O pônei de Oasis – Parte VI

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Autor: ROBCakeran53

Tradução: Drason

SINOPSE: Equestria ainda estava sendo reconstruída após a derrota de Tirek, e as seis novas governantas de Ponyville ajudando em sua reconstrução. Tudo mudou de maneira inusitada quando a Princesa Celestia entregou a elas uma carta descrevendo acerca das façanhas realizadas por um único cidadão da cidade de Oasis conhecido como Senhor Baker, e a forma como superou Tirek. Com a missão de descobrir se os relatos eram verdadeiros, as seis pôneis devem ir até a referida cidade para investigar. No entanto, elas irão descobrir que o Senhor Baker não era exatamente quem ou o que elas esperavam.

***

Rainbow Dash estava agitada em seu sono. Ou pelo menos, ela não poderia mais chamar de “sono”, agora que estava acordada.  Se virando para o outro lado da cama, ela se aconchegava em seu travesseiro, encontrando novamente conforto enquanto relaxava e era aplaudida diante de multidão à sua frente. Ela voava, subindo cada vez mais alto, pronta para impressionar a plateia com uma batida de suas asas-

Espere…

O olho esquerdo de Rainbow se abria, com seu lado direito ainda pressionado em seu travesseiro enquanto ela resmungava com a saída brusca de seu sonho. O barulho continuava, como uma martelada em sua cabeça, então ela pegava seu segundo travesseiro e colocava em cima da cabeça na tentativa de evitar o barulho.

Isso não ajudava; o próximo som era uma gritaria ecoando pela hospedagem inteira.

Aquele barulho fazia Rainbow Dash se levantar. Jogando seu travesseiro para o lado, ela esfregava seus olhos com um bocejo cansado. Olhando ao redor, ela percebia que suas duas companheiras de quarto já haviam saído, com suas camas inclusive arrumadas. Meio irritada, ela saía de seu cobertor e pulava para o chão. Os estalos habituais de suas juntas ecoavam no quarto enquanto ela se espreguiçava, esticando cada perna e flexionando as asas. Em seguida, ela respirava fundo e caminhava até a porta.

Rainbow hesitava, olhando de volta para as duas camas arrumadas, e então para a sua bagunçada. Eh, pássaros nunca deixam seus ninhos arrumados, então por que ela deveria se importar? Saindo do quarto, ela podia jurar que tinha caminhado direto até a Fábrica do Tempo. Os barulhos altos que ela escutava a traziam de volta para Cloudsdale em recordações. Parando diante da parede clara, ela espiava o alvoroço sobre a sacada.

Todas as suas amigas estavam lá, conversando e falando durante o café da manhã. Trixie estava atrás do bar, servindo o lanche com sua carranca habitual. Em seguida, ela espiava Tomas, o humano, consertando a janela que ela havia quebrado. A pégaso azul esperava que ninguém contasse que foi ela quem causou o dano.

Rainbow estudava as escadas, hesitando em descer. Aparentemente, era a vez dela e de Applejack de passar o dia com o humano, para tentar descobrir…o que? Se ele foi mesmo capaz de consertar parte de uma cidade? Ela observava enquanto ele batia em uma cunha, deixando a janela encaixada e posicionada em linha reta. Sim, ele podia consertar. Grande coisa.

Rainbow zombava. Se a estória de Rarity da noite passada era verídica, esse humano estava longe de ser uma boa pessoa, e não havia nenhuma possibilidade de ganhar o prêmio e reconhecimento, então por que elas ainda estavam aqui?

“Ei Rainbow! Estamos aqui embaixo!”

O foco de Rainbow deixava o humano e se dirigia para suas amigas, todas olhando para a pégaso azul. Pinkie Pie, cuja voz lhe chamava atenção, balançava o casco animada no ar. O rádio no balcão estava tocando outra daquelas canções country que pareciam tão insuportáveis quanto som de algo afiado causando atrito em um quadro negro.  Rainbow suspirava, então abria suas asas e planava até o primeiro andar. Uma tigela de sopa já esperava por ela.

“Sopa de novo?”

Pinkie respirava, afastando seu rosto da tigela. “Essa é diferente, Dashie! Experimenta, foi Trixie que fez!”

Rainbow se sentava em um dos bancos. “Espere, foi feito pela Trixie?” Ela se virava para a unicórnio azul. “Você cozinha?”

“Claro que Trixie pode cozinhar. O que te leva a tal pergunta?”

“Nada. Nunca imaginei que você pudesse fazer comida comestível.”

“Há!”

Rainbow se virava para a direção de onde veio o riso e observava Tomas, que não tirava a atenção do trabalho, mas ela poderia dizer que ele continuava sorrindo.

Trixie zombava. “Trixie vai fazer de conta que não ouviu nada.”

“Certamente,” Tomas começava, e então acabava acertando o martelo em seu dedão. “OH MEU DEUS!”

“Há! Bem feito!” Trixie deixava escapar uma risada, então olhava para o grupo de amigas. “Com acidentes como esse que é sempre prazeroso ver ele trabalhar de ressaca.”

Tomas colocava o dedão na boca. “Eu ouvi isso.”

“Trixie sabe.”

“Isso não foi legal, Trixie.” Dizia Twilight. “Você tem quem ser mais gentil com os outros.”

Trixie e Tomas paravam o que estavam fazendo e ficavam olhando para a Princesa.

“Gentil?” Os dois falavam ao mesmo tempo.

“Com ele?

“Com ela?”

“Vocês fazem parecer como se fosse impossível um se dar bem com o outro.” Twlight saía de sua cadeira, caminhando até Tomas. “Vocês dois, assim como seus trabalhos, estão sempre próximos um do outro aqui, então devem fazer a melhor coisa, que é esquecer o passado. O que quer que vocês fizeram um para o outro no passado, deixar de lado e seguir em frente.”

Nesse momento Trixie saía do balcão, servia o café da manhã a outros pôneis, e depois ficava parada ao lado de Tomas, que permanecia silencioso e imóvel. Os dois olhavam um para o outro, e então explodiam em gargalhadas.

“Você realmente acha que é tão simples assim?” Tomas dizia, em meio aos risos.

“Trixie achava que você fosse a Princesa da Amizade, não da ingenuidade!”

Tomas fazia um gesto com seu dedo, apontando para a pônei. “Como posso ser amigo de uma unicórnio arrogante que nem fala em primeira pessoa?”

Trixie continuava rindo. “Ou como poderia Trixie não se aborrecer em ser amiga de um macaco que constantemente fica coçando o meio das pernas?”

“Ou uma pônei que tentou envenenar minha refeição cinco vezes.”

“Um bípede da qual a atitude só se iguala a de uma ursa menor.”

Enquanto os dois provocavam um ao outro, ambos ainda rindo, o humor de Twilight era que nem a de um navio em um mar revolto, sua expressão continuava afundando.

“Ou como ela sempre caminha por aí como se fosse melhor do que os outros.”

“Eles chamam Trixie de grande e poderosa por uma razão, assim como você de cidadão pirado!”

“Opa, opa, já chega oceis dois! Daqui a pouco é a Twi que vai pirar aqui!” Dizia Applejack.

“Vocês todos estão me dando dor de cabeça com essa discussão.” Sunny Side caminhava para fora da cozinha. “Tomas, quanto tempo ainda vai levar para consertar essa janela? Estaremos servindo almoço em breve e não quero os clientes comendo serragem junto com as refeições.”

Tomas não perdia o ritmo. “Mas as suas refeições já não têm gosto de pó de serra?” Ele voltava para o trabalho.

“Há há, engraçado.” Sunny se virava para a empregada. “Trixie, querida, Bob vai precisar da sua ajuda com as sobremesas do almoço.”

“Se esse é o dever de Trixie.” Trixie caminhava para longe de Tomas, que se virava para ver ela trotando com um sorriso bobo.”

“O que te faz rir?” Applejack perguntava.

Quando Trixie sumia atrás da porta, Tomas sussurrava. “Ela é a única coisa com a qual eu posso contar. O mau humor da Trixie me coloca em um bom.”

“Isso não é uma coisa boa, Tomas.” Twilight retornava para seu banco, terminando sua sopa.”

“O que posso dizer? Eu prospero com a agonia dos outros.”

“Não é obvio?” Rainbow dizia em voz baixa.

A reação de Tomas era imediata. “Sim, por boa razão. Quanto menos as pessoas gostam de mim, menos me incomodam.”

“E ainda assim, a cidade inteira te adora e tenta de proteger?” Applejack interrompia com um sorriso.

“Nem sempre funciona, eu não disse que era um plano perfeito.” Tomas olhava para o bar, onde Rarity fazia de tudo para não olhar para ele, mas Flutershy sorria para Tomas.

“Bem, você está longe de ter um bom começo com a gente.” Rainbow empurrava sua tigela de sopa vazia para frente, onde Sunny era rápida ao pegá-la e colocá-la junta de outras tigelas sujas.

“Querida, não atente ele.” Sunny sussurrava.

Rainbow Dash pretendia ignorar ela.

A expressão de Tomas mudava para um olhar neutro. Applejack olhava entre os dois, pronta para silenciar sua amiga antes que ela dissesse alguma coisa que pudesse chateá-lo. Tomas era o primeiro a recuar, voltando para o trabalho, pegando uma serra elétrica.

As orelhas de Dash dobravam com o som alto da serra, lembrando do mesmo barulho que a acordou. Ela podia sentir as vibrações em sua cadeira. A singularidade do aparelho não podia detê-la de olhar, no entanto. O fio longo da serra ia até uma das poucas tomadas na parede, com o final dele plugado de forma não totalmente segura. Em seguida, observava a lâmina. Ela já havia visto serras antes, a fazenda de Applejack possui várias ferramentas das mais variadas formas e tamanho, mas nenhuma elétrica. Tomas cortava ao longo do quadro, aparando imperfeições, com a lâmina indo e voltando. De tão paralisada olhando a ferramenta, ela não percebia que estavam falando dela.

“Rainbow? Está aí?”

Dash sacudia sua cabeça, perdida em pensamentos. Ela também não percebeu que Tomas tinha parado de serrar, podendo agora observar melhor a ferramenta. A próxima coisa a chamar sua atenção era Sunny batendo no rádio, que assim como a serra, subitamente tinha parado de funcionar.

“Tom!” O que você fez?” Sunny exclamava.

“Eu? Não fui eu que fiz a tomada do rádio!”

“Mas a energia caiu com você serrando a parede!”

“Não precisa chiar, não fui eu.” Tomas largava sua serra e a desplugava.

Ele caminhava pelo bar, as pôneis ficavam olhando enquanto ele passava, mas Rarity continuava olhando para sua tigela de sopa vazia. Quando Fluttershy virava para observar Tomas, ele dava um pequeno sorriso e acenava a cabeça, continuando em direção das escadas.

“Onde ele vai?” Rainbow perguntava.

“Os disjuntores ficam no porão. As escadas que levam até lá ficam embaixo das escadas para os andares de cima.” Sunny voltava atendendo outro cliente.

Enquanto Tomas desaparecia escadas abaixo, Twilight não podia fazer nada senão notar a calma no restaurante.

Quando Sunny voltava, Twilight manifestava suas preocupações.

“Todos estão tão… calmos.”

Sunny levantava uma sobrancelha. “Pois é, e daí?”

“Bem, a luz fica aleatoriamente acendendo e apagando e ninguém está murmurando ou imaginando o que está acontecendo. Eu acho isso estranho.”

“Querida, temos eletricidade a poucos anos. Mesmo assim, a energia vai para poucos lugares. Muitos dessa cidade não precisam disso. A maioria enxerga isso apenas como uma firula, mas bem, alguns de seus luxos são agradáveis, como a luz instantânea e o rádio aqui.”

“Não posso dizer que estou reclamando do silêncio do rádio, infelizmente. Como alguém pode ouvir aquela música o dia inteiro…”

Applejack olhava Rarity. “Alguma coisa contra música country Rarity?”

“Em si? Não, eu apenas,” Rarity batia em seu queixo, “acho a música country um charme rústico. Mas não a ponto de ouvir todos os dias.”

“Bem, considerando que nós só temos duas estações, não há muita escolha.” Sunny empurrava um carrinho de pratos sujos para a cozinha, voltando rapidamente para o bar.

“Qual é a outra estação?” Rarity perguntava.

“Você não vai querer saber, confie em mim, querida.”

Rarity caçoava. “Não é possível que seja pior…”

Applejack pigarreava.

“…digo, alguma coisa mais redundante do que vinte e quatro horas de música country?”

“Polka.”

Todas se viravam para Tomas, que saía do porão e passava por elas até a sua bolsa de ferramentas perto da janela.

“Perdão?” Rarity falava.

“A outra estação que nós temos é um misto de Polka com propaganda anti-equestriana.”

As seis amigas ficavam em silêncio, embora Pinkie Pia tinha uma enlouquecedora risada em sua face.

 Twilight foi a primeira a falar. “Propaganda anti-equestriana?”

Tomas estava guardando suas ferramentas atropeladamente na bolsa. “Sim, foi o que eu disse.”

“Não existe isso!”

Tomas pausava por um momento para olhar a Princesa. “O que, de haver uma rádio pirata em Equestria, ou alguém que não gosta de Equestria?”

“Ambos!”

“Ah, estou vendo.” Tomas pegava duas bolsas. “Sunny, volto logo para terminar.” Então ele saía.

Twilight o seguia direto em seus calcanhares, logo acompanhada por suas amigas.

“Por que haveria uma estação como aquela em Equestria?”

Tomas se aproximava de uma estranha carruagem, toda branca e fechada. As janelas eram todas de vidro, e possuía mais portas do que Twilight julgava necessário para uma carruagem. Ele abria as portas traseiras, que estranhamente se abriam em direções opostas a elas, onde ele jogava as bolsas para o interior. Twilight ignorava suas amigas na tentativa de olhar o veículo, ao invés de focar em Tomas.

“Sei lá. Digo, em um país tão povoado como o seu, não deveria ser surpresa pra você saber que existe aqueles que não gostam.”

“Como quem, por exemplo?”

Tomas dava de ombros. “Diga você. Eu sempre imaginei que fossem os griffons, mas o último que passou pela cidade disse que nunca tinha ouvido falar da estação também.”

“Eu preciso ouvir ela então.”

“Bem, você vai ter que esperar até eu chegar na represa.”

“Represa?”

“Foi o que eu disse.” Tomas batia as duas portas, com a esquerda fechando primeiro e a direita depois.

“É assim que você consegue energia para a cidade?”

“Sim, um lugar pequeno e remoto, cerca de oitenta quilômetros de nós. É a fonte de água em movimento mais próxima que podemos usar.” Tomas caminhava para longe dela, pelo lado esquerdo do veículo.

“Oitenta quilômetros? Isso é impossível!” Twilight o seguia, circulando ao redor e o interrompendo.

Tomas deixava escapar um suspiro, então apontava atrás de Twilight. Ela virava a cabeça, vendo um único poste exposto na entrada da cidade. Um longo fio, com dezenas de metros, se ligava até a hospedagem de Sunny, com outro fio descendo até o solo, onde ela via uma pequena placa com o sinal de “perigo”. Observando o horizonte, ela via vários postes, todos com distâncias idênticas a do primeiro.

“Isso não é impossível.” Tomas finalmente dizia.

“Certo, mas ainda são oitenta quilômetros. É um longo caminho. Como você consegue chegar lá?” Twilight perguntava.

Tomas rolava seus olhos, então com a mão direita batia no metal da carroceria ao lado dele.

Twilight finalmente prestava atenção no enorme veículo. “E daí, você precisa de um pônei para puxá-la, uh…”

“Aquele pônei chamado Road Rage? Não obrigado. Ele é mais louco do que eu era na idade dele, e eu tenho um Camaro oitenta e sete.”

“Um o que?”

Tomas batia em sua testa. “Nada, esqueça. Já perdi muito tempo. Quem são os guardas que vão me escoltar hoje?”

Twilight piscava. “Guardas?”

Você sabe, ontem foi Fluttershy e Rarity. Hoje é a vez de quem?”

“Eu, eu não sei do que você está…”

“Oh, pode parar. Sei muito bem qual é o seu jogo. Vamos direto ao ponto para que possamos acabar logo com isso. Quanto mais cedo nós acabarmos, mais cedo vocês todas podem partir e assim voltarmos para nossas vidas normais.”

As orelhas de Twilight murchavam, e em seguida dizia com um suspiro. “Applejack e Rainbow Dash.”

“Obrigado.” Tomas caminhava até a frente do veículo onde o resto das amigas de Twilight estavam reunidas, conversando entre si.

Tomas abria a porta do passageiro, revelando um banco revestido em tecido cinza e bastante usado. As pôneis pareciam estarem mais focadas no veículo do que em Tomas. Ele fazia um gesto com a mão direita, em seguida colocava na boca e soltava um assovio alto, imediatamente chamando atenção.

“Applejack, Rainbow Bravesh, vamos! Eu não tenho o dia todo!”

Rainbow e Applejack trocavam olhares, a pônei laranja dava de ombros, e se aproximava. Rainbow estava mais hesitante, olhando para Rarity e Fluttershy. Rarity parecia indiferente, enquanto que Fluttershy sorria e acenava. Nada humorada, Rainbow trotava na direção da estranha carruagem e se aproximava de Tomas.

“É Dash, não Bravesh, na próxima fale direito…”

Tomas deixava escapar uma pequena bufada, segurando a risada antes que pudesse escapar. Afinal a pégaso azul estava em uma altura perfeita para golpear uma área sensível do seu corpo.

“Então, uh, como nós entramos nessa carruagem?” Applejack perguntava. “Saltando pra dentro, ou… EI!”

Antes que a pônei laranja terminasse de falar, Tomas agarrava ela pelas pernas dianteiras e a colocava no assento do carro. Ele se virava para os rostos chocados das outras pôneis.

“Então Rainbow DASH, você vai perguntar como entrar ou vai saltar para dentro?”

Não precisava ser dito duas vezes para Rainbow que dava um salto rápido do chão, e então se estabelecia ao lado de uma Applejack corada. Tomas fechava a porta do carona, e então andava para o outro lado, onde notava Twilight ainda parada lá olhando para o adesivo no veículo.

BAKER E FILHOS

CONTRATATANTE

O “e filhos” estava pintado por cima, numa tentativa de apaga-las, mas ainda dava pra ver as letras através da tinta branca um pouco transparente da lataria.

Uma batida de porta trazia Twilight para fora de sua distração, e logo em seguida um rugido alto. A janela na porta descia, e Tomas colocava a cabeça pra fora.

“Vejo vocês em poucas horas.”

Então a carruagem dava uma guinada para a frente, e… se movia? Sozinha? Sem pônei para puxá-la? Ela apenas… se dirigia para longe. Assim que a poeira baixava após sua rápida saída, Twilight olhava para suas outras amigas, todas com expressões igualmente chocadas com o que tinham acabado de ver.

“Eu preciso terminar aquele livro que ele me deu!” Twilight gritava antes de correr para dentro da hospedagem de Sunny.

Rainbow Dash tinha pulado para dentro, o local mais fácil para pousar era o assoalho. Uma vez nele, ela saltava para o banco para se juntar a Applejack, que parecia sem jeito. “Que foi AJ, o que te deixou incomodada?”

Applejack disse apenas uma palavra: “Dedos.”

“O que?”

A outra porta abria, Tomas facilmente entrava e se sentava no banco com elas. Seu lado tinha algum tipo de roda, onde o humano colocava suas mãos. Ele então colocava uma das mãos em outra coisa, fazendo-a girar, e logo toda a carruagem começava a balançar e rugir.

Isso agitava Applejack, olhando ao redor. “O que…”

Rainbow notava Tomas agarrando uma manivela na porta, em seguida a girando fazendo a janela do seu lado abaixar. Ele colocava a cabeça para fora, presumivelmente para Twilight e dizia: “Nos vemos em poucas horas.” Então ele agarrava uma espécie de alavanca, puxando-a para trás e em seguida para frente.

“Ei!” Rainbow observava a paisagem pela janela passando. Eles estavam se movendo! Ela passava pela Applejack, se aproximando da janela do carona, observando uma manivela semelhante na sua porta, então com ambos os cascos ela copiava Tomas e a girava, fazendo sua janela de vidro abaixar também. Ela colocava a cabeça para fora, com a crina batendo em sua face enquanto olhava para trás, se distanciando rapidamente da cidade. Ela podia ver todas as suas amigas olhando em choque. A pégaso azul estendia um casco e acenava. Ok, ela tinha que admitir, isso foi incrível.

“Eu não entendi, como é que estamos nos movendo?” perguntava Applejack.

“É um motor, todo mecanizado, agradeça à Ford.”

“Quem é esse?”

Tomas balbuciava alguma coisa em meio a sua respiração, então dizia “Não quem, e sim o que. É uma fábrica. Vocês pôneis chamam de carruagens, mas nós humanos chamamos de automóvel. Ford é o nome de uma fábrica de automóveis.”

Rainbow se juntava à discussão. “Automóveis? Hu, soa como uma palavra que Twilight inventaria.”

“Bem, sintam-se confortáveis. Será uma viagem um pouco longa,” Tomas dizia, colocando uma das mãos no centro do painel.

Ele apertava um botão, que acendia uma serie de luzes em um aparelho retangular. Então, pelos dois lados das pôneis, música começava a tocar dos altos falantes escondidos nos interiores das portas.

Rainbow notava com um ar de diversão como Applejack batia o pé no assento. Tomas ficava com o braço esquerdo apoiado em cima da janela aberta, e a mão direita no volante.

“De onde é essa música country?” Perguntava Rainbow.

“Não é country, é blues.”

“Parece country para mim.”

“Apenas aquiete-se e aprecie.”

Com uma bufada, Rainbow cruzava os cascos dianteiros sobre o peito e olhava de volta para a janela. Tudo o que ela via era um deserto sem fim, com exceção dos postes aleatórios que passavam por eles, um atrás do outro. A brisa batendo em sua face quase fazia ela esquecer que deveria fazer um beicinho… quase.

Applejack decidia quebrar o silêncio. “Então Tom, ouvi dizer que você tem algum parente?”

“Parente?” Tomas perguntava.

“Sim, família. Irmãos, se Rarity estiver certa.”

“Oh sim.”

“Eu tenho dois irmãos também. Uma jovem irmã, Apple Bloom, e meu irmão mais velho, Big Macintosh.”

“Você é a irmã do meio então?” Dizia Tomas com um sorriso.

Applejack ria. “Sim, costumava não gostar disso.”

“Sei como se sente. O irmão mais velho causando problemas para os pais e precisando de atenção constante, e o mais novo precisando de atenção e cuidado.”

Applejack acenava. “E o irmão do meio fica no escuro. Quase me fazia sentir…”

“Excluída.”

Applejack e Tomas ficavam em silêncio, o rádio continuava com a música. O olho direito de Rainbow se contraía.

“Então, hu, quais os nomes deles?” Applejack ousava.

Tomas permanecia em silêncio, concentrado na estrada. Applejack estava paciente, observando eles passarem através do infinito deserto. Rainbow Dash continuava aborrecida. Mas por que? Ela percebia que estava ficando presa no pequeno espaço com o humano.

“Está bem, você não vai me dizer.” Applejack olhava para o nada.

Tomas olhava para a pônei laranja, notando que ela não estava nem sorrindo, e nem com uma carranca. Ela permanecia neutra sobre isso.

Para os próximos dez minutos, eles viajavam em silêncio, exceto pelo rádio. Applejack estava começando a acompanhar o ritmo, enquanto Rainbow Dash começava a bater a cabeça contra a porta.

“Parece que você não está gostando de Jim Croce?” Tomas finalmente falava.

Ambas pôneis olhavam para ele, confusas.

“O cantor da música, o nome dele é Jim Croce.”

Applejack inclinava a cabeça em pensamentos. “Nunca ouvi falar dele.”

“Certamente. Ele era um grande sucesso de onde eu venho, e muito antes de eu nascer.”

“Era? Ele não ficou popular?”

“Bem, ele sofreu um acidente de avião.”

As orelhas de Applejack murchavam.

Rainbow não sabia o que era um avião, mas ela já viu um acidente de carruagem, que poderia ser realmente terrível.

“Ele era o favorito do meu pai. Disse que tinha visto ele uma vez em uma apresentação. Sua última, provavelmente.”

“Bem, você e seu pai partilhavam de um bom gosto por música então.” Applejack sorria.

Tomas não respondia, ao invés disso seus dedos começavam a bater agitados no volante. Rainbow voltava a bater a cabeça lentamente na porta.

“Qual é o problema dela?” Tomas se atrevia a perguntar.

“Ou você, ou a música. Provavelmente ambos.” Applejack dizia.

“Uau, que honesto.” Tomas ria.

“Claro, isso é o que eu sou, o elemento da honestidade.”

“Elemento do que?” Tomas olhava para a pônei laranja.

“Honestidade. Eu e minhas amigas representamos diferentes elementos da harmonia, ou amizade, ou algo assim. Como eu disse, eu sou da honestidade, Rainbow Dash é da lealdade-“

Ao mencionar o seu nome, Rainbow gemia.

“-Fluttershy é o da bondade, Rarity da generosidade, Pinkie Pie do bom humor e Twilight da magia.”

“Uau, vocês são reais?” Tomas não podia fazer nada senão sorrir para o ridículo.

“Sim. Nós salvamos Equestria, muitas vezes.”

“Eu não diria muito, Dash. Talvez três ou quatro.”

“Sim, nós salvamos Ponyville duas vezes e facilmente, que é muito!”

Tomas deixava escapar um sussurro. “Então vocês seriam super heroínas?”

“Não.” Applejack começava.

“Pfft, sim, claro que somos. Somos as grandes heroínas de Equestria! Bom, diferente das princesas, mas elas são como, tipo Deusas, então não contam.”

“Você sabe o que acontece com os heróis que ficam se gabando demais, certo?” Tomas se virava para as pôneis.

Applejack se virava para Rainbow, que dava de ombros. “Se tornam grandiosos?”

“Não, acabam convencidos e derrotados.”

As orelhas de ambas as pôneis murchavam, olhando para longe de Tomas.

“Nada pessoal. Apenas indicando um fato, se estou permitido a acreditar em meus velhos gibis de estória em quadrinhos.”

“Bem, é que isso abre as feridas. Provavelmente você não sabe como Tirek foi derrotado.”

Tomas balançava a cabeça. “Não. Apenas que um dia eu estava cuidando de todos os pôneis em Oasis, então na manhã seguinte eu acordei com todos se sentindo melhor. Eles não me deixavam em paz por uma semana.” Ele olhava para frente.

O veículo dava solavancos, com o banco rangendo em um único som entre os três.

“Então, eu presumo que você não vai falar como ele foi derrotado, huh?” Tomas perguntava, incapaz de esconder sua curiosidade.

“E quanto a você? Estamos aqui para buscar a verdade sobre seus feitos.”

“Não são meus feitos, isso é culpa dos pôneis de Oasis.”

Applejack sorria. “Bem, eles com certeza acreditam em você.”

“Eu apenas fiz o que tinha que fazer, nada mais.” Tomas dizia, então ficava em silêncio.

Enquanto eles continuavam, a condição da estrada ia piorando, finalmente sacudindo Rainbow para fora de seu tormento.

“Que raios de estrada é essa?” Rainbow perguntava, pulando do banco.

“A estrada está húmida, já que estamos chegando perto da represa,” dizia Tomas, olhando por cima novamente. Ele apontava para frente, com as pôneis observando, até avistarem uma grande construção ao lado de um rio. “Aqui estamos, essa é a represa.”

“Qual é o nome dela?” Perguntava Applejack.

“Eu disse que é uma represa.”

“Eu sei disso! Eu quis dizer que normalmente represas recebem o nome de algum pônei em homenagem.”

Tomas seguia com o veículo até a única entrada do local, parando com ele no estacionamento.

“Bem, eles nunca nos disseram quando construíram. Apenas que nós estaríamos recebendo um terço da energia, se eles também pudessem usar o rio The Little Meanie.”

Rainbow Dash deixava escapar uma risada. “Você acabou de dizer The Little Meanie?”

Indiferente, Tomas olhava para ela. “Sim, o nome desse rio é The Little Meanie, que se interliga a outros, o maior rio fica a centenas de quilômetros de distância.”

Rainbow não podia fazer nada senão perguntar. “Então como é chamado o outro rio?”

Tomas piscava. “The Big Happy.”

Applejack também se unia aos risos, ambas pôneis caíam em um ataque de risos no banco ao lado dele. Tomas, por sua vez, olhava para elas, confuso.

“Eu nunca entendi vocês pôneis.” Tomas saía do carro, fechando a porta e caminhando até a parte da frente.

Rainbow gritava pela janela aberta. “Ei! Como saímos dessa coisa!”

“Tem uma maçaneta perto da manivela que você usou para abaixar o vidro da janela.”

“Aonde?” Rainbow perguntava.

Tomas suspirava, caminhando até a porta e apontando para o interior. “Aquela ali.”

“Essa?” Rainbow puxava a alavanca.

“Sim, mas não é assim que abre.” Tomas esperava. “Não, não, do outro jeito, assim não abre!”

“Estou tentando de todas as maneiras possíveis!”

“A porta está trancada?”

“Eu que sei? Diga você.”

Neste ponto, Applejack pigarreava atrás de Rainbow, sem que ela notasse.

“Veja se tem um botão com uma marca vermelha. Vermelho significa que está destrancado.”

“Vermelho?”

“Exato, você vê alguma coisa assim?”

“Não? Talvez? Olha, abre você do lado de fora, ok?”

Tomas usava a maçaneta.

“Não dá, está trancada.”

“Então destranca!”

Antes que Tomas pudesse explicar que as chaves estavam do lado de dentro, Applejack cutucava sua amiga no ombro. Entendendo a dica, Rainbow de afastava, esperando para ver o que sua amiga iria fazer. O que nem ela ou Tomas esperava, no entanto, foi ela saltar para fora da janela, pousando com seus cascos em um sorriso orgulhoso. Nem mesmo seu chapéu mudava de posição enquanto ela fazia uma parábola no ar.

“É isso aí,” Tomas dizia, jogando as mãos para o ar e caminhando na direção da represa.

Rainbow rapidamente seguia os passos de sua amiga e dava um salto para fora da janela, suas asas abriam enquanto ela deslizava até Tomas e Applejack, se aproximando da porta.

Tomas parava, voltando-se para as duas pôneis enquanto uma olhava para ele, e a outra olhava diretamente ele enquanto planava no ar.

“Agora, há algumas regras de conduta que nós precisamos seguir antes que vocês coloquem seus cascos lá dentro.

“Regras de conduta? Tá falando sério?” Rainbow perguntava.

Tomas colocava sua mão na cabeça de Rainbow, e sempre de maneira tão gentil a empurrava para o chão.

“Mas o que…” Rainbow questionava, insegura de como ele fez aquilo.

“Sim, regras de conduta. Primeiro, nada de voar lá dentro. O pônei que trabalha na represa tem papeis e documentos espalhados por toda parte. Uma batida da suas asas e ele vai te prender na parede.”

Com isso, Rainbow rapidamente dobrava suas asas, as aconchegando.

“Outra coisa, se ele perguntar se vocês querem testar alguns de seus experimentos, digam que não.”

“Não?” Applejack perguntava.

“Exato. Metade dessas coisas são perigosas, e maluco do jeito que ele é, não vai considerar a segurança dos outros.”

“Esse cara me parece obsessivo pelo trabalho. O que ele faz aqui?”

Tomas beliscava o nariz. “O nome dele é Short Circuit, e é o único pônei qualificado para operar a represa. Ele mora, trabalha, e dorme aqui. Quanto a esse último, não fiquem vagando por aí, porque se vocês acharem o quarto dele podem acabar não saindo vivas.”

Ambas pôneis engoliram seco.

“E por último, enquanto você chegarem a perguntar a ele sobre seus…problemas, nunca, e eu digo nunca deem risada de suas coisas aqui. Ele literalmente morreu de trabalhar em cima delas várias vezes, então ele tem muito… temperamento.

As pôneis olhavam uma para a outra, então Rainbow falava, “O que exatamente você quer dizer?”

Tomas se abaixava na altura dos olhos da pégasos azul.

“Quando ele tinha cinco anos, se casou com a torradeira da mãe dele.”

        “…”

        “…”

        “…”

“Ele não está brincando.” Dizia Applejack para Rainbow.

“Eu sei, e isso é o que mais me assusta,” Rainbow respondia, então rapidamente acrescentava.

“Nã-não que eu esteja com medo ou algo assim, mas isso é ridículo.”

Applejack, diferente dela, estava curiosa. “Algo que você disse antes Tom, sobre este cara. Ele está morto?”

“Sim, eu achei ele morto várias vezes. Tive que fazer massagem cardíaca nele ou desligar o que quer que tenha grudado nele com o choque.

“Você só pode estar brincando.” Rainbow dizia.

Applejack olhava para Tomas de maneira severa, com ele olhando de volta, então seus olhos arregalavam.”

“Dash, ele não está brincando.”

“O que?!” Dash recuava um passo. “Como pode um pônei morrer várias vezes assim, e apenas voltar a vida?”

“Eu nunca disse que ele estava bem. Por isso afirmei que é maluco.”

“E você acha que é sábio confiar a ele a operação desta represa…?” Applejack levantava uma sobrancelha.

“Porque independentemente disso, ele é bom no que faz. Ninguém mais queria morar aqui, então enviaram ele.” Tomas ficava novamente de pé. “Agora vamos entrar. Eu quero terminar aquela janela logo.”

Tomas se virava e abria a porta. Rainbow e Applejack tentavam um olhar hesitante uma para a outra, e logo foram atrás dele.”

“Oh, certifiquem-se de se descarregarem,” Tomas dizia, e então tocava seus dedos em uma haste de cobre saindo do chão.

Ambas pôneis olhavam confusas, mas fizeram o mesmo com seus cascos.  Rainbow sentia uma leve sacudida estática.

O humano não estava brincando quando disse que haviam papeis por todos os lados. Isso lembrava ambas a velha biblioteca de Twilight, com papeis e documentos espalhados. Haviam teorias, fórmulas, projetos em toda a parede, armários e mesas. Não havia uma parte limpa e desocupada.

Onde não haviam papeis, haviam estranhos aparelhos, e eletrônicos dissecados.

“Oh, oi – olá sherife, olá!”

“Sherife?” Rainbow perguntava.

“Nós estávamos falando sobre você!” A voz dizia novamente.

“O que sobre mim?” Rainbow perguntava.

A voz parecia ignorar ela. “Essa é Britt, uh, Britt Ponset.”

As orelhas de Applejack esticavam. “Britt Ponset? Eu conheço esse nome!”

Tomas e as duas pôneis continuavam caminhando pelos corredores, o tempo todo a voz surgia e conversava com ela mesma.

“Como é isso?” “Está certo.” “Você ouviu falar dele, não? Ele é o Six Shooter.”

“Eu sabia! É o Six Shooter!” Applejack gritava.

“Quem?” Tomas perguntava.

“É um programa de rádio, meu favorito. Nós ouvimos toda semana, e adoro dormir com meu rádio sintonizado nessa estação. Bem, isso até Tirek arruinar a estação. Essa deve ser nova!” Applejack estava eufórica, procurando freneticamente pelo rádio.

“Bem, isso é engraçado, porque tenho certeza que essa é a voz do Short Circuit falando.” Tomas olhava em volta.

Um flash de luz brilhante chamava a atenção deles, e os três corriam na direção dela. De pé contra uma mesa, estava um pônei cor de pêssego com crina e cauda amarelo brilhantes, em meio a um trabalho de reconectar fios em um tipo de caixa.

“Oh, claro, claro, prazer em conhece-la senhoria Ponsett.” Olá.”

“Isso não soa como Jineigh Stewart, no entanto.” Applejack fazia beicinho.

“Isso porque não é ele. É o Short Circuit, fazendo sabe Deus o que,” Tomas dizia, se aproximando do pônei.

Havia um súbito flash brilhante, junto com as contrações musculares do pônei, sua perna direita pisando em um movimento nervoso.

Ele ficava em silêncio por alguns segundos, então o pônei continuava o trabalho, com o fato que agora ele estava perto de gritar.

“E agora Fleetfoot assumiu a liderança, com Soarin correndo para alcança-lo enquanto Spitfire continua perdendo posição. Eles estão se aproximando da última curva agora, a qualquer momento nós poderemos ver… sim, sim! E lá vai ela, girando ao redor de Soarin e agora vindo direto atrás de Fleetfoot!”

As orelhas de Rainbow levantavam. “Ei, essa é a corrida semanal dos Wonderbolts! Céus, eu esqueci sobre isso! Aumenta! Aumenta!” Agora era Rainbow procurando pelo misterioso rádio.

“Não, não, volta para o Six Shooter! Eu não quero perder! Big Mac vai querer falar sobre isso quando eu voltar para casa, e eu terei que esperar voltar ao ar!” Applejack também procurava.

“Não tem nenhum rádio,” Tomas dizia, sem graça.

“Então como…” Rainbow dizia, olhando para Short Circuit em seguida.

“Spitfire está tentando com dificuldade, será que ela consegue? Ela pode ulrapassá-lo de novo? Sim! Sim! Lá vai ela!” O pônei estava agora gritando, o tempo todo mexendo com a fiação enquanto ele continuava o trabalho, nem mesmo percebendo que estava falando em voz alta.

“Ele é o rádio.” Tomas dizia.

“O que…” Ambas pôneis falavam ao mesmo tempo.

“Como cargas d’água ele faz isso, eu não tenho ideia, mas nós precisamos que ele pare.” Tomas andava ao redor do pônei, analisando os fios que ele tinha em seus cascos.

O tempo todo, o pônei continuava com o final da corrida, para a alegria de Rainbow.

“Podemos pelo menos sintonizar Jineigh Stewart de novo?” Applejack perguntava.

Tomas olhava para a pônei laranja, então para baixo, em Short Circuit. Ele rapidamente batia na cabeça do pônei, cortando a corrida.

“Oh, claro, claro, vejo você no sábado, Sherife!” “Hahaha”

“Obrigada!” Applejack dizia, ouvindo atentamente.

Rainbow deixava escapar uma bufada, enquanto Tomas acenava sua mão na frente do rosto do pônei. Short Circuit empurrava a mão humana, focando em seu trabalho. Tomas suspirava, então usava uma mão para alcançar o plugue e desconectar o aparelho da tomada na parede.

Imediatamente havia um alto estalo e Short Circuit era arremessado para trás, o aparelho em que ele estava trabalhando soltava fumaça. Applejack e Rainbow corriam para checar o pônei, enquanto Tomas apenas olhava em confusão.

“Uau, isso foi desagradável,” Dizia Short Circuit, com fumaça saindo de sua boca enquanto ele falava.

“Desculpe Circuit, mas nós precisamos da sua ajuda.”

“Nós? Nós quem?” O pônei olhava as duas amigas. “Pôneis? Você trouxe outros pôneis aqui?! Descarregaram a energia estática de vocês? Carga estática em um ambiente sensível pode ser perigoso.” Circuit examinava as pôneis, passando o casco na crina de Rainbow.

“Ei, tire seus cascos do meu cabelo!” Dizia Rainbow.

“O que Rarity não faria para ouvir isso de você.” Applejack ria.

“Sim, Circuit, nós nos descarregamos antes de virmos aqui. Agora precisamos-“

“Você checou elas pra ver se não são insetos? E quanto as câmeras? Há alguma embaixo do chapéu dela?” Circuit pegava o chapéu de Applejack e olhava embaixo.

Applejack agarrava seu chapéu de volta, então colocava em sua cabeça. “Eu não tenho botão de desligar, se é isso que você está pensando!”

“Sim, e também não somos changelings!” Rainbow protestava.

Circuit rolava seus olhos. “Claro, agora posso ver o quão óbvio isso é, com a maneira como vocês apenas entram sem ser convidadas e com cheiro de sujeira e nuvens. Changelings não imitam nesse extremo, e seriam muito mais discretos tentando chegar aqui.”

As pôneis olhavam para Tomas com sobrancelhas levantadas, o humano respondia com um de seus dedos indicadores girando ao redor da orelha.

“Espere, então com o que você está preocupado?” Perguntava Applejack.

“Espiões!”

 Applejack rolava os olhos, enquanto Rainbow Dash olhava hesitante os arredores.

“Por que espiões estariam interessados em suas coisas?” Rainbow perguntava.

Circuit fazia uma careta. “Você ficaria surpresa. Eu tive muitas invenções roubadas, razão pela qual me voluntariei em trabalhar nesta bacia de poeira.”

“Também pelo fato de você ter uma investigação criminal quanto ao desaparecimento de um vendedor,” Tomas acrescentava.

“EI! Eles não podem provar nada! Além do mais, um pônei vendedor é o disfarce perfeito para alguém entrar na sua casa e roubar suas ideias.”

Short Circuit caminhava até a sua engenhoca ainda soltando fumaça.

“Além disso, outros pôneis vieram, me fazendo todas aquelas perguntas do tipo ‘como está a segurança da represa?’ e ‘Como estão os níveis de energia?’ e vindo com qualquer outro tipo de desculpa achando que podem entrar. Bah! Eles nunca entrarão aqui! Sei do que estão atrás!”

Tomas suspirava. “Circuit, eles provavelmente são apenas fiscais da companhia de distribuição elétrica, querendo se assegurar que este lugar está seguro e operacional.”

Circuit acenava um casco. “Bah, não faz sentido. Eles sabem muito bem que não tem nada para se preocuparem com esse lugar e comigo.”

Circuit percebia um cheiro de queimado, e logo a caixa em que o pônei estava trabalhando ia em chamas. Tomas, já preparado, pegava o extintor ao lado dele e corria para apagar o fogo, enquanto Circuit apenas ficava de pé, ignorando.

“Claramente, isso é coisa de espião.”

Short Circuit se afastava, com cada terceiro passo fazendo um barulho mais alto em seus cascos do que os demais. A atenção das duas pôneis era atraído longe da agitação do som estranho, para aquilo que elas observavam surpresas. A perna esquerda traseira do pônei era batida e curta, então ele tinha um sapato feito na medida para que pudesse caminhar de maneira uniforme.

“Elas sempre olham os outros desse jeito?” Circuit perguntava a Tomas.

Tomas colocava o extintor no chão, batendo na camisa para tirar o pó branco.  “Na verdade, sim. Provavelmente olhando para sua perna bizarra.”

“Hmm, como se elas não tivessem visto nada que nem isso antes.”

“Circuit, nenhum pônei se parece com você, mas mudando de assunto, você ainda tem energia?”

“Claro que sim.”

“Então por que a cidade ficou às escuras?”

Circuit batia seu casco na caixa, sorrindo. “Eu precisava desviar parte da energia para um projeto, e como eu tive problemas na última vez para cortar a força de lugar nenhum, eu desviei de Oasis que era a única cidade próxima.

“Isso faz sentido.” Tomas dizia.

“Faz?” Rainbow perguntava.

“Não em tudo. O que você estava fazendo dessa vez, Circuit?”

O pônei irradiava em alegria, esfregando uma caixa de metal gentilmente.

“Com isso! Eu estava assando uma batata,” ele dizia, abrindo a porta para revelar uma batata em seu interior.

Todos olhavam em silêncio.

“E em cinco segundos,” Circuit acrescentava, então tirava ela fora e dava uma mordida.

“Tudo bem, isso é legal,” Rainbow dizia. “Você tem alguma coisa que possa me fazer mais rápida?”

Circuit sorria.

“Não, Circuit, você não vai fazer nenhuma experiência nela. Não posso voltar para Oasis com uma pônei a menos, do contrário a Princesa vai querer minha cabeça.”

“Oh, bem, e que tal se-“

“Não e ponto final. Reative a força, por favor.”

“Tá bom, tá bom.”

Short Circuit passava o casco sobre seu rosto, espalhando sua crina. Ambas pôneis soltavam um suspiro coletivo, observando uma pequena protuberância na parte superior da testa dele.

“O que vocês tem?” Circuit perguntava, vendo os olhares surpresos delas.

 “Elas apenas perceberam que você é um unicórnio.”

“Era.”

“Você não deixa de ser uma espécie só porque perdeu parte de seu corpo.”

“E você não deixa de ser um alcoólatra só porque está sóbrio.”

Tomas franzia. “Apenas desvie a energia para Oasis de novo!”

Tomas se sentava em uma cadeira, lendo um livro enquanto Shor Circuit começava a trabalhar para restabelecer a energia.”

“Acontece que, quando eu tirei uma válvula para colocar outra, eu meio que apaguei o dique inteiro. Então agora tenho que consertá-la, e isso vai levar um tempo.”

Applejack deixava escapar um suspiro. “Quanto tempo?”

“Oh, não sei, pode ser cinco minutos, ou até cinco dias.”

“Dias?” Dash resmungava.

Short Circuit dava de ombros, continuando a mexer na pilha de partes eletrônicas.

“Então, Short Circuit.”

“Me chame apenas de Circuit.”

“Por que não Short?” Rainbow perguntava.

Circuit levantava uma sobrancelha.

“Oh… certo…” Rainbow olhava a perna curta dele e voltava a ficar em silêncio.

Applejack ria um pouco. “Circuit, o quão bem você conhece o Tom?”

“O bastante para não gostar dele.”

Rainbow piscava. “Espere, você também não gosta dele?”

Applejack olhava para sua amiga, mas ficava em silêncio.

“Ele é um mané, sempre foi,” Circuit dizia, “Sem mencionar que é um viciado em trabalho também, e um alcoólatra a noite.”

“Então ele tem problema com bebidas?” Applejack perguntava.

“Digamos assim. Os tolos de Oasis pensam o contrário e tentam ignorar isso.”

A testa de Applejack franzia, “Me parece que Sunny sabia sobre isso, e aquele outro pônei, uh, Match Junior?”

“Match Junior? Eu me lembro dele. Seu pai tentou me matar uma vez.”

“O que?” Applejack perguntava.

Circuit procurava uma peça de metal com lâmpadas nele, mas quando ele tocava, o objeto quebrava em pedaços. Ele jogava o estilhaço de volta na pilha e continuava procurando por outra.

“Sim, há muito tempo.” Circuit suspirava em meio às lembranças.

“Mas de volta ao assunto,” Rainbow dizia, “Qual é o seu problema com ele?”

“Como eu disse, ele é um viciado em trabalho de dia-“

“E um alcoólatra de noite, isso já entendemos.” Rainbow cortava ele. “Então por que?”

“Porque ele está machucado, e quando trabalha não é suficiente para preencher a garrafa vazia.”

Ambas pôneis olhavam para Tomas, então voltavam para Circuit.

Em um tom abafado, Applejack perguntava, “Ele se machucou como?”

“Sei lá. Ele não fala comigo sobre isso, e eu não pergunto.”

“Mas pelo menos já tentaram ser amigos?”

“Claro, claro. Mas ele nunca me deixa usar algum produto nele e nem ligar máquinas nele.”

Rainbow rolava seus olhos. “Por que será.”

“Então me diga, você acredita sobre o que ele fez pela cidade?” Applejack perguntava.

Circuit parava de olhar para a pônei.

“Depende sobre do que você está falando.”

“Bem, ele ajudou um monte de gente quando Tirek invadiu a cidade.”

“Claro que ele fez isso.”

“Espere, mesmo?” Rainbow perguntava.

“Sim, sim, ele me salvou também.”

“E ainda assim você não gosta dele?”

Circuit acenava. “A única razão dele ajudar é porque isso faz ele acreditar que ele não é todas as coisas que de fato ele é,” Circuit puxava sua crina para cima. “Além do mais, não posso perdoá-lo por fazer isso comigo.”

Applejack olhava a protuberância, que uma vez foi um chifre de unicórnio.

“Espere, Tomas fez isso com você?” Rainbow perguntava, olhando para o humano.

Tomas continuava lendo o livro, mudando para outra página.

“Bem, não de propósito, mas ainda sim.”

“Como?”

Circuit voltava para a pilha de equipamentos, e com um “aha!” ele puxava pra fora outra peça de metal com uma lâmpada sobre ela, aparentemente não prestes a explodir como a outra.

 Ambas pôneis seguiam o pônei enquanto ele caminhava até a parede onde havia um grande painel de controle.

“Do lugar de onde ele veio, coisas de sua posse tendem a manter emoções e sentimentos, porque humanos são materialistas.”

“O que?”

Circuit olhava para Rainbow. “Apenas como eu disse. Objetos de sua posse guardam emoções e sentimentos. Isso é raro em Equestria, mas não para a espécie dele. Como unicórnio, você é capaz de sentir essa energia quando toca em tal objeto.”

“O que você tocou?”

“Uma argola de ouro.”

“O que?”

“Ele chamava de anel. Aparentemente serve para encaixar no dedo dos humanos. Algum tipo de objeto da moda deles eu imagino. De qualquer forma, eu precisava de algum ouro para um projeto e ele me deu aquele anel, dizendo que não tinha mais nenhum uso para ele. Mas quando eu fui pegar ele com meu chifre…” Circuit pausava por um momento, olhando para o humano de longe.

“Ele fez alguma coisa errada, e o que quer que tenha sido, machucou ele e outros também. Toda a energia resultante de dor e arrependimento foi depositado naquele anel, porque ele era muito apegado a ele, e quando eu toquei nele, fui inundado com as emoções. Foi tanto, que meu chifre quebrou, e ele me levou às pressas para o médico. Oasis não é uma cidade em expansão, não tinha um hospital de verdade. Apenas um médico. Ele salvou minha vida, mas eu perdi meu chifre.”

Rainbow e Applejack olhavam uma para outra, com as orelhas murchas.

“Você ainda tem o anel?” Applejack perguntava.

“Não, Tomas pegou de volta e jogou em um rio.”

Com aquelas palavras, Circuit rastejava para debaixo do painel de controle e começava o trabalho.

As duas pôneis se afastavam alguns passos de Circuit, murmurando entre elas, “Então, o que você acha Rainbow?”

“Acho que precisamos dizer a Twilight o mais rápido possível sobre isso. Vai saber o que mais ele possa estar escondendo que eventualmente venha a machucar mais pôneis?”

Applejack acenava. “Bem como também aquele sentimento que o está devorando por dentro. Não consigo acreditar que morando aqui por dez anos e ele não se abriu com ninguém.”

“Bem, tem o Bob.”

“Verdade. Talvez podemos conversar com ele?”

“Tirando o fato que ele não pode falar, lembra o que Twilight disse? Ele não tem língua.”

Applejack dava de ombros. “Nem me lembre. Não quero nem imaginar como isso aconteceu.”

“Como perder um chifre?” Rainbow olhava para Circuit, que estava apenas com suas pernas traseiras fora do painel de controle.

“Esta cidade está cada vez mais deprimente, mais do que qualquer outra que visitamos.”

“Como o prefeito disse, a cidade está cheia de assentados.”

Applejack rolava seus olhos. “Ele não disse desse jeito.”

 Short Circuit arrastava para fora do painel, e então colocava um par de óculos.

“Muito bem, vamos bicudar o porco!”

“O que?” Applejack perguntava, não vendo nenhum animal.

Tomas se juntava aos três enquanto Circuit batia seu casco em um botão. Então tudo ganhava vida. Luzes se acendiam, mostradores indicavam o fluxo da corrente. As pôneis estavam tão concentradas vendo tudo aquilo ganhar vida, que elas falhavam em ver os pelos no corpo de Circuit se levantarem. O pônei começava a gargalhar loucamente, seus óculos rachavam. Enquanto isso, Tomas observava e rapidamente agarrava as pôneis e corria.

“Ei! O que foi!” Applejack gritava, sacudindo seus cascos enquanto Rainbow amolecia.

“Temos que sair daqui antes que tudo exploda!” Tomas gritava, saindo pela porta.

Ele corria para o lado oposto do carro, soltando as pôneis antes de se entrincheirarem e se cobrirem. O chão começava a tremer, e o veículo balançava. De repente, tudo parou. Tomas arriscava uma espiada pela frente, depois pela direita, e em seguida houve uma forte explosão com alguma coisa sendo arremessado do telhado, voando para longe.

Ambas pôneis trocavam olhares.

“Mas o que foi aquilo??” Rainbow gritava.

Foi nós vivermos para respirarmos mais um dia.” Tomas se levantava, tirando a poeira de sua roupa.

“Ele está bem?” Applejack perguntava.

“Provavelmente. Vamos voltar para a cidade. Já tive muita agitação para um dia.”

Tomas abria a porta do veículo, permitindo que as duas entrassem, rapidamente fazendo o mesmo. Com um rugido, o veículo voltava a vida e eles saíam, retornando para a cidade.

Eles ficavam em silêncio por vários minutos, com Tomas concentrado na estrada.

“Então, aquilo não teve sentido nenhum pra mim.” Rainbow deixava escapar.

“Sim, quase nada por aqui tem.”

“Como ir em missões aleatórias, apenas para retornar horas depois sem saber se deu certo?” Applejack arriscava.

“Por aí.”

Silêncio

“Essa cidade é uma droga.” Rainbow protestava.

Tomas deixava escapar uma risada. “Concordo.”

O veículo seguia até a frente da hospedagem de Sunny, estacionando, e desligando a ignição.

Rainbow soltava um bocejo, esticando suas asas. “Não voltamos ainda?”

“Sim, dormiu bem?” Applejack perguntava em tom de brincadeira.

Rainbow não notava o tom da amiga. “Oh sim, eu sempre durmo bem.”

Tomas saía do carro, esticando os braços ao redor dos ombros enquanto ele olhava para a hospedagem. Ele podia claramente ouvir o rádio ligado, que era bom sinal. No entanto, a viagem para a represa e o retorno durou cerca de quatro horas. Tinha passado do meio dia e ele estava pronto para o almoço.

“Bem, estou indo almoçar. Vocês duas vão… o que quer que vocês farão,” Tomas dizia, subindo os degraus.

Ambas pôneis pulavam para fora da porta ainda aberta, com Applejack tendo a cortesia de fechar a porta antes dela trotar para alcançar o humano. Rainbow começava a segui-lo, mas então olhava de volta para a estranha carruagem, ou automóvel, como Tomas o chamava.

O tempo não tinha sido muito amigável com o veículo. Enquanto a maioria das carruagens eram feitas de madeira, essa parecia confeccionada com algum tipo de metal, e havia marcas de ferrugem na parte inferior. Ela percebia que tinha uma marca em um pequeno buraco, não maior do que uma moeda.

Descamado e desbotado pelo sol, as letras “baker contratante” ainda estavam um pouco visíveis com tinta preta, enquanto a tinta branca tentava cobri-las, ao mesmo tempo que tentava cobrir “e filhos”, mas estava sumindo e lascando ao longo do tempo.

Tanto Rarity quanto Aplejack mencionaram que ele tinha irmãos. Então era um negócio de família? Se era, onde eles estão?”

Os pensamentos de Rainbow se desviavam para a frente do veículo. Um para choque cromado, ondulado e enferrujado se destacava. O plástico na parte superior estava rachado, onde pequenos cabos de plásticos mantinha eles juntos, embora outros pedaços estivessem faltando. No centro, uma pequena placa azul e oval estava escrito FORD com uma letra um tanto extravagante, embora coberta por uma espécie de lente transparente e rachada.

Tinha luzes na frente, duas grandes lentes claras, embora uma delas estivesse torta, envolta por partes plásticas. Finalmente, na parte do capô, onde grande parte do metal branco estava acima de tudo, parecia dentado e tinha muitas marcas de ferrugem onde o metal estava amassado para dentro.

Ela tinha observado falhas suficientes para que ela mesma conseguisse contar…

Ele bateu em alguma coisa com essa carroça… mas em que?

 “Ei, Rainbow, nós vamos almoçar, você vem?” Applejack gritava no topo da varanda.

Rainbow sacudia a cabeça, limpando seus pensamentos, então se voltava para a pônei laranja. “Sim, estou indo. Estava apenas… pensando sobre uma coisa.”

Applejack levantava uma sobrancelha, então dava de ombros. “Bem, não pense muito, ou vai ter dor de cabeça.”

“Há, há.” Rainbow respondia sarcasticamente, trotando até entrar na hospedagem.

Applejack voltava para dentro, mas não sem dar uma rápida olhada no veículo também. Os danos na parte da frente lhe chamavam a atenção e até lhe causavam formigamentos. O que significava ela não sabia, mas a incomodava.

A parte de dentro já estava com quase todos os lugares ocupados. Bob estava agora no bar, limpando uma caneca com um pano em seus cascos. Os três pôneis estavam jogando poker na mesa de sempre (era o mesmo jogo de antes?), e muitos outros pôneis estavam sentados nas mesas, conversando e comendo.

Tomas estava sentado sozinho no bar, pensativo. Rainbow pegava um assento, embora a dois bancos de distância dele. Applejack rolava seus olhos, então pegava o banco vazio, ficando sentada no meio deles.

“Vocês duas precisam de cardápios?” Tomas pegava dois da mesa ao lado dele.

Applejack acenava positivamente, então com agradecimento os pegava, passando um para sua amiga.

“Ei Bob, enquanto elas decidem, eu quero apenas um hambúrguer com batatas fritas.” Bob acenava. “E de bebida quero cidra e o chamado tiro de jack.”

“Já? São somente três horas!” Rainbow dizia.

Tomas olhava para a pégaso. “Qual o problema? De onde eu venho é normal uma ou duas bebidas junto com o lanche.”

Applejack olhava ele, incerta quanto à verdade por trás disso, mas não dizia nada.

Bob retornava com suas bebidas, bem como copos de água para as pôneis. O copo da Applejack tinha inclusive uma fatia de limão ao seu lado.

“Uau, você lembrou? Obrigada pela gentileza Bob.“ Applejack tomava um gole.

O changeling acenava, então entrava na cozinha para preparar os lanches. As pôneis optaram apenas por uma salada cada uma, e Applejack com fatias de maçã.

As duas amigas começavam a conversar, enquanto Tomas bebia sua cidra, o copo com tiro de jack já tinha acabado.

Antes que Bob pudesse trazer a comida, a porta abria na pancada, sacudindo a janela que Tomas ainda estava consertando, frouxamente encaixada.

Dentro da hospedagem entrava cinco búfalos, todos com lenços ao redor de seus focinhos. O búfalo líder, de cor cinza com um chapéu preto, caminhava até o centro do estabelecimento.

“Fiquem todas calmos. Isso é um assalto.”

Applejack soltava um suspiro longo e cansado. Rainbow reconhecia eles, e pela expressão de Applejack ela também. “Longhorn, você nunca vai aprender?”

O búfalo cinza olhava a pônei, então com um grunhido ele arrancava seu lenço do rosto.

“VOCÊ!” Ele gritava para a pônei.

Applejack pulava para fora de seu banco, caminhando até o búfalo.

Eles se chocavam com as cabeças, encarando um ao outro, com os narizes soprando fumaça.

“Ela geralmente reage assim?” Tomas perguntava, bebendo a cidra.

“Eh, nós não temos uma história muito boa com esses caras.” Rainbow dizia.

“Mas você não parece preocupada.”

“Pffft, claro que não. Nós os detemos uma vez, podemos fazê-lo de novo.”

“Não importa!” O búfalo gritava, empurrando Applejack, “nós ainda estaremos roubando este lugar. Derrotar essa pônei será apenas um bônus.”

“Tem certeza sobre isso?” Tomas dizia, girando seu banco para olhar os búfalos. “Digo, vocês podem apenas dar meia volta que nós esqueceremos isso tudo.”

Longhorn olhava para seus comparsas, então voltava para o humano com uma risada, seus companheiros rapidamente o seguiam. “Olhe aqui, macaco, nós estamos no comando agora e não há nada que você possa fazer. Apenas desista e entregue os bits.”

Tomas soltava um suspiro, balançando a cabeça. “Se é assim que vai ser,” ele se virava para Bob, que agora estava de pé atrás do balcão depois de presenciar tudo. “Bob? Quero dois copos de Black Velvet, por favor.”

Mesmo depois da entrada dos búfalos, os pôneis na hospedagem voltavam para seus afazeres, não se importando com o fato de que estavam prestes a serem assaltados. Ouvindo Tomas pedindo bebidas, no entanto, fez todos os pôneis, mesmo aqueles que jogavam poker, ficarem em silêncio. Enquanto Bob servia as bebidas, o pégaso jogador de poker levantava de seu assento e começava a gingar até um piano na parede de trás.

Tomas pegava os dois copos em cada mão e então dava um passo na direção do búfalo.

“Bem, por que não ganhar uma bebida então, de mim?” Tomas perguntava com um sorriso, oferecendo o copo em sua mão direita.

Longhorn olhava a bebida oferecida, então sorria. “Bem, pelo menos este tem boas maneiras!” Longhorn pegava o copo com um casco.

Rainbow observava o pônei no piano se sentando, batendo seus cascos, e então os colocando sobre as teclas do piano. Outros clientes começavam lentamente a rastejar para debaixo das mesas. O que estava acontecendo afinal?

Enquanto isso, Applejack olhava aos horrores Tomas sendo tão amigável com Longhorn. Ela estava pronta para expressar sua objeção quando percebeu o humano com sua mão direita fechada em um punho. Por trás dela Bob fazia um som, puxando alguma coisa debaixo do bar.

Tomas levantava seu copo, e o búfalo brindava com o dele. O búfalo começava a beber, mas Tomas mantinha seu copo no ar.

“Você vai precisar disso.”

Rainbow observava em câmera lenta enquanto os dedos segurando o copo se abriam, deixando o copo cair. Todos observavam, incluindo os búfalos, quando o copo colidia com o chão. Isso deu a Longhorn a visão perfeita de um punho fechado chegando em seu rosto, acertando a mandíbula e o arremessando de costas. O pégaso escolhia aquele momento para começar a tocar o piano.

Os quatro búfalos restantes observavam a forma como o líder fora nocauteado, e então se voltavam para Tomas. Seus olhos em fúria emanavam fogo, eles começavam a alongar seus pescoços, arrancando suas máscaras de pano enquanto o som de estalos das juntas ecoavam pelo bar.

Tomas estalava os dedos.

Applejack arrumava seu chapéu atrás do balcão onde poderia se proteger.

Rainbow rolava seus olhos, pegava a cidra de Tomas e bebia o restante do líquido em uma só golada, e então batia no chão com os quatro cascos ao mesmo tempo.

De trás do balcão, Bob trazia um taco de beisebol, jogando-o sobre seu ombro direito.

Percebendo sua ajuda, o sorriso de Tomas deixava de ser forçado enquanto os búfalos começavam a se aproximar, prontos para a briga.

Justamente quando Rainbow Dash havia pensado que hoje seria um dia entediante, sendo babá do humano, o próprio teve que fazer as coisas ficarem mais interessantes.

Tom-Van

Untitled BR

Sweetie-Belle

 

“Anjo de Luz, guardião da minha vida. Ilumina a minha alma, guarda-me dos males, orienta a minha inspiração, fortalece a minha sintonia com Deus e torna-me forte diante dos percalços. Lembra-me todos os dias de não julgar, nem ferir. Tinge a minha mente de amor e harmonia para que eu possa tornar o mundo melhor, agora e para todo o sempre. Amém.”

Fluttershy explica: Por que ser vegano?

Olá, vocês já me conhecem como a pegasus tímida do desenho, mas hoje vou deixar a timidez de lado e explicar pra vocês a importância do veganismo para nós e para o mundo! O vegano é um vegetariano estrito em sua dieta, seja na alimentação como em qualquer outro produto de origem animal. Em outras palavras, o vegano busca excluir, na medida do possível, todas as formas de exploração e de crueldade contra animais.

Ou seja, o veganismo é um movimento que busca a libertação animal em todas as frentes possíveis, incluindo mercado, alimentação, trabalho forçado e entretenimento. Vale dizer que isso não envolve apenas os animais não humanos (que são chamados de “irracionais” pelo senso comum).

Isso significa que veganos também buscam eliminar o consumo de produtos oriundos de empresas que exploram a mão de obra análoga à escravidão. Além disso, também há movimentos (como o Food for Life) que apoiam a adoção universal do veganismo como forma de democratizar o acesso à alimentação — pois cerca da metade dos grãos produzidos no mundo são usados para a engorda de “animais de corte”.

A dieta vegetariana também exclui a carne dos peixes e de outros frutos do mar de seu cardápio, porque todos os animais possuem sistema nervoso central e senciência — a capacidade de sofrer, sentir dor ou felicidade que somente os animais têm. Por mais que eles não emitam sons fora da água, eles sentem dor ao serem pescados ou cortados ainda vivos. Ao serem retirados da água, morrem em um doloroso processo de asfixia.

Ainda, há quem diga que o leite e os ovos não são um problema, pois eles são criados sem a necessidade de matar um animal. Porém, existe uma série de explorações que a grande maioria não leva em consideração quando se fala sobre o tema. Abaixo você pode conferir alguns exemplos:

Leite

Como em toda espécie de mamífero, para que a “vaca leiteira” produza leite, é preciso que ela seja mãe. Na indústria, as vacas são emprenhadas com inseminação artificial e depois do parto têm seus filhotes levados embora — geralmente as fêmeas são encaminhadas para o mesmo processo e os machos são abatidos ainda enquanto bezerros para abastecer o mercado de vitelos.

A expectativa de vida de uma vaca é de cerca de 20 anos, mas as vacas leiteiras geralmente são abatidas com menos de 8 anos. Isso acontece porque elas começam a apresentar problemas de reprodução após várias gestações forçadas, problemas de locomoção devido a infecções ou matistes e outras inflamações.

Ovos

Galinhas botam seus ovos em um processo natural? Sim, mas isso não significa que elas não sejam exploradas. Assim que nascem, as galinhas são debicadas (têm os bicos arrancados) sem anestesia. Isso é feito para que elas não firam umas às outras ao serem submetidas a situações de muito stress — o que acontece bastante, visto que até oito animais dividem gaiolas com pouco mais de 0,2 m².

Essas galinhas podem passar a vida inteira sem ver a luz do sol, sem poder caminhar de uma maneira digna e sem poder viver do modo natural — livres e tendo suas próprias vontades respeitadas.

O que mais é deixado de lado?

Além de não comerem carne de nenhum tipo, veganos também deixam de lado derivados de qualquer produto animal — incluindo corantes criados com o esmagamento de insetos — e também não usam couro natural ou qualquer outro tipo de pele. Abaixo, você confere uma lista com diversas outras atividades que são deixadas de lado por quem é adepto do veganismo:

Circos (com animais), Zoológicos, Caça, Consumo de produtos testados em animais, Touradas, rodeios, vaquejadas e afins e exploração ou abandono de animais domésticos.

Isso não significa que a dieta de um vegano não seja tão bom quanto ao seu oposto. Geralmente, costuma-se pensar que a refeição de veganos envolva apenas saladas sem gosto e sem tempero, mas essa imagem é completamente errada. Veganos comem cereais, frutas, legumes e qualquer outro alimento que venha das plantas, além de algas e cogumelos.

E isso não quer dizer que as comidas sejam apenas cruas — muito pelo contrário. Com algumas receitas na mão, é possível fazer alimentos saborosos e totalmente saudáveis. Além disso, também há muito “Junkie Food” vegano, pois a variedade de hambúrgueres, doces e frituras que podem ser feitas é gigantesca. E mais, é possível comer tudo isso sem ingerir um único grama de soja se você não quiser.

E as proteínas?

Costuma-se pensar que carnes são a única fonte de proteína, mas isso é um grande equívoco. Todos os aminoácidos essenciais para a produção de proteínas dentro do seu corpo podem ser conseguidos por meio dos vegetais.

Alguns exemplos de proteínas vegetais: Grão de Bico, Feijão (que além de proteína também é rico em ferro), Cogumelos, Oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas, etc.), Quinua (que além de ser ótima fonte de carboidratos de baixo índice glicêmico, vitaminas, minerais e gordura saudável, contém todos os aminoácidos essenciais que nosso corpo não fabrica e que vão formar as proteínas), soja e algas.

Todos os exemplos acima valem por um bife no seu prato, exceto a soja que dependendo da quantidade que você consome possui até dez vezes mais proteínas do que a carne, seja vermelha ou branca… sim, a soja é uma overdose de proteínas.

Existe apenas um nutriente que não podemos encontrar em abundância na dieta vegetariana: a vitamina B12. Ela é produzida por bactérias e cianobactérias, com as quais a humanidade tem pouco ou nenhum contato atualmente. Isso significa que uma boa parcela da população — vegetariana ou não — pode apresentar deficiência ou insuficiência de B12. Felizmente, existem diversas suplementações da vitamina.

Exemplo: leveduras, leite de soja e nori.

Nori é uma espécie de folha feita a partir de algas marinhas amplamente utilizada em pratos da culinária japonesa. É geralmente de cor esverdeada ou avermelhada dependendo da espécie de alga empregada na fabricação.  A alga Nori é rica em proteína, cálcio, ferro, vitamina A, B e C. A alga nori contém duas vezes mais proteína do que carnes.

Lembre-se que quando você consome carne, está também absorvendo o sofrimento dos animais. Em países como a China e Coreia do Sul, os animais são submetidos propositadamente ao sofrimento para produzirem adrenalina, com o fim de deixar a carne mais “saborosa”…

Como é possível nós desejarmos um mundo justo, sem guerras, sem sofrimentos, se somos capazes de banalizarmos uma vida sob a mera justificativa que é para nos alimentarmos? Como é possível que nesse caminho pratiquemos o amor pelo nosso mundo?

Você acha mesmo que não ocorre nenhum efeito em seu organismo ao absorver o sofrimento de um animal?

Nunca se esqueça disso: A escolha de consumir carne foi nossa, porque Deus nos concedeu opções de sobra para sobrevivermos sem ela.

Fonte: Megacurioso

A garotinha e o milagre

A garotinha e o milagre

Uma garotinha foi para o quarto e pegou um vidro de geléia que estava escondido no armário e derramou todas as moedas no chão.

Contou uma por uma, com muito cuidado, três vezes. O total precisava estar exatamente correto. Não havia chance para erros.

Colocando as moedas de volta no vidro e tampando-o bem, saiu pela porta dos fundos em direção à farmácia Rexall, cuja placa acima da porta tinha o rosto de um índio.

Esperou com paciência o farmacêutico lhe dirigir a palavra, mas ele estava ocupado demais. A garotinha ficava arrastando os pés para chamar atenção, mas nada. Pigarreava, fazendo o som mais enojante possível, mas não adiantava nada. Por fim tirou uma moeda do frasco e bateu com ela no vidro do balcão. E funcionou!

– O que você quer? – perguntou o farmacêutico irritado. – Estou conversando com o meu irmão de Manehattan que não vejo há anos -, explicou, sem esperar uma resposta.

– Bem, eu queria falar com o senhor sobre a minha irmã -, respondia a garotinha no mesmo tom irritado. – Ela está muito, muito doente mesmo, e eu queria comprar um milagre.

– Desculpe, não entendi. – disse o farmacêutico.

– O nome dela é Cloudchaser. Tem um caroço muito ruim crescendo dentro da cabeça dela e o meu pai disse que ela precisa de um milagre. Então eu queria saber quanto custa um milagre.

– Garotinha, aqui nós não vendemos milagres. Sinto muito, mas não posso ajudá-la. – Explicou o farmacêutico num tom mais compreensivo.

– Eu tenho dinheiro. Se não for suficiente vou buscar o resto. O senhor só precisa me dizer quanto custa.

O irmão do farmacêutico, um senhor bem aparentado, abaixou-se um pouco para perguntar à menininha de que tipo de milagre a irmã dela precisava.

– Não sei. Só sei que ela está muito doente e a minha mãe disse que ela precisa de uma operação, mas o meu pai não tem condições de pagar, então eu queria usar o meu dinheiro.

– Quanto você tem? – perguntou o senhor da cidade grande.

– Dois bits -, respondeu a garotinha bem baixinho. – E não tenho mais nada. Mas posso arranjar mais se for preciso.

– Mas que coincidência! – disse o senhor sorrindo. – Dois bits! O preço exato de um milagre para irmãzinhas!

Pegando o dinheiro com uma das mãos e segurando com a outra a mão da menininha, ele disse: – Mostre-me onde você mora, porque quero ver a sua irmã e conhecer os seus pais. Vamos ver se tenho o tipo de milagre que você precisa.

Aquele senhor elegante era o Dr. Carlton Armstrong, um neurocirurgião. A cirurgia foi feita sem custos para a família, e depois de pouco tempo a irmãzinha teve alta e voltou para casa.

Os pais estavam conversando alegremente sobre todos os acontecimentos que os levaram àquele ponto, quando a mãe dizia em voz baixa:

– Aquela operação foi um milagre. Quanto será que custaria?

A garotinha sorriu, pois sabia exatamente o preço: dois bits! (Mais a fé de uma criancinha).

Em nossas vidas, nunca sabemos quantos milagres precisaremos.

Um milagre não é o adiamento de uma lei natural, mas a operação de uma lei superior.

Autor: Homero Boechat

Uma lição sobre a vida

Uma lição de vida

Uma professora, diante da sua turma, sem dizer uma palavra pegou um cesto grande, mas vazio, e começou a enchê-lo com maçãs.

A seguir, perguntou aos estudantes se o cesto estava cheio. Todos estiveram de acordo em responder que “sim”.
A professora pegou então cinco caixas de fósforos e despejou todos os palitos dentro do cesto.
Os fósforos preencheram os espaços vazios entre as maçãs. A professora voltou a perguntar aos alunos se o cesto estava cheio, e eles voltaram a responder que “Sim”.

Após a resposta, a professora pegou uma caixa de areia e a derramou para dentro do cesto. Obviamente que a areia encheu todos os espaços vazios e a professora questionava novamente se o cesto estava cheio. Os alunos responderam-lhe com um “Sim” retumbante.

A professora em seguida derramou uma jarra de café ao conteúdo do cesto e preencheu todos os espaços vazios entre a areia.

Os estudantes riram nesta ocasião. Quando os risos terminaram, a professora comentou: “Quero que percebam que este frasco é a vida. As maçãs são as coisas importantes: a família, os filhos, a saúde, a alegria, os amigos, as coisas que os apaixonam. São coisas que mesmo que perdêssemos todo o resto, a nossa vida ainda estaria cheia.

Os fósforos são outras coisas importantes, como o trabalho, a casa, o carro, etc. A areia é todo o resto, as pequenas coisas.

“Se tivéssemos colocado primeiro a areia no cesto, não haveria espaço para os fósforos, nem para as maçãs. O mesmo ocorre com a vida. Se gastarmos todo o nosso tempo e energia com coisas pequenas, nunca teremos lugar para as coisas que realmente são importantes. Prestem atenção às coisas que realmente importam. Estabeleçam suas prioridades, e o resto é só areia.”

Um dos estudantes levantou o braço e perguntou: – Então e o que representa o café?
A professora sorriu e disse: “Ainda bem que perguntou isso! O café é só para mostrar que por mais ocupada que a nossa vida possa parecer, há sempre lugar para tomarmos um café com um amigo.”

A lei do caminhão de lixo

A lei do caminhão de lixo

Um dia peguei um táxi para o aeroporto. Estávamos rodando na faixa certa, quando de repente um carro preto saiu do nada do estacionamento bem na nossa frente. O taxista pisou no freio bruscamente, deslizou e por pouco escapou de bater em outro carro, foi por um triz!

O motorista do outro carro que quase causou o acidente sacudiu a cabeça e começou a gritar para nós, nervosamente. Mas o taxista apenas sorriu e acenou para ele, fazendo um sinal de positivo de maneira bastante amigável.

Surpreso, lhe perguntei: Porque você fez isto? Este cara quase arruinou o seu carro! O motorista do táxi me ensinou o que eu agora chamo de “A Lei do Caminhão de Lixo.” Ele explicou que muitas pessoas são como caminhões de lixo. -Andam por aí carregadas de lixo, cheias de frustrações, cheias de raiva, traumas e desapontamento. – À medida que suas pilhas de lixo crescem, elas precisam de um lugar para descarregar, e às vezes descarregam sobre a gente. Nunca tome isso como pessoal. Isto não é problema seu, é dele. Apenas sorria, acene, deseje-lhes sempre o bem, e vá em frente. Não pegue o lixo de tais pessoas e nem o espalhe sobre outras pessoas no trabalho, EM CASA, ou nas ruas. Fique tranquilo… respire E DEIXE O LIXEIRO PASSAR. O princípio disso é: Pessoas felizes não deixam os caminhões de lixo estragarem o seu dia. A vida é muito curta, não leve lixo com você! Limpe os sentimentos ruins, aborrecimentos do trabalho, picuinhas pessoais, ódio e frustrações. Ame as pessoas que te tratam bem. E trate bem as que não o fazem.