspirou e olhou para o primeiro item escrito na prancheta. Ela fez uma careta quando ela pegou o telefone e discou. “Sr. Hale?”

“Ah! Isso que é valente, Sra. Pauling! Você está me chamando por causa das novas armas para a temporada?”

“Sim”

“Bem, eu não estou com elas”

“Como assim-“

“Eu acabei com aqueles caras. Bando de preguiçosos, gastaram uma semana para fazer uma espingarda! Os chapéus não são a solução mais fácil?”

“Não Sr. Hale, era pra você estar com as novas armas”

“Ops, desculpe então mocinha, eu não tenho nenhuma”

“Nenhuma?”

“Uma placa de protesto de hippies ajudaria?”

“Acho que sim, mas… Sr.Hale? Sr. Hale?” Ela desligou quando a linha cortou. Ela odiava falar com aquele homem. “Esses pôneis… estão mudando tudo. As rotinas, as pessoas, tudo… Eu não acho que isso vai terminar bem…”

“Sra. Pauling” Seu interfone zumbiu.

“Sim, Administradora?”

“Esqueça tudo o que você está fazendo. Eu tenho outro trabalho para você”

——–

Angel relaxava nas costas de Derpy enquanto ela andava, procurando pelos inimigos. Os dois se tornaram amigos inseparáveis por um simples motivo: não precisavam dizer uma palavra para se comunicar. Os dois trabalhando juntos pendurados, Angel cuidando dos maiores e mais longes alvos e Derpy com os inimigos mais próximos. Ele tirou o capacete sobre os olhos, começando a cochilar. Uma parada repentina o acordou. Ele olhou para cima e viu que estavam na beira da ponte. Ele lançou seu olhar para baixo das pranchas para ver o Pyro inimigo parado do outro lado, olhando para eles. ‘Provocando a gente’ Angel levantou. Ele pegou seu pequeno lançador de foguetes e atirou. O inimigo não se moveu. Só antes do míssil atingir, uma compressão de ar emanou e o míssil mudou seu curso de volta para eles.

Derpy se abaixou rapidamente, o míssil passando sobre sua cabeça. Ela se levantou lentamente. Angel olhou para a marca chamuscada na parede, quando se virou viu um sinalizador o atingindo, colocando-o em chamas. Com o resto de sua força ele puxou o gatilho novamente antes de ele morrer. O inimigo criticou o míssil de volta, mas agora ela estava pronta, puxando o segundo gatilho e mandando de volta para ele.

O inimigo mandou de volta, sem se mover. Derpy retornou para ele, também sem se mover.

Para o inimigo.

Para ela.

Para o inimigo.

Para ela.

O míssil voava pra trás e para frente pela ponte, apenas dois combatentes fazendo nenhum movimento, a não ser o puxar do gatilho. O mundo parecia se mover em câmera lenta quando ela calculava exatamente quando ela puxaria o gatilho.

Ela mandou pela ultima vez. ‘Estou sem munição!’ O inimigo puxou pela segunda vez e o lança-chamas travou. Um olhar de pânico e o Pyro desviou saltando para a direita, o míssil se colidindo na base RED. Um ar de tensão entre os dois pareceu durar uma eternidade. Seu oponente deixou seu lança-chamas no chão e andou atravessando a ponte, nenhuma arma nas mãos.

Ela permaneceu em sua guarda. ‘É um truque’ O Pyro se aproximou ainda mais. Ela ficou confusa quando ele amigavelmente estendeu sua mão para ela. Timidamente, ela o agarrou, e eles compartilharam um firme aperto de mão. O Pyro correu para o outro lado, pegando o lança-chamas e desaparecendo no edifício.

Ela se sentou por um momento, tentando entender o que aconteceu. Quando ela saiu de seus pensamentos, uma pata branca estava acenando na frente de seu rosto. Ela olhou para o Angel nervoso, que pulou nas suas costas e apontou em direção ao edifício. Ela sorriu de baixo de sua mascara e seguiu para frente.

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Corações Aquecidos

Título original: Happy Hearth Warming

Gênero: Shipping

Autor: Paxtofettel

Tradução: Lucas T.

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À beira de Ponyville, passando pelas florestas, havia um grande pasto, com macieiras, mais do que os olhos podiam ver. Rancho Maçã Doce, como os “Ponyvilianos” chamavam, era a maior da cidade (pelo menos aos olhos dos seus habitantes) fornecedores de maçãs frescas e suculentas. De fato, a maioria das maçãs eram exportadas para fora da Equestria, juntamente com outros bens provenientes desta fazenda particular.

*THUMP*

Agora, naturalmente, com tantas plantações de maçãs, os proprietários da fazenda perceberam que não poderiam dar conta de todas as árvores sozinhos. Para remediar esta situação, eles decidiram contratar pôneis para ajudar na colheita de maçãs. Em pouco tempo, os campos estavam cheios de pôneis tanto de Ponyville como por imigrantes das cidades de Preece e Trottingham. Muitos deles já estavam familiarizados com as dificuldades do cultivo e colheita. Outros eram apenas pôneis normais que estavam tentando fazer uma vida nova em Ponyville e dispostos a tentar qualquer coisa, a fim de acrescentar alguma renda para suas famílias.

*THUMP*

Agora, você deve estar se perguntando de onde vem esse barulho. Para responder essa pergunta, eu preciso falar sobre um pônei terrestre conhecido como Caramel. Ele era um pônei comum, com uma crina castanha escura vestindo um casaco marrom claro. Em comparação com a maioria dos pôneis na cidade, ele não tinha nada de especial. No entanto, se havia uma coisa na qual ele chamava atenção, era por sua falta de perícia. Mas, apesar dessa pequena falha, ele era um trabalhador dedicado e tratava seu cargo com orgulho. Sempre ajudava a plantar as sementes que cresceriam como novas macieiras. Quando havia uma árvore morta que precisava ser derrubada a fim de dar mais espaço, Caramel era voluntário para retirar os restos da serragem. Ele também dava comida para as vacas que pastavam nos pastos próximos à fazenda.

*THUMP*

Ah sim, o barulho. O dia em que o nosso conto começou foi muito especial para os pôneis de Equestria. Era véspera dos Corações Aquecidos, um dos feriados mais importantes conhecidos pelos pôneis. Nesse dia, muitas lojas eram fechadas e todos relaxavam em suas casas, enquanto a neve do inverno cobria todo o país. No entanto, o Rancho Maçã Doce ainda era muito movimentado, com muitos camponeses colhendo as maçãs, a fim de armazená-las para os longos meses de inverno. Até o momento, todos os pôneis estavam fazendo progresso, exceto um.

“POR QUE VOCÊ NÃO CAI?” Caramel gritava com fúria, golpeando o tronco da árvore. Ao contrário de outras fazendas de maçãs, onde máquinas eram usadas para colher maçãs, os proprietários do Rancho Maçã Doce insistiam em colhê-las da forma como seus ancestrais faziam a gerações. Por isso, a maioria dos trabalhadores precisavam ter pernas traseiras fortes, para que seus coices pudessem derrubar os frutos vermelhos brilhantes das árvores. Caramel, bem, vamos apenas dizer que sua força física deixava muito a desejar.

Enquanto ele tentava derrubar o fruto dos galhos com seus coices, não percebeu uma certa pônei laranja caminhando até ele. “Sabe, você vai se machucar se continuar fazendo isso.” Disse Applejack, pegando o pônei marrom de surpresa. Ela sorriu quando Caramel soltou um pequeno grito, recuperando o fôlego.

“Eu sei, mas tenho que terminar. Todo mundo está quase acabando, menos eu.” Respondeu Caramel dando um último coice na árvore. Nada aconteceu. Caramel estremeceu quando uma dor aguda subiu através de seus cascos traseiros. “Bem, talvez termine amanhã…” Pensou consigo mesmo.

Applejack balançou a cabeça e riu. “Eu avisei. Agora, por que você não tira o dia de folga? Na verdade, por que não descansa amanhã também?”

Caramel olhou para ela com uma expressão confusa no rosto. “Sério? Mas ainda tenho um monte de árvores para colher maçãs.” Insistiu. Applejack apenas balançou a cabeça novamente.

“Não se preocupe com isso agora.”Ela respondeu. “É feriado de Corações Aquecidos e você já fez o suficiente por hoje. Todo pônei que trabalha aqui está passando o tempo com seus entes queridos agora. Até Macintosh saiu mais cedo para ver Fluttershy. Aqueles dois são mais próximos do que um pégasus e uma núvem.” Ela desviou seus olhos de Caramel. “Além disso, você não quer fazer sua companhia te esperando, quer?” Os olhos de Caramel arregalaram por um instante.

Companhia.

As memórias de Caramel voltaram há três meses atrás. Ele estava freqüentando o Grande Baile Galopante depois de levar Applejack e suas cinco amigas para Canterlot (Rarity foi bastante persuasiva). Infelizmente, Caramel não tinha ninguém para ficar nesta grande ocasião. Toda sua família vivia do outro lado da Equestria, para sua vergonha. Ele não tinha nem uma companheira. No entanto, tudo isso iria mudar em breve, assim que ele pôs seus olhos sobre um anjo disfarçado de pônei. Sua crina era uma bela mistura de roxo escuro e rosa. Lembrou-se o quão majestoso era seu vestido de baile e como ele elogiou suas suaves curvas. Oh, como ele queria desesperadamente falar com ela, mas simplesmente não conseguia ter forças para isso. Ele estava prestes a perder toda a esperança até que seu amigo, Pokey Pierce como o chamavam por causa de sua mania de estourar os balões em toda festa que participava, trotou até ele. Ele havia notado como Caramel estava secretamente observando a bela pônei, mas sem tomar iniciativa. Pokey tentou ajudar seu amigo, na esperança de aliviá-lo da solidão.

“Sabe, ela não vai estar lá a noite toda. Vá falar com ela.” Pokey disse a ele. “A vida é muito curta para não fazermos as coisas que desejamos. Você não quer morrer de arrependimento, quer?” As palavras de Pokey realmente tinham sabedoria. Caramel ouviu as palavras de seu amigo e ficou pensando. Ele decidiu que Pierce estava certo e que se não quisesse ter nenhum arrependimento na vida, deveria colocar pra fora o pônei que havia nele. Então estufou o peito, segurou a cabeça erguida, e correu até a pônei sedutora, só para tropeçar e cair com a cara no chão. Ele amaldiçoou qualquer entidade divina pensando que seria engraçado fazê-lo o mais desajeitado pônei já existente. Caramel parecia estar ouvindo uma voz em sua cabeça. Era uma doce e suave voz que soava como música para seus ouvidos.

“Minha nossa, você está bem?” A voz perguntou para ele. Ele olhou para cima e viu cada pônei próximo olhando para ele, incluindo a sublime pônei por quem tinha caído. Ela o observava com um olhar preocupado, com seus radiantes, azuis e brilhantes olhos. Ele amava aqueles olhos.

Caramel se levantou do chão e limpou a sujeira do seu casaco. “Sim, estou bem, mas meu ego nem tanto.”

Ela suspirou aliviada. “Obrigada Celéstia, por um segundo fiquei preocupada.” Ela disse. Para tornar essa longa história mais curta, digamos que Caramel e a pônei, cujo nome era Bon Bon, se conheceram muito bem. Ele ficou animado quando ela disse que morava em Ponyville também e a convidou para sair naquele dia. Caramel, desajeitado, havia ido a um encontro com a pônei mais divina que já tinha tido a sorte de lançar os olhos. Eles tinham ido a um restaurante simples próximo aos limites de Ponyville. Bon Bon adorou sua natureza doce, gentil e seu senso de humor. Caramel amou sua beleza e doçura. Desnecessário dizer, ambos tiveram um excelente momento. Após seu primeiro encontro, raramente os dois eram vistos separados. Caramel havia decidido morar com Bon Bon, sem saber que ela poderia não estar muito feliz com isso.

Seus pensamentos foram interrompidos por Applejack, o chamando. “Caramel? Equestria para Caramel? Pode me ouvir?”

Ele balançou a cabeça vigorosamente. “Oh, desculpe Sra. Applejack. Devo ter ficado distraído por um tempo.”

Applejack apenas riu. “O que vamos fazer contigo? Bem, pode ir, tem uma companheira esperando por você. Eu cuido do resto do trabalho.” Disse Applejack e, com isso, Caramel trotou até Bon Bon. Enquanto corria, percebeu que estava ficando um pouco escuro e o ar mais frio. Felizmente, ainda não tinha começado a nevar. Ele correu mais rápido, cuidando para não sofrer outro tropeço e acabar no escritório do Dr.Hooves com o rosto cheio de cortes e contusões. O pônei marrom finalmente chegou até o seu destino e viu que a porta estava destrancada. Quando entrou na pequena casa que dividia com Bon Bon desde o mês passado, foi subitamente envolvido por um doce aroma que vinha da cozinha. Caramel foi até lá e viu a pônei que ele tanto amava no forno, mexendo em um pote de metal com uma colher de pau. Ele aproximou sorrateiramente por trás dela e a envolveu com as pernas dianteiras, a surpreendendo e fazendo com que ela acidentalmente deixasse cair a colher.

“Olá querida, o que está cozinhando?” Perguntou Caramel, enrolado no pescoço macio Bon Bon. “Cheira tão doce.” Ele pensou imerso em seu doce perfume.

“Você está bem adiantado. Applejack lhe deu o resto do dia de folga?” Perguntou Bon Bon apreciando o toque suave do seu companheiro. Apesar de estar um tempo frio lá fora, sentia todo o calor de seus cascos. Como ela amava profundamente a sensação de seus cascos macios, suaves a acariciando.

“Sim, ela foi boa comigo e me deu folga no dia de amanhã também. Acho que significa que você está presa comigo por dois dias inteiros.” Caramel brincou, liberando seu contato com Bon Bon, para seu desapontamento.

“Eu estou assando alguns bolos de fruta para o dia de Corações Aquecidos. Meus pais farão uma visita e estão morrendo de vontade de conhecê-lo.” Disse Bon Bon com uma pitada de preocupação em sua voz. Caramel imediatamente notou seu desconforto e estendeu um casco para acariciar sua bochecha.

“Não se preocupe querida, tenho certeza que seus pais vão gostar de mim.” Caramel assegurou a ela. Ele sempre parecia encontrar uma maneira de fazê-la se sentir melhor quando estava um pouco estressada. “A propósito, notei que você já arrumou a árvore.” Ele apontou para a sala de estar. Lá, escondida em um canto perto da janela, havia um pequeno pinheiro trazido pelos ursos do norte da Tundra. Ela foi decorada com enfeites brilhantes que eram as cores do feriado tradicional de Corações Aquecidos (vermelho, verde e branco). A ponta da árvore foi adornada por um sol dourado, símbolo de uma das monarcas de Equestria.

Bon Bon sorriu. “É bonito? Lyra veio à tarde para me ajudar a arrumá-la. Na verdade, foi surpreendente. Ultimamente ela parece deprimida com alguma coisa. Isso realmente está começando a me preocupar. De qualquer forma, acho que vai acabar tudo bem.”

Caramel observava a árvore com um olhar crítico. “É maravilhoso, absolutamente incrível, querida.” Ele elogiou. “Na verdade, eu… Bon Bon, por que está me olhando assim?” Quando ele se virou, Caramel notou um sorriso malicioso no rosto de sua amada. Ela apontou um casco para o teto acima deles. Ele olhou para cima, onde viu um pedaço de visco pendurado, com suas folhas verdes refletindo a luz da lareira. Caramel logo sentiu seu rosto ficar corado e quente. Ela foi ficando cada vez mais perto dele.

“Uh…” Ele estava prestes a dizer alguma coisa, mas foi silenciado por um par de doces lábios pressionados sobre os seus. Seus olhos se abriram, pela segunda vez naquele dia, mas logo os fechou e beijou-a de volta, renovando seu vigor. Foi um beijo rápido, mas para eles, parecia que durou uma eternidade. Caramel trouxe a sua perna da frente, puxando a dela para ele, aprofundando o beijo. Ele abriu a boca, permitindo que sua língua entrasse e explorasse cada centímetro. Após algum tempo, para sua decepção, eles logo se separaram. Eles se olharam nos olhos sem dizer uma palavra. Logo, Bon Bon começou a fazer seu caminho para as escadas que levavam ao seu quarto. Caramel estava prestes a dizer algo quando foi silenciado pelos olhos dela olhando diretamente nos seus. Ela não tinha nada pra dizer. Ele sabia exatamente o que ela queria dele. Ela continuou a subir as escadas com Caramel a seguindo para o quarto, fechando a porta atrás dele.

Receio que não posso relacionar os fatos ocorridos na sala pois seria uma invasão terrível da suas vidas privada. Eu espero que vocês possam encontrá-lo em seus corações para me perdoar, queridos leitores.

Caramel foi o primeiro a acordar de seu sono. Os raios de sol foram fluindo através das janelas do quarto, aterrissando bem em seus olhos. Sua cabeça ainda estava repetindo os eventos que ocorreram durante a noite anterior. As memorias faziam ele sorrir. Naquele momento, Caramel sabia que esta era a pônei com quem ele queria passar o resto de sua vida. Com quem ele sempre daria amor e carinho, mesmo quando seus corpos ficassem doentes e fracos, com a lenta passagem do tempo. E a quem ele seria capaz de proteger, apesar de todos seus defeitos e fraquezas. Tentou fechar os olhos e voltar ao seu sono tranquilo, mas foi interrompido pelas agitações da linda pônei que estava envolta em seus braços. Ela abriu seus olhos sorrindo para ele, que deu um rápido beijo nos lábios dela.

“Bom dia, Bon Bon. Dormiu bem?” Perguntou Caramel, esfregando carinhosamente seu focinho nela. Ele deu-lhe outro beijo, sendo este mais lento e mais sensual.

Bon Bon riu e acariciou seu rosto com o casco. “Como um potro. Sabe, você foi minha primeira vez.” Ela disse com um sorriso no rosto.

Caramel ficou vermelho com a sua confissão de amor. “Mesmo? Bem, assim era você.” Agora era sua vez de ficar vermelha. Caramel de repente apontou seu casco para as janelas. “Veja Bon Bon. Está nevando lá fora.”

Ela se virou para seu lado e olhou para fora. Na verdade, os pequenos flocos brancos estavam descendo lentamente, cobrindo a cidade com um manto branco. O reflexo do sol fazia a neve já no solo brilhar como as jóias mais preciosas das montanhas geladas. A visão a fez sorrir. Ela agradeceu silenciosamente à Deusa Imortal por abençoá-los com este dom magnífico e também por permitir que ela compartilhasse a maravilhosa Equestria com o melhor pônei do mundo. Ela sempre guardaria este momento para muitos outros invernos.

Ela virou-se novamente para seu amado e deu-lhe um beijo em seus lábios. “Feliz Corações Aquecidos, Caramel.”

Ele sorriu e a beijou de volta “Feliz Corações Aquecidos, Bon-Bon.”

Ambos fecharam os olhos e voltaram para a felicidade calma de seus sonos, só para serem acordados por uma batida forte na porta da frente. “Oh minha nossa, eles já estão aqui?” Exclamou Bon Bon enquanto desembrulhava-se dos braços de Caramel.

Caramel estava completamente confuso. “O que há de errado?” ele perguntou. “Quem está aqui?”

Bon Bon se virou para Caramel. “Meus pais! Eu pensei que eles só chegariam à noite. Oh, isso é mal!” ela gemeu enquanto procurava no armário algo decente para vestir.

Caramel levantou-se da cama e caminhou até sua companheira. “Acalme-se Bon Bon, vai ficar tudo bem, ok?” Ele tentou assegurar-lhe. Ela se virou e franziu a testa para ele.”Me acalmar? Como posso me acalmar?” Ela gritou. “Você sabe mesmo o que poderia acontecer? Eles podem dizer que você não é bom o suficiente para mim. Podem nunca mais querer falar comigo. Como você pode ficar tão calmo quanto a isso?”

“Olhe Bon Bon, sei que você está muito nervosa agora.” Ele disse. “Mas se preocupar sobre o que vai acontecer não vai te ajudar. Você não tem nada a temer enquanto eu estiver com você. Então pare de tremer, você não quer que seus pais fiquem esperando no frio, quer?”

Se tinha uma coisa que Bon Bon amava e odiava em Caramel ao mesmo tempo, era a sua visão simples e fácil sobre tudo. Ela respirou profundamente, finalmente retomando a compostura. “Você está certo. Obrigada.” Ela disse e ambos desceram para receber seus pais.

Bon Bon trotou até a porta e a abriu. Do outro lado, havia dois pôneis bastante elegantes. O maior deles, um pônei cinza com uma crina púrpura envelhecida com a idade, estava vestindo um terno bastante extravagante que parecia fora do lugar, considerando o ambiente acolhedor em que estava. A outra era uma pônei pequena vestindo um casaco castanho que combinava com Bon Bon e sua crina rosa. Ela usava um vestido com cores alegres e babados nas extremidades. Para qualquer pônei que não os conheciam, poderiam dizer que eles pareciam estar vestidos para agum jantar importante em Canterlot.

Bon Bon os abraçou e deu um beijo em cada um deles. “É tão bom ver vocês! Faz tanto tempo.” Ela cumprimentou.

A mãe abraçou-a de volta. “É muito bom ver você também querida. Raramente você vem nos visitar hoje em dia.” Ela disse. “Então, onde está o pônei de quem você estava falando?” O pai pigarreou alto. “Sim, eu gostaria muito de conhecê-lo.”

“Já estou indo.” Disse Caramel trotando até a entrada. No entanto, parecia que o destino decidiu que seria uma grande diversão arruinar a vida do pobre Caramel nesse dia importante. Assim que ele trotou até os pais de Bon Bon, seu casco tropeçou em um pequeno pedaço de madeira jogado no chão, fazendo-o tropeçar e cair bem em cima do pai de Bon Bon. Ambos caíram no chão com Caramel deitado em cima dele. Bon Bon levou o casco até sua testa. “Essa não.” Pensou consigo mesma.

Caramel levantou-se rápido de cima do pai dela. “Oh Deusa, eu sinto muito, senhor. Foi um acidente, me perdoe, por favor.” Ele se desculpou, na esperança de reparar o que restou do desastre. O pônei cinza se levantou e limpou a poeira de sua roupa. Ele começou a olhar para Caramel com um olhar severo sobre suas feições. Ele estava seriamente preocupado agora. E se eles não quiserem que sua filha fique com alguém tão desajeitado como ele? O pônei marrom sentiu toda a confiança que tinha adquirido enquanto conversava com Bon Bon drenando para fora de seu corpo, deixando-o fraco. Apenas ficou parado, esperando as pedradas de insultos que seriam jogadas contra ele.

Mas isso não ocorreu. Ao invés disso, o pai dela riu baixinho, antes de começar a gargalhar. “Oh, não se preocupe, meu rapaz, esse tipo de coisa acontece. Quando era jovem, era tão desajeitado quanto você.” Ele disse. Naquele momento, tanto Caramel quanto Bon Bon sentiram-se aliviados.

A mãe se aproximou do pônei marrom, rindo da cena. “Sim, ele certamente era bastante desajeitado. Na verdade, foi por causa de sua falta de jeito que nos conhecemos. Eu ainda me lembro como se fosse ontem.”

O rosto de Caramel ficou vermelho brilhante. “Assim como eu e Bon-Bon.” Ele lembrou.

O pai de Bon Bon limpou sua garganta mais uma vez. “Agora, por que não entramos e saímos desse frio? A viagem nos deixou famintos.” Disse o pônei. “Enquanto esperamos Bon Bon terminar de cozinhar, vamos falar sobre o dia em que minha querida esposa e eu nos conhecemos. “

Bon Bon sorriu com a conversa. O pai dela não estava insultando Caramel. Na verdade, era o contrário. De repente, as palavras de Caramel estavam começando a soar verdadeiros para ela. Ela sentiu-se confiante de que tudo viria para melhor.

“Até mais, foi bom ver vocês de novo!” Bon Bon gritava ascenando para seus pais. Eles acenavam de volta enquanto iam embora.

“Ufa, tudo correu bem.” Suspirou Bon Bon. De fato, o encontro foi ótimo. Seu pai partilhou de histórias sobre o dia que serviu na guerra de Pony-Griffin, com Caramel ouvindo com grande interesse, enquanto sua mãe lhe dava algumas dicas sobre como agradar seu companheiro caso um dia eles se casassem, para seu embaraço. Ainda assim, os pais realmente pareceram gostar de Caramel e o convidaram para visitar a propriedade deles perto de Trottingham. Parecia que seus pais estavam contentes por Bon Bon ter escolhido o pônei certo para ela. Ela se sentou em sua cadeira à mesa e tomou um gole de vinho.

“Viu, eu disse que tudo acabaria bem.” Caramel a tranquilizou. Ele olhou para a comida que foi colocada sobre a mesa. “Agora, o que faremos com todas essas sobras? Seria uma pena jogar fora.”

“Bem, sempre podemos terminá-los mais tarde durante o inverno. Bon Bon respondeu. “Mas agora, por que não voltamos lá para cima?”

Caramel sorriu. “Você nem precisava perguntar.” Ele respondeu e ambos voltaram para o conforto de seus abraços.

Fanfic, Fanfics nacionais

Sem Palavras para Descrever – Livro I – Cap. 1 – Empolgação

Livro I - Cap. 1 - Empolgação

Autor: Grivous

Gênero: Normal, Triste, Drama, Romance

Sinopse: ”Em alguns dias, um show será apresentado na pequena cidade de Ponyville, como o último show da carreira musical de uma musicista muito famosa de Canterlot: Octavia. Twilight Sparkle e suas amigas ficaram encarregadas de aprontar os preparativos para o Grande Evento. Os fantasmas de seu passado continuam assombrar a jovem musicista, a ponto de isolar-se do mundo e daqueles que ama. Num único evento, cheio de reviravoltas e grandes emoções, ela está para descobrir algo muito mais do que apenas o fim…”

LIVRO I :

Apresentação

Prólogo

Capítulo 2 – Cascos e Coices

Capítulo 3 – Desinformado e Desinteressado

Capítulo 4 – Convidado ou Intruso?

Capítulo 5 – Casa da Mãe Joana

Capítulo 6 – Recuperação

Capítulo 7 – Algo a mais

Capítulo 8 – Amanhã

LIVRO II:

Capítulo 1 – Caminhada

Capítulo 2 – Muffin

Capítulo 3 – Companhia

Capítulo 4 – Mudanças

LIVRO III:

Capítulo 1 – Ausência

———-

 

Equestria — Vila dos Pôneis. 13 de Fevereiro, 09:43 da manhã.

Seis meses atrás…

O sol reluzente da manhã estava um pouco mais alto que a montanha mais alta de Ponyville.

Era um dia bem típico aos gentis cidadãos do vilarejo. Esse dia, porém, tinha um sabor diferente no ar; de empolgação. Os pacíficos pôneis estavam com uma vibrante, e bem visível, energia. Eles corriam e trotavam por todo o lugar, fazendo seus afazeres muito rápido. Eles não paravam nem um segundo para respirar ou nem mesmo para uma limonada geladinha. Uma unicórnia roxa em especial no meio da praça central apontava com seu casco, dando tarefas e funções para os pôneis agitadíssimos.

— “Algum pégaso precisa limpar o céu!” — exclamou a unicórnia roxa enquanto olhava para o alto.

A unicórnia era a Twilight Sparkle. Uma jovem unicórnia com uma longa crina nas cores roxo escuro, roxo normal e rosa misturadas em mexas e olhos de cor violeta. Ela falava diretamente com um pégaso em pleno ar.

— “Rainbow!” — exclamou Twilight, apontando para Rainbow Dash, um pégaso azul com uma crina média com as cores indêtincas ao do arco-íris e olhos lilás, que voava por perto. — “Chame alguns pégasos com você e dê um jeito nessas nuvens!”

— “Xá comigo!” — disse Rainbow Dash com o casco em sua testa. Ela apontou para três pégasos que estavam perto dela e voaram em direção ao céu. — “Vamulá, galera!”

Twilight olhava ao redor enquanto trotava pela entrada de Ponyville, até que viu duas pôneis na tentiva erguer um banner, puxando-o com as cordas entre os dentes. O chifre de Twilight começou a brilhar, dando-lhes um “cascozinho”. O banner finalmente ficou de pé e as duas pôneis sorriram para Twilight, agradecidas.

— “Muito obrigada, Senhorita Sparkle!” — disse uma das duas.

— “Não há de quê, meninas. Eu só–” — Twilight olhou para o banner e leu em voz alta.

— “Hã? ‘Bem-vinda à Ponyville, Octav’ ?!” — Twilight levantou uma sobrancelha de sua testa. — “O que houve com o resto do nome?”

— “Não conseguimos colocar ele todo…” — explicou a outra pônei de crina encaracolada azul-marinho.

— “Não podemos erguer um banner que diz ‘Bem-vinda à Vila dos Pôneis, Octav’!” — acusou Twilight enquanto apontava para a pônei que tinha respondido. — “Nosso convidado é um músico, não um matemático acadêmico!”

As duas pôneis se entreolharam, confusas. — “Como é?” — perguntaram em coro.

Twilight bateu o casco na testa, exasperada — “Ai, deixa pra lá! É melhor nós abaixarmos esse banner e tentar de novo.”

As duas pôneis viraram os olhos, já era a terceira vez que elas ergueram esse banner e vão ter que descê-lo de novo. O chifre de Twilight brilhou mais uma vez.

De repente, uma corrente de ar invadiu a entrada da Vila dos Pôneis, fazendo o banner cair mais rápido do que deveria. Twilight percebeu que o banner caía rápido demais, ela deu meia volta e tentou fugir do banner mas era inútil.

Bonc!

As duas pôneis estavam em choque, com os cascos em suas bocas. Elas podiam ouvir a voz de Twilight debaixo do banner. — “Auuu… Isso não pode estar acontecendo…”

Indo direto ao Sugarcube Corner, perto da praça central de Ponyville, uma pônei de uma coloração rosa adentra a loja saltitando alegremente. Ela estava muito animada.

Uma voz feminina veio de dentro do Sugarcube Corner. Parecia bastante histérica.

— “Pinkie! Até que enfim! Por onde você andou, afinal?!”

— “Ah, oi, Bon-bon! Eu estava trotando aqui perto mas eu vi a Rainbow Dash e me lembrei que eu queria perguntar alguma coisa para ela que simplesmente surgiu em minha cabeça assim que a vi! Ela parecia estar muito ocupada porque ela tentou fugir sem mesmo responder a minha pergunta! Que grosseria! É uma grosseria não responder as perguntas dos pôneis quando eles perguntam a você, sabe? Imagine que eu ia pedir para ela sumir com uma nuvem eletrificada que estava perto da casa da Berry Punch e ela simplesmente foge? Então eu tentei seguí-la mas ela não desistia de fugir! Bom… No final, quem acabou desistindo fui eu porque a Twilight disse para eu parar de brincar e começasse a ajudar os pôneis da cidade para a grande grande dia! É amanhã, não é? Isso é tão emocionante! A violoncelista mais famosa de Canterlot! AQUI! Aliás, porquê ela está vindo para cá? É o último show dela, claro, mas porque ela escolheu a Ponyville? Há, tipo, centenas melhores lugares para fazer o grande estupendo show como ela está desejando fazer. E ela está vindo para cá de Canterlot! Canterlot, cê acredita?! Porquê ela não faz o grande gigantesco show dela lá? Eu gostaria de ir lá mais uma vez! É um incrível, engraçado, maravilhoso, lindo, estupendo, cheiroso e enorme lugar para se fazer a maior grande gigantesca festa do mundo! O que você realmente acha disso, Bon-bon?”

Silêncio. Podia ouvir alguém murmurando de dentro do Sugarcube Corner.

— “Hã… Bon-bon? Você está b–?” — Pinkie Pie foi interrompida por alguma coisa que bloqueou suas palavras de saírem de sua boca.

— “Apenas. Pegue. A farinha. Da dispensa.” — murmurou Bon-bon.

— “Tudo bem que beren–!” — Pinkie foi interrompida de novo.

— “Sem. Uma palavra.”

Dentro do Canto do Cubo de Açúcar, estavam: Pinkie Pie, uma jovem pônei cor de rosa com uma longa e bagunçada crina rosa-magenta e olhos azuis, pegando a farinha de dentro da despensa com a boca dela; Bon-bon, uma jovem pônei de cor amarelo esverdado com uma crina média e cacheada nas pontas de cores azul e rosa misturadas e olhos azuis, pegando uns biscoitos assados no fogão com um pano-de-prato em sua boca; Sra. Cup Cake, uma pônei adulta de cor azul claro com um topete médio de cores rosa-choque e rosa claro misturadas e olhos roxos, amassando uma bola de massa com um rolo; E seu marido, Sr. Carrot Cake, um pônei adulto de cor âmbar com uma uma curta crina alaranjada e olhos verdes, cortando algumas frutas para fazer uma deliciosa salada.

A entrada da loja estava vazia. Pinkie Pie, Sr. e Sra. Cake e Bon-Bon estavam na cozinha, fazendo muitos doces, comida, bebidas, e–

— “Cupcakes! São tão gostosos!” — Pinkie Pie começou a cantar quando ela jogou um pouco de farinha pro ar. — “Cupcakes! São saborosos! Cupcakes! Não sejam tão gulosooooss!”

— “Mmffhgg!” — tentou indagar Bon-Bon, mas estava segurando com a boca uma fôrma com biscoitos.

Bon-Bon largou a fôrma em cima da mesa que estava perto dela e olhou para Pinkie Pie. Ela não podia deixar Pinkie fazer o que bem entender na cozinha, não enquanto todos estavam tentando fazer comida e doces para todo mundo e com urgência.

— “Pinkie! Pare! Você está fazendo a maior bagunça! E NÃO SE ATREVA A LAMBER ESSA ESPÁTULA!!”

Daqui alguns dias, virão pôneis de todos os lugares: Pôneis de Canterlot, de Appleloosa, Manehattan, Cloudsdale, Trottinhan, enfim pôneis de toda a Equestria.

Pôneis famosos também estarão em Ponyville, tudo precisava estar bem apresentável e cheio de delícias para os visitantes(por que eles tem dinheiro; e esse dinheiro precisa ser gasto em alguma coisa, certo?).

Um pouco além do Canto do Cubo de Açúcar, nos deparamos com a praça central da cidade outra vez. Lá, Twilight Sparkle(que coisa azulada é aquela em cima da cabeça dela?) estava conversando com a Prefeita, uma pônei adulta cor de caqui com um topete médio das cores cinza claro e escuro e dois olhos azulados.

A unicórnia roxa parecia muito nervosa. Muito, muito nervosa. Além do mais, há algum pônei que não está nervoso nessa cidade?

— “Ai, Srta. Prefeita! Tem certeza de que está tudo bem? Digo, tudo está perfeitamente perfeito, mas e se não estiver perfeitamente perfeito o suficiente para ela? Ela vai estar chegando aqui dentro de alguns dias!”

— “Acalme-se, Srta. Sparkle!” — disse a Prefeita na tentativa de relaxar a agitada pônei roxa. — “Tudo está indo bem! Não precisa entrar em pânico.”

— “Pânico!? QUEM está em pânico?! Quem poderia estar em pânico quando a musicista mais famosa de Canterlot está vindo para cá, PARA CÁ, para realizar o último show de sua carreira!!?”

A Prefeita suspirou, esfregando o casco em sua testa.

— “Olha o stress, Twilight Sparkle.” — uma voz suave e feminina adentrou-se aos ouvidos das duas pôneis, — “Acalme-se antes que derreta a sacola de gelo… de novo.”

Surgiu perto delas uma pônei branca com uma longa e cacheada crina roxa, trotando elegantemente de sua chiquérrima loja de roupas, o Carousel Boutique.

Twilight olhou para o pequeno saco de gelo amarrado em sua cabeça. Ela abaixou levemente a cabeça, um pouco constrangida. Twilight levantou os olhos agora em direção ao pônei branco que se aproximava até ela elegantemente.

— “Desculpa, Rarity…” — começou Twilight Sparkle a se desculpar, com um tom meio tímido em sua voz — “Eu só estou–”

— “Nós TODOS estamos nervosos, minha querida!” — exclamou Rarity, sacudindo seu casco gentilmente. — “Mas ficando nervosa não vai resolver nada! Só irá arruinar esse seu belo e jovem rostinho!”

Rarity apontava para o rosto da Twilight; ela tinha um olho-roxo e um saco de gelo amarrado em sua cabeça.

— “E quanto mais nervosa você fica, mais estressada você se torna. E quanto mais estressada você se torna, mais cabelos brancos e peles enrugadas começarão a aparecer!” — Rarity colocou seu casco em seu peito demostrando uma feição de nojo em seu rosto, — “Argh! Que horror!”

A Prefeita ergueu uma sobrancelha, encarando diretamente para Rarity. As linhas em seu rosto estavam cobertas, mas ainda assim visíveis, com uma detalhada maquiagem para escondê-las e a cor pálida de sua crina não demonstrava timidez diante dos pôneis; apenas intimidação sobre a Rarity.

— “A-haha…!” — Rarity limpou a garganta e olhou desconfortavelmente para a Prefeita. — “Digo… Sem ofensas, né, Srta. Prefeita…?” Rarity sorriu falsamente para a Prefeita.

— “Não ofendeu…” — replicou a Prefeita, obviamente ela estava ofendida.

— “Agora, Srta. Sparkle, se você está tão preocupada com a nossa organização, podemos rever a lista de afazeres da semana para a chegada do nosso ilustre convidado.”

A Prefeita lentamente apontou para a fazenda Sweet Apple Acres. Twilight seguiu o casco da Prefeita com o olhar, virando a cabeça.

— “Applejack e sua família estão catando e catalogando cada maçã de sua fazenda para que possamos fazer os melhores receitas de maçã para o grande show.”

A pônei com a pelagem cor de caqui então ergueu seu casco, apontando para o céu; A cabeça de Twilight acompanhou o casco da Prefeita até o expansivo azul.

— “Em seguida: Todos os pégasos estão em alerta. Eles não deixarão nenhuma tempestade interromper o Grande Evento que irá acontecer daqui alguns dias.”

— “Vamulá, meninas! Mexam essas asas COM GOSTO!” — bradou Rainbow Dash para as três pégasos que estão com ela no céu, desmanchando as nuvens.

A Prefeita descansou seu casco no chão, agora gesticulou o mesmo para o Sugarcube Corner, que estava próximo a elas. Twilight continuou seguindo o casco da Prefeita com olhares e viradas com a cabeça. As gotículas de gelo que escorria entre a crina de Twilight agora ficavam voando pelo ar a cada virada de cabeça dela. Rarity também acompanhava junto com ela.

— “Pinkie Pie, Bon-Bon e Sr. e Sra. Cake” — continou a Prefeita. — “estão fazendo o melhor deles tentando fazer o máximo de comida, bebida e doces para o Grande Dia.”

De repente, uma voz fina e perturbada bradou de dentro do Canto do Cubo de Açúcar.

— “PARE DE LAMBER A PORCARIA DA ESPÁTULA, PINKIE!”

Pinkie Pie, com uma rápida resposta, disse — “Mas está coberta de chocolate! Eu PRECISO lambê-la!”

Os sons de cascos e talheres de cozinha caindo ao chão encheram a cozinha. Haverá problemas… e não é preciso ser adivinho para prever isso.

— “Muito bem, agora já chega, Pinkie Pie!” — Bon-Bon, com um puxão, arrebentou seu avental, largou suas ferramentas de trabalho culinário e começou a correr atrás de Pinkie Pie, com o nariz bufando.

Uma segunda leva de sons de cascos se juntou à confusão: Ambos barulhos soavam cada vez mais alto e cada vez mais rápido. Como nenhuma delas saíram para a entrada do estabelecimento ou para fora do mesmo, é dedutível de que elas estejam correndo em círculos; em volta de uma mesa.

— “Ei, ei, ei! Não seja tão Sra. Egoísta da Silva Souza, Bon-Bon!”

O número de utensílios caindo aumentou, e, com ele, o volume das vozes. Que bagunça está acontecendo dentro daquela cozinha…

— “Pinkie! Me dá essa espátula! AGORA!”

A pônei rosa não desistia. Aquela espátula coberta de chocolate valia mais do que ouro para ela.

— “Mas eu quero lambe-ê-ê-ê-ê-êêêê-lá!!”

A Sra. Cake não podia aguentar mais aquele caos dentro daquela cozinha e começou a exclamar para as pôneis problemáticas:

— “MENINAS, POR FAVOR, PAREM COM ISSO ANTES QUE VOCÊS DERRUBEM–”

Com um baixo(porém audível) “Pluf”, uma nuvem branca espessa começou a sair pela janela do Canto do Cubo de Acúcar. O caos havia acabado… por enquanto.

Twilight levou seu casco aos seus olhos, esfregando-os, — “Oh, Pinkie…” Pensou Twilight.

— “Como eu tinha dito,” — Murmurou a Prefeita enquanto ajeitava seu branco topete com um dos cascos. — “Estão fazendo o melhor.”

Ela tossiu alto, tentando chamar a atenção das duas, — “Bom, vamos seguir em frente. Sobre nossos convidados: Derpy Hooves é a única pônei responsável nesta área. Ela está enviando cada convite aos seus respectivos destinatários em cada casa de Ponyville e de toda Equestria.”

— “Ah, que óti– Esperaí, “a única responsável”?!” — Twilight girou bruscamente a cabeça, olhando para ambas Prefeita e Rarity, atônica. — “Não tem mais nenhum? E ela pretende enviar TODOS os convites em TODA Equestria?! E SOZINHA?!”

— “Sim.” — responderam a Prefeita e a Rarity em coro.

— “Mas, mas, mas…! Isso…!” — As palavras não saiam da boca de Twilight. Como é possível um pônei fazer isso tudo? Ela acredita que nem Rainbow Dash, ou nem mesmo os próprios Wonderbolts, seriam capazes de tal proeza. Ela, sim, era um pônei um tanto… peculiar.

— “Há algum problema, Twilight, querida?” — Rarity olhava para ela, estranhando a surpresa de Twilight.

— “Não! Claro que não, Rarity! Por quê haveria?! Ha…hahaha… haha…!”

A Prefeita e a Rarity se entreolharam, confusas e um pouco assustadas.

— “Mas… Caham! … quem é Derpy Hooves? Eu não me recordo muito bem dela desde que vim a Vila dos Pôneis(ou nem mesmo ouvi falar dela)…”

A Prefeita voltou a apontar seu casco para o céu, acima da cabeça de Twilight. Twilight encarou um pouco a Prefeita, confusa. Mas, mesmo assim, ela ergueu a cabeça para o céu e viu um ponto de cores cinza e amarelo voando na abóbada azulada. Um pégaso de cor cinza, com uma crina média amarelada, voando com uma sacola marrom cheia em suas costas. Era o que Twilight via no céu.

Por algum motivo, parecia que aquele pégaso estava pegando algum tipo de impulso porque estava voando alto, e mais alto. E mais alto.

— “O que ela está pensando em fazer? Será que…” — Twilight tenta olhar para onde Derpy estava “mirando”.

Fazendo os cálculos de cabeça, Twilight calcula o ângulo em que a pônei cinza se encontrava, em que direção ela está “mirando” e de onde o vento está ventando, ela descobre onde seria o possível “alvo” de Derpy: A casa da Fluttershy.

— “Não… Ela não va–” — Antes que ela terminasse, a pégaso cinza colidiu com o teto da casa da Fluttershy.

CRASH!

— “Aimêdeusminhanossasinhoradospôneis! Ela atravessou a casa da Fluttershy!” — a unicórneo roxa começou a trotar em círculos, desesperada, — “Minha santa Celestia! Ela pode ter se machucado! Ou ter morrido! Ou ter machucado Fluttershy! Ou ela e a Fluttershy terem se machucado e morrido! Temos que chamar alguém! Temos que–”

Twilight olhou para a Rarity e para a Prefeita. Ambas quietas, paradas, sem nenhuma reação ao acontecido.

— “Por quê estão paradas?! O que as impedem de–”

As duas calmamente apontaram. Twilight lentamente olhou para aonde as duas apontaram, o que seria o telhado da casa da Fluttershy.

Do buraco do telhado da casa, uma pégaso cinzendo reapareceu, saindo perfeitamente intacto dele. Sem nenhum aviso prévio, ela se preparou para mais um impulso. E com um giro rápido, mergulhou descontrolavelmente e colidiu com mais uma casa. Uma voz jovem em resposta podia ser ouvido de dentro de sua casa, gritando:

— “MEU TELHADO!”

Mais uma vez, Twilight levou seu casco diretamente em sua testa. Desta vez, foi forte o suficiente para fazer um “clop” alto.

— “AI!” — Sobressaltou Twilight, esquecendo da dor de cabeça. — “Porcaria! Ai, essa doeu muito…”

— “Calma, Twilight.” — Rarity chegou divinamente para perto da Twilight, acariciando seu ombro de leve. — “Precisa tomar cuidado com essa cabeça. O que você viu é completamente normal…”

— “ ‘Normal’?! Imagine se não fosse…!” — Pensou Twilight, esfregando um pouco a cabeça dolorida.

— “CAHAM!” — A Prefeita chamou atenção das duas, com um som muito esquisito de sua garganta.

Rarity e Twilight viraram a cabeça ao encontro da Prefeita.

— “E…!” — sua impaciência demonstrava que não aguentava mais tantas interrupções durante seus discursos, — “… É claro, a Srta. Rarity está–”

“Sim!” — Rarity interrompeu, entrando em cena com o casco sobre o peito, sentindo os holofotes imaginários apontando para ela, — “Eu estou fazendo todas as decorações para quando a nossa ilustremente chiquérrima convidada chegar! Sweetie Belle e suas amigas companheiras estão… me ajudando um pouco. Hehe” — O olho da Rarity soltou uma pequena e involuntária piscada.

Numa apararição mais rápido que um corisco, três pequeninos pôneis apareceram do nada. A irmã mais nova de Rarity, Sweetie Belle, uma pequena unicórnea branca com uma crina curta das cores rosa e roxa claras e olhos verdes; A irmã mais nova de Applejack, Applebloom, uma pequena pônei com uma crina média com mechas avermelhadas, pêlo amarelado e olhos cor de mel; e, por fim, Scootaloo, uma pequena pégaso com uma crina de cor fúcsia, uma pelagem alaranjada e olhos púrpuras.

    Coletivamente em coro, elas são:

— “CUTIE MARK CRUSADERS! AGORA DESIGNERS DE DECORAÇÕES! YAY!”

— “WHOA-HAAA!! MENINAS!”

Num piscar de olhos, as três pequeninas sumiram, correndo para dentro do Carrousel Boutique.

— “EI! Esperem…! GRRR! Essas meninas são incontroláveis!” — disse Rarity, bufando pelo nariz, — “Como Fluttershy consegue?!”

Twilight apenas rolou os olhos.

— “CAHAM. Enfim, Srta. Sparkle,” — continuou a Prefeita após a interrupição, — “Não há necessidade para tal preocupação! Apesar dos possíveis obstáculos que apresentam em nossa atual rotina de afazeres para o Grande Dia, tudo está prosseguindo agradavelmente, na minha sincera opinião. Isso era o que eu mais esperava de você, Srta. Sparkle. Essa é a SUA área; VOCÊ é quem organizou tudo!”

Twilight sentiu seu rosto corar, ela esqueceu completamente de que ela é quem fez e está fazendo toda a organização para o Grande Dia.

— “É… Acho que a senhora tem razão, Prefeita… é que… é difícil relaxar em momentos estressantes como esse. Mas… é… eu acredito que está tudo bem, mesmo.”

— “Sim, tudo.” — reafirmou a Prefeita, reconfortando Twilight com uma esfregadinha leve na cabeça.

Rarity veio logo em seguida, esfregando o rosto na bochecha de Twilight. — “Não se preocupe, Twilight, nós todas estamos aqui. Para ajudar e realizar o nosso trabalho!”

— “Sim, você está certa, Srta. Rarity! Devemos dar o nosso melhor para um agradável resultado para todos os pôneis. Confiando nos corações e na força de vontade de cada pônei, podemos qualquer coisa.”

A Prefeita fez uma breve pausa.

— “Nós confiamos em você, Twilight Sparkle. Você confia em nós?”

Twilight olhou surpresa para Prefeita, ela não acreditou no que acabara de ouvir.

— “Ela… me chamou de Twilight?”, pensou ela.

Twilight Sparkle sentia uma vibração diferente do que estava sentindo agora pouco. Uma sensação de segurança e bem-estar pairou ao redor dela. A confiança e a atitude voltou a fluir de dentro dela graças às calorosas e reconfortantes palavras da Prefeita e da Rarity.

— “Sim, eu confio em cada pônei em Ponyville…” — Twilight não pôde se conter da alegria que ela sentia naquele momento. Um calor gostoso era sentido em seu coração, um aperto no peito; como se fosse um abraço.

— “Obrigada…” — pensou Twilight Sparkle quando abaixou levemente a cabeça, lágrimas discretamente começaram a encher os olhos dela, — “Muito obrigada, fico muito feliz perto de pôneis como vocês…”

Twilight Sparkle, finalmente, estava calma e sentimentavelmente segura. A Prefeita gentilmente encostou o casco por baixo do queixo de Twilight e ergueu levemente o rosto dela.

—  “Tudo certo, então. Nós temos agora de voltar aos nossos afazeres. Todos os pôneis, incluindo nós duas, devemos nos preparar para a chegada da Srta. Octavia!”

Twilight e Rarity sorriram de excitação. Daqui alguns dias será um estupendo momento para os cidadãos da Vila dos Pôneis. E para um pônei em particular…

A janela da cozinha do Canto do Cubo de Açúcar abriu num estalo, deixando esvoaçar outra camada de farinha pelo ar.

— “EI, TWILIGHT!” — uma pônei rosa coberta de farinha e com a crina toda bagunçada(mais do que normalmente é) apareceu na janela, toda selerepe e falando num tom infantil, — “Essa cozinha tá uma maior BAGUNÇA! Essa é a bagunça mais bagunçada de todas as bagunças que já vi em minha vida!”

— “Hã… Legal, Pin–”

— “MAS nós já conseguimos fazer um monte de doces, bolos, tortas, cupcakes, biscoitos, bolinhos, doces, sucos… Eu disse ‘doces’ de novo? EI! O que vocês estão fazen–”

Pinkie Pie encarou Twilight Sparkle totalmente surpresa. E foi o suficiente para deixar Twilight um pouco preocupada para o quê ela está encarando.

Twilight arriscou perguntar, — “Hã… Sim, Pinkie? Há… algum problema?”

— “Você não deveria ter somente um chifre, Twilight?” — Pinkie Pie olhava para o galo na cabeça de Twilight, agora visível por que o gelo dentro do pacote já derreteu todo.

Equestria – Canterlot. 13 de Fevereiro, 12:34 da tarde.

Canterlot. Uma das grandiosas cidades em Equestria. Um lugar cheio de artesãos; feiticeiros mágicos e encantados; e pôneis famosos a cada metro quadrado nas ruas.

Alguns pôneis andavam pelas ruas da cidade, rindo e conversando, felizes e bem-humorados, assim como deve sempre ser. E porquê eles não deveriam estar? Eles estão cercados pelo melhor do melhor. A Praça Central tem um belíssimo parque de vida selvagem, cheio de pássaros, coelhos, tartarugas e entre outros animais; um enorme lago cristalino com patos, gansos e vários tipos diferentes de peixes e outros seres aquáticos; era divino o lugar. Essa cidade é o paraíso dos pôneis e um sonho para todos os pôneis sonhadores.

Princesa Celestia e Princesa Luna, juntas em seu palácio, formam o ponto central de Canterlot. A base de operações dos Wonderbolts, da FAE, permanece perto do palácio. Dentro da base de operações, no Corredor da Fama, permanecem os retratos dos mais importantes e lendários integrantes dos Wonderbolts da atualidade, consagrados pelos grandes feitos realizados pelos povos de Equestria. Dentre eles, são destacados o formidável Blizzard, a brilhante Misty, o eternamente faminto Soarin, a poderosa Spitifire, o apropriadamente denominado Blast, e o motorizado Tyco.

 Pôneis famosos e “modernos” como Photo Finish, Hoity Toity e, claro, Shappire Shores, todos vivem em suas luxuosas e gigantescas mansões, apenas à alguns metros dos monumentos celébres: A Praça Central, o Castelo das Princesas, e a base de operações dos Wonderbolts. Essas casas luxuosas são(naturalmente) as primeiras da rua principal, e essas mesmas casas formam o início de um expansivo corredor urbano denominado “Avenida dos Famosos”.

Poucos pôneis conseguem comprar uma casa nessa rua. E pouquíssimos são presenteados com uma casa nessa rua, nem que seja a última; localizada na ponta da Avenida.

E o pônei presenteado com uma casa em meio dessa rua recheada de famosos e pôneis importantes foi, é claro, Octavia.

Apesar de sua fama músical, Octavia vivia modestamente em uma casa com apenas dois andares e um simples, mas impecável, jardim com flores e moitas geometricamente cortadas. No recinto do jardim havia algumas margaridas, uma fileira de rosas e tulipas e um cantinho especial somente para as papoulas. No portão da frente, havia três significativas caixas de correio. O primeiro estava completamente e eternamente cheio de cartas; nele estava escrito “Fãs”. Na segunda caixa de correio estava escrito “Patrocinadores”. Não estava tecnicamente cheio, mas uma significativa pilha de várias cartas habitava o interior dele. E, na terceira caixa de correio, estava o mais longo título dentre as três, “Família/Amigos” e estava vazio.

Espere… “Vazio”? Mas por quê estaria vazio?

Houve um ruído. Era um som natural, mas ao mesmo tempo artificial: Esse som não veio da natureza, nem de um choramingo de um cão, nem de uma súbita mudança do vento, nem de uma forma oral. Não é de nenhum som produzido pela vida urbanizada e civilizada que se encontrava ao redor daquele jardim.

Não. O que ouvimos foi uma triste nota de um violoncelo, habilmente tocado e pronunciado com uma distinta melancolia.

Este som de outro mundo, estranhamente, veio de dentro da casa. Passando pela porta de entrada, nos deparamos com um pequeno corredor estreito, espaço suficiente para dois pôneis passarem ao mesmo tempo. No fim do corredor, há uma escada em espiral que leva para o segundo andar. À direita, uma grande sala, com uma lareira cheia de cinzas, umas poltronas baixas, um tapete grande, uma longa prateleira de livros de música, algumas pinturas e um toca-discos grande. Uma sala como sempre dever ser: Uma apropriada sala de estar.

A esquerda do corredor estreito, há uma pequena sala com uma placa dourada no topo da porta que dizia “Sala dos Troféus”. A pequena sala, quase com um escritório, havia uma escrivaninha, papéis(inteiros, amassados, molhados, queimados e em pedaços) dentro de uma lixeira, mais quadros e uma prateleira gigantesca que cobria uma parede inteira. Ele estava cheio de troféus e medalhas de todos os tipos. Todos estavam denominados com um título, entre eles havia “Melhor Música do Ano”, “Melhor Músico Estreante do Ano”, “Melhor Canção Solo do Ano” e muitos e muitos outros “Melhores do Ano”.

Porém, podemos ver que há um troféu especial na prateleira. Conscientemente colocado no centro de todos os troféus na prateleira. Por algum motivo, era muito importante e muito querido.

Uma fotografia.

Da Octavia como uma jovem poneizinha, com seus pais ao redor, abraçando-a. Todos estavam muito felizes… ou apenas aparentavam ser. Ao lado da fotografia, uma espécie de papel velho e empoeirado estava sentado em aberto para todos lerem. Nele está escrito à boca:

“Querida Octavia,

Eu, diretora do Colégio Equestriano da Música(CEM), Loud Noise, tenho o orgulho e o prazer em lhe entregar esse certificado de autenticidade. Você, como proprietária desse certificado, foi provado que você está dedicado a viver e amar o mundo da música e da exuberante melodia. Nós, os professores da CEM, afirmamos através da sua dedicação à arte e ao conhecimento no campo da música, e estendemos a você nossos agradecimentos e nossos parabéns. Eu pessoalmente ofereço a você minha benção de que, um dia, você será conhecida e reconhecida como a grande musicista que és. Nosso conselho de despedida: Ame tua família e acredite naqueles que te cercam, sejam amigos ou colegas. Em algum lugar no meio destes, há sempre um casco amigo.

Boa sorte!

Loud Noise.”

O som de um violoncelo encobria todos dos cantos da casa. Se tivéssemos que sentir as paredes, nós sentiríamos as paredes de madeira da casa vibrarem com o toque profundo das notas dos acordes do violoncelo. Cada nota, estava sendo tocado em maior tom. Dó maior, Ré menor, Mi maior. O ar estava pesado; espesso; uma sensação um tanto desconfortável que dificultava a respiração.

Subindo para o segundo andar pela escada em espiral no final do corredor estreito, o som do violoncelo ficava cada vez mais audível; estamos chegando perto da fonte do som. Chegando no segundo andar, as paredes vibravam mais do que quando estávamos na Sala dos Troféus e a fonte dessa vibração estava vindo no quarto mais próximo da escada à direita.

Adentrando ao quarto, não havia nada de anormal nele. Uma cama, duas mesinhas de cabeceira de cada lado, um sofá simples, uma cômoda, um armário de roupas. Praticamente um quarto normal; mas neste quarto, habitava uma pônei que seria muito difícil de classificar como normal.

Octavia. Sentada em uma cadeira baixa, tocando seu violoncelo. Uma jovem e atraente pônei cinza. Seus cabelos longos carbonizados pareciam um tanto embaraçados; alguém não conseguiu dormir direito naquela noite. Seus olhos de cores ainda desconhecidas estava fechados, demonstrando profunda concentração durante seu concerto particular.

Octavia é um perfeita imagem de postura e foco, uma pônei que não falava a menos que tinha algo relevante para dizer e, mesmo assim, quando as palavras não variavam ou eram insuficientes, ela procurava outros meios de transmitir seus pensamentos.

Um exemplo de outro meio de comunicação que ela usaria é o seu violoncelo. Octavia estava sozinha no quarto mas era evidente de que ela não estava sozinha… em seus pensamentos.

Ela estava tocando intensamente, como se estivesse tocando em uma orquestra ou em um concerto.

Em frente a ela, havia dois retratos pendurados na parede. Abaixo deles estavam cravadas duas placas douradas, os títulos que denominavam os quadros nas placas foram escritos em letra de boca em alta temperatura. Estavam escritos nas duas placas em nítido contraste: “Mamãe” e “Papai”.

Abaixo das incrições, as placas estavam sendo iluminadas por velas acesas, num típico ritual de honra e respeito… aos que não estão mais presentes. As velas eram a única fonte de luz mais abundante no quarto em um dia quase nublado. Não importa quantas velas estejam acesas no quarto, não expulsava a aparência fria e acinzentada do ambiente. O quarto estava mais cinzento que a própria Octavia, a combinação do ambiente com a cor da pelagem dela faziam-na camuflar-se perante o cinza da sala.

A luz do sol em sua janela invadia lentamente o quarto conforme quebravam as nuvens no céu; o quarto, finalmente, estava deixando a sua aparência acinzentada.

A luz do sol iluminou seu corpo; entre ela e a janela, os raios solares tornavam as partículas de poeira vísiveis a olho nu ao redor dela.

A música que Octavia escolheu para tocar era uma das suas canções proclamadas como “Melhores do Ano”. Uma canção feliz, alegre, compenetrada. Por quê ela o está tocando de uma forma triste e melancólica?

Octavia não ia parar de tocar a música. Ela não podia; ela queria terminá-la. Ela precisava terminar aquele solo.

O ar do ambiente no quarto estava pesado e o eco das vibrações do violoncelo incrustava nas paredes, no chão e no teto de sua casa. Pesado e triste. Seu rosto realizava uma intensa expressão enraivecida enquato pressionava o próprio queixo, forçando as lágrimas que quase escorriam de seus olhos de volta para dentro. Apesar de fazer o possível de esconder sua angústia, era inútil empurrar para dentro; era muito mais forte do que ela.

Ela mordeu o lábio e pressionou os olhos. Ela sufocou um suspiro, um soluço silencioso, mas não era o suficiente para interrompê-la de seu concerto: De um casco segurava o arco e do outro segurava o braço do violoncelo; as lágrimas que fluíam em seus olhos como uma nascente, ela tentava ao máximo retê-las.

— “Não… Se atreva a chorar agora…” — disse ela em seus pensamentos, — “Este… é o ultimo refrão.”

Como um pônei sendo torturado, seu corpo estava coberto de indesejadas tremulações. Mas ao contrário de uma tortura a base de dor, medo e desespero, com direito a sangue, cordas apertadas e ferros em brasa, esse tipo de tortura não podia rasgar aço, não podia cortar cordas, nem mesmo fazer sangue jorrar. Eram os acordes do violoncelo, quase vivo pelo som de suas notas executadas por Octavia.

Eram apenas Octavia e seu violoncelo, sozinhos no quarto com a melodia. A tortura era em sua mente, em sua alma, uma verdadeira tortura psicológica. Sem dor. Sem objetos. Sem sangue.

Octavia respirou estremecendo, quase como um gemido.

A última nota.

Octavia largou o arco em seu casco e começou a entrar em colapso com o chão, mas ela se pendurou sobre o violoncelo; o violoncelo a segurava de uma forma como seguraria um verdadeiro amigo.

Só agora a nascente pôde escorrer livremente pelo rosto de Octavia. As lágrimas escorriam levemente pelas bochechas de Octavia, indo ao encontro com o braço do violoncelo, deslizando algumas gotas sobre o braço do mesmo. Agora era o violoncelo que chorava junto a ela.

Octavia tentou usar suas esgotadas forças para se segurar-se no violoncelo. Não para se levantar, mas para abraçá-lo. Ela o apertava pelo tronco do violoncelo desesperadamente. Seu rosto esfregava carinhosamente o braço do viloncelo. A situação em qual ela se encontrava deve ser desconfortante para ela chegar ao ponto de abraçar um objeto frio e sem vida; abraçar um mero instrumento de madeira morta de um ser que já esteve vivo na natureza.

— “Mãe… Pai…” — as palavras ecoavam em sua mente, como um piano em lentas e delicadas notas.

Alguém bateu a porta. Octavia estremeceu e, num sobressalto, ergueu-se do violoncelo. Octavia olhou para a porta.

— “S-sim?” — ela gaguejou. — “Porcaria!” — resmungou ela baixinho enquanto massageava a garganta.

— “Madame?” — uma voz masculina veio do outro lado da porta, — “Tenho vossa permissão de adentrar em seu recanto particular?”

Octavia esfregou seus cascos no rosto para tentar enxugar suas lágrimas. Ela não queria que ninguém a visse nesse estado embaraçoso. Ela deu um longo suspiro, tentando controlar seu tom de voz, prejudicado com gaguejos e soluços.

— “… Sim, tem minha permissão.”

A maçaneta gritou no quarto. O som da porta se abrindo e fechando ecoou de uma forma patética pelo quarto, em comparação as notas do violoncelo.

Um pônei adulto cor de creme com uma crina escura portando olhos azuis adentrou-se no quarto de Octavia. Ele estava vestindo um terno preto simples, seus trotes eram precisos e sérios.

Era o seu mordomo, White Glove. A preocupação alastrou-se na sobrancelha direita do mordomo enquanto ele observava a respiração irregular e ofegante de sua patroa, mas ele continuou com sua tarefa.

— “Minha senhora? Novas cartas estavam no correio esta manhã. Gostaria de lê-las?”

Havia uma mochila nas costas do mordomo. Octavia olhou para o saco, pensativa. Depois olhou para o rosto do mordomo, os olhos dela estavam vermelhos e irritados.

O mordomo olhou discretamente com os olhos, sem mover a cabeça, para a parede em frente a Octavia: as velas estavam apagadas e em todas só restavam rastros de fumaça. Suspeitosamente as velas estavam sob os quadros dos pais dela, Sr. Maior e Sra. Menor.

White Glove já percebeu.

— “Ela não está se sentindo bem no momento,” — ele pensou, — “só um pônei cego e ignorante não entenderia o que ela está passando agora…”

— “Eu posso voltar mais tarde, se preferir, madame.” — White Glove girou o seu corpo para a porta mas olhava de relance para o rosto de Octavia.

Ela sacudiu sua cabeça e lançou o casco em direção ao mordomo, pedindo para esperar. No meio disso, ela soltou um agudo, — “Não!”

O mordomo parou. Octavia ficou vermelha de vergonha. Que estúpido “não” foi aquele, ela se perguntava em sua mente com o casco em sua boca.

Calmamente o mordomo virou a cabeça, — “Tem certeza, madame?” —  E então, gentilmente — “Eu estou um pouco preocupado com… seu bem-estar”

Ela olhou para baixo e levou seu casco direito ao seu peito enquanto o casco esquerdo segurava o braço do violoncelo. Depois de um breve momento, ela assentiu com a cabeça.

— “… Muito bem, então.” — disse White Glove. Ele virou seu corpo em direção a Octavia e puxou da mochila uma pilha grande de cartas amarradas com sua boca. Ele empilhou ordenadamente duas pilhas de cartas perto da Octavia.

— “Há algo mais em que eu possa fazer para a senhorita?”

Octavia refletiu por um momento, respirando mais devagar agora. Uma lágrima estava surgindo de seus olhos conforme ela devaneava, lembrando-se de seu mais recente concerto melancólico neste quarto.

White Glove, sem pensar duas vezes, puxou um lenço de seu bolso com a boca e ofereceu-o a Octavia.

 — “Madame?” — ele disse carinhosamente sério.

Octavia olhou para o lenço e olhou em seguida para os olhos do mordomo.

— “Por fuavor, madame. Acheite o lencho.”

Alguns segundos passaram. Octavia encarava o mordomo e o mordomo encarava sua patroa. As nuvens espessas surgiram e bloquearam os raios solares, levando embora as cores do ambiente. Os olhos dela devanearam novamente, desviando o olhar para o nada. Com uma respiração afiada, deixou cair o lenço e pisou um dos cascos no chão violentamente. Numa única pisada, todo o quarto estremeceu. Não foi um som patético como o da porta, foi até mais potente que os próprios acordes do violoncelo. Durante as vibrações nas paredes, provocadas pela forte pisada de White Glove, ele bradou:

— “Senhorita Octavia, por favor!” sua voz estava num tom assustadoramente sério.

Octavia olhou assustada para o White Glove. Ela não esperava esse tipo de reação de seu mordomo. Neste momento, ela estava realmente assustada.

— “Por favor, madame. Estou implorando.” — o mordomo pegou com sua boca o lenço do chão e, novamente, ofereceu-o a sua patroa.

A luz do sol voltou. Ela o encarou por um breve momente, até que, finalmente, ela estendeu o casco para o mordomo, aceitando o lenço.

— “Obrigado, madame.” — disse o mordomo, abaixando levemente a cabeça.

Octavia esfregou o lenço em seus olhos e sentia que o lenço expulsava todas as lágrimas de suas pálpebras. Era uma sensação de alívio para ela.

— “Vou perguntar novamente: Há algo mais que eu possa fazer pela senhora?”

Ela terminou de enxugar as lágrimas com o lenço e olhou novamente para o nada, pensativa. Ela assentiu com a cabeça. White Glove respondeu também com um assento com a cabeça e uma frase:

— “Como quiser, senhorita”

O mordomo se virou e trotou até a saída do quarto dela. Ele silenciosamente fechou a porta do quarto atrás dele, deixando Octavia mais uma vez sozinha  em seu recanto particular.

— “Ele é um bom mordomo,” — disse baixinho a Octavia com os olhos fechados. Ela soltou um longe suspiro, — “não o culpo por preocupar-se comigo. Ele está apenas fazendo o seu trabalho…”

Ela largou o braço do violoncelo e esfregou um pouco a testa, tentando descontrair a tensão.

— “Daqui alguns dias… minha carreira como–” — ela soluçou, — “… como música irá finalmente se extinguir…”

Octavia olhou para o seu tronco e começou a respirar fortemente. O tronco dela estava “vazio”. Não existia nada naquele tronco. Estava vazio.

Ela enxugou uma lágrima que acabara de escorrer em seu rosto, — “Acho que… esta é a melhor coisa a fazer… Não consigo mais viver dessa maneira…”

Octavia olhou de relance para as cartas empilhadas ao lado dela e percebeu algo sutil nas pilhas. White Glove fez questão de separar as cartas que estavam todas embaralhadas e escreveu em cada pilha seus respectivos assuntos: Patrocinadores, Fãs e Família/Amigos.

A pônei cinzenta, pela primeira vez no dia, sorriu.

— “Obrigada, White Glove…”

Octavia assentiu com a cabeça para a poeira, agradecida, enquanto uma última lágrima pingou de seu olho.

Do lado de fora do quarto, atrás da porta, permanecia uma figura suspeitamente familiar, seu rosto estava coberto por uma sombra, o que impedia de identificar seu rosto. Num instante, a figura sombria se ergueu do chão e, sem nenhum ruído, trotou para a escada em espiral, descendo para o primeiro andar.

Ele abaixou a cabeça tristemente. Ele não podia fazer nada para ajudá-la.

Com toda a clareza em sua mente, ele podia vê-la: O rosto de Octavia, encharcado de lágrimas, e ela lutando para conte-las, sem nenhum êxito.

Fanfic, Fanfics estrangeiras

My Little Fortress: TeamWork is Magic – Parte 7

Autor: Xaldensmutanthamster

Tradução: Matheus Dinero

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Eai, bronies! Tiveram um bom finale? É, foi muito epico mesmo, agora vamos ter que ficar um ‘tempinho’ sem os episodios, dizeram que vai ser durante o verão, mas não sei direito, enfim ai está 7ª Parte do MLF!

Agora é com a Fluttershy! Depois de uma semana, Sniper decide puxar uma conversa com ela, que não machucou uma coisinha se quer desde a sua chegada (e nem pretende machucar). Sniper, no meio da conversa, conta como chegou nesse lugar…

——–

Nos embasamentos do BLU, uma familiar Pegasus amarela sentou, agachou-se em um canto, certificando que o seu cabelo rosa não estava aparecendo acima da janela. Tinha se tornado uma rotina: Acordar, esconder debaixo das janelas até o anoitecer e voltar para dentro. Sem uma chance de se machucar, ela olhou para cima da parede, observando o pontinho de laser vermelho que tinha permanecido o dia todo como um vigia. Ela agarrou firme a rifle em seus cascos, apertando seus olhos. Um pequeno chio de medo escapou de sua garganta.

“Você nunca vai acertá-lo se você não atirar”

Fluttershy pulou soltando um ganido, brevemente mostrando uma parte de sua crina ao oponente. O ponto se mexeu rapidamente, mas ela se abaixou na hora. O ponto retomou a examinar a parede, esperando sua oportunidade de atacar.

“Oh, é você, Sr. Sniper. Eu não ouvi você chegando” Falou ela, envergonhada com o grito que deixou escapar.

“Eu notei” Ele tirou seus óculos de sol e poliu-os com sua camisa. “Eu só queria passar por aqui. Eu mesmo não tinha falado com você desde que você chegou aqui”

Ela não falou nada, contente em ficar quieta como sempre. O silêncio entre eles durou quase um minuto.

“Você está bem?”

“O-o que?”

“Você sabe, Fluttershy. Você não matou nenhum deles ainda”

“Bem, quero dizer que… hã, você sabe, hã…” Ela continuou, gaguejando como sempre.

“Eu sei que é difícil, mas você não pode só vir aqui toda vez que você renasce e apenas esperar o dia acabar. Isso não está ajudando a ninguém”

“B-bem, uma vez eu me livrei de um Soldier”

Na verdade o Soldier tinha explodido ele mesmo quando seu míssil desviou de Fluttershy. Ambos sabiam disso, mas Sniper continuou, “Eu entendo, mas isso não é o bastante. Você está tendo problemas?”

Ela gemeu baixinho, não querendo responder. ‘Eu não posso fazer isso’ ela pensou para si mesma. ‘Eu nunca tive que machucar algo para proteger outra coisa. Eu poderia usar o olhar, mas não iria funcionar, ele tá muito longe…’ Sua mente estava bagunçada, mas ela não disse nada. Tentando tirar a tensão, Sniper mudou de assunto.

“Então, como é lá em Equestria?”

A pergunta, apesar de ser simples, pegou a pegasus de surpresa. “O que quer dizer?”

“Bem, você não falou muito enquanto eu estava lhe ensinando como atirar com a rifle. A única coisa que eu sei mesmo sobre de onde você veio é o nome. Então me diga, como é lá? O que há de diferente?”

Fluttershy começou a pensar, juntando em sua mente as coisas notáveis. “Bem… O que você quer saber primeiro?”

“O que vocês fazem em casa? Quero dizer, eu suponho que vocês tem trabalhos e tal”

“Bem, Twilight toma conta da Biblioteca, Rarity tem o Botique, Applejack com o Rancho das Maçãs Doces, Pinkie ajuda no Cubo de Açúcar e Dash está na equipe do tempo”

“Equipe do tempo?”

“É uma equipe de pegasus que controlam as nuvens. Por isso que Dash agiu muito estranha ontem”

Ele riu um pouco, recordando o dia de ontem. Teve uma tempestade e Rainbow Dash voou ao redor das nuvens repetidamente, tentando achar os pegasus ajudando-a, mas não adiantou. “Eu acho que você esqueceu de alguém”

“Bem, Trixie costumava ser uma maga viajante, mas não sei se-“

“Ela não, você”

Antes de ela falar algo, Angel apareceu saltando e olhou ao Sniper suspeitosamente antes de ir até Fluttershy.

“Olá Angel, já é meio-dia?” Fluttershy mergulhou em sua bolsa, tirando uma cenoura fresca. Angel pegou e comeu a cenoura vorazmente. “Não Angel, o que eu te falei sobre isso? Você vai ter uma dor de barriga desse jeito” O coelho revirou seus olhos embaixo do capacete e terminou a refeição. Ele saltou para fora da janela, de volta à batalha.

“O que foi aquilo?”

“Ah, Angel fica mal-humorado quando ele não tem nada pra comer”

“Então eu vou arriscar um palpite e dizer que você é uma babá dele?”

Os olhos de Fluttershy brilharam brevemente e sua voz aumentou ligeiramente. “Ah, não é só o Angel. Eu cuido de todas as criaturas ao redor de Ponyville. Todos os esquilos, camundongos, pássaros e tudo”

“Isso deve ser trabalho à beça. Como você consegue?”

“Ah eu não me importo. Isso me mantém ocupada e os animais são amigos maravilhosos. Pode ser um pouco frustrante às vezes, mas geralmente eu consigo lidar com isso”

“Geralmente?”

A pegasus ficou vermelha. “Às vezes tem um bando de animais feridos e eu tenho que ajudar todos eles sozinha. Então há alguns que por algum motivo eu não consigo comunicar, como os gansos em migração”

“Então você pode comunicar com animais?”

“Sim, na verdade é o meu dom especial. Foi assim que consegui minha Marca Especial”

“Que é esse símbolo?” Ele apontou para as três borboletas que enfeitavam o flanco de Fluttershy

Ela balançou a cabeça. “Elas apareceram quando eu-“ Uma bala atravessou a parede e Fluttershy gritou, abaixando sua cabeça. O australiano sentou, enfezado.

“Eita, você tá bem?”

Fluttershy gemeu. Depois de um tempo, ela levantou lentamente sua cabeça, ainda tremendo. “Como você consegue lidar com isso?” Ela perguntou com a voz quase muda.

“É que-“ Outro tiro, outro grito. Sniper sentiu o topo de sua cabeça, descobrindo que seu chapéu se foi. Ele olhou na frente do chapéu vendo o buraco que a bala deixou. “Maldito vira-lata! Eu gostava daquele chapéu!” Ele pegou sua rifle, olhando brevemente através da mira antes de atirar. O opressivo RED Sniper desapareceu. “Isso vai ensiná-lo uma lição”

“Você o matou…”

“Ah sim, nós trocamos muito mais tiros do que eu posso lembrar”

“E isso é certo?” Ela aumentou sua voz. Sniper recuou um pouco. Ele estava para contar uma historia que faria que a pegasus jamais aumentaria a sua voz, a não ser que seja absolutamente necessário.

Ele pausou. “…Eu não disse que é certo, dizer foi uma razão”

Houve um sombrio silencio entre os dois por alguns segundos.

“Seis anos”

Fluttershy inclinou sua cabeça, confusa. “Perdão?”

“Já se passaram seis anos desde que eu tenho visto nada a não ser este lugar. Eu me lembro quando cheguei aqui…”

——–

Um frouxo australiano saiu do trem, suspendendo uma mochila sobre seu ombro e uma rifle em sua mão. O edifício na sua frente, na verdade dois, virados um para o outro. Entre eles, uma ponte coberta em cima de uma piscina escura. Os edifícios pareciam tão parecidos, exceto as suas cores. Um em tons de vermelho e o outro, que estava mais perto, em tons de azul. ‘O que eu estou fazendo aqui mesmo?’ Ele pensou para si mesmo. Quando a Liga dos Construtores Unidos contrataram o australiano, se esqueceram de mencionar o Novo México como o local. O que era aquilo, algum tipo de arena? Ele andou em direção dos edifícios, procurando alguém ao redor. Em seguida, avistou um homem sentado em uma caixa de ferramentas, dedilhando a guitarra de braços cruzados. O homem levantou sua cabeça e sorriu amigavelmente.

“Olá! Como vai? Eu acho que você é o numero 2” O sotaque do grosso texano foi acompanhado com sua mão estendida.

Ele apertou-a tentativamente “Hã… Eu acho que sou, e você é?”

“Eu já falei que meu nome real não deve ser usado, então me chame de Engineer”

“Eles me disseram o mesmo. Eu sou Sniper. Então você é um mercenário?  Desculpe por isso, mas você não parece muito com um lutador”

“Mercenário provavelmente não é a melhor palavra pra me descrever, tá mais pra ‘Cientista de aluguel,’ vendo que as minhas armas fazem o trabalho pra mim”

“Minha arma também faz o meu trabalho, afinal não posso simplesmente jogar a bala na cabeça deles”
O homem riu. “Eu não acho que a sua arma…” Ele deu uma pausa e jogou a caixa de ferramentas no chão. O som de ruídos e motores começaram e a caixa abriu. Duas pernas robóticas sairam para fora, junto com um pequeno cilindro que portava o cano da arma. A máquina parou por um tempo, em seguida a parte frontal dividiu-se, transformando o pequeno cano em duas metralhadoras, com correntes de balas anexando ao corpo da arma. Mais uma pausa e ela deslocou novamente, produzindo uma caixa no topo contendo quatro mísseis. O texano sentou no topo da engenhoca, radiante. “…é a mesma coisa que a minha” Ele terminou.

O Sniper ficou boquiaberto. “Cacete! Essa coisa pode derrubar um exército!”

“Advinhou. Foi por isso que me contrataram”

A conversa dos dois foi interrompida por um grito de um garoto magrelo vindo de longe, uma mochila em suas costas e uma espingarda com dois canos em sua mão. “Até que enfim!” Ele gritou. “Pensei que esse trem nunca iria chegar aqui, demorou pra caramba!” Algumas pessoas acompanhavam. Um homem, cujo pareceu para Sniper que era de um pôster de propaganda, pegou o garoto pelo colar e levantou-o para cima, encarando olho a olho. ‘Bem, olho a capacete’ Sniper pensou.

“Você nunca para de falar, seu verme!?”

“É melhor tu me colocar no chão ou esse seu capacete vai ter um dente fresco colado nele!” O garoto segurou um taco na sua mão. Ele foi solto no chão. O resto começou a vir: um alemão vestindo um jaleco rindo com um monstro de um russo que também estava rindo de alguma historia que o alemão contou sobre uma caixa torácica roubada. Um homem de terno saiu depois, fumando um cigarro. Atrás dele apareceu outro homem, um bêbado resmungando e, por algum motivo, rindo. Na parte traseira do trem saiu um homem corpulento, também com um terno, argumentando com a mulher que contratou Sniper. ‘Sra. Pauling, eu acho’

“Madame, há obviamente algum erro, eu não sou um assassino! Eu sou um civil! Não era para eu estar aqui!”

“Eu entendo, senhor, eu vou tentar arrumar a situação, mas não há nada que posso fazer aqui no momento” Ela se virou e olhou para os mercenários.

“Olha aqui!” Ele pegou no ombro dela, com o intuito de falar com ela cara a cara, em vez disso ele estava olhando para o cano de uma arma de grande calibre.

“Se você colocar suas mãos em mim de novo, senhor, chegar ao eu destino será a menor de suas preocupações”

Ela voltou ao trabalho. “Bem-vindo, time BLU! Antes de eu começar, deixe me ver se todos estão aqui, Scout?” O jovem de Boston gritou agitadamente para verificar sua presença. “Soldier?” Ele grunhiu. “Pyro?”

Um som ouviu-se no canto do pátio que pareceu como um “Presente” abafado, ninguém tinha visto aquela pessoa sair do trem, mas todos estavam ali agora. Sniper não pôde ver o que ele era, devido ao largo terno à prova de fogo e uma máscara de gás que cobria sua cabeça.

“Tudo bem… Demoman?” Com isso, o homem bêbado começou a rir, concluindo com uma frase que era completamente incoerente. “Eu vou entender isso como um sim. Heavy?”

“AQUI!” Ela se assustou na resposta rápida do homem. “…Engineer?”

“Aqui, mocinha”

“Medic”

“Sim?”

“Sniper?”

“Presente”

“E Spy?”

“Bem aqui”

Ela colocou a prancheta ao seu lado. “Tudo bem, já que todos estão aqui, vamos ao que interessa. Meu nome é Sra. Pauling. Estou aqui em nome de seu empregador. Nós, na Liga dos Construtores Unidos, ou BLU como normalmente chamamos, temos um motivo para acreditar que a Demolição e Escavação Confiável, também conhecida como RED, está tentando sabotar nossos esforços. Então para acabar com a tirania deles, nós os contratamos, os melhores em suas áreas. Quando o RED soube do nosso plano de contratar assassinos, eles fizeram o mesmo. Vocês vão lutar até RED se render”

“E se eles recusarem a se render?” Spy jogou seu cigarro fora e pegou outro.

“Então vão ter que dar o melhor de vocês. Porém, se você morrer, há uma maquina que criamos, capaz de trazer você de volta à vida depois de ferimentos fatais. Infelizmente, os ladrões do RED roubaram nossa tecnologia e agora têm o mesmo Regenerador. É claro, quando eles roubam as blueprints, eles fazem o mesmo. Vocês não lutarão apenas com outros mercenários, vocês lutarão com clones de vocês mesmos”

“OPA OPA OPA, perai!” Scout começou a gritar. “ELES SÃO A GENTE!?”

“Calma, eles são sim, e nós temos contratos com todos vocês, o que significa que vocês ficarão aqui até que o contrato seja terminado” Ela falou andando em direção ao trem. Ela embarcou nele e o trem se afastou. Antes de desaparecer, ela gritou para fora da janela “Boa sorte!”

——–

“Então nós meio que acostumamos em nossa rotina, e estamos aqui, seis anos depois”

“Mas espere…” Fluttershy ficou quieta durante toda a história, mas algo tinha ficado em sua mente. “O que aconteceu com aquele homem? O Civillian?”

“Bem, em cerca de uma semana, depois que nos apresentamos…”

——–

“AAHHH!” O homem fincou seu guarda-chuva na parede. “MAIS UM DIA COM ESSES BÁRBAROS! EU NÃO AGUENTO MAIS!”

“Quer CALAR A BOCA seu choramingão!?” O Spy retrucou. Todos os dias desde a sua chegada o civil estava ficando cada vez mais irritante na sua má vontade de ficar preso.

“EU NÃO ESTOU CHORAMINGANDO! EU ME RECUSO A SER CHAMADO DESSE JEITO!”

O Sniper colocou a mão em sua arma, dando o seu melhor para não mirar a rifle no inglês espalhafatoso. Até sua paciência estava sendo empurrada para o seu ponto de vista. Se o gorducho morresse, estaria claro, ele não voltaria mais…

Quando ele tinha entretido o pensamento em sua mente, um barulho chamou sua atenção. Freios de trem…?

“FINALMENTE!” Ele tirou o guarda-chuva da parede. “EU POSSO SAIR DESTE LUGAR E NUNCA MAIS VOLTAR!”

Sra. Pauling saiu do trem com uma expressão séria. O homem gorducho correu até ela. “MUITO OBRIGADO! Você veio me tirar daqui, certo?”

“Na verdade, o tanto que isso me machuca, você não vai sair daqui. Essa operação é secreta, e se nós deixarmos você ir, não podemos confiar em você em mantê-la em segredo”

Um ar tenso produziu-se no homem. “O q… O que você está dizendo?”

Sra. Pauling pegou um revolver. “Que eu fui enviada aqui para matá-lo”

O Time ficou quieto e não se atreviu em pará-los. “Você não pode me matar! E-eu sou importante! Muito importante!”

“Não para nós. Me dói muito em fazer isso, muito mesmo” Ela levantou a arma, disparando. O homem gemeu e caiu no chão. Dois homens grandes saíram do trem, pegando o corpo e carregando para o trem.  “O tanto cruel que isso seja, que isso ensine à vocês uma lição. Tentar sair daqui terminará apenas em tragédia”

——–

Fluttershy se chocou, a imagem repetindo em sua mente. Sniper suspirou. “Desculpe, eu não achei que isso iria perturbá-la tanto…”

“Não… Mas isso não foi justo… Não foi a culpa dele…”

“É por isso que nós lutamos. Talvez se nós ficarmos aqui o suficiente, eles deixarão a gente ir embora”

Fluttershy estremeceu. ‘E agora, o que eu faço?’ Sua mente estava confusa. ‘Eu não quero matar ninguém, mas eles vão… se livrar de mim se eu não fizer isso’

Sniper pegou o rifle e levantou-se.

“O que você tá fazendo!? Se abaixa ou ele vai te acertar!”

“Esse é o objetivo” Ele permaneceu seu olho na mira. Seu dedo não estava no gatilho. “Se você quiser salvar suas amigas, às vezes você precisa tomar decisões difíceis. Eu estou com ele na minha mira, mas eu não vou puxar o gatilho, você vai”

“O que!?” Ela olhou por cima da borda, vendo o outro Sniper olhando em outra direção, distraído.

“Se ele me matar, está acabado. Eu não vou voltar, o Regenerador não me identifica mais. Mas se você matá-lo, ele vai voltar em poucos segundos, então tome sua decisão, rápido”

O ponto azul chamou a atenção do inimigo, ele olhou. ‘Não’ Ele se atrapalhou com a arma, tentando se ajeitar novamente. O ponto vermelho apareceu na parede. ‘Não!’ Ele manobrou a arma em direção do seu amigo. Ela olhou para o gatilho, lágrimas enchendo seus olhos.

“NÃO!” Ela fechou seus olhos e puxou o gatilho. O som mais alto que ela ouviu desde que ela chegou. Ela conseguiu? Ela estava com muito medo de abrir seus olhos, com tanto medo na possibilidade de ela poder ter errado o tiro e seu amigo estar morto. Lágrimas escorriam pelo seu rosto.

“Você pode olhar agora”

Seus olhos se abriram, e uma imagem borrada mostrou que ela conseguiu! Fluttershy pulou no australiano com um abraço. “Minha nossa! Você está vivo!”

“É claro, e você acertou o tiro” Ele riu, enxugando as lágrimas dos olhos de sua amiga cuidadosamente. “Agora você entendeu?”

“Eu acho que sim” Ela balançou a cabeça. “Eu não estou mesmo machucando eles, estou?”

“Bem, por uma fração de segundo, sim. Mas por causa que eles regeneram, não, você não está matando ninguém. Então você acha que pode fazer isso sem minha ajuda?” Ela colocou um casco no seu olho.

“Sim, eu acho…”

O ponto vermelho retornou, mas foi diferente para ela. Não mais simbolizava o medo que ela sentia. Ele se levantou, andando para longe. “Boa sorte”

Ela permaneceu seu olho na mira, avistando o seu alvo. Ela fechou seus olhos e puxou o gatilho.

Fanfic, Fanfics nacionais

Sem palavras para descrever – Livro I – Prólogo

Autor: Grivous

Gênero: Normal, Triste, Drama, Romance

Sinopse: ”Em alguns dias, um show será apresentado na pequena cidade de Ponyville, como o último show da carreira musical de uma musicista muito famosa de Canterlot: Octavia. Twilight Sparkle e suas amigas ficaram encarregadas de aprontar os preparativos para o Grande Evento. Os fantasmas de seu passado continuam assombrar a jovem musicista, a ponto de isolar-se do mundo e daqueles que ama. Num único evento, cheio de reviravoltas e grandes emoções, ela está para descobrir algo muito mais do que apenas o fim…”

LIVRO I :

Apresentação

Capítulo 1 – Empolgação

Capítulo 2 – Cascos e Coices

Capítulo 3 – Desinformado e Desinteressado

Capítulo 4 – Convidado ou Intruso?

Capítulo 5 – Casa da Mãe Joana

Capítulo 6 – Recuperação

Capítulo 7 – Algo a mais

Capítulo 8 – Amanhã

LIVRO II:

Capítulo 1 – Caminhada

Capítulo 2 – Muffin

Capítulo 3 – Companhia

Capítulo 4 – Mudanças

LIVRO III:

Capítulo 1 – Ausência

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 Equestria – Canterlot. 12 de Fevereiro, noite.

Era um som natural, mas ao mesmo tempo artificial: Esse som não veio da natureza, nem de um choramingo de um cão pedestre; ou de uma súbita mudança do vento; ou mesmo de uma forma oral. Não é de nenhum som produzido pela vida urbanizada e civilizada que se encontrava ao redor daquele jardim.

Não. O que ouvimos foi uma triste nota de um Contra-Baixo, habilmente tocado e pronunciado com uma distinta melancolia. Este som de outro mundo, estranhamente, veio de dentro da casa.

Passando pela porta de entrada, ornamentada com madeira escura, vitrais coloridos e uma maçaneta oval dourada, nos deparamos com um sombrio corredor estreito; espaço suficiente para dois largos indivíduos passarem ao mesmo tempo. No fim do corredor, uma escada em espiral que levava para o misterioso segundo andar. À direita, uma batente que, em seu interior, possuía uma ampla sala, com uma lareira cheia de cinzas, umas poltronas baixas e algumas largas, um tapete grande e rupestre, uma longa prateleira de livros de música, algumas pinturas e um chamativo toca-discos num dos cantos. Uma sala como sempre deveria ser: Uma apropriada sala de estar. Qual também era uma sala de jantar: uma mesa comprida o suficiente para seis pôneis se sentarem — quatro pelos lados e dois nas pontas — estava no outro lado, perto de uma outra batente que ligava a cozinha.

De volta ao obscurecido corredor de entrada, à sua esquerda havia uma pequena sala, não tão maior quanto a sala de estar/jantar. Nela possuía com uma placa dourada localizada no topo da batente que dizia “Sala dos Troféus”. O pequeno cômodo, quase com um escritório, havia uma escrivaninha, papéis — inteiros, amassados, molhados, queimados e em pedaços — dentro de uma lixeira, mais quadros para preencher cantos vazios e uma prateleira gigantesca que cobria toda uma parede. Estava cheio de troféus e prêmios de todos os tipos. Todos estavam denominados com um título, entre eles havia “Melhor Música do Ano”, “Melhor Músico Estreante do Ano”, “Melhor Canção Solo do Ano” e muitos e muitos outros “Melhores do Ano” e de outros Anos.

Porém, podemos ver que há um troféu especial na prateleira. Conscientemente colocado no centro de todos os troféus. Por algum motivo, era muito importante e muito querido para obter um lugar de tamanho destaque entre os demais.

Uma fotografia.

Da dona desta modesta moradia, Octavia, como uma pequenina e jovem potranca. Ela estava abraçando um pequeno Contra-Baixo, seu mais precioso e único instrumento. Seus pais estavam ao seu redor, sentados e com um sorriso caloroso em seus rostos equestres. Todos estavam muito felizes; muito satisfeitos… ou apenas aparentavam ser. Ao lado da fotografia, uma espécie de papel velho e empoeirado estava sentado em aberto para todos lerem. Nele está escrito à boca:

“Querida Octavia,

Eu, diretora do Colégio Equestriano da Música(CEM), Loud Noise, tenho o orgulho e o prazer em lhe entregar esse certificado de autenticidade. Você, como proprietária desse certificado, foi provado que você está dedicado a viver e amar o mundo da música e da exuberante melodia. Nós, os professores da CEM, afirmamos através da sua dedicação à arte e ao conhecimento no campo da música, e estendemos a você nossos agradecimentos e nossos parabéns. Eu pessoalmente ofereço a você minha benção de que, um dia, você será conhecida e reconhecida como a grande musicista que és. Nosso conselho de despedida: Ame tua família e acredite naqueles que te cercam, sejam amigos ou colegas. Em algum lugar no meio destes, há sempre um casco amigo.

Boa sorte!

Loud Noise.”

O som de um Contra-Baixo encobria todos os cantos da casa. Se tivéssemos que sentir as paredes de madeira, sentiríamos a casa vibrar com o toque profundo das notas com os acordes do escandaloso Contra-Baixo. Cada nota, estava sendo tocado em maior tom. Dó maior, Ré maior, Mi maior. O ar estava pesado, espesso; uma sensação um tanto desconfortável que dificultava a respiração.

Subindo para o segundo andar, pela escada em espiral no final do corredor estreito, o som do Contra-Baixo ficava cada vez mais audível; estamos chegando perto da fonte do som. Chegando lá, as paredes e os ouvidos vibravam mais do que quando estávamos na Sala dos Troféus e a fonte dessa frenetização sonora estava vindo no quarto mais próximo da escada, pela direita de quem sobe.

Adentrando ao quarto com delicadeza, não havia nada de anormal nele. Mesinhas de cabeceira em cada das poltronas, um sofá simples, uma cômoda larga com utensílios ainda misteriosos, um armário de roupas. Praticamente um quarto normal; só que mais vazio e sem uma cama. Não era bem um quarto para se dormir, mas para apenas estar lá; existindo. Mas neste quarto, habitava uma pônei que seria muito difícil de classificar como normal.

Octavia. Sentada em uma cadeira baixa, tocando seu volumoso Contra-Baixo. Uma jovem e atraente pônei cinzenta. Seus cabelos longos carbonizados pareciam um tanto embaraçados; alguém não conseguiu dormir direito naquela noite sonolenta. Seus olhos de cores por enquanto desconhecidas estava fechados, demonstrando profunda concentração durante seu concerto particular.

Octavia é um perfeita imagem de postura e foco, uma pônei que não falava a menos que tinha algo relevante para dizer e, mesmo assim, quando as palavras não variavam ou eram insuficientes, ela procurava outros meios de transmitir seus pensamentos.

Um exemplo deste outro meio de comunicação que ela usaria é o seu precioso instrumento. Tocando notas altas e com mais fervor, ela desmonstraria felicidade; agitação; festa. Fazendo convidados festejarem uma comemoração sem importância ou animar indivíduos tristonhos e estressados, que mereciam uma fuga de realidade para fantasiarem seus sonhos por um momento. Mas com um tom mais baixo e numa frenetização mais lenta nas cordas, passa a demonstrar melancolia; tristeza; solidão. Por que deveríamos esconder nossas tristezas? E enganar quem nos importamos com falsas emoções? Vale a pena ser orgulhoso ou egoísta? Com notas ainda baixas mas com cascos mais ligeiros e fortes ao esfregar o arco sobre as cordas, sua esdrúxula emoção de tristeza passa a ser de uma selvagem raiva; ódio. Cordas sendo destroçadas e sacudidas com tanta força que assusta o instrumento inanimado e desperta um medo antes inexistente de torcer seu braço rústico, arrebentar as cordas tensionadas ou quebrar o esquelético arco.

Octavia estava sozinha no quarto mas era evidente de que ela não estava sozinha em seus pensamentos. Ela estava tocando intensamente, como se estivesse tocando em uma orquestra ou em um concerto. Mas ao invés para uma platéia, onde vários trabalhadores pagaram com suas suadas economias mensais para ver um espetáculo que dizem ser o único em suas únicas vidas, ela estava tocando para si mesma; para o instrumento; e para o nada.

Em frente a ela, havia dois retratos pendurados na parede. Abaixo deles estavam cravadas duas placas douradas, os títulos que denominavam os quadros nas placas foram escritos em letra de boca em alta temperatura. Estavam escritos nas duas placas em nítido contraste: “Srta. Minor” e “Sr. Major”.

Abaixo dessas placas, estavam sendo iluminadas por velas acesas, num típico ritual de honra e respeito… aos que não estão mais presentes. As velas eram a única fonte de luz mais abundante no quarto em uma noite estrelada sem Lua; estava obscurecida pelas densas nuvens negrescas. Não importa quantas velas estejam acesas no quarto, não expulsava a aparência fria e acinzentada do ambiente. O quarto estava mais cinzento que a própria Octavia, a combinação do ambiente com a cor da pelagem dela faziam-na camuflar-se perante o cinza da sala.

A música que Octavia escolheu para tocar era uma das suas canções proclamadas como “Melhores do Ano”. Uma canção feliz, alegre, compenetrada. Por que ela o está tocando de uma forma triste e melancólica? Octavia não ia parar de tocar a música. Ela não podia; ela queria terminá-la. Ela precisava terminar aquele solo.

O ar do ambiente estava pesado e o eco das vibrações do Contra-Baixo incrustava nas paredes, no chão e no teto de sua casa. Pesado e triste. Seu rosto realizava uma intensa expressão enraivecida enquanto tensionava o próprio queixo, forçando as lágrimas que quase escorriam de seus olhos de continuarem seu caminho. Apesar de fazer o possível de esconder sua angústia, era inútil empurrar para dentro; era muito mais forte do que ela.

Ela mordeu o lábio e pressionou os olhos. Ela sufocou um suspiro, um soluço silencioso, mas não era o suficiente para interrompê-la de seu concerto: De um casco segurava o arco e do outro segurava o braço do Contra-Baixo. As lágrimas, que fluíam de seus olhos como uma nascente ininterrupta, ela tentava ao máximo retê-las e contraí-las.

— Não… se atreva a chorar agora… — disse ela em seus pensamentos, — Este… é o ultimo refrão.

Como um pônei sendo torturado, seu corpo estava coberto de indesejadas tremulações. Mas ao contrário de uma tortura a base de dor, medo e desespero, com direito a ferimentos, cordas apertadas e ferros em brasa, esse tipo de tortura não podia rasgar aço, não podia cortar cordas, nem mesmo causar feridas. Eram os acordes do Contra-Baixo, quase vivo pelo som de suas notas executadas pela musicista.

Eram apenas Octavia e seu Contra-Baixo, sozinhos no quarto sob uma mortalha melodia. A tortura era em sua mente, em sua alma, uma verdadeira tortura psicológica. Sem dor. Sem objetos. Sem aberturas.

Octavia respirou estremecendo, quase como um gemido.

A última nota.

Octavia largou o arco em seu casco e começou a entrar em colapso com o chão, mas ela se pendurou sobre o Contra-Baixo; o instrumento a segurava de uma forma como seguraria um verdadeiro amigo.

Só agora a nascente podia escorrer livremente pelo rosto de Octavia. As lágrimas escorriam rapidamente pelas bochechas cinzentas dela. Algumas linhas aquosas bifurcavam pelo braço do seu precioso instrumento. Agora era o Contra-Baixo que chorava junto a ela.

Octavia tentou usar suas esgotadas forças para segurar-se no Contra-Baixo. Não para se levantar, mas para abraçá-lo. Ela o apertava pelo tronco do instrumento desesperadamente. Seu rosto esfregava em seu braço de madeira vernizado de uma forma carente e carinhosa. A situação ao qual ela se encontrava deve ser desconfortante para chegar ao ponto de abraçar um objeto frio e sem vida; abraçar um mero instrumento de madeira morta de um ser que já esteve vivo na natureza.

A pônei melancólica ergueu os olhos finalmente revelados para os dois retratos em frente a ela, já não mais iluminados pelas pequeninas velas; elas haviam se apagado. O quarto ainda estava tingido em um tom cinza, mas a Lua foi libertada das espessas nuvens do céu noturno para pratear o cômodo acinzentado ao invadir sua luz artificial pela janela envidraçada. Seus olhos púrpuras e profundos brilhavam e tremiam perante essa invasão lunar em seu recanto particular.

— Mãe… Pai… — as palavras ecoavam em sua mente de forma clara e familiar… para a sua infelicidade. Ela soltou o peso de sua cabeça e deixou-a cair sobre os braços enrolados no cabo de seu Contra-Baixo. Ela voltou a chorar.

— Não funcionou de novo… — ela babulciou entre surdos soluços e voz falha — Ache– Achei que ia dar certo dessa vez. Foi tão intenso…  —  fungou e esfregou o nariz — Mas… eu ainda reconheço eles…

Alguém bateu a porta. Octavia estremeceu e, num sobressalto, ergueu-se do Contra-Baixo. A pônei cinzenta olhou para a porta.

— S-sim? — ela gaguejou, — Porcaria! — resmungou em seguida enquanto massageava a garganta.

— Srta. Octavia? — uma voz masculina veio do outro lado da porta, — Tenho vossa permissão de adentrar em seu recanto particular?

Octavia esfregou o máximo que pôde seus cascos nos olhos para tentar enxugar suas lágrimas. Ela não queria que ninguém a visse nesse estado embaraçoso e em meio as trevas deste cômodo mal-iluminado. Ela deu um longo suspiro, tentando controlar seu tom de voz, prejudicado com gaguejos e soluços. Silenciosamente deixou o seu instrumento deitado no chão e foi cambaleando até o interruptor. Girou a chave para cima e o quarto iluminou-se. Seus olhos acostumados com a escuridão cinzenta irritaram-se um pouco com a luz meramente forte, mas ela logo se recompôs. Voltando a cadeira, Octavia ergueu seu Contra-Baixo, pegou o arco caído no chão com o casco livre e o empunhou para as cordas de seu instrumento, voltando a tocar uma melodia qualquer para fingir estar ocupada.

Octavia limpou a garganta antes de pronunciar — “… Sim, tem minha permissão.” — ela virou o rosto contra a porta, com o corpo em frente à parede emoldurada.

A maçaneta gritou no quarto. O som da porta se abrindo e fechando ecoou de uma forma patética, em comparação as notas do Contra-Baixo. Um pônei adulto cor de creme adentrou-se no quarto de Octavia. Ele percorreu o cômodo com seus olhos azuis, avaliando o local,  e encontrou sua patroa no meio dele, tocando seu único amigo-postiço instrumento de corda e madeira. Aquele corcel cremático estava vestindo um terno preto simples; seus trotes eram precisos e sérios.

Era o seu mordomo, White Glove. A preocupação alastrou-se em seus olhos celestes enquanto escutava uma respiração irregular e ofegante de sua patroa, apesar de ela estar com o rosto virado contra ele por algum motivo. Mas ele continuou com sua rotina e dever de perguntar somente o necessário, sem intrometer-se na vida de seus contratadores de serviços.

— Minha senhora? Novas cartas estavam no correio. Algumas delas pode ser algo importante, para serem entregas durante o período da tarde. Gostaria de lê-las?

Havia uma mochila nas costas do mordomo. Octavia olhou para o saco pelo canto do olho ligeiramente e voltou a olhar opostamente ao mordomo. Ela não queria encará-lo, seus olhos púrpuras estavam vermelhos e irritados de tanto molhá-los e esfregá-los. Ele não precisava saber; ela continou a tocar seu melodia aleatória.

O mordomo observou para a nuca negra de sua patroa e, sem mover a cabeça, moveu os olhos para a parede em frente a Octavia: as velas estavam apagadas e em todas só restavam rastros de fumaça. Suspeitosamente as velas estavam sob os quadros dos dois indivíduos importantes para ela: Sr. Maior e Sra. Menor.

— Eu posso voltar mais tarde, se preferir, Srta. Octavia. — White Glove girou o seu corpo para a saída e começou a trotar para fora.

Octavia girou sua cabeça e lançou o casco bruscamente em direção ao mordomo, pedindo para esperar. No meio disso, ela soltou um rouco, — Não!

O mordomo parou. Octavia aspirou e virou seu rosto contra a porta novamente. Seu rosto cinzento tingiu-se de vermelho, — Idiota! Que estúpido “não” foi aquele?! — ela se perguntou com o casco entre os dentes.

— P-pode deixar as cartas aí mesmo, White Glove. — Octavia tentou disfarçar continuando a conversa. Ela voltou a tocar uma melodia qualquer, sem olhar diretamente para ele. — Obrigada por trazê-las para mim… Mais tarde, antes de dormir, ler-as-ei ao terminar essa melodia. Está um pouco difícil de concluí-la, pode demorar um tempo.

Calmamente o mordomo virou a cabeça, — Tem certeza, Srta. Octavia? —  E então, gentilmente — A senhorita parece… realmente ocupada. Eu posso deixá-los lá embaixo em seu escritório–

— Não, está tudo bem. — ela respondeu de imediato — Pode deixá-las aí mesmo. Pouco importa onde ou quando: eu as lerei do mesmo jeito.

Octavia mordeu seu lábio e apertou os olhos, sem parar de tocar — Afe, sua idiota! Pare de ser grossa com ele! Não precisa ficar nervosa!

— … Muito bem, então. — disse White Glove calmamente.

O mordomo virou seu corpo novamente e trotou em direção a sua patroa. Ele puxou com os dentes duas pilhas grandes de cartas amarradas de sua mochila e as empilhou ordenadamente perto dela.

Octavia suspirou por um momento, respirando mais devagar agora. Ela ainda não parou de tocar, mas sua melodia estava repentina e lentamente mudando de tonalidade. Para um tom mais grave; mais triste. Uma lágrima estava surgindo de seus olhos conforme ela devaneava, lembrando-se de seu mais recente e falho concerto melancólico neste quarto. Ela rangiu os dentes, irritada — Isso tinha que voltar agora?! Sua boba! —. Octavia começou a respirar discretamente pela boca, para evitar qualquer fungação nasal e fez o que pôde para não interromper sua falsa melodia para enxugar  seus olhos úmidos. Por algum motivo, ela não queria que ele a visse desse jeito. Ela precisava que ele saísse daquele quarto imediatamente, mas sem parecer grosseira.

— Há algo mais em que eu possa fazer para a senhorita? — seu mordomo finalmente perguntou.

Foi uma pergunta padrão mas ele precisava perguntar mesmo assim. Mau ele saberia que essa pergunta seria a salvação divina para sua patroa! Graças a Celestia, ela pensou aliviada. Octavia aproveitou a chance.

Ela limpou a garganta, garantindo que sua voz não falhasse — Não, White Glove. Já pode ir.

O mordomo acentiu com a cabeça — Como quiser, senhorita. — e pediu licença.

White Glove se virou e trotou até a saída do quarto de sua respeitosa patroa. Ele silenciosamente fechou a porta do quarto atrás dele, deixando-a mais uma vez sozinha  em seu recanto particular.

Octavia ainda estava tocando seu Contra-Baixo, estava esperando alguns pequenos segundos para ter certeza de que ela estava sozinha. Ela parou rudemente de tocar e entrou em colapso novamente. Largou seu arco e abraçou seu instrumento. Cobriu o seu rosto com os cascos, tentando segurar e esconder as lágrimas soltas de seus olhos. Mas não pôde conter seus curtos e abafados soluços. Ela fungava e esfregava seu rosto molhado, mas só irritava sua pele cinzenta e seus olhos púrpuras, deixando suas cores naturais para uma cor vermelha superficial.

— Droga! Não pára, simplesmente não pára! Por que eles não param de escorrer?! Malditos!

Essa luta já estava se tornando inútil; elas não vão parar de escorrer desse jeito violento. Ela olhou ao redor e procurou desesperadamente por algo que pudesse resolver esse malefício. Sentada no meio do cômodo, ainda segurando o Contra-Baixo em seus braços, ela olhou para as paredes; para o armário; para as cômodas; para as velas; para a janela. Não encontrava nada e as lágrimas continuavam; sua visão já estava ficando embaçada e ficou mais difícil de enxergar. Como último recurso, ela olhou para o chão e em volta dela. Ela já estava perdendo as esperanças.

Para a sua surpresa, ela encontrou algo inesperado. Em cima das duas pilhas de cartas, havia o que se podia dizer um pedaço grande de lenço branco. Ela não sabia se era um lenço de verdade ou se era uma de suas cartas, mas ele brilhou em luz e faíscas como ela nunca havia visto antes. Sem pensar duas vezes, agarrou e apalpou-o em seus olhos e rosto. Era macio e cheiroso. — Um lenço! Que bom! — O lenço absorvia a água de seu rosto como esponja e sua pele já estava deixando de ficar irritada. Ela apalpou o lenço mais suavemente; aos poucos, as lágrimas que escorria descontroláveis de seus olhos ficaram secas; até parar finalmente. Incrível! Foi questão de segundos! Um milagre!

Octavia terminou de se livrar do incômodo ao assoar o nariz, expulsando os males do corpo que a prejudicava. Ela apertou os olhos e empurrou, e empurrou com todas as forças. E, finalmente, aspirou e suspirou longamente.

— Que alívio… — ela pensou.

Octavia nunca se sentiu tão bem. Suas narinas estavam livres e seus olhos e pele não mais vermelhos e irritados. Para ela, sinceramente, foi um alívio prazeroso. Ela aspirou e suspirou lentamente, sentindo seu corpo inflando e esvaziando. Pouco importava os cheiros e a poeira, ela queria apenas sentir seu organismo pulsando vividamente. Respirando e expirando longa e repetidamente fazia com que o coração batesse mais freneticamente pois a quantidade de oxigênio era grande e ele precisaria bombear ao máximo para levar todo esse ar para o corpo, fazendo o sangue circular mais rápido. E o sangue, quando circulava mais rápido, aquecia os vasos sanguíneos, que também aquecia e relaxava seus tensos músculos. Ela estava entrando em um estado zen de sensação.

Octavia descançou o pesado Contra-Baixo no chão. Ela relaxou os músculos e abaixou os cascos para o colo, ainda segurando o lenço com os dois cascos. Ela respirava e expirava repetidamente. Aquele lenço foi a sua salvação; expurgou toda sua tristeza e outros malefícios anteriormente, foi como mágica.

— Este lenço… — disse ela baixinho para si mesma, olhando agora para o lenço em seu colo. — … não é meu. Ele não estava aqui antes. Alguém o deixou aqui… — e, então, virou os olhos para as duas pilhas grandes de cartas ao lado dela. — … e de propósito.

Octavia compreendeu o quê aconteceu; fechou os olhos suavemente e suspirou com um leve sorriso no rosto — Não o culpo por preocupar-se comigo. Ele está apenas fazendo o seu trabalho. Mas foi muito gentil. Obrigada.

Ela esfregou um pouco a testa úmida, tentando descontrair a tensão.

— Daqui alguns dias… minha carreira como– — ela soluçou, — … como musicista irá finalmente se extinguir…

Octavia olhou para o seu tronco e começou a respirar fortemente. Ele estava “vazio”. Não existia nada naquele flanco. Estava cinzento e vazio.

Ela enxugou uma lágrima que acabara de escorrer em seu rosto, — Acho que… esta é a melhor coisa a fazer… Não consigo mais viver dessa maneira… E eu não deveria estar chorando aqui como uma idiota. Foi uma decisão minha e eu já a tomei. Não posso voltar atrás. E nem deveria. Afinal… não era o meu destino.

— Mas ainda assim… — ela suspirou tristemente — Sinto como se eu estivesse fazendo uma escolha errada. Porquê me sinto assim? Porquê não me sinto feliz com isso? Porquê eu me sinto triste com qualquer escolha que eu faço?! Por que isso? O quê eu faço? — ela esfregou o lenço em seu rosto; afogando-se em lágrimas uma última vez naquela noite enfadonha.

Do lado de fora do quarto, atrás da porta, permanecia uma figura suspeita. O corredor estava escuro demais; seu rosto estava coberto por uma sombra, o que impedia de identificá-lo. Ela olhava por um buraco de fechadura. Num instante, a figura sombria ergueu sua cabeça e, sem nenhum ruído, trotou para a escada em espiral, descendo suavemente. Ela abaixou a cabeça tristemente. Ela não podia fazer nada para ajudá-la. Com toda a clareza em sua mente, ela podia vê-la: O rosto de Octavia, encharcado de lágrimas. E ela lutando para contê-las, sem nenhum êxito. Mas não havia ninguém com um lenço para seu socorro.

Fim do Prólogo

Equestria – Canterlot. 12 de Fevereiro, noite.

Era um som natural, mas ao mesmo tempo artificial: Esse som não veio da natureza, nem de um choramingo de um cão pedestre; ou de uma súbita mudança do vento; ou mesmo de uma forma oral. Não é de nenhum som produzido pela vida urbanizada e civilizada que se encontrava ao redor daquele jardim.

Não. O que ouvimos foi uma triste nota de um Contra-Baixo, habilmente tocado e pronunciado com uma distinta melancolia. Este som de outro mundo, estranhamente, veio de dentro da casa.

Passando pela porta de entrada, ornamentada com madeira escura, vitrais coloridos e uma maçaneta oval dourada, nos deparamos com um sombrio corredor estreito; espaço suficiente para dois largos indivíduos passarem ao mesmo tempo. No fim do corredor, uma escada em espiral que levava para o misterioso segundo andar. À direita, uma batente que, em seu interior, possuía uma ampla sala, com uma lareira cheia de cinzas, umas poltronas baixas e algumas largas, um tapete grande e rupestre, uma longa prateleira de livros de música, algumas pinturas e um chamativo toca-discos num dos cantos. Uma sala como sempre deveria ser: Uma apropriada sala de estar. Qual também era uma sala de jantar: uma mesa comprida o suficiente para seis pôneis se sentarem — quatro pelos lados e dois nas pontas — estava no outro lado, perto de uma outra batente que ligava a cozinha.

De volta ao obscurecido corredor de entrada, à sua esquerda havia uma pequena sala, não tão maior quanto a sala de estar/jantar. Nela possuía com uma placa dourada localizada no topo da batente que dizia “Sala dos Troféus”. O pequeno cômodo, quase com um escritório, havia uma escrivaninha, papéis — inteiros, amassados, molhados, queimados e em pedaços — dentro de uma lixeira, mais quadros para preencher cantos vazios e uma prateleira gigantesca que cobria toda uma parede. Estava cheio de troféus e prêmios de todos os tipos. Todos estavam denominados com um título, entre eles havia “Melhor Música do Ano”, “Melhor Músico Estreante do Ano”, “Melhor Canção Solo do Ano” e muitos e muitos outros “Melhores do Ano” e de outros Anos.

Porém, podemos ver que há um troféu especial na prateleira. Conscientemente colocado no centro de todos os troféus. Por algum motivo, era muito importante e muito querido para obter um lugar de tamanho destaque entre os demais.

Uma fotografia.

Da dona desta modesta moradia, Octavia, como uma pequenina e jovem potranca. Ela estava abraçando um pequeno Contra-Baixo, seu mais precioso e único instrumento. Seus pais estavam ao seu redor, sentados e com um sorriso caloroso em seus rostos equestres. Todos estavam muito felizes; muito satisfeitos… ou apenas aparentavam ser. Ao lado da fotografia, uma espécie de papel velho e empoeirado estava sentado em aberto para todos lerem. Nele está escrito à boca:

“Querida Octavia,

Eu, diretora do Colégio Equestriano da Música(CEM), Loud Noise, tenho o orgulho e o prazer em lhe entregar esse certificado de autenticidade. Você, como proprietária desse certificado, foi provado que você está dedicado a viver e amar o mundo da música e da exuberante melodia. Nós, os professores da CEM, afirmamos através da sua dedicação à arte e ao conhecimento no campo da música, e estendemos a você nossos agradecimentos e nossos parabéns. Eu pessoalmente ofereço a você minha benção de que, um dia, você será conhecida e reconhecida como a grande musicista que és. Nosso conselho de despedida: Ame tua família e acredite naqueles que te cercam, sejam amigos ou colegas. Em algum lugar no meio destes, há sempre um casco amigo.

Boa sorte!

Loud Noise.”

O som de um Contra-Baixo encobria todos os cantos da casa. Se tivéssemos que sentir as paredes de madeira, sentiríamos a casa vibrar com o toque profundo das notas com os acordes do escandaloso Contra-Baixo. Cada nota, estava sendo tocado em maior tom. Dó maior, Ré maior, Mi maior. O ar estava pesado, espesso; uma sensação um tanto desconfortável que dificultava a respiração.

Subindo para o segundo andar, pela escada em espiral no final do corredor estreito, o som do Contra-Baixo ficava cada vez mais audível; estamos chegando perto da fonte do som. Chegando lá, as paredes e os ouvidos vibravam mais do que quando estávamos na Sala dos Troféus e a fonte dessa frenetização sonora estava vindo no quarto mais próximo da escada, pela direita de quem sobe.

Adentrando ao quarto com delicadeza, não havia nada de anormal nele. Mesinhas de cabeceira em cada das poltronas, um sofá simples, uma cômoda larga com utensílios ainda misteriosos, um armário de roupas. Praticamente um quarto normal; só que mais vazio e sem uma cama. Não era bem um quarto para se dormir, mas para apenas estar lá; existindo. Mas neste quarto, habitava uma pônei que seria muito difícil de classificar como normal.

Octavia. Sentada em uma cadeira baixa, tocando seu volumoso Contra-Baixo. Uma jovem e atraente pônei cinzenta. Seus cabelos longos carbonizados pareciam um tanto embaraçados; alguém não conseguiu dormir direito naquela noite sonolenta. Seus olhos de cores por enquanto desconhecidas estava fechados, demonstrando profunda concentração durante seu concerto particular.

Octavia é um perfeita imagem de postura e foco, uma pônei que não falava a menos que tinha algo relevante para dizer e, mesmo assim, quando as palavras não variavam ou eram insuficientes, ela procurava outros meios de transmitir seus pensamentos.

Um exemplo deste outro meio de comunicação que ela usaria é o seu precioso instrumento. Tocando notas altas e com mais fervor, ela desmonstraria felicidade; agitação; festa. Fazendo convidados festejarem uma comemoração sem importância ou animar indivíduos tristonhos e estressados, que mereciam uma fuga de realidade para fantasiarem seus sonhos por um momento. Mas com um tom mais baixo e numa frenetização mais lenta nas cordas, passa a demonstrar melancolia; tristeza; solidão. Por que deveríamos esconder nossas tristezas? E enganar quem nos importamos com falsas emoções? Vale a pena ser orgulhoso ou egoísta? Com notas ainda baixas mas com cascos mais ligeiros e fortes ao esfregar o arco sobre as cordas, sua esdrúxula emoção de tristeza passa a ser de uma selvagem raiva; ódio. Cordas sendo destroçadas e sacudidas com tanta força que assusta o instrumento inanimado e desperta um medo antes inexistente de torcer seu braço rústico, arrebentar as cordas tensionadas ou quebrar o esquelético arco.

Octavia estava sozinha no quarto mas era evidente de que ela não estava sozinha em seus pensamentos. Ela estava tocando intensamente, como se estivesse tocando em uma orquestra ou em um concerto. Mas ao invés para uma platéia, onde vários trabalhadores pagaram com suas suadas economias mensais para ver um espetáculo que dizem ser o único em suas únicas vidas, ela estava tocando para si mesma; para o instrumento; e para o nada.

Em frente a ela, havia dois retratos pendurados na parede. Abaixo deles estavam cravadas duas placas douradas, os títulos que denominavam os quadros nas placas foram escritos em letra de boca em alta temperatura. Estavam escritos nas duas placas em nítido contraste: “Srta. Minor” e “Sr. Major”.

Abaixo dessas placas, estavam sendo iluminadas por velas acesas, num típico ritual de honra e respeito… aos que não estão mais presentes. As velas eram a única fonte de luz mais abundante no quarto em uma noite estrelada sem Lua; estava obscurecida pelas densas nuvens negrescas. Não importa quantas velas estejam acesas no quarto, não expulsava a aparência fria e acinzentada do ambiente. O quarto estava mais cinzento que a própria Octavia, a combinação do ambiente com a cor da pelagem dela faziam-na camuflar-se perante o cinza da sala.

A música que Octavia escolheu para tocar era uma das suas canções proclamadas como “Melhores do Ano”. Uma canção feliz, alegre, compenetrada. Por que ela o está tocando de uma forma triste e melancólica? Octavia não ia parar de tocar a música. Ela não podia; ela queria terminá-la. Ela precisava terminar aquele solo.

O ar do ambiente estava pesado e o eco das vibrações do Contra-Baixo incrustava nas paredes, no chão e no teto de sua casa. Pesado e triste. Seu rosto realizava uma intensa expressão enraivecida enquanto tensionava o próprio queixo, forçando as lágrimas que quase escorriam de seus olhos de continuarem seu caminho. Apesar de fazer o possível de esconder sua angústia, era inútil empurrar para dentro; era muito mais forte do que ela.

Ela mordeu o lábio e pressionou os olhos. Ela sufocou um suspiro, um soluço silencioso, mas não era o suficiente para interrompê-la de seu concerto: De um casco segurava o arco e do outro segurava o braço do Contra-Baixo. As lágrimas, que fluíam de seus olhos como uma nascente ininterrupta, ela tentava ao máximo retê-las e contraí-las.

— Não… se atreva a chorar agora… — disse ela em seus pensamentos, — Este… é o ultimo refrão.

Como um pônei sendo torturado, seu corpo estava coberto de indesejadas tremulações. Mas ao contrário de uma tortura a base de dor, medo e desespero, com direito a ferimentos, cordas apertadas e ferros em brasa, esse tipo de tortura não podia rasgar aço, não podia cortar cordas, nem mesmo causar feridas. Eram os acordes do Contra-Baixo, quase vivo pelo som de suas notas executadas pela musicista.

Eram apenas Octavia e seu Contra-Baixo, sozinhos no quarto sob uma mortalha melodia. A tortura era em sua mente, em sua alma, uma verdadeira tortura psicológica. Sem dor. Sem objetos. Sem aberturas.

Octavia respirou estremecendo, quase como um gemido.

A última nota.

Octavia largou o arco em seu casco e começou a entrar em colapso com o chão, mas ela se pendurou sobre o Contra-Baixo; o instrumento a segurava de uma forma como seguraria um verdadeiro amigo.

Só agora a nascente podia escorrer livremente pelo rosto de Octavia. As lágrimas escorriam rapidamente pelas bochechas cinzentas dela. Algumas linhas aquosas bifurcavam pelo braço do seu precioso instrumento. Agora era o Contra-Baixo que chorava junto a ela.

Octavia tentou usar suas esgotadas forças para segurar-se no Contra-Baixo. Não para se levantar, mas para abraçá-lo. Ela o apertava pelo tronco do instrumento desesperadamente. Seu rosto esfregava em seu braço de madeira vernizado de uma forma carente e carinhosa. A situação ao qual ela se encontrava deve ser desconfortante para chegar ao ponto de abraçar um objeto frio e sem vida; abraçar um mero instrumento de madeira morta de um ser que já esteve vivo na natureza.

A pônei melancólica ergueu os olhos finalmente revelados para os dois retratos em frente a ela, já não mais iluminados pelas pequeninas velas; elas haviam se apagado. O quarto ainda estava tingido em um tom cinza, mas a Lua foi libertada das espessas nuvens do céu noturno para pratear o cômodo acinzentado ao invadir sua luz artificial pela janela envidraçada. Seus olhos púrpuras e profundos brilhavam e tremiam perante essa invasão lunar em seu recanto particular.

— Mãe… Pai… — as palavras ecoavam em sua mente de forma clara e familiar… para a sua infelicidade. Ela soltou o peso de sua cabeça e deixou-a cair sobre os braços enrolados no cabo de seu Contra-Baixo. Ela voltou a chorar.

— Não funcionou de novo… — ela babulciou entre surdos soluços e voz falha — Ache– Achei que ia dar certo dessa vez. Foi tão intenso…  —  fungou e esfregou o nariz — Mas… eu ainda reconheço eles…

Alguém bateu a porta. Octavia estremeceu e, num sobressalto, ergueu-se do Contra-Baixo. A pônei cinzenta olhou para a porta.

— S-sim? — ela gaguejou, — Porcaria! — resmungou em seguida enquanto massageava a garganta.

— Srta. Octavia? — uma voz masculina veio do outro lado da porta, — Tenho vossa permissão de adentrar em seu recanto particular?

Octavia esfregou o máximo que pôde seus cascos nos olhos para tentar enxugar suas lágrimas. Ela não queria que ninguém a visse nesse estado embaraçoso e em meio as trevas deste cômodo mal-iluminado. Ela deu um longo suspiro, tentando controlar seu tom de voz, prejudicado com gaguejos e soluços. Silenciosamente deixou o seu instrumento deitado no chão e foi cambaleando até o interruptor. Girou a chave para cima e o quarto iluminou-se. Seus olhos acostumados com a escuridão cinzenta irritaram-se um pouco com a luz meramente forte, mas ela logo se recompôs. Voltando a cadeira, Octavia ergueu seu Contra-Baixo, pegou o arco caído no chão com o casco livre e o empunhou para as cordas de seu instrumento, voltando a tocar uma melodia qualquer para fingir estar ocupada.

Octavia limpou a garganta antes de pronunciar — “… Sim, tem minha permissão.” — ela virou o rosto contra a porta, com o corpo em frente à parede emoldurada.

A maçaneta gritou no quarto. O som da porta se abrindo e fechando ecoou de uma forma patética, em comparação as notas do Contra-Baixo. Um pônei adulto cor de creme adentrou-se no quarto de Octavia. Ele percorreu o cômodo com seus olhos azuis, avaliando o local,  e encontrou sua patroa no meio dele, tocando seu único amigo-postiço instrumento de corda e madeira. Aquele corcel cremático estava vestindo um terno preto simples; seus trotes eram precisos e sérios.

Era o seu mordomo, White Glove. A preocupação alastrou-se em seus olhos celestes enquanto escutava uma respiração irregular e ofegante de sua patroa, apesar de ela estar com o rosto virado contra ele por algum motivo. Mas ele continuou com sua rotina e dever de perguntar somente o necessário, sem intrometer-se na vida de seus contratadores de serviços.

— Minha senhora? Novas cartas estavam no correio. Algumas delas pode ser algo importante, para serem entregas durante o período da tarde. Gostaria de lê-las?

Havia uma mochila nas costas do mordomo. Octavia olhou para o saco pelo canto do olho ligeiramente e voltou a olhar opostamente ao mordomo. Ela não queria encará-lo, seus olhos púrpuras estavam vermelhos e irritados de tanto molhá-los e esfregá-los. Ele não precisava saber; ela continou a tocar seu melodia aleatória.

O mordomo observou para a nuca negra de sua patroa e, sem mover a cabeça, moveu os olhos para a parede em frente a Octavia: as velas estavam apagadas e em todas só restavam rastros de fumaça. Suspeitosamente as velas estavam sob os quadros dos dois indivíduos importantes para ela: Sr. Maior e Sra. Menor.

— Eu posso voltar mais tarde, se preferir, Srta. Octavia. — White Glove girou o seu corpo para a saída e começou a trotar para fora.

Octavia girou sua cabeça e lançou o casco bruscamente em direção ao mordomo, pedindo para esperar. No meio disso, ela soltou um rouco, — Não!

O mordomo parou. Octavia aspirou e virou seu rosto contra a porta novamente. Seu rosto cinzento tingiu-se de vermelho, — Idiota! Que estúpido “não” foi aquele?! — ela se perguntou com o casco entre os dentes.

— P-pode deixar as cartas aí mesmo, White Glove. — Octavia tentou disfarçar continuando a conversa. Ela voltou a tocar uma melodia qualquer, sem olhar diretamente para ele. — Obrigada por trazê-las para mim… Mais tarde, antes de dormir, ler-as-ei ao terminar essa melodia. Está um pouco difícil de concluí-la, pode demorar um tempo.

Calmamente o mordomo virou a cabeça, — Tem certeza, Srta. Octavia? —  E então, gentilmente — A senhorita parece… realmente ocupada. Eu posso deixá-los lá embaixo em seu escritório–

— Não, está tudo bem. — ela respondeu de imediato — Pode deixá-las aí mesmo. Pouco importa onde ou quando: eu as lerei do mesmo jeito.

Octavia mordeu seu lábio e apertou os olhos, sem parar de tocar — Afe, sua idiota! Pare de ser grossa com ele! Não precisa ficar nervosa!

— … Muito bem, então. — disse White Glove calmamente.

O mordomo virou seu corpo novamente e trotou em direção a sua patroa. Ele puxou com os dentes duas pilhas grandes de cartas amarradas de sua mochila e as empilhou ordenadamente perto dela.

Octavia suspirou por um momento, respirando mais devagar agora. Ela ainda não parou de tocar, mas sua melodia estava repentina e lentamente mudando de tonalidade. Para um tom mais grave; mais triste. Uma lágrima estava surgindo de seus olhos conforme ela devaneava, lembrando-se de seu mais recente e falho concerto melancólico neste quarto. Ela rangiu os dentes, irritada — Isso tinha que voltar agora?! Sua boba! —. Octavia começou a respirar discretamente pela boca, para evitar qualquer fungação nasal e fez o que pôde para não interromper sua falsa melodia para enxugar  seus olhos úmidos. Por algum motivo, ela não queria que ele a visse desse jeito. Ela precisava que ele saísse daquele quarto imediatamente, mas sem parecer grosseira.

— Há algo mais em que eu possa fazer para a senhorita? — seu mordomo finalmente perguntou.

Foi uma pergunta padrão mas ele precisava perguntar mesmo assim. Mau ele saberia que essa pergunta seria a salvação divina para sua patroa! Graças a Celestia, ela pensou aliviada. Octavia aproveitou a chance.

Ela limpou a garganta, garantindo que sua voz não falhasse — Não, White Glove. Já pode ir.

O mordomo acentiu com a cabeça — Como quiser, senhorita. — e pediu licença.

White Glove se virou e trotou até a saída do quarto de sua respeitosa patroa. Ele silenciosamente fechou a porta do quarto atrás dele, deixando-a mais uma vez sozinha  em seu recanto particular.

Octavia ainda estava tocando seu Contra-Baixo, estava esperando alguns pequenos segundos para ter certeza de que ela estava sozinha. Ela parou rudemente de tocar e entrou em colapso novamente. Largou seu arco e abraçou seu instrumento. Cobriu o seu rosto com os cascos, tentando segurar e esconder as lágrimas soltas de seus olhos. Mas não pôde conter seus curtos e abafados soluços. Ela fungava e esfregava seu rosto molhado, mas só irritava sua pele cinzenta e seus olhos púrpuras, deixando suas cores naturais para uma cor vermelha superficial.

— Droga! Não pára, simplesmente não pára! Por que eles não param de escorrer?! Malditos!

Essa luta já estava se tornando inútil; elas não vão parar de escorrer desse jeito violento. Ela olhou ao redor e procurou desesperadamente por algo que pudesse resolver esse malefício. Sentada no meio do cômodo, ainda segurando o Contra-Baixo em seus braços, ela olhou para as paredes; para o armário; para as cômodas; para as velas; para a janela. Não encontrava nada e as lágrimas continuavam; sua visão já estava ficando embaçada e ficou mais difícil de enxergar. Como último recurso, ela olhou para o chão e em volta dela. Ela já estava perdendo as esperanças.

Para a sua surpresa, ela encontrou algo inesperado. Em cima das duas pilhas de cartas, havia o que se podia dizer um pedaço grande de lenço branco. Ela não sabia se era um lenço de verdade ou se era uma de suas cartas, mas ele brilhou em luz e faíscas como ela nunca havia visto antes. Sem pensar duas vezes, agarrou e apalpou-o em seus olhos e rosto. Era macio e cheiroso. — Um lenço! Que bom! — O lenço absorvia a água de seu rosto como esponja e sua pele já estava deixando de ficar irritada. Ela apalpou o lenço mais suavemente; aos poucos, as lágrimas que escorria descontroláveis de seus olhos ficaram secas; até parar finalmente. Incrível! Foi questão de segundos! Um milagre!

Octavia terminou de se livrar do incômodo ao assoar o nariz, expulsando os males do corpo que a prejudicava. Ela apertou os olhos e empurrou, e empurrou com todas as forças. E, finalmente, aspirou e suspirou longamente.

— Que alívio… — ela pensou.

Octavia nunca se sentiu tão bem. Suas narinas estavam livres e seus olhos e pele não mais vermelhos e irritados. Para ela, sinceramente, foi um alívio prazeroso. Ela aspirou e suspirou lentamente, sentindo seu corpo inflando e esvaziando. Pouco importava os cheiros e a poeira, ela queria apenas sentir seu organismo pulsando vividamente. Respirando e expirando longa e repetidamente fazia com que o coração batesse mais freneticamente pois a quantidade de oxigênio era grande e ele precisaria bombear ao máximo para levar todo esse ar para o corpo, fazendo o sangue circular mais rápido. E o sangue, quando circulava mais rápido, aquecia os vasos sanguíneos, que também aquecia e relaxava seus tensos músculos. Ela estava entrando em um estado zen de sensação.

Octavia descançou o pesado Contra-Baixo no chão. Ela relaxou os músculos e abaixou os cascos para o colo, ainda segurando o lenço com os dois cascos. Ela respirava e expirava repetidamente. Aquele lenço foi a sua salvação; expurgou toda sua tristeza e outros malefícios anteriormente, foi como mágica.

— Este lenço… — disse ela baixinho para si mesma, olhando agora para o lenço em seu colo. — … não é meu. Ele não estava aqui antes. Alguém o deixou aqui… — e, então, virou os olhos para as duas pilhas grandes de cartas ao lado dela. — … e de propósito.

Octavia compreendeu o quê aconteceu; fechou os olhos suavemente e suspirou com um leve sorriso no rosto — Não o culpo por preocupar-se comigo. Ele está apenas fazendo o seu trabalho. Mas foi muito gentil. Obrigada.

Ela esfregou um pouco a testa úmida, tentando descontrair a tensão.

— Daqui alguns dias… minha carreira como– — ela soluçou, — … como musicista irá finalmente se extinguir…

Octavia olhou para o seu tronco e começou a respirar fortemente. Ele estava “vazio”. Não existia nada naquele flanco. Estava cinzento e vazio.

Ela enxugou uma lágrima que acabara de escorrer em seu rosto, — Acho que… esta é a melhor coisa a fazer… Não consigo mais viver dessa maneira… E eu não deveria estar chorando aqui como uma idiota. Foi uma decisão minha e eu já a tomei. Não posso voltar atrás. E nem deveria. Afinal… não era o meu destino.

— Mas ainda assim… — ela suspirou tristemente — Sinto como se eu estivesse fazendo uma escolha errada. Porquê me sinto assim? Porquê não me sinto feliz com isso? Porquê eu me sinto triste com qualquer escolha que eu faço?! Por que isso? O quê eu faço? — ela esfregou o lenço em seu rosto; afogando-se em lágrimas uma última vez naquela noite enfadonha.

Do lado de fora do quarto, atrás da porta, permanecia uma figura suspeita. O corredor estava escuro demais; seu rosto estava coberto por uma sombra, o que impedia de identificá-lo. Ela olhava por um buraco de fechadura. Num instante, a figura sombria ergueu sua cabeça e, sem nenhum ruído, trotou para a escada em espiral, descendo suavemente. Ela abaixou a cabeça tristemente. Ela não podia fazer nada para ajudá-la. Com toda a clareza em sua mente, ela podia vê-la: O rosto de Octavia, encharcado de lágrimas. E ela lutando para contê-las, sem nenhum êxito. Mas não havia ninguém com um lenço para seu socorro.

Fim do Prólogo

Fanfic, Fanfics estrangeiras

O pônei em meu bolso

Autor: BaroqueNexus

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Eu tive um sonho na noite passada.

Em meu sonho, estava voando com Rainbow Dash, voando alto sobre as nuvens, observando Equestria abaixo de nós. Rimos e sorrimos, ela não parecia se importar que eu era humano. Ela apenas queria se divertir, e eu estava perfeitamente contente com isso.

Nós voamos até o sol mergulhar no horizonte, e deixar o céu com uma tonalidade alaranjada. Mas quando olhei para cima, senti um calor intenso no meu rosto, senti o cheiro da fumaça. Dash disse alguma coisa para mim, mas não escutei, estava meio surdo. Então percebi que o céu não se parecia apenas com o fogo, ele era o fogo. As nuvens se transformaram em terríveis gotas de fumaça preta, e colunas de fogo explodiram no céu, nos aprisionando em uma gaiola de fogo.

Minha audição retornou, e escutei o rugido faminto das chamas. Senti meu coração bater rápido. Eu ouvi Rainbow Dash tentando respirar.

Então ele apareceu.

Um monstro, algo que nunca tinha visto antes. Parecia ser feito de chamas das quais acabou de emergir.  Eu vi seus olhos vermelhos, seus dentes holocáusticos, ele berrou com uma voz que nos derrubou do céu e abalou a terra.

Ele se jogou sobre nós. Eu não tinha energia. Não podia me mover. Estava sangrando. Dash estava chorando… com medo? Ou talvez… impotência?

Eu nunca descobri. Naquele momento, o monstro de fogo estava praticamente sobre nós. Eu não sabia o que fazer. O monstro estava vindo me matar.

Então repentinamente, do nada, Rainbow Dash se jogou na minha frente. Antes que qualquer um de nós pudesse fazer um barulho, o monstro de fogo bateu contra ela, e eu vi uma expressão de dor emergindo de seu rosto. Suas lágrimas evaporavam, suas asas se queimavam, e sua crina de arco-íris se incendiava. Mas ela não gritou, nem se contorceu.

Antes, ela olhou para mim.

Seus olhos estavam arregalados de medo, e pela primeira vez percebi que a famosa Rainbow Dash não era invulnerável. Ela começou a hiperventilar quando seu peito brilhava em vermelho. Ela disse alguma coisa, muitas coisas, mas eu não escutava.

Ela sabia o que ia acontecer. Fechando os olhos, ela se deixou ser consumida pelas chamas.

Rainbow Dash desapareceu dentro de um vortex de fogo. Quando eu gritei, o vórtice contraiu e depois explodiu, lançando uma parede de fogo em minha direção. Eu não podia fazer nada, senão me encolher em uma posição de proteção e esperar pelas chamas me engolirem.

Nada aconteceu.

Olhei para cima. As chamas se foram. Estava de dia. As poucas manchas de cinza era tudo o que restou da grande pégasus Rainbow Dash. Aquilo, e o belo arco-íris que se estendia pelo céu…

Isso foi ontem à noite. Eu tinha acordado de manhã, banhado de suor, tanto que o cara embaixo de mim no beliche, soldado Jimmi Tochac, pensou que eu tinha mijado em cima do colchão.

Por alguma razão, durante meu tempo no Afeganistão, treinando no campo aéreo de Bagram ou patrulhando os arredores de Kawari, nada se destacava tanto quanto o sonho. Eu não conseguia decidir se era um sonho ou um pesadelo.

Eu estive no inferno e voltei no Afeganistão, me esquivando de balas e bombas, vendo amigos serem mortos ou gravemente feridos a ponto de preferirem estarem mortos. Não se passava um dia durante minha estadia naquele lugar, sem sentir como se não fosse ver o amanhã.

Mas então…

Lá estava eu, sentado ao pé da minha cama no alojamento. Foram 1.102 horas. Minha unidade foi definida para patrulhar Kawari dentro de uma hora. Foi um ótimo dia de agosto, pelo menos ótimo para o padrão Afegão.

O termômetro na janela marcava 93ºFarenheit. E ainda assim estava tão frio.. tão gelado…

Rainbow Dash…

Minha filha, Julia foi quem me fez conhecer My Little Pony. Quando minha unidade, a 13º unidade militar terminou as operações no Iraque, fui para casa com minha esposa e filha em Conectut, mesmo que temporariamente. Eu sabia que não ficaria lá por muito tempo. Estávamos sofrendo baixas no Afeganistão, e embora Obama vivia prometendo a retirada das tropas, eu sabia que estávamos sendo empurrados para fora de uma latrina e despejados em outra.

Ainda assim, o dia que eu vim para casa foi um dos mais felizes em minha vida. Eu me lembrei da neve caindo do lado de fora e dos gritos alegres de Julia e minha esposa quando bati na porta. Me lembrei do nosso husky siberiano, Michelle, pulando de alegria. Até mesmo os nossos vizinhos, os Thompsons, que tinham primos no Iraque, se aproximaram. Era uma noite de felicidade e alegria.

Mas isso não iria durar. Eu não ficaria mais que duas semanas em casa. Mas essas duas semanas, nunca vou esquecer. Julia, de então nove anos, havia perdido outro dente. Minha esposa, Lore, foi promovida em seu escritório de advocacia. Tudo parecia estar indo bem.

Então eu tive que dizer a elas que iria voltar.

Loren reclamou. Julia gritou e implorou. Mesmo Michelle parecia evitar-me, abaixando-se afastada sempre que eu tentava acariciá-la. De repente eu tinha me tornado um inimigo para a minha família, e não poderia culpá-los.

É o que é, eu tinha dito à Loren três dias antes que fui chamado novamente. Eu tinho que fazer isso.

Sabia que a cada dia ela temia receber um telefonema ou que um homem bateria na porta e lhe diria que o seu marido estava morto. Sabia que ela estava preocupada a ponto de me evitar quase toda semana. Sabia o que aconteceria se Julia descobrisse que não tinha mais pai.

Eu sabia, mas não queria pensar sobre isso.

Um dia antes de ir para o Afeganistão, vi minha filha na frente da televisão, acariciando Michelle, com os olhos grudados na tela. Sentei-me ao lado dela e perguntei o que estava assistindo.

“My Little Pony.” Ela respondeu, sorrindo. “É o meu favorito.”

Eu já tinha ouvido falar de My Little Pony antes, mas isso foi na década de 80 quando era apenas um marketing destinado às crianças pequenas. Mas este show parecia diferente. Os personagens eram bem arredondados, o conteúdo era divertido, e pouco a pouco me vi ligado com os pôneis de Equestria …

“Ah sim, ela ama esse show.” Disse Loren. “Não é possível obter o suficiente dele. Ela tem brinquedos e bonecas do desenho em seu quarto. “

Então fui até o quarto de Julia e encontrei, juntamente com o visual típico de um quarto de menina da idade dela, figurinhas de pônei, desenhos de pônei e livros de colorir pôneis. Metade do quarto era dedicado a pôneis.

Me senti seguro naquele quarto, por algum motivo. Me senti como se pertencesse a ele.

E assim começou.

O dia do meu embarque, no aeroporto JFK, após nossos beijos e abraços de uma triste despedida, minha Júlia me parou pela última vez.

“Papai!”

Eu me virei, com a rajada do ar-condicionado bagunçando meu uniforme. Ela veio para mim, com Loren logo atrás. Estava usando sua camisa da Princesa Disney e um casaco roxo, mas ela segurava algo azul claro em sua mão. Seus olhos brilhavam com lágrimas quando me ajoelhei para ela.

O que é isso, querida?”

Soluçando, ela estendeu a mão, revelando o objeto azul.

Era um boneco de pônei azul, com asas e crina de arco-íris e um relâmpago colorido em seu flanco.

“Essa é Rainbow Dash, papai, quero que você fique com ela.”

Fiquei chocado, não sabia o que dizer. “Mas Julia, é o seu brinquedo.”

“Rainbow Dash representa o espírito da lealdade.” Sussurrou minha filha. “Ela não te abandonará, papai, sempre estará ao seu lado.”

Meu coração saltou naquele momento. Abracei minha filha com tanta força que tinha medo de sufocá-la, então me afastei e lutei contra minhas próprias lágrimas.

“Obrigado, querida.” Eu disse, tirando a pônei de suas mãos e colocando em meu bolso. “Você sempre vai estar comigo também.”

Eu a beijei no rosto, e ela colocou os braços em volta do meu pescoço.

Eu nunca queria deixá-la.

“Cabo!”

Eu estava segurando o pônei de plástico, sonhando acordado, quando o berro do meu comandante me trouxe de volta à atenção. O boneco da Rainbow Dash caiu de minhas mãos e, felizmente, ficou fora da vista, ao lado do meu tronco.

“Sim, sargento!” eu respondi, prestando atenção.

O Sargento Lionel Kassel, também conhecido como Castelo de Leão, ficou parado na porta do quartel vazio. Um homem aguerrido, seus olhos escuros combinavam com sua pele parda fria. Era uma pessoa com pouco bom senso. Geralmente homens com o título de sargento eram assim.

“Cabo Wolfe.” Ele disse, procurando prender minha atenção ainda mais. “O comboio vai para Karawi às 12:30 horas e você ainda não está pronto para ir. Explique-se.”

Sua voz estava baixa, mas não severa. Eu tive que escolher minha resposta cuidadosamente. Olhando para frente, eu disse: “Eu não tenho nenhuma explicação, sargento!”

“Muito bem, cabo. Deixe-me explicar uma coisa: se eu não te ver no Hangar nº3, vestido e pronto, daqui meia hora, vou colocá-lo em KP até a próxima ronda. Fui claro?”

“Sim, sargento!”

“Mãos à obra, soldado!” ele se virou e saiu.

Eu suspirei e quando estava prestes a me vestir me lembrei do boneco da Rainbow Dash. Ao pegá-la, me perguntei se deveria levá-la comigo.

A voz da minha filha ecoou em minha mente: “Ela sempre estará com você, papai.”

Eu suspirei, vestindo meu uniforme e colocando a pegasus de plástico no bolso da camisa.

Fiquei pronto em menos de quinze minutos, e quando saí, a luz forte do sol me cegava juntamente com o calor, e eu pensando que já tinha me acostumado. As atividades de hoje seriam em Bagram. Helicópteros modelos Black Hawks e A-10 sobrevoavam os blindados na pista. Passando pela base, eu finalmente cheguei no Hangar 3, avistando meus homens armados e preparados. O Sargento Kassel os abordava.

“… esperamos um pouco de fogo cruzado, mas os moradores acham que os Hazaras e os Tadjiques podem estar em território Karawi. Esta é uma tarefa para os comboios de rotina: chegar ao ponto Bravo, deixar os suprimentos, e em seguida dar o fora. Curto e doce. Soldado Tochak, eu quero você na Humvee, Wolfe como artilheiro. Schmidt e Lewis, vão com Velazquez no caminhão. Os demais em suas posições de sempre. Vamos lá! “

Um grito de “Hooah!” ergueu-se entre os soldados, e eu entrei no meio, mesmo sabendo que este seria um passeio no parque.

Eu continuo dizendo que sei das coisas. Mas eu não sei. Não acho que seria difícil. Eu não acho que até o final do dia, mais pessoas que eu chamo de amigos, poderiam estar mortas.

Eu nunca poderia saber.

Planejando férias em algum lugar no mundo? Siga o meu conselho. Evite o Afeganistão. Basta imaginar o deserto de Mojave, cheio de pessoas que te odeiam. É assim que o lugar parecia. Eu estava andando no Humvee segurando minha arma. O motorista, um soldado chamado Collins, usava aviadores que eram grandes demais para seu rosto. A poeira praticamente cegava nossa visão enquanto viajávamos ao longo da estrada de terra para Karawi.

“Então, Ben.” Disse Collins, com um sotaque do Texas.

“Então o que?”

“Então, qualquer coisa. Não sei… o que mais há para falar? “

“Que tal não falarmos, e você manter seus olhos na estrada?”

“Ah, claro. Bateu uma nuvem de poeira, o que faço? Pode ser um escorpião ou outra coisa? “

“Collins…”

“Bem, bem, apenas tentando puxar assunto.”

Esse era Ryan Collins. Nunca sabia quando calar a boca, mas era um bom soldado.

Uma voz falou no rádio. “Gold Four, responda, câmbio”.

Peguei o rádio. “Aqui é Gold Four, prossiga.”

“Gold Four, aqui é Gold One, fiquem alertas, possíveis mísseis vindos de Karawi, noroeste, cerca de 113 graus. Observem as trilhas de fumaça, não há alvos confirmados, câmbio “.

Eu fiz uma careta. Lançamento de foguetes?  “Entendido, Gold One. Esteja preparado para contato com possível inimigo, mas continuem a missão. “

“Ok, Gold Four, câmbio e desligando.”

Eu me inclinei no meu banco, sentindo o suor escorrendo na minha testa. Collins deu uma risadinha.

“Talvez nós mataremos alguns cabeças de toalha hoje.”

Foi a última coisa que ele disse.

No momento em que o Humvee entrou nos limites da cidade de Karawi, eu sabia que havia algo errado. Tinha quatro Humvees em nosso comboio, seguido por dois caminhões de carga. Eu estava no Humvee quatro, mas sabia que algo estava acontecendo. Chame do que quiser, mas tive uma sensação de como se estivéssemos na merda real.

Minhas suspeitas foram confirmadas quando, do nada, um foguete voou baixo rente à estrada e atingiu Gold One, explodindo através do pára brisa.

“DROGA!” Eu gritei. “CONTATO AO NORTE! VÁRIOS HOMENS! GOLD ONE ABATIDO! “

O soldado Collins desviou em torno de Gold Two e Three, sendo incapaz de parar, acabou batendo na traseira do Humvee destruído. Outro míssel veio em espiral, e vi a partir da trilha de fumaça que ele veio de um prédio de vários andares para o nordeste. O foguete explodiu cerca de vinte metros da carcaça do Gold One, jogando poeira e fumaça sobre a rua.

Em seguida, o tiroteio começou, um disparo constante de AKs e M60s. Collins pisou no acelerador enquanto eu preparava a minha arma, mas de repente um “CRÁS!” alto me chamou a atenção, e antes que soubesse o que estava acontecendo, a nossa Humvee estava em rota de colisão com uma construção.

Nós batemos na construção a cerca de 30 milhas por hora, e se não fosse o meu cinto de segurança, eu teria morrido. Quando minha mente e visão voltaram ao normal, pude ver a causa do acidente: o Soldado Collins levou um tiro na garganta, matando-o instantaneamente, e o seu peso se inclinou sobre o pedal do acelerador. Puxei o rádio enquanto a batalha ocorria em torno de mim.

“Aqui é Gold Four! meu motorista foi abatido! Vários contatos ao norte e ao RPG no prédio situado a noroeste! “

Eu não esperava por uma resposta. Acima de mim, o soldado Jimmy Tochak não estava atirando, e quando seu corpo caiu através da abertura no teto do Humvee, vi um ferimento nele, e então sabia que estava sozinho.

Eu tropecei nos destroços do Humvee. Meu nariz estava quebrado, e tinha certeza que sofri uma concussão. Fiquei alerta, usando um pilar na calçada como proteção, revidando fogo.

Era um gargalo. Os combatentes estavam disparando a partir do norte, e um míssil destruiu um dos caminhões de carga, bloqueando qualquer caminho para fora da cidade. Estávamos presos. O rádio era um aviso constante de atualizações e gritos. Eu ouvia a frase “homem abatido” mais e mais vezes, mas logo o tiroteio havia se tornado tão alto que não conseguia ouvir mais nada além de gritos.

Atirei no edifício de vários andares. Disparei pela rua. Se eu percebia movimento, disparava. O soldado Shrapnel tinha quebrado a mira telescópica da minha M4A1, e eu mal conseguia enxergar com ela.

Algo batia em meu coração.

“FUI ATINGIDO!”

Eu enxergava tudo escuro. O mundo estava girando. Tudo parecia tão distante, tão abafado. Ninguém viria me salvar. Eu estava morto.

Eu estava morto…

Quando finalmente recuperei a consciência, a batalha ocorria na parte superior. Eu vi quando alguns dos nossos rapazes começaram a atacar com os helicópteros Phantoms e Apaches quase obliterarando Karawi. Eu me vi amarrado em uma maca, com a batida rítmica de rotores do helicóptero Blackhawk enchendo meus ouvidos.

Eu não estava morto.

Mas muitos outros estavam.

A bala atravessou meu colete, passou pelo kevlar e parou lentamente. Algo mais tinha parado a bala. Era pra eu estar morto.

Os médicos não disseram nada enquanto me carregaram para o Blackhawk. Eu não disse nada. Queria saber como ainda estava vivo.

Então me lembrei.

A dor aumentou quando coloquei a mão no meu bolso no peito, mordendo a língua para não gritar enquanto sentia o buraco da bala.

Lá.

Eu retirei a minha mão. Na palma dela haviam fragmentos de sangue e estilhaços de plástico na cor azul. O maior pedaço, rasgado e manchado pela bala, estava coberto pelo meu sangue. Eu podia ver que era uma cabeça, uma cabeça com crina de arco-íris…

O pônei em meu bolso. Quebrado, ensanguentado.

O pônei em meu bolso salvou minha vida.

Pensei em meu sonho, quando voei com Rainbow Dash, quando ela explodiu em chamas, quando ela mergulhou na minha frente, para …

Para salvar minha vida.

Eu sorri. Em um dia de morte desenfreada, eu sorri.

Obrigado, Julia.

Obrigado, Rainbow Dash.

Eu estaria perdido sem você.

Fechei os olhos e deixei o sono me alcançar. Dormi em paz, sem sonhos.

Fanfic, Fanfics estrangeiras

My Little Fortress: TeamWork is Magic – Parte 6

Autor: Xaldensmutanthamster

Tradução: Matheus Dinero

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[Próxima Parte]

Finally, aqui está a 6ª Parte da Fanfic My Little Fortress! Peço desculpas pela demora, essa semana fiquei cheio de bombas provas… É, não é fácil não u_u, mas não foi só isso! Estão inclusas também as aulas a tarde (e nem te falo do que são…) e basquete à noite, ô dureza.

Nesta parte, a Trixie aprenderá como entrará em batalha com sua classe de médica, além de não ter prestado atenção nos treinamentos, ela fica indignada com sua classe, apesar de não ser eficaz em ataques corpo a corpo, a principal função é “curar e acompanhar”, com a estratégia de avançar e dar o suporte de vida aos colegas de equipe, e com sua habilidade especial, o UberCharge! Como a Trixie só fala dela mesma (em terceira pessoa ainda, essa Trixie…) e só pensa nela, faz o contrario da função de sua classe, que pode prejudicar muito seu time. Boa Leitura!

——–

“BASTA!” Trixie resmungou. “A Grande e Poderosa Trixie está cansada de morrer!”

“Seus companheiros não estão lhe protegendo corretamente?” O Medic tentou fazer o sentido de tudo. Os pôneis estavam fazendo um bom trabalho, claro que eles sabiam proteger o Medic…

“A Grande e Poderosa Trixie não precisa de companheiros! O inimigo se enche de medo quando eles veem a Grande e Poderosa Trixie procurando por eles!”

A boca do medico estava aberta. “C… Como assim você não precisa de companheiros? Quem você está curando se está indo sozinha?”

“Curando?”

“Ai Senhor…” O Medic estava começando a perder a paciência, colocando sua mão em seu rosto. “Você não curou ninguém ainda, né?”

“Oh, é claro que não. A arma que você deu à Grande e Poderosa Trixie não pode curá-la”

O doutor começou a murmurar baixinho uma sequencia de palavras que pareciam muito ofensivas se Trixie entendesse sua língua nativa. “É claro que não pode curá-la, você cura os outros! Ah, já sei, você estava brincando né? Muito engraçado”

“A Grande e Poderosa Trixie não estava brincando.”

“Era isso que eu estava com medo. Você ainda nem curou uma coisinha durante essa semana e meia que você esteve aqui. Seu time trabalhou muito duro desde então, e você não fez sequer uma coisa”

“Quero que você saiba que eu matei cinco pessoas!”

“ATÉ AGORA!?” Ele suspirou pesadamente, balançando sua cabeça. “Então você não estava apenas curando ninguém, estava sendo um médico em batalha. Desnecessário.”

Trixie indagou-se e preparou uma resposta, mas o Medic interrompeu-a.

“Eu não tenho certeza se você sabe o que deve fazer, mas deixe-me explicar isso, tudo de novo. Você deve apontar essa medigun em alguém que está ferido e acompanhá-lo. Tentar atacar o inimigo sozinho é a pior coisa que um Medic pode fazer. Então a partir de agora você vai sair daqui, procurar seus companheiros que estão feridos, e curá-los. Entendeu?”

Trixie olhou para o doutor, mas ele lançou um olhar mais nervoso. Ela andou pra fora da sala, resmungando. “Quem ele pensa que é? Ninguém insulta Trixie e dá as costas para ela. Não há truques, a Grande e Poderosa Trixie pode fazer o que ela quiser! E ela vai começar tratando desses plebeus para a luxuria com seu raio de cura!”

——–

Ela apontou o raio no primeiro pônei que ela viu. Infelizmente foi com a melhor voadora de Ponyville. Trixie lutou para ficar perto o suficiente para deixar o raio na pegasus colorida. “Ah! Mais devagar seu cérebro de penas coloridas!”

Dash parou friamente e Trixie alcançou-a, ofegante. “Trixie, você obviamente sabe nada sobre mim”

“E isso seria?”

Dash bateu suas asas “Rainbow Dash. Nunca. Vai. Devagar” Com isso, ela decolou como um raio.

Trixie ficou admirada por alguns segundos, depois fez uma careta. “Mas que potrinha ignorante. Ela com certeza não é inteligente o bastante para apreciar minha utilidade” Ela olhou através da ponte e viu uma unicórnio branca entrando na base RED. ‘Então foi essa a unicórnio que baguncei o cabelo dela. Rarity, não é?’ Trixie seguiu-a. Ela apontou a medigun e começou a curá-la. Rarity pulou e olhou bruscamente para Trixie.

“O que você pensa que tá fazendo!?” Ela disse em um sussurro abafado.

“Te curando. Não precisa agradecer, A Grande e Poderosa Trixie pode sentir sua apreciação se radiando”

“Não, sua idiota! Você vai estragar o meu disfa-a-a-AAAA…!!!” Sua sentença foi interrompida por um Pyro vindo ao redor de um canto e queimando Rarity rapidamente à morte. Trixie tentou fugir, mas um sinalizador acertou suas costas, colocando-a em chamas. Ela caiu logo após.

Trixie reapareceu na sala branca e estava cara a cara com uma unicórnio fumegante. “EU ACHO que é muito provável quando um BLU Medic está CURANDO UM RED PYRO!!” Rarity gritou, saindo da sala colocando um outro disfarce.

“Ohhh, não precisa ser arrogante” Ela falou ironicamente para Rarity, saindo da sala. Trixie andou em direção à ponte quando avistou uma pegasus amarela encolhendo-se debaixo das janelas do embasamento onde ficavam os Snipers. ‘Ah, mas do que em nome de Celestia ela está com medo? Que um pássaro pode pousar na cabeça dela? Ah, tudo bem, eu acho que curá-la pode ajudar a tirar dessa frustração’ Trixie começou curá-la. Fluttershy gritou, deixando escapar um barulho semelhante de um bode. Trixie começou a rir. “Não há necessidades de ter medo! A Grande e Poderosa Trixie decidiu ajudá-la!” Trixie irradiou de alegria, à espera de ser louvada de agradecimentos.

Fluttershy levantou-se, falando nada exceto um suave ‘obrigado’ que foi muito baixo para Trixie ouvir. A unicórnio azul franziu a testa. ‘Se eu não vou ser apreciada, é melhor eu achar alguém que saiba falar. Não tem nada pra fazer aqui encima mesmo.’ Ela pensou. “Ah tinha esquecido, tenho mais lugares para ir, pôneis mais importantes para curar. Até mais!” Trixie andou para longe, mas foi parada na frente da porta por um coelho olhando para ela muito irado.

“Ah, e eu acho que você também deseja a assistência da Trixie, não é coelhinho?”

Angel pulou no topo de sua cabeça, em seguida dando pisadas com seu pé. Depois deu um salto saindo da cabeça de Trixie.

Trixie esfregou sua cabeça com seu casco. “Au! Tudo bem então, você acaba de perder o suporte da melhor unicórnio de Equestria!”

——–

“Ugh. Mais uma vez tem alguém é muito tolo para apreciar meus esforços” Twilight educadamente não rejeitou nenhuma cura de Trixie, pois ela estava fora da zona de batalha, ajudando Engi, portanto não precisava de cura. Trixie viu a pônei laranja que bateu nela com sua chave inglesa há poucos dias. Ela mesquinhamente trotou até ela e lançou o raio em seu alvo.

“Ah, é ocê. Eu acho que devo agradecê-la por estar me curando. Mas eu meio que tenho meu dispenser. Então ocê pode ir achando alguém que precisa de mais vida do que eu, tudo bem?” Applejack falou, batendo no dispenser com sua chave inglesa.

“Oh, mas esta é a grande tragédia. Todos eles não estão interessados na companhia de Trixie. Você mal se qualifica” Applejack começou a bater mais forte no seu dispenser com sua chave inglesa. “Todos eles recusaram a dar a Trixie o elogio que ela tanto merecia, portanto esses não vão receber a ajuda de Trixie. Você deve considerar-se sortuda. Você tem o bom senso em deixar a Trixie a honrar-te com sua presença, Caipira”

“JÁ CHEGA!” Applejack jogou sua chave inglesa na Trixie.

Trixie gritou e desviou da chave inglesa, quase acertando seu chifre. “Qual seu problema!?” Ela gritou, indignada

“Eu queria tanto que OUTRO PONEI estivesse aqui no seu lugar! Você não se preocupa com ninguém a não ser você mesma! Você nem sabe meu nome! Eu não gosto nem um pouquinho docê! Ninguém gosta! Você nos prendeu aqui nesse mundo que não é nosso, e podemos nunca mais voltar! Mas ocê não se importa, desde que alguém te dê uma pancada na sua cabeça. Então é melhor ocê ficar fora do nosso caminho até a gente arranjar um jeito de arrumar a SUA confusão!”

Trixie rangeu seus dentes. “Eu me recuso a ser insultada por caipiras que provavelmente não conseguem contar até quatro sem usar os cascos de outro pônei!”

“Eu sugiro que ocê saia da minha vista antes que meus cascos comecem a falar por mim!”

Trixie foi embora, pisando no chão com raiva. Applejack pegou a chave inglesa e bateu com toda a sua força no dispenser.

——–

Dash correu para fora do respawn. Ela esfregou seu pescoço, onde um Demoman tinha degolado sua cabeça conforme como a espada dele cortou-a. ‘Eu prefiro que isso não aconteça hoje de novo… Perai… Que som é esse?’ Quando ela passou da rampa da sala, ela ouviu algo atrás da porta. Parecia como um… choro? Ela esticou seu pescoço e viu uma unicórnio azul, atrás da porta com os cascos cobrindo seu rosto. No outro canto, estava seu equipamento de medico colocado em uma pilha que pareceu que foi jogado contra a parede. Dash parou de observá-la, envergonhada. ‘Que droga. Odeio ver alguém tão chateado assim, mesmo se for a Trixie’ Ela entrou na sala obscura. “Trixie? Você tá bem?”

“Sai daqui! Eu não quero ser vista desse jeito!”

“O que aconteceu?”

“Eu falei pra sair!”

“Não até você desembuchar!”

Trixie olhou os olhos rosa escuros de Dash. “Tudo bem! Todo mundo me odeia e queria que eu não estivesse aqui! Tá bom pra você!?” Ela gritou e afastou-se, silenciosamente retomando seus soluços

Dash voltou-se para ela. “Tenho certeza de que nem todo mundo te odeia”

“Como não? Todo mundo aqui, você, Rarity, Applesmack”

“Applejack”

“Que seja! Até o coelhinho me odeia”

“Bem… Eu não te odeio.”

“Eu não sou idiota. Não minta para mim”

“E não estou! Bem, eu não gosto de você, só por falar, mas eu não te odeio. E eu sei que Pinkie não tem como te odiar. Ela não odeia ninguém ou qualquer coisa”

“…Quem é Pinkie”?

“Pinkie Pie?”

“Quem?”

“Como assim, você não conhece a Pinkie? Ela esteve aqui a semana toda!”

“É aquela pônei rosa?”

 Ao ouvir isso, quase que Dash deixou escapar um ‘Claro, Dã’ para a unicórnio. “Sim, é ela. Você já falou com ela?”

“…Não…”

“Então tá esperando o que? Vai procurar e curá-la. Ela é perfeita! Ela se machuca toda hora!”

Trixie tirou seu casco debaixo de seu olho. “Você… acha mesmo isso?”

“Trixie, eu te garanto” Dash pegou o chapéu e entregou-a, amigavelmente cutucando em seu ombro. “Se sente melhor?”

Trixie deu um rápido abraço na pegasus. “Muito melhor” Ela pegou seu equipamento. “E se você contar para alguém que eu te abracei, eu vou arrancar a sua pele para uma nova capa. Entendeu?” Dash imitou fechando um zíper nos seus lábios. “Bom mesmo” Trixie correu para fora da sala com mais confiança, procurando pelo seu alvo rosa.

——–

Trixie viu a pônei rosa terrestre atravessando a ponte, e ela chegou até ela. Trixie estava prestes a falar algo quando de repente Pinkie mergulhou na canção:

“Sandvich, Sandvich, Sandvich!

Pinkie ama seu Sandvich!

Tomates, alface, queijo e pão de centeio

Me deixa forte pra acabar com o time vermelho!

Sandvich, Sandvich, Sandvich!

Dando o fora sem nenhum ‘Vixe!’ ”

Me curando e curando Tu

Vencendo isso para o nosso time BLU!”

 Pinkie segurou a nota por alguns segundos, depois olhou ao seu lado e viu Trixie, que olhou muito confusa. “Olá…! É a Trixie, certo? Você acredita Trixie que eu nunca fiz uma festa pra você quando você chegou na cidade! Juro que quando voltarmos eu faço uma pra você! Quero dizer, se você quizer uma, mas quem não iria querer uma festa estilo Pinkie Pie? Ou não me chamo a Primeira Pônei Organizadora de Festas de Ponyville!” Pinkie continuou falando sem parar por mais alguns segundos até Trixie interrompê-la.

“Tudo bem, Pinkie. Hoje é seu dia de sorte, por que você vai ter a oportunidade de deixar eu lhe acompanhar!”

“Ooh! Legal! O que você vai fazer?”

“Tá vendo essa arma especial?” Pinkie acenou com sua cabeça rapidamente. “É bem simples, ela pode lhe curar e será capaz de-“ Ela foi interrompida por um abraço esmagador tirando seu ar fora de seus pulmões.

“Quer dizer que eu posso lutar sem precisar de voltar ao respawn tantas vezes!? YIPPIE!” Pinkie largou-a rapidamente, e Trixie cambaleada por alguns segundos, recuperando sua respiração.

“É” Ela tossiu. “Mas você precisa fazer algo por mim. Você precisa me manter viva então eu posso usar a arma em você. Fechado?” Pinkie colocou seu casco em sua testa

“Fechado!”

——–

‘Como ela pode ser tão forte?’ Quando Trixie ponderou, um Demoman caiu do embasamento inimigo, atrás de Pinkie. “Cuidado!” Trixie lançou o raio em Pinkie quando a pônei terrestre virou-se e disparou uma rajada de balas no inimigo. O homem lançou granada atrás de granada nas duas. Uma acertou Trixie, fazendo que ela gritasse. Outra granada acertou-a e ela parecia que já estava abatida. Uma granada brilhante lançou-se contra Pinkie, acertando-a em cheio. Mas ela continuou de pé, derrubando o Demoman com sua minigun.

“UAAU! Isso que foi legal!” Ela virou para Trixie. “Eita! Geralmente essas brilhantes dai me matam na hora! Isso significa que você me manteve viva!”

“Ótimo, e eu não me sinto muito bem…” Trixie ainda estava no chão, titubeando pelas granadas que a havia acertado. Tinha quase tirado toda a sua vida.

Um sanduiche num prato caiu na frente dela. Ela olhou para uma expectante Pinkie. “Coma isso! Vai te fazer sentir melhor!” Ela não tinha nada para comer durante todo o dia e ela não tinha nada a perder. Ela deu uma mordida provisória e sentiu um poder surgir através dela. Ela se sentiu muito melhor. Assim que ela terminou de comer, sentiu-se à força total.

“Mas o que foi isso?”

“Se o sandvich pode te curar, você pode me curar!”

“Ah, entendi” O sino tinha chamado para o término da batalha. “Parece que temos que voltar logo, mas eu acho que vou ficar com você quando nós começarmos amanhã novamente”

“Hum, tudo bem, contanto que você cure meus amigos, se eles precisarem. Fechado?”

“…Fechado. E eu acho que isso é o começo de uma bela parceria” Pinkie soltou uma risada e as duas caminharam de volta ao acampamento para a bela noite. 

——–

Próxima parte: Fluttershy, classe: Sniper, Notinhas: Abaixo\/

Nota1: Como eu falei, o médico é uma classe de ‘suporte de vida’,  não é muito sucessiva no combate corpo a corpo, e muito menos quando estiver com pouca vida. Porém é uma das classes mais estratégicas do jogo, com sua habilidade especial UberCharge, que ao estiver a barra carregado em 100%(a barra se enche conforme você estiver curando alguém), habilita instantaneamente você e seu alvo a ficarem invulneráveis e com um brilho ao redor do corpo da cor do time que você estiver em um intervalo de ao torno de 10 segundos, é geralmente aplicado nos game modes Capture the Point e Payload como uma intenção de facilitar a situação de um time e avançar o ataque, é bem legal ;).

Nota2: E essa música da Pinkie do Sandvich, não pude resistir de deixar uma rima legal em portugues! Na musica em ingles os versos em que ela fala “pão de centeio” foi o mais dificil de encontrar uma rima, pois estava em inglês: “Salad, lettuce, cheese and bread makes me strong to beat up RED!” Como você vê, não consegui encontrar nenhuma palavra que rimasse com “RED”, então decidi colocar “vermelho”, já que o time era vermelho mesmo ^^. Mas agora eu precisava que pensar em um ‘pão’ que rimasse com vermelho! Ficou muito mais complicado ainda, portanto logo lembrei do ‘pão de centeio‘ (não sei como eu lembrei desse tipo de pão mas tudo bem), uma massa de pão feita na cidade de Chaves, em Portugal, é feita de farinha de centeio (Dã), e no preparo, ele fica branco e bem macio! Porém não é muito semelhante ao ‘Sandvich’, mas como era o unico tipo de pão que consegui lembrar e pesquisar, tinha a rima que eu queria e não tinha nada a perder, considerei ele na rima. Mas até que ficou bom, não é? xD

Fanfic, Fanfics nacionais

Sem Palavras para Descrever – Apresentação

Apresentação

Autor: Grivous

Gênero: Normal, Triste, Drama, Romance

Sinopse: ”Em alguns dias, um show será apresentado na pequena cidade de Ponyville, como o último show da carreira musical de uma musicista muito famosa de Canterlot: Octavia. Twilight Sparkle e suas amigas ficaram encarregadas de aprontar os preparativos para o Grande Evento. Os fantasmas de seu passado continuam assombrar a jovem musicista, a ponto de isolar-se do mundo e daqueles que ama. Num único evento, cheio de reviravoltas e grandes emoções, ela está para descobrir algo muito mais do que apenas o fim…”

LIVRO I :

Prólogo

Capítulo 1 – Empolgação

Capítulo 2 – Cascos e Coices

Capítulo 3 – Desinformado e Desinteressado

Capítulo 4 – Convidado ou Intruso?

Capítulo 5 – Casa da Mãe Joana

Capítulo 6 – Recuperação

Capítulo 7 – Algo a mais

Capítulo 8 – Amanhã

LIVRO II:

Capítulo 1 – Caminhada

Capítulo 2 – Muffin

Capítulo 3 – Companhia

Capítulo 4 – Mudanças

LIVRO III:

Capítulo 1 – Ausência

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Era uma vez,

num reino encantado de Equestria…

Existia uma grande cidade no coração desse maravilhoso reino de cor e magia. Um lugar cheio de artesãos; feiticeiros mágicos e encantados; artistas de todos os cantos; e figuras muito famosas a cada metro quadrado nas ruas. Era um ponto muito percorrido pelos andarilhos deste reino por causa do comércio, pelo conhecimento e pelos sonhos glamorosos. A Lua, grandiosa e atraente como sua Mestre-Princesa, subia alto e solene num brilho lívido de prata; os telhados polidos dos edifícios reluziam em várias tonalidades pálidas: em vermelho pelas telhas ruborizadas das pequenas casinhas; em ouro-púrpuro pelo teto das altas torres do Castelo; e em luz lúcida pelas lisas e frondosas paredes e muros que aconchegavam a cidade e os habitantes em seus lares.

Essa desejada cidadela era Canterlot. Uma apenas das inúmeras e valiosas cidades em Equestria. Dentre cidades, havia vilas e vilarejos, sejam eles pequenos ou grandes, mas muito amados por cada cidadão destes.

Os cidadãos, pequenos, mas muito audaciosos, ocupavam os lares e lojas das ruas dessa larga cidadela. Essas criaturas podem ser bastante incomuns ou de se estranhar que possam existir num lugar como esse, tão parecido com muitos reinos literários conhecidos ou de muitas estórias já contadas fora de outras obras escritas. Não é de se deixar enganar pelas enfadonhas aparências desses habitantes; histórias de aventuras podem ser vivenciadas, amizades podem ser conquistadas e amores podem ser sonhados e desejados. Eles vivem e possuem a vida como qualquer um.

O mais interessante desses seres é que seus mais fortes sentimentos podem, além de ser sua principal força, também ser sua maior fraqueza. Suas decisões pela escolha de suas emoções, e suas repentinas reações quando realçadas em seus atos, afetam tudo e todos ao seu redor, dando espaço para possibilidades e destinos não antes esperados por eles e elas. Sentimentos negativos são os espíritos malignos neste mundo; quando usados em grande intensidade, podem corrompê-lo e trazer-lhe a ruína para os outros, inocentes de seus atos egoístas, e também para si mesmo, com suas escolhas orgulhosas e egoístas.

Pontos escuros e coloridos andavam pelas ruas noturnas da cidade. Desses pontos podiam-se ver fachos opacos de luz, iluminando seus caminhos obscurecidos pela noite. Estranhamente, esses pontos de luz que carregavam com eles são mais de uma cor; havia vários tons vermelhos, tons verdes-musgo, tons amarelos-margarida; formigando aleatoriamente. Mas o mais importante é que estavam rindo; conversando entre eles. Estavam felizes e bem-humorados; assim como sempre deve ser.

E por que eles não deveriam estar? Eles estão cercados pelo melhor do melhor e pelo belo do belo. A Praça Central, localizada ao lado do ponto de comércio da cidade, possuía um belíssimo parque de vida selvagem. Lá viviam vários tipos de pássaros; coelhos dormiam em suas tocas abaixo da terra; e tartarugas se banhavam na margem rasa do lago.

O lago. Uma enorme poça cristalina em meio ao verde-esmeralda vívido com patos, gansos e cisnes; pálidos e reluzentes como estrelas. Submersos, nadavam vários tipos diferentes de peixes e outros seres aquáticos familiarizados. Era lindo o lugar, tanto de dia como de noite. A imagem bruxuleante do satélite da Princesa refletia sobre a quieta superfície do lago, juntamente com pontos brancos opacos em sua sombra celeste. As imagens reais e virtuais se encaravam sobre o lago como num espelho; numa admiração bela e lúcida entre eles.

As Princesas Celestia e Luna, juntas em seu prateado Castelo, formavam o ponto central de Canterlot. Seu glamoroso Castelo fora acinzentado pela sombria noite, mas ainda reluzia firmemente pela Lua de Prata. Princesa Celestia é a grande soberana do Reino de Equestria há mais de mil anos, desde os incessantes tempos sombrios em caos, desarmonia, inveja e anseio pelo poder ilimitado. Sua tarefa para seus habitantes era, além de cuidar e proteger seus súditos de terríveis ameaças conta sua população, erguer e descer o Sol para trazer e levar o dia, e dar espaço para a noite. A Princesa Luna, irmã mais nova de Celestia, é também a grande soberana do Reino, mas depois de Celestia. Sua tarefa era a mesma que a de sua ã, mas ao invés do Sol, ela controlava os movimentos da Lua; erguendo e descendo a noite para levar e trazer o dia de Celestia.

Princesa Luna, há mais de mil anos atrás, tinha sido corrompida pela inveja e ciúme dos dias ensolarados e prazerosos de sua irmã mais velha; os seus súditos, quem ela amava e respeitava, respeitavam e admiravam mais os feitos de Celestia. Eles brincavam, corriam, pulavam, vendiam, compravam o dia inteiro. Mas com a chegada da noite, não importava a mais brilhante lua ou do céu escuro mais estrelado, os pôneis dormiam em suas casas, sem ao menos olharem seu precioso trabalho natural e o admirarem. Mas esse tempo já passou, Princesa Luna está de volta com sua querida irmã mais velha e aos seus preciosos súditos. A inveja não existe mais em seu coração; mas outros sentimentos ainda perduravam.

Casas largas e luxuosas são naturalmente as primeiras da rua principal, iluminada pelas enfileiradas lamparinas, e essas mesmas casas formam o início de um expansivo corredor urbano, denominado pelos moradores de fora desta rua de “Avenida dos Famosos”.

Esparsos são os esforçados investidores que conseguem comprar um terreno para si próprio nessa rua. E pouquíssimos são presenteados com uma casa nessa rua, nem que seja a última; localizada no fim da longiquamente comprida Avenida.

E o primeiro presenteado com uma casa em meio dessa rua recheada de famosos e figuras importantes foi, é claro, Octavia.

Apesar de sua fama musical esplendorosa, Octavia vivia modestamente em uma casa com apenas dois andares e um simples, mas impecável, jardim doméstico. Flores frondosamente organizadas e moitas geometricamente cortadas davam graça e um sentimento a mais do que apenas aparentava. No jardim, havia algumas papoulas; uma fileira de rosas e tulipas; e um cantinho especial somente para as margaridas. Pequeninos vaga-lumes dançavam suavemente ao redor de suas flores.

No portão da frente, ornamentado com grades e barras de ferros negros e ondulantes, havia três significativas caixas de correio. Graças a uma pequena lamparina pendurada perto e no alto da portinhola, é possível ler o que estava escrito nessas caixas e observar o seu conteúdo: A primeira estava completa e eternamente cheia de cartas; nela estava escrito “Fãs”. Na segunda caixa estava escrito “Renda”; não estava tecnicamente cheio, mas uma desgostosa pilha de várias cartas habitava o interior dele. E, na terceira caixa de correio, estava o mais longo e importante título dentre as três: “Família/Amigos”. E estava vazio.

Espere… “Vazio”? Mas por que estaria vazio?

Houve um ruído.

Fanfic, Fanfics estrangeiras

Ferraduras

Autor: Drakin Kovar

Descrição: Twilight acorda em um lugar desconhecido, e logo percebe que está vivendo a vida de outro pônei. Somente a compreensão e compaixão poderá salvar a vida de ambos.

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O pequeno quarto estava escuro, mas a luz do amanhecer passava através de uma janela próxima. Foi o momento indefinível, quando o mundo parecia prender a respiração diante da escuridão da noite e a luz do amanhecer, como se antecipando a chegada de um novo dia.

A cabeça de Twilight começava a processar informações, usando o mesmo procedimento lógico que tinha aperfeiçoado há muito tempo, durante seus anos como aluna da Princesa Celestia. Mesmo antes de estar completamente acordada, ela já tinha começado a registrar mentalmente tudo ao seu redor. Twilight estava rígida, gelada, deitada em algo muito sólido. O que foi isso? Logo ela percebeu que não estava em sua cama, e não tinha nenhuma explicação para isso.

Mesmo semi-consciente e atordoada com a fadiga, ela se levantou rapidamente, querendo saber o que estava acontecendo.

Lentamente, abriu os olhos. A primeira coisa que notou é que não estava no seu quarto.

Reprimiu um bocejo enquanto estendia os cascos levantando do chão, e tropeçando em uma cama próxima. Sua mente ainda entorpecida levou um tempo para processar a informação e, novamente, perguntou por que havia ficado fora da cama, até notar, após esfregar os olhos, que aquela não era sua cama.

Ela estava coberta por uma colcha vermelha, mas o de Twilight era maior, com um cobertor azul estampado com estrelas, além disso, a cama estava feita, o que significa que ninguém havia dormido ali.

Seu cérebro finalmente começou a trabalhar com agilidade. O quarto era pequeno, menos de cinco metros de comprimento por três de largura, e em frente à cama, havia um longo espelho encostado na parede.

Twilight fez uma pausa para arrumar a crina e, em seguida, percebeu que algo estava pendurado em seu pescoço: um pequeno pingente que nunca esteve lá antes, era simples, pendurado em uma fina corrente. Deixando para analisá-lo depois, a pônei continuou a rever o quarto.

À sua esquerda, o outro lado da sala havia uma rústica porta de madeira que levava para fora, e era possível ver o céu da manhã através de sua pequena janela. À sua direita havia outra porta, entreaberta, mostrando um armário cheio de roupas, algumas para o uso diário, outras para o inverno, mas a maioria era variado e cheio de ornamentos.

Uma em especial lhe chamou a atenção, dava pra ver que tinha um cuidado diferenciado, mantendo-a separada do resto, era uma capa roxa, cravejado com desenhos de estrelas e luas, pendurado em um gancho de um lado do armário, juntamente com um chapéu pontiagudo, também ornamentado com estrelas e luas.

Ver aquelas roupas permitiu a Twilight juntar as peças do quebra-cabeça, tudo em torno de um único nome:

“Trixie.”

Twilight se lembrou muito bem do dia em que ela mesmo se autodenominava “Grande e Poderosa”, no dia em que veio a Ponyville afirmando ser a unicórnio mais poderosa de Equestria e, em seguida, realizando alguns truques no palco e ainda humilhando três de suas amigas.

Mas no final, ficou provado que ela era uma grande farsa, pois afirmava que uma de suas maiores conquistas foi derrotar uma ursa maior.  Acreditando nela, dois potros entraram na floresta Everfree em busca de alguma ursa, que foi atraída para a cidade, onde estava Trixie, e rapidamente veio à tona quando ela admitiu que nunca tinha vencido uma Ursa Maior, e no final, conforme Twilight explicou, aquela que veio para a cidade era uma ursa menor.

Logo depois, Trixie fugiu assim que pôde, deixando para trás os restos de sua carroça destruída, e desde então nunca mais foi vista em Ponyville.

Twilight achava difícil acreditar que Trixie faria um longo caminho apenas para se desculpar, e estava quase certa que tinha um motivo para tê-la levado para … onde quer que estivesse.

“Ela deve ter me raptado enquanto eu dormia. Mas isso não fazia sentido … Por que não me amarrou e me prendeu então? e o que a levaria a correr esse risco? orgulhosa ou não, Trixie não é estúpida”.

Aquele pequeno quarto não tinha mais nenhuma resposta para sua pergunta, então ela abriu a porta e saiu para fora, onde percebeu que estava dentro da carroça de Trixie, mas essa era um pouco maior, embora o design era idêntico daquele que viu quando a unicórnio arrogante chegou em Ponyville.

“Ela deveria estar muito bem para substituir a última que a Ursa Menor destruiu.” Disse Twilight para si mesma, examinando o local.

O ar da manhã estava frio e seco, a carroça estava estacionada do lado de fora em uma grande floresta, com campos verdes e morros que se estendiam a um vale, onde uma pequena cidade surgia de longe com o dissipar da neblina da manhã.

No início, ela pensou que era Ponyville, mas ficou desapontada em não reconhecer nenhuma das casas. Ainda assim, pensou que seria um bom lugar para começar a descobrir o que aconteceu, e não hesitou em ir lá, passando por uma estrada de terra.

Ela chegou à vila ao meio-dia, passando por uma placa com os dizeres “Bem vindo a Gildsdale!”. As casas eram pequenas e brancas, havia algumas lojas, mas a maioria eram casas normais. O sol iluminava a pintura brilhante dos imóveis, com tanta força que doía vê-los diretamente, Twilight queria ter uns óculos escuros naquele momento e se lembrou daquele que Rainbow Dash usava.

Ela andava pelas ruas, procurando por algo, qualquer coisa que pudesse ajudá-la a encontrar um caminho de volta. “Ou talvez eu esteja apenas procurando Trixie para saber o que a levou a fazer isso”. Twilight sorriu levemente.

A unicórnio roxa passou por um mercado onde os vendedores anunciavam em voz alta os benefícios de seus produtos. Foi onde ela viu uma barraca de pão, seu aroma anunciava que tinha acabado de sair do forno, além de um delicioso cheiro de canela que a deixou com água na boca.

“Desculpe-me”, disse Twilight à pônei bronzeada, com cabelos loiros ao lado da barraca. “Eu gostaria de um pedaço de pão, por favor”.

Twilight estava prestes a tirar seu dinheiro da bolsa, quando uma voz rude lhe respondeu:

“Lamento, não temos nada para você”.

Com a confusão evidente em seu rosto, Twilight virou-se para o pônei.

“Perdão?!”

“Não temos nada para uma artista sem talento. Repetiu o pônei em um tom ainda mais rude”.

Além de confusa, Twilight se sentiu um pouco magoada.

“Do que você está falando??”

“Não se faça de inocente, saia daqui antes que eu chame os guardas”.

Ela saiu e tentou a sorte em outros lugares, mas onde quer que fosse, os proprietários diziam a mesma coisa, a recusavam e a chamavam de malandra vigarista. Olhando mais atentamente, percebeu que outros pôneis próximos ficavam olhando e cochichando sobre ela.

No final, sentada em um banco, soltou um longo gemido de frustração.

“O que está havendo?? os pôneis daqui não são nada gentis e parecem achar engraçado tratar mal os forasteiros.”

Por um momento Twilight sentiu seu coração dar um salto, o sotaque que começou a ouvir era tão familiar, apesar de ser uma voz diferente. Virando para o lado, ela viu uma barraca de maçãs perto dela e, depois disso, a figura de um pônei, seu cabelo era verde e amarelo listrado, crina clara, assim como a calda, usando uma fita no final de sua crina e sua marca especial parecia três bolos de sabores sortidos.

Naquele momento, ela percebeu aqueles olhos verdes olhando para ela como se fosse alguma sujeira não removida.

Demorou um pouco para Twilight se lembrar de quem era, mas conseguiu.

“Applefritter, você estava na reunião da Família Apple, certo?”

“Como ocê sabe meu nome?” perguntou com um sotaque forte, mas com um olhar ainda mais feio do que antes.

“Nós nos encontramos naquela reunião.” Respondeu Twilight. “Foi meu primeiro dia em Ponyville”.

“Eu não sei do que ocê tá falando.” A pônei bufou. “Eu nunca vi ocê antes, mas Applejack me contou tudo a seu respeito nas cartas que recebi dela”.

O coração de Twilight saltou novamente.

“Disse que ocê tem uma língua afiada, uma impostora que dizia ser muito especial …”

A unicórnio sentiu seu coração cair em um poço profundo, deixando em seu peito um vazio tão grande quanto o seu casco. A vendo deprimida, Applefritter jogou-lhe uma maçã.

“Aqui, mesmo que ocê seja uma boba, não vou deixar um pônei morrer de fome na minha frente.”

A unicórnio agradeceu sem jeito e deixou a cidade enquanto comia a maçã  com a cabeça cheia de perguntas sobre onde estava, como chegou lá, e por que Applejack teria dito aquilo tudo sobre ela em suas cartas.

Perdida em pensamentos, não percebeu que tinha percorrido de volta para a carroça de Trixie, quase se chocando com ela. Ao olhar para ela, porém, seus olhos arregalaram.

Em sua lateral estava pintado o sinal típico de boas-vindas, feito com redemoinhos ornamentado e curvas intrincadas com muitos detalhes, mas o que realmente impressionou foi a pintura no meio. Estava a ilustração da própria Twilight, usando o chapéu e capa de Trixie, esticando as patas dianteiras em uma pose arrogante, e sobre a sua cabeça, a frase:

‘A Grande e Poderosa Twilight’

Twilight não sabia o que pensar. Sua mente estava perdida confusão, sem idéia do que estava acontecendo. Levou de cinco a dez minutos apenas balbuciando incoerências, falando sozinha ao lado da carroça.

Mas no final, conseguiu organizar seus pensamentos.

“Não pode ser, não pode… primeiro acordo em um lugar estranho, enfrento olhares de repúdio, e agora isso? Ou Trixie está me pregando uma peça digna de um prêmio, ou de alguma forma estou vivendo a sua vida. Então isso significa que …”

Ela soltou um suspiro, e afastando-se, correu novamente em direção de Gildsdale.

Após a chegada, pensou em pressionar o dono da loja para vender-lhe um mapa de Equestria, mas finalmente decidiu levá-lo e deixar o dinheiro no balcão antes de sair correndo, desacelerando para uma caminhada até alcançar os limites da cidade, onde abriu o mapa, localizando Ponyville e Gildsdale nele.

Twilight deixou escapar um gemido, pois a viagem levaria dois dias, pelo menos, com uma parada em outra cidade antes de continuar. Irritada, ela foi até a carroça de Trixie novamente, não gostava da idéia de usá-la, mas era melhor do que dormir no chão.

Sem perder tempo, começou a testar como fazer ela se mover, no final, só tinha que andar na frente e puxá-la com sua magia, a carroça era mais leve do que parecia e não exigia muito esforço. Com pressa, Twilight entrou na estrada, ansiosa para começar a sua jornada.

Depois de dez quilômetros, estava detestando cada um de seus passos. Sua pele estava suja e empoeirada, a boca tinha gosto de terra, as costas doíam por estar puxando a carroça, em suma, ela realmente queria gritar.

A unicórnio parou para descansar na beira da estrada, onde ficou refletindo sobre o que aconteceu. Esta era a vida de Trixie, e pelas evidências que havia encontrado foi assim por muitos anos. Twilight ainda estava zangada com ela, mas também tinha pena. Mesmo assim ela não poderia desistir, tinha que voltar para Ponyville e confrontar Trixie sobre o ocorrido.

O sol estava se pondo quando ela chegou em uma vila, que de acordo com o mapa se chamava Lockburg. Era um pouco maior que Gildsdale e seus moradores pareciam na maioria pôneis agricultores. A julgar pelo número de celeiros, havia pelo menos seis fazendas que cercavam a cidade, e três moinhos de vento aparentemente utilizados para moer os grãos colhidos.

Twilight sabia que era inútil observar essas coisas, e ainda que gostasse de se distrair começou a descer em direção à cidade, o que facilitou os últimos quilômetros. Depois de revistar sua bolsa enquanto caminhava, a unicórnio suspirou quando percebeu que tinha pouco dinheiro, apenas o suficiente para uma pequena refeição. Uma voz em sua cabeça lhe disse, lembrando da carroça, que poderia fazer um show para ganhar dinheiro.

“Não.” Twilight murmurou para si mesma. “Eu não quero recorrer a isso, sou aluna da Princesa Celestia, e não devo fazer shows para os outros”.

Twilight ficou surpresa com sua própria declaração um pouco arrogante e estremeceu quando sua mente lembrou: “Mas você não é você neste momento. Você não está presa na vida de uma unicórnio artista? De que outra forma vai ganhar a vida?”

“Mas não tenho a intenção de ganhar a vida desta forma.” murmurou Twilight. “Devo encontrar Trixie para termos nossas vidas de volta ao normal”.

“E condenar ela a viver essa vida de novo?” Perguntou a consciência de Twilight, que tentava ignorar esses pensamentos enquanto ela se aproximava da aldeia.

A noite caiu e Twilight ainda estava indecisa sobre o que fazer. A escuridão assustava mais e mais, como se uma força invisível estivesse tentando roubar suas esperanças. Ela estava com muita fome, e seu estômago doía a ponto de deixar seu orgulho de lado, decidindo levar a carroça até a cidade. Com um pouco de sorte, talvez poucos pôneis se aproximariam e assim não chamaria tanta atenção.

Mas a sorte não estava do seu lado naquela noite. A carroça passou por um solavanco, quando entrou na praça central, fazendo uma alavanca no interior se mover, ligando o alto falante que estava no volume máximo.  Nada menos do que a voz da própria Twilight começou a falar pelas caixas de som:

 “VENHAM, VENHAM TODOS!! VEJAM A GRANDE E PODEROSA TWILIGHT! MESTRA DA ILUSÃO! ARTISTA DESLUMBRANTE! MÁGICA EXTRAORDINÁRIA! A UNICÓRNIO MAIS PODEROSA DE EQUESTRIA! APENAS POR UMA NOITE, VENHAM!!”

A mensagem repetia, enquanto Twilight corria que nem doida para dentro da carroça tentando desligar os altos falantes, onde encontrou a alavanca perto da parede, junto com muitos outros botões que aparentemente ativavam outras funções durante o show. Espiando o lado de fora, Twilight torcia para que poucos pôneis tivessem escutado.

Mais uma vez a sorte não estava lá porque havia se formado uma grande multidão. A maioria parecia estar um pouco curiosa, mas também havia vários olhares céticos entre os espectadores. Tentando não entrar em pânico, teve um minuto para se acalmar, percebendo que agora tinha que apresentar o show. Quase sem pensar, levitava o chapéu e casaco de Trixie, os vestindo. Certamente, se Trixie podia fazer alguns truques simples, Twilight poderia fazer melhor.

Ela puxava uma outra alavanca enquanto se preparava, com a sensação de que estivesse assistindo a si mesma, falando sobre alto falante:

“Senhoras e senhores, preparem-se para a Grande e Poderosa Twilight!”

Momentos depois, ela apareceu no palco com o seu feitiço de teletransporte, com um largo sorriso, ela se sentia confiante. Poderia fazer isso.

Twilight galopava mais rápido que pôde, como se sua vida dependesse disso. O palco sacudia com a sujeira da plataforma que ela não teve tempo de limpar. Depois dos show, a multidão fazia um barulho ensurdecedor com seus cascos correndo atrás dela, alguns unicórnios arremessavam frutas que manchavam a casaco e chapéu de Twilight enquanto corria.

Foi só depois de um quilômetro, passando pela ponte da cidade, que os moradores começaram a parar, voltando para suas casas. Twilight finalmente foi capaz de descansar e pensar sobre os últimos acontecimentos. Tudo estava tão embaçado.

Lembrou-se de ter começado com alguns truques simples: teletransporte, levitação, e alguma destreza com os cascos (fazer as coisas aparecerem e desaparecerem). Depois vieram as histórias. Sua história de como derrotou o Ursa Menor foi a primeira, depois foi seguido por outros, e cada um deles, aparecia como a heroína que salvou suas amigas. Também contou como ela foi transformada em pedra e depois salva por Fluttershy.

Quanto mais se recordava de sua atuação, menos queria manter em sua memória, especialmente a parte em que deu tudo errado: os desafios. Como Trixie fez, desafiou os outros para provar suas habilidades, e como ela, os humilhou em cada etapa. Já era ruim o suficiente humilhar os outros sem ter essa intenção, mas quando um passo em falso fez uma potranca ser arremessada acidentalmente em uma barraca de frutas, as coisas ficam feias bem rápido. Twilight mal teve tempo de pegar a carroça e correr antes que os moradores fossem atrás dela, gritando de indignação.

A unicórnio gemeu e caiu contra a lateral da carroça.

“O que em nome de Celestia aconteceu comigo?” Perguntou irritada, batendo sua nuca contra a parede da carroça atrás dela. “Eu nunca tinha feito isso, nunca estraguei tudo com a minha magia, e nunca, nunca e nunca, me gabei pra ninguém antes”.

Ela levou um tempo para se acalmar. Tudo o que podia fazer agora era dormir um pouco para se recuperar, estava bem longe da cidade e teoricamente segura. Depois da gravação ligar acidentalmente mais uma vez, ela recolheu o palco. Trancou as portas, ignorando seu estômago roncando. No dia seguinte, em Ponyville, tudo estaria resolvido.

Subindo a colina, Twilight viu as pessoas que veio a conhecer e amar ao longo do ano passado. Estava ansiosa para ir em sua casa e ver Spike e suas amigas, e saber o que Trixie tinha feito.

Enquanto caminhava para a cidade, pensava em um plano. Esperava que entre as suas amigas houvessem duas que pudessem ouvi-la: Fluttershy e Applejack. A primeira é muito gentil e a honestidade natural de Applejack poderia fazê-la acreditar que Twilight estava dizendo a verdade.

Parecia que iria se encontrar primeiro com Applejack, já que a estrada para Ponyville passava bem em frente da entrada do Rancho Maçã Doce. Ela estava se aproximando do rancho, quando ouviu um barulho. Parecia um zumbido alto, que ficava mais forte a cada segundo. Quando ela reconheceu o bater de asas já era tarde demais, o skate das Cutie Mark Cruzaders saltou sobre uma colina e parou a poucos metros de distância, levantando uma nuvem de poeira.

Depois de tossir abanando a poeira, Twilight viu as três pequeninas que já conhecia. A primeira a falar foi a Pegasus líder, limpando a poeira de sua pele tangerina e crina cor de rosa, agitando-a para remover seu capacete.

“Ei, ela não é familiar?”

“Duh” a pônei amarelo respondeu, sacudindo a crina e cauda vermelha e ajustando o laço cor de rosa em sua cabeça. “Não se lembra do ataque da Ursa Menor?”

“Oh, sim, ela tentou impedí-la!” Disse a unicórnio branco.

“E falhou. “ competou a Pégasus.

Twilight apenas sorriu, feliz por vê-las.

“Scootaloo, Apple Bloom, Sweetie Belle! Não se lembram de mim?”

“Uh, sim.” Scootaloo respondeu, dobrando suas asas. “Por que você voltou aqui? não fugiu assustada naquela noite?”

“Eu ouvi que Trixie a humilhou naquele dia”. Disse Sweetie Belle.

“Espere um minuto.” suspirou Twilight. “Trixie está mentindo, não foi assim que aconteceu”.

“Eu não sei.” Respondeu Apple Bloom. “Ouvimos alto e claro de Ferocius”.

Twilight ficou confusa, mas não pela primeira vez.

“Ferocius?” Ela perguntou.

“Sim, o assistente de Trixie na biblioteca.” Disse Scootaloo. “Nome legal, mas não acho que faça jus a ele”.

Twilight se sentiu perdida por um momento. Spike, eles estavam falando de Spike. A magia era mais profunda do que ela pensava, não apenas a vida de Twilight e Trixie havia sido mudada. Trixie tinha substituído Twlight no momento de seu exame de admissão na escola da Princesa Celestia. Ela chocou o ovo de Spike em seu lugar, e deu outro nome para ele.

Com estes últimos pensamentos, ela ouviu outra voz.

“Meninas, venham. Não quero vocês ouvindo essa impostora”.

Twilight virou-se rapidamente, nunca estive tão feliz em ver uma de suas amigas.

“Applejack!” disse respirando de alívio.

“Então se lembra de mim?” Perguntou a pônei laranja, levantando o chapéu e observando Twilight enquanto as cutie mark cruzaders passavam. “Estou surpresa, nunca pensei que você fosse capaz de lembrar do nome dos pôneis que já humilhou”.

“Por favor Applejack, me escute … “ Implorou Twilight.

“Eu não vou escutar nada, acho que todos merecem uma chance de se redimir, mas não confio nem um pouco em você. Então faça o que tiver que fazer em Ponyville e saia”.

Twilight engasgou, magoada, vendo Applejack se afastar.

“Você ainda é minha amiga, AJ”. Disse Twilight, voltando para a estrada. “Sempre”.

Sem se virar, a unicórnio continuou em direção à vila, puxando a carroça atrás dela, sem ver que Applejack se virou para olhar para ela, confusa e um pouco triste.

Twilight esperava o próximo encontro, Rainbow Dash era uma presença constante nos céus de Ponyville, então não ficou surpresa assim que ela apareceu na sua frente.

“Então está de volta, hein?” Ela disse, olhando para Twiight com seus olhos rosa e crina de arco íris caindo ligeiramente sobre eles. “Você vai fazer um show de verdade dessa vez? Ou está aqui apenas para ridicularizar e deboxar dos outros de novo?”

Ela nem tentou responder, apenas retornou um olhar profundo e chocado.

“Não, Rainbow Dash, eu não estou aqui para começar qualquer coisa”.

O olhar era tão forte que Dash recuou, parecendo preocupada.

“O que você está fazendo? É algum tipo de truque? está tentando me amaldiçoar?”

Twilight respondeu com um sorriso pequeno, mas não conseguia ser visto pela Pegasus.

“Rainbow, depois de conhecer Zecora, você deve saber que não existe esse negócio de maldição.”

Isso foi suficiente para a Pegasus. Parecendo confusa, fraca, muito ansiosa para conversar com suas outras amigas. Twilight não tinha certeza porque não tentou convencer Applejack e Rainbow Dash de quem ela era, de alguma forma sabia que suas tentativas seriam inúteis depois do que ela viu.

Deixando a carroça na praça central, o unicórnio foi para a biblioteca, cada passo a fazia temer sobre o que estava prestes a encontrar, mas ela tinha que saber, ver o que tinha acontecido.

Na estrada acabou passando por um outro lugar que conhecia, tentou passar pela boutique sem ser vista, mas a unicórnio branca saiu para fora da porta naquele momento. De início preferiu ignorar a pedestre roxa passando em frente a ela, mas sua indignação era mais forte.

“Se você fizer a minha crina ficar verde de novo, vai ficar dolorida por um mês!”

“Rarity…” disse Twilight sorrindo, sentindo-se estranhamente desligada a partir do momento em que esteve com Dash. “Sempre dando um presente, mesmo quando alguém não quer.”

Assim como Dash, Rarity foi pega de surpresa, piscando confusa.

“Tudo o que você acha que sabe sobre mim, Rarity.” suspirou Twilight. “É uma mentira. Eu não posso explicar porque e sei que você não vai acreditar, mas nós somos amigas, temos sido por um longo tempo”.

“Amigas?”Rarity agiu como se fosse um comentário mordaz, duvidoso.

Twilight suspirou de novo, podia ver a confusão nos olhos de Rarity. Novamente, não sabia porque não tentou convecê-la. Talvez sua mente estivesse apenas focada em Trixie, pois se pudesse enfrentá-la tudo estaria resolvido. Ou talvez apenas não quisesse envolver Rarity e suas outras amigas na confusão.

Pelo menos a árvore ainda estava de pé, de modo que parecia ser um bom sinal para Twilight enquanto se aproximava da biblioteca. Caminhando para a porta estava um pouco nervosa. Seu corpo tremia quando ela tocou na porta.

“Quem deseja ver Trixie, a mais poderosa Unicórnio aprendiz de Celestia?”

A voz soava entediada e cansada, mas Twilight a reconheceu imediatamente.

“Alguém que já percorreu um longo caminho e tem algumas palavras para trocar com ela”.

A porta se abriu e logo após o pequeno dragão roxo que ela conhecia muito bem a recepcionou, franzindo a testa enquanto falava:

‘Ah, é você”. Apesar de não gostar de vê-la, Spike / Ferocious deixou entrar.

A biblioteca parecia a mesma de sempre, porém menos organizada do que o habitual. A mesa de Twilight estava uma confusão de papéis e penas quebradas, livros espalhados por toda parte, alguns empilhados em montes.

“O que aconteceu com a biblioteca, Spike?” Perguntou Twilight, incrédula com o que viu.

Demorou um tempo para o dragão perceber que ela estava falando com ele.

“Meu nome é Ferocius, Trixie disse que um dragão deve ter um nome forte. Ela não me daria um nome como Spike.” O dragão parou por um momento, confuso.

Antes que pudesse falar algo, ouviu uma voz familiar vindo de cima.

“Ferocius, seja gentil e traga um pouco de chá para a nossa hóspede. Eu quero falar com ela”.

O dragão correu até a cozinha, enquanto a unicórnio azul descia as escadas, vestindo um enorme chapéu de sol e um vestido que cobria a sua crina e cauda.

“Então Twilight, você voltou.” Disse, sorrindo. “Imaginei que voltaria logo. Melhorou os seus shows?”

“Trixie..” respondeu Twilight, tentando manter a voz calma. “O que está acontecendo aqui? Aposto que está por trás disso”.

A unicórnio azul riu.

“Bem, então você não está apostando muito, querida. Mas sim, você está certa, eu sei o que está acontecendo.”

“Por que?” Perguntou Twilight. “Por que está fazendo isso?”

“Porque estava cansada da minha vida.” respondeu Trixie. “Você já viu como é. Viajando de cidade em cidade, sempre sendo julgada pelos outros, sem nunca ter um verdadeiro amigo. Eu vi você e seu pequeno grupo e decidi que queria o que você tinha, e essa foi a melhor maneira de obtê-lo”.

“Então você roubou minha vida?” Twilight estava tendo dificuldades para manter a calma.

“Foi mais como uma troca.” Respondeu friamente. “Eu te dei minha vida para fazer algo com ela, e em troca tenho a sua. Eu não sou cruel”.

“Duvido”. Retrucou Twilight.

“Não, eu não sou. Alguém verdadeiramente cruel teria roubado sua vida sem te deixar com nada. Eu encontrei um antigo feitiço que permitiu o intercâmbio de vida entre unicórnios, através de um pequeno amuleto”.

Trixie levitou um pingente em volta do seu pescoço. Quase idêntico ao de Twilight, só que este estava pendurado de cabeça para baixo, com a ponta pra cima.

“Há um problema, porém”.  Admitiu Trixie. “A magia é temporária, quanto mais tempo fica ativado mais permanente se torna. Você tem se olhado no espelho?”

Twilight ficou atordoada quando Trixie tirou o chapéu. Sua crina e cauda, ao invés de branca, estavam em azul marinho com uma faixa cor de rosa e um roxo escuro. Twilight procurou desesperadamente por um espelho, onde viu que sua crina e calda agora estavam na cor branca de Trixie.

“Sim.” disse Trixie, sorrindo. “Quanto mais tempo ativo, mais detalhes são trocados. A única coisa que serão mantidas são nossas memórias. No final, você será como eu e eu como você, exceto pelo nome”.

“Isso não pode estar acontecendo.” Disse Twilight angustiada. “Você tem que parar isso!!”

Oh! Se eu pudesse…” disse Trixie, embora fingindo. “Mas não sei como”.

Twilight duvidou que fosse verdade, mas sentiu que não poderia forçá-la. Precisava de apoio e não tinha ninguém. Assim, enquanto “Ferocius” voltava com o chá, Twilight correu, mostrando uma grande fúria, mas também sentindo um grande vazio ao deixá-lo para trás. O dragão ficou confuso com sua fuga, e Trixie observava sorridente.

Twilight correu sem saber para onde ir ou o que fazer, só queria ir embora. O que Trixie havia dito a deixou se sentindo mais desamparada do que nunca. Não havia amigos para procurar ou entrar em contato, nem com a Princesa Celéstia, não podia sequer verificar a biblioteca para obter ajuda, e o tempo estava se esgotando. Se soubesse antes sobre isso, talvez tivesse tempo para pensar em um plano, mas agora o tempo era curto. Ela só queria fugir de tudo.

Infelizmente, correndo cegamente, fez Twilight trombar no pônei que ela não queria ver naquele momento.

“M…me desculpe …” a pégasus amarela falou suavemente. “Você está bem?”

“Não, não estou.” Disse Twilight olhando para o par de olhos azuis que irradiavam a ternura. “Mas não há nada que possa mudar isso”.

“Isso não é verdade.” disse Fluttershy com a voz um pouco mais alta. “Tudo muda, os girinos se tornam sapos, lagartas em borboletas …”

“Os pôneis não mudam.” Disse Twilight, abaixando a cabeça triste.

“Claro que mudam.” Fluttershy sorriu e gentilmente levantou o queixo de Twilight com o casco. “Você pode não saber, mas eu me lembro da primeira vez que veio aqui, agindo como uma arrogante. Mas agora vejo algo diferente, você parece mudada.”

Twilight riu um pouco, apesar de feri-la.

“Não, eu estou e não estou ao mesmo tempo. Fluttershy, por favor, esqueça que você me viu. Será melhor para todos”.

A Pegasus parecia confusa, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, o chifre de Twlight começou a brilhar, a teleportando para longe, e aparecendo no meio da cidade, ao lado da carroça. Olhando para a imagem na carroça, percebeu que ela havia mudado não só na crina, mas agora a cor de sua pele estava azul. E ao enxergar a si mesma, percebeu que o mesmo tinha acontecido com seu corpo.

Ela não tinha tempo. Mesmo que tivesse vontade de entrar forçado na biblioteca para achar uma solução, não haveria tempo para realizá-lo. Se Spike estivesse com ela poderia enviar uma mensagem para a Princesa Celestia, mas, novamente, o tempo estava escasso. Parecia que o mundo estava contra ela novamente.

“Olá!”

Rosada. Diferentes tons de rosa apareceram na frente de Twilight. Chamativa como ela era, não podia acreditar que a pônei terrestre surgiu furtivamente diante dela.

“Eu sabia, reconheci essa carroça!” Disse Pinkie Pie, sorrindo, com sua voz acelerada de sempre. “E sabia que pertencia a você, então fiquei esperando voltar, porque queria falar com você. Apesar de que foi muito maldosa da última vez que te vi aqui. Mas sabia que algo em você mudou para voltar!”

A pausa na conversa era quase dolorosa. Twilight queria pelo menos evitá-la, Pinkie não precisava lidar com isso.

O olhar de Twilight era tão triste e magoada como alguém abandonado na chuva. Naquele momento, as cores de Pinkie ficaram opacas, seu cabelo tornou-se liso, como se seu próprio estado de espírito refletisse o de Twilight.

“Desculpe desapontá-la, mas devo partir”. Disse Twilight suavemente, enquanto abria a porta da carroça com sua magia.

“Não vai não!”

Applejack apareceu por trás da porta que acabou de abrir, saltando bem na frente de Twilight, parecia séria, mas não com raiva. Twilight não fez nada.

“Não posso deixar você ir, porque há algo que eu não entendo.” Disse Applejack. “Eu não posso explicar, mas depois de conhecê-la, não me senti muito bem, como se houvesse algo errado”.

“Eu também.” Disse Rainbow Dash, aparecendo do nada e de surpresa para todos, olhando para Twilight. “Também não posso explicar, mas quando eu te vi, senti algo, algo que não tive como descrever”.

“Nós também.” Completou Rarity, aparecendo ao lado Fluttershy. “Agora você pode nos dizer o que está acontecendo”.

Essa foi a gota d’água. Vendo todas as suas amigas juntas, Twilight perdeu o controle e chorou incontrolavelmente em seus cascos. Era inacreditável para ela. Twilight não sabia como se expressar, era uma dor terrível que não podia compreender.

Fluttershy foi a primeira a reagir. Sem hesitar, ela abraçou a unicórnio, a acariando suavemente, sem falar nada. Apenas lhe dando o carinho que precisava. Pinkie Pie se juntou a elas, do outro lado da unicórnio e no final, um por um, elas abraçaram Twilight, lá na praça da cidade, em frente de todos os pedestres.

“Por favor.” Disse Fluttershy baixinho, quandoTwilight tinha se acalmado. “Conte-nos o que aconteceu”.

Twilight contou tudo, tudo o que conseguia lembrar, de como as coisas eram antes e como tudo mudou quando acordou na carroça de Trixie, até o momento em que se encontrou com ela na biblioteca. Ela começou a ficar deprimida e a pégasus amarelo suavemente a acalmava, observando os outros.

Ninguém disse nada por um longo tempo, até que Applejack foi a primeira a falar.

“Bem…” ela suspirou lentamente. “Eu não sei se isso é verdade, mas pelo menos Twilight parece estar sendo sincera”.

“Isso realmente aconteceu?” perguntou Rarity surpresa. “Então, todo este ano com Trixie tem sido uma mentira?”

“Agora que você disse…” Applejack suspirou. “Se lembra da primeira vez que nos conhecemos? Trixie era diferente. Na verdade, foi mais como Twilight é agora”.

“Sim!” disse Rainbow Dash um pouco confusa. “Nos últimos dias, ela estava agindo como uma “Princesa de Equestria’, e era uma completa mal agradecida. E ainda tratava ferocius com desprezo.”

“Ainda assim…” continuou Rarity. “É uma história difícil de acreditar. Quer dizer, cada pônei que conhecemos, sendo trocado por outro? Sério? Não seria mais fácil dizer que ela pode estar inventando tudo isso?”

“Sim, mas e se não estiver?” Surpreendentemente, Pinkie Pie era a voz da razão, as cores voltavam ao normal enquanto ela falava. “Pense nisso, se Trixie não é quem ela diz ser e Twlight é o que dizem, então, ela é nossa amiga e não Trixie, certo?”

“Então você acredita em mim, Pinkie?” Twilight perguntou, sem saber.

“Bem, digamos que eu acredito mais nas palavras de um estranho carinhoso que em uma amiga mala”.

“Pinkie, você realmente nos assusta quando dá sentido às coisas.” Murmurou Dash.

Em seguida, uma nova voz foi ouvida.

“Bem, bem, o que temos aqui? A fanfarrona fez uma última tentativa antes de ir embora?”

Twlight olhou e viu a si mesma. Havia pequenos detalhes que ainda eram de Trixie, mas agora a mudança estava quase completa, parecia quase idêntica à Twilight, exceto pela sua marca especial que ainda estava diferente.

“Na verdade Trixie…” Falou Applejack, se levantando. “Nós queremos algumas respostas. Twilight nos contou uma história sobre você, onde uma teria a vida da outra. E quer saber? Acho que ela está dizendo a verdade.”

“Oh, por favor, isso é o que ela sempre faz.” Disse Trixie. “Ela mente, lembra-se quando disse que tinha vencido uma Ursa Maior, mas não conseguiu nem mesmo contra uma Ursa Menor? Patético”.

“Não, você é a patética.” Respondeu Rainbow, levantando-se também. “Minhas lembranças me dizem que minha amiga nunca teria chamado alguém de “patética”, nunca teria zombado de ninguém e sempre tentaria ajudar os outros”.

“Sim…” Disse Trixie, olhando com desprezo. “Todos me aplaudiram quando fiz ela sair correndo para fora da cidade naquele dia”.

Houve um longo silêncio, Twilight podia sentir a tensão nos rostos de suas amigas, até Fluttershy parecia conter sua raiva.

Trixie olhou para cada um deles, sem saber o que fazer, pensou que tinha cavado sua própria cova.

“Trixie, você está mentindo!” rosnou Rainbow Dash. “Twiligh é de quem me lembro, não de você! A pônei que fugiu naquela noite nunca olhou para trás. Além disso, minha amiga disse  “deixa ela ir, talvez um dia aprenda a lição!!”

Trixie olhou assustada, seu chifre começou a brilhar, mas antes que pudesse usar sua magia, Rarity arrancou um toldo próximo e o dobrou até ficar no formato de uma corda, envolvendo Trixie nele para que não conseguisse escapar.

“O que está fazendo? Pare! Eu sou sua amiga, não pode fazer isso!”

“Então, como vamos corrigir isso?” Perguntou Applejack sem idéias.

“Acho que sei como.” Disse Twilight enquanto se aproximava de Trixie. Ela levantou o colar de seu pescoço para compará-lo com o dela.

“O que você está fazendo??” Trixie parecia pânico. “Não, pare! Por favor! Não!”

Twilight pressionou as duas metades, formando um único pingente circular. Uma luz brilhante cegou a todos, espalhando ondas de energia enormes. Twilight piscou até que seus olhos voltaram ao normal.

Instintivamente, olhou para a carroça. O nome de Trixie tinha sido substituído e agora era a unicórnio azul pintada na lateral. Olhando para ela, sorriu, ao ver sua pele e crina roxa que sempre teve.

“Funcionou?” Perguntou Twilight, virando-se para ver os outros.

“Sim!” disse Applejack sorrindo. “Agora me lembro de tudo como sempre foi e deveria ser, você é e sempre foi nossa amiga”.

“Eu também me lembro.” Sorriu Rainbow Dash junto com as outras.

“Mas o que aconteceu?” perguntou Spike, parecendo um pouco atordoado e confuso. “Quem é Ferocius?”

“Vou explicar mais tarde.” Disse Twilight enquanto abraçava o dragão feliz por te-lo de volta.

“E o que vamos fazer com ela agora?” Perguntou Rarity, apontando para Trixie.

“Bem, todo mundo merece uma segunda chance.” Disse Twilight suspirando. “Pelo menos, devemos dar a ela”.

Twilight a desamarrou com cuidado, mas ninguém estava preparado para ver Trixie chorando como ela fez recentemente. A unicórnio azul chorava falando:

“Por que? Porque você não pode me deixar ter amigos?”

“Foi por isso?” Perguntou Twilight gentilmente para Trixie. “Você não pode forçar os outros a serem suas amigas …”

“Cale-se!” Trixie interrompeu, em meio às lágrimas. “Você não sabe nada sobre mim!”

“Então talvez você deva dizer.” Respondeu Twilight na frente dela, as outras seguiram o exemplo, formando um semicírculo em frente à unicórnio azul. Naquele momento ela teve a oportunidade de fugir, mas felizmente não o fez.

Demorou alguns minutos para enxugar as lágrimas e se acalmar para começar a sua história.

Como Twilight, ela nasceu em Canterlot, mas ao contrário dela, seus pais nunca a apoiaram. Eles nunca se sentiam satisfeitos com ela.

“Se eu fizesse levitar uma bola, eles me perguntavam porque eu não poderia levitar uma mesa, se eu me teleportasse alguns passos, me perguntavam por que não poderia me teleportar até o outro lado da sala. E cada vez que eu fazia uma mágica gritavam por eu não ter feito melhor ..” Trixie sentiu que ia chorar antes de continuar, mas conseguiu se conter.

Continuou dizendo que, quando teve idade suficiente, os pais dela também a matricularam na Escola da Princesa Celestia para unicórnios Superdotados. Mas ao contrário de Twilight, não passou no exame. Seus pais nem sequer se preocuparam em ir vê-la e teve que voltar para casa sozinha, temendo, a cada passo do caminho, o que iria acontecer.

No caminho de volta, vi um pônei fazer alguns truques em uma das praças de Canterlot.” Trixie parecia melancólica enquanto se recordava do evento. “Ele era incrível com os malabarismos e shows de mágica. Eu me diverti assistindo por duas horas. No final, o show terminou e eu tive que voltar para casa, temendo o que aconteceria por chegar tarde e reprovar no exame.” Trixie estremeceu.

“Foi o pior momento da minha vida. Meus pais estavam com raiva e senti que eu ia chorar por horas. Meu pai estava furioso. Eu queria responder mas não consegui. Senti a raiva nascendo em mim até que … algo quebrou. Eu perdi o controle por um minuto e quando minha mente clareou, minha mãe estava de pé ao lado de meu pai, inconsciente. Eu também vi um pouco de sangue na cabeça dele.”

“Eu não pensei, só corri.”  Trixie começou a chorar, ignorando os olhares assustados dos pôneis. ”Eu corri o mais rápido que podia. Acabei me encontrando com o pônei que tinha apresentado o show, ele pensou que eu era uma criança abandonada e me levou sob seus cuidados. Nós deixamos a cidade naquela noite e nunca mais os vi. Ele me ensinou os truques necessários para o show, me deu uma casa e graças a ele eu aprendi a sobreviver por conta própria”.

“Mas o que aconteceu com seu pai?” Perguntou Rarity, mostrando preocupação em sua voz. “Com certeza você deve saber”.

Trixie balançou a cabeça negativamente.

“Não, deixei Canterlot naquele dia e nunca mais o vi. Sempre achei que o pior aconteceu, que meu feitiço o matou … Eu matei o meu próprio pai …”

Twilight notou que ela estava prestes a chorar novamente e tentou evitar.

“Você pode estar errada. Tem que voltar e descobrir o que aconteceu.”

“Não, não vou voltar.” Trixie respondeu um pouco irritada. “Estou bem em meu próprio caminho, eu amo fazer shows. Até …”

“Até a noite com a Ursa Menor?”  Perguntou Dash.

“Eu nunca me senti tão impotente naquele dia.” Trixie gemia. “E depois eu não conseguia parar de pensar em Twilight e como ela tinha tudo aquilo que eu realmente queria: amigos, uma família que me amava, magia poderosa, para não mencionar ser aprendiz de Princesa Celestia e seu próprio dragão servo”.

“Spike é o meu assistente, e se quer mesmo saber eu o amo como um filho.” Twilight a corrigiu. “Eu o trato da mesma forma como trato minhas amigas.”  Depois de uma pausa Twilight suspirou e disse: “Você já tentou fazer amigos?”

‘Não, eu sou uma artista viajante e ninguém nunca me quis por perto”.

“Por que será?”  disse Rainbow Dash olhando para os lados, e recebendo uma cotovelada de Rarity para ficar quieta.

“Eu encontrei um velho feitiço.” Trixie suspirou. “Dizia que eu poderia trocar de lugar com outra unicórnio. Eu só queria a oportunidade de ter alguns amigos, e quando vi que essa oportunidade estava ao meu alcance, não poderia desperdiçá-la. Fiquei feliz com a possibilidade de ter alguns amigos, de me sentir amada.”

Trixie…” Twilight suspirou. “Você não pode fazer os outros como você. A amizade é algo que acontece. Um elo comum que você e outros devem compartilhar. Algo que é cultivado e nutrido, a ser valorizado e bem cuidado”.

Houve um longo momento de silêncio, interrompido pela voz do Applejack.

“O que faremos agora?”

“Tenho uma idéia.” Disse Twilight. “Será que vocês poderiam levar Trixie de volta para a biblioteca? Estarei lá daqui a pouco”.

O unicórnio azul não tentou fugir, apenas abaixou a cabeça com as outras pôneis a acompanhando.

“Venha Spike, temos um trabalho a fazer.”

“Que tipo de trabalho?” Perguntou Spike, um pouco ofendido ao ser chamado de servo.

“Uma pônei precisa da nossa ajuda e é justo que façamos o possível para resolver seu problema.”

Duas horas depois, Twilight se juntou com suas amigas na biblioteca. Ficou surpresa ao entrar pela porta, como se finalmente fosse sua casa. Spike veio logo atrás dela, carregando uma pilha de pergaminhos, cada um enrolado com uma fita de cor diferente.

Não se surpreendeu ao ver o que havia passado desde a última vez que veio na biblioteca, com a bagunça, poderia descobrir o que aconteceu sem perguntar a ninguém. Rarity insistia sobre a limpeza, enquanto que Applejack tinha trazido almofadas para todos se sentarem; Pinkie Pie foi para a cozinha fazer alguns doces (E Twilight sabia que ia ser outra bagunça para limpar depois) e, a julgar pela pequena nuvem no quarto, Rainbow Dash tinha insistido em ficar próxima de Trixie, a monitorando para ficar onde estava.

De certa forma, era um meio de boas vindas para Twilight vendo que tudo voltou ao normal.

“Tudo bem, escutem todos!” Disse Twilight sorrindo. “Eu tenho uma notícia importante. Primeiro, tomei a liberdade de escrever uma carta para Celestia, perguntando se ela poderia nos dizer o que tinha acontecido para os pais de Trixie. Segundo, também pedi para a Princesa se ela poderia dar a Trixie uma segunda chance no exame da escola. Em terceiro lugar, falei com a Prefeita sobreTrixie poder trabalhar no teatro local, prometendo que suas ações seriam seguras e sem ofender os outros”.

A unicórnio azul ficou chocada com tudo isso.

“Por que?” Perguntou Trixie. “Por que você fez tudo isso por mim depois do que fiz a você?”

“Acho que o meu relatório sobre a amizade pode responder isso.” Twilight sorriu enquanto pegava um pergaminho, começando a ler:

“Querida Princesa Celestia,

Hoje aprendi que cada pônei merece uma segunda chance. Alguns tiveram momentos difíceis em sua vida e nem sempre podem se controlar quando as coisas ruins acontecem. Alguns até passaram a vida inteira sem ter um único amigo, tornando-se distante.

Mas o importante é sempre apoiar quem precisa. Oferecendo um casco amigo mesmo que isso signifique receber um tapa em troca. Nunca devemos parar de tentar ser bons amigos, mesmo que os outros não o considerem assim. Basta ser aberto e honesto, ajudando a todos que puder. E quem sabe, talvez, encontrar um novo amigo no lugar menos esperado.

Sua fiel estudante,

Twilight Sparkle.”

Mais uma vez o som de soluços encheu a sala silenciosa, mas dessa vez não eram lágrimas de tristeza. Twilight e Spike foram para a sala ao lado, deixando as outras reconfortarem Trixie.

“Twilight, ainda tenho um pergaminho sobrando, pra quem é esse?” Perguntou Spike.

“Para meus pais.” Twilight sorriu, com seus olhos lacrimejando. “Não os vejo há muito tempo, e gostaria de saber se estão bem.”

A casa era enorme, mesmo para os padrões de Canterlot, uma pequena figura caminhou até a porta e bateu. Momentos depois, dois unicórnios surgem na entrada.

A pequena figura que bateu na porta sorriu suavemente.

Mamãe, papai … … estou em casa..”